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## Resumo do Livro "O Calendário da Profecia" de Antonio Gilberto da Silva (1985)### Introdução à Escatologia BíblicaO livro inicia com uma definição clara do que é Escatologia Bíblica, destacando que se trata do estudo dos eventos futuros conforme revelados nas Escrituras Sagradas. O termo "escatologia" vem do grego, significando o "tratado das últimas coisas". O autor enfatiza que a escatologia bíblica é distinta da escatologia extrabíblica, pois está fundamentada exclusivamente na revelação divina contida na Bíblia. O plano divino, eterno e soberano, é revelado progressivamente ao longo da história, e a escatologia estuda especialmente os eventos que "brevemente devem acontecer" (Apocalipse 1.1).O autor aponta que a escatologia é um campo complexo e muitas vezes gerador de dúvidas e confusões, principalmente porque muitos não conseguem distinguir corretamente os eventos que ocorrerão no fim da era presente. Entre as causas dessas confusões estão a falta de afinidade com o Espírito Santo, que é o verdadeiro intérprete das Escrituras; a aplicação incorreta dos textos bíblicos em relação a povos, tempos e sentidos; o conhecimento bíblico desordenado e especulativo; e a ação prejudicial de falsos ensinadores que distorcem a verdade. O autor destaca a importância do manejo correto da Palavra de Deus, conforme orienta Paulo em 2 Timóteo 2.15, e alerta para a responsabilidade dos obreiros e líderes na preservação da sã doutrina.No campo doutrinário, a escatologia é classificada como uma das doutrinas mais difíceis de entender, situada entre as doutrinas da fé cristã e as doutrinas das coisas futuras. O estudo da escatologia requer dedicação, oração, temor santo e amor profundo pela Palavra de Deus. O autor apresenta oito grandes doutrinas escatológicas, que abrangem desde a morte e o estado intermediário, passando pelos juízos, ressurreições, a vinda de Jesus, o Milênio, a revolta de Satanás, o estado eterno e perfeito, até as dispensações e alianças bíblicas.### A Vinda de Jesus: Sinais, Natureza e FasesA vinda de Jesus é o tema central do livro e é apresentada como um evento que será precedido por sinais claros já profetizados, tais como a apostasia (abandono da fé), multiplicação de religiões e práticas demoníacas, indiferentismo espiritual, guerras e a restauração nacional de Israel. A apostasia, segundo o autor, é um fenômeno que ocorrerá dentro da Igreja, caracterizando uma grande apostasia total, e será acompanhada por um esfriamento espiritual e um pseudocristianismo que se manifestará plenamente na época do arrebatamento.O autor destaca que a vinda de Jesus está relacionada a três grupos de povos conforme a divisão bíblica: judeus, gentios e a Igreja de Deus. Para a Igreja, Jesus virá como Noivo para levá-la à glória celestial; para Israel, Ele virá como Messias e Libertador após a Grande Tribulação; e para os gentios, como Rei e Juiz para estabelecer seu reino de justiça. Importante ressaltar que o autor não defende múltiplas vindas separadas, mas uma única vinda que se manifesta de formas distintas para esses grupos.A certeza da vinda de Jesus é fundamentada em diversas evidências bíblicas: a promessa do próprio Jesus, o testemunho dos anjos, a afirmação dos escritores sagrados, o cumprimento dos sinais proféticos e o testemunho constante da Ceia do Senhor. A vinda de Jesus é dividida em duas fases principais: o arrebatamento da Igreja, quando Ele virá secretamente para buscar os seus, e a revelação pública, quando Ele virá com os seus para julgar as nações e estabelecer o Reino Milenar. Entre essas fases haverá um período de sete anos, conhecido como a "semana de anos" de Daniel, durante o qual ocorrerão eventos proféticos significativos.O arrebatamento é descrito como um mistério que será plenamente compreendido apenas quando acontecer. Nesse evento, Jesus descerá até as nuvens para encontrar a Igreja nos ares, ressuscitando os mortos em Cristo e transformando os vivos, para então levá-los ao Céu. O mundo não perceberá imediatamente esse acontecimento, que será secreto e reservado para os fiéis. O autor destaca que o arrebatamento não envolve a vinda de Jesus à terra, que ocorrerá posteriormente na revelação pública, quando Ele pisará no Monte das Oliveiras.### O Arrebatamento, Ressurreição e Julgamento dos SalvosO arrebatamento marca o início do "dia de Cristo", um período que vai do arrebatamento até a revelação de Jesus em glória. Durante o arrebatamento, ocorrerá a ressurreição dos justos, que inclui três grupos distintos: as primícias (Cristo e os que ressuscitaram com Ele), a colheita geral (todos os mortos salvos desde Adão) e os gentios salvos durante a Grande Tribulação. A ressurreição implica a restauração do corpo físico, que será glorificado para os salvos e ignominioso para os ímpios, que ressuscitarão na segunda ressurreição, após o Milênio.O julgamento dos salvos, conhecido como o Tribunal de Cristo, ocorrerá entre o arrebatamento e a revelação de Jesus. Este julgamento não trata dos pecados, que já foram julgados em Cristo, nem do destino eterno, que é garantido pela salvação. Trata-se de um julgamento das obras e da conduta do cristão, avaliando a fidelidade, o uso dos dons e talentos, o serviço prestado a Deus e o tratamento dispensado aos irmãos na fé. O resultado será a recompensa ou perda de recompensa, conforme a qualidade e os motivos das ações. O autor enfatiza que o julgamento será justo, conduzido pelo próprio Jesus, e que haverá galardões para os fiéis, especialmente para aqueles que suportaram provações e serviram com amor e dedicação.Após o julgamento, ocorrerão as Bodas do Cordeiro, uma celebração da união da Igreja com Cristo, marcada por alegria e adoração. Este evento simboliza o fim da batalha espiritual na terra e o início da glória eterna para os salvos, que estarão livres de todo sofrimento e pecado.### O Estado Intermediário dos MortosO livro também aborda o estado intermediário dos mortos, explicando o destino da alma após a morte para justos e injustos antes da ressurreição. No Antigo Testamento, o termo "Seol" e no Novo Testamento "Hades" designam o lugar para onde iam todos os mortos, mas com uma divisão clara entre os justos e os ímpios, separados por um abismo intransponível. Os justos estavam em um lugar de felicidade e segurança, chamado "Seio de Abraão" ou "Paraíso", enquanto os ímpios estavam em um lugar de tormento e sofrimento, plenamente conscientes de sua condição.Este entendimento reforça a doutrina da consciência após a morte e a existência de um estado intermediário antes da ressurreição final, quando os mortos serão julgados e destinados ao seu estado eterno definitivo.---## Destaques- A Escatologia Bíblica é o estudo dos eventos futuros segundo a revelação divina, focando nas "últimas coisas" e no plano eterno de Deus.- A vinda de Jesus ocorre em duas fases: o arrebatamento secreto da Igreja e a revelação pública para Israel e as nações, separadas por um período de sete anos.- O arrebatamento envolve a ressurreição dos justos e a transformação dos vivos, sendo um evento secreto e reservado para os fiéis.- O julgamento dos salvos no Tribunal de Cristo avalia as obras e a conduta, resultando em recompensas ou perdas, mas não afeta a salvação.- O estado intermediário dos mortos distingue o destino consciente dos justos (Paraíso) e dos ímpios (tormento) antes da ressurreição final.