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RISCOS AMBIENTAIS 
E PATOLOGIAS
Elaboração
Eder Rafael Pereira Fernandes
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ...................................................................................................................................................................................... 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA ................................................................................................. 5
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................................................. 7
UNIDADE I
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA ....................................................................................................................................................................... 9
CAPÍTULO 1
ANÁLISE DE FALHAS .......................................................................................................................................................................................... 9
CAPÍTULO 2
METODOLOGIAS PARA A AVALIAÇÃO DOS RISCOS DE INCÊNDIO ............................................................................................... 15
CAPÍTULO 3
CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES ...................................................................................................................................................................... 53
UNIDADE II
PATOLOGIAS ........................................................................................................................................................................................................................ 58
CAPÍTULO 1
ESTRUTURAÇÃO DA ANÁLISE DE PATOLOGIAS .................................................................................................................................. 58
CAPÍTULO 2
CONCEITOS BÁSICOS NA IDENTIFICAÇÃO DE PATOLOGIAS .......................................................................................................... 61
UNIDADE III
FALHAS E PATOLOGIAS ................................................................................................................................................................................................... 63
CAPÍTULO 1
TIPOS DE FALHAS .............................................................................................................................................................................................. 63
CAPÍTULO 2
PRINCIPAIS TIPOS DE FALHAS, PATOLOGIAS E RECUPERAÇÃO .................................................................................................. 69
CAPÍTULO 3
MANUTENÇÃO .................................................................................................................................................................................................... 88
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................................................................ 93
4
APRESENTAÇÃO
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como 
pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia 
da Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos 
conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos 
da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional 
que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-
tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO 
DE ESTUDOS E PESQUISA
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de 
textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam 
tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta 
para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos 
Cadernos de Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto 
antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para 
o autor conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma 
pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em 
seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas 
experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para 
a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do 
estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam 
para a síntese/conclusão do assunto abordado.
6
ORGANIzAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESqUISA
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/
conclusões sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando 
o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a 
aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo 
estudado.
7
INTRODUÇÃO
Para que possamos trabalhar com sistemas em nível de excelência, primeiramente 
precisamos aceitar que todos eles são falíveis. Essas falhas que comprometem a segurança 
das edificações podem se manifestar no decorrer do tempo, com o uso inadequado, pelo 
desgaste natural ou ainda podem surgir desde uma concepção equivocada do projeto 
de segurança contra incêndio. Sendo assim, esse material apresenta informações úteis 
para ajudá-lo na identificação dessas causas elementares de patologias de sistemas de 
proteção contra incêndio, que sempre fazem agravar os riscos ambientais, seja devido à 
ineficiência ou pela inoperância dessas medidas de proteção. Ademais, alguns métodos 
corretivos e preventivos devem ser pontuados juntamente com a explanação das falhas. 
Esses riscos potencializados que aumentam a probabilidade de incêndios serão citados 
juntamente com conceitos de durabilidade, vida útil, desempenho e os requisitos para 
o desejado desempenho. 
Essa tarefa de identificar as causas de uma patologia, ou de se antecipar a ela na 
identificação prematura de riscos ambientais, embora possa parecer, não é das tarefas 
mais triviais. 
Porém, eu sei que você, por ter escolhido uma profissão de tanta responsabilidade e 
honradez, não é afeito à moleza.
A habilidade mais importante de um profissional da engenharia de segurança talvez seja 
a de resolver problemas práticos do cotidiano, de modo a tornar mais simples a vida 
em sociedade. Com isso, naturalmente o maior mérito desse profissional estaria em 
resolver enigmas, ou seja, problemas que requerem uma solução a partir de informações 
mínimas. Sendo assim, pode-se perceber que o trabalho do engenheiro de segurança 
não se limita na reprodução precisa de ideias e teoremas previamente consolidados, 
mas também numa visão profunda, honesta e cética da realidade que nos permeia. 
Em outras palavras, o bom engenheiro deve despir-seou externo à edificação.
1,0
42
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Denominação do 
acesso Descrição fator 
f4
Restrito
Acesso por só uma fachada, quando a edificação for do tipo H, ou por duas fachadas 
quando a edificação for do tipo V; hidrante público a até 75 m da edificação ou instalação 
de hidrante interno ou externo à edificação.
1,25
Difícil
Acesso a só uma fachada da edificação; hidrante público a até 75 m da edificação ou 
instalação de hidrante interno ou externo à edificação.
1,6
Muito difícil Acesso a uma só fachada; hidrante público a mais de 75 m da edificação. 1,9
Fonte: Gouveia, 2006.
Perigo de generalização – fator f5
O fator f5 se trata do perigo de generalização, leva em consideração as características 
da edificação ou do conjunto de edificações que possam contribuir para o alastramento 
de um eventual incêndio. Sendo assim, é considerado o isolamento proporcionado 
pelas dimensões e pela combustibilidade dos seguintes componentes construtivos: 
paredes, fachadas, empenas3 e coberturas. A tabela a seguir, que resgata também algumas 
informações importantes presentes na tabela 33, nos dá os possíveis valores de f5.
Tabela 40. Perigo de generalização e fatores de risco.
Denominação 
da situação 
de perigo
Tipo Descrição fator 
f5
I
Paredes
Resistência ao fogo de 120 min., sem aberturas ou com aberturas de acordo 
com a tabela 33.
1,0
Fachadas Incombustíveis, com abertura obedecendo à tabela 33.
Empenas Incombustíveis, com resistência ao fogo de 120 min., sem aberturas.
Cobertura
Incombustível ou combustível protegida em uma faixa de pelo menos 1,5 m 
a partir das bordas.
II
Paredes
Resistência ao fogo de 120 min., sem aberturas ou com aberturas de acordo 
com a tabela 33.
1,5
Fachadas Incombustíveis, com abertura obedecendo à tabela 33.
Empenas
Combustível ou incombustíveis com resistência ao fogo inferior a 120 min. 
ou com aberturas acima dos limites da tabela 33.
Cobertura Combustível, sem a faixa de proteção de largura 1,5m a partir das bordas.
III
Paredes
Resistência ao fogo de 120 min., sem aberturas ou com aberturas de acordo 
com a tabela 33.
2,0
Fachadas Combustíveis ou com aberturas acima dos limites da tabela 33.
Empenas
Combustíveis ou incombustíveis com resistência ao fogo inferior a 120 min. 
ou com abertura acima dos limites da tabela 33.
Cobertura Combustível sem a faixa de proteção de largura 1,5 m a partir das bordas.
3 Paredes laterais de um edifício, sem aberturas (janelas ou portas), estas paredes estão preparadas a receber outro edifício encostado.
43
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Denominação 
da situação 
de perigo
Tipo Descrição fator 
f5
IV
Paredes
Combustíveis ou incombustíveis com resistência ao fogo inferior a 120 min. 
ou com abertura acima dos limites da tabela 33.
3,0
Fachadas Combustíveis ou com aberturas acima dos limites da tabela 33.
Empenas
Combustíveis ou incombustíveis com resistência ao fogo inferior a 120 min. 
ou com abertura acima dos limites da tabela 33.
Cobertura Combustível sem a faixa de proteção 1,5 m de largura a partir das bordas
Fonte: Gouveia, 2006.
Importância específica da edificação
O fator f6 se refere à importância específica da edificação, que remete às políticas de 
preservação do patrimônio.
Esse fator foi concebido com enfoque em edificações sob o domínio da administração 
pública, que traz um índice de acordo com a importância de valor histórico da edificação. 
Contudo, esses são índices bem subjetivos, que levam mais do que todos os outros, 
até o momento citado, variáveis imponderáveis devido ao comportamento humano. 
Talvez nós pudéssemos traçar um paralelo desse fator com graus de comprometimento 
com uma manutenção de qualidade em edificações que também sejam antigas, mas 
que não sejam de domínio público. 
Tabela 41. Importância específica da edificação e fatores de risco – fator f6.
Tipo de tombamento fator f6
Tombamento em todos os níveis 1,2
Patrimônio histórico da humanidade 1,5
Tombada pela união 1,7
Tombada pelo estado 1,9
Tombada pelo município 2,2
Fonte: Gouveia, 2006.
Medidas e fatores de segurança – S
As medidas de segurança e fatores de segurança são os contrapesos dos agentes que 
contribuem para um incêndio, sendo assim esses fatores visam mitigar os riscos de 
incêndio de edificações. São várias as medidas mitigadoras do risco de incêndio, 
sejam elas ativas ou passivas. Contudo, para o emprego desse método, são elencadas 
5 medidas, conforme a lista a seguir:
44
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
 » Medidas sinalizadoras do incêndio – S1.
 » Medidas extintivas – S2.
 » Medidas de infraestrutura – S3.
 » Medidas estruturais – S4.
 » Medidas políticas – S5.
Medidas sinalizadoras do incêndio – s1
O fator de segurança, associado às medidas de segurança sinalizadoras, leva em 
consideração o sistema de detecção e alarme de incêndio, que possibilitam uma prévia 
identificação de um incêndio e uma ação antes mesmo dos sistemas automáticos 
entrarem em ação. 
Essas medidas ativas de segurança contra incêndio permitem uma evacuação segura 
da edificação, de modo a atender o primeiro objetivo da SCI: preservar vidas. Sendo 
assim, produzem os fatores de segurança, conforme a tabela a seguir:
Tabela 42. Medidas sinalizadoras do incêndio e fatores de segurança.
Descrição Símbolo
Fator de 
segurança
Alarme de incêndio com acionamento manual S1 1,5
Detector de calor e fumaça S2 2,0
Detector de calor e fumaça com transmissão automática do sinal de alarme para o 
Corpo de Bombeiros ou para a central de segurança
S3 3,0
Fonte: Gouveia, 2006.
Medidas extintivas – s2
Esse fator de segurança se refere às medidas de extinção de incêndio que contemplam os 
sistemas fixos automáticos e as unidades extintoras manuais, bem como a disponibilidade 
no local de brigadistas de incêndio devidamente treinados.
Os agentes extintores empregados devem garantir, além da extinção do incêndio, a 
preservação da integridade do patrimônio, um dos principais objetivos da aplicação 
da segurança contra incêndio em edificações de grande importância histórica.
Com esse propósito de preservação de materiais, os agentes extintores gasosos podem 
ser empregados tanto em sistemas fixos automáticos como em unidades extintoras 
portáteis.
45
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Em algumas situações específicas, os chuveiros automáticos, como water mist system, 
podem ser empregados, o que possibilita uma aspersão com gotículas, que atuam da 
mesma forma que alguns gases, por abafamento e resfriamento do incêndio, e não 
prejudicam alguns materiais.
A importância do papel da brigada de incêndio não deve ser diminuída em comparação 
à ação automática e rápida proporcionada pelos sistemas automáticos em cima de 
um foco inicial de incêndio, pois a ação humana transcende essa eficiência para uma 
atuação preventiva do incêndio por meio de vistorias, rondas e inspeções frequentes 
a observar o comportamento da edificação, com sintomas de patologias, e identificar 
um problema precocemente para ação antes que um sinistro ocorra.
Tabela 43. Medidas extintivas e fatores de segurança.
Descrição Símbolo Fator de segurança
Aparelhos extintores S4 1,0
Sistema fixo de gases S5 6,0
Brigada de incêndio em plantão durante o expediente S6 8,0
Brigada de incêndio em plantão permanente S7 8,0
Instalação interna de chuveiros automáticos S8a 10
Instalação externa de chuveiros automáticos S8b 6,0
Fonte: Gouveia, 2006.
Medidas de infraestrutura – s3
O fator associado às medidas de segurança de infraestrutura leva em consideração a 
disponibilidade de hidrantes públicos e privados, com suprimento de reservatório 
técnico de incêndio abastecido pelo sistema público ou por alguma fonte privada. 
Todos esses requisitos devem estar de acordo com as instruções técnicas oficiais 
vigentes para que possam ser consideradas, ou seja, a rede de hidrantes deve estar 
corretamente distribuída e pressurizada, e a reserva de água deve estarcom o volume 
compatível ao risco de incêndio. 
A tabela a seguir mostra o fator de segurança a ser aplicado em função do tipo de 
hidrante e do tipo de abastecimento.
Tabela 44. Medidas de infraestrutura e fatores de segurança.
Descrição Símbolo Fator de 
segurança
Sistema de hidrantes internos à edificação e mangotinhos com abastecimento por 
meio de reservatório público
S9 6,0
46
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Descrição Símbolo Fator de 
segurança
Sistema de hidrantes internos à edificação e mangotinhos com abastecimento por 
meio de reservatório particular
S10 6,0
Reserva de água S11 1,0
Fonte: Gouveia, 2006.
Medidas estruturais – s4
Os fatores de segurança associados às medidas de segurança estruturais contra incêndio 
são as medidas de proteção passivas que dificultam a ignição e promovem o retardamento 
da propagação do incêndio. Esses são os diversos tipos de resistência ao fogo que os 
materiais construtivos da edificação podem oferecer.
Os tempos requeridos de resistência ao fogo (TRRF) são individualmente atribuídos 
aos materiais construtivos das edificações, sendo assim podemos buscar um fator de 
segurança em função do TRRF de acordo com a seguinte tabela:
Tabela 45. Medidas estruturais e fatores de segurança.
Resistência ao fogo da estrutura (min) Símbolo Fator de segurança
≥ 30 S12 1,0
≥ 60 S13 2,0
≥ 90 S14 3,0
≥ 120 S15 4,0
Fonte: Gouveia, 2006.
Medidas políticas – s5
O fator de segurança, relativo às medidas de segurança políticas, é aquele associado às 
boas práticas presente dos ocupantes da edificação para o cumprimento das diretrizes 
de contingências previamente planejadas. Esse planejamento e treinamento são dados 
em iniciativas do fomento da cultura de segurança e no plano de emergências que 
contempla o mapeamento dos riscos, dos equipamentos, da intervenção e da evacuação 
controlada dos ocupantes da edificação; para tanto esse fator de segurança também 
considera a sinalização de emergência, uma proteção passiva de grande importância 
para o balizamento da rota de fuga em uma situação de emergência.
O plano de emergência deve levar em consideração também a existência de pessoas 
com mobilidade reduzida nas edificações. Os valores desse fator podem ser obtidos 
conforme a seguinte tabela:
47
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Tabela 46. Medidas políticas e fatores de segurança.
Descrição Símbolo Fator de segurança
Planta de risco S16 1,0
Plano de intervenção S17 1,2
Plano de escapo S18 1,2
Sinalização das saídas de emergência e rotas de fuga S19 1,0
Fonte: Gouveia, 2006.
Desse modo, podemos calcular a segurança contra incêndio (S), por meio da seguinte 
expressão de atribuição dos pesos anteriormente definidos:
S = S1 x S2 x … x Sn
Essa grandeza (S) é análoga à exposição ao risco de incêndio (E), que embora tenha 
alguns pesos que podem se dar por inferência estatística, como o comportamento do 
tráfego urbano a influenciar o tempo de resposta dos bombeiros, essa grandeza ainda 
pode ser considerada determinística, pois no seu cálculo deve-se levar em conta o 
princípio da não exclusão4 (GOUVEIA, 2016).
Risco de ativação – A
Até o momento analisamos as grandezas E e S que são obtidas por verificação e aferição 
no local estudado, ou seja, apenas representam o que existe na edificação que contribui 
ou mitiga o risco do incêndio.
Já para o risco de ativação entram componentes mais subjetivos, de caráter estatístico 
do risco de ativação, pois busca-se mensurar as variáveis do comportamento humano, 
tal como o que citamos anteriormente, da diferença que pode fazer um pessoal bem 
treinado que fomenta a cultura da segurança contra o incêndio.
Determinado o risco de ativação (A), seja ele aplicável a cada um dos compartimentos 
de uma edificação, ou em complexo de edificações, teremos o seguinte produto:
A = A1 x A2 x … x Ak
Onde A1, A2, A3 e A4 representam o peso do risco de ativação devido à ocupação do 
compartimento, sendo que o A1 é válido enquanto a atividade na ocupação existir, mas 
os demais são acidentais, e deve ser utilizado o valor crítico, ou seja, os compartimentos 
4 O emprego de medidas de segurança de determinada classe não exclui o emprego obrigatório de pelo menos uma medida de cada uma das classes. 
O princípio da não exclusão limita a liberdade de escolha do projetista, mas atua francamente em favor da segurança da edificação.
48
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
podem apresentar diversos riscos de ativação na mesma edificação, mas, a favor da 
segurança, consideramos o maior risco de ativação. 
Os riscos de ativação podem ser reunidos em três classes:
 » Riscos decorrentes diretamente da atividade humana:
 › Devido à ocupação – fator – A1;
 › Falha a falha humana – fator – A2.
 » Riscos decorrentes das instalações – fator A3.
 » Riscos devidos a fenômenos naturais.
Riscos decorrentes diretamente da atividade humana
Devido à ocupação – fator A1
Dos riscos inerentes à ação humana, temos aquele que é oriundo da natureza da 
ocupação, que associado ao risco das temperaturas geradas nas operações das atividades 
e os materiais combustíveis típicos dessas atividades, cada qual com propriedades de 
energia calorífica, fulguração e inflamação diferentes, que num eventual incidente, se 
ignizem e produzem um incêndio com diferentes faixas de temperaturas.
A tabela a seguir mostra o fator de risco (A1) em função da temperatura gerada durante 
a operação de diferentes atividades:
Tabela 47. Caracterização das ocupações e fatores de risco de ativação - fator A1.
Caracterização das ocupações realizadas na edificação Fator de risco
Operações que envolvem temperaturas inferiores a 40 °C 1,00
Operações que envolvem temperaturas entre 40 °C e 250 °C 1,25
Operações que envolvem temperaturas superiores a 250 °C 1,50
Fonte: Gouveia, 2016.
Gouveia (2006) ainda sugere fazer uso da classificação do grupo de atividades presente 
no Decreto Estadual de São Paulo de Segurança Contra Incêndio, que atribui e associa 
o fator de risco de ativação diretamente às atividades, conforme a próxima tabela, a 
qual pode representar uma boa oportunidade de atualização e melhorias a acrescentar 
às áreas de risco de serviços de saúde (grupo H), industrial (grupo I), depósito (grupo 
J4), energia (grupo k), explosivos (grupo L) e atividades especiais (grupo M).
49
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Tabela 48. Riscos de ativação devidos à natureza da ocupação e fatores de risco – fator A1.
Grupo de ocupação Fator de risco
A 1,25
B 1,25
E 1,25
C 1,50
D 1,50
F-6 e F-8 1,50
F-1 até F-11 1,00
Fonte: Gouveia, 2006.
Falha a falha humana – fator A2
Basicamente, esse risco devido à falha humana leva em consideração o grau de instrução 
dos ocupantes da edificação em segurança contra incêndio, o nível e a frequência de 
treinamento da brigada de incêndio, bem como a intensidade de atuação das comissões 
internas de prevenção de acidentes. 
Sugerimos, nesse ponto, que não somente seja verificado o nível de treinamento e 
a frequência, através da comprovação documental, mas também que seja aferido o 
nível de aderência dos ocupantes à cultura de segurança contra incêndio, verificando 
se o conhecimento dos ocupantes justifica os certificados de brigadistas.
Tabela 49. Risco de ativação devido à falha humana e fatores de risco – fator A2.
Descrição Fator de risco
Usuários treinados e reciclados no treinamento ao menos 1 vez por ano 1,00
Usuários treinados e reciclados no treinamento ao menos 1 vez a cada 2 anos 1,25
Usuários não treinados 1,75
Fonte: Gouveia, 2006.
Riscos decorrentes das instalações – fator A3
O fator A3 decorre do risco inerente da conjunção entre as instalações elétricas e de 
gás, sendo uma a contribuir com o combustível e a outra com a fonte de ignição. 
As variáveis desse fator são a qualidade das instalações, conformidade às normas 
técnicas pertinentes e nível de manutenção. Sendo assim, os parâmetros definidores 
do risco e os respectivos fatoresdecorrentes das instalações são:
50
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Tabela 50. Qualidade das instalações elétricas e de gás e fatores de risco – fator A3.
Caracterização das instalações Fator de risco
 » Instalações projetadas e executadas de acordo com as NBRs aplicáveis
 » Com uso adequado
 » Manutenção regulares
1,00
 » Instalações projetadas e executadas de acordo com as NBRs aplicáveis
 » Com uso inadequado (extensões sem projeto)
 » Manutenções regulares irregulares
1,25
 » Instalações não projetadas segundo as NBRs aplicáveis 1,50
Fonte: Gouveia, 2006.
Riscos devidos a fenômenos naturais – fator A4
O A4 decorre da incidência de fenômenos naturais espontâneos, tais como, as reações 
químicas, o aquecimento natural, as descargas atmosféricas na região analisada, 
sendo esse último item variável em função da existência da implantação de projeto 
específico de sistemas de proteção às descargas atmosféricas (SPDA), em conformidade 
com norma técnica aplicável. Sendo assim, esse fator se dá de acordo com a 
seguinte tabela:
Tabela 51. Risco de ativação por descarga atmosférica e fatores de risco – fator A4.
Caracterização das instalações Fator de risco
 » Instalações projetadas e executadas de acordo com as NBRs aplicáveis
 » Manutenção regular
1,00
 » Instalações projetadas e executadas de acordo com as NBRs aplicáveis
 » Manutenção irregular
1,25
 » Projeto inexistente 1,50
Fonte: Gouveia, 2006.
Dessa forma, o nosso risco de ativação se dá pela seguinte expressão:
A = A1 x A2 x A3 x A4
Risco global de incêndio
O risco global de incêndio (R) é calculado pelo produto da exposição ao risco de 
incêndio (E), pelo risco de ativação (A):
R = E x A
51
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Em uma situação de investigação real do risco de incêndio, devemos avaliar isoladamente 
cada um dos compartimentos da edificação, para então determinar o maior risco para 
toda a edificação, e da mesma forma devemos proceder para um conjunto de edificações.
Após determinar o risco global de incêndio (R), o coeficiente de segurança (ϒ) da 
edificação pode ser determinado pelo quociente do fator das medidas de segurança 
(S) pelo risco global de incêndio (R), sendo assim teremos:
mín
Sγ =     γ
R

Análise de sensibilidade
Após o cálculo do método acima explanado, talvez precisemos ajustar os cálculos com 
novos pesos para os fatores de risco e de segurança. 
Gouveia (2006, p. 71) aponta um indicador para decisão de parar o cálculo e montar 
a memória. No seu estudo, ele chegou à conclusão de que exceto para a função do 
parâmetro de risco pela densidade de carga de incêndio, todas variações dos fatores 
de risco em função dos parâmetros das medidas de segurança, tendem à linearidade, 
conforme podemos ver nos exemplos a seguir:
Na figura 1, abaixo, podemos notar favorecimento ao desenvolvimento e propagação 
de incêndios, as condições de acesso e de risco generalizado crescem linearmente.
O mesmo ocorre na figura 2, onde a valoração atribuída aos fatores de risco em função 
das distâncias máximas é aproximadamente linear, e salvo a exceção já citada, todas as 
outras variações de fatores tendem à linearidade.
Figura 1. Variação dos fatores de risco f4 e f5.
 
1 2 3 4 
3,5 
 
 3 
Condições de acesso 
Fa
to
re
s 
de
 ri
sc
o 
f4
 e
 f5
 
Risco de generalização 
0,5 
2,5 
 
 2 
1,5 
 
 1 
0 
Fonte: Gouveia, 2006.
52
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Figura 2. Variação do fator de risco f3 em função da distância da edificação em relação ao Corpo de Bombeiros.
 Distância ao Corpo de Bombeiros (km) 
0 2 4 6 8 10 12 14 16 
2,0 
 
1,8 
 
1,6 
 
1,4 
 
1,2 
 
1,0 
 
Fonte: Gouveia, 2006.
Esse estudo sem dúvidas é muito valoroso para a compreensão do conceito da relação 
entre os riscos de incêndio e as medidas de segurança. Contudo, cabe fazer mais uma 
observação para esse trabalho de análise de risco global de incêndio.
Caso forem ler esse estudo na íntegra, criem um olhar crítico sobre as variáveis do 
comportamento humano que podem influenciar sobre suas verificações determinísticas.
Sem dúvida, o comportamento humano é imponderável, mas a experiência nos mostra 
que mesmo com treinamentos, a maioria das pessoas tende a buscar uma zona de 
conforto, que na segurança contra incêndio é sempre muito prejudicial.
Por exemplo, caso verifiquem deterministicamente, uma sala vazia, com baixo risco de 
incêndio, não significa que ela sempre ficará assim, mais provavelmente, em um curto 
espaço de tempo, é capaz de esse cômodo virar o famigerado “cantinho da bagunça”, 
ou seja, o que em vistoria verificou-se como sendo um local de baixo risco, do dia 
pra noite, virou um depósito, sem manutenção nas instalações elétricas, e repletas 
de produtos combustíveis e inflamáveis. Por esse ponto de vista, talvez inferências 
estatísticas, não sejam tão ruins.
Existem muitos, modelos ou métodos de análise de risco, escolha sempre o 
mais adequado, mas não fiquem engessados apenas neles. Sempre tome muito 
cuidado ao adotar modelos matemáticos indiscriminadamente, sem observar as 
peculiaridades da edificação, na qual você está prestando seus serviços técnicos.
Lembre-se, dado o grau de incertezas, como responsável técnico, você tem toda 
a liberdade de adotar medidas conservadoras, ou seja, a favor da segurança.
53
CAPÍTULO 3
Construção de hipóteses
Exemplo prático piloto
Durante a vistoria, verificamos que não havia compartimentação vertical entre 
os pavimentos, mais especificamente nos shafts e nos dutos de ar. No caso dos 
dutos, havia damperes, porém, muitos deles permaneceram abertos no momento 
da emergência. Nesse caso, percebemos que o mecanismo emperrado não tinha 
registro de manutenção. 
Com essas informações, já conseguimos mapear as causas da propagação do incêndio. 
Tudo indica que houve falha no projeto, falha na manutenção do sistema e falha no 
treinamento dos brigadistas e colaboradores. Como não havia compartimentação 
vertical, o incêndio se alastrou simultaneamente em duas áreas de operação.
Abaixo, seguem duas imagens para exemplificar condições opostas de compartimentação 
vertical.
Figura 3. Exemplo de shaft inadequado (a) e adequado (b) de compartimentação vertical.
Fotos: Arquivo Hilti do Brasil; Revista FUNDABOM, 2018.
Sabendo que o sistema de chuveiros automáticos não é projetado para atuar em 
simultaneidade de eventos, podemos descartá-lo como sendo um dos responsáveis 
pela propagação do incêndio? Muitos responderiam que obviamente o problema 
se originou no circuito elétrico e se propagou devido à falta de compartimentação. 
Entretanto, para que o problema não seja recorrente, devemos investigar mais 
a fundo e saber porque a instalação elétrica falhou e porque de fato o incêndio 
se alastrou.
54
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Se o projeto de instalação elétrica, inclusive os circuitos de proteção, os aterramentos, 
bem como a execução, estavam todos corretos; e considerando que todos os materiais 
empregados na edificação possuíam selo de qualidade, então, podemos afirmar que 
as suspeitas recaem com mais vigor sobre a utilização e manutenção inadequada da 
instalação que veio a reduzir a vida útil dos condutores elétricos.
De fato, estando correto o circuito de proteção, as cargas usuais dos circuitos, tais 
como, servidores, datacenters, computadores, impressoras, máquinas de café, collers, 
entre outras são irrelevantes analisar, então restringimos as suspeitas para as utilizações 
atípicas, tais como reformas e obras. 
Percebemos que não foi concedido nenhum documento ou relatório relativo às obras, 
pois esses praticamente não existiam, ou estavam inconclusivos. Nesse cenário, não 
poderíamos chamar para o inquérito todos responsáveis pela causa original, devido à 
falta de controle documentalde terceirizadas. 
Nessa etapa da investigação, podemos conjecturar que em algumas das recorrentes 
reformas, bem comuns para esse tipo de edificação, poderiam ter ocorrido a deterioração 
dos circuitos. 
O quadro de baixa tensão do 20º estava todo queimado, isso impossibilitou coletar 
provas dessa suspeita, investigamos um andar desocupado devido a uma reforma que 
estava em andamento e identificamos, após análises visuais e instrumentalizadas, as 
seguintes irregularidades:
 » Sinal de sobrecarga em uma das fases conforme a figura 4. 
 » Circuito sem equipotencialização de cargas.
Perceba pela imagem que próximo ao disjuntor a seção de um dos cabos parece 
maior. Isso ocorre porque, com uma maior potência demandada, a intensidade 
de corrente ultrapassa o valor da intensidade nominal do disjuntor desse circuito. 
Quando isso acontece, o disjuntor interrompe o circuito, mas se o disjuntor for 
inadequado, ou seja, quando ele permite uma passagem de corrente maior do que 
a capacidade do condutor, o circuito funciona como se não houvesse proteção e o 
condutor elétrico com o tempo vai perdendo rendimento, e começa a dissipar cada 
vez mais calor, até que um dia entre em combustão.
Outra irregularidade visível dessa instalação é a parte exposta do cabo e painel sem 
identificação. 
55
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Figura 4. Instalação elétrica inadequada.
Fonte: próprio autor, 2020.
Circuitos elétricos precisam estar equipotencializados. Isso significa que a 
quantidade de carga precisa estar bem distribuída nas fases.
Porventura, o uso simultâneo dos equipamentos ali presentes não seriam suficientes para 
desarmar os disjuntores de proteção a não ser que o circuito estivesse desbalanceado. 
Verificamos que realmente o circuito estava desbalanceado, esse problema deve 
ter ocorrido em uma das reformas e ninguém percebeu ou tomou providências. 
Os equipamentos ali presentes eram uma máquina inversora de solda, batedeira de 
argamassa, esmeril, serra circular, furadeira, entre outros, ou seja, eram suficientes 
para desarmar um circuito desequilibrado.
Com uma das fases desequilibrada, um dos operários, sem supervisão adequada, estava 
evitando que o disjuntor desarmasse com um jumper
5.
Poderíamos sugerir outras prováveis causas, mas seriam também todas desprovidas 
de provas incontestáveis por falta documental, mas aparentemente esse procedimento 
inadequado era recorrente, e por coincidência aquela mesma empreiteira havia reformado 
o 20º andar do prédio há alguns meses.
Podemos concluir nosso laudo determinando as falhas genéricas que originaram o 
incêndio, sendo elas:
 » falha no gerenciamento das obras;
 » falha no gerenciamento da manutenção.
5 Pedaço de condutor elétrico que substitui o disjuntor.
56
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Perceba que o responsável pelo condomínio poderia ter evitado o princípio do sinistro, 
com a contratação de uma boa empresa que equipasse seus inspetores com termovisores 
(Figura 5) e com a contratação de um fiscal, sem qualquer vínculo com as terceirizadas, 
responsável pelo registro em diário de obra dos problemas técnicos verificados em 
reformas, para reportá-lo ao gestor do condomínio para providências. 
Quanto à propagação do incêndio, também percebemos falhas na gestão de obras e 
na manutenção, pois não foram instalados todos os elementos de compartimentação, 
e alguns já instalados não funcionaram.
Figura 5. Exemplos do uso de um termógrafo, à esquerda (placa fotovoltaicas) e à direita (quadro de força).
Fonte: Freepik, 2020.
Além desses tipos de problemas que contribuíram para a evolução do incêndio, 
verificamos falha no sistema de alarme, que não possui relação causal com o surgimento 
e propagação do incêndio, porém é uma ramificação da árvore de falhas que pode ter 
contribuído para o óbito, pois o alarme não se fez audível conforme as especificações 
técnicas de projeto em todos os setores da edificação.
Contornar essas sucessivas falhas é missão dos gestores do empreendimento, que 
poderiam ter evitado o óbito, não só com a contratação de empresas idôneas, e mão 
de obra especializada e comprometida, mas também em atitudes simples, porém, não 
menos importantes, tais como promover treinamentos frequentes de segurança contra 
incêndio nos condôminos, e a criação de áreas restritas, para evitar que depósitos sejam 
usados como área de descanso.
Em uma perícia de incêndio, não devemos descartar a investigação de todas as 
possibilidades de agravamento do incêndio, embora depoimentos sejam úteis para 
traçarmos uma estratégia de investigação, não podemos desconsiderar situações 
57
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
aparentemente resolvidas, como, por exemplo, o caso da pressurização do chuveiro 
automático. Nesse caso hipotético, o projeto e sua execução estavam corretos, e todos 
os laudos técnicos do funcionamento das redes estavam em conformidade com as 
normas técnicas, mas isso não significa dizer que o funcionamento da rede de sprinklers 
estava em perfeito estado. 
Então, sendo possível, devemos também testar a pressurização e estanqueidade das 
instalações, inclusive das que aparentemente funcionaram como o sistema de hidrantes. 
Para nos auxiliar na busca das causas do incêndio, podemos traçar o diagrama, cujas 
linhas em vermelho representam o fluxo de eventos que culminaram na propagação 
do incêndio e na vítima fatal.
58
UNIDADE IIPATOLOGIAS
CAPÍTULO 1
Estruturação da análise de patologias
Processo científico
No exemplo anterior, buscamos passar uma situação prática factível para organizá-la 
de forma estruturada. 
Lichtenstein (1986), estrutura uma metodologia para a análise de patologias que se 
baseia em três etapas, semelhantes com as condutas acima tomadas. Segundo ele, 
inicialmente precisamos:
 » levantar informações (anamnese) necessárias e suficientes para compreensão 
do fenômeno através dos procedimentos listados abaixo; 
 » devemos realizar o diagnóstico; 
 » tomar as providências necessárias para contornar o problema.
Levantamento de dados
Vistoria no local
Devemos fazer uma vistoria no local, com olho clínico, sem pressa, sempre devidamente 
paramentado, com instrumentos de medição e coleta de amostras sempre que necessário. 
Se ainda restarem algumas dúvidas, devemos voltar ao local.
Lembre-se sempre, a pressa é inimiga do perito, e atitudes que colaborem para um 
diagnóstico errado podem ser a diferença entre um trágico desfecho ou uma operação 
tranquila e com excelência.
Levantamento do histórico
Esse levantamento visa pesquisar, a partir da experiência com problemas semelhantes 
em outras edificações, se forem úteis, e buscar o histórico da própria edificação analisada, 
59
PATOLOGIAS | UNIDADE II
por exemplo, por meio da coleta de documentos do histórico de manutenção, de 
depoimentos de pessoas que estão convivendo com o problema mais de perto.
Busca de ensaios complementares
Tal qual um clínico geral que solicita vários exames para poder compreender melhor a 
patologia, você também, como responsável técnico, deverá solicitar ensaios laboratoriais 
que eliminem dúvidas quanto ao diagnóstico final.
Diagnóstico da situação
Após coletadas todas essas informações, partimos para o diagnóstico. Essa fase talvez 
possa parecer a mais importante, porém, ela está mais para a fase derradeira.
Diagnóstico da situação é o entendimento dos fenômenos em termos da identificação 
das múltiplas relações de causa e efeito que normalmente caracterizam um problema 
patológico; em outras palavras, o objetivo do diagnóstico é entender os porquês e 
os meios de ocorrência de uma evidência a partir do tratamento e estudo de dados 
coletados (LICHTENSTEIN, 1986). 
Definição de providências
Nessa fase, devemos definir toda estratégia com materiais e métodos a descrever todos 
os trabalhos necessários para sanar a patologia, inclusive com várias intervenções a 
acompanhar a tendência de evolução planejada semelhante a um prognóstico.Existe sempre a possibilidade de os procedimentos acima citados não surtirem efeitos 
positivos e duradouros, pois todos nós estamos susceptíveis a erros. Sendo assim, 
seria mais apropriada a intervenção com base na metodologia de repetição, tal como 
descrito no ciclo PDCA, que consiste em:
 » planejar as entradas de um processo ou sistema;
 » executar o planejado;
 » verificar se tudo está de acordo com o desejado;
 » caso não esteja, agir para corrigir ou melhorar.
Ciclo PDCA
Abaixo, estão descritas as etapas do ciclo PDCA, sendo as duas primeiras referentes à 
entrada do processo e as outras à saída dos processos.
60
UNIDADE II | PATOLOGIAS
Planejamento
Essa etapa consiste na definição de estratégias antes de tomar qualquer atitude, até 
mesmo antes de uma investigação ou de uma vistoria. Nessa etapa, podemos definir 
e revisar questões contratuais, como preços e prazos de entrega, podemos também 
conjecturar quais equipamentos serão necessários em uma vistoria para evitar retorno, 
podemos definir, podemos avaliar subcontratações e fornecedores para complementar 
nossas atividades e entregar os serviços no prazo.
Executar
Essa etapa consiste em executar as atividades planejadas, com os procedimentos e com 
as instruções de trabalho predefinidas.
Verificar
Essa etapa consiste em realizar auditorias, revisar trabalhos e relatórios, solicitar a 
opinião de terceiros e revisar com critérios de qualidade.
Agir
Consiste basicamente em tomar providências para a correção de um problema verificado, 
ou no caso de um iminente problema, nós devemos realizar ações preventivas. E assim 
planejamos novamente o processo, tomando uma nova estratégia nos pontos falhos.
61
CAPÍTULO 2
Conceitos básicos na identificação 
de patologias
Processos analíticos aplicados
Nosso exemplo foi de um caso extremo, entretanto, podemos nos deparar no dia a dia 
com situações muito mais simples, tais como, uma tubulação de combate a incêndio 
que está em processo de degradação pela oxidação. Tal problema usualmente provoca 
vazamentos e a despressurização de tubos molhados. 
Com uma visão holística, devemos perceber as interações dos sistemas de combate a 
incêndio com as ações externas de agentes agressivos, para os quais as instalações não 
conseguem se adaptar com facilidade. 
Por exemplo, instalações submetidas a atmosferas corrosivas tendem a perder muito 
tempo de sua vida útil, ou ainda tubulações que precisam usar água do mar para o 
combate a incêndio. Tal procedimento é bem comum em refinarias de petróleo e bacias 
de tanques de armazenamento de combustíveis e líquidos inflamáveis.
Entretanto, se não podemos ver as patologias, não significa que os problemas não 
existam. Assim, conhecemos um conceito importante de patologias. Para cada ação 
dos agentes agressores, temos uma capacidade de amortecimento ou absorção dessas 
ações. Nesse sentido, quando a patologia se torna aparente, podemos afirmar que o 
sistema possui uma capacidade menor de absorção dessas intempéries, fazendo com 
que o seu desempenho seja reduzido.
Sempre que temos um desempenho reduzido, a vida útil do material ou do sistema 
também diminuirá. Assim, podemos definir a vida útil como sendo o tempo que um 
sistema ou material consegue cumprir a função para a qual foi projetada, sem que 
ocorram custos fora do esperado no programa de manutenção indicado por fabricantes. 
A NBR 15575 define a vida útil como sendo o tempo compreendido entre o início de 
operação de um produto e o momento em que o seu desempenho deixa de atender as 
expectativas preestabelecidas.
Lichtenstein (1986) ainda descreve esse processo de diagnóstico de forma bem semelhante 
ao método científico, para o qual temos: 
 » a constatação de um problema, seja ele aparente ou não; 
 » o levantamento de hipóteses; 
62
UNIDADE II | PATOLOGIAS
 » a experimentação; 
 » a análise dos resultados e conclusão (o diagnóstico).
Sem diminuir a importância das outras fases desse processo de análise, de fato as fases 
iniciais de um trabalho são sempre mais importante, pois ali são feitas escolhas, são 
definidos os caminhos que iremos percorrer. Uma pequena escolha errada no começo 
pode desenrolar uma cadeia de eventos e se tornar um grande problema no final.
Nessa fase de análise, temos que nos despir de toda vaidade e admitir que somos 
limitados e falhos em perceber a realidade à nossa volta. Nessa fase, devemos 
olhar o problema de vários ângulos diferentes, não ter orgulho de pedir opinião 
de terceiros, buscar sempre o maior número de dados possível, essas atitudes 
são receitas para o sucesso não só em inspeções periciais, mas também na vida. 
Sendo assim, o processo de diagnóstico, especialmente nessa fase inicial, consiste na 
redução das incerteza pelo progressivo levantamento de dados, tal como fizemos no 
exemplo do incêndio do prédio de 30 andares, onde, após a coleta de vários dados, ainda 
havia dúvidas a sanar, então, demonstramos essa redução de incerteza na concepção 
de hipóteses, e respectivas checagens, até que chegamos a uma situação satisfatória 
entre o modelo desenvolvido e a realidade oculta.
63
UNIDADE IIIFALHAS E 
PATOLOGIAS
CAPÍTULO 1
Tipos de falhas
Falhas de projeto
Os projetos devem ser muito bem concebidos e planejados, essa é uma daquelas fases 
iniciais de um processo que se não forem muito bem feitas, poderão causar problemas 
complicadíssimo de resolver no futuro. Nessa etapa, devemos observar todas as 
especificações técnicas condizentes às normas oficiais vigentes, mas não apenas isso. 
Devemos também pensar a integração de todos os projetos em uma única base, para 
que possamos verificar as interferências entre todas as disciplinas, tanto no traçado dos 
desenhos, quanto na sua funcionalidade. Ou seja, devemos verificar as interfaces entre 
os projetos ocupando o mesmo espaço e na proximidade que prejudicaria o rendimento. 
Essas são falhas de compatibilização de projeto, esse tipo de falha é bem recorrente, e 
projetos de adequação “as built” não são boas soluções, quando temos o apoio de todo 
aparato tecnológico de softwares para nos auxiliar contra esse tipo de falha.
Não podemos subestimar as possíveis falhas na elaboração do projetos. Essas falhas 
podem decorrer da pura inépcia do projetista ou de outros tipos de falhas humanas 
menos conceituas e mais ligadas à falta de concentração.
Lembrando que não estamos focados em projetos com valor artístico, devemos sempre 
buscar a solução técnica mais simples possível. Desse modo, podemos mitigar as falhas 
de elaboração e de execução de projeto, principalmente.
O erro na fase de implantação também é considerado uma falha de projeto que deve 
ser controlada com fiscalização intensiva e especializada. 
Lichtenstein (1986) sintetiza as falhas de projeto como sendo as seguintes:
 » falhas de compatibilização de projeto;
 » falhas de elaboração do projeto;
 » falhas na execução do projeto.
64
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
Souza e Ripper (2009) detalham um pouco mais essa lista para falhas de projeto e 
separam falhas de execução dessa categoria, então eles definem:
 » A falha na elaboração do projeto como sendo a má definição das ações 
atuantes reais, escolha equivocada de um modelo analítico na concepção 
de um anteprojeto, a deficiência no cálculo, a especificação inadequada 
de materiais, detalhamentos inexequíveis, insuficientes ou errados, falta 
de padronização das representações no projeto, conforme as convenções 
construtivas consolidadas.
 » A falha na compatibilização do projeto como sendo a falta do controle de 
interferência entre os inúmeros projetos que se relacionam, tais como, 
estrutura, arquitetura, instalações hidráulicas, instalações elétricas, instalações 
de ar-condicionado, instalações de gás entre outras.
Quanto à execução de um projeto, seria óbvio iniciá-la apenas quando o projeto estivesse 
concluído. Contudo, na prática, essa premissa não parece ser respeitada. 
Tal prática, sem dúvidas, vai contra a prudênciada mitigação de riscos associados 
às falhas de projeto, mas chegam a ser admitidas informações de projeto básico em 
órgãos públicos, tanto para licitações quanto para aprovação, mas essa prática decorre 
de vários fatores que fogem dos interesses desse material. 
O que precisamos saber é que o início da obra apenas após a conclusão do projeto 
executivo é rara e gera implicações indesejadas, sempre relacionadas a adaptações 
durante a obra, às vezes até de grande vulto, que influenciarão nas referidas patologias 
de execução.
Falhas de gerenciamento
É imperativo que, após concluido o projeto, devemos tomar todo o cuidado necessário 
ao bom andamento da implantação, devemos planejar todos os passos seguintes e 
gerenciar todas as atividades para evitar falhas de execução associadas às más condições 
de trabalho, à incapacitação profissional da mão-de-obra, à falta de controle de qualidade 
satisfatório, tanto do material recebido quanto da execução propriamente dita, à 
irresponsabilidade, à insatisfação e até mesmo falhas associadas à sabotagem.
Contudo, as falhas de genrenciamento podem ocorrer em todos os níveis de um 
processo, desde um nível mais básico, tal como a elaboração do projeto, até níveis 
avançados de um processo, tal como falha por deterioração natural.
65
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
Por exemplo, a definição equivocada de um procedimento de trabalho em inobservância 
às especificações descritas no projeto técnico executivo é uma falha de gerenciamento que 
causará uma falha de execução se o subordinado seguir a ordem errada. Percebam que a mera 
possibilidade do empregado seguir ou não a ordem errada torna essa relação causal subjetiva. 
O mesmo pode dizer da falha no gerenciamento por pura omissão do seu trabalho, pois 
o cumprimento do seu dever poderia ter evitado a falha de execução. Por exemplo, 
um gestor que tem um processo deficiente de controle de qualidade e não consegue 
realizar a necessária fiscalização da atividade do seu subordinado, que por imperícia 
comete uma falha na execução.
Percebam que essa falha tem nexo causal direto com a imperícia do trabalhador, e 
subjetivo com a falha de gerenciamento de fiscalização. Contudo, isso não exime a 
responsabilidade do gestor.
Mesmo na falha do treinamento ou instrução da mão de obra, essas relações indiretas 
são sempre subjetivas, ou seja, o gestor é obrigado a dar o treinamento, mas ele não 
tem como obrigar o seu subordinado a aprender.
Cuidado com esses tipos de relações de probabilidade, elas ocorrem em todas as partes, 
até mesmo na Constituição Federal, por exemplo,quando diz que o Estado tem dever 
de conceder saúde à população, quando na realidade o Estado tem a obrigação de 
oferecer um sistema de hospitais que torne possível restaurar a saúde da população, e 
não conceder a saúde como num passe de mágica.
Lembre-se sempre, a estatística não é um argumento lógico.
 » Falha na definição de procedimento de trabalho.
 » Falha no treinamento ou instrução da mão de obra.
 » Processo deficiente de aquisição de materiais e serviços.
 » Processo deficiente no controle de qualidade.
Falhas devido à utilização inadequada
As falhas devido à utilização inadequada são predominantemente por imperícia, 
pois decorrem da incompreensão do que é certo ou errado, mas também ocorrem da 
imprudência e da negligência.
A postura comissiva da imperícia e da imprudência e a omissiva da negligência podem 
não ocorrer isoladamente.
66
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
Podemos ilustrar essa situação com o seguinte exemplo: 
Quando um gestor obtém o alvará de uma edificação para utilizá-la como garagem, 
ele aprova junto um sistema de combate a incêndio compatível com aquele risco, 
mas que com o passar dos anos o uso da edificação muda para uma atividade típica de 
depósito, expondo todos os seus funcionários a um risco maior, e ele sabendo disso 
não faz nada, portanto, ignora a sua responsabilidade (falha de negligência na gestão), 
e alguns de seus funcionários por inépcia não possuem consciência do novo risco 
(falha por imperícia) e outros mesmo com a consciência do novo risco continuam a 
trabalhar sem os devidos cuidados (falha por imprudência). 
As falhas isoladas podem misturar-se com outras categorias, como a falha de 
gerenciamento aqui citada, que se associa com a falha de utilização.
A depredação também pode ser um problema recorrente em alguns tipos de edificações, 
por isso alguns cuidados devem ser tomados, mas de forma que não comprometam 
a conservação e a segurança contra incêndio da edificação. Tais cuidados podem 
ser vistos em projetos de estabelecimentos destinados à restrição de liberdade, ou a 
qualquer outro local de concentração de público sujeito a vandalismo, para os quais é 
restringido o acesso aos equipamentos de segurança. 
 » Utilização inadequada.
 » Depredação.
 » Mudança de uso.
Falha por deterioração natural
Esse tipo de falha tem relação direta com a inobservância de um programa de manutenção 
adequado. Essa categoria de falha pode ser associada à utilização da estrutura ou da 
edificação, mas aqui daremos um destaque especial a elas.
Essa manutenção inadequada, ou até mesmo a inexistência dela, conforme as falhas 
na utilização sempre têm origem na imperícia, na imprudência ou na negligência e o 
melhor remédio para esse problema é sempre a educação.
Souza e Ripper (2009) propuseram uma classificação das origens da deterioração das 
estruturas agrupadas em duas categorias que se subdividem para as demais, são elas: as 
causas intrínsecas (inerentes às estruturas) e as extrínsecas (externas ao corpo estrutural).
Devemos sempre pensar em um projeto de modo que a implantação possa ser bem 
executada e que tenha manutenção facilitada, para que possibilite ao gestor manter a 
67
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
deterioração em níveis mínimos, conforme os padrões normativos de desempenho. 
O gráfico da figura 6 exemplifica como se dá o decréscimo do desempenho no tempo 
de diferentes estruturas, que pode ser observado em muitos estudos de caso.
Provavelmente, em situações reais, as variáveis da qualidade dos materiais, da execução 
e tipo da estrutura, da qualidade da manutenção empregada, bem como dos tipos e do 
grau de agressividade dos agentes patógenos, farão com que as curvas desses gráficos 
não sejam paralelas e não necessariamente lineares. Contudo, o exemplo é válido para 
essa compreensão.
(Caso 1)
Nesse exemplo, a estrutura com desgaste natural tem o seu desempenho decaindo com 
o tempo até que passe a funcionar abaixo das expectativas para a qual foi projetada, 
então é feita uma intervenção técnica que restitui essa capacidade da estrutura.
(Caso 2)
Essa estrutura possui um padrão inicial de desempenho melhor do que a do primeiro 
caso, entretanto, ela sofre um acidente e tem o seu rendimento decaído bruscamente, 
quando prontamente é realizada uma intervenção, que recupera os padrões razoáveis 
de funcionamento.
(Caso 3)
Essa estrutura já parte, na faixa de tempo analisada, de uma condição ruim de desempenho, 
então, é realizada uma intervenção técnica de reforço, que faz o seu desempenho superar 
as outras estruturas. 
Figura 6. Diferentes desempenhos de estruturas em função de fenômenos patológicos.
Fonte: Souza e Ripper, 2009.
68
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
Com isso, podemos entender o conceito de durabilidade que está relacionado à vida 
útil, mas é diferente. A durabilidade tem mais a ver com o comportamento de uma 
estrutura, instalação ou de qualquer outro material que se deteriora inevitavelmente 
sob a ação de um agente agressivo que faz o seu desempenho cair.
A vida útil, conforme já definimos se refere apenas a faixa de tempo em que o desempenho 
é satisfatório. Sendo assim, quanto maior for a durabilidade, maior será a vida útil do 
material.
69
CAPÍTULO 2
Principais tipos de falhas, patologias 
e recuperação
Sistemas hidráulicos fixos de combate a incêndio
Chuveiros automáticos não certificados
O usode chuveiros automáticos não certificados, além de ser contra as disposições 
normativas, e consequentemente contra as exigências legais a elas vinculadas, também 
trará uma falsa e perigosa sensação de segurança, pois dificilmente ele funcionará 
corretamente em uma situação de emergência, e essa falha não estará aparente para 
muitas pessoas.
A ABSpk (2019) destaca que a produção de um chuveiro automático de qualidade 
certificada, contempla cerca de 150 etapas, das quais 80% são referentes ao controle 
de qualidade.
Basicamente, o que se espera de um chuveiro automático é:
 » que ele resista ao calor do incêndio; 
 » que ele tenha resistência mecânica; 
 » que ele acione na temperatura e no tempo correto; 
 » que possibilite um fator de vazão e padrão de dispersão correto.
Resumidamente, são esses os atributos:
 » resistência mecânica;
 » resistência térmica;
 » sensibilidade térmica; 
 » tempo de resposta;
 » fator de vazão;
 » área de cobertura;
 » padrão das gotas.
70
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
Abaixo, segue um exemplo do uso de chuveiros automáticos não certificados.
Figura 7. Chuveiros automáticos sem certificação danificados em um incêndio.
Fonte: http://www.skop.com.br/wp-content/uploads/2017/09/3-problemas-s--rios-que-o-sprinkler-n--o-certificado-pode-causar-.png.
Essa imagem mostra a fusão do corpo do chuveiro automático com material do tipo 
Zamac6. Nesse caso, a liga metálica apresentava baixa qualidade e o ponto de fusão 
(por volta de 400 °C) foi inferior à temperatura do incêndio. 
Segundo Skop, esses tipos de falsificações utilizam esse material de menor custo em 
comparação com o latão, material padrão dos chuveiros automáticos certificados.
Por si só, problemas com ponto de fusão já seriam suficientes pra nem pensar em usar 
esses dispositivos sem certificação, mas eles também costumam apresentar problemas 
com a vedação do obturador no momento do acionamento, pois a má qualidade da 
borracha de vedação faz com que ela derreta, e assim é tampado o orifício de descarga 
da água.
Não obstante, também apresentam falhas com o padrão de descarga e o tempo de 
resposta. 
A ABSpk (2019) destaca que a produção de um chuveiro automático de qualidade 
certificado, contempla cerca de 150 etapas, das quais 80% são referentes ao controle de 
qualidade e nem de perto as opções ruins no mercado se assemelham com esse padrão.
Sem dúvida, a insegurança proporcionada por esses tipos de materiais é enorme, e 
isso chamou a atenção das autoridades, que trouxeram em última revisão de norma 
6 Liga metálica formada basicamente por mais de 90% de zinco (Zn) e menos de 4% de cobre (Cu), apresenta uma coloração mais clara sob o 
acabamento em comparação com o latão.
71
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
técnica a exigência de chuveiros automáticos certificados (atualmente as instituições 
certificadoras mais conhecidas são a ABNT, FM Global, UL e ULBR).
Falhas de projeto ou de utilização associada a chuveiros 
automáticos
Problemas com projetos ou com a utilização dos espaços que tornam o projeto obsoleto 
são recorrentes. Tais problemas podem ocorrer devido à especificação errada do 
material, erro de dimensionamento ou ainda alterações não percebidas do risco.
Simplificadamente o projetista precisa tomar cuidados com os seguintes quesitos básicos:
 » qual o tipo de sistema a adotar;
 » quais os componentes do sistema e suas características; 
 » qual a classificação da edificação;
 » quais características de armazenamento; 
 » quais os espaçamentos entre os chuveiros automáticos; 
 » qual a área máxima de cobertura; 
 » verificação do atendimento às regras de desobstrução; 
 » quais os critérios de vazão e pressão para a classificação da edificação.
Tipo de sistema a adotar
Podemos adotar tubo molhado, tubo seco, pré-ação ou dilúvio conforme a compatibilidade 
com a área de risco a ser protegida.
Nesse caso, suponhamos que o projetista inexperiente, sem pestanejar, adota 
acertadamente um sistema de tubo molhado para um mercado atacadista qualquer, 
contudo, ele se esquece, que esse empreendimento contempla áreas que precisam ser 
cobertas por chuveiros automáticos, mas que são susceptíveis ao congelamento da 
água, e isso passa desapercebido. 
O congelamento precisa ser evitado nesse trecho da tubulação. quais providências 
você tomaria?
72
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
Componentes do sistema e suas características
Falha típica dessa natureza é a adoção equivocada de chuveiros automáticos. Por exemplo, 
a escolha acertada dos sprinklers deve levar em consideração, além da certificação de 
qualidade:
 » o fator k ou coeficiente de descarga;
 » o tempo de resposta; 
 » a posição do chuveiro automático;
 » o tipo de cobertura;
 » o diâmetro da rosca;
 » a temperatura de acionamento;
 » o tipo de acabamento.
Como classificar uma edificação
Classificar a edificação às vezes pode depender de variáveis que estão além das 
especificações dos decretos estaduais, pois devemos nos preocupar também com as 
necessidades de reclassificações, que dependerão de uma vistoria para serem percebidas. 
Muitas falhas de projeto podem ser evitadas com vistorias.
Como classificar um armazenamento
Falhas originadas na classificação do armazenamento são mais comuns do que 
aparentam, seja na fase de aprovação de um projeto novo ou da atualização de um 
projeto irregular. Isso ocorre especialmente quando se trata de armazenamento em 
porta-paletes (empilhados).
Por exemplo, imagine um galpão destinado a um mercado atacadista, esse galpão possui 
um pé-direito de 15 m e possui estruturas porta-paletes que proporcionam uma altura 
de armazenamento de 13 m, indicado no projeto, e conforme a disposição de layout 
projetada, esse empreendimento faz uso do chuveiro automático modelo ESFR-25, 
cujas especificações são as seguintes:
 » Altura máxima de armazenamento: 13,1m.
73
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
 » Altura máxima de pé-direito: 14,6 m.
 » Distância do defletor ao teto: 356 mm.
 » Distância do defletor ao topo do armazenamento: 914 mm.
Sem o conhecimento técnico e sem a assessoria especializada que deveria assisti-lo, 
em dado momento, o proprietário ou o responsável legal pelo empreendimento, no 
limite de utilização do seu espaço para o estoque, decide contratar uma montadora 
de estruturas metálicas para aumentar o armazenamento dos módulos em um nível, 
deixando todos os porta-paletes com 14,45m de altura. 
Naturalmente, com essa ação equivocada, o projeto ficou obsoleto, sem que ele fizesse 
a mudança de uso, ou ampliações de área, ele apenas mudou a altura de empilhamento.
O correto agora seria redimensionar todo o sistema, e atualizar o projeto técnico junto 
ao Corpo de Bombeiros local, utilizando-se do modelo EFSR-34, cujas especificações são:
 » Altura máxima de armazenamento: 15,2 m.
 » Altura máxima de pé-direito: 16,8 m.
 » Distância do defletor ao teto: 432 mm.
 » Distância do defletor ao topo do armazenamento: 914 mm.
Embora essa se enquadre também com uma falha de utilização, ela também pode ser 
vista como uma falha de projeto.
Para ser um bom projetista, às vezes não basta ser bom de conta e transferir 
para o papel e para o software, tudo o que foi determinado. Devemos também 
nos preocupar em alertar nossos clientes dessas possíveis dificuldades que eles 
encarariam. 
Precisamos trabalhar nos projetos sempre pensando em futuras ampliações, e 
alertar os nossos clientes das implicações futuras, assim podemos justificar um 
custo extra que poderá parecer pequeno frente ao ônus de ampliações que se 
farão necessárias. 
Sabendo que o fator de descarga seria alterado, quais outras implicações 
indesejadas ocorreriam? 
Espaçamentos exigidos pela norma
Nesse caso, uma mudança de uso poderia implicar na necessidade de redimensionamento 
da rede de chuveiros automáticos com a alteração da mudança dos espaçamentos.
74
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
Sabemos que os chuveiros automáticos não podem estar muitoafastados entre si, para que 
não sejam vazios de cobertura, tampouco podem estar muito próximos para o resfriamento 
proporcionado pelo primeiro bico a ser acionado não afete o acionamento dos demais.
Quando projetamos e implantamos sistemas fixos com linhas manuais, tal como um 
sistema de hidrantes, não fará muita diferença a variação horizontal de um metro na 
canalização em divergência com a locação do hidrante proposta no projeto, entretanto, 
isso não ocorre com os chuveiros automáticos. Nesse caso, um metro ou menos pode 
fazer muita diferença, então a implantação deve ser fiel ao projeto, com as posições 
dos bicos exatamente nas locações e nas alturas estipuladas.
O afastamento dos chuveiros automáticos em relação ao teto é um quesito que deveriam 
ter mais importância, inclusive quando é necessária a proteção entre telhado e forro, a 
instalação de bicos distantes do teto, acima do limite definido pela norma técnica oficial 
vigente, faz deixar livre justamente onde as ondas de convecção do calor do incêndio 
se concentram com mais intensidade, até que acorra, em alguns casos, a ignição da 
fumaça, quando a supressão do sprinkler for inútil.
Tal ineficiência se dá porque, quando o chuveiro automático está muito afastado do 
teto, a temperatura na altura do chuveiro demora a atingir o ponto de rompimento do 
elemento termosensível, e levando em consideração que alguns bicos trabalham apenas 
na supressão do incêndio para que ele seja extinto por linhas manuais, o acionamento 
tardio do sprinkler pode ser inútil.
É importante que tomemos muito cuidado com esses detalhes, pois imaginem o quão 
dispendioso seria a adequação de uma rede hidráulica de uma edificação enorme, 
cujos bicos estivessem instalados a mais de 1 metro de distância do teto, quando a 
especificação técnica estipulasse que essa distância não poderia ultrapassar 35,6 cm.
Área máxima de cobertura
O mesmo vale para a área de cobertura do chuveiro automático, pois qualquer alteração 
de risco também força essa avaliação.
Regras de obstrução
Falhas associadas a obstruções não são só comuns aos sistemas de hidrantes, mas 
também ao sistema de chuveiros automáticos.
Com essa premissa pouco flexível, não é raro surgirem obstáculos que trarão dor de 
cabeça para o responsável pela compatibilização dos projetos. 
75
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
Tais interferências podem ser tubulações de outros sistemas, dutos de ar condicionado, 
correias transportadoras, eletrocalhas, entre outros. Nesses casos, ações de 
reposicionamento, devem ser tomadas para que a aspersão não fique obstruída.
Acima, ilustramos como exemplo uma falha que acarretou em uma mudança, que 
embora pudesse ser onerosa, foi uma solução técnica relativamente simples.
Imagine, agora, uma edificação antiga com uso multipropósito, tal qual um shopping 
center, que sofreu inúmeras adaptações para acompanhar o crescimento da cidade, dos 
seus negócios e também para se adaptar ao endurecimento das exigências de segurança 
contra incêndio.
Abaixo seguem alguns problemas de compatibilização de projetos que levam à obstrução 
dos chuveiros automáticos.
Figura 8. Exemplo de chuveiros automáticos obstruídos.
Fonte: elaborada pelo autor.
Critérios de vazão e pressão para a classificação da edificação
Na necessidade de redimensionamento, sem dúvidas os critérios de vazão e pressão 
deverão ser verificados de acordo com a nova classificação da edificação.
Por exemplo, o chuveiro automático da série TYCO TY-L, fator K 8,0, vertical, pendente, 
de resposta de abertura padrão, foram desenvolvidos para ocupações comerciais leves, 
e quaisquer outras de risco extra, tais como, bancos, hotéis, shopping centeres, fábricas, 
refinarias e fábricas de produtos químicos.
Com a mudança de uso, que levasse ao aumento do fator de descarga, teríamos que 
analisar a nova condição de vazão para a condição da pressão requerida, pois com 
76
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
o aumento de K precisaríamos que a bomba adicionasse mais energia ao sistema, 
para aumentar a vazão, a fim de manter ou aumentar a pressão na saída, conforme a 
necessidade; sendo que poderíamos ter que trocar a bomba também.
Patologias por deterioração natural
As patologias mais notáveis em um sistema de combate a incêndio estão associadas 
à deterioração natural pela oxidação, mais especificamente dos materiais ferrosos 
empregados nos sistemas fixos. 
Usualmente, essa deterioração se dá na permeação de agentes agressivos, tais como 
eletrólitos, nas instalações de metais oxidáveis, ou até mesmo na formação de pilha 
galvânica na proximidade entre metais com diferentes potenciais de corrosão unidos 
por eletrólitos em umidade.
Um exemplo clássico de pilha galvânica em instalações de combate a incêndio se dá 
interação entre o cobre e de aço galvanizado, dois materiais bem comuns em sistemas 
de segurança. A figura abaixo exemplifica essa oxidação.
Figura 9. Instalação hidráulica inadequada com corrosão galvânica.
Fonte: http://www.forumdaconstrucao.com.br/materias/imagens/00103_04.jpg.
O solo e a maresia são outros dois exemplos de meios agressivos, até mesmo a água 
do mar que em algumas aplicações inevitáveis é utilizada como agente extintor.
As oxidações, mesmo quando ocorrem em pequenos pontos da instalação e que por 
isso passam despercebidas, podem ser muitos prejudiciais para as tubulações, pois 
causam gradativamente a despressurização das redes hidráulicas molhadas.
77
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
Tal despressurização pode não ser rápida e flagrante em um primeiro momento, 
pois um dos papéis da bomba auxiliar é manter a rede sempre pressurizada. Então, 
esse problema pode ficar mascarado por muito tempo, caso não haja um programa 
minucioso de manutenção.
Como a estanqueidade da rede não é perfeita, é normal que haja, de vez em quando, 
o acionamento da bomba auxiliar para manter no sistema a pressão projetada, mas 
na ocorrência dessa patologia, a bomba será constantemente solicitada, até que por 
trabalho excessivo essa bomba reduza a sua vida útil.
Você pode perceber aqui que a bomba auxiliar, sendo acionada com frequência, indica 
uma evidência de problema, mas não necessariamente poderia ser de um vazamento 
por corrosão. Nesse ponto, você teria que levantar as hipóteses, investigar e testar 
o nexo causal, ou seja, teria que fazer inspeção visual detalhada e fazer o teste nos 
equipamentos da rede.
Esse acionamento recorrente da bomba poderia dar-se devido a algum problema 
no pressostato, que é um dispositivo que detecta variações da pressão e com isso faz 
estimular um chaveamento do circuito elétrico das bombas por meio de um relé, ou 
ainda pode ser um problema na câmara de retardo, que é um dispositivo com o objetivo 
de absorver pequenas flutuações de pressão hidráulica, decorrentes desses vazamentos 
normais de imperfeições ou de danos às válvulas submetidas ao golpe de aríete. 
Devemos buscar contornar esse problema com a proteção de canalizações frente à 
ação dos agente agressivos. Essa proteção pode dar-se com pinturas apropriadas junto 
a um programa de manutenção recomendada por fabricantes.
As canalizações enterradas merecem uma atenção especial. Sempre que possível, esses 
tipos de instalações devem ser evitadas. Contudo, em alguns casos específicos, onde 
se queira proteger as tubulações de outros agentes mais danosos, tais como explosões 
seguidas do calor intenso dessas áreas de risco, devemos garantir o encapsulamento 
sem que haja contato direto com o solo, bem como as tubulações devem estar em 
uma profundidade que garanta a resistência mecânica frente às cargas dinâmicas de 
acomodações do solo devido ao trânsito de cargas e consequente flexão da resiliência 
dos pavimentos.
Caso seja possível, é imperativo conceber essas instalações em calhas ou galerias 
técnicas de infraestrutura devidamente protegida de intempéries e com fácil acesso 
para manutenção, tal como o exemplo a seguir. 
78
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
Figura10. Exemplo de galeria técnica.
Fonte: Catálogo ABTC, s/d.
Não sendo possível essa solução técnica para tubulações enterradas, temos ainda 
soluções técnicas de proteções diretamente sobre as tubulações.
Telles (2001 apud BENTRANO, 2016) indica ainda as seguintes proteções de tubulações 
enterradas contra a corrosão.
 » Revestimento de asfalto: aplicação de uma camada de asfalto de 3 a 8mm, 
recoberta por um véu de fibra e outro de papel feltro.
 » Revestimento de esmalte de alcatrão de hulha: aplicação de uma camada 
de alcatrão de hulha de 3 a 8mm, recoberta por um véu de fibra e outro de 
papel feltro.
 » Revestimento com polietileno ou polipropileno extrudado: extrusão dessa 
resina diretamente na tubulação com camade de 3 a 5mm.
 » Revestimento misto de epóxi e polietileno extrudado: é composta por uma 
camada de tinta epóxi com aplicação eletrostática, outra de adesivo à base 
de polietileno aderido por extrusão e uma última camada de polietileno. 
Essa solução apresenta boa aderência, resistência mecânica e bloqueio da 
corrosão.
Em muitos casos de tubulações superficiais, basta empregar tubulações de aço carbono 
galvanizado que apresenta uma boa resistência à corrosão em comparação à tubulação 
de aço carbono. É claro que, para garantirmos esse amortecimento, devemos estar 
atentos para possíveis riscos de oxidação galvânica. O exemplo dado acima é de inépcia 
do instalador, mas não raramente essa falha pode ocorrer pela falha de compatibilização 
79
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
do projeto, pois existem vários tipos de aplicações independentes para esses dois tipos 
de materiais em instalações de segurança contra incêndio.
Nesse caso de oxidação, depois de diagnosticada a patologia, devemos propor 
recomendações de conduta a ser seguida para resolver o dano à instalação e a sua 
causa, para que não volte. 
Naturalmente, caso fossemos contratados para isso, deveríamos recuperar a tubulação 
de aço galvanizado existente, com desmontagem, substituição do trecho danificado por 
uma peça nova, e reconstituição do trecho de modo a garantir a vedação das conexões, 
e testar a instalação para a nova condição, com teste de estanqueidade comum (com 
aplicação de uma pressão 50% maior que a pressão de trabalho), conforme o que é 
executado para instalações já comissionadas.
E mais importante, para que o problema não seja recorrente, devemos assegurar o 
afastamento entre tubos de aço galvanizado e tubos de cobre. 
O International Fire Proction (2017) relatou em um artigo sobre o alarmante problema com 
a corrosão de tubulações, essa palestra foi ministrada durante o encontro internacional 
da Fire Sprinkler International de 2016, realizado em Munique.
A apresentação focou em patologias de corrosão, que por muitas vezes passam 
despercebidas, pois ocorrem por dentro das tubulações, ocasionando não só a sua 
gradativa deterioração, mas também a obstrução. Na apresentação, fotos de tubos 
corroídos ou obstruídos por lodo e ferrugem foram expostas.
Contudo, não devemos pensar que as instalações de tubos molhados são piores do que 
as secas quando se trata de corrosão, isso não é verdade. O fato é que todo material 
precisa de manutenção periódica, pois a corrosão é inevitável nos dois casos. Então, 
para evitar esses acúmulos, devemos realizar periodicamente o esvaziamento da rede 
no ponto onde é instalada uma válvula de teste e drenagem.
A não ser que o meio aquoso seja um eletrólito que facilita a oxidação em pontos de 
pequenas pernas de pressão, tubulações molhadas podem apresentar menos problemas 
com corrosão do que as secas. Pois para que haja corrosão, basta associar ar, água 
mineralizada e metais com baixa nobreza, e no caso, as tubulações pressurizadas 
plenamente preenchidas com água não apresentam ar, então, não são mais susceptíveis 
à corrosão do que as tubulações secas.
Os processos de oxidação que evoluem mais rapidamente em tubos molhados dependem 
da presença de pequenas bolsas de ar dentro dos condutos, é claro que a participação 
80
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
do oxigênio dissolvido existe, mas isso depende da agitação do fluxo ocorrida a cada 
indução do fluxo de água, que pode ser tanto numa emergência, quanto no esvaziamento 
para manutenção.
Sabemos que nenhuma liga metálica comercialmente utilizada é invulnerável à corrosão, 
metais mais nobres não são amplamente usados por motivos de viabilidade econômica.
Além da corrosão interna das tubulações, um processo de estreitamento da seção 
transversal da tubulação ocorre devido ao deslocamento da corrosão misturado com 
lodo formado de processos de sedimentação de partículas da água e decomposição 
das substâncias orgânicas por bactérias aeróbias e anaeróbias, de modo que formem 
nódulos e evoluem até comprometer todo o fluxo da água em uma possível situação 
de emergência. A imagem a seguir serve para ilustrar essa patologia, apresenta acima 
dois chuveiros automáticos completamente obstruídos, e abaixo mais da metade da 
seção transversal de uma tubulação comprometida. 
Figura 11. Exemplo de patologias pela corrosão.
Fonte: https://ifpmag.mdmpublishing.com/the-problem-of-corrosion-in-metal-fire-sprinkler-systems/.
Sem dúvida, essa patologia pode levar a uma inoperabilidade com implicações 
catastróficas em uma situação de emergência, por isso não é bom descuidar-se.
Embora essa corrosão microbiologicamente influenciada (MIC) influencie 
significativamente para a evolução da patologia, ela não é a causa primária do processo 
81
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
de oxidação em sistemas de extinção de incêndios, pois tudo depende de uma intervenção 
de manutenção no momento correto.
Sendo assim, os principais fatores que influenciam na aceleração da corrosão das 
tubulações são:
 » suprimento de oxigênio pela drenagem e recarregamento do sistema;
 » sólidos presentes na água;
 » contaminação bacteriana.
Kochelek (2009) afirma que programas de manutenção de sistemas de chuveiros 
automáticos que buscam apenas a estanqueidade das tubulações, acompanhadas de 
aplicações bactericidas, serão apenas paliativos, pois a causa original desse tipo de 
patologia como já disse, se dá pela presença do oxigênio. 
Contudo, os tratamentos mais utilizados para esse tipo de patologia em tubulações são:
 » desinfecção química;
 » desinfecção térmica; 
 » proteção catódica para meios mais agressivos. 
Estruturas de concreto armado convencional
Patologias do concreto armado convencional 
Quando falamos de riscos ambientais que evoluem para uma patologia das medidas de 
segurança, podemos ter uma inclinação para focar nossa atenção apenas nos sistemas 
que serão capazes de combater diretamente as chamas de um incêndio.
Quando lidamos com materiais duráveis, podemos tender a nos acomodar em uma 
zona de conforto, mas, em questão de segurança, as zonas de conforto não existem. 
Essa postura negativa pode contribuir para a má conservação da estrutura de concreto 
armado, que na presença do fogo pode gerar graves consequências. Ainda que a estrutura 
não tenha elementos de resistência ao fogo, ela pode resistir mais tempo ao incêndio 
quando está bem conservada.
Por exemplo, uma estrutura de laje em concreto armado em má conservação, com 
armaduras expostas devido à cobertura arrancada por suportes de tubulação mal 
82
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
colocados, em um cenário de incêndio, o aço dessa estrutura escoará mais cedo em 
comparação a uma estrutura bem conservada.
Esse tipo de exposição da armadura, com má fixação da infraestrutura das instalações 
hidráulicas e elétricas, é bem comum. Abaixo segue uma imagem a exemplificá-la.
Figura 12. Força de arranque de suportes de instalações hidráulicas.
Fonte: elaborada pelo autor.
Os processos de deterioração do concreto armado não são enfoque da segurança contra 
incêndio, mas possui alguma relação, que não pode ser completamente ignorada, pois a 
solução de problemas originados em patologias desse tipo é premissa para melhoriasna 
segurança estrutural contra incêndio de uma edificação. Portanto, vamos nos ater em 
listar apenas os mais comuns desses problemas, tais como os principais tipos fissuração, 
a corrosão das armaduras, desagregação do concreto e a carbonatação.
Fissuração do concreto
Essa patologia pode ser originada em diversas causas, indicadas a seguir, juntamente 
com gravuras dos padrões de fissuras:
 » deficiência de projeto;
 » contração plástica;
 » assentamento do concreto com perda de aderência junto às armaduras;
 » movimentação de escoramentos ou formas;
83
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
 » retração; 
 » expansão;
 » recalques diferenciais;
 » variação de temperatura;
 » ações localizadas.
Tabela 52. Exemplos de fissuração mais comuns por falha no dimensionamento da taxa de aço nas seções fissuradas.
Fissuração devido à força cortante
Fissuração devido à flexão
Fissuração de tração
Fissuração por cargas concentradas
Fissuração por perda de aderência
Fissuração devido ao momento torçor
84
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
Fissuração por flexão devido ao momento fletor negativo
Fissuração por cisalhamento no apoio
Fissuração por esmagamento do concreto
Fissuração por flexão devido ao momento fletor positivo
Fissuração devido ao puncionamento do pilar na laje
Fotos: Souza e Ripper, 2009.
Desagregação do concreto
Essa patologia pode ocorrer devido a:
 » movimentação de fôrmas;
 » corrosão do concreto;
 » calcinação;
 » ataque biológico.
85
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
Carbonatação do concreto
Segundo Helene (1993 apud AISDORFER et al., 2015), é quando o cimento hidratado 
entra em contato com o CO2 que penetra na peça de concreto armado por difusão 
e com água presente na porosidade do concreto, e quanto maior for o CO2 na peça, 
menor será o pH ali presente e mais espessa será a camada carbonatada.
Corrosão das armaduras
Poderíamos dizer que essa patologia decorre de várias outras associadas ao concreto, 
mas na verdade, ela ocorre da mesma forma descrita para as tubulações, ou seja, basta 
o metal ferroso estar imerso em uma solução eletrolítica (água mineralizada).
Essa patologia é controlada evitando-se que o concreto fique poroso, com fissuras, 
que forme a carbonatação e que desagregue por esse e outros fatores.
Segurança estrutural contra o incêndio
Especificações de norma
A norma técnica de segurança contra incêndio estrutural determina apenas como deve 
ser o comportamento da estrutura durante um incêndio. A tarefa de como fazer isso é 
do profissional especializado em resistência estrutural. Sendo assim, o tempo requerido 
ao fogo (TRRF) está previsto, por exemplo, no anexo A da Instrução Técnica 08 do 
Corpo de Bombeiros de São Paulo, publicada em 2019.
Para que seja comprovada a resistência ao fogo, é admitida: 
 » execução de ensaios laboratoriais específicos de resistência ao fogo;
 » atendimento a tabelas elaboradas a partir de resultados obtidos em ensaios 
de resistência ao fogo.
 » inferência por modelos matemáticos (analíticos) devidamente normatizados 
ou internacionalmente reconhecidos sob análise de Comissão Técnica do 
Corpo de Bombeiros. 
Patologias da segurança estrutural contra o incêndio
Quanto à resistência dos materiais construtivos sob exposição ao calor de um incêndio, 
o que precisamos saber é que as ligas metálicas resistem, com suas propriedades físicas 
86
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
intactas, por muito menos tempo em relação ao concreto. Então, temos que pensar 
em como proteger o aço da ação do incêndio.
Laske et al. (2018), avaliaram a resistência do aço usado para armar concreto e constataram 
que a partir de 600 °C o aço começou a apresentar diminuição na resistência, com perda 
significativa acima de 600 °C até 1000 °C, com exposição ao calor de 60 e 120 minutos.
Bolina et al. (2015) avaliaram o TRRF de uma parede de concreto armado e concluíram 
que a parede resistiu a 120 minutos a uma indução de calor que chegou a 1126 °C.
Sabemos que o concreto praticamente não perde a sua resistência à compressão 
quando submetido a um incêndio. Contudo, temos que considerar a ocorrência de 
um fenômeno chamado spalling, que nada mais é do que o lascamento de partes da 
superfície do concreto durante um incêndio.
A matriz muito densa das peças de concreto impede a liberação da pressão de vapor 
d’água com o aumento da temperatura, aumentando a pressão interna (AÏTCIN, 2000). 
As tensões de tração, assim originadas, somadas às tensões térmicas e estáticas podem 
superar a tensão de tração resistente do material, levando-o ao colapso.
Taxas de aquecimento maiores induzem a gradientes térmicos maiores devido 
a baixa condutividade do concreto. A elevação de temperatura da superfície 
do elemento estrutural, conduz a grandes diferenças de temperaturas entre 
a superfície aquecida e o interior frio do concreto (gradientes térmicos 
elevados) em menor tempo. Em consequência, tensões térmicas de grande 
magnitude surgem rapidamente, aumentando consideravelmente o risco 
de lascamentos instantâneos. (COSTA et al., 2002)
Segundo Kalifa et al. (2000 apud COSTA et al., 2002), existem ocorrências frequentes 
de lascamentos instantâneos entre 250 °C e 400 °C, que são temperaturas facilmente 
alcançadas nos primeiros minutos de incêndio.
Esse fenômeno é inerente às características físicas do concreto, portanto, esse é um 
fenômeno comum de degradação ao fogo. Sendo esperado que ele aconteça, devemos 
contornar esse problema e garantir que as armaduras fiquem intactas durante todo o 
tempo requerido de ação de emergência.
Basicamente, essa solução se baseia em oferecer ao aço uma camada maior de proteção 
a retardar os efeitos de lascamentos rápidos. Essas especificações mínimas podem ser 
vistas tanto na NBR 152009 (2012), quanto no Eurocode 2 (2004), como exemplificado 
na tabela abaixo, onde é mostrada a distância mínima entre o centro geométrico das 
87
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
armaduras e a face da laje exposta ao incêndio, sendo ela simplesmente apoiada e com 
armaduras nas duas direções.
Tabela 53. Dimensões mínimas e distâncias de eixo para vigas simplesmente apoiadas em concreto armado e protendido.
Resistência 
ao incêndio 
padrão
(min)
Dimensões mínimas (mm)
Possíveis combinações de “a” e “bmín” onde “a” é a 
distância média e “bmín” é a largura da viga
Largura da alma bw
Classe WA Classe WB Classe WC
1 2 3 4 5 6 7 8
TRRF 60
120 160 200 300
100 80 100
40 35 30 25
TRRF 90
150 200 300 400
110 100 100
55 45 40 35
TRRF 120
200 240 300 500
130 120 120
65 60 55 50
Fotos: Eurocode 2, 2004.
88
CAPÍTULO 3
Manutenção
Conceitos e tipos de manutenção
A norma inglesa British Standards BS-3811 (1993), define manutenção como a combinação 
de ações que buscam restaurar um item, de acordo com um desempenho aceitável.
A NBR 5462 (1994), define a manutenção como sendo a combinação das ações técnicas, 
administrativas e de supervisão, destinadas a “manter” ou “recolocar” um item em um 
estado no qual possa atender ao seu propósito.
À programação, ou planejamento, de intervenções preventivas com método técnico 
objetivo, com o propósito de se estender a vida útil dos materiais, dá-se o nome de 
manutenção estratégica ou programada.
A concepção desse tipo de intervenção se dá com o auxílio do acúmulo de conhecimento 
do comportamento dos itens analisados, por experiência prática, que poderão ser 
organizadas ou teorizadas, por exemplo, com a definição de ritmo e forma de realizar 
um determinado procedimento de manutenção. Dessa forma, é necessário realizar 
registros de dados, sejam eles de entradas ou de resposta de um processo ou sistema, 
para tanto, é necessário realizar inspeções visuais e com auxílio de instrumentos.
Esse processo de construção do conhecimento das necessidades de manutenção de um 
determinado item pode contemplar retroalimentação para a busca de um conhecimento 
satisfatório sobre o item.
Obviamente, devemos observar e aproveitar ao máximo conhecimentosde vaidades intelectuais inúteis 
e limitantes, e começar a enxergar o mundo com os olhos de uma criança, de modo a 
aceitar com naturalidade a desconstrução de teorias pretéritas, que porventura venham 
a ser superadas, pois até mesmo os mais cautos são susceptíveis a falhas.
Dessa forma, a solução de um enigma requer o pensamento criativo, sobre soluções 
possíveis, expressado de forma objetiva. Para tanto, por vezes, tornam-se indispensáveis 
anos de dedicação para elaboração de modelos concebidos na pretensão de representar 
uma realidade desconhecida com o máximo de exatidão, bem como formular hipóteses 
8
INTRODUÇÃO
e testar previsões teóricas com a verossimilhança de algo tangível. Por isso já somos 
tenazes, e guerreiros corajosos, só por não desistirmos nas horas de sono ceifadas, em 
busca de um objetivo maior.
Sejamos agentes transformadores para o bem do mundo e das pessoas que nele habitam. 
Espero que essas palavras sirvam de motivação não só para meus amigos de profissão 
que também estão nessa luta, mas também para todos os profissionais que não querem 
passar a vida sem honrar e santificar a sua profissão.
Objetivos 
 » Expor situações que culminam em patologias e as consequências em 
decorrência delas.
 » Apresentar conceitos que contribuam para a identificação de uma patologia.
 » Com o enfoque na segurança contra incêndio, apresentar metodologia 
para identificação de riscos ambientais, com o propósito de contornar as 
patologias de sistemas prediais.
9
UNIDADE IVERIFICAÇÃO DE 
FALHA DO SISTEMA
CAPÍTULO 1
Análise de falhas
Árvores de falhas 
Esse tipo de investigação consiste na retroanálise por dedução lógica, a construir um 
diagrama que represente uma cadeia de eventos, que auxiliará na dedução da linha 
crítica que culminou em um problema qualquer ou uma patologia. Tal dedução parte 
da coleta de evidências no local. Essa construção da estrutura analítica requer um 
conhecimento apurado do funcionamento do sistema para que se possa identificar 
todas as ramificações de relações causais. A estrutura desse diagrama se dá em sequência 
de eventos com derivações através de “portas-lógicas”, cujos principais símbolos e 
respectivas funções lógicas são: 
Tabela 1. Portas lógicas.
Porta lógica Símbolo Função lógica
E
O evento de saída ocorre se todos os eventos 
ocorrerem na entrada.
Ou
O evento de saída ocorre se pelo menos um evento de 
entrada ocorrer.
E (Prioridade)
Ocorre somente se todos os eventos de entrada 
ocorrem numa sequência ordenada e especificada.
Ou (Exclusivo)
O evento de saída ocorre se na entrada um evento 
ocorrer isoladamente, mas não simultaneamente.
Porta k de n
O evento de saída ocorre se pelo menos k 
de n eventos ocorram.
10
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Porta lógica Símbolo Função lógica
Porta inibidora
O evento de entrada só produz uma saída se uma 
condição for atendida
Não (Inversora)
Inverte a ocorrência de um evento na entrada; possui 
uma notação algébrica sobre uma nomenclatura 
de entrada, como, por exemplo, para a entrada A, 
teremos a saída A.
Fonte: Simões Filho, 2006.
Tabela 2. Simbologia dos eventos de falhas.
Símbolo Descrição
Evento básico/primário: falha ou erro em um componente ou elemento do sistema. 
Evento intermediário: pode ser usado imediatamente acima de um evento principal 
para fornecer mais espaço para digitar a descrição do evento.
Evento secundário/não desenvolvido: evento sobre o qual não há informações 
suficientes disponíveis, ou que não tem consequências.
Evento de condicionamento: condições que restringem ou afetam portas lógicas.
Evento externo: normalmente esperado que ocorra. 
Símbolos de transferência são usados para conectar as entradas e saídas das árvores 
de falhas relacionadas, como a árvore de falhas de um subsistema ao seu sistema.
Fonte: Simões Filho, 2006.
Antes de tudo, é importante definirmos alguns conceitos importantes da lógica e da 
formação do pensamento científico, que é concebida de uma evidência, da possibilidade 
de prová-la com lógica através do nexo de uma hipótese e uma conclusão, sendo que 
esse nexo causal seja autoevidente, para evitar um recuo infinito das causas anteriores, 
11
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
e por último precisamos de revisão por pares para constatação da repetitividade por 
ato intuitivo, ou seja, quando duas ou mais pessoas observam um único fenômeno, 
e percebem a mesma evidência. E durante a construção desse conhecimento, não 
podemos confundir argumento estatístico com lógica. O argumento estatístico trata 
apenas do provável, portanto, faz parte da dialética.
Do discurso do método das Regras para a Direção do Espírito de Descartes, temos:
Acerca dos objetos considerados, deve-se investigar não o que os outros 
pensaram ou o que nós próprios suspeitamos, mas aquilo do que podemos 
ter uma intuição clara e evidente ou que podemos deduzir com certeza, pois 
de outro modo não se adquire a ciência.
Para facilitação da compreensão dos casos de riscos ambientais e patologias, partiremos 
de um exemplo. Imaginemos uma situação hipotética de um incêndio ocorrido em um 
prédio de 30 andares, cuja atividade predominante seja associada ao grupo de serviço 
profissional D-1, ou seja, um tipo de edificação bem comum nas grandes cidades. 
Essa edificação empregou todas as medidas de segurança compatíveis com o seu 
porte e risco presentes na tabela 6D do Decreto do Estado de São Paulo n. 63.911, 
de 10 de dezembro de 2018, e aparentemente, ou pelo menos era o que apontavam 
os laudos e documentos de aprovação, não havia nenhuma irregularidade no sistema 
de segurança contra incêndio e pânico. No entanto, o incêndio ocorreu, levando a 
um trágico óbito.
Os documentos de aprovação de qualquer processo ou produto dele, tais como 
certificados de aprovação dos sistemas de combate a incêndio, são meras 
representações da vontade, e a crença de que essas vontades representam de 
forma inequívoca a realidade é um sintoma muito ruim da falta de percepção 
das mais elementares relações de causa e efeito das vicissitudes inerentes à 
imperfeição humana.
A falsa sensação de segurança dada por um certificado ou título obtido de modo 
desarmônico, com valores justos e perenes, pode ser até mais perigosa do que 
uma flagrante desordem.
quem insiste em dar mais importância para títulos obtidos a qualquer custo do que 
dedicar todo seu esforço na justa e sólida mitigação de riscos ambientais, merece 
apenas as duras penas, e se deparar com a realidade de que o seu cerificado de 
aprovação não foi capaz de evitar e de apagar o incêndio.
Em uma situação real de perícia, devemos analisar todas as medidas de segurança. 
Entretanto, para tornar o exemplo das proteções passivas necessárias listadas na tabela 
6D mais didático, focaremos nas compartimentações verticais, no controle de materiais 
12
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
de acabamento e na segurança estrutural contra incêndio e quanto às proteções ativas 
focaremos nos sistemas de hidrantes, de chuveiros automáticos e alarme de incêndio.
Primeiro, ao investigarmos um sinistro de incêndio por meio da construção de um 
diagrama da análise da árvore de falhas, devemos ter o cuidado de não confundirmos 
as falhas responsáveis pela propagação do incêndio com as possíveis causas primárias 
que originaram o incêndio. Em outras palavras, os sistemas de proteção contra incêndio 
fazem parte das medidas de contingência, ou seja, funcionam apenas quando tudo deu 
errado, funcionam na última frente da batalha que se inicia antes do incêndio. 
Sendo assim, percebam que a ausência de qualquer medida de segurança contra incêndio 
não será a responsável pelo surgimento da primeira fagulha, e nesse caso temos um 
incêndio que se iniciou no 20° andar e se propagou com queima generalizada pelos 
demais andares superiores por meio dos fenômenos da radiação, convecção e da 
condução, agindo em conjunto. 
Inicialmente, sem muitas informações sobre o incêndio,já consolidados 
sobre materiais e sistemas, ou até mesmo solicitar uma segunda opinião, como já 
explicamos no quesito da revisão por pares. Cumprida essa etapa, podemos formar 
um sólido programa de manutenção preventiva.
Souza e Ripper (2009) define a manutenção preventiva como sendo aquela que se dá a 
partir de informações de alertas coletadas em inspeções, e executadas em intervalos de 
tempo regulares, em conformidade com os critérios preestabelecidos, com o propósito 
de diminuir a probabilidade da ocorrência de uma patologia.
Essas referidas inspeções periódicas poderão eventualmente ser complementadas por 
inspeções condicionadas de carácter mais específico e especializado, mas com o mesmo 
objetivo de confirmar as evidências de desempenho afetado.
89
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
Por esse motivo, devido ao prejuízo do desempenho, podemos afirmar que, tal como 
ocorre com a manutenção estratégica, a manutenção preventiva também não é imutável. 
Por exemplo, novos ritmos de inspeção podem ser demandados pelo sistema.
A manutenção esporádica possui mais um carácter ligado a demandas emergenciais, 
pois ela decorre da inobservância das manutenções de planejamento estruturado.
O diagrama a seguir ilustra essa relação comparativa entre as diferentes manutenções. 
Figura 13. Critérios para manutenção de estruturas.
Manutenção 
Manutenção
Estratégica 
Manutenção
Esporádica 
Prevenção 
Inspeções 
Periódicas 
Inspeções 
Condicionais 
Manutenção Emergencial 
(reparos) 
Fotos: Souza e Ripper, 2009.
Mais adiante abordaremos um caso emblemático de colapso, que envolve uma cadeia 
de eventos de culminaram no desabamento das edificações, que envolve todos os 
principais assuntos aqui abordados. Com esse caso, também poderemos compreender 
90
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
a importância da manutenção e de uma boa formação de base de dados de todo o 
histórico da edificação, pois sem isso a perícia pode apenas inferir sobre uma hipótese 
com probabilidade maior de ter sido a causa da ruína.
Em caso crítico, um dos peritos chega a sugerir uma base de dados municipais (em 
nuvem), já que é tão precária a formação desse histórico no Brasil.
Cada edificação deveria ter esse banco de dados, todo o seu histórico de aprovações 
e regularizações, composto pelos projetos de todas as disciplinas com as respectivas 
atualizações, diários de obras, relatórios de fiscalização, contratos, registros de alterações, 
laudos técnicos de ensaios de controle de qualidade etc. 
Esse histórico é conhecido também como “databook”, que é mais aplicado, e nacionalmente 
conhecido, em obras de grande porte.
Contudo, o databook normalmente contempla documentos apenas da época da 
implantação da edificação. Nesse sentido, a nossa base de dados ideal deve contemplar 
continuidade no ajuntamento e organização de documentos do pós-obra.
Estudo de caso de ruína estrutural devido ao fogo
O caso de incêndio seguido de colapso estrutural do edifício Wilton Paes de Almeida 
de 24 andares sem dúvida ficará marcado de forma negativa na memória brasileira, 
mas vamos focar agora nos aprendizados extraídos dessa tragédia.
Inicialmente, notou-se um controle precário de documentos, que atrapalhou muito 
o resultado do laudo pericial. Se houvesse um acervo digital de documentos, com o 
gerenciamento da prefeitura, ajudaria muito o trabalho de entender como um edifício 
projetado em concreto armado entrou em ruína tão rapidamente (80 min), equiparando-
se à duração de resistência ao fogo de edificações alicerçadas em estrutura metálica.
Nas primeiras investidas, na difícil busca por cópias dos projetos necessários para a 
perícia, foi verificado por meio de fotografias que o prédio apresentava mais materiais 
combustíveis, por estar sendo usado como moradia irregular. 
Além do desvirtuamento do uso, havia outras irregularidades que não tinham origem 
na invasão. Foi registrado um tipo comum de irregularidade que só faz agravar o risco 
de incêndio, pois na ocasião da vistoria havia na laje alveolar com as fôrmas de madeira 
da década de 1960 ainda presas conforme a imagem a seguir.
91
FALHAS E PATOLOGIAS | UNIDADE III
Figura 14. Laje grelha com viga faixa ainda com moldes de madeira.
Fonte: Leandro Coelho/SPU; Parecer Técnico PhD 324/2019.
No momento do incêndio, não havia nenhuma medida de segurança no prédio, que 
estava invadido, com relatos e registros de que havia muito material combustível no 
interior do prédio, tais como, madeirite para divisórias, botijão de gás para cozinhar, 
roupa em varal, e muito lixo na caixa do elevador; aparentemente havia tudo, menos 
segurança.
Apesar disso tudo, ainda era difícil entender como um prédio de concreto armado 
ruiu, pois sabemos que a quantidade de combustível não faz elevar a temperatura 
do incêndio, somente faz elevar a duração, e existem muitos exemplos de prédios do 
mesmo porte que resistiram muito mais tempo de incêndio, como foi o caso do edifício 
Joelma, que queimou por 4 horas.
Mesmo com as limitações impostas pela falta do projeto e da memória de cálculo estrutural, 
bem como pela escassez de testemunhos, o perito montou um modelo, cuja simulação 
computadorizada ajudou a concluir o parecer sobre o colapso estrutural, que se deu 
devido a um conjunto de fatores que não só o incêndio, conforme a lista que segue:
 » deslocamentos horizontais devido ao vento acima do limite;
 » tendência natural de torção da edificação, devido ao centro de torção fora 
do centro de gravidade;
 » projeto estrutural sem considerar esforços de segunda ordem. 
92
UNIDADE III | FALHAS E PATOLOGIAS
Naquela época, não eram utilizados esforços de segunda ordem no projeto estrutural, 
que garante maior estabilidade para os edifícios.
Certamente, não foram considerados os efeitos de excentricidades na estrutura, bem 
como da dilatação e contração.
Falhas de execução
Sinais de falhas de execução verificadas em amostras dos escombros, que diminui o 
desempenho estrutural perante o fogo. Na ocasião, foram identificadas falhas quanto ao 
cobrimento de proteção de armaduras. Nos projetos da época, não eram considerados 
aspectos de segurança estrutural contra o fogo, mas isso não significa que o problema 
não possa ser mitigado com ações no presente.
Por meio de amostras do escombro, foi possível identificar que o cobrimento de 
proteção comum à corrosão para as armaduras variava de 1 a 5 cm. Enquanto a proteção 
estrutural de resistência ao fogo disponível, que é medido do centro geométrico da 
seção transversal da armadura até a face o elemento estrutural, variava de 2,5 a 6,5cm.
93
REFERÊNCIAS
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incêndio por chuveiros automáticos – Requisitos. Rio de Janeiro, 2014.
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São Paulo, 2019.
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94
REFERÊNCIAS
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da_final-compactado.pdf. Acesso em: 14 jan. 2021.
	_Hlk62804901
	_Hlk65141529
	MTBlankEqn
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	Apresentação
	Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa
	Introdução
	Unidade I
	VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
	Capítulo 1
	Análise de falhas
	Capítulo 2
	Metodologias para a avaliação dos riscos de incêndio
	Capítulo 3
	Construção de hipóteses
	Unidade II
	Patologias
	Capítulo 1
	Estruturação da análise de patologias
	Capítulo 2
	Conceitos básicos na identificação de patologias
	Unidade III
	Falhas e Patologias
	Capítulo 1
	Tipos de falhas
	Capítulo 2
	Principais tipos de falhas, patologias e recuperação
	Capítulo 3
	Manutenção
	Referênciasa não ser cenas de um telejornal, 
onde podemos observar um incêndio severo em vários andares, mais especificamente 
o 20°, 21°, 28º e o 29º, com sinais de flame over
1 em várias janelas, a fim de escrevermos 
um artigo começamos a montar um diagrama das possíveis falhas.
À medida que as notícias foram sendo divulgadas, constatamos que houvera um óbito. 
Um dia após o combate ao incêndio, a nossa empresa foi contratada para realizar a perícia 
do incêndio. Primeiro, obtivemos acesso aos depoimentos dos envolvidos diretamente 
no sinistro e selecionamos os seguintes trechos de declarações mais relevantes:
 » Depoimento 1 (funcionário do escritório): eu estava no 20º andar 
quando escutei um barulho parecido com um curto circuito. Depois de 
aproximadamente 3 minutos, senti um cheiro forte de fumaça e nesse 
momento, junto do disparar do alarme, percebi que a região do quadro de 
força estava toda tomada de fumaça, então fugimos dali.
 » Depoimento 2 (funcionário brigadista): eu estava no 21° andar quando escutei 
o alarme. Poucos minutos depois percebi chamas na caixa da fiação, não me 
preocupei em combater o incêndio, pois os chuveiros seriam acionados, só 
me preocupei em ajudar todos a saírem do local.
 » Depoimento 3 (bombeiro civil): não sabemos ao certo, mas parece que 
o incêndio teve origem no 20º andar, com ignição de circuito elétrico, a 
1 Ignição da fumaça (flash fire), que ocorre por meio do superaquecimento da fumaça carregada de partículas originadas na pirólise que entram 
em ignição devido ao contato com uma maior concentração de comburente (em janelas, por exemplo) formando “línguas de fogo”. 
13
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
propagação do incêndio foi rápida, pois haviam muitos materiais combustíveis 
no local.
 » Depoimento 4 (bombeiro militar): chegamos ao local do sinistro em 8 
minutos, e as chamas já tomavam conta de todo o 20º e 21° andar, com 
princípio de chamas surgindo no 28° andar e nesse momento ainda havia 
algumas pessoas para evacuar, então, trabalhamos em duas frentes, uma 
equipe focada em debelar as chamas usando os hidrantes internos e outra no 
salvamento das pessoas. O sistema de chuveiros automáticos foi acionados, 
mas não foram suficientes para controlar as chamas e infelizmente, houve 
um óbito por asfixia. A vítima aparentemente estava dormindo em um 
pequeno depósito de materiais de escritório e de limpeza no 30º andar e 
não ouviu o alarme de incêndio.
Nesse dia, nossa empresa também teve acesso ao projeto técnico, e a documentos 
relacionados à manutenção do condomínio. Não havia nada de anormal, exceto 
alguns laudos da instalação elétrica que embora fossem favoráveis, não contemplavam 
nenhuma imagem de termógrafo, e tampouco havia também um laudo específico das 
proteções passivas de compartimentação e da segurança estrutural.
Com essas informações passadas, ainda não teríamos como determinar as causas 
do incêndio e da propagação. As suspeitas recaiam sobre as instalações elétricas, as 
compartimentações verticais, os materiais de acabamento e revestimento e sobre os 
chuveiros automáticos. 
Após analisarmos o projeto, verificamos que ele estava tecnicamente correto, então 
solicitamos uma vistoria para investigar se haviam falhas de compatibilização na 
interface com outros projetos, ou de execução e obtivemos a seguinte checagem.
Tabela 3. Checagem da vistoria.
Proteções Compatibilização Execução
Segurança estrutural Ok Ok
Compartimentação vertical Ok Falha
CMAR Ok Ok
Saídas de emergência Ok Ok
Iluminação de emergência Ok Ok
Detecção de incêndio Ok Ok
Alarme de incêndio Ok Falha
Extintores Ok Ok
14
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Proteções Compatibilização Execução
Hidrantes Ok Ok
Chuveiros automáticos Ok Ok
Observações:
» O sistema de proteção a descargas atmosféricas (SPDA) estava com o projeto tecnicamente correto e a inspeção 
mostrou que estava em perfeita condição de funcionamento.
» Todos os materiais empregados da edificação possuíam certificações de qualidade do fabricante.
» As instalações elétricas estavam com o projeto correto, e a inspeção das áreas não afetadas pelo incêndio, mostrou 
que a proteção do circuito correspondia ao projeto, mas precisaríamos investigar o balanceamento de cargas.
Fonte: elaborada pelo autor.
15
CAPÍTULO 2
Metodologias para a avaliação 
dos riscos de incêndio
Método Gretener
Segundo Seito et al. (2008, p. 288), essa avaliação de riscos sempre despertou o interesse 
da comunidade acadêmica, de modo a aperfeiçoá-la, pois em 1960, o engenheiro suíço 
Max Gretener, da associação de proteção contra incêndios da Suíça iniciou seus estudos 
focado na área industrial.
Hoje em dia, esse método é amplamente utilizado por seguradoras devido à sua 
aplicabilidade versátil, que além das edificações industriais, contempla também 
edificações de grande porte (pólos gerados de tráfego e locais de reunião de público) 
tais como centros comerciais, centros educativos, centros hospitalares, grade redes 
distribuidoras varejistas e atacadistas, centros de eventos, centros logísticos, entre 
outros.
Apesar dessas inegáveis vantagens, esse método também apresenta a limitação de não 
conseguir captar uma possível influência de imóveis vizinhos sem o distanciamento 
correto.
Existem essas limitações quanto às interações entre edificações lindeiras, mas Cunha 
(2010) avaliou o método aplicado para as estreitas vias do Quarteirão de Alda no centro 
histórico da cidade do Porto em Portugal, como um bloco de construções, e nessas 
condições o método empregado para o cálculo do índice do risco de incêndio pode ser 
crível. Entretanto, esse mesmo autor alerta que esses métodos nunca poderão substituir 
o bom dimensionamento das edificações. A seguir, as especificidades previstas em 
normas técnicas.
Um método é apenas uma das muitas ferramentas que podem ajudar na 
concepção de um edifício. Os métodos serão mais fiáveis e constituirão 
uma base mais credível quando se pretende estabelecer uma comparação 
dos níveis de SCI entre os vários edifícios, sendo que para este caso, os 
resultados dados pelas metodologias serão um bom indicador para se saber 
quais os edifícios que deverão estar mais seguros. (CUNHA, 2010)
Aqui devemos analisar os fatores que promovem o desenvolvimento do incêndio, a 
quantificar e qualificar os riscos presentes nas edificações. Esse método, basicamente 
16
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
considera três importantes quesitos para a determinação do grau de risco de incêndio, 
tais como:
 » o tipo da edificação, que leva em consideção o formato da edificação e os 
materiais construtivos; 
 » o perigo potencial do edifício devido aos produdos armazenados;
 » as medidas de segurança presentes no local.
Aqui, salientamos que as medidas ativas de segurança contra incêndio não são 
consideradas um fator de risco do surgimento de um incêndio, mas da sua propagação.
Para a verificação das conformidas do SCI aos padrões nomativos, avaliaríamos, através 
de uma vistoria no local, os riscos envolvidos da compatibilidade da implantação com 
um projeto de SCI tecnicamente correto, tais como, mudanças no layout dos mobiliários, 
mudanças de materiais de acabamento e revestimento, mudanças da carga de incêndio 
relativa aos produtos armazenados, operabilidade dos equipamentos de proteção contra 
incêndio, o nível de treinamento dos brigadistas. Até aqui, esses itens costumeiramente 
avaliados, se assemelham muito com as verificações necessárias para esse método. 
Contudo, nas condições de uma vistoria comum de verificação do projeto, também 
avaliaríamos, os aspectos de segurança das fontes de ignição, tais como, o nível de 
manutenção das instalações elétricas, dos circuitos de proteção e das proteções à descargas 
atmosféricas, para mantê-las sempre no nível de qualidade dos padrões normativos. 
Esses fatores de gatilho de incêndio não estão contemplados com muitos detalhes no método 
de Gretener, pois, conforme veremos maisadiante, para a classificação das condições das 
fontes de ignição teremos apenas uma tabela que considera os riscos inerentes a algumas 
atividades. Sendo assim, são critérios mais objetivos para as energias caloríficas envolvidas, 
porém, bem subjetivos para as fontes de ignição. Desse modo, não demonstram com 
clareza o potencial de ativação de um incêndio devido às fontes elétricas, mecânicas ou 
químicas de ignição, oriundas dos materiais depositados ou das próprias instalações da 
edificação. Contudo, o método não desabona uma verificação com maior precisão por 
parte da analista. Por esse motivo, talvez a consideração de boas práticas, no controle 
das fontes de ignição, seja uma boa linha de pesquisa, para atualização da referida tabela.
Seito et al. (2018) também sugerem estudos para a adequação do número de brigadistas 
de acordo com os equipamentos de prevenção e combate a incêndios instalados na 
edificação analisada, pois para eles não devemos levar em conta apenas o número da 
população existente na edificação para o dimensionamento da equipe de brigadistas, 
bem como para o seu nível de treinamento.
17
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Voltando para o método Gretener, primeiramente, vamos avaliar os modos possíveis 
para a propagação dos incêndios.
Os tipos de propagação, como já estudamos no módulo de avaliação do comportamento 
do incêndio, podem ser horizontalizados e verticalizados, sendo assim, precisamos avaliar 
a concepção arquitetônica, os materiais construtivos empregados, as compartimentações 
e os afastamentos da edificação, para classificá-la conforme a tabela a seguir.
Tabela 4. Classificação das edificações quanto às suas características construtivas.
Classificação 
da edificação Compartimentação Descrição
V
Construção em 
grande volume
Essa construção torna mais difícil a propagação horizontal e vertical do incêndio, 
pois isola os ambientes da edificação em células com paredes resistentes ao 
fogo. Para ser classificada como tipo z, a edificação deve ter suas escadas, 
dutos técnicos e demais ligações verticais devidamente enclausuradas.
G
Construção em 
grande superfície 
(compartimentos com 
mais de 200 m²)
Essa construção torna mais fácil a propagação horizontal do incêndio, 
por ser feita com grandes vãos, mas dificulta a propagação vertical, por 
ter isolamento entre os pavimentos com lajes resistentes ao fogo. Para 
ser classificada como tipo G, a edificação deve ter suas escadas, dutos 
técnicos e demais ligações verticais devidamente enclausuradas.
z
Construção em 
células de no máximo 
200 m²
Essa construção torna mais difícil a propagação horizontal e vertical do 
incêndio, pois isola os ambientes da edificação em células com paredes 
resistentes ao fogo. Para ser classificada como tipo z, a edificação deve 
ter suas escadas, dutos técnicos e demais ligações verticais devidamente 
enclausuradas.
Fonte: NBR 9050; Cunha, 2010.
Avaliação do perigo mobiliário
Essa avaliação leva em consideração todos os materiais armazenados na edificação 
inclusive a mobilia, para a qual devemos verificar:
 » a carga de incêndio mobiliária – fator q;
 » a combustibilidade – fator c;
 » o enfumaçamento – fator r;
 » a toxidade e corrosividade – fator k.
Para essa verificação, devemos tomar o cuidado de considerar os maiores fatores no 
caso de uma edificação com armazenamentos mistos, sendo que, apenas consideramos 
mistos se os materiais diferentes armazenados quantitativamente representem mais 
do que 10% do total.
18
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Quanto à carga de incêndio (Qm) denominada de (fator q) devemos consultar a tabela 
a seguir.
Tabela 5. Carga de incêndio mobiliária Qm (fator q).
Carga de incêndio mobiliária, fator q (Qm) em MJ/m²
qm q qm q qm q
≤ 50 0,6 401 – 600 1,3 5001 – 7000 2,0
51 – 75 0,7 601 – 800 1,4 7001 – 10000 2,1
76 – 100 0,8 801 – 1200 1,5 10001 - 14000 2,2
101 – 150 0,9 1201 – 1700 1,6 14001 – 20000 2,3
151 – 200 1,0 1701 – 2500 1,7 20001 – 28000 2,4
201 – 300 1,1 2501 – 3500 1,8 > 28000 2,5
301 – 400 1,2 3501 – 5000 1,9
Fonte: Cunha, 2010.
Devemos também considerar a combustibilidade (Fe), denominada de fator c, que 
representa o quão facilitada e veloz será a combustão dos materiais armazenados na 
edificação, com índices conforme a tabela a seguir.
Tabela 6. Fator de combustibilidade Fe (fator c).
Combustibilidade Grau de combustibilidade Fator c
Altamente inflamável 1 1,6
Facilmente inflamável 2 1,4
Inflamável, facilmente combustível 3 1,2
Normalmente combustível 4 1,0
Dificilmente combustível 5 1,0
Incombustível 6 1,0
Fonte: Cunha, 2010.
Também devemos verificar as características de enfumaçamento (Fu) inerentes aos materiais 
armazenados na edificação, que é denominada de fator r, conforme a tabela a seguir:
Tabela 7. Fator de enfumaçamento Fu (fator r).
Classificação de perigo à fumaça Grau de enfumaçamento Fator r
Normal 3 1,0
Médio 2 1,1
Grande 1 1,2
Fonte: Cunha, 2010.
Quanto aos mobiliários, por último, verificamos a toxidade e corrosividade (Co) dos gases 
liberados pelos materiais combustíveis armazenados na edificação durante um incêndio, 
e o grau dessa propriedade é denominado de fator k, dado conforme a tabela a seguir:
19
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Tabela 8. Fator de perigo de corrosão Co (fator k).
Classificação do grau de perigo Fator k
Normal 1,0
Médio 1,1
Grande 1,2
Fonte: Cunha, 2010.
Avaliação do perigo imobiliário
Até o momento, vimos os fatores de risco inerentes aos materiais armazenados na 
edificação, mas temos também que considerar os índices relativos ao perigo de incêndio 
proporcionado pelos materiais usados na própria construção, essas propriedades 
construtivas são:
 » carga de incêndio imobiliária – fator i;
 » nível do piso – fator e;
 » amplidão da superfície – fator g.
O fator i, denominado carga de incêndio imobiliário (i), traduz a combustibilidade dos 
elementos estruturais, dos elementos da fachada não resistentes ao fogo, tais como os 
materiais de vedação das janelas, e das camadas de isolamento combustível colocadas 
no teto das edificações térreas. Esse índice é obtido por meio da seguinte tabela.
Tabela 9. Carga de incêndio imobiliária i (fator i).
Estrutura resistente
Elementos das fachadas, coberturas
Concreto
Tijolo
Metal
Componentes de fachadas 
multicamadas com camadas 
exteriores incombustíveis*
Madeira
Materiais 
sintéticos
Incombustível Combustível/protegida Combustível
Concreto, tijolo, aço, outros metais, 
incombustível
1,0 1,05 1,1
Construção em madeira:
 » Resistente a 30 minutos de fogo.
 » Maciça combustível, com dimensões 
no padrão**
1,1 1,15 1,2
Construção em madeira com 
dimensões fora do padrão**
1,2 1,25 1,3
* É autorizada parte da camada exterior combustível se não for possível a propagação vertical do incêndio.
** Dimensões do padrão normativo.
Fonte: Cunha, 2010.
20
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
O fator e determina o grau de risco da edificação de acordo com a sua altura, conforme 
as tabelas 10, 11 e 12, a seguir.
Tabela 10. Nível do andar ou altura do local – edifícios de 1 só piso (fator e).
Altura h (m)
Fator e de acordo com a carga de incêndio mobiliária
Qm ≤ 200 200 1000
h ≤ 7m 1 1 1,00
7 10 1 1,25 1,50
Fonte: Cunha, 2010.
Tabela 11. Nível do andar ou altura do local – pisos enterrados (fator e).
Pavimento Cota de nível do subsolo Fator e
1° subsolo 3 1,00
2° subsolo 6 1,90
3° subsolo 9 2,60
4° subsolo 12 3,00
Fonte: Cunha, 2010.
Tabela 12. Nível do andar ou altura do local – vários andares (fator e).
Pavimento Cota de nível (m) Fator e
Térreo 0 1,00
1°fator g, ou fator da amplidão da superfície, que deve ser determinado 
de acordo com a seguinte tabela.
21
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Tabela 13. Fator de amplidão da superfície (fator g).
Relação comprimento/largura do compartimento de incêndio
Fator g
Ár
ea
 do
 co
m
pa
rti
m
en
to
 de
 in
cê
nd
io 
(m
²)
8:1 7:1 6:1 5:1 4:1 3:1 2:1 1:1
800 770 730 680 630 580 500 400 0,4
1200 1150 1090 1030 950 870 760 600 0,5
1600 1530 1450 1370 1270 1150 1010 800 0,6
2000 1900 1800 1700 1600 1450 1250 1000 0,8
2400 2300 2200 2050 1900 1750 1500 1200 1
4000 3800 3600 3400 3200 2900 2500 2000 1,2
6000 5700 5500 5100 4800 4300 3800 3000 1,4
8000 7700 7300 6800 6300 5800 5000 4000 1,6
10000 9600 9100 8500 7900 7200 6300 5000 1,8
12000 11500 10900 10300 9500 8700 7600 6000 2
14000 13400 12700 12000 11100 10100 8800 7000 2,2
16000 15300 14500 13700 12700 11500 10100 8000 2,4
18000 17200 16400 15400 14300 13000 11300 9000 2,6
20000 19100 18200 17100 15900 14400 12600 10000 2,8
22000 21000 20000 18800 17500 15900 13900 11000 3
24000 23000 21800 25500 19000 17300 15100 12000 3,2
26000 24900 23600 22200 20600 18700 16400 13000 3,4
28000 26800 25400 23900 22200 20200 17600 14000 3,6
32000 30600 29100 27400 25400 23100 20200 16000 3,8
36000 34400 32700 30800 28600 26000 22700 18000 4
40000 38300 36300 35300 31700 28800 25200 20000 4,2
44000 42100 40000 37600 34900 31700 27700 22000 4,4
52000 49800 47200 44500 41300 37500 32800 26000 4,6
60000 57400 54500 51300 47600 43300 37800 30000 4,8
68000 65000 61800 58100 54000 49000 42800 34000 5
Fonte: Cunha, 2010.
Com todas essas informações podemos calcular o perigo potencial (P), que é dado pelo 
produto de todos os fatores definidos com dados coletados na vistoria, conforme a 
equação a seguir?
P = fator q x fator c x fator r x fator k x fator i x fator e x fator g.
22
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Avaliação dos fatores das proteções
Medidas de proteção normais (básicas)
Os fatores relacionados às medidas de proteção compõem o terceiro quesito a ser 
verificado na vistoria, pois essas características, com a influência da ação humana, 
poderam influenciar para a não propagação de um eventual incêndio, fazendo com que 
os perigos anteriormente mencionados sejam atenuados, ou agravados na ausência deles.
Esses fatores, segundo as medidas de segurança contra incêndio básicas disponíveis, 
são os seguintes:
 » Extintores portáteis – fator η1.
 » Hidrantes – fator η2.
 » Confiabilidade do sistema de abastecimento – fator η3.
 » Conduta de alimentação – fator η4.
 » Treinamento da brigada de incêndio – fator η5.
A distribuição e a carga dos agentes extintores devem estar de acordo com o projeto 
tecnicamente correto e o fator η1 deve ser consultado na tabela a seguir:
Tabela 14. Extintores portáteis - Fator η1.
Extintores portáteis Fator η1
Sufucientes 1,00
Insuficientes 0,90
Fonte: Cunha, 2010.
Da mesma forma do que mencionado para os extintores móveis, os hidrantes devem ser 
implantados de acordo com o projeto tecnicamente correto das medidas de SCI, pois 
os índices da tabela a seguir são também subjetivos, a informar se esses equipamentos 
são suficientes ou não. Sendo assim, o fator η2 será:
Tabela 15. Hidrantes - fator η2.
Pontos de hidrantes Fator η2
Sufucientes 1,00
Insuficientes 0,80
Fonte: Cunha, 2010.
23
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
O fator η3 se refere a confiabilidade do sistema de abastecimento de água, que varia 
em função do risco da edificação e das suas repectivas demandas de vazão e pressão. 
Esse fator é determinado de acordo as duas próximas tabelas. O caso de abastecimento 
diretamente público, não é aplicável nos sistemas de combate a incêndio do Brasil.
Tabela 16. Coeficiente de confiabilidade do sistema de abastecimento (fator η3).
Situação da Reserva Técnica de Incêndio (RTI)
Valores de η3
Pressão* ≤ 
2 bar
2 bar 
4 bar
RTI com controle de nível d’água independente da rede elétrica 0,7 0,85 1
Reservatório de abastecimento sem RTI, com controle do nível 
d’água independente da rede elétrica
0,65 0,75 0,9
Bomba de controle do nível d’água independente da rede elétrica 0,6 0,7 0,85
Bomba de controle do nível d’água independente da rede elétrica 0,5 0,6 0,7
Água natural 0,5 0,55 0,6
Nota:
* Pressão mínima no hidrante
Fonte: adaptada de Cunha, 2010.
Tabela 17. Coeficiente referente a confiabilidade do sistema de abastecimento (fator η3).
Grau do risco Condições mínimas de vazão (l/min) * Volume mínimo da RTI (m³) **
Pequeno 100 0,90
Fonte: adaptada de Cunha, 2010.
24
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
O fator referente ao treinamento da equipe de emergência se dá de acordo com o fator 
η5, conforme a tabela a seguir:
Tabela 19. Coeficiente referente ao treinamento da brigada de incêndio (fator η5).
Situação do treinamento Fator η5
Existente 1,00
Inexistente 0,80
Fonte: adaptada de Cunha, 2010.
Sendo assim, o cálculo do coeficiente das medidas normais de segurança contra incêndio 
(N) se dá pelo produto dos fatores determinados em vistoria (η1, η2, η3, η4 e η5), 
conforme a equação a seguir:
N = η1 x η2 x η3 x η4 x η5
Medidas de proteção especiais
Durante a nossa vistoria, também devemos verificar as condições das medidas de 
segurança compostas pela existência de sistemas automáticos e de bombeiro civil 
residente, conforme os seguintes fatores:
 » Detecção de incêndio – fator s1.
 » Transmissão do alerta – fator s2.
 » Bombeiros civis – fator s3.
 » Escalões de intervenção dos corpos de bombeiros locais – fator s4.
 » Instalações de extinção – fator s5.
 » Instalações automáticas de extração de fumaça – fator s6.
O fator s1, inerente à existência e à operacionalidade do sistema detecção de incêndio 
que contempla os meios automáticos e os manuais de identificação de um possível 
foco de incêndio e de prontamente agir para suprimi-lo.
Esse fator de s1 é obtido pela seguinte tabela: 
Tabela 20. Condições de detecção e ação contra o incêndio – fator s1.
Detecção do incêndio Fator s1
Vigilante que faça duas rondas durante a noite e nos dias de inatividade 1,05
Vigilante que faça rondas de 2 em 2 horas todos os dias 1,10
25
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Detecção do incêndio Fator s1
Instalação de detecção automática de incêndio 1,45
Instalação de chuveiros automáticos 1,20
Fonte: Cunha, 2010.
O fator s2 refere-se à transmissão do alerta que considera os acionadores manuais ou 
automáticos, na prática o sistema de alarme automático é integrado ao sistema de dectecção 
automático do incêndio, e monitorado da central no caso de detectores endereçáveis. 
No caso de emprego de posto de monitoramento com controle de permanência, pode 
ser empregada linha que possibilite uma sobreposição de sinal com a linha telefônica, 
priorisando o alerta de emergência, de tal forma que o alerta de incêndio não seja 
bloqueado por outras comunicações.
Esse fator de transmissão de alerta s2 é obtido pela seguinte tabela:
Tabela 21. Condições de transmissão do alerta de alerta – fator s2.
Transmissão do alerta Valor 
de s2
Postos de controle funcionando permanentemente (p. ex.: guarita de porteiro com comunicação) 1,05
Postos de alerta funcionando permanentemente com acesso a telefone, sendo que de noite tenha duas 
pessoas para rendição de descanso
1,1
Transmissão de alerta automático apartir de uma central de detecção, ou então emprego de chuveiros 
automáticos para um posto de alarme de incêndio com linha telefônica, sem o controle de permanência no posto
1,1
Transmissão de alerta automático a partir de uma central de detecção, ou então emprego de chuveiros 
automáticos para um posto de alarme de incêndio com linha telefônica, com o controle de permanência no posto
1,2
Fonte: Cunha, 2010.
Esse próximo fator se refere à permanência ou não no local de bombeiros oficiais ou 
de empresa. Nesse caso, o que veremos com muito mais frequência é a permanência 
de bombeiros civis contratados diretamente pelos empreendimentos. Contudo, esse 
fator também considera a disponibilidade de bombeiros oficiais, que no caso nacional, 
são militares.
Para os bombeiros oficiais, esse método estipula as seguintes classificações:
 » CBO 1: bombeiro oficial que não puder ser classificado nas demais categorias, 
com alerta simultâneo.
 » CBO 2: bombeiro oficial com equipe de emergência composta por no 
mínimo de 20 bombeiros que façam plantões também aos fins de semana, 
com alerta simultâneo.
26
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
 » CBO 3: bombeiro oficial com equipe de emergência composta por no 
mínimo 20 bombeiros que façam plantões também aos fins de semana e que 
disponha de uma viatura (caminhão com reservatório de água e bomba de 
recalque), com capacidade de até 1200 litros de água, com alerta simultâneo.
 » CBO 4: bombeiro oficial com equipe de emergência composta por no 
mínimo de 20 bombeiros que façam plantões também aos fins de semana e 
que disponha de uma viatura (caminhão com reservatório de água e bomba 
de recalque), com capacidade de até 1200 litros de água. Com plantões aos 
fins de semana, nos quais permaneçam pelo menos 3 bombeiros, com alerta 
simultâneo.
 » CBO 5: bombeiro oficial com equipe de emergência composta por no mínimo 
20 bombeiros que façam plantões também aos fins de semana e que disponha 
de uma viatura (caminhão com reservatório de água e bomba de recalque) 
com capacidade de até 2400 litros de água. Com plantões aos fins de semana, 
nos quais permaneçam pelo menos 5 bombeiros, com alerta simultâneo.
 » CBO 6: bombeiro oficial com equipe de emergência composta por no 
mínimo de 20 bombeiros que façam plantões também aos fins de semana e 
que disponha de uma viatura (caminhão com reservatório de água e bomba 
de recalque) com capacidade de até 2400 litros de água. Com plantões de 24 
horas (permanente), com pelo menos 4 bombeiros, com alerta simultâneo.
 » CBO 7: bombeiro oficial com equipes de intervenção de um ou de vários 
quartéis situados na zona protegida, com disponibilidade permanente e 
equipadas de acordo com os riscos existentes, com alerta simultâneo.
Para os bombeiros civis, temos os seguintes enquadramentos:
 » BE 1: brigada de incêndio com efetivo mínimo de 10 pessoas habilitadas a 
combater incêndios, disponíveis durante todo o horário de funcionamento 
do empreendimento.
 » BE 2: brigada de incêndio com efetivo mínimo de 20 pessoas habilitadas a 
combater incêndios, com comando próprio e com disponibilidade durante 
todo o horário de funcionamento do empreendimento.
 » BE 3: brigada de incêndio com efetivo mínimo de 20 pessoas habilitadas a 
combater incêndios, com comando próprio e com disponibilidade integral 
de atuação, mesmo em horários fechados.
27
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
 » BE 4: brigada de incêndio com efetivo mínimo de 20 pessoas habilitadas a 
combater incêndios, com comando próprio e com disponibilidade integral 
de atuação, mesmo em horários fechados, sendo que nos dias em que a 
edificação permanecer fechada, deverá contar com pelo menos 4 plantonistas 
de prontidão em caso de incêndio.
Os valores do fator s3 são obtidos conforme a seguinte tabela:
Tabela 22. Disponibilidade de bombeiros para as edificações – fator s3.
Bombeiros militares (CB) e bombeiros civis (BE)
Bombeiros Oficiais BE 1 BE 
2
BE 
3
BE 
4 Ausência de BE
CBO 1 1,20 1,30 1,40 1,50 1,00
CBO 2 1,30 1,40 1,50 1,60 1,15
CBO 3 1,40 1,50 1,60 1,70 1,30
CBO 4 1,45 1,55 1,65 1,75 1,35
CBO 5 1,50 1,60 1,70 1,80 1,40
CBO 6 1,55 1,65 1,75 1,85 1,45
CBO 7 1,70 1,75 1,80 1,90 1,60
Fonte: Cunha, 2010.
O fator s4 representa batalhões locais do Corpo de Bombeiros disponíveis para a 
pronta intervenção. Para esse fator, é considerado o tempo (te) que os bombeiros 
oficiais conseguem atender à ocorrência. Esse tempo de trajeto, naturalmente, leva 
em consideração a distância e a velocidade média possível nas vias do trajeto. 
Os valores correspondentes a esse fator s4 são dados conforme a tabela a seguir:
Tabela 23. Batalhões de intervenção dos corpos de bombeiros locais – fator s4.
Tempo de 
atendimento do CB 
(min)
Valores de s4
Chuveiros 
automáticos
BE 1 
ou 
BE 2
BE 3 BE 4 Ausência 
BE
te ≤ 15 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00
15 30 0,95 0,75 0,90 0,95 0,60
Fonte: Cunha, 2010.
Esse fator s5 leva em consideração os sistemas fixos automáticos de extinção de 
incêndio, tais como, chuveiros automáticos e difusores de gases extintores, conforme 
a tabela a seguir:
28
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Tabela 24. Fatores de extinção por sistemas fixos – fator s5.
Instalações de extinção Fator s5
Chuveiros automáticos em toda a edificação 2,00
Chuveiros automáticos em locais específicos (dilúvio, água ou espuma) 1,70
Proteção automática de extinção a gás 1,35
Fonte: Cunha, 2010.
O fator s6 leva em consideração às instalações automáticas destinadas à extração de 
fumaça, conforme a tabela a seguir:
Tabela 25. Fator relativo ao controle de calor e fumaça - fator s6.
Instalações automáticas de extração de fumaça Fator s6
Exaustor de fumaça e calor 1,20
Fonte: Cunha, 2010.
Desse modo, podemos determinar o coeficiente das medidas especiais (S), dado pelo 
produto dos fatores (s1, s2, s3, s4, s5 e s6), conforme a equação a seguir:
S = fator s1 x fator s2 x fator s3 x fator s5 x fator s6
Medidas de proteção construtivas
Ainda quanto aos fatores relacionados às medidas de segurança contra incêndio, 
devemos também verificar as condições das proteções passivas da edificação. Esses 
fatores são 4, conforme a lista a seguir:
 » Estrutura resistente - fator f1.
 » Fachadas - fator f2.
 » Lajes - fator f3.
 » Células corta-fogo - fator f4.
O fator f1 se refere à resistência ao fogo dos elementos estruturais da edificação, essa é 
a medida de segurança estrutural, cujo tempo requerido de resistência ao fogo (TRRF), 
nesse caso dos pilares e das vigas, deve estar em condições compatíveis com a instrução 
técnica pertinente vigente. Desse modo, o fator f1 é dado pela seguinte tabela:
Tabela 26. Fator relativo à estrutura resistente ao fogo - fator f1.
Tempo requerido de resistência ao fogo da estrutura TRRF (min.) Valor de f1
TRRF ≤ 30 1,00
30 60 1,30
Fonte: Cunha, 2010.
29
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Para a determinação desse fator f2, deve ser considerada resistência ao fogo das 
fachadas da edificação, que influenciam na propagação de um eventual incêndio de um 
andar para o outro, por exemplo. Nesse sentido, o fator considera o tipo de materiais 
construtivos aplicados, como juntas dos elementos de ligação. Esse fator também varia 
em função da proporção das janelas na superfície das fachadas e com a altura dessas 
aberturas em relação à altura da fachada. Esse fator f2 pode ser obtido de acordo com 
a tabela a seguir:
Tabela 27. Fator relativo à fachada resistente ao fogo – fator f2.
Tempo requerido de resistência ao fogo da fachada TRRF (min.) Valor de f2
TRRF ≤ 30 1,00
30 60 1,15
Fonte: Cunha, 2010.
Esse fator f3 corresponde à existência e conformidade de compartimentação vertical 
da edificação, então, conforme o item anterior, também leva em consideração a 
propagação do incêndio para os andares acima. Desse modo, também considera a 
taxa de abertura nas fachadas, mastambém considera as abas que fazem parte dos 
elementos construtivos que dificultarão a propagação ascendente, bem como também 
considera selagem em aberturas, como os shafts, a resistência da laje ao fogo e a 
classificação da edificação, de acordo com a tabela 4. Esse fator f3 é determinado de 
acordo com a seguinte tabela:
Tabela 28. Fatores relativos à compartimentação vertical das edificações - fator f3.
TRRF dos elementos de 
separação horizontal entre 
pavimentos (min.) ***
N. de 
andares
Ligações verticais
Edificações do tipo 
Z ou G
Edificações do 
tipo V
Edificações do 
tipo V
Nenhuma ou 
isoladas Protegidas * Não protegidas
TRRF > 60
2 1,20 1,10 1,00
> 2 1,30 1,15 1,00
TRRF, F30
2 1,15 1,05 1,00
> 2 1,20 1,10 1,00
TRRF, F30cb
2 1,10 1,05 1,00
> 2 1,15 1,10 1,00
≤ TRRF F30cb**
2 1,05 1,00 1,00
> 2 1,10 1,05 1,00
30
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Notas:
* Aberturas protegidas no seu contorno por uma instalação sprinkler ou por cortina guarda-vento. Lembrando 
que, segundo a NBR 10897, não é necessário esse tipo de proteção em grandes aberturas como átrios quando 
todos os níveis adjacentes forem protegidos por chuveiros automáticos e quando todas as aberturas tiverem 
dimensões horizontais de 6 m ou maiores, e áreas de 93 m2 ou maiores.
**F30cb – resistência ao fogo de 30 minutos para estruturas de madeira
*** Não é válido para telhados.
Fonte: Cunha, 2010.
Esse fator f4 diz respeito às células corta-fogo de compartimentação horizontal da 
edificação, comportas por paredes, portas, divisórias e isolam uma determinada área 
de risco de uma edificação. Esse fator é dado conforme a tabela a seguir:
Tabela 29. Fatores relativos à compartimentação vertical das edificações – fator f4.
Relação de áreas AF/AZ * 
(em porcentagem da área em planta da 
célula corta-fogo) (m²)
AF/AZ > 10 %
5 % 1000 ≤ 30 >1000 >1000 1,00
≤ 100 ≤ 30 0,95
≤ 300 ≤ 100 0,90
≤ 1000 ≤ 30 ≤ 300 ≤ 30 0,85
> 1000 ≤ 100 ≤ 1000 ≤ 30 ≤ 100 0,80
≤ 300 > 1000 ≤ 100 ≤ 300 0,75
≤ 1000 ≤ 30 ≤ 300 ≤ 1000 ≤ 30 0,70
> 1000 ≤ 100 ≤ 1000 ≤ 30 > 1000 ≤ 100 0,65
≤ 300 > 1000 ≤ 100 ≤ 300 0,60
≤ 1000 ≤ 300 ≤ 1000 ≤ 30 0,55
> 1000 ≤ 1000 > 1000 ≤ 100 0,50
> 1000 ≤ 300 0,45
≤ 1000 0,45
> 1000 0,40
Fonte: Cunha, 2010.
Segundo Cunha (2010), em algumas situações específicas de perigo reduzido de pessoas, 
o valor Ph,e pode ser superior a 1, esses casos devem ser avaliados individualmente, 
mantendo-se a obrigatoriedade de serem respeitadas as medidas de proteção exigidas 
pelo grau de risco existente (CUNHA, 2010).
33
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Então, este fator de risco de incêndio admissível (Ru) para os ocupantes da edificação, 
se dá pelo produto do fator de correção (Ph,e) e uma constante fixada em 1,3.
Ru = 1,3 x Ph,e
Por último, podemos obter o grau de segurança contra incêndio (ϒ) por meio do 
coeficiente que resulta do quociente entre o risco admissível (Ru) e o risco efetivo de 
incêndio (R).
Ru = 
R
ϒ
Para o método Gretener, a segurança contra incêndio é satisfatória quando esse coeficiente 
do grau de segurança contra incêndio (Υ) for igual ou superior a 1, caso contrário, 
as medidas de segurança serão consideradas insuficientes e precisarão ser revistas.
Análise de risco global de incêndio
No item evidenciamos uma aplicação de avaliação de risco ambiental de incêndio 
utilizado para um centro histórico de Portugal. Essas arquiteturas antigas podem ser 
foco de patologias, dada à baixa natural do desempenho dessas edificações no tempo. 
Naturalmente, o método Gretener poderia ser empregado também para as edificações 
antigas do Brasil, mas outras opções que podem adequar-se melhor às especificidades 
locais são sempre muito bem-vindas.
A análise global de risco é versátil, pois se aplica em uma edificação isolada ou em um 
conjunto de edificações.
Gouveia (2006), por meio de uma linha de pesquisa do Instituto do Patrimônio Histórico 
e Artístico Nacional (IPHAN) apresentou a análise de risco global de incêndio, para 
conhecer, quantificar e qualificar as condições da SCI de edificações antigas. 
As adaptações em edificações antigas para um padrãoaceitável de SCI conforme 
preconiza, por exemplo, a Instrução Técnica n. 43/2019 do Corpo de Bombeiros da 
Polícia Militar do Estado de São Paulo (CBPME-SP), são sempre um problema constante, 
ainda mais em edificações, cujas características ímpares merecem o tombamento 
como patrimônio histórico. Esse método leva em consideração a impossibilidade 
de intervenções estruturais, ou até mesmo da implantação de algumas instalações 
de equipamentos que venham a descaracterizá-la, com o propósito de melhorar a 
segurança contra incêndio.
34
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Esse método foi batizado como global, pois busca, com uma abordagem mais holística, 
a definição de parâmetros de intervenção pública ou particular que possam contribuir 
para a segurança da edificação, sem alterá-la. O autor ainda sugere a utilização 
do método para análise de riscos ainda conceituais, ou seja, na concepção dos 
projetos quando podemos inferir à vontade situações para simulação de cenários 
de risco.
Um método de análise global de risco pode ser utilizado ainda na fase de 
projeto de uma edificação com o objetivo de definir, para diversos cenários 
de incêndios, as medidas de segurança que devem ser adotadas para atender 
o critério de segurança expresso por ϒ ≥ ϒ mín. [...]. Nesse tipo de aplicação, 
os anteprojetos da edificação podem ser alterados convenientemente, até 
que se atinja a meta de segurança. (GOUVEIA, 2006) 
Exposição ao risco de incêndio - E
Esse método nacional proposto baseia-se no atendimento de seis etapas, conforme a 
lista que seguir:
1. Levantamento de dados da edificação ou do complexo.
2. Determinação da exposição ao risco de incêndio da edificação ou do complexo.
3. Determinação da segurança.
4. Determinação dos riscos de ativação.
5. Cálculo do risco global de incêndio. 
6. Análise de segurança.
Levantamento de dados da edificação ou do complexo
Na grande maioria dos casos, esses tipos de edificações antigas não apresentam projetos 
arquivados, o que torna inevitável a coleta de dados por meio de vistoria, mas não se 
esgotam as possibilidades de coleta de dados. Nesses casos, todas as informações que 
puderem ser coletadas são bem-vindas, tais como históricos documentais, rotinas de 
manutenção registradas e fotografias antigas que possa evidenciar a sobreposição de 
diferentes tipos de materiais construtivos.
Levantadas essas informações preliminares, devemos avaliar as condições de conservação 
da edificação, afastamentos em relação a outras áreas de risco, as propriedades de 
resistência ao fogo dos elementos construtivos, tais como, das paredes internas que 
compõem as compartimentações que separariam eventuais incêndios em células 
35
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
menores, resistentes a um tempo de incêndio aceitável (TRRF) conforme apresentado 
na tabela a seguir:
Tabela 32. Resistência ao fogo de paredes de alvenaria.
Elemento construtivo
Es
pe
ss
ur
a t
ot
al
 da
 
pa
re
de
 (c
m
)
Du
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(m
in
)
Re
sis
tê
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ia
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 fo
go
 
(m
in
)
Parede de tijolos de barro cozido 
(dimensões nominais dos tijolos: 
5x10x20 cm e massa de 1,5 kg)
Meio tijolo sem revestimento 10 120 90
Um tijolo sem revestimento 20 395 ≥ 360
Meio tijolo com revestimento 15 300 240
Um tijolo com revestimento 25 300 > 360
Parede de blocos vazados de concreto 
de 2 furos (dimensões nominais dos 
blocos: 14x19x39 cm e 19x19x39 
cm e massas de 13 kg e 17 kg, 
respectivamente).
Bloco de 14 cm sem 
revestimento
14 100 90
Bloco de 19 cm sem 
revestimento
19 120 90
Bloco de 14 cm com 
revestimento
17 150 120
Bloco de 19 cm com 
revestimento
22 185 360
Paredes de tijolos cerâmicos de oito 
furos (dimensões nominais dos tijolos: 
10x20x20 cm e massa de 2,9 kg)
Meio tijolo com revestimento 13 150 120
Um tijolo com revestimento 23 300 > 240
Paredes de concreto armado 
monolítico sem revestimento
Traço 1: 2,5 : 3,5 e armadura 
simples posicionada a meia 
espessura das paredes, 
possuindo malha de 15 cm de 
aço CA-50 de diâmetro 1/4 de 
polegada
11,5 150 90
16 210 180
Fonte: CBPME-SP IT 08, 2019.
Também devemos considerar as aberturas dos elementos de vedação externa que 
não tenham resistência ao fogo suficiente para promover a separação dos riscos entre 
edificações vizinhas devido à influência da radiação do incêndio (área de aberturas 
não protegida), estamos falando nesse caso de elementos de vedação de resistência ao 
fogo inferior, devido a aberturas com envidraçamento convencional, que se quebram 
em temperaturas relativamente baixas. A seguir, temos uma tabela com informações 
da distância mínima entre parede e divisa em função da porcentagem total de áreas 
não protegidas.
36
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Tabela 33. Porcentagens de áreas não protegidas.
Distância mínima entre a parede e a divisa (m)
Porcentagem total de área 
não protegida (%)
Grupos de ocupações
Residencial, escritório, 
reunião, recreação
Comercial, industrial, depósito e outros 
usos não residenciais
Não aplicável 1 4
1 2 8
2,5 5 20
5 10 40
7,5 15 60
10 20 80
12,5 25 100
Fonte: Gouveia, 2006.
Sem dúvida, essas proteções passivas são itens muito importantes a serem levantados 
inicialmente, pois pode ser complicado o atendimento no tempo necessário de resistência 
ao fogo. 
As edificações antigas podem apresentar várias restrições a ações que venham modificar 
qualquer aspecto de valor histórico, tal restrição poderia ser, por exemplo, a instalação 
de sistemas fixos de extinção, que inevitavelmente viessem a transpassar paredes. 
Por esse motivo, as proteções passivas possuem um papel tão importante, mas pode 
não ser possível devido ao comum emprego de materiais combustíveis nos elementos 
estruturais. Quanto aos materiais empregados no acabamento e revestimento dos 
cômodos, devemos caracterizar com mais riqueza de detalhes possível os pisos, 
forros e paredes a indicar (o tipo de material, a espessura, textura, eventuais 
tratamentos antichamas2). Nesse sentido, esse método também organiza os requisitos 
importantes a serem considerados em uma vistoria, além desses, conforme dado na 
tabela a seguir:
Tabela 34. Levantamento de dados – lista dos itens necessários.
Grupo de dados Itens a considerar
Ambientais
Meio ambiente
Condições de acesso de bombeiros e viaturas
Tempo de resposta dos bombeiros
2 Produto ignifugantes aplicados para retardar a ação do fogo em materiais combustíveis.
37
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Grupo de dados Itens a considerar
Relativo ao projeto arquitetônico
Tipo de construção
Geometria e interconexão dos espaços
Subdivisão interna da edificação
Dimensões
Número de andares, incluindo o subsolo
Afastamento dos vizinhos
Posição da cobertura em relação aos vizinhos
Abertura das fachadas
Rotas de circulação normal
Rotas de escape
Outros parâmetros
Relativo aos ocupantes
Número e agrupamento social
Caracterização dos usos
Mobilidade e estado de atenção dos ocupantes
Familiaridade com o edifício
Tipo de atividade
Pontos de concentração
Outros parâmetros
Cômodos
Acabamento de paredes, pisos e forros
Aberturas, pisos e forros.
Dimensões das aberturas e afastamentos
Ventilação
Nível de ruído interno
Conteúdo combustível
Fontes potenciais de início de ignição
Operações e riscos de ativação
Possíveis rotas de propagação de fogo
Possíveis rotas de propagação de fumaça
Outros parâmetros
Outros
Contato para novas informações
qualidade e periodicidade da manutenção
Restrições de projeto
Mudanças futuras do layout e do uso
Medidas de segurança já implementadas
Fonte: Gouveia, 2006.
38
UNIDADE I | VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA
Determinação da exposição ao risco de incêndio da edificação ou 
do complexo
Esse é mais um requisito determinado por verificação e não por inferência, porquanto 
trata-se de uma grandeza determinística (nunca probabilística) e o método atribui graus 
de relevância (dá pesos) aos parâmetroscatalizadores do incêndio, para ponderar o 
resultado em um valor mais verossímil. 
Esse método funciona com como uma balança, onde a facilidade e a dificuldade de 
desenvolvimento e propagação de incêndio atuam como contrapesos, então os valores 
que parametrizam esses dois conceitos precisam estar bem definidos, por isso aplicamos 
o mecanismo de pesos ou fatores, sendo fi, i = 1, p os fatores de risco e assim definimos 
a grandeza E.
Então, a partir dos dados levantados na fase anterior, a exposição ao risco de incêndio 
pode ser determinada pela expressão:
E = f1 x f2 x … x fp
Devemos tomar o cuidado de aplicar o método em cada compartimento a apontar 
o risco real presente nele e não o probabilístico, por exemplo, uma edificação com 
classificação de uso escolar, cuja carga de incêndio estará concentrada em um depósito 
não compartimentado que poderia agravar o risco da atividade principal. Por esse 
motivo todos os valores da exposição ao risco de incêndio, respectivos a cada cômodo, 
devem ser calculados.
A grandeza E indica qual o potencial da ocorrência de um incêndio, quantificando 
o perigo real de um incêndio ocorrer no cômodo ou edificação, assim entre duas 
edificações ou dois cômodos, aquele que tiver o maior E estará exposto a um maior 
perigo de incêndio. Essa probabilidade de incêndio, leva em consideração seis fatores, 
tal como a tabela a seguir:
Tabela 35. Parâmetros e fatores de risco.
Origem Parâmetros Símbolos Fator fi
Carga de incêndio
Densidade de carga de incêndio q f1
Altura do compartimento H, S f2
Compartimento
Distância da unidade do Corpo de Bombeiros mais próxima D f3
Condições de acesso à edificação – f4
Perigo de generalização – f5
Política de preservação Importância específica da edificação – f6
Fonte: Gouveia, 2006.
39
VERIFICAÇÃO DE FALHA DO SISTEMA | UNIDADE I
Densidade de carga de incêndio – fator f1
O fator f1, densidade da carga incêndio (q), se trata de uma grandeza que mede o 
poder calorífico liberado por um incêndio em uma determinada área está diretamente 
relacionada à extensão dos danos que podem ser causados. 
Segundo dados da Swiss Federation of Engineers and Architects SIA-81 (1981 apud 
GOUVEIA, 2006), os referidos fatores podem ser obtidos pela seguinte tabela:
Tabela 36. Densidades de carga de incêndio e fatores de risco.
Densidade de carga de 
incêndio (MJ/m²)
fator f1
q ≤ 200 1,0
200 ≤ q 16 4,0
Fonte: Gouveia, 2006.
Condições de acesso à edificação – fator f4
Esse fator f4 se dá no tratamento especial das condições de acesso às fachadas da edificação 
e à disponibilidade de água no local para combate de incêndio, portanto, a quantidade 
de fachadas de uma edificação contribuirá para um melhor acesso à edificação, ou seja, 
em imóveis de esquina, ou com pátio, e vias de manobra circundando a edificação 
facilitam os trabalhos dos bombeiros oficiais. Além do número de fachadas, o tipo da 
edificação e a disponibilidade de hidrante urbano no local são outras variáveis que 
influenciam na constituição do referido fator f4.
Sendo assim, a tabela abaixo explicita esses valores de forma, que possamos classificar as 
condições de acesso em uma escala que vai de condições fáceis a condições muito difíceis.
Tabela 39. Condições de acesso e fatores de risco – fator f4.
Denominação do 
acesso Descrição fator 
f4
Fácil
Acesso da viatura pelo menos por duas fachadas da edificação, quando essa é do tipo 
C ou H, ou três fachadas, quando a edificação é do tipo V; hidrante público até 75 m da 
edificação ou instalação de hidrante interno

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