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CENTRO UNIVERSITÁRIO JORGE AMADO Engenharia de Produção Aluno: Fred Carvalho Ubirajara Matrícula: 2230107272 Disciplina: Planejamento e Controle da Produção I (IL10423) Tutor: LEONARDO GALDINO MONTEIRO SILVA AVA 2 https://unijorge.instructure.com/courses/51046 Planejamento Agregado e Administração de Estoques Este trabalho é voltado para a comprovação da aprendizagem dos assuntos abordados nas Unidades 3 e 4, que são de grande importância no cotidiano de um engenheiro ou engenheira de produção. O setor produtivo de uma empresa não se ocupa apenas da produção propriamente dita, mas também das áreas de planejamento e controle a ela relacionadas. O Planejamento Agregado é importante para qualquer organização, assim como a eficiente administração de estoques. Quais estratégias de atuação podem ser adotadas de forma a influenciar positivamente sobre a demanda e a oferta de recursos a fim de contornar as restrições no planejamento agregado? Dê exemplos reais sobre cada atuação proposta. No Planejamento Agregado de Produção (PAP), o objetivo é harmonizar a taxa de produção com a demanda oscilante de mercado em médio prazo (LUSTOSA et al., 2008). Para contornar restrições operacionais, o engenheiro de produção pode adotar estratégias focadas em influenciar a demanda ou em ajustar a oferta de recursos. 1. Estratégias para Influenciar a Demanda Têm como finalidade nivelar a curva de vendas, deslocando parte dos consumidores dos períodos de pico para momentos de folga operacional: Mecanismos de Preço e Promoções (Precificação Dinâmica): Atuação: Oferecer descontos e incentivos financeiros em momentos de baixa procura para preencher capacidades ociosas e desestimular a concentração de consumo nos horários de pico (SLACK; JOHNSTON; JONES, 2018). Exemplo Real: Companhias Aéreas (ex.: LATAM, Gol): Utilizam algoritmos de yield management que reduzem os preços de passagens para voos em dias e horários de menor movimento (ex.: terças e quartas-feiras à tarde), otimizando a taxa de ocupação dos aviões. Reservas e Agendamento Prévio: Atuação: Estabelecer a obrigatoriedade de marcação de horário para controlar e regularizar o fluxo de atendimento, evitando sobrecarga no sistema produtivo. Exemplo Real: Concessionárias e Oficinas (ex.: Toyota, Volkswagen): Exigem o agendamento prévio para serviços de manutenção preventiva, distribuindo a carga de trabalho dos mecânicos uniformemente ao longo dos dias do mês. Produtos Complementares / Contra-tendência: Atuação: Desenvolver e comercializar produtos cujos picos sazonais de venda sejam opostos aos da linha principal, utilizando a mesma estrutura de fábrica, máquinas e mão de obra. Exemplo Real: Indústria de Alimentos (ex.: Kibon / Nestlé): Fabricantes de sorvetes que intensificam a produção e distribuição de sobremesas quentes, chocolates ou panetones no outono e inverno para manter as operações ativas na baixa temporada. 2. Estratégias para Ajustar a Oferta de Recursos Buscam alterar a capacidade produtiva da empresa para acompanhar as flutuações e restrições de mercado: Horas Extras e Ajuste de Jornada de Trabalho: Atuação: Estender temporariamente a jornada dos colaboradores existentes em momentos de pico, sem incorrer em custos permanentes de novas contratações (TUBINO, 2017). Exemplo Real: Montadoras de Automóveis (ex.: Fiat, Hyundai): Utilizam turnos extras aos sábados (overtime) para atender a um aumento pontual na demanda de determinado veículo sem alterar o tamanho fixo da fábrica. Contratação/Demissão e Mão de Obra Temporária: Atuação: Adequar a força de trabalho às oscilações sazonais, contratando mão de obra temporária nos períodos de alta produção. Exemplo Real: Centros de Distribuição de E-commerce (ex.: Amazon, Mercado Livre): Contratam milhares de operadores logísticos temporários para o último trimestre do ano para conseguir processar os volumes da Black Friday e do Natal. Subcontratação e Terceirização: Atuação: Transferir a execução de parte do volume de produção para parceiros externos quando a demanda do mercado supera a capacidade máxima instalada (KAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2008). Exemplo Real: Indústria de Vestuário e Moda: Marcas que terceirizam etapas de corte, costura e acabamento para oficinas parceiras nos meses que antecedem o lançamento de novas coleções. Diferencie os estoques de antecipação, consignado, mínimo, regulador, de segurança e em trânsito. A diferenciação dos estoques deve ser feita com base na função operacional e na lógica de suprimentos de cada tipo de material dentro da cadeia de valor (TUBINO, 2017). Abaixo está a diferenciação detalhada de cada modalidade com base na literatura de Gestão da Produção: 1. Estoque de Antecipação Conceito: Formado intencionalmente para acumular produtos antes de um período de alta previsível na demanda ou de uma interrupção planejada na produção (ex.: greves, reformas de máquinas, férias coletivas ou safras). Função: Absorver a sazonalidade e evitar gargalos quando a demanda do mercado supera a capacidade máxima de produção de um determinado período (LUSTOSA et al., 2008). Exemplo Prático: A fabricação e estocagem prévia de ovos de Páscoa pelas indústrias de chocolate a partir do segundo semestre do ano anterior. 2. Estoque Consignado Conceito: Materiais mantidos fisicamente no armazém ou na fábrica do cliente (comprador), mas cuja propriedade financeira permanece com o fornecedor até o momento do consumo efetivo. Função: Reduzir a imobilização de capital de giro do comprador e garantir disponibilidade imediata para a produção. A transferência de propriedade e a cobrança só ocorrem quando o item é retirado da prateleira para uso. Exemplo Prático: Um fornecedor de pneus mantendo um lote de peças dentro do galpão de uma montadora de veículos, sendo pago apenas à medida que os pneus são instalados na linha de montagem. 3. Estoque Mínimo (ou Ponto de Pedido) Conceito: É o nível crítico de estoque que funciona como um gatilho de ressuprimento. Quando o saldo do estoque atinge essa quantidade, emite-se automaticamente uma nova ordem de compra ou de produção (TUBINO, 2017). Função: Garantir que o novo lote chegue exatamente no momento em que o estoque atual for consumido, cobrindo a demanda esperada durante o tempo de reposição (lead time). 4. Estoque Regulador (ou Estoque de Ciclo) Conceito: Surge do processamento ou da compra de materiais em lotes operacionais maiores do que a demanda imediata, aproveitando economias de escala ou reduzindo custos de preparação (setup). Função: Harmonizar e suavizar o fluxo de produção entre etapas produtivas que operam em ritmos ou velocidades diferentes (KAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2008). Exemplo Prático: Uma estamparia que produz um lote de 10.000 peças de uma vez para otimizar o tempo de troca da ferramenta na prensa, liberando esse volume em lotes diários menores para a montagem final. 5. Estoque de Segurança (ou Estoque Buffer) Conceito: Quantidade sobressalente mantida exclusivamente para proteger o sistema contra variações estocásticas e incertezas (SLACK; JOHNSTON; JONES, 2018). Função: Absorver aumentos imprevistos e repentinos na demanda ou atrasos na entrega por parte dos fornecedores, evitando o custo de falta (stockout). Exemplo Prático: Um hospital mantendo caixas extras de soro fisiológico além da média semanal para garantir o atendimento em caso de surto ou de atraso na entrega da transportadora. 6. Estoque em Trânsito (ou Estoque de Canal) Conceito: Composto por materiais que já foram faturados e despachados da origem, mas que ainda estão fisicamente em deslocamento logístico até o destino final. Função: Representa o inventário retido nos modais de transporte (rodoviário, ferroviário, marítimo ou aéreo). Quanto maior a distância físicae o tempo de transporte, maior será o volume do estoque em trânsito. Exemplo Prático: Cargas de grãos ou componentes eletrônicos viajando em navios mercantes entre a China e o Brasil. Como deve ser feita uma análise para traçar uma estratégia de estoque? Etapas para Análise e Definição da Estratégia de Estoque: 1. Classificação e Segmentação do Inventário (Curva ABC / Princípio de Pareto) Análise: Categorizar todos os SKUs (Stock Keeping Units) com base no seu valor monetário acumulado e impacto no faturamento da empresa. Aplicação: Classe A: Itens de alto valor (representam cerca de 80% do investimento e 20% dos SKUs). Exigem monitoramento contínuo, inventários frequentes e estoque de segurança reduzido para não imobilizar capital. Classe B: Itens de importância e valor intermediários. Classe C: Representam 50% da quantidade física, mas apenas 5% a 10% do valor imobilizado. Permitem políticas de ressuprimento mais simplificadas (ex.: sistema de duas caixas). 2. Mapeamento e Previsão do Comportamento da Demanda Análise: Avaliar a estabilidade, sazonalidade e a natureza da demanda de cada item ao longo do tempo. Aplicação: Demanda Independente (Produtos Acabados): Requer o uso de modelos estatísticos de previsão e dimensionamento de estoques de segurança probabilísticos (SLACK; JOHNSTON; JONES, 2018). Demanda Dependente (Matérias-Primas e Componentes): Deve ser calculada diretamente via planejamento de necessidades de materiais (Material Requirements Planning - MRP) com base na estrutura do produto e na carteira de pedidos. 3. Mapeamento dos Tempos de Reposição (Lead Time) e Confiabilidade da Cadeia Análise: Mensurar o tempo total decorrido entre a identificação da necessidade de compra, a emissão do pedido, o processamento do fornecedor, o transporte e a liberação física/qualitativa do material. Aplicação: Quanto maior e mais instável for o lead time, maior deverá ser o Ponto de Pedido e a margem do Estoque de Segurança para evitar paradas na linha de produção (TUBINO, 2017). 4. Levantamento da Estrutura de Custos de Estoque Análise: Quantificar os custos logísticos e operacionais envolvidos na tomada de decisão: Custos de Manutenção/Carregamento: Custo de oportunidade do capital imobilizado, armazenagem, seguros, deterioração e obsolescência. Custos de Pedido / Preparação (Setup): Custos administrativos para emitir ordens de compra ou custos operacionais de parada e troca de ferramentas em máquina. Custos de Falta (Stockout): Prejuízos financeiros por vendas perdidas, multas contratuais ou parada de linhas de montagem. 5. Escolha da Política de Reposição e Nível de Serviço Análise: Definir a meta do Nível de Serviço (ex.: atender 98% das solicitações sem falta) e determinar o modelo de gestão mais adequado: Sistema de Revisão Contínua (Ponto de Pedido - Q/R): O estoque é monitorado a cada movimentação; ao atingir o Ponto de Pedido, aciona-se uma compra de lote fixo (Lote Econômico de Compra - LEC). Sistema de Revisão Periódica (Intervalo Fixo - P): O saldo é verificado em intervalos regulares (ex.: semanalmente), emitindo- se pedidos de quantidade variável para atingir um nível máximo estipulado. REFERÊNCIAS: KAJEWSKI, L.; RITZMAN, L.; MALHOTRA, M. Administração de Produção e Operações. 8. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. LUSTOSA, L. et al. Planejamento e Controle da Produção. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2008. SLACK, N.; JOHNSTON, R.; JONES, A. Administração da Produção. 8. ed. São Paulo: Atlas-Gen, 2018. TUBINO, D. F. Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática. 3. ed. São Paulo: Atlas-Gen, 2017. AVA 2 Planejamento Agregado e Administração de Estoques Este trabalho é voltado para a comprovação da aprendizagem dos assuntos abordados nas Unidades 3 e 4, que são de grande importância no cotidiano de um engenheiro ou engenheira de produção. O setor produtivo de uma empresa não se ocupa apenas da produção propriamente dita, mas também das áreas de planejamento e controle a ela relacionadas. O Planejamento Agregado é importante para qualquer organização, assim como a eficiente administraçã... 1. Estratégias para Influenciar a Demanda 2. Estratégias para Ajustar a Oferta de Recursos 1. Estoque de Antecipação 2. Estoque Consignado 3. Estoque Mínimo (ou Ponto de Pedido) 4. Estoque Regulador (ou Estoque de Ciclo) 5. Estoque de Segurança (ou Estoque Buffer) 6. Estoque em Trânsito (ou Estoque de Canal) Etapas para Análise e Definição da Estratégia de Estoque: 1. Classificação e Segmentação do Inventário (Curva ABC / Princípio de Pareto) 2. Mapeamento e Previsão do Comportamento da Demanda 3. Mapeamento dos Tempos de Reposição (Lead Time) e Confiabilidade da Cadeia 4. Levantamento da Estrutura de Custos de Estoque 5. Escolha da Política de Reposição e Nível de Serviço