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Prof. Dr. Elvis Wanderley UNIDADE III Técnicas e Gêneros Jornalísticos Jornalismo diversional: as matérias de interesse humano: O jornalismo diversional ainda provoca discussões sobre a sua existência e a sua definição. De forma geral, trata-se do conjunto de textos jornalísticos considerados “agradáveis”, que não se limitam, apenas, a informar; tampouco, procuram impor juízos de valor sobre a realidade. Sua função essencial é o entretenimento da leitura com prazer; Segundo Marques de Melo (2010, p. 2), no final do século XX: “aparece um segmento de natureza emotiva e hedonística, nutrido pela civilização do ócio, configurando o gênero diversional, cuja identidade vacila entre o mundo real e a narrativa imaginária”; Para definir a categoria diversional, em primeiro lugar, devemos esclarecer que não se trata do jornalismo informativo ou de serviço, voltado à oferta de opções de lazer. Trata-se, sim, do jornalismo em que a leitura do texto é prazerosa, e, por isso, promove a diversão. Unidade III Jornalismo diversional: Nas palavras de Francisco de Assis (2016, p. 150), ele comenta que: Uma pessoa pode, muito bem, ter diversão em contato com histórias dramáticas, de sofrimento ou de superação. O teor não precisa ser espirituoso para tanto. Os filmes (ficcionais ou não) exploram essas particularidades. As telenovelas, também. Os livros, igualmente. Sempre com a mesma finalidade, ou seja, a de divertir. Com o jornalismo seria diferente? É certo, em nosso modo de ver, que não. Inserida no ambiente midiático, essa atividade busca, como se observou, encontrar meios para disputar o espaço, ainda que indiretamente, com outras ofertas feitas pelos media. Em síntese, o gênero diversional oferece textos jornalísticos que promovem leituras prazerosas. A forma envolve a estrutura, a organização e a ordenação. Unidade III Jornalismo diversional: Em linhas gerais: tanto para Assis e Marques de Melo, os textos do jornalismo diversional apresentam formatos que mimetizam os gêneros ficcionais, mas permanecem ancorados na realidade. Em outras palavras, permanecem os princípios essenciais do jornalismo em uma estrutura narrativa que se apoia nos recursos literários; O jornalismo diversional ou literário corresponde a um estilo onde o texto jornalístico se junta à literatura, com o intuito de produzir reportagens mais profundas, detalhistas e amplas, de forma a apresentar uma visão humanizada e ética. Unidade III A reportagem ocupa e sempre ocupou o primeiro lugar na cobertura jornalística. Toda reportagem é uma notícia, mas nem toda notícia é uma reportagem. A notícia muda de caráter quando demanda uma reportagem. A reportagem mostra como e porque uma determinada notícia entrou para a história. Desdobra-se, pormenoriza e dá amplo relato aos fatos principais e também aos fatos subjacentes da notícia. Quando a notícia salta de uma simples nota para uma reportagem, é preciso ir além, detalhar, questionar causas e efeitos, interpretar, causar impacto. A reportagem é uma notícia, mas não uma notícia qualquer. É uma notícia avançada, na medida em que a sua importância é projetada em múltiplas versões, ângulos e indagações. Ao valorizar a notícia, a reportagem revitaliza o estilo jornalístico, soltando um pouco as amarras da padronização. Uma boa reportagem não deve abrir mão da pesquisa, sob pena de alterar o espírito de investigação, curiosidade, desafio e surpresa, que estão acima de tudo (VILAS BOAS, 1996). Interatividade Na elaboração da reportagem, obrigatoriamente temos que recorrer às fontes. A propósito do uso das entrevistas, considere as afirmativas a seguir: I. Ao transformar a conversa em um texto escrito, o jornalista deverá adaptar o que foi dito, de forma a registrar o processo de raciocínio do entrevistado; II. O jornalista deve reproduzir o conteúdo do que foi dito, com fidelidade ao sentido, não, necessariamente, às palavras; III. Por ser a entrevista um diálogo, deve-se, necessariamente, transcrever, na íntegra, os trechos escolhidos. Está correto o que se afirma em: a) I e III, somente. b) II e III, somente. c) I e II, somente. d) III, somente. e) II, somente. Interatividade Na elaboração da reportagem, obrigatoriamente temos que recorrer às fontes. A propósito do uso das entrevistas, considere as afirmativas a seguir: I. Ao transformar a conversa em um texto escrito, o jornalista deverá adaptar o que foi dito, de forma a registrar o processo de raciocínio do entrevistado; II. O jornalista deve reproduzir o conteúdo do que foi dito, com fidelidade ao sentido, não, necessariamente, às palavras; III. Por ser a entrevista um diálogo, deve-se, necessariamente, transcrever, na íntegra, os trechos escolhidos. Está correto o que se afirma em: a) I e III, somente. b) II e III, somente. c) I e II, somente. d) III, somente. e) II, somente. Resposta Jornalismo literário: O jornalismo literário caracteriza-se pela união entre as técnicas de apuração jornalística e as técnicas narrativas da literatura. A proposta concentra-se em fazer a mediação social com narrativas menos engessadas e menos padronizadas; Observam-se recursos que fazem com que o leitor se envolva com a história e, em muitos casos, crie empatia pelos personagens. Diferentemente da linguagem jornalística padrão, a literária explora estilisticamente as potencialidades expressivas; Por isso, considera-se que, no texto literário, há o predomínio da função poética da linguagem ao passo que no jornalístico “comum” domina a função referencial. Unidade III Jornalismo literário: Importante: No jornalismo literário, certas regras do jornalismo padrão são rompidas. A primeira diz respeito ao efeito de objetividade, com o apagamento das marcas do sujeito. A segunda refere-se à criação de cenas e de diálogos. O jornalista pode reconstruir momentos e cenários como se os tivesse vivenciado. Descreve, como em um texto literário, roupas, gestos e hábitos das personagens. Há, em alguns casos, o uso do narrador onisciente, com a presença do discurso indireto livre ou do narrador-personagem. Unidade III Fonte: https://www.google.com/search?q=jornalismo +literario&cliente. Acesso em: 19 abri. 2021. Jornalismo literário: Segundo Felipe Pena (2006), o jornalismo literário é identificado por alguns itens, que formam a “estrela de sete pontas”. O primeiro item refere-se à manutenção dos bons e tradicionais princípios jornalísticos, que incluem a abordagem ética e comprometida com a veracidade das informações. O segundo item, ou a segunda ponta, recomenda ultrapassar os limites do acontecimento cotidiano, rompendo com a periodicidade e a atualidade clássicas da prática jornalística. A terceira ponta contempla a visão “ampla da realidade”. A quarta ponta focaliza o compromisso social do jornalista ao permitir a melhor informação como condição da cidadania. A quinta ponta refere-se ao rompimento das correntes do lead. A sexta afirma que é importante “evitar os definidores primários”. E a última ponta coloca o jornalismo literário como mais durável que o padrão. Unidade III Jornalismo literário: O jornalismo literário é mais comum nos livros, pois, normalmente, o jornalista se estende na narração, que surge após um longo período de pesquisa e de “vivência”. Para reconstituir o crime da família Clutter, Capote passou um longo tempo na cidadezinha do Kansas, convivendo com os acusados. Dessa forma, pôde construir densos perfis psicológicos deles. O trecho a seguir é de A sangue frio, de Truman Capote: O Chevrolet preto estava novamente estacionado, dessa vez, em frente a um hospital católico nos arredores de Emporia. Espicaçado por alfinetadas constantes (“É o seu problema. Você acha que só existe um jeito de fazer as coisas – o jeito de Dick”), Dick tinha se rendido. Enquanto Perry esperava no carro, tinha entrado no hospitalpara tentar comprar um par de meias pretas de alguma freira. Unidade III Jornalismo literário: Observe que o autor chega a explicitar entre os parênteses e o pensamento do personagem, como nos romances com o narrador-onisciente. Além disso, deve-se ressaltar a forma de construção da cena, transportando o leitor para dentro da história; No Brasil, podemos citar o livro Abusado, de Caco Barcellos, que conta a trajetória do chefe do tráfico no morro Dona Marta, Rio de Janeiro. A partir da história de vida de Marcinho VP (que, no livro, aparece como Juliano VP), Barcellos traça um abrangente painel da disputa de poder nas favelas e do papel do tráfico na sociedade carioca. Com a estrutura de um romance, o livro é fruto de um exaustivo trabalho de reportagem e apresenta um bom retrato sociológico do Brasil. Unidade III (Adaptado de: UFPR-06/06/2020) A narrativa jornalística não é regida pelo imaginário, como a literatura de ficção, mas sim, por outros fatores. A respeito do assunto, qual(is) alternativa(s) a seguir apresenta(m) esses fatores? 1. A realidade factual do dia a dia; 2. Os pontos rítmicos do cotidiano; 3. As simulações dos acontecimentos; 4. As reproduções de versões dos fatos; 5. As opiniões do veículo de comunicação. Interatividade A narrativa jornalística é regida pelo(s) fator(es): a) 1 e 2, apenas. b) 1, apenas. c) 1, 2 e 3, apenas. d) 2, 3 e 4, apenas. e) 1, 3, 4 e 5, apenas. Interatividade A narrativa jornalística é regida pelo(s) fator(es): a) 1 e 2, apenas. b) 1, apenas. c) 1, 2 e 3, apenas. d) 2, 3 e 4, apenas. e) 1, 3, 4 e 5, apenas. Resposta Jornalismo utilitário: A vida na sociedade contemporânea demanda informações práticas, relacionadas ao dia a dia dos cidadãos. É necessário, por exemplo, saber a previsão do tempo, a cotação de moedas estrangeiras, o horário de funcionamento de mercados, a disponibilidade de transporte, o status do trânsito etc. Na passagem para o século XXI, que consolida o neoliberalismo e o consumismo, ocorreu uma oportunidade singular para o desenvolvimento do jornalismo operacional ou de serviços. Sua ascensão apoia-se na tomada de decisões rápidas, tanto no mundo financeiro quanto nas ações corriqueiras; Os textos jornalísticos que têm essa finalidade pertencem ao gênero utilitário, também chamado de gênero de serviços. Tratam-se de textos a que se dedicam, em geral, pouca atenção nos estudos jornalísticos. Unidade III Jornalismo utilitário: Chaparro (2008, p. 166-167), acrescenta: Entre as insuficiências e inadequações que os critérios tradicionais revelaram para a tipificação das formas discursivas do atual jornalismo brasileiro, uma adquire relevância acentuada: a incapacidade de classificar as espécies utilitárias, aquilo a que, vulgarmente, se chama “serviço”, até agora tratadas como simples tendência ou curiosidade. Entretanto, a significação da participação dessas espécies nos espaços pelos conteúdos jornalísticos Impõe a sua caracterização enquanto manifestação discursiva. São formas adequadas de mediação para as solicitações concretas da vida urbana, nos planos do negócio, da cultura, do consumo, do lazer, do acesso a bens e serviços, na ordenação de preferências e movimentos, nas estratégias e táticas da sobrevivência. Unidade III Jornalismo utilitário: O jornalismo de serviço manifesta-se tanto em seções especiais, como a da previsão do tempo, por exemplo, quanto em destaque em outras matérias informativas. Por exemplo: uma reportagem sobre as festas de fim de ano pode apresentar um box com a lista de estabelecimentos que funcionam ou não no dia de Natal. Importante: A função essencial do jornalismo utilitário é orientar o cidadão em suas ações concretas. Unidade III Jornalismo utilitário: Para Luiz Beltrão (2006, p. 106), os serviços no jornalismo impresso aparecem das seguintes formas: Avisos diversos (plantões de farmácias, cotações, achados e perdidos etc.); Informações úteis (telefones de emergência, horários de transporte etc.); Cartaz do dia (programas de shows, peças teatrais, cinemas, festas etc.). Unidade III O que demonstra uma sensível mudança nos textos informativos jornalísticos impressos dos tempos atuais em relação ao passado? a) Perda do caráter informativo. b) Perda do caráter literário. c) Incorporação do viés tipicamente literário. d) Incorporação do viés tipicamente opinativo. e) Relativização do caráter informativo. Interatividade O que demonstra uma sensível mudança nos textos informativos jornalísticos impressos dos tempos atuais em relação ao passado? a) Perda do caráter informativo. b) Perda do caráter literário. c) Incorporação do viés tipicamente literário. d) Incorporação do viés tipicamente opinativo. e) Relativização do caráter informativo. Resposta O jornalismo e os gêneros na era digital: Segundo Castells (2004), a internet converteu-se no coração articulador dos distintos meios, da multimídia. Por isso, emissoras de TV ou de rádio, produtoras e distribuidoras de filmes, e veículos impressos têm páginas na internet; O primeiro movimento do jornalismo na web foi marcado pela mera transposição do conteúdo e das técnicas do papel para o ambiente on-line, o que se mostrou inadequado ao longo do tempo; Hoje, já existe a percepção de que é necessária a produção de conteúdos exclusivos, pensados para os meios digitais. Ou seja, deve-se fazer a convergência de mídias, e não a transposição de uma mídia para a outra. Unidade III O jornalismo e os gêneros na era digital: Elementos característicos do jornalismo on-line: interatividade, customização de conteúdo, hipertextualidade e multimidialidade. Unidade III Meios de comunicação de massa: emissão e recepção (modelo 1). Fonte: Adaptado de: Oliveira (1995). EMISSOR M E IO S D E D IF U S Ã O rá d io , T V , im p re n s a Receptor 1 Receptor 2 Receptor 3 Receptor 4 Receptor N O jornalismo e os gêneros na era digital: Com a convergência de mídias, os meios de comunicação de massa, em termos de emissão e recepção, podem ser representados de forma mais atual e adequada pelos elementos da figura a seguir, na qual o emissor e o receptor têm papéis alternados, não mais estanques como antes, conforme indica a figura a seguir: Unidade III Meios de comunicação de massa: emissão e recepção (modelo 2). Fonte: Adaptado de: Trigueiro (2001). COMUNICADOR RECEPTOR COMUNICADORRECEPTOR MENSAGEM MENSAGEM COMUNICAR CIFRAR INTERPRETAR DECIFRAR PERCEBER PERCEBER DECIFRAR INTERPRETAR CIFRAR COMUNICAR A B A RESPOSTA: comunicação de retorno O jornalismo e os gêneros na era digital – O que aconteceu? O desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação alterou, portanto, os papéis tradicionais de receptor e emissor. A interatividade permite que os leitores comentem as matérias, construindo um diálogo acerca do que foi noticiado; Com a internet, a produção e a veiculação de conteúdo tornaram-se descentralizadas, rompendo com o controle dos meios de comunicação de massa. Dessa forma, as novas modalidades midiáticas abalaram o papel centralizador do jornalismo como o emissor de informações. Unidade III O jornalismo e os gêneros na era digital: Nesta unidade, abordamos o gênero diversional, caracterizado por promover o entretenimento pela leitura prazerosa. Seguindo o pensamento de José Marques de Melo e de Francisco de Assis, trata-se dos textos que, pela forma esteticamente elaborada, oferecem a diversão ao leitor. Precisamos destacar que a diversão não deve ser entendida como algo engraçado ou necessariamente leve. As matérias de interesse humano, que caracterizam esse gênero, podem abordar temas trágicos e densos; Comentamos a respeito do gênero utilitário ou de serviços, que tem como objetivo orientar o leitor com as informações necessárias no seu dia a dia. São textoscurtos, com dados pontuais, a fim de que o cidadão tome decisões: horário de funcionamento de estabelecimentos, rotas de transporte público, cotação de outras moedas etc. Unidade III O jornalismo e os gêneros na era digital: O desenvolvimento da internet trouxe algumas características novas ao jornalismo: Interatividade; Hipertextualidade; Multimodalidade; Personalização de conteúdo. Unidade III O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter. (Cláudio Abramo) Obrigado!!! Unidade III As características da notícia, que fazem com que o conteúdo jornalístico seja qualificado para representar a realidade devem ressaltar alguns aspectos, como: atualidade, novidade, veracidade, periodicidade, interesse público, proximidade, proeminência, curiosidade, conflito, suspense, emoção e consequências. O fato, nem sempre, concentra todas essas características, porém, se o acontecimento reunir o maior número delas fica mais fácil de ser divulgado (MIRANDA, 2016). O texto apresentado refere-se: a) À elaboração de uma pauta jornalística. b) Aos critérios de noticiabilidade. c) À veracidade da informação. d) Aos gêneros jornalísticos. e) À edição do texto jornalístico. Interatividade As características da notícia, que fazem com que o conteúdo jornalístico seja qualificado para representar a realidade devem ressaltar alguns aspectos, como: atualidade, novidade, veracidade, periodicidade, interesse público, proximidade, proeminência, curiosidade, conflito, suspense, emoção e consequências. O fato, nem sempre, concentra todas essas características, porém, se o acontecimento reunir o maior número delas fica mais fácil de ser divulgado (MIRANDA, 2016). O texto apresentado refere-se: a) À elaboração de uma pauta jornalística. b) Aos critérios de noticiabilidade. c) À veracidade da informação. d) Aos gêneros jornalísticos. e) À edição do texto jornalístico. Resposta ASSIS, F. de. Gêneros e formatos jornalísticos: um modelo classificatório. Intercom-RBCC, São Paulo, v. 39, n. 1, p. 39-56, jan./abr., 2016. BELTRÃO, L. Teoria e prática do Jornalismo. Adamantina/São Bernardo do Campo: FAI/Cátedra, UNESCO de Metodista de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, 2006. CAPOTE. T. A sangue frio. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. CASTELLS, M. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2004. CHAPARRO, M. C. Sotaques d’aquém e d’além mar: travessias para uma nova teoria de gêneros jornalísticos. São Paulo: Summus, 2008. Referências MELO, J. M, de. Gêneros jornalísticos no Brasil. Francisco de Assis (Org.). São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2010. MIRANDA, M. D. A. A pauta jornalística se adapta aos novos tempos da televisão brasileira. Intercom, 2016. PENA, F. Jornalismo literário. São Paulo: Contexto, 2006. VILAS BOAS, S. O estilo magazine: o texto em revista. São Paulo: Summus, 1996. Referências ATÉ A PRÓXIMA!