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A Igreja: O Povo de Deus e o Corpo de Cristo 
Ideia Central 
A Igreja é o povo de Deus reunido em Cristo. Em seu sentido universal e 
invisível, ela consiste no número completo dos eleitos que foram, são e ainda 
serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu Cabeça. Em sua manifestação 
visível, é formada por aqueles que professam a verdadeira religião, juntamente 
com seus filhos. Cristo é o único Cabeça da Igreja, e ele lhe concedeu o 
ministério, a Palavra e as ordenanças para a congregação e o aperfeiçoamento 
dos santos. 
Introdução 
Quando pensamos na palavra Igreja, muitas vezes pensamos primeiro em um 
prédio, em uma denominação ou em uma reunião de pessoas. Entretanto, a 
doutrina apresentada nos Símbolos de Westminster nos conduz a uma 
compreensão muito mais profunda. 
A Igreja não é simplesmente uma instituição humana. Ela pertence a Cristo. 
A Confissão de Fé de Westminster dedica seu capítulo 25 à doutrina da Igreja. 
Ali, ela apresenta a Igreja como o povo reunido sob Cristo, seu Cabeça, e 
distingue a Igreja em sua dimensão universal e invisível de sua manifestação 
visível no mundo. 
Essa compreensão é importante porque nos ajuda a responder algumas 
perguntas fundamentais: O que é a Igreja? Quem pertence a ela? Quem é seu 
Cabeça? Qual é sua missão? E por que o cristão deve fazer parte de uma 
igreja local? 
1. A Igreja pertence a Cristo 
A primeira verdade que precisamos compreender é que Cristo é o Cabeça da 
Igreja. 
A Igreja não pertence ao pastor, aos presbíteros, a uma denominação ou aos 
seus membros. Ela pertence ao Senhor Jesus Cristo. 
A Confissão afirma expressamente que não há outro Cabeça da Igreja senão o 
Senhor Jesus Cristo. 
Isso estabelece uma verdade fundamental para a vida da Igreja: toda autoridade 
exercida nela deve estar subordinada a Cristo e à sua Palavra. 
A Igreja existe para servir ao seu Senhor. Ela não possui liberdade para redefinir 
sua natureza, sua mensagem ou sua missão segundo os desejos de cada 
geração. 
Cristo é seu Cabeça. 
2. A Igreja invisível 
A Confissão começa tratando da Igreja em seu sentido mais amplo. 
A Igreja católica ou universal, que é invisível, consiste no número total dos eleitos 
que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo 
sob Cristo. Ela é apresentada como a esposa e o corpo de Cristo. 
O Catecismo Maior apresenta a mesma verdade ao definir a Igreja invisível como 
o número completo dos eleitos que foram e que serão reunidos em um 
corpo sob Cristo, o Cabeça. 
Ela é chamada de invisível não porque seja irreal ou porque Deus não possa vê-
la. Pelo contrário: Deus conhece perfeitamente todos aqueles que pertencem a 
Cristo. 
Ela é invisível para nós em sua totalidade porque abrange os eleitos de todas as 
épocas e lugares. 
Assim, quando pensamos na Igreja invisível, não devemos imaginar uma 
segunda Igreja diferente da Igreja visível. O Guia de Estudos de Westminster 
ressalta justamente que não existem duas Igrejas distintas, mas uma única Igreja 
considerada de diferentes perspectivas. 
3. A Igreja visível 
A Igreja também possui uma manifestação visível. 
A Confissão afirma que a Igreja visível, que também é católica ou universal sob o 
Evangelho, consiste daqueles que, pelo mundo inteiro, professam a verdadeira 
religião, juntamente com seus filhos. Ela é chamada de Reino do Senhor 
Jesus Cristo e de casa e família de Deus. 
Isso significa que a Igreja não é apenas uma realidade espiritual invisível. Ela se 
manifesta concretamente no mundo. 
Há pessoas que professam publicamente a fé cristã. Elas se reúnem, ouvem a 
Palavra, adoram a Deus, recebem os sacramentos e vivem em comunhão umas 
com as outras. 
O Guia de Estudos destaca que o caminho normal para aquele que pertence ao 
corpo de Cristo é também pertencer a uma expressão visível desse corpo. A 
membresia em uma igreja local não deve ser tratada simplesmente como uma 
opção pessoal. 
4. A Igreja não é uma reunião casual 
Essa verdade corrige uma ideia bastante comum: a de que alguém pode ser 
cristão completamente separado da vida da Igreja. 
A fé cristã possui uma dimensão pessoal, mas também possui uma dimensão 
comunitária. 
Os crentes são chamados a viver em comunhão. A Confissão de Fé ensina que 
os santos, unidos a Cristo, também estão unidos uns aos outros em amor e 
participam dos mesmos dons e graças. Por isso, possuem deveres públicos e 
particulares para o mútuo proveito. 
A Igreja é, portanto, uma comunidade de pessoas que pertencem a Cristo e que 
foram chamadas a viver umas com as outras. 
Não se trata simplesmente de frequentar reuniões. Trata-se de participar da vida 
do corpo de Cristo. 
5. As marcas de uma verdadeira Igreja 
Se a Igreja é tão importante, surge uma pergunta: como podemos reconhecer 
uma verdadeira Igreja? 
O Guia de Estudos apresenta algumas marcas características. 
Uma verdadeira Igreja é aquela em que: 
 o Evangelho é ensinado e vivido; 
 o batismo e a Ceia do Senhor são corretamente administrados; 
 existe adoração pública; 
 a disciplina eclesiástica é praticada. 
Esses elementos são importantes porque ajudam a distinguir a Igreja de uma 
simples associação religiosa. 
A Igreja deve possuir a Palavra, as ordenanças e o culto conforme aquilo que 
Cristo determinou. 
A Confissão também reconhece que as igrejas particulares podem apresentar 
diferentes graus de pureza. Algumas ensinam e abraçam o Evangelho com maior 
pureza; outras apresentam maior mistura e erro. 
Portanto, a existência de imperfeições não significa automaticamente que uma 
igreja deixou de ser Igreja. 
6. A Igreja precisa da Palavra 
Cristo concedeu à Igreja o ministério, os oráculos e as ordenanças de Deus 
para a congregação e o aperfeiçoamento dos santos. 
Isso mostra que a Palavra de Deus ocupa lugar central na vida da Igreja. 
A Igreja não existe para simplesmente oferecer atividades religiosas. Ela precisa 
ensinar a verdade de Deus. 
O Guia de Estudos relaciona a vida da congregação à perseverança na doutrina 
dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações. 
Uma Igreja saudável, portanto, deve ser uma comunidade comprometida com a 
verdade bíblica. 
7. A missão da Igreja 
A Igreja possui uma responsabilidade tanto para com os que ainda não creem 
quanto para com aqueles que já pertencem a Cristo. 
Com respeito aos incrédulos, sua tarefa envolve comunicar o Evangelho. Quando 
alguém professa a fé, deve ser recebido na Igreja por meio do batismo. 
Com respeito aos cristãos, a Igreja deve equipar os santos, ensinando-os a 
observar tudo o que Cristo ordenou. 
Isso envolve ensino da Bíblia, adoração, sacramentos, comunhão e crescimento 
na graça. 
A finalidade é que os membros do corpo de Cristo amadureçam espiritualmente, 
sejam firmados na doutrina e sirvam a Deus. 
A Igreja também possui responsabilidade de cuidar daqueles que passam por 
necessidades materiais. 
Assim, sua missão envolve tanto a proclamação do Evangelho quanto a 
edificação e o cuidado do povo de Deus. 
8. A Igreja e a comunhão dos santos 
A vida cristã não foi planejada para ser vivida em isolamento. 
A Confissão afirma que os santos são obrigados, pela profissão de fé, a manter 
uma santa sociedade e comunhão no culto de Deus e em outros serviços 
espirituais que contribuem para sua mútua edificação. 
Essa comunhão também envolve socorrer uns aos outros em necessidades 
materiais. 
A Igreja, portanto, é uma comunidade na qual os cristãos devem: 
 adorar juntos; 
 aprender juntos; 
 orar juntos; 
 encorajar uns aos outros; 
 exercer seus dons; 
 cuidar uns dos outros; 
 ajudar os necessitados. 
A comunhão cristã não é um elemento secundário da Igreja. Ela faz parte da 
própria vida daqueles que estão unidos a Cristo. 
9. A Igreja deve ser governada 
A Igreja também possui uma estrutura de governo. 
O Guia de Estudos apresenta os dois ofícios permanentes como presbíteros ediáconos e explica que a Escritura apresenta princípios para o governo da Igreja. 
Na compreensão presbiteriana apresentada no material, a Igreja é governada por 
uma pluralidade de presbíteros, havendo também a possibilidade de apelação de 
uma assembleia local para uma assembleia regional. Acima de tudo, permanece 
a verdade fundamental: somente Cristo é o Cabeça da Igreja. 
Isso significa que os oficiais da Igreja não substituem Cristo. Seu governo é 
ministerial, exercido debaixo da autoridade da Palavra. 
Aplicações 
1. Não podemos desprezar a Igreja 
Se Cristo é o Cabeça e a Igreja é seu corpo, não devemos tratá-la como algo 
opcional ou sem importância. 
O cristão deve procurar viver em comunhão com o povo de Deus. 
2. Devemos procurar uma Igreja fiel 
Nem toda comunidade religiosa possui as marcas de uma verdadeira Igreja. 
Devemos buscar uma congregação onde o Evangelho seja ensinado, os 
sacramentos corretamente administrados, a adoração pública seja realizada e a 
disciplina seja praticada. 
3. Devemos participar da vida da congregação 
A Igreja não é apenas um lugar para assistir a um culto. Somos chamados à 
comunhão, ao ensino, à oração, à adoração e ao serviço. 
4. Devemos lembrar quem é o verdadeiro Cabeça 
Pastores, presbíteros e outros líderes possuem responsabilidades importantes, 
mas nenhum deles ocupa o lugar de Cristo. 
Cristo é o Cabeça da Igreja. 
Conclusão 
A Igreja é o povo que Deus reúne em Cristo. 
Em seu sentido universal e invisível, ela compreende todos os eleitos reunidos 
sob Cristo, seu Cabeça. Em sua manifestação visível, ela é constituída daqueles 
que professam a verdadeira religião, juntamente com seus filhos. 
Cristo deu à sua Igreja a Palavra, o ministério e as ordenanças para que os 
santos sejam congregados e aperfeiçoados. A Igreja deve proclamar o 
Evangelho, ensinar os discípulos, adorar a Deus, administrar os sacramentos, 
praticar a disciplina e viver em comunhão. 
Por isso, a Igreja não deve ser vista simplesmente como uma instituição humana 
ou como um lugar onde os cristãos se reúnem. 
A Igreja é o corpo de Cristo. 
E, porque pertence a Cristo, deve viver debaixo de sua autoridade, segundo sua 
Palavra e para a glória de Deus.

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