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11 Alexandre Sá CLÍNICA MÉDICA IX DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC) 2 SUMÁRIO DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1. Definição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 2. Estágios da doença renal crônica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 3. Causas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 4. Fisiopatologia e complicações da doença renal crônica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 4.1. O que acontece caso ocorra um declínio da função renal? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 5. Consequências da DRC1-3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 6. Anemia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 7. Doença mineral óssea da doença renal crônica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 7.1. Hiperparatireoidismo secundário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 7.2. Doença óssea adinâmica (baixo turnover). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 8. Acidose metabólica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 9. Uremia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 10. Hipervolemia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 11. Doença cardiovascular e doença renal crônica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 12. Tratamento conservador da doença renal crônica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 12.1. Dieta na doença renal crônica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 12.2. Anemia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 12.3. Acidose . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 12.4. Hiperfosfatemia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 12.5. Hiperparatireoidismo secundário. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 12.6. Tratamento da hipertensão arterial sistêmica nos portadores de doença renal crônica 16 12.7. Controle glicêmico e uso de hipoglicemiantes na DRC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 12.8. Controle lipídico na DRC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Mapa mental . DRC: definição e classificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Mapa mental . DRC: redução das funções excretora e endócrina . . . . . . . . . . . . . 20 Mapa mental . DRC: tratamento geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 3 DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC) O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u A definição de DRC. u Conhecer as fórmulas para estimativa da TFG. u Aprender o estadiamento da DRC pela TFG e pelo grau de albuminúria. u Conhecer as principais causas de DRC e de DRC com rins de tamanho normal ou aumentado. u Conhecer as complicações decorrentes da redução da função excretora renal. u Conhecer as complicações decorrentes da redução da função endócrina renal. u Manejo geral do paciente com DRC e de suas principais complicações. 1. DEFINIÇÃO A Doença Renal Crônica (DRC) é definida pela pre- sença de lesão renal ou redução da sua função por um período maior ou igual a 3 meses1. Veja a seguir qual o nível de função e quais os marcadores de lesão renal atribuídos a uma DRC: u Redução da função renal – TFG 300 3b 30 – 44 4 15 – 29 5 300 mg/24 h, esse indivíduo deve ser referenciado para o nefrolo- gista para que ele trate as possíveis complicações da DRC e oriente o paciente para uma possível necessidade dea doença em 5 estágios (ou 6, considerando a divisão do estágio 3 em 3a e 3b) e a albuminúria em 3 estágios. ✔ resposta: ⮧ Fixe seus conhecimentos! 30 FIXE SEU CONHECIMENTO COM FLUXOGRAMAS Use esse espaço para construir fluxogramas e fixar seu conhecimento! FIXE SEU CONHECIMENTO COM MAPAS MENTAIS Use esse espaço para construir mapas mentais e fixar seu conhecimento! Doença renal crônica (DRC) Definição Estágios da doença renal crônica Causas Fisiopatologia e complicações da doença renal crônica O que acontece caso ocorra um declínio da função renal? Consequências da DRC Anemia Doença mineral óssea da doença renal crônica Hiperparatireoidismo secundário Doença óssea adinâmica (baixo turnover) Acidose metabólica Uremia Hipervolemia Doença cardiovascular e doença renal crônica Tratamento conservador da doença renal crônica Dieta na doença renal crônica Anemia Acidose Hiperfosfatemia Hiperparatireoidismo secundário Tratamento da hipertensão arterial sistêmica nos portadores de doença renal crônica Controle glicêmico e uso de hipoglicemiantes na DRC Controle lipídico na DRC Mapa mental. DRC: definição e classificação Mapa mental. DRC: redução das funções excretora e endócrina Mapa mental. DRC: tratamento geral Referências Questões comentadasterapia de substituição renal em algum momento da sua vida. DIA A DIA MÉDICO Na prática clínica, se houver dúvidas sobre a etiologia da DRC ou insegurança do médico clínico no acompanha- mento do paciente com DRC moderada (estágio 3a ou 3b), este deve ser encaminhado para ao menos 1 avaliação com o nefrologista. DICA Não são incomuns questões de prova cobrando a classificação da DRC conforme essa tabela do KDIGO. Portanto, saiba calcular a TFG estimada através da creatinina usando a fórmula de Cockcroft- -Gault. As outras fórmulas são complexas para calcular com papel e caneta, por isso não são cobradas em provas. 3. CAUSAS BASES DA MEDICINA A DRC tem diversas etiologias e algumas vezes é multi- fatorial. Por exemplo, podemos ter um idoso com nefro- patia diabética, que sofre com nefrolitíase de repetição e usa anti-inflamatórios diariamente em decorrência de uma osteoatrite em joelhos. Buscar o(s) diagnóstico(s) correto(s) é fundamental, pois a principal forma de pre- venir ou retardar a progressão da DRC é tratando a sua doença de base. Doença renal crônica (DRC) 5 O Diabetes Mellitus (DM) e a HAS são as 2 principais etiologias de DRC no Brasil e no mundo. Geralmente, o DM é a primeira causa nos países desenvolvidos, enquanto HAS é a primeira nos países subdesenvol- vidos ou em desenvolvimento, como o Brasil. A prin- cipal justificativa para essa diferença é a qualidade do sistema de saúde no tratamento populacional da HAS. A terceira causa são as sequelas de um grupo de doenças chamadas glomerulopatias. Nesse caso, chamamos de glomerulopatias crônicas. A principal doença genética que provoca DRC é a Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD)4. u As 3 principais causas de DRC no mundo são: W Diabetes mellitus (1º lugar). W Hipertensão arterial sistêmica (2º lugar). W Glomerulopatias (3º lugar): V primárias. V secundárias a doenças autoimunes, medi- camentos, infecções crônicas (HIV, Hepatite B, Hepatite C, tuberculose), amiloidoses e neoplasias. u Outras causas de DRC: W Drogas nefrotóxicas: V AINES. V carbonato de lítio. V quimioterápicos. W Uropatias obstrutivas: V Nefrolitíases. V Hipertrofia prostática benigna ou neopla- sias de próstata. V Neoplasias de bexiga ou ureter. V Compressão por neoplasias de órgãos ad- jacentes (útero, reto, cólon, linfonodos). V Bexiga neurogênica. W Doenças hereditárias: V Doença renal policística autossômica do- minante ou recessiva. V Síndrome de Alport. V Anomalias Congênitas dos Rins e do Trato Urinário (CAKUT). V Oxalúria primária. V Doença de Fabry. V Esclerose tuberosa. W Sequela de IRA grav. W Doenças vasculares renais: V estenose de artéria renal. V nefropatia isquêmica. V ateroembolismo renal. V necrose cortical aguda. W Nefrectomia total ou parcial. W Nefropatias túbulo-intersticiais crônicas: V sequela do rim do mieloma. V refluxo vesicoureteral. V anemia falciforme. V sarcoidose. V sequela de pielonefrites. Quando avaliamos com exame de imagem os rins de um indivíduo com DRC, é comum os encontrar- mos com tamanhos reduzidos e com redução da ecogenicidade cortical, ou até mesmo com perda da diferenciação corticomedular nos casos de DRC muito avançados (reveja o Capítulo 1 – avaliação renal com exames de imagem). No entanto, algu- mas etiologias de DRC podem apresentar rins de tamanhos normais ou até aumentados.1-3 u Causas de DRC com rins de tamanhos normais: W diabetes mellitus. W doença renal policística autossômica domi- nante. W nefropatia associada ao HIV. W esclerose sistêmica. W amiloidose. W anemia falciforme. W uropatias obstrutivas. DIA A DIA MÉDICO Cistos renais podem aparecer em indivíduos com DRC e até mesmo em indivíduos sem doenças renais. Por- tanto, o achado de cistos renais no indivíduo com DRC não significa que ele tenha alguma das doenças renais policísticas (DRPAD ou recessiva). Doença renal crônica (DRC) Nefrologia 6 4. FISIOPATOLOGIA E COMPLICAÇÕES DA DOENÇA RENAL CRÔNICA BASES DA MEDICINA O ser humano nasce com aproximadamente 1 milhão de néfrons em cada rim, cada um atuando como uma unidade funcional independente, e a soma da atividade de todos eles define a TFG. Uma lesão crônica no rim pro- voca a destruição da microarquitetura normal, causando uma substituição do tecido por uma matriz de colágeno (tecido fibroso), o que afeta glomérulos, túbulo-interstício e vasos – glomeruloesclerose, fibrose túbulo-intersti- cial e esclerose vascular, respectivamente. Os rins são incapazes de regenerar os néfrons perdidos. Contudo, os néfrons remanescentes se adaptam, aumentando a sua capacidade de filtração glomerular através de estí- mulos por citocinas e hormônios como o sistema RAA – um mecanismo chamado de hiperfiltração adaptativa. Esse processo é tão eficiente que, mesmo com a perda de 50% dos néfrons, a creatinina permanece estável ou discretamente elevada, e os eletrólitos permanecem em valores normais. A hiperfiltração adaptativa, apesar de inicialmente benéfica, em longo prazo provoca danos ao néfron. A consequência é que a DRC causa mais DRC ao longo do tempo, mesmo que a doença de base esteja controlada1-3. 4 .1 . O QUE ACONTECE CASO OCORRA UM DECLÍNIO DA FUNÇÃO RENAL? Laboratorialmente, veremos uma elevação progres- siva das escórias nitrogenadas (ureia e creatinina) em decorrência da queda da TFG e, provavelmente, o aparecimento de proteinúria. Ainda no nível labo- ratorial, porém em estágios mais avançados (a partir do estágio 3b), poderemos encontrar sinais de com- prometimento da função excretora, como distúrbios eletrolíticos e acidose metabólica, bem como o comprometimento da função endócrina renal, como anemia e distúrbio mineral ósseo (hiperparatireoi- dismo secundário e suas complicações). Os sintomas e as alterações ao exame físico cos- tumam ocorrer quando há uma perda importante da função renal. Ou seja, a DRC quase sempre é silenciosa. Os sintomas, quando presentes, geral- mente são inespecíficos e são consequências da retenção de escórias nitrogenadas (fenóis, indóis, hipuratos, dentre outros) e das complicações exó- crinas e endócrinas1-3. Abordaremos os sintomas de uma forma mais profunda no tópico sobre uremia. 5. CONSEQUÊNCIAS DA DRC1-3 u Funções endócrinas: W Queda na produção de eritropoietina: anemia; W Queda na produção de vitamina D ativa (calci- triol): hipocalcemia, hiperfosfatemia e hiper- paratireoidismo secundário. u Redução na excreção de toxinas urêmicas: eleva- ção de ureia e creatinina (azotemia) e sintomas urêmicos (uremia). u Redução na excreção de eletrólitos: W Sódio: não provoca hipernatremia, pois o acú- mulo deste íon é acompanhado de retenção de água na mesma proporção. A consequência é a hipervolemia; W Potássio: hipercalemia; W Fósforo: hiperfosfatemia. u Redução na excreção de água: hiponatremia; u Redução na excreção de H+: acidose metabólica; u Aumento do risco de doença cardiovascular. O volume urinário está preservado na DRC, salvo quando o paciente já tem uma longa história em programa de diálise – neste caso, quase sempre evoluirá com oligúria e até mesmo anúria. DIA A DIA MÉDICO Se o seu paciente tem DRC e se queixa de oligúria ou anú- ria, a suspeita principal é de que está ocorrendo alguma IRA sobreposta à DRC. Doença renal crônica (DRC) 7 6. ANEMIA BASES DA MEDICINA A eritropoietina (EPO) é um hormônio produzido pelos fibroblastos presentes no interstício renal a partir de estímulos decorrentes de variações do conteúdo de O2 no sangue. No interstício renal do córtex e da medula existem os fatores indutores de hipóxia (HIF) que esti- mulam os fibroblastos a produzirem EPO. Também existe uma enzima chamada prolil-hidroxilase, que degrada os HIF. Reduções até mesmo sutis no conteúdo de O2 (ex.: anemia ou hipóxia) levam à inibição da prolil-hidroxilase, tendo como consequência um aumento da duração dos HIF, que, por sua vez, mantêm os fibroblastosestimulados a produzirem EPO por um período maior. Por último, a EPO irá agir na medula óssea, provocando um aumento na produção de hemácias, o que corrige a anemia1-3. Lembra-se da policitemia secundária a estados de hipóxia crônica (ex.: doença pulmonar obstrutiva crônica)? Esse é o principal motivo da policitemia. Veja a definição de anemia pela OMS5: u Hemoglobinadoença óssea de baixo turnover na DRC: 1. Doença óssea adinâmica. 2. Osteomalácia da DRC. A doença óssea adinâmica é uma complicação do tratamento do hiperparatireoidismo secundário. Ao reduzirmos os níveis do PTH para menos de 150 pg/mL, geralmente 300 (geralmente > 600): sugere osteíte fibrosa cística. u PTHas recomendações nutricionais. Para todos os portadores de DRC, independente do estágio, é importante uma dieta restrita em sódio, com ingesta máxima de 2 g/dia (equivalente a 5 g de cloreto de sódio).2,3,9 u Estágios 1 e 2: W Dieta normoproteica; W Sem restrição de potássio, fósforo ou cálcio. u Estágios 3 e 4: W Dieta hipoproteica – 0,8 g/kg/dia; W Restrição de potássio – 50 a 100 mEq/dia; W Restrição de fósforo – 800 a 1.000 g/dia; W Restrição de cálcio – 1.500 mg/dia. u Estágio 5 (em tratamento conservador da DRC – não dialítico): W Dieta hipoproteica – 0,8 g/kg/dia; W Restrição de potássio – 50 mEq/dia; W Restrição de fósforo – 800 a 1.000 g/dia; Doença renal crônica (DRC) 13 W Restrição de cálcio – 1.500 mg/dia. DIA A DIA MÉDICO Sempre reforce ao portador de DRC a importância da dieta adequada, pois grande parte dos pacientes vai reduzindo a aderência ao longo do tempo. 12 .2 . ANEMIA BASES DA MEDICINA No passado, as opções para o tratamento da anemia da DRC eram basicamente reposição de ferro e de hemo- transfusão. O surgimento dos agentes estimuladores da eritropoiese causou uma verdadeira revolução no tratamento, melhorando muito a qualidade de vida dos portadores de DRC e reduzindo drasticamente a neces- sidade de hemotransfusões. Após detectar anemia nos portadores de DRC e antes de iniciar a reposição de eritropoietina, devem ser pesquisadas causas carenciais (deficiência de vitamina B12 e ácido fólico e ferropenia) e afastados sangramentos, principalmente digestivos. Apesar de parecer contraintuitivo, não devemos corrigir a anemia 100%, pois os ensaios clínicos encontra- ram uma incidência maior de complicações nos pacientes que alcançaram hemoglobina (Hb) > 13 g/ dL através do tratamento com EPO. Ocorreu uma maior incidência de DCV, HAS e tromboses, sendo atribuída a efeitos adversos da EPO1-3. Alvo de Hb: 10 a 12 g/dL. Logo, a EPO somente deve ser iniciada se a Hb esti- ver 12 g/dL. Contudo, ela não causará o efeito desejado se houver ferropenia. Então, se a ferritina estiver ≤ 100 ng/mL ou a saturação de transferrina ≤ 20%, é necessário fazer reposição de ferro antes de iniciar a EPO1-3. Veja as opções de reposição de ferro no indivíduo com DRC: u Uso oral: sulfato ferroso com 40 mg de ferro ele- mentar 3 vezes ao dia. u Uso venoso: sacarato de hidróxido de ferro 200 mg – 1 dose administrada a cada 2 dias até comple- tar 5 doses (total de 1.000 mg). u Alvo terapêutico do estoque de ferro: W Ferritina entre 100 e 500 ng/mL. W Saturação de transferrina entre 20 e 30%. Após os níveis de ferro estarem adequados, o nível de Hb deve ser reavaliado. Se persistir 100 ng/mL. W Saturação de transferrina > 20%. A dose inicial de EPO é de 50 a 100 UI/kg/semana. Portanto, um indivíduo de 70 kg deve receber uma dose inicial de 3.500 a 7.000 UI/semana. Como as apresentações de EPO disponíveis são ampolas de 4.000 ou 10.000 UI, é racional iniciar com 4.000 UI 1 a 2x/semana. A EPO pode ser administrada por via subcutânea ou venosa, porém a preferência é a via subcutânea, não somente por evitar a obtenção de um acesso venoso, mas também porque tem uma eficácia maior. A hemoglobina deve ser monitorada, e a dose de EPO ajustada para se alcançar uma hemoglobina entre 10 e 12 g/dL. A EPO deve ser mantida na menor dose possível que mantenha a Hb dentro do alvo1-3. Uma complicação grave e rara com o uso da EPO é a aplasia pura de células vermelhas em decorrência da produção de anticorpos anti-EPO1-3. Doença renal crônica (DRC) Nefrologia 14 Fluxograma 1. Fisiologia da produção de EPO e ação dos inibidores de HIF-prolil hidroxilase. Normóxia Normóxia HIF HIF PRODUÇÃO DE EPO PRODUÇÃO DE EPO HIF-PROLIL HIDROXILASE HIF-PROLIL HIDROXILASE ou uso de Inibidor de HIF Prolil Hidroxilase Fonte: Wyatt et al.10 12 .3 . ACIDOSE BASES DA MEDICINA O racional para o tratamento da acidose metabólica é a melhora de sintomas inespecíficos, como astenia, redução da progressão da DRC e redução do comprometimento ósseo8. Utilizam-se agentes alcalinizantes por via oral com o objetivo de trazer o bicarbonato sérico para níveis > 22 mEq/L8. Veja abaixo as opções de agentes alcalinizantes disponíveis no Brasil: Tabela 2. Agentes alcalinizantes para tratamento da acidose metabólica. Medicação Apresentação Meq de bicarbonato Bicarbonato de sódio 8,4% cápsulas 500 mg 5,95 mEq Bicarbonato de sódio 8,4% em pó Meia colher de chá ~ 27 mEq Solução de Shohl (Citrato de sódio + ácido cítrico) Frasco 250 mL 1 mEq/mL Fonte: Adaptada de Sá et al.8 DIA A DIA MÉDICO O bicarbonato de sódio em pó é a opção mais barata e mais disponível, no entanto, tem baixa tolerância devido a efeitos gastrointestinais; além disso, a dose efetivamente utilizada pelo paciente pode não ser precisa. 12 .4 . HIPERFOSFATEMIA BASES DA MEDICINA A hiperfosfatemia (P > 4,5 mg/dL) está associada o aumento do risco cardiovascular e à piora do hiperpara- tireoidismo secundário1-3,6. O tratamento da hipefosfatemia está indicado em todos os pacientes com DRC. Alvo do tratamento – P sérico 150 na DRC estágio 4, indica-se o uso de análogos da vitamina D (calcitriol ou pari- calcitol). Os níveis séricos de cálcio e fósforo devem ser monitorados, pois não é incomum a ocorrência de hipercalcemia ou hiperfosfatemia como efeito adverso. Nesse caso, os análogos de vitamina D devem ser reduzidos ou suspensos1,3,6. u Análogos de vitamina D: W Calcitriol 0,25 mcg – uso oral – dose inicial 0,25 mcg 3x/semana. W Paricalcitol – uso intravenoso – deve ser reser- vado para pacientes em programade diálise. Os análogos de vitamina D não devem ser iniciados em indivíduos com hipercalcemia ou hiperfosfa- temia. Para tratamento do hiperparatireoidismo nessa situação, estão indicados os calciminéticos (cinacalcete 30 mg). Eles agem ligando-se aos receptores de cálcio na paratireoide. Assim, as paratireoides entendem que o nível sérico de cálcio está adequado e reduzem a produção e a liberação de PTH. O principal efeito adverso do cinacalcete é a hipocalcemia, portanto, não deve ser iniciado se o indivíduo já apresentar hipocalcemia.1-3,6 Cinacalcete 30 mg – dose inicial – via oral 30 mg/dia. Apesar dessas opções terapêuticas, alguns pacien- tes apresentam níveis persistentemente elevados de PTH, refratários ao tratamento com análogos de vitamina D em associação com cinacalcete, ou pos- suem uma osteíte fibrosa cística grave com dores ósseas e fraturas patológicas. Nessas situações, a melhor opção terapêutica é a paratireoidectomia. Esse quadro não costuma ocorrer em portadores de DRC em estágios mais brandos (estágio 1, 2 ou 3) e, caso ocorra, deverão ser investigadas outras etiologias do hiperparatireoidismo. u Indicações de paratireoidectomia no hiperpara- tireoidismo secundário1-3,6: W PTH persistentemente > 800 pg/mL refratário ao tratamento clínico. W PTH > 800 pg/mL associado a dores ósseas ou a fraturas patológicas. Doença renal crônica (DRC) Nefrologia 16 A paratireoidectomia é realizada pelo cirurgião de cabeça e pescoço, e o nefrologista deve participar de todo o perioperatório, pois, após a retirada das para- tireoides, ocorre uma queda brusca do PTH. Dessa forma, há uma parada súbita do estímulo à reabsorção óssea, mas a síntese óssea continua altamente ativa, retirando rapidamente cálcio e fósforo da corrente sanguínea, o que provoca hipocalcemia e hipofosfate- mia aguda, frequentemente havendo necessidade de reposição venosa de cálcio. Essa condição é chamada de fome óssea e pode durar meses1-3. A deficiência de vitamina D é comum em portadores de DRC e contribui para o agravamento do hiperpa- ratireoidismo secundário, devendo ser reposta com o objetivo de manter a vitamina D > 30 ng/mL1-3. DIA A DIA MÉDICO O hiperparatireoidismo secundário é muito negligen- ciado na prática clínica, principalmente nas DRC leves e moderadas (estágio 2 e 3). Esse é um dos motivos de encontrarmos portadores de DRC em fases mais avan- çadas com um quadro refratário já com necessidade de paratireoidectomia. 12 .6 . TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA NOS PORTADORES DE DOENÇA RENAL CRÔNICA BASES DA MEDICINA A HAS está presente em cerca de 80% dos indivíduos portadores de DRC, sendo tanto mais prevalente quanto menor for a TFG. A dificuldade de excretar o excesso de sódio da dieta devido à ativação do eixo RAA provoca uma expansão do volume extracelular, causando hiper- volemia e suas manifestações clínicas como HAS, edema periférico e congestão pulmonar (reveja o tópico sobre hipervolemia)1-3. A PA alvo para o indivíduo portador de DRC é 25. u Atividade física conforme tolerância e risco car- diovascular – se possível, realizar 30 minutos de atividade física 5 dias por semana. u Limitar ingestão de álcool para um máximo de 2 taças de vinho por dia para homens (aproxi- madamente 200 mL/dia) e 1 taça de vinho para mulheres (aproximadamente 100 mL/dia). u Cessação do tabagismo – não atua diretamente no controle da PA, porém aumenta muito o risco cardiovascular. A escolha dos medicamentos anti-hipertensivos é realizada de forma diferente dos portadores de HAS que não possuem DRC. É necessário che- car se a DRC apresenta albuminúria patológica (> 30 mg/24 h) e se o indivíduo apresenta edema. Se a albuminúria estiver presente, então um IECA ou um BRA deverá ser iniciado, devido ao seu efeito na redução da pressão intraglomerular e consequente redução da albuminúria. Esse efeito é tão benéfico que um IECA ou BRA deve ser iniciado nos pacientes com DRC e albuminúria ≥ 30 mg/24 h, mesmo na ausência de HAS. Caso a DRC não apresente albuminúria patológica, o anti-hipertensivo dependerá da presença de edema. Se presente, um diurético de alça deverá ser iniciado. No Brasil, só temos um diurético de alça, que é a furosemida1,3. u HAS em portadores de DRC com albuminúria > 30 mg/24 horas: W Anti-hipertensivo de escolha – IECA ou BRA II. u HAS em portadores de DRC sem albuminúria: W Edema presente – diurético de alça (furosemida). W Edema ausente – IECA ou BRA II. Doença renal crônica (DRC) 17 Se a pressão arterial não for controlada com esses medicamentos, devem-se acrescentar outros anti-hi- pertensivos de escolha semelhante à da população geral – com exceção do diurético tiazídico, que não é recomendado nos indivíduos com TFGsejam diabéti- cos, pois possuem efeito nefroprotetor retardando a progressão da DRC. Para iniciarmos os iSGTL2, devemos ter um ClCr > 20mL/min/1,73m2. O ideal é que, para introduzí-lo, devemos ter IECA/BRA já em dose máxima tolerada. Seus principais efeitos adversos são infecções uri- nárias fúngicas (balanite nos homens e vulvovaginite por cândida nas mulheres) e cetoacidose euglicê- mica. É uma medicação que deve ser suspensa em contextos infecciosos e de desidratação pelo aumento do risco e perpetuação de IRA. 12 .8 . CONTROLE LIPÍDICO NA DRC A dislipidemia é muito frequente em portadores de DRC, sendo a hipertrigliceridemia (triglicérides > 200 mg/dL) a forma mais prevalente. A indica- ção de uso de medicamentos dependerá da idade do indivíduo e do seu risco cardiovascular. O uso de estatina está indicado para todos os adultos Doença renal crônica (DRC) Nefrologia 18 já diagnosticados com doenças ateroscleróticas (ex.: doença arterial coronariana), exceto se houver alguma contraindicação ao uso da estatina ou efei- tos adversos intoleráveis. Já a profilaxia primária (sem diagnóstico de doença aterosclerótica) com estatina estará indicada na presença de dislipidemia nas seguintes condições1-3: u Prevenção primária de doença cardiovascular em portadores de DRC e dislipidemia – indicação de uso de estatina: W DRC e idade ≥ 50 anos. u DRC e idade entre 18 e 49 anos com: W Diabetes mellitus. W ou W Risco de síndrome coronariana aguda > 10%. Para pacientes com DCV estabelecida, o alvo de LDL é uma redução maior que 50% e abaixo de 70 mg/ dL. A preferência é pela atorvastatina, pois não apre- senta excreção renal. Para a profilaxia primária, está recomendada uma estatina com potência moderada (atorvastatina 20 mg ou sinvastatina 40 mg). Não há consenso entre o alvo de LDL nessa situação1-3. DIA A DIA MÉDICO Os efeitos adversos mais conhecidos das estatinas (mio- patia e hepatite) são mais frequentes em portadores de DRC. Portanto, deve-se ter uma cautela maior na prescri- ção dessa classe de medicamentos a esses indivíduos. Doença renal crônica (DRC) 19 Mapa mental. DRC: definição e classificação Classificação Definição TFG (mL/min/1,73m²) TFG 3 meses Estágio 1 (> 90) Estágio 2 (60−89) Estágio 3a (45−59) Estágio 3b (30−44) Estágio 4 (15−29) Estágio 5 ( 300) Albuminúria (mg/dia ou mg/g) Lesão renal por > 3 meses Doença renal crônica (DRC) Nefrologia 20 Mapa mental. DRC: redução das funções excretora e endócrina Redução da função excretora Redução da função endócrina Azotemia Deficiência de EPO Anemia Hipercalemia Hiperparatireoidismo 2º Hiperfosfatemia Hiperfosfatemia Hipocalcemia Hipocalcemia Acidose metabólicaEletrólitos Deficiência de calcitriol Doença renal crônica (DRC) 21 Mapa mental. DRC: tratamento geral Tratamento geral Controlar fatores de risco de DCV HAS Reposição oral de bicarbonato DietaEstoque de ferro Alvo de PTH Alvo de Hb 10−12 g/dL Tratamento Controle glicêmico Alvo de HCO3 − > 22 Quelantes oraisFerritina > 100 e IST > 20% DRC estágio ≤ 4 Calcitriol Cinacalcete Casos refratários Carbonato de cálcio SevelâmerFerritinaQuestão 5 (SECRETARIA MUNICIPAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MACAÉ – RJ – ANO) Juliana tem 45 anos e atendida no ambulatório de Clínica Médica. Portadora de Hipertensão Arterial Sistêmica, hipertrigliceridemia. Nega diagnóstico de diabetes mellitus até o momento. Ex tabagista há 1 ano, carga tabágica 15 maços x ano. Traz exames laboratoriais de rotina com os seguintes valores: HEMOGLOBINA 11,3 g/ HEMATOCRITO 33,8 VCM 91,8 HCM 30,7 pg CHCM 33,4 g/dl RDW 15,5 % LEU- COCITOS 7.380 PLAQUETAS 157 x 10³/mm3 HEMO- GLOBINA GLICADA - HbA1c: 7,5 % GLICEMIA MÉDIA ESTIMADA: 161 mg/dL COLESTEROL TOTAL: 230 mg/dL TRIGLICERIDEOS: 911 mg/dL COLESTEROL HDL: 62 mg/dL COLESTEROL LDL: 116 mg/dL UREIA: 53 mg/dL CREATININA 1,10 mg/dL CLEARANCE DE CREATININA (MDRD) 39.91 ml/min/1.73 m2 SÓDIO: 144 mEq/L POTÁSSIO: 3,7 mEq/L. Exame sumário de urina (EAS) com densidade 1015 pH 5,5 sem proteinúria e sem hematúria, sem cilindrúria, sem bactérias excessivas, nitrito negativo, glicose ++. Ela refere que sua mãe iniciou Terapia Renal Subs- titutiva (TRS) há 15 dias e que está muito ansiosa e preocupada em ""perder seu rim"". Sem alterações dignas de nota em seu exame clínico, com sinais vitais: PA 155 x 95 mmHg PR 89 bpm FR 12 irm Tax 36,1oC. Sobre a conduta relacionada ao quadro clí- nico da paciente, na investigação da função renal, assinale a alternativa correta: ⮦ Os recursos diagnósticos utilizados para iden- tificar um paciente nefropata são a Taxa de Fil- tração Glomerular somente pelo método MDRD, o exame da urina, principalmente a urinocultura e um exame de imagem, preferencialmente a ul- trassonografia dos rins e vias urinárias. ⮧ Fundamental para esta paciente, com base na Taxa de Filtração Glomerular já avaliada, dosar a relação albuminúria creatinúria, que estará alterada se acima de 30mg/g, e um exame de imagem, preferivelmente uma Tomografia Com- putadorizada de Abdome e pelve, para avaliação do tamanho, parênquima renal e presença de litíase para explicar o quadro. ⮨ Fundamental para esta paciente, com base na Taxa de Filtração Glomerular já avaliada, dosar a relação, que estará alterada se acima de 30mg/g, e um exame de imagem, preferivelmente uma ultrassonografia de rins e vias urinárias. ⮩ A hematúria de origem glomerular, definida pela presença de cilindros hemáticos ou dimorfismo eritrocitário, deve ser valorizada no caso de o pa- ciente apresentar creatinina acima dos valores da normalidade e diabetes mellitus. ⮪ A função renal deve ser avaliada preferencial- mente pelos métodos de MDRD e Cockcroft- -Cault, com realização de ultrassonografia de vias urinárias naqueles que apresentarem valo- res alterados. Questão 6 (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ – PA – 2021) Paciente do sexo masculino, 60 anos, portador de HAS diag- nosticada há 07 anos. Apresenta níveis pressóricos elevados apesar do uso de Losartana 100mg/dia, Anlodipino 10mg/dia, Hidroclorotiazida 25mg/dia e Bisoprolol 10mg/dia. Exames laboratoriais solicita- dos revelam valores de creatinina de 1.9mg/dL com TFG (CKD-EPI) de 37mL/min e microalbuminúria em amostra de urina isolada de 350mg/g. O esta- diamento da doença renal crônica deste paciente de acordo com a KDIGO é: ⮦ G4A3. ⮧ G3BA3. ⮨ G3BA2. ⮩ G5A1. ⮪ G3AA2. Doença renal crônica (DRC) 25 Questão 7 (ESCOLA MULTICAMPI DE CIÊNCIAS MÉDICAS - RN - 2020) Uma mulher de 63 anos de idade foi encaminhada ao nefrologista por apresentar uma dosagem sérica de creatinina de 3,4 mg/dl durante realização de exame preventivo de câncer ginecológico. Negava qualquer queixa urinária, bem como história prévia de doença renal. Havia 2 anos que vinha em acom- panhamento para hipertensão arterial sistêmica e diabetes melitus, fazendo dieta hipossódica e usando enalapril, sinvastatina e clortalidona. Não tinha resultados prévios de escórias ou quaiquer exames de imagem. O exame físico foi completa- mente normal. Peso: 54,4 kg. Em se tratando de doença renal crônica, quais complicações devem ser investigadas nesse grupo vulnerável? ⮦ Hipertireoidismo, hipoalbuminemia e hipocor- tisolismo. ⮧ Anemia, hiperparatireoidismo e hipercalemia. ⮨ Alcalose metabólica, hipercalcemia e hipomag- nesemia. ⮩ Hipernatremia, distúrbios de coagulação e defi- ciência de vitamina D. Questão 8 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – 2019) A prescrição inicial de cloridrato de cinacalcete para o trata- mento do hiperparatiroidismo secundário à doen- ça renal crônica está contraindicada se o paciente apresentar: ⮦ Hipocalcemia. ⮧ Acidose metabólica. ⮨ Hiperfosfatemia. ⮩ Uremia. ⮪ Hipofosfatemia. Questão 9 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – 2019) Homem de 53 anos, com antecedentes de hipertensão essencial, diabe- tes mellitus tipo 2 e doença renal crônica dialítica há 18 meses, procura Pronto-Socorro por fraque- za intensa e dispneia aos mínimos esforços, sem febre ou tosse. A astenia melhora após transfusão de sangue e já recebeu seis unidades nos últimos três meses (última há 12 dias). Recebe regularmen- te eritropoetina na clínica de diálise. Exame clínico: descorado 3+, anictérico. PA = 140 x 80 mmHg, FC = 110 bpm. Fístula de hemodiálise em antebraço esquerdo com bom aspecto. Exames laboratoriais: Hemoglobina = 4,2 g/dL, VCM = 87 fL, HCM = 29 pg, RDW = 13%, leucócitos 7.640/mm³ (diferencial normal), 241.000 plaquetas/mm³; reticulócitos = 0,1%. A principal hipótese diagnóstica é: ⮦ Anemia de doença crônica. ⮧ Aplasia pura de série vermelha. ⮨ Anemia hemolítica. ⮩ Anemia ferropriva. Questão 10 (HOSPITAL DILSON GODINHO – 2018) O estadiamento da Doença Renal Crônica é importante ferramenta para planejamento do manejo, avaliação de risco para progressão e complicações. Que parâmetro(s) é(são) utilizado(s) no estadiamento da DRC? ⮦ Taxa de filtração glomerular. ⮧ Taxa de filtração glomerular e albuminúria. ⮨ Taxa de filtração glomerular e proteinúria. ⮩ Taxa de filtração glomerular, proteinúria e débi- to urinário. ⮪ Taxa de filtração glomerular, albuminúria, varia- ção da creatinina e débito urinário. Doença renal crônica (DRC) Nefrologia 26 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Y Dica do professor: A função renal normal é fun- damental na manutenção do balanço do cálcio e do fósforo. A diminuição da FG se associa com hiperfosfatemia e hipocalcemia, alterações que exercem papel fisiopatológico na doença óssea e calcificação vascular nesses pacientes. Alternativa A: INCORRETA. No hiperparatiroidismo primário, o cálcio está elevado. Alternativa B: INCORRETA. Alternativa C: INCORRETA. Alternativa D: CORRETA. Paciente com DRC avançada + hipocalcemia + hiperfosfatemia + PTH aumen- tado. Estamos diante de um hiperparatireoidismo secundário à DRC, o que repercute na chamada “osteodistrofia renal” (ou osteíte fibrosa cística), havendo um elevado turnover ósseo. ✔ resposta: ⮩ Questão 2 dificuldade: Y Dica do professor: O hiperparatireoidismo secun- dário na DRC é desencadeado pela deficiência de vitamina D ativa, cuja conversão se dá quase exclu- sivamente no rim. Alternativa A: CORRETA. Osteíte fibrosa cística é cau- sada pelo quadro de hiperparatireoidismo secundá- rio da DRC (cálcio baixo e PTH elevado). Manifesta-se com reabsorção das falanges das mãos, crânio em sal e pimenta e coluna em camisa listrada. Alternativa B: INCORRETA. Osteomalácia ocorre em pacientes com DRC, geralmente associada à into- xicação por alumínio ou deficiência de vitamina D. É menos comum que a osteíte fibrosa. Alternativa C: INCORRETA. Doença óssea adinâmica cursa com PTH reduzido. Alternativa D: INCORRETA. Osteoporose é um diag- nóstico densitométrico. Alternativa E: INCORRETA. Osteoartrite não cursa com alterações no cálcio. ✔ resposta: ⮦ Questão 3 dificuldade: Y Dica do professor: A doença renal crônica é defi- nida pela presença de dano renal – normalmente detectado com excreção urinária de albumina > ou igual 30 mg/dia ou equivalente – ou diminuição da função renal (definida como taxa defiltração glo- merular menor que 60 mL/min/1,73m², durante 3 meses ou mais, independente da causa. Alternativa A: INCORRETA. Para o paciente apresen- tar doença renal crônica G3aA1 ele teria que ter a taxa de filtração glomerular entre 45-59 e os níveis de albumina normais ou ligeiramente aumentados. Alternativa B: INCORRETA. O clearance de creatinina do paciente, pela idade, deveria ser pelo menos en- tre 61 e 120 mL/min/1,73m². Alternativa C: CORRETA. Paciente apresenta taxa de filtração glomerular menor que 60 mL/min/1,73m2, no entanto, para ser definido como portador de DRC necessita que a TFG se mantenha abaixo de 60 por ao menor 3 meses. Alternativa D: INCORRETA. Paciente deve ter contro- le glicêmico realizado para que não seja fator que leve a piora da sua função renal, porque como se sabe, a hipertensão arterial crônica e o diabetes mellitus são as causas mais comuns da doença Doença renal crônica (DRC) 27 renal crônica. No entanto, paciente não necessita de diminuição do aporte proteico. ✔ resposta: ⮨ Questão 4 dificuldade: Y Dica do professor: Não tem jeito. Essa questão só é possível de se acertar memorizando uma classi- ficação que não é útil (a memorização em si) para prática médica: “A” se refere ao nível de albuminúria: • 0 a 30mg/g de creatinina – A1. • 30 a 300 – A2. • >300 – A3. “G” se refere a taxa de filtração glomerular: • >90 – G1. • 60-89 – G2. • 45-59 – G3a. • 30-44 – G3b. • 15-29 – G4. • 300 – A3. “G” se refere a taxa de filtração glomerular: • >90 – G1. • 60-89 – G2. • 45-59 – G3a. • 30-44 – G3b. • 15-29 – G4. •