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Imprimir INTRODUÇÃO Olá, estudante! Na primeira parte desta unidade, abordaremos a importância da Terapia Nutricional Enteral e Parenteral para a manutenção e recuperação do estado nutricional dos indivíduos, assim como apresentaremos os principais conceitos e definições associados ao tema. Ao final desta aula, você conhecerá a constituição da Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN) e será capaz de compreender as suas atribuições, destacando-se, especificamente, as funções do nutricionista nesta equipe e a sua relevância no cuidado destinado aos pacientes em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral. Este é o passo inicial para a compreensão dos conceitos gerais em Terapia Nutricional, sendo um dos pilares fundamentais para que você consiga atuar nas mais distintas situações e contextos clínicos, visando à recuperação da saúde e do bem-estar dos pacientes. Aula 1 INTRODUÇÃO À TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL E PARENTERAL Na primeira parte desta unidade, abordaremos a importância da Terapia Nutricional Enteral e Parenteral para a manutenção e recuperação do estado nutricional dos indivíduos, assim como apresentaremos os principais conceitos e definições associados ao tema. 29 minutos CONCEITOS GERAIS DA TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL E PARENTERAL Aula 1 - Introdução à Terapia Nutricional Enteral e Parenteral Aula 2 - Diretrizes e guidelines Aula 3 - Parâmetros de avaliação nutricional em Terapia Nutricional Aula 4 - Requerimentos nutricionais Aula 5 - Revisão da unidade Referências 165 minutos 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&at… 1/35 DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA DA TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL E PARENTERAL E DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL DE TERAPIA NUTRICIONAL A Terapia Nutricional (TN) é o fornecimento de nutrientes enterais ou parenterais em fórmulas, com o objetivo de manter ou restaurar o estado nutricional. Dessa forma, quando os pacientes não conseguem ou não comem o suficiente por via oral para sustentar suas necessidades nutricionais por mais de alguns dias, a TN deve ser considerada parte do plano de cuidados integrados (Mahan; Raymond, 2018). A Terapia Nutricional Enteral (TNE) é compreendida como um conjunto de procedimentos terapêuticos empregados para manutenção ou recuperação do estado nutricional por meio de Nutrição Enteral (NE) (Waitzberg, 2017). De acordo com a Resolução RCD nº 63, de 6 de julho de 2000, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, a NE é definida como: A TNE envolve a administração de fórmulas enterais também por via oral. Isso corre a partir da indicação do uso de Suplemento Nutricional Oral (SNO) (Oliveira et al., 2020; Mahan; Raymond, 2018). Conforme a Portaria nº 29, de 13 de janeiro de 1998, da Anvisa, os SNOs são definidos como “alimentos especialmente formulados ou processados, nos quais se introduzem modificações no conteúdo de nutrientes, adequados à utilização em dietas, diferenciadas e/ou opcionais, atendendo às necessidades de pessoas em condições metabólicas e fisiológicas especiais” (Brasil, 1998, [s. p.]). Já a Terapia Nutricional Parenteral (TNP) é compreendida como um conjunto de procedimentos terapêuticos empregados para manutenção ou recuperação do estado nutricional por meio de Nutrição Parenteral (NP) (Cuppari, 2018; Mahan; Raymond, 2018). De acordo com a Portaria nº 272, de 8 de abril de 1998, da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, a NP é definida como: Figura 1 | Vias de administração de Terapia Nutricional Alimento para fins especiais, com ingestão controlada de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida ou estimada, especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializada ou não, utilizada exclusiva ou parcialmente para substituir ou completar a alimentação oral de pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando à síntese ou à manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas. — (Brasil, 2000, [s. p.]) Solução ou emulsão, composta basicamente de carboidratos, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais, estéril e apirogênica, acondicionada em recipiente de vidro ou plástico, destinada a administração intravenosa em pacientes desnutridos ou não, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas. — (Brasil, 1998, [s. p.]) 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&at… 2/35 Fonte: Waitzberg (2017, p. 554). Para a execução, a supervisão e a avaliação permanentes, em todas as etapas da TNE e TNP, é condição formal e obrigatória a instituição de uma equipe multiprofissional. Por se tratar de procedimento realizado em paciente sob cuidados especiais e para garantir a vigilância constante do seu estado nutricional, a Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN) para TNE e TNP deve ser constituída de, pelo menos, um profissional de cada categoria, com treinamento específico para esta atividade, a saber: médico, nutricionista, enfermeiro, farmacêutico, podendo, ainda, incluir profissionais de outras categorias a critério das unidades de saúde. Soma-se a essa equipe um coordenador técnico-administrativo e um coordenador clínico (responsável técnico) (Brasil, 2000; Brasil, 1998). O nutricionista, apoiado pela EMTN, é o profissional responsável por detectar e detalhar a mudança de comportamento alimentar no indivíduo e adaptar a dieta do paciente à sua nova condição de tolerância e aceitabilidade dos alimentos (Mahan; Raymond, 2018). 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&at… 3/35 DIFERENÇAS ENTRE NUTRIÇÃO ENTERAL E PARENTERAL E ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL DE TERAPIA NUTRICIONAL Por definição, “enteral” significa usar o trato gastrointestinal (TGI). Dessa forma, a NE se refere à nutrição fornecida através do TGI funcionante ou parcialmente funcionante por meio de um cateter, sonda ou estoma que entrega os nutrientes em um ponto distal à cavidade oral com a ponta no estômago ou no intestino delgado (Mahan; Raymond, 2018). A localização de administração dos nutrientes e o tipo de acesso enteral dependem (1) da duração prevista para a alimentação enteral, (2) do grau de risco de aspiração ou deslocamento do tubo, (3) do estado clínico do paciente, (4) da adequação da digestão e absorção e (5) da anatomia do paciente (por exemplo, após ressecção cirúrgica prévia ou em obesidade extrema) (Cuppari, 2018). Figura 2 | Vias de acesso da Terapia Nutricional Enteral Fonte: Cuppari (2018, p. 550). Já NP é o fornecimento de nutrientes intravenosos, ou seja, diretamente na corrente sanguínea por meio de um acesso venoso periférico ou central. A TNP é indicada quando o paciente ou indivíduo é incapaz ou não pode ingerir os nutrientes adequados por via oral ou enteral. Após ser considerado que o paciente necessita de TNP, o clínico deve escolher entre o acesso central e o periférico. O acesso central se refere à colocação da ponta do cateter em uma veia grande e de alto fluxo sanguíneo, como a veia cava superior; essa é a nutrição parenteral central (NPC) ou total (NPT). A nutrição parenteral periférica (NPP) se refere à colocação da ponta do cateter em uma veia pequena, tipicamente na mão ou no antebraço (Cuppari, 2018; Mahan; Raymond, 2018). Figura 3 | Vias de acesso da Terapia Nutricional Parenteral 30/09/2026, 21:57exigidos para a Terapia de Nutrição Enteral. Brasília: Anvisa, [2023]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2000/rdc0063_06_07_2000.html. Acesso em: 24 ago. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 272, de 8 de abril de 1998. Brasília: Secretaria de Vigilância Sanitária, [2023]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs1/1998/prt0272_08_04_1998.html. Acesso em: 24 ago. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 29, de 13 de janeiro de 1998. Brasília: Secretaria de Vigilância Sanitária, [2023]. 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Quadro 1 | Atribuições da EMTN Estabelecer as diretrizes técnico-administrativas que devem nortear as atividades da equipe e suas relações com a instituição. Criar mecanismos para que se desenvolvam as etapas de triagem e vigilância nutricional, em regime hospitalar e domiciliar, sistematizando uma metodologia capaz de identificar pacientes que necessitem de TN a serem encaminhados aos cuidados da EMTN. Atender às solicitações de avaliação do estado nutricional do paciente, indicando, acompanhando e modificando a TN, quando necessário, e em comum acordo com o médico responsável pelo paciente, até que sejam atingidos os critérios de reabilitação nutricional preestabelecidos. Assegurar condições adequadas de indicação, prescrição, preparação, conservação, transporte e administração, controle clínico e laboratorial e avaliação final da TN. Capacitar os profissionais envolvidos, direta ou indiretamente, com a TN, por meio de programas de educação continuada, devidamente registrados. Estabelecer protocolos de avaliação nutricional, indicação, prescrição e acompanhamento da TN. Documentar todos os resultados do controle e da avaliação da TN. Estabelecer revisões internas periódicas a serem realizadas por membros definidos pela equipe para verificar o cumprimento e o registro dos controles e avaliação da TN. Analisar o custo e o benefício no processo de decisão que envolve a indicação, a manutenção ou a suspensão da TNP e TNE. Desenvolver, rever e atualizar regularmente as diretrizes e os procedimentos relativos aos pacientes e aos aspectos operacionais da TN. Fonte: adaptado de Brasil (2000). 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&at… 5/35 Uso da TNE e TNP em diferentes contextos clínicos e importância do nutricionista na EMTN A NE deve ser considerada quando um indivíduo tem um TGI funcional e é incapaz ou não está disposto a consumir nutrientes suficientes para satisfazer ²/3 ou ¾ de suas necessidades estimadas (Mahan; Raymond, 2018). A NP pode ser utilizada como adjuvante à nutrição oral ou NE para satisfazer as necessidades nutricionais, em pacientes que estão ou ficarão desnutridos e que não têm função gastrointestinal suficiente para conseguir restaurar ou manter o estado nutricional ideal. A NP pode ser a única fonte de nutrição para pacientes que perderam a capacidade de absorção de nutrientes pelo intestino (Waitzberg, 2017). Cabe à EMTN envolver e comprometer plenamente o enfermo e os responsáveis no seu tratamento, fazendo- os entender a importância da TN no contexto da assistência global. A colaboração de todos é a chave para o sucesso do tratamento nutricional (Cuppari, 2018; Mahan; Raymond, 2018). Destacam-se as atribuições específicas do nutricionista nesta equipe. Quadro 2 | Atribuições do nutricionista na EMTN Realizar a avaliação do estado nutricional do paciente, utilizando indicadores nutricionais subjetivos e objetivos, com base em protocolo pré-estabelecido, de forma a identificar o risco ou a deficiência nutricional e a evolução de cada paciente, até a alta nutricional estabelecida pela EMTN. Realizar a prescrição dietética com base nas diretrizes estabelecidas na prescrição médica. Formular a NE estabelecendo a sua composição qualitativa e quantitativa, seu fracionamento segundo horários e formas de apresentação. Acompanhar a evolução nutricional do paciente em TN, independente da via de administração, até alta nutricional estabelecida pela EMTN. Adequar a prescrição dietética, em consenso com o médico, com base na evolução nutricional e tolerância digestiva apresentadas pelo paciente. Orientar o paciente, a família ou o responsável legal quanto à preparação e à utilização da NE prescrita para o período após a alta hospitalar. Garantir o registro, claro e preciso, de informações relacionadas à evolução nutricional do paciente. Utilizar técnicas pré-estabelecidas de preparação da NE que assegurem a manutenção das características organolépticas e a garantia microbiológica e bromatológica dentro de padrões recomendados na Diretriz de Boas Práticas de Preparo da Nutrição enteral (BPPNE). Selecionar, adquirir, armazenar e distribuir, criteriosamente, os insumos necessários ao preparo da NE, bem como a NE industrializada. Qualificar fornecedores e assegurar que a entrega dos insumos e NE industrializada seja acompanhada do certificado de análise emitido pelo fabricante. Participar de estudos para o desenvolvimento de novas formulações de NE. Organizar e operacionalizar as áreas e atividades de preparação. 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&at… 6/35 Atender aos requisitos técnicos na manipulação da NE. Participar, promover e registrar as atividades de treinamento operacional e de educação continuada, garantindo a atualização de seus colaboradores, bem como para todos os profissionais envolvidos na preparação da NE. Fazer o registro, que pode ser informatizado, que conste no mínimo: data e hora da manipulação da NE, nome completo e registro do paciente, número sequencial da manipulação, número de doses manipuladas por prescrição, identificação do médico e do manipulador, prazo de validade da NE. Desenvolver e atualizar regularmente as diretrizes e os procedimentos relativos aos aspectos operacionais da preparação da NE. Supervisionar e promover autoinspeção nas rotinas operacionais da preparação da NE. Fonte: adaptado de Brasil (2000). VIDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo, você revisará todo o conteúdo desta unidade, esclarecendo todas as dúvidas sobre os principais conceitos em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral, confirmando todo o aprendizado sobre as condições clínicas em que a Terapia Nutricional deve ser empregada. Além disso, relembrará a importância da formação da Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN) e suas atribuições, destacando-se as atribuições do nutricionista. Saiba mais Sugestões de leitura: 1. Resolução RCD nº 63, de 6 de julho de 2000 (conceitos gerais e atribuições de cada membro da EMTN em TNE). 2. Portaria nº 272, de 8 de abril de 1998 (conceitos gerais e atribuições de cada membro da EMTN em TNP). 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&at… 7/35 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2000/rdc0063_06_07_2000.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2000/rdc0063_06_07_2000.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs1/1998/prt0272_08_04_1998.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs1/1998/prt0272_08_04_1998.html INTRODUÇÃO Nesta segunda aula da unidade, discutiremos as principais resoluções e portarias que regulamentam a Terapia Nutricional Enteral e Parenteral nos serviços de saúde e que apresentam os principais conceitos, definições e especificações em Terapia Nutricional. Além disso, apresentaremos as principais diretrizes que trazem as recomendações que envolvem a conduta necessária para a prática da Terapia Nutricional Enteral e Parenteral, como as diretrizes da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral(BRASPEN), da Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN), da Sociedade Europeia de Nutrição Parenteral e Enteral (ESPEN), da Associação Americana de Diabetes (ADA) e as Diretrizes Canadenses. Dessa forma, com base nesta aula, você estará apto não só para compreender a legislação que rege e institui os requisitos para a terapia nutricional mas também as diretrizes para prescrição e seu acompanhamento. Aula 2 DIRETRIZES E GUIDELINES Nesta segunda aula da unidade, discutiremos as principais resoluções e portarias que regulamentam a Terapia Nutricional Enteral e Parenteral nos serviços de saúde e que apresentam os principais conceitos, definições e especificações em Terapia Nutricional. 27 minutos 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&at… 8/35 DEFINIÇÕES DE RESOLUÇÕES, PORTARIAS E DIRETRIZES Para garantir a regulamentação da Terapia Nutricional (TN) nos serviços de saúde, assim como apresentar os principais conceitos, definições e especificações em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral, existem algumas portarias e resoluções da Agência Nacional de Vigilância Nacional (Anvisa) do Ministério da Saúde (MS). As portarias do MS estabelecem regras e instruções ou tratam da organização e do funcionamento de serviços de saúde. Já as resoluções servem para estabelecer processos regulatórios, práticas e padrões de qualidade para produtos e serviços sob regulamentação da Anvisa (Brasil, 2000; Brasil, 1998). Cronologia das principais resoluções e portarias em Terapia Nutricional Por outro lado, as Diretrizes para a Prática Clínica, de acordo com Field e Lohr (1992), são declarações desenvolvidas sistematicamente para auxiliar os profissionais da saúde nas tomadas de decisões no tratamento clínico de pacientes em situações clínicas específicas. Este importante conceito foi subsequentemente estendido para a área da Nutrição Clínica por Ballesteros y Vidal para a Nutrição Baseada em Evidências, definida como “conjunto de recomendações desenvolvidas de maneira sistemática para ajudar os profissionais de saúde na tomada de decisões sobre qual a melhor intervenção nutricional para resolver um problema clínico específico”. Dessa forma, as diretrizes são importantes para nortear as condutas mais atuais que envolvem a Terapia Nutricional Oral, Enteral e Parenteral, possibilitando uma uniformização das práticas em TN. A ASPEN e ADA são importantes associações americanas que desenvolvem diretrizes clínicas, ou seja, recomendações sistematicamente desenvolvidas, baseadas em evidências/informadas em evidências, que auxiliam e orientam profissionais e pacientes nas decisões sobre cuidados nutricionais apropriados para circunstâncias clínicas específicas, incluindo, entre outros, o papel de modalidades específicas de diagnóstico 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&at… 9/35 e tratamento no manejo nutricional de pacientes. Já os objetivos das diretrizes da ESPEN são estimular a rápida difusão do conhecimento e sua aplicação na área de Nutrição Parenteral e Enteral ou, de forma mais ampla, Nutrição Clínica e Metabolismo. As Diretrizes Canadenses são baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis sobre TN nas mais diversas condições clínicas. Contudo, os guidelines da ADA, ASPEN e Canadenses foram baseados nos princípios e cuidados norte- americanos, enquanto os da ESPEN foram baseados nos princípios e cuidados europeus, o que, algumas vezes, não reflete a realidade nacional. Nesse sentido, a BRASPEN/SBNPE, desde 2009, iniciou o projeto Diretrizes em Terapia Nutricional (DITEN). Todo o projeto foi desenvolvido junto à Associação Médica Brasileira (AMB), após treinamento específico, e o envolvimento de um grande número de renomados especialistas na Nutrição Clínica de todo o Brasil, sendo publicado um volume da série “Projeto Diretrizes” da AMB, dedicado exclusivamente à Nutrição Clínica. Entretanto, como a ciência evolui rapidamente e, frequentemente, conceitos válidos há poucos anos mudam e precisam ser revistos, fez-se necessário que as diretrizes fossem revistas. A atual equipe da BRASPEN tem investido nessas atualizações (BRASPEN, 2018). 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 10/35 PRINCIPAIS RESOLUÇÕES, PORTARIAS E DIRETRIZES EM TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL E PARENTERAL A RDC nº 63, de 2000 e, mais recentemente, a RDC nº 503, de 2021, são as principais resoluções da Anvisa para sanar dúvidas em Terapia Nutricional Enteral (TNE). Essas RDCs esclarecem as condições gerais que as unidades hospitalares (UH) e as empresas produtoras de bens e serviços em terapia nutricional (EPBS) devem cumprir para proporcionar uma TNE de qualidade (Brasil, 2021; Brasil, 2000). Em relação à Terapia Nutricional Parenteral (TNP), existe a Portaria nº 272, de 1998, do MS, que apresenta as principais especificações e procedimentos sobre o assunto. Quadro 1 | Objetivos das principais resoluções e portarias em Terapia Nutricional Portaria ou resolução Objetivo Portaria nº 29 (1998) Aprovar o regulamento técnico referente a alimentos para fins especiais. Portaria nº 272 (1998) Aprovar o regulamento técnico para fixar os requisitos mínimos exigidos para a terapia de nutrição parenteral. Portaria nº 337 (1999) Aprovar o regulamento técnico para fixar os requisitos mínimos exigidos para a terapia de nutrição enteral. RDC nº 63 (2000) Aprovar o regulamento técnico para fixar os requisitos mínimos exigidos para a terapia de nutrição enteral. RDC nº 503 (2021) Aprovar o regulamento técnico para fixar os requisitos mínimos exigidos para a terapia de nutrição enteral. Fonte: elaborado pela autora. Quanto às diretrizes em TN, em 2018, foram publicadas as atualizações de duas importantes diretrizes brasileiras: Diretriz Brasileira de Terapia Nutricional no Paciente Grave e Diretriz Brasileira de Terapia Nutricional Domiciliar. Em 2019, foram lançadas as Diretrizes BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente com Câncer no Envelhecimento e BRASPEN recomenda: Indicadores de Qualidade em Terapia Nutricional. Nos últimos três anos, foram publicadas as Diretrizes BRASPEN de Terapia Nutricional no Diabetes Mellitus (2020), de Enfermagem em Terapia Nutricional Oral, Enteral e Parenteral (2021), de Terapia Nutricional no Paciente com Doença Renal (2021) e, por fim, de Terapia Nutricional nas Doenças Neurodegenerativas (2022). A ASPEN e a ESPEN publicaram, no início dos anos 2000, as suas primeiras diretrizes de cuidados nutricionais na prática clínica. Foi um importante avanço para a padronização da TN em todo o mundo, e continuam servindo de guia para toda a comunidade nutricional internacional (BRASPEN, 2018). Quadro 2 | Algumas diretrizes atuais (2020-2022) em TN da ASPEN e ESPEN ASPEN ESPEN Nutrition Support in Head and Neck Cancer ESPEN practical guideline: Home enteral nutrition 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 11/35 Adult Guidelines for Nutrition Support in Enhanced Recovery After Surgery ESPEN guideline on hospital nutrition Parenteral Nutrition in Neonates ESPEN guideline: Clinical nutrition in surgery Nutrition Support in Pediatric Intestinal Failure ESPEN practical guideline: Clinical nutrition in chronic intestinal failure Nutrition Support in Pediatric CriticallyIll Patient ESPEN practical guideline: Clinical Nutrition in cancer ASPEN Guidelines: The Validity of Body Composition Assessment in Clinical Populations ESPEN guideline on clinical nutrition in hospitalized patients with acute or chronic kidney disease ASPEN Guidelines for the Selection and Care of Central Venous Access Devices for Adult Home Parenteral Nutrition Administration ESPEN guideline on home parenteral nutrition Fonte: elaborado pela autora. Há, ainda, alguns importantes guidelines, como o canadense para pacientes críticos, Canadian clinical practice guidelines for nutrition support in mechanically ventilated, critically ill adult patients (2003), cuja última atualização foi em 2015. A ADA também apresenta guidelines de destaque, como o de manejo nutricional da diabetes, atualizado em 2022. ESPECIFICAÇÕES PARA PROCEDIMENTOS EM TNE E TNP CONFORME LEGISLAÇÃO E DIRETRIZES ESPECÍFICAS De acordo com a RDC nº 63 e a Portaria nº 272, para que a TNE e a TNP, respectivamente, sejam realizadas em UH e EPBS, devem cumprir algumas especificações: 1. Possuir licença de funcionamento concedida pelo órgão sanitário competente (devem solicitar o seu cadastramento à autoridade sanitária local). 2. A complexidade da TN exige o comprometimento e a capacitação de uma equipe multiprofissional para garantir a sua eficácia e segurança para os pacientes. A TNE deve abranger obrigatoriamente algumas etapas para garantia de sua qualidade. Etapas da TNE em unidades de saúde 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 12/35 As UH e as EPBS que queiram se habilitar à prática da TNP devem contar com farmácia com essa mesma licença, sujeitas às inspeções sanitárias periódicas. As UH que não possuem as condições previstas podem contratar os serviços de terceiros, devidamente licenciados, para a operacionalização total ou parcial da TNP, devendo, nestes casos, formalizar um contrato por escrito. Todas as etapas descritas a seguir devem atender a procedimentos escritos específicos e serem devidamente registradas, evidenciando as ocorrências na execução dos procedimentos (Brasil, 1998). Etapas da TNP em unidades de saúde Quanto às diretrizes em TN, cabe destacar algumas específicas e focadas nos procedimentos e no controle de qualidade para a Terapia Nutricional Enteral e Parenteral. A BRASPEN recomenda: Indicadores de Qualidade em Terapia Nutricional (2019), e ressalta que, nas últimas décadas, a TN tem demonstrado sua importância, principalmente por contribuir de maneira positiva nos desfechos clínicos de pacientes desnutridos ou em risco de desnutrição. Esse desenvolvimento acompanhou a modernização e incorporação de conceitos de qualidade em saúde. Como a TN deve ser parte integral do tratamento de pacientes graves, desnutridos ou 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 13/35 em risco de desnutrição, ela precisa ser bem instituída, para que apresente os benefícios desejados. No entanto, muitas vezes, os pacientes têm um plano adequado de intervenção nutricional, porém ele não é devidamente implementado. Nesse sentido, existe a necessidade de haver equipes multiprofissionais dedicadas e que exerçam sua atividade profissional dentro dos mais elevados padrões de qualidade na assistência nutricional. Já a Diretriz Brasileira de Terapia Nutricional Domiciliar (2018) e as diretrizes da ESPEN sobre Nutrição Enteral Domiciliar (2022) e Nutrição Parenteral Domiciliar (2020) enfatizam que a Terapia Nutricional Domiciliar (TND) faz parte dos cuidados de assistência à saúde no domicílio e compreende a Terapia Nutricional Enteral Domiciliar (TNED), Terapia Nutricional Parenteral Domiciliar (TNPD) e Suplemento Oral Domiciliar (SOD). Portanto, sua prática é relevante não apenas no auxílio ao paciente mas também à sociedade, uma vez que uma boa prática da TND tem capacidade de reduzir os custos com a saúde, otimizar os leitos hospitalares e promover atendimento mais humanizado. Esta prática deve ser realizada por uma equipe multiprofissional de saúde, sempre que possível, com especialização em TN e assistência domiciliar. VIDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo, você revisará o conteúdo desta aula e relembrará as resoluções e portarias que regulamentam a terapia nutricional enteral e parenteral nos serviços de saúde, destacando-se a Portaria nº 272 e a RDC nº 63. Além disso, confirmará todo o aprendizado sobre as principais diretrizes da BRASPEN, ASPEN, ESPEN, ADA e Canadenses, que são importantes para nortear as condutas mais atuais que envolvem a Terapia Nutricional Oral, Enteral e Parenteral, possibilitando uma uniformização das práticas em TN. Saiba mais Sugestões de leitura: Diretriz Brasileira de Terapia Nutricional no Paciente Grave. Diretriz Brasileira de Terapia Nutricional Domiciliar. BRASPEN recomenda: Indicadores de Qualidade em Terapia Nutricional. ESPEN guideline on home enteral nutrition. Aula 3 PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO NUTRICIONAL EM TERAPIA NUTRICIONAL Abordaremos a importância da campanha “Diga Não à Desnutrição”, uma vez que a desnutrição é uma condição clínica prevalente no ambiente hospitalar, o que aumenta o tempo de internamento, além de gerar readmissão mais frequente e maiores custos em saúde. 32 minutos 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 14/35 http://www.braspen.org/braspen-journal http://www.braspen.org/braspen-journal http://www.braspen.org/braspen-journal https://www.espen.org/guidelines-home/espen-guidelines https://www.espen.org/guidelines-home/espen-guidelines https://www.espen.org/guidelines-home/espen-guidelines INTRODUÇÃO Nesta aula, abordaremos a importância da campanha “Diga Não à Desnutrição”, uma vez que a desnutrição é uma condição clínica prevalente no ambiente hospitalar, o que aumenta o tempo de internamento, além de gerar readmissão mais frequente e maiores custos em saúde. Dessa forma, você entenderá a relevância da realização da triagem nutricional, a partir de diferentes instrumentos, para a identificação de pacientes em risco de desnutrir ou já desnutridos, assim como da aplicação de ferramentas de avaliação do estado nutricional, como a Avaliação Subjetiva Global (ASG) e os Critérios GLIM (Global Leadership Initiative on Malnutrition), sendo que este último visa padronizar o diagnóstico de desnutrição, que é constantemente negligenciado. A partir do conteúdo discutido aqui, você será capaz de identificar pacientes em risco nutricional ou desnutridos, a partir de diferentes ferramentas, que serão beneficiados a partir da implementação da terapia nutricional. DEFINIÇÃO E PREVALÊNCIA DE DESNUTRIÇÃO E PRINCIPAIS FERRAMENTAS DE TRIAGEM E AVALIAÇÃO NUTRICIONAIS A desnutrição é definida como o estado resultante da deficiência de nutrientes que podem causar alterações na composição corporal, funcionalidade e estado mental com prejuízo no desfecho clínico. Esta condição clínica pode ser causada por fatores primários ou secundários, como privação alimentar, doenças, idade avançada, isolados ou combinados (Cederholm et al., 2017). Destaca-se que a desnutrição é um dos principais problemas de saúde pública em países industrializados e emergentes em todo o mundo, altamente prevalente e frequentemente sub-reconhecida e negligenciada. Ela está associada ao aumento da morbidade e mortalidade, ao aumento do tempo de hospitalização, à readmissão mais frequente e a maiores custos em saúde (Toledo etal., 2018; Correia; Perman; Waitzberg, 2017). Prevalência de desnutrição hospitalar 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 15/35 Diante da prevalência importante, surgiram algumas campanhas de combate à desnutrição. A campanha “Diga Não à Desnutrição” é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN), que visa tornar de conhecimento público a prevalência e os problemas causados pela desnutrição hospitalar (Toledo et al., 2018). Objetivos da campanha “Diga Não à Desnutrição”: Tornar público o conceito sobre a desnutrição hospitalar: responsabilidade social. Discutir medidas de implementação da campanha com estratégias sistematizadas. Melhorar o atendimento assistencial prestado ao paciente desnutrido ou em risco. Reduzir as taxas inaceitáveis de desnutrição hospitalar. A identificação precoce da desnutrição, por meio de ferramentas validadas, possibilita estabelecer conduta nutricional mais apropriada e melhora do desfecho nestes pacientes. As principais ferramentas de triagem nutricional são compiladas de várias combinações de registros ou medições de IMC, perda de peso, ingestão de alimentos, gravidade da doença e idade (Toledo et al., 2018). A seleção de um instrumento de triagem nutricional deve considerar a população-alvo, a objetividade e a rapidez de aplicação do método, uma vez que todos os pacientes internados devem ser triados. Para essa tarefa, é necessário contar com equipes interprofissionais de Terapia Nutricional (TN). Dentre as principais ferramentas, destacam-se a NRS 2002 (Nutritional risk screening) e a MST (Malnutrition screening tool), que são amplamente empregadas em enfermarias e, mesmo com certas limitações, podem também ser úteis para pacientes críticos (Kondrup et al., 2003; Ferguson et al., 1999). Figura 3 | Principais ferramentas de Triagem Nutricional Fonte: elaborada pela autora. 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 16/35 Após a triagem nutricional, os pacientes em risco e aqueles com longa permanência hospitalar devem ser submetidos à avaliação nutricional completa para o adequado diagnóstico do seu estado nutricional. A Avaliação Subjetiva Global (ASG) é um exemplo de ferramenta validada e amplamente utilizada em hospitais para diagnóstico da desnutrição, tendo sido desenvolvida em 1987 e, desde então, é empregada com sucesso em diversos grupos de pacientes (Detsky et al., 1987). As duas principais sociedades de TN já propuseram consensos sobre o diagnóstico de desnutrição, mas essas propostas são antagônicas. A Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN) propôs um modelo subjetivo, enquanto a Sociedade Europeia de Nutrição e Metabolismo (ESPEN) sugeriu um modelo objetivo, que é focado no índice de massa corporal (IMC), no índice de massa livre de gordura (IMLG) e na perda ponderal. Tanto o modelo subjetivo (dificuldade de obtenção de dados dependentes de memória) quanto o objetivo (o IMLG ainda não é amplamente utilizado) possuem suas limitações e carecem de resultados relacionados à sua aplicação. Dessa forma, os critérios preconizados pelo grupo GLIM (Global Leadership Initiative on Malnutrition) têm sido recomendados, principalmente devido à ausência de um consenso global para critérios diagnósticos da desnutrição e seus pontos de corte (Cederholm et al., 2019). MÉTODO MNEMÔNICO DA CAMPANHA “DIGA NÃO À DESNUTRIÇÃO” E CARACTERÍSTICAS DAS FERRAMENTAS DE TRIAGEM E AVALIAÇÃO NUTRICIONAIS A desnutrição apresenta como principais complicações: pior resposta imunológica, atraso no processo de cicatrização, risco elevado de complicações cirúrgicas e infecciosas, maior probabilidade de desenvolvimento de lesões por pressão, aumento no tempo de internação e do risco de mortalidade, com consequente considerável aumento dos custos hospitalares (Toledo et al., 2018). A campanha “Diga Não à Desnutrição” surge para reduzir as taxas de desnutrição e suas complicações por meio de uma série de ações, que incluem triagem, diagnóstico, manejo e tratamento da desnutrição. Para facilitar a maneira de difundir estas ações, foi desenvolvido um método mnemônico com a palavra “DESNUTRIÇÃO”, abordando cada letra inicial de forma simples, desde o conceito até o tratamento da desnutrição. Desta forma, o método garante uma integração interdisciplinar, além de averiguar os principais aspectos do cuidado geral do paciente desnutrido (Toledo et al., 2018). Método mnemônico com a palavra “DESNUTRIÇÃO” da campanha “Diga Não à Desnutrição” 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 17/35 O diagnóstico precoce da desnutrição, bem como o adequado “manejo”, é necessário, com o intuito de prevenir o status deficitário ou evitar o agravamento. Para isso, a triagem de risco nutricional é realizada (Toledo et al., 2018). A NRS 2002, desenvolvida por Kondrup et al. (2003) e certificado pela ESPEN como método padrão ouro para identificação de desnutrição ou risco de desenvolvê-la, classifica os pacientes de acordo com a deterioração do estado nutricional e a gravidade da doença. O instrumento leva em consideração cinco critérios: índice de massa corporal (IMC), perda de peso não intencional em um período de um a três meses, redução na ingestão 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 18/35 alimentar, alterações metabólicas e gravidade da doença e idade igual ou superior a 70 anos, sendo considerados os dois últimos critérios como os que mais influenciam na piora do estado nutricional e no aumento do risco de desnutrição (Kondrup et al., 2003). A MST é um instrumento considerado simples e de fácil aplicação, que é baseado apenas na perda de peso e redução do apetite como preditores de risco nutricional (Ferguson et al., 1999). Pontos de corte para risco nutricional A ASG é caracterizada por ser um método essencialmente clínico e subjetivo de avaliação do estado nutricional, capaz de diagnosticar a desnutrição, e possibilita o prognóstico, identificando pacientes que apresentam maior risco de sofrer complicações associadas ao seu estado nutricional. Ela é baseada em seis parâmetros de avaliação referente aos últimos seis meses: alterações no peso; alterações na ingestão alimentar; sintomas gastrointestinais; capacidade funcional física; demanda metabólica e exame físico (incluindo edema) (Detsky et al., 1987). Em 2019, um grupo de trabalho internacional, denominado GLIM, desenvolveu uma nova definição de desnutrição com base em critérios fenotípicos e etiológicos, devendo haver a associação entre pelo menos um dos fatores de cada parâmetro. Desse modo, tem-se uma avaliação completa, envolvendo a combinação da avaliação subjetiva com parâmetros clínicos, bioquímicos e antropométricos. O grupo esquematiza o curso até o diagnóstico de desnutrição da seguinte forma: Figura 6 | Esquema GLIM para triagem, avaliação, diagnóstico e classificação da desnutrição 1. Risco de desnutrição Usar ferramentas de triagem nutricional validadas 2. Avaliação dos critérios Fenotípicos • Perda de peso involuntária • Baixo IMC • Redução de massa muscular Etiológicos • Ingestão ou absorção alimentar reduzida • Carga de inflamação ou doença 3. Encontrar críterios para o diagnóstico de desnutrição1 critério fenotípico + 1 critério etiológico 4. Determinação da gravidade da desnutrição Gravidade determinada de acordo com critérios fenotípicos Fonte: elaborada pela autora com base em Cederholm et al. (2019). NRS-2002 Risco Nutricional = ≥ 3 pontos MST Risco Nutricional = ≥ 2 pontos 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 19/35 APLICANDO O MÉTODO MNEMÔNICO DA CAMPANHA “DIGA NÃO À DESNUTRIÇÃO” E AS FERRAMENTAS DE TRIAGEM E AVALIAÇÃO NUTRICIONAIS Na prática, para o sucesso do método mnemônico com a palavra “DESNUTRIÇÃO” da campanha “Diga Não à Desnutrição”, alguns pontos devem ser alcançados quanto à triagem e à avaliação nutricionais: Triagem e avaliação nutricional de acordo com o método mnemônico da campanha “Diga Não à Desnutrição” Triagem nutricional versus avaliação nutricional TRIAGEM NUTRICIONAL Identifica indivíduos desnutridos ou em risco de desnutrição, almejando determinar se existe risco nutricional e se é necessária uma avaliação nutricional mais detalhada. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Além de detectar desnutrição, classifica seu grau e permite coleta de informações que auxiliem em sua correção. 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 20/35 Alguns parâmetros são importantes na avaliação nutricional, principalmente, relacionados à perda de peso e massa muscular (Cederholm et al., 2019; Hoffer, 2016). Figura 9 | Parâmetros importantes na avaliação nutricionalipsum dolor sit amet Fonte: elaborada pela autora. A NRS possui uma boa aplicabilidade, já que foi desenvolvida para aplicação em indivíduos de todas as faixas etárias, em diferentes condições clínicas (não discrimina pacientes), levando em consideração, além de dados nutricionais, a gravidade da doença. Apresenta como diferencial a pontuação adicional para aqueles com idade igual ou superior a 70 anos (Kondrup et al., 2003). Sabe-se que o risco nutricional aumenta conforme a idade se torna mais avançada, tornando necessário o cuidado reforçado com idosos hospitalizados. Portanto, por não excluir grupo específico, esta técnica pode ser considerada como a mais recomendada entre demais. Soma-se a isso sua maior especificidade ao permitir a graduação do efeito das doenças (Kyle et al., 2006). Contudo, as críticas associadas à NRS 2002 referem-se à obtenção da informação a respeito do peso perdido em determinado período, ou seja, qual a velocidade em que ocorreu a perda de peso. Nem sempre o informante sabe essa informação. Ainda sobre a NRS 2002, a quantificação da ingestão alimentar é feita em quartis (entre 50%-75%, 25%-50% e 0%-25%). No entanto, a informação da ingestão atual em instrumentos de triagem deve ser obtida por informações qualitativas, indiretas e rápidas (mudança recente, consumo reduzido e perda de apetite) (Aquino, 2005). A MST pode ser aplicada e respondida por qualquer indivíduo (tanto por profissional administrativo do hospital como por acompanhante do paciente) por ser simples e prática. No entanto, torna-se inespecífica e pouco abrangente quanto à doença e ao estado geral do paciente (Putwatana et al., 2005). Em relação à perda de peso, esta avaliação é displicente, pois perda de peso de até 5 kg recebe pontuação mínima, sendo essa perda significativa para determinados grupos. Porém, quando o entrevistado não sabe relatar o peso perdido, a pontuação é superestimada (Aquino, 2005). O método ASG para detectar desnutrição tem se mostrado uma ferramenta muito útil na prática clínica há anos, não somente para avaliação de pacientes cirúrgicos, como foi projetado inicialmente, mas também em pacientes de outras comorbidades clínicas, pois possui boa aplicabilidade, reprodutibilidade, além de ser uma avaliação gratuita e não invasiva. Entretanto, pequenas variações no estado nutricional podem não ser perceptíveis pelo método, uma vez que a precisão depende da capacidade do observador em detectar subjetivamente alterações nutricionais significantes (Barbosa-Silva; Barros, 2006). Quanto aos critérios GLIM, embora não seja validado no Brasil, outros países, como a Austrália, demonstram bons resultados ao utilizá-lo. Como é um instrumento novo, há carência de estudos evidenciando a sua eficácia, porém todos relatam o quão importante é a sua utilização para classificar a desnutrição de forma 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 21/35 consensual, através de critérios ainda não presentes em outras ferramentas. Destaca-se que identificar o estado nutricional precocemente propõe a escolha da terapia nutricional mais bem-sucedida (Contreras- Bolívar et al., 2019). VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo, você revisará o conteúdo desta aula, relembrando a importância da campanha “Diga Não à Desnutrição” para combate à prevalência da desnutrição, assim como confirmará a relevância da identificação precoce do risco nutricional ou da desnutrição já instalada, a partir de diferentes ferramentas de triagem e avaliação nutricionais, que permitem intervenção antecipada e adequada por meio da Terapia Nutricional. Saiba mais Sugestões de leitura: • Campanha “Diga Não à Desnutrição”. • Ferramenta NRS 2002 na íntegra. • Ferramenta MST na íntegra. • Ferramenta ASG na íntegra. • Ferramenta Critérios GLIM na íntegra. INTRODUÇÃO Na última parte desta unidade, finalmente, discutiremos os requerimentos nutricionais para os pacientes que estão em uso de Terapia Nutricional Enteral e Parenteral. Abordaremos os cálculos para estimativas das necessidades energéticas, que podem ser a partir da calorimetria indireta (método padrão ouro), fórmula de bolso ou equações preditivas, considerando o estado nutricional, a faixa etária, as doenças e o quadro clínico que o paciente apresenta. Além disso, discorreremos as recomendações de macronutrientes (proteínas, carboidratos e lipídios), fibras e micronutrientes. Por fim, o cálculo das necessidades hídricas será retratado. Dessa forma, ao final desta aula, você conseguirá determinar os requerimentos nutricionais dos pacientes em uso de Terapia Nutricional (TN), levando em considerações o contexto nutricional e clínico em questão. Aula 4 REQUERIMENTOS NUTRICIONAIS Na última parte desta unidade, finalmente, discutiremos os requerimentos nutricionais para os pacientes que estão em uso de Terapia Nutricional Enteral e Parenteral. 25 minutos 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 22/35 https://www.diganaoadesnutricao.org/materiais https://espen.info/documents/screening.pdf https://www.cambridge.org/core/journals/british-journal-of-nutrition/article/validation-of-the-malnutrition-universal-screening-tool-must-in-cancer/62EAB1F43AEE66D528973ACD13A13E8D https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4150951/mod_resource/content/1/Triagem%20ASG%20artigo%20original.pdf%20 https://www.clinicalnutritionjournal.com/article/S0261-5614(18)31344-X/fulltext IMPORTÂNCIA DA DETERMINAÇÃO DOS REQUERIMENTOS NUTRICIONAIS O termo “necessidade nutricional” pode ser definido como as quantidades de nutrientes e de energia disponíveis nos alimentos que um indivíduo sadio deve ingerir para satisfazer suas necessidades fisiológicas normais e prevenir sintomas de deficiências. Assim, as necessidades nutricionais representam valores fisiológicos individuais que se expressamem médias para grupos semelhantes da população (Avesani; Santos; Cuppari, 2018). Os requerimentos nutricionais de um indivíduo variam de acordo com seu estado nutricional, idade, sexo, peso, estatura, atividade física, composição corporal e condição fisiológica. Para pessoas estáveis e saudáveis, os requerimentos nutricionais seguem as Dietary Reference Intakes (DRIs) (Mahan; Raymond, 2018). Por outro lado, estudos demonstram que a gravidade da doença, a temperatura corporal e certos fármacos podem elevar ou reduzir o metabolismo energético. O hipermetabolismo e o hipometabolismo podem ocorrer em resposta à doença e à injúria, como consequência, as necessidades de macro e de micronutrientes podem variar (Wooley; Frankenfild, 2007). Dessa forma, o aporte de nutrientes e energético deve ser individualizado e baseado na avaliação atual e passada, composição corporal e condição clínica do paciente. A energia é despendida pelo corpo humano na forma de gasto energético basal (GEB) ou taxa metabólica basal (TMB), efeito térmico do alimento (ETA) e termogênese por atividade física (FA). Esses três componentes constituem o gasto energético total (GET) diário de uma pessoa (Mahan; Raymond, 2018). Quadro 1 | Métodos para cálculo das necessidades energéticas (Wooley; Frankenfild, 2007; Kreymann et al., 2002) Calorimetria indireta É considerado um método seguro, prático, não invasivo e com a facilidade de uso de equipamento portátil. Pode ser utilizado à beira do leito em pacientes graves, obesos, aqueles com doença hepática e em outras condições que requeiram cálculo das necessidades energéticas acurado e individualizado. Fórmula de bolso Na impossibilidade de aplicação da calorimetria indireta, recomenda-se estimar o gasto energético pelo cálculo de quilocalorias por quilo de peso corporal. Equações preditivas As equações preditivas são recomendadas para estimar o GET dos indivíduos. Fonte: elaborado pela autora Quanto aos macronutrientes, os carboidratos são as principais fontes de energia, e equivalem a maior parte do GET da dieta (Institute of Medicine; FDA, 2002). Já a recomendação de proteína segue as DRIs e a American Dietetic Association (ADA). A ingestão de 0,85-1,1 g/kg/dia possibilita alcançar o balanço nitrogenado positivo para a maioria dos indivíduos saudáveis. Para pacientes enfermos e em condições especiais, as necessidades proteicas podem variar significativamente. Em TN, os lipídeos são importantes como fonte de ácidos graxos essenciais, são concentrados em energia e servem como transportadores de vitaminas lipossolúveis. Pacientes gravemente enfermos podem apresentar menor capacidade de utilização de carboidratos e usar os lipídeos como preferência metabólica de energia (Institute of Medicine; FDA, 2002). São conhecidos os efeitos das distintas fibras na função intestinal. Contudo, em TN, as recomendações de fibras ainda não são claras, principalmente, em pacientes gravemente enfermos e nos pacientes com risco de isquemia intestinal ou dismotilidade grave (Bliss; Jung, 2007). 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 23/35 As vitaminas e os minerais em pacientes em uso de TN devem seguir as recomendações segundo as DRIs para o público saudável. No entanto, deve-se levar em consideração as necessidades aumentadas de algumas doenças (Wooley; Frankenfild, 2007). A necessidade hídrica deve ser adequada para paciente com estado de hidratação normal, assumindo-se função renal e cardíaca normais. Fatores, como diarreia, vômitos e febre, podem afetar as necessidades hídricas (Kreymann et al., 2002). RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS DE ENERGIA, MACRONUTRIENTES, MICRONUTRIENTES, FIBRAS E ÁGUA A calorimetria indireta estima, por um aparelho, o calor gerado pelo organismo a partir da mensuração do oxigênio (O2) consumido, do dióxido de carbono (CO2) produzido e do nitrogênio urinário excretado por determinado período. Esses valores são incluídos na equação de Weir (1949), que fornece o gasto energético do indivíduo (Avesani; Santos; Cuppari, 2018). Os equipamentos podem variar, contudo envolvem um indivíduo respirando em um bocal (com protetor nasal), uma máscara que cobre o nariz e a boca ou um capuz ventilado que captura todo o dióxido de carbono expirado (Mahan; Raymond, 2018). Figura 1 | Medição da taxa metabólica basal usando um aparelho de calorimetria do tipo sistema de capuz ventilado Fonte: Mahan e Raymond (2018, p. 80). Uma maneira prática para cálculo das necessidades energéticas é utilizar a fórmula de bolso, conforme a seguir. Quadro 2 | Fórmulas de bolso Hipocalórica 20 a 25 Kcal/KgP/dia Normocalórica 25 a 30 Kcal/KgP/dia Hipercalórica > 30 Kcal/KgP/dia Fonte: Kreymann et al. (2002, p.). As equações preditivas que podem ser utilizadas para estimar as necessidades energéticas do paciente em uso de TN estão descriminadas a seguir. Equação de Mifflin-St 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 24/35 Homens: GEB = 10 x peso (kg) + 6,25 x altura (cm) - 5 x idade (anos) + 5 Mulheres: GEB = 10 x peso (kg) + 6,25 x altura (cm) - 5 x idade (anos) - 161 Equação de Harris Benedict Homens: TMB (kcal/dia) = 66,5 + (13,8 × P) + (5 × E) – (6,8 × I) Mulheres: TMB (kcal/dia) = 655,1 + (9,5 × P) + (1,8 × E) – (4,7 × I) TMB: taxa de metabolismo basal; Peso em Kg; E: estatura (cm); I: idade (anos). Equação de Ireton Jones (pacientes gravemente enfermos) Paciente em respiração espontânea: GET = 629 – 11(I) + 25 (peso atual) – 609 (O) Paciente dependente de ventilação: GET = 1784 – 11(I) + 5 (peso atual) + 244 (S) + 239 (T) + 804 (Q) I = idade (anos), O = obesidade (ausente = 0; presente = 1), S = sexo (masc = 1; fem = 0), Q = queimadura (ausente = 0; presente = 1). Quadro 3 | Necessidades de macronutrientes, hídrica e de fibras Proteínas 10-15% do VET da dieta, ou 0,8-1,0 g/kg/dia (pacientes sem estresse metabólico ou falência de órgãos); 1,0-2,0 g/kg/ dia, dependendo da condição clínica (pacientes com estresse metabólico). Carboidratos 45-65% do VET da dieta, ou, no mínimo, 130 g ao dia. Lipídios 20-35% do VET, baseada nas evidências coletadas para o estabelecimento das DRIs, não devendo ultrapassar 2,5 g/kg/dia, para minimizar o risco de complicações metabólicas. Fibras Para indivíduos saudáveis, a ingestão adequada de fibras alimentares é de 15 a 30 g/dia, sendo 75% das fibras insolúveis e 25% solúveis. Água A necessidade hídrica para adultos é de 30 a 40 mL/kg/dia ou 1,0 a 1,5 mL/kcal. Fonte: elaborado pela autora com base em Institute of Medicine e FDA (2002; 2004). Em TN, as recomendações de vitaminas e minerais são de acordo com os níveis da DRIs e Tolerable Upper Intake Level (UL), com os valores dos nutrientes em quantidades máximas de segurança. A prescrição de cada nutriente deve ser individualizada de acordo com a condição clínica. APLICANDO A DETERMINAÇÃO DAS NECESSIDADES ENERGÉTICAS, DE MACRO E MICRONUTRIENTES, FIBRAS E ÁGUA EM DIFERENTES CONTEXTOS Na aplicabilidade prática dos métodos para calcular as necessidades energéticas, alguns pontos devem ser observados. Em geral, em pacientes em uso de TN, a depender da injúria ou doença acometida, observa-se aumento do GET entre 110-120% em pacientes submetidos à cirurgia eletiva, e em clínicos, de 135-150%, em situações pós-trauma, e de 150-170%, em sepse (Wooley; Frankenfild, 2007). As DRIs de energia e o documento da OMS/FAO não estabeleceram recomendações para indivíduos que se encontram em processos de doença. Por essa razão, o cálculo proposto por Kinney e Wilmore pode ser usado em caso de processos de doença, como em pacientes em uso de TN. Para tanto, deve-se medir ou calculara TMB (a partir de equações, como a de Mifflin-St ou Harris Benedict, apresentadas na seção anterior) e 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 25/35 multiplicar esse valor pelos fatores lesão/estresse, fator atividade e fator térmico para chegar ao GET do indivíduo. Vale ressaltar que o fator térmico deve ser utilizado apenas na vigência de estados febris associados (Quadro 4). Quadro 4 | Fator injúria, fator térmico e fator atividade para pacientes que apresentam enfermidades Fator injúria (lesão/estresse) Pontuação Fator térmico Pontuação Fator atividade Paciente não complicado 1,0 38º 1,1 Acamado = 1,0 Pós-operatório de câncer 1,1 39ª 1,2 Acamado + móvel = 1,2 Fratura 1,2 40º 1,3 Ambulante = 1,3 Sepse 1,3 41º 1,4 Peritonite 1,4 Multitrauma + reabilitação 1,5 Multitrauma + sepse 1,6 Queimadura em 30 a 50%* 1,7 Queimadura em 50 a 70%* 1,8 Queimadura em 70 a 90%* 2,0 *superfície corporal Fonte: elaborado pela autora. Observa-se que grande parte das equações preditivas utilizadas para estimar a necessidade energética e de nutrientes requer a avaliação do peso corporal atual. Portanto, essas estimativas podem ser problemáticas em situações em que o peso corporal é de difícil aferição ou quando o indivíduo apresenta próteses ou edema. É importante avaliar se a equação preditiva de gasto energético é adequada a pessoas normais ou pacientes hospitalizados, antes da sua aplicação. Portanto, as principais diretrizes nacionais e internacionais vêm adotando a utilização de taxas calóricas específicas para determinadas doenças. Quanto aos macronutrientes, na prática, é recomendado o máximo de 7 g/kg/dia de carboidratos para minimizar complicações metabólicas, como a hiperglicemia, as anormalidades no metabolismo hepático e o aumento do trabalho ventilatório. Além disso, deve-se dar atenção à ingestão adequada de ácidos graxos linoleico (2-4% do VET) e de alfa-linolênico (0,250,5% do VET). Para a prevenção de doenças cardiovasculares, a recomendação diária de lipídeos totais na dieta éa TN. Recapitularemos também as principais ferramentas de triagem e avaliação nutricionais e os requerimentos nutricionais necessários à conduta do paciente em TN. ESTUDO DE CASO Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você acabou de ser contratado por um hospital (já regulamentado de acordo com a RDC nº 63, de 2000, a RDC nº 503, de 2021, e a Portaria nº 272, de 1998) para fazer parte da Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN). Você realizará a admissão nutricional em uma unidade aberta (enfermaria) do seguinte paciente candidato à terapia nutricional: C.A.P., 71 anos, sexo masculino, admitido na enfermaria, após alta da UTI após Acidente Vascular Cerebral (AVC). No momento, evolui hemodinamicamente estável, acamado, afebril, contactante, mas não verbaliza. Família nega Diabetes, mas afirma que ele apresenta diagnóstico de HAS há 10 anos. Ritmo intestinal: dejeções ausentes há dois dias, ausência de vômitos e outros sintomas do TGI. Ritmo urinário: normal. Aguarda exames de imagem para determinar alta para casa. Avaliação antropométrica: peso estimado: 50 kg; altura referida:1,70 m; IMC: 17,3 kg/m (baixo peso); Circunferência da Panturrilha (CP): 29 cm (depleção de massa muscular); família relata perda de peso, mas não sabe especificar quantidade. Exame físico: cabelos frágeis, 2 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 28/35 mucosas oculares hipocrômicas ++/IV, têmporas proeminentes, língua saburrosa, ausência de peças dentárias, depleção de tecido muscular em diversos compartimentos corporais, unhas frágeis, depleção do músculo adutor do polegar, sem edema. Exames bioquímicos: Ht – 36% (VN: 38 a 50%); Hb – 12 mg/dl (VN: 13 a 16 mg/dL); VCM – 78 fl (VN: 80 – 100f l); HCM – 25 pg (VN: 26 – 324 pg); CHCM –29g/dL (VN: 31 a 36 g/dL); Glicemia – 78 mg/dl (65 – 110 mg/dL); Ureia – 22 mg/dl (VN: 16 a 45 mg/dL); Creatinina – 0,9 mg/dl (VN: 0,8 a 1,3 mg/dL); PCR – 7mg/dL (VN: 70 anos). Por fim, para determinar os requerimentos nutricionais do paciente, você poderá recorrer tanto à Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Envelhecimento (2019) quanto à Diretriz de Terapia Nutricional nas Doenças Neurodegenerativas (2022). Elas preconizam a regra de bolso para determinar as necessidades energéticas. De acordo com a regra de bolso para promover ganho de peso = 35 Kcal/KgP/dia, 35 Kcal x 50 kg = 1750 Kcal/dia. A quantidade de proteína deve ser preconizada levando em consideração a desnutrição apresentada pelo paciente, logo 1,5 g/KgP/dia = 75 g de proteína por dia (17% do VET), sendo assim, podem ser distribuídos 55% de carboidratos e 28% de lipídios para complementar 100% do VET. A recomendação de fibras varia entre 20 e 35 g/dia. A necessidade hídrica pode ser de 30 a 40 mL/kg/dia, dessa forma, 35 ml x 50 kg = 1750 ml de líquidos/dia. Os micronutrientes devem seguir as recomendações das DRIs. 2 2 2 2 2 30/09/2026, 21:57 wlldd_232_u1_ter_nut_ent_par https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=mona_joy%40hotmail.com&usuarioNome=MONIQUE+APARECIDA+DE+SOUZA+PEREIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=5143435&… 30/35 RESUMO VISUAL Aula 1 BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução n° 63, de 6 de julho de 2000. Aprova o Regulamento Técnico para fixar os requisitos mínimos