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Introdução ao Direito Administrativo

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DIREITO ADMINISTRATIVO 
INTRODUÇÃO, FORMAÇÃO HISTÓRICA 
E ESTRUTURA FUNDAMENTAL 
Apostila de estudo • material acadêmico 
 
 
COMO USAR ESTE MATERIAL 
Leia a sequência histórica primeiro. Depois, retorne aos conceitos centrais e use o quadro de revisão final para 
testar se você consegue explicar o conteúdo com suas próprias palavras. 
 
 
SUMÁRIO 
1. O que é Direito Administrativo? 
2. Por que ele surgiu como disciplina autônoma? 
3. A formação francesa e a separação entre Administração e jurisdição 
4. Marcos históricos fundamentais 
5. O Caso Blanco e a responsabilidade do Estado 
6. O regime jurídico-administrativo 
7. Administração Pública: sentido subjetivo e objetivo 
8. Princípios fundamentais 
9. Como organizar o raciocínio em uma questão de prova 
10. Quadro final de revisão 
 
1. O QUE É DIREITO ADMINISTRATIVO? 
Direito Administrativo é o ramo do Direito Público que disciplina a organização, o funcionamento e a 
atuação da Administração Pública, bem como as relações jurídicas que surgem do exercício da função 
administrativa. Seu estudo envolve temas como agentes públicos, serviços públicos, poderes 
administrativos, atos administrativos, contratos, licitações, responsabilidade do Estado e controle da 
Administração. 
IDEIA-CHAVE 
Não confunda Direito Administrativo com a simples descrição de como o governo funciona. O Direito 
Administrativo procura compreender juridicamente essa atuação: quem pode agir, com qual fundamento, 
dentro de quais limites e sob qual controle. 
 
2. POR QUE ELE SURGIU COMO DISCIPLINA AUTÔNOMA? 
Durante o Antigo Regime europeu, a organização estatal era marcada por estruturas políticas e jurídicas 
muito diferentes das concepções contemporâneas de Administração Pública. A Revolução Francesa e as 
transformações institucionais posteriores alteraram profundamente a relação entre poder, lei e 
administração. 
No século XIX, especialmente na França, desenvolveu-se uma construção jurídica própria para explicar a 
atividade administrativa. Isso não significa que antes não existissem normas sobre a Administração. O 
ponto é outro: essas normas passaram a ser estudadas de maneira sistemática, com princípios, conceitos, 
instituições e mecanismos de controle próprios. 
PARA NÃO ESQUECER 
“Autonomia” aqui significa autonomia como disciplina jurídica: existência de objeto, conceitos, princípios e 
métodos próprios de estudo. Não significa que o Direito Administrativo esteja separado de todo o restante do 
ordenamento. 
 
3. A FORMAÇÃO FRANCESA E A SEPARAÇÃO ENTRE ADMINISTRAÇÃO E JURISDIÇÃO 
A experiência francesa foi decisiva para a formação do Direito Administrativo. Um dos elementos históricos 
importantes foi a preocupação em diferenciar a atuação administrativa da atuação dos tribunais judiciais. 
A criação e o fortalecimento de uma jurisdição administrativa contribuíram para que conflitos envolvendo a 
Administração fossem examinados segundo categorias jurídicas próprias. Esse processo ajudou a 
desenvolver uma lógica específica para temas como serviço público e responsabilidade administrativa. 
4. MARCOS HISTÓRICOS FUNDAMENTAIS 
MARCO CONTEXTO IMPORTÂNCIA PARA O ESTUDO 
Revolução Francesa (1789) 
Transformação da estrutura política 
e jurídica francesa. 
Contexto de ruptura com o Antigo 
Regime e de valorização da 
legalidade. 
Lei de 28 Pluvioso do Ano VIII (1800) 
Reorganização administrativa 
francesa. 
É frequentemente estudada como 
marco da organização administrativa 
moderna na França. 
Conselho de Estado 
Desenvolvimento da jurisdição 
administrativa francesa. 
Participação central na construção 
jurisprudencial do Direito 
Administrativo. 
Caso Blanco (1873) 
Discussão sobre responsabilidade 
do Estado. 
Marco clássico para a afirmação de 
regras próprias da responsabilidade 
administrativa. 
5. O CASO BLANCO E A RESPONSABILIDADE DO ESTADO 
Em 1873, Agnès Blanco foi atingida por uma vagonete pertencente a uma manufatura estatal de tabaco, em 
Bordeaux. O caso levou à discussão sobre a responsabilidade do Estado e sobre a jurisdição competente 
para apreciar a controvérsia. 
O Tribunal des conflits reconheceu que a responsabilidade do Estado decorrente da atividade 
administrativa não deveria ser tratada simplesmente como uma relação privada comum. A decisão é 
tradicionalmente apresentada como um marco na construção do regime jurídico administrativo francês. 
COMO CONTAR O CASO DE FORMA SIMPLES 
“A menina foi atingida por uma vagonete de uma atividade estatal. A família buscou responsabilizar o Estado. A 
grande pergunta era: vamos tratar isso como uma relação comum entre particulares ou existe uma lógica 
própria porque o dano surgiu de uma atividade administrativa? O Caso Blanco se tornou um marco justamente 
nessa segunda construção.” 
 
6. O REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO 
O regime jurídico-administrativo pode ser compreendido como o conjunto de prerrogativas e sujeições que 
caracteriza a atuação da Administração Pública. De um lado, a Administração possui instrumentos 
necessários à realização do interesse público; de outro, sua atuação é limitada pela ordem jurídica. 
PRERROGATIVAS SUJEIÇÕES 
Poderes e instrumentos previstos em lei Atuação vinculada à legalidade 
Possibilidade de impor determinadas medidas 
administrativas 
Controle judicial e administrativo 
Atuação orientada à realização do interesse público Dever de motivação e respeito aos direitos 
Instrumentos especiais em contratos e serviços públicos Observância dos princípios e procedimentos legais 
7. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: SENTIDO SUBJETIVO E OBJETIVO 
Uma forma importante de organizar o estudo é separar Administração Pública em dois sentidos. 
SENTIDO SUBJETIVO / ORGÂNICO SENTIDO OBJETIVO / MATERIAL 
Quem exerce a função administrativa. O que é realizado no exercício da função administrativa. 
Órgãos, entidades e agentes públicos, conforme o Atividades administrativas, como prestação de serviços 
contexto. públicos, polícia administrativa, fomento e intervenção, 
conforme a classificação adotada. 
8. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
Legalidade — A Administração atua submetida à ordem jurídica e aos limites estabelecidos pelo Direito. 
Impessoalidade — A atuação administrativa deve evitar favorecimentos pessoais e observar a finalidade 
pública. 
Moralidade — A atuação deve respeitar padrões jurídicos e éticos exigidos pela ordem administrativa. 
Publicidade — A transparência é regra, ressalvadas as hipóteses legais de sigilo. 
Eficiência — A Administração deve buscar atuação adequada e resultados compatíveis com os recursos 
disponíveis. 
9. COMO ORGANIZAR O RACIOCÍNIO EM UMA QUESTÃO DE PROVA 
1. 1. Identifique quem está atuando: particular, órgão público, entidade administrativa ou agente público. 
2. 2. Identifique qual é a atividade: serviço público, poder de polícia, contratação, ato administrativo, 
intervenção etc. 
3. 3. Pergunte qual é o fundamento jurídico da atuação. 
4. 4. Verifique quais princípios e regras limitam essa atuação. 
5. 5. Identifique o instrumento jurídico utilizado. 
6. 6. Por fim, pergunte qual forma de controle pode incidir sobre a atuação. 
FÓRMULA DE RACIOCÍNIO 
QUEM AGE? → O QUE ESTÁ FAZENDO? → COM QUAL FUNDAMENTO? → QUAIS LIMITES? → QUAL CONTROLE? 
 
10. QUADRO FINAL DE REVISÃO 
PERGUNTA RESPOSTA-CHAVE 
O que é Direito Administrativo? 
Ramo do Direito Público que disciplina juridicamente a 
função administrativa e suas relações. 
Por que se fala em autonomia? 
Porque a disciplina desenvolveu objeto, conceitos, 
princípios e métodos próprios. 
Por que a França é tão importante? 
Porque a experiência francesa teve papel central na 
construção histórica da jurisdição e da dogmática 
administrativa. 
O que o Caso Blanco representa? 
Um marco clássico na construção da responsabilidade 
administrativa e do regime jurídico próprio da 
Administração. 
O que é regime jurídico-administrativo? 
Conjunto de prerrogativas e sujeições que estrutura a 
atuação administrativa. 
Qual é alógica dos princípios? Orientar e limitar a atuação administrativa, protegendo o 
interesse público e os direitos dos administrados. 
 
MATERIAL DE ESTUDO • DIREITO ADMINISTRATIVO

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