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CURSO NACIONAL DE ESPECIALIZAÇÃO EM AUDITORIA DO SUS Unidade 1 Funções e princípios do Orçamento e das Finanças no SUS Francisco das Chagas Teixeira Neto ORÇAMENTO E FINANCIAMENTO DO SUS GLOSSÁRIO ADCT – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias AIH – Autorização de Internação Hospitalar ASPS – Ações e Serviços Públicos de Saúde BPA – Boletim de Produção Ambulatorial CEO – Centros de Especialidades Odontológicas CGU – Controladoria Geral da União CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde CNM – Confederação Nacional dos Municípios CNRAC – Central Nacional de Regulação da Alta Complexidade COAP – Contrato Organizativo das Ações Públicas de Saúde DENASUS – Departamento Nacional de Auditoria do SUS DESF – Departamento de Saúde da Família da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde eAP – Equipes de Atenção Primária EC – Emenda Constitucional EIA – Estudo de Impacto Ambiental eSF – Equipes de Saúde da Família FAEC – Fundo de Ações Estratégicas e Compensação FIDEPS – Fator de Incentivos ao Desenvolvimento do Ensino e Pesquisa Universitária em Saúde FNS – Fundo Nacional de Saúde FPO – Ficha de Programação Orçamentária IAPI – Incentivo de Assistência à População Indígena IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IESS – Instituto de Estudos de Saúde Suplementar IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo LOA – Lei Orçamentária Anual LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias LRF – Lei de Responsabilidade Fiscal MAC – Média e Alta Complexidade NOAS – Normas Operacionais da Assistência à Saúde NHE – Núcleos Hospitalares de Epidemiologia OSS – Orçamento da Seguridade Social PAB – Piso da Atenção Básica PAS – Programação Anual de Saúde PBVS – Piso Básico de Vigilância Sanitária PEC – Proposta de Emenda Constitucional PFVPS – Piso Fixo de Vigilância e Promoção da Saúde PIB – Produto Interno Bruto PPI - Programação Pactuada e Integrada PPA – Plano Plurianual PS – Plano de Saúde PVVPS – Piso Variável de Vigilância e Promoção da Saúde RAG – Relatório Anual de Gestão RCBP – Registro de Câncer de Base Populacional RCL – Receita Corrente Líquida RDQA – Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior RREO – Relatório Resumido de Execução Orçamentária SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência SCNES – Sistema Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde SIA – Sistema de Informação Ambulatorial SICONV – Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasses SIH – Sistema de Informação Hospitalar SIOPS – Sistema de Informação sobre Orçamentos Públicos de Saúde SISAUDSUS – Sistema de Auditoria do SUS SNA – Sistema Nacional de Auditoria SVO – Serviço de Verificação de Óbito UNIDADE I – FUNÇÕES E PRINCÍPIOS DO ORÇAMENTO E DAS FINANÇAS NO SUS Sabemos que um dos grandes desafios para o setor saúde é seu financiamento, sobretudo porque o Brasil adota um modelo de acesso universal e o direito à saúde é garantido pela Constituição Federal. Para um país continental e com uma popula- ção tão diversa, tornar essas despesas sustentáveis do ponto de vista orçamentário é uma equação bem complexa. Compreender como são elaborados os orçamentos de maneira a atender a esse compromisso social, conhecer as etapas de seu ordenamento legal para a garantia de manutenção de ações e serviços de saúde por cada ente federado serão os obje- tivos deste módulo. São aulas desta Unidade: Aula 1 – Teorias, funções e princípios do Orçamento e das Finanças. Aula 2 – Histórico do financiamento do SUS. Aula 3 – Bases legais do financiamento do SUS. AULA 01 – Teorias, funções e princípios do Orçamento e das Finanças Entender o que é um orçamento conforme as teorias propostas e como ele é ela- borado, além de compreender a sua execução, suas funções e finalidades, é fun- damental para que possamos aprofundar a discussão nas aulas seguintes sobre a execução orçamentária no SUS. Esta aula apresentará conceitos fundamentais para essa compreensão. Seja no trabalho, seja em nossa casa, a relação com dinheiro sempre é um desafio para a adequação entre receitas e despesas. Muito embora, em nossa vida particu- lar, a única regra para a utilização de dinheiro seja a vontade particular em realizar a despesa, no setor público, essa realidade é bem diferente. É preciso obedecer a uma sequência lógica de etapas como forma de adequar as despesas com as recei- tas, e ainda seguir todos os trâmites determinados pelas Leis que regulamentam esses procedimentos. Para compreendermos essas etapas, começaremos entendendo o que é um orça- mento público. Noblat, Barcelos e Souza (2014) definem orçamento público como o instrumento de gestão de maior relevância e provavelmente o mais antigo da administração pública. É um instrumento que os governos usam para organizar os seus recursos financeiros. Partindo da intenção inicial de controle, o orçamento público tem evoluído e vem incorporando novas instrumentalidades. Juridicamente falando, Guimarães, citado por Silva e Neves (2014, p. 11), define orçamento como “peça escrita, organizada pelo Governo, na qual faz previsão de receita e fixa as despesas para determinado período financeiro. É uma lei de caráter sui generis”. O site do Governo Federal define orçamento público como o instrumento de plane- jamento que detalha a previsão dos recursos a ser arrecadados (impostos e outras receitas estimadas) e a destinação desses recursos (ou seja, em quais despesas esses recursos serão utilizados) a cada ano. Ao englobar receitas e despesas, o orça- mento é peça fundamental para o equilíbrio das contas públicas e indica as priori- dades do Governo para a sociedade (Brasil, 2023d). Do ponto de vista epistemológico, filosófico e semântico, existem teorias que ten- tam explicá-lo conforme as diversas áreas políticas e humanas. Morgado (2011) explica que não existe um único paradigma dominante de estudo do Orçamento Público. Diversos pesquisadores têm estudado essa área do conhecimento de acor- do com sua particular formação acadêmica. Sendo estudado, portanto, por áreas tão diversas como a Economia e a Administração Pública, o Orçamento Governa- mental caracteriza-se como uma área verdadeiramente multidisciplinar. Figura 1 - Teorias Conceituais do Orçamento Público TEORIA DO INCREMENTALISMO: as decisões orçamentárias são políticas, ou seja, requerem a aprovação de autoridades governamentais para sua execução, inclusive com a pressão da opinião pública e de diversos grupos de interesse. TEORIA DE MÚLTIPLAS RACIONALIDADES: devido a sua complexidade, o orçamento deriva de uma combinação de fatores capazes de atender a múltiplas situações e processos. Seria, então, analisado com base em múltiplas heurísticas, cada uma contribuindo para sua compreensão de acordo com seu particular ponto de vista. TEORIA DA ESCOLHA PÚBLICA: pressupõe que os indivíduos comportam-se de maneira racional e utilitária, revelam suas preferências à maneira dos mercados e realizam perguntas tradicionais de precificação. TEORIA DOS CUSTOS DE TRANSAÇÃO: os acordos orçamentários podem ser vistos como transações. Além disso, são frequentes na política orçamentária o oportunismo, a incerteza e a assimetria de informações. Fonte: Morgado (2011, p. 14-15). Portanto, a definição de orçamento público pode ser resumida como a representação física dos valores financeiros previstos a ser arrecadados em determinado período e a definição do destino desses recursos conforme a previsão legal de duas leis fun- damentais, a Lei Orçamentária Anual (LOA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Mas o que seria então estas duas leis? Segundo o próprio site do Ministério do Planejamento e Orçamento, a LOA é a lei que apresenta a programação dos gas- tos governamentais, bem como a previsão das receitas para custear esses gastos. Trata-se de um único documento, constituído por três partes: o Orçamento Fiscal, o Orçamento da Seguridade Social e o Orçamento de Investimento das Empresas Estatais.O Projeto de Lei Orçamentária Anual é elaborado pelo Poder Executivo e proposto até 31 de agosto do ano anterior ao de sua vigência (Brasil, 2023d). Podemos resumir dizendo que a LOA é o descritivo de tudo aquilo que será gasto e onde serão gastos os recursos governamentais, por um ano, conforme a previ- são de arrecadação daquele mesmo período. Logo, se essa previsão orçamentá- ria (arrecadação) não acontecer nos valores esperados e havendo o que os econo- mistas chamam de “frustração de receitas”, será necessário que o Poder Executivo reprograme suas despesas ou então solicite ao Poder Legislativo a autorização para remanejamentos orçamentários, ou seja, substanciar determinado elemento de despesas com recursos advindos de outro elemento que eventualmente possa ser adiado ou não executado. Para a elaboração da LOA, existe uma etapa prévia que é a elaboração da LDO. Essa lei tem o papel de orientar a elaboração da Lei Orçamentária Anual. Inclui metas e prioridades para a administração pública no ano, estabelece diretrizes e metas de política fiscal, entre outros assuntos. A partir do que está estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ela também aborda outros temas como metas e riscos fiscais, equilíbrio de receitas e despesas. O Projeto da LDO é elaborado pelo Poder Executivo e proposto até o dia 15 de abril do ano anterior ao de sua referên- cia (Brasil, 2023d). Além dessas duas leis que possuem vigência anual, devemos ainda lembrar do ins- trumento macro do planejamento orçamentário que é o Plano Plurianual (PPA). Esse documento vige do início do segundo ano do mandato governamental até o final do primeiro exercício financeiro, sendo coincidente com o ano civil do mandato subsequente. Segundo Morgado (2011, p. 16), “o PPA é elaborado pelo Poder Exe- cutivo por meio de lei discutida e aprovada pelo Poder Legislativo, deve estabelecer, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública para determinadas despesas orçamentárias”. Estabelece a Constituição Federal que as despesas de duração continuada e os investimentos cuja execução ultrapasse um exercício financeiro somente podem ser iniciados com prévia inclusão no PPA. Em linhas gerais, a Lei do PPA, além de regulamentar determinadas questões orçamentárias, deve conter todas as despe- sas cuja execução ultrapasse um exercício financeiro (Morgado, 2011). Formalmente, portanto, o orçamento público é veiculado por meio de três leis tem- porárias, elaboradas pelo Poder Executivo, discutidas e aprovadas pelo Poder Legis- lativo e sancionadas pelo chefe do Poder Executivo. A LOA, acrescente-se, deve ser compatível com ambos, a LDO e o PPA. É importante que se verifique que todo o ciclo orçamentário seja feito com obediência aos princípios da legalidade e da efici- ência, entre outros, como forma de se evitar, por exemplo, o desvio ou desperdício de recursos públicos. O orçamento deve ser transparente com o fim de propiciar as importantes informações a ser disponibilizadas aos órgãos de controle da despesa pública e à própria sociedade (Morgado, 2011). Além disso, para a sua elaboração, o orçamento público necessita ainda atender a algumas funções essenciais ao seu exercício. São elas: alocativa, distributiva e esta- bilizadora, conforme representadas na Figura 2. Delas dependem o uso adequado dos recursos com o propósito da garantia do bem comum e o atendimento às prio- ridades do Estado. Figura 2 - Funções do Orçamento Público FUNÇÃO ALOCATIVA: consiste em atender a função do Estado em produzir bens para a sociedade. Assim, por meio dos orçamentos, é feita a alocação de recursos para a garantia do pleno exercício da estrutura governamental necessária à produção desses bens. FUNÇÃO DISTRIBUTIVA: como os recursos são finitos, o orçamento precisa ser distribuído de modo a garantir a solução dos problemas sociais e prioridades da sociedade. FUNÇÃO ESTABILIZADORA: uma política fiscal visa a promover ajustes para que a economia atinja adequado nível de estabilidade. Fonte: autoria própria (2023). Tendo conhecido as três funções básicas de um orçamento, fica fácil compreender que sua elaboração precisa estar conectada com a sociedade que irá atender. O aspecto participativo dessa sociedade na definição das prioridades e demandas para a alocação dos recursos, além de necessária, torna-se indispensável, apenas assim conseguiremos exercer a governança pública que estudamos no módulo anterior. Já estudamos as finalidades de um orçamento público, conhecemos as teorias que o explicam e ainda as funções inerentes a sua execução. Trataremos, a seguir, dos princípios que o regem. Esses princípios se aplicam a todos os entes, independente- mente do poder e visam sumariamente a aumentar a consistência e a estabilidade de todo o sistema orçamentário. Na Figura 3, a seguir, estão representados esses princípios. Além deles, o Congres- so Nacional mais recentemente incorporou o princípio da Totalidade, que dá nova conceituação ao princípio da unidade, de forma que abrange novas situações. O princípio da Totalidade possibilita a coexistência de vários orçamentos autônomos, mas que podem ser vistos de forma consolidada, permitindo-se, assim, uma visão ao mesmo tempo segregada e geral das finanças públicas (Brasil, 2023a). Além da Totalidade, atualmente, existe o princípio do Orçamento Impositivo, que define o dever de execução das programações orçamentárias, superando o debate de que as programações representavam mera autorização para a execução (modelo auto- rizativo), traduzindo-se em caráter vinculante da lei orçamentária (Brasil, 2023a). Figura 3 - Princípios Orçamentários PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS UNIVERSALIDADE Todas as receitas e despesas Arrecadação de impostos não destinada NÃO AFETAÇÃO Previsão de receita e fixação de despesa EXCLUSIVIDADE Orçamento divulgado de forma ampla PUBLICIDADE Previsão legal = Montante bruto ORÇAMENTO BRUTO LEGALIDADE Conforme a lei ANUALIDADE Duração de um ano TRANSPARÊNCIA Divulgar como faz UNIDADE Único documento Fonte: https://www.passeidireto.com/arquivo/124143275/principios-orcamentarios-mapa-mental Ao conhecer todos os preceitos legais para a elaboração de um orçamento público, na próxima aula, começaremos a nos debruçar sobre os desdobramentos desse orçamento na área da saúde. Estudaremos um pouco da história desse financia- mento, das ações e serviços públicos de saúde no SUS. Até lá! https://www.passeidireto.com/arquivo/124143275/principios-orcamentarios-mapa-mental AULA 2 – Histórico do financiamento do SUS Durante esta aula, conheceremos um pouco da história do financiamento do SUS desde a sua criação, com a Lei n° 8.080/1990. Realizaremos ainda uma comparação do financiamento da saúde no Brasil com outras realidades internacionais, além de nos debruçar frente aos enormes desafios para os avanços esperados e necessários. O financiamento de políticas públicas e, especificamente, das políticas de saúde, tem sido foco de interesse e pesquisa em todo o mundo, especialmente após a II Guerra Mundial, quando o provimento dos cuidados e serviços de saúde torna-se atribuição do Estado em muitos países, e a saúde passa a ser entendida como um direito universal, isto é, estendida a todos, como atributo da cidadania (Pelegrini; Castro; Drachler, 2005). A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, o financiamento das ações passou a ser dividido entre os três entes federados: União, Estados e Municí- pios. O parágrafo 1º, Art. 198, Constituição Federal 1988, diz que: “O Sistema Único de Saúde será financiado, nos termos do art.195, com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes”. Com o objetivo de garantir os recursos necessários para o aten- dimento da saúde pública, foi editada, em 13 de setembro de 2000, a EC nº 29, que alterou a Constituição Federal de 1988, estabelecendo percentuaismínimos das receitas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a ser aplicados em ações e serviços públicos de saúde. Essa Proposta de Emenda Constitucional (PEC), editada em 2000, só veio ser votada e aprovada pelo Congresso Nacional no ano de 2012, com a promulgação pela Pre- sidência da República, da Lei Complementar n° 141. Essa Lei estabelece atualmente todos os parâmetros de financiamento do SUS. Quadro 1 - Normas de aplicação mínima de recursos da União para o financiamento de ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS) desde a promulgação da Constituição de 1988. PERÍODO NORMA Método de cálculo do mínimo a ser aplicado em ASPS A partir de 1988 Constituição Federal de 1988 Determinação de que 30% do OSS (Orçamento da Seguridade Social), excluído o seguro desem- prego, fossem alocados ao SUS até que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) fosse aprovada. 2000 a 2015 EC n° 29/2000 Valor empenhado no ano anterior, acrescido da variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). 2016 EC n° 86/2015 Percentuais escalonados da Receita Corrente Líquida (RCL), do respectivo exercício financeiro, partindo de 13,2% em 2016 até 15% em 2020. 2017 - 2021 EC n° 95/2016 15% da RCL em 2017 e nos anos seguintes esse valor acrescido do IPCA (medido entre julho do ano anterior e junho do ano da elabo- ração da peça orçamentária). 2021 – 2036* EC n° 113/2021 15% da RCL em 2017 e, nos anos seguintes, esse valor acrescido do IPCA (medido/estima- do entre janeiro a dezembro do ano da elabo- ração da peça orçamentária). 2036 e seguintes* EC n° 86/2015 15% da RCL do respectivo exercício financeiro (fim de EC 95/16). Fonte: Pereira (2022). O preço da Universalidade A Constituição de 1988 transformou a saúde em um bem público. Todo cidadão brasileiro passou a ter direito à saúde gratuita por ser de dever de o Estado garantir esse bem a todos independentemente de sexo, cor, posição política, credo religioso ou mesmo localização geográfica em que resida. No Brasil, a transformação do sistema de saúde passou a ser desejada a partir da gra- ve crise econômica que assolou o setor saúde no final da década de 1970 e início da década de 80, além das intensas manifestações sociais das categorias organizadas que cobravam um sistema mais justo, sem a característica exclusiva como o modelo que era praticado anteriormente ao SUS. Assim, surgiu o SUS e, com ele, todos os anseios dessa população que lutou por ele, toda essa dívida social de anos de indigência de grande parte da população e a necessidade imediata de respostas e soluções para todos os problemas que historicamente assolavam o sistema de saúde brasileiro. O texto constitucional demonstra claramente que a concepção do SUS estava base- ada na formulação de um modelo de saúde voltado para as necessidades da popu- lação, procurando resgatar o compromisso do estado para com o bem-estar social, especialmente no que refere à saúde coletiva, consolidando-o como um dos direitos da CIDADANIA. Essa visão refletia o momento político pelo qual passava a sociedade brasileira, que recentemente havia saído de uma ditadura militar em que a cidada- nia nunca foi um princípio de governo. Estava-se desenhado o novo modelo de saúde brasileiro e, com isso, era necessário pensar em regras para seu funcionamento e principalmente para seu financiamento, com enfoque no planejamento ascendente e participativo e na gestão autônoma de cada esfera de governo. A esse respeito, Gilson Carvalho (1997, p. 1) argumenta que [...] é impossível que qualquer empreendimento humano prescinda de um financiamento suficiente para ser levado a cabo. Sem recursos financeiros não se garantem instalações adequadas, equipamentos necessários, material de consumo imprescindível e recursos humanos suficientes, atendidos e prepa- rados. Se, de um lado, defendemos a necessidade de recursos financeiros, dei- xemos claros que estes recursos, embora assegurados, não garantem de per si, a eficiência e a eficácia das ações de saúde. O fazer certo, o certo. Buscar alternativas para financiar um sistema público de saúde que se propõe a aten- der a todos os brasileiros em suas necessidades, independentemente de quais sejam e de que nível de complexidade e tecnologia seja necessário para seu atendimento é um desafio imenso, principalmente pelo fato de o país não ter realizado um investi- mento em sua rede de saúde para garantir infraestrutura necessária a receber todo esse público. Outro grande desafio inicial para o financiamento do SUS foi a própria descentralização. Quando a responsabilidade sanitária de execução das ações de saúde foi repassada aos municípios, eles não tinham a menor capacidade de recur- sos – tecnológicos, humanos, de serviços instalados e muito menos de gestão – para executar o elenco das responsabilidades impostas, além de que, as regras claras de financiamento das ações só seriam mais facilmente compreendidas pela NOB 1996. Atualmente, percebemos facilmente as razões que levam a certas limitações do SUS e podemos definir o subfinanciamento como o principal desses problemas apon- tados. Ao compararmos o gasto (% do PIB) do Brasil com outros países da OCDE e América Latina, podemos claramente perceber o tamanho deste subfinanciamen- to. O Brasil, em 2015, gastava 8,9% de seu Produto Interno Bruto (PIB) com ASPS, enquanto que os países desenvolvidos como a Suíça, gastaram 11,9 %, como pode- mos verificar na Figura 4, a seguir. Figura 4 - Gastos % do PIB em saúde para os países OCDE e América Latina em 2015 16 .8 Es ta do s U ni do s 11 .9 Su iç a 11 .2 G 7 11 .1 Fr an ça 11 .1 Al em an ha 11 .0 Su éc ia 10 .7 Pa ís es B ai xo s 10 .5 Bé lg ic a 10 .4 Ja pã o 10 .4 Ca na dá 10 .3 Áu st ri a 10 .3 D in am ar ca 9. 9 N or ue ga 9. 8 Re in o U ni do 9. 5 N ov a Ze lâ nd ia 9. 4 Fi nl ân di a 9. 2 U ru gu ai 9. 1 Es pa nh a 9. 0 Po rt ug al 9. 0 Itá lia 9. 0 Au st rá lia 8. 9 O CD E 8. 9 Br as il 8. 8 Is lâ nd ia 8. 6 Eq ua do r 8. 5 G ré ci a 8. 5 Es lo vê ni a 8. 2 Co st a Ri ca 8. 1 Eu ro pa e Á si a Ce nt ra l 8. 1 N ic ar ág ua 8. 0 Ir la nd a 8. 0 Ch ile 7. 8 Pa ra gu ai 7. 4 H on du ra s 7. 4 Co re ia d o Su l 7. 3 Re pú bl ic a Ch ec a 7. 2 H un gr ia 7. 1 Is ra el 7. 0 Pa na m á 7. 0 Es lo vá qu ia 7. 0 Áf ri ca S ub sa ar ia na 6. 9 El S al va do r 6. 7 Ar ge nt in a 6. 7 Am ér ic a La tin a e Ca ri be 6. 5 Le tô ni a 6. 4 Es tô ni a 6. 3 Bo lív ia 6. 2 Po lô ni a 6. 2 Lu xe m bu rg o 6. 1 G ua te m al a 6. 0 Ex tr em o O ri en te e P ac ífi co 6. 0 Co lô m bi a 5. 9 M éx ic o 5. 8 O ri en te M éd io e N or te d a Áf ri ca 5. 5 Su l d a Ás ia 4. 8 Pe ru 3. 6 Ve ne zu el a Fonte: Rocha, Furtado e Spinola (2019). No ano de 2022, em uma avaliação feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta- tística (IBGE) e publicada pela CNN Brasil, foram apontados os gastos do governo com a saúde no Brasil, em comparação com percentual PIB, o que corresponde à metade da média dos países integrantes da OCDE (CNN Brasil, 2022). Segundo essa mesma pesquisa, as despesas do governo brasileiro com saúde em 2019 corresponderam a 3,8% do PIB do mesmo ano. A média dos países da OCDE é de 6,5%. A Alemanha é a que mais teve gastos na área, tendo despendido 9,9% de seu PIB para o setor no ano da pesquisa. Depois, aparecem França e Japão (9,3%), Reino Unido (8%), Canadá (7,6%), Suíça (7,5%), Austrália (6,5%), Colômbia (6%), Portugal (5,8%), Chile (5,7%) e Grécia (4,7%). Por último, estão o Brasil (3,8%) e o México (2,7%) (CNN Brasil, 2022). Você sabia? Segundo análises da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), já houve anos em que o montante aplicado em saúde, acima do mínimo constitucional, correspondeu ao volume total da arre- cadação de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A FNP também afirmaem seu relatório anual que o acréscimo dos gastos na função saúde em 2020 consumiu 73% do adicional total nas receitas correntes municipais no mesmo período e que o valor adicional daquele ano foi o equivalente ao total arrecadado com quota-parte municipal do Imposto Propriedade de Veículos Automotivos (IPVA) pelo conjunto das prefeituras do país, mais a receita total com taxas (Pereira, 2022). AULA 3 – Bases Legais do Financiamento do SUS Nesta aula, conheceremos todo o desenvolvimento da gestão financeira do SUS e a forma apropriada para a utilização dos recursos conforme a legislação vigente. Para isso, apresentaremos a legislação que estabelece as regras e define os parâmetros a ser respeitados no momento de se planejar a alocação dos recursos. A base legal do SUS é complexa, composta de leis, decretos, portarias, normas ope- racionais etc. Para regulamentar o seu financiamento, tivemos, ao longo da história, a publicação de diversas normas regulatórias com o propósito de definir seu fun- cionamento. Uma das principais estratégias para garantir a descentralização no sistema de saú- de foi a constituição de um arcabouço normativo (Quadro 2) que, nos anos 1990, é representado por quatro Normas Operacionais Básicas (NOB): 1991, 1992 (similar à anterior), 1993 e 1996. Na década de 2000, foi publicada a Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS), nas versões 2001 e 2002, e, em 2006, as portarias rela- tivas ao Pacto pela Saúde (Feijão et al., 2014). Quadro 2 - Elementos constitutivos da regulação do processo de descentralização no SUS Período Principais portarias Racionalidade sistêmica Formas de financiamento federal das ações e serviços descentralizados do SUS Modelos de atenção Acordo federa�vo 1990 a NOB 91/92 § Ausente. § Única forma u�lizada: § Ausente. § Negociações em âmbito nacional 1994 repasse direto ao por meio dos Conselhos Nacionais de prestador segundo Representação dos Secretários Estaduais produção aprovada. (Conass) e Municipais (Conasems) e Comissão Intergestores Tripar�te (CIT). 1994 a NOB 93 § Fraca: § Forma preponderante: § Definição de § Negociações em âmbito nacional 1998 vinculada às repasse direto ao prestador responsabilidade sobre e estadual, por meio dos Conselhos inicia�vas e segundo produção algumas ações programá�cas de Representação dos Secretários negociações aprovada; e de vigilância (sanitária Municipais de Saúde (Cosems) e Comissão municipais isoladas. § Forma residual: transferências em bloco (block grants) segundo montante definido no teto financeiro. e epidemiológica) para a condição de gestão mais avançada vigente (semiplena). Intergestores Bipar�te (CIB); § Inicia�vas isoladas de consórcios; § Formalização dos acordos intergovernamentais por meio do processo de habilitação às condições de gestão do SUS. 1998 a NOB 96 § Moderada: § Forma residual: repasse § Programa de Agentes § Negociações em âmbito nacional e 2002 vinculada às inicia�vas e direto ao prestador segundo produção Comunitários de Saúde (Pacs); Programa Saúde da Família estadual e experiências de negociação regional isoladas (ex.: CIB regionais); negociações aprovada; (PSF); § Inicia�vas isoladas de consórcios; § Forma preponderante: transferências segmentadas em várias parcelas (project grants) por nível de atenção à saúde, �po de serviço e programas. § Programas e projetos prioritários para controle de doenças e agravos (carências nutricionais, catarata, varizes, atenção de urgência/emergência, doenças infecciosas, vigilância § Formalização dos acordos intergovernamentais por meio do processo de habilitação às condições de gestão do SUS e da PPI. sanitária, atenção à população indígena). 2002 a NOAS § Forte: § Forma residual: repasse Manutenção dos disposi�vos § Negociações em âmbito nacional e 2005 2001/ 2002 vinculada às definições do conjunto de ações e serviços a serem contemplados nos módulos assistenciais pelo nível federal e às inicia�vas e negociações direto ao prestador, segundo produção aprovada; § Forma preponderante: transferências segmentadas em várias parcelas (project grants) por nível de atenção à saúde, �po de serviço e programas, incluindo a definição de referências intermunicipais. anteriores e: § Definição das responsabilidades mínimas e conteúdos para a atenção básica; § Redefinição de procedimentos da atenção de média complexidade; § Redefinição de procedimentos da atenção de alta complexidade; estadual e experiências de negociação regional isoladas (ex.: CIB regionais); § Inicia�vas isoladas de consórcios; § Formalização dos acordos intergovernamentais por meio do processo de habilitação às condições de gestão do SUS, da PPI e de experiências de contrato de gestão isoladas; § Implantação de mecanismos de avaliação de resultados (Agenda da Saúde, Pacto da Atenção Básica). § Criação de protocolos para assistência médica. 2002 a NOAS § Forte: § Forma residual: repasse Manutenção dos disposi�vos § Negociações em âmbito nacional e 2005 2001/ 2002 vinculada às definições do conjunto de ações e serviços a serem contemplados nos módulos assistenciais pelo nível federal e às inicia�vas e negociações direto ao prestador, segundo produção aprovada; § Forma preponderante: transferências segmentadas em várias parcelas (Project grants) por nível de atenção à saúde, �po de serviço e programas, incluindo a definição de referências intermunicipais. anteriores e: § Definição das responsabilidades mínimas e conteúdos para a atenção básica; § Redefinição de procedimentos da atenção de média complexidade; § Redefinição de procedimentos da atenção de alta complexidade; estadual e experiências de negociação regional isoladas (ex.: CIB regionais); § Inicia�vas isoladas de consórcios; § Formalização dos acordos intergovernamentais por meio do processo de habilitação às condições de gestão do SUS, da PPI e de experiências de contrato de gestão isoladas; § Implantação de mecanismos de avaliação de resultados (Agenda da Saúde, Pacto da Atenção Básica). § Criação de protocolos para assistência médica. Fonte: Feijão et al. (2014) O Pacto pela Saúde 2006 As normas demonstram a preocupação com as articulações e pactuações, entre ges- tores, com o funcionamento do Sistema. Procurando superar as dificuldades enfren- tadas até o momento, os gestores do SUS assumem o compromisso público da cons- trução de um Pacto pela Saúde que tenha como base os princípios constitucionais do SUS, com ênfase nas necessidades de saúde da população. A aprovação do documen- to Pacto pela Saúde 2006 ocorreu na reunião da CIT, no dia 26 de janeiro de 2006. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União no dia 23 de fevereiro de 2006. A implantação do Pacto pela Saúde foi publicada pela Portaria GM/MS n° 399/2006 e revolucionou a maneira de gerir o SUS, a partir de acordo e prazos pré-definidos para o cumprimento desses acordos. O Pacto pela Saúde era composto por três componentes que, ao se complementarem, estabeleciam nova modalidade de ges- tão: a gestão por compromissos e resultados. Os três componentes eram: Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do SUS e Pacto de Gestão. Com o Pacto pela Saúde em 2006, a principal mudança no financiamento quanto ao custeio das ações e serviços de saúde é a alocação dos recursos federais em cinco blocos: Atenção Básica; Atenção de Média e Alta Complexidade; Vigilância em Saú- de; Assistência Farmacêutica; e Gestão do SUS. As bases de cálculo de cada bloco e os montantes financeiros destinados aos Estados, Municípios e Distrito Federal são compostos por memórias de cálculo, para fins de histórico e monitoramento. Assim, os estados e municípios terão maior autonomia para alocação dos recursos de acordo com as metas e prioridades estabelecidas nosplanos de saúde. A Por- taria GM/MS nº 204, de 29 de janeiro de 2007, regulamentou o financiamento e a transferência dos recursos federais para as ações e os serviços de saúde, na forma dos blocos de financiamento já citados. A Gestão do SUS à luz do Decreto n° 7.508/2011 As fragilidades apresentadas pelo Pacto pela Saúde foram percebidas ao longo dos anos seguintes, quando os compromissos assumidos não foram necessariamente cumpridos e os prazos fixados por municípios e estados iam sendo protelados ao final de cada ano. Mesmo reconhecendo sua importância, não podemos deixar de ratificar que o Pacto passou a representar uma mera “Carta de Intenções”, o que fomentou a discussão de um novo modelo regulador para a gestão do SUS que pudesse estabelecer critérios de cobranças mais enérgicas e que valorizasse o cum- primento das pactuações. Dessa necessidade, surgiria o Contrato Organizativo das Ações Públicas de Saúde (Coap). O Coap surgiu com o Decreto n° 7.508/11 que regulamentou a Lei n° 8.080/90 para dispor sobre a organização do SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa e dar outras providências. Como o próprio nome propõe, configurava-se como um contrato de natureza jurídica com todas as responsabilida- des dos entes federados e a fixação de instrumentos de análise para a verificação do cumprimento dessas responsabilidades por meio dos chamados indicadores. Figura 5 - Modelo de financiamento conforme a Portaria 204/2007 Fonte: CNM (2018) O atual modelo de financiamento do SUS A Portaria n° 3.992, de 28 de dezembro de 2017, alterou a Portaria de Consolidação 6/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, que tratava das normas sobre o financia- mento e a transferência dos recursos federais para as ações e os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde. A Portaria de Consolidação nº 6 havia incorporado o texto da Portaria 204/2007. Com a publicação da Portaria n° 3.992/2017, os recursos para manutenção da pres- tação dos serviços das ações e do serviço de saúde serão transferidos para uma só conta denominada de Bloco de Custeio. Os recursos para investimento em saúde também passaram a ser transferidos para uma única conta, denominada de Bloco de Investimento. Apesar das mudanças no modelo de repasse, que possibilitam maior autonomia na utilização dos recursos financeiros durante o exercício finan- ceiro vigente, vale ressaltar a importância de que os recursos federais permaneçam vinculados às normativas que deram origem aos repasses. Bloco de Custeio das Ações e Serviços Públicos de Saúde O Bloco de Custeio é composto pelos recursos oriundos dos programas, das estra- tégias e das ações que integravam os Blocos de Atenção Básica, Assistência Farma- cêutica, Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar, Vigilância em Saúde e Gestão do SUS. Todas as ações que integravam os antigos blocos de financiamen- to passam a fazer parte do mesmo grupo, compondo o Bloco de Custeio; dessa forma, os recursos que eram disponibilizados separadamente são disponibilizados em uma única conta (CNM, 2018). Com a mudança, tornam-se fundamentais a organização e o controle por parte dos gestores e dos contadores municipais no que diz respeito às entradas e às saí- das dos recursos federais no Fundo de Saúde. Isso porque, em uma única conta, serão recebidos recursos de diversas estratégias ou ações, para as quais existem programações ou planos de trabalho específicos para a utilização. A utilização dos recursos deve corresponder e estar vinculada às ações inseridas no Plano Municipal de Saúde e na Programação Anual de Saúde. O modelo atual de repasses separa de forma transparente os fluxos orçamentários e financeiros, possibilitando uma melhor gestão financeira da saúde (CNM, 2018). Bloco de Investimento na Rede de Serviços Públicos de Saúde O novo regramento determina uma única conta para recebimento de todos os recur- sos financeiros referentes ao Bloco de Investimento na Rede de Serviços de Saúde. Anteriormente, cada objeto pactuado possuía uma conta específica para o recebi- mento dos repasses. Por exemplo: para a construção de uma Unidade Básica de Saú- de, uma conta era aberta para o recebimento do recurso financeiro e perdurava até o final da execução da obra pelo município (CNM, 2018). Atualmente, independente- mente de quantos diferentes repasses o município receber, todos os recursos ficarão disponíveis em uma única conta. Caberá ao gestor municipal identificar junto ao plano de trabalho inserido nos sistemas de monitoramento ou nas portarias do Ministério da Saúde que normatizaram os repasses a correta utilização do dinheiro (CNM, 2018). Figura 6 - Formato do financiamento atual estabelecido pela Portaria n° 3.992/2017 2 Bl oc os d e Fi na nc ia m en to Bloco de Custeio Co nt a ba nc ár ia U ni ca pa ra B lo co C us te io Co nt a ba nc ár ia ú ni ca p ar a o Bl oc o de In ve st im en to Bloco de Investimento • Atenção Básica; • Assistência Farmacêutica; • Média e Alta Complexidade; • Vigilância em Saúde; • Gestão do SUS. • Atenção Básica; • Atenção Especializada; • Vigilância em Saúde; • Desenvolvimento de Tecnologias; • Gestão do SUS. Fonte: CNM (2018) As mudanças propostas pela Portaria nº 3.992/2017 foram necessárias para siste- matizar as informações sobre a correta aplicação dos recursos financeiros do SUS transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde centralizada em duas contas bancárias – custeio e investimento – para os Fundos Estaduais e Municipais de Saúde. Para tanto, os gestores precisarão de um controle interno muito mais rigoroso que o atualmente existente na utilização dos recursos recebidos do Fundo Nacional de Saúde e, também, nos termos da Lei Complementar nº 141/2012 para qualificação e continuidade da prestação dos serviços de saúde local. A grande novidade trazida pelo modelo atual de repasses foi a separação inequí- voca dos fluxos orçamentários e financeiros. Nesse modelo, os recursos que são recepcionados podem ser utilizados para uma melhor gestão financeira da saúde.