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XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 1 
METODOLOGIAS DE DIAGNÓSTICOS FÍSICO-CONSERVACIONISTAS E 
SUAS IMPLICAÇÕES NO GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS 
 
Mariane Souza Melo de Liz 1*; Guilherme da Silva Ricardo 2; Ana Caroline dos Santos Cantarelli3; 
Natan Liz De Nale Zambelli4; Filipe Antonio Wroblescki5; Helena Strapassão6; Lucas Silveira 
Benincá7; Sílvio Luís Rafaeli Neto8
 
 
Resumo – A gestão de territórios e de recursos hídricos assenta-se na concepção da bacia hidrográfica 
como unidade de gestão, propiciando estudos em diferentes regiões. Destaca-se neste trabalho a bacia 
hidrográfica do Rio Canoas, na região serrana de Santa Catarina, a maior bacia do estado e detentora 
de uma riqueza ambiental e de recursos hídricos singulares que são afetados diariamente pelas 
atividades humanas. O objetivo deste trabalho foi avaliar o estado de degradação da interbacia 
hidrográfica do Setor 5, por meio do diagnóstico físico conservacionista (DFC), e da Equação 
Universal de Perda de Solo Revisada (RUSLE). Os estudos foram conduzidos no ano de 2016 em 
dois subsetores deste setor, e ambos os métodos buscaram a determinação dos impactos potenciais 
que poderiam possibilitar a construção de um plano de ações de médio e longo prazos, a ser proposto 
no âmbito do Plano de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica. Aplicando ambas metodologias na 
área de estudo, concluiu-se que o subsetor 2 apresenta um estado de degradação maior, porém, o 
subsetor 1 também possui potencial de degradação alto. Recomenda-se o uso do DFC em conjunto 
com a RUSLE para uma avaliação mais aprofundada das dinâmicas de uso e cobertura do solo de 
bacias hidrográficas. 
 
Palavras-Chave – Gestão de recursos hídricos; DFC; RUSLE. 
 
METHODOLOGIES OF PHYSICAL-CONSERVATION DIAGNOSTICS AND 
THEIR IMPLICATIONS IN THE MANAGEMENT OF WATER RESOURCES 
 
Abstract – Management of territories and water resources should be based on the idea of the river 
basin as a management unit, providing studies in different regions. In this paper a river basin of the 
Canoas River, in the mountainous region of Santa Catarina, is highlighted, the largest basin in the 
state and possessing an environmental wealth and unique water resources that are affected daily by 
human activities. The aim of this paper was to evaluate the state of degradation of the sector 5 
interbasin using the physical-conservationist diagnosis (DFC) and the Universal Soil Loss Revised 
Equation (RUSLE). The studies were conducted in the year 2016 in two subsectors of the main sector, 
and both methods sought a determination of the potential impacts that will allow the construction of 
a medium and long-term action plans, a proposed project within the scope of the Hydrographic Basin 
Management Plan. Applying both methodologies in the study area, it was concluded that subsector 2 
exhibit a greater state of degradation, however, the subset 1 also has a high degradation potential. It 
is recommended to use the DFC in conjunction with a RUSLE for a more in-depth assessment of 
river basin use and land cover dynamics. 
Keywords – Water resources management; DFC; RUSLE. 
 
1* Mestranda Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, mari-di-liz@hotmail.com 
2 Mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, guilhermericardo@terra.com.br 
3 Bolsista Voluntária, Engenharia Ambiental e Sanitária, UDESC/Lages, ana-cantarelli@outlook.com 
4 Bolsista Voluntário, Engenharia Ambiental e Sanitária, UDESC/Lages, natanzambelli@hotmail.com 
5 Mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, filipe.wroblescki@lages.sc.gov.br 
6 Aluna especial no Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, lena3008.stra@gmail.com 
7 Aluno especial no Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, lucas.s.beninca@gmail.com 
8 Professor Associado, Departamento de Engenharia Ambiental e Sanitária, UDESC/Lages, silvio.rafaeli@udesc.br 
 
 
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 2 
INTRODUÇÃO 
A gestão dos recursos hídricos deve ser realizada através de uma visão holística do sistema 
natural representado pela bacia hidrográfica, contemplando tanto seus componentes morfológicos 
quanto os dinâmicos. Um gerenciamento adequado preconiza a visão sistêmica e interdependente 
composta por três linhas: a primeira delas, entende que as decisões que modificam o uso do solo 
podem afetar a água, e vice-versa. A segunda, diz respeito às decisões que são tomadas por alguns 
setores socioeconômicos e que impactam o ciclo hidrológico, os ecossistemas e de modo geral, o 
espaço geográfico em que a sociedade vive. Em terceiro lugar, decisões em todos os níveis de gestão, 
sejam elas internacionais, nacionais, regionais ou locais, possuem impactos a nível de bacia 
hidrográfica (BURTON, 2003), o que pode requerer a criação de instituições de gerenciamento 
específicas. 
Retomando o primeiro item, a gestão dos recursos hídricos segue em paralelo com a gestão do 
território da bacia. O planejamento do território é executado com base no conhecimento acerca do 
seu ordenamento, o que pode ser feito através da delimitação dos limites biofísicos do ecossistema. 
A quantificação do uso da terra é tida como primária, pois tem consequências evidentes na quantidade 
e qualidade dos recursos hídricos que permeiam tais territórios. Portanto, o olhar voltado para a bacia 
hidrográfica não pode focar apenas a água, mas todos os elementos constituintes que fornecem 
suporte para que ela seja mantida de forma equilibrada. Em última análise, nos elementos que podem 
interferir no ciclo hidrológico. 
Por ser considerado um ente sistêmico, a bacia hidrográfica reage através dos princípios de que 
para cada entrada ou “pulso”, o sistema da bacia realiza funções e fornece uma resposta. O pulso dado 
é a precipitação, o sistema que realiza funções é dependente de suas conformações físicas, de 
características intrínsecas do espaço geográfico (relevo, cobertura do solo, geomorfologia, entre 
outros), e a resposta pode ser dada através do comportamento de um hidrograma de saída, por 
exemplo (Figura 1). 
 
 
Figura 1. Modelo sistêmico aplicado a bacias hidrográficas. 
 
Sabendo que o uso do solo vem sendo alterado pela ação antrópica, a qual se apropria dos 
recursos naturais em detrimento do ambiente físico, o espaço da bacia hidrográfica estabelece uma 
nova dinâmica de transferências e armazenamentos de água, produzindo respostas que são 
influenciadas por este dinamismo. Assim, o objetivo deste trabalho foi comparar os índices que 
fornecem o estado de degradação ambiental da região do Setor 5 da bacia hidrográfica do rio Canoas, 
por meio do diagnóstico físico-conservacionista tradicional, apresentado nos estudos de Beltrame 
(1994), Ferreti (1998), Carvalho (2004) e Neves (2012), com os índices do método adaptado da 
Equação Universal de Perdas de Solo Revisada (RUSLE), que fornece a perda de solos anual em uma 
bacia hidrográfica. 
 
 
 
 
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 3 
DIAGNÓSTICO FÍSICO-CONSERVACIONISTA (DFC) 
 
 Diversos estudos e modelos estrangeiros foram adaptados à realidade das bacias hidrográficas 
brasileiras durante as últimas décadas. Eles objetivaram a realização de diagnósticos gerais e a busca 
por planos de ações e metas a serem implantados na recuperação das bacias. No sul do Brasil, estudos 
basearam-se em algumas metodologias definidas em trabalhos publicados pelo Centro Interamericano 
de Desenvolvimento de Águas e Terras (CIDIAT) da Venezuela. As metodologias propunham 
diagnósticos variados, tais como: Diagnóstico Físico-Conservacionista (DFC), Diagnóstico do 
Recurso Solo, Diagnóstico do Recurso Água, Diagnóstico do Recurso Vegetação, entre outros 
estudos que requerem uma equipe multi e interdisciplinar para sua execução (ROCHA et al., 2009).Os diagnósticos ambientais são expressos através de valores absolutos e equações, 
estabelecendo uma forma de análise quantitativa e qualitativa do estado de deterioração ao qual a 
bacia hidrográfica está submetida. Esta gama de diagnósticos se assemelha em muito aos estudos que 
são exigidos pela legislação ambiental brasileira, antes do licenciamento de empreendimentos 
(BRASIL, 1997) e podem ser utilizados como uma alternativa no levantamento de dados para estes 
estudos. 
O DFC consiste na aplicação de sete parâmetros, constituintes de uma fórmula descritiva, que 
indica qual o estado de degradação de cada um dos subsetores de uma bacia hidrográfica (NEVES, 
2012). O principal ponto acerca do DFC é que este método é baseado em informações que associam 
dados de bases secundárias e informações primárias geradas em Sistemas de Informações Geográficas 
(SIG). Ao final as áreas críticas podem ser identificadas e previstas nos planos e metas. Os parâmetros 
que devem ser definidos, são constituintes da equação 1: 
 
𝐸𝑓=𝐶𝑂𝑎+𝐶𝐴𝑏+𝐷𝑀𝑐+𝐸𝑑+𝑃𝐸𝑒+𝐷𝐷𝑓+𝐵𝐻𝑔 (1) 
Os parâmetros acima são: estado físico-conservacionista (Ef); grau de semelhança entre a 
cobertura vegetal original e atual (COa); proteção da cobertura vegetal atual do solo (CAb); 
declividade média (DMc); erosividade da chuva (Ed); potencial erosivo do solo (PEe); densidade de 
drenagem (DDf); e por fim, o balanço hídrico (BHg). As letras minúsculas representam os índices 
numéricos que serão fornecidos nos cálculos e são dados através de valores tabelados. 
A cobertura vegetal original e atual relaciona a cobertura vegetal primária, presente antes da 
intervenção humana, com a atual vegetação na área. O parâmetro proteção da cobertura vegetal atual 
do solo é variável de acordo com o tipo de uso da superfície, pois a proteção existente depende do 
tipo e estado do uso e conservação do solo. Tais parâmetros são importantes na quantificação das 
mudanças que ocorreram na paisagem e que impactam o ciclo hidrológico, principalmente em termos 
de armazenamento de água na bacia hidrográfica. 
A declividade média refere-se as características do relevo, e sua influência é determinante na 
velocidade de escoamento superficial e também no tempo de concentração da bacia. 
A erosividade da chuva é um parâmetro que tem ligação com o clima e corresponde à 
capacidade potencial das chuvas em provocar erosão em um solo desprotegido. A densidade de 
drenagem, é um índice morfométrico que representa a relação intrínseca entre os processos 
hidrológicos superficiais do relevo e do solo, das condições edafoclimáticas e da capacidade de 
escoamento hídrico da bacia. 
O balanço hídrico relaciona as principais entradas e saídas de água da área em estudo. Na 
análise do DFC, o balanço hídrico é fundamental, tendo em vista que é considerado um indicador 
potencial natural de degradação e/ou conservação física da bacia (NEVES, 2012). 
 
 
 
 
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 4 
EQUAÇÃO UNIVERSAL DE PERDAS DE SOLO REVISADA (RUSLE) 
 
A equação de predição de erosão mais amplamente conhecida é a Equação Universal de 
Perdas de Solo (USLE), que possui um formato atualizado denominado de Equação Universal de 
Perdas de Solo Revisada (RUSLE). Esta equação, de base empírica, não leva em consideração, de 
forma individualizada, os processos físicos envolvidos na erosão do solo, como o desprendimento e 
transporte de partículas de solo e sedimentos. A RUSLE apenas discrimina a significância dos 
diferentes fatores que regem o processo erosivo e que podem vir a influenciar em análises acerca da 
hidrologia da bacia hidrográfica. Dentre esses fatores, estão incluídos a precipitação, o comprimento 
da encosta, a declividade da encosta, a erodibilidade do solo, o cultivo (uso do solo) e as práticas 
agrícolas protetivas. A semelhança entre os parâmetros de entrada da equação do DFC e da RUSLE, 
indicam que o uso de ambas pode fornecer respostas similares acerca da degradação de um ambiente. 
A equação de perdas de solo é muito difundida no Brasil, sendo de fácil compreensão e boa 
precisão nos resultados gerados. Muitos de seus parâmetros já foram estudados e mapeados em vários 
estados. Sua fórmula é descrita através da equação 2: 
 
𝐴 = 𝑅 . 𝐾. 𝐿𝑆. 𝐶. 𝑃 (2) 
 
Onde o termo A é perda anual de solo (ton.ha-1.ano-1) devido ao escoamento superficial; R é 
o fator de erosividade da chuva MJ.ha-1.mm-1.h-1; K é o fator de erodibilidade do solo que varia de 
0,03 a 0,79 ton.MJ-1.ha-1.mm-1.h-1; LS é o fator de declividade e comprimento de encosta 
(adimensional); C é o fator de prática de cultura variando de 0,001 a 1,0 (adimensional); e P é o fator 
de prática de cultura contra a erosão que varia de 0,3 a 1,0 (adimensional). A tabela 1, mostra a origem 
de cada um dos termos que integram a equação 2. 
Tabela 1. Resumo dos parâmetros de entrada da equação universal de perda de solo e como podem ser obtidos. 
Fator Origem 
R (erosividade da chuva) Equação descrita por Lombardi Neto e Moldenhauer (1992). Obtido pela 
média histórica de séries pluviométricas próximas da área de estudos. 
K (erodibilidade do solo) Obtido através do mapa de solos para a região. Os fatores de 
erodibilidade para cada tipo de solo variam na literatura. 
L (comprimento de rampa) e S 
(classe de declividade) 
Os fatores podem ser condensados em um só, obtidos através do mapa 
de declividades do terreno. As equações utilizadas para a manipulação 
dos rasters foram sugeridas por Chair (2005). 
C (uso e cobertura do solo) Obtido através de imagens de satélite. O valor extraído deve ser 
ponderado através dos mapas temáticos de uso e ocupação do solo. 
P (práticas conservacionistas) Obtido através de imagens de satélite. O fator P varia de 0 a 1 (valor 
máximo), sendo que este último indica a ausência completa de práticas 
conservacionistas no local. 
 
ESTUDO DE CASO: SETOR 5 DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO CANOAS 
Área de estudo 
A área de estudo do trabalho é a região compreendida pelo Setor 5 da bacia hidrográfica do rio 
Canoas, sendo considerada uma interbacia, devido ao seu posicionamento espacial. Possui área de 
 
 
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 5 
drenagem de aproximadamente 2.099 km², situada entre as coordenadas 27°13’56 e 27º46’20” de 
latitude sul e 50°48’58” e 51°27’56 de longitude oeste. 
Os municípios abrangidos na bacia são: Abdon Batista, Anita Garibaldi, Campo Belo do Sul, 
Campos Novos, Celso Ramos, Cerro Negro e Vargem, conforme a Figura 2. O Setor 5 foi subdividido 
em 2 subsetores menores, que possuem usos do solo diferentes, destacando-se a predominância de 
campos nativos, reflorestamento e mata nativa no subsetor 1 e a agricultura no subsetor 2. A 
setorização foi uma estratégia para o melhor gerenciamento dos recursos naturais, uma vez que houve 
uma redução significativa da área que será gerida de cada vez, e a definição das áreas prioritárias de 
intervenção ambiental. 
 
Figura 2. Subsetores do Setor 5 da Bacia do Rio Canoas. 
 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 Ambos os diagnósticos foram aplicados à interbacia em estudo, e seus resultados são 
apresentados nas tabelas 2 e 3. Os parâmetros obtidos e seu somatório final (Ef) não apresentam 
unidades de medida iguais, visto que o DFC possui um número maior de variáveis de entrada em seu 
modelo. Além disso, a própria literatura recomenda para cada um destes diagnósticos, o uso tabelas 
de classificação diferentes, porém com significados similares no que tange às conclusões obtidas. A 
tabela 2 apresenta os resultados do DFC para os subsetores 1 e 2 do Setor 5 da bacia hidrográfica do 
rio Canoas. 
O índice de degradação calculado através do método do DFC, é uma equação de reta que 
interpola o somatório dos índices de menor e maior degradação, que representam o melhor estado de 
conservação de uma bacia hidrográfica e o pior estado de conservaçãopossível, respectivamente. 
Neste estudo, o valor do somatório equivale à um risco de aproximadamente 55,54% de degradação 
no subsetor 1 e de 59,25% no subsetor 2. Este último é caracterizado por ser uma região agrícola 
intensiva no estado de Santa Catarina e, portanto, o risco de ser degradado pelo mau uso do solo e 
dos recursos hídricos é maior. 
Sub Setor 1
Sub Setor 2
449851 469851 489851 509851
6
9
2
5
6
5
6
6
9
4
5
6
5
6
6
9
6
5
6
5
6
6
9
8
5
6
5
6
2
4
13
5
REGIÕES HIDROGRÁFICAS DE SC
MAPA DE SITUAÇÃO DOS SUB-SETORES DO SETOR 5 DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO CANOAS
Sistema de Projeção Geográfica - 
Coordenadas planas
Universal Transversa Mercator (UTM)
Datum: SIRGAS 2000
Zona: 22 Sul - Meridiano Central: -51º
Sistema de Referência Geográfica Convenções Cartográficas
Rio Canoas
Sub Setor 1
Sub Setor 2
Hidrografia
MDT
Altimetria (m)
Alto : 1131
Baixo : 428
Informações Gerais
Laboratório de Hidrologia Departamento 
de Engenharia Ambiental e Sanitária 
®
0 6,5 13 19,5 263,25
Quilômetros
Setor 5 / Bacia do rio Canos / RH 4 / SC
SC
Rio Canoas
Setor 1 - Bacia Alto Canoas
Setor 2 - Bacia Marombas
Setor 3 - Bacia Caveiras
Setor 4 - Interbacia Médio Canoas
Setor 5 - Interbacia Baixo Canoas
 
 
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 6 
Tabela 2. Índices de degradação para os subsetores 1 e 2 do Setor 5. 
Parâmetro Subsetor 1 Subsetor 2 
Grau de semelhança CO4 CO5 
Proteção atual do solo CA5 CA5 
Declividade média DM3 DM3 
Erosividade da chuva E2 E3 
Potencial erosivo do solo PE4 PE3 
Densidade de drenagem DD2 DD2 
Balanço hídrico BH2 BH2 
Ef 22 23 
 
A tabela 3 apresenta os resultados obtidos pela metodologia da equação universal de perdas 
de solo revisada. A equação da RUSLE é produto dos índices obtidos e a unidade de saída é 
dependente, em grande parte, dos fatores de erodibilidade (K) e erosividade da chuva (R). Quando 
avaliados de forma isolada, os resultados da equação fornecem evidências de que há perda de solo 
variando de nula a moderada, em termos anuais, quando os valores calculados estão abaixo de 10 
ton.ha-1.ano-1. O uso de práticas de conservação pelos agricultores do subsetor 2 e o baixo índice de 
desmatamento e reflorestamento de espécies exóticas no subsetor 1 – que é declivoso –, são indícios 
de causas para o valor encontrado. 
 
Tabela 3. Parâmetros da RUSLE nos subsetores 1 e 2. 
Parâmetro Subsetor 1 Subsetor 2 
R (MJ.ha-1.mm-1.h-1) 662,03 687,19 
K (ton. MJ-1.ha-1.mm-1.h-1) 0,07913 0,0906 
LS (adimensional) 2,46 1,75 
C (adimensional) 0,04173 0,05451 
P (adimensional) 0,5633 1,0 
A (t.ha-1.ano-1) 3,015 5,939 
 
Quando a equação do diagnóstico físico-conservacionista (simbolizada pelo termo Ef) é 
comparada com a equação universal de perda de solos revisada (simbolizada por A), nota-se que são 
muito semelhantes em alguns aspectos de sua construção, o que permite a equiparação em alguns 
termos. 
O parâmetro de declividade média tem grande semelhança com o cálculo do fator LS, que é a 
relação entre perda do solo por comprimento de declive e por comprimento de rampa. Neste caso, 
apesar da declividade média ser um fator representativo sobre o relevo da bacia hidrográfica, visto 
que as classes de relevo têm relação com o potencial de degradação de um solo por erosão, o fator LS 
apresenta-se como uma alternativa que leva em consideração não apenas o parâmetro da declividade, 
mas o fator topográfico de comprimento de rampa. Este fator sugere que quanto maior o tempo que 
a água leva para escoar superficialmente dentro da bacia hidrográfica, maiores devem ser os 
comprimentos de rampa. 
Acerca do parâmetro de erosividade da chuva, ambas as equações contam com a sua 
determinação de forma semelhante. Há que se evidenciar algumas melhorias a serem feitas na 
estimativa da erosividade da chuva (Ed): na equação RUSLE existe a ponderação das chuvas através 
de métodos de espacialização, podendo ser utilizados polígonos de Thiessen, krigagem e outros 
métodos interpoladores, a fim de obter maior representatividade da distribuição das precipitações. 
Isto não ocorre no caso do parâmetro Ed. 
O principal parâmetro que se discute neste trabalho é a estimativa do potencial erosivo do solo 
(PEe) da equação do DFC, que está relacionado com os índices K (erodibilidade do solo), C (fator de 
uso e cobertura do solo) e P (fator de práticas conservacionistas) da RUSLE. Para o potencial erosivo 
 
 
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 7 
do solo, são sobrepostos os mapas de uso do solo, dos tipos de solo e de declividade para cada 
subsetor. 
 Esta sobreposição feita em ambiente SIG relaciona, através das tabelas de atributos, algumas 
classes e subclasses que originam uma matriz de integração. As matrizes de integração dão origem a 
centenas de pequenas classes (alfanuméricas e representadas por símbolos escolhidos pelo analista), 
que são os recortes de unidades espaciais com mesmo tipo de solo, mesma declividade e mesmo uso 
e cobertura do solo. O problema encontrado nesta metodologia diz respeito à agregação destas 
centenas de pequenas classes em alguns grupos maiores ou superclasses, que indicam o potencial 
erosivo através de algumas faixas específicas de valores, visto que o arranjo destes grupos é realizado 
com base na intuição do analista, carecendo de análises de agrupamento. Nos trabalhos encontrados 
na literatura, as classes de potencial erosivo do solo variam, não possuem códigos identificadores 
unívocos e singulares e são construídos conforme a necessidade do trabalho realizado. Assim, a 
qualificação de tipo de erosão ao qual o solo está submetido pode e deve ser avaliado segundo outros 
métodos que sejam analíticos e sigam uma formulação universal. 
O uso dos fatores K, C e P da equação universal de perdas de solo revisada, apresenta a 
potencialidade de quantificar a perda de solo que está ocorrendo com base em parâmetros medidos a 
campo, ou obtidos por métodos validados por análises estatísticas. Além disto, os fatores C e P, trazem 
para o cálculo a importância de se quantificar e mesmo contrabalançar, os usos do solo com as práticas 
protetivas, que previnem sua degradação ao longo do tempo. 
Segundo Neves (2012), o potencial erosivo do solo é a suscetibilidade que os solos apresentam 
de erodirem em diferentes taxas, devido às diferenças em suas propriedades e seus diversos usos. No 
entanto, este processo é uma sequência evolutiva da paisagem, que pode ocorrer em diferentes 
velocidades, de acordo com os fatores de erosividade da chuva, características do solo e relevo, 
cobertura vegetal, uso e ocupação do solo e atuação de ações antrópicas. Estes fatores não são 
contemplados no modelo, porém, afetam o quanto o solo pode vir a impactar toda a estrutura da bacia 
hidrográfica. 
É importante frisar que a perda de solo obtida através da RUSLE fornece um panorama atual 
sobre como o solo da região vem sendo tratado através dos seus usos múltiplos, e pode não ser 
totalmente preciso nas projeções futuras e construção de cenários pessimistas. Quando se avalia o 
potencial erosivo do solo, que é utilizado para projeções, o cenário é tido como pessimista e leva em 
conta o que poderia ocorrer na região estudada, se não houvesse nenhuma técnica de manejo e 
proteção sendo aplicada. Assim, pode-se considerar que o valor encontrado para a perda de solos na 
região do Setor 5 variou de nulo a baixo e que seu potencial de deterioração ainda não atingiu o 
máximo que poderia atingir, se houvesse uso incorreto do solo. 
As análises obtidas sugerem que não se deve priorizar uma equação em detrimento de outra. 
No entanto, a manutenção da dicotomia que existe nos modelos poderia ser substituída pelo 
desenvolvimento de uma metodologia integradora, que considere todas as possíveis variáveis 
relevantes em um estudo, mesmo que sua obtenção não seja trivial ou que estas relações sejam menos 
evidentes. Estudosconciliatórios acerca do uso e cobertura do solo, com aqueles voltados para os 
recursos hídricos, ainda são raros. 
O método do DFC é intuitivo e de fácil execução, mas pode ser melhorado se alguns 
parâmetros fossem adicionados ou adaptados, para que seja um indicativo efetivo do que ocorre em 
uma bacia hidrográfica. Destarte, o sistema constituído pela bacia hidrográfica pode ser modelado 
com todas as variáveis imprescindíveis ao bom gerenciamento do território e o consequente 
gerenciamento dos recursos hídricos. 
 
 
 
 
 
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 8 
CONCLUSÕES 
 
O DFC demonstrou ser uma metodologia que requer a adição de mais indicadores para se 
tornar representativa, no âmbito do levantamento dos parâmetros físicos e conservacionistas de uma 
bacia hidrográfica. O valor tradicionalmente utilizado na equação do diagnóstico físico-
conservacionista para o parâmetro de potencial erosivo do solo revelou-se subjetivo, e por ser 
originário de interpretações pessoais acerca de quais classes de relevo, solo e geologia são mais ou 
menos erosivos, o uso da equação universal de perdas anuais de solo não deixa de ser um 
complemento acertado. 
O subsetor 2 foi aquele que mostrou um estado de degradação maior em relação ao subsetor 1, 
devido aos fatores mais degradantes observados, que são as monoculturas, uso de agrotóxicos e 
erosão do solo pelas poucas práticas conservacionistas. Se houver necessidade de intervenção em um 
dos subsetores, o 2 deve ser priorizado, devido ao seu valor de deterioração estar mais elevado. 
Recomenda-se realizar o monitoramento destes subsetores a cada 2 anos, buscando verificar se as 
medidas implementadas pelos gestores estão reduzindo a deterioração ambiental e auxiliando na 
melhoria da qualidade da água. 
REFERÊNCIAS 
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Florianópolis: Ed. Da UFSC. 
 
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complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento ambiental. Publicado 
no D.O.U. 
 
BURTON, J. (2003) Integrated water resources management on a basin level: a training manual. 
Unesco, Canadá. 
 
CARVALHO, S. M. (2004) O diagnóstico físico-conservasionista - DFC como subsídio à gestão 
ambiental da bacia hidrográfica do rio Quebra-Perna, Ponta Grossa-PR. Tese (doutorado), 
Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente. 
 
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Sudoeste do Paraná. Dissertação (mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Geologia - UFPR. 
 
LOMBARDI NETO, F.; MOLDENHAUER, W.C. (1992) Erosividade da chuva: sua distribuição e 
relação com as perdas de solo em Campinas (SP). Bragantia, Campinas, 51(2):189-196. 
 
NEVES, E. H. (2012) Análise da degradação ambiental da bacia hidrográfica do arroio Pelotas –
RS, através do diagnóstico físico-conservacionista (DFC). Dissertação (mestrado). Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: IGEO/UFRGS. 
 
ROCHA, A. B.; SILVA, P. C. M.; CAMACHO, R. G. V. (2009) Diagnóstico físico-conservacionista 
– DFC: uma aplicação na microbacia do município de Luis Gomes – RN – NE – Brasil. In Anais XII 
Encuentro de Geógrafos de América Latina - “Caminando en una América Latina en transformación”.

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