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A Pessoa de Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem Ideia Central Jesus Cristo é a segunda Pessoa da Trindade, eternamente verdadeiro Deus, que, no cumprimento do tempo, assumiu uma natureza humana completa. Assim, Cristo é uma só pessoa com duas naturezas distintas: divina e humana. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem que sua divindade tenha sido diminuída ou sua humanidade transformada. Essa verdade é fundamental para compreender quem Cristo é e por que ele pode ser o único Mediador entre Deus e os homens. A Confissão de Fé de Westminster afirma que as duas naturezas foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, “sem conversão, composição ou confusão”. Introdução Perguntar “Quem é Jesus Cristo?” é uma das perguntas mais importantes da fé cristã. Antes de estudarmos o que Cristo fez, precisamos compreender quem ele é. Sua obra como Mediador está diretamente relacionada à sua pessoa. O Cristo que morreu, ressuscitou, intercede e reina é o mesmo Cristo que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A Confissão de Fé de Westminster apresenta essa doutrina com grande precisão. Ela começa afirmando que o Filho de Deus é a segunda Pessoa da Trindade, verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele. No cumprimento do tempo, porém, ele tomou sobre si a natureza humana, com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, mas sem pecado. Portanto, a encarnação não significa que o Filho deixou de ser Deus para tornar- se homem. Significa que aquele que eternamente era Deus assumiu uma verdadeira natureza humana. 1. Quem é Jesus Cristo? Jesus Cristo não começou a existir quando nasceu de Maria. Antes de assumir a natureza humana, ele já existia eternamente como o Filho de Deus, a segunda Pessoa da Trindade. Por isso, a Confissão afirma que ele é “verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele”. Essa afirmação é essencial. Cristo não é uma criatura extraordinária que posteriormente recebeu algum tipo de divindade. Ele é eternamente Deus. Williamson chama atenção para essa verdade ao explicar que a pessoa divina do Filho sempre foi plenamente Deus. Quando chegou o momento determinado, essa mesma pessoa divina tornou-se homem, assumindo uma natureza humana completa. Assim, precisamos começar nossa compreensão de Cristo reconhecendo sua verdadeira divindade. 2. O Filho tornou-se verdadeiramente homem Ao mesmo tempo em que Cristo é verdadeiro Deus, ele também é verdadeiro homem. A humanidade de Cristo não foi uma aparência. Ele assumiu uma natureza humana real e completa. A Confissão afirma que ele tomou sobre si a natureza humana “com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado”. Isso significa que Jesus realmente experimentou as condições próprias da existência humana. Ele teve corpo humano, sentiu fome, sede, cansaço, tristeza e dor. Sua humanidade era verdadeira. Williamson destaca que sua natureza humana teve um começo no tempo e foi recebida da substância de Maria. Ela estava sujeita às limitações próprias da existência humana, mas sem pecado. Portanto, não devemos imaginar Jesus como Deus simplesmente vestido de humanidade. Ele realmente se tornou homem. 3. Duas naturezas Aqui encontramos o coração da doutrina da Pessoa de Cristo. Jesus Cristo possui duas naturezas: uma natureza divina; uma natureza humana. Essas naturezas são completas, perfeitas e distintas. A natureza divina não se tornou parcialmente humana. A natureza humana não se tornou parcialmente divina. A encarnação não produziu uma terceira natureza, intermediária entre Deus e homem. A Confissão resume a doutrina dizendo que as duas naturezas foram unidas “sem conversão, composição ou confusão”. Williamson explica que a expressão protege a integridade das duas naturezas. A divindade permaneceu plenamente divina e a humanidade permaneceu verdadeiramente humana. Por isso, quando estudamos os Evangelhos, encontramos Jesus realizando coisas próprias de sua humanidade e, ao mesmo tempo, manifestando aquilo que pertence à sua divindade. Essas duas realidades não devem ser confundidas. 4. Uma só Pessoa Se Cristo possui duas naturezas, poderíamos perguntar: existem então duas pessoas em Cristo? A resposta de Westminster é não. Cristo possui duas naturezas, mas é uma só pessoa. Esse ponto é tão importante quanto a afirmação das duas naturezas. Não existem um Cristo divino e outro Cristo humano vivendo juntos. Não existem duas personalidades independentes. Existe um único Senhor Jesus Cristo. Williamson explica que Cristo não é “duas pessoas”. Ele é uma pessoa divina que tomou a natureza humana. Assim, há uma verdadeira unidade pessoal, embora as duas naturezas permaneçam distintas. Podemos, portanto, resumir: Duas naturezas — uma Pessoa. Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mas não dois Cristos. 5. Sem confusão e sem separação A doutrina também protege dois lados que precisam permanecer juntos. Primeiro, não podemos confundir as naturezas. A divindade é divina e a humanidade é humana. Cristo não deixou de ser Deus ao tornar-se homem, nem sua humanidade foi transformada em divindade. Segundo, não podemos separar as naturezas. Elas estão inseparavelmente unidas na única pessoa de Cristo. Por isso, a Confissão pode falar de Cristo utilizando características relacionadas às duas naturezas. Ele pode ser chamado Deus e, ao mesmo tempo, ser descrito como aquele que possui carne e sangue. A própria estrutura da doutrina permite compreender como a Escritura pode falar da pessoa de Cristo utilizando aquilo que pertence propriamente a uma de suas naturezas. 6. Por que isso é tão importante? A doutrina da Pessoa de Cristo não é uma discussão teológica sem relação com a salvação. Ela está diretamente ligada ao ministério de Cristo como Mediador. A Confissão afirma que Cristo é “verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem”. Essa verdade mostra por que sua pessoa é tão importante. Como verdadeiro homem, Cristo participa verdadeiramente da nossa natureza e pode representar os seres humanos. Como verdadeiro Deus, ele possui a dignidade, o poder e a suficiência próprios de Deus. Williamson resume essa necessidade mostrando que o Salvador precisava ser capaz de alcançar tanto o homem quanto Deus. Cristo pode fazer isso precisamente porque é Deus e homem, em duas naturezas distintas, numa só pessoa. A pessoa de Cristo, portanto, está inseparavelmente relacionada à sua obra de redenção. 7. O grande mistério da encarnação A encarnação permanece um grande mistério. Podemos afirmar com segurança aquilo que Deus revelou: o Filho eterno assumiu uma verdadeira natureza humana; as duas naturezas permanecem completas e distintas; e estão inseparavelmente unidas em uma só pessoa. Mas não precisamos imaginar que conseguimos explicar completamente como essa união ocorre. A fé cristã não depende de eliminar o mistério, mas de confessar corretamente a verdade revelada. É justamente por isso que a formulação de Westminster é tão cuidadosa. Ela não tenta reduzir Cristo a categorias mais fáceis de compreender. Em vez disso, mantém juntas as verdades que precisam ser mantidas: Cristo é plenamente Deus, plenamente homem, duas naturezas e uma só Pessoa. Aplicações 1. Devemos conhecer Cristo corretamente A primeira aplicação é doutrinária. Não basta falar de Jesus; precisamos falar verdadeiramente sobre quem ele é. Um Cristo que não é verdadeiramente Deus não é o Cristo confessado pela fé cristã. Um Cristo que não é verdadeiramente homem também não é o Cristo apresentado por Westminster. 2. Devemos confiar plenamente em Cristo Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens. Sua pessoa é adequada para realizar essa obra porque ele é verdadeiro Deus e verdadeirohomem. 3. Devemos reconhecer a realidade de sua humanidade A humanidade de Cristo não terminou com sua morte. A Confissão afirma que ele ressuscitou com o mesmo corpo com que sofreu, subiu ao céu e permanece à direita do Pai, fazendo intercessão. Cristo continua sendo o Deus-homem. 4. Devemos adorar Cristo Se Jesus é verdadeiramente Deus, ele não é simplesmente um grande mestre, profeta ou exemplo moral. Ele é digno da honra que pertence a Deus. Ao mesmo tempo, sua verdadeira humanidade nos mostra a profundidade de sua humilhação: o Filho eterno assumiu nossa natureza para cumprir voluntariamente sua missão como Mediador. Conclusão A doutrina da Pessoa de Cristo pode ser resumida em uma afirmação simples, mas profunda: Jesus Cristo é uma só Pessoa, o eterno Filho de Deus, que possui duas naturezas completas, divina e humana, inseparavelmente unidas, sem conversão, composição ou confusão. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Não devemos diminuir sua divindade para explicar sua humanidade, nem diminuir sua humanidade para preservar sua divindade. A fé cristã confessa as duas verdades simultaneamente. É esse Cristo que veio ao mundo, viveu em perfeita santidade, cumpriu a obra que lhe foi confiada, sofreu e morreu, ressuscitou, subiu ao céu e continua sendo o único Mediador entre Deus e os homens. Por isso, antes de perguntar apenas “O que Cristo fez?”, precisamos perguntar: “Quem é Cristo?” A resposta de Westminster é clara: ele é o eterno Filho de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, um só Cristo, o único Mediador.