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XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 1 METODOLOGIAS DE DIAGNÓSTICOS FÍSICO-CONSERVACIONISTAS E SUAS IMPLICAÇÕES NO GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS Mariane Souza Melo de Liz 1*; Guilherme da Silva Ricardo 2; Ana Caroline dos Santos Cantarelli3; Natan Liz De Nale Zambelli4; Filipe Antonio Wroblescki5; Helena Strapassão6; Lucas Silveira Benincá7; Sílvio Luís Rafaeli Neto8 Resumo – A gestão de territórios e de recursos hídricos assenta-se na concepção da bacia hidrográfica como unidade de gestão, propiciando estudos em diferentes regiões. Destaca-se neste trabalho a bacia hidrográfica do Rio Canoas, na região serrana de Santa Catarina, a maior bacia do estado e detentora de uma riqueza ambiental e de recursos hídricos singulares que são afetados diariamente pelas atividades humanas. O objetivo deste trabalho foi avaliar o estado de degradação da interbacia hidrográfica do Setor 5, por meio do diagnóstico físico conservacionista (DFC), e da Equação Universal de Perda de Solo Revisada (RUSLE). Os estudos foram conduzidos no ano de 2016 em dois subsetores deste setor, e ambos os métodos buscaram a determinação dos impactos potenciais que poderiam possibilitar a construção de um plano de ações de médio e longo prazos, a ser proposto no âmbito do Plano de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica. Aplicando ambas metodologias na área de estudo, concluiu-se que o subsetor 2 apresenta um estado de degradação maior, porém, o subsetor 1 também possui potencial de degradação alto. Recomenda-se o uso do DFC em conjunto com a RUSLE para uma avaliação mais aprofundada das dinâmicas de uso e cobertura do solo de bacias hidrográficas. Palavras-Chave – Gestão de recursos hídricos; DFC; RUSLE. METHODOLOGIES OF PHYSICAL-CONSERVATION DIAGNOSTICS AND THEIR IMPLICATIONS IN THE MANAGEMENT OF WATER RESOURCES Abstract – Management of territories and water resources should be based on the idea of the river basin as a management unit, providing studies in different regions. In this paper a river basin of the Canoas River, in the mountainous region of Santa Catarina, is highlighted, the largest basin in the state and possessing an environmental wealth and unique water resources that are affected daily by human activities. The aim of this paper was to evaluate the state of degradation of the sector 5 interbasin using the physical-conservationist diagnosis (DFC) and the Universal Soil Loss Revised Equation (RUSLE). The studies were conducted in the year 2016 in two subsectors of the main sector, and both methods sought a determination of the potential impacts that will allow the construction of a medium and long-term action plans, a proposed project within the scope of the Hydrographic Basin Management Plan. Applying both methodologies in the study area, it was concluded that subsector 2 exhibit a greater state of degradation, however, the subset 1 also has a high degradation potential. It is recommended to use the DFC in conjunction with a RUSLE for a more in-depth assessment of river basin use and land cover dynamics. Keywords – Water resources management; DFC; RUSLE. 1* Mestranda Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, mari-di-liz@hotmail.com 2 Mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, guilhermericardo@terra.com.br 3 Bolsista Voluntária, Engenharia Ambiental e Sanitária, UDESC/Lages, ana-cantarelli@outlook.com 4 Bolsista Voluntário, Engenharia Ambiental e Sanitária, UDESC/Lages, natanzambelli@hotmail.com 5 Mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, filipe.wroblescki@lages.sc.gov.br 6 Aluna especial no Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, lena3008.stra@gmail.com 7 Aluno especial no Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais, UDESC/Lages, lucas.s.beninca@gmail.com 8 Professor Associado, Departamento de Engenharia Ambiental e Sanitária, UDESC/Lages, silvio.rafaeli@udesc.br XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 2 INTRODUÇÃO A gestão dos recursos hídricos deve ser realizada através de uma visão holística do sistema natural representado pela bacia hidrográfica, contemplando tanto seus componentes morfológicos quanto os dinâmicos. Um gerenciamento adequado preconiza a visão sistêmica e interdependente composta por três linhas: a primeira delas, entende que as decisões que modificam o uso do solo podem afetar a água, e vice-versa. A segunda, diz respeito às decisões que são tomadas por alguns setores socioeconômicos e que impactam o ciclo hidrológico, os ecossistemas e de modo geral, o espaço geográfico em que a sociedade vive. Em terceiro lugar, decisões em todos os níveis de gestão, sejam elas internacionais, nacionais, regionais ou locais, possuem impactos a nível de bacia hidrográfica (BURTON, 2003), o que pode requerer a criação de instituições de gerenciamento específicas. Retomando o primeiro item, a gestão dos recursos hídricos segue em paralelo com a gestão do território da bacia. O planejamento do território é executado com base no conhecimento acerca do seu ordenamento, o que pode ser feito através da delimitação dos limites biofísicos do ecossistema. A quantificação do uso da terra é tida como primária, pois tem consequências evidentes na quantidade e qualidade dos recursos hídricos que permeiam tais territórios. Portanto, o olhar voltado para a bacia hidrográfica não pode focar apenas a água, mas todos os elementos constituintes que fornecem suporte para que ela seja mantida de forma equilibrada. Em última análise, nos elementos que podem interferir no ciclo hidrológico. Por ser considerado um ente sistêmico, a bacia hidrográfica reage através dos princípios de que para cada entrada ou “pulso”, o sistema da bacia realiza funções e fornece uma resposta. O pulso dado é a precipitação, o sistema que realiza funções é dependente de suas conformações físicas, de características intrínsecas do espaço geográfico (relevo, cobertura do solo, geomorfologia, entre outros), e a resposta pode ser dada através do comportamento de um hidrograma de saída, por exemplo (Figura 1). Figura 1. Modelo sistêmico aplicado a bacias hidrográficas. Sabendo que o uso do solo vem sendo alterado pela ação antrópica, a qual se apropria dos recursos naturais em detrimento do ambiente físico, o espaço da bacia hidrográfica estabelece uma nova dinâmica de transferências e armazenamentos de água, produzindo respostas que são influenciadas por este dinamismo. Assim, o objetivo deste trabalho foi comparar os índices que fornecem o estado de degradação ambiental da região do Setor 5 da bacia hidrográfica do rio Canoas, por meio do diagnóstico físico-conservacionista tradicional, apresentado nos estudos de Beltrame (1994), Ferreti (1998), Carvalho (2004) e Neves (2012), com os índices do método adaptado da Equação Universal de Perdas de Solo Revisada (RUSLE), que fornece a perda de solos anual em uma bacia hidrográfica. XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 3 DIAGNÓSTICO FÍSICO-CONSERVACIONISTA (DFC) Diversos estudos e modelos estrangeiros foram adaptados à realidade das bacias hidrográficas brasileiras durante as últimas décadas. Eles objetivaram a realização de diagnósticos gerais e a busca por planos de ações e metas a serem implantados na recuperação das bacias. No sul do Brasil, estudos basearam-se em algumas metodologias definidas em trabalhos publicados pelo Centro Interamericano de Desenvolvimento de Águas e Terras (CIDIAT) da Venezuela. As metodologias propunham diagnósticos variados, tais como: Diagnóstico Físico-Conservacionista (DFC), Diagnóstico do Recurso Solo, Diagnóstico do Recurso Água, Diagnóstico do Recurso Vegetação, entre outros estudos que requerem uma equipe multi e interdisciplinar para sua execução (ROCHA et al., 2009).Os diagnósticos ambientais são expressos através de valores absolutos e equações, estabelecendo uma forma de análise quantitativa e qualitativa do estado de deterioração ao qual a bacia hidrográfica está submetida. Esta gama de diagnósticos se assemelha em muito aos estudos que são exigidos pela legislação ambiental brasileira, antes do licenciamento de empreendimentos (BRASIL, 1997) e podem ser utilizados como uma alternativa no levantamento de dados para estes estudos. O DFC consiste na aplicação de sete parâmetros, constituintes de uma fórmula descritiva, que indica qual o estado de degradação de cada um dos subsetores de uma bacia hidrográfica (NEVES, 2012). O principal ponto acerca do DFC é que este método é baseado em informações que associam dados de bases secundárias e informações primárias geradas em Sistemas de Informações Geográficas (SIG). Ao final as áreas críticas podem ser identificadas e previstas nos planos e metas. Os parâmetros que devem ser definidos, são constituintes da equação 1: 𝐸𝑓=𝐶𝑂𝑎+𝐶𝐴𝑏+𝐷𝑀𝑐+𝐸𝑑+𝑃𝐸𝑒+𝐷𝐷𝑓+𝐵𝐻𝑔 (1) Os parâmetros acima são: estado físico-conservacionista (Ef); grau de semelhança entre a cobertura vegetal original e atual (COa); proteção da cobertura vegetal atual do solo (CAb); declividade média (DMc); erosividade da chuva (Ed); potencial erosivo do solo (PEe); densidade de drenagem (DDf); e por fim, o balanço hídrico (BHg). As letras minúsculas representam os índices numéricos que serão fornecidos nos cálculos e são dados através de valores tabelados. A cobertura vegetal original e atual relaciona a cobertura vegetal primária, presente antes da intervenção humana, com a atual vegetação na área. O parâmetro proteção da cobertura vegetal atual do solo é variável de acordo com o tipo de uso da superfície, pois a proteção existente depende do tipo e estado do uso e conservação do solo. Tais parâmetros são importantes na quantificação das mudanças que ocorreram na paisagem e que impactam o ciclo hidrológico, principalmente em termos de armazenamento de água na bacia hidrográfica. A declividade média refere-se as características do relevo, e sua influência é determinante na velocidade de escoamento superficial e também no tempo de concentração da bacia. A erosividade da chuva é um parâmetro que tem ligação com o clima e corresponde à capacidade potencial das chuvas em provocar erosão em um solo desprotegido. A densidade de drenagem, é um índice morfométrico que representa a relação intrínseca entre os processos hidrológicos superficiais do relevo e do solo, das condições edafoclimáticas e da capacidade de escoamento hídrico da bacia. O balanço hídrico relaciona as principais entradas e saídas de água da área em estudo. Na análise do DFC, o balanço hídrico é fundamental, tendo em vista que é considerado um indicador potencial natural de degradação e/ou conservação física da bacia (NEVES, 2012). XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 4 EQUAÇÃO UNIVERSAL DE PERDAS DE SOLO REVISADA (RUSLE) A equação de predição de erosão mais amplamente conhecida é a Equação Universal de Perdas de Solo (USLE), que possui um formato atualizado denominado de Equação Universal de Perdas de Solo Revisada (RUSLE). Esta equação, de base empírica, não leva em consideração, de forma individualizada, os processos físicos envolvidos na erosão do solo, como o desprendimento e transporte de partículas de solo e sedimentos. A RUSLE apenas discrimina a significância dos diferentes fatores que regem o processo erosivo e que podem vir a influenciar em análises acerca da hidrologia da bacia hidrográfica. Dentre esses fatores, estão incluídos a precipitação, o comprimento da encosta, a declividade da encosta, a erodibilidade do solo, o cultivo (uso do solo) e as práticas agrícolas protetivas. A semelhança entre os parâmetros de entrada da equação do DFC e da RUSLE, indicam que o uso de ambas pode fornecer respostas similares acerca da degradação de um ambiente. A equação de perdas de solo é muito difundida no Brasil, sendo de fácil compreensão e boa precisão nos resultados gerados. Muitos de seus parâmetros já foram estudados e mapeados em vários estados. Sua fórmula é descrita através da equação 2: 𝐴 = 𝑅 . 𝐾. 𝐿𝑆. 𝐶. 𝑃 (2) Onde o termo A é perda anual de solo (ton.ha-1.ano-1) devido ao escoamento superficial; R é o fator de erosividade da chuva MJ.ha-1.mm-1.h-1; K é o fator de erodibilidade do solo que varia de 0,03 a 0,79 ton.MJ-1.ha-1.mm-1.h-1; LS é o fator de declividade e comprimento de encosta (adimensional); C é o fator de prática de cultura variando de 0,001 a 1,0 (adimensional); e P é o fator de prática de cultura contra a erosão que varia de 0,3 a 1,0 (adimensional). A tabela 1, mostra a origem de cada um dos termos que integram a equação 2. Tabela 1. Resumo dos parâmetros de entrada da equação universal de perda de solo e como podem ser obtidos. Fator Origem R (erosividade da chuva) Equação descrita por Lombardi Neto e Moldenhauer (1992). Obtido pela média histórica de séries pluviométricas próximas da área de estudos. K (erodibilidade do solo) Obtido através do mapa de solos para a região. Os fatores de erodibilidade para cada tipo de solo variam na literatura. L (comprimento de rampa) e S (classe de declividade) Os fatores podem ser condensados em um só, obtidos através do mapa de declividades do terreno. As equações utilizadas para a manipulação dos rasters foram sugeridas por Chair (2005). C (uso e cobertura do solo) Obtido através de imagens de satélite. O valor extraído deve ser ponderado através dos mapas temáticos de uso e ocupação do solo. P (práticas conservacionistas) Obtido através de imagens de satélite. O fator P varia de 0 a 1 (valor máximo), sendo que este último indica a ausência completa de práticas conservacionistas no local. ESTUDO DE CASO: SETOR 5 DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO CANOAS Área de estudo A área de estudo do trabalho é a região compreendida pelo Setor 5 da bacia hidrográfica do rio Canoas, sendo considerada uma interbacia, devido ao seu posicionamento espacial. Possui área de XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 5 drenagem de aproximadamente 2.099 km², situada entre as coordenadas 27°13’56 e 27º46’20” de latitude sul e 50°48’58” e 51°27’56 de longitude oeste. Os municípios abrangidos na bacia são: Abdon Batista, Anita Garibaldi, Campo Belo do Sul, Campos Novos, Celso Ramos, Cerro Negro e Vargem, conforme a Figura 2. O Setor 5 foi subdividido em 2 subsetores menores, que possuem usos do solo diferentes, destacando-se a predominância de campos nativos, reflorestamento e mata nativa no subsetor 1 e a agricultura no subsetor 2. A setorização foi uma estratégia para o melhor gerenciamento dos recursos naturais, uma vez que houve uma redução significativa da área que será gerida de cada vez, e a definição das áreas prioritárias de intervenção ambiental. Figura 2. Subsetores do Setor 5 da Bacia do Rio Canoas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ambos os diagnósticos foram aplicados à interbacia em estudo, e seus resultados são apresentados nas tabelas 2 e 3. Os parâmetros obtidos e seu somatório final (Ef) não apresentam unidades de medida iguais, visto que o DFC possui um número maior de variáveis de entrada em seu modelo. Além disso, a própria literatura recomenda para cada um destes diagnósticos, o uso tabelas de classificação diferentes, porém com significados similares no que tange às conclusões obtidas. A tabela 2 apresenta os resultados do DFC para os subsetores 1 e 2 do Setor 5 da bacia hidrográfica do rio Canoas. O índice de degradação calculado através do método do DFC, é uma equação de reta que interpola o somatório dos índices de menor e maior degradação, que representam o melhor estado de conservação de uma bacia hidrográfica e o pior estado de conservaçãopossível, respectivamente. Neste estudo, o valor do somatório equivale à um risco de aproximadamente 55,54% de degradação no subsetor 1 e de 59,25% no subsetor 2. Este último é caracterizado por ser uma região agrícola intensiva no estado de Santa Catarina e, portanto, o risco de ser degradado pelo mau uso do solo e dos recursos hídricos é maior. Sub Setor 1 Sub Setor 2 449851 469851 489851 509851 6 9 2 5 6 5 6 6 9 4 5 6 5 6 6 9 6 5 6 5 6 6 9 8 5 6 5 6 2 4 13 5 REGIÕES HIDROGRÁFICAS DE SC MAPA DE SITUAÇÃO DOS SUB-SETORES DO SETOR 5 DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO CANOAS Sistema de Projeção Geográfica - Coordenadas planas Universal Transversa Mercator (UTM) Datum: SIRGAS 2000 Zona: 22 Sul - Meridiano Central: -51º Sistema de Referência Geográfica Convenções Cartográficas Rio Canoas Sub Setor 1 Sub Setor 2 Hidrografia MDT Altimetria (m) Alto : 1131 Baixo : 428 Informações Gerais Laboratório de Hidrologia Departamento de Engenharia Ambiental e Sanitária ® 0 6,5 13 19,5 263,25 Quilômetros Setor 5 / Bacia do rio Canos / RH 4 / SC SC Rio Canoas Setor 1 - Bacia Alto Canoas Setor 2 - Bacia Marombas Setor 3 - Bacia Caveiras Setor 4 - Interbacia Médio Canoas Setor 5 - Interbacia Baixo Canoas XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 6 Tabela 2. Índices de degradação para os subsetores 1 e 2 do Setor 5. Parâmetro Subsetor 1 Subsetor 2 Grau de semelhança CO4 CO5 Proteção atual do solo CA5 CA5 Declividade média DM3 DM3 Erosividade da chuva E2 E3 Potencial erosivo do solo PE4 PE3 Densidade de drenagem DD2 DD2 Balanço hídrico BH2 BH2 Ef 22 23 A tabela 3 apresenta os resultados obtidos pela metodologia da equação universal de perdas de solo revisada. A equação da RUSLE é produto dos índices obtidos e a unidade de saída é dependente, em grande parte, dos fatores de erodibilidade (K) e erosividade da chuva (R). Quando avaliados de forma isolada, os resultados da equação fornecem evidências de que há perda de solo variando de nula a moderada, em termos anuais, quando os valores calculados estão abaixo de 10 ton.ha-1.ano-1. O uso de práticas de conservação pelos agricultores do subsetor 2 e o baixo índice de desmatamento e reflorestamento de espécies exóticas no subsetor 1 – que é declivoso –, são indícios de causas para o valor encontrado. Tabela 3. Parâmetros da RUSLE nos subsetores 1 e 2. Parâmetro Subsetor 1 Subsetor 2 R (MJ.ha-1.mm-1.h-1) 662,03 687,19 K (ton. MJ-1.ha-1.mm-1.h-1) 0,07913 0,0906 LS (adimensional) 2,46 1,75 C (adimensional) 0,04173 0,05451 P (adimensional) 0,5633 1,0 A (t.ha-1.ano-1) 3,015 5,939 Quando a equação do diagnóstico físico-conservacionista (simbolizada pelo termo Ef) é comparada com a equação universal de perda de solos revisada (simbolizada por A), nota-se que são muito semelhantes em alguns aspectos de sua construção, o que permite a equiparação em alguns termos. O parâmetro de declividade média tem grande semelhança com o cálculo do fator LS, que é a relação entre perda do solo por comprimento de declive e por comprimento de rampa. Neste caso, apesar da declividade média ser um fator representativo sobre o relevo da bacia hidrográfica, visto que as classes de relevo têm relação com o potencial de degradação de um solo por erosão, o fator LS apresenta-se como uma alternativa que leva em consideração não apenas o parâmetro da declividade, mas o fator topográfico de comprimento de rampa. Este fator sugere que quanto maior o tempo que a água leva para escoar superficialmente dentro da bacia hidrográfica, maiores devem ser os comprimentos de rampa. Acerca do parâmetro de erosividade da chuva, ambas as equações contam com a sua determinação de forma semelhante. Há que se evidenciar algumas melhorias a serem feitas na estimativa da erosividade da chuva (Ed): na equação RUSLE existe a ponderação das chuvas através de métodos de espacialização, podendo ser utilizados polígonos de Thiessen, krigagem e outros métodos interpoladores, a fim de obter maior representatividade da distribuição das precipitações. Isto não ocorre no caso do parâmetro Ed. O principal parâmetro que se discute neste trabalho é a estimativa do potencial erosivo do solo (PEe) da equação do DFC, que está relacionado com os índices K (erodibilidade do solo), C (fator de uso e cobertura do solo) e P (fator de práticas conservacionistas) da RUSLE. Para o potencial erosivo XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 7 do solo, são sobrepostos os mapas de uso do solo, dos tipos de solo e de declividade para cada subsetor. Esta sobreposição feita em ambiente SIG relaciona, através das tabelas de atributos, algumas classes e subclasses que originam uma matriz de integração. As matrizes de integração dão origem a centenas de pequenas classes (alfanuméricas e representadas por símbolos escolhidos pelo analista), que são os recortes de unidades espaciais com mesmo tipo de solo, mesma declividade e mesmo uso e cobertura do solo. O problema encontrado nesta metodologia diz respeito à agregação destas centenas de pequenas classes em alguns grupos maiores ou superclasses, que indicam o potencial erosivo através de algumas faixas específicas de valores, visto que o arranjo destes grupos é realizado com base na intuição do analista, carecendo de análises de agrupamento. Nos trabalhos encontrados na literatura, as classes de potencial erosivo do solo variam, não possuem códigos identificadores unívocos e singulares e são construídos conforme a necessidade do trabalho realizado. Assim, a qualificação de tipo de erosão ao qual o solo está submetido pode e deve ser avaliado segundo outros métodos que sejam analíticos e sigam uma formulação universal. O uso dos fatores K, C e P da equação universal de perdas de solo revisada, apresenta a potencialidade de quantificar a perda de solo que está ocorrendo com base em parâmetros medidos a campo, ou obtidos por métodos validados por análises estatísticas. Além disto, os fatores C e P, trazem para o cálculo a importância de se quantificar e mesmo contrabalançar, os usos do solo com as práticas protetivas, que previnem sua degradação ao longo do tempo. Segundo Neves (2012), o potencial erosivo do solo é a suscetibilidade que os solos apresentam de erodirem em diferentes taxas, devido às diferenças em suas propriedades e seus diversos usos. No entanto, este processo é uma sequência evolutiva da paisagem, que pode ocorrer em diferentes velocidades, de acordo com os fatores de erosividade da chuva, características do solo e relevo, cobertura vegetal, uso e ocupação do solo e atuação de ações antrópicas. Estes fatores não são contemplados no modelo, porém, afetam o quanto o solo pode vir a impactar toda a estrutura da bacia hidrográfica. É importante frisar que a perda de solo obtida através da RUSLE fornece um panorama atual sobre como o solo da região vem sendo tratado através dos seus usos múltiplos, e pode não ser totalmente preciso nas projeções futuras e construção de cenários pessimistas. Quando se avalia o potencial erosivo do solo, que é utilizado para projeções, o cenário é tido como pessimista e leva em conta o que poderia ocorrer na região estudada, se não houvesse nenhuma técnica de manejo e proteção sendo aplicada. Assim, pode-se considerar que o valor encontrado para a perda de solos na região do Setor 5 variou de nulo a baixo e que seu potencial de deterioração ainda não atingiu o máximo que poderia atingir, se houvesse uso incorreto do solo. As análises obtidas sugerem que não se deve priorizar uma equação em detrimento de outra. No entanto, a manutenção da dicotomia que existe nos modelos poderia ser substituída pelo desenvolvimento de uma metodologia integradora, que considere todas as possíveis variáveis relevantes em um estudo, mesmo que sua obtenção não seja trivial ou que estas relações sejam menos evidentes. Estudosconciliatórios acerca do uso e cobertura do solo, com aqueles voltados para os recursos hídricos, ainda são raros. O método do DFC é intuitivo e de fácil execução, mas pode ser melhorado se alguns parâmetros fossem adicionados ou adaptados, para que seja um indicativo efetivo do que ocorre em uma bacia hidrográfica. Destarte, o sistema constituído pela bacia hidrográfica pode ser modelado com todas as variáveis imprescindíveis ao bom gerenciamento do território e o consequente gerenciamento dos recursos hídricos. XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos 8 CONCLUSÕES O DFC demonstrou ser uma metodologia que requer a adição de mais indicadores para se tornar representativa, no âmbito do levantamento dos parâmetros físicos e conservacionistas de uma bacia hidrográfica. O valor tradicionalmente utilizado na equação do diagnóstico físico- conservacionista para o parâmetro de potencial erosivo do solo revelou-se subjetivo, e por ser originário de interpretações pessoais acerca de quais classes de relevo, solo e geologia são mais ou menos erosivos, o uso da equação universal de perdas anuais de solo não deixa de ser um complemento acertado. O subsetor 2 foi aquele que mostrou um estado de degradação maior em relação ao subsetor 1, devido aos fatores mais degradantes observados, que são as monoculturas, uso de agrotóxicos e erosão do solo pelas poucas práticas conservacionistas. Se houver necessidade de intervenção em um dos subsetores, o 2 deve ser priorizado, devido ao seu valor de deterioração estar mais elevado. Recomenda-se realizar o monitoramento destes subsetores a cada 2 anos, buscando verificar se as medidas implementadas pelos gestores estão reduzindo a deterioração ambiental e auxiliando na melhoria da qualidade da água. REFERÊNCIAS BELTRAME, A. V. (1994) Diagnóstico do meio físico de bacias hidrográficas: modelo e aplicação. Florianópolis: Ed. Da UFSC. BRASIL. (1997) Resolução CONAMA nº 237 de 19 de dezembro de 1997. Dispõe sobre a revisão e complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento ambiental. Publicado no D.O.U. BURTON, J. (2003) Integrated water resources management on a basin level: a training manual. Unesco, Canadá. CARVALHO, S. M. (2004) O diagnóstico físico-conservasionista - DFC como subsídio à gestão ambiental da bacia hidrográfica do rio Quebra-Perna, Ponta Grossa-PR. 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