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UNIDADE DE APRENDIZAGEM INTRODUÇÃO À ÉTICA PROFISSIONAL ÉTICA PROFISSIONAL 1 • Breve contextualização • Objetivos da Disciplina • Apresentação do E-book • 1. Unidade 1 • 2. Unidade 2 • 3. Unidade 3 • 4. Unidade 4 • 5. Unidade 5 • 6. Unidade 6 • 7. Encerramento do E-book ............. 03 ............. 03 ............. 03 ............. 04 ............. 12 ............. 22 ............. 38 ............. 48 ............. 59 ............. 74 Sumário 3 BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO. O E-book da disciplina Ética Profissional traz para o aluno os principais conceitos, teorias e reflexões que são trabalhadas nas aulas. O material também é composto por sugestões de outros artigos e materiais complementares para permitir o aprofundamento dos temas. APRESENTAÇÃO DO E-BOOK: OBJETIVOS DA DISCIPLINA: Conhecer e discutir os princípios éticos e morais e sua aplicação nas diversas áreas profissionais. Discutir a ética sob a perspectiva da responsabilidade social – ESG. Analisar os preceitos éticos e morais e sua importância para a conduta pessoal e profissional. 4 Além de compreender a melhor forma de agir, o conhecimento sobre a Ética é essencial para exigirmos dos nossos colegas de trabalho, empregadores e todos envolvidos em nossa atividade profissional as condutas que realmente garantirão o bem comum. OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO: • Compreender o que é a Ética Profissional e como ela está inserida em nossa vida. PARA INÍCIO DE CONVERSA: Apesar da palavra ética nos remeter a algo difícil e muito filosófico, precisamos compreender que a ética é usada para ações que promovam o bem comum e visa garantir a justiça no meio social. O Estudo da Ética Profissional nos ajuda a identificar e compreender como devemos agir em termos de conduta e postura para sermos profissionais bem-sucedidos que impactam positivamente a nossa sociedade. FONTE: ADOBE STOCK 5 1. MAS AFINAL, O QUE É ÉTICA? A palavra ética se origina do grego “ethos”, que significa morada coletiva e vida coletiva. Por esse conceito, conseguimos compreender que, para os gregos, as pessoas deveriam ter hábitos e costumes que buscassem o melhor para a vida em sociedade e por isso o conceito de ética acabou atrelado ao modo de ser ou caráter das pessoas. Curiosidade: O filósofo Mário Sérgio Cortella, no livro Ética e Vergonha na Cara, relembra um fato que é muito interessante para começar a entender o que é a ética. Em uma corrida de cross-country, o queniano Abel Mutai, medalha de ouro nos três mil metros com obstáculos em Londres, estava a pouca distância da linha de chegada e, confuso com a sinalização, parou para posar para fotos pensando que já havia cumprido a prova. Logo atrás vinha outro corredor, o espanhol Iván Fernández Anaya. E o que fez ele? Começou a gritar para que o queniano ficasse atento, mas este não entendia que não havia ainda cruzado a linha de chegada. O espanhol, então, o empurrou em direção à vitória. Bom, afora o ato incrível de fair play, há uma coisa maravilhosa que aconteceu depois. Com a imprensa inteira ali presente, um jornalista, aproximando o microfone do corredor espanhol, perguntou: “Por que o senhor fez isso?”. O espanhol replicou: “Isso o quê?”. Ele não havia entendido a pergunta – e o meu sonho é que um dia possamos ter um tipo de vida comunitária em que a pergunta feita pelo jornalista não seja mesmo entendida –, pois não pensou que houvesse outra coisa a ser feita que não aquilo que ele fez. O jornalista insistiu: “Mas por que o senhor fez isso? Por que o senhor deixou o queniano ganhar?”. “Eu não o deixei ganhar. Ele ia ganhar”. O jornalista continuou: “Mas o senhor podia ter ganho! Estava na regra, ele não notou...”. “Mas qual seria o mérito da minha vitória, qual seria a honra do meu título se eu deixasse que ele perdesse?”. FONTE: FREEPIK 6 2. ÉTICA PROFISSIONAL A ética profissional é um conjunto de princípios, valores e normas que orientam o comportamento ético dos indivíduos em seu ambiente de trabalho. Ela representa um conjunto de regras morais específicas que regem as ações e decisões dos profissionais em sua atuação profissional. A ética profissional vai além das habilidades técnicas e conhecimentos específicos da profissão, abrangendo a conduta e a responsabilidade do indivíduo no exercício de suas funções. O estudo da ética profissional vem ganhando destaque e é fundamental em qualquer campo de atuação. É a ética profissional que estabelece padrões de conduta ética que promovem a integridade, a honestidade, a responsabilidade e o respeito nas relações profissionais. Um profissional ético é reconhecido por sua postura íntegra, pela honestidade em suas ações e pela transparência em suas decisões. No caso citado, o espanhol demonstra de forma muito clara que o agir ético vai além de um conjunto de regras culturais, crenças, ideologias e tradições de uma sociedade, de uma comunidade ou de um grupo de pessoas. Se agisse como o esperado pela cultura da vitória a qualquer custo, pela crença de superioridade e esperteza e o agir, Ivan Anáya não seria ético. Mas ele agiu no sentido oposto e justamente por isso despertou a indignação do repórter, que refletia em suas perguntas tais crenças. Importante: Conseguimos compreender que a ética é guiada pela razão, e não pelas crenças, e se fundamenta nas ideias de bem e de , que são valores que devem ser perseguidos por todo ser humano. FONTE: FREEPIK 7 A ética também promove a confiança e a valorização dos clientes e colegas de trabalho, resultando em um ambiente colaborativo e produtivo. No âmbito das organizações, a ética profissional é fundamental para a reputação e imagem da empresa. Outro destaque é que empresas que adotam uma postura ética atraem clientes, parceiros e investidores que valorizam a integridade e a responsabilidade social. Além disso, a ética profissional contribui para a sustentabilidade dos negócios, evitando problemas legais, litígios e danos à reputação. Ele age de forma responsável, respeitando os direitos e interesses das partes envolvidas, como clientes, colegas de trabalho, empregadores e a comunidade em geral. A ética profissional também implica em cumprir com as leis, regulamentos e normas éticas estabelecidas para a profissão, evitando qualquer forma de corrupção, discriminação ou comportamento antiético. As organizações que implementam e exigem posturas éticas de seus profissionais percebem um ambiente de trabalho saudável, baseado em valores éticos sólidos, o que contribui para o desenvolvimento sustentável das organizações e da sociedade como um todo. Outro benefício que se percebe com a adoção de padrões éticos profissionais é que o profissional se beneficia, pois permite que o indivíduo mantenha sua reputação e credibilidade, o que é essencial para o seu desenvolvimento profissional e para a construção de uma carreira sólida. FONTE: FREEPIK FONTE: FREEPIK 8 a) Confiança: a ética profissional é fundamental para estabelecer e manter a confiança entre os profissionais, clientes e a sociedade em geral. Profissionais éticos são vistos como confiáveis e isso cria um ambiente de trabalho e de negócios mais saudável. b) Responsabilidade social: a ética profissional impulsiona os profissionais a assumirem responsabilidade pelas suas ações, considerando o impacto social e ambiental. Ela promove práticas sustentáveis e responsáveis, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da sociedade. c) Integridade: a ética profissional impede práticas corruptas e desonestas, preservando a integridade dos indivíduos e da sociedade como um todo. Ela fortalece os valores éticos fundamentais, como honestidade, transparência e justiça . 3. A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA PROFISSIONAL NO AMBIENTE DE TRABALHO E EFEITOS NA SOCIEDADE Nos tempos atuais, a ética profissional desempenhaum papel fundamental tanto na sociedade quanto no mercado de trabalho, pois representa um pilar essencial para a construção de relações interpessoais saudáveis, desenvolvimento sustentável das organizações e o bem- estar coletivo. Exploraremos agora a importância da ética profissional em diferentes níveis, analisando como sua prática adequada impacta positivamente a sociedade como um todo e o mercado de trabalho em particular. Ética Profissional e Sociedade: a ética profissional desempenha um papel crucial na sociedade, pois contribui para a construção de relações justas, confiáveis e respeitosas entre os indivíduos. Quando os profissionais atuam com integridade e responsabilidade, isso resulta em benefícios tangíveis para a sociedade como um todo. Alguns aspectos relevantes a serem considerados são: FONTE: ADOBE STOCK 9 • Relações interpessoais e colaboração: a ética profissional estabelece as bases para relações interpessoais saudáveis e colaboração eficaz no ambiente de trabalho. Profissionais éticos são respeitosos, justos e empáticos em suas interações com colegas, superiores e subordinados. Essa conduta ética fortalece a confiança e promove uma cultura de trabalho positiva, onde a cooperação e o trabalho em equipe são valorizados. Integridade e confiança: a integridade é um pilar central da ética profissional. Profissionais éticos se comprometem em agir de acordo com os valores éticos e em seguir os mais altos padrões de conduta. Essa integridade é fundamental para estabelecer a confiança tanto dentro da organização como com clientes e parceiros de negócios. A confiança é um elemento essencial para o crescimento profissional, pois as pessoas tendem a preferir trabalhar com aqueles em quem confiam. • Valorização da diversidade e inclusão: a ética profissional impulsiona a valorização da diversidade e inclusão no local de trabalho. Profissionais éticos reconhecem a importância de promover um ambiente inclusivo, onde todas as pessoas são respeitadas e valorizadas, independentemente de sua origem, gênero, etnia ou orientação sexual. Essa valorização da diversidade traz perspectivas e ideias diferentes, enriquecendo as equipes de trabalho e contribuindo para a inovação e o sucesso organizacional. • Ética Profissional e Mercado de Trabalho: No cenário altamente competitivo e complexo do mercado de trabalho atual, a ética profissional desempenha um papel crucial. Além das habilidades técnicas e conhecimentos específicos, os profissionais que se destacam são aqueles que incorporam e praticam princípios éticos em suas atividades diárias. Neste capítulo, exploraremos a importância da ética profissional no mercado de trabalho e como ela impacta positivamente a carreira e o sucesso profissional. • Reputação e credibilidade: a ética profissional é um fator determinante na construção da reputação e credibilidade de um profissional. A forma como os indivíduos conduzem seus negócios, interagem com colegas e clientes e tomam decisões éticas molda a percepção que os outros têm de sua integridade e confiabilidade. Profissionais éticos são vistos como confiáveis, o que pode abrir portas para oportunidades de carreira e parcerias profissionais. FONTE: ADOBE STOCK 10 • Sustentabilidade e responsabilidade social: a ética profissional também está relacionada à sustentabilidade e à responsabilidade social. Profissionais éticos consideram o impacto de suas ações e decisões não apenas no curto prazo, mas também a longo prazo, levando em conta os aspectos sociais, ambientais e econômicos. Essa preocupação com a sustentabilidade e responsabilidade social é cada vez mais valorizada pelas organizações e pela sociedade como um todo. • Desenvolvimento profissional e liderança exemplar: profissionais éticos são vistos como modelos a serem seguidos. Eles demonstram comportamentos éticos. Curiosidade: De acordo com o Instituto ETCO, a maior parcela dos avalia a sociedade brasileira como pouco ética ou nada ética. Também são críticos em relação à postura de seus amigos e menos críticos quando avaliam sua família e seu próprio comportamento CONSIDERAÇÕES FINAIS: Como vimos, a ética profissional é o conjunto de princípios e valores que orientam o comportamento dos profissionais no desempenho de suas atividades. É um conjunto de regras e padrões de conduta que definem o que é certo e errado em determinada profissão, orientando as decisões e ações do profissional. A ética profissional é importante porque ajuda a garantir a qualidade dos serviços prestados pelos profissionais e a proteger a confiança que a sociedade deposita neles. Além disso, contribui para a construção de um ambiente de trabalho saudável e harmonioso, baseado na honestidade, transparência e respeito mútuo. A falta de ética profissional pode ter consequências graves, tanto para o profissional quanto para a sociedade. Por exemplo, um médico que não segue as normas éticas pode colocar em risco a saúde e a vida dos pacientes. Um advogado que não respeita a ética profissional pode prejudicar os interesses de seus clientes e comprometer a confiança na justiça. Por outro lado, a prática da ética profissional pode trazer benefícios para o profissional, como a construção de uma boa reputação, a fidelização de clientes e a melhoria da qualidade do trabalho. FONTE: ADOBE STOCK 11 Além disso, o cumprimento das normas éticas pode ser exigido por leis e regulamentos, o que reforça a importância da ética profissional. Conclui-se que a ética profissional é fundamental para o bom funcionamento das atividades profissionais e para a construção de uma sociedade mais justa e equilibrada. É responsabilidade de cada profissional conhecer e seguir as normas éticas de sua profissão, contribuindo para a construção de um ambiente de trabalho ético e respeitoso REFERÊNCIAS: CORTELLA, Mario Sergio, FILHO, Clovis de Barros. Ética e vergonha na Cara. 1. ed. Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2014. (Coleção Papirus Debate) 02. CRISOSTOMO, Alessandro L. et al. Ética. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024557. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024557/. Acesso em: 03 maio 2023. CROCOLI, Daniel José; NODARI, Paulo César. Sobre ética: Aristóteles, Kant e Levinas. Conjectura: Filosofia E Educação, v. 16, n. 1, p. 193-197, 2011. ETCOS . Instituto Nacional De Ética Concorrencial. Ética para Jovens. 2017. Brasil. Disponível em : https://www.eticaparajovens. com.br/ FILHO, Artur R. I L.; OST, Sheila B.; BONETE, Wilian J. et al. Ética e Cidadania. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024816. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788595024816/. Acesso em: 03 mai. 2023. LA TAILLE, Yves. Ética para meus pais. São Paulo: Papirus, 272 p. FONTE: ADOBE STOCK 12 UNIDADE DE APRENDIZAGEM FUNDAMENTOS DA ÉTICA PROFISSIONAL ÉTICA PROFISSIONAL 2 13 PARA INÍCIO DE CONVERSA: Neste capítulo, exploraremos as teorias éticas que fundamentam a ética profissional e discutiremos a distinção entre ética e moral. Compreenderemos como essas teorias podem orientar os profissionais em suas atividades diárias, permitindo que tomem decisões informadas e éticas em diversas situações profissionais. Ao examinar as teorias éticas, como o utilitarismo, o deontologismo e a ética das virtudes, poderemos compreender diferentes perspectivas sobre o que é considerado moralmente correto no ambiente profissional. Essas teorias fornecem bases conceituais sólidas para a reflexão ética e nos ajudam a ponderar as consequências de nossas ações, as obrigações morais e as virtudes a serem cultivadas no contexto profissional. Além disso, é fundamental entender a diferença entre ética e moral. Por meio desse estudo, os profissionais serão capazes de desenvolver uma compreensão mais profunda da ética profissional,integrando princípios éticos em seu cotidiano de trabalho. Essa compreensão amplia a capacidade de tomada de decisões éticas, melhora a comunicação interpessoal, fortalece a confiança e a reputação profissional e contribui para o desenvolvimento sustentável das organizações. OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO: • Compreender as teorias da ética profissional e compre- ender a diferença entre ética e moral. FONTE: ADOBE STOCK 14 Princípios éticos: Os princípios éticos são guias gerais que orientam o comportamento humano, fornecendo diretrizes para a ação moral. Eles são fundamentais para a tomada de decisões éticas. Exemplos de princípios éticos são a autonomia (respeitar a capacidade de escolha do indivíduo), a beneficência (promover o bem-estar dos outros), a não maleficência (não causar dano), a justiça (tratar as pessoas de forma equitativa) e a veracidade (ser honesto). Normas éticas: As normas éticas são regras específicas que derivam dos princípios éticos e regulam o comportamento em determinadas situações. Elas são construídas socialmente e variam de acordo com diferentes contextos e culturas. Exemplos de normas éticas são respeitar a privacidade, cumprir contratos, agir com imparcialidade e respeitar a dignidade humana. 1. CONCEITOS BÁSICOS DA ÉTICA Já vimos na Unidade 1 que a ética é uma área da filosofia que se dedica ao estudo dos valores, princípios e normas que orientam o comportamento humano. Ela busca compreender o que é considerado certo ou errado, bom ou ruim, justo ou injusto em diferentes contextos e situações. Para compreender a ética de forma mais abrangente, é importante conhecer alguns conceitos básicos . Valores: Os valores são princípios ou ideais que são considerados importantes e desejáveis em uma determinada sociedade. Eles são a base da ética, influenciando as escolhas e ações humanas. Exemplos de valores comuns são a honestidade, a justiça, a liberdade, a solidariedade e a igualdade. FONTE: ADOBE STOCK FONTE: ADOBE STOCK 15 Consequencialismo e deontologia: São duas abordagens éticas que se diferenciam na forma de avaliar a moralidade das ações. O consequencialismo foca nas consequências das ações e defende que uma ação é ética se produzir bons resultados. Já a deontologia baseia-se em deveres e obrigações, independentemente das consequências, argumentando que algumas ações são intrinsecamente certas ou erradas Ética aplicada: A ética aplicada é o ramo da ética que se concentra em questões éticas específicas em áreas como medicina, tecnologia, meio ambiente, negócios, entre outros. Ela visa aplicar os princípios éticos e normas em situações concretas, buscando soluções éticas para dilemas e desafios éticos nessas áreas. Esses são apenas alguns conceitos básicos da ética, e a disciplina é rica e complexa, envolvendo diferentes correntes de pensamento e teorias éticas. Por meio desses conceitos, é possível iniciar a reflexão ética e compreender as bases teóricas que fundamentam nossas decisões e ações morais. FONTE: FREEPIK FONTE: ADOBE STOCK FONTE: ADOBE STOCK 16 Ética das virtudes: A ética das virtudes, associada aos filósofos Aristóteles e Alasdair MacIntyre, concentra-se no desenvolvimento de traços de caráter e virtudes morais. Ela enfatiza a importância de cultivar qualidades como a honestidade, a coragem, a justiça e a empatia. No contexto profissional, a ética das virtudes incentiva a adoção de comportamentos e atitudes virtuosas que promovam a excelência moral. Curiosidade: Você sabia que “Em seu livro Ética a Nicômaco, Aristóteles apresenta as suas teorias morais, defendendo o que ele chamou de Ética Eudêmia. O termo “Eudêmia” deriva do mesmo radical da palavra daemon, que no vocabulário grego antigo seria uma entidade equivalente à consciência, ou seja, uma espécie de voz que guia o nosso pensamento e nossas ações. A ética, segundo Aristóteles, deveria ser guiada pela 2. TEORIAS ÉTICAS APLICÁVEIS AO PROFISSIONAL Existem várias teorias éticas que podem ser aplicadas ao contexto profissional. Cada uma delas apresenta uma abordagem diferente para fundamentar o comportamento ético. Algumas das teorias éticas mais comuns e relevantes incluem: Deontologia: A deontologia, associada ao filósofo Immanuel Kant, enfatiza o cumprimento de deveres e obrigações morais. Ela se concentra na moralidade das ações em si, independentemente das consequências. No contexto profissional, a deontologia enfatiza a importância de seguir regras e princípios éticos estabelecidos, mesmo que isso possa resultar em consequências negativas. Utilitarismo: O utilitarismo, desenvolvido por filósofos como Jeremy Bentham e John Stuart Mill, considera que a moralidade de uma ação é determinada pelas consequências que ela produz. De acordo com essa teoria, uma ação é ética se proporcionar a maior quantidade de felicidade ou bem-estar para o maior número de pessoas. No contexto profissional, o utilitarismo pode envolver a busca do maior benefício para todos os envolvidos, considerando o impacto geral das ações e decisões. FONTE: ADOBE STOCK 17 preocupação, de responsabilização e de envolvimento com o outro” (BOFF, 2014, p. 37). A ética do cuidado destaca a interdependência e a preocupação com o bem-estar dos outros. No contexto profissional, a ética do cuidado envolve uma abordagem centrada nas necessidades e interesses dos clientes, pacientes, colegas e outras partes envolvidas. “(...) há um dado de base que é a predisposição natural de cuidar e o desejo de ser cuidado. Esse é o dado ontológico prévio que perpassa toda a existência humana, enquanto humana. É o caráter de universalidade dessa ética. É o “bem” buscado pela ética, se quisermos falar na linguagem da ética da justiça. Ela se realiza em todo ser humano, mas ganha proeminência na mulher, a portadora privilegiada do cuidado” (BOFF, 2013, p.132). prudência e pela moderação. Segundo o filósofo, havia uma mediania (uma espécie de justa medida) entre dois extremos morais, que eram considerados viciosos (ruins): um por excesso de algo e outro por falta de algo. A justa medida seria a moderação da ação entre os dois vícios, o que resultaria na virtude. Por exemplo, a coragem seria a virtude por justa medida, compreendida entre o vício da temeridade (excesso de coragem) e covardia (falta de coragem).” Veja mais sobre “Aristóteles” em: https://brasilescola.uol.com.br/ filosofia/aristoteles.html Ética do cuidado – A ética do cuidado, defendida pelo Filósofo Leonardo Boff, enfatiza a importância das relações interpessoais, do cuidado, da compaixão e da responsabilidade para a tomada de decisões éticas. Para Boff, o cuidado “representa uma atitude de ocupação, FONTE: ADOBE STOCK FONTE: ADOBE STOCK 18 Ela busca compreender o que é moralmente correto e como devemos agir em diferentes situações. A ética não se limita a um conjunto específico de regras, mas procura estabelecer fundamentos racionais e justificações para as ações e escolhas individuais e coletivas. Conseguem perceber como a ética envolve a reflexão sobre o sentido do certo e do errado, a análise dos valores e princípios que sustentam nossas ações e a busca por uma conduta moralmente adequada? Ela nos convida a refletir sobre nossas responsabilidades e a considerar as consequências éticas de nossas ações. Já a moral compreende o conjunto de normas, valores e costumes que são internalizados por indivíduos ou grupos em uma determinada sociedade. Ética do contratualismo – A ética do contratualismo, desenvolvida por filósofos como Thomas Hobbes, John Locke e Jean Jacques Rousseau, baseia-se na ideia de que a moralidade deriva de acordos e contratos sociais. Ela considera que as ações são éticas quando estão de acordo com os princípios e normas estabelecidos por meio desses acordos. No contexto profissional, a ética do contratualismopode envolver a adesão a códigos de conduta, regulamentos e obrigações contratuais. É importante ressaltar que essas teorias éticas não são mutuamente exclusivas, e os profissionais podem adotar uma abordagem integradora, combinando princípios de diferentes teorias éticas para orientar seu comportamento ético. Cada teoria oferece uma perspectiva única e pode ser aplicada de maneira apropriada ao contexto e aos desafios éticos específicos enfrentados por profissionais em suas áreas de atuação. 3. ÉTICA E MORAL A ética e a moral, apesar de serem conceitos com significados diferentes, são frequentemente confundidas. Vamos agora tentar compreender o que as difere. A ética é entendida como um ramo da filosofia que estuda as questões relacionadas aos valores, normas e princípios que guiam o comportamento humano. FONTE: ADOBE STOCK 19 Já a ética, por ter um caráter científico em geral, podemos afirmar que não possui uma variação como a moral. Ela pode sofrer alterações, mas possui maior constância no tempo e no espaço. Importante: Para facilitar a diferenciação dos conceitos de ética e moral, vejam o quadro a seguir: Ela representa as regras práticas que regulam o comportamento humano e são transmitidas por meio de tradições, costumes, religião e educação. A moral é moldada por fatores culturais, históricos e sociais, variando de uma sociedade para outra. A moral fornece diretrizes específicas sobre o que é considerado certo ou errado, bom ou mau, de acordo com as crenças e costumes de uma determinada comunidade. Ela pode se manifestar na forma de leis, regras, costumes tradicionais ou princípios religiosos. Um fator interessante para diferenciar ética e moral é a variação em relação às regras morais e éticas por questões geográficas e ao longo do tempo. Se lembrarmos que há algumas décadas as mulheres eram impedidas de votar e que o trabalho infantil era permitido, vamos conseguir compreender que o conceito de certo e errado, bom ou mau (como dito anteriormente) pode variar ao longo da história. Essa forma de viver era moral, permitida e legal. Porém, a sociedade se transformou e hoje homens e mulheres possuem os mesmos direitos e é vedado o trabalho infantil. A mesma percepção podemos ter ao comparar a nossa cultura com a do Irã, onde as mulheres precisam da autorização dos maridos para renovar passaportes e obter vistos. Para nós, no Brasil, isso é absurdo, inconcebível, mas pelas regras morais iranianas, esse é o correto. FONTE: ADOBE STOCK 20 Nas palavras de Mário Sérgio Cortella: Só se fala em ética porque homens, mulheres vivemos em coletividade. Se eu fosse sozinho, não existiria a questão da éti- ca. Afinal, ética é a regulação da conduta da vida coletiva. Se só existisse um ser humano no planeta, o tema da ética não viria à tona, porque ele seria soberano para fazer qualquer coisa sem se importar com nada. Como vivemos juntos e juntas, preci- samos ter princípios e valores de convivência, de maneira que tenhamos uma vida que seja íntegra, dos pontos de vista físico, material e espiritual. A moral é a prática, portanto, existe moral individual. A ética é o conjunto de princípios de convivência, portanto, não existe ética individual. Existe ética de um grupo, de uma sociedade, de uma nação. Com esses conceitos bem compreendidos, passamos ao conceito de ética profissional, que será o tema da nossa disciplina. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Neste capítulo, exploramos as teorias éticas aplicáveis à esfera profissional e discutimos a diferença entre ética e moral. Foi possível compreender que a ética profissional vai além de um conjunto de regras a serem seguidas, envolvendo princípios e valores fundamentais que guiam o comportamento dos profissionais em suas atividades laborais. As teorias éticas, como o utilitarismo, o deontologismo e a ética das virtudes, fornecem bases conceituais para a compreensão e aplicação da ética na esfera profissional. Cada uma dessas teorias oferece perspectivas diferentes sobre o que é considerado moralmente correto, e seu estudo permite aos profissionais refletirem sobre suas ações e tomar decisões éticas embasadas em princípios sólidos. Além disso, discutimos a diferença entre ética e moral, destacando que a ética se refere aos princípios e valores que norteiam as ações humanas, enquanto a moral diz respeito aos costumes e normas estabelecidos por uma determinada sociedade. Enquanto a moral pode variar culturalmente, a ética transcende essas diferenças e busca princípios universais que regem o comportamento humano. FONTE: ADOBE STOCK 21 A compreensão desses conceitos é de extrema importância para a esfera profissional, uma vez que a ética guia as ações e decisões dos profissionais, impactando não apenas sua reputação e sucesso individual, mas também a reputação das organizações em que atuam. A ética profissional contribui para a construção de um ambiente de trabalho saudável, relações interpessoais sólidas, confiança e respeito mútuo. Por fim, a ética profissional não é um conceito estático, mas um processo contínuo de reflexão e aprimoramento. Por meio do estudo das teorias éticas e da compreensão da diferença entre ética e moral, os profissionais têm a oportunidade de desenvolver uma consciência ética sólida, tomando decisões informadas e responsáveis que beneficiam não apenas a si mesmos, mas também a sociedade como um todo. Em suma, a ética profissional desempenha um papel vital na esfera profissional, contribuindo para a construção de um ambiente de trabalho ético, relações interpessoais saudáveis e o bem-estar coletivo. Ao adotar princípios éticos em suas práticas diárias, os profissionais se posicionam como agentes de mudança positiva, promovendo um mundo profissional mais justo, confiável e sustentável. REFERÊNCIAS: BOFF, L. O cuidado necessário: na vida, na saúde, na educação, na ecologia, na ética e na espiritualidade. 2. ed. Petropolis: Vozes, 2013. BOFF, L. Saber Cuidar: ética do humano - compaixão pela terra. 20.ed. Petrópolis: Vozes, 2014. CORTELLA, Mario Sergio; FILHO, Clovis de Barros. Ética e vergonha na Cara. 1. ed. Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2014. (Coleção Papirus Debate) 02. CRISOSTOMO, Alessandro L. et al. Ética. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024557. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca. com.br/#/books/9788595024557/. Acesso em: 3 maio 2023. CROCOLI, Daniel José; NODARI, Paulo César. Sobre ética: Aristóteles, Kant e Levinas. Conjectura: Filosofia E Educação, v. 16,n.1, p. 193-197, 2011. FILHO, Artur R. I L. et al. Ética e Cidadania. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024816. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024816/. Acesso em: 3 maio 2023. LA TAILLE, Yves. Ética para meus pais. São Paulo: Papirus, 2011. 272 p. 22 UNIDADE DE APRENDIZAGEM ÉTICA PROFISSIONAL NO AMBIENTE EMPRESARIAL ÉTICA PROFISSIONAL 3 23 PARA INÍCIO DE CONVERSA: Como já vimos nos capítulos anteriores, a ética profissional é um conjunto de valores, comportamentos e princípios que orientam a conduta do profissional no exercício de sua profissão. No contexto empresarial, isso se torna ainda mais importante, uma vez que as organizações têm responsabilidade social e precisam agir de maneira ética para garantir a confiança dos clientes, colaboradores e da sociedade em geral. OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO: Compreender a aplicação e os benefícios da ética e da RSE no contexto empresarial. 1. ÉTICA PROFISSIONAL NO CONTEXTO EMPRESARIAL. Sempre que iniciamos em um novo emprego, bate aquela dúvida sobre o que esperar e como devemos agir. não é mesmo? A ética nos ajuda a ter um pouco de respostas. De acordo com Maria Cecília Arruda Alvin , uma das primeiras preocupações éticas que se tem conhecimento no mundo dos negócios surgiu nos debates ocorridos principalmentenos países de origem alemã na década de 60. Isso porque os trabalhadores davam seu suor para que a empresa obtivesse lucro, mas começaram a exigir respeito e queriam ser ouvidos. A ideia era dar aos trabalhadores a oportunidade de participar dos conselhos de administração das organizações, o que representava um maior reconhecimento das empresas às pessoas que ali exerciam o labor. O ensino da ética nas faculdades de Administração e Negócios deu uma guinada nas décadas de 60 e 70, principalmente nos EUA, graças a alguns filósofos que queriam transformar o meio empresarial. Eles pegaram os conceitos éticos e aplicaram na vida real dos negócios, somando com uma boa dose de experiência empresarial. 24 2. RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL A Responsabilidade Social Empresarial, ou RSE, permite que as empresas façam muito bem para a sociedade. Para isso, as empresas devem seguir práticas que incluem coisas como investir em projetos sociais e ambientais, colocar em prática a inclusão e a diversidade, e garantir o bem-estar dos funcionários. No Brasil, a gente pode ver as primeiras referências sobre responsabilidade social falando assim: “parte da premissa de que as organizações têm responsabilidade direta e condições de abordar os muitos problemas que afetam a sociedade” (TOMEI, 1984, p. 189). Aí nasceu uma coisa nova: a Ética Empresarial, uma dimensão que antes não existia. Nos anos 70, as empresas multinacionais começaram a se espalhar pelo mundo todo, principalmente dos EUA e da Europa. Elas abriram filiais em todos os cantos, o que trouxe muitos conflitos culturais e discordâncias sobre práticas comerciais e padrões éticos das empresas-mãe. É interessante dar uma olhada nas ideias desenvolvidas por Robert Henry Srour nessa época. Naturalmente, os diferentes padrões culturais desfrutam de justificações morais que as sociedades lhes conferem. Assim, as morais são múltiplas e nenhum sistema de normas morais consegue obter o selo da eternidade ou a aura da universalidade. Porque os padrões morais fincam suas raízes na história, nos eventos singulares e em fluxo, donde seu caráter efêmero, transitório, provisório, passageiro, mutável. SROUR, Robert Henry. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. Desses conflitos morais, percebeu-se a necessidade de desenvolver e adotar códigos de ética corporativos para que fossem estabelecidos limites e definições das práticas que deveriam ser adotadas por todos, independentemente da cultura de cada lugar. FONTE: ENVATO 25 A RSE não é só sobre caridade ou filantropia, é uma necessidade urgente em um mundo cada vez mais cheio de complicações e interdependências. De acordo com o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), a ética e a RSC são cruciais para o sucesso da empresa e a transformação da sociedade. Nesse sentido, vejamos: Uma empresa pode impactar a sociedade de forma positiva ou negativa. O sucesso do empreendimento pode aumentar a oferta de empregos e atrair investimentos. Inicia-se, então, um período de crescimento econômico. Por outro lado, as operações podem prejudicar a qualidade de vida da comunidade e enfraquecer o comércio local. Nesse caso, uma era pouco próspera se desenha. Em ambos os cenários nota-se que os impactos sociais causados por uma companhia não se restringem à questão econômica. Toda a engrenagem social é afetada. (CEBDS- 2016). Mesmo que a empresa esteja voltada para o lucro, o que os empresários já perceberam é que se os seus “stakeholders” não estão satisfeitos, o lucro, o reconhecimento e o fortalecimento da marca não acontecem. Stakeholders: significa público estratégico e descreve todas as pessoas ou “grupo de interesse” que são impactados pelas ações de um empreendimento, projeto, empresa ou negócio. Curiosidade: HTTP://WWW.DHNET.ORG.BR/DADOS/CARTILHAS/A_PDF 26 No entanto, não é apenas por um interesse financeiro que empresas devem adotar condutas éticas. Elas têm uma responsabilidade social e política que transcende as questões econômicas. Empresas que atuam de forma antiética contribuem para o aumento da desigualdade social, prejudicam o meio ambiente e violam os direitos humanos. Por essas e outras razões, a importância das condutas éticas empresariais está amplamente presente nas discussões sobre responsabilidade social corporativa, sustentabilidade e governança corporativa. Esses conceitos buscam estabelecer melhores práticas de responsabilidade e transparência na gestão empresarial, de modo a minimizar impactos negativos nas esferas social, ambiental e econômica. Importante conhecermos uma iniciativa da ONU em busca da implementação global de regras de Responsabilidade Empresarial. 3. CÓDIGO DE CONDUTA EMPRESARIAL Hoje em dia, quando passamos em um concurso, ou somos contratados por uma empresa, é comum recebermos um documento para assinar e declaramos que conhecemos e seguiremos os códigos de ética da profissão ou da organização. Os códigos de conduta empresarial são um conjunto de regras e diretrizes que corporações e organizações devem seguir para garantir a integridade de seus negócios. O código de ética descreve as expectativas da empresa em relação aos seus colaboradores e clientes em termos de comportamento, ética e conduta profissional. Isso ajuda a garantir que todos em uma organização estejam alinhados em relação aos valores, visão e missão da empresa. A adoção de condutas éticas pelos negócios pode ser entendida como uma forma de investimento a longo prazo, já que a reputação ética de uma empresa é um ativo valioso que pode trazer benefícios em diversos aspectos. Além de melhorar a imagem da empresa, a ética também pode ser vista como um diferencial competitivo, uma vez que empresas éticas tendem a atrair e fidelizar clientes e colaboradores que valorizam esse tipo de postura. FONTE: ENVATO 27 Assim, é fundamental que as empresas desenvolvam programas de ética e conformidade, com políticas claras e transparentes baseadas em valores e princípios éticos. Além disso, é necessário que exista um compromisso efetivo de lideranças e colaboradores em seguir essas diretrizes e práticas, para promover um ambiente empresarial mais ético e sustentável. 4. ÉTICA E LUCRO Muitos empresários temem que ao adotar condutas de RSE, seu sucesso e viabilidade econômica estariam comprometidos. Por meio de uma carta de compromissos, aberta para assinatura de empresas de todo mundo, foram estabelecidos dez princípios de RSE que os signatários se comprometem a cumprir. O objetivo dessa carta é criar um compromisso com “valores de respeito aos direitos humanos internacionais, à responsabilidade socioambiental, à liberdade de organização e manifestação da classe trabalhadora, ao combate ao trabalho infantil e forçado e à discriminação no ambiente de trabalho.” (ANTUNES, 2012). Ainda segundo a autora: O Pacto Mundial (GlobalCompact) é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para estimular o desenvolvimento de práticas de sustentabilidade e responsabilidade social e ambiental em empresas. A iniciativa, anunciada em 1999 e tornada pública em 2000, ganhou força no Brasil, onde conta com a adesão de aproximadamente 30 empresas de grande porte, em uma lista que inclui universidades, bancos, redes de supermercados e empresas do ramo de energia, mineração e cosméticos, por exemplo. Apesar de sua importância, membros de organizações não governamentais como o Greenpeace e o ActionAid contestam a efetividade dessa iniciativa, argumentando que ela não possui a coercitividade necessária para alterar a conduta empresarial. (ANTUNES, 2012) FONTE: ADOBE STOCK 28 Curiosidade: De acordo com Geoffrey Jones, professor e pesquisador da Universidade de Harvard, “Embora os acionistas ainda reinam supremos em muitas empresas, uma mudançageneralizada em direção a práticas de negócios mais responsáveis está levando mais líderes a se posicionarem sobre questões sociais e ambientais hoje”. “NOS ÚLTIMOS 10 ANOS VIMOS UMA MUDANÇA NAS EXPECTATIVAS SOCIAIS DE COMO OS NEGÓCIOS SE COMPORTAM.” “Uma geração mais jovem de empreendedores realmente institucionalizou uma profunda responsabilidade dentro do sistema [econômico]”, diz Jones. “Os últimos 10 anos viram uma mudança nas expectativas da sociedade sobre como os negócios se comportam. Pense na pressão sobre as empresas para sair da Rússia após a invasão da Ucrânia. Isso não acontecia há uma geração atrás.” https://hbswk.hbs.edu/item/two-centuries-of-business-leaders- who-took-a-stand-on-social-issues A gente consegue entender melhor o que acontece quando a empresa segue os códigos de condutas empresariais, ou não, por meio da análise de alguns casos reais. É importante destacar que ética e lucro não são conceitos opostos. Pelo contrário, uma empresa ética e socialmente responsável tende a ser mais lucrativa no longo prazo. Essas empresas são vistas como mais confiáveis, o que cria valor para as marcas e aumenta a lealdade dos clientes. Além disso, as empresas que investem em iniciativas sociais e ambientais tendem a atrair e reter talentos de alta qualidade, além de melhorar a reputação da empresa. De acordo com Argenti (2014, p. 148-149): Pesquisas mostram que seu efeito vem aumentando, e mais da metade dos executivos acredita que um compromisso declarado para com a R S E contribui em muito para a reputação geral da empresa. Estudos recentes também revelam que, para decidir em que empresas confiar, universitários americanos estão começando a considerar a responsabilidade social como fator mais importante do que marca corporativa ou desempenho financeiro, seguido da qualidade de produtos e serviços. 29 As embalagens dos produtos da companhia são feitos de material reciclado, sendo que a linha Ekos beneficia as comunidades da Amazônia, já que são utilizados ativos da região, como andiroba, açaí, buriti e ucuuba.” (NAÇÕES UNIDAS, 2015) Essas empresas são exemplos de sucesso das práticas de ética empresarial, reconhecidas mundialmente por suas abordagens de negócios socialmente responsáveis, sustentáveis e humanistas. Está claro que a ética empresarial e lucro são dois temas que na realidade são complementares. 1. Unilever – A Unilever é uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo e tem uma longa tradição de compromisso com a ética empresarial. A empresa se preocupa com a proteção do meio ambiente, com direitos trabalhistas e com a responsabilidade social, tendo desenvolvido uma política rigorosa em relação à sustentabilidade em sua cadeia de suprimentos. 2. Natura – A Natura, empresa brasileira de cosméticos, é reconhecida por sua política ambiental e socialmente responsável, que inclui a compra de matérias-primas de fornecedores locais e a preservação da biodiversidade brasileira. A empresa também é bem avaliada segundo o Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3. Em 2015, a Natura ganhou o Prêmio das Nações Unidas “Campeões da Terra” na categoria Visão Empresarial. O Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, classificou a Natura como “pioneira na produção sustentável” e reconhece o compromisso da empresa em colocar a sustentabilidade no coração da sua estratégia de negócios. Curiosidade: “A Natura está presente em 14 países e em 2007, foi declarada uma empresa de carbono neutro, por ter reduzido suas emissões. HTTPS://STATIC.NATURA.COM/CDN/FF/ BWALYE4_9WXDWMXF6JK0WNUFDZJRTSKM3TSQ8UMCXYC/1652367152/ PUBLIC/INLINE-IMAGES/MIOLO-1_11.JPG/ 30 A ética empresarial é o conjunto de valores e princípios que guiam a conduta de uma empresa em relação às suas ações e decisões, enquanto o lucro é a recompensa financeira que a empresa espera obter por meio dessas ações e decisões.As embalagens dos produtos da companhia são feitos de material reciclado, sendo que a linha Ekos beneficia as comunidades da Amazônia, já que são utilizados ativos da região, como andiroba, açaí, buriti e ucuuba.” (NAÇÕES UNIDAS, 2015) Infelizmente, existem muitos exemplos de escândalos éticos empresariais que chocaram o mundo nos últimos anos. Alguns dos mais notórios são: 1. Volkswagen – Em 2015, a Volkswagen admitiu ter instalado um software em seus carros que falsificou os resultados dos testes de emissões. Isso causou um escândalo global que levou à demissão de vários executivos de alta patente e a uma série de processos judiciais. Em outubro de 2015, a montadora informa que fará um recall de 8,5 milhões de carros para reverter o problema, começando em 2016, na Alemanha. Nos EUA, a solução do recall foi aprovada pelo governo norte-americano somente em 2017. Além disso, a montadora afirmou que está em desenvolvimento na Alemanha uma atualização do software fraudulento (JUSTIÇA, 2018) e seu presidente afirma que “lamenta profundamente o comportamento que deu origem à crise do diesel. Desde que tudo isso veio à tona, trabalhamos incansavelmente para tornar as coisas corretas para nossos clientes afetados e já conseguimos algum progresso neste caminho” (MARQUET, 2017). Os prejuízos financeiros da empresa começaram a ser anunciados ainda em outubro de 2015: “O grupo VW anuncia seu primeiro prejuízo trimestral em pelo menos 15 anos. FONTE: ADOBE STOCK 31 O resultado é afetado pela reserva de € 6,7 bilhões para cobrir custos com a fraude”. O prejuízo informado foi de 1,3 bilhão de euros em 2015. Entre outros prejuízos, contabilizam-se: a. as multas do Ibama e do Procon-SP, da filial brasileira da empresa, em R$ 50 milhões e R$ 8,5 milhões, respectivamente; b. o programa de compensação financeira oferecido pela empresa aos clientes que adquiriram carros com o motor TDI (turbodiesel) no valor de US$ 1.000; c. processo judicial civil impetrado pelo Departamento de Justiça norte-americano com implicações de penalidades que podem chegar a US4 48 bilhões; d. dezenas de grandes acionistas ameaçaram processar a montadora para obterem compensação pela queda das suas ações provocadas pela fraude cometida; e e. acordo de US$ 10 bilhões para por fim a processos movidos por consumidores nos EUA (JUSTIÇA, 2018). Para se ter uma ideia das consequências dessa fraude: – 482 mil veículos com motores a diesel violam os padrões federais, nos Estados Unidos, entre eles Jetta, Beetle (chamado de Fusca, Golf, Passat e o Audi A3 da marca que pertence ao grupo Volkswagen. Os veículos foram fabricados entre 2009 e 2015; – foram 11 milhões de veículos a diesel em todo o mundo, em modelos de várias marcas pertencentes ao grupo – Em janeiro de 2018, a VW comemorou o recorde anual de carros vendidos em 2017, superando a marca de 6.23 milhões de unidades em todo o mundo, obtida em 2017 (JUSTIÇA, 2018). 2. Odebrecht – A empresa de construção brasileira Odebrecht se envolveu em um grande escândalo de corrupção em 2015, quando as autoridades descobriram que a empresa pagou subornos para funcionários do governo em troca de contratos, tanto dentro como fora do Brasil. O escândalo culminou com uma grande investigação global e várias prisões de altos executivos da empresa. Esses são apenas alguns exemplos de escândalos éticos que expuseram violações de ética empresarial desastrosas. Esses e outros escândalos ressaltam a importância de uma conduta ética nos negócios e regulamentações rigorosas para garantir responsabilidade e transparência corporativa. FONTE: COMPLIANCE WEEK 32 O impacto que a gestão socialmente responsável tem no lucro, longevidade das empresas e reconhecimento das marcas é tamanho que vários são os mecanismos que visam hoje auxiliar as empresas a ter uma gestão socialmente responsável e a avaliar as ações dessas empresas. Podemos citar como exemplosdesses mecanismos a iniciativa dos Princípios para a Educação da Gestão Responsável (PEGR); ainda, o Pacto Global (GC Principles of Responsible Management Education) é uma rede de escolas de negócios comprometidas em educar os gestores responsáveis. Além disso, em 2010, a Organização Internacional de Normalização lançou a norma ISO 26000, voltada à responsabilidade social, também chamada de ISO SR, que deverá ter uma influência de longo alcance e unificar muitas abordagens diferentes que existem sobre o assunto. Outro aspecto importante é que as empresas éticas tendem a ter um desempenho financeiro melhor a longo prazo, como vimos no caso da Unilever e Natura, pois elas constroem uma reputação positiva junto aos stakeholders, o que se reflete em um aumento da confiança dos consumidores e no engajamento dos colaboradores. Além disso, empresas que adotam práticas sustentáveis, tanto ambiental quanto socialmente, tendem a diminuir seus custos operacionais, o que também pode contribuir para a melhoria dos seus lucros. Em resumo, a ética empresarial e lucro são temas que devem caminhar juntos, pois uma empresa pode ser lucrativa e, ao mesmo tempo, ter responsabilidade social e ambiental. Essa combinação é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável e, ao mesmo tempo, para a prosperidade dos negócios a longo prazo. Mas como saber se uma empresa se comporta de forma ética? Como analisar as condutas empresariais? Vamos refletir sobre isso utilizando três perspectivas diferentes que chamaremos de ética da convicção, ética da responsabilidade e ética da virtude. FONTE: ADOBE STOCK 33 a) Ética da Convicção: a ética da convicção defende que as ações são tomadas baseando-se em baseia-se em um pilar básico universal de valores humanos que devem nortear a conduta humana. De acordo com Maria Thereza Pompa Antunes (2012), [...] Apesar de termos a consciência de que esse pilar é avaliado segundo diferentes prioridades em distintas nações e culturas, entende-se que a constituição de um conteúdo de uma ética mínima tem um papel essencial para o desenvolvimento do comportamento moralmente aceito nas sociedades e empresas contemporâneas. Apesar da importância da ética da convicção, não podemos imaginar que a ética se resume a essa perspectiva. Uma ética limitada à dimensão da convicção criaria julgamentos apenas a partir de crenças que motivam as ações, excluindo os atos desse julgamento. Isso não faria sentido. A dimensão da ética que coloca uma clara ênfase nas consequências da ação humana é a ética da responsabilidade. b) Ética da Responsabilidade: a ética da responsabilidade é um conceito ético que enfatiza a consideração das consequências e impactos de nossas ações sobre a sociedade, as pessoas e o meio ambiente. Diferentemente da ética da convicção, que se concentra nas convicções pessoais e nas intenções morais, a ética da responsabilidade avalia a responsabilidade ética com base nas repercussões práticas e nos resultados das ações. Na ética da responsabilidade, a tomada de decisão ética envolve a avaliação cuidadosa dos possíveis efeitos e consequências de nossas ações. Isso implica considerar os interesses e direitos dos outros, bem como o impacto social, econômico e ambiental que nossas escolhas podem ter. A ideia central é que somos responsáveis pelas consequências de nossas ações e temos a obrigação de agir de maneira que promova o bem- estar coletivo e minimize os danos. Um aspecto fundamental da ética da responsabilidade é a consideração dos princípios éticos universais, como justiça, igualdade, respeito pelos Direitos Humanos e bem comum. FONTE: ENVATO 34 Esses princípios fornecem uma base para avaliar o impacto ético de nossas ações, garantindo que elas estejam alinhadas com valores fundamentais e contribuam para uma sociedade mais justa e sustentável. A ética da responsabilidade também envolve uma avaliação crítica das relações de poder e das estruturas sociais existentes. Isso significa reconhecer que certas ações ou decisões podem perpetuar desigualdades, injustiças ou danos para determinados grupos ou para o meio ambiente. Assumir a responsabilidade ética requer agir de forma a desafiar e transformar essas estruturas, promovendo mudanças positivas e equitativas. Ao adotar a ética da responsabilidade, os profissionais reconhecem que suas decisões e ações têm consequências mais amplas além de suas convicções pessoais. Eles consideram o impacto a curto e longo prazo, levando em conta o contexto social, econômico, cultural e ambiental em que operam. Essa abordagem ética busca encontrar um equilíbrio entre os interesses individuais e o bem-estar coletivo, buscando promover a justiça, a sustentabilidade e a responsabilidade social. c) Ética da Virtude: a ética da virtude tem como seus principais defensores Aristóteles e na atualidade filósofos como Elizabeth Ascombe, Hutchenson, Hume e Nietzsche. É uma abordagem ética que se concentra no desenvolvimento do caráter moral e na busca da excelência moral. Em vez de se concentrar apenas nas ações individuais ou nas consequências das ações, a ética da virtude se preocupa com o desenvolvimento das virtudes e dos traços de caráter que levam a uma vida ética e plena. Diferentemente das abordagens éticas que estudamos anteriormente, que se baseiam em regras ou consequências, a ética da virtude enfatiza a formação de hábitos virtuosos e o desenvolvimento do caráter ao longo do tempo. Ela não está preocupada apenas com o que devemos fazer, mas também com quem devemos ser como pessoas. Um aspecto central da ética da virtude é a ideia de que a moralidade não é apenas uma questão de cumprir regras, mas de se tornar uma pessoa virtuosa. Isso significa cultivar virtudes em todas as áreas da vida e agir de acordo com essas virtudes em todas as situações. FONTE: ENVATO 35 Por exemplo, em vez de simplesmente seguir uma regra de não roubar, a ética da virtude nos encoraja a desenvolver a virtude da honestidade, que nos leva a agir de forma honesta e íntegra em todas as circunstâncias. Além disso, a ética da virtude enfatiza a importância do autodomínio e do equilíbrio. Ela reconhece que a vida ética envolve encontrar o meio termo entre os extremos, evitando tanto os excessos quanto as deficiências. Por exemplo, a virtude da coragem está no ponto intermediário entre a covardia e a temeridade, encontrando o equilíbrio entre o medo excessivo e a imprudência irresponsável. No ambiente profissional, oferece uma abordagem sólida para a conduta ética e a excelência moral. No contexto do trabalho, a ética da virtude direciona os profissionais a cultivar qualidades e virtudes que promovem relações saudáveis, tomada de decisões responsável e um ambiente de trabalho ético. Uma das virtudes-chave no ambiente profissional é a honestidade. Ser honesto implica em agir com integridade, sinceridade e transparência em todas as interações e transações profissionais. Profissionais que cultivam a virtude da honestidade são confiáveis, cumprindo com suas promessas e assumindo a responsabilidade por suas ações. Eles evitam a manipulação, a fraude e a desonestidade, estabelecendo uma base sólida para relacionamentos de confiança com colegas, superiores e clientes. Outra virtude relevante é a justiça. A ética da virtude incentiva os profissionais a tratarem todas as pessoas com imparcialidade, respeito e igualdade. Ser justo no ambiente de trabalho significa reconhecer o valor de cada indivíduo, promover a diversidade e a inclusão, e garantir que todas as decisões sejam tomadas com base em critérios objetivos e equitativos. Profissionais justos evitam discriminação, favoritismo e preconceitos, criando um ambiente de trabalho justo e igualitário. Além disso, a ética da virtude valoriza a prudência.FONTE: ENVATO 36 A virtude da prudência envolve a capacidade de tomar decisões cuidadosas e ponderadas, considerando os riscos, benefícios e consequências de cada ação. Profissionais prudentes evitam a impulsividade e a negligência, tomando decisões informadas e responsáveis. Eles consideram todas as perspectivas relevantes, analisam os impactos a curto e longo prazo e buscam soluções éticas e sustentáveis para os desafios profissionais. A ética da virtude também enfatiza a importância da coragem no ambiente profissional. Profissionais corajosos têm a disposição de enfrentar desafios éticos e de tomar posições justas, mesmo quando isso implica em ir contra a corrente ou enfrentar consequências pessoais. Eles são persistentes e resilientes, dispostos a assumir riscos para defender o que é correto e ético. Ao adotar a ética da virtude no ambiente profissional, os profissionais são incentivados a buscar o autodesenvolvimento e a aprimorar constantemente seu caráter moral. Eles procuram identificar suas forças e fraquezas, buscando aprimorar suas virtudes e trabalhar em suas deficiências. Além disso, eles buscam modelos de excelência moral e procuram aprender com os exemplos de líderes éticos e bem-sucedidos em suas áreas de atuação. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Essas são três dimensões que podemos nos basear para analisar as condutas empresariais. Para auxiliar as empresas a incorporarem a RSE, o Instituto Ethos criou os indicadores Ethos. Por meio desses indicadores, as empresas podem fa- zer um autodiagnóstico e assim planejar melhores ações e implementar melhores práticas de ética e responsabilidade social. (Instituto Ethos. Disponível em: https://www.ethos.org. br/conteudo/indicadores/?gclid=Cj0KCQjwmtGjBhDhARIsAE- qfDEcn3jwBbNJgj6plyLnPqmi9__MqJyJ1W1Gjk8FDDLQSiBJE- N67HXCgaAvn_EALw_wcB) bWAlye4_9WXdWmXF6jk0WNU- FDZJRTSkm3TSQ8umCXYc/1652367152/public/inline-images/ miolo-1_11.jpg 37 REFERÊNCIAS: ANTUNES, Maria Thereza Pompa. Ética. Editora Pearson, 2012. ARGENTI P. A comunicação empresarial: a construção da identidade, imagem e reputação. 6. ed. São Paulo: Campus, 2014. ARRUDA, Maria Cecilia Coutinho de; WHITAKER, Maria do C.; RAMOS, José Maria R. Fundamentos de Ética Empresarial e Econômica. 5. ed. [Insira a localização do editor]: Grupo GEN, 2017. E-book. ISBN 9788597013115. Disponível em: https:// integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597013115/. Acesso em: 24 maio 2023. CORTELLA, Mario Sergio, FILHO, Clovis de Barros. Ética e vergonha na Cara. 1. ed. –Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2014. - (Coleção Papirus Debate) 02. CRISOSTOMO, Alessandro L.; VARANI, Gisele; PEREIRA, Priscila S. et al. Ética. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024557. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788595024557/. Acesso em: 03 mai. 2023. CROCOLI, Daniel José; NODARI, Paulo César. Sobre ética: Aristóteles, Kant e Levinas. Conjectura: Filosofia E Educação, v. 16, n. 1, p. 193-197, 2011. FILHO, Artur R. I L. et al. Ética e Cidadania. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024816. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024816/. Acesso em: 3 maio 2023. La Taille, Yves (2011). Ética para meus pais. São Paulo: Papirus, 272 p. LAASCH, Oliver; CONAWAY, Roger N. Fundamentos da Gestão Responsável: Sustentabilidade, responsabilidade e ética. Cengage Learning Brasil, 2016. E-book. ISBN 9788522121038. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788522121038/. Acesso em: 25 05 2023. NAÇÕES UNIDAS. Natura reconhecida pela ONU por seu compromisso com a sustentabilidade. 2015. Disponível em: Natura reconhecida pela ONU por seu compromisso com a sustentabilidade | ONU News SROUR, Robert Henry. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. 38 UNIDADE DE APRENDIZAGEM ÉTICA PROFISSIONAL, DEONTOLOGIA E RELAÇÕES COM CLIENTES E COLEGAS DE TRABALHO ÉTICA PROFISSIONAL 4 39 PARA INÍCIO DE CONVERSA: Como já vimos nos capítulos anteriores, a ética profissional é um conjunto de valores, comportamentos e princípios que orientam a conduta do profissional no exercício de sua profissão. No contexto empresarial, isso se torna ainda mais importante, uma vez que as organizações têm responsabilidade social e precisam agir de maneira ética para garantir a confiança dos clientes, colaboradores e da sociedade em geral. OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO: Compreender a deontologia e os desafios enfrentados na implementação de condutas éticas. 1. CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL: Um código de ética profissional é um conjunto de princípios e normas que guiam o comportamento ético dos profissionais em sua área de atuação. Ele estabelece diretrizes claras sobre o que é considerado aceitável e adequado, tanto em termos de conduta pessoal quanto nas interações com colegas, clientes, fornecedores e a comunidade em geral. Um código de ética profissional tem o objetivo de promover a integridade, a honestidade, a imparcialidade e a responsabilidade dos profissionais. FONTE: T4.FTCDN.NET 40 a) Conhecimento e divulgação – É fundamental que todos os profissionais tenham conhecimento do código de ética profissional que se aplica à sua área e à organização em que trabalham. O código deve ser amplamente divulgado, seja por meio de treinamentos, manuais, documentos impressos ou eletrônicos. Todos os profissionais devem ter acesso fácil ao código e entender suas diretrizes. b) Comprometimento e adesão – Os profissionais devem ser incentivados a ler, compreender e concordar com o código de ética profissional. Eles devem reconhecer a importância da ética em sua profissão e estar comprometidos em seguir os princípios estabelecidos no código. É recomendável que os profissionais assinem uma declaração de compromisso ético, reforçando seu comprometimento com o código. c) Integração nas práticas e políticas organizacionais – O código de ética profissional deve ser integrado às práticas e políticas da organização. Isso significa que os valores éticos devem estar incorporados aos processos de tomada de decisão, às políticas de contratação, promoção e demissão, e aos programas de treinamento e desenvolvimento. Os profissionais devem entender que a ética é parte integrante da cultura organizacional. Ele fornece orientação moral para ajudar na tomada de decisões difíceis, bem como define os padrões de conduta esperados em situações cotidianas. Os códigos de ética profissional variam de acordo com a área de atuação, mas geralmente incluem princípios como respeito pelos direitos e dignidade das pessoas, honestidade na comunicação, confidencialidade, evitar conflitos de interesse e buscar o aprimoramento contínuo. Esses códigos não são apenas diretrizes, mas também representam um compromisso moral e uma responsabilidade compartilhada pelos profissionais. A aplicação de um código de ética profissional pode ocorrer de várias maneiras, dependendo da área de atuação e das políticas internas de uma organização. No entanto, existem algumas diretrizes gerais que podem ser seguidas para garantir uma aplicação eficaz do código de ética profissional: FONTE: FREEPIK 41 d) Orientação e suporte – É importante que os profissionais tenham acesso a orientações claras sobre como aplicar o código de ética em situações reais. Isso pode envolver a disponibilidade de recursos, como um comitê de ética ou um departamento responsável pela ética e conformidade, que possa fornecer orientação e esclarecer dúvidas. Os profissionais devem se sentir confortáveis para buscar apoio quando necessário. e) Monitoramento e avaliação – A aplicação do código de ética profissional deve ser monitorada e avaliada regularmente. Isso pode ser feito por meio de auditorias internas, pesquisas de clima organizacional, feedback dos clientes e colegas de trabalho, entreoutros mecanismos. A organização deve estar atenta a possíveis violações éticas e tomar medidas corretivas adequadas, quando necessário. f) Educação contínua – A ética profissional não é um conceito estático, mas sim um processo contínuo de aprendizado e aprimoramento. Os profissionais devem ser incentivados a buscar educação contínua sobre ética e estar atualizados sobre as mudanças e desafios éticos em sua área de atuação. A organização pode oferecer treinamentos, workshops ou palestras relacionadas à ética profissional. g) Exemplo dos líderes – Os líderes têm um papel fundamental na aplicação do código de ética profissional. Eles devem servir como exemplos e modelos a serem seguidos, demonstrando comportamento ético em todas as suas ações e decisões. Os líderes também devem incentivar e recompensar comportamentos éticos, estabelecendo um ambiente no qual a integridade seja valorizada e promovida. A aplicação efetiva de um código de ética profissional depende do comprometimento de todos os profissionais envolvidos, da liderança da organização e de um ambiente que promova e valorize a integridade e a ética. Quando o código de ética é aplicado de forma consistente e eficaz, ele contribui para um ambiente de trabalho ético, relações profissionais saudáveis e o cumprimento de altos padrões éticos em uma organização. FONTE: FREEPIK 42 2. DEONTOLOGIA PROFISSIONAL: A deontologia profissional é um campo de estudo que se concentra na análise dos deveres e responsabilidades éticas dos profissionais em suas respectivas profissões. Ela busca estabelecer um conjunto de princípios morais que orientam o comportamento e a conduta ética dos profissionais no exercício de suas atividades. A deontologia profissional vai além de um código de ética, pois busca compreender os fundamentos éticos das práticas profissionais, bem como os dilemas morais que os profissionais podem enfrentar em seu trabalho. Ela promove a reflexão crítica sobre as ações e decisões dos profissionais, levando em consideração os princípios éticos fundamentais e as consequências de suas ações. A deontologia profissional incentiva os profissionais a agirem de acordo com sua responsabilidade para com a sociedade, respeitando os valores e as normas éticas de sua profissão. Ela contribui para a manutenção da integridade, da confiança e do respeito dentro da profissão, além de assegurar a qualidade dos serviços prestados e a proteção dos interesses dos clientes e da sociedade como um todo. 3. RELAÇÃO ÉTICA COM CLIENTES E COLEGAS DE TRABALHO: Uma das principais áreas de aplicação da ética profissional e da deontologia é a relação com clientes e colegas de trabalho. A ética estabelece os princípios que devem reger essas relações, promovendo a transparência, a confiança e o respeito mútuo. No que diz respeito aos clientes, a ética profissional exige que os profissionais sejam honestos em sua comunicação, forneçam informações precisas e relevantes e protejam a confidencialidade das informações confiadas a eles. FONTE: ADOBE STOCK 43 Os profissionais devem agir de forma imparcial e evitar conflitos de interesse que possam comprometer a qualidade dos serviços prestados. Além disso, é fundamental que os profissionais zelem pela segurança e pelo bem-estar dos clientes, colocando seus interesses acima dos interesses pessoais ou corporativos. Em relação aos colegas de trabalho, a ética desempenha um papel fundamental, pois estabelece um conjunto de princípios e valores que promovem um ambiente de trabalho saudável, respeitoso e colaborativo. Aqui estão algumas situações em que a ética é aplicada na relação com colegas de trabalho: 1. Respeito e igualdade – A ética exige que os profissionais tratem seus colegas com respeito, dignidade e igualdade, independentemente de sua posição hierárquica, origem, gênero, raça ou qualquer outra característica. Isso implica em evitar qualquer forma de discriminação, assédio ou tratamento injusto, garantindo um ambiente de trabalho inclusivo e livre de preconceitos. 2. Colaboração e trabalho em equipe – A ética incentiva a colaboração e o trabalho em equipe, estimulando os profissionais a compartilharem conhecimentos, experiências e ideias para alcançar objetivos comuns. Isso envolve ser receptivo às contribuições dos colegas, valorizando suas perspectivas e reconhecendo seus esforços e realizações. 3. Comunicação honesta e transparente – A ética requer uma comunicação honesta e transparente entre os colegas de trabalho. Isso implica em evitar mentiras, omissões intencionais e manipulação de informações. Os profissionais devem se esforçar para serem claros em suas comunicações, compartilhando informações relevantes e sendo abertos a feedback construtivo. FONTE: ADOBE STOCK 44 4. Conflitos e desafios – A ética orienta a forma como os profissionais lidam com conflitos e desafios no ambiente de trabalho. Em vez de recorrer a práticas desleais, difamação ou sabotagem, a ética incentiva a busca de soluções construtivas e respeitosas. Isso pode envolver a negociação, a mediação ou a busca de apoio de recursos internos para resolver os problemas de forma ética. 5. Confidencialidade e privacidade – A ética requer que os profissionais respeitem a confidencialidade e a privacidade de seus colegas de trabalho. Isso significa manter em sigilo as informações confidenciais compartilhadas no contexto do trabalho, como questões pessoais, problemas de saúde ou informações estratégicas da empresa. A confiança mútua é fundamental para um ambiente de trabalho ético e colaborativo. 6. Empatia e suporte – A ética envolve a prática da empatia e do suporte aos colegas de trabalho. Isso significa demonstrar compreensão, cuidado e apoio nas situações em que um colega esteja enfrentando dificuldades pessoais ou profissionais. Os profissionais éticos estão dispostos a oferecer ajuda e a criar um ambiente de trabalho solidário e acolhedor. Essas são apenas algumas situações em que a ética é aplicada na relação com colegas de trabalho. No geral, a ética profissional impulsiona a construção de relacionamentos baseados na confiança, respeito e colaboração, promovendo um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Parece algo tão óbvio, vocês devem estar pensando: todo mundo sabe disso. Por que estudar isso? E a resposta é óbvia, mas não simples. Agir de forma ética no ambiente profissional pode apresentar desafios significativos devido a diversas circunstâncias e pressões existentes. Podemos elencar algumas, mas é difícil imaginar todas as situações que podem surgir e desafiar o nosso ser ético. Vejamos: FONTE: FREEPIK 45 1. Pressões financeiras – Em alguns casos, profissionais podem se deparar com pressões financeiras, como metas de vendas agressivas, incentivos financeiros por comportamentos antiéticos ou situações em que a ética é sacrificada em nome do lucro. A tentação de buscar ganhos financeiros rápidos e substanciais pode criar um conflito entre a ética e os interesses financeiros, exigindo uma tomada de decisão difícil. 2. Conflitos de interesse – Conflitos de interesse podem surgir quando os profissionais enfrentam uma situação em que seus interesses pessoais entram em conflito com os interesses de seus clientes, empregadores ou outras partes interessadas. Tomar decisões éticas pode exigir abrir mão de benefícios pessoais ou colocar os interesses dos outros em primeiro lugar, o que nem sempre é fácil ou conveniente. 3. Cultura organizacional inadequada – Uma cultura organizacional que não valoriza a ética ou que tolera comportamentos antiéticos pode dificultar a prática da ética no ambiente profissional. Quando a liderança e os colegas de trabalho não dão o exemplo ou não promovem uma cultura de integridade, os profissionais podem sentir-se desencorajados a agir deforma ética ou podem enfrentar obstáculos ao fazê-lo. 4. Falta de clareza ou orientação – A falta de clareza sobre as diretrizes éticas específicas ou a ausência de orientação sobre como aplicar os princípios éticos em situações concretas pode ser uma dificuldade significativa. Os profissionais podem enfrentar dilemas éticos complexos sem saber exatamente como proceder ou podem se sentir inseguros sobre as implicações éticas de suas ações. 5. Pressões sociais e culturais – O contexto social e cultural em que os profissionais estão inseridos pode influenciar suas decisões éticas. Normas culturais ou pressões sociais podem justificar ou normalizar comportamentos questionáveis, tornando mais difícil agir de forma ética em contraposição a essas influências. FONTE: FREEPIK 46 6. Conflitos éticos em situações profissionais – Certas situações profissionais podem criar dilemas éticos difíceis de resolver. Por exemplo, a privacidade do cliente versus a obrigação de reportar uma violação ética, ou a pressão para cumprir prazos versus a qualidade do trabalho. Enfrentar esses conflitos e tomar decisões éticas nem sempre é uma tarefa simples e pode exigir reflexão cuidadosa e coragem moral. CONSIDERAÇÕES FINAIS É importante reconhecer essas dificuldades e estar preparado para enfrentá-las. A consciência dos desafios éticos e a busca por orientação, apoio e desenvolvimento contínuo podem ajudar os profissionais a superarem essas dificuldades e agir de forma ética, mesmo diante de circunstâncias adversas. REFERÊNCIAS: ARRUDA, Maria Cecilia Coutinho de; WHITAKER, Maria do C.; RAMOS, José Maria R. Fundamentos de Ética Empresarial e Econômica. 5. ed. [Insira a localização do editor]: Grupo GEN, 2017. E-book. ISBN 9788597013115. Disponível em: https:// integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597013115/. Acesso em: 24 05 2023. CORTELLA, Mario Sergio, FILHO, Clovis de Barros. Ética e vergonha na Cara. 1. ed. Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2014. (Coleção Papirus Debate) 02. CRISOSTOMO, Alessandro L. et al. Ética. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024557. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024557/. Acesso em: 3 maio 2023. CROCOLI, Daniel José; NODARI, Paulo César. Sobre ética: Aristóteles, Kant e Levinas. Conjectura: Filosofia E Educação, v. 16, n. 1, p. 193-197,2011. DIAS, Reinaldo. SOCIOLOGIA E ÉTICA PROFISSIONAL. São Paulo. Pearson Education Brasil, 2014. Disponível em: https:// plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/22111/epub/0 FONTE: FREEPIK 47 FILHO, Artur R. I L. et al. Ética e Cidadania. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024816. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024816/. Acesso em: 3 maio 2023. LA TAILLE, Yves. Ética para meus pais. São Paulo: Papirus, 2011. 272 p. LAASCH, Oliver; CONAWAY, Roger N. Fundamentos da Gestão Responsável: Sustentabilidade, responsabilidade e ética. [Insira a localização do editor]: Cengage Learning Brasil, 2016. E-book. ISBN 9788522121038. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522121038/. Acesso em: 25 maio 2023. SROUR, Robert Henry. Ética empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. 48 UNIDADE DE APRENDIZAGEM RESPONSABILIDADE CIVIL E PENAL POR VIOLAÇÃO À ÉTICA PROFISSIONAL. ÉTICA PROFISSIONAL 5 49 PARA INÍCIO DE CONVERSA: A Responsabilidade é um instituto aplicado no direito brasileiro para garantir que qualquer um que causar dano a outrem em virtude de condutas, mesmo que não intencionais, tem o dever de indenizar a pessoa prejudicada. Quando existe um código de ética, o profissional tem o dever de respeitá-lo. Não é uma escolha e o descumprimento pode trazer sérios prejuízos àqueles que ignorarem as normas ali existentes. OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO: Compreender o que são e como se aplicam os institutos da responsabilidade civil e penal e como ela pode ser aplicada a todo e qualquer profissional que descumprir normas e condutas éticas profissionais. 1. RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade civil é a obrigação legal de reparar danos causados a terceiros devido a uma conduta negligente, imprudente ou intencional. Quando um profissional comete uma ofensa à ética profissional, isso pode resultar em prejuízos financeiros, danos emocionais e até mesmo riscos à saúde e à segurança das pessoas afetadas. Nesses casos, a vítima pode buscar a responsabilização do profissional por meio de uma ação de responsabilidade civil. A responsabilidade civil tem, pois, como um de seus pressupostos, a violação do dever jurídico e o dano. Há um dever jurídico originário, cuja violação gera um dever jurídico sucessivo ou secundário, o que é o de indenizar o prejuízo.” (GONÇALVES, 2011. p.24). FONTE: FREEPIK 50 Isso pode ser estabelecido por meio de códigos de ética profissional, regulamentações específicas ou mesmo por padrões aceitos pela comunidade profissional. Além disso, é preciso demonstrar que o profissional agiu de maneira negligente, imprudente ou contrária aos padrões éticos estabelecidos. Isso pode exigir a análise de evidências, testemunhos especializados e a comparação com a conduta esperada de um profissional competente em circunstâncias similares. Por fim, é necessário comprovar que a ofensa à ética profissional causou danos ou prejuízos à parte afetada. Esses danos podem ser de natureza física, financeira, emocional ou reputacional, dependendo do caso específico. A vítima tem o ônus de demonstrar a relação de causalidade entre a conduta negligente do profissional e os danos sofridos. E quais as consequências da falta ética? Quando um profissional é considerado responsável por ofensa à ética profissional, ele pode ser obrigado a reparar os danos causados à vítima. Essa reparação pode envolver o pagamento de indenizações por danos materiais, como despesas médicas, perda de renda ou danos à propriedade. Além disso, pode-se buscar compensação por danos morais, que são as angústias, sofrimentos emocionais e abalos à reputação experimentados pela parte afetada. Existem diversas situações em que a responsabilidade civil por ofensa à ética profissional pode ser aplicada. Por exemplo, um médico que negligencia um paciente, causando danos ou agravando sua condição de saúde, pode ser responsabilizado. Da mesma forma, um advogado que revela informações confidenciais de seu cliente, violando o sigilo profissional, pode ser alvo de uma ação de responsabilidade civil. 1.1 PROVAS E ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL Para estabelecer a responsabilidade civil por ofensa à ética profissional, é necessário comprovar alguns elementos fundamentais. Em primeiro lugar, deve-se demonstrar que o profissional tinha o dever de agir de acordo com determinados padrões éticos em sua área de atuação. FONTE: FREEPIK 51 Em alguns casos, a responsabilidade civil por ofensa à ética profissional pode resultar em ações disciplinares adicionais por parte das autoridades reguladoras ou associações profissionais. Essas ações disciplinares podem incluir suspensão ou revogação de licenças, multas e sanções profissionais, dependendo da gravidade da conduta e das regulamentações específicas da profissão em questão. Veja algumas consequências que diversos “stakeholders” podem sofrer e poderão requerer a responsabilização daqueles que praticaram a falta ética. 2. RESPONSABILIDADE PENAL E VIOLAÇÃO À ÉTICA PROFISSIONAL A responsabilidade penal refere-se à obrigação de uma pessoa responder legalmente por suas ações criminais perante a justiça. É um conceito fundamental no sistema jurídico de muitos países e estabelece que indivíduos que cometem crimes devem ser responsabilizados pelas consequências legais de seus atos. Responsabilidade Penal : “dever jurídico de responder pela ação delituosa que recai sobreo agente imputável” (FRAGOSO, 1985, p. 203). A responsabilidade penal baseia-se na premissa de que os indivíduos são capazes de distinguir entre o certo e o errado e são responsáveis por suas escolhas e ações. Para que alguém seja considerado penalmente responsável, geralmente é necessário que três elementos estejam presentes: • Ação ou omissão voluntária: a pessoa deve ter cometido uma ação ou ter se omitido de agir quando tinha o dever legal de fazê-lo. 52 A ação pode ser um comportamento ativo, como cometer um roubo, ou uma omissão, como não prestar assistência a alguém em perigo, quando se tem a obrigação de fazê-lo. • Capacidade de discernimento: a pessoa deve ser considerada mentalmente capaz de entender a natureza e as consequências de suas ações. Em geral, a lei exige que a pessoa tenha idade mínima ou capacidade mental suficiente para ser considerada responsável criminalmente. Em algumas jurisdições, indivíduos com doenças mentais graves podem ser considerados inimputáveis, o que significa que não são responsabilizados penalmente por suas ações. • Ilicitude: a ação ou omissão deve ser considerada ilícita, ou seja, contrária às leis penais vigentes. Os sistemas jurídicos definem uma série de crimes específicos e estabelecem os elementos necessários para que uma conduta seja considerada criminosa. Caso uma pessoa seja considerada penalmente responsável por um crime, ela pode ser sujeita a várias sanções legais, dependendo da gravidade do delito e do sistema jurídico em questão. As penalidades podem incluir prisão, multas, liberdade condicional, trabalhos comunitários, entre outras. Mas o que isso tem a ver com ética profissional? A falta ética, embora possa ser considerada apenas moralmente condenável em alguns casos, pode também constituir um crime no sentido estrito do termo. Já vimos que as violações éticas podem ter consequências sociais e profissionais, mas veremos que podem também ter implicações criminais. Um exemplo que temos visto com bastante frequência nos noticiários é o da pessoa que comete fraude financeira, como desvio de fundos ou manipulação de informações contábeis. Esses atos são, além de condenados pelos códigos de ética, definidos como crimes, e o profissional poderá enfrentar acusações criminais por crime de colarinho branco. FONTE: FREEPIK 53 Essas situações envolvem a violação de leis criminais específicas relacionadas a essas condutas fraudulentas. Caso que retrata muito bem como ofensas éticas podem ser também caracterizadas como crimes é o apresentado na matéria a seguir, publicada no G1, sobre o vazamento de informações da atriz Klara Castanho. Para especialistas, atendimento médico e hospitalar relatado por Klara Castanho foi antiético e antiprofissional. Atriz contou que médico a obrigou a ouvir coração de bebê durante ultrassom e que enfermeira ameaçou vazar informações pessoais. Por Marta Cavallini e Paula Paiva Paulo, g1 - 26/06/2022 15h44 INCLUDEPICTURE “https://s04.video.glbimg.com/ x240/10703959.jpg” \* MERGEFORMATINET Klara Castanho repudia vazamento e revela que foi estuprada e entregou bebê para adoção Para especialistas, a conduta de profissionais de saúde no atendimento à atriz HYPERLINK “https://g1.globo.com/tudo-sobre/klara-castanho/” Klara Castanho foi antiética e antiprofissional, além de criminosa, no caso do vazamento do sigilo médico. A atriz de 21 anos revelou neste sábado (25) que foi estuprada, engravidou e decidiu entregar o bebê diretamente para adoção. Ela divulgou uma carta aberta após a história ser divulgada por sites e redes de fofocas sem o seu consentimento. “Minha história se tornar pública não foi um desejo meu”, afirma ela no texto. Na consulta em que contou ter sofrido violência sexual, Klara disse que o médico não teve “nenhuma empatia”. “Ele me obrigou a ouvir o coração da criança e disse que 50% do DNA eram meus e seria obrigada a amá-lo”, escreveu a atriz em uma carta aberta.O obstetra Jefferson Drezett Ferreira, que implementou e chefiou por mais de 25 anos o principal serviço de aborto legal do Brasil, no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, diz que não houve profissionalismo naquele atendimento. Segundo o médico, há uma recomendação do Ministério da Saúde segundo a qual as mulheres que estão passando por uma situação de gravidez decorrente de violência sexual podem decidir se querem ou não ver imagens ou ouvir os sons da ultrassom. FONTE: FREEPIK 54 “Evidente que se uma mulher deseja ouvir, o que é incomum, mas se ela deseja e é importante para ela numa tomada de decisão, isso tem que ser respeitado. Mas se ela não quer ouvir, obrigá-la a fazê- lo é imputar a essa mulher uma carga emocional e de sofrimento emocional que não tem nenhum propósito, e o profissional de saúde não tem esse direito. Ele não tem o direito de obrigar uma mulher a fazer isso e muito menos de julgar o que ela deve ou não fazer numa situação como essa”, afirma o médico, que também é professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. O obstetra explica também que, nestes casos, o dever do profissional de saúde é alertar e esclarecer a situação para a mulher. “A decisão cabe exclusivamente a essas mulheres. Os profissionais não deveriam interferir nem para um lado nem para o outro.” Hospital A atriz relatou que, após o nascimento do bebê, ainda sob os efeitos da anestesia, foi abordada por uma enfermeira que ameaçou vazar a história para a imprensa. “A enfermeira que estava na sala de cirurgia fez perguntas e ameaçou ‘imagina se tal colunista descobre essa história’. Quando cheguei no quarto já havia mensagens do colunista”, contou Klara. Ferreira afirma que a conduta da funcionária do hospital foi criminosa. “É simples, isso é crime. O sigilo é uma condição prevista pela Constituição, e a revelação de um sigilo, quando você está numa função profissional, é um crime previsto pelo Código Penal, além de ser uma infração grave prevista pelos Códigos de Ética profissionais, tanto da enfermagem como da Medicina”, afirmou o obstetra. É vedado desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre método contraceptivo, devendo sempre esclarecê-lo sobre indicação, segurança, reversibilidade e risco de cada método. É proibido descumprir legislação específica nos casos de transplantes de órgãos ou de tecidos, esterilização, fecundação artificial, abortamento, manipulação ou terapia genética. É vedado revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente. FONTE: FREEPIK 55 Permanece essa proibição mesmo que o fato seja de conhecimento público ou o paciente tenha falecido; quando depuser como testemunha; e na investigação de suspeita de crime, e que estará impedido de revelar segredo que possa expor o paciente a processo penal. Em relação às punições, o Código de Ética só menciona que os médicos que cometerem faltas graves previstas no código e cuja continuidade do exercício profissional constitua risco de danos irreparáveis ao paciente ou à sociedade poderão ter o exercício profissional suspenso mediante procedimento administrativo específico. Veja o que diz o código de ética dos enfermeiros: • O profissional deve manter sigilo sobre fato de que tenha conhecimento em razão da atividade profissional, exceto nos casos previstos na legislação ou por determinação judicial, ou com o consentimento escrito da pessoa envolvida ou de seu representante ou responsável legal. Permanece o dever mesmo quando o fato seja de conhecimento público e em caso de falecimento da pessoa envolvida. • É proibido se valer, quando no exercício da profissão, de mecanismos de coação, omissão ou suborno, com pessoas físicas ou jurídicas, para conseguir qualquer tipo de vantagem. • É proibido provocar aborto,ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação, exceto nos casos permitidos pela legislação vigente. É proibido praticar, individual ou coletivamente, quando no exercício profissional, assédio moral, sexual ou de qualquer natureza, contra pessoa, família, coletividade ou qualquer membro da equipe de saúde, seja por meio de atos ou expressões que tenham por consequência atingir a dignidade ou criar condições humilhantes e constrangedoras. É proibido fazer referência a casos, situações ou fatos, e inserir imagens que possam identificar pessoas ou instituições sem prévia autorização, em qualquer meio de comunicação. As penalidades a serem impostas pelo Sistema Cofen/ Conselhos Regionais de Enfermagem, são advertência verbal; FONTE: FREEPIK 56 multa de pagamento de uma a dez vezes o valor da anuidade da categoria profissional; censura (repreensão que será divulgada nas publicações oficiais do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem e em jornais de grande circulação); suspensão do exercício profissional por até 90 dias; cassação do direito ao exercício profissional por até 30 anos. Código Penal O sigilo médico também está previsto no artigo 154 do Código Penal. A pena prevista é de detenção de 1 a 4 anos ou multa: Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. Parágrafo único - Somente se procede mediante representação. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A responsabilidade civil por ofensa à ética profissional é uma questão crucial que envolve a obrigação de reparar danos causados a terceiros devido a condutas negligentes, imprudentes ou intencionais. A comprovação dos elementos fundamentais, como o dever de agir de acordo com padrões éticos, a conduta inadequada e os danos sofridos pela vítima, é essencial para buscar a responsabilização do profissional por meio de uma ação de responsabilidade civil. As consequências da falta ética podem ser significativas, resultando na obrigação de reparar danos materiais e morais causados à vítima. Além disso, o profissional pode enfrentar ações disciplinares adicionais por parte das autoridades reguladoras ou associações profissionais, tais como suspensão ou revogação de licenças, multas e sanções profissionais. A responsabilidade penal também desempenha um papel relevante na violação da ética profissional. A responsabilidade penal refere-se à obrigação de responder legalmente por ações criminais perante a justiça. Quando uma ofensa ética se configura como um crime, as consequências podem incluir sanções legais, como prisão, multas, liberdade condicional, entre outras. A falta ética pode ser tanto moralmente condenável quanto constituir um crime no sentido estrito do termo. FONTE: FREEPIK 57 Condutas como fraude financeira e manipulação de informações contábeis, por exemplo, são não apenas violações éticas, mas também crimes, e os profissionais envolvidos podem enfrentar acusações criminais por crime de colarinho branco. É fundamental compreender que as ofensas éticas podem ter implicações não apenas sociais e profissionais, mas também criminais. O conhecimento e o respeito ao código de ética profissional são essenciais para garantir o sucesso, a credibilidade e a prevenção de problemas legais, mantendo os profissionais distantes de situações que possam comprometer sua reputação e bem-estar. REFERÊNCIAS: BITTAR, Eduardo Carlos B. Curso de ética geral e profissional: Editora Saraiva, 2023. E-book. ISBN 9786555599602. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9786555599602/. Acesso em: 25 maio 2023. CORTELLA, Mario Sergio, FILHO, Clovis de Barros. Ética e vergonha na Cara. 1. ed. Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2014. - (Coleção Papirus Debate) 02. CRISOSTOMO, Alessandro L.; VARANI, Gisele; PEREIRA, Priscila S. et al. Ética. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024557. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788595024557/. Acesso em: 3 maio 2023. FILHO, Artur R. I L.; OST, Sheila B.; BONETE, Wilian J. et al. Ética e Cidadania. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024816. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788595024816/. Acesso em: 03 mai. 2023. LA TAILLE, Yves. Ética para meus pais. São Paulo: Papirus, 2011. 272 p. FONTE: FREEPIK 58 FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de Direito Penal: parte geral. Rio de Janeiro: Forense, 2003 GHILLYER, Andrew W. Ética nos negócios. (Série A). Grupo A, 2014. E-book. ISBN 9788580554342. Disponível em: https:// integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554342/. Acesso em: 20 jun. 2023. Crocoli, Daniel José. NODARI, Paulo César. Sobre ética: Aristóteles, Kant e Levinas. Conjectura: Filosofia E Educação, v. 16, n. 1, p. 193-197, 2011. CAVALLINI, Marta; PAIVA, Paula Paulo. Para especialistas, atendimento médico e hospitalar relatado por Klara Castanho foi antiético e antiprofissional. G1, 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/06/26/para- especialistas-atendimento-medico-e-hospitalar-relatado-por- klara-castanho-foi-antietico-e-antiprofissional.ghtml 59 UNIDADE DE APRENDIZAGEM TENDÊNCIAS ATUAIS EM ÉTICA PROFISSIONAL ÉTICA PROFISSIONAL 6 60 PARA INÍCIO DE CONVERSA: A ética profissional está constantemente evoluindo e se adaptando às mudanças no ambiente de negócios e às demandas da sociedade. Neste capítulo, exploraremos algumas das tendências atuais em ética profissional, que refletem a crescente consciência sobre a responsabilidade social das empresas, o impacto ambiental e o uso ético da tecnologia. Essas tendências moldam a forma como os profissionais conduzem seus negócios, interagem com as partes interessadas e enfrentam dilemas éticos em suas atividades diárias. OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO: Compreender os debates atuais a respeito da ética profissional e como observar a ética on e offline. 1. RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL (ESG) Ao longo das últimas décadas, conceitos como ecologia, sustentabilidade e ESG têm se destacado como forças impulsionadoras do desenvolvimento sustentável. Essas abordagens estão diretamente ligadas à busca por soluções para os desafios globais que enfrentamos atualmente, como desigualdade, mudanças climáticas e esgotamento dos recursos naturais. Países industrializados, que historicamente geraram grandes volumes de lixo e emissões de gases de efeito estufa, estão buscando transformações sustentáveis. Por outro lado, nações em desenvolvimento, como o Brasil, oferecem um terreno fértil para a adoção de boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa, conhecidas como ESG. FONTE: FREEPIK 61 Além disso, o Regulamento de Divulgação Financeira Sustentável foi implementado para aumentar a transparência dos critérios ESG nas decisões de investimento. Nos Estados Unidos, a nova administração tem demonstrado compromisso com políticas ESG e ações para combater as mudanças climáticas, incluindo a reintegração ao Acordo de Paris e o objetivo de descarbonizar o setor energético até 2050. A pandemia também trouxe à tona questões relacionadas a relações trabalhistas, diversidade e desigualdade de gênero, impulsionando políticas e leis que exigem a adoção de práticas mais inclusivas e diversificadas nas organizações. No Brasil, empresas e investidores estão nos estágios iniciais de implementação de políticas vinculadas a ESG, mas a tendência é de crescimento irreversível. Investidores locais estão demonstrando um interesse crescente em empresas que incorporam práticas alinhadas ao ESG em suas cadeias produtivas. A transição para a adoção de práticas ESG pode ser complexa, mas não precisa paralisar os negócios. Isso pode envolver a redução ou eliminação das emissõesde carbono, aprimoramento do gerenciamento de resíduos ou a busca por uma economia circular. O setor privado desempenha um papel crucial nessa transformação. Não apenas a sociedade espera que as empresas adotem iniciativas social e ambientalmente responsáveis, mas as próprias organizações percebem a necessidade de alinhar suas práticas aos princípios sustentáveis para garantir a perenidade e a prosperidade dos negócios. Além disso, a preferência dos investidores por empresas com estratégias de longo prazo mais sustentáveis também está influenciando as atividades empresariais nessa direção. O avanço dos investimentos em conformidade com os critérios ESG não é apenas uma tendência passageira, mas uma realidade cada vez mais sólida. Ao redor do mundo, os esforços para promover uma economia de baixo carbono e melhorar as políticas ambientais têm ganhado destaque. Na Europa, o Acordo Verde Europeu estabeleceu metas ambiciosas para tornar o continente neutro em carbono até 2050. FONTE: FREEPIK 62 O Brasil está enfrentando o desafio de incorporar princípios ESG em sua agenda de desenvolvimento sustentável. Embora haja obstáculos a serem superados, essa tendência é cada vez mais evidente e irreversível. As empresas e investidores estão despertando para a importância de práticas ambientais, sociais e de governança, impulsionados por demandas da sociedade e pelas oportunidades de negócios que essas práticas oferecem. À medida que o país avança nessa jornada, é fundamental que o setor privado, o governo e a sociedade trabalhem juntos para criar um ambiente propício à adoção de práticas ESG. Porém, para que a ESG seja realmente implementada, as ações precisam ir além do simples cumprimento das leis e regulamentações, enfatizando a importância de agir de forma ética e sustentável. Ambiental A dimensão ambiental do ESG concentra-se nas práticas de uma empresa em relação à proteção do meio ambiente e à redução do impacto negativo. As organizações estão adotando medidas para minimizar o consumo de recursos naturais, reduzir as emissões de carbono, implementar práticas de reciclagem e buscar fontes de energia renovável. A ética profissional atual incentiva as empresas a adotarem uma abordagem holística para a sustentabilidade ambiental. No Brasil, várias leis foram criadas para incentivar a adoção de ações que reduzam os impactos ambientais. No que diz respeito aos investimentos públicos, a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei n.º 6.938/81) estabeleceu claramente que os financiamentos e incentivos governamentais estão condicionados ao cumprimento de critérios e padrões ambientais. Já a Lei do RenovaBio (Lei n.º 13.576/2017), criou os Créditos de Descarbonização (CBIO), emitidos por produtores ou importadores de biocombustíveis e adquiridos por distribuidores de combustíveis, de acordo com as metas estabelecidas pelo governo, com o objetivo de reduzir as emissões de carbono no setor de transporte no Brasil. FONTE: FREEPIK 63 Outra importante medida foi a publicação da Lei do Agro (Lei n.º 13.986/2020), que resultou na emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) lastreados em títulos verdes (green bonds). Essa lei também ampliou o escopo das Cédulas de Produtos Rurais Financeiras (CPR-F), permitindo sua emissão com base em atividades sustentáveis, como conservação e manejo de áreas. O Banco Central também estabeleceu regras de incentivo à adoção de políticas ambientais. A Resolução Bacen 4237/2014, que exige a implementação de políticas de responsabilidade socioambiental pelas entidades reguladas por ele, e a Resolução Bacen 4661/2018, que estabelece critérios ESG para fundos de pensão. Social A dimensão social do ESG refere-se às práticas e políticas das empresas em relação aos direitos humanos, diversidade e inclusão, bem-estar dos funcionários e envolvimento com a comunidade. Os profissionais são incentivados a promover um ambiente de trabalho inclusivo e seguro, garantir o respeito aos direitos humanos em suas cadeias de suprimentos e contribuir para o desenvolvimento das comunidades em que atuam. Nesse ponto, o respeito aos códigos de ética são essenciais para que todos os envolvidos em uma atividade laboral tenham alinhados os padrões aceitos e vedados de comportamento. Governança A dimensão de governança do ESG trata da transparência, prestação de contas, gestão de riscos e integridade nos negócios. É fundamental que as empresas adotem práticas de governança ética, como evitar conflitos de interesse, garantir a conformidade regulatória e tomar decisões baseadas em princípios éticos. FONTE: FREEPIK FONTE: FREEPIK 64 Os profissionais devem demonstrar liderança ética, promover a cultura de integridade organizacional e defender a responsabilidade corporativa. Nesse sentido, várias empresas criaram departamentos de compliance, ou contratam empresas terceirizadas, para garantir o respeito a todas as normas internas e externas e dar transparência aos processos e políticas adotados por ela. 2. TECNOLOGIA E ÉTICA Nos últimos anos, a tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais importante em nossas vidas e no ambiente de trabalho. Com avanços como inteligência artificial, aprendizado de máquina, automação e big data, a tecnologia está transformando a maneira como realizamos nossas atividades profissionais. No entanto, junto dessas transformações surgem questões éticas complexas que os profissionais devem enfrentar. 2.1 - PRIVACIDADE E PROTEÇÃO DE DADOS Um dos principais desafios éticos no contexto tecnológico é a privacidade e a proteção de dados. Com a coleta massiva de informações pessoais, como preferências, histórico de compras e dados de localização, os profissionais devem garantir que essas informações sejam tratadas com cuidado e respeito. No Brasil, foi editada a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) (Lei n.º 13709/2018), que estabelece critérios aplicáveis à segurança e proteção de dados de clientes e terceiros no contexto das atividades das empresas. É fundamental seguir as regulamentações ali previstas de privacidade, adotar práticas adequadas de segurança cibernética e obter o consentimento adequado dos indivíduos envolvidos para, dessa forma, garantir condutas éticas e transparentes com todos os stakeholders envolvidos. Importante: No Brasil, 2021 foi o primeiro ano em que se comemorou a data com a plena vigência da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei n° 13.709/2018. FONTE: FREEPIK 65 A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) atua diretamente nesses casos. Um avanço que reforça a importância da proteção de direitos relacionados ao uso de dados pessoais. Acompanhe aqui os 5 fatos que você precisa saber sobre a LGPD! 1 – Seu direito! A LGPD foi criada para que o cidadão brasileiro tenha controle sobre seus dados pessoais e para estabelecer as regras quanto ao tratamento de tais dados por organizações públicas e privadas; 2 – Exija! Um dos benefícios da lei, é o direito que o cidadão tem de saber exatamente quais dados estão sendo coletados, o porquê e quem está compartilhando, e, de maneira mais abrangente, como esses dados estão sendo tratados; 3 – Cuidado com as crianças! Apenas poderão ser coletados dados de crianças, sem o consentimento, quando as informações forem necessárias para garantir a proteção delas ou para contatar os pais ou o responsável legal. O conteúdo deverá ser utilizado uma única vez. Também não deve ser armazenado e, em nenhum caso, poderá ser repassado a terceiro sem autorização; 4 – Pesa no bolso! As penalidades por violação à LGPD podem ser de 2% do faturamento da pessoa jurídica, até o limite de R$ 50 milhões por infração cometida; 5 – Exceções! As novas regras não se aplicam para dados tratados com fins acadêmicos, artísticos ou jornalísticos,assim também para aqueles que envolvam segurança pública, defesa nacional, proteção da vida e políticas governamentais. Estes casos serão discutidos por leis específicas. https://www. editoraforum.com.br/noticias/5-fatos-que-voce-precisa-saber- sobre-lei-geral-de-protecao-de-dados/ FONTE: FREEPIK 66 2.2 VIÉS ALGORÍTMICO E DISCRIMINAÇÃO Muito se fala sobre algoritmos, mas poucas pessoas realmente sabem o que é. Em sua Dissertação de Mestrado, Maria Cristine Branco Lindoso esclareceu de forma muito didática o que é big data e como funcionam os algoritmos : Se antes os perfis de potenciais consumidores eram traçados apenas em razão do seu gênero, da capacidade financeira, e as vezes da raça, hoje esses perfis são complexos a ponto de conseguirem relacionar todo o tipo de interação virtual daquele usuário com um interesse específico, tornando possível medir diversos indicadores que, analisados em conjunto, conseguem criar predições perfeitas sobre as intenções e desejos, que, às vezes, o próprio usuário não sabe que tem. É nesse sentido que preocupações acerca do potencial das máquinas começaram a se desenvolver, porque a análise de dados foi capaz de criar um perfil do indivíduo de tamanha profundidade, que nem o próprio indivíduo pode controlar. A esse fenômeno, dá-se o nome de profiling e ele somente foi possível porque o big data possibilitou a análise inimaginável de conteúdo. A partir da criação de um perfil do usuário, através dos dados que ele próprio forneceu – às vezes de forma inconsciente ou desautorizada - os agentes de mercado conseguem criar predições de qualquer gênero, e essas, por sua vez, tornam-se decisões que impactam diretamente a vida desses usuários. São decisões sobre quais anúncios ele vai receber, sobre quais interações vão ser indicadas nas redes sociais, sobre quais as chances de ele ser beneficiado por uma sentença menos severa, ou sobre qual a probabilidade de ele possuir o perfil adequado para uma vaga de emprego. (...) Os algoritmos são as estruturas matemáticas que permitiram organizar a automatização de processos e viabilizar a análise do big data, a fim de que sejam feitas as predições e, consequentemente, tomadas as decisões de forma automatizada. Curiosidade: Você sabe o que é discriminação algorítmica? Em situações em que o algoritmo toma decisões excludentes em relação a um gênero ou a uma raça, se diz que este é um caso de discriminação algorítmica. FONTE: FREEPIK 67 Um exemplo disso é o caso do Spotify, em que uma pesquisa demonstrou que artistas mulheres são pouco sugeridas pela plataforma. Ou seja, é mais comum que o usuário seja exposto aos artistas do gênero masculino, criando um favorecimento pelo viés do gênero – o que impacta diretamente no gosto e no comportamento do usuário. https://www.caiena.net/blog/ discriminacao-algoritmica-o-que-e À medida que a inteligência artificial e os algoritmos desempenham um papel cada vez mais importante em processos de tomada de decisão, como contratação, avaliação de crédito e justiça criminal, surge a preocupação com o viés algorítmico. Os algoritmos são projetados com base em dados históricos, que podem refletir preconceitos e desigualdades existentes na sociedade. Os profissionais devem estar atentos a esse viés e garantir que os algoritmos sejam justos, imparciais e livres de discriminação. A própria Lei Geral de Proteção aos Dados estabelece a necessidade de uma auditoria para análise dos algoritmos. Isso requer uma análise cuidadosa dos dados utilizados, a identificação e correção de possíveis vieses e a implementação de mecanismos de supervisão e responsabilização. 2.3 IMPACTO NO EMPREGO E NA SOCIEDADE A automação e a inteligência artificial têm o potencial de causar mudanças significativas no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. À medida que tarefas e funções são automatizadas, alguns empregos podem se tornar obsoletos, levando ao desemprego e à necessidade de requalificação profissional. Os profissionais devem considerar o impacto de suas atividades tecnológicas na sociedade e buscar maneiras de mitigar os efeitos negativos. Isso pode envolver a criação de programas de requalificação, a promoção de uma transição justa para novas formas de trabalho e a consideração de princípios éticos ao implementar tecnologias que afetem a vida das pessoas. FONTE: FREEPIK 68 Importante: Você sabe o que é o Cyberbullying? “Cyberbullying é a prática de bullying por meio de ambientes virtuais, como redes sociais e aplicativos de mensagem. O bullying consiste em perseguição, humilhação, intimidação, agressão e difamação sistemática.” Curiosidade: Dados sobre o cyberbullying no Brasil A Intel Security, empresa vinculada ao setor de segurança ao usuário da fabricante de computadores Intel Inside, realizou uma pesquisa|1| sobre o cyberbullying no Brasil. Os pesquisadores colheram dados com 507 crianças e adolescentes com idades entre 8 e 16 anos, buscando informações acerca do bullying praticado em ambientes virtuais. Estes foram os principais dados levantados sobre os entrevistados: 66% presenciaram casos de agressão na internet; 21% afirmam ter sofrido cyberbullying; 24% realizaram atos considerados cyberbullying, sendo que, desse grupo: 14% admitiram falar mal de uma pessoa para outra; 13% afirmaram zombar alguém por sua aparência; USO ÉTICO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL A inteligência artificial está cada vez mais presente em diversas áreas, desde assistentes virtuais até carros autônomos. Os profissionais devem considerar os desafios éticos associados ao uso da IA, como a responsabilidade por decisões tomadas por algoritmos autônomos e a transparência em relação aos critérios utilizados para tomar essas decisões. CYBERBULLYING O uso generalizado das mídias sociais trouxe à tona desafios éticos, como a disseminação de informações falsas, o cyberbullying e a violação da privacidade. FONTE: FREEPIK 69 7% marcaram alguém em fotos vexatórias; 3% ameaçaram alguém; 3% zombaram alguém por conta de sua sexualidade; 2% postaram intencionalmente sobre eventos em que um colega foi excluído para ele perceber que foi excluído. Como justificativa, os entrevistados alegaram os seguintes elementos: Por defesa ou vingança, pois estavam revidando um ataque prévio que, de alguma maneira, a vítima impôs antes. Por não gostarem da vítima. Porque outras pessoas já estavam fazendo isso antes. Com o aumento do trabalho remoto, surge uma preocupação crescente entre os empregadores em relação ao cyberbullying entre os funcionários. Caso não seja tratado adequadamente, o cyberbullying pode se infiltrar na cultura da empresa, causando problemas de engajamento e produtividade dos colaboradores. Apesar dos riscos sérios envolvidos, muitas organizações podem subestimar a incidência de cyberbullying no ambiente de trabalho. O problema é tão sério que foi criado um Instituto nos Estados Unidos que pesquisa e combate somente o bullyng e o cyberbullyng, a Workplace Bullying Institute (WBI). Segundo pesquisa mais recente da WBI, 61% dos trabalhadores remotos relataram ter sido vítimas ou testemunhado casos de bullying, 50% dos entrevistados afirmaram ter sofrido ou presenciado maus-tratos durante reuniões on-line, e 70% dos casos de maus-tratos ocorreram publicamente, na frente de outras pessoas. À medida que o trabalho remoto continua a se expandir e a comunicação virtual desempenha um papel fundamental nas operações de negócios, os líderes precisam adotar medidas proativas para combater o cyberbullying. Aqui estão algumas ações que os líderes podem tomar: FONTE: FREEPIK 70 a) Conscientização e treinamento: promover programas de conscientização sobre o cyberbullying, destacando seus impactos negativos na saúde mental e no bem-estar dos funcionários. Oferecer treinamento regular sobre aprevenção do cyberbullying e a promoção de um ambiente de trabalho respeitoso e inclusivo. b) Políticas claras e implementação rigorosa: estabelecer no Código de Ética políticas claras de combate ao cyberbullying, especificando as consequências disciplinares para os infratores. Garantir que essas políticas sejam comunicadas de forma ampla e que todos os funcionários as compreendam. c) Canais de denúncia confidenciais: disponibilizar canais de denúncia confidenciais, nos quais os funcionários possam relatar casos de cyberbullying sem medo de retaliação. Assegurar que essas denúncias sejam tratadas com seriedade e investigadas prontamente. d) Cultura de respeito e empatia: promover uma cultura organizacional baseada no respeito mútuo, na empatia e na inclusão. Incentivar o trabalho em equipe, a colaboração e o suporte entre os colaboradores. e) Monitoramento das interações virtuais: monitorar as interações virtuais entre os funcionários, especialmente durante reuniões e comunicações on-line. Identificar sinais de cyberbullying e intervir rapidamente para resolver os problemas. Ao adotar essas medidas, os líderes podem contribuir para a criação de um ambiente de trabalho seguro, saudável e livre de cyberbullying. Dessa forma, eles demonstram seu compromisso com o bem-estar dos funcionários e a promoção de uma cultura ética e inclusiva. FONTE: FREEPIK 71 USO INDEVIDO DE MÍDIAS SOCIAIS Os profissionais devem usar as mídias sociais de forma ética, respeitando os direitos e a dignidade dos outros e promovendo a disseminação de informações precisas e confiáveis. Vários são os exemplos de ações antiéticas que observamos nas redes sociais, e algumas até mesmo já tratadas como crime no Brasil, tais como o cyberbullying, que vimos acima, além de ameaças em geral, tais como crime de falsa identidade; estelionato, violação de propriedade intelectual, divulgação de fotos e dados, entre vários outros. Você sabia que o STF já decidiu sobre o uso de dados das contas de usuários em redes sociais em processo criminal? Curiosidade: Ementa: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇÃO. BLOQUEIO DE PERFIS NAS REDES SOCIAIS UTILIZADOS PARA A PROPAGAÇÃO DE DISCURSOS COM CONTEÚDO DE ÓDIO, SUBVERSÃO DA ORDEM E INCENTIVO À QUEBRA DA NORMALIDADE INSTITUCIONAL E DEMOCRÁTICA. POSSIBILIDADE. FORNECIMENTO DE DADOS DOS PERFIS/CONTAS INDICADOS. DESCUMPRIMENTO DOLOSO POR PARTE DO PROVEDOR DE SERVIÇOS. IMPOSIÇÃO DE MEDIDAS COERCITIVAS. MULTA PROCESSUAL. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A liberdade de expressão é consagrada constitucionalmente e balizada pelo binômio LIBERDADE E RESPONSABILIDADE, ou seja, o exercício desse direito não pode ser utilizado como verdadeiro escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas. Não se confunde liberdade de expressão com impunidade para agressão. 2. Dessa maneira, uma vez desvirtuado criminosamente o exercício da liberdade de expressão, a Constituição Federal e a legislação autorizam medidas repressivas civis e penais, tanto de natureza cautelar quanto definitivas. FONTE: FREEPIK 72 3. O descumprimento doloso pelo provedor implicado indica, de forma objetiva, a concordância com a continuidade do cometimento dos crimes em apuração, e a negativa ao atendimento da ordem judicial verdadeira colaboração indireta para a continuidade da atividade criminosa, por meio de mecanismo fraudulento. 4. Agravo Regimental desprovido. [Pet 9.176 AgR, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 14-11-2022, P, DJE de 13-3-2023.] Como estudado na Unidade 5, as ações que violam a ética, também podem ensejar responsabilidades na esfera civil e penal. Temos que ter em mente que seguir as normas éticas e usar o mundo virtual com o mesmo respeito e cuidado que convivemos no mundo real traz apenas benefícios e nos livra de muitos problemas! CONSIDERAÇÕES FINAIS: As tendências atuais em ética profissional refletem uma mudança de paradigma, na medida em que os profissionais reconhecem a importância de uma abordagem ética abrangente em suas práticas comerciais. A responsabilidade social e ambiental (ESG) tornou-se um componente central da ética profissional, incentivando as empresas a adotarem práticas sustentáveis e responsáveis. A tecnologia está moldando o mundo em que vivemos e o modo como realizamos nossas atividades profissionais. Nesse contexto, é imprescindível que os profissionais considerem as implicações éticas de suas ações e do uso da tecnologia. Privacidade, viés algorítmico, impacto no emprego e na sociedade e uso ético da inteligência artificial são apenas alguns dos desafios éticos que os profissionais enfrentam nesse cenário em constante evolução. Ao adotar uma abordagem ética na utilização da tecnologia, os profissionais podem contribuir para um futuro mais justo, inclusivo e responsável. FONTE: FREEPIK 73 REFERÊNCIAS: BITTAR, Eduardo Carlos B. Curso de ética geral e profissional: Editora Saraiva, 2023. E-book. ISBN 9786555599602. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9786555599602/. Acesso em: 25 05 2023. CAVALINNI. Marta Cavallini e PAULO. Paula Paiva. Para especialistas, atendimento médico e hospitalar relatado por Klara Castanho foi antiético e antiprofissional. 2022. Disponível em : https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/06/26/ para-especialistas-atendimento-medico-e-hospitalar-relatado- por-klara-castanho-foi-antietico-e-antiprofissional.ghtml CORTELLA, Mario Sergio, FILHO, Clovis de Barros., Ética e vergonha na Cara 1ª ed. – Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2014. - (Coleção Papirus Debate) 02. CRISOSTOMO, Alessandro L.; VARANI, Gisele; PEREIRA, Priscila S.; et al. Ética. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024557. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788595024557/. Acesso em: 03 mai. 2023. CROCOLI, Daniel José (2011). NODARI, Paulo César. Sobre ética: Aristóteles, Kant e Levinas. Conjectura: Filosofia E Educação 16 (1):193-197. FILHO, Artur R. I L.; OST, Sheila B.; BONETE, Wilian J.; et al. Ética e Cidadania. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595024816. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788595024816/. Acesso em: 3 maio 2023. FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de Direito Penal: parte geral. Rio de Janeiro: Forense, 2003 GHILLYER, Andrew W. Ética nos negócios. (Série A). Grupo A, 2014. E-book. ISBN 9788580554342. Disponível em: https:// integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554342/. Acesso em: 20 jun. 2023. INSTITUTO AVON E DECODE. Muito além do Cyberbullyng : a Violência Real do Mundo Virtual. 2020. Disponível em : https:// institutoavon.org.br/wp-content/themes/avon-wp/images/ estudo-21/E-BOOK%20-%20Avon_Ebook_Ciberbullyng_2021.pdf 74 ENCERRAMENTO DO E-BOOK Após explorarmos profundamente os conceitos e fundamentos da ética profissional, bem como sua relevância na sociedade e no ambiente de trabalho, é imprescindível destacar que a ética é um elemento essencial para o desenvolvimento sustentável e para o fortalecimento das relações humanas e empresariais. Neste curso, mergulhamos em questões fundamentais, desde os conceitos básicos de ética até a aplicação de teorias éticas no contexto profissional. Discutimos a importância da responsabilidade social empresarial, dos códigos de conduta e da conciliação entre ética e lucro. Além disso, refletimos sobre a relevância dos códigos de ética profissional e da deontologia no exercício das diversas profissões. Aprendemos que a ética não é apenas um conjunto de regras a serem seguidas, mas sim um conjunto de valores e princípios que guiam nossas ações e decisões diárias. Ética é sobre respeito, integridade, honestidade, transparência e responsabilidade. É um compromisso com o bem comum, com o respeito à dignidade humana e com a preservação do meioambiente. LINDOSO. Maria Cristine Branco. DISCRIMINAÇÃO DE GÊNERO EM PROCESSOS DECISÓRIOS AUTOMATIZADOS. Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Direito https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/38524/1/2019_ MariaCristineBrancoLindoso.pdf PAULA, Fraulein Vidigal de. Ética para meus pais. Bol. psicol, São Paulo , v. 61, n. 134, p. 127-128, jun. 2011. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0006-59432011000100011&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 13 jul. 2023. THE WORKPLACE BULLYING INSTITUTE. 2021 WBI U.S. Workplace Bullying Survey Disponível em: https:// workplacebullying.org/start-here/. Acesso em: 13 jul. 2023. 75 Neste ponto, precisamos enfatizar que a ética profissional não é uma mera formalidade ou uma questão secundária no mundo dos negócios e das profissões. Não é “mimimi” ou tema só para a filosofia ou para os livros. Pelo contrário, é o alicerce de um ambiente saudável e harmonioso, onde a confiança é construída e as relações são fortalecidas. Finalizamos este livro com a convicção de que a ética profissional deve ser uma preocupação constante em nossas vidas e carreiras. Devemos ser agentes de mudança e promotores de uma cultura ética, disseminando valores e princípios que resgatem a dignidade e a responsabilidade em nossas ações diárias. Somente assim poderemos construir uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável, onde o respeito ao próximo e ao meio ambiente seja o norteador das nossas escolhas. Que a ética seja sempre o farol que guia suas decisões, e que ela seja o pilar sobre o qual você constrói sua carreira e sua vida. Ao analisar estudos de caso de violações da ética profissional, tivemos a oportunidade de compreender as consequências devastadoras que tais ações podem trazer para as pessoas envolvidas e para a sociedade como um todo. Ficou claro que a ética deve ser uma preocupação constante em nossas vidas profissionais e pessoais. No cenário atual, é notório que a ética profissional continua sendo um tema relevante e em constante evolução. Acompanhar as tendências em ética profissional é essencial para manter-se atualizado e apto a enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. ESG (Environmental, Social, and Governance) tornou-se um conceito-chave, demonstrando que a sustentabilidade e a responsabilidade social são fundamentais para o sucesso dos negócios e para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Além disso, a tecnologia tem impactado significativamente a forma como nos relacionamos e como exercemos nossas profissões. É necessário encontrar um equilíbrio entre o avanço tecnológico e os valores éticos, para garantir que o progresso não comprometa a integridade e a privacidade das pessoas.