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Normas Regulamentadoras, CIPA e Gestão Integrada Você vai compreender os fundamentos das normas regulamentadoras, CIPA, PPRA, ergonomia e medicina do trabalho, além do mapeamento de riscos e da atuação de equipes multidisciplinares na construção de sistemas de gestão integrada em saúde e segurança. Prof. José Ney Pinheiro 1. Itens iniciais Propósito Compreender as normas regulamentadoras, os programas de prevenção e a atuação de comissões e equipes especializadas é fundamental para a formação de profissionais capazes de garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis. Esse conhecimento fortalece a gestão de riscos, promove a ergonomia e contribui para a qualidade de vida e o bem-estar dos colaboradores. Objetivos Interpretar as responsabilidades de empregadores e empregados na aplicação das regulamentações de saúde e segurança, considerando o conteúdo do PPRA e os critérios da NR 17 no planejamento das atividades organizacionais. Analisar a Norma Regulamentadora nº 5 e a importância do Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional na promoção da saúde dos trabalhadores. Avaliar a aplicação das Normas Regulamentadoras nº 15 e nº 16 no contexto organizacional, integrando-as a um sistema de gerenciamento com participação multiprofissional. Introdução Entender a segurança e a saúde no trabalho vai muito além de cumprir normas. Trata-se de proteger vidas e promover bem-estar no ambiente profissional. Neste conteúdo, vamos explorar os fundamentos das Normas Regulamentadoras (NRs) e sua aplicação prática nas empresas. Começamos pelos conceitos básicos das NRs e o papel dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho. Esses serviços são essenciais para identificar riscos, prevenir acidentes e garantir condições seguras para todos os colaboradores. Na sequência, abordaremos a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Você conhecerá sua estrutura, atribuições e o funcionamento do treinamento obrigatório. Também veremos como a CIPA atua diretamente na promoção da saúde por meio do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Outro ponto central será o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Vamos entender sua estrutura, como ele é elaborado e sua importância para a gestão eficaz dos riscos no ambiente de trabalho. Além disso, discutiremos a ergonomia como fator decisivo para a qualidade de vida no trabalho. Os princípios ergonômicos ajudam a adaptar o ambiente às necessidades dos trabalhadores, reduzindo lesões e aumentando a produtividade. Por fim, exploraremos como uma equipe multidisciplinar pode usar essas ferramentas para mapear riscos e desenvolver sistemas de gestão integrada. O foco é sempre a prevenção, o cuidado com as pessoas e a construção de ambientes mais saudáveis e produtivos. • • • 1. Normas regulamentadoras As determinações legais de responsabilidades em segurança e saúde As responsabilidades de uma empresa em relação à segurança e saúde no trabalho é um dos assuntos mais relevantes na atualidade, principalmente as potenciais alterações que o governo brasileiro recentemente eleito deverá propor ao Congresso Nacional e o que a legislação em vigor determina como requisitos obrigatórios nas relações trabalhistas. Todos os empregadores e empregados sempre possuíram responsabilidades em saúde e segurança no trabalho, estando bem definidas na Norma Regulamentadora de n.º 1 intitulada Disposições Gerais. A seguir, apresentamos as responsabilidades dos empregados e dos empregadores. Responsabilidade dos empregadores Norma Regulamentadora, em 1.7, está clara a responsabilidade dos empregadores: a) Cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e Medicina do trabalho. b) Elaborar ordens de serviço sobre segurança e saúde no trabalho, dando ciência aos empregados por comunicados, cartazes ou meios eletrônicos. c) Informar aos trabalhadores: I - Os riscos profissionais que possam originar-se nos locais de trabalho. II - Os meios para prevenir e limitar tais riscos e as medidas adotadas pela empresa. III - Os resultados dos exames médicos e de exames complementares de diagnóstico aos quais os próprios trabalhadores forem submetidos. IV - Os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho. d) Permitir que representantes dos trabalhadores acompanhem a fiscalização dos preceitos legais e regulamentares sobre segurança e Medicina do trabalho. e) Determinar os procedimentos que devem ser adotados em caso de acidente ou doença relacionada ao trabalho. Responsabilidade dos empregados Nesta mesma NR 1, em 1.8, encontra-se que o empregado tem como responsabilidade: Cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde do trabalho, inclusive as ordens de serviço expedidas pelo empregador. Usar o EPI fornecido pelo empregador. Submeter-se aos exames médicos previstos nas Normas Regulamentadoras - NR. Colaborar com a empresa na aplicação das Normas Regulamentadoras - NR. Além disto, deve ser observado em 1.8.1, que constitui ato faltoso a recusa injustificada do empregado ao cumprimento do disposto no item anterior. Analisando o texto legal da NR 1, pode se ter um entendimento claro de que estão sendo determinadas as regras legais necessárias a serem levadas em consideração em um ambiente empresarial, tal como em um jogo se apresentam os limites aceitáveis para o seu exercício, com cada participante conhecendo o seu papel obrigatório a ser desempenhado. Assim, cumpre divulgar de forma objetiva aos colaboradores a informação do texto legal da NR 1, porque isto alinhará aos desinformados as suas responsabilidades no cumprimento das disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde do trabalho. As empresas possuem responsabilidades com seus funcionários e perante a Secretaria Especial do Trabalho, sob risco de penalizações administrativas e financeiras. Preservar a segurança de um conjunto de pessoas é algo indispensável e que todos devem realizar, porque um ambiente seguro é propício a novas oportunidades e pode se tornar uma motivação ao trabalho dos colaboradores e ganhos de produtividade para a empresa. Assista ao vídeo e conheça o Programa de Riscos Ambientais. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – NR 4 A NR 04 estabeleceu que: • • • • […] as empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), deverão manter obrigatoriamente os chamados Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, conhecidos como SESMT, com a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. A composição e o dimensionamento dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho vincula-se à graduação da exposição do risco da atividade principal bem como ao número total de empregados do estabelecimento, que constam do Quadro I e do Quadro II, na NR 04. BRASIL, 1983. Dessa maneira, os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho podem ser compostos por: Engenheiro de Segurança do Trabalho, técnico de Segurança do Trabalho, médico do Trabalho, enfermeiro do Trabalho e auxiliar ou técnico em Enfermagem do Trabalho, obedecido o que está especificado no Quadro II da NR 04. Competências do SESMT, segundo a NR 04, no seu item 4.12 Na NR 04, no seu item 4.12, caberá ao SESMT: a) Aplicar os conhecimentos de Engenharia de Segurança e de Medicina do Trabalho ao ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, inclusive máquinas e equipamentos, de modo a reduzir até eliminar os riscos ali existentes à saúde do trabalhador. b) Determinar, quando esgotados todos os meios conhecidosNocivos da NR 15 Agentes físicos Agentes químicos Agentes biológicos Atividades e operações perigosas – NR 16 Conteúdo interativo Explosivos Inflamáveis Radiações ionizantes ou substancias radioativas Roubos ou outras formas de violência física Energia elétrica Trabalhos com motocicleta Exemplo Gestão integrada em Saúde e Segurança Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Explore + Referênciaspara a eliminação do risco e este persistir, mesmo reduzido, a utilização, pelo trabalhador, de equipamentos de proteção individual - EPI,de acordo com o que determina a NR 06, desde que a concentração, a intensidade ou característica do agente assim o exija. c) Colaborar, quando solicitado, nos projetos e na implantação de novas instalações físicas e tecnológicas da empresa, exercendo a competência disposta na alínea "a". d) Responsabilizar-se tecnicamente, pela orientação quanto ao cumprimento do disposto nas NRs aplicáveis às atividades executadas pela empresa e/ou seus estabelecimentos. e) Manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo de suas observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la, conforme dispõe a NR 05. f) Promover a realização de atividades de conscientização, educação e orientação dos trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, tanto através de campanhas quanto de programas de duração permanente. g) Esclarecer e conscientizar os empregadores sobre acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção. h) Analisar e registrar em documento(s) específico(s) todos os acidentes ocorridos na empresa ou estabelecimento, com ou sem vítima, e todos os casos de doença ocupacional, descrevendo a história e as características do acidente e/ou da doença ocupacional, os fatores ambientais, as características do agente e as condições do(s) indivíduo(s) portador(es) de doença ocupacional ou acidentado(s). i) Registrar mensalmente os dados atualizados de acidentes do trabalho, doenças ocupacionais e agentes de insalubridade, preenchendo, no mínimo, os quesitos descritos nos modelos de mapas constantes nos Quadros III, IV, V e VI, devendo a empresa encaminhar um mapa contendo avaliação anual dos mesmos dados à Secretaria de Segurança e Medicina do Trabalho até o dia 31 de janeiro, através do órgão regional do Ministério do Trabalho. j) Manter os registros de que tratam as alíneas "h" e "i" na sede dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho ou facilmente alcançáveis a partir da mesma, sendo de livre escolha da empresa o método de arquivamento e recuperação, desde que sejam asseguradas condições de acesso aos registros e entendimento de seu conteúdo, devendo ser guardados somente os mapas anuais dos dados correspondentes às alíneas "h" e "i" por um período não inferior a 5 (cinco) anos. l) As atividades dos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho são essencialmente prevencionistas, embora não seja vedado o atendimento de emergência, quando se tornar necessário. Entretanto, a elaboração de planos de controle de efeitos de catástrofes, de disponibilidade de meios que visem ao combate aos incêndios e ao salvamento e de imediata atenção à vítima deste ou de qualquer outro tipo de acidente estão incluídos em suas atividades. O objetivo central da norma foi o estabelecimento de uma área de saúde e segurança composta por profissionais que tenham como função principal a proteção da integridade física dos trabalhadores dentro das empresas, alertar contra doenças e administrar precauções contra acidentes de trabalho, que têm como efeito o prejuízo da empresa e dos colaboradores. Os componentes do SESMT deverão ser empregados da empresa, na maioria dos casos, e não deverão exercer outras atividades dentro da empresa no seu horário de trabalho. Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – NR 9 Riscos ocupacionais Os riscos ocupacionais (BRASIL, 1978) são aqueles existentes nos ambientes de trabalho, causados por agentes físicos, químicos ou biológicos, que poderão ocasionar danos à saúde dos trabalhadores. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) tem como objetivo estabelecer medidas para eliminação, redução ou controle destes riscos para preservação da integridade física e mental dos trabalhadores. A NR 9 determina a obrigatoriedade da elaboração e implementação do PPRA por parte das empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, que tenham no seu quadro empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Fonte: (FIOCRUZ, 2019) Parâmetros mínimos e diretrizes gerais Os parâmetros mínimos e as diretrizes gerais estabelecidas pela NR 9 (BRASIL, 1978) definem a seguinte estrutura mínima no PPRA: a. Planejamento anual com o estabelecimento de metas, prioridades e cronograma. b. Estratégia e metodologia de ação. c. Forma de registro, manutenção e divulgação dos dados. d. Periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. Comentário Uma vez ao ano ou sempre que necessário, deverá ser realizada uma análise global do PPRA para a avaliação do seu desenvolvimento e realização de quaisquer ajustes necessários e o estabelecimento de novas metas e prioridades. Etapas para o desenvolvimento do PPRA As seguintes etapas (BRASIL, 1978) devem estar contempladas no desenvolvimento do PPRA: 1. Antecipação e conhecimento dos riscos. 2. Estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle. 3. Avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores. 4. Implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia. 5. Monitoramento da exposição aos riscos. 6. Registro e divulgação dos dados. Atenção Na existência das situações previstas na NR 9, no item 9.3.5.1, deverão ser adotadas medidas de controle necessárias e suficientes para sua eliminação, minimização ou controle dos riscos ambientais. Nível de ação A NR 9 (BRASIL, 1978) estabelece o chamado nível de ação, que é o valor acima do qual devem ser iniciadas ações preventivas, de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições aos agentes ambientais ultrapassem os limites de exposição. (FIOCRUZ, 2019) Na determinação das ações preventivas, devem ser incluídas a informação da situação aos trabalhadores, seu monitoramento periódico da exposição ocupacional e o seu controle médico por exames. Vejamos alguns aspectos da NR 9: Manutenção dos registros de dados As empresas deverão manter o registro dos dados no mínimo por 20 anos e estes devem estar sempre disponíveis aos trabalhadores interessados, seus representantes ou autoridades competentes, e esta documentação constituirá um histórico técnico e administrativo do desenvolvimento do PPRA. Responsabilidades do empregador e do empregado O PPRA (BRASIL, 1978) define ao empregador a responsabilidade de estabelecer, implementar e assegurar o cumprimento do documento como uma atividade permanente da empresa, e aos trabalhadores, a obrigação de colaborar e participar da sua implementação e execução, seguindo as orientações dos treinamentos realizados por decorrência da análise do PPRA, e informar ao seu superior direto quaisquer acontecimentos que possam oferecer riscos à saúde dos demais trabalhadores. No caso de vários empregadores realizarem atividades em um mesmo local, existirá o dever de serem executadas ações que integrem os envolvidos na proteção da exposição aos riscos ambientais mapeados. É importante ser considerado o conhecimento e a percepção dos trabalhadores em relação aos seus processos de trabalho e aos riscos ocupacionais existentes para o planejamento e execução do PPRA em todas as suas fases. Riscos ambientais Caso haja riscos ambientais que representem um perigo grave e iminente a um ou mais trabalhadores, o empregador deverá garantir que ocorra a interrupção imediata das atividades de trabalho, a comunicação a sua chefia direta ou ao dono da empresa, para que as devidas providências sejam administradas na sua eliminação. Qualidade de vida e Ergonomia no trabalho – NR 17 De acordo com o portal Colaboral (2016), uma percepção corporativa equivocada por parte de muitas pessoas é a de que “O ser humano deve se adaptar ao seu ambiente de trabalho, mas nos termosde um conceito amplo de qualidade de vida no trabalho, é o ambiente físico que precisa se adaptar ao colaborador, em uma proposta de mudança que leve em consideração o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente, aumentando sua produtividade e satisfação pessoal”. (COLABORAL, 2016) O objetivo das organizações está na promoção de melhorias que assegurem uma perfeita integração entre: as condições de trabalho, as limitações físicas e psicológicas do indivíduo e do sistema produtivo. Para tal, emprega-se a disciplina cientifica da Ergonomia. A ergonomia (ou fatores humanos), segundo o portal Colaboral (2016), trata da compreensão das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema, aplicando teorias, princípios, dados e métodos aos projetos que visam otimizar o bem-estar humano e a performance dos sistemas. Os profissionais denominados ergonomistas contribuem para o planejamento, projeto e avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas, para torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas. Na aplicação da ergonomia, é possível evidenciar que as propostas realizadas a partir dos estudos desenvolvidos com a participação dos trabalhadores interferem positivamente na qualidade de vida no trabalho. Assista ao vídeo e aprenda mais sobre Ergonomia. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A NR 17 tem o objetivo de adaptar a área de trabalho, seu posto e organização para diminuir os esforços e evitar movimentos repetitivos, adequando o seu layout ao colaborador, promovendo um ambiente de trabalho seguro e saudável. A obrigação da elaboração de uma análise ergonômica do trabalho é de responsabilidade do empregador. A NR 17 tem como objetivo definir parâmetros e procedimentos que assegurem as melhores condições no ambiente de trabalho, preservando a saúde e segurança, conforto e a eficiência no desempenho da organização. De acordo com portal Colaboral (2016), os principais fatores ergonômicos de saúde e segurança estabelecidos na NR 17 são: Levantamento, transporte e carregamento de materiais Transporte manual de cargas é todo transporte no qual o peso da carga está suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o levantamento e a deposição da carga, em que os limites de peso sejam compatíveis com a saúde e segurança e somente com treinamento para a função, visando prevenir acidentes e garantir a saúde do trabalhador. Mobiliário dos postos de trabalho Na execução de serviços na posição sentada ou em pé, o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta flexibilidade postural, de modo a permitir ao trabalhador a posição de trabalho que ele deseje escolher durante a sua atividade. Equipamentos dos postos de trabalho Todos os equipamentos que compõem um posto de trabalho devem estar adequados às características: Psicofisiológicas dos trabalhadores, À natureza do trabalho a ser executado e ajustados de acordo com a necessidade de cada trabalhador, • • No objetivo de proporcionar boa postura, visualização e operação segura. Organização de trabalho A organização do trabalho deve estar adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado, levando em consideração alguns critérios mínimos: a) As normas de produção. b) O modo operatório. c) A exigência de tempo. d) A determinação do conteúdo de tempo. e) O ritmo de trabalho. f) O conteúdo das tarefas. Condições ambientais de trabalho As condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado, levando em conta os níveis de ruídos, temperatura do ambiente, velocidade do ar, umidade relativa do ar não inferior a 40%, iluminação adequada e distribuída uniformemente.(COLABORAL, 2016) Realizar o planejamento das atividades a serem executadas em uma organização sem pensar na qualidade do ambiente de trabalho e muito menos na saúde e integridade dos colaboradores pode ser desastroso. Dessa forma, a aplicação da ergonomia no ambiente de trabalho garante o aumento de produtividade, a redução do risco de afastamentos por problemas de saúde e a satisfação dos trabalhadores. A empresa é responsável pelo bem-estar dos seus colaboradores, fornecimento de todos os meios necessários à manutenção da saúde e prevenção dos riscos ambientais em todos os seus postos de trabalho, mas o funcionário também é responsável pela utilização correta dos equipamentos, proteções e aplicação diária dos procedimentos para a manutenção de sua própria saúde. As causas que envolvem a fadiga no trabalho são múltiplas e em geral são decorrentes das associações entre as más condições de trabalho, o desencontro entre ritmos biológicos e os horários de trabalho. Assista ao video e entenda as relações entre a ergonomia e o e-social. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Explique por que uma empresa deve ter responsabilidade com a segurança e saúde dos seus colaboradores, a partir do que está definido na Norma Regulamentadora no 1. Chave de resposta O espaço e processo de trabalho são de domínio da empresa, significando que quaisquer riscos existentes no ambiente de trabalho que expõem a segurança e a saúde dos colaboradores podem ocasionar doenças ou acidentes de trabalho. Logo, ao existirem disposições legais e regulamentares de como o trabalho deve ser exercido de maneira segura, cumpre à organização seguir as determinações definidas. A legislação impõe o levantamento dos riscos dos ambientes de trabalho, o seu controle e informação aos colaboradores das medidas empregadas para sua neutralização e o acompanhamento da saúde dos seus empregados. Além disto, a empresa deve estabelecer procedimentos nas tarefas desempenhadas pelos trabalhadores, realizar treinamentos e auditar habitualmente o seu cumprimento. Questão 2 Explique qual é a regra para a composição de um SESMT em uma empresa privada. Chave de resposta A composição e o dimensionamento dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho vincula-se à graduação da exposição do risco da atividade principal e ao seu número total de empregados do estabelecimento, constantes nos Quadros I e II na NR 4. Questão 3 Explique qual é a estrutura mínima de um PPRA. Chave de resposta A NR 9 define a seguinte estrutura mínima no PPRA: a. Planejamento anual com o estabelecimento de metas, prioridades e cronograma. b. Estratégia e metodologia de ação. c. Forma de registro, manutenção e divulgação dos dados. d. Periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. Questão 4 Cite os fatores ergonômicos de saúde e segurança estabelecidos na NR 17. Chave de resposta Os principais fatores ergonômicos de saúde e segurança estabelecidos na NR 17 são: Levantamento, transporte e carregamento de materiais. Mobiliário dos postos de trabalho. Equipamentos dos postos de trabalho. Organização de trabalho. Condições ambientais de trabalho. • • • • • 2. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - NR 5. Responsabilidades legais em Segurança e Saúde Segundo a NR 5 (2011), a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. Locais de constituição da CIPA A constituição da CIPA é obrigatória nas empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam trabalhadores como empregados. Assista ao vídeo e entenda a NR 5 e a CIPA. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Composição da CIPA A composiçãoda CIPA tem sua dimensão prevista na Norma Regulamentadora n.º 5 (NR 5), com representantes titulares e suplentes designados do empregador e dos titulares e suplentes dos empregados eleitos em escrutínio secreto, considerando a ordem decrescente de votos recebidos. No caso de empate no escrutínio de candidatos a membros eleitos da CIPA, assumirá aquele que tiver o maior tempo de serviço de empresa. Grau de risco Esta norma abandona o critério de grau de risco empregado no estabelecimento da composição e dimensionamento dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) da NR 4, criando grupamentos de empresas que possuam uma similaridade de processos produtivos, que deverão ser correlacionados em uma tabela existente da NR 5 com o número de empregados, para determinação no número de colaboradores titulares e suplentes da CIPA. Nesta mudança, houve o entendimento de que a classificação de empresas em grau de risco não seria condizente com a realidade do aumento significativo de problemas de saúde em setores anteriormente considerados como de baixo grau de risco. Uma empresa de qualquer ramo de atividade que não esteja obrigada a constituir CIPA deverá possuir um responsável denominado de designado, que deverá ter um vínculo celetista com a empresa, pelo cumprimento dos objetivos da NR 5. Eleição e mandato dos membros eleitos O mandato dos membros eleitos da CIPA tem a duração de um ano, permitida uma reeleição, sendo vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa de qualquer um empregado eleito desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. O empregador designará entre seus representantes o presidente da CIPA, e os representantes dos empregados escolherão entre os titulares o vice-presidente. Os membros da CIPA, de comum acordo, escolherão um secretário(a) e seu substituto, entre os seus componentes ou não da comissão, e neste último caso, será necessária a concordância do empregador para liberar um colaborador para esta função. Comentário Uma questão muito discutida, é a de que um membro eleito e reeleito da CIPA possui um ano de estabilidade depois do prazo do exercício da sua gestão e, desta maneira ausente do pleito anterior, novamente poderá se submeter a uma nova eleição e ser eleito novamente a esta comissão. Este fato pode se repetir, quantas vezes este colaborador conseguir os votos necessários para sua eleição. A garantia de emprego do cipeiro eleito é relativa, pois se refere apenas às dispensas arbitrárias ou sem justa causa. Nos termos do artigo 165, da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), entende-se como despedida arbitrária a que não se funda em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. A seguir, apresentamos as atribuições dos membros da CIPA. Atribuições do presidente da CIPA O presidente da CIPA tem as seguintes atribuições definidas na NR 5: a) Convocar os membros para as reuniões da CIPA. b) Coordenar as reuniões da CIPA, encaminhando ao empregador e ao SESMT (quando houver) as decisões da comissão. c) Manter o empregador informado sobre os trabalhos da CIPA. d) Coordenar e supervisionar as atividades de secretaria. e) Delegar atribuições ao vice-presidente. Atribuições do vice-presidente da CIPA O vice-presidente da CIPA tem as seguintes atribuições definidas na NR 5: a) Executar atribuições que lhe forem delegadas pelo presidente da CIPA. b) Substituir o presidente nos seus impedimentos eventuais ou nos seus afastamentos temporários. Atribuições conjuntas do presidente e do vice-presidente da CIPA O presidente e o vice-presidente da CIPA em conjunto terão as seguintes atribuições: a) Cuidar para que a CIPA disponha de condições necessárias para o desenvolvimento de seus trabalhos. b) Coordenar e supervisionar as atividades da CIPA, zelando para que os objetivos propostos sejam alcançados. c) Delegar atribuições aos membros da CIPA. d) Promover o relacionamento da CIPA com o SESMT (quando houver). e) Divulgar as decisões da CIPA a todos os trabalhadores do estabelecimento. f) Encaminhar os pedidos de reconsideração das decisões da CIPA. g) Constituir a comissão eleitoral. Atribuições do secretário da CIPA O secretário da CIPA tem as atribuições definidas na NR 5: a) Acompanhar as reuniões da CIPA, redigir as atas para serem aprovadas e posteriormente assinadas pelos membros presentes. b) Preparar as correspondências, e c) Outras atribuições que lhe forem determinadas. Atuação da CIPA A CIPA tem como atuação a promoção da conscientização de todos os funcionários de uma empresa, para uma melhoria contínua das condições de trabalho na organização. Outras características da CIPA Documentação e calendário anual disponíveis para fiscalização A documentação referente ao processo eleitoral da CIPA, como o calendário anual das reuniões ordinárias mensais, e as atas de eleição e posse na empresa deverão ficar à disposição da fiscalização da Secretaria Especial do Trabalho. Impossibilidade do número de representantes A CIPA, segundo a NR 5 (2011), não poderá ter seu número de representantes reduzido, e muito menos ser desativada pelo empregador, antes do término do mandato de seus membros, ainda que haja redução do número de empregados da empresa, exceto no caso de encerramento das atividades da empresa. O empregador deverá proporcionar os meios necessários ao desempenho das atribuições dos membros da CIPA, garantindo tempo suficiente para a realização das tarefas que deverão ser contempladas em um plano de trabalho a ser realizado. Deliberações da CIPA As decisões da CIPA serão preferencialmente por consenso, e em caso contrário, serão realizadas tentativas de negociação direta ou com mediação, e em uma última instância, será instalado um processo de votação, no qual será registrada a ocorrência na ata da reunião. Um membro titular poderá perder o seu mandato, podendo ser substituído por um suplente, quando faltar a mais de quatro reuniões ordinárias sem justificativa. Reuniões extraordinárias Os membros da CIPA poderão se reunir de maneira extraordinária nas seguintes situações: a. Quando houver denúncia de situação de risco grave e iminente que determine aplicação de medidas corretivas de emergência. b. Quando ocorrer acidente do trabalho grave ou fatal. c. Quando houver solicitação expressa de uma das representações, seja do empregador ou dos trabalhadores. A NR 5 determina as seguintes atribuições aos membros da CIPA: 1. Identificar os riscos do ambiente de trabalho, elaborar o seu mapa de riscos com a participação do maior número de trabalhadores e se houver assessoria do SESMT. 2. Elaborar plano de trabalho que possibilite ações preventivas na solução de problemas de segurança e saúde no trabalho. 3. Participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção necessárias, e a avaliação das prioridades de ação nos locais de trabalho. 4. Realizar periodicamente verificações nos ambientes e condições de trabalho no objetivo de identificar situações potenciais de riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores. 5. Realizar, nas reuniões, a avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas. 6. Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho. 7. Participar com o SESMT (onde houver) das discussões promovidas pelo empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente e processo de trabalho relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores. 8. Requerer ao SESMT (quando houver) ou ao empregador a paralisação de máquina, ou setor onde exista um risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores. 9. Colaborar no desenvolvimento e implementação do Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO) e do Programa de Proteção de Riscos Ambientais (PPRA) e de outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho. 10. Divulgar e promovero cumprimento das Normas Regulamentadoras e das cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho, relativas à segurança e saúde no trabalho. 11. Participar em conjunto com o SESMT (onde houver) ou com o empregador da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e realizar a proposição de medidas que solucionem os problemas identificados. 12. Requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões que tenham interferido na segurança e saúde dos trabalhadores. 13. Requisitar à empresa as cópias das Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) emitidas. 14. Promover anualmente, em conjunto com o SESMT (onde houver), a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT). 15. Participar anualmente, em conjunto com a empresa, de campanhas de prevenção da AIDS. Abordagens do trabalho da CIPA O trabalho da CIPA deverá abordar as relações entre o homem e o trabalho, no objetivo da melhoria contínua das condições de trabalho para prevenção de acidentes e doenças decorrentes do ambiente de trabalho. Desta maneira, uma medida necessária ao exercício das atribuições do cipeiro, está no entendimento real das ações que deverá desempenhar, o que determina na NR 5 um treinamento mínimo dos seguintes itens: a. Estudo do ambiente, condições de trabalho e os riscos do processo produtivo. b. Metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do trabalho. c. Noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de exposição aos riscos existentes na empresa. d. Noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida- AIDS, e medidas de prevenção. e. Noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária relativas à segurança e saúde no trabalho. f. Princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos. g. Organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das atribuições da Comissão. Treinamento dos cipeiros De acordo com a NR 05 (2011), o treinamento terá uma carga horária de vinte horas, distribuídas em no máximo oito horas diárias durante o expediente normal da empresa e poderá ser ministrado pelo SESMT da empresa, entidade patronal, entidade de trabalhadores ou por profissional que possua conhecimentos sobre os temas ministrados. A CIPA deverá ser ouvida quanto à realização do treinamento, à entidade ou profissional que o ministrará e deverá manifestar em ata a ciência dos fatos, cabendo à empresa escolher a entidade ou profissional que ministrará o treinamento. Quando não comprovado para fiscalização da Secretaria Especial do Trabalho o atendimento para estas questões, deverá ser realizada uma complementação ou outro treinamento, no prazo máximo de trinta dias, contados da data de ciência da empresa sobre esta decisão. Consulte mais orientações sobre a NR 5 pela Secretaria Especial do Trabalho. Saiba mais Pesquise e consulte o artigo Novos textos das NR´s 5,17,19, 30 e anexos das NR´s 9, 12 e 20 são publicados no Diário Oficial da União. Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - NR 7 O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) é parte integrante do conjunto de iniciativas legais de prevenção e proteção da saúde dos trabalhadores. Assista ao vídeo e aprenda sobre Mapa de Risco. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A NR 07 estabelece que todas as empresas e instituições que admitam trabalhadores como empregados têm a obrigatoriedade de elaborar e implementar o PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde dos seus trabalhadores. Esta NR estabelece que somente o médico do trabalho pode implementar o PCMSO, uma vez que sua execução consiste em procedimentos e atos médicos, como exames médicos, determinação de procedimentos, emissão de atestados de saúde ocupacional, que são atos privativos do profissional médico. Além disto, a NR 7 define os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na sua execução, podendo ocorrer sua ampliação mediante negociação coletiva de trabalho. Responsabilidade do empregador A NR 07 determinou que é responsabilidade do empregador: a. Garantir a elaboração e efetiva implementação do PCMSO, e zelar pela sua eficácia. b. Custear sem ônus para o empregado todos os procedimentos relacionados ao PCMSO. c. Indicar, dentre os médicos dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da empresa, um coordenador responsável pela execução do PCMSO. d. No caso de uma empresa estar desobrigada de manter médico do trabalho, conforme a NR 4, deverá o empregador indicar um médico do trabalho, empregado ou não da empresa, para coordenar o PCMSO. Conhecimento das condições de trabalho No propósito de atingir o objetivo de proteção da saúde dos empregados da empresa, o profissional médico deve considerar e desenvolver ações no conhecimento das condições de trabalho, processos produtivos, postos de trabalho, para identificar os riscos ocupacionais e as exigências físicas e psíquicas das atividades dos trabalhadores. Outra questão importante a ser avaliada pelo médico é a educação e a capacitação dos empregados para conhecer e lidar com os fatores de risco à saúde existentes no processo e ambiente de trabalho, e se, de fato, existe na prática um controle ou eliminação na exposição destes fatores às pessoas. Estrutura da PCMSO O PCMSO não possui uma estrutura fixa, mas recomendações que são realizadas sobre alguns requisitos que o seu relatório anual obrigatório deverá conter: A identificação da empresa, incluindo o ramo de atividade (de acordo com o quadro I da NR 04) e grau de risco, número de empregados com a sua distribuição por gênero, o seu período de trabalho e em quantos turnos. As definições técnicas, tendo como base as atividades e processos de trabalho, verificados e auxiliados pelo PPRA e pelo mapeamento de riscos. • • Um programa anual de exames rotineiros e específicos para os riscos ocupacionais existentes na empresa, definindo quais empregados serão submetidos e em que periodicidade serão realizados. Outras avaliações médicas especiais. A implementação deste programa se tornará mais complexa, na medida em que o número dos riscos ocupacionais aumente na empresa e existam fatores que exijam as capacidades físicas e psicológicas dos empregados na realização das suas atividades. Na elaboração do PCMSO, como pôde ser visto, existe a necessidade de uma análise completa de todos os riscos ocupacionais existentes no ambiente de trabalho. Esta informação valiosa pode ser encontrada no Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais (PPRA), estatísticas de acidentes e de doenças profissionais, mapa de riscos, nas análises ergonômicas do trabalho e mesmo em entrevistas ou informações fornecidas pelos empregados que precisarão ser analisadas sob a ótica técnica. Assim, o PCMSO deve considerar as questões de saúde incidentes sobre o empregado ou conjunto de empregados, tal qual o PPRA, que identifica os chamados Grupos Homogêneos de Exposição de Riscos (GHE), que possuem em um mesmo setor ou em setores diferentes um grau similar de exposição aos mesmos fatores de risco. Isto facilita um melhor conhecimento da realidade de saúde da empresa e a determinação dos respectivos riscos ocupacionais de cada um dos empregados pertencentes a um GHE. Logo, poderá o profissional médico estabelecer exames médicos consistentes para o monitoramento da saúde dos empregados da organização. Exames médicos Assista ao vídeo e compreenda a PCMSO. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Os exames médicos terão como fundamento a prevenção do surgimento de doenças que poderão causar invalidez por ocasião das atividades exercidas de qualquer um dos empregados de uma empresa e o acompanhamento de eventuais danos ou patologias ou mesmo detecção dos riscos de doenças já existentes em indivíduos, principalmente em relação ao trabalho. O PCMSO deverá incluir a realização obrigatóriados seguintes exames médicos aos empregados: Admissional Deverá ser realizado antes que o trabalhador assuma suas atividades. • • Periódico Conforme os intervalos mínimos de tempo para trabalhadores expostos aos riscos ou às situações de trabalho que impliquem no desencadeamento ou agravamento de doença ocupacional, ou aqueles empregados que sejam portadores de doenças crônicas, deverão ser realizados: Anualmente ou a intervalos menores, a critério do médico do trabalho, se notificado por médico da inspeção do trabalho ou por uma definição de negociação coletiva de trabalho. Uma periodicidade diferenciada aos trabalhadores expostos a condições hiperbáricas, de acordo com o Anexo n.º 6, da Norma Regulamentadora n.º 15. Na maioria dos casos, aos trabalhadores: Anual: Quando menores de 18 (dezoito) anos e maiores de 45 (quarenta e cinco) anos. A cada dois anos: Para os trabalhadores entre 18 (dezoito) anos e 45 (quarenta e cinco) anos. De retorno ao trabalho Deverá ser realizado obrigatoriamente no primeiro dia da volta ao trabalho de empregado ausente por período igual ou superior a 30 (trinta) dias por motivo de doença ou acidente, de natureza ocupacional ou não, ou parto. De mudança de função Será obrigatoriamente realizado antes da data de toda e qualquer alteração de atividade, posto de trabalho ou de setor que implique em alteração na exposição de um empregado a um risco ocupacional diferente daquele a que estava exposto antes da mudança. Demissional Obrigatoriamente realizado em até 10 (dez) dias contados a partir do término do contrato. Procedimentos que envolvem o Atestado Médico de Saúde Realização do exame e emissão do atestado O médico deverá realizar os exames dos empregados e emitir o Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) em duas vias: • • • • Primeira via Uma primeira via do ASO deverá estar arquivada no local de trabalho do empregado, seja nas situações de frente de trabalho ou canteiro de obras, à disposição de uma fiscalização do trabalho. Segunda via A segunda via do ASO deverá ser obrigatoriamente entregue ao empregado, mediante registro deste ato de entrega na primeira via. O Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) deverá conter, no mínimo, as seguintes informações: a) Nome completo do empregado, o número de registro de sua identidade e sua função. b) Os riscos ocupacionais específicos existentes, ou a ausência deles, na atividade do empregado, conforme instruções técnicas expedidas pela Secretaria Especial do Trabalho. c) Indicação dos procedimentos médicos a que foi submetido o empregado, incluindo os exames complementares e a data em que foram realizados. d) O nome do médico coordenador, quando houver, com respectivo CRM. e) Definição de apto ou inapto para a função específica que o empregado vai exercer, exerce ou exerceu. f) Nome do médico encarregado do exame e endereço ou forma de contato. g) Data e assinatura do médico encarregado do exame e carimbo contendo seu número de inscrição no Conselho Regional de Medicina. No caso de uma ocorrência constatada de doença ocupacional ou de seu agravamento, através de exames médicos ou verificadas quaisquer alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, caberá ao médico-coordenador: a) Solicitar à empresa a emissão de uma Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT). b) Indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco ou do trabalho. c) Encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho. d) Orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. Os dados obtidos nos exames médicos, incluindo avaliação clínica e exames complementares, conclusões e as medidas aplicadas deverão ser registrados em prontuário clínico individual de cada um dos empregados, que ficará sob a responsabilidade do médico do trabalho, coordenador do PCMSO. Estes registros deverão ser mantidos pela empresa por um período mínimo de 20 (vinte) anos após o desligamento do trabalhador. Verificando o aprendizado Questão 1 Explique por que no dimensionamento da CIPA não foi levado em consideração o grau de risco das empresas, como em outras Normas Regulamentadoras? Chave de resposta A mudança do critério levou em conta o entendimento de que a classificação de empresas em grau de risco não seria condizente com a realidade do aumento significativo de problemas de saúde em setores anteriormente considerados como de baixo grau de risco. Desta maneira, houve o entendimento da criação de grupamentos de empresas que possuam uma similaridade nos processos produtivos, que deverão ser correlacionados em uma tabela existente da NR 5 com o número de empregados, para determinação no número de colaboradores titulares e suplentes da CIPA. Questão 2 Explique quantos e quais são os exames médicos obrigatórios determinados aos empregados pelo PCMSO. Chave de resposta Os exames médicos a serem realizados pelos funcionários são em número de cinco, os quais estão relacionados abaixo: Admissional: Deverá ser realizado antes que o trabalhador assuma suas atividades. Periódico, de acordo com a determinação técnica do médico coordenador, com base na legislação. Retorno ao trabalho: Realizado obrigatoriamente no primeiro dia da volta ao trabalho do empregado. Mudança de função: Obrigatoriamente realizado antes da data de toda e qualquer alteração de atividade, posto de trabalho ou do setor que altere a exposição do empregado a um risco ocupacional diferente daquele a que estava exposto antes da mudança. Demissional: Obrigatoriamente realizado em até 10 (dez) dias contados a partir do término do contrato. Questão 3 • • • • • O PCMSO é regulamentado por que Norma Regulamentadora? Qual é o seu objetivo? Chave de resposta O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) é parte integrante do conjunto de iniciativas legais de prevenção e proteção da saúde dos trabalhadores. A NR 7 estabelece que todas as empresas e instituições que admitam trabalhadores como empregados têm a obrigatoriedade de elaborar e implementar o PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde dos seus trabalhadores. Esta NR estabelece que somente o médico do trabalho pode implementar o PCMSO, uma vez que sua execução consiste em procedimentos e atos médicos, como exames médicos, determinação de procedimentos, emissão de atestados de saúde ocupacional, que são atos privativos do profissional médico. Além disto, a NR 7 define os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na sua execução, podendo ocorrer sua ampliação mediante negociação coletiva de trabalho. 3. Atividades e operações insalubres e perigosas - NR 15 e NR 16 Atividades e operações insalubres – NR 15 Assista ao vídeo e aprenda sobre atividades insalubres e a NR 15. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Conheça o histórico a seguir. 1936 Criação da Lei n.º 185, de 14/01 No Brasil, em 1936, houve a criação da Lei nº 185, de 14/01, que tinha como princípio remunerar financeiramente os trabalhos realizados sob péssimas condições ambientais, que seriam os desenvolvidos em situações de pouca luminosidade, umidade, ruído de máquinas, pouca ou nenhuma ventilação, calor no ambiente de trabalho, entre outros. A referida remuneração foi denominada de adicional de insalubridade e sua finalidade era a de auxiliar os trabalhadores na compra de comida, porque na época acreditava-se que as pessoas bem alimentadas eram mais resistentes às doenças. 1943 Consolidação das Leis do Trabalho Em 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ganhou um capítulo específico para tratar da Higiene do Trabalho, e determinou, em seu artigo 60: “Nas atividades insalubres, assim consideradas as constantes dos quadros mencionados no capítulo de ‘Higiene e Segurança do Trabalho’, ouque neles sejam incluídas por ato do ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quaisquer prorrogações só poderão ser acordadas mediante licença prévia das autoridades competentes em matéria de Higiene do Trabalho, as quais, para esse efeito, procederão aos necessários exames locais e à verificação dos métodos e processos de trabalho, quer diretamente, quer por intermédio de autoridades sanitárias federais, estaduais e municipais, com quem entrarão em entendimento para tal fim.” (BRASIL, 1943) 1968 Insalubridade A determinação da caracterização de uma situação do pagamento de insalubridade por médicos e engenheiros somente ocorreu por força do Decreto-Lei n.º 389, de 26/12/1968, reforçando que são os profissionais técnicos habilitados nas questões de Higiene e Segurança do Trabalho. 1978 Atividades e Operações Insalubres - NR 15 No ano de 1978, com o advento da Norma Regulamentadora n.º 15, denominada Atividades e Operações Insalubres, definiu-se o que seria considerado uma atividade insalubre e atualmente permanecem estas caracterizações técnicas. Analisando o significado do pagamento do adicional de insalubridade, pode ser percebido inicialmente como uma remuneração infeliz pelo exercício do trabalho em atividades prejudiciais do empregado, em que sua saúde pode estar exposta às situações de doenças ocupacionais. Na realidade, o ordenamento jurídico brasileiro estabeleceu o pagamento da insalubridade como uma forma de condenação financeira ao empregador, para obrigá-lo a fornecer os equipamentos de segurança necessários à eliminação do contato do empregado com os agentes nocivos a sua saúde ou mesmo o estabelecimento de mecanismos que eliminem na fonte os agentes nocivos. Pagamento adicional Entendendo melhor, os valores de pagamento do adicional de insalubridade estão estabelecidos no artigo 192, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que está destacado a seguir: O exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente de quarenta por cento, vinte por cento e dez por cento do salário mínimo da região, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e mínimo. (BRASIL, 1943) O pagamento do adicional de insalubridade pode ser entendido como um acréscimo à remuneração do empregado, no exercício de uma atividade que apresenta, em sua natureza, condições ou métodos de trabalho, uma exposição a agentes químicos, físicos ou biológicos nocivos à sua saúde, e gera desconforto físico ou psicológico superior ao exercício normal do trabalho. Na situação em que um empregado esteja exposto a mais de um agente nocivo que determine um pagamento de insalubridade, será considerado aquele de grau mais elevado para efeito do acréscimo salarial, sendo vedado o seu pagamento cumulativo. A Norma impõe à empresa o estabelecimento de um laudo técnico das condições dos seus ambientes de trabalho, para evidenciar a existência ou não de atividades geradoras de insalubridade aos seus empregados, a ser elaborado por engenheiro de Segurança do Trabalho ou médico do Trabalho. A eliminação do agente nocivo que gerou a insalubridade determinará a cessação do seu pagamento, e como mencionado anteriormente, a sua neutralização passa pela adoção de medidas, que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância ou na utilização de equipamentos de proteção individual pelo empregado, para a diminuição da intensidade do agente nocivo ao seu limite de tolerância. Nos casos em que a eliminação da insalubridade ocorrer por emprego de equipamentos de proteção individual (EPI), deverá a empresa evidenciar a sua efetiva utilização pelos empregados, sob risco de arcar com o pagamento do adicional. Atenção Pesquise e consulte o texto do artigo 191, da CLT, sobre o assunto. Classificação dos Agentes Nocivos da NR 15 A Norma Regulamentadora n.º 15 possui 14 anexos, contendo as atividades e operações insalubres determinadas legalmente para serem verificadas tecnicamente através de medições ambientais qualitativas (em alguns agentes expressos nesta NR) e quantitativas, nos locais de trabalho das empresas e comparadas aos seus limites estabelecidos de tolerância para os agentes prescritos em seu texto. Os agentes nocivos definidos nos anexos da NR 15 podem ser classificados em: Agentes físicos Ruídos contínuos, intermitentes e de impacto, calor, radiações ionizantes e não ionizantes, condições hiperbáricas, vibrações, frio e umidade. Agentes químicos Benzeno, cloro, carvão e poeiras minerais, chumbo, fósforo, hidrocarbonetos, outras substâncias químicas relacionadas e substâncias cancerígenas. Agentes biológicos Contato com doenças infectocontagiosas, carne, glândulas, vísceras, ossos, pelos e dejetos de animais portadores de doenças infectocontagiosas, esgotos em galerias e tanques, lixo urbano (coleta e industrialização). Na tabela estabelecida abaixo, podem ser observados os percentuais de pagamento de adicionais de insalubridade de cada um dos agentes nocivos da NR 15. Anexo Atividades ou operações que exponham o trabalhador Percentual 1 Níveis de ruído contínuo ou intermitente superiores aos limites de tolerância fixados no Quadro constante do Anexo 1 e no item 6 do mesmo Anexo da NR 15. 20% 2 Níveis de ruído de impacto superiores aos limites de tolerância fixados nos itens 2 e 3 do Anexo 2 da NR 15. 20% 3 Exposição ao calor com valores de Índice de Bulbo Úmido e Termômetro Globo, superiores aos limites de tolerância fixados nos Quadros 1 e 2 da NR 15. 20% 4 (Revogado pela Portaria MTE, n.º 3.751, de 23 de novembro de 1990). 20% 5 Níveis de radiações ionizantes com radioatividade superior aos limites de tolerância fixados neste Anexo da NR 15. 40% 6 Trabalhos sob ar comprimido e submersos. 40% 7 Radiações não ionizantes consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 20% 8 Vibrações consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 20% 9 Frio considerado insalubre em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 20% 10 Umidade considerada insalubre em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 20% 11 Agentes químicos cujas concentrações sejam superiores aos limites de tolerância fixados no Quadro 1 da NR 15. 10%, 20% e 40% 12 Poeiras minerais cujas concentrações sejam superiores aos limites de tolerância fixados neste Anexo da NR 15. 40% 13 Atividades ou operações, envolvendo agentes químicos estabelecidos pela NR 15, consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 10%, 20% e 40% 14 Agentes biológicos estabelecidos na NR 15. 20% e 40% Tabela - Pagamento de adicionais de insalubridade. José Ney Pinheiro Atividades e operações perigosas – NR 16 A NR 16 é uma norma regulamentadora determina as atividades e operações que legalmente são consideradas perigosas, suas recomendações prevencionistas e a definição do pagamento de um adicional de 30% sobre o salário para os empregados que estejam expostos nestas condições de periculosidade. Assista ao vídeo e entenda a NR 16. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A NR 16 considera como perigosas as atividades e operações que envolvam: Explosivos Sujeitos a uma degradação química ou autocatalítica, ou à ação de agentes exteriores (umidade, calor, fogo, faíscas, atritos, choques, fenômenos físicos, etc.). Inflamáveis Relacionados ao transporte de inflamáveis gasosos ou liquefeitos acima de 135 quilos, a granel e em quaisquer vasilhames, líquidos acima de 200 litros, bem como as realizadas nas áreas de risco. Radiações ionizantes ou substancias radioativas Relacionados com as atividades de produção, utilização, processamento, transporte, guarda, estocagem e seu manuseio em quaisquer estados, tratamentos, rejeitos,aplicações médicas, pesquisas e atividades de agricultura e agropecuária, laboratórios, testes, ensaios e calibração de detectores e monitores de radiação, etc. Roubos ou outras formas de violência física Desenvolvidas na exposição dos profissionais de segurança pessoal ou patrimonial aos roubos, ou outras espécies de violência física. Energia elétrica Desenvolvidas nas atividades ou operações em instalações ou equipamentos elétricos energizados em baixa tensão no sistema elétrico de consumo ou em alta tensão, trabalhos em proximidades estabelecidas na NR 10 e em instalações ou equipamentos integrantes do sistema elétrico de potência. Trabalhos com motocicleta Desenvolvidos de motocicleta ou motoneta no deslocamento do empregado em vias públicas. A situação de periculosidade determina o pagamento de um adicional, porque nas atividades e operações relacionadas anteriormente, existe um risco iminente de ocorrer uma fatalidade em uma situação de acidente. A NR 16 determina a responsabilidade do empregador de estudar suas atividades ou operações desenvolvidas, com finalidade de evidenciar se há caracterização ou não da ocorrência de atividades perigosas, mediante um laudo técnico realizado por um engenheiro de Segurança ou médico do Trabalho. Esta regra está definida no artigo 195 da CLT. Uma questão a ser mencionada, é a falta do entendimento correto das diferenças entre a insalubridade e a periculosidade. Destacamos a seguir que: Como pode ser observado, ao contrário da insalubridade, que define uma exposição de maneira habitual e permanente aos agentes nocivos, a periculosidade considera que, em qualquer fração de segundo, submetido a condições perigosas, é o suficiente para tornar o empregado inválido ou em uma situação de morte. Exemplo Uma situação que muitas vezes pode ocorrer é a exposição de um empregado aos agentes nocivos de insalubridade e periculosidade e, neste caso, está estabelecido no artigo 193, em seu parágrafo 2º, da CLT, que deverá este empregado optar por aquele que for maior financeiramente. Consulte o texto o artigo 193, da CLT. Gestão integrada em Saúde e Segurança A preservação da segurança, saúde e qualidade de vida dos empregados é algo indispensável, que as empresas prezam muito e entendem que um ambiente seguro é um dos melhores locais para se estar. Isto significa que não haverá qualidade de vida se esta não começar pelo trabalho. Este fato interfere no processo industrial, na qualidade do que é fabricado, na produtividade e no lucro. Desta maneira, a empresa deve estar à frente na gestão integrada da segurança, saúde e qualidade de vida dos empregados, ter a visão do seu conjunto de ações que deverão ser empreendidas e aplicar em prevenção, buscar trabalhar com profissionais especializados, conhecer e aplicar a legislação vigente, entender que educação representa benefícios em relação aos custos, em credibilidade dos seus produtos e na responsabilidade social empresarial. Esta nova postura rompe com o paradigma do lucro financeiro como razão da existência da empresa, e avança para um sentido novo, em que o lucro passa a ser resultado do equilíbrio entre os fatores econômicos, social e ambiental para a sua sustentabilidade. Assista ao video e entenda as práticas inovadoras de qualidade de vida no trabalho. Insalubridade A insalubridade define que o empregado está exposto aos agentes nocivos (físicos, químicos e biológicos) estabelecidos na NR 15 de maneira habitual e permanente e seu recebimento do adicional representa um valor que pode variar entre 10, 20 ou 40% sobre o salário mínimo. Afeta a saúde do trabalhador. Entre 10, 20 ou 40% de adicional. Prevista na NR 15. Periculosidade Tem como característica o fator fatalidade, ou seja, risco de morte em função das atividades exercidas pelo empregado, como aquelas que empreguem explosivos, inflamáveis, substâncias radioativas ou ionizantes, segurança pessoal e patrimonial e trabalhos com motocicleta. Nestes casos, o seu adicional corresponde a 30% do salário do empregado. Oferece risco de morte. 30% de adicional. Prevista na NR 16 • • • • • • Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. No entendimento de que a segurança e Medicina no trabalho são questões culturais com formação e informação, e passam pelo entendimento e valorização de todas as partes envolvidas, o Sistema de Gestão Integrado (SGI) atende a estas necessidades organizacionais, porque envolve todas as funções das diversas áreas da empresa, respeita as especificidades de cada uma das áreas e garante a adesão de todos no programa de gestão. Assim, o objetivo do SGI é estabelecer uma estrutura que busque a melhoria contínua, através de ações proativas para identificar, avaliar e controlar perigos e riscos existentes nos ambientes de trabalho, antes que se tornem causas de doenças e acidentes, mantendo-os dentro de limites aceitáveis. Na busca por índices que tratem da condição humana no trabalho, vários levantamentos são realizados sobre os riscos ocupacionais no trabalho, ergonomia dos postos de trabalho, questões de saúde e segurança do trabalho, carga mental exigida pelo trabalho, esforços repetitivos, significado do trabalho, processos comportamentais e expectativas dos colaboradores, motivação, liderança e empregabilidade. Na implementação e manutenção de um SGI, é fundamental a formação de uma equipe multidisciplinar com participação incontestável de profissionais das áreas de qualidade, meio ambiente, segurança e saúde ocupacional, com a firmeza de propósito de estabelecer normas à realidade da empresa, levando em consideração uma análise da situação atual, do seu desempenho e das suas necessidades. A aceitação e o entendimento dos conceitos de SGI por parte da alta administração e a participação da área de recursos humanos neste processo de mudança são fundamentais para que se consiga o envolvimento de todos os colaboradores e a obtenção de bons resultados. As organizações podem melhorar os seus resultados focando em melhorias de equipamentos e procedimentos, e procurando mudar positivamente o comportamento humano por meio da educação e do treinamento. A importância de um sistema de gestão integrada nas organizações está modificando o papel dos profissionais das áreas de qualidade, meio ambiente, segurança e saúde ocupacional de uma postura fiscalizadora para um papel de assessoria técnica, ou seja, no aparecimento de um novo profissional. Este profissional deve estar atualizado nesta nova função de gestão, com conhecimentos de processo, métodos de trabalho e de novas didáticas para o treinamento. Sua atuação também deve ser modificada para contemplar atitudes cooperativas que integrem as ações de qualidade, meio ambiente, segurança e saúde aos métodos de trabalho, ao invés de bloquear meramente de forma intransigente o trabalho, assim como interferir quando houver uma percepção de que estas ações não estejam sendo bem compreendidas ou colocadas em prática. Esta percepção só estará sendo exercida através de inspeções diárias e auditorias periódicas. As atividades de prevenção deverão estar concentradas na promoção de treinamentos internos e externos, no objetivo da aplicação de técnicas de identificação de riscos, propostas de mudanças dos locais de trabalho e em projetos, e no estudo de métodos de trabalho mais adequados no auxílio aos gerentes e supervisores da empresa. O sucesso do sistema de gestão integrado dependerá da capacidade dos profissionais da equipe multidisciplinar em estabelecer um programa participativo e em saber administrar conflitos entre os diversos níveis da organização, de maneira que tenham capacidade de se antecipar aos problemas e saibam negociar soluções, critérios e prazos com os demais profissionais das outras áreas. Nesta transformação de competências, um lado mais negociador deve ser muito trabalhado por cada um dos integrantes das áreas de qualidade, meio ambiente, segurança e saúde. Verificandoo aprendizado Questão 1 Explique se ao eliminar um adicional de insalubridade com a adoção de equipamentos de proteção individual, existiriam quaisquer outros meios necessários a serem evidenciados em uma auditoria fiscal trabalhista. Chave de resposta A eliminação do adicional de insalubridade exige que seja demonstrado à fiscalização do trabalho que todos os empregados, de forma efetiva, utilizam seus equipamentos de proteção individual. Questão 2 Verifique se está correta ou errada a afirmação abaixo: “O adicional de insalubridade e o de periculosidade têm igual valor financeiro aos empregados”. Justifique sua resposta. Chave de resposta A afirmação está errada. O adicional de insalubridade representa um valor que pode variar entre 10, 20 ou 40% sobre o salário mínimo, enquanto o adicional de periculosidade corresponde a 30% do salário do empregado. Questão 3 Explique quais seriam os novos conhecimentos necessários ao novo papel dos membros da equipe multidisciplinar. Chave de resposta Os membros da equipe multidisciplinar deverão, neste novo papel, possuir conhecimentos de gestão, processo, métodos de trabalho e de novas didáticas para o treinamento. 4. Conclusão Considerações finais Neste conteúdo, aprofundamos os principais instrumentos legais e operacionais que sustentam a saúde e segurança no ambiente de trabalho. As Normas Regulamentadoras (NRs) foram apresentadas como a base para garantir condições mínimas de proteção aos trabalhadores, com foco na prevenção de riscos e acidentes. Exploramos o papel dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, essenciais para orientar as práticas das empresas nesse campo. Também conhecemos a importância da CIPA, suas atribuições e seu envolvimento direto em ações preventivas dentro das organizações. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) foram abordados como ferramentas estratégicas, cada um com responsabilidades claras na identificação, monitoramento e controle de riscos. Além disso, discutimos a ergonomia como uma aliada na promoção da qualidade de vida no trabalho. Sua aplicação contribui diretamente para a redução de lesões ocupacionais e melhora o desempenho dos colaboradores. Encerramos destacando a atuação da equipe multidisciplinar na construção de um sistema de gestão integrada. Essa abordagem permite uma visão mais ampla, com decisões orientadas à segurança e ao bem- estar de todos. Promover um ambiente seguro, saudável e eficiente exige conhecimento técnico, responsabilidade e compromisso com as pessoas. É esse o papel da gestão moderna: proteger e valorizar os trabalhadores, garantindo sustentabilidade e desempenho organizacional. Explore + O aprendizado é um processo contínuo e dinâmico. Vá além deste conteúdo. Pesquise artigos acadêmicos para entender os debates atuais, assista a palestras para ouvir perspectivas diversas, leia livros especializados que aprofundem o tema e explore aplicações que conectem teoria e prática. Cada novo recurso que você explora é uma oportunidade de enriquecer sua compreensão e abrir caminhos para novas descobertas. Que tal dar o próximo passo hoje? Referências BAPTISTA, A. M. Interface entre o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais e os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde. São Paulo: USP. CÂMARA, José Luiz; Costa, Sandra Dalla. Curso de Formação de Cipeiros – CIPA Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. São Paulo: LTR, 2002. CAMPOS, Armando. CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. São Paulo: SENAC, 1999. FIOCRUZ. PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Consultado na internet em 19 set. 2019. GALLAGHER, C.; Underhill, E.; Rimmer, M. Occupational health and safety management systems: a review of their effectiveness in searing healthy and safe workplaces. Sydney: National Occupational Health and Safety Commission, 2001. 71 p. GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Legislação de Segurança e Medicina do Trabalho. São Paulo: Método, 2007. GODINI, Q.; Valverde, S. Gestão integrada de qualidade, segurança e saúde ocupacional e meio ambiente. São Paulo: Bureau Veritas Brasil, 2001. GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. GUÉRIN, F.; Laville, A.; Daniellou, F.; Duraffourg, J.; Kerguelen, A. Compreender o trabalho para transformá-lo: a prática da ergonomia. São Paulo: Edgard Blücher, 2001. KANNENBERG. Manual de sistema de gestão integrado. Santa Cruz do Sul, RS, 2004. 52 p. MENDES, R. Requisitos para a competência no exercício das profissões que cuidam da saúde dos trabalhadores. In: Ferreira Filho, M. (org.). Saúde no trabalho. São Paulo: Roca, 2000. MORAES, Monica Maria Lauzid de. O direito à saúde e segurança no meio ambiente do trabalho. São Paulo: LTR, 2002. PEREIRA, Alexandre Demetrius. Tratado de segurança e saúde ocupacional. São Paulo: LTR, 2005. RIBEIRO NETO, J. B. M.; Tavares, J. C.; Hoffmann, S. C. Sistemas de gestão integrados: qualidade, meio ambiente, responsabilidade social, segurança e saúde no trabalho. São Paulo: Senac, 2008. SALIBA, T. M.; Corrêa, M. A. C. Insalubridade e periculosidade: aspectos técnicos e práticos. 13. ed. São Paulo: LTR, 2014. Normas Regulamentadoras, CIPA e Gestão Integrada 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Normas regulamentadoras As determinações legais de responsabilidades em segurança e saúde Responsabilidade dos empregadores Responsabilidade dos empregados Conteúdo interativo Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – NR 4 Competências do SESMT, segundo a NR 04, no seu item 4.12 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – NR 9 Riscos ocupacionais Parâmetros mínimos e diretrizes gerais Comentário Etapas para o desenvolvimento do PPRA Atenção Nível de ação Manutenção dos registros de dados Responsabilidades do empregador e do empregado Riscos ambientais Qualidade de vida e Ergonomia no trabalho – NR 17 Conteúdo interativo Levantamento, transporte e carregamento de materiais Mobiliário dos postos de trabalho Equipamentos dos postos de trabalho Organização de trabalho Condições ambientais de trabalho Realizar o planejamento das atividades a serem executadas em uma organização sem pensar na qualidade do ambiente de trabalho e muito menos na saúde e integridade dos colaboradores pode ser desastroso. Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - NR 5. Responsabilidades legais em Segurança e Saúde Locais de constituição da CIPA Conteúdo interativo Composição da CIPA Grau de risco Eleição e mandato dos membros eleitos Comentário Atribuições do presidente da CIPA Atribuições do vice-presidente da CIPA Atribuições conjuntas do presidente e do vice-presidente da CIPA Atribuições do secretário da CIPA Atuação da CIPA Outras características da CIPA Documentação e calendário anual disponíveis para fiscalização Impossibilidade do número de representantes Deliberações da CIPA Reuniões extraordinárias Abordagens do trabalho da CIPA Treinamento dos cipeiros Saiba mais Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - NR 7 Conteúdo interativo Responsabilidade do empregador Conhecimento das condições de trabalho Estrutura da PCMSO Exames médicos Conteúdo interativo Admissional Periódico De retorno ao trabalho De mudança de função Demissional Procedimentos que envolvem o Atestado Médico de Saúde Realização do exame e emissão do atestado Primeira via Segunda via Verificando o aprendizado 3. Atividades e operações insalubres e perigosas - NR 15 e NR 16 Atividades e operações insalubres – NR 15 Conteúdo interativo 1936 Criação da Lei n.º 185, de 14/01 1943 Consolidação das Leis do Trabalho Insalubridade 1978 Atividades e Operações Insalubres - NR 15 Pagamento adicional Atenção Classificação dos Agentes