Prévia do material em texto
DOENÇA HEPÁTICA ALCOÓLICA Isadora Mocelin 3° ano Isadora Mocelin - 3º ano DOENÇA HEPÁTICA ALCOÓLICA : DEFINIÇÃO : O consumo crônico e excessivo de álcool constitui uma das principais causas de doença hepática. A sua patologia consistente em três lesões principais, raramente ocorrendo de maneira isolada 1) esteatose hepática = O álcool estimula o acúmulo/depósito de gordura nos hepatócitos, está relacionada ao estágio inicial da doença e cerca de 90% dos pacientes que ingerem álcool com frequência apresentarão esta patologia. 2) hepatite alcoólica = estágio intermediário. Caracteriza-se por uma inflamação e necrose das células do fígado. Nesse estágio evidencia-se hipersensibilidade hepática, dor, anorexia, náusea, febre, icterícia, ascite e insuficiência hepática; 3) cirrose hepática = via final comum de uma lesão hepática crônica e persistente em um indivíduo geneticamente predisposto que independentemente da etiologia acarretará em fibrose e formação nodular difusa com consequente desorganização da arquitetura lobular e vascular do órgão EPIDEMIOLOGIA : ● esteatose hepática está presente em 90% dos etilistas crônicos e compulsivos ● mortalidade dos pacientes com hepatopatia alcoólica + cirrose é de 60% após 4 anos ● Acredita-se que a cirrose esteja entre as dez principais causas de morte no mundo. Estima-se que a cirrose seja responsável por 1,1% das mortes no mundo. No Brasil, a taxa de mortalidade específica por cirrose hepática é de 4,6 por 100.000 habitantes. Cerca de 40% dos pacientes com cirrose são assintomáticos FATORES DE RISCO : ● quantidade de álcool consumida: em homens 40-8-g/dia de etanol produzem esteatose hepática, 160g/dia durante 10-20 anos causam hepatite/cirrose hepática → Segundo o Centro de Informação sobre Saúde e Álcool (CISA), no Brasil, uma bebida padrão é considerada uma bebida que possui 14g de álcool puro, independentemente do tipo da bebida e do tamanho do copo ● sexo (mulheres): são mais suscetíveis ao desenvolvimento de hepatopatia alcóolica para quantidades maiores que 20g/dia de álcool → Essas diferenças em relação ao sexo decorrem dos efeitos do estrógeno e do metabolismo do álcool com menor concentração de álcooldesidrogenase e diferenças na composição corporal ● A obesidade é um dos fatores de risco ambientais mais importantes (adipocinas pró-inflamatórias, dislipidemia, esteatose hepática) Isadora Mocelin - 3º ano ● tabagismo, uma condição comum em pacientes alcoólatras, esse exacerba os efeitos do álcool na indução de doença hepática alcoólica grave e favorece o desenvolvimento de carcinoma hepatocelular (CHC) entre pacientes com cirrose alcoólica ● hepatite C: infecção pelo HCV concomitante a DHA está associada a idade mais jovem, histologia avançada e sobrevida reduzida → assim relaciona-se com os seguintes fatores: - Uso de drogas injetáveis; - Transfusão de sangue; - profissionais da saúde ● genética: a proteína 3 contendo o domínio da fosfolipase tipo proteína (PNPLA3) tem sido associada com cirrose alcoólica ETIOLOGIA DA CIRROSE HEPÁTICA : ★ alcoolismo: O álcool afeta diretamente a organização do citoesqueleto, a função mitocondrial e a fluidez de membrana. • O acetaldeído, principal metabólito do etanol, induz a peroxidação lipídica e a formação de conjugados acetaldeído-proteína, afetando a função citoesquelética e de membrana. • Radicais livres são gerados durante a oxidação do etanol, reagindo e danificando as membranas e proteínas. • Inflamação mediada por citocinas e dano celular são a principal característica da hepatite alcoólica e da doença hepática alcoólica de forma geral, sendo TNF o principal efetor da lesão ★ hepatite viral B ou C: → ocorre lesão celular imuno-mediada Isadora Mocelin - 3º ano → relaciona-se com fibrose aumentada e infiltrado inflamatório nas áreas portais com hepatite de interface ★ hepatite autoimune: → se traduz por inflamação do fígado de causa desconhecida que se caracteriza por hepatite periportal (necrose periférica), proeminente infiltrado inflamatório e infiltração dos espaços portais por plasmócitos. Há uma citotoxicidade imunocelular mediada por anticorpos que se dirigem contra proteínas normais de membranas hepatotóxicas, onde autoantígenos específicos se encontram hiper expressos ★ biliar → colangite biliar primária: doença hepática colestática autoimune mediada por linfócitos T que causa inflamação crônica e destruição progressiva dos ductos biliares interlobulares de pequeno e médio calibre. → Entre os pacientes com sintomas, fadiga (sonolência diurna excessiva) e prurido são mais comumente vistos (Acomete toda a superfície corpórea, especialmente as palmas das mãos e plantas dos pés. Costuma ser menos grave no verão e piorar ao anoitecer) → Os achados cutâneos em pacientes com PBC podem incluir hiperpigmentação, icterícia, xantomas, xantelasmas, xerose (pele seca), dermatografismo, e infecções fúngicas dos pés ou unhas. → colangite crônica destrutiva não supurativa: doença crônica do fígado resultante do insulto imunológico desenvolvido por linfócitos citotóxicos sobre o epitélio dos ductos biliares → colangite crônica esclerosante primária: doença crônica de etiologia desconhecida, cujos aspectos histológicos são representados por inflamação de ducto biliar e fibrose → atresia de vias biliares: doença idiopática, representada por obliteração completa localizada ou difusa dos ductos biliares, do hilo até o duodeno ★ fármacos: → diferentes fármacos e seus metabólitos podem produzir hepatite crônica e cirrose, sobretudo tamoxifeno, metildopa, isoniazida, nitrofurantoína, dantrolene, diclofenaco → há infiltrado inflamatório periporta, composto por linfócitos e plasmócitos e com necrose periférica ★ cirrose cardíaca: → pacientes com ICC direita de longa duração podem desenvolver lesão hepática crônica e cirrose cardíaca, há uma pressão venosa elevada que é transmitida pela VCI e pelas veias hepáticas até os sinusóides do fígado que ficam dilatados e ingurgitados com sangue. fígado aumenta de volume e se torna tumefatoso, hepatócitos se tornam necróticos e evoluem para fibrose pericentral ★ metabólica: → hemocromatose: distúrbio hereditário do metabolismo do ferro que resulta em um aumento progressivo do ferro hepático que com o passar do tempo evolui para fibrose portal que progride para cirrose, insuficiência hepática e câncer hepatocelular →MC: fadiga, fraqueza, artralgia, impotência, dor abdominal (geralmente de caráter crônico em epigástrio e/ou quadrante superior direito - hepatomegalia e distensão da cápsula hepática), amenorreia e perda de peso. → hiperpigmentação cutânea e artropatia hemocromática Isadora Mocelin - 3º ano → doença de wilson: distúrbio hereditário da homeostase do cobre com incapacidade de excretar quantidades excessivas de cobre, resultante em um acúmulo no fígado → ao exame físico lembrar de: anéis de Kayser-Fleischer (acometimento neurológico) → deficiência de A1AT (anti-protease) se origina de um distúrbio hereditário que acarreta a dobradura anormal da proteína A1AT resultando em falha da secreção dessa proteína pelo fígado ★ obstrução do fluxo venoso hepático: → causa anóxia congestiva do fígado como ocorre na síndrome de Budd-Chiari, na doença venosa oclusiva e na pericardite constritiva ★ idiopática → representa 10% dos casos, permanecem como etiologia indeterminada FISIOPATOLOGIA : METABOLISMO DO ÁLCOOL: → FÍGADO: principal órgão responsável pelo metabolismo do etanol,o estômago contribui em menor grau, é capaz de metabolizar uma quantidade significativa de álcool ingerido devido à sua atividade de álcool desidrogenase (ADH) → o álcool é metabolizado por três sistemas essenciais do fígado: ● álcool desidrogenase (ADH): conjunto de enzimas citoplasmáticas, é o sistema enzimático primário responsável pelo metabolismo do etanol em concentrações BAIXAS ● citocromo P450 2E1 (sistema microssomal de oxidação de etanol (MEOS)): contribui para a metabolização de concentrações mais ALTAS de etanol, e é induzida pela exposição ao próprio etanol ● catalase com menor importância Isadora Mocelin - 3º ano Isadora Mocelin - 3º ano ASPECTO HISTOLÓGICO DA DHA: ● O abuso crônico de bebidas alcoólicas pode resultar em um espectro de lesões hepáticas que varia de infiltração gordurosa leve a cirrose e carcinoma hepatocelular ● acúmulo de gordura nos hepatócitos → visto em 90% dos bebedores que fazem uso importante de álcool, ela geralmente se reverte fazendo abstinência do álcool ● muito provável que surja cirrose se a esteatose apresentar um padrão misto micro e macro vesicular em vez do padrão macro vesicular observado na maioria dos alcoolistas ● Abuso de álcool contínuo = desenvolve-se uma cirrose que exibe um padrão delicado semelhante a uma malha fibrótica perivenular envolvendo a veia centro lobular (cirrose micronodular ou cirrose de Laennec). Com o tempo mesmo com a abstinência mantida, essa lesão pode evoluir até englobar faixas largas de fibrose que separam grandes nódulos de tecido hepático (cirrose macronodular) → carcinoma hepatocelular geralmente se desenvolve neste contexto Isadora Mocelin - 3º ano Relembrando… funções do fígado: Isadora Mocelin - 3º ano COMO A PATOGÊNESE DA CIRROSE AFETA A FISIOLOGIA? QUAIS SÃO SUAS COMPLICAÇÕES E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS? Isadora Mocelin - 3º ano HIPERTENSÃO PORTAL ● aumento da p. sinusoidal hepática em 6 mmHg + ★ Circulação colateral/ shunts portossistêmicos e varizes: Isadora Mocelin - 3º ano LOCAIS DE FORMAÇÃO DA VASCULATURA COLATERAL: ➢ reto = VMI + veia pudenda ➢ retroperitônio = vasos colaterais + veias ilíacas ➢ umbigo = veia umbilical vestigial + veia porta esquerda → forma vasos colaterais em torno do umbigo (Cabeça de medusa) ➢ pode ocorrer desvio do sangue dos capilares pulmonares interferindo na oxigenação = cianose ➢ porção distal do esôfago = VARIZES GASTROESOFÁGICAS ➢ porção proximal do estômago Os vasos colaterais mais importantes são os que interligam as veias porta e coronária, resultando na inversão do fluxo e na formação de dilatações varicosas de paredes finas na camada submucosa do esôfago. Essas varizes esofágicas de paredes finas podem romper e causar hemorragias profundas e fatais em alguns casos. A síntese hepática reduzida dos fatores de coagulação e a diminuição das contagens de plaquetas ( i. e., trombocitopenia) secundária à esplenomegalia pode dificultar ainda mais o controle do sangramento esofágico. → fundo gástrico drena através das veias gástricas curtas para a veia esplênica, na presença de hipertensão portal = varizes no fundo gástrico → O desenvolvimento das varizes gastroesofágicas requer um gradiente de pressão portal de, pelo menos, 10 mm Hg. Além disso, acredita-se que um gradiente igual ou superior a 12 mm Hg ocasione o sangramento das varizes. Isadora Mocelin - 3º ano ★ Ascite: ★ é decorrente de: → há elevação pressórica sinusoidal →vasodilatação sistêmica → vasoconstrição arterial renal → ascite refratária → síndrome hepatorrenal → há desenvolvimento de mecanismos compensadores de aumento de volume intravascular, relacionado com a secreção estimulada de vasopressina desenvolvem elevada resistência vascular intra hepática, apresentam mudanças na microcirculação com produção excessiva de linfa e maior extravasamento abdominal de plasma → se ativam barorreceptores, sistemas vasoconstritores antinatriuréticos sobretudo SRAA, sistema nervoso simpático e vasoconstritores renais em resumo: Isadora Mocelin - 3º ano Isadora Mocelin - 3º ano Isadora Mocelin - 3º ano ● complicação da ASCITE → peritonite bacteriana espontânea → é resultante do supercrescimento de um organismo específico no intestino, da translocação desse micróbio intestinal para os linfonodos mesentéricos, acarretando em bacteremia espontânea e colonização do líquido ascítico → DG: é feito quando ocorre cultura positiva do líquido ascítico e contagem elevada absoluta de PMN (isto é, pelo menos 250 células/mma [0,25 x 1ü9/L] sem evidência de fonte de infecção intra-abdominal cirurgicamente tratável ★ Esplenomegalia: → O baço tem função de destruição de hemácias senescentes e armazenar plaquetas e em menor grau, leucócitos. As arteríolas esplênicas passam pela polpa branca, contendo os folículos linfáticos e depois seguem dois rumos, uma parte do sangue cai nos capilares sinusóides esplênicos e segue para sistema venoso, outra parte do sangue cai na polpa vermelha do baço, ou cordões esplênicos. Esses cordões, são estruturas em fundo de saco cujos limites laterais são os sinusóides esplênicos, onde tem os macrófagos esplênicos que destroem as hemácias. Essas hemácias precisam ‘’se espremer’’ a passar pelas fenestras dos cordões e caírem na corrente sanguínea. As que não conseguem – senescentes ou defeituosas – não passam e são fagocitadas. Na cirrose, ocorre esplenomegalia congestiva, o baço aumenta seu poder de hemocaterese, pois o sangue passa mais demorado pelos cordões congestos. O resultado é hemólise extravascular, esse tipo de anemia hemolítica tende a ser leve, pois a destruição do baço congesto se contrabalanceia pelo aumento da produção de hemácia pela medula óssea. Os pacientes então desenvolvem reticulocitose, que é o aumento de hemácias jovens no sangue. Assim, a hipertensão porta o baço cresce de maneira progressiva em consequência do desvio (shunting) do sangue para a veia esplênica, estando aumentado causa sequestro de quantidades significativas de elementos sanguíneos gerando hiperesplenismo → redução da sobrevida de todos os elementos celulares do sangue com redução subsequente de suas contagens, gerando: ● anemia ❖ concentração de hemoglobina sérica: - Homens:13g/dl Isadora Mocelin - 3º ano - Mulheres: 12g/d - Gestantes e crianças (entre 6 meses e 6 anos): 11g/dl ❖ classificação de acordo com: - Microcíticas: VCM 100 fl - Hipocrômica: HCMpara os distúrbios hemorrágicos. A má absorção da vitamina K lipossolúvel contribui ainda mais para a redução da síntese desses fatores de coagulação. ● Em muitos casos, a trombocitopenia é resultado da esplenomegalia. O paciente com insuficiência hepática pode ter púrpura, equimoses ao menor traumatismo, hematúria e sangramento menstrual anormal e está sujeito a sangramentos do esôfago e de outros segmentos do sistema digestório ★ distúrbios endócrinos: ● O fígado metaboliza os hormônios esteróides. Os distúrbios endócrinos – principalmente alterações da função gonadal (hormônios sexuais) – são comuns nos pacientes com cirrose e insuficiência hepática Isadora Mocelin - 3º ano ● As mulheres podem ter irregularidades menstruais (geralmente amenorréia), perda de libido e esterilidade. ● Nos homens, os níveis de testosterona geralmente diminuem, os testículos atrofiam e há perda de libido, impotência e ginecomastia. A redução do metabolismo da aldosterona contribui para a retenção renal de sal e água, bem como para a redução do potássio sérico resultante das perdas urinárias aumentadas deste elemento ● O hiperestrogenismo é responsável pela aparição de eritema palmar e pelas telangiectasias do tipo “aranha vascular”. Altos níveis de estrogênio causam proliferação e dilatação dos vasos cutâneos, principalmente na parte superior do corpo, então são encontrados no pescoço, porção superior dos membros e MMSS. O eritema é decorrente da vasodilatação cutânea na região palmar, principalmente na região tenar e hipotenar. ● O hipoandrogenismo é responsável pela queda da libido, impotência masculina, atrofia testicular, redução da massa muscular e rarefação de pelos, pode-se observar também ginecomastia, decorrente do hipoandrogenismo associado ao hiperestrogenismo. ★ distúrbios dermatológicos: ● A insuficiência hepática causa várias anormalidades cutâneas. Essas lesões, descritas por termos variados como aranhas vasculares, telangiectasias, angiomas aracneiformes e nevos aracneiformes, são encontradas mais comumente na metade superior do corpo. As lesões consistem em uma arteríola central pulsátil, da qual se irradiam vasos mais finos. Eritema palmar é a vermelhidão das palmas das mãos, provavelmente causada pela ampliação do fluxo sanguíneo em consequência do débito cardíaco mais volumoso. Pacientes com cirrose podem ter baqueteamento dos dedos ● Em geral, icterícia é um sinal tardio da insuficiência hepática ★ → ICTERÍCIA: A icterícia (ou coloração amarelada da pele e dos tecidos profundos) é causada por níveis anormalmente altos de bilirrubina no sangue. Isso ocorre quando há um desequilíbrio entre síntese e eliminação de bilirrubina. A icterícia torna se perceptível quando os níveis séricos de bilirrubina estão acima de 2,0 a 2,5 mg/dl (34,2 a 42,8 μmol). ● A bilirrubina tem afinidade especial por tecidos elásticos. A esclerótica do olho, que contém teores altos de fibras elásticas, geralmente é uma das primeiras estruturas nas quais se pode detectar icterícia As causas principais de icterícia são: 1. destruição excessiva de hemácias; 2. captação reduzida de bilirrubina pelas células hepáticas; 3. conjugação reduzida de bilirrubina; Isadora Mocelin - 3º ano 4. obstrução do fluxo de bile nos canalículos dos lóbulos hepáticos ou nos ductos biliares intra hepáticos e extra hepáticos; 5. produção extra hepática excessiva de bilirrubina → A icterícia intra hepática ou hepatocelular é causada por distúrbios que afetam diretamente a função hepática de remover bilirrubina do sangue ou conjugá la de forma que possa ser eliminada na bile : a conjugação da bilirrubina é reduzida sempre que as células hepáticas são destruídas, quando o transporte de bilirrubina às células hepáticas é reduzido, ou quando as enzimas necessárias à conjugação da bilirrubina estão ausentes ● Doenças hepáticas como hepatite e cirrose são as causas mais comuns de icterícia intra hepática. Fármacos como o anestésico halotano, anticoncepcionais orais, estrogênio, esteroides anabolizantes, isoniazida, rifampicina e clorpromazina também podem ser implicados com esse tipo de icterícia. ● Em geral, a icterícia intra hepática ou hepatocelular interfere com todas as etapas do metabolismo da bilirrubina – captação, conjugação e excreção ● bilirrubina indireta = nunca é encontrada na urina pois se liga à albumina e não é filtrada no glomérulo, assim se há bilirrubina na urina → DIRETA Tolasmia * gibbut * Kriggen Não tem relação direto S com o ct Isadora Mocelin - 3º ano colico biliar -- até Chart Isadora Mocelin - 3º ano ★ encefalopatia hepática ● esta, abrange grande variedade de manifestações neurológicas e psiquiátricas transitórias reversíveis, geralmente encontradas em pacientes com doença hepática crônica e hipertensão portal ● acomete 50-70% dos pacientes com cirrose → indica pior prognóstico ● Usa-se o sistema de pontuação west haven para avaliar a gravidade da EH A EH pode ser classificada em vários grupos, de acordo com a apresentação clínica: 1. Encefalopatia hepática mínima: definida pela presença de alterações neuropsiquiátricas só detectadas por testes neuropsicometricos, pelo fato de serem sutis. Presentes em até 70% dos cirróticos. A conduta deve ser individualizada. Dificuldade pra digerir é a principal complicação associada a esse tipo de encefalopatia. Isadora Mocelin - 3º ano 2. Encefalopatia hepática aguda esporádica: quando o paciente é trazido com um quadro de desorientação, agitação psicomotora, torpor ou até um coma hepático. Geralmente o controle do fator precipitante reverte o quadro – importante lembrar que 80% dos casos possui um fator precipitante detectável. Esses fatores podem ser: HDA, hipocalemia, alcalose metabólica ou resp, desidratação ou hipovolemia, diuréticos tiazídicos ou de alça, infecções, uso de sedativos, dieta hiperproteica, procedimentos cirúrgicos, constipação, hipóxia, shunts portossistêmicos espontâneos e cirúrgicos. 3. Encefalopatia hepática crônica: definida pelos sintomas serem persistentes por longo período, com certo grau de variabilidade. Tais pacientes geralmente são cirróticos em estado muito avançado e tem pouca sobrevida caso não sejam transplantados. 4. EH associada a insuficiência hepática fulminante ★ síndrome hepatorrenal → cursa com: eventos associados a dilatação intensa da artéria esplênica, lesão hepática aguda, vasoconstrição arterial renal profunda e insuficiência renal progressiva ● a hipoperfusão renal resulta da diminuição progressiva do volume sanguní eo efetivo, provoca do por uma progressvia ativação do SRAA Sistema nervoso simpático, mediados por barorreceptores. Em fases avançadas, ocorre também a liberação não osmótica da arginina-vasopressiva pela neuro-hipófise que contribui para retenção de água livre. Esse hormônio não participa diretamen te do desenvolvimento da SHR, mas é fundamental na gênese da hiponatremia dilucional que prenuncia a ocorrência da SHR. Assim, há vasoconstrição não somente na circulação renal, mas, também, em outros leitos vasculares (membros superiores e inferiores e circulação cerebral). A circulação esplâncnica es capa da ação dos agentes vasoconstritores, podendo persistir uma marcada vasodilatação, provavelmente pelo aumento na produção local de substâncias vasodilatadoras - como o óxi do nítrico. ● Nos eventos que surgem logo após a instalação da hiperten são portal (HP), a perfusão renal mantém-se em níveis normais ou próximos ao normal, tanto pelo aumento na síntese quanto pela atividade de fatores vasodilatadores renais, por exemplo, a produção de prostaglandinas. Essas substâncias promovem a vasodilatação das arteríolas aferentes, mantendo o ritmo de filtração glomerular. Isadora Mocelin - 3º ano Todavia, nas fases avançadas da HP, a perfusão renal pode não se manter, em decorrência de uma extrema diminuição do volume sanguíneo efetivo, causando uma ativação máxima dos sistemas vasoconstritorese/ou dimi nuição da atividade dos fatores vasodilatadores renais e, assim, podendo desenvolver a SHR. Essa vasoconstrição renal já pode estar presente em semanas, ou mesmo meses, antes do surgimento das manifestações clínicas, ou da elevação dos níveis séricos de ureia e creatinina. ★ síndrome hepatopulmonar ● O diâmetro normal dos capilares pulmonares é de aproxima damente 8 a 15mm. Os pacientes com SHP podem apresentar capilares com até 500 11m de diâmetro (vasodilatação intrapulmonar → decorrente do ON) localizados na periferia e nas bases pulmonares. Essas dilatações permitem desequilíbrio na relação entre a ventilação/perfusão pulmonar,contribuindo,dessa forma,para a hipoxemia → resumindo, os capilares que permitiam a passagem de uma ou poucas células por vez agora está super dilatado, fazendo com que várias hemácias passem e com elas, obviamente, um monte sem ser oxigenada, explicando esse shunt direita esquerda. ● Nos cirróticos pode haver comunicações diretas entre a artéria pulmonar e a veia pulmonar, estes estão localizados nas superfícies pleurais e assemelham-se a "aranhas vasculares". Funcionam como um shunt, desviando do alvéolo o sangue desoxigenado, podendo justificar a hipoxemia e muitos dos fenômenos fisiológicos observados na SHP. ● Clinicamente pode se manifestar por dispneia, cianose, baqueteamento digital, aranhas vasculares e platipneia (dispneia que piora na posição sentada ou em pé), e ortodeoxia, que é hipoxemia desencadeada pela posição ortostática, o que são achados clássicos!!!!! ★ platpneia + cirrose + ortodeoxia = SHP! Isadora Mocelin - 3º ano ★ DESNUTRIÇÃO Sabendo-se que o fígado participa sobretudo da regulação do metabolismo proteico e energético do corpo, não é de surpreender que os pacientes com doença hepática avançada estejam comumente desnutridos. Depois que os pacientes ficam cirróticos, passam a ser mais catabólicos, e a proteína muscular é metabolizada. Existem múltiplos fatores que contribuem para a desnutrição dos cirróticos, incluindo ingesta dietética precária, alterações na absorção intestinal de nutrientes e alterações no metabolismo das proteínas. A suplementação dietética para os pacientes com cirrose é útil para impedir que os pacientes fiquem catabólicos. ★ DOENÇA ÓSSEA NA CIRROSE A osteoporose é comum nos pacientes com doença colestática crônica do fígado por causa da má absorção de vitamina D e da menor ingestão de cálcio. O ritmo de reabsorção óssea ultrapassa aquele de formação de osso novo nos pacientes com cirrose, que resulta em perda óssea. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS (RESUMO) : → os achados no exame físico que sugerem a etiologia alcoólica são: ● hipertrofia das glândulas parótidas é um dos achados descritos na cirrose, mas sua relação não é com a cirrose propriamente dita, mas com a cirrose por álcool. A Isadora Mocelin - 3º ano glândula parótida foi uma das primeiras a demonstrar a influência do consumo de etanol, que pode levar à infiltração gordurosa, fibrose e edema ● A contratura de Dupuytren é um enrijecimento progressivo das bandas do tecido fibroso (denominadas fáscias) no interior das palmas das mãos, provocando a contração dos dedos que pode acabar resultando em uma mão com aspecto de garra → indivíduos predispostos + estresse oxidativo - álcool? Isadora Mocelin - 3º ano DIAGNÓSTICO : ● padrão-ouro para diagnóstico de cirrose hepática é por meio anatomopatológico → biópsia hepática com achados de espessamento e septos fibrosos porta-centro e porta-porta, delimitando os nódulos, e a desorganização da arquitetura lobular e vascular. Desnecessária quando os dados clínicos, laboratoriais e radiológicos são sugestivos pois em decorrência das alterações da coagulação que os pacientes apresentam e alterações vasculares intra e peri-hepáticas há elevado risco de complicações desse procedimento, justificando seu uso apenas se há dúvida etiológica, assim usa-se: LABORATORIAIS: PROVA DE LESÃO HEPÁTICA - As aminotransferases (transaminases) constituem indicadores sensíveis de lesão das células hepáticas e são úteis para identificar as doenças hepatocelulares → elas são liberadas e lançadas no sangue em maiores quantidades quando há algum dano à membrana das células hepáticas resultando em maior permeabilidade, lembrar que não há necessidade de haver necrose para sua liberação - consiste em: aspartato aminotransferase (AST/TGO) e alanina aminotransferase (ALT/TGP) ❖ AST/TGO = enzima mitocondrial encontrada no fígado, músculo cardíaco, músculo esquelético, rins, cérebro, pâncreas, pulmões, leucócitos e eritrócitos ❖ ALT/TGP = enzima citosólica encontrada principalmente no fígado e portanto constitui um marcador mais específico de lesão hepática - VR: 10-40U/l → níveis séricos de até 300 u/l são inespecíficos podendo ser encontrados em qualquer tipo de distúrbio hepático → seu padrão de elevação pode ajudar a estabelecer o diagnóstico principalmente de hepatopatia alcoólica, se o nível de AST estiver menor que 300U/l uma razão: ★ AST/ALT → ACIMA DE 2 sugere hepatopatia alcoólica ★ AST/ALT = → ACIMA DE 3 altamente sugestiva de hepatopatia alcoólica ★ AST/ALT = → MENOR QUE 1 está presente em hepatite viral crônica e doença hepática gordurosa não alcoólica → A ALT mesmo sendo específica do fígado se encontra com baixo risco sérico, por que isso ocorre? = A síntese de ALT no fígado requer mais piridoxal 5-fosfato (cofator necessário para atividade enzimática) do que a AST, e nos pacientes com hepatopatia alcoólica há deficiência de fosfato de piridoxal induzida por álcool causando então seu baixo nível sérico. Além disso atribui-se que o aumento na razão AST/ALT seja pelo desenvolvimento da cirrose que decorre do fluxo sanguíneo hepático funcional alterado, gerando uma menor captação de AST nos sinusóides hepáticos PROVA DE FUNÇÃO HEPÁTICA → SÍNTESE, EXCREÇÃO… ❖ ALBUMINA: Isadora Mocelin - 3º ano → A albumina é a proteína plasmática mais importante, responsável por 75% da pressão coloidosmótica e é sintetizada apenas pelos hepatócitos, isso explica porque na cirrose ela se encontra diminuída devido a insuficiência hepatocelular (menor que 3,0) → sua síntese é regulada por alterações no estado nutricional, pressão oncótica, inflamação sistêmica e níveis hormonais → diag diferencial p/ hipoalbuminemia: IRC, disfunção hepatocelular, enteropatia com perda excessiva de proteínas → VR: 3,5-4,7 → meia gida 18-20 dias → lembrar que em pacientes cirróticos com ascite a síntese pode ser normal ou aumentada porém apresenta baixos níveis em razão do maior volume de distribuição ❖ TEMPO DE PROTROMBINA: TAP → o tempo de protrombina (TAP) é uma medida da razão em que a protrombina é convertida em trombina (quanto tempo o coágulo demora para ser formado) → mede a via EXTRÍNSECA → fatores II, VII, IX, X dependentes de VIT K → síntese de protrombina → o TAP medido através do RNI de pacientes cirróticos é aumentado, evidenciando os distúrbios da coagulação decorrentes da esplenomegalia e da insuficiência hepatocelular, já que a maioria dos fatores de coagulação são formados no fígado há uma tendência maior ao sangramento RNI = 0,92-1,2 se o paciente não estiver com anticoagulante !!! (p/ varfarina considerar 2-3) ❖ BILIRRUBINA → é um produto da decomposição do heme, encontrada nas frações: CONJUGADA E NÃO CONJUGADA - não conjugada/indireta = insolúvel em água e está acoplada a albumina no sangue - conjugada/direta = é hidrossolúvel e pode ser eliminada pelos rins ★ a hiperbilirrubinemia pode ser consequente à: ➢ produção excessiva de bilirrubina por decomposição excessiva de hemoglobina → aumento da hemólise = pensar em BI ➢ hepatocelular (captação, conjugação, excreção prejudicados) = pensar mais em BD ➢ regurgitação da bilirrubina não conjugada e conjugada a partir dos hepatócitos ouductos biliares lesados ➢ obstrução biliar → colestática = pensar em BD Valor de referência: ● bilirrubina total = 0,2-1,5mg/dl ● se a fração de ação direta dor inferior a 15% da BT toda a bilirrubina pode ser considerada indireta ● bilirrubina às custas de direta = até 0,3mg/dl PACIENTE CIRRÓTICO → AUMENTO DE BD → POR QUE? Isadora Mocelin - 3º ano ● ENZIMAS QUE REFLETEM A COLESTASE ❖ FOSFATASE ALCALINA/FA → é um grupo de isoenzimas amplamente distribuídas por todo o corpo → lembrar de associar não a lesão hepatocelular mas sim ao aumento da excreção de ácidos biliares. Na presença de colestase, ou seja, da diminuição do fluxo de bile, haverá maior contato do seu conteúdo com a região celular onde a FA está localizada. Por este motivo, haverá também um aumento de sua produção e, consequentemente, de sua concentração sérica. → locais de maior importância clínica = fígado ( dentro ou perto dos canalículos biliares dos hepatócitos) e nos ossos (outros locais: placenta, intestino delgado e rins) → meia-vida = 7 dias → elevação de FA proveniente do fígado não é totalmente específica de colestase, podendo uma elevação de 3x que o valor normal ocorrer em quase qualquer tipo de doença hepática → elevação de FA 4x maior que o valor normal = ocorre principalmente em pacientes com distúrbios hepáticos colestáticos, doenças hepáticas infiltrativas como CA e amiloidose → lembrar que : paciente com elevação isolada de FA usa-se a dosagem sérica de GGT ou da 5-NT para distinguir se é origem hepática ou óssea (óssea → lembrar de Paget) ❖ GAMA-GLUTAMIL TRANSPEPTIDASE: GGT/ GAMA-GT → localizada no retículo endoplasmático e nas células epiteliais dos ductos biliares bem como nos hepatócitos, colangiócitos, rim, pâncreas baço e vesícula seminal → em obstrução biliar tanto gama GT como fosfatase alcalina estão elevadas → A elevação apenas de GAMA GT é explicada devido a lesão das células hepáticas por toxinas produzidas através do álcool, não afetando no momento os ductos biliares. Melhora com cessação do álcool → opção para identificar o uso não relatado de álcool → dd para sua elevação: uso de fenitoína, barbitúricos e alguns fármacos contra HIV ❖ 5’-NUCLEOTIDASE (5-NT) → se relaciona com as membranas plasmáticas canaliculares e sinusoidais e também cérebro, coração, vasos sanguíneos e pâncreas endócrino → seu principal papel é identificar o órgão de origem, de uma elevação isolada de FA LEMBRAR TAMBÉM DE PEDIR: ● hemograma: Pode indicar anemia, plaquetopenia, leucopenia → decorrentes da esplenomegalia. Além disso o paciente com cirrose pode apresentar com frequência anemia macrocítica por deficiência de folato (B12) e como possui maior tendência ao sangramento lembrar que um padrão de anemia microcítica por exemplo ferropriva pode ser devido a algum tipo de hemorragia ● Marcadores séricos diretos e indiretos de fibrose avançada/cirrose: como laminina, colágeno tipo I e IV, péptido procolágeno tipo I e III, ácido hialurônico e condrex podem vir a ter algum papel na avaliação de fibrose não invasiva, porém o único método ainda utilizado é por biópsia ● Sódio = Hiponatremia: péssimo prognóstico na cirrose com ascite; ocorre diminuição do volume circulante efetivo apesar do estado edemaciado, isso estimula a secreção de ADH havendo incapacidade de excretar água livre P/ SUSPEITA DE OUTRAS ETIOLOGIAS NÃO RELACIONADAS AO ÁLCOOL DE CIRROSE PEDIR: ● sorologias de hepatites (anti-HCV, Hbsag) ● ferro, ferritina, saturação de transferrina → hemocromatose ● ceruloplasmina, cobre sérico, cobre urinário → doença de wilson ● a1-antitripsina ● pesquisa autoimune = FAN ● colangite biliar primária = antimitocondriais Isadora Mocelin - 3º ano EX DE IMAGEM: → é para avaliar alterações morfológicas da doença, vascularização hepática e extra-hepática, detectar e estimar os efeitos da hipertensão portal, e identificar tumores hepáticos diferenciando o carcinoma hepatocelular (CHC) de outros tipos de tumor. ● FIBROSCAN → ELASTOGRAFIA HEPÁTICA → este aparelho usa ondas ultrassonográficas para medir de maneira não invasiva a rigidez hepática, partindo do princípio de que a fibrose causa maior rigidez do tecido hepático ● USG DE ABDOME TOTAL → possui um padrão ecográfico heterogêneo e grosseiro: hiperecogenicidade do parênquima, aumento da atenuação sonora e nodularidade da superfície → sinais de hipertensão portal: esplenomegalia, ascite, presença de circulação colateral portossistêmica ● TC DE ABDOME TOMO NORMAL Isadora Mocelin - 3º ano tomo na cirrose: c/ contraste !!! As alterações mais estabelecidas são os nódulos hepáticos, heterogeneidade do parênquima, alargamento da porta hepatis e da fissura interlobar, redução do lobo direito e do segmento médio do lobo esquerdo, aumento do lobo caudado e do segmento lateral do lobo esquerdo e identificação dos nódulos regenerativos. ● RM → tem sido utilizada para detectar lesões focais em pct com cirrose hepática ● angiorressonância → possui indicação na caracterização das mensurações volumétricas do fígado e baço e distribuição da vasculatura portal e definição de terapêutica cirúrgica visando o tto da hipertensão portal ● endoscopia digestiva alta → possui importância da definição de presença de varizes esofágicas e gástricas → método terapêutico como escleroterapia e ligadura das varizes rotas para controle do sangramento Isadora Mocelin - 3º ano PROGNÓSTICO : ● apresentação clínica → compensados x descompensados (ascite, encefalopatia e/ou icterícia) ● a escala CHILD PUGH demonstra mortalidade ● a escala MELD ((Modelo para doença hepática terminal) estima o risco de mortalidade dentro de 3 meses e tem sido superior a escala CHILD-PUGH, é considerado o melhor preditor de sobrevida e é adotado mundialmente como critério de alocação de órgão para transplante hepático e envolve os seguintes parâmetros → bilirrubinas, creatinina, RNI do TTPA = MELD ACIMA DE 15 → INDICAÇÃO DE TX MANEJO/ TRATAMENTO : ● EM FASE COMPENSADA → adoção de dieta balanceada e combate aos fatores etiológicos responsáveis pela evolução da doença. Há indicação formal de combate à fibrose porém antifibróticos não demonstraram reverter a fibrose consistentemente ou melhorar seus resultados, assim a terapêutica é voltada a estimulação do estímulo lesivo e prevenção do desenvolvimento de descompensação Isadora Mocelin - 3º ano 1) tratar a doença hepática subjacente (p. ex., terapia antiviral para hepatite C ou B) para reduzir a fibrose e evitar a descompensação; 2) evitar fatores que possam piorar a doença hepática, como o álcool e fármacos hepatotóxicos; 3) (3) fazer um rastreamento para detectar varizes (para prevenir hemorragia varicosa) e carcinoma hepatocelular (para que o tratamento seja realizado no estádio inicial) ● EM FASE DESCOMPENSADA → O tratamento da cirrose descompensada se concentra em eventos descompensatórios específicos e na opção de transplante de fígado. → transplante de fígado, lembrando que o paciente precisa: - reconhecer a gênese do álcool em sua doença - participação em alguma forma de reabilitação de etilismo (AA) por exemplo - apoio social estável - período definido de abstinência por pelo menos 6 meses Isadora Mocelin - 3º ano → MANEJO DAS COMPLICAÇÕES: VARIZES E SANGRAMENTO VARICOSO ● DIVIDIDO EM: → profilaxia primária = reduzindo a pressão portal há a diminuição do risco de desenvolvimento de varizes e hemorragia varicosa bem como risco de ascite e óbito, os pacientes indicados possuem varizes grandes (diâmetro superior a 5mm) identificadas na EDA ➢ B-bloqueadores adrenérgicos não seletivos (propanolol, nadolol) reduzem a pressão portal produzindo vasoconstrição esplâncnica - Propranolol 20mg 2x/dia - nadolol 20mg 1x/dia ➢ pode ser feito ligadura endoscópicadas varizes (LEV) em pacientes que não toleram BB → colocado anéis de borracha nas colunas varicosas → controle da hemorragia: ➢ ATB profilático deve ser usado (ceftriaxona IV 1 g/dia 5-7 dias) ou norfloxacina 400mg 2x/dia ➢ terapia mais eficaz = vasoconstritor + terapia endoscópica (LEV) - terlipressina, somatostatina e análogos da somatostatina, octreotide e vapreotídeo ➢ a terapia de derivação cirúrgica ou através de anastomose portossistêmica intra hepática jugular (TIPS) deve ser usada em pacientes com sangramento varicoso persistente ou recidivante apesar de terapia farmacológica endoscópica ASCITE: ➢ restrição de sódio dietético 250.000/mm3 na ausência de foco infeccioso intra-abdominal → organismos mais comuns = escherichia coli, também podem ser encontrados gram + como streptococcus viridans, staphylococcus aureus e enterococcus ➢ cefalosporina de terceira geração = cefotaxima 2g IV 12h/12h ou ceftriaxona 1-2g IV a cada 24hs → reavaliar em 48hs p/ ver se diminuiu 25% dos polimorfonucleares SÍNDROME HEPATORRENAL: ➢ pacientes são tratados com midodrina 7,5-12,5mg VO 3x/dia + octreotida(100-200ug SC 3x/dia) e albumina IV → dose deve ser ajustada para obtenção de um aumento de pelo menos 15 mmHg na PAM ➢ melhor terapia = Tx de fígado SÍNDROME HEPATOPULMONAR: - TIPS não é recomendado - tto unicamente eficaz = Tx de fígado, porém lembrar que → hipertensão portopulmonar (Acima de 50mmhg) é uma contraindicação absoluta ao Tx ENCEFALOPATIA HEPÁTICA: ● medidas de suporte = avaliar glicemia capilar, proteger via aérea, estabilização hemodinâmica, O2 se necessário, monitorização e acesso ● O tratamento envolve a identificação e o tratamento do fator precipitante e a redução do nível de amônia → fatores precipitantes = infecções, diurese excessiva, sangramento gastrointestinal, restrição proteica e constipação, narcóticos e sedativos contribuem para a encefalopatia hepática por deprimir diretamente a função cerebral , TIPS é um precipitante comum da EH 1) recomendações dietéticas - 35-40kcal/kg - 1,2-1,5 g de proteína kg/dia - Correção de vitaminas deficientes, complexos B, A, D, E, K, e nutrientes ácido fólico, tiamina, zinco… 2) agentes que visam diminuir a produção de amônia no intestino - lactulose 15-30ml VO 2x/dia ajustada para obter 2-3 evacuações ao dia → avaliar em 48hs, se não atingir a medida terapêutica começar com Atb não absorvíveis administrados oralmente como a neomicina (500mg-1g 3x/dia), metronidazol (250mg 2-4x dia ou rifaximina 550mg 2x/dia) ★ LACTULOSE: Laxante salino e osmótico, é um dissacarídeo semissintético que não consegue ser hidrolisada pelas enzimas GI; por VO no intestino são degradadas pelas bactérias em ácido Isadora Mocelin - 3º ano lático, fórmico e acético, aumentando a pressão osmótica e causando acúmulo de líquidos que distende o colo do intestino, amolece as fezes e causa defecação. É usada no tratamento de encefalopatia hepática por reduzir os níveis de amônia, uma vez que a acidificação do conteúdo gástrico acima do sangue faz com que a amônia vá para o colo do intestino, formando o íon NH4 que não é absorvido e é eliminado nas fezes → Efeitos adversos: distensão abdominal, flatulência, sede, náusea e vômito. ★ Enema glicerinado Laxante lubrificante, supositórios de glicerina que agem facilitando a passagem de fezes endurecidas, VR. Pode ocorrer irritação anal, sangramento ou diarreia