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Introdução ● Mononucleose Infecciosa (MI) ● Tríade clássica: febre + faringite tonsilar + linfadenopatia ● Provocada pelo vírus Epstein-Barr (EBV) Epidemiologia ● Transmissão: contato íntimo ● Humanos são principal reservatório ● 90-95% são soropositivos para EBV ● Quando adquirido durante a infância é frequentemente subclínico ● Menos de 10% das crianças desenvolvem infecção clínica ● A incidência de infecção sintomática começa a aumentar na adolescência até a idade adulta ● Pico de incidência: 15 a 24 anos ● Relativamente incomum em adultos ● Responsável por menos 2% das faringites em adultos ● Fator de proteção: exposição prévia Transmissão ● Saliva → Período prolongado ● Excreção oral → 6 meses após início da doença ● Orofaringe → Décadas ● Aleitamento materno não é uma importante via de transmissão ● Pode ocorrer transmissão sexual, embora seja difícil diferenciar da transmissão oral Patogênese ● EBV → Células epiteliais da orofaringe → réplica do vírus → liberação do EBV nas secreções da orofaringe ● Período de incubação: 4-8 semanas ● Persiste em um nível elevado por 32 semanas na orofaringe em indivíduos assintomáticos Manifestações Clínicas ● Sintomas clássicos: Linfadenopatia (100%), febre (98%), faringite (85%), fadiga e linfocitose atípica ● O quadro geralmente abre com mal-estar, cefaleia e febre baixa ● A maioria dos sintomas iniciais (febre, dor de garganta) se resolve em um mês ● A fadiga se resolve mais lentamente, em 13% dos pacientes pode persistir por seis meses ● Comprometimento linfonodal simétrico ● Acomete mais gânglios cervicais posteriores e auriculares posteriores e menos as cadeias anteriores ● A linfadenopatia atinge o pico na primeira semana e, em seguida, diminui gradualmente ao longo de duas a três semanas ● A dor de garganta é frequentemente acompanhada por inflamação faríngea e exsudatos amigdalianos, que podem aparecer brancos, verde-acinzentados ou mesmo necrótico ● Petéquias palatinas com hemorragias estriadas e máculas vermelhas manchadas estão ocasionalmente presentes (diferenciar de faringite estreptocócica) ● Adultos muito jovens ou idosos frequentemente não desenvolvem a síndrome clínica clássica ● A esplenomegalia é observada em 50 a 60% dos pacientes com IM e geralmente começa a regredir na terceira semana da doença ● Manifestações cutâneas: erupção maculopapular, urticariforme ou petequial generalizada ● Não há evidências de risco teratogênico para o feto em mulheres que desenvolvem infecção durante a gravidez ● Erupções cutâneas podem surgir após administração de antibióticos Laboratório ● Linfocitose > 4.500 (mais comum) ● Leucócitos 12.000 - 18.000 ● Alguns pacientes apresentam neutropenia relativa e absoluta leves e trombocitopenia ● Aminotransferases elevadas são observadas na grande maioria dos pacientes ● Estes são geralmente achados benignos e autolimitados Diagnóstico Diferencial ● Infecção estreptocócica: geralmente não é acompanhada por fadiga significativa ou esplenomegalia no exame ● A faringite associada ao CMV tende a ser extremamente leve ● A infecção primária pelo HIV causa uma doença febril semelhante à mononucleose. ○ Achados mais comuns são febre, dor de garganta, mialgias e linfadenopatia ○ Ulceração mucocutânea ○ Erupção cutânea ● Toxoplasma gondii ○ Febre e linfadenopatia ○ Raramente causa faringite ou testes de função hepática anormais ○ Não apresenta anormalidades hematológicas Diagnóstico ● Deve-se suspeitar quando adolescente ou adulto jovem se queixa de dor de garganta, febre e mal-estar e também apresenta linfadenopatia e faringite ao exame físico ● Petéquias palatinas, esplenomegalia e adenopatia cervical posterior é altamente sugestiva de MI ● Ausência de linfadenopatia cervical e fadiga tornam o diagnóstico menos provável ● Linfocitose e aumento de linfócitos atípicos circulantes auxiliam no diagnóstico ● Embora não haja terapia antiviral específica para tratar a MI, o teste confirmatório é útil para informar os pacientes com MI sobre certos riscos, como ruptura esplênica e obstrução das vias aéreas, bem como por que a fadiga pode levar algum tempo para remitir ● Testes sorológicos: ○ Anti-VCA IgM e IgG (padrão ouro) → sugere infecção aguda por EBV ○ Anti-EBNA IgG e IgM → confirmam infecção aguda por EBV se estiverem negativos, pois só positivam 6 - 12 semanas após o início dos sintomas. Mas afastam infecção aguda se estiverem positivos. Tratamento ● Doença autolimitada ● Raramente requer mais do que a terapia sintomática ● Paracetamol ou AINEs → febre e desconforto na garganta ● Repouso ● O uso de corticosteróides no tratamento da IM induzida pelo EBV não tem evidências sólidas ● Aciclovir + Prednisolona reduz a excreção orofaríngea do vírus, mas não afeta a duração dos sintomas ou recuperação precoce ● Se obstrução de vias aéreas → dexametasona 0,25 mg/Kg 6/6h ○ Uma vez que a melhora clínica tenha sido alcançada, reduzir a dose de corticosteróide lentamente (7 a 14 dias) ● Aciclovir → Não tem efeito sobre a infecção latente, não tem benefício clínico significativo frente ao placebo Prognóstico ● A maioria se recupera sem intercorrências e desenvolve imunidade durável ● Mais de 50% dos pacientes com MI desenvolvem aumento esplênico nas primeiras duas semanas de sintomas ● Todos os atletas devem abster-se de atividades esportivas durante o início da doença (evitar ruptura esplênica) ● Para atletas que planejam retomar esportes sem contato, o treinamento pode começar gradualmente três semanas após o início dos sintomas ● Para esportes com contato, esperar por um mínimo de quatro semanas após o início da doença ● Não há restrições em relação aos pacientes com IM recentemente doentes para retornar à escola ou ao local de trabalho Introdução Epidemiologia Transmissão Patogênese Manifestações Clínicas Laboratório Diagnóstico Diferencial Diagnóstico Tratamento Prognóstico