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PAC SEPSE E DERRAME PLEURAL Isadora Mocelin 3° ano Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano CASO 2: PNEUMONIA ADQUIRIDA NA COMUNIDADE E SEPSE : Termos: 1) macicez e submacicez: → submacicez: parênquima pulmonar com densidade aumentada e diminuição da quantidade de ar (som preenchido por células ou líquido) → macicez: presença de líquido entre o parênquima pulmonar e a parede torácica (derrame pleural) 2) Ausculta da voz: ausculta-se a voz falada e a voz sussurrada (enquanto o paciente repete “trinta e três”), com a percepção da ressonância vocal através da parede torácica. ● Em condições normais, a ressonância vocal constitui-se de sons incompreensíveis, mas, quando o parênquima pulmonar está consolidado, a transmissão é facilitada e as palavras ficam nítidas: →Pectoriloquia afônica e fônica: ausculta da voz falada (fônica) ou sussurrada (afônica) com nitidez, transmitida através do parênquima pulmonar consolidado. → Broncofonia: aumento da ressonância vocal em decorrência de facilitação da transmissão das ondas sonoras, na presença de condensação pulmonar. → Egofonia: tipo especial de broncofonia, quando esta adquire qualidade nasalada e metálica (voz caprina). Auscultada na área de transição do limite superior dos derrames pleurais. 3) Ringer lactato: COMPOSIÇÃO: Cada mL da solução contém: cloreto de sódio - NaCl ........................................................................... 8,6 mg cloreto de potássio – KCl ....................................................................... 0,3 mg cloreto de cálcio - CaCl2.2H2O ............................................................... 0,33 mg água para injeção q.s.p .......................................................................... 1 mL →O sódio atua no controle da distribuição de água, no balanço hídrico e na pressão osmótica dos fluidos corporais, e associado ao cloreto e bicarbonato atua na regulação do equilíbrio ácido-base. → O potássio é crítico na regulação da condução nervosa e contração muscular, particularmente no coração. → O cloreto segue o metabolismo do sódio e alterações na sua concentração provocam mudanças no balanço ácido-base do corpo. → O cálcio é essencial no mecanismo de coagulação sanguínea, na função cardíaca normal e na regulação da irritabilidade neuromuscular. → O excesso de sódio, potássio e cálcio é excretado principalmente pelos rins. → Indicado para reidratação e restabelecimento do equilíbrio hidroeletrolítico, quando há perda de líquidos e dos íons cloreto, sódio, potássio e cálcio. Sua composição se assemelha a composição dos líquidos extracelulares → é contraindicada nos casos de hipernatremia (excesso de sódio no sangue), hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue), hiperpotassemia ((excesso de potássio no sangue),) e hipercloremia (excesso de cloro no sangue) → → Dose usual: 2500mL/dia, por infusão IV. Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano 4) BE Os parâmetros avaliados na gasometria arterial geralmente incluem pH, pressão parcial de O2 (PaO2), pressão parcial de CO2 (PaCO2), concentração de íon bicabornato (HCO3-), excesso de base (BE) e saturação periférica de O2 (SatO2). A PaO2, a PaCO2 e a SaO2 são componentes das trocas gasosas. O pH, a concentração de HCO3- e o BE representam os componentes do equilíbrio ácido-base. ● Se a soma de todas as bases do paciente não corresponderem ao valor de referência da Buffer Base, esse excesso é correspondente ao Base Excess. ● Valor de referência do base excess: -3 a +3 ● Se o valor de bases for menor que -3, isso indica que o organismo está perdendo bases por um distúrbio primário (acidose metabólica) ou compensatório (alcalose respiratória), para compensar a diminuição do pCO2. ● Caso o valor seja superior a +3, há um aumento do total de bases, ou seja, o organismo está retendo bases, podendo indicar um distúrbio primário (alcalose metabólica) ou compensatório (acidose respiratória – retenção de bases para compensar o aumento de pCO2). 5) Lactato arterial elevado ● O lactato é produzido pela maioria dos tecidos do corpo humano, com o nível mais alto de produção encontrado no músculo. Em condições normais, o lactato é rapidamente eliminado pelo fígado, com uma pequena quantidade de depuração adicional pelos rins. ● Em condições aeróbicas, o piruvato é produzido via glicólise e então entra no ciclo de Krebs, ignorando em grande parte a produção de lactato. ● Sob condições anaeróbicas, o lactato é um produto final da glicólise e alimenta o ciclo de Cori como substrato para a gliconeogênese. ● Em geral, a elevação do nível de lactato pode ser causada pelo aumento da produção, diminuição da depuração ou uma combinação de ambos. ● Os fatores contribuintes parecem incluir hipoperfusão devido a disfunção macrocirculatória ou microcirculatória, disfunção mitocondrial (incluindo uma potencial falta de cofatores enzimáticos chave) e a presença de um estado hipermetabólico, entre outros. ● Disfunção hepática pode contribuir para o aumento da produção e diminuição da depuração, o que se torna ainda mais importante em estados de hipoperfusão. ● A maioria dos estudos usa valores de corte de 2,0 a 2,5 mmol/L; enquanto níveis “altos” de lactato foram definidos como superiores a 4,0 mmol/L em vários estudos. 6) tempo de enchimento capilar O tempo de enchimento capilar (TEC), é definido como o tempo necessário para que um leito capilar distal recupere sua cor após uma pressão ter sido aplicada para causar seu branqueamento. → avalia perfusão dos vasos sanguíneos Em indivíduos com perfusão periférica, normal, o enchimento é rápidoe por um sistema de válvulas expiratório e inspiratório. ● Elas conferem a capacidade de fornecer uma fração inspirada de oxigênio de até 100% (fluxo de 12-15 L/min), sendo amplamente utilizada em setores de emergência e UTI. A máscara não-reinalante é indicada nas seguintes siguaçãoes: ● É utilizada principalmente do trauma (quando a intubação não está indicada); ● Em situação de emergência clínica em que há uma hipoxemia moderada-grave que não conseguiu ser revertida com cânula e que ainda não há uma indicação de intubação ou ventilação-não-invasiva ● Sua utilização prolongada pode ser desconfortável devido ao peso do equipamento e a vedação necessária. Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ● Questões: 1) cite os fatores de risco para pneumonia correlacionando com o paciente 2) explique a fisiopatologia da PAC 3) defina os tipos de pneumonia (viral, bacteriana, hospitalar, comunidade) 4) descreva as manifestações clínicas da PAC 5) compreenda como é realizado o diagnóstico da PAC e suas complicações 6) esquematize o tratamento para PAC e para derrame pleural 7) conceitue sepse, citando as manifestações clínicas e defina seu manejo inicial 8) explique os diagnósticos diferenciais para PAC 07/03 - 1,3 e termos 13/03 - 2,4,5 15/03 - 6,7,8 Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano Pneumonia : Definição: ● é um processo inflamatório agudo que ocorre no parênquima pulmonar decorrente de infecção por algum microorganismo (definição conf-márcio pneumo) Características principais: ● Os agentes etiológicos podem ser infecciosos ou não. A inalação de fumaças irritantes ou a aspiração de conteúdo gástrico podem causar pneumonia grave ● algumas pneumonias acometem pacientes com distúrbios do sistema imune → como os que usam imunossupressores para evitar rejeição de transplantes de medula óssea ou pessoas que usam frequentemente anti-inflamatórios ● ela geralmente se inicia nos alvéolos com disseminação secundária para o interstício resultando em consolidação e dificuldade na troca de gases ● A infecção pode se estender para o espaço pleural causando pleurite → inflamação da pleura, dor à inspiração. A resposta inflamatória exsudativa da pleura à pneumonia é chamada de derrame parapneumônico. Quando a infecção está presente na pleura ocorre o empiema Classificação: 1) adquiridas na comunidade ou hospitalares 2) de acordo com o tipo de agente: (típico ou atípico) ● Típicas: infecção por bactérias que se multiplicam extracelularmente nos alvéolos, causando inflamação + exsudação de líquido nos espaços dos alvéolos repletos de ar ● atípicas: infecções virais e por micoplasma que acometem o septo alveolar e o interstício do pulmão → produzem sintomas e achados físicos menos notáveis do que as pneumonias bacterianas: não têm infiltração alveolar nem escarro purulento, não há leucocitose e consolidação lobar nas radiografias ! microrganismos atípicos não podem ser isolados pelas técnicas de cultura em meios convencionais e nem podem ser detectados pela coloração de gram. São resistentes a todos os antibióticos B-lactâmicos e devem ser tratados com um macrolídeo. fluoroquinolona ou uma tetraciclina 3) com base na distribuição da infecção (pneumonia lobar e broncopneumonia) ● Lobar: consolidação de parte ou de todo o lobo pulmonar ● broncopneumonia: consolidação de distribuição focal acometendo mais de um lobo ● intersticial: afeta o interstício pulmonar ! consolidação se refere a solidificação do pulmão devido a substituição de ar por exsudato nos alvéolos Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano → Pneumonia adquirida na comunidade (PAC) ● definição: infecção que começa fora do hospital ou que é diagnosticado dentro de 48hs após a internação de uma pessoa que não residia em uma instituição de cuidados crônicos por 14 dias mais antes de sua hospitalização ● epidemiologia: 8-15 casos por 1.000 individuos/ano → mundo. No Brasil chegaria a 2 milhões de casos → DATASUS: 1º causa de morte dentre as doenças respiratórias e a quinta causa de morte entre brasileiros adultos → 5% das mortes no Brasil são causadas por PAC → incidência: é maior no inverno e aumenta com os surtos de Influenza → infecção bacteriana secundária → grupos de maior prevalência: 0-4 anos e acima de 65 anos ● Descreve infecções por micro-organismos encontrados na comunidade e não em hospitais e asilos ● a PAC pode ser classificada com base em: - risco de mortalidade - necessidade de hospitalização - idade - doença concomitante e gravidade da doença !utilizando o exame físico, resultados do lab e os achados radiológicos ● Pode ser bacteriana ou viral: - agentes etiológicos mais comuns → bacterianas/ típicas: S. Pneumoniae, H influenzae S aureus e bacilos gram-negativos e os agentes bacterianos menos comuns incluem Mycoplasma pneumoniae, espécies de Chlamydia - os agentes etiológicos → virais/ atípicos incluem influenza, VSRA, adenovírus e parainfluenza Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ❖ PAC bacterianas agudas: ➢ Streptococcus pneumoniae - é a principal causa de pneumonia bacteriana - anaeróbia facultativa - gram + - pneumonia pneumocócica: → características: ● diplococo gram +, possui cápsula de polissacarídeo ● sua virulência é em função de sua cápsula, que impede ou retarda sua digestão por fagócitos, o polissacarídeo é um antígeno que desencadeia principalmente uma resposta das células B com produção de anticorpos ● na ausência de anticorpos a eliminação dos pneumococos depende do sistema reticuloendotelial do baço ➢ Haemophilus influenzae: ● Aeróbia facultativa ● gram - ● forma não encapsulada: pode originar um tipo de pneumonia agressiva com risco de morte em crianças após infecção viral respiratória e em adultos com DPOC, bronquite crônica, fibrose cística e bronquiectasia ● é a causa mais comum de exacerbação aguda da DPOC ➢ Moraxella catarrhalis: ● adultos mais idosos ● aeróbia obrigatória ● gram - ● segunda causa bacteriana de exacerbação da DPOC ➢ Staphylococcus aureus: ● importante causa de pneumonia bacteriana secundária em crianças e em adultos saudáveis após doença respiratória viral ● está associada a alta incidência de complicações como abscesso pulmonar e empiema ● anaeróbia facultativa ● gram + ➢ Klebsiella pneumoniae: ● causa mais frequente de pneumonia por bactérias gram-negativas ● atinge indivíduos debilitados ou desnutridos, especialmente etilistas crônicos ● escarro espesso e gelatinoso → organismo produz um abundante polissacarídeo capsular viscoso que o paciente pode ter dificuldade para expelir ➢ legionella pneumophila: ● doença dos legionários ● é uma forma de broncopneumonia - bastonete gram negativo Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ● transmissão: ocorre quando a água que contém o patógeno é aerossolizada em gotículas de tamanho apropriada e são inalados ou aspiradas por um hospedeiro suscetível (doença cardíaca, renal, imunológica ou hematológica) ● sintomas: surgem de 2-10 dias após infecção ● início abrupto com mal-estar, fraqueza, letargia, febre e tosse seca ● teste de antígeno urinário de Legionella – cultura de urina ➢ Mycoplasma pneumoniae: ● mais comuns em crianças de jovens ● ocorrem esporadicamente ou como epidemias locais em comunidades fechadas ❖ PAC virais agudas: ● São causadas por uma dose de agentes, mais comum: vírus influenza A e B, VSRA, adenovírus, rinovírus e vírus do sarampo, rubéola e varicela → quase todos causam IVAS → resfriado comum ● mais comum em crianças e adultos jovens ● caracterizam-se por comprometimento focal do pulmão, limitado ao septo alveolar e interstício pulmonar ● atípico pois há ausência de consolidação pulmonar, produção de quantidades moderadas de escarro, elevação moderada da contagem de leucócitos e ausência de exsudato alveolar ● os agentes das pneumonias atípicas danificam o epitélio do TR, as lesões que levam à necrose inibem a lavagem mucociliar e comprometem suas defesas → predispondo a infecções bacterianas secundárias (principalmente em crianças, idosos, pacientes desnutridos, etilistas e imunossuprimidos) ● suaevolução clínica varia desde uma infecção leve que mascara na forma de resfriado torácico até um desfecho grave/ fatal ● sintomas: febre, cefaléia, mialgia e dor. Se há tosse, é tipicamente seca e improdutiva → Pneumonia adquiridas em Hospital (NOSOCOMIAIS) ● Infecção da via aérea inferior que não estava presente ou em fase de incubação por ocasião da internação no hospital, as que ocorrem 48hs ou + após admissão ● 2 º causa mais comum de infecção hospitalar e tem uma taxa de mortalidade de 20-50% ● riscos maiores: pct que necessitam de intubação e ventilação mecânica, comprometidos imunologicamente, doença pulmonar crônica, traqueostomizados ● são em sua maioria bactérias → pseudomonas aeruginosa, S aureus, espécies de enterobacter, espécies de klebsiella (KPC), escherichia coli e espécies de serratia ➢ Pseudomonas aeruginosa: ● comum em indivíduos neutropênicos geralmente de forma secundária a quimioterapia, em vítimas de queimadura extensa e em pacientes que precisam de ventilação mecânica ● ela é propensa a invadir vasos sanguíneos no sítio da infecção com consequente disseminação extrapulmonar ● doença fulminante → morte em poucos dias Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ● leva a necrose coagulativa secundária do parênquima pulmonar → Pneumonia por aspiração: ● ocorre em pacientes debilitados ou naqueles que aspiram conteúdos gástricos quando inconscientes ou durante vômitos repetidos ● é uma pneumonia parcialmente química → efeitos irritantes do ácido gástrico e parcialmente bacteriana (aeróbios mais comuns) ● ela é por vezes necrosante ou forma abscessos pulmonares (área localizada de necrose supurativa no parênquima pulmonar que resulta na formação de uma ou mais cavidades grandes) → Pneumonias crônicas: ● em indivíduos imunocompetentes a pneumonia crônica é uma lesão localizada com ou sem envolvimento de linfonodos regionais ● em pacientes imunocomprometidos a apresentação usual é doença generalizada ● tuberculose → entidade mais importante ➢ Mycobacterium tuberculosis: ● Doença granulomatosa crônica transmissível ● aeróbia obrigatória ● gram + → Pneumonia em indivíduos imunocomprometidos: ● Importante fator de morbidade e mortalidade ● inclui indivíduos com estados de imunocompetência primária e adquirida, submetidos a transplante de medula óssea ou órgãos, câncer hematológico ou de órgãos sólidos, pacientes em uso de corticoides e outros agentes imunossupressores ● alguns defeitos imunológicos tendem a favorecer determinados tipos de infecção - defeito na imunidade humoral (B): predispõe a infecções bacterianas contra os quais os anticorpos desempenham um papel importante - defeito na imunidade celular (T): predispõe a infecções virais, fúngicas, por micobactérias e protozoários → Pneumonia associada aos serviços de saúde: Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ETIOLOGIAS MAIS COMUNS: Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ! Pneumonia fulminante → pensar em bacteriana ! Pneumonia com início insidioso →pensar em viral fatores de risco: 1) vulnerabilidade do pulmão à infecção: normalmente o parênquima pulmonar permanece estéril devido aos mecanismos imunológicos e não imunológicos que se estendem ao longo do sistema respiratório, porém: → muitos microrganismos são aéreos e são inalados para os pulmões → a flora nasofaríngea é regularmente aspirada durante o sono mesmo em indivíduos saudáveis → as doenças pulmonares frequentemente baixam as defesas imunológicas locais ● As células epiteliais de indivíduos em estado crítico e portadores de doenças crônicas são mais susceptíveis à ligação dos micro-organismos que causam pneumonia. 2) defeitos na imunidade inata e adaptativa: ● pacientes com mutações na MYD88 que é uma proteína sinalizadora dos receptores toll like são suscetíveis a infecções pneumocócicas necrosantes ● defeitos congênitos de IgA (principal imunoglobulina das vias aéreas) possuem maiores riscos para o desenvolvimento de pneumonias causadas por organismos encapsulados ex: H. influenzae ● defeitos na imunidade mediada por Th1 levam a maior ocorrência de infecções com microrganismos intracelulares como micobactérias atípicas ● defeitos na produção de imunoglobulinas congênito ou adquiridos (ex: AIDS) 3) estilo de vida: ● tabagismo: compromete a limpeza mucociliar e a atividade dos macrófagos pulmonares ● álcool: prejudica a função neutrofílica além dos reflexos de tosse da epiglote → aumentando o risco de aspiração ● desnutrição Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano 4) outros: ● Outros fatores de risco associados que favorecem a colonização da árvore traqueobrônquica são a antibioticoterapia que altera a flora bacteriana normal ● função ausente ou diminuída do baço → aumenta o risco para septicemia pneumocócica fulminante. O baço possui a maior coleção de fagócitos que são responsáveis pela remoção de pneumococos do sangue ● infecções virais pois os agentes das pneumonias atípicas danificam o epitélio do TR, as lesões que levam à necrose inibem a lavagem mucociliar e comprometem suas defesas → predispondo a infecções bacterianas secundárias (principalmente em crianças, idosos, pacientes desnutridos, etilistas e imunossuprimidos) ● Os anaeróbios desempenham um papel significativo apenas quando houve um episódio de aspiração dias ou semanas antes da apresentação clínica da pneumonia. Nesse caso, o fator de risco principal é a combinação das vias aéreas desprotegidas (pct com intoxicação por álcool ou distúrbios convulsivos) e gengivite significativa. Elas são complicadas por formação de abscesso e por empiemas significativos ou derrame parapneumônicos 5) comorbidades: ● DM ● bronquite crônica ● ICC ● DPOC ● DRC ● neoplasias malignas ● fibrose cística ● AVC ● convulsões ● demência Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano FISIOPATOLOGIA DA PAC : → basicamente a pneumonia resulta da proliferação dos patógenos microbianos nos espaços alveolares e da resposta do hospedeiro a esses agentes patogênicos Para que o processo pneumônico se desenvolva o microrganismo deve atingir o parênquima pulmonar, existem 4 possibilidades: ● Via aspirativa: aspiração das secreções orofaríngea ocorre frequentemente durante o sono (especialmente em idosos) e em pacientes com níveis deprimidos de consciência (ex: bebidas alcoólicas) ou defeitos da deglutição ● Via inalatória: podem ser inalados na forma de gotículas contaminadas que ficam suspensas no ar transmitidas por outros pacientes ● Via hematogênica → germes lançados na corrente sanguínea proveniente de qualquer órgão podem ficar alojados no pulmão ex: endocardite da valva tricúspide ex ● Via contiguidade: pacientes com infecção próxima ao pulmão que progride e atinge seu parênquima. Ex: abscesso de parede torácica a defesa do hospedeiro é muito importante nesse processo, as vibrissas e as conchas nasais retém partículas maiores inaladas antes que elas possam chegar às vias respiratórias inferiores → a árvore traqueobrônquica retém microrganismos no revestimento das vias respiratórias, onde a atividade mucociliar e os fatores antibacterianos locais eliminam ou destroem os patógenos potenciais. Cada célula possui cerca de 200 cílios que batem até 500x por minuto, movendo a camada de muco em direção à laringe. O próprio muco possui componentes antimicrobianos como lisozima e IgA secretora !!! Fumantes crônicos de cigarros têm depuração ciliar diminuída e dano ciliar e por isso compensam por meio da tosse para eliminar o material aspirado. O mecanismo de engasgo e tosse conferem proteção contra aspiração Quando as defesas do hospedeiro são superadas ou quando os microorganismos são pequenos e são inalados até os alvéolos há a eliminação destes pelos macrófagos pulmonares (fagocitados). Os macrófagos são auxiliados por proteínas produzidas pelas células epiteliais locais (ex: proteínas A e D do surfactante) e possuem propriedades intrínsecas de opsonização ou atividade antibacteriana e antiviral → depois de serem fagocitados são eliminados pelo sistema mucociliar ou pelosvasos linfáticos e não causam mais infecção. Assim a pneumonia é evidenciada quando a capacidade dos macrófagos alveolares de ingerirem ou fagocitarem esses microrganismos é suplantada → assim os macrófagos alveolares ativam a resposta inflamatória do hospedeiro desencadeando a síndrome clínica da pneumonia Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ● liberação de IL-1 e TNF = febre ● quimiocinas (IL-8) e fator de estimulação de granulócitos e sua atração até o pulmão = leucocitose periférica e secreções purulentas aumentadas ● Mediadores liberados por macrófagos e neutrófilos recém-recrutados= extravasamento alveolocapilar, esse é responsável pelos infiltrados no RX e pelos estertores da ausculta. A hipoxemia é decorrente ao preenchimento dos espaços alveolares ● se os eritrócitos atravessarem a membrana alveolocapilar= hemoptise ● A dispneia tem como causas a redução da complacência pulmonar secundária ao extravasamento alveolocapilar, a hipoxemia, hiperestimulação do centro respiratório, secreções profusas e ocasionalmente o broncoespasmo desencadeado pela infecção !! ! se a infecção for grave, as alterações da mecânica pulmonar secundárias às reduções do volume e da complacência pulmonar, bem como o shunt intrapulmonar do sangue (perfunde mas não ventila V/Q baixo) podem levar o paciente a insuficiência respiratória e à morte Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano Como as bactérias superam essas barreiras? Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano PATOGENIA : ● etapa inicial na patogenia consiste na fixação e colonização do micro-organismo ao muco e às células da nasofaringe ● mais comum na pneumonia pneumocócica lobar ● pode ser dividido em 4 estágios: 1) edema : os alvéolos são preenchidos por um líquido de edema rico em proteínas que contém numerosos microorganismos. Caracteriza-se por ingurgitamento vascular, líquido intra-alveolar contendo poucos neutrófilos 2) Hepatização vermelha: Depois, ocorre congestão capilar pronunciada resultando em extravasamento maciço de leucócitos polimorfonucleares. As hemácias e fibrina preenchem os espaços alveolares. A consistência inicial do pulmão afetado se assemelha do fígado, no exame microscópico revela o lobo vermelho, firme e sem ar 1) Hepatização cinzenta: ocorre depois de 2 dias ou mais caracteriza-se pela chegada de macrófagos, que fagocitam as células polimorfonucleares fragmentadas, eritrócitos e outros restos celulares, há a persistência de um exsudato fibrinossupurativo, resultando na coloração cinza-amarronzado. Nesse estágio a congestão diminui, porém o pulmão ainda possui consistência firme 2) resolução: o exsudato alveolar é removido por digestão enzimática para produzir debris granulares que podem ser reabsorvidos, ingeridos por macrófagos, expectorados ou organizados em fibroblastos que proliferam em sua direção, o pulmão gradualmente readquire seu aspecto normal ! A reação fibrinosa pleural à inflamação é observada normalmente nos estágios iniciais caso a consolidação se estenda à superfície → pleurite. Pode se resolver ou passar por organização, resultando em espessamento fibroso ou adesão permanentes Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS : ● Sua apresentação pode ser indolente ou fulminante: ! regra simples sugerida pela British Thoracic Society: → na ausência de alterações nos sinais vitais ( Tº, PA, FC, FR) → diagnóstico de pneumonia é improvável LEMBRAR: → a apresentação inicial é mais sutil em idosos ou imunodeprimidos: sintomas como perda de apetite, confusão mental, delirium, desidratação podem ser as manifestações iniciais de pneumonia → no idoso a FR elevada (50 anos para afastar o diagnóstico de câncer de pulmão associado ou mimetizando o quadro de infecção achados radiológicos: ● fornece informações como extensão do acometimento pulmonar, presença de achados como opacidade, consolidações, infiltrados, cavitações, níveis hidroaéreos e derrame pleural ● servem como parâmetro para comparações e incluem fatores de risco para doenças de maior gravidade → envolvimento multilobar com infiltrado de surgimento repentino ou a presença de cavitações são indicadores de maior morbidade e mortalidade ● ex cavitações: tuberculose ● pneumatoceles: S. aureus ● as causas de falso-negativo são desidratação grave, neutropenia profunda, estágio precoce de pneumonia pu pneumocistose Broncograma aéreo: situação onde os espaços alveolares ao redor dos brônquios são preenchidos por secreção e formam esse contraste entre as densidades ar e água, mas também pode ser encontrado no edema pulmonar, nos infartos pulmonares e em algumas lesões pulmonares crônicas. Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano TC de tórax: → pacientes obesos, neutropênicos em que há dúvidas quanto à imagem obtida por meio de raio x → útil para casos suspeitos de pneumonia obstrutiva causada por tumor e corpo estranho ou suspeita de doença cavitária → permite demonstrar infiltrados pulmonares em alguns pacientes com radiograma negativo →importante para avaliação das complicações como abscesso de pulmão USG DE TÓRAX: → maior acurácia que o RX para identificação de alterações parenquimatosas → principais achados: consolidação, padrão intersticial focal, lesões subpleurais e anormalidades na linha pleural HEMOGRAMA: → exame mais frequentemente solicitado para assistência (porém possui pouco valor para tomada de decisão no consultório) → leucocitose com desvio à esquerda (achado de baixa especificidade e sensibilidade) → leucopenia: se correlaciona com o pior diagnóstico independente do agente etiológico CULTURAS E TESTES DE SENSIBILIDADE: → bom para acompanhar as tendências de resistência dos antibióticos e planejar o esquema terapêutico apropriado ● coloração pelo GRAM e cultura de escarro: → são sempre recomendados em pacientes que necessitam internação por PAC principalmente quando houver suspeita de patógeno resistente ao tratamento ou de um organismo não coberto pela terapia empírica → serve para confirmar que uma amostra é apropriada para cultura → pode ajudar a identificar alguns patógenos (S. pneumoniae, S aureus e gram negativos) → amostra apropriada para cultura: >25 neutrófilos epara todos os pacientes hospitalizados com PAC → pacientes de alto risco ( com neutropenia secundária à pneumonia, asplenia, deficiências de complemento, doença hepática crônica ou PAC grave) devem fazer hemoculturas ● ureia: sua elevação independente do contexto do paciente, é o único achado laboratorial isolado que tem valor prognóstico adverso na PAC ● teste de antígenos urinários: → possui valor assistencial duvidoso - não há pesquisas sobre o papel das sorologias/antígenos no manejo do paciente relacionado ao esquema terapêutico → há dois testes para detectar antígenos pneumocócicos e de Legionella na urina → L pneumophila - detecta sorotipo 1, maioria dos casos da doença dos legionários (90-99% de especificidade) → antígeno pneumocócico: sensibilidade de 80-90% esses testes podem detectar antígenos mesmo depois de ter sido iniciado o tratamento com antibiótico apropriado ● reação de cadeia em polimerase → amplificam DNA ou RNA dos microrganismos → PCR de swab de nasofaringe: padrão para diagnóstico de infecções respiratórias virais → PCR múltipla: pode detectar o ácido nucleico de espécies Legionella, M. pneumoniae e C. pneumoniae e micobactérias → pacientes com pneumonia pneumocócica, a carga bacteriana aumentada no sangue total evidenciada pela PCR está associada a um risco maior de choque séptico, à necessidade de ventilação mecânica e à morte ! pode ajudar na identificação de pacientes para internação em UTI ● Sorologia: → não demonstram utilidade para avaliação inicial de pacientes com PAC e não devem ser rotineiramente solicitados → a elevação de 4x no IgM específicos é considerada diagnóstico da infecção pelo patógeno em questão → é recomendado que pacientes entre 15-55 anos com PAC realizem com consentimento pós orientação sorologia para vírus da imunodeficiência humana (HIV), sobretudo do quadro que requer hospitalização ● Biomarcadores: → marcadores de inflamação grave → proteína C reativa (PCR) e procalcitonina (PCT), os níveis desses reagentes de fase aguda aumentam na presença de uma resposta inflamatória, particularmente de patógenos bacterianos → PCR: - pode ser útil na identificação de piora da doença ou falha do tratamento - 95% dos pacientes hospitalizados possuem níveis maiores que 50 mg/L Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano - falha no tratamento ou complicações devem ser consideradas se o nível de PCR não reduz pelo menos 50% no 4º dia de terapia - CONCENTRAÇÃO SÉRICA NORMAL = menor que 3 mg/L → PCT: pode ajudar a determinar a necessidade de terapia antibacteriana - útil para avaliar a gravidade da PAC na admissão - níveis acima de 1,5 têm maior risco de morte e/ou admissão em UTI SINAIS VITAIS: → a avaliação de saturação de O2 por meio da oximetria de pulso tem sido de grande valor para definição da gravidade da doença - saturação abaixo de 90% → há indicação de coleta de GASOMETRIA ARTERIAL e provavelmente hospitalização (pela gravidade da pneumonia e presença de comorbidade cardiorespiratória) GASOMETRIA ARTERIAL: avalia a concentração de oxigênio, ventilação e distúrbios ácido básicos. É útil para avaliar parâmetros como relação entre a pressão arterial de oxigênio e fração inspirada de oxigênio (PaO2/FiO2) ou gradiente alveoloarterial OUTROS MÉTODOS: → métodos invasivos como broncoscopia só devem ser realizados em situações específicas, quando há suspeita de de obstrução brônquica subjacente ou outra doença associada, e em pacientes graves que são internados em UTI → qualquer derrame pleural significativo (Acima de 10mm de espessamento em decúbito lateral, demonstrado pelo rx de tórax ou loculado) deve ser puncionado, preferencialmente antes de iniciar a antibioticoterapia – objetivo: descartar empiema ou derrame pleural complicado Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL : → todo paciente tratando PAC no âmbito ambulatorial deve ser reavaliado pelo menos no 3º dia de tratamento ● resposta satisfatória: continua tratamento ● sem resposta: investigação para situações que mimetizam pneumonia, complicações da PAC ou germes resistentes à terapia Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano CLASSIFICAÇÃO/AVALIAÇÃO DE GRAVIDADE PARA MANEJO DE TTO AMBULATORIAL OU HOSPITALAR : ● deve ser realizada em todo o paciente com diagnóstico clínico e radiológico para PAC ● de acordo com a gravidade haverá orientação para o local de tratamento, estratégia diagnóstica com necessidade de investigação etiológica e tratamento inicial ● os sistemas de escore mais utilizados são o pneumonia severity index (PSI)- mais complexo, foi desenvolvido para identificar pacientes com baixo risco de mortalidade e CURB-65, mais simples, serve para identificar pacientes mais graves PSI: → composto por 20 itens que incluem características clínicas, demográficas, comorbidades, alterações laboratoriais, alterações radiológicas e achados do exame físico → classifica os pacientes em 5 categorias, estimando a mortalidade em 30 dias e sugerindo o local de tratamento → pontos negativos: pode subestimar a gravidade da doença em pacientes jovens e sem doenças associadas por ponderar muito a idade e a presença de comorbidades na sua pontuação CURB-65: ● baseia-se em 5 variáveis ● seu modo simplificado desconsidera exame laboratorial de ureia ● pontos negativos: falta de inclusão de comorbidades que podem acrescentar maior risco a PAC como alcoolismo, insuficiência cardíaca/hepática ● valor preditivo negativo: inferior ao PSI ● cada critério pontua 1 ponto Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano PAC GRAVE : Como saber se é PAC grave? → critérios de Ewing ● 1 critério maior ou 2 critérios menores, podemos considerar como PAC grave. CRITÉRIOS PARA ADMISSÃO EM UTI: → documento conjunto da ATS/IDSA → não se usa para pacientes ambulatoriais Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano SMART-COP e SCAP (Severe Community-Acquired Pneumonia) ● São outras ferramentas que podem ser utilizadas para prever uma PAC grave. Esses escores utilizam sistema de pontuação para predizer o risco de uso de ventilação mecânica e uso de drogas vasoativas na evolução da pneumonia e desenvolvimento da sepse grave !!! Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano TRATAMENTO : ● a avaliação da gravidade da pneumonia e a consequente indicação da necessidade de hospitalização é a etapa fundamental para manejo ● a BTS - sociedade britânica, recomenda o uso do escore CURB-65 + observar o estado de oxigenação do paciente, extensão radiológica da pneumonia e suporte sociofamiliar para decidir pela hospitalização → PARA VER SE SERÁ TRATADO A NÍVEL AMBULATORIAL OU HOSPITALAR ● medidas gerais adicionais: cessação do tabagismo, repouso, hidratação adequada e analgésicos/ AINES para controle da dor pleurítica ESCOLHA INICIAL→empírica: → a etiologia não pode ser bem definida logo após o diagnóstico de PAC OBS: a cobertura antibiótica para patógenos atípicos nos casos de PAC de menor gravidade ainda é controversa, vários estudos não mostraram vantagens com essa conduta PAC→ambulatorial: → pacientes sem comorbidades, nenhum uso recente de antibiótico (últimos 3 meses), sem fatores de risco para resistência e sem contraindicações ou histórico de alergia ! OBS: - para esses casos, evitar o uso de fluoroquinolonas devido a alerta da FDA sobre potenciais riscos de colaterais graves → reservar para pacientes com fatores de risco ou doença mais grave - pacientes com DPOC → preferir uso de azitromicina porque é mais efetiva contra H. influenzae que a claritromicina Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano → pacientes COM comorbidades (DPOC, doença renal/hepática, câncer, DM, alcoolismo, imunossupressão) ou com risco de infecção por agentes patogênicos resistentes ou quando há histórico de uso de antibiótico nos três meses anteriores PAC→pacientes internados em enfermaria: Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano OBS: - As combinações ou uso isolado dos antibióticos acima possuem boa cobertura e bons resultados nas infecções causadas por S. pneumoniae, M, pneumoniae, C. pneumoniae, H. Influenzae - ciprofloxacino embora seja uma fluorquinolonade 2º geração, não está recomendado para o tratamento de PAC por germes comunitários por carecer de ação contra pneumococo e outros microrganismos gram + PAC→pacientes internados emUTI: ● QUAL O TEMPO DE TRATAMENTO RECOMENDADO? O documento do Instituto Nacional de Saúde Britânico, publicado em 2014, recomenda que o tempo de tratamento seja definido pela gravidade da pneumonia, e não pelos agentes etiológicos per se ou pelo antibiótico escolhido. Dessa forma: → para PAC de baixa gravidade, a monoterapia por 5 dias parece ser o suficiente; o seu prolongamento deve ser considerado no caso de os sintomas não melhorarem após 3 dias de tratamento. → Já para a PAC de moderada a alta gravidade, o documento recomenda que um tratamento de 7 a 10 dias deva ser suficiente (MANEJO DA PAC 2018) Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano FARMACOLOGIA DOS AGENTES ANTIBACTERIANOS: B-LACTÂMICOS: PENICILINAS E CEFALOSPORINAS → EFEITO BACTERICIDA ★ Mecanismo de ação: → eles agem inibindo a síntese da parede celular das bactérias. Elas inativam as proteínas ligadoras de penicilina (PLPS) que estão envolvidas na síntese da parede celular, inibindo assim a etapa de transpeptidação (ligações cruzadas) e inativa o inibidor de enzimas proteolíticas, assim ocorre a formação de poros na parede celular levando a lise bacteriana. Para que ocorra esse efeito bactericida a bactéria precisa estar em fase de proliferação e possuir parede celular típica ★ espectro de ação: → O espectro antibacteriano das várias penicilinas é determinado, em parte, pela sua capacidade de atravessar a parede celular de peptidoglicano da bactéria para alcançar as PLPs no espaço periplasmático → Em geral, os microrganismos gram-positivos têm paredes celulares que são facilmente atravessadas pelas penicilinas e, por isso, na ausência de resistência, são suscetíveis a esses fármacos. → Os microrganismos gram-negativos têm uma membrana lipopolissacarídica (envelope) envolvendo a parede celular e que atua como barreira contra as penicilinas hidrossolúveis. Contudo, bactérias gram-negativas têm proteínas inseridas na camada lipopolissacarídica que atuam como canais cheios de água (denominados porinas) que permitem a passagem transmembrana ❖ PENICILINAS: Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano - Penicilinas de espectro estendido: Ampicilina e amoxicilina têm um espectro antibacteriano similar ao da benzi/penicilina, mas são mais eficazes contra bacilos gram-negativos. Por isso, são referidas como penicilinas de espectro estendido. A formulação com um inibidor de Blactamase, como ácido clavulânico ou sulbactam, protege a amoxicilina ou ampicilina, respectivamente, da hidrólise enzimática e amplia seu espectro antimicrobiano. - Penicilinas e aminoglicosídeos: Os efeitos antibacterianos de todos os antibióticos B-lactâmicos são sinérgicos com os aminoglicosídeos. Como os inibidores da síntese da parede celular bacteriana alteram a permeabilidade das bactérias, esses fármacos podem facilitar a entrada de outros antibióticos (como os aminoglicosídeos) que ordinariamente não teriam acesso aos alvos intracelulares. Isso pode resultar em atividade antimicrobiana aumentada Por que ocorre a resistência à penicilina? → ocorre em microrganismos que não possuem parede celular de peptidoglicano (p. ex., micoplasmas) ou têm paredes celulares que são impermeáveis aos fármacos. 1) Atividade B-lactamase: Essa família de enzimas hidrolisa a ligação amida cíclica do anel B-lactâmico, resultando em perda da atividade bactericida. Elas são a principal causa de resistência às penicilinas e são um problema crescente. As B-lactamases são constitutivas ou, mais comumente, são adquiridas pela transferência de plasmídeos. 2) Diminuição da permeabilidade ao antibiótico: A diminuição da penetração do antibiótico através da membrana celular externa da bactéria o impede de alcançar as PLPs-alvo. 3) PLPs alteradas: A modificação das PLPs diminui a afinidade aos antibióticos B-lactâmicos, exigindo concentrações impossíveis de alcançar clinicamente para inibir o crescimento bacteriano. ★ Farmacocinética: ● Administração: A via de administração dos antibióticos lactâmicos é determinada pela estabilidade do fármaco ao suco gástrico e à gravidade da infecção. A fenoximetilpenicilina, a amoxicilina e amoxicilina associada ao ácido clavulânico só estão disponíveis como preparações orais. ● Absorção: A maioria das penicilinas é incompletamente absorvida por administração oral e alcança o intestino em quantidade suficiente para afetar a composição da flora intestinal. Contudo, a amoxicilina é quase completamente absorvida. A absorção de todas as penicilinas penicilinase-resistentes diminui pela presença de alimentos no estômago, pois o tempo de esvaziamento gástrico fica prolongado, e o fármaco é destruído no ambiente ácido. Portanto, elas precisam ser administradas entre 30 e 60 minutos antes da alimentação ou 2 a 3 horas depois. ● Distribuição: Os antibióticos B-lactâmicos se distribuem bem pelo organismo. Penetrando nas articulações; nas cavidades pleural e pericárdica; na bile, saliva e leite. Pelo fato de serem lipoinsolúveis, não penetram nas células dos mamíferos e apenas atravessam a barreira hematencefálica se as meninges estiverem Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano inflamadas Todas as penicilinas atravessam a barreira placentária, mas nenhuma se mostrou teratogênica. ● Biotransformação: O metabolismo dos B-lactâmicos pelo hospedeiro, em geral, é insignificante, mas alguma biotransformação da benzi/penicilina ocorre em pacientes com função renal insuficiente ● Excreção: A via primária de excreção é por meio do sistema secretor de ácido orgânico no túbulo renal, bem como por filtração glomerular. Pacientes com função renal insuficiente precisam de ajuste no regime de doses. Assim, a meia-vida da benzi/penicilina aumenta na presença de insuficiência renal ★ Efeitos adversos: ● hipersensibilidade, diarreia, nefrite, neurotoxicidade, toxicidade hematológica ★ Posologia: ❖ CEFALOSPORINAS: Espectro antibacteriano As cefalosporinas são classificadas em primeira, segunda, terceira ou quarta geração, com base principalmente no padrão de suscetibilidade bacteriana e resistência às B-lactamases. ● Primeira geração: → atua contra estreptococos → gram-positivos → Cefradina, cefalexina e cefadroxila Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano → As cefalosporinas de primeira geração atuam como substitutas da benzi/penicilina Elas são resistentes à penicilinase estafilocócica (i.e., elas cobrem SAMR) e também apresentam atividade contra Proteus mirabilis, E. coli e Klebsiella pneumoniae. ● Segunda geração: → cefuroxima e cefaclor → gram-positivos e alguns gram- negativos → As cefalosporinas de segunda geração apresentam maior atividade contra três microrganismos gram-negativos adicionais: H. influenzae, Enterobacter aerogenes e algumas espécies de Neisseria, ao passo que a atividade contra gram-positivos é mais fraca. Foi sugerido o acrônimo HENPECK para o maior espectro da segunda geração. A cobertura antimicrobiana da cefotetana e da cefoxitina também inclui o anaeróbio Bacteroides fragilis. Entretanto, nem a cefotetana nem a cefotixina são o tratamento preferido devido à crescente prevalência da resistência do B. fragilis aos dois fármacos. ● Terceira geração: → cefotaxima, ceftazidima, cefixima, cefpodoxima e ceftriaxona → gram-negativos e alguns positivos → Essas cefalosporinas assumiram um papel importante no tratamento das doenças infecciosas. Embora inferiores às cefalosporinas de primeira geração em relação à atividade contra SAMR, as cefalosporinas de terceira geração têm atividade aumentada contra bacilos gram-negativos, incluindo os mencionados, bem como contra a maioria dos outros microrganismos entéricos mais Serratia marcescens. Ceftriaxona ou cefotaxima se tornaram os fármacos de escolha no tratamento da meningite. A ceftazidiama tem atividade contra Pseudomonas aeruginosa; entretanto, a resistência esta aumentando, e o uso apropriado deve ser avaliado caso a caso. As cefalosporinasde terceira geração devem ser usadas com cautela, pois são associadas com "lesão colateral", que significa, essencialmente, a indução e a disseminação da resistência anti-microbiana. ● Quarta geração: → Cefepima (deve ser administrada por via parenteral). → amplo espectro →A cefepima apresenta amplo espectro antibacteriano, sendo ativa contra estreptococos e estafilococos (mas só os que são suscetíveis à meticilina). A cefipima também é eficaz contra gram-negativos aeróbios, como espécies de Enterobacter, E. coli, K. pneumoniae, P. mirabilis e P.aeruginosa. Ao selecionar um antibiótico ativo contra P.aeruginosa, os clínicos devem basear-se no antibiograma local (teste laboratorial de sensibilidade de uma cepa bacteriana isolada a diferentes antibióticos) para orientação ● Geração avançada/ Quinta: → ceftarolina é a única disponível no Brasil, e ainda com o custo bastante alto → Possui espectro de ação semelhante à ceftriaxona, porém tem atividade melhor contra G+, e trouxe como principal vantagem a ampliação do espectro de ação das cefalosporinas, cobrindo Staphylococcus aureus meticilino-resistente (MRSA) e enterococos. - não possui ação relevante contra alguns anaeróbios. Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ★ Administração: Várias das cefalosporinas precisam ser administradas por via IV ou IM, devido à sua escassa absorção oral. ★ Distribuição: Todas as cefalosporinas se distribuem bem nos líquidos corporais. Contudo, níveis terapêuticos adequados no líquido cerebrospinal, independentemente de inflamação, só são alcançados com poucas cefalosporinas. Por exemplo, ceftriaxona ou cefotaxima são eficazes no tratamento da meningite neonatal e da infância causada por H. influenzae ★ A eliminação ocorre por meio de secreção tubular e/ou filtração glomerular. Por tanto, as doses precisam ser ajustadas no caso de insuficiência renal grave para evitar acúmulo e toxicidade. A ceftriaxona é exceção pois é excretada através da bile pelas fezes e, portanto, empregada com frequência em pacientes com insuficiência renal. MACROLÍDEOS: AZITROMICINA E CLARITROMICINA → EFEITO BACTERIOSTÁTICO ★ Mecanismo de ação: Os macrolídeos são inibidores da síntese proteica. Se ligam irreversivelmente a um local na subunidade 50S do ribossomo bacteriano, inibindo, assim, etapas de translocação do complexo aminoacil-RNAt. Assim, inibe o alongamento da síntese proteica possuindo efeito bacteriostático já que consequentemente inibem o crescimento e reprodução bacteriana ★ Espectro antibacteriano 1) Eritromicina: → contra gram+ → Esse fármaco é eficaz contra vários dos mesmos microrganismos que a benzilpenicilina; por isso, ele pode ser usado em pacientes que são alérgicos às penicilinas. 2) Claritromicina: → Esse antibiótico tem um espectro antibacteriano similar ao da eritromicina, mas também é eficaz contra Haemophilus influenzae. Sua atividade contra patógenos intracelulares, como Chlamydai, Legionella, Moraxella, espécies de Ureaplasma e Helicobacter pylori, é maior do que a atividade da eritromicina 3) Azitromicina: → Embora menos ativa contra estreptococos e estafilococos do que a eritromicina, a azitromicina é muito mais ativa contra as infecções respiratórias por H. influenza e Moraxella catarrhalis. A azitromicina atualmente é preferida no tratamento de uretrites causadas por Chlamydia trachomatis. 4) Telitromicina: → Esse cetolídeo tem um espectro antibacteriano similar ao da azitromicina !!! P/ PAC se usa AZITROMICINA E CLARITROMICINA Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ★ Efeitos adversos: → alterações gastrintestinais, hipersensibilidade, erupções cutâneas, icterícia ★ Resistência → A resistência à eritromicina está se tornando um grave problema clínico. Por exemplo, a maioria das cepas de estafilococos isoladas em hospitais é resistente. Vários mecanismos foram identificados: 1 ) a incapacidade do microrganismo de captar o antibiótico ou a presença de uma bomba de efluxo, ambos mecanismos que limitam a quantidade intracelular do antibacteriano; 2) a diminuição da afinidade da subunidade ribossomal 50S pelo antibiótico, resultante da metilação de uma adenina no RNA ribossomal bacteriano 23S, e 3) a presença de uma eritromicina esterase associada a plasmídeo ★ Farmacocinética ● Administração: A eritromicina base é destruída pelo suco gástrico. Dessa forma, são administradas formas esterificadas ou comprimidos revestidos entéricos do antibiótico. Todos são adequadamente absorvidos por via oral. Claritromicina, azitromicina e telitromicina são estáveis no estômago ácido e são bem absorvidas. O alimento interfere na absorção de eritromicina e azitromicina, mas pode aumentar a absorção de claritromicina. A administração IV de eritromicina está associada à elevada incidência de tromboflebite. Entretanto os registrados da incidência de tromboflebites com a administração IV de azitromicina é menor do que 1% ● Distribuição: A eritromicina se distribui bem nos líquidos corporais, exceto no líquido cerebrospinal. Ela é um dos poucos antibióticos que difunde-se no líquido prostático e é o único com a característica de se acumular nos macrófagos. Os quatro fármacos se concentram no fígado. Inflamações permitem maior penetração no tecido. De modo similar, claritromicina, azitromicina e telitromicina são amplamente distribuídas nos tecidos. A meia-vida plasmática da eritromicina é de cerca de 90 minutos; a da claritromicina é três vezes mais longa; e a da azitromicina é 8 a 16 vezes maior. ● Eliminação: A eritromicina e a telitromicina são extensamente biotransformadas e são conhecidas como inibidoras da oxidação de inúmeros fármacos por sua interação com o sistema citocromo P450. Interferência com a biotransformação de fármacos como a teofilina e carbamazepina foi registrada para a claritromicina ● Excreção: A eritromicina e a azitromicina são concentradas e excretadas primariamente em forma ativa na bile. Ocorre reabsorção parcial por meio da circulação entero-hepática. Os metabólitos inativos são excretados na urina. Em contraste, a claritromicina e seus metabólitos são eliminados pelos rins, bem como pelo fígado, e é recomendado que a dosagem desse fármaco seja ajustada em pacientes com função renal comprometida Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano FLUOROQUINOLONAS: LEVOFLOXACINO, GEMIFLOXACINO, MOXIFLOXACINO → BACTERICIDA ★ mecanismo de ação: As fluoroquinolonas entram nas bactérias por difusão passiva através de canais proteicos da membrana externa preenchidos com água (porinas). Dentro da célula, elas inibem a replicação do DNA bacteriano interferindo na ação da DNAgirase (topoisomerase 2) e da topoisomerase IV durante o crescimento e a reprodução bacteriana ★ espectro: Em geral, as fluoroquinolonas são eficazes contra microrganismos gram-negativos, como Enterobacteriacea, espécies de Pseudomonas, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalsi , Legionellaceae, clamídia, micoplasma e algumas micobactérias ● 1a geração: → quinolona não fluorada, ácido nalidíxico →espectro estreito de microrganismos suscetíveis confinados, em geral, ao trato urinário. ● 2a geração: → Ciprofloxacino e norfloxacino → atividade contra anaeróbios gram-negativos e bactérias atípicas. ● 3a geração: → O levofloxacino é classificado de terceira geração, devido à maior atividade contra bactérias gram-positivas ● 4a geração: → moxifloxacino devido à sua atividade contra anaeróbios, bem como microrganismos gram-positivos P/ PAC AS QUINOLONAS SÃO AS ÚLTIMAS A SEREM UTILIZADAS, ATUALMENTE ESTÁ CAINDO POR TERRA O SEU USO PARA PAC!!! EVITAR!!! P/ PNEUMONIA ASPIRATIVA LEMBRAR DE COBRIR ANAERÓBIA, OU SEJA → MOXIFLOXACINO PREVENÇÃO→VACINAÇÃO : Realiza-se vacina antipneumocócica (VPP) e influenza em campanha anualmente para adultos: → 50+ = com comorbidades → 60 anos = sem comorbidades Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano COMPLICAÇÕES DA PAC : → derrame pleural e empiema → complicações potenciais e podem causar falha da resposta terapêutica esperada DERRAME PLEURAL : → pode ocorrer em até 40% dos casos de PAC (maioria de pequenotamanho) → definição: é o acúmulo de líquido no espaço pleural quadro clínico: achados no exame físico: etiologia: Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano fisiopatologia: ● normalmente a filtração e a reabsorção de líquido no espaço pleural se equilibra, não havendo acúmulo de líquido (o espaço pleural contém cerca de 10-20ml de líquido em constante renovação) → o filtrado microvascular das pleuras visceral e parietal é apenas parcialmente absorvido, o líquido remanescente de baixa taxa proteica flui através das camadas de células mesoteliais, constituindo o líquido pleural fisiológico → líquido deixa através dos capilares linfáticos → equilíbrio entre filtração e absorção de líquidos no espaço pleural é determinada pela pressão hidrostática e pela pressão oncótica nos capilares pleurais e no espaço pleural: equação de Starling Para haver acúmulo de líquido pleural a taxa de entrada do líquido deve aumentar cerca de 30x para exceder a capacidade de remoção do sistema linfático. A formação ocorre devido aos seguintes mecanismos: ● Alterações das pressões motoras: pressão hidrostática e coloidosmótica. Aumento da pressão hidrostática dentro dos capilares pleurais (insuficiência cardíaca congestiva) ou a redução na pressão coloidosmótica, com integridade das membranas, resultando em acúmulo de líquido com baixa taxa proteica → TRANSUDATO ● aumento da permeabilidade das membranas pleurais compreendendo os coeficientes de filtração ou de reflexão (permeabilidade capilar às proteínas) geralmente por processos inflamatórios ou neoplásicos que permite o acúmulo de líquidos com conteúdo relativamente alto em proteínas → EXSUDATO ● passagem de líquido ascítico para o espaço pleural por meio de pequenos defeitos diafragmáticos anatômicos ou levados por vasos linfáticos diafragmáticos → negatividade da pressão do espaço pleural (padrão transudativo) ● bloqueio da drenagem linfática do espaço pleural por invasão neoplásica de vasos e gânglios linfáticos Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano Diagnóstico: ● junção do quadro clínico + exames de imagem (RX de tórax ) + análise do líquido pleural (ver critério): (toracocentese diagnóstica) → indicado quando há derrame pleural de etiologia indefinida e que seja puncionável (espessura do derrame >10 mm em RX de tórax em decúbito lateral ou USG) → quando a etiologia é conhecida pode-se não instituir a toracocentese inicialmente, nesse caso assume-se qual a etiologia do derrame pleural ● aspecto visual do líquido pleural: → sanguinolento: presente em neoplasias, tuberculose, trauma, embolia pulmonar (raramente associado a derrame parapneumônico → turvo: pode ser decorrente de excesso de proteínas, lipídios ou células → odor pútrido: indica infecção por anaeróbios → leitoso: quilotórax → purulento: derrame parapneumônico complicado Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ● transudatoX exsudato: → a diferenciação é feita pelos critérios de light → para evitar diagnósticos errôneos, quando a primeira hipótese for um transudato e no exame constar exsudato, é recomendado que seja feita a relação de albumina para confirmação ou não do exsudato ★ quando se tratar de EXSUDATO, outros parâmetros devem ser analisados para auxiliar no diagnóstico etiológico critério valor descrição doenças glicose 1000 células/mm 1) predomínio de neutrófilos indica processo agudo 2) predomínio de linfócitos 1) derrame parapneumônico 2) tuberculose ou malignidade adenosina deaminase elevada > 40 participa do metabolismo celular de neutrófilos, linfócitos, monócitos e macrófagos principalmente tuberculose outros: derrame parapneumônico e linfoma cultura e bacterioscopia útil nos derrames decorrentes de pneumonia ! critério para drenagem de tórax derrame parapneumônico pesquisa de células neoplásicas suspeita de derrame de origem neoplásica malignidade análise do PHsozinho (p/consciência considerar glasgow menor que 15) NEWS ≥ 4: apresenta melhor acurácia para sepse no DE (AUC 0,91) com sensibilidade comparável à do SIRS e especificidade comparável à do qSOFA. O escore NEWS é utilizado atualmente no departamento de emergência do HC-FMUSP para a triagem de pacientes com suspeita de sepse Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano TRATAMENTO/MANEJO (SS 2021 + Sepsis 3) : ● OBJETIVOS: 1. Estabilização do paciente crítico 2. identificação de pacientes com sepse possível 3. diagnóstico precoce da sepse 4. coleta de culturas 5. antibioticoterapia precoce adequada 6. suporte às disfunções orgânicas 7. transferência para unidade de internação ou UTI ➢ LEMBRAR DE FAZER COLETA DE EXAMES P/ AVALIAR DISFUNÇÃO ORGÂNICA (gaso + lactato arterial, bilirrubina total + F, creatinina, contagem de plaquetas) E DA COLETA DE 2 PARES DE CULTURAS ➢ ESTABILIZAÇÃO DO PACIENTE: ★ A avaliação inicial e a estabilização imediata do paciente crítico são prioridades no atendimento ao paciente séptico. 1) Suplementação de oxigênio com alvo de SatO2 ≥ 94% 2) Intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva devem ser consideradas em pacientes com rebaixamento de nível de consciência incapazes de proteger via aérea 3) Para adultos com insuficiência respiratória hipoxêmica induzida por sepse, sugerimos o uso de oxigênio nasal de alto fluxo ao invés de ventilação não invasiva. 4) Para adultos com SDRA induzida por sepse, recomendamos usar uma estratégia de ventilação com baixo volume corrente (6 mL/kg) ao invés de uso de uma estratégia com alto volume corrente (> 10 mL/kg). 5) Acesso venoso periférico deve ser estabelecido imediatamente após a apresentação do paciente séptico no departamento de emergência. A inserção de um cateter venoso central (CVC) não deve atrasar a infusão de volume, antibioticoterapia e drogas vasoativas quando necessário, que podem ser iniciados em acesso periférico, embora a maioria dos pacientes com quadro de choque séptico necessite de CVC durante sua internação Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ➢ ANTIMICROBIANOS: ➢ EV → ajustado p/ o peso ➢ direcionada para o foco suspeito de infecção 1) Para adultos com possível choque séptico ou alta probabilidade de sepse, recomendamos a administração de antimicrobianos imediatamente, de preferência dentro de 1 após o reconhecimento. 2) Para adultos com possível sepse sem choque, sugerimos um curso de investigação rápida por tempo limitado e, se a preocupação de infecção persistir, a administração de antimicrobianos dentro de 3 horas a partir do momento em que a sepse foi reconhecida pela primeira vez 3) Para adultos com baixa probabilidade de infecção e sem choque, sugerimos adiar os antimicrobianos enquanto continuamos a monitorar de perto o paciente 4) Há recomendação de que a escolha inicial seja por droga ou associação de amplo espectro. Considerando os agentes mais comumente causadores de sepse, são: Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae e Streptococcus pneumoniae 5) Para adultos com sepse ou choque séptico, sugerimos a avaliação diária para descalonamento de antimicrobianos ao invés de utilizar duração fixa de terapia sem reavaliação diária para descalonamento. 6) A administração rotineira de terapia antifúngica empírica não é justificada em pacientes não neutropênicos Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano ➢ RESSUSCITAÇÃO VOLÊMICA: ➢ sugerimos o uso do tempo de enchimento capilar para orientar a reanimação como um complemento a outras medidas de perfusão (PA + PULSO + TEC) 1) Em pacientes sépticos com sinais de má perfusão ou aumento do lactato maior que 2x VRinstitucional é recomendada a reposição volêmica inicial com 30 mL/kg de peso de solução cristaloide (preferência por ringer lactato e soluções balanceadas ao invés de solução salina ) IV iniciada em até 1 h da apresentação do paciente e terminada nas primeiras três horas. 2) A ressuscitação volêmica deve ser administrada em bolus, em infusão rápida, por exemplo, 500 mL aberto. 3) Idealmente, a responsividade do paciente à terapia fluida deveria ser avaliada antes de cada infusão. Assumimos como fluidorrespondedor o paciente que apresenta aumento de 15% do débito cardíaco (medido ao ecocardiograma, p. ex.) com a manobra de elevação passiva das pernas, caso não seja possível avaliar antes e após cada boulos 4) Embora o lactato não seja um marcador direto de perfusão tecidual, ele tem sido repetidamente descrito como um marcador substituto de desfechos adversos. Assim, quando maior do que 2 mmol/L (> 18 mg/dL) na admissão do paciente, sugerimos uma segunda dosagem 2-4 h após o início da ressuscitação volêmica, como avaliador de medidas já implantadas e indicador prognóstico 5) Lembrar de passar vesical → débito urinário alvo de 1,5ml -4ml kg/hora ➢ DROGAS VASOATIVAS: ➢ se necessário caso a PAM ainda esteja abaixo após expansão, utilizar drogas vasoativas estão indicadas ➢ não se deve tolerar pressões abaixo de 66mmHg por períodos superiores a 30-40min 1) O alvo de pressão arterial média (PAM) em pacientes em choque séptico é de 65 mmHg; Pacientes hipertensos crônicos possivelmente se beneficiam de manter PAM entre 80- 85 mmHg. 2) Para adultos com choque séptico, recomendamos o uso de norepinefrina como agente de primeira linha ao invés de outros vasopressores. 3) Para adultos com choque séptico em uso de norepinefrina com níveis inadequados de pressão arterial média, sugerimos adicionar vasopressina ao invés de aumentar a dose de norepinefrina 4) Para adultos com choque séptico e níveis inadequados de pressão arterial média apesar da norepinefrina e vasopressina, sugerimos adicionar dobutamina 5) Para adultos com choque séptico e necessidade contínua de terapia vasopressora, sugerimos o uso de corticosteróides IV (hidrocortisona 50mg – 6/6h) 6) considerar transfusão de hemácias se hemoglobina 180 mg/dL (10 mmol/L) 2) ventilação mecânica protetora com baixo volume corrente (6 mL/kg) 3) Lembrar de passar sonda vesical → débito urinário alvo maior que 0,5ml/kg/hr 4) Profilaxia de tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes com mobilidade reduzida com enoxaparina 40 mg SC 1x/dia ou heparina 5.000 U SC 3x/dia. Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano !!! LEMBRAR DE REAVALIAR EM 6HS Ou seja, ao fim do manejo as seguintes metas devem ser alcançadas num prazo de 6 horas: ● pressão venosa central (PVC) entre 8-12 mmHg ● pressão arterial média (PAM) > 65 mmHg ● débito urinário > 0,5 ml/kg/hora ● saturação venosa central de oxigênio (SVCo2) > 70%. !!! Para adultos com sepse ou choque séptico que requerem internação na UTI, sugerimos a admissão dos pacientes na UTI em até 6 horas → Pacientes com choque séptico ou em insuficiência respiratória com necessidade de vasopressores ou de ventilação mecânica necessitam de internação em UTI. Já pacientes sem choque e que respondem rapidamente à antibioticoterapia podem ser transferidos com segurança para leito de internação. Isadora Mocelin Cardeal - 3 º ano RESUMO MANEJO 1º HORA: