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A Construção do SUS: Da Constituição às Leis
 
Introdução Histórica e a Constituição Federal
 
A organização do Sistema Único de Saúde (SUS) é um processo que se desenvolveu ao longo de 
um período histórico significativo, culminando na Constituição Federal de 1988. Antes disso, 
ocorreram importantes marcos, como as Conferências Nacionais de Saúde.
Conferências Municipais de Saúde: Etapa inicial de discussão e organização.
Conferência Estadual de Saúde: Seguinte à municipal, consolidando as discussões em nível 
estadual.
Conferência Nacional de Saúde (8ª Conferência): Um marco crucial, realizada antes da 
elaboração da Constituição. Essa conferência foi fundamental para a formulação de 
propostas e a definição de princípios que norteariam a saúde no país. A ideia de que "saúde é 
direito de todos e dever do Estado" ganhou força nesse período. A participação popular foi 
um diferencial importante dessa conferência.
Assembleia Constituinte (1987-1988): Período em que os representantes se reuniram para 
elaborar a nova Constituição Federal. É importante notar que este não foi um processo 
rápido e envolveu a consolidação de ideias e debates.
Constituição Federal de 1988: Promulgada em 1988, a Constituição Federal estabeleceu os 
princípios básicos para o funcionamento do país, incluindo a saúde. Contudo, a Constituição, 
por sua natureza, não detalha todos os aspectos operacionais. Ela possui apenas quatro 
artigos dedicados à saúde, que definem o escopo geral e os princípios fundamentais.
 
A Seguridade Social e o Financiamento do SUS
 
A Constituição Federal estabelece que os recursos financeiros destinados à Seguridade Social 
são distribuídos em três áreas principais:
Assistência: Programas e serviços de apoio social.
Previdência Social: Benefícios relacionados a aposentadoria, auxílio-doença, etc. (o INSS 
abrange principalmente esta área).
Saúde: O financiamento para a promoção, proteção e recuperação da saúde.
 
O dinheiro arrecadado através de impostos e contribuições é direcionado para a Seguridade 
Social e, posteriormente, distribuído entre essas três esferas.
 
Da Constituição à Lei: A Regulamentação do SUS
 
A Constituição Federal de 1988 lançou as bases para o SUS, mas a sua operacionalização e 
detalhamento foram realizados por meio de leis específicas.
Lei 8.080/1990: Conhecida como a "Lei Orgânica da Saúde", esta lei regulamentou os 
princípios estabelecidos na Constituição Federal e definiu a organização, o funcionamento e 
as diretrizes do SUS. Ela é considerada a lei que efetivamente criou o SUS em sua forma 
moderna.
Lei 8.142/1990: Complementar à Lei 8.080, esta lei dispõe sobre o financiamento e a gestão 
do SUS, incluindo a participação da comunidade na gestão do SUS e as transferências 
intergovernamentais de recursos financeiros.
 
Além dessas leis principais, o SUS é regido por outras normas jurídicas que detalham aspectos 
específicos de sua atuação:
Medidas Provisórias: Atos normativos com força de lei, editados pelo Presidente da 
República em casos de relevância e urgência, que precisam ser posteriormente aprovados 
pelo Congresso Nacional.
Leis Ordinárias: Leis que regulamentam matérias não reservadas às leis complementares.
Portarias: Atos normativos emitidos por órgãos do Ministério da Saúde ou Secretarias de 
Saúde, que geralmente tratam de assuntos mais pontuais e de caráter infralegal, detalhando 
procedimentos, programas ou normas técnicas. É fundamental que as portarias estejam em 
conformidade com a Constituição e as leis.
 
A Hierarquia das Normas no SUS
 
A estrutura normativa do SUS segue uma hierarquia clara, onde as normas inferiores não podem 
contrariar as normas superiores:
 
Constituição Federal: A norma suprema do país, estabelecendo os princípios fundamentais da 1. 
saúde.
Leis (Ordinárias e Complementares): Regulamentam os princípios constitucionais.2. 
Medidas Provisórias: Têm força de lei enquanto não convertidas ou derrubadas pelo 3. 
Congresso.
Decretos: Regulamentam as leis.4. 
Portarias: Detalham aspectos específicos e operacionais.5. 
 
Qualquer norma que contrarie a Constituição é considerada inconstitucional.
 
O Prontuário do Paciente: Documento Legal e 
Ferramenta de Trabalho
 
O prontuário médico é um documento fundamental no contexto da saúde, servindo como 
registro legal das ações realizadas em relação ao paciente e como ferramenta de trabalho para 
os profissionais de saúde.
Natureza Legal: O prontuário é um documento legal que pode ser utilizado em processos 
judiciais. Todas as anotações devem ser feitas de forma clara, precisa e cronológica.
Registro de Atendimentos: Todas as intervenções, evoluções, prescrições, exames e 
procedimentos realizados devem ser registrados no prontuário.
Cronologia: As anotações devem seguir uma ordem cronológica rigorosa. Não é permitido 
alterar ou rasurar informações. Se houver um erro, deve-se fazer um traço sobre a 
informação incorreta, escrever "sem efeito" ou "invalido" e assinar, prosseguindo com a 
anotação correta em seguida.
Responsabilidade: Cada profissional é responsável por suas próprias anotações. A omissão 
de informações ou registros incorretos pode gerar responsabilidade legal para o profissional 
e para a instituição.
Digitalização: Com a evolução tecnológica, os prontuários eletrônicos se tornaram comuns. 
Mesmo no formato digital, a integridade, a segurança e a rastreabilidade das informações 
são essenciais. A exclusão de informações em prontuários eletrônicos geralmente requer 
permissões especiais e auditoria.
Acompanhante do Paciente: A legislação atual, inclusive com alterações recentes 
(mencionada como em 2023/2024 no material), garante o direito do paciente de ter um 
acompanhante durante consultas e procedimentos, tanto em serviços públicos quanto 
privados. Essa medida visa proteger o paciente e também o profissional de saúde, servindo 
como testemunha. O profissional de saúde deve estar ciente e respeitar esse direito.
 
Dicas de Estudo e Legislação
Lei 8.080/1990 e Lei 8.142/1990: São leis centrais para o estudo do SUS. É recomendável 
consultá-las diretamente.
Fontes Oficiais: Para estudar a Constituição Federal e as leis, é preferível consultar sites 
oficiais, como o do Planalto (para a Constituição) e os sites dos órgãos legislativos, pois 
estes contêm as versões atualizadas, incluindo as emendas e alterações.
Emendas Constitucionais: Alterações na Constituição Federal são feitas por meio de 
Emendas Constitucionais. Ao consultar a Constituição, verifique se há indicações de 
emendas que modificaram ou adicionaram artigos.
Legislação Específica: Além das leis gerais, o SUS é regulado por diversas outras normativas 
(portarias, resoluções, etc.) que tratam de temas específicos (saúde da mulher, saneamento, 
vigilância sanitária, etc.). A familiaridade com essas leis pode ser um diferencial em 
concursos e na prática profissional.

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