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Unidade 1
Origens da Arquitetura e das Cidades
Aula 1
Origens da Arquitetura e do Urbanismo
Origens da arquitetura e do urbanismo
Origens da arquitetura e do
urbanismo
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Estudante, você verá em nosso vídeo que a arquitetura é
uma manifestação sociocultural importante que reflete a
interação complexa entre a sociedade, a cultura, a tecnologia
e o ambiente. Ela não é apenas a criação de edifícios e
espaços físicos, mas também uma expressão da identidade e
dos valores de uma sociedade.
Esta aula será de grande importância para introduzir os
principais conceitos relacionados à arquitetura e à profissão
do arquiteto.
Vamos assistir?
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/52/d5e3d886-9b78-5056-878f-a6823aaadd68.pdf
Você aprenderá em nossa unidade sobre as origens e os
avanços da arquitetura e do urbanismo, que acabaram por
se confundir com a própria evolução das civilizações.
Nesta aula, você descobrirá como a ciência da arquitetura e
a profissão do arquiteto surgiram, atendendo a uma
transformação social e cultural dos povos e refletindo os
avanços tecnológicos ao longo do tempo. A arquitetura, por
reunir história, arte, estética e técnica, é considerada uma
das manifestações mais evidentes da cultura e dos costumes
das comunidades em que ela se insere.
Mas e a origem dessa ciência e da profissão de arquiteto?
Você saberia dizer quando se deu?
Vamos conhecer?
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
O conceito que temos hoje da arquitetura pode ser resumido
como uma disciplina que envolve planejamento, projeto,
construção e organização de espaços e ambientes para uso
de pessoas. Abrange uma gama de atividades, desde a
concepção de edificações e estruturas até o design de
interiores, paisagismo e planejamento urbano. A arquitetura
visa criar espaços funcionais, esteticamente agradáveis e
sustentáveis que atendam às necessidades humanas e
sociais.
Contudo, a arquitetura é muito mais do que apenas a
construção de edifícios. Ela é uma manifestação sociocultural
que reflete a história, os valores, as necessidades e as
aspirações de uma sociedade, desempenhando um papel
crucial na forma como as pessoas vivem, trabalham,
interagem e se identificam com sua cultura e seu ambiente.
Igualmente, a arquitetura é uma manifestação tecnológica
que evolui constantemente à medida que novas tecnologias
e técnicas se tornam disponíveis. Da interseção da arte,
ciência e inovação na arquitetura resulta a criação de
espaços que não apenas atendem às necessidades práticas,
mas também expressam a cultura e o estado da tecnologia
em uma determinada época.
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Arquitetura: reflexo sociocultural
e manifestação tecnológica
A história da humanidade e a da arquitetura aconteceram de
maneira concomitante, uma vez que o propósito inicial da
arquitetura foi fornecer segurança e abrigo ao seu usuário.
A arquitetura pode ser considerada um tipo de
manifestação artística que engloba, além da arte, a
técnica. Esse tipo de manifestação artística é muito
antigo, pois as construções, edificações e os abrigos
surgiram quase conjuntamente a humanidade. Ao longo
do tempo, esses abrigos foram sendo desenvolvidos e
aprimorados, até o momento em que a arquitetura
passou a representar mais que uma finalidade ou
propósito. (SCOPEL et al., 2018, p. 14)
À medida que as civilizações avançaram e progrediram
socialmente, sobretudo nos aspectos culturais e
tecnológicos, a arquitetura passou a apresentar também
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
qualidades artísticas, sendo um resultado claro da aplicação
de recursos técnicos mais apurados.
Devido às inúmeras formas que pode assumir e à
necessidade de que funcione de modos específicos, a
arquitetura deve ser considerada tanto uma arte como
uma ciência. Ela é uma disciplina artística que busca
inventar por meio do projeto. Ela também é uma
profissão que conta com técnicas de construção
específicas. (CHING; ECKLER, 2013, p. 9)
Podemos concluir a partir do que os autores citados
descrevem que a arquitetura tem uma relação bastante
estreita com a arte, sobretudo pela sua preocupação
estética, pela composição das formas e volumes, pelo uso de
cores e texturas etc. Contudo, convém ressaltar que, ainda
que seja uma expressão criativa, a arquitetura está
intimamente ligada à técnica, como meio de extrair as ideias
de projeto e materializá-las em um cenário real.
Assimile: a arquitetura é uma ciência generalista que exige
conhecimento de diversos aspectos para que seja elaborada
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
e constituída. Generalista, pois ela exige estudo e
conhecimento de aspectos estéticos, históricos e técnicos.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
Arquitetura: ciência e profissão
O desenvolvimento das áreas de arquitetura e urbanismo
foi acompanhando e evoluindo em conformidade às
nossas sociedades. As comunidades, a partir de suas
necessidades de organizar os espaços adequados para as
suas funções de descanso, alimentação e higiene, foram
aprimorando suas técnicas construtivas e ideias que
resultaram em diversos tipos e estilos arquitetônicos.
(SCOPEL et al., 2018, p. 19)
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
A arquitetura e o urbanismo preocupam-se,
respectivamente, com a organização das edificações e das
cidades. Esse despertar aconteceu com o avanço das
civilizações e, com o passar do tempo, essas disciplinas
tornaram-se mais completas e complexas, pois estão
envoltas em diversos aspectos, influenciando as decisões
que possam ser adequadas aos seus usuários. Nesse
sentido, você deve ter em mente que o estudo da história da
arquitetura é extremamente relevante para entender não só
como se deu este processo, mas também como aproveitar
cada período e suas referências para melhor conduzir o seu
processo de criação.
A arquitetura é uma manifestação sociocultural, uma vez que
reflete a multifacetada interação da sociedade com a cultura,
a tecnologia e o ambiente construído. Não devemos
circunscrever a arquitetura somente como a criação de
edificações e espaços urbanos, pois ela também se converte
em uma expressão da identidade e dos valores de uma
sociedade. Vejamos alguns fatores que ratificam essa relação
entre arquitetura, sociedade e cultura:
Manifestação da identidade cultural: em muitas
oportunidades, a arquitetura expressa a identidade
cultural de uma comunidade. Ela incorpora elementos de
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
design, materiais, e estilos significativos para a sociedade
em que está inserida. Por exemplo, a arquitetura de
igrejas católicas europeias é distinta da arquitetura de
mesquitas muçulmanas, mas em ambas situações a
arquitetura reflete as respectivas culturas religiosas
desses povos.
Influência da política e da economia: o poder em todas
as usas instâncias sempre foi ratificado com a
construção de edificações imponentes e representativas.
São vários exemplos, seja da antiguidade ou tempos
mais atuais, em que grandes edifícios governamentais,
monumentos e arranha-céus carregam a simbologia de
poder e riqueza de uma nação ou cidade.
Influência nas interações sociais: seja de ordem privada
ou pública, a criação e disposição de prédios, áreas
abertas ou de lazer podem cercear ou potencializar as
relações sociais, afetando como as pessoas se
encontram, se reúnem e se relacionam.
Evolução: a arquitetura evoluiu para melhor atender às
necessidades humanas, sempre em constante mudança
ao longo do tempo. As mudanças tecnológicas, sociais e
econômicas influenciam os estilos arquitetônicos e as
funçõesdos edifícios. Podemos ver essas
transformações em períodos de transição dos estilos
arquitetônicos, como a evolução estrutural da
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
arquitetura medieval para o período renascentista, e
deste último para os prédios do século XX.
Adaptação ao ambiente: a arquitetura molda-se a partir
do ambiente físico e geográfico. As edificações são
projetadas levando em consideração o clima, a
topografia e os recursos disponíveis.
Preservação do patrimônio cultural: por ser um reflexo
da cultura de um povo e de uma determinada época, a
arquitetura desempenha um papel fundamental na
preservação do patrimônio cultural de uma sociedade.
Edifícios históricos e monumentos arquitetônicos são
muitas vezes protegidos e restaurados como parte do
legado cultural de uma nação.
Juntamente com a arte e cultura, a arquitetura também é
uma manifestação tecnológica, pois envolve a aplicação de
conhecimentos técnicos e tecnológicos para criar ambientes
e espaços que atendam às necessidades humanas, sejam
elas funcionais ou estéticas. Com o passar do tempo e
avanço tecnológico, a arquitetura começou a apresentar:
Novos materiais e técnicas construtivas: a especificação
dos materiais de construção e as técnicas de construção
são aspectos fundamentais da transformação na
arquitetura. Entender as propriedades dos materiais
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
(concreto, aço, vidro, madeira, polímeros, etc.) passaram
a ser fundamentais para projetar edificações duráveis,
seguras e eficientes em termos energéticos.
Tecnologia de materiais avançados: com pesquisa e
desenvolvimento de materiais avançados, como vidros
inteligentes, materiais autolimpantes e materiais que se
adaptam às condições ambientais, a arquitetura
possibilitou a melhora do desempenho e da
funcionalidade das edificações.
Edifícios inteligentes: a automação e controle, cada vez
mais presente na arquitetura, possibilitam sistemas de
automação para gerenciar iluminação, temperatura,
segurança e outras funções. Isso não apenas torna os
edifícios mais eficientes, mas também melhora a
qualidade de vida dos ocupantes.
Sustentabilidade: a arquitetura contemporânea passou a
preocupar-se mais com a sustentabilidade ambiental.
Isso envolve a aplicação de tecnologias para criar
edifícios energeticamente eficientes, a utilização de
fontes de energia renovável, como painéis solares, e a
incorporação de sistemas de reciclagem de água. Em
suma, a tecnologia desempenha um papel crucial na
busca por edifícios mais sustentáveis.
Vamos Exercitar?
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Vamos Exercitar?
A profissão de arquiteto tem raízes antigas e remonta às
mais antigas civilizações, quando os chamados construtores,
então responsáveis por erigir estruturas importantes, eram
considerados os arquitetos de sua época. Vejamos alguns
períodos significativos:
Antigo Egito: o povo egípcio possuía arquitetos que
desempenhavam um papel fundamental na construção
de templos, pirâmides e outras estruturas monumentais
(Figura 1). Imhotep, um arquiteto egípcio que viveu no
século 27 a.C., é frequentemente considerado o primeiro
arquiteto conhecido na história.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 1 | Pirâmides e Esfinge no Egito. Fonte: Freepik.
Antiga Grécia: os gregos antigos também tinham
arquitetos que projetavam templos e edifícios públicos
(Figura 2). Vitruvius, um arquiteto romano do século I
a.C., escreveu De architectura, um tratado que se tornou
uma referência importante na história da arquitetura, a
partir da arquitetura grega – de certa forma,
reconhecendo a profissão do arquiteto.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 2 | Partenon na Grécia. Fonte: Freepik.
Antiga Roma: seus arquitetos projetavam os edifícios,
aquedutos (Figura 3), anfiteatros e estradas que vieram a
influenciar toda a arquitetura ocidental posterior. O
desenho da malha urbana como precursora do
urbanismo também ganha destaque com as cidades
conquistadas pelos romanos.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 3 | Aqueduto romano. Fonte: Freepik.
Idade Média: durante este período, a arquitetura
desempenhou um papel vital na construção de catedrais
góticas e castelos. Os construtores estavam intimamente
ligados com uso de materiais e emprego de novas
técnicas de construção.
Renascimento: com a renovação do interesse pela
arquitetura clássica greco-romana, arquitetos como
Andrea Palladio e Michelangelo, na Itália, tiveram um
impacto duradouro na arquitetura, ainda hoje
influenciando arquitetos contemporâneos.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Modernismo: a profissão moderna de arquiteto começou
a se desenvolver no final do século XIX, com a criação de
escolas de arquitetura e a formalização do treinamento
de arquitetos. Houve uma ampliação do campo de
atuação do profissional, não só na arquitetura e
urbanismo, mas também no campo do design e das
artes.
Hoje, a arquitetura é uma profissão altamente especializada
que abrange uma ampla variedade de campos, desde
arquitetura de interiores até planejamento urbano e
arquitetura paisagística (Figura 4).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 4 | Museu de Oscar Niemeyer. Fonte: Freepik.
Saiba mais
Saiba mais
Estudante, você está convidado a realizar a leitura do texto
“Casa e Lar: a essência da arquitetura”, que traz um belo
apanhado histórico das formações arquitetônicas,
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/03.029/746
evidenciando o conceito de lar e as primeiras cabanas,
associadas ao fogo, elemento agregador na época primitiva.
Referências
Referências
CHING, F. D.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura. Porto
Alegre: Bookman, 2013.
SCOPEL, V. G. et al. Teoria e História da Arquitetura e
Urbanismo I. Porto Alegre: Sagah, 2018.
Aula 2
Arquitetura na Pré-História
Arquitetura na Pré-História
Arquitetura na Pré-História
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Estudante, você verá neste vídeo que a arquitetura no
período pré-histórico se caracterizou por estruturas simples
e rústicas, muitas vezes feitas de materiais disponíveis na
época, como madeira, pedra e ossos. Para contextualizar o
período e a arquitetura, será realizada uma pequena revisão
sobre as tipologias e seus significados, pois será muito
importante em seu processo de aprendizado.
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Ponto de Partida
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/52/a7cf7f5c-ae42-5fe4-bc8b-29fe0526f0a7.pdf
Ponto de Partida
Olá, estudante! Em nossa aula, você aprenderá sobre a
arquitetura do período pré-histórico, compreendido entre os
anos de 35.000 a.C e 3.000 a.C.
A arquitetura no Período Paleolítico era extremamente
simples em comparação com as estruturas complexas que
iremos identificar em períodos posteriores da história.
Todavia, as cabanas primitivas representam o início da
evolução arquitetônica, à medida que as sociedades
humanas começaram a desenvolver habilidades construtivas
e a dar valor à funcionalidade, à cultura e à tecnologia na
criação de espaços habitáveis. É importante delimitar que os
exemplares arquitetônicos realmente significativos são do
Período Neolítico, uma vez que foram erigidos em pedra.
Você sabe pontuar quais são as maiores expressões de arte
e arquitetura desse período?
Bons estudos!
Vamos Começar!
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Vamos Começar!
A arquitetura desenvolveu-se através dos tempos,
conjuntamente com a evolução da humanidade, pois ela
reflete a cultura e os costumes dos povos que a produziram.
Nesse sentido, você sabe dizer qual seriao primeiro registro
de manifestações arquitetônicas em nossa história?
Segundo Pereira (2010) e Scopel et al. (2018), estudos
sugerem que, no período conhecido como Idade da Pedra
Lascada ou Paleolítico, o homem pré-histórico desenvolveu
as primeiras cabanas primitivas, mesclando a sua expertise e
recursos de que dispunha. Teve como objetivo prover seu
abrigo e proteção contra intempéries e inimigos, através de
uma manifestação arquitetônica ainda ancestral, com o uso
de uma tecnologia empírica, mas com uma certa dose de
ordem e funcionalidade.
Pereira (2010, p. 21) ratifica que “os pesquisadores e os cri
´ticos não estão de acordo sobre qual realmente seria a
origem e a essência da arquitetura: o menir, a caverna ou a
cabana, entendidos como os símbolos físicos da arte, do
abrigo e da racionalidade construída.”
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Para nos situarmos melhor na cronologia histórica, vejamos
como se dá o recorte histórico segundo Fazio, Moffett e
Wodehouse (2011, p. 29):
A pré-história começa por volta de 35000 a.C. e se
encerra, aproximadamente, em 3000 a.C. nas terras do
leste do Mediterrâneo, e bem depois de 2000 a.C. em
partes da Europa ocidental. Na escala temporal da
humanidade, essas datas correspondem aos primeiros
anos da evolução humana “moderna”, desde as
sociedades cooperativas de caçadores e coletores até as
civilizações agrícolas com uma área de assentamento fixa
e classe dirigente.
Os Períodos Paleolítico, Mesolítico e Neolítico configuram a
Idade da Pedra. As culturas neolíticas criaram estruturas
colossais de pedra, que podem ser encontradas na paisagem
das Ilhas Britânicas. São estruturas que, muitas vezes,
configuram-se grandes círculos de monólitos e
impressionam pela escala, pelo método de construção e
pelas relações que elas supostamente têm com os percursos
aparentes do sol e da lua (FARRELY, 2014).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
São exemplos de construção de pedra do Período Neolítico:
nuragues, dólmens e antas, menires, cromeleques e
túmulos.
Seguindo essa linha de raciocínio, são justamente do Período
Neolítico os principais resquícios que temos hoje, seja na
arquitetura, utensílios ou até mesmo na arte. “No Neolítico,
ou Período da Pedra Polida, há uma riqueza de dados
arqueológicos encontrados que permitiram reconstruir com
maior precisão as sociedades dessa época” (BARROSO;
NOGUEIRA, 2019, p.28).
Nesse período, os grupos humanos:
desenvolveram a técnica de construir canoas,
fundamental para os seus deslocamentos.
aperfeiçoaram armas e utensílios polindo e afiando seus
instrumentos de pedra, criando novos instrumentos de
caça mais seguros e eficazes, como o arco, a flecha e a
lança, com os quais podiam abater animais mantendo
uma grande distância.
desenvolveram as técnicas de tecer panos, fabricar
cerâmica e trabalhar com metais.
erigiram as construções das primeiras moradias
(BARROSO; NOGUEIRA, 2019).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Também é preciso citar o exemplo mais emblemático que
configura a produção artística do período pré-histórico, que
são as pinturas rupestres. Elas foram encontradas em vários
pontos do planeta e as mais antigas datam do Período
Paleolítico, mas temos também exemplos do Período
Neolítico (GOMBRICH, 2019).
Figura 1 | Pinturas em caverna, Altamira, Espanha. Fonte:
Gombrich (2019, p. 38). 
Também foram encontradas esculturas, como elucida
Barroso e Nogueira (2019, p. 28): “alguns trabalhos em
escultura também foram encontrados nesse período, e os
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
pesquisadores concluíram que as pinturas e as esculturas
eram figuras femininas, sendo algumas delas feitas em
madeira, osso e pedra.”.
Se a arte significa o exercício de atividades tais como a
edificação de templos e casas, a realização de pinturas e
esculturas, a tecelagem etc., nenhum povo existe no mundo
sem arte. Os povos do período pré-histórico também
deixaram o seu legado, conforme a expertise e os recursos
de que dispunham.
A cabana primitiva e a caverna
No Período Paleolítico, o ser humano usava ferramentas de
pedra lascada e levava uma vida de caçador e coletor,
vivendo em grupos nômades, e tinha uma compreensão
limitada de arquitetura. As descobertas arqueológicas
demonstraram que essas manifestações rudimentares,
embora muito simples em comparação com as estruturas
arquitetônicas posteriores, eram uma forma de habitação
essencial para as comunidades paleolíticas.
Em 1753, Marc-Antoine Laugier escreve sua obra Essai sur
l’architecture [Ensaio sobre arquitetura], e nela imagina o
início da arquitetura da seguinte forma: o homem quer
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
construir um abrigo que o proteja sem soterra´-lo. Uns
galhos caídos na floresta são os materiais apropriados para
seu propósito. Escolhe quatro dos galhos mais fortes, os
levanta perpendicularmente e os dispõe formando um
quadrado. Em cima coloca outros quatro galhos
atravessados e sobre estes levanta, partindo de dois lados,
outros galhos que, escorados uns contra os outros, se
encontram na parte superior. Ele faz uma espécie de telhado
com folhas, juntas o suficiente para que nem o sol nem a
chuva possam atravessa´-lo, e seu abrigo esta´ pronto.
(PEREIRA, 2010, p. 26).
Figura 2 | Cabana imaginária de Marc-Antoine Laugier.
Fonte: Pereira (2010, p. 27).
A caverna constitui a arquitetura como abrigo, com a
necessidade de habitar, de se abrigar e de se proteger de um
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
mundo agressivo.
A caverna como arquitetura muda, sem significação nem
capacidade de transmissão, vem a ser uma necessidade
materializada na própria terra – a mãe terra –, pois
certamente as primeiras habitações humanas foram as
cavernas que a natureza oferecia como local de refúgio
contra os animais e os humores do clima. (PEREIRA, 2010, p.
21)
Vejamos algumas características das cabanas primitivas e
cavernas:
Funcionalidade: as cabanas tinham a função principal de
fornecer abrigo contra eventos da natureza, bem como
proteção contra animais selvagens. Eram estruturas
simples, geralmente feitas com galhos, peles de animais
e ossos. Embora básicas, atendiam às necessidades
funcionais das comunidades paleolíticas,
proporcionando um espaço seguro para descanso e
abrigo.
Cultural: as cavernas desempenhavam um papel
importante na cultura paleolítica, sendo decoradas com
arte rupestre e pinturas nas paredes, que muitas vezes
retratavam cenas de caça, vida cotidiana e elementos
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
simbólicos. Isso sugere que essas estruturas não eram
apenas funcionais, mas também desempenhavam um
papel na expressão cultural e na comunicação.
Tecnológica: ainda que rudimentar, as cabanas exigiam
algum grau de conhecimento tecnológico. Os paleolíticos
desenvolveram técnicas para amarrar galhos e ossos,
além de usar materiais naturais, como peles e pedras, na
construção das cabanas. Essas habilidades tecnológicas
eram essenciais para a sobrevivência das comunidades
paleolíticas.
Siga em Frente...
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Construções em pedra
Segundo Pereira (2010), ainda que ao longo da história
vejamos a cabana como o foco efetivo de desenvolvimento
da atividade arquitetônica, convém começar refletindo não
sobre ela, mas sobre o menir e a caverna como as
arquiteturas primárias ou iniciais da humanidade. Todo o
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
conceito e desenvolvimento histórico da arquitetura estão
resumidos e polarizados nos princípios que elas
representam.
No início do Neolítico, quando o clima glacial se atenua e o
ser humano pode sair da caverna e direcionar sua atividade
ao exterior, novos métodos de subsistências mudam sua
forma de vida. A possibilidade de viver fora dos abrigos
naturais se dá com a descoberta progressiva de formas e
materiaispara confeccionar objetos utilitários, em um
processo que vai da Pre´-História a` civilização.
Segundo Barroso e Nogueira (2019), deste período foram
encontradas muitas edificações de pedras sem nenhuma
argamassa, com um formato de cone truncado (cortado),
denominadas nuragues; assim como outras construções,
denominadas dólmens, que consistiam em duas grandes
pedras verticais fincadas no chão, com outra pedra
assentada horizontalmente sobre elas, com uma suposta
utilidade como um abrigo.
Vamos Exercitar?
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Vamos Exercitar?
No Período Paleolítico, a humanidade tinha um
comportamento nômade, movimentando-se em busca de
alimentos. Foi em virtude disso que as sociedades pré-
históricas não vieram a desenvolver construções sólidas para
moradia, pois estavam em constante deslocamento.
Contudo, no Período Neolítico, os grupos passaram a
desenvolver as formas iniciais de agricultura, e assim
estabeleciam-se por períodos maiores em determinadas
regiões, exigindo, assim, locais fixos para residir.
Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011), as conquistas
mais significativas da arquitetura pré-histórica no oeste
europeu foram as construções megalíticas, compostas por
grandes pedras, muitas das quais foram edificadas como
observatórios astronômicos ou túmulos comunitários para
as classes privilegiadas. Essas comunidades enfrentaram
grandes desafios na execução dessas construções, pois
tratam-se de rochas de grandes dimensões e pesos
elevados.
“A maior característica da cultura neolítica é justamente a
utilização da pedra natural como material de construção de
forma trabalhada, e não rústica” (SCOPEL et al., 2018, p.46).
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Vejamos algumas destas construções desse período que
foram encontradas.
Menires
Consiste em uma pedra, geralmente um monólito de
grandes dimensões, movida e posicionada de forma vertical,
e a ela é atribuída uma função simbólica (Figura 3).
“O menir é o monumento mais primitivo, mais simples e há
mais tempo em utilização ou elaboração. É a arquitetura
como símbolo, como signo, como significação; uma
arquitetura não habitável, mas com capacidade
comunicativa intrínseca” (PEREIRA, 2010, p. 21).
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 3 | Menir. Fonte: Scopel et al. (2018, p. 40).
Cromeleques
Cromleque, ou cromlech, é o conjunto de diversos menires
dispostos em círculos, semicírculos ou conjuntos circulares.
Acentuam a ideia de recinto sagrado, de culto, e podem
estar relacionados à astronomia, uma vez que era deixado
um espaço vago no centro, o que remete a um local para
celebrações especiais.
O posicionamento de círculos e pedras em relação ao sol,
muitas vezes enquadrando os solstícios, demonstram que
essas sociedades pré-históricas possuíam conhecimentos
sobre astronomia. O cromleque mais conhecido é o de
Stonehenge, na Inglaterra. O maior deles, porém, é o de
Avebury, no mesmo país, que abrange mais de cem mil
metros e soma 650 pedras erguidas. (SCOPEL et al., 2018,
p. 42)
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 4 | Stonehenge, Planície de Salisbury, Inglaterra, cerca
de 2900-1400 a.C. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011,
p. 32).
Nuragues
Os nuragues são compostos principalmente por pedras
empilhadas, formando torres de vários tamanhos. Essas
torres podem variar de pequenas construções individuais a
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
complexos maiores com várias torres interconectadas. Com
formas circulares ou como um cone truncado, apresentam
uma base larga que se afina à medida que atinge a parte
superior.
Dólmens
São monumentos que consistem em duas ou mais pedras
grandes dispostas em forma circular ou poligonal, cravadas
verticalmente no solo, além de uma grande pedra sobre elas
na horizontal, simulando um fechamento superior (Figura 5).
Existem diversas suposições levantadas pelos arqueólogos
para as funções dos dólmens, mas as principais seriam
(SCOPEL et al., 2018):
Uso como túmulo sepulcral.
Local para rituais místicos.
Culto aos deuses.
Locais para sacrifícios.
Essas atribuições partem dos objetos encontrados dentro
desses dólmens, tais como esqueletos, cerâmicas e armas.
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Figura 5 | Dólmen. Fonte: Scopel et al. (2018, p. 42).
Antas
Com uma conformação semelhante aos dólmens, as antas,
também conhecidas como túmulos de corredor, são
monumentos funerários megalíticos compostos por uma
grande câmara de pedra e um corredor de acesso. Eles
foram usados como túmulos coletivos e poderiam conter os
restos mortais de várias pessoas.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
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Estudante, você está convidado a ler o capítulo 1, “As origens
da arquitetura”, do livro Introdução à história da arquitetura:
das origens ao século XXI.
Você poderá entender melhor como os pesquisadores e cri
´ticos opinam sobre a real origem e a essência da
arquitetura. São análises e criações de pensamentos a partir
dos menires, das cavernas ou das cabanas, entendidos como
os símbolos físicos da arte, do abrigo e da racionalidade
construída.
Referências
Referências
BARROSO, P. F.; NOGUEIRA, H. S. História da arte. Porto
Alegre: Sagah, 2018.
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577806645/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577806645/
FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. 2. ed. Porto
Alegre: Bookman, 2014.
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A história da
arquitetura mundial. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011.
GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC,
2019.
PEREIRA, J. R. A. Introdução à história da arquitetura: das
origens ao século XXI. Porto Alegre: Bookman, 2010.
SCOPEL, V. G. et al. Teoria e História da Arquitetura e
Urbanismo I. Porto Alegre: Sagah, 2018.
Aula 3
Revolução Urbana e Primeiras Civilizações
Revolução urbana e primeiras civilizações
Disciplina
HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Revolução urbana e
primeiras civilizações
Estudante, você verá em nosso vídeo uma síntese dos
principais fatores que determinaram a formação inicial dos
aglomerados urbanos. Veremos que o sedentarismo com
domínio da agricultura e pastoreio, a estratificação da
sociedade e as trocas comercias, em sintonia com o
processo de intelectualização gerada com as descobertas
das ciências e a escrita, determinaram um processo de
instauração do Estado. Você aprenderá também algumas
particularidades das chamadas “novas” cidades que se
desenvolveram no Oriente Médio.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Esse conteúdo irá fornecer uma grande base de
entendimento para iniciar os estudos sobre o início das
cidades e da civilização como a conhecemos.
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante! Você conhecerá nesta aula o surgimento das
primeiras civilizações e a formação dos primeiros
assentamentos urbanos.  Desde os primórdios da civilização,
as cidades apresentam funções, formas e características que
se diferenciam e estão de acordo com a estrutura
organizacional de sua população, a organização política de
cada sociedade e suas atividades econômicas e comerciais.
Nesse sentido, você irá compreender o processo de
revolução urbana e as principais transformações sociais,
culturais e econômicas que demarcaram o surgimento das
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
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primeiras cidades no atual Oriente Médio, na chamada
região do Crescente Fértil.
Quais foram as primeiras principais cidades existentes e
quais as suas características?
Vamos juntosdescobrir. Bons estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Foi nos períodos do Paleolítico e Neolítico que o ser humano
construiu seus primeiros abrigos e aldeias. Essas primeiras
configurações de agrupamentos, ainda que empíricas se
comparadas às cidades que se desenvolveram até a nossa
atualidade, guardavam um princípio de organização.
A manifestação de conglomerados urbanos é considerada
um fato de extrema importância geográfica, histórica e
social. No início da sociedade primitiva, não se
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
desenvolveram cidades, apenas aldeias rurais que eram
chamadas de “protocidades”, as quais não eram fixas e
mudavam de local conforme a exaustão do solo. (SCOPEL
et al., 2018, p. 50)
“Os primeiros assentamentos urbanos já existiam 12 mil
anos antes de Cristo e surgiram à medida que a humanidade
sentiu a necessidade de se fixar em áreas específicas para
garantir o desenvolvimento da caça, pesca e colheita”
(SCOPEL et al., 2018, p. 49).
Foi justamente a revolução agrícola que possibilitou o
surgimento das primeiras cidades no Oriente Médio, nas
margens de rios emblemáticos, tais como Nilo (Egito), Jordão
(Israel/Palestina), Tigre e Eufrates (Mesopotâmia, atual
Iraque), em uma região que ficou conhecida como Crescente
Fértil.
As aldeias neolíticas se transformaram em cidades com o
passar do tempo. Em outras palavras, a cidade nasceu da
aldeia. Contudo, não foi simplesmente uma aldeia que
cresceu linearmente. As cidades se desenvolveram com a
especialização das funções, quando as atividades produtivas
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
e de serviços não eram realizadas pelas pessoas que
cultivavam a terra, mas por outras que adquiriram essa
obrigação. Com isso, se consolidaram relações mais
complexas, pois o crescimento da atividade agrícola utilizou
serviços e instrumentos de outras áreas para sua expansão,
ao mesmo tempo que abastecia os trabalhadores de outras
áreas com seu excedente (BENEVOLO, 2011).
Complementando, Mumford (2008) acredita que a
urbanização das áreas é tão antiga quanto as próprias
civilizações. Ele constata que os primeiros aglomerados
urbanos permanentes começaram a aparecer a partir da
estabilização dos grupos nas áreas escolhidas para a
domesticação dos animais e a agricultura — cujo cultivo,
desde 12.000 a 10.000 a.C., promoveu o desenvolvimento e o
crescimento desses assentamentos.
Um fator determinante para essa transformação urbana foi
a produção em quantidade, uma vez que refletiu a
consolidação da divisão do trabalho e a conquista de novos
territórios. Benevolo (2011) elucida que foi na cidade que se
distribuiu o excedente, com uma evolução bem maior do
que sucedia no campo, ainda que ali se desse tal produção.
No meio rural, as transformações eram mais lentas. Nesse
contexto, categorizaram-se as funções do homem nas
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
sociedades, como: sacerdotes, agricultores, ferreiros,
comerciantes, pescadores, escribas, entre outros. Mais
adiante no tempo, foi essa classificação que definiu uma
estratificação social e exigiu do Estado organização e criação
de leis.
“O aprimoramento dos saberes técnicos, por volta de 3500
a.C., consolidou o comércio e o artesanato. A metalurgia –
domínio do manuseio do bronze - aos poucos substituiu a
pedra como matéria-prima para a fabricação de artefatos
cotidianos” (OLIVEIRA, 2016, p. 66).
Aquino (2008) complementa que a invenção da roda originou
novos meios de transporte, como veículos com rodas
puxados por animais, que permitiu o deslocamento de
matérias-primas, produtos agrícolas e artefatos entre áreas
distantes, estimulando a atividade de troca do excedente.
Foram basicamente essas invenções que consolidaram uma
nova economia urbana, somando-se ainda o
desenvolvimento da escrita, dos sistemas de contagem e
parâmetros de medida, além de um calendário aperfeiçoado.
Desde os primórdios das civilizações, a organização da
sociedade está diretamente ligada à composição espacial da
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
cidade. A partir de sua cultura e seus costumes, cada
povoado conformou a sua vila ou comunidade e influenciou
o ordenamento de tal conglomerado.
Conforme destaca Benevolo (2011), os primeiros
assentamentos surgiram em um contexto no qual existiam
boas condições de terreno, sendo eles próximos aos
recursos hídricos, pois favorecia a produção e a consequente
fixação das comunidades em uma área específica com o
intuito de se desenvolver.
Fazio, Moffett e Wodehouse (2011) elucidam que os
primeiros assentamentos urbanos surgiram a partir de um
pequeno núcleo familiar composto de um número suficiente
de pessoas que pudessem se ajudar nas atividades de coleta
de alimentos e caça, bem como se proteger contra os
inimigos. A área do atual Oriente Médio, especificamente na
então região do Crescente Fértil, foi o berço dos primeiros
núcleos urbanos e das primeiras civilizações da história
antiga, em que se destacaram os povos sumérios, egípcios,
hebreus, persas e fenícios. Na Mesopotâmia, destacam-se as
cidades de Ur e Uruk.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Os sumérios constituem um dos povos mais antigos.
Viveram na região da antiga Mesopotâmia, na beira dos
rios Tigre e Eufrates, em terras hoje ocupadas pelo Irã e
Iraque. Foram os primeiros a criar as cidades-estados e as
cidades-templos - comunidades urbanas independentes.
Desenvolveram a escrita por volta de 3500 a.C. (OLIVEIRA,
2016, p. 69)
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O surgimento dos primeiros núcleos urbanos e do sistema
de trocas marca um momento crucial na evolução da
sociedade humana. Isso ocorreu ao longo de um período de
milhares de anos e foi resultado de diversos fatores,
incluindo mudanças econômicas, sociais, ambientais e
tecnológicas. Partindo do sedentarismo e da revolução
agrícola, com a distribuição do excedente, assim como a
divisão do trabalho nas comunidades, surgiu um novo
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
método de comércio: o sistema de trocas. O crescimento das
comunidades demandou a necessidade de trocar bens e
serviços, e foi assim que o comércio desempenhou um papel
crucial na expansão das redes comerciais, possibilitando que
as sociedades obtivessem recursos e produtos que não
podiam ser obtidos localmente. Isso também estimulou a
urbanização, uma vez que as cidades frequentemente se
tornavam centros de comércio.
Inicialmente, as trocas eram feitas por meio de sistemas de
troca direta, como a troca de mercadorias, conhecida como
escambo. No entanto, com o passar do tempo, foram
desenvolvidos os primeiros sistemas monetários, com a
criação de moedas de metal, que simplificaram as
transações comerciais e facilitaram o comércio a longa
distância.
Para sintetizar, Childe (1996) esclarece que foram
necessárias as seguintes características para que se
configurasse a revolução urbana:
Concentração de grandes povoados e ocupação
significativa das cidades.
Especialização e divisão do trabalho.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Produção de excedente agrícola suficiente para
abastecer as cidades.
Edificação de prédios públicos monumentais.
Instauração de uma elite governante, inicialmente com
sacerdotes.
Desenvolvimento da escrita.
Surgimento das ciências exatas (aritmética, geometria,
astronomia) e de um calendário.
Desenvolvimento de estilos artísticos sofisticados.
Protagonismo de um comércio regular de longa
distância.
Criação dos Estados.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
O surgimento dos primeiros núcleos urbanos e do sistema
de trocas marcou uma transição fundamental na história da
humanidade, à medida que as sociedades evoluíram de
comunidades nômades e dispersas para assentamentos
urbanos mais permanentes e complexos. Esse processo
continuou a se desenvolver ao longo dos milênios, dando
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HISTÓRIA E TEORIADA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
origem às civilizações antigas e, eventualmente, à sociedade
moderna.
O processo de transformação conhecido como revolução
urbana teve início no Oriente Médio, às margens dos rios
Nilo, Jordão, Tigre e Eufrates, em uma região que ficou
conhecida como Crescente Fértil. A revolução agrícola
possibilitou o surgimento das primeiras cidades, nas
margens desses importantes rios. Foi nessa região que
surgiram as primeiras cidades-estados muradas, com ruas,
casas, prédios públicos, templos e palácios, o que refletia
uma intervenção significativa do ser humano sobre o meio.
Pela autonomia política, eram independentes e ficaram
conhecidas como cidades-estados. As cidades-estados
também eram cidades-templos, pois cada uma tinha seu
próprio Deus local, um intermediário entre deus-rei e a
humanidade. Acreditavam que os deuses fundaram as
cidades como locais de cultos. (OLIVEIRA, 2016, p. 73)
Benevolo (2011) ressalta que essa organização deixou sinais
na estruturação urbana: os canais de distribuição de água,
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HISTÓRIA E TEORIA DA
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PAISAGISMO
os muros circundantes que tinham a função de defesa, os
armazéns com seus tabletes de escrita cuneiforme para
registro de informações, os templos dos deuses, além das
casas das pessoas comuns.
As cidades-estados de Eridu, Lagash, Nippur, Ur e Uruk
guerrearam intensamente por disputas comerciais e
políticas. Benevolo (2011) ressalta que essas cidades
sumerianas do início do II milênio a.C. já eram grandes e
abrigavam milhares de habitantes.
A cidade de Eridu é uma das mais antigas de que se tem
registro, e seus remanescentes arqueológicos remetem a
ideia de foi fundada próximo ao rio Eufrates. Era constituída
por um santuário com altar de tijolo, defronte um nicho
localizado na muralha, provavelmente construído para
abrigar uma estátua. Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p.
36) descrevem que “os muros – de forma trapezoidal –
configuravam uma sala de altar retangular com câmaras
laterais menores”.
Oliveira (2016) descreve que, na cidade de Lagash, o campo
foi repartido entre vinte divindades. Uma delas, Bau, tinha
cerca de 3250 hectares, dos quais três quartos foram
atribuídos em lotes às famílias e o restante era cultivado por
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HISTÓRIA E TEORIA DA
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PAISAGISMO
assalariados, arrendatários ou por trabalho gratuito dos
camponeses.
Segundo Benevolo (2011, p. 27), trabalhavam em Bau
“padeiros auxiliados por 27 escravas, 25 cervejeiros com 6
escravos, 40 mulheres encarregadas do preparo de lã,
fiandeiras, tecelãs, um ferreiro, além dos funcionários, dos
escribas e dos sacerdotes”.
Ur foi uma das mais importantes cidades-estados da
Mesopotâmia. Segundo Benevolo (2011), ela tinha cerca de
100 hectares, sendo circundada por muros e um fosso, com
a função de defesa e separação do ambiente aberto e
externo. O ser humano também interviu no campo com a
construção de uma paisagem artificial, que era composta por
pastagens e plantações cortadas por canais de irrigação. A
cidade era constituída por casas comuns construídas em
adobe, armazéns, lojas e santuários (zigurates). O terreno da
cidade era dividido em propriedades individuais, enquanto o
campo era administrado pelas divindades. Fazio, Moffett e
Wodehouse (2011, p. 38) destacam que “a área residencial
possuía um ‘arranjo labiríntico’ que contrastava com os
amplos espaços abertos do centro administrativo e
cerimonial”.
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PAISAGISMO
“O Zigurate Tribunal de Nana, Ganunmah, Giparu, Ehursag,
Mausoléu de Shulgi, túmulos reais e Dublamah constituem
um recinto sagrado delimitado por um muro. A parte
residencial situa-se fora desse recinto” (OLIVEIRA, 2016, p.
75).
Outras duas cidades fundadas pelos sumérios foram Uruk e
Nipuur, próximo ao rio Eufrates. Uruk conectava-se ao antigo
canal Nil e Nippur, ao canal Quebar. Em Nippur, situava-se o
templo de Enlil, e em Uruk, o Templo Branco.
O Templo Branco representa um zigurate mais simples,
construído sobre uma base estruturada a partir dos restos
das edificações que ocupavam anteriormente o terreno.
Saiba mais
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Estudante, você está convidado a ler no capítulo 1, “A Pré-
História e a Revolução Neolítica”, do livro História antiga. 
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Atente para os fatos descritos, que determinaram a
transformação das aldeias neolíticas em conformações
urbanas. Você poderá entender melhor sobre:
Os processos de sedentarização à emergência da
agricultura neolítica.
Os aspectos sobre a domesticação de animais e a
pecuária neolítica.
Origem e formação dos assentamentos urbanos.
Lembre-se de que, para acessar essa obra, você deve estar
logado no sistema da nossa Biblioteca Virtual.
Referências
Referências
AQUINO, R. S. L. et al. História das sociedades: das
comunidades primitivas às sociedades medievais. Rio de
Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2008.
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
BENEVOLO, L. História da cidade. São Paulo: Perspectiva,
2011.
CHILDE, V. G. A evolução cultural do homem. Rio de Janeiro:
Zahar, 1996.
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A história da
arquitetura mundial. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011.
MUMFORD, L. A Cidade na História: suas origens,
transformações e perspectivas. 5. ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2008.
OLIVEIRA, M. R. S. História e teoria da arquitetura, urbanismo
e paisagismo I. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional
S. A., 2016.
SCOPEL, V. G. et al. Teoria e História da Arquitetura e
Urbanismo I. Porto Alegre: Sagah, 2018.
Aula 4
Civilizações Hidráulicas e o Egito Antigo
Civilizações hidráulicas e o Egito Antigo
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Civilizações hidráulicas e o
Egito Antigo
Estudante, você verá neste vídeo uma breve síntese das duas
civilizações dos primórdios da humanidade: Mesopotâmia e
Egito. Inicialmente, irá entender como os sumérios
destacaram-se na região mesopotâmica e o seu principal
legado para a posteridade. Entenderá melhor como era o
processo de controle das águas na região por esses povos,
chamada de civilização hidráulica. Ao final, relembrará as
principais contribuições dos egípcios na arquitetura.
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PAISAGISMO
Esse conteúdo será bastante relevante para que você
conhece as primeiras manifestações arquitetônica da
humanidade.
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante! Você verá em nossa aula que a maior
distinção entre o mundo pré-histórico e as eras históricas
fundamentam-se no surgimento da linguagem escrita,
desenvolvida por volta de 3500 a.C. pelos sumérios, no
Oriente Médio. Nos atuais países Iraque e Irã, nas terras
férteis de outrora, entre o rio Eufrates e o rio Tigre, surgiram
as primeiras civilizações que se organizaram em
comunidades urbanas, chamadas de cidades-estado.
Conhecerá as contribuições dos povos da Mesopotâmia para
o progresso da humanidade e consequentemente para a
arquitetura e urbanismo. Complementando seus estudos,
verá também a significativa participação do povo egípcio
com suas emblemáticas obras arquitetônicas.
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Observe durante esta aula as grandes manifestações
arquitetônicas que ocorreram nessa época e identifique
alguns dos exemplares mais significativos da arquitetura
mesopotâmica e egípcia.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
A civilização mesopotâmica desenvolveu-se no Oriente
Médio, banhada pelas águas do rio Eufrates e rio Tigre,
aproximadamente entre 4000 a.C. e 500 a.C., em terras que
hoje são ocupadas pelo Irãe Iraque (OLIVEIRA, 2016).
“Apesar dos conflitos atuais no Oriente Médio, é provável
que nenhuma cultura pareça mais distante para o estudante
atual de história da arquitetura do que a da antiga
Mesopotâmia” (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2016, p. 34).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011), as culturas
mesopotâmicas progrediram de maneira muito significativa
através da exploração dos rios da região. Juntamente com o
Egito, são conhecidas como as civilizações hidráulicas. O fato
é que, além de controlá-los ao máximo, esses povos
partiram dos rios para construir elaborados canais de
irrigação que resultaram em uma paisagem muito fértil,
quase que paradisíaca. Foi assim que cultivaram plantações
tão abundantes, as quais possibilitaram o armazenamento
dos grãos excedentes em uma escala jamais vista. Isso
desencadeou a possibilidade de criar suprimentos de
comida, com uma produção relativamente estável e
abundante, fazendo surgir as grandes populações urbanas e
a revolução urbanística.
“Os especialistas mesopotâmicos incluíam, além de
sacerdotes e mercadores, artesãos, artistas e arquitetos
capazes de produzir belos objetos, expressar a visão de
mundo de sua cultura e tentar conectar a humanidade com
o cosmos” (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 34).
A composição da civilização da Mesopotâmia se deu com
diversos povos: sumérios, acádios, amoritas (antigos
babilônios), assírios e caldeus (novos babilônios). Foram os
sumérios que fundaram a primeira civilização mesopotâmica
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HISTÓRIA E TEORIA DA
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na região da Suméria, próximo à confluência dos rios Tigre e
Eufrates.
Uma característica da sua arquitetura era as paredes
construídas sobre alicerces com uma profundidade reduzida,
devido à ausência de pedra na região, como ressaltaram
Goitia et al. (1995): a pedra era um artigo de luxo, com
utilização em esculturas independentes ou então
acrescentada às decorações arquitetônicas. Uma tipologia
arquitetônica marcante foi o zigurate, uma espécie de
templo urbano elevado sobre uma colina artificial
escalonada. Na
Figura 1, você pode ver o zigurate conservado atualmente,
que foi construído para aproximar o templo aos deuses. Seu
núcleo é de tijolo seco sob o sol (adobe), revestido por uma
camada externa de tijolos cozidos e betume, que servia
como proteção contra a ação do clima (FAZIO; MOFFETT;
WODEHOUSE, 2011).
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HISTÓRIA E TEORIA DA
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PAISAGISMO
Figura 1 | Zigurate de Ur, Mesopotâmia (Iraque),
aproximadamente 2100 a.C. Fonte: Fazio, Moffett e
Wodehouse (2011, p. 37).
“As comunidades urbanas surgiram ao redor de santuários,
isto é, as moradias dos deuses e os depósitos de alimentos
excedentes, o que resultou na criação de conjuntos de
templos monumentais nos núcleos das cidades sumérias”
(FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 36).
Outro povo com relevante destaque de que se tem registro
nesse período foram os egípcios. Semelhante ao
mesopotâmicos, os antigos egípcios produziram uma
arquitetura emblemática, difundindo seus valores culturais e
muito mais diversificada do que se possa julgar,
considerando o intelecto e a tecnologia da época.
O rio Nilo influenciou diretamente no desenvolvimento do
Egito, e a cultura que nasceu a partir de suas margens foi
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PAISAGISMO
predominantemente agrícola, criando um contraste com os
conglomerados urbanos da turbulenta Mesopotâmia. A vida
egípcia se organizou fundamentalmente em torno da
inundação anual do rio Nilo, e o ritmo cíclico das estações
gerou uma civilização que permaneceu incrivelmente estável
por vários séculos (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
A arquitetura egípcia é muito bem representada pela
mastaba, a esfinge, a pirâmide e o templo.
Civilizações hidráulicas
As chamadas civilizações hidráulicas foram sociedades
antigas que desenvolveram sistemas de gestão da água
altamente complexos. Pela sua localização geográfica e
características climáticas, eram dependentes da água para a
sua sobrevivência e prosperidade. Justamente em virtude
disso, os povos mesopotâmicos e egípcios caracterizaram-se
pela manipulação e pelo controle das águas, tanto para o
abastecimento de água potável quanto para uso na
agricultura, irrigação e outras atividades.
Vejamos exemplos de civilizações hidráulicas e suas
peculiaridades:
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ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
Civilização do Vale do Rio Nilo: o Egito é um dos
exemplos mais notáveis de uma civilização hidráulica. A
vida no Antigo Egito era completamente dependente do
Rio Nilo, que inundava regularmente suas margens,
depositando sedimentos férteis e permitindo a prática
da agricultura.
Civilização mesopotâmica: as antigas civilizações da
Mesopotâmia, que se desenvolveram entre os rios Tigre
e Eufrates (atual Iraque), desenvolveram sistemas de
irrigação complexos para tornar a região fértil e
produtiva.
A verdade é que essas civilizações foram capazes de alcançar
um alto grau de desenvolvimento social, cultural e
econômico, em parte devido à sua capacidade de controlar e
gerenciar a água de forma eficaz. Essa gestão da água
desempenhou um papel crucial na habilidade de produzir
alimentos em grande quantidade, bem como no
desenvolvimento de sociedades complexas, cidades e
sistemas de escrita.
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Povos mesopotâmicos
A cultura suméria marcou um grande avanço para a
civilização humana. Nasceram centros urbanos como
Nippur, Ur, Uruk, e Lagash, e uma organização de leis e
governo foi criada para controlar um sofisticado sistema de
irrigação que viabilizava a produção agrícola.
Os acadianos dominaram as cidades da Suméria por volta de
2500 a.C. e eram identificados como “guerreiros de arco e
flecha”. Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011), o povo
acádio era violento, governado por um rei militar, e não
somente por sacerdotes. Ademais, tinham um espírito
guerreiro e eram mais ágeis e velozes que as tropas
sumerianas. Comandados por Sargão I, os acádios fundaram
o primeiro Império Mesopotâmico, que se expandiu do golfo
Pérsico até as regiões de Amorru e Assíria.
Em 2150 a.C., o Império Acadiano sofreu a invasão dos gutis
– tribos oriundas das regiões montanhosas do Irã, contudo,
segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011), essa influência
militar decaiu e possibilitou que alianças políticas
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sumerianas surgissem e conduzissem o renascimento
sumeriano. Essa época foi caracterizada pela presença de
templos urbanos, principalmente os localizados sobre
plataformas artificiais escalonadas, chamados zigurates
Oliveira (2016) destaca que os zigurates seriam uma maneira
de aproximar o templo dos deuses, em uma clara ideia de
que esses deuses viessem dos céus para assegurar a
prosperidade das comunidades. O fato é que essa altura
elevada assegurava os templos contra enchentes,
oferecendo destaque visual no contexto da paisagem.
Aproximadamente em 1.800 a.C., a Mesopotâmia foi
dominada pela dinastia Amorita, da cidade-estado da
Babilônia, cujo rei mais célebre foi Hamurabi (1728-1686
a.C.). Após a morte de Hamurabi, o Império Babilônico
entrou em decadência e foi invadido por vários povos, como
hititas e cassitas. Durante mais ou menos quatro séculos, os
cassitas dominaram a região, até serem dominados pelos
assírios.
Os assírios fizeram grandes conquistas e construíram um
dos maiores impérios da antiguidade. Sua cidade era
delimitada por uma muralha, com geometria ortogonal que
separava as edificações das pessoas comuns do palácio. O
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palácio, também protegido por muralhas, era articulado por
uma série de pátios, cercados por cômodos retangulares
(Figura 2).
Figura 2 | Reconstrução do palácio, Khorsabad, Assíria
(Iraque), cerca de720 a.C. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse
(2011, p. 39).
Fazio, Moffett e Wodehouse (2011) relatam que o palácio
possuía cerca de 100.000 m², estando implantado em um
platô de 15 m acima do nível do solo. Possuía também um
zigurate com sua base quadrangular com uma medida
aproximada de 43 m.
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Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Agora, vamos ver alguns dos exemplares mais significativos
da arquitetura mesopotâmica e egípcia.
Zigurate
Com uma base no formato retangular, essa tipologia era
erigida com muros inclinados para seu interior, com uma
série de plataformas que se sucediam, finalizando em um
templo no topo. Sua escadaria central dava o acesso para o
templo.
A Figura 3 mostra uma reconstrução do zigurate de Ur,
Mesopotâmia (Iraque), cerca de 2100 a.C., com alguns dos
seus detalhes originais já inexistentes atualmente, incluindo
painéis recuados definidos por faixas de pilastras e
parapeitos. (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
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Figura 3 | Reconstrução do zigurate de Ur, Mesopotâmia
(Iraque), cerca de 2100 a.C. Fonte: Fazio, Moffett e
Wodehouse (2011, p. 37).
Mastabas
Foram os primeiros túmulos egípcios, construídos como
moradias eternas para pessoas falecidas e, muito
provavelmente, tomavam por analogia as residências dos
vivos.
As habitações comuns eram feitas de junco, sapé e madeira
– materiais totalmente inadequados para uma residência
permanente; por isso, os construtores das mastabas usaram
tijolos para obter uma durabilidade maior e, ao mesmo
tempo, preservar os detalhes característicos dos feixes de
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junco e suportes de madeira convencionais (FAZIO;
MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
A mastaba básica (Figura 4) era uma edificação em forma de
bloco apoiada no solo, contendo uma sala pequena para
oferendas e outra câmara para o corpo e a estátua do
falecido.
Figura 4 | Desenho de mastabas. Fonte: Fazio, Moffett e
Wodehouse (2011, p. 41).
Pirâmides
“À medida que o ritual religioso evoluiu e conferiu maior
importância ao faraó, a mastaba ampliou-se
significativamente, sendo empilhadas uma sobre as outras, o
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que resultou na produção das pirâmides” (OLIVEIRA, 2016, p.
100).
O arquiteto real Imhotep projetou a primeira pirâmide em
degraus para o complexo funerário do faraó Djoser, em
Saqqara. Com uma estrutura de seis mastabas que se
sobrepunham, essa pirâmide de degraus é a evidência mais
antiga do uso da pedra como material de construção em
arquitetura de grande porte (Figura 5).
Figura 5 | A pirâmide escalonada de Saqqara, Egito, cerca de
2630 a.C. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 43).
As pirâmides mais famosas do Egito pertencem ao complexo
de Gisé, construído como túmulos reais por três faraós
descendentes de Seneferu durante a quarta dinastia. O
complexo é formado por três pirâmides: Miquerinos,
Quéfren e Quéops. A implantação das pirâmides de Gisé
alinha-se em um eixo praticamente na diagonal. Tanto os
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templos quanto os caminhos orientam-se na direção do Nilo
(Figura 6).
A maior pirâmide, a de Quéops, [...] foi construída
primeiro e planejada desde o início para ser uma
pirâmide verdadeira, com proporções sem precedentes. A
base de 230,1 × 230,1 metros ocupa 52.600 m2; e suas
laterais se elevam a um ângulo de 51° 50’ 40” até chegar a
uma altura de 146,6 metros. A maior parte da construção
é de calcário, embora a grande câmara do faraó, no
centro, seja de granito. Em termos de dimensões, nada
construído em pedra, seja antes ou depois, se iguala à
Grande Pirâmide de Quéops (FAZIO; MOFFETT;
WODEHOUSE, 2011, p. 45).
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Figura 6 | Pirâmides, Gisé, Egito, cerca de 2550-2460 a.C.
Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 45).
Associados à cada pirâmide estavam templos de apoio, que
hoje são apenas ruínas. Dentre estes, o de Quéfren
permanece no melhor estado de conservação. Atualmente, o
templo não possui cobertura e está postado exatamente ao
lado da Esfinge, um leão com cabeça de homem com 57 m
de comprimento e 20 m de altura, que foi talhado no local
em uma saliência rochosa natural (Figura 7).
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Figura 7 | Pirâmide de Quéfren e Esfinge, Gisé, Egito, cerca
de 2550-2460 a.C. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011,
p. 47).
Templos
Os templos também foram construções que se destacaram
na arquitetura egípcia. Segundo Cole (2013, p. 20), eles
“explicitavam o poder dos faraós e sua relação com os
deuses – exaltavam imagens de vitória do rei e de sua
devoção”. Para Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 51), a
principal característica era “a extrema opulência e não a
coerência ou a perfeição estética”.
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Um dos exemplos mais importantes é o templo e complexo
funerário da Rainha-Faraó Hatshepsut (1473-1458 a.C.)
(Figura 8).
Figura 8 | Templo mortuário da Rainha-Faraó Hatshepsut,
Deir-el-Bahari, Egito, cerca de 1473-1458 a.C. Fonte: Fazio,
Moffett e Wodehouse (2011, p. 49).
Adotando sistemas de construção simples, mas com domínio
da engenharia e topografia, matemática, insolação, além da
competência para gerir equipes, entre outras expertises, os
egípcios conseguiram construir uma grande civilização.
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Saiba mais
Saiba mais
Estudante, você está convidado a ler o capítulo 2, “A arte
para a eternidade”, do livro A História da Arte.  As
antiquíssimas relíquias encontradas no Egito nos contam o
papel desempenhado pelos egípcios na história da
humanidade. Suas crenças e produção de arte refletem todo
um conjunto de saberes relevantes para o entendimento da
própria produção de arquitetura.
Referências
Referências
COLE, E. (Org). História ilustrada da arquitetura. Trad. Lívia
Chede Almendary. São Paulo: Publifolha, 2013.
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521636670/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521636670/
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A história da
arquitetura mundial. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011.
GOITIA, F. C. et al. História geral da arte. Arquitetura I.
Madrid: Ediciones del Prado, 1995.
OLIVEIRA, M. R. S. História e teoria da arquitetura, urbanismo
e paisagismo I. Londrina : Editora e Distribuidora Educacional
S. A., 2016.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
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Olá, estudante! Boas-vindas ao vídeo em que será tratado
inicialmente do conceito e surgimento da arquitetura,
ressaltando a sua relação direta com a evolução e identidade
das civilizações. Depois, será traçada uma linha cronológica
que vai da idade pré-histórica, passando pela revolução
agrícola e urbana, finalizando em duas grandes civilizações:
Mesopotâmia e Egito.
Esse conteúdo será relevante, pois irá demonstrar a origem
das primeiras civilizações.
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Ponto de Chegada
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/52/5fc43794-db46-55c8-b9e4-9c34c44032f0.pdf
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta
Unidade, que é compreender o contexto histórico em que
foram produzidas as obras e os projetos de arquitetura,
urbanismo e paisagismo, você deverá, primeiramente,
conhecer os conceitos fundamentais da arquitetura, desde o
surgimento das primeiras civilização até o desenvolvimento
das tecnologias do século XX.
A humanidade demorou milhões de anos para evoluir echegar onde estamos hoje, porém, o grande
desenvolvimento e de maior expressão ocorreu após o
surgimento da escrita, devido à possibilidade de registro do
conhecimento adquirido. A escrita também foi responsável
por possibilitar a perpetuação dos conhecimentos e fatos
que ocorreram no passado, criando uma herança para as
futuras gerações.
Mesmo antes da criação da escrita, o ser humano já possuía
uma intenção arquitetônica, com a criação de abrigos
naturais (cavernas) ou construídos (cabana primitiva), mas a
grande evolução ocorreu com a revolução agrícola e com a
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revolução urbana, fazendo com que o ser humano nômade
se tornasse sedentário, vivendo um núcleo urbano com
divisão social e de afazeres.
A geração das primeiras civilização na região da
mesopotâmia deu origem às futuras gerações, buscando
sempre a construção urbana e social de uma comunidade,
proteção de seus habitantes e a geração da economia e do
comércio.
É Hora de Praticar!
É Hora de Praticar!
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Olá, estudante!  Neste momento, você deverá simular uma
situação hipotética profissional para contextualizar a sua
aprendizagem sobre a origem das cidades, sobretudo no
momento em que as civilizações passaram a se organizar em
sociedades com uma hierarquia de funções e com
administrações centralizadas em governos locais próprios.
Partindo de uma época específica, logo após os períodos
Paleolítico e Neolítico, quando o ser humano passou a
construir seus abrigos e aldeias, as primeiras cidades, tal
como são identificadas na atualidade, surgiram no Oriente
Médio, juntamente com as civilizações antigas que ali
viveram e modificaram significativamente o meio para sua
sobrevivência.
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Sempre com o objetivo principal de integrar a teoria com a
prática, considere o seguinte contexto: a central de mídias da
universidade em que você estuda pretende gravar um
documentário com cinco episódios para contar a origem das
civilizações pós-Pré-História, mas de uma forma que seja
atrativa e também informativa.
Um dos episódios irá tratar especificamente das civilizações
do Crescente Fértil, dando especial atenção à conformação
das cidades e abordando aspectos relacionados à
arquitetura.
Para estabelecer uma escolha mais democrática, a pessoa
coordenadora do seu curso lançou um edital interno para
que os professores do curso que estivessem interessados
nesse projeto pudessem se candidatar para criar um roteiro
básico sobre o tema e inserir pequenas participações nos
audiovisuais.
Seu professor de Teoria da Arquitetura e Urbanismo foi
designado para conduzir o projeto e convidou alguns alunos
para auxiliá-lo na formatação de um roteiro inicial, que deve
ser resumido, mas com as principais informações que
pudessem ser debatidas no episódio em questão. Para sua
felicidade, você foi um dos escolhidos para colaborar nesse
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projeto, que certamente servirá como um importante
acréscimo em seu currículo na arquitetura.
Você e mais um colega ficaram responsáveis pela primeira
parte do documentário, que irá abordar como aconteceram
a revolução urbana, a sedentarização da humanidade e as
principais consequências de ordem social, cultural e
econômica, que se sucederam. Também deverá ser descrito
como esse processo influenciou na formação dos primeiros
núcleos urbanos, sobretudo nos povos sumérios e egípcios,
que juntamente com os hebreus e persas deram origem às
primeiras civilizações.
Como você poderia resumir e desenvolver esse roteiro, de
forma a apresentar as principais informações pertinentes
sobre o assunto? 
Reflita
Quais os principais pontos que influenciaram a
sedentarização humana?
Qual a importância dos rios nas sociedades hidráulicas?
Como ocorreu a revolução urbana nesse período?
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Resolução do Estudo de Caso
Seria pertinente iniciar o roteiro com uma descrição, em que
Mesopotâmia e Egito são considerados os berços da história
e da arquitetura ocidentais, pois foram as primeiras
civilizações que se tem registro. Elas progrediram muito
explorando seus rios. Construíram canais de irrigação que
resultaram numa paisagem fértil, onde cultivaram
plantações que permitiram o armazenamento do excedente
e, consequentemente, o surgimento de grandes populações
urbanas.
O Oriente Médio, especificamente a região do Crescente
Fértil, foi o berço dos primeiros núcleos urbanos e das
primeiras civilizações da história antiga. Os povos que se
sucederam na região compreendem: sumérios, egípcios,
hebreus, persas e fenícios.
Contudo, foram os sumérios que constituíram um dos povos
mais antigos e prósperos. Eles viveram na região da antiga
Mesopotâmia, à margem dos rios Tigre e Eufrates, em terras
hoje que são ocupadas pelos países do Irã e Iraque. Foram
os primeiros a criar as cidades-estados e as cidades-templos
– comunidades urbanas independentes.  Também
desenvolveram a escrita por volta de 3500 a.C. Esse povo
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cultuava vários deuses com distintos tipos e níveis de
importância, representados na arte. Na Mesopotâmia,
criaram as cidades de Ur e Uruk. A tipologia mais
representativa na arquitetura foi o zigurate: um santuário
escalonado com um templo elevado.
Já os egípcios se desenvolveram em torno do Rio Nilo, na
região do antigo deserto do Saara. O Vale do Nilo se
transformou numa região fértil a partir do controle das
inundações e também da construção de diques e canais.
Foram os egípcios que com maestria criaram a irrigação,
souberam administrar o excedente de produção e, a partir
dele, extraíram toda a fundamentação da sua cultura. A
história do Egito divide-se em 30 dinastias, que foram
governadas por faraós, que era uma espécie de rei, chefe
militar e líder religioso. Os egípcios criaram a escrita
hieroglífica (formada por desenhos e símbolos) e a demótica
(mais simples, utilizada no cotidiano). Sacerdotes, militares e
escribas (responsáveis pela escrita) também ganharam
importância na sociedade, que era sustentada pelo trabalho
e pelos impostos pagos por camponeses, artesãos e
pequenos comerciantes. Na arquitetura destacam-se as
mastabas, as pirâmides e os templos.
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Portanto, o domínio da agricultura em terras férteis, a
produção de alimentos excedente e o desenvolvimento de
meios técnicos associados à estratificação social e à
organização de uma sociedade em classes, as trocas
comerciais, a especialização dos ofícios e a invenção da
escrita culminaram na formação das primeiras cidades e
civilizações, como um núcleo religioso, político e econômico.
Assimile
Figura 1 | Síntese dos conteúdos abordados durante os
estudos
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Referências
FAZIO, M.; MOFFETT, M. WODEHOUSE, L. A história da
arquitetura mundial. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011.
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