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Natalia Piona | R+ Pediatria 
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Arboviroses 
Dengue, Zika, Chikungunya, Oropouche e Febre Amarela 
Dengue em Pediatria 
1. Introdução e Contexto Epidemiológico 
A dengue é doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, causada por vírus do gênero Flavivirus (DENV-1 a 
DENV-4), transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. 
 É a arbovirose urbana mais disseminada do mundo, e o Brasil concentra historicamente o maior número 
de casos notificados anualmente. 
1.1 Panorama recente 
● 2025–2026: queda expressiva da curva epidêmica. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil registrou 
redução de aproximadamente 97% nos óbitos e 94% nos casos de dengue em comparação ao 
mesmo período de 2024, atribuída em parte à ampliação da vacinação e ao reforço do controle 
vetorial. 
2. Fisiopatologia 
O determinante central da gravidade na dengue é o extravasamento plasmático por aumento da 
permeabilidade vascular, resultante da resposta imune à infecção (incluindo fenômeno de intensificação 
dependente de anticorpo — ADE — em infecções secundárias por sorotipo heterólogo). Esse 
extravasamento leva à hemoconcentração, à formação de derrames cavitários (ascite, derrame pleural 
e pericárdico) e, em sua forma mais grave, ao choque hipovolêmico. 
Paralelamente, ocorrem alterações da hemostasia — trombocitopenia, disfunção plaquetária e, em 
casos graves, coagulação intravascular disseminada (CIVD) — que predispõem a fenômenos 
hemorrágicos, especialmente quando associadas a choque prolongado. 
💡 PONTO DE PROVA 
Os óbitos por dengue decorrem, na maioria das vezes, do choque por extravasamento plasmático, 
complicado por sangramento e/ou sobrecarga hídrica iatrogênica — por isso a observação 
cuidadosa e o uso racional de líquidos intravenosos são o eixo central do manejo, especialmente 
na criança. 
3. Espectro Clínico: as Três Fases da Doença 
Fase Características principais 
Febril 
(2–7 dias) 
Febre alta (39–40°C) de início abrupto, cefaleia, adinamia, mialgia, artralgia, dor 
retro-orbitária. Anorexia, náuseas, vômitos; diarreia (3–4 evacuações 
pastosas/dia, auxilia no diferencial com gastroenterite). Exantema 
maculopapular em ~50% dos casos, atingindo face, tronco e membros 
(incluindo plantas e palmas), aditivo, com ou sem prurido — frequentemente 
no desaparecimento da febre. 
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Fase Características principais 
Crítica 
(defervescência, 
D3–D7) 
Inicia com a queda da febre. É quando surgem os sinais de alarme, que 
sinalizam risco de evolução para extravasamento plasmático grave e 
choque. Duração do período de extravasamento/choque: 24–48h. 
Recuperação 
Reabsorção gradual do líquido extravasado, melhora clínica progressiva. 
Atenção às complicações de hiper-hidratação nesta fase (débito urinário 
normaliza/aumenta; podem ocorrer bradicardia e alterações 
eletrocardiográficas). Pode haver rash tardio com ou sem prurido. Infecções 
bacterianas podem surgir nesta fase ou no final do curso clínico, contribuindo 
para óbito em alguns casos. 
⚠ PEGADINHA 
Período de incubação: 4-10 dias 
O choque na dengue tem instalação rápida e ocorre tipicamente entre o 4º e o 5º dia de doença 
(intervalo de 3º a 7º dia) — na defervescência da febre, não durante o pico febril. A criança que 
"melhora da febre" e piora clinicamente em seguida é o cenário clássico de entrada na fase crítica 
— não deve ser interpretado como resolução do quadro. 
 
QUADRO CLÍNICO SUSPEITO: 
 
● Febre entre 2 e 7 dias de duração com ≥ 2 das seguintes manifestações: 
- náuseas, vômitos, cefaleia, dor retro orbitaria, exantema, mialgia, artralgia, petéquias, prova do 
laço positiva, leucopenia OU 
● Toda criança com quadro febril agudo, usualmente entre 2 e 7 dias de duração, e sem foco de 
infecção aparente 
 
4. Particularidades da criança 
A dengue pediátrica pode ser assintomática, apresentar-se como síndrome febril clássica viral, ou cursar 
com sinais e sintomas inespecíficos: adinamia, sonolência, recusa alimentar e de líquidos, vômitos, 
diarreia ou fezes amolecidas. 
4.1 Menores de 2 anos 
● A dor pode manifestar-se por choro persistente, adinamia e irritabilidade, facilmente 
confundidos com outros quadros febris infecciosos próprios da faixa etária. 
● O início da doença pode passar despercebido, e o quadro grave pode ser a primeira 
manifestação clínica identificada. 
● Lactentes 2 cm abaixo do rebordo costal 
Sangramento de mucosa 
Letargia e/ou irritabilidade 
Aumento progressivo do hematócrito 
6. Dengue Grave 
Caracteriza-se por choque ou acúmulo de líquidos com desconforto respiratório (extravasamento 
plasmático grave), sangramento vultoso, e/ou comprometimento grave de órgãos. É definida por um ou 
mais dos seguintes critérios: 
● Choque — extravasamento grave de plasma evidenciado por taquicardia, extremidades distais 
frias, pulso fraco/filiforme, enchimento capilar lento (>2s), pressão arterial convergente 1.000), SNC 
(alteração da consciência), coração (miocardite), entre outros. 
Choque: sequência hemodinâmica 
Parâmetro Choque ausente Choque 
compensado 
Choque com 
hipotensão (tardio) 
Consciência Claro e lúcido Claro e lúcido (pode 
passar despercebido) 
Alteração do estado 
mental 
Enchimento 
capilar ≤2 segundos 3 a 5 segundos >5 segundos, pele 
mosqueada 
Extremidades Normais, rosadas Frias Muito frias/úmidas, 
pálidas/cianóticas 
Pulso periférico Normal Fraco e filiforme Tênue ou ausente 
Frequência 
respiratória Normal p/ idade Taquipneia Acidose metabólica, 
Kussmaul 
Considera-se hipotensão em crianças até 10 anos quando a PAS está abaixo do 5º percentil, estimado 
pela fórmula: PAS mínima = 70 + (idade × 2) mmHg. O choque na dengue é de rápida instalação e curta 
duração — pode levar ao óbito em 12–24h ou à recuperação rápida após terapia anti-choque apropriada. 
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🐈 MACETE / PULO DO GATO 
Diferencial choque da dengue × choque séptico: na dengue, o nível de consciência 
costuma estar preservado por mais tempo, há normotermia (não hipotermia), pressão de 
pulso estreita (convergenteamarela, leptospirose, riquetsioses), síndromes dolorosas 
abdominais e síndromes de choque (meningococcemia, sepse, síndrome do choque tóxico). 
Dengue × Zika × Chikungunya 
Achado Dengue Zika Chikungunya 
Febre Alta (>38°C), 2–7 
dias 
Ausente/baixa 
(≤38°C), 1–2 dias 
Alta (>38°C), 2–3 
dias 
Exantema Surge do 3º ao 6º 
dia 
Surge do 1º ao 2º 
dia 
Surge do 2º ao 5º 
dia 
Mialgia +++ ++ ++ 
Artralgia 
(frequência/intensidade) + / leve ++ / leve-moderada +++ / moderada-
intensa 
Edema articular Raro Frequente, leve Frequente, 
moderado-intenso 
Conjuntivite Rara 50–90% dos casos 30% 
Linfadenomegalia + +++ ++ 
Hemorragia discreta ++ Ausente + 
Acometimento 
neurológico + +++ ++ 
Leucopenia / 
Trombocitopenia +++ / +++ ++ / + ++ / ++ 
8. Diagnóstico Laboratorial e Prova do Laço 
O diagnóstico laboratorial específico não é obrigatório para a conduta terapêutica — visa confirmar 
casos suspeitos e gerar informação epidemiológica. A conduta clínica é guiada pelo estadiamento 
(anamnese, exame físico e hemograma completo). 
Método Janela de coleta Observações 
Antígeno NS1 Até o 5º dia de sintomas Detecção viral direta 
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Método Janela de coleta Observações 
RT-PCR / isolamento 
viral Até o 5º dia de sintomas Acondicionamento a −70°C 
Sorologia IgM (ELISA) A partir do 6º dia de 
sintomas 
Acondicionamento a −20°C; reação 
cruzada possível com Zika (ambos 
flavivírus) 
Volume de amostra recomendado: 5 mL em crianças e 10 mL em adultos de sangue total sem 
anticoagulante. 
Prova do laço 
Revisão sistemática de 2022 (OPAS/OMS) identificou baixo valor preditivo da prova do laço para formas 
graves e critério de hospitalização — sua realização pode gerar discordância na condução dos casos, mas 
segue sendo pesquisada na classificação de risco. 
● Calcular a PA média: (PAS + PAD) / 2. Insuflar o manguito até esse valor médio e manter 3 minutos 
em crianças (5 minutos em adultos). 
● Desenhar quadrado de 2,5 cm de lado no antebraço e contar petéquias formadas dentro dele. 
● Prova positiva em crianças: ≥10 petéquias (em adultos, ≥20 petéquias). 
💡 PONTO DE PROVA 
O corte da prova do laço é diferente entre adulto e criança — 10 petéquias na criança versus 20 
no adulto. É um detalhe frequentemente cobrado e fácil de confundir sob pressão de prova. 
 
9. Estadiamento Clínico 
9.1 Grupo A 
Caracterização 
● Caso suspeito de dengue, ausência de sinais de alarme, sem comorbidades, grupo de risco ou 
condições clínicas especiais. 
Conduta 
● Exames laboratoriais complementares a critério médico (não obrigatórios). 
● Paracetamol e/ou dipirona. Não utilizar salicilatos, AINEs ou corticosteroides. 
● Hidratação oral e repouso. 
● Retorno agendado no dia da defervescência da febre (possível início da fase crítica); se não houver 
defervescência, retornar no 5º dia de doença. 
● Preencher o cartão de acompanhamento da dengue e notificar o caso. 
9.2 Grupo B 
Caracterização 
● Caso suspeito de dengue, sem sinais de alarme, com sangramento espontâneo de pele ou 
induzido (prova do laço), OU com condição clínica especial/risco social/comorbidade. 
● Solicitar hemograma e se guiar pelo hematócrito 
Conduta 
● Hemograma completo obrigatório para todos os pacientes; resultado em até 2h (máx. 4h). 
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● Hidratação oral conforme Grupo A, até resultado dos exames. 
● Hemoconcentração ou surgimento de sinais de alarme → conduzir como Grupo C. 
● Hematócrito normal → tratamento ambulatorial, com reavaliação clínica e laboratorial diária até 
48h após a queda da febre ou imediato se sinais de alarme. 
9.3 Grupo C 
Caracterização 
● Caso suspeito de dengue com presença de qualquer sinal de alarme 
Conduta 
● Reposição volêmica imediata em qualquer ponto de atenção, mesmo sem exames 
complementares: 10 mL/kg de SF 0,9% na 1ª hora. 
Exames obrigatórios: hemograma completo, albumina sérica e transaminases. Exames 
específicos para confirmação de dengue são obrigatórios, mas não são essenciais para conduta 
Recomendados: Rx tórax (PA, perfil, Laurell) e USG de abdome (mais sensível para derrames 
cavitários). 
● Leito de internação até estabilização — mínimo de 48 horas. 
● Reavaliar o paciente após 1h- sinas vitais, PA, diurese - desejável 1ml/kg/h 
● Após 1h: Manter hidratação 10 mL/kg/h na 2ª hora até avaliação do hematócrito (em até 2h). 
● Reavaliação clínica e laboratorial após 2h 
● Com melhora → iniciar fase de manutenção com soro fisiológico: 
1ª fase 25 mL/kg em 6h; se houver melhora, iniciar segunda fase; 
2ª fase 25 mL/kg em 8h (SF 0,9%). 
● Sem melhora do hematócrito e dos sinais hemodinâmico: 
→ Repetir fase de expansão até 3 vezes 
→ Manter a reavaliação clínica (sinais vitais, PA, diurese) após 1h e reavaliação de hematócrito 
em 2h - (após conclusão de cada etapa) 
● Sem melhora clínica/laboratorial → conduzir como Grupo D. 
● Critérios de alta - precisa preencher todos os 6 critérios: 
→ Estabilização hemodinamica durante 48h 
→ Ausencia de febre por 24h 
→ Melhora visivel do quadro clínico 
→ Ht normal e estável por 24 horas 
→ Plaquetas em elevação 
9.4 Grupo D 
Caracterização 
● Caso suspeito de dengue com sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de 
órgãos (dengue grave). 
Conduta 
● Expansão rápida parenteral imediata: SF 0,9% 20 mL/kg em até 20 minutos, em qualquer nível 
de complexidade, mesmo sem exames complementares. 
Repetir fase de expansãoaté 3 vezes conforme avaliação clínica. 
● Reavaliação clínica a cada 15–30 minutos e hematócrito em 2 horas — monitorização contínua. 
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A reavaliação deve acontecer após cada etapa de expansão; 
● Melhora clínica e de Ht após a(s) fase(s) de expansão → retornar à conduta do Grupo C - fase de 
expansão 
● Leito de UTI até estabilização — mínimo de 48 horas, e após estabilização devem permanecer em 
leito de internação. 
● Realizar exames laboratoriais e de imagem conforme recomendação de C 
● Resposta inadequada as medidas, caracterizada pela persistência do choque, avaliar: 
Hematócrito em ascensão após reposição volêmica adequada, utilizar expansores plasmáticos: 
→ Albumina 0,5–1 g/kg - preparar solução de albumina a 5% (para cada 100 ml dessa solução, usar 
25 ml de albumina a 20% e 75 ml de SF 0,9%) 
→ Na alta de albumina usar coloides sintéticos 10 mL/kg/h 
 
Hematócrito em queda com choque persistente: Investigar hemorragia e avaliar coagulação; 
→ Se hemorragia: transfundir concentrado de hemácias (10–15 mL/kg/dia). 
→ Na presença de coagulopatia: avaliar necessidade de uso de plasma fresco (10 mL/kg/dia), 
vitamina K endovenosa e crioprecipitado (1 U para cada 5kg a 10kg) 
→ Considerar transfusão de plaquetas nas seguintes condições: 
 - Sangramento persistente não controlado, após correção dos fatores de coagulação e do choque; 
 - Trombocitopenia e INR > 1,5x o valor normal 
 
Hematócrito em queda com resolução do choque, ausência de sangramentos, mas com o 
surgimento de outros sinais de gravidade, observar: 
→ Sinais de desconforto respiratório, sinais de insf. cardíaca congestiva e investigar hiper-
hidratação. 
→ Tratar com: redução da infusão de liquido, uso de diuréticos e drogas inotrópicas, se necessário 
 
⚠ PEGADINHA 
Quantidade e velocidade de reposição volêmica diferem entre os grupos C e D: 
Grupo C inicia com 10 mL/kg/h; 
Grupo D inicia com expansão rápida de 20 mL/kg em até 20 minutos. 
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Figura 2 Fluxograma do manejo clínico de dengue
Fonte: SVSA/MS.
Pesquisar sangramento espontâneo de pele ou induzido 
(prova do laço, condição clínica especial, risco social 
ou comorbidades).
GRUPO C
Sinais de alarme presentes 
e sinais de gravidade ausentes
• Dor abdominal intensa (referida ou à palpação) 
e contínua.
• Vômitos persistentes.• Acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, 
derrame pericárdico). 
• Hipotensão postural e/ou lipotimia.
• Hepatomegalia maior do que 2 cm abaixo do 
rebordo costal.
• Sangramento de mucosa.
• Letargia e/ou irritabilidade.
• Aumento progressivo do hematócrito.
Acompanhamento
Em leito de internação até estabilização 
– mínimo de 48h.
Exames complementares
• Obrigatórios: hemograma completo, dosagem de albumina sérica e transaminases.
• Recomendados: raio X de tórax (PA, perfil e incidência de Laurell) e USG de abdome.
• Outros exames conforme necessidade: glicemia, ureia, creatinina, eletrólitos, gasometria, Tpae e ecocardiograma.
• Exames específicos para confirmação de dengue são obrigatórios, mas não são essenciais para conduta clínica.
Acompanhamento
Em leito de UTI até estabilização – mínimo de 48h.
• Extravasamento grave de plasma, levando ao choque 
evidenciado por taquicardia; extremidades distais frias; 
pulso fraco e filiforme; enchimento capilar lento 
(>2 segundos); pressão arterial convergente (65 anos, hipertensão 
arterial ou outras doenças 
cardiovasculares graves, 
diabetes mellitus, doença 
pulmonar obstrutiva crônica 
(Dpoc), asma, obesidade, 
doenças hematológicas crônicas, 
doença renal crônica, doença 
ácido péptica, hepatopatias 
e doenças autoimunes.
Esses pacientes podem apresentar 
evolução desfavorável e devem ter 
acompanhamento diferenciado.
Hematócrito 
normal
Tratamento 
ambulatorial.
Iniciar hidratação dos pacientes de imediato de acordo com a classificação, enquanto aguardam exames laboratoriais.
Hidratação oral para pacientes dos grupos A e B. Hidratação venosa para pacientes dos grupos C e D.
Conduta
Iniciar reposição volêmica imediata (10 mL/kg 
de soro fisiol gico na primeira hora), em qualquer 
ponto de atenção, independente do nível 
e complexidade, mesmo na ausência de 
exames complementares.
Melhora clínica e laboratorial. Sinais vitais e 
PA estável, diurese normal e queda do hematócrito.
Reavaliação clínica após 1 hora.
Reavaliação clínica e laboratorial após 2 horas.
Conduta
Reposição volêmica (adulto e criança). Iniciar imediatamente 
fase de expansão r pida parenteral, com soro fisiol gico 
a 0,9%: 20 mL/kg em até 20 minutos, em qualquer nível 
de complexidade, inclusive durante eventual transferência 
para uma unidade de referência, mesmo na ausência de 
exames complementares.
Se resposta adequada, tratar como grupo C.
Critério de alta 
Paciente precisa preencher todos os seis 
critérios a seguir:
• Estabilização hemodinâmica durante 48 horas.
• Ausência de febre por 24 horas.
• Melhora visível do quadro clínico.
• Hematócrito normal e estável por 24 horas.
• Plaquetas em elevação.
Retorno
Após preencher critérios de alta, o retorno para 
reavaliação clínica e laboratorial segue orientação, 
conforme grupo B.
Preencher e entregar cartão de acompanhamento.
Interromper ou reduzir a infusão de líquidos 
à velocidade mínima necessária se:
• Houver término do extravasamento plasmático.
• Normalização da PA, do pulso e da perfusão periférica.
• Diminuição do hematócrito, na ausência de sangramento.
• Diurese normalizada.
• Resolução dos sintomas abdominais.AT
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Conduta – adulto e crianças 
Após uma hora: reavaliar o paciente (sinais vitais, 
PA, avaliar diurese – desejável 1 mL/kg/h).
Manter hidratação IV 10 mL/kg/h 
(soro fisiológico a 0,9%) na segunda hora. 
Até avaliação do hematócrito (que deverá ocorrer 
em até duas horas da reposição volêmica).
Melhora clínica e laboratorial 
após a(s) fase(s) de expansão
• Iniciar a fase de manutenção com soro fisiológico.
• Primeira fase: 25 mL/kg em 6 horas. Se houver 
melhora, iniciar segunda fase.
• Segunda fase: 25 mL/kg em 8 horas.
Resposta inadequada caracterizada pela persistência 
do choque. Avaliar hematócrito.
Hematócrito em elevação.
Persistência do choque.
Hematócrito em queda.
Utilizar expansores plasmáticos 
(albumina 0,5-1 g/kg); preparar 
solução de albumina a 5% (para 
cada 100 mL desta solução, usar 
25 mL de albumina a 20% e 75 mL 
de SF a 0,9%); na falta desta, usar 
coloides sintéticos, a 10 mL/kg/hora.
Com resolução do 
choque, ausência de 
sangramento, mas 
com surgimento 
de outros sinais de 
gravidade, observar:
• Sinais de descon forto 
respiratório, sinais 
de ICC e investigar 
hiperhidratação.
• Tratar com dimi-
nuição importante 
da infusão de líquido, 
uso de diuréticos e 
drogas inotrópicas, 
quando necessário.
Investigar hemorragia e 
coagulopatia de consumo
Se hemorragia, transfundir concen-
trado de hemácias (10 a 15 mL/kg/dia).
Se coagulopatia, avaliar a 
necessidade de uso de plasma 
fresco (10 mL/kg). Vitamina K 
endovenosa e criopecipitado 
(1 U para cada 5-10 kg).
Transfusão de plaquetas apenas 
nas seguintes condições: 
sangramento persistente não 
controlado, depois de corrigidos os 
fatores de coagulação e do choque, 
e com trombocitopenia e INR > que 
1,5 vez o valor normal.
NÃO
SIM
SIM
NÃO
TEM SINAL DE ALARME OU GRAVIDADE?
SUSPEITA DE DENGUE
Relato de febre, usualmente entre dois e sete dias de duração, e duas ou mais das seguintes manifestações: náusea, vômitos; exantema; mialgia, artralgia; 
cefaleia, dor retro-orbital; petéquias; prova do laço positiva e leucopenia. Também pode ser considerado caso suspeito toda criança com quadro febril agudo, 
usualmente entre dois e sete dias de duração, e sem foco de infecção aparente.
NOTIFICAR TODO CASO SUSPEITO DE DENGUE
SIM NÃO
SIMNÃO
Sem melhora do hematócrito 
ou dos sinais de hemodinâmicos
• Repetir fase de expansão até três vezes.
• Manter reavaliação clínica (sinais vitais, PA, 
avaliar diurese) após 1 hora e de hematócritoem 2 horas (após conclusão de cada etapa).
• Sem melhora clínica e laboratorial, conduzir 
como grupo D.
Hemoconcentração 
ou sinais de alarme 
Conduzir como 
grupo C. Reavaliação
• Reavaliação clínica a cada 15-30 minutos e de hematócrito 
em 2 horas.
A reavaliação deve acontecer após cada etapa de expansão. 
Esses pacientes precisam ser continuamente monitorados.
Melhora clínica e de hematócrito.
Retornar para fase de expansão do grupo C.
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10. Hidratação 
Hidratação oral: Grupos A e B. 
Hidratação venosa: Grupos C e D. 
Deve ser iniciada de imediato, conforme a classificação, independentemente do resultado dos exames 
laboratoriais. 
10.1 Hidratação oral — regra pediátrica ( 1,5× o valor normal 
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Situação Conduta (Grupo D / choque refratário) 
⚠ PEGADINHA 
Transfusão de plaquetas não é indicada apenas pela trombocitopenia isolada — 
mesmo contagens baixas, na ausência de sangramento persistente não controlado, não 
indicam transfusão. 
Esse é um dos pontos mais cobrados sobre hemoderivados na dengue. 
13. Critérios de Internação Hospitalar e de Alta 
13.1 Indicações de internação hospitalar 
● Presença de sinais de alarme ou de choque, sangramento grave ou comprometimento grave de 
órgão (Grupos C e D). 
● Recusa à ingestão de alimentos e líquidos. 
● Comprometimento respiratório: dor torácica, dificuldade respiratória, diminuição do murmúrio 
vesicular. 
● Impossibilidade de seguimento/retorno por condições clínicas ou sociais. 
● Comorbidades descompensadas ou de difícil controle (diabetes, hipertensão, insuficiência 
cardíaca, crise asmática, anemia falciforme). 
13.2 Critérios de alta hospitalar 
O paciente precisa atender a todos os cinco critérios a seguir: 
● Estabilização hemodinâmica durante 48 horas. 
● Ausência de febre por 24 horas. 
● Melhora visível do quadro clínico. 
● Hematócrito normal e estável por 24 horas. 
● Plaquetas em elevação. 
⚠ PEGADINHA 
Contraindicados na dengue: salicilatos (AAS), anti-inflamatórios não esteroides 
(AINEs) e corticosteroides — risco de sangramento e de mascarar sinais de gravidade. 
15. Classificação e Notificação dos Casos 
A dengue é doença de notificação compulsória — obrigatória a comunicação à vigilância local diante de 
caso suspeito ou confirmado. 
Caso suspeito de dengue 
Pessoa que vive ou viajou (últimos 14 dias) para área com transmissão de dengue, com febre (2–7 dias) e 
duas ou mais manifestações: náuseas, vômitos, exantema, mialgia, artralgia, cefaleia, dor retro-orbital, 
petéquias, prova do laço positiva e leucopenia. Também é caso suspeito toda criança proveniente de 
área com transmissão, com quadro febril agudo (2–7 dias) sem foco de infecção aparente. 
Caso suspeito com sinais de alarme / caso suspeito grave / caso confirmado 
● Sinais de alarme: ver Quadro do item 5, na defervescência da febre. 
● Dengue grave: choque/desconforto respiratório por extravasamento grave, sangramento grave, 
ou comprometimento grave de órgãos (ver item 6). 
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● Confirmação: laboratorial (NS1 reagente, isolamento viral, RT-PCR detectável, IgM ELISA, ou 
aumento ≥4× nos títulos por PRNT/IH em amostras pareadas) ou por vínculo clínico-
epidemiológico. 
 
16. Atualizações 2025–2026: Vacinação e Epidemiologia 
16.1 Panorama epidemiológico 2026 
Após 2024 ter sido o pior ano da série histórica (~6,5 milhões de casos prováveis), o Brasil registrou, entre 
janeiro e 30 de maio de 2026 (SE 21), redução de 94% nos casos prováveis (365 mil vs. 5,8 milhões no 
mesmo período de 2024) e 97% nos óbitos (178 vs. ~6,3 mil) em relação a 2024. Ainda assim, a dengue 
permanece a maior endemia do país. 
16.2 Vacinas contra dengue — duas vacinas distintas, não intercambiáveis 
Ponto de alta relevância para a prova: coexistem no Brasil duas vacinas com faixas etárias, esquemas e 
vias de incorporação diferentes — não devem ser confundidas. 
 Qdenga (Takeda) Butantan-DV (Instituto 
Butantan) 
Tecnologia 
Tetravalente, vírus vivo atenuado 
(base DENV-2 + proteínas de 
DENV-1,3,4) 
Tetravalente, vírus vivo atenuado 
(DENV-1,3,4 + quimérico DENV-
4/DENV-2) 
Esquema 2 doses, intervalo de 3 meses Dose única (0,5 mL SC) — 1ª do 
mundo em dose única 
Aprovação 
Anvisa Março/2023, para 4 a 59 anos Novembro/2025, para 12 a 59 
anos 
Faixa etária no 
SUS/PNI 
10 a 14 anos 
(crianças/adolescentes) 
15 a 59 anos (não pediátrica no 
SUS) 
Disponível desde 
2024 — cerca de 8 milhões de 
doses aplicadas até meados de2026 
Início em janeiro/2026, piloto 
para profissionais de saúde da 
APS e grupo de 59 anos 
Situação em 
06/2026–07/2026 
Sem qualquer suspensão — 
vacinação segue normalmente 
Suspensa preventivamente pelo 
MS/Anvisa desde 08/06/2026 
para investigação de eventos 
adversos raros; sem prazo de 
retomada definido até 
06/07/2026 
📌 IMPORTANTE 
A Qdenga é a única vacina dengue de fato aplicada em crianças no PNI (10–14 anos) e 
não foi impactada pela suspensão da Butantan-DV, que atinge apenas o público adulto 
(15–59 anos). A pessoa que já recebeu a 1ª dose de Qdenga deve receber a 2ª dose na data 
prevista (esquema de 2 doses); a Butantan-DV é dose única e não pediátrica. 
Contexto da suspensão da Butantan-DV 
Em 08/06/2026, o Ministério da Saúde descontinuou temporariamente, por precaução, a estratégia de 
vacinação com Butantan-DV após identificação de 42 eventos adversos entre ~500 mil vacinados (3 
graves, incluindo 2 óbitos em investigação), em farmacovigilância de rotina. A Anvisa instituiu um grupo 
Natalia Piona | R+ Pediatria 
Página 13 
de trabalho/painel de especialistas (Portaria nº 715/2026) para aprofundar a investigação epidemiológica. 
A medida não afetou a Qdenga nem demais estratégias de combate à dengue (controle vetorial, 
notificação, manejo clínico). 
16.3 Vigilância pós-vacinação 
● Equipes de saúde devem reforçar a vigilância de pacientes vacinados que apresentem 
sintomas de dengue, com atenção especial ao reconhecimento de sinais de alarme e de 
gravidade. 
● Reforçar notificação de casos, acionamento da vigilância local e encaminhamento imediato para 
atendimento clínico quando necessário. 
 
 
 
Arboviroses em Pediatria 
1. Zika 
1.1 Introdução e agente etiológico 
Flavivírus (família Flaviviridae, RNA fita simples), o mesmo gênero da dengue e da febre amarela. 
Identificado originalmente em Uganda (floresta Zika, 1947); no Brasil, ficou marcado pelo surto de 
2015-2016, associado à explosão de casos de microcefalia — marco que originou a vigilância da 
síndrome congênita do Zika (SCZ). 
1.2 Transmissão 
• Vetor principal: Aedes aegypti (também Aedes albopictus). 
• Transmissão vertical (transplacentária): principal via de risco fetal — pode ocorrer em 
qualquer trimestre. 
• Transmissão sexual: vaginal, anal e oral; o vírus persiste no sêmen por semanas a meses, mais 
que no sangue. 
• Transfusional e por transplante: descritas, porém raras. 
• Aleitamento materno: não é considerada via de transmissão relevante de risco — não 
contraindica a amamentação. 
1.3 Quadro clínico 
Cerca de 80% das infecções são assintomáticas. 
Quando sintomático: doença febril leve ou afebril, exantema maculopapular pruriginoso (achado 
mais marcante), conjuntivite não purulenta (hiperemia conjuntival sem secreção), artralgia de 
pequenas articulações (mãos e pés), mialgia e cefaleia. 
Quadro autolimitado, 4-7 dias. 
Complicação neurológica rara em adultos: síndrome de Guillain-Barré (dias após o quadro agudo). 
PEGADINHA 
Diferencial clínico clássico: no Zika, a febre costuma ser baixa/ausente e o exantema pruriginoso + 
conjuntivite não purulenta é o que mais chama atenção — diferente da dengue (febre alta) e da 
chikungunya (artralgia intensa/incapacitante é o sintoma dominante, não o exantema). 
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Página 14 
1.4 Diagnóstico laboratorial 
• RT-PCR: sangue até o 5º dia de sintomas; urina com janela mais longa, até o 15º dia — detalhe 
cobrável, já que a maioria das arboviroses tem janela de RT-PCR mais curta. 
• IgM (ELISA): a partir do 4º-6º dia; se negativo e alta suspeita, repetir sorologia após 1 semana 
(soroconversão). 
• IgG (ELISA) e PRNT: a partir do 30º dia; PRNT tem maior especificidade e ajuda a diferenciar de 
outros flavivírus. 
• Limitação importante: reação cruzada sorológica com outros flavivírus (especialmente 
dengue) — resultado deve ser interpretado à luz da clínica e epidemiologia. 
1.5 Tratamento 
Exclusivamente sintomático: hidratação, antitérmico/analgésico (paracetamol/dipirona). Evitar AAS 
e AINE até exclusão de dengue, pelo risco hemorrágico. 
1.6 Definição de caso 
• Caso suspeito: exantema maculopapular pruriginoso, associado a dois ou mais dos seguintes: 
- Febre baixa ou ausente, artralgia, mialgia, conjuntivite não purulenta. 
- Em gestante, exantema isoladamente já basta para suspeição. 
• Caso confirmado: caso suspeito com RT-PCR ou outra prova direta positiva para Zika. 
1.7 Notificação, vigilância e prevenção 
• Notificação compulsória; gestante com quadro suspeito exige notificação imediata, pelo risco 
de SCZ. 
• Prevenção: controle vetorial (mesmas medidas da dengue), uso de preservativo para reduzir 
transmissão sexual (sobretudo com gestante ou tentante), triagem de doadores de sangue em 
áreas de circulação viral. 
1.8 Síndrome Congênita do Zika (SCZ) 
Padrão de anomalias e deficiências em fetos/recém-nascidos de mães infectadas durante a 
gestação — a síndrome congênita mais bem caracterizada entre as arboviroses, análoga a outras 
infecções STORCH-like (rubéola congênita, CMV congênito). 
Achados clínicos e de neuroimagem 
• Microcefalia: achado inicial mais reconhecido — mas pode estar ausente (PC normal) mesmo 
havendo lesão cerebral, evidenciada só depois. 
• Desproporção craniofacial, espasticidade/hipertonia, contraturas articulares (artrogripose), 
convulsões, disfunção de tronco encefálico (distúrbios de deglutição); 
• Alterações oculares: calcificação/atrofia macular, atrofia coriorretiniana. 
• Alterações auditivas. 
• Neuroimagem: calcificações corticais/subcorticais, ventriculomegalia, simplificação do padrão 
de giros (lisencefalia), hipoplasia de cerebelo e tronco encefálico. 
PONTO DE PROVA 
A SCZ pode ocorrer SEM microcefalia — perímetro cefálico normal ao nascer não exclui lesão do 
SNC. É um erro clássico de prova assumir que "sem microcefalia = sem síndrome congênita". 
Diagnóstico da SCZ 
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Página 15 
Caso suspeito com achados clínicos/de imagem compatíveis + resultado positivo/reagente para 
Zika em amostra do RN + resultado negativo ou inconclusivo para pelo menos uma STORCH (sífilis, 
toxoplasmose, rubéola, CMV, herpes simples) em amostra do RN ou da mãe. Quando o agente não 
puder ser identificado, o caso pode ser classificado como infecção congênita sem identificação 
etiológica. 
Não há tratamento específico — manejo multidisciplinar (estimulação precoce, fisioterapia, 
fonoaudiologia, oftalmologia, otorrino, neurologia). 
2. Chikungunya 
2.1 Introdução e agente etiológico 
Alphavírus (família Togaviridae, RNA vírus). Chegou no Brasil em 2014 
2.2 Transmissão 
• Vetores: Aedes aegypti e Aedes albopictus. 
• Transmissão vertical: diferente do Zika, NÃO é classicamente transplacentária ao longo da 
gestação — ocorre principalmente por via perinatal/intraparto, quando a mãe está virêmica 
próxima ao parto. 
• Período de maior risco: viremia materna entre 2 dias antes e 2 dias depois do parto (período 
intraparto); risco de transmissão de até 85% quando o parto ocorre dentro de 7 dias da 
viremia materna. 
• Cesariana não reduz o risco de transmissão; não há contraindicação à amamentação. 
2.3 Quadro clínico 
Febre alta de início súbito + artralgia/artrite intensa, tipicamente poliarticular, simétrica e de 
predomínio distal (punhos, mãos, tornozelos, pés) — a dor articular incapacitante é a marca 
registrada da doença, geralmente mais exuberante que na dengue e no Zika. Outros sintomas 
como: mialgia, cefaleia, edema periarticular. 
Exantema maculopapular (ou petequial) em cerca de 50% dos casos. Em neonatos o exantema 
pode vesicobolhoso. Aparece após a febre 
Evolução em três fases 
• Fase aguda/febril: até o 10º-14º dia. 
• Fase pós aguda: até 3 meses (15 a 90 dias) — Persistência ou recorrência de dor articular, 
edema, rigidez, tenossinovite e limitação funcional. Pode haver períodos de melhora e recaída. 
• Fase crônica: sintomas por mais de 3 meses; ocorre em mais de 50% doscasos e a artralgia 
pode persistir por anos. Persistência de manifestações articulares, principalmente artralgia, 
edema, rigidez e artrite crônica, podendo durar meses ou anos. Outras causas de artrite 
devem ser excluídas. 
 
Formas graves/atípicas (mais frequentes em idosos, comorbidades e recém-nascidos expostos): 
manifestações neurológicas (encefalite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré), 
miocardite, disfunção renal e hepática. 
2.4 Diagnóstico laboratorial 
• RT-PCR: até o 5º dia de sintomas. 
• IgM (ELISA): a partir do 6º dia. Podem durar 30-90 dias. Se negativos avaliar soroconversão. 
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2.5 Tratamento 
Sintomático: hidratação oral, analgesia guiada por escalas de dor apropriadas para a idade. Evitar 
AAS e AINE na fase aguda até exclusão de dengue (risco hemorrágico) — e evitar AAS em crianças 
pelo risco de síndrome de Reye. 
Na fase crônica, pode ser necessário manejo escalonado da dor e, em casos refratários, 
acompanhamento reumatológico. 
à Artralgia crônica: AINES, corticoide e fisioterapia podem ser uteis 
à Artrite crônica: Metrotexate e hidroxicloroquina podem ser uteis 
 
2.6 Definição de caso 
• Caso suspeito: febre de início súbito >38,5 °C + artralgia ou artrite intensa de início agudo, não 
explicada por outras condições, em residente ou com deslocamento para área de transmissão 
nas 2 semanas anteriores, ou com vínculo epidemiológico com caso confirmado. 
• Caso confirmado: caso suspeito com RT-PCR/isolamento viral positivo (até o 5º dia) ou IgM 
positivo (a partir do 6º dia). 
2.8 Chikungunya congênita/perinatal 
MACETE / PULO DO GATO 
Diferente do Zika, o CHIKV não tem efeito teratogênico comprovado — não causa malformações fetais 
clássicas. O risco pediátrico da chikungunya é a infecção perinatal grave 
 
Recém-nascido de mãe com viremia periparto deve permanecer em observação constante mesmo 
se assintomático; diante de quadro clínico sugestivo, deve ser encaminhado à UTI neonatal. 
• Início dos sintomas: tipicamente entre 48-96h de vida. 
• Manifestações: febre, irritabilidade e convulsões, lesões cutâneas bolhosas e hiperpigmentação 
perioral, plaquetopenia, meningoencefalite, miocardite, manifestações hemorrágicas. 
• Conduta: aguardar 5-7 dias antes da alta caso o RN permaneça assintomático, quando há 
história de viremia materno periparto. 
3. Oropouche 
3.1 Introdução e agente etiológico 
O vírus Oropouche (OROV) é um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, família Peribunyaviridae, 
com genoma de RNA tri-segmentado (segmentos L, M e S) — característica que permite 
reassortimento genético e o surgimento de novas variantes, um dos fatores implicados na maior 
gravidade e disseminação observadas a partir de 2023. 
A febre do Oropouche é a 2ª arbovirose mais frequente do Brasil, atrás apenas da dengue. 
Transmissão 
O vetor primário é o Culicoides paraensis, pequeno mosquito hematófago conhecido 
popularmente como maruim ou mosquito-pólvora. Diferentemente da dengue, zika e 
chikungunya (transmitidas pelo Aedes aegypti), o Oropouche depende principalmente desse 
díptero da família Ceratopogonidae. 
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Ciclos de transmissão 
• Ciclo silvestre: bichos-preguiça e primatas não humanos (possivelmente aves e roedores 
silvestres) atuam como hospedeiros amplificadores; OROV já foi isolado também em 
Coquillettidia venezuelensis e Aedes serratus. 
• Ciclo urbano: o ser humano passa a ser o principal hospedeiro; o Culicoides paraensis 
permanece o vetor principal, podendo o Culex quinquefasciatus (comum em ambiente 
urbano) transmitir ocasionalmente. 
Dengue/Zika/Chikungunya → Aedes aegypti. 
Oropouche → Culicoides paraensis (maruim), principalmente 
3.3 Quadro clínico 
• Febre de início súbito, cefaleia, mialgia e artralgia — quadro clinicamente indistinguível de 
dengue/zika/chikungunya na fase aguda. 
à Cefaleia intensa, geralmente se localiza posteriormente, parieto-occipital e costuma persistir 
mesmo após o desaparecimento da febre 
à Mialgia e artralgia costumam ser generalizadas. A artralgia não apresenta sinais 
inflamatórios. 
à Dor no pescoço e dor lombar 
• Outros sintomas: tontura, dor retro-orbital, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos. Duração de 2-
7 dias, em geral autolimitado. 
• Recidiva em até 60% dos casos, com retorno dos sintomas (ou apenas febre, cefaleia e 
mialgia) 1-2 semanas após o quadro inicial — padrão bifásico tardio não característico das 
outras arboviroses. 
Formas graves (mais em imunocomprometidos): 
• Acometimento do SNC: meningite asséptica, meningoencefalite e disautonomia. 
Os sinais incluem vertigem, letargia, nistagmo, sinais meníngeos e, mais raramente, convulsões 
e rebaixamento do nível de consciência. 
• Manifestações hemorrágicas (petéquias, epistaxe, gengivorragia) também podem ocorrer. 
Diagnóstico laboratorial 
• Provas diretas (preferenciais): RT-PCR ou isolamento viral, principalmente na 1ª semana de 
sintomas. 
• Sorologia IgM (ELISA): avaliar com cautela pelo risco de reação cruzada, sobretudo em áreas 
de alta prevalência de outras arboviroses. 
• Estratégia sentinela: testagem de Oropouche/Mayaro em amostras previamente negativas 
para dengue-zika-chikungunya (DCZ) 
Tratamento 
Exclusivamente sintomático (repouso, hidratação, antitérmico/analgésico); não há antiviral 
específico nem vacina. Evitar AAS/AINE até exclusão de dengue. 
3.6 Definição de caso 
• Caso suspeito: febre de início agudo (ou histórico de febre) com duração ≤ 5 dias associada a 
cefaleia intensa + ≥ 2 das seguintes manifestações: 
à Mialgia ou artralgia, calafrios, fotofobia, tontura, dor retro-ocular; 
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à Náuseas, vômitos ou diarreia (≥3 episódios em 24h com alteração da consistência); 
à Qualquer manifestação neurológica (diplopia, parestesia, meningite, encefalite, 
meningoencefalite). 
• Caso confirmado: caso suspeito + qualquer um dos critérios: 
à RT-PCR/antígeno viral positivo; soroconversão ou aumento ≥4x no título de anticorpos 
(amostras pareadas com 7-10 dias de intervalo, convalescente ≥14 dias); RT-PCR post-mortem; 
imuno-histoquímica em óbito; ou IgM positivo no LCR (se suspeita de encefalite) 
• Caso suspeito em gestante: febre de início agudo (ou histórico de febre com duração de até 5 
dias) associado cefaleia intensa (não precisa dos ≥2 critérios adicionais) 
Transmissão vertical e síndrome congênita do Oropouche 
Tema emergente, ainda em caracterização: 
• Evidências: RNA viral já identificado em cordão umbilical, placenta e tecidos fetais (cérebro, 
fígado, rins, pulmões, coração, baço); IgM anti-OROV identificado em recém-nascidos com 
microcefalia. 
• Achados descritos: abortamento, óbito fetal, RCIU, prematuridade, microcefalia, 
ventriculomegalia, alteração de corpo caloso, hipoplasia cortical, artrogripose, polidrâmnio. 
• Notificar e investigar: gestante com quadro sugestivo de arbovirose; anomalia de SNC no 
feto/RN sem causa aparente (excluir STORCH); óbito fetal sem causa aparente em área de 
circulação do OROV. 
• Coleta ao nascimento: sangue/soro materno e do RN, cordão umbilical, placenta, e LCR se 
suspeita bem fundamentada. 
IMPORTANTE 
Evidências diretas de infecção transplacentária. O seguimento do RN segue o mesmo modelo das 
demais infecções congênitas (STORCH/Zika): avaliação neurológica, perímetro cefálico seriado, 
neuroimagem, avaliação oftalmológica e auditiva. 
 
4. Febre Amarela 
4.1 Introdução e agente etiológico 
Flavivírus (família Flaviviridae) — mesmo gênero da dengue e do Zika. Possui vacina segura 
desde 1993 
106 casos humanos, dos quais 43 evoluiram para óbito - Letalidade de 40,6% (quase todos não 
vacinados, apenas 1 caso vacinado porem com dose fracionada) 
Aumento no ano de 2024, com destaque para regiões do estado de são Paulo. 
4.2 Transmissão 
• Ciclo silvestre (predominante no Brasil): mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes; 
• Ciclo urbano (Aedes aegypti):não está ativo atualmente no Brasil, mas o risco de 
reurbanização é ativamente monitorado. 
• Reservatório: Primatas não humanos (macacos) e mosquitos silvestres 
 
É uma doença de notificação compulsória para doença em humanos e também morte/adoecimento de 
primatas (epizootias) com suspeita de febre amarela / contexto epidemiológico 
Natalia Piona | R+ Pediatria 
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4.3 Quadro clínico — padrão bifásico clássico 
• Período de infecção (virêmico): 3-6 dias; febre, cefaleia, mialgia, náuseas/vômitos; sinal de 
Faget (dissociação pulso-temperatura: taquicardia esperada não acompanha a febre) é um 
achado clássico de prova. 
• Período de remissão: 12-48h de melhora aparente dos sintomas. 
• Período toxêmico: reaparecimento da febre associado a icterícia, manifestações 
hemorrágicas (hematêmese, melena, gengivorragia), oligúria/insuficiência renal aguda e, nos 
casos mais graves, encefalopatia. Letalidade elevada nesta fase (20-50%). 
 
Quadro clínico clássico: 
à Inicio súbito com febre, cefaleia, mialgia, náuseas, vomitos 
à Evolução para icterícia, dor abdominal e manifestações hemorrágicas (hematêmese) e insuficiência 
hepato-renal nos casos graves 
 
PONTO DE PROVA 
O sinal de Faget (bradicardia relativa/dissociação pulso-temperatura) é um clássico de prova para 
febre amarela — também descrito em outras doenças (febre tifoide, leptospirose), mas fortemente 
associado à febre amarela em provas de pediatria/infectologia. 
4.4 Diagnóstico laboratorial 
• RT-PCR: fase virêmica, até aproximadamente o 5º dia. 
• Sorologia IgM: após o período de viremia. 
• Diagnóstico diferencial: leptospirose, malária grave, hepatites virais fulminantes, dengue 
grave. 
PEGADINHA 
Evitar punções arteriais, injeções intramusculares e biópsias em paciente com suspeita de febre 
amarela, pelo risco hemorrágico relacionado ao acometimento hepático — ponto de manejo 
frequentemente cobrado. 
4.5 Tratamento 
Não há antiviral específico. Manejo é de suporte, com internação em UTI nos casos graves: 
correção de coagulopatia, suporte renal e hepático conforme necessidade. Evitar AAS/AINE pelo 
risco hemorrágico e renal. 
4.6 Definição de caso 
• Caso suspeito: indivíduo não vacinado (ou com estado vacinal ignorado) com quadro febril 
agudo (geralmente até 7 dias), início súbito, acompanhado de icterícia e/ou manifestações 
hemorrágicas, com exposição nos últimos 15 dias em área de risco/Área com Recomendação de 
Vacinação (ACRV), e/ou epizootia recente em primatas não humanos na região. 
• Caso confirmado: caso suspeito com RT-PCR/isolamento viral positivo, IgM positivo (em não 
vacinado recentemente) ou histopatologia compatível. 
 
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4.7 Prevenção 
• Prevenção principal: vacinação (vacina 17DD, vírus vivo atenuado). Esquema do PNI: 1ª dose 
aos 9 meses + reforço aos 4 anos (crianças 50% 
Não 
característica 
Não característica 
Risco 
congênito/perinatal 
SCZ — 
teratogênico, 
bem 
estabelecido 
Perinatal grave, NÃO 
teratogênico 
Síndrome 
congênita em 
investigação 
Sem síndrome 
congênita estabelecida 
Vacina disponível Não Não (uso rotineiro) Não Sim (17DD) 
Tratamento Sintomático Sintomático Sintomático Suporte/UTI se grave

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