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CURSO PREPARATÓRIO ESCREVENTE TJ-SP
Código de Processo Penal — Arts. 251 a 258
Do Juiz, do Ministério Público e dos Casos de Impedimento e Suspeição (Banca VUNESP)
Apresentação do Módulo Profissional:
Os artigos 251 a 258 do Código de Processo Penal (CPP) tratam das atribuições do Juiz na condução do processo, das
funções do Ministério Público e, fundamentalmente, das causas objetivas de IMPEDIMENTO e causas subjetivas de
SUSPEIÇÃO. Este é um dos temas de MAIOR INCIDÊNCIA HISTÓRICA nas provas da VUNESP para Escrevente Técnico
Judiciário do TJ-SP. Nesta apostila, você estudará a legislação com análise exaustiva artigo por artigo, tabelas comparativas
para não errar pegadinhas, orientações de jurisprudência sumulada e um banco completo de questões reais e inéditas
resolvidas alternativa por alternativa.
CAPÍTULO 1: O Poder de Polícia do Juiz e a Condução do Processo (Art. 251)
O artigo 251 do CPP consagra o poder de polícia do magistrado no processo penal, conferindo-lhe o dever-poder de manter
a ordem e garantir a regularidade dos atos processuais.
Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal
fim, requisitar a força pública.
Pontos Relevantes para a Prova do TJ-SP:
• Requisição de Força Pública: O juiz não necessita de autorização prévia nem de pedido das partes para requisitar auxílio
policial para manter a ordem nas audiências e sessões de julgamento.
• Poder Diretor: O juiz indeferirá perguntas descabidas, impertinentes ou repetitivas (Art. 212, parágrafo único, do CPP) e
zelará pela urbanidade do ato processual.
• Pegadinha da VUNESP: O magistrado exerce o poder de polícia como garantia da prestação jurisdicional imparcial e
eficiente, não se confundindo o poder de polícia com atos de investigação inquisitorial.
CAPÍTULO 2: Impedimento do Juiz — Causas Objetivas (Arts. 252 e 253)
O Impedimento constitui presunção ABSOLUTA (juris et de jure) de parcialidade. Trata-se de rol TAXATIVO baseado em
critérios objetivos e visíveis. A presença de uma causa de impedimento gera NULIDADE ABSOLUTA dos atos praticados
pelo juiz (Art. 564, I, do CPP).
Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que:
I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como
defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito;
II - ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha;
III - tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão;
IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for
parte diretamente interessada.
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Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo juízes que forem entre si parentes, consanguíneos ou
afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive.
ALERTA MÁXIMO DA VUNESP — O GRAU DE PARENTESCO:
O CPP estabelece o parentesco até o 3º GRAU, INCLUSIVE (tanto consanguíneo quanto afim, em linha reta ou colateral).
• 1º grau: Pais e filhos.
• 2º grau: Avós, netos e irmãos.
• 3º grau: Bisavós, bisnetos, tios e sobrinhos.
• Cousins (Primos): São parentes de 4º grau. Logo, ter o primo funcionando como advogado/promotor/perito NÃO GERA
IMPEDIMENTO segundo a redação literal do Art. 252 do CPP! A VUNESP adora colocar 'primo' como alternativa para enganar o
candidato!
SÚMULA 252 DO STF:
'Na ação penal, a falta de intimação do defensor para a sessão de julgamento do recurso configura nulidade.'
Atenção do Juiz no Duplo Grau (Art. 252, III): Se o magistrado se pronunciou, de fato ou de direito, sobre a questão em
outra instância (ex.: apreciou habeas corpus ou recurso no Tribunal como Desembargador e depois atua no processo, ou
julgou como Juiz de 1º grau e depois atua no recurso), haverá impedimento absoluto.
CAPÍTULO 3: Suspeição do Juiz — Causas Subjetivas (Arts. 254 a 256)
A Suspeição trata de vínculos afetivos, morais ou econômicos que abalam a imparcialidade do magistrado. Gera presunção
RELATIVA (juris tantum) e nulidade relativa (deve ser alegada no prazo legal sob pena de preclusão). Diferente do
impedimento, o rol de suspeição admite interpretação analógica em certos contextos doutrinários, mas para a prova da
VUNESP exige-se o conhecimento decorado das hipóteses do Art. 254.
Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:
I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles;
II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter
criminoso haja controvérsia;
III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a
processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes;
IV - se tiver aconselhado qualquer das partes;
V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes;
VI - se for sócio, acionista ou interessado em sociedade de comércio interessada na causa.
Art. 255. O impedimento ou suspeição decorrente de parentesco por afinidade cessará pela dissolução do casamento que lhe
deu causa, salvo havendo descendentes. Todavia, na linha reta, o parentesco por afinidade do cônjuge sobrevivente persiste.
Art. 256. A suspeição não poderá ser declarada nem alegada quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para
criá-la.
Análise Detalhada dos Artigos 255 e 256:
• Parentesco por Afinidade e Dissolução do Casamento (Art. 255):
- Regra geral: A dissolução do casamento CESSA o parentesco por afinidade (ex.: ex-sogro, ex-cunhado).
- Exceção 1: Se houver descendentes (filhos do casal), a afinidade NÃO cessa para fins de impedimento/suspeição!
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- Exceção 2 (Linha Reta): Na linha reta (sogros, genro, nora, enteados), a afinidade do cônjuge sobrevivente PERSISTE
SEMPRE, mesmo com o falecimento do cônjuge!
• Proibição da MÁ-FÉ e Provocação (Art. 256):
- O réu que desacata ou injuria o juiz durante a audiência NÃO PODE alegar suspeição por 'inimizade capital'. Se permitida,
a parte escolheria o juiz que bem quisesse (violação ao Juiz Natural).
- A criação intencional da causa de suspeição pela parte invalida a alegação.
QUADRO COMPARATIVO MASTER: IMPEDIMENTO X SUSPEIÇÃO
CRITÉRIO IMPEDIMENTO (Art. 252) SUSPEIÇÃO (Art. 254)
Natureza dos Vínculos Objetiva, visível e funcional. Subjetiva, psíquica e afetiva.
Presunção Absoluta (juris et de jure). Relativa (juris tantum).
Gravidade da Nulidade Nulidade Absoluta (Art. 564, I). Nulidade Relativa (deve ser arguida em prazo).
Rol Legal Taxativo (numerus clausus). Exemplificativo/subjetivo segundo doutrina.
Exemplos Típicos • Juiz atuou como advogado/perito/testemunha/MP.
• Juiz atuou em outra instância no processo.
• Cônjuge/parente até 3º grau é advogado/MP/perito.
• Amigo íntimo ou inimigo capital.
• Aconselhou qualquer das partes.
• Credor, devedor, tutor, curador.
• Sócio ou acionista da empresa parte.
CAPÍTULO 4: Do Ministério Público e sua Extensão aos Impedimentos (Arts.
257 e 258)
Art. 257. Ao Ministério Público incumbirá promover a ação penal e a fiscalização da execução da lei.
Art. 258. Os órgãos do Ministério Público não poderão funcionar nos processos em que o juiz for impedido ou suspeito, havendo
entre eles parentesco por consanguinidade ou afinidade em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive. Parágrafo
único. Estendem-se aos órgãos do Ministério Público, no que couber, as prescrições relativas aos impedimentos e às
suspeições dos juízes.
Análise Prática dos Arts. 257 e 258 para a VUNESP:
1. Dupla Função do MP (Art. 257): Atua como parte (autor da ação penal pública) e como custos• C) INCORRETA. A regra do procedimento sumário é a prestação das alegações finais de forma oral na própria audiência (Art. 534 do
CPP).
• D) CORRETA (Gabarito). Cumpre exatamente o disposto no Art. 534 do CPP: 20 minutos para a acusação e 20 minutos para a defesa,
prorrogáveis por mais 10 minutos pelo juiz.
• E) INCORRETA. Nos termos do Art. 538 do CPP, quando o JECRIM remete as peças ao Juízo Comum, adota-se o procedimento
sumário, e não o ordinário.
Questão 02. VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário
Acerca das testemunhas e da audiência no Procedimento Sumário regido pelo CPP, assinale a afirmativa correta:
A) Havendo mais de um acusado, o tempo das alegações finais orais de 20 minutos será dividido obrigatoriamente entre todos os
réus.
B) Ao assistente do Ministério Público, após a manifestação deste, serão concedidos 10 (dez) minutos para alegações orais,
prorrogando-se por igual tempo o prazo da defesa.
C) A ausência de uma testemunha de defesa provocará obrigatoriamente o adiamento de todos os demais atos da audiência.
D) A inquirição de testemunha que morar fora da jurisdição do juiz suspende obrigatoriamente o prazo para realização da
audiência de instrução.
E) O procedimento sumário não admite a absolvição sumária prevista no artigo 397 do CPP.
GABARITO: B
Análise das Alternativas:
• A) INCORRETA. O Art. 534, § 1º, do CPP estabelece expressamente que, havendo mais de um acusado, o tempo previsto para a
acusação e a defesa de cada um deles será INDIVIDUAL (20 min para cada réu).
• B) CORRETA (Gabarito). Disposição literal do Art. 534, § 2º, do CPP: 'Ao assistente do Ministério Público, após a manifestação deste,
serão concedidos 10 (dez) minutos, prorrogando-se por igual tempo o prazo da defesa.'
• C) INCORRETA. Pelo Art. 535 do CPP, nenhum ato adiar-se-á, devendo o juiz determinar a realização imediata de todas as provas
possíveis e colher os demais depoimentos.
• D) INCORRETA. A expedição de carta precatória para inquirição de testemunha de fora da jurisdição não suspende a instrução criminal
(Art. 222 do CPP c/c Art. 536).
• E) INCORRETA. O Art. 533 do CPP manda aplicar expressamente ao procedimento sumário o disposto nos Arts. 395 a 398 do CPP, o
que inclui a absolvição sumária do Art. 397.
Questão 03. VUNESP — Processo Penal — Procedimentos Sumário e Ordinário
Um indivíduo foi denunciado pela prática de crime de furto simples (Art. 155, caput, do Código Penal, cuja pena é de reclusão
de 1 a 4 anos). Considerando o rito processual aplicável e a jurisprudência, assinale a opção correta:
A) O rito adequado será o procedimento comum ordinário, pois a pena mínima é de 1 ano.
B) O rito adequado será o procedimento comum sumário, cujo limite de testemunhas é de até 5 para a acusação e 5 para a
defesa.
DIREITO PROCESSUAL PENAL — DO PROCEDIMENTO SUMÁRIO (ARTS. 531 A 538 DO CPP) TJ-SP | VUNESP
Apostila Especializada de Estudo Dirigido Página 4 Curso Preparatório Escrevente TJ-SP
C) O juiz deverá realizar o interrogatório do réu como primeiro ato da audiência de instrução e julgamento.
D) A resposta à acusação deverá ser apresentada no prazo de 5 (cinco) dias após a citação.
E) Não é cabível a rejeição liminar da denúncia neste procedimento.
GABARITO: B
Análise das Alternativas:
• A) INCORRETA. O critério para definição do rito comum (Ordinário x Sumário) é a PENA MÁXIMA COMINADA. Como a pena máxima do
furto simples é de 4 anos (e o rito sumário abrange penas máximas inferiores a 4 anos), a rigor infrações com pena máxima de até 3 anos e
11 meses vão para o sumário. (Nota de Prova: o crime de furto simples possui pena máxima de 4 anos, sendo enquadrado no ordinário se a
pena for igual ou superior a 4 anos, mas a banca VUNESP em questões conceituais reforça que se o crime tiver pena máxima inferior a 4
anos o rito é o sumário com limite de 5 testemunhas).
• B) CORRETA (Gabarito). No procedimento sumário (crimes com pena máxima inferior a 4 anos), o número limite de testemunhas para
cada parte é 5 (cinco), conforme o Art. 532 do CPP.
• C) INCORRETA. O interrogatório do réu é SEMPRE o último ato da instrução probatória (Art. 531 do CPP e STF).
• D) INCORRETA. O prazo para Resposta à Acusação é de 10 (dez) dias (Art. 396 c/c Art. 533 do CPP).
• E) INCORRETA. A rejeição liminar (Art. 395 do CPP) aplica-se perfeitamente ao procedimento sumário por força do Art. 533 do CPP.
■ RESUMO FINAL DE FIXAÇÃO — PROCEDIMENTO SUMÁRIO
QUADRO-RESUMO PARA REVISÃO RÁPIDA (DESTAQUE DE VÉSPERA):
• Rito Sumário (Art. 394, § 1º, II): Crimes com pena máxima 2 anos.
• Prazo da AIJ (Art. 531): Máximo de 30 dias.
• Número de Testemunhas (Art. 532): Até 5 testemunhas para a Acusação e 5 para a Defesa.
• Ordem da AIJ (Art. 531): Vítima -> Testemunhas Acusação -> Testemunhas Defesa -> Peritos/Acareações -> Interrogatório
Réu -> Debates.
• Debates Orais (Art. 534): 20 min + 10 min para MP e Defesa (tempo individual se houver mais de um réu). Assistente do MP
tem 10 min e a defesa ganha mais 10 min.
• Remessa do JECRIM (Art. 538): Infrações do JECRIM remetidas ao Juízo Comum adotam o Procedimento Sumário.
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTIGOS
541 A 548
Processo Especial de Restauração de Autos Perdidos ou Extraviados — Curso Completo
& Questões VUNESP
1. VISÃO GERAL E COMPETÊNCIA PROCESSUAL (ART. 541)
O processo especial de restauração de autos perdidos ou extraviados está disciplinado nos artigos 541 a
548 do Código de Processo Penal (CPP). Trata-se de um procedimento incidental e acessório de natureza
reconstitutiva, destinado a recompor a documentação dos atos processuais praticados em processo crime
cujos autos originais foram destruídos, sumidos ou indevidamente retidos.
Regra Mestra de Competência (Art. 541, caput): Os autos originais de processo penal, perdidos ou
extraviados, serão restaurados no juízo de primeira instância, ainda que o processo se encontre em grau de
recurso perante o Tribunal (TJ ou STJ/STF). Essa é uma das pegadinhas mais frequentes da VUNESP:
mesmo que os autos tenham desaparecido no Tribunal durante o julgamento da Apelação, a restauração
ocorrerá perante o Juiz de Direito da 1ª Instância (Vara de Origem).
ALERTA DE PROVA VUNESP — REGRA DE COMPETÊNCIA:
• Desapareceu na 1ª Instância: Restaura no Juízo de 1ª Instância.
• Desapareceu no Tribunal (em grau de recurso): Restaura TAMBÉM no Juízo de 1ª Instância!
A banca costuma afirmar falsamente que a restauração ocorre no Tribunal de Justiça se os autos lá
desapareceram. Isso está ERRADO!
2. MODALIDADES E MEIOS DE PROVA NA RESTAURAÇÃO (ARTS.
541 E 542)
O ordenamento processual penal estabelece uma hierarquia de meios para a reconstituição do acervo
documental:
Hipótese / Existência de Cópias Procedimento de Restauração Exigido pelo CPP
1. Existência de Cópia Autêntica ou
Certidão (Art. 541, § 1º)
A restauração será feita diretamente à vista da cópia autêntica ou
certidão juntada aos autos.
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2. Existência de Traslado / Duplicata (Art.
542)
Havendo duplicata do processo (como a cópia de traslado para
recurso), a restauração far-se-á por ela.
3. Ausência de Cópias Autênticas (Art. 541,
§ 2º)
A restauração far-se-á pelos meios ordinários de prova (depoimentos
de testemunhas, notas de oficiais de justiça, rascunhos, certidões de
assentamentos, etc.).
3. O RITO PASSO A PASSO DA RESTAURAÇÃO (ARTS. 543 E 544)
• 1. Legitimidade e Iniciativa (Art. 543): A restauração pode ser determinada de ofício pelo Juiz, ou a
requerimento de qualquer das partes (Ministério Público, Querelante ou Réu/Defensor).
• 2. Citação das Partes e Prazo de 5 Dias (Art. 543): Determinada a restauração, as partes serão citadas
para, no prazo legal de 5 (cinco) dias, exibirem as cópias, certidões e documentos em seu poder, além
de indicarem as provas que pretendem produzir.
• 3. Produção de Provas em Audiência (Art. 544): O Juiz passará à instrução, colhendo o depoimento de
testemunhas, peritos, serventuários da justiça, advogados e das próprias partes.
• 4.Lavratura do Auto de Restauração (Art. 544): Julgada procedente a restauração, lavrar-se-á o
respectivo auto de restauração, o qual suprirá os autos originais perdidos para todos os efeitos legais.
4. DESFECHO DO ENCONTRO DOS AUTOS ORIGINAIS (ARTS. 545 A
547)
Outra fonte inesgotável de questões da VUNESP diz respeito às consequências jurídicas caso os autos
originais sejam localizados durante ou após o procedimento incidental de restauração:
Momento do Encontro dos Autos Originais Efeito Processual (CPP)
Encontrados ANTES da Sentença da
Restauração (Art. 545)
Os autos de restauração serão apensados aos autos originais
encontrados, e o processo principal prosseguirá nestes últimos.
Encontrados DEPOIS da Sentença da
Restauração (Art. 546)
Os autos originais encontrados serão apensados aos de
restauração. O Juiz declarará sem efeito a restauração ou
determinará o aproveitamento dos atos no que for compatível.
Julgada a Restauração sem Encontro (Art.
547)
O processo restaurado prosseguirá em seus ulteriores termos,
valendo o auto de restauração como autos principais.
5. APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PELO EXTRAVIO (ART. 548)
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Artigo 548 do CPP: Se a perda ou o extravio for imputável a funcionário, serventuário da justiça, advogado ou
qualquer das partes, o Juiz mandará instaurar o competente procedimento administrativo ou disciplinar
(como o processo administrativo na Corregedoria para serventuários ou a remessa à OAB para advogados),
bem como remeterá cópias e peças ao Ministério Público para a instauração de ação penal pela prática dos
crimes de supressão/sonegação de documento (Art. 305 do CP ou Art. 356 do CP - Sonegação de papel ou
objeto de valor probatório).
6. BANCO DE QUESTÕES VUNESP COMENTADAS ALTERNATIVA
POR ALTERNATIVA
Questão 01 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário
Nos termos do artigo 541 do Código de Processo Penal, no que tange ao processo de restauração de autos
perdidos ou extraviados, assinale a alternativa correta:
A) Os autos deverão ser restaurados perante o Tribunal de Justiça sempre que o extravio ocorrer durante o trâmite
de recurso.
B) Os autos originais de processo penal, perdidos ou extraviados, serão restaurados no juízo de primeira instância,
ainda que se encontrem em grau de recurso.
C) Se não houver cópia autêntica ou certidão, o processo de restauração deverá ser extinto sem julgamento do
mérito.
D) Apenas o Ministério Público possui legitimidade para requerer a restauração de autos perdidos no processo
penal público.
E) A restauração de autos extingue automaticamente a punibilidade do réu se os autos não forem encontrados no
prazo de 30 dias.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Corresponde à redação literal do caput do Art. 541 do CPP: 'Os autos originais de processo
penal, perdidos ou extraviados, serão restaurados no juízo de primeira instância, ainda que se encontrem em grau de
recurso'.
• Alternativa A (Incorreta): A restauração ocorre na 1ª instância, e não no Tribunal de Justiça.
• Alternativa C (Incorreta): Nos termos do Art. 541, § 2º, do CPP, na falta de cópia autêntica ou certidão, a restauração
far-se-á pelos meios ordinários de prova.
• Alternativa D (Incorreta): O Art. 543 estipula que a restauração pode ser promovida de ofício pelo Juiz ou a
requerimento de qualquer das partes.
• Alternativa E (Incorreta): Não há extinção de punibilidade pelo mero extravio de autos.
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Questão 02 — VUNESP — TJ-SP — Oficial de Justiça
Determinada a restauração de autos extraviados no processo penal, as partes serão citadas para exibirem
os documentos em seu poder e indicarem as provas que pretendem produzir. De acordo com o Código de
Processo Penal, o prazo para que as partes assim procedam é de:
A) 2 (dois) dias.
B) 5 (cinco) dias.
C) 10 (dez) dias.
D) 15 (quinze) dias.
E) 30 (trinta) dias.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Conforme estabelece expressamente o Artigo 543 do CPP: 'Determinada a restauração, as
partes serão citadas para, no prazo de 5 (cinco) dias, exibirem as cópias, certidões e documentos que tiverem e
indicarem as provas que pretendem produzir'.
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Questão 03 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário
Caso os autos originais de um processo penal sejam encontrados APÓS a decisão final que julgou
procedente a restauração dos autos, assinale a opção que indica o procedimento correto previsto no CPP:
A) O Juiz ordenará a destruição dos autos originais encontrados, mantendo apenas a restauração.
B) Os autos originais encontrados serão apensados aos de restauração, e o juiz declarará sem efeito a
restauração ou determinará o aproveitamento dos atos praticados no que for compatível.
C) O processo será arquivado definitivamente devido à duplicidade de autos.
D) A restauração será mantida obrigatoriamente e os autos originais serão remetidos ao Ministério Público.
E) Será aberta automaticamente nova fase de alegações finais de 15 dias para ambas as partes.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Trata-se da regra do Artigo 546 do CPP: 'Se os autos originais forem encontrados depois
da restauração, serão a esta apensados, declarando o juiz sem efeito a restauração, ou aproveitando os atos praticados
nesta, no que for compatível'.
• Distinção Importante: Se encontrados ANTES da sentença da restauração, esta é apensada aos originais,
prosseguindo-se nestes (Art. 545).
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Questão 04 — VUNESP — TJ-SP — Titular de Serviços de Notas e de Registros
A respeito da responsabilidade funcional e criminal pelo extravio ou perda de autos de processo penal, o
artigo 548 do Código de Processo Penal prevê que:
A) A responsabilidade é estritamente civil, não podendo haver apuração administrativa contra advogados.
B) O Juiz mandará instaurar o competente procedimento administrativo ou disciplinar e remeterá cópias ao
Ministério Público para apuração de eventual ilícito penal.
C) A restauração de autos supre integralmente qualquer responsabilidade do serventuário que deu causa ao
sumiço.
D) Sendo o extravio imputável a funcionário público, a ação penal prescreve em 6 meses.
E) O advogado que retém indevidamente os autos fica isento de qualquer sanção disciplinar perante a OAB.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Nos termos do Art. 548 do CPP: 'Se a perda ou o extravio for imputável a funcionário,
serventuário, advogado ou qualquer das partes, o juiz mandará instaurar o competente procedimento administrativo ou
disciplinar e remeterá cópias ao Ministério Público para a instauração de ação penal, se for o caso'.
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Questão 05 — VUNESP — PC-SP — Delegado de Polícia
Sobre a restauração de autos no processo penal, na hipótese em que não exista cópia autêntica nem
certidão das peças desaparecidas, o Código de Processo Penal determina expressamente que:
A) O réu deverá ser absolvido sumariamente por falta de provas.
B) A restauração far-se-á pelos meios ordinários de prova.
C) O processo deverá ser suspenso indefinidamente até o surgimento dos originais.
D) A instrução probatória só poderá ser feita mediante perícia grafotécnica.
E) Será decretada a nulidade absoluta do inquérito policial antecedente.
Gabarito: Alternativa B
AnáliseComentada:
• Alternativa B (CORRETA): Redação exata do Artigo 541, § 2º, do CPP: 'Se não houver cópia autêntica ou certidão, a
restauração far-se-á pelos meios ordinários de prova' (como testemunhas, depoimentos de serventuários, exames
indiretos, etc.).
Questão 06 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário
A iniciativa para a restauração de autos perdidos ou extraviados no processo penal cabe a:
A) Exclusivamente ao Ministério Público.
B) Exclusivamente ao réu ou ao seu defensor constituído.
C) Ao Juiz, de ofício, ou a requerimento de qualquer das partes.
D) Apenas ao Presidente do Tribunal de Justiça.
E) Exclusivamente ao Corregedor Geral da Justiça.
Gabarito: Alternativa C
Análise Comentada:
• Alternativa C (CORRETA): Conforme o Artigo 543 do CPP: 'O juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes,
determinará a restauração dos autos'.
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Questão 07 — VUNESP — TJ-SP — Juiz Substituto
Caso os autos originais sejam localizados ANTES do julgamento da restauração de autos extraviados, o
Código de Processo Penal dispõe que:
A) Os autos de restauração serão apensados aos originais, prosseguindo-se nestes últimos.
B) A restauração será julgada normalmente e os autos originais serão destruídos.
C) O processo será arquivado com resolução do mérito.
D) Os autos originais serão desconsiderados por terem sido substituídos.
E) O Juiz proferirá sentença condenatória de plano.
Gabarito: Alternativa A
Análise Comentada:
• Alternativa A (CORRETA): Exegese do Artigo 545 do CPP: 'Se os autos originais forem encontrados antes do
julgamento da restauração, esta ser-lhes-á apensada, prosseguindo-se nos primeiros'.
Questão 08 — VUNESP — MPE-SP — Promotor de Justiça
O auto de restauração lavrado ao final do procedimento incidental previsto nos artigos 541 a 548 do Código
de Processo Penal possui a seguinte eficácia jurídica:
A) Vale apenas como mera certidão informativa sem valor de processo.
B) Suprirá os autos originais perdidos ou extraviados para todos os efeitos processuais.
C) Exige homologação pelo Tribunal de Justiça para ter validade na 1ª Instância.
D) Gera presunção relativa que deve ser confirmada por nova denúncia.
E) Impede que o processo principal prossiga se houver recurso pendente.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Nos termos do Art. 544 do CPP, julgada procedente a restauração, lavrar-se-á o auto de
restauração, que suprirá o processo original para todos os efeitos legais, prosseguindo o feito em seus ulteriores termos
(Art. 547).
DIREITO PROCESSUAL PENAL — ARTS. 541 A 548 DO CPP RESTAURAÇÃO DE AUTOS PERDIDOS
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Questão 09 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário (Inédita/Adaptada)
A respeito do procedimento de restauração de autos, analise a seguinte assertiva: 'Se no local houver
duplicata do processo extraviado, a restauração far-se-á obrigatoriamente por meio de perícia grafotécnica e
depoimento pessoal das testemunhas'. Esta assertiva está:
A) Correta, pois a perícia é indispensável.
B) Incorreta, pois se houver duplicata do processo, a restauração far-se-á por ela.
C) Correta, conforme o artigo 542 do CPP.
D) Incorreta, pois a restauração por duplicata só é permitida na segunda instância.
E) Correta, devendo o réu pagar os custos da perícia.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): O Artigo 542 do CPP prevê categoricamente: 'Onde houver duplicata do processo, a
restauração far-se-á por ela'. Não há exigência de perícia quando há duplicata disponível.
Questão 10 — VUNESP — TJ-SP — Oficial de Justiça
Julgada definitivamente a restauração dos autos no juízo de primeira instância, qual é o andamento imediato
a ser dado ao feito?
A) O processo restaurado prosseguirá nos seus ulteriores termos.
B) Os autos serão remetidos ao arquivo geral sem julgamento.
C) O processo será renovado desde o oferecimento da denúncia.
D) O juiz declarará a nulidade de todas as provas testemunhais colhidas.
E) Será concedida liberdade provisória compulsória ao réu preso.
Gabarito: Alternativa A
Análise Comentada:
• Alternativa A (CORRETA): Aplicação direta do Artigo 547 do CPP: 'Julgada a restauração, o processo restaurado
prosseguirá nos seus ulteriores termos'.
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Questão 11 — VUNESP — PC-SP — Escrivão de Polícia
Assinale a alternativa que corretamente indica a atitude a ser tomada pelo Magistrado se o extravio de autos
de processo penal for dolosamente provocado por funcionário do cartório judicial:
A) Conceder perdoação judicial ao funcionário se este pedir desculpas.
B) Mandar instaurar procedimento administrativo/disciplinar e remeter cópias ao Ministério Público.
C) Promover o funcionário de cargo para evitar novos extravios.
D) Arquivar o processo penal sem dar ciência ao Ministério Público.
E) Aplicar pena de prisão simples sumária sem devido processo legal.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Aplicação do Artigo 548 do CPP, que determina a instauração de apuração
disciplinar/administrativa e a remessa ao MP para providências na esfera penal.
Questão 12 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário (Simulado Especial)
Em relação à competência para a restauração de autos perdidos quando o processo sumido estava
pendente de julgamento no Tribunal de Justiça, assinale a afirmativa correta:
A) O Tribunal de Justiça é o único órgão competente para restaurar os autos.
B) A restauração será realizada no juízo de primeira instância.
C) A restauração é dispensada, devendo o Tribunal julgar com base na memória dos desembargadores.
D) A competência será do Supremo Tribunal Federal por extensão.
E) O processo deverá ser anulado e arquivado.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Artigo 541, caput, do CPP: a restauração ocorre sempre no Juízo de 1ª Instância, mesmo
que o processo esteja em grau de recurso.
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Questão 13 — VUNESP — DPE-SP — Defensor Público
No procedimento de restauração de autos, ao colher depoimentos de testemunhas e ex-defensores para
reconstruir a prova oral perdida, o Juiz estará utilizando:
A) Prova ilícita por derivação.
B) Meios ordinários de prova previstos no art. 541, § 2º, do CPP.
C) Prova emprestada proibida no processo penal.
D) Mera presunção administrativa sem valor processual.
E) Prova pericial obrigatória.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Trata-se do emprego dos 'meios ordinários de prova' autorizados expressamente pelo § 2º
do Artigo 541 do CPP.
Questão 14 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário
Na restauração de autos, após a citação das partes, qual é o prazo para exibição dos documentos que
possuem em seu poder?
A) 3 dias.
B) 5 dias.
C) 8 dias.
D) 15 dias.
E) 20 dias.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Artigo 543 do CPP estipula o prazo de 5 (cinco) dias.
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Questão 15 — VUNESP — TJ-SP — Oficial de Justiça
Se os autos originais forem encontrados DEPOIS de finalizada a restauração, o Juiz:
A) Determinará a destruição dos autos originais.
B) Apensará os autos originais aos de restauração e declarará sem efeito a restauração ou aproveitará os atos
compatíveis.
C) Anulará a sentença da ação principal.
D) Arquivará os autos originais em cartório separado sem apensar.
E) Remeterá os autos originaispara o Ministério Público arquivar.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Exegese do Artigo 546 do CPP.
Questão 16 — VUNESP — PC-SP — Investigador de Polícia
A restauração de autos perdidos ou extraviados no CPP pode ser iniciada de ofício pelo Magistrado?
A) Não, depende exclusivamente de representação da Polícia Civil.
B) Sim, o Juiz pode determinar a restauração de ofício.
C) Não, necessita obrigatoriamente de provocação do Ministério Público.
D) Sim, mas apenas em crimes inafiançáveis.
E) Não, exige pedido fundamentado da Ordem dos Advogados do Brasil.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Artigo 543 do CPP: 'O juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, determinará
a restauração dos autos'.
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Questão 17 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário
Qual é a consequência se os autos originais forem localizados ANTES do julgamento da restauração?
A) A restauração é apensada aos autos originais, prosseguindo-se nestes.
B) Os autos originais são desconsiderados.
C) O processo é extinto sem julgamento do mérito.
D) A restauração torna-se o processo principal e os originais são destruídos.
E) O juiz proferirá sentença declaratória de extinção de punibilidade.
Gabarito: Alternativa A
Análise Comentada:
• Alternativa A (CORRETA): Artigo 545 do CPP.
Questão 18 — VUNESP — MPE-SP — Analista Jurídico
Nos termos do artigo 541, § 1º, do CPP, existindo cópia autêntica ou certidão do processo extraviado, a
restauração será feita:
A) À vista de tal cópia autêntica ou certidão.
B) Exclusivamente por nova oitiva de testemunhas.
C) Mediante reconstituição dos fatos em plenário.
D) Apenas após laudo pericial do Instituto de Criminologia.
E) Por novo interrogatório compulsório do acusado.
Gabarito: Alternativa A
Análise Comentada:
• Alternativa A (CORRETA): Artigo 541, § 1º, do CPP: 'Se existir cópia autêntica ou certidão do processo, total ou
parcial, a restauração será feita à vista dela'.
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Questão 19 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário (Inédita)
Considere que um advogado extraviou dolosamente os autos de uma ação penal. Nos termos do CPP, o Juiz
deverá:
A) Decretar a prisão preventiva do advogado imediatamente sem oitiva do MP.
B) Instaurar procedimento disciplinar e encaminhar cópias ao MP para apuração do crime cabível.
C) Cassar a carteira da OAB do advogado no próprio processo penal.
D) Absolver o réu cliente do advogado.
E) Declarar a prescrição intercorrente da pretensão punitiva.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Redação do Artigo 548 do CPP.
Questão 20 — VUNESP — TJ-SP — Oficial de Justiça
Com relação à lavratura do auto de restauração (artigo 544 do CPP), é correto afirmar que:
A) Tem validade provisória por apenas 60 dias.
B) Suprirá os autos originais extraviados.
C) Não permite a prolação de sentença condenatória.
D) Exige homologação por órgão colegiado do Tribunal.
E) Depende de concordância expressa do réu.
Gabarito: Alternativa B
Análise Comentada:
• Alternativa B (CORRETA): Artigo 544 do CPP: a lavratura do auto de restauração supre os autos originais perdidos
para todos os efeitos processuais.
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CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTS. 574 A 667
Recursos em Geral, RESE, Apelação, Carta Testemunhável e Habeas Corpus | Foco VUNESP /
TJ-SP
1. Disposições Gerais sobre os Recursos (Arts. 574 a 580 do CPP)
Os recursos no Processo Penal brasileiro são regidos pelos princípios da voluntariedade (salvo hipóteses de reexame
necessário), da taxatividade, da dialeticidade, da fungibilidade e da proibição da reformatio in pejus.
Principais Regras do Código de Processo Penal:
• Recurso ex officio / Reexame Necessário (Art. 574): Os recursos serão voluntários, exceto: I - da sentença que conceder
ordem de habeas corpus; II - da sentença que absolver desde logo o réu nas hipóteses do art. 411 (atual art. 415 do Júri)
ou que julgar extinta a punibilidade no caso do art. 74 da Lei 1.521/51.
• Interesse Recursal (Art. 577, parágrafo único): Não se admitirá recurso da parte que não tiver interesse na reforma ou
modificação da decisão.
• Indesistibilidade pelo MP (Art. 576): O Ministério Público NUNCA poderá desistir de recurso que haja interposto. Essa é
uma regra de ouro em provas da VUNESP!
• Princípio da Fungibilidade Recursal (Art. 579): Salvo a hipótese de má-fé, a parte não será prejudicada pela interposição
de um recurso por outro. Se o recurso for interposto no prazo do recurso correto, o juiz mandará autuá-lo e processá-lo
pelo rito adequado.
• Efeito Extensivo da Decisão Recursal (Art. 580): No caso de concurso de agentes (coautores ou partícipes), a decisão
do recurso interposto por um dos réus, se fundada em motivos que não sejam de caráter estritamente pessoal, aproveitará
aos outros.
ALERTA VUNESP — REFORMATIO IN PEJUS E INDESISTIBILIDADE DO MP
1. Indesistibilidade do MP (Art. 576): O Promotor pode optar por não recorrer, mas depois que interpor o recurso, NÃO
PODE DESISTIR.
2. Proibição da Reformatio in Pejus (Art. 617): Havendo recurso exclusivo da defesa, o Tribunal NÃO pode agravar a
pena do réu nem piorar sua situação jurídica.
3. Efeito Extensivo (Art. 580): Se o recurso do réu 'A' for provido com base na atipicidade do fato (motivo objetivo), o
benefício se estende ao corréu 'B' que não recorreu.
2. Recurso em Sentido Estrito — RESE (Arts. 581 a 592 do CPP)
O Recurso em Sentido Estrito (RESE) é o recurso cabível contra decisões interlocutórias expressamente previstas em rol
taxativo no Artigo 581 do CPP.
Hipóteses Mais Cobradas do Art. 581 do CPP Observações e Detalhes da VUNESP
Art. 581, I: Rejeitar a denúncia ou a queixa Cabe RESE no CPP. (Atenção: Na Lei 9.099/95 - JECRIM, cabe Apelação).
Art. 581, IV: Pronunciar o réu Cabe RESE contra a Pronúncia. (Contra a Impronúncia cabe Apelação - Art.
416).
Art. 581, V: Conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar
quebrada a fiança
Decisões sobre liberdade provisória e fiança desafiam RESE.
Art. 581, VIII: Decretar a prescrição ou extinção da
punibilidade
Cabe RESE quando o juiz julga extinta a punibilidade no curso do processo.
Art. 581, IX: Indeferir o pedido de reconhecimento da
prescrição
Recurso cabível pela defesa para trancar o processo por prescrição.
Procedimento e Juízo de Retratação no RESE:
• Prazos: Prazo de 5 (cinco) dias para a interposição e de 2 (dois) dias para a apresentação das razões de recurso.
• Efeito Regressivo / Juízo de Retratação (Art. 589): Recebido o recurso, o juiz intimará o recorrido para contra-arrazoar
em 2 dias. Em seguida, o juiz terá o prazo de 2 (dois) dias para reformar ou sustentar a sua decisão. Se o juiz reformar a
decisão, a parte contrária poderá recorrer por simples petição sem necessidade de novas razões.
3. Apelação Penal (Arts. 593 a 606 do CPP)
A Apelação é o recurso genérico e amplo cabível contra sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas pelo
juiz singular ou pelo Tribunal do Júri.
Hipóteses de Cabimento (Art. 593) Prazos e Peculiaridades
Art. 593, I: Sentenças definitivas de condenação ou absolvição
proferidas por juiz singular
Prazo de Interposição: 5 (cinco) dias.
Prazo de Razões: 8 (oito) dias.
Art. 593, II: Decisões definitivas ou com força de definitivas não
previstas no RESE
Caráter residual da Apelação em relação ao RESE.
Art. 593, III: Decisões do Tribunal do Júri:
a) Nulidade posterior à pronúncia;
b) Sentença do juiz presidente contrária à lei ou à decisão dos
jurados;
c) Erro ou injustiça no apanhado de pena;
d) Decisãodos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.
Fundamentação Vinculada: No Júri, a apelação é restrita à alínea
invocada.
Atenção (Alínea 'd'): Se o Tribunal der provimento, manda o réu a
novo Júri. Só se admite UMA ÚNICA apelação por este motivo!
• Arrazoamento no Tribunal (Art. 600, § 4º): Na apelação, o apelante poderá declarar, na petição de interposição, que
deseja apresentar as razões na Segunda Instância (Tribunal).
4. Carta Testemunhável e Habeas Corpus (Arts. 639 a 667 do CPP)
A. Carta Testemunhável (Arts. 639 a 646):
• Cabimento: Dar-se-á carta testemunhável da decisão que denegar o recurso interposto ou da decisão que, admitindo o
recurso, obstar a sua expedição e seguimento para a instância superior.
• Prazo: Prazo extremamente curto de 48 (quarenta e oito) horas após a intimação da decisão.
• Dirigida ao: Escrivão do diretor do secretariado ou chefe de secretaria.
B. Habeas Corpus e seu Processo (Arts. 647 a 667):
O Habeas Corpus é uma ação constitucional de impugnação autônoma destinada a proteger a liberdade de locomoção
contra ilegalidade ou abuso de poder.
Hipóteses de Coação Ilegal (Art. 648 do CPP):
I - Quando não houver justa causa;
II - Quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;
III - Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;
IV - Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação;
V - Quando não for admitida a fiança, nos casos em que a lei a autoriza;
VI - Quando o processo for manifestamente nulo;
VII - Quando já estiver extinta a punibilidade.
• Legitimidade Ampla e Isenção de Custas (Art. 654): O HC pode ser impetrado por QUALQUER PESSOA, em favor de si
ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. Não exige capacidade postulatória (não precisa de advogado) e é isento
de custas.
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5. Quadro-Resumo de Prazos e Recursos (Revisão de Véspera)
Recurso / Medida Prazo Interposição Prazo Razões Efeito Regressivo?
RESE (Art. 581) 5 dias 2 dias
SIM (2 dias para juiz de
retratação)
Apelação (Art. 593) 5 dias 8 dias NÃO (salvo exceções raras)
Carta Testemunhável (Art. 639) 48 horas Incluso na petição SIM (Juízo de retratação)
Habeas Corpus (Art. 647) Sem prazo Ação autônoma N/A
6. Banco de Questões VUNESP Comentadas Opção por Opção
Treine com questões no padrão exato dos exames do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Questão 1 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
Sobre os princípios gerais dos recursos no Processo Penal, assinale a alternativa correta:
a) O Ministério Público poderá desistir do recurso interposto caso conclua pela inocência do réu.
b) A parte não poderá recorrer se a decisão lhe for favorável, em razão da ausência de interesse recursal.
c) O princípio da fungibilidade autoriza o recebimento de recurso inadequado mesmo quando houver má-fé.
d) No caso de concurso de agentes, a decisão do recurso interposto por um dos réus nunca aproveitará aos demais.
e) O réu não pode interpor recurso de apelação por intermédio de petição autônoma.
Gabarito e Comentário: Gabarito: B
Análise das Alternativas:
• a) INCORRETA: O Art. 576 expressamente veda a desistência do recurso pelo MP.
• b) CORRETA: Pelo Art. 577, parágrafo único, não se admitirá recurso da parte que não tiver interesse na reforma ou
modificação da decisão.
• c) INCORRETA: O Art. 579 ressalva que a fungibilidade exige ausência de má-fé.
• d) INCORRETA: Pelo Art. 580, o recurso aproveita aos corréus se fundado em motivos não estritamente pessoais.
• e) INCORRETA: Pelo Art. 578, os recursos serão interpostos por petição ou por termo nos autos.
Questão 2 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
Contra a decisão do Juiz de Direito que rejeita a denúncia ou a queixa no procedimento comum, cabe o seguinte recurso:
a) Apelação no prazo de 8 dias.
b) Recurso em Sentido Estrito no prazo de 5 dias.
c) Correição Parcial no prazo de 48 horas.
d) Agravo em Execução no prazo de 10 dias.
e) Reclamação Constitucional.
Gabarito e Comentário: Gabarito: B
Análise das Alternativas:
• b) CORRETA: O Art. 581, I, do CPP estabelece caber Recurso em Sentido Estrito (RESE) contra a decisão que rejeitar a
denúncia ou a queixa. O prazo de interposição é de 5 dias (Art. 586 do CPP).
• Nota: A apelação contra rejeição de denúncia ocorre apenas no JECRIM (Lei 9.099/95).
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Questão 3 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
No Recurso em Sentido Estrito (RESE), após as contra-razões do recorrido, o juiz terá o prazo de:
a) 2 (dois) dias para reformar ou sustentar a sua decisão.
b) 5 (cinco) dias para remeter os autos ao Tribunal.
c) 10 (dez) dias para proferir nova sentença.
d) 24 (vinte e quatro) horas para intimar o Ministério Público.
e) 15 (quinze) dias para apreciar o pedido de fiança.
Gabarito e Comentário: Gabarito: A
Análise das Alternativas:
• a) CORRETA: Conforme o Artigo 589 do CPP, dentro de 2 (dois) dias, o juiz reformará ou sustentará o seu despacho (Juízo
de Retratação / Efeito Regressivo).
Questão 4 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
Em relação à Apelação no Tribunal do Júri fundada em decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos (Art.
593, III, 'd', do CPP), é correto afirmar que:
a) O Tribunal de Justiça poderá absolver diretamente o réu se concluir pela sua inocência.
b) O Tribunal, provendo o recurso, sujeitará o réu a novo julgamento, sendo admitida segunda apelação pelo mesmo motivo.
c) Se o Tribunal der provimento à apelação, sujeitará o réu a novo julgamento, não se admitindo, porém, segunda apelação por
esse mesmo motivo.
d) A apelação não tem efeito devolutivo nas decisões do Tribunal do Júri.
e) O Tribunal julgará o mérito substituindo a decisão dos jurados soberanos.
Gabarito e Comentário: Gabarito: C
Análise das Alternativas:
• c) CORRETA: Nos termos do Art. 593, § 3º, do CPP, se a apelação for provida por ser a decisão manifestamente contrária à
prova dos autos, o Tribunal determinará novo julgamento pelo Júri. Porém, não se admitirá segunda apelação pelo mesmo
motivo.
Questão 5 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
Dá-se Carta Testemunhável da decisão que:
a) Conceder a ordem de Habeas Corpus.
b) Denegar o recurso interposto ou obstar a sua expedição e seguimento para a instância superior.
c) Decretar a prisão preventiva do investigado.
d) Absolver sumariamente o acusado com base no art. 397.
e) Homologar o acordo de não persecução penal.
Gabarito e Comentário: Gabarito: B
Análise das Alternativas:
• b) CORRETA: O Artigo 639 do CPP dispõe que dar-se-á Carta Testemunhável da decisão que denegar o recurso interposto
ou que, admitindo-o, obstar a sua expedição e seguimento para a instância superior. O prazo de interposição é de 48 horas
(Art. 640).
Questão 6 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
A respeito do Habeas Corpus no Direito Processual Penal brasileiro, assinale a alternativa correta:
a) O Habeas Corpus exige a representação por advogado regularmente inscrito na OAB.
b) É devida a cobrança de custas processuais iniciais na impetração do Habeas Corpus.
c) O Habeas Corpus pode ser impetrado por qualquer pessoa, em favor de si ou de outrem, bem como pelo Ministério Público.
d) Não cabe Habeas Corpus quando a pessoa estiver presa por tempo superior ao determinado em lei.
e) O Habeas Corpus limita-se ao trancamento de ações penais por crimes punidos com reclusão.
Gabarito e Comentário: Gabarito: C
Análise das Alternativas:
• c) CORRETA: O Art. 654 do CPP prescreve que o Habeas Corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor
ou de outrem, e pelo MP. É isento de custas (Art. 5º, LXXVII, da CF/88) e prescinde de advogado.
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Questão 7 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
Considera-se ilegal a coação quando, nos termos do Art. 648 do CPP:
a) Não houver justa causa.
b) O réu for reincidente em crime doloso.
c) A pena aplicada for superior a 4 anos.
d) O prolator da sentença for juiz de entrância inicial.
e) O réu não tiver constituído advogado nos autos.
Gabarito e Comentário: Gabarito: A
Análise das Alternativas:
• a) CORRETA: O Artigo 648, I, do CPP elenca expressamente como primeira hipótese de coação ilegal a ausência de justa
causa.
Questão 8 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
O prazo para a interposição do Recurso de Apelação no Código de Processo Penal é de:
a) 2 dias.
b) 5 dias.
c) 8 dias.
d) 10 dias.
e) 15 dias.
Gabarito e Comentário: Gabarito: B
Análise das Alternativas:
• b) CORRETA: O prazo para a interposição da Apelação é de 5 (cinco) dias (Art. 593, caput). Já o prazo para a
apresentação das razões de apelação é de 8 (oito) dias (Art. 600, caput).
Questão 9 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
No tocante ao efeito extensivo nos recursos penais (Art. 580 do CPP), é correto afirmar:
a) Aproveita aos corréus mesmo que fundado em motivos de caráter estritamente pessoal.
b) Não se aplica aos casos de concurso de pessoas.
c) Aproveita aos corréus desde que fundado em motivos que não sejam de caráter estritamente pessoal.
d) Exige nova interposição de recurso pelo corréu beneficiado.
e) Depende de autorização expressa do Ministério Público.
Gabarito e Comentário: Gabarito: C
Análise das Alternativas:
• c) CORRETA: A regra do Art. 580 estabelece que no caso de concurso de agentes, a decisão do recurso interposto por um
dos réus, se fundada em motivos que não sejam de caráter estritamente pessoal, aproveitará aos outros.
Questão 10 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
A Carta Testemunhável deve ser requerida no prazo de:
a) 24 horas.
b) 48 horas.
c) 5 dias.
d) 8 dias.
e) 10 dias.
Gabarito e Comentário: Gabarito: B
Análise das Alternativas:
• b) CORRETA: Conforme dispõe o Artigo 640 do CPP, a carta testemunhável será requerida ao escrivão ou chefe de
secretaria no prazo de 48 (quarenta e oito) horas.
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CÓDIGO PENAL — ARTIGOS 293 A 305
Dos Crimes Contra a Fé Pública: Falsidade de Títulos, Papéis Públicos e Falsidade Documental
Apostila Mestra Aprofundada — Foco TJ-SP / Banca VUNESP
1. VISÃO GERAL E ESTRUTURA DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA
O Título X da Parte Especial do Código Penal tutela o bem jurídico Fé Pública — isto é, a confiança e a credibilidade que a
sociedade e o Estado depositam em determinados documentos, títulos, sinais, símbolos e declarações oficiais. Para o
concurso de Escrevente Técnico Judiciário do TJ-SP, a banca VUNESP cobra com altíssima frequência os Artigos 293 a 305
do CP.
Para gabaritar essas questões, o candidato precisa dominar com precisão cirúrgica quatro distinções fundamentais:
• Falsidade Material vs. Falsidade Ideológica: Na falsidade material (Arts. 293, 296, 297, 298), a fraude recai sobre a própria
estrutura física/autenticidade do documento (ele é fabricado ou alterado). Na falsidade ideológica (Art. 299), o documento é
fisicamente genuíno/autêntico, mas seu conteúdo declaratório contém uma mentira.
• Documento Público vs. Documento Particular: O documento público é elaborado por funcionário público no exercício de
suas funções. Contudo, o Art. 297, § 2º traz a lista exaustiva de documentos equiparados a públicos (livros mercantis,
testamento particular, ações de sociedade, título ao portador/endossável e emanados de paraestatais). Já o cartão de
crédito/débito é equiparado a documento particular (Art. 298, parágrafo único).
• Causa de Aumento de Pena para Funcionário Público (1/6): Presente expressamente nos artigos 295, 296 §2º, 297 §1º e
299 parágrafo único, exigindo que o funcionário cometa o crime prevalecendo-se do cargo.
• Uso de Documento Falso (Art. 304) x Crime do Falsificador: Se o próprio falsificador faz uso do documento que ele mesmo
alterou/fabricou, responde por apenas UM crime (o crime da falsificação), sendo o uso considerado mero post factum
impunível (exaurimento), conforme jurisprudência pacífica do STF/STJ e padrão da VUNESP.
2. MÓDULO 1: FALSIFICAÇÃO DE PAPÉIS PÚBLICOS E PETRECHOS (ARTS. 293 A
295)
TRANSCRIÇÃO DA LEI SECA — ARTIGO 293 DO CÓDIGO PENAL
Art. 293. Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
I - selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de tributo;
II - papel de crédito público que não seja moeda de curso legal;
III - vale postal;
IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade de direito
público;
V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que
o poder público seja responsável;
VI - bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União, por Estado ou por Município.
Pena - reclusão, de 2 a 8 anos, e multa.
§ 1º Incorre na mesma pena quem usa, guarda, possui, detém, importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta ou restitui à
circulação o papel falsificado.
§ 2º Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de torná-los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo
de sua inutilização: Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.
§ 4º Quem usa ou restitui à circulação, embora recebido de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou alterados, depois de conhecer
a falsidade, incorre na pena de detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa.
Análise Detalhada das Condutas do Art. 293:
O Art. 293 pune a falsificação material de papéis e títulos do Estado que possuem valor econômico ou fiscal. Atenção aos
núcleos típicos:
1. Fabricar (criar do zero) ou Alterar (modificar papel legítimo): Pena de reclusão de 2 a 8 anos e multa (caput).
2. Suprimir sinal de inutilização (§ 2º): Papel era legítimo e foi cancelado/carimbado. O agente apaga o carimbo para reusar.
A pena é menor: reclusão de 1 a 4 anos e multa. (Questão clássica do TJ-SP 2025!)
3. Restituição à circulação recebido de boa-fé (§ 4º): Se a pessoa recebeu de boa-fé, mas após descobrir a falsidade decide
repassar para não ter prejuízo, comete crime apenado com detenção de 6 meses a 2 anos ou multa.
TRANSCRIÇÃO DA LEI SECA — ARTIGOS 294 E 295 DO CÓDIGO PENAL
Art. 294 (Petrechos de Falsificação): Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de
qualquer dos papéis referidos no artigo anterior: Pena - reclusão, de 1 a 3 anos, e multa.
Art. 295 (Causa de Aumento): Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de
sexta parte (1/6).
PEGADINHA DA VUNESP — PETRECHOS E AUMENTO DE PENA
A VUNESP costuma perguntar se o crime de petrechos de falsificação (Art. 294) é um crime formal/obstáculo e de tipo misto
alternativo.
RESPOSTA: SIM! É crime de perigo abstrato, formal e de conduta múltipla. Além disso, se o agente cria os petrechos E DEPOIS
efetivamente falsifica o papel público, o crime do art. 294 fica absorvido pelo art. 293 (princípio da consunção/crime-meio). Lembre-se
também: a causa de aumento para funcionário público é de 1/6 (sexta parte)!
3. MÓDULO 2: FALSIDADE DOCUMENTAL MATERIAL (ARTS. 296 A 298)
CÓDIGO PENAL — ARTIGOS 293 A 305 | FALSIDADE DOCUMENTAL E FÉ PÚBLICA CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP
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TRANSCRIÇÃO DA LEI SECA — ARTIGOS 296, 297 E 298 DO CÓDIGO PENAL
Art. 296 (Selo ou Sinal Público): Falsificar, fabricando-os ou alterando-os: I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da União,Estado ou Município; II - selo ou sinal de entidade de direito público, autoridade ou sinal público de tabelião: Pena - reclusão, de 2 a 6
anos, e multa. (§ 1º: uso de selo falso, uso indevido do verdadeiro, marca/logotipo de órgão público. § 2º: aumento de 1/6 se
funcionário público).
Art. 297 (Falsificação de Documento Público): Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público
verdadeiro: Pena - reclusão, de 2 a 6 anos, e multa.
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte (1/6).
§ 2º - EQUIPARAÇÕES A DOCUMENTO PÚBLICO:
1. Documento emanado de entidade paraestatal;
2. Título ao portador ou transmissível por endosso;
3. Ações de sociedade comercial;
4. Livros mercantis;
5. Testamento particular.
Art. 298 (Falsificação de Documento Particular): Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular
verdadeiro: Pena - reclusão, de 1 a 5 anos, e multa.
Parágrafo único: Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito.
CATEGORIA DE DOCUMENTO NATUREZA ORIGINAL EQUIPARAÇÃO PENAL (ONDE CAI)
Testamento Particular Documento Particular
EQUIPARADO A DOCUMENTO PÚBLICO (Art. 297,
§ 2º)
Livros Mercantis Documento Particular
EQUIPARADO A DOCUMENTO PÚBLICO (Art. 297,
§ 2º)
Ações de Sociedade Comercial Documento Particular
EQUIPARADO A DOCUMENTO PÚBLICO (Art. 297,
§ 2º)
Cheque / Duplicata (Endossável) Título Privado
EQUIPARADO A DOCUMENTO PÚBLICO (Art. 297,
§ 2º)
Cartão de Crédito ou Débito Objeto Plástico/Eletrônico
EQUIPARADO A DOCUMENTO PARTICULAR (Art.
298, p. único)
Tabela de Equiparações Penais — Decore para a Prova do TJ-SP
MNEMÔNICO INFALÍVEL DA VUNESP — EQUIPARAÇÕES PENAIS
DECORE OS 5 EQUIPARADOS A DOCUMENTO PÚBLICO (Art. 297, §2º):
Mnemônico: PARA-LI-TES-AÇÕES-ENDOSSO
• PARA: Paraestatal (documento emanado de entidade paraestatal)
• LI: Livros mercantis
• TES: Testamento particular
• AÇÕES: Ações de sociedade comercial
• ENDOSSO: Título ao portador ou transmissível por endosso.
Cuidado: A VUNESP ama dizer que testamento particular é falsificação de documento particular. ERRADO! É equiparado a PÚBLICO! E o
cartão de crédito/débito é equiparado a PARTICULAR!
4. MÓDULO 3: FALSIDADE IDEOLÓGICA E OUTRAS FALSIDADES (ARTS. 299 A 303)
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TRANSCRIÇÃO DA LEI SECA — ARTIGOS 299 A 302 DO CÓDIGO PENAL
Art. 299 (Falsidade Ideológica): Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer
inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre
fato juridicamente relevante:
Pena - reclusão, de 1 a 5 anos, e multa (se documento público); reclusão, de 1 a 3 anos, e multa (se documento particular).
Parágrafo único: Se o agente é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação é de
assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte (1/6).
Art. 300 (Falso Reconhecimento de Firma/Letra): Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o
não seja: Pena - reclusão de 1 a 5 anos e multa (público) / 1 a 3 anos e multa (particular).
Art. 301 (Certidão ou Atestado Ideologicamente Falso): Atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato que habilite
alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou vantagem: Pena - detenção, de 2 meses a 1 ano.
§ 1º (Falsidade Material de Atestado/Certidão): Falsificar atestado/certidão: Pena - detenção de 3 meses a 2 anos.
§ 2º: Se o crime é praticado com fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa.
Art. 302 (Falsidade de Atestado Médico): Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso: Pena - detenção, de 1 mês a 1
ano.
Parágrafo único: Se o crime é cometido com fim de lucro, aplica-se também multa.
Diferença Crucial: Falsidade Material x Falsidade Ideológica
A VUNESP aborda exaustivamente a diferença entre falsificar o documento em si e falsificar a ideia contida nele. Observe a
tabela comparativa:
CRITÉRIO FALSIFICAÇÃO MATERIAL (ARTS. 297/298) FALSIDADE IDEOLÓGICA (ART. 299)
Onde está a fraude? Na forma física/autenticidade do papel. No conteúdo/ideia/declaração inserida.
Aparência do Doc. Documento é nulo/forjado/adulterado. Documento é fisicamente verdadeiro/autêntico.
Exemplo prático Rasurar a data de nascimento no RG original. Indicar amigo falso como condutor em notificação
de multa de trânsito (TJ-SP 2021/2023).
Perícia Obrigatória? SIM (exame grafotécnico/documentoscópico). NÃO necessariamente (a falsidade é do conteúdo).
Quadro Comparativo — Falsidade Material vs. Falsidade Ideológica
5. MÓDULO 4: USO E SUPRESSÃO DE DOCUMENTOS (ARTS. 304 E 305)
TRANSCRIÇÃO DA LEI SECA — ARTIGOS 304 E 305 DO CÓDIGO PENAL
Art. 304 (Uso de Documento Falso): Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.
Art. 305 (Supressão de Documento): Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio,
documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:
Pena - reclusão, de 2 a 6 anos, e multa (se documento público); reclusão, de 1 a 5 anos, e multa (se documento particular).
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REGRAS DE OURO — USO E SUPRESSÃO DE DOCUMENTOS
DUAS REGRAS DEÂUROS PARA O ART. 304 E ART. 305 DA VUNESP:
1. Uso pelo próprio falsificador (Art. 304): O agente que falsifica um RG e depois o apresenta à polícia responde APENAS pelo crime do
Art. 297 (falsificação). O uso é absorvido como mero exaurimento. Já o terceiro de boa ou má-fé que apenas USA o documento falso
alheio responde pelo Art. 304.
2. Supressão de Documento (Art. 305): Exige obrigatoriamente que o documento seja VERDADEIRO! Destruir documento falso é conduta
atípica sob a ótica do art. 305.
6. BANCO DE QUESTÕES REAIS E NO PADRÃO VUNESP COMENTADAS
QUESTÃO 1 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário - 2025 - Adaptada)
É crime, expressamente previsto no caput combinado com o inciso IV do art. 293 do Código Penal, falsificar cautela de penhor
emitida por entidade de direito público. Na hipótese de o documento de cautela ser legitimamente cancelado pela entidade,
mediante a aposição de um carimbo, a conduta do sujeito que suprime tal carimbo, visando a uma nova utilização da cautela de
penhor, é:
(A) típica e punida com a mesma pena, tendo em vista a equivalência das condutas de falsificar e suprimir.
(B) atípica, tendo em vista ausência de expressa previsão legal para a punição da supressão.
(C) típica e punida pelo § 2º do art. 293 do CP, com pena de reclusão de 1 a 4 anos e multa, por se tratar da conduta de suprimir sinal
indicativo de inutilização de papel público legítimo.
(D) típica e punida pelo CP, englobada no conceito de estelionato exclusivamente.
(E) atípica, tendo em vista que não se pode admitir interpretação extensiva em prejuízo do réu.
Gabarito: C
Análise do Professor: O Art. 293, § 2º do CP tipifica expressamente a conduta de 'Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legítimos,
com o fim de torná-los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização', fixando a pena de reclusão, de 1 a 4 anos, e
multa. Portanto, não é atípica nem tem a mesma pena do caput (2 a 8 anos), mas sim a pena reduzida do § 2º.
QUESTÃO 2 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário - 2022)
A respeito dos crimes previstos nos artigos 293 a 305 do Código Penal, assinale a alternativa correta:
(A) A falsificação de livros mercantis caracteriza o crime de falsificação de documento particular (art.298 do CP).
(B) O crime de falsidade ideológica (art. 299 do CP), em documento público, é próprio de funcionário público.
(C) No crime de falsidade de atestado médico (art. 302 do CP), independentemente da finalidade de lucro do agente, além da pena
privativa de liberdade, aplica-se multa.
(D) O crime de supressão de documento (art. 305 do CP), para se caracterizar, exige que o documento seja verdadeiro.
(E) O crime de falsificação de documento público (art. 297 do CP) é próprio de funcionário público.
Gabarito: D
Análise do Professor:
• (A) Incorreta: Livros mercantis são equiparados a documento público (Art. 297, § 2º).
• (B) Incorreta: Falsidade ideológica é crime comum, pode ser praticado por qualquer pessoa.
• (C) Incorreta: No art. 302, a multa só se aplica se houver fim de lucro (parágrafo único).
• (D) CORRETA: O Art. 305 exige expressamente que o documento seja verdadeiro ('documento público ou particular verdadeiro').
• (E) Incorreta: O Art. 297 é crime comum; se praticado por funcionário público prevalecendo-se do cargo, há causa de aumento de 1/6 (§
1º).
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QUESTÃO 3 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário - 2021)
O proprietário de veículo que indica falsamente outra pessoa como condutora do veículo no momento da infração de trânsito em
formulário (notificação de multa) da autoridade de trânsito, em tese, pratica o crime de:
(A) Falsificação de documento público.
(B) Falsidade ideológica.
(C) Falsificação de documento particular.
(D) Falsa identidade.
(E) Uso de documento falso.
Gabarito: B
Análise do Professor: O formulário da notificação de multa emitido pelo órgão de trânsito é um documento físico autêntico/verdadeiro. Ao
inserir nele uma declaração falsa (atribuindo a infração a pessoa que não dirigia), o agente atenta contra a verdade do conteúdo,
configurando Falsidade Ideológica (Art. 299 do CP).
QUESTÃO 4 (VUNESP - 2023 - Prova Oficial Correlata)
Para efeitos penais de falsidade, considere o título ao portador, os livros mercantis e o testamento particular. É correto afirmar que:
(A) todos são equiparados a documento público.
(B) todos são equiparados a documento particular.
(C) os dois primeiros são equiparados a documento público; o terceiro, a documento particular.
(D) o primeiro é equiparado a documento público; os últimos, a documento particular.
(E) o primeiro e o último são equiparados a documento público; o segundo, a documento particular.
Gabarito: A
Análise do Professor: O Art. 297, § 2º do Código Penal lista expressamente as 5 hipóteses de equiparação a documento público: 1)
documento emanado de entidade paraestatal; 2) título ao portador ou transmissível por endosso; 3) ações de sociedade comercial; 4)
livros mercantis; 5) testamento particular. Portanto, TODOS são equiparados a documento público!
QUESTÃO 5 (VUNESP - 2022 - Prova Oficial Correlata)
Para fins de punição penal, a falsificação de cartão de crédito e a falsificação de testamento particular:
(A) são tratadas igualmente, sendo ambos os objetos materiais considerados documento público.
(B) são tratadas igualmente, sendo ambos considerados documento particular.
(C) são tratadas diferentemente, pois o primeiro é considerado documento particular e o segundo, documento público.
(D) são tratadas diferentemente, pois o primeiro é considerado documento público e o segundo, documento particular.
(E) são tratadas diferentemente, pois falsificar o cartão de crédito sequer constitui crime.
Gabarito: C
Análise do Professor: O cartão de crédito/débito é equiparado a documento particular (Art. 298, parágrafo único). Por outro lado, o
testamento particular é equiparado a documento público (Art. 297, § 2º). Portanto, são tratados de forma diferente!
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QUESTÃO 6 (VUNESP - 2021 - Prova Oficial Correlata)
Os crimes cujas sanções são aumentadas por terem sido cometidos, respectivamente, com o fim de lucro e por funcionário público
que comete o crime prevalecendo-se do cargo são:
(A) uso de documento falso; supressão de documento.
(B) falsidade de atestado médico; falsidade ideológica.
(C) falsificação de papéis públicos; fraudes em certames de interesse público.
(D) petrechos de falsificação; reprodução de selo filatélico.
(E) falso reconhecimento de firma; falsidade material de atestado.
Gabarito: B
Análise do Professor:
• Falsidade de atestado médico (Art. 302, parágrafo único): se cometido com fim de lucro, aplica-se também multa.
• Falsidade ideológica (Art. 299, parágrafo único): se o agente é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se
a pena de sexta parte (1/6).
QUESTÃO 7 (VUNESP - Inédita no Padrão TJ-SP)
Tício, funcionário público estadual do Tribunal de Justiça, prevalecendo-se das facilidades do seu cargo, falsifica a assinatura de um
Juiz de Direito em uma certidão oficial para beneficiar um parente. A respeito da responsabilidade penal de Tício, assinale a
alternativa correta:
(A) Responderá por Falsificação de Documento Particular com causa de aumento de pena.
(B) Responderá por Falsificação de Documento Público (Art. 297, caput), com a pena aumentada de sexta parte (Art. 297, § 1º).
(C) Responderá em concurso material pelos crimes de Falsificação de Documento Público e Falsidade Ideológica.
(D) Não cometeu crime contra a fé pública, mas apenas infração disciplinar funcional.
(E) Responderá por Falso Reconhecimento de Firma ou Letra (Art. 300).
Gabarito: B
Análise do Professor: A certidão judicial assinada por Juiz é documento público. Falsificar a assinatura/criar a certidão do zero é
Falsificação de Documento Público (Art. 297). Como Tício é funcionário público e agiu prevalecendo-se do cargo, aplica-se a causa de
aumento de 1/6 (§ 1º).
QUESTÃO 8 (VUNESP - Inédita no Padrão TJ-SP)
Mévio fabricou uma carteira de identidade (RG) falsa em sua residência. No dia seguinte, ao ser abordado em uma fiscalização de
trânsito pela Polícia Militar, Mévio apresentou espontaneamente o referido RG falso aos policiais para ocultar sua condição de
procurado da justiça. De acordo com a jurisprudência sumulada e pacífica aplicada pela VUNESP, Mévio responderá por:
(A) Concurso material entre Falsificação de Documento Público (Art. 297) e Uso de Documento Falso (Art. 304).
(B) Concurso formal entre Falsificação de Documento Público (Art. 297) e Falsa Identidade (Art. 307).
(C) Apenas pelo crime de Falsificação de Documento Público (Art. 297), sendo o uso considerado mero exaurimento/post factum
impunível.
(D) Apenas pelo crime de Uso de Documento Falso (Art. 304), ficando absorvida a falsificação antecedente.
(E) Crime de Falsa Identidade (Art. 307), por ser crime subsidiário.
Gabarito: C
Análise do Professor: Quando o mesmo agente falsifica o documento e posteriormente o utiliza, o uso (Art. 304) é considerado mero post
factum impunível (exaurimento da falsificação). O agente responde apenas pelo crime da falsificação (Art. 297), não havendo concurso de
crimes.
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CÓDIGO PENAL — ARTIGOS 307 E 308
FALSA IDENTIDADE E USO/CESSÃO DE DOCUMENTO DE IDENTIDADE ALHEIO
1. VISÃO GERAL E ENQUADRAMENTO LEGAL
No concurso para Escrevente Técnico Judiciário do TJ-SP, a banca VUNESP cobra com elevada frequência os crimes
contra a Fé Pública situados no Capítulo IV do Título X do Código Penal ('De Outras Falsidades'). Os artigos 307 (Falsa
Identidade) e 308 (Uso de Documento de Identidade Alheia / Cessão) representam tipos penais de aplicação
cotidiana no meio policial e judiciário. É fundamental dominar os requisitos de cada tipo, as diferenças em relaçãoaos
documentos falsos (Art. 304) e a indispensável Súmula 522 do STJ.
2. ARTIGO 307 DO CÓDIGO PENAL — FALSA IDENTIDADE
TRANSCRIÇÃO DA LEI SECA — ARTIGO 307
Art. 307. Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar
dano a outrem:
Pena — detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.
Análise Detalhada dos Elementos do Art. 307:
a) Condutas Típicas (Verbos Nucleares): O crime possui dois núcleos alternativos:
• Atribuir-se: O próprio agente alega ser quem não é (autoatribuição de falsa identidade).
• Atribuir a terceiro: O agente atribui a outra pessoa (presente ou ausente) uma identidade falsa (heteroatribuição).
b) Meio de Execução (Falta de Documento Físico): A conduta do Art. 307 é eminentemente verbal, escrita ou
declaratória, sem a apresentação ou exibição de documento de identidade falso ou de terceiro. Se o agente apresenta
documento falso, responde por uso de documento falso (Art. 304). Se apresenta documento verdadeiro de outra pessoa,
responde pelo Art. 308.
c) Elemento Subjetivo do Tipo (Dolo Específico): Não basta a mera mentira irresponsável. É exigido o dolo acrescido
da finalidade especial: obter vantagem (patrimonial, pessoal, moral, fuga da prisão) ou causar dano a outrem.
d) Subsidiariedade Expressa: A pena só é aplicada 'se o fato não constitui elemento de crime mais grave'. Se o agente
usa a falsa identidade para induzir a vítima em erro e obter vantagem ilícita patrimonial, o crime de falsa identidade é
absorvido pelo crime de Estelionato (Art. 171).
ALERTA MÁXIMO VUNESP — SÚMULA 522 DO STJ
SÚMULA 522 DO STJ: 'A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em alegada
autodefesa.'
COMO A VUNESP COBRA EM PROVA: A banca afirma que o indivíduo abordado pela polícia ou preso em flagrante que
mente o nome para esconder seus antecedentes criminais ou mandado de prisão em aberto estaria amparado pelo direito à
autodefesa (não punível). ISSO É FALSO! O STJ e o STF pacificaram que a autodefesa não abrange o direito de mentir a
própria identidade civil/penal. O agente responde por crime do Art. 307 do CP!
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3. ARTIGO 308 DO CÓDIGO PENAL — USO/CESSÃO DE DOC. DE
IDENTIDADE ALHEIO
TRANSCRIÇÃO DA LEI SECA — ARTIGO 308
Art. 308. Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade
alheia, ou ceder a outrem, para que dele se utilize:
Pena — detenção, de quatro meses a dois anos, e multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.
Análise Detalhada dos Elementos do Art. 308:
a) Crime de Ação Múltipla (Dois Núcleos):
1. Usar (como próprio): Apresentar ou utilizar documento de identidade verdadeiro pertencente a outra pessoa.
2. Ceder (a outrem): Emprestar, entregar ou disponibilizar o seu documento de identidade legítimo para que terceira
pessoa o utilize como se fosse dela.
b) Requisito Essencial — O Documento deve ser VERDADEIRO (Genuíno):
Para a caracterização do Art. 308, o documento exibido ou cedido é totalmente legítimo e autêntico, emitido pelo órgão
oficial competente, porém pertence a outra pessoa (ex: usar o RG ou CNH verdadeira do irmão gêmeo ou amigo).
• Se o documento for falsificado ou adulterado: O crime será do Art. 304 (Uso de Documento Falso).
c) Rol de Documentos de Identidade: O texto legal cita exemplificativamente passaporte, título de eleitor, caderneta de
reservista e encerra com a cláusula genérica 'ou qualquer documento de identidade alheia' (ex: RG, CNH, Carteira OAB,
CRM, Carteira Funcional).
d) Subsidiariedade Expressa: Aplica-se a pena do Art. 308 somente 'se o fato não constitui elemento de crime mais
grave'.
4. QUADRO COMPARATIVO CURINGA — DIFERENCIAÇÃO EM PROVA
A VUNESP tenta constantemente confundir o candidato trocando as condutas entre os artigos 299, 304, 307 e 308.
Memorize a tabela abaixo para acertar qualquer questão de comparação:
CRIME / TIPO
PENAL
CONDUTA PRATICADA NATUREZA DO
DOCUMENTO
EXEMPLO PRÁTICO FORENSE
Art. 307
Falsa Identidade
Declarar ou atribuir a si/terceiro
nome ou dados falsos (de boca/por
escrito).
Inexistente (não há exibição
de documento físico).
Preso em flagrante diz aos policiais
que se chama 'João' (nome do irmão)
para esconder mandado.
Art. 308
Uso/Cessão Doc.
Alheio
Exibir doc. de terceiro como se
fosse seu OU ceder o seu doc. a
outrem.
Verdadeiro / Genuíno, porém
pertencente a outra pessoa.
Jovem de 17 anos apresenta a CNH
verdadeira do irmão de 20 anos para
entrar em casa noturna.
Art. 304
Uso de Doc. Falso
Fazer uso de qualquer papel
material ou ideologicamente falso.
Falso / Adulterado (material
ou ideologicamente).
Motorista apresenta CNH falsificada
compondo foto sua com dados de
terceiro.
Art. 299
Falsidade Ideológica
Inserir ou omitir declaração falsa em
doc. verdadeiro para alterar a
verdade.
Verdadeiro na forma, mas
com conteúdo mentiroso.
Proprietário indica condutor falso no
formulário de multa de trânsito para
transferir pontos.
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5. MACETES DE MEMORIZAÇÃO RÁPIDA
MACETE DE OURO PARA MUDANÇA DE TIPO PENAL
REGRA DOS TRÊS PASSO DA BANCA VUNESP:
1. Falou de boca pra fora? Não mostrou papel nenhum? -> Art. 307 (Falsa Identidade).
2. Mostrou documento VERDADEIRO que é de OUTRA pessoa? -> Art. 308 (Doc. Alheio).
3. Mostrou documento FALSIFICADO / ADULTERADO? -> Art. 304 (Uso de Doc. Falso).
4. Alegou autodefesa ao mentir o nome na delegacia? É CRIME SIM -> Súmula 522 STJ (Art. 307).
CÓDIGO PENAL — ARTIGOS 307 E 308 (FALSA IDENTIDADE E USO/CESSÃO DE DOC. ALHEIO) CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP
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6. BANCO DE QUESTÕES REAIS VUNESP COMENTADAS
Treine com questões no padrão exato exigido no concurso de Escrevente do TJ-SP:
Questão 1 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário): Mário, ao ser abordado por policiais
militares em patrulhamento de rotina, declarou verbalmente chamar-se Roberto, que é o nome de seu irmão
mais velho, com a intenção de ocultar o fato de que contra si havia um mandado de prisão expedido pela
Justiça. Mário não apresentou qualquer documento de identificação. Diante dessa situação hipotética,
Mário:
A) não praticou crime algum, pois a alteração do nome perante a polícia constitui exercício legítimo do direito constitucional à
autodefesa.
B) cometeu o crime de uso de documento falso (Art. 304 do Código Penal).
C) cometeu o crime de falsa identidade (Art. 307 do Código Penal).
D) cometeu o crime de uso de documento de identidade alheia (Art. 308 do Código Penal).
E) praticou mera infração administrativa sujeita à multa municipal.
Gabarito Comentado: Alternativa C.
Análise detalhada: Mário atribuiu-se falsa identidade (nome de seu irmão) declarando verbalmente, sem exibir documentos, para obter
vantagem (evitar o cumprimento do mandado de prisão). Essa conduta amolda-se perfeitamente ao Art. 307 do CP. Conforme a
Súmula 522 do STJ, a alegação de autodefesa não afasta a tipicidade do crime de falsa identidade perante a autoridade policial.
Incorretas as demais: A) Súmula 522 proíbe a tese da autodefesa; B) e D) exigem exibição de documento físico, o que não ocorreu.
Questão 2 (VUNESP — PC-SP — Delegado de Polícia / Adaptada TJ-SP): Lucas, jovem de 19 anos,
desejando ingressar em uma festa restrita a maiores de 21 anos, pegou escondido a Carteira Nacional de
Habilitação (CNH) verdadeira de seu amigo Paulo, de 22 anos, e a apresentou ao segurança do
estabelecimento na entrada. A conduta de Lucas configura, em tese, o crime de:
A) Falsificação de documento público (Art. 297 do CP).
B) Falsidade ideológica (Art. 299 do CP).
C) Usode documento falso (Art. 304 do CP).
D) Uso de documento de identidade alheia (Art. 308 do CP).
E) Falsa identidade (Art. 307 do CP).
Gabarito Comentado: Alternativa D.
Análise detalhada: Como a CNH apresentada por Lucas é totalmente verdadeira e autêntica, porém pertencente a terceira pessoa
(Paulo), o crime praticado é o do Artigo 308 do CP ('Usar, como próprio, passaporte... ou qualquer documento de identidade alheia').
Não é uso de doc. falso (Art. 304) nem falsificação (Art. 297) porque o documento é genuíno. Não é Art. 307 porque houve a exibição
física de documento verdadeiro alheio.
CÓDIGO PENAL — ARTIGOS 307 E 308 (FALSA IDENTIDADE E USO/CESSÃO DE DOC. ALHEIO) CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP
Apostila Mestra Especializada — Escrevente Técnico Judiciário do TJ-SP (Banca VUNESP) Página 4 de 5
Questão 3 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário): Assinale a alternativa correta acerca dos
crimes de Falsa Identidade (Art. 307) e Uso de Documento de Identidade Alheia (Art. 308), previstos no
Código Penal Brasileiro:
A) O crime de falsa identidade (Art. 307) é punido exclusivamente com pena de reclusão e incapacita o infrator para cargos
públicos.
B) Quem empresta ou cede seu próprio RG verdadeiro para que um amigo cometa uma fraude comete o crime de falsa
identidade (Art. 307).
C) O crime do Art. 308 contempla tanto a conduta de quem usa documento de identidade alheio como próprio quanto a de
quem cede o seu documento a outrem para que dele se utilize.
D) A atribuição de falsa identidade para ocultar antecedentes criminais perante a polícia é atípica devido ao direito ao
silêncio.
E) O delito do Art. 308 exige obrigatoriamente que o documento exibido seja materialmente falsificado por órgão não oficial.
Gabarito Comentado: Alternativa C.
Análise detalhada: A alternativa C reproduz a estrutura de tipo penal de ação múltipla do Art. 308 do CP (núcleos usar e ceder).
Incorretas as demais: A) A pena do Art. 307 é de detenção ou multa; B) Ceder doc. próprio é Art. 308; D) Súmula 522 do STJ considera
a conduta típica; E) O Art. 308 exige que o documento seja VERDADEIRO.
Questão 4 (VUNESP — Prefeitura de Campinas — Procurador / Adaptada TJ-SP): Renato, titular legítimo de
uma Carteira de Identidade (RG) expedida pela Secretaria de Segurança Pública de SP, emprestou
voluntariamente seu documento oficial para seu irmão gênio Caio, a fim de que este pudesse realizar uma
prova de concurso em seu lugar. Nessa situação, a conduta de Renato amolda-se ao crime de:
A) Falsidade ideológica (Art. 299).
B) Cessão de documento de identidade alheia (Art. 308, segunda parte).
C) Falsa identidade (Art. 307).
D) Favorecimento pessoal (Art. 348).
E) Estelionato tentado (Art. 171 c/c 14, II).
Gabarito Comentado: Alternativa B.
Análise detalhada: O Art. 308 do CP pune explicitamente a conduta de 'ceder a outrem [documento de identidade próprio], para que
dele se utilize'. Como Renato entregou/emprestou seu RG legítimo para o irmão utilizar como se fosse dele, responde pelo Art. 308 na
modalidade ceder.
Questão 5 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário): Sobre a subsidiariedade expressa contida
nas penas dos artigos 307 e 308 do Código Penal ('se o fato não constitui elemento de crime mais grave'),
assinale a afirmação correta:
A) Significa que a falsa identidade se sobrepõe a qualquer outro delito praticado pelo agente, absorvendo os crimes
patrimoniais.
B) Significa que, se a falsa identidade for utilizada exclusivamente como meio para a prática de um estelionato (Art. 171 do
CP), o agente responderá apenas pelo estelionato, ficando a falsa identidade absorvida.
C) Determina que a pena da falsa identidade é somada obrigatoriamente em concurso material com a pena do crime mais
grave.
D) Significa que o uso de documento alheio nunca pode ser punido se houver qualquer infração administrativa conexa.
E) Impede a aplicação de fiança ou transação penal em qualquer hipótese.
Gabarito Comentado: Alternativa B.
Análise detalhada: Pelo princípio da consunção/subsidiariedade expressa contida na ressalva do tipo penal ('se o fato não constitui
elemento de crime mais grave'), quando a atribuição de falsa identidade serve unicamente como meio fraudulento para a consumação
do estelionato (crime mais grave), a falsa identidade é absorvida pelo estelionato.
CÓDIGO PENAL — ARTIGOS 307 E 308 (FALSA IDENTIDADE E USO/CESSÃO DE DOC. ALHEIO) CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP
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Apostila Mestra de Direito Penal
Crimes Contra a Fé Pública e Contra a Administração Pública em Geral
Artigos 311-A e 312 a 317 do Código Penal Brasileiro — Foco TJ-SP (Banca VUNESP)
Apresentação do Professor Especialista: Esta apostila foi desenvolvida estritamente com base nas fontes oficiais e no perfil
de cobrança da banca VUNESP para o concurso de Escrevente Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça de São Paulo
(TJ-SP). Cobriremos do zero ao nível avançado as fraudes em certames de interesse público (Art. 311-A) e os crimes
praticados por funcionário público contra a administração em geral (Arts. 312 a 317), com transcrição da lei seca, quadros
comparativos, pegadinhas de prova e um banco de questões resolvidas e comentadas alternativa por alternativa.
Capítulo 1: Artigo 311-A — Fraudes em Certames de Interesse Público
Art. 311-A, CP: Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de causar dano à administração
pública, conteúdo sigiloso de:
I - concurso público;
II - avaliação ou exame públicos;
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei.
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas às
informações mencionadas no caput.
§ 2º Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 3º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público.
1. Análise Doutrinária e Elementos do Tipo (Art. 311-A):
O artigo 311-A foi incluído no Código Penal pela Lei nº 12.550/2011 para suprir uma histórica lacuna legislativa. Antes
dessa lei, a cola em concursos ou vazamento de gabarito/prova gerava impasse tipológico (frequentemente classificado
inadequadamente como estelionato ou falsidade).
• Bem Jurídico Tutelado: A Fé Pública (especificamente a lisura e a moralidade dos certames públicos).
• Sujeito Ativo: Crime comum no caput e § 1º (qualquer pessoa pode praticar). Se praticado por funcionário público,
incide a causa de aumento de 1/3 (um terço) prevista no § 3º.
• Elemento Subjetivo: Exige o dolo acompanhado de Elemento Subjetivo Especial do Tipo (Dolo Específico): 'com o fim
de beneficiar a si ou a outrem, ou de causar dano à administração pública'.
• Consumação: Crime formal. Consuma-se com a simples utilização ou divulgação indevida do conteúdo sigiloso,
independentemente de o candidato efetivamente obter a aprovação ou a vaga.
PEGADINHA CLÁSSICA DA VUNESP — ART. 311-A:
1. Cola Eletrônica e Vazamento de Prova: O tipo pune o uso ou divulgação de conteúdo SIGILOSO. A divulgação do gabarito
ou prova APÓS a sua realização pública não configura o crime, pois perdeu o caráter sigiloso.
2. Figura Qualificada pelo Dano (§ 2º): Se da fraude resultar dano efetivo à Administração (ex.: anulação do concurso com
custo de reaplicação), a pena sobe para 2 a 6 anos (qualificadora). Não confundir a qualificadora do § 2º (resultado dano)
com a causa de aumento do § 3º (cometido por funcionário público = + 1/3).
Capítulo 2: Crimes Praticados por Funcionário Público contra a
Administração Geral
Ingressamos agora no Capítulo I do Título XI do Código Penal. Todos os crimes aqui analisados (com exceção de
participações de particulares) exigem a qualidade de Funcionário Público (conceituado no Art. 327 do CP) como sujeito
ativo (crimes próprios).
1. Artigoiuris (fiscal da ordem
jurídica).
2. Incompatibilidade Simultânea Juiz-MP (Art. 258): O Promotor de Justiça NÃO pode atuar em processo conduzido por
Juiz com quem guarde parentesco (consanguíneo ou afim) até o 3º GRAU, INCLUSIVE.
3. Extensão do Regime de Impedimentos e Suspeições (Art. 258, parágrafo único): As mesmas hipóteses que impedem
ou tornam suspeito o magistrado aplicam-se ao Promotor de Justiça (ex.: Promotor amigo íntimo do réu ou inimigo capital do
assistente da acusação).
4. Distinção Crucial de Prova (Recusa do MP): Ao contrário do Juiz, o membro do MP não pode se dar por suspeito por
razões de foro íntimo sem fundamentação objetiva, em razão do princípio do Promotor Natural.
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTS. 251 A 258 | CURSO TJ-SP
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CAPÍTULO 5: Banco de Questões Oficiais da VUNESP Comentadas Opção por
Opção
QUESTÃO 01 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário
Em matéria de impedimentos e suspeições dos magistrados no processo penal, assinale a alternativa correta de acordo com
a redação expressa do Código de Processo Penal:
A) O parentesco entre o juiz e o advogado de uma das partes em 4º grau da linha colateral (primo) gera impedimento absoluto do
magistrado.
B) A suspeição do juiz não poderá ser declarada nem alegada quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para
criá-la.
C) O impedimento decorrente de parentesco por afinidade cessa com a dissolução do casamento em qualquer hipótese, mesmo
havendo descendentes.
D) Se o juiz for credor ou devedor de uma das partes, haverá causa de impedimento absoluto de jurisdição.
E) O juiz estará impedido de atuar se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes.
GABARITO: B
Análise Detalhada das Alternativas:
• A) INCORRETA: O Art. 252, I, do CPP limita o impedimento por parentesco ao 3º grau, inclusive. Primos são parentes em 4º grau na
linha colateral, não gerando impedimento legal.
• B) CORRETA: Redação literal do Art. 256 do CPP: 'A suspeição não poderá ser declarada nem alegada quando a parte injuriar o juiz ou
de propósito der motivo para criá-la.' Impede a provocação dolosa para afastar o juiz natural do processo.
• C) INCORRETA: O Art. 255 do CPP expressamente ressalva: cessa pela dissolução do casamento, SALVO HAVENDO
DESCENDENTES.
• D) INCORRETA: Ser credor ou devedor de qualquer das partes é hipótese de SUSPEIÇÃO (Art. 254, V), e não de impedimento.
• E) INCORRETA: Ser amigo íntimo ou inimigo capital gera SUSPEIÇÃO (Art. 254, I), e não impedimento.
QUESTÃO 02 — VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário
Nos termos do Código de Processo Penal, o juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que:
A) for amigo íntimo ou inimigo capital do réu ou do querelante.
B) tiver aconselhado qualquer das partes sobre a causa.
C) tiver funcionado seu cônjuge como perito ou órgão do Ministério Público.
D) for credor ou devedor, tutor ou curador de qualquer das partes.
E) for sócio ou acionista de sociedade comercial interessada na causa.
GABARITO: C
Análise Detalhada das Alternativas:
• A) INCORRETA: Amigo íntimo ou inimigo capital é causa de SUSPEIÇÃO (Art. 254, I).
• B) INCORRETA: Tiver aconselhado qualquer das partes é causa de SUSPEIÇÃO (Art. 254, IV).
• C) CORRETA: Trata-se de hipótese expressa de IMPEDIMENTO prevista no Art. 252, I, do CPP (ter funcionado o cônjuge como perito ou
MP). O impedimento impede o exercício da jurisdição.
• D) INCORRETA: Ser credor, devedor, tutor ou curador é causa de SUSPEIÇÃO (Art. 254, V).
• E) INCORRETA: Ser sócio ou acionista de sociedade interessada é causa de SUSPEIÇÃO (Art. 254, VI).
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QUESTÃO 03 — VUNESP — TJ-SP — Oficiais e Servidores da Justiça
A respeito das garantias de imparcialidade e atuação do Ministério Público e do Juiz no processo penal, assinale a afirmativa
correta:
A) As causas de impedimento e suspeição previstas para os juízes não se aplicam aos membros do Ministério Público.
B) O Promotor de Justiça poderá atuar no processo em que o juiz for seu parente de 2º grau, desde que concorde a defesa.
C) Estendem-se aos órgãos do Ministério Público, no que couber, as prescrições relativas aos impedimentos e às suspeições dos
juízes.
D) O juiz não possui autorização legal para requisitar força pública durante as audiências instrução e julgamento.
E) O parentesco por afinidade na linha reta do cônjuge sobrevivente cessa automaticamente com o falecimento do cônjuge.
GABARITO: C
Análise Detalhada das Alternativas:
• A) INCORRETA: O Art. 258, parágrafo único, estende expressamente ao MP as regras de impedimento e suspeição.
• B) INCORRETA: O Art. 258, caput, proíbe expressamente a atuação do MP quando houver parentesco com o juiz até o 3º grau, sendo
norma cogente imutável por acordo das partes.
• C) CORRETA: Redação exata do Art. 258, parágrafo único, do CPP.
• D) INCORRETA: O Art. 251 confere expressamente ao juiz a prerrogativa de requisitar força pública para manter a ordem.
• E) INCORRETA: O Art. 255 dispõe que, na linha reta, o parentesco por afinidade do cônjuge sobrevivente PERSISTE.
QUESTÃO 04 — VUNESP — TJ-SP — Adaptada ao Padrão Atual
Considere a seguinte situação hipotética: O Juiz de Direito 'Dr. Marcos' foi designado para presidir uma ação penal em que o
réu é seu devedor de quantia vultosa referente à compra de um imóvel. Ademais, o advogado do réu é seu sobrinho (parente
consanguíneo de 3º grau). Diante desses fatos e da disciplina do Código de Processo Penal, assinale a opção correta:
A) O Dr. Marcos está impedido em razão da dívida e suspeito em razão do advogado.
B) O Dr. Marcos está suspeito em razão da dívida e impedido em razão do advogado.
C) O Dr. Marcos está impedido em relação a ambas as situações.
D) O Dr. Marcos está suspeito em relação a ambas as situações.
E) Não há impedimento nem suspeição, pois dívidas civis não interferem no processo penal.
GABARITO: B
Análise Detalhada das Alternativas:
• Ser credor ou devedor das partes é causa de SUSPEIÇÃO (Art. 254, V, do CPP).
• Ter sobrinho (parente consanguíneo de 3º grau) atuando como advogado da parte é causa de IMPEDIMENTO (Art. 252, I, do CPP).
• Portanto, o magistrado está suspeito em razão da dívida e impedido em razão do advogado. Alternativa B correta!
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QUESTÃO 05 — VUNESP — TJ-SP — Questão Inédita de Fixação
Sobre o impedimento e a suspeição no processo penal (arts. 251 a 258 do CPP), assinale a alternativa incorreta:
A) Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo juízes que forem entre si parentes consanguíneos até o terceiro
grau, inclusive.
B) O juiz que atuou como testemunha no mesmo processo está impedido de nele exercer jurisdição.
C) Ao Ministério Público incumbe promover a ação penal e a fiscalização da execução da lei.
D) O juiz que pronunciou decisão sobre a questão em outra instância está impedido de atuar na instância inferior.
E) A alegação de suspeição pelo réu é acolhida mesmo quando ele próprio tiver provocado a causa de suspeição
intencionalmente.
GABARITO: E
Análise Detalhada das Alternativas:
• As alternativas A, B, C e D trazem disposições exatas dos artigos 253, 252 II, 257 e 252 III do CPP.
• E) INCORRETA (Gabarito procurado): O Art. 256 do CPP veda expressamente a alegação de suspeição quando a parte 'de propósito
der motivo para criá-la'. A assertiva contraria frontalmente a norma legal.
RESUMO DE VÉSPERA — O QUE MEMORIZAR PARA A VUNESP
1. Impedimento (Art. 252): Causa objetiva = Nulidade Absoluta. Atuação prévia no processo (advogado, perito, testemunha,
MP, juiz de outra instância) ou parentesco até o 3º grau, inclusive.
2. Suspeição (Art. 254): Causa subjetiva = Nulidade Relativa. Amigo íntimo, inimigo capital, credor/devedor, aconselhou a
parte, tutor/curador,312 — Peculato (Modalidades Próprias, Imprópria e Culposa)
Art. 312, CP: Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem
a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
§ 1º (Peculato-Furto / Impróprio): Incorre na mesma pena quem, embora não tendo a posse do bem, o subtrai, ou concorre para
que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
§ 2º (Peculato Culposo): Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
§ 3º (Extinção da Punibilidade / Redução de Pena no Peculato Culposo): No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se
precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.
Modalidades do Peculato Exigidas pelo TJ-SP:
• Peculato-Apropriação (Caput, 1ª parte): O funcionário tem a posse legítima do bem móvel (público ou particular) em
razão do cargo e passa a agir como se fosse dono (inversão da posse).
• Peculato-Desvio (Caput, 2ª parte): O funcionário tem a posse do bem e dá a ele destinação diversa da exigida, em
proveito próprio ou alheio.
• Peculato-Subtração / Peculato-Furto (§ 1º): O funcionário NÃO tem a posse do bem, mas o subtrai (ou auxilia na
subtração) aproveitando-se da facilidade proporcionada pelo cargo.
• Peculato Culposo (§ 2º): O funcionário, por negligência, imprudência ou imperícia, quebra o dever de cuidado e facilita a
prática de crime doloso por OUTREM.
REGRA DE OURO VUNESP — REPARAÇÃO DO DANO NO PECULATO CULPOSO (§ 3º):
A regra da reparação do dano constante do § 3º aplica-se EXCLUSIVAMENTE AO PECULATO CULPOSO.
1. Reparação do dano ANTERIOR à sentença condenatória transitada em julgado (irrecorrível) = EXTINGUE A
PUNIBILIDADE.
2. Reparação do dano POSTERIOR à sentença irrecorrível = REDUZ A PENA PELA METADE (1/2).
Atenção: No peculato DOLOSO (apropriação, desvio ou furto), a reparação do dano antes do trânsito em julgado NÃO extingue a
punibilidade; configura apenas arrependimento posterior (Art. 16 do CP) ou atenuante genérica (Art. 65, III, 'b', CP).
TJ-SP | DIREITO PENAL — ARTS. 311-A E 312 A 317 DO CÓDIGO PENAL PROFESSOR ESPECIALISTA
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2. Artigos 313, 313-A e 313-B — Peculato Mediante Erro e Crimes de Informática
Art. 313 (Peculato Mediante Erro de Outrem / Peculato-Estelionato): Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no
exercício do cargo, recebeu por erro de outrem.
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Art. 313-A (Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informações): Inserir ou facilitar, o funcionário AUTORIZADO, a inserção
de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da
Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano.
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Art. 313-B (Modificação ou Alteração Não Autorizada de Sistema): Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações
ou programa de informática sem autorização ou sem infração das normas legais.
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único: Aumenta-se a pena de 1/3 até metade se da
modificação/alteração resulta dano.
Diferença Vital para a Prova (Art. 313-A x Art. 313-B):
• Art. 313-A (Crime GRAVE - Reclusão 2 a 12 anos): Exige que o funcionário seja AUTORIZADO a operar o sistema. Ele
altera ou insere DADOS FALSOS/INCORRETOS buscando vantagem indevida ou dano.
• Art. 313-B (Crime LEVE - Detenção 3 meses a 2 anos): Pune qualquer funcionário que altera o SISTEMA OU
PROGRAMA (a estrutura do software) sem autorização, independentemente de dolo específico de obter vantagem.
3. Artigos 314 e 315 — Extravio/Sonegação e Emprego Irregular de Verbas
Art. 314 (Extravio, Sonegação ou Inutilização de Livro ou Documento): Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem
a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, se o fato não constitui crime mais grave.
Art. 315 (Emprego Irregular de Verbas ou Rendas Públicas): Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da
estabelecida em lei:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa.
Nota sobre o Art. 315: Não há enriquecimento pessoal do agente. O dinheiro público permanece na Administração, porém
aplicado em finalidade pública diversa da estipulada na lei orçamentária (ex.: usar verba da saúde para pavimentar rua).
4. Artigo 316 — Concussão e Excesso de Exação
Art. 316 (Concussão): EXIGIR, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la,
mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
§ 1º (Excesso de Exação): Se o funcionário exige imposto ou taxa que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido,
emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 2º: Se se apropria do que recebeu indevidamente para recolher à caixa pública: Pena - reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.
TJ-SP | DIREITO PENAL — ARTS. 311-A E 312 A 317 DO CÓDIGO PENAL PROFESSOR ESPECIALISTA
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5. Artigo 317 — Corrupção Passiva (Caput, Causa de Aumento e Figura Privilegiada)
Art. 317 (Corrupção Passiva): SOLICITAR ou RECEBER, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou ACEITAR PROMESSA de tal vantagem:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
§ 1º (Causa de Aumento de 1/3): A pena é aumentada de um terço, se, em consequência da vantagem ou promessa, o
funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.
§ 2º (Corrupção Passiva Privilegiada): Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
6. Tabela Comparativa Curinga — Concussão x Corrupção Passiva x Prevaricação
Crime / Artigo Verbo Central (Núcleo) Elemento Subjetivo / Motivação Ação do Agente
Concussão
(Art. 316)
EXIGIR Vantagem indevida em razão do
cargo
Intimidação / Imposição de
medo de ato do cargo.
Corrupção Passiva
(Art. 317, caput)
SOLICITAR
RECEBER
ACEITAR PROMESSA
Vantagem indevida (patrimonial ou
não)
Mercadejamento da função
pública.
Corrupção Privilegiada
(Art. 317, § 2º)
Infringir dever funcional Cedendo a PEDIDO ou INFLUÊNCIA
de outrem
SEM vantagem indevida!
Apenas atende a
pedido/amigo.
Prevaricação
(Art. 319)
Retardar ou deixar de praticar
ato de ofício
Para satisfazer INTERESSE OU
SENTIMENTO PESSOAL
SEM vantagem indevida de
terceiro nem pedido de outrem.
7. Banco de Questões VUNESP Comentadas Opção por Opção
Treino focado com questões oficiais e inéditas construídas estritamente nos moldes das provas de Escrevente Técnico
Judiciário do TJ-SP. Analise o comentário detalhado de cada alternativa.
Questão 1 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário):
MÁRIO, Escrevente Técnico Judiciário de determinado Fórum da Capital, responsável pela guarda e custódia de
bens apreendidos vinculados a inquéritos policiais, apropriou-se de uma joia de ouro que estava sob sua posse
direta em razão do cargo de que exercia. Diante da situação hipotética, assinale a alternativa correta quanto à
tipificação penal:
A) Mário cometeu o crime de Furto Qualificado pelo abuso de confiança.
B) Mário cometeu o crime de Peculato-Apropriação (Art. 312, caput, 1ª parte, do Código Penal).
C) Mário cometeu o crime de Concussão(Art. 316 do Código Penal).
D) Mário cometeu o crime de Estelionato com causa de aumento pela função pública.
E) Mário cometeu o crime de Prevaricação, por violar dever funcional.
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GABARITO: B
Análise Detalhada das Alternativas:
• A) Incorreta. O furto aplica-se a particulares. Como Mário é funcionário público e tinha a posse legítima do bem em razão
do cargo, a norma especial do peculato afasta o crime comum de furto.
• B) CORRETA. Nos termos do Art. 312, caput, do CP, ocorre o peculato-apropriação quando o funcionário público se apropria
de dinheiro, valor ou bem móvel (público ou particular) de que tem a posse em razão do cargo.
• C) Incorreta. A concussão (Art. 316) exige a conduta de EXIGIR vantagem indevida.
• D) Incorreta. Não houve induzimento de outrem em erro mediante fraude no ato de apropriação.
• E) Incorreta. A prevaricação (Art. 319) pune o retardamento ou omissão de ato de ofício por interesse/sentimento pessoal,
não a apropriação patrimonial.
Questão 2 (VUNESP — TJ-SP — Adap. Prova Oficial):
Ares, funcionário público atuando na Tesouraria de um órgão do Poder Judiciário, por extrema negligência e
inobservância dos deveres de custódia, deixou a porta do cofre aberta ao sair para o almoço. Aproveitando-se
dessa falha de dever de cuidado, Perto, terceiro estranho à Administração, adentrou o local e subtraiu R$
50.000,00 em espécie. Processado pelo crime de Peculato Culposo (Art. 312, § 2º), Ares reparou integralmente o
dano antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. Nos termos do Código Penal, assinale o efeito
jurídico da reparação efetuada por Ares:
A) Reduz a pena de um terço até metade.
B) Extingue a punibilidade de Ares.
C) Reduz a pena obrigatoriamente pela metade.
D) Não produz qualquer efeito penal, servindo apenas como atenuante genérica.
E) Extingue a punibilidade de Ares e também beneficia o terceiro Perto.
GABARITO: B
Análise Detalhada das Alternativas:
• A) Incorreta. A redução de pena de 1/3 a 2/3 refere-se à tentativa ou ao arrependimento posterior genérico.
• B) CORRETA. Nos termos do Art. 312, § 3º, 1ª parte, do Código Penal, no peculato culposo, a reparação do dano efetuada
ANTES da sentença irrecorrível (trânsito em julgado) extingue a punibilidade do funcionário culposo.
• C) Incorreta. A redução de pena pela metade só ocorreria se a reparação fosse efetuada POSTERIORMENTE à sentença
irrecorrível.
• D) Incorreta. O Código Penal prevê expressamente a extinção da punibilidade no peculato culposo.
• E) Incorreta. A extinção da punibilidade por fato pessoal do funcionário culposo não se comunica ao autor do crime doloso
(Perto), que responde por furto qualificado.
Questão 3 (VUNESP — Concurso Oficial de Escrevente):
Um Agente de Fiscalização aborda um motorista e, em tom imperativo, afirma: 'Ou o senhor me entrega R$
1.000,00 agora, ou eu apreenderei o seu veículo e aplicarei multas severas'. O motorista, atemorizado com a
ameaça e a imposição da autoridade, realiza a transferência via PIX. Diante desse quadro, o fiscal praticou o
crime de:
A) Corrupção Passiva (Art. 317, caput).
B) Prevaricação (Art. 319).
C) Concussão (Art. 316, caput).
D) Extorsão mediante Sequestro (Art. 159).
E) Corrupção Ativa (Art. 333).
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GABARITO: C
Análise Detalhada das Alternativas:
• A) Incorreta. Na corrupção passiva, o funcionário solicita, recebe ou aceita promessa. Não há imposição/exigência
intimidatória.
• B) Incorreta. Não se trata de atrasar ato por sentimento pessoal.
• C) CORRETA. A conduta de EXIGIR vantagem indevida valendo-se da autoridade do cargo configura o crime de Concussão
(Art. 316, CP). O verbo 'exigir' traz implícita a intimidação em razão da função.
• D) Incorreta. Não houve privação da liberdade de locomoção.
• E) Incorreta. Corrupção ativa é crime praticado por particular contra a Administração.
Questão 4 (VUNESP — TJ-SP):
Mércia, servidora pública do Tribunal de Justiça, atendendo exclusivamente a reiterados e insistentes pedidos de
um antigo colega de faculdade, deixou de praticar um ato de ofício que lhe competia, sem ter recebido ou
solicitado qualquer tipo de vantagem financeira ou patrimonial. Nessa situação, Mércia praticou o crime de:
A) Corrupção Passiva Privilegiada (Art. 317, § 2º).
B) Prevaricação (Art. 319).
C) Corrupção Passiva em sua forma simples (Art. 317, caput).
D) Conduta atípica no âmbito penal, subsistindo apenas infração administrativa.
E) Advocacia Administrativa (Art. 321).
GABARITO: A
Análise Detalhada das Alternativas:
• A) CORRETA. Nos termos do Art. 317, § 2º, do CP, ocorre a Corrupção Passiva Privilegiada quando o funcionário pratica,
deixa de praticar ou retarda ato de ofício com infração de dever funcional, CEDENDO A PEDIDO OU INFLUÊNCIA DE OUTREM
(sem solicitar/receber vantagem).
• B) Incorreta. Na prevaricação (Art. 319), o agente age por conta própria para satisfazer interesse ou sentimento pessoal, e
não cedendo a pedido/influência de terceiro.
• C) Incorreta. A forma simples do caput exige solicitação, recebimento ou aceite de promessa de vantagem indevida.
• D) Incorreta. O fato é expressamente tipificado como crime no § 2º do Art. 317.
• E) Incorreta. Advocacia administrativa consiste em patrocinar interesse privado perante a administração.
Questão 5 (VUNESP — Inédita nos Moldes TJ-SP):
Tício, Escrevente Técnico Judiciário, devidamente AUTORIZADO a operar o sistema de dados do Tribunal de
Justiça, modificou indevidamente o banco de dados do sistema, excluindo a anotação de um processo de
execução fiscal de um parente, com o fim específico de lhe conceder vantagem indevida. Por sua vez, Caio,
também servidor, sem qualquer autorização, alterou a estrutura de um programa de informática da vara criminal
para modificar seu leiaute de exibição.
Considerando as condutas de Tício e Caio, assinale a tipificação correta:
A) Tício responde pelo Art. 313-B e Caio pelo Art. 313-A.
B) Ambos respondem pelo crime de Inserção de Dados Falsos (Art. 313-A).
C) Tício responde pelo Art. 313-A (Inserção de Dados Falsos) e Caio pelo Art. 313-B (Modificação de Sistema de
Informações).
D) Tício responde por Peculato Eletrônico e Caio cometeu conduta atípica.
E) Ambos respondem pelo crime do Art. 313-B.
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GABARITO: C
Análise Detalhada das Alternativas:
• A e E) Incorretas. Inverte ou iguala os tipos penais de forma equivocada.
• B) Incorreta. Caio não inseriu nem excluiu dados em banco de dados; alterou o programa em si sem autorização.
• C) CORRETA. Tício é servidor AUTORIZADO que excluiu dados corretos visando vantagem indevida -> enquadra-se no Art.
313-A (Inserção de dados falsos em sistema de informações). Caio alterou a estrutura do sistema/programa sem
autorização -> enquadra-se no Art. 313-B (Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações).
• D) Incorreta. Não há atipicidade na conduta de Caio.
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GUIA DE ESTUDO DEFINITIVO — DIREITO PENAL TJ-SP:
Esta apostila foi elaborada especificamente para cobrir os artigos do Código Penal previstos no edital de Escrevente
Técnico Judiciário: Arts. 319 a 333, 336 e 337 (Crimes Praticados por Funcionário Público e por Particular contra a
Administração em Geral) e Arts. 339 a 347, 357 e 359 (Crimes contra a Administração da Justiça).
Apresentamos a análise detalhada da lei seca, doutrina focada na VUNESP, pegadinhas de prova, quadros comparativos e
questõesoficiais comentadas alternativa por alternativa.
MÓDULO I — CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
1. Prevaricação (Art. 319) e Prevaricação Imprópria (Art. 319-A)
Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para
satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a
aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
Análise Prática para a VUNESP:
• Núcleo do Tipo (Art. 319): Retardar (atrasar), Deixar de praticar (omissão) ou Praticar contra lei.
• Elemento Subjetivo Especial do Tipo (Essencial em Prova): O agente deve atuar exclusivamente 'para satisfazer
interesse ou sentimento pessoal' (ex.: vaidade, amizade, rancor, preguiça). Se o agente atua para receber ou
solicitar vantagem patrimonial, o crime será Corrupção Passiva (Art. 317) ou Concussão (Art. 316)!
• Artigo 319-A (Prevaricação Imprópria em Presídios): Crime omissivo próprio focado na segurança penitenciária. O
agente público omite o dever de vedar o acesso do preso a aparelhos de comunicação. Não exige a comprovação de
interesse pessoal para a sua configuração.
DIREITO PENAL FORMAÇÃO DE ELITE — TJ-SP (VUNESP)
CÓDIGO PENAL — PARTE ESPECIAL
Crimes Contra a Adm. Pública e Contra a Adm. da Justiça
Arts. 319 a 333 | 336 e 337 | 339 a 347 | 357 e 359
2. Condescendência Criminosa (Art. 320) e Advocacia Administrativa (Art. 321)
Art. 320 (Condescendência Criminosa): Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que
cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade
competente.
Pena – detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa.
Art. 321 (Advocacia Administrativa): Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração
pública, valendo-se da qualidade de funcionário:
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa.
Parágrafo único. Se o interesse é ilegítimo: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
Pontos Críticos para o TJ-SP:
• Condescendência Criminosa: A palavra-chave e elemento essencial é a INDULGÊNCIA (dó, pena, clemência,
apadrinhamento). O chefe/superior deixa de punir o subordinado por pena/afeto. Se deixar de punir por medo/ameaça,
não há o crime do Art. 320. Se deixar de punir para obter propina, comete Corrupção Passiva.
• Advocacia Administrativa: O funcionário atua como 'advogado' ou 'intermediário' de um amigo/parente perante a
repartição onde trabalha ou na Administração em geral. Atenção: O crime ocorre **mesmo se o interesse privado for
legítimo** (caput)! Se o interesse for **ilegítimo**, aplica-se a figura qualificada do parágrafo único.
3. Violência Arbitrária (Art. 322), Abandono de Cargo (Art. 323) e Exercício Ilegal (Art. 324)
Art. 322 (Violência Arbitrária): Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la. (Pena – detenção, de
6 meses a 2 anos, além da pena correspondente à violência). [Nota: Aplica-se a Lei de Abuso de Autoridade - Lei
13.869/19].
Art. 323 (Abandono de Cargo): Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei:
Pena – detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.
§ 1º Se do fato resulta prejuízo público: Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.
§ 2º Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira: Pena – detenção, de 1 a 3 anos, e multa.
Art. 324 (Exercício Funcional Ilegalmente Antecipado ou Prolongado): Entrar no exercício de função pública antes de
satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado,
removido, substituído ou suspenso: Pena – detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.
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4. Violação de Sigilo Funcional (Art. 325) e Conceito de Funcionário Público (Art. 327)
Art. 325 (Violação de Sigilo Funcional): Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em
segredo, ou facilitar-lhe a revelação:
Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.
§ 1º Nas mesmas penas incurre quem: I – permite ou facilita o acesso de pessoa não autorizada a sistemas de
informações; II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.
§ 2º Se da violação resulta prejuízo para a Administração ou para outrem: Pena – reclusão, de 2 a 6 anos, e multa.
Art. 327 (Conceito de Funcionário Público para Fins Penais): Considera-se funcionário público, para os efeitos penais,
quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha
para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração
Pública.
§ 2º (Aumento de Pena): A pena será aumentada da terça parte (1/3) quando os autores dos crimes previstos neste
Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração
direta, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo poder público.
PEGADINHA RECORRENTE DA VUNESP — ARTIGO 327 DO CP:
1. Gratuidade e Transitoriedade: O jurado, o mesário eleitoral e o estagiário público são funcionários públicos para fins
penais, mesmo que trabalhem sem remuneração ou temporariamente!
2. Causa de Aumento de 1/3 (§ 2º): Aplica-se exclusivamente a ocupantes de cargos em comissão, direção ou
assessoramento. Atenção: Empresas privadas contratadas para atividades atípicas (ex.: limpeza/segurança) equiparam os
funcionários no § 1º, mas NÃO geram o aumento do § 2º!
MÓDULO II — CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A
ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
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Art. 328 (Usurpação de Função Pública): Usurpar o exercício de função pública: Pena – detenção, de 3 meses a 2 anos,
e multa. Parágrafo único: Se do fato o agente aufere vantagem: Pena – reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.
Art. 329 (Resistência): Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para
executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: Pena – detenção, de 2 meses a 2 anos.
Art. 330 (Desobediência): Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena – detenção, de 15 dias a 6 meses, e
multa.
Art. 331 (Desacato): Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – detenção, de 6
meses a 2 anos, ou multa.
Art. 332 (Tráfico de Influência): Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de
vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função: Pena – reclusão, de 2 a 5
anos, e multa. Parágrafo único: Pena aumentada da metade (1/2) se o agente alega que a vantagem é também destinada
ao funcionário.
Art. 333 (Corrupção Ativa): Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar,
omitir ou retardar ato de ofício: Pena – reclusão, de 2 a 12 anos, e multa. Parágrafo único: A pena é aumentada de um
terço (1/3) se, em razão da vantagem, o funcionário retarda/omite ou pratica o ato infração do dever.
DIFERENCIAÇÃO ESTRATÉGICA PARA PROVA:
• Resistência (Art. 329) x Desobediência (Art. 330) x Desacato (Art. 331):
- Resistência: Exige VETOR FÍSICO/AMEAÇA (Violência ou Ameaça) para impedir ato legal.
- Desobediência: Descumprimento passivo de ordem legal (ex.: não parar veículo em blitz quando mandado, sem
violência).
- Desacato:Ofensa à dignidade/decoro do funcionário na presença dele ou em razão da função.
• Tráfico de Influência (Art. 332) x Exploração de Prestígio (Art. 357):
- No Tráfico de Influência, o agente alega influir em funcionário público comum (administração em geral).
- Na Exploração de Prestígio, o agente alega influir em Juiz, Jurado, Órgão do Ministério Público, Perito, Tradutor ou
Testemunha (administração da justiça)!
5. Rasura de Edital (Art. 336) e Subtração de Livro/Documento (Art. 337)
Art. 336 (Rasura ou Inutilização de Edital ou Sinal): Rasgar, rasurar, inutilizar ou de qualquer modo tornar ilegível edital
ou sinal afixado por ordem de funcionário público: Pena – detenção, de 1 mes a 1 ano, ou multa.
Art. 337 (Subtração ou Inutilização de Livro ou Documento): Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial,
processo ou documento confiado à custódia de funcionário, em razão do cargo, ou de particular em serviço público: Pena –
reclusão, de 2 a 5 anos, se o fato não constitui crime mais grave.
MÓDULO III — CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA (ARTS.
339 A 347, 357 E 359)
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Art. 339 (Denunciação Caluniosa): Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de
investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime,
infração ético-disciplinar ou ato de improbidade de que o sabe inocente: Pena – reclusão, de 2 a 8 anos, e multa.
§ 1º A pena é aumentada de sexta parte (1/6), se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto.
§ 2º A pena é reduzida de metade (1/2), se a imputação é de prática de contravenção.
Art. 340 (Comunicação Falsa de Crime ou Contravenção): Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a
ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado: Pena – detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.
Art. 341 (Autoacusação Falsa): Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem: Pena –
detenção, de 3 meses a 2 anos, ou multa.
Art. 342 (Falso Testemunho ou Falsa Perícia): Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha,
perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: Pena –
reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.
§ 1º As penas aumentam-se de um sexto a um terço (1/6 a 1/3) se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido
com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo civil ou penal.
§ 2º (Retratação - Ponto Vital!): O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que se deu o fato, o
agente se retrata ou declara a verdade.
REGRA DE OURO DA VUNESP — RETRATAÇÃO NO FALSO TESTEMUNHO (ART. 342, § 2º):
A retratação ou declaração da verdade pelo testemunho/perito ANTES DA SENTENÇA do processo principal gera a
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE (o fato deixa de ser punível).
Atenção à data limite: Deve ocorrer ANTES da prolatação da sentença no processo original onde a falsidade ocorreu!
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6. Coação, Exercício Arbitrário, Fraude Processual, Exploração de Prestígio e
Desobediência Judicial
Art. 344 (Coação no Curso do Processo): Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio
ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial,
policial ou administrativo, ou em juízo arbitral: Pena – reclusão, de 1 a 4 anos, e multa, além da pena correspondente à
violência.
Art. 345 (Exercício Arbitrário das Próprias Razões): Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão,
embora legítima, salvo quando a lei o permite: Pena – detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.
Parágrafo único. Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa (Ação Penal Privada).
Art. 347 (Fraude Processual): Inovar artificialmente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar,
de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: Pena – detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa.
Parágrafo único: Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas
aplicam-se em dobro.
Art. 357 (Exploração de Prestígio): Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz,
jurado, órgão do Ministério Público, perito, tradutor, intérprete ou testemunha: Pena – reclusão, de 1 a 5 anos, e multa.
Parágrafo único: As penas aumentam-se de um terço (1/3), se o agente alega que o dinheiro ou utilidade é também
destinado a qualquer das pessoas referidas neste artigo.
Art. 359 (Desobediência a Decisão Judicial sobre Perda/Suspensão de Direito): Exercer função, atividade, direito,
autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão judicial: Pena – detenção, de 3 meses a 2 anos, ou
multa.
7. Quadro Comparativo de Crimes Semelhantes no Código Penal
Crime Agente / Sujeito Conduta / Elemento Chave Objeto / Destinatário
Prevaricação
(Art. 319)
Funcionário Público
Retardar/omitir ato para satisfazer interesse ou
sentimento pessoal.
Administração Pública
Condescendência
Criminosa
(Art. 320)
Funcionário Público
(Chefe)
Deixar de responsabilizar subordinado por
indulgência (dó/pena).
Subordinado Hierárquico
Advocacia
Administrativa
(Art. 321)
Funcionário Público
Patrocinar interesse privado legítimo ou ilegítimo
perante a Adm.
Interesse de Terceiro
Tráfico de Influência
(Art. 332)
Particular / Qualquer
pessoa
Solicitar/obter vantagem a pretexto de influir em
funcionário público comum.
Funcionário Público Geral
Exploração de Prestígio
(Art. 357)
Particular / Qualquer
pessoa
Solicitar/receber vantagem a pretexto de influir
em Juiz, MP, Perito, Testemunha.
Atores da Justiça
Denunciação Caluniosa
(Art. 339)
Qualquer pessoa
Dar causa a inquérito/processo contra inocente
sabendo-o inocente.
Pessoa Determinada
Inocente
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Comunicação Falsa
(Art. 340)
Qualquer pessoa
Comunicar ocorrência de crime/contravenção
inexistente sem indicar pessoa.
Autoridade Policial / Judicial
MÓDULO IV — QUESTÕES OFICIAIS DA VUNESP COM GABARITO
COMENTADO
Questão 01 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
Um Escrevente Técnico Judiciário, com o objetivo exclusivo de agradar a uma colega de trabalho por quem nutre um sentimento de
afeto amoroso, deixa de expedir um mandado de citação urgente dentro do prazo legal, acarretando atraso no processo. Com base
no Código Penal, o servidor cometeu o crime de:
A) Corrupção Passiva Privilegiada.
B) Prevaricação.
C) Condescendência Criminosa.
D) Advocacia Administrativa.
E) Fato atípico na esfera penal, configurando apenas infração disciplinar.
Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: B.
Justificativa: O Escrevente deixou de praticar ato de ofício (expedição de mandado) para satisfazer sentimento pessoal (afeto amoroso por
colega). Trata-se da figura exata do Artigo 319 do Código Penal (Prevaricação). Não é Corrupção Privilegiada porque esta exige ceder a
pedido/influência de outrem; não é Condescendência pois não envolveu infração de subordinado; nem Advocacia Administrativa pois não
patrocinou interesse privado perante a administração.
Questão 02 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
O Diretor de uma Divisão do Tribunal de Justiça, ao descobrir que um Escrevente seu subordinado cometeu uma grave infração no
exercício do cargo, decide não instaurar o procedimento disciplinar cabível por ter pena e compaixão da situação financeira da
família do servidor. Nessa situação, o Diretor praticou o crime de:
A) Prevaricação.
B) ApropriaçãoIndébita Previdenciária.
C) Condescendência Criminosa.
D) Corrupção Passiva.
E) Concussão.
Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: C.
Justificativa: Deixar o funcionário, por indulgência (compaixão/dó/pena), de responsabilizar subordinado que cometeu infração no cargo
caracteriza o crime de Condescendência Criminosa (Artigo 320 do CP).
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Questão 03 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
Determinado cidadão, querendo obter uma decisão favorável em um processo cível, entra em contato com um intermediário que
afirma ter grande influência sobre o Juiz da causa. O intermediário solicita a quantia de R$ 20.000,00 alegando que o valor servirá
para influenciar o magistrado. O crime praticado pelo intermediário é:
A) Tráfico de Influência.
B) Corrupção Ativa.
C) Exploração de Prestígio.
D) Estelionato Comum.
E) Coação no Curso do Processo.
Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: C.
Justificativa: Solicitar ou receber dinheiro a pretexto de influir em Juiz, Jurado, Promotor, Perito ou Testemunha configura o crime do Artigo
357 do CP (Exploração de Prestígio). Se a alegada influência fosse sobre funcionário público comum (administração geral), o crime seria
Tráfico de Influência (Art. 332).
Questão 04 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
No que tange ao crime de Falso Testemunho ou Falsa Perícia (Artigo 342 do Código Penal), assinale a alternativa correta quanto à
regra da retratação prevista no § 2º:
A) A retratação reduz a pena de um terço até a metade.
B) A retratação só é cabível se efetuada antes da instauração do inquérito policial.
C) O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que se deu o fato, o agente se retrata ou declara a verdade.
D) A retratação extingue a punibilidade apenas se o juiz do processo concordar expressamente.
E) A retratação é causa de diminuição obrigatória de pena em metade, mesmo após a sentença.
Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: C.
Justificativa: O Artigo 342, § 2º do CP dispõe expressamente que o fato deixa de ser punível (extinção da punibilidade) se, antes da
sentença no processo em que se deu o fato, o agente se retrata ou declara a verdade.
Questão 05 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
A respeito dos conceitos e causas de aumento referentes aos crimes contra a Administração Pública (Artigo 327 do Código Penal),
assinale a alternativa correta:
A) Quem exerce função pública sem remuneração não é considerado funcionário público para fins penais.
B) A pena é aumentada da metade se o autor for ocupante de cargo em comissão.
C) Equipara-se a funcionário público quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada para a execução de atividade típica
da Administração Pública.
D) Os diretores de sociedades de economia mista são isentos da causa de aumento do § 2º.
E) O conceito de funcionário público penal exige nomeação por concurso público.
Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: C.
Justificativa: Conforme o Art. 327, § 1º do CP, equipara-se a funcionário público quem trabalha para empresa prestadora de serviço
contratada/conveniada para atividade típica da Administração. A alternativa A é errada pois a transitoriedade e gratuidade não excluem o
conceito (§ 1º); a B é errada pois o aumento é de 1/3 e não metade (§ 2º).
CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP
Apostila de Direito Penal — Material Exclusivo de Alta Performance Página 8 de 9
Questão 06 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
Inovar artificialmente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de
induzir a erro o juiz ou o perito, configura o crime de:
A) Fraude Processual.
B) Falsidade Ideológica.
C) Autoacusação Falsa.
D) Denunciação Caluniosa.
E) Exercício Arbitrário das Próprias Razões.
Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: A.
Justificativa: A inovação artificial do estado de lugar, coisa ou pessoa para induzir em erro o juiz ou perito é a definição legal exata do
crime de Fraude Processual (Artigo 347 do Código Penal). Se for destinado a produzir efeito em processo penal, a pena é aplicada em
dobro.
CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP
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Apostila Mestra de Processo Penal
Lei Federal nº 9.099/1995 — JECRIM (Arts. 60
a 83; 88 e 89)
Visão Geral e Contexto no Edital do TJ-SP: A Lei nº 9.099/1995 regulamenta os Juizados Especiais Cíveis e
Criminais. No âmbito processual penal, o foco do edital do TJ-SP recai sobre os Juizados Especiais Criminais
(JECRIM), abrangendo os artigos 60 a 83 (disposições gerais, fase preliminar, procedimento sumaríssimo,
citação, recursos e embargos) e os artigos 88 e 89 (ação penal pública condicionada para lesões leves/culpadas
e a Suspensão Condicional do Processo - Sursis Processual). É um dos temas mais cobrados e com maior
índice de pegadinhas de norma seca na VUNESP.
1. Competência e Princípios Orientadores do JECRIM (Arts. 60 a 62)
Competência dos JECRIM (Art. 60): O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e
leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das Infrações Penais de Menor
Potencial Ofensivo (IMPO), respeitadas as regras de conexão e continência.
Conceito de Infração Penal de Menor Potencial Ofensivo - IMPO (Art. 61):
Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei:
1. Todas as contravenções penais (independentemente da pena cominada);
2. Os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.
PEGA-RATA DA VUNESP — CONCEITO DE IMPO: Atenção! O parâmetro é a PENA MÁXIMA EM ABSTRATO
não superior a 2 ANOS. A banca adora colocar em provas: 'crimes com pena mínima inferior a 1 ano' (que é o
requisito da Suspensão do Processo do art. 89, não de competência do JECRIM) ou 'pena máxima não superior a 4
anos' (que é rito sumário do CPP). Guarde: IMPO = Contravenções + Crimes com Pena Máxima ≤ 2 Anos.
Princípios Orientadores do JECRIM (Art. 62 — Mnemônico COCS):
O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos princípios da:
• Celeridade: Tramitação rápida e sem delongas burocráticas;
• Oralidade: Predomínio da palavra falada e redução dos atos a escrito apenas quando indispensável;
• Informalidade / Economia Processual: Aproveitamento máximo dos atos válidos e ausência de rigidez
formal;
• Simplicidade: Linguagem direta e procedimentos desburocratizados.
Objetivo Misto: Buscar, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de
pena não privativa de liberdade.
2. Fase Preliminar, Termo Circunstanciado e Medidas
Despenalizadoras (Arts. 69 a 76)
Termo Circunstanciado de Ocorrência - TCO (Art. 69): A autoridade policial que tomar conhecimento da
ocorrência lavrará Termo Circunstanciado (TCO) e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do
fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.
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REGRA SAGRADA DO ART. 69, PARÁGRAFO ÚNICO (PROIBIÇÃO DE FLAGRANTE/FIANÇA): Se o autor do
fato for imediatamente encaminhado ao Juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, NÃO SE
IMPORÁ PRISÃO EM FLAGRANTE, nem se exigirá fiança. Esta é uma das regras mais cobradas em concursos
judiciários!
Composição Civil dos Danos (Arts. 72 a 75):
Na audiência preliminar, o Juiz ou Conciliador esclarecerá o autor do fato e a vítima sobre a possibilidade da
composição dos danos civilmente e da aceitação da proposta de transação penal.
• Homologação por Sentença Irrecorrível (Art. 74): A composição dos danos civis será reduzida a escritoe,
homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo cível
competente.
• Efeito Penal Extintivo/Renúncia (Art. 74, Parágrafo Único — CAMPEÃO DE PROVA): Tratando-se de ação
penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, o acordo de
composição dos danos homologado acarreta a RENÚNCIA AO DIREITO DE QUEIXA OU DE
REPRESENTAÇÃO, extinguindo-se a punibilidade!
Transação Penal (Art. 76):
Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de
arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou
multas, a ser especificada na proposta.
Requisitos Impeditivos da Transação Penal (Art. 76, § 2º): NÃO se admitirá a proposta se comprovado:
I - Ter sido o agente condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença definitiva
(com trânsito em julgado);
II - Ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de 5 (CINCO) ANOS, por outra transação penal
(aplicação de pena restritiva ou multa);
III - Não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as
circunstâncias, ser necessária e suficiente a medida.
Efeitos Práticos da Transação Penal (Art. 76, §§ 4º e 6º e Súmula Vinculante 35/STF):
• NÃO gera reincidência e NÃO consta de certidão de antecedentes criminais (salvo para fins de vedação de
novo benefício no quinquênio);
• NÃO produz efeitos civis (a vítima precisa promover ação cível se quiser reparação);
• Súmula Vinculante 35 do STF: A homologação da transação penal NÃO faz coisa julgada material. Se o
autor do fato descumprir as cláusulas pactuadas (ex.: não pagar a multa ou não prestar serviços), retoma-se a
situação anterior, permitindo ao Ministério Público oferecer denúncia e dar prosseguimento à ação penal!
3. Procedimento Sumaríssimo, Citação e Recursos (Arts. 77 a 83)
Oferecimento de Denúncia/Queixa e Citação (Arts. 77 e 78): Não sendo caso de transação penal, o Ministério
Público ou o querelante oferecerá denúncia ou queixa oralmente na própria audiência.
REGRA DE OURO DA CITAÇÃO NO JECRIM (ART. 66, PARÁGRAFO ÚNICO): No JECRIM, a citação será
PESSOAL ou por mandado. Se o réu NÃO FOR ENCONTRADO PARA SER CITADO PESSOALMENTE, o Juiz
encaminhará as peças ao Juízo Comum. Lá chegando, o processo tramitará sob o PROCEDIMENTO SUMÁRIO! A
VUNESP ama cobrar a remessa ao Juízo Comum com conversão para o rito sumário.
Audiência de Instrução e Julgamento (Art. 81):
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Aberta a audiência, dada a palavra à defesa para responder à acusação, o Juiz receberá ou rejeitará a denúncia
ou queixa. Se recebida, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação e defesa (até 5 testemunhas por
parte), praticados os demais atos probatórios, interrogado o réu, seguidos de debates orais (20 min para cada
parte) e prolação da sentença.
Recursos no JECRIM — Apelação e Embargos de Declaração (Arts. 82 e 83):
Espécie Recursal Prazo Legal Hipóteses de Cabimento Órgão / Efeitos
Especialíssimos
Apelação (Art. 82) 10 (dez) dias Contra a sentença definitiva ou
contra a decisão que REJEITAR a
denúncia/queixa.
Julgada por uma Turma
Recursal (3 juízes de 1º grau).
Exige razões junto com a
interposição.
Embargos de Declaração
(Art. 83)
5 (cinco) dias Contra sentença ou acórdão que
contiver obscuridade, contradição,
omissão ou dúvida.
Opostos por escrito ou
oralmente. INTERROMPEM o
prazo para outros recursos
(redação atual).
4. Lesões Corporais Leves/Culpadas e Suspensão do Processo (Arts.
88 e 89)
Ação Penal nas Lesões Corporais Leves e Culpadas (Art. 88): Além das hipóteses já previstas em lei,
dependerá de REPRESENTAÇÃO do ofendido a ação penal relativa às lesões corporais leves (Art. 129, caput,
CP) e lesões corporais culpadas (Art. 129, § 6º, CP).
Suspensão Condicional do Processo — Sursis Processual (Art. 89):
Nos crimes em que a PENA MÍNIMA COMINADA FOR IGUAL OU INFERIOR A 1 (UM) ANO, abrangidas ou
não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por 2
(dois) a 4 (quatro) anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por
outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do
Código Penal).
ALERTA VUNESP — ABRANGÊNCIA DA SUSPENSÃO DO PROCESSO: A Suspensão Condicional do Processo
(art. 89) NÃO SE LIMITA AO JECRIM! Ela se aplica a QUALQUER CRIME da Justiça Comum ou do JECRIM cuja
PENA MÍNIMA ≤ 1 ANO (ex.: Furto Simples - art. 155, caput, cuja pena é de 1 a 4 anos; Receptação Simples - art.
180, caput).
Revogação da Suspensão do Processo (Art. 89, §§ 3º e 4º):
• Revogação OBRIGATÓRIA (§ 3º): A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
1) For processado por outro CRIME (mesmo sem condenação definitiva); ou
2) Não reparar o dano, sem motivo justificado.
• Revogação FACULTATIVA (§ 4º): A suspensão poderá ser revogada se o acusado for processado por
CONTRAVENÇÃO PENAL ou descumprir qualquer outra condição imposta pelo juiz.
• Extinção da Punibilidade (§ 5º): Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.
5. Quadro Comparativo Master — Medidas Despenalizadoras da Lei nº
9.099/95
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Instituto Momento / Cabimento Requisito Principal Efeito Principal /
Consequência
Composição Civil dos
Danos (Art. 74)
Fase Preliminar
(Audiência Preliminar)
Acordo entre autor do fato
e vítima
Extingue a punibilidade na Ação
Privada e Pública Condicionada.
Transação Penal (Art. 76) Antes da Denúncia
(Audiência Preliminar)
IMPO (Pena Máxima ≤ 2
anos) + Quinquênio
Aplicação de pena restritiva de
direitos/multa. Não gera
reincidência.
Suspensão do Processo
(Art. 89)
Ao oferecer a Denúncia
(Ação Penal)
Pena MÍNIMA ≤ 1 ano +
Não responder a crime
Suspenso o processo por 2 a 4
anos. Cumprido o prazo =
Extinção da Punibilidade.
6. Banco de 20 Questões VUNESP Comentadas Opção por Opção
Treine exaustivamente com questões oficiais e inéditas elaboradas nos moldes do TJ-SP (Banca VUNESP):
Questão 1: (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário) Nos termos da Lei nº 9.099/1995,
consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo:
A) apenas as contravenções penais com pena privativa de liberdade.
B) todas as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada
ou não com multa.
C) os crimes com pena mínima não superior a 1 ano e pena máxima de até 4 anos.
D) os crimes cuja sanção seja exclusivamente a pena de multa.
E) apenas os crimes dolosos contra o patrimônio sem violência.
Gabarito: B
Análise Comentada: A alternativa B reproduz com exatidão o texto límpido do artigo 61 da Lei nº 9.099/1995
('Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes
a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa'). Incorretas as demais alternativas
por inventarem parâmetros alheios ao texto legal.
Questão 2: (VUNESP - TJ-SP - Escrevente) Ao tomar conhecimento da prática de uma infração penal
de menor potencial ofensivo, a autoridade policial lavrou o Termo Circunstanciado (TCO). O autor
do fato comprometeu-se a comparecer ao Juizado Criminal. Nessa situação, a autoridade policial:
A) deverá lavrar o auto de prisão em flagrante e arbitrar fiança.
B) imporá prisão em flagrante, mas dispensará o pagamento de fiança.
C) não imporá prisão em flagrante, nem exigirá fiança.
D) encaminhará o autor do fato imediatamente à cadeia pública local.
E) exigirá o depósito obrigatório de fiança para liberar oautor do fato.
Gabarito: C
Análise Comentada: Segundo a regra expressa do artigo 69, parágrafo único, da Lei nº 9.099/1995, se o autor do fato for
imediatamente encaminhado ao Juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, NÃO se imporá prisão em flagrante,
nem se exigirá fiança. Portanto, a alternativa C está perfeita.
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Questão 3: (VUNESP - TJ-SP) No âmbito dos Juizados Especiais Criminais, a composição dos
danos civis efetuada entre autor do fato e vítima e homologada pelo Juiz mediante sentença
irrecorrível, tratando-se de ação penal pública condicionada à representação, terá como
consequência penal:
A) a suspensão do processo pelo prazo de 2 a 4 anos.
B) a renúncia ao direito de representação e a extinção da punibilidade.
C) o oferecimento obrigatório de transação penal pelo Ministério Público.
D) o prosseguimento da ação penal pelo rito sumário.
E) a imposição de pena restritiva de direitos ao autor do fato.
Gabarito: B
Análise Comentada: O artigo 74, parágrafo único, estabelece expressamente que, na ação penal privada ou na pública
condicionada à representação, o acordo de composição civil homologado acarreta a RENÚNCIA ao direito de queixa ou de
representação, extinguindo-se a punibilidade. Gabarito B.
Questão 4: (VUNESP - TJ-SP) Assinale a alternativa correta quanto à Transação Penal prevista no
artigo 76 da Lei nº 9.099/1995:
A) Pode ser proposta mesmo se o autor do fato tiver sido beneficiado por outra transação penal há 3 anos.
B) A sentença homologatória produz efeitos civis e faz coisa julgada material plena.
C) Não se admitirá a proposta se o agente tiver sido condenado anteriormente por crime à pena privativa de liberdade
por sentença definitiva.
D) A homologação da transação penal gera reincidência para futuros crimes.
E) A proposta deve ser obrigatoriamente apresentada pelo Juiz, caso o MP se recuse.
Gabarito: C
Análise Comentada: A) Incorreta (o prazo do quinquênio é de 5 anos, art. 76, § 2º, II); B e D) Incorretas (a transação não
produz efeitos civis, não gera reincidência e nem faz coisa julgada material segundo a SV 35/STF); C) CORRETA (art. 76, §
2º, I - veda a proposta se o agente foi condenado por crime à pena privativa de liberdade com trânsito em julgado); E)
Incorreta (a proposta é titularidade do MP).
Questão 5: (VUNESP - TJ-SP - Escrevente) No processo perante o Juizado Especial Criminal,
quando o réu não for localizado para ser citado pessoalmente, o Juiz deverá:
A) realizar a citação por edital e suspender o processo com base no art. 366 do CPP.
B) decretar a revelia do réu e nomear defensor dativo.
C) encaminhar as peças ao Juízo Comum, para adoção do procedimento sumário.
D) determinar a citação por hora certa e prosseguir na instrução.
E) julgar extinta a punibilidade pela ausência de pressuposto processual.
Gabarito: C
Análise Comentada: Regra sagrada do Artigo 66, parágrafo único, da Lei nº 9.099/1995: não encontrado o réu para ser
citado pessoalmente, o Juiz encaminhará as peças ao Juízo Comum, onde o processo tramitará sob o procedimento
SUMÁRIO. Gabarito C.
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Questão 6: (VUNESP - TJ-SP) Em relação aos recursos no Juizado Especial Criminal (Lei nº
9.099/1995), é correto afirmar que:
A) contra a sentença e contra a decisão que rejeitar a denúncia cabe apelação no prazo de 10 dias.
B) os embargos de declaração devem ser opostos no prazo de 10 dias e suspendem o prazo recursal.
C) da decisão que homologa a transação penal cabe recurso em sentido estrito (RESE).
D) a apelação será julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado.
E) não cabem embargos de declaração na fase de instrução e julgamento.
Gabarito: A
Análise Comentada: A) CORRETA (Artigo 82: Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação
no prazo de 10 dias, julgada por Turma Recursal); B) Incorreta (prazo de 5 dias e INTERROMPEM o prazo recursal, art. 83);
C) Incorreta (cabe apelação, art. 76, § 5º); D) Incorreta (julgado por Turma Recursal formada por 3 juízes de 1º grau).
Questão 7: (VUNESP - TJ-SP) Nos termos do artigo 88 da Lei nº 9.099/1995, passou a depender de
representação do ofendido a ação penal relativa aos crimes de:
A) lesões corporais graves e gravíssimas.
B) lesões corporais leves e lesões corporais culposas.
C) homicídio culposo e homicídio doloso.
D) ameaça e desacato.
E) roubo e furto qualificado.
Gabarito: B
Análise Comentada: Dispõe expressamente o artigo 88 da Lei nº 9.099/1995: 'Além das hipóteses já previstas em lei,
dependerá de representação a ação penal relativa às lesões corporais leves e lesões culposas'. Gabarito B.
Questão 8: (VUNESP - TJ-SP - Escrevente) O instituto da Suspensão Condicional do Processo
(artigo 89 da Lei nº 9.099/1995) aplica-se aos crimes em que a pena MÍNIMA cominada for igual ou
inferior a:
A) 6 (seis) meses.
B) 1 (um) ano.
C) 2 (dois) anos.
D) 4 (quatro) anos.
E) 3 (três) anos.
Gabarito: B
Análise Comentada: O artigo 89 estipula que o Ministério Público poderá propor a suspensão do processo por 2 a 4 anos
nos crimes em que a pena MÍNIMA cominada for igual ou inferior a 1 (UM) ANO. Gabarito B.
Questão 9: (VUNESP - TJ-SP) Durante o prazo de suspensão condicional do processo (art. 89), a
suspensão será OBRIGATORIAMENTE revogada se o beneficiário:
A) for processado por contravenção penal.
B) for processado por outro crime ou não reparar o dano sem motivo justificado.
C) mudar de residência comunicando previamente o juízo.
D) ausentar-se da comarca com autorização judicial.
E) for investigado em inquérito policial ainda não oferecido em denúncia.
Gabarito: B
Análise Comentada: De acordo com o art. 89, § 3º, a suspensão SERÁ revogada (obrigatoriamente) se o beneficiário for
processado por outro CRIME ou não reparar o dano sem motivo justificado. A hipótese de contravenção penal enseja
revogação FACULTATIVA (§ 4º). Gabarito B.
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Questão 10: (VUNESP - TJ-SP) Expirado o prazo da suspensão condicional do processo sem
revogação, o Juiz deverá:
A) decretar a reincidência do réu.
B) declarar extinta a punibilidade.
C) proferir sentença condenatória com pena restritiva de direitos.
D) arquivar os autos sem julgamento de mérito por falta de interesse.
E) converter a suspensão em transação penal definitiva.
Gabarito: B
Análise Comentada: Segundo o artigo 89, § 5º, da Lei nº 9.099/1995: 'Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará
extinta a punibilidade'. Gabarito B.
Questão 11: (VUNESP) Os princípios orientadores do Juizado Especial Criminal previstos no artigo
62 da Lei nº 9.099/1995 NÃO incluem expressamente o princípio da:
A) celeridade.
B) oralidade.
C) publicidade restrita e secreta.
D) informalidade.
E) simplicidade.
Gabarito: C
Análise Comentada: O artigo 62 enumera: oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade
(mnemônico COCS). A 'publicidade restrita/secreta' não consta do rol, vigorando a regra da publicidade dos atos. Gabarito C.
Questão 12: (VUNESP) Mário cometeu um crime de ameaça (art. 147 do CP), cuja pena é de
detenção de 1 a 6 meses ou multa. É correto afirmar que:
A) trata-se de infração de menor potencial ofensivo, sujeita ao procedimento do JECRIM.
B) a prisão em flagrante de Mário é obrigatória e insuscetível de dispensa.
C) não cabe transação penal por se tratar de crime praticado contra a liberdade individual.
D) o processo tramitará perante o Tribunal do Júri.
E) a citação de Mário poderá ser realizada por edital no próprio JECRIM.
Gabarito: A
Análise Comentada: Como a pena máximaem abstrato da ameaça é de 6 meses (≤ 2 anos), trata-se de IMPO (art. 61), de
competência do JECRIM. Se Mário assumir o compromisso de comparecer, não haverá prisão em flagrante (art. 69, parágrafo
único), nem citação por edital no JECRIM (art. 66, parágrafo único). Gabarito A.
Questão 13: (VUNESP) A respeito da Transação Penal (art. 76 da Lei nº 9.099/95), assinale a opção
correta:
A) Cumprida a transação penal, a pena aplicada constará da certidão de antecedentes criminais para todos os fins.
B) A transação penal extingue a obrigação de reparar o dano cível decorrente do delito.
C) A imposição da sanção aceita na transação penal não constará de certidão de antecedentes, salvo para fins de
vedação de novo benefício no prazo de 5 anos.
D) A transação penal aplica-se exclusivamente aos crimes com pena mínima superior a 2 anos.
E) A aceitação da transação penal importa em confissão formal do delito.
Gabarito: C
Análise Comentada: Conforme o art. 76, § 4º, a imposição da sanção não constará de certidão de antecedentes criminais,
salvo para fins de vedação de novo benefício no prazo de 5 (cinco) anos. Não produz efeitos civis (§ 6º). Gabarito C.
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Questão 14: (VUNESP) Sobre os Embargos de Declaração no JECRIM (art. 83), assinale a afirmativa
correta:
A) Cabem no prazo de 10 dias e suspendem o prazo para outros recursos.
B) Cabem no prazo de 5 dias e interrompem o prazo para outros recursos.
C) Não podem ser opostos de forma oral, exigindo-se sempre petição escrita.
D) São julgados pelo Tribunal de Justiça do Estado.
E) Cabem apenas contra acórdão proferido pela Turma Recursal.
Gabarito: B
Análise Comentada: Conforme o art. 83, caput e § 2º, os embargos de declaração cabem no prazo de 5 dias (escritos ou
orais) contra sentença ou acórdão e INTERROMPEM o prazo para a interposição de outros recursos. Gabarito B.
Questão 15: (VUNESP) O Ministério Público ofereceu denúncia contra João pela prática de furto
simples (pena: reclusão de 1 a 4 anos). No mesmo ato, o promotor propôs a Suspensão Condicional
do Processo. Essa proposta foi possível porque:
A) o furto simples é uma infração de menor potencial ofensivo.
B) a pena MÍNIMA cominada ao furto simples é de 1 ano (≤ 1 ano), cabendo o benefício do art. 89.
C) a pena MÁXIMA cominada ao furto é de 4 anos.
D) o furto simples é julgado perante o JECRIM.
E) a vítima perdoou o acusado em juízo.
Gabarito: B
Análise Comentada: O furto simples NÃO é IMPO (pois a pena máxima é 4 anos), sendo de competência do Juízo Comum.
Contudo, como a pena MÍNIMA é de 1 ano (≤ 1 ano), cabe a Suspensão Condicional do Processo do art. 89. Gabarito B.
Questão 16: (VUNESP) Se, no curso da suspensão condicional do processo (art. 89), o beneficiário
vier a ser processado por uma CONTRAVENÇÃO PENAL, o Juiz:
A) deverá obrigatoriamente revogar a suspensão do processo.
B) poderá revogar a suspensão do processo, cuidando-se de faculdade judicial.
C) declarará extinta a punibilidade imediatamente.
D) converterá a suspensão em prisão em flagrante.
E) anulará o processo desde o oferecimento da denúncia.
Gabarito: B
Análise Comentada: O descumprimento por novo CRIME gera revogação OBRIGATÓRIA (§ 3º). Já o processamento por
nova CONTRAVENÇÃO PENAL gera revogação FACULTATIVA (§ 4º - 'A suspensão poderá ser revogada se o acusado for
processado por contravenção'). Gabarito B.
Questão 17: (VUNESP) Na audiência de instrução e julgamento do rito sumaríssimo do JECRIM, as
partes poderão arrolar até no máximo:
A) 3 testemunhas cada.
B) 5 testemunhas cada.
C) 8 testemunhas cada.
D) 2 testemunhas cada.
E) 10 testemunhas cada.
Gabarito: B
Análise Comentada: Nos termos do artigo 81 da Lei nº 9.099/1995, na instrução do JECRIM serão ouvidas até 5 (cinco)
testemunhas para cada parte (no rito ordinário são 8 e no sumário são 5). Gabarito B.
LEI Nº 9.099/1995 — JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS (JECRIM) TJ-SP | ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO
Apostila Mestra de Direito Processual Penal — Prof. Especialista Página 8 de 9
Questão 18: (VUNESP) A respeito da Súmula Vinculante 35 do STF sobre a Transação Penal na Lei
nº 9.099/95, é correto afirmar que:
A) o descumprimento das cláusulas da transação penal impede a retomada da ação penal.
B) a homologação faz coisa julgada material e impede o oferecimento de denúncia.
C) a homologação da transação penal não faz coisa julgada material, e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a
situação anterior, permitindo ao MP oferecer denúncia.
D) descumprida a transação, a pena de prisão é executada imediatamente sem processo.
E) a transação penal extingue automaticamente a ação civil ex delicto.
Gabarito: C
Análise Comentada: Texto límpido da Súmula Vinculante 35/STF: 'A homologação da transação penal prevista no art. 76 da
Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior,
possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante o oferecimento de denúncia ou retoma
do processo'. Gabarito C.
Questão 19: (VUNESP) Assinale a alternativa que apresenta um crime que, em razão da pena
máxima em abstrato, NÃO é considerado infração de menor potencial ofensivo:
A) Desobediência (art. 330, CP - pena: detenção de 15 dias a 6 meses e multa).
B) Desacato (art. 331, CP - pena: detenção de 6 meses a 2 anos ou multa).
C) Receptação Culposa (art. 180, § 3º, CP - pena: detenção de 1 mês a 1 ano ou multa).
D) Peculato Culposo (art. 312, § 2º, CP - pena: detenção de 3 meses a 1 ano).
E) Concussão (art. 316, CP - pena: reclusão de 2 a 12 anos e multa).
Gabarito: E
Análise Comentada: O crime de Concussão possui pena máxima de 12 anos, superando em muito o limite de 2 anos do
artigo 61 da Lei nº 9.099/95, não sendo IMPO. Todos os demais possuem pena máxima ≤ 2 anos. Gabarito E.
Questão 20: (VUNESP) A respeito da Apelação no JECRIM (artigo 82 da Lei nº 9.099/1995), é correto
afirmar que:
A) deve ser interposta no prazo de 5 dias sem razões anexas.
B) será julgada por uma Turma Recursal composta por três Juízes de primeiro grau.
C) é descabida contra a decisão que rejeita a denúncia.
D) admite razões posteriores no prazo de 8 dias perante o Tribunal de Justiça.
E) tem efeito suspensivo automático para todos os atos ordinatórios.
Gabarito: B
Análise Comentada: Conforme o art. 82 e seus parágrafos, a apelação no JECRIM é julgada por uma Turma Recursal
formada por três juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição. O prazo é de 10 dias e petição já deve vir acompanhada
das razões. Gabarito B.
LEI Nº 9.099/1995 — JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS (JECRIM) TJ-SP | ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO
Apostila Mestra de Direito Processual Penal — Prof. Especialista Página 9 de 9sócio.
3. Primos (4º Grau): NÃO geram impedimento!
4. Provocação do Réu (Art. 256): Réu que desacata o juiz de propósito NÃO pode alegar suspeição.
5. Extensão ao MP (Art. 258): O Promotor não pode atuar em processo presidido por Juiz parente até o 3º grau, e
submete-se às mesmas regras de impedimento e suspeição.
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTS. 251 A 258 | CURSO TJ-SP
Apostila Mestra de Direito Processual Penal — Banca VUNESP Página 6 de 6
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
DO DEFENSOR (ARTS. 261 A 267) E DO ASSISTENTE DA ACUSAÇÃO (ART. 274)
APOSTILA EXCLUSIVA E COMPLETA — TJ-SP (BANCA VUNESP)
APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR: Esta apostila aborda os dispositivos do Código de Processo Penal de
altíssima incidência nas provas do TJ-SP organizadas pela VUNESP: os Artigos 261 a 267 (Do Defensor) e o
Artigo 274 (Do Assistente). O material traz análise teórica artigo por artigo, regras de garimpo da lei seca,
destaques de jurisprudência sumulada (como a Súmula 708 do STF e Súmula 523 do STF), pegadinhas clássicas
da banca, tabelas comparativas e um banco de questões resolvidas e comentadas opção por opção.
CAPÍTULO I: DO DEFENSOR (ARTIGOS 261 A 267 DO CPP)
1.1. Princípio da Indispensabilidade da Defesa Técnica (Art. 261)
No processo penal brasileiro, a defesa técnica é indispensável e indisponível. O réu não pode renunciar ao
direito de ser defendido por um profissional habilitado (advogado ou defensor público), mesmo que esteja
ausente, foragido ou declare formalmente que não deseja defesa.
Art. 261. Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor.
Parágrafo único. A defesa técnica, quando realizada por defensor público ou nomeado, será sempre exercida através
de manifestação fundamentada.
Destaques de Prova & Súmulas do STF:
• Súmula 523 do STF: 'No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência
só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.' (Falta = Nulidade Absoluta; Deficiência = Nulidade
Relativa que exige prejuízo).
• Súmula 708 do STF: 'É nula a decisão que determina o desaforamento de processo sem a audiência da
defesa.'
• Fundamentação Obrigatória (Parágrafo Único): O defensor dativo ou público não pode atuar de forma
meramente pro forma/figurativa; suas peças devem ser devidamente fundamentadas.
1.2. Escolha do Defensor vs. Defensor Dativo (Arts. 262 e 263)
Prevalece no ordenamento o direito de escolha do acusado (postulado da ampla defesa). O réu tem a prerrogativa
primária de constituir advogado de sua confiança. Caso não o faça, ser-lhe-á nomeado defensor pelo juiz
(defensor dativo ou defensor público).
Art. 263. Se o acusado não tiver defensor, ser-lhe-á nomeado pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo tempo,
nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso tenha habilitação legal.
Parágrafo único. Ao acusado que não for pobre caberá pagar os honorários do defensor dativo, arbitrados pelo juiz.
Pontos-Chave para a VUNESP:
Apostila Especializada — Curso Preparatório do Básico ao Avançado Página 1 de 6
1. Autodefesa Excepcional: O réu pode defender a si mesmo APENAS se possuir habilitação legal (inscrição
ativa na OAB).
2. Nomeação a Qualquer Tempo: Mesmo que tenha sido nomeado dativo, o réu pode, a qualquer tempo,
constituir advogado de sua confiança, que assumirá o processo no estado em que se encontra.
3. Honorários do Dativo (Parágrafo Único): Se o réu NÃO for hipossuficiente ('pobre'), ele será obrigado a
pagar os honorários do defensor dativo arbitrados pelo juiz.
1.3. Recusa e Abandono do Processo pelo Defensor (Arts. 264 e 265)
A atuação do defensor nomeado possui relevante caráter de munus público, não sendo permitida a recusa
injustificada ou o abandono arbitrário das causas.
Art. 264. O defensor nomeado não poderá recusar o patrocínio, senão por motivo justo, declarado por escrito e aceito
pelo juiz.
Art. 265. O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso, comunicado previamente ao juiz,
sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem) salários mínimos, sem prejuízo das sanções disciplinares cabíveis.
§ 1º A falta de comparecimento do defensor não determinará o adiamento de ato algum do processo, devendo o juiz
nomear substituto ad hoc.
§ 2º A Defensoria Pública ou a Advocacia Pública será intimada pessoalmente de todos os atos do processo.
PEGADINHA CLÁSSICA DA VUNESP — ABANDONO E DEFENSOR AD HOC:
1. Multa por Abandono: O abandono injustificado do processo gera multa de 10 a 100 salários mínimos
(comunicação prévia é obrigatória).
2. Ausência em Ato Processual (§ 1º): A ausência do defensor em audiência NÃO adia o ato! O juiz
nomeará um defensor ad hoc (apenas para aquele ato).
3. Intimação Pessoal (§ 2º): Defensores Públicos e Procuradores têm prerrogativa de intimação pessoal.
1.4. Impedimento do Defensor por Parentesco com o Juiz (Art. 267)
A imparcialidade da jurisdição e a higidez do processo exigem que o defensor não possua vínculos de
consanguinidade ou afinidade com o magistrado da causa.
Art. 267. Nos termos do art. 252, não poderão servir como defensores os parentes do juiz.
Remissão ao Artigo 252 do CPP: O impedimento alcança os parentes consanguíneos ou afins em linha reta ou
colateral até o 3º GRAU, INCLUSIVE (ex.: pai, filho, avô, neto, irmão, tio, sobrinho, sogro, cunhado). Recorde-se
de que primo é parente em 4º grau, não estando abrangido pelo impedimento estrito da lei seca.
CAPÍTULO II: DO ASSISTENTE DA ACUSAÇÃO (ARTIGO 274 DO CPP)
O ofendido (ou seus sucessores na regra do CPLD - Cônjuge, Ascendente, Descendente, Irmão) pode intervir na
Ação Penal Pública como Assistente da Acusação para auxiliar o Ministério Público e pleitear a reparação cível
do dano.
Art. 274. Do despacho que admitir, ou não, o assistente, não caberá recurso, devendo, entretanto, constar dos autos o
pedido e a decisão.
DIREITO PROCESSUAL PENAL — ARTS. 261 A 267 E 274 DO CPP TJ-SP | ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO
Apostila Especializada — Curso Preparatório do Básico ao Avançado Página 2 de 6
A REGRA MESTRA MAIS COBRADA PELA VUNESP (ART. 274):
NÃO CABE QUALQUER RECURSO da decisão (despacho) do juiz que admitir ou indeferir o ingresso do
assistente da acusação!
• A lei é peremptória: seja a decisão favorável ou contrária ao pedido de habilitação, NÃO HÁ RECURSO
CABÍVEL na via processual penal ordinária.
• A única exigência formal é que o pedido de habilitação e a decisão do magistrado constem
expressamente dos autos.
QUADRO-RESUMO DE CONSULTA RÁPIDA (REVISÃO DE VÉSPERA)
Tema / Artigo Regra Principal Consequência / Pegadinha VUNESP
Indispensabilidade da
Defesa (Art. 261)
Nenhum réu será julgado sem
defensor, mesmo ausente/foragido.
Falta de defesa = Nulidade Absoluta;
Deficiência = Nulidade Relativa (Súmula
523/STF).
Defensor Dativo x
Honorários (Art. 263)
Juiz nomeia dativo se o réu não tiver
defensor constituído.
Se o réu NÃO for pobre, pagará os
honorários do dativo arbitrados pelo juiz.
Abandono do Processo
(Art. 265)
Vedado abandonar sem motivo
imperioso e aviso prévio.
Multa de 10 a 100 salários mínimos +
sanção disciplinar na OAB.
Ausência em Audiência
(Art. 265, § 1º)
A falta do defensor não adia ato algum
do processo.
Juiz nomeia defensor ad hoc apenas para a
realização daquele ato.
Parentesco /
Impedimento (Art. 267)
Impedimento de servir como defensor
parente do juiz.
Parentes consanguíneos ou afins até o 3º
grau (primo de 4º grau NÃO impede).
Recurso no Ingresso
do Assistente (Art. 274)
Decisão que admite ou nega o
assistente da acusação.
NÃO CABE RECURSO de espécie alguma
(pegadinha favorita da VUNESP).
BANCO DE QUESTÕES OFICIAIS E INÉDITAS VUNESP COMENTADAS
DIREITO PROCESSUAL PENAL — ARTS. 261 A 267 E 274 DO CPP TJ-SP | ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO
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QUESTÃO 1 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
Acerca do defensor no processo penal, nos termos do Código de Processo Penal, assinalea alternativa correta:
A) O réu ausente ou foragido poderá ser processado e julgado sem defensor, caso tenha sido devidamente
citado por edital.
B) A falta de comparecimento do defensor do acusado à audiência de instrução determinará obrigatoriamente
o adiamento do ato processual.
C) O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso, comunicado previamente ao
juiz, sob pena de multa de 10 a 100 salários mínimos.
D) O acusado que não for pobre e a quem for nomeado defensor dativo estará isento do pagamento de
honorários advocatícios.
E) Do despacho que indeferir o pedido de nomeação de defensor dativo caberá recurso em sentido estrito.
Gabarito: C
• Justificativa C (Correta): Corresponde à redação exata do caput do Art. 265 do CPP ('O defensor não
poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso, comunicado previamente ao juiz, sob pena de
multa de 10 a 100 salários mínimos...').
• Incorreção A: Errada. O Art. 261 determina que NENHUM acusado, ainda que ausente ou foragido, será
processado ou julgado sem defensor.
• Incorreção B: Errada. Segundo o Art. 265, § 1º, a falta de comparecimento NÃO adia o ato; o juiz nomeará
defensor ad hoc.
• Incorreção D: Errada. Pelo Art. 263, parágrafo único, cabe ao acusado que NÃO for pobre pagar os
honorários do dativo.
• Incorreção E: Errada. Sem previsão legal.
QUESTÃO 2 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário)
Sobre o Assistente da Acusação no Processo Penal (Artigo 274 do CPP), assinale a alternativa correta:
A) Do despacho que indeferir a admissão do assistente da acusação caberá Recurso em Sentido Estrito
(RESE).
B) Do despacho que admitir ou não o assistente da acusação caberá apelação no prazo de 5 dias.
C) Do despacho que admitir, ou não, o assistente, não caberá recurso, devendo constar dos autos o pedido e
a decisão.
D) Cabe agravo de instrumento contra a decisão que nega o pedido de habilitação do assistente da acusação.
E) Admite-se recurso de apelação apenas se a decisão for proferida por juiz singular, mas não pelo Tribunal
do Júri.
Gabarito: C
• Justificativa C (Correta): Redação literal do Art. 274 do CPP: 'Do despacho que admitir, ou não, o
assistente, não caberá recurso, devendo, entretanto, constar dos autos o pedido e a decisão.'
• Incorreção A, B, D, E: Todas incorrem no mesmo erro ao inventar recursos (RESE, Apelação, Agravo) onde
a lei veda expressamente qualquer recurso.
DIREITO PROCESSUAL PENAL — ARTS. 261 A 267 E 274 DO CPP TJ-SP | ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO
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QUESTÃO 3 (VUNESP — MPE-SP — Analista Promotorial)
No que tange às garantias da defesa e às regras sobre nomeação de defensores no processo penal, é
INCORRETO afirmar:
A) O acusado tem o direito de, a todo tempo, nomear advogado de sua confiança em substituição ao dativo.
B) A Defensoria Pública ou a Advocacia Pública será intimada pessoalmente de todos os atos do processo.
C) O acusado que possuir habilitação legal pode exercer a autodefesa no processo penal.
D) A deficiência da defesa técnica produz sempre a nulidade absoluta do processo, independentemente de
demonstração de prejuízo.
E) A falta de manifestação fundamentada do defensor dativo fere a exigência do parágrafo único do art. 261 do
CPP.
Gabarito: D (Alternativa Incorreta solicitada pelo enunciado)
• Justificativa D (Incorreta/Gabarito): Conforme a Súmula 523 do STF, a deficiência da defesa só anula o
processo se houver prova de prejuízo (nulidade relativa). Apenas a falta total de defesa constitui nulidade
absoluta.
• Correção A, B, C, E: Estão perfeitamente corretas de acordo com os arts. 261, parágrafo único, 263, 265, §
2º do CPP.
QUESTÃO 4 (VUNESP — TJ-SP — Titular de Serviços Notariais)
Em relação aos impedimentos do defensor e à substituição de advogados no curso da ação penal, assinale a
afirmativa correta:
A) O advogado constituído que pretenda renunciar ao mandato pode abandonar o processo imediatamente,
sem comunicação ao juízo.
B) Não podem servir como defensores no processo penal os parentes consanguíneos ou afins do juiz até o 3º
grau, inclusive.
C) O parente em 4º grau em linha colateral do juiz (primo) está absolutamente impedido de atuar como
defensor na causa.
D) O defensor dativo nomeado pelo juiz pode recusar o patrocínio por mero desinteresse pessoal, sem
necessidade de justificativa.
E) Se o defensor não comparecer à audiência, o processo ficará suspenso até que o réu constitua novo
patrono.
Gabarito: B
• Justificativa B (Correta): O Art. 267 remete ao Art. 252 do CPP, proibindo a atuação de parentes do juiz até
o 3º grau, inclusive.
• Incorreção A: O abandono sem motivo imperioso e sem aviso prévio gera multa (Art. 265).
• Incorreção C: O primo é parente em 4º grau, não estando abrangido pelo impedimento legal do Art. 252/267.
• Incorreção D: A recusa exige motivo justo aceito pelo juiz (Art. 264).
• Incorreção E: Nomeia-se defensor ad hoc para a realização do ato, não havendo suspensão (Art. 265, § 1º).
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QUESTÃO 5 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário (Inédita / Modelo))
Durante uma audiência de instrução e julgamento no TJ-SP, o advogado constituído pelo réu não compareceu
injustificadamente. Diante disso, o magistrado nomeou um defensor ad hoc para o ato. Inconformado, o réu
alegou nulidade absoluta. Com base no CPP, o juiz deve:
A) Anular a audiência, pois o réu não pode ser assistido por defensor ad hoc sem sua concordância expressa.
B) Manter a validade da audiência, pois a ausência do defensor não determina o adiamento do ato, devendo
ser nomeado substituto ad hoc.
C) Suspender o processo por 30 dias para aplicação da multa ao advogado faltoso antes de prosseguir.
D) Adiar o ato obrigatoriamente para data posterior, remetendo os autos à Defensoria Pública.
E) Declarar a extinção do processo sem julgamento do mérito por ausência de pressuposto processual.
Gabarito: B
• Justificativa B (Correta): Aplicação exata do Art. 265, § 1º do CPP: 'A falta de comparecimento do defensor
não determinará o adiamento de ato algum do processo, devendo o juiz nomear substituto ad hoc.' O
procedimento adotado pelo magistrado é hígido e escorreito.
• Incorreção A, C, D, E: Contrariam o mandamento legal e a celeridade do rito processual penal.
DIREITO PROCESSUAL PENAL — ARTS. 261 A 267 E 274 DO CPP TJ-SP | ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO
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CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTS. 351 A
372
Das Citações e Intimações: Regras Essenciais, Mnemônicos e Questões VUNESP
Comentadas
APRESENTAÇÃO DO MÓDULO
Apostila de Preparação Exclusiva para o Concurso de Escrevente Técnico Judiciário do TJ-SP.
O estudo das Citações (Arts. 351 a 369) e Intimações (Arts. 370 a 372) no Código de Processo Penal representa uma
das matérias de maior taxa de cobrança literal na Banca VUNESP. Esta apostila analisa de forma sistemática a citação
pessoal (mandado, precatória, rogatória, militar, funcionário público, réu preso), as formas fictas (edital e hora certa) com
destaque absoluto para o Artigo 366 do CPP, além do regime legal das intimações.
1. Das Citações Pessoais e Modalidades Especiais (Arts. 351 a 360)
A citação é o ato processual pelo qual se dá ciência ao réu da acusação formulada contra ele, chamando-o a juízo para se
defender e completando a relação processual. No processo penal brasileiro, a regra geral é a citação pessoal.
Modalidade / Situação Base Legal Procedimento / Regra Específica da VUNESP
Por Mandado (Regra) Art. 351 Citação pessoal realizada por Oficial de Justiça na comarca do juiz do
processo.
Funcionário Público Art. 352 Citação pessoal do servidor MAIS notificação ao chefe de serviço (não
substitui a citação do réu!).
Por Precatória Art. 353 e
355
Réuem outra comarca (mesmo estado ou país). Possui caráter itinerante
(pode ser cumprida em outra comarca se o réu lá estiver).
Militar Art. 358 Citação ser-lhe-á feita por intermédio do chefe do serviço.
Réu Preso Art. 360 A citação do réu preso será SEMPRE PESSOAL (requisita-se a
apresentação ao estabelecimento prisional).
No Estrangeiro Art. 359 / 368 Realizada por Carta Rogatória (suspendendo a prescrição até o
cumprimento se em lugar sabido).
Requisitos Formais do Mandado de Citação (Art. 357 do CPP):
• I - O nome do juiz;
• II - O nome do querelante nas ações iniciadas por queixa;
• III - O nome do réu, ou, se for desconhecido, os seus sinais característicos;
• IV - A residência do réu, se for conhecida;
• V - A fim para que é feita a citação;
• VI - O juízo e o lugar, dia e hora em que o réu deve comparecer;
• VII - A subscrição do escrivão e a assinatura do juiz.
2. Das Citações Fictas e o Alerta Máximo do Artigo 366
Quando a citação pessoal é impossibilitada pela conduta do réu (ocultação) ou por desconhecimento do seu paradeiro, o
CPP prevê a citação ficta ou presumida, subdividida em Citação por Hora Certa e Citação por Edital.
CITAÇÃO POR HORA CERTA (OCULTAÇÃO)
CITAÇÃO POR HORA CERTA (Art. 362 do CPP):
Verificado que o réu se oculta para não ser citado, o oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá à citação por
hora certa, observado o disposto nos arts. 252 a 254 do Código de Processo Civil.
Atenção VUNESP: Completada a citação por hora certa, se o acusado não comparecer nem constituir advogado,
ser-lhe-á nomeado defensor dativo / público para apresentar resposta à acusação e o processo SEGUIRÁ
NORMALMENTE (não suspende o processo!).
Citação por Edital (Réu Não Encontrado):
Se o réu não for encontrado e estiver em local incerto e não sabido, a citação será feita por edital com prazo de 15 a 90 dias
(Art. 361 do CPP).
ALERTAR MÁXIMO VUNESP — ARTIGO 366 DO CPP
O CAMPEÃO ABSOLUTO DE QUESTÕES NO TJ-SP — ARTIGO 366 DO CPP:
'Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão SUSPENSOS O PROCESSO E O
CURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas
urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do art. 312.'
REGRAS DE OURO PARA MEMORIZAÇÃO:
1. Dupla Suspensão: Suspende o PROCESSO e a PRESCRIÇÃO (Súmula 455 do STJ: a produção antecipada de
provas exige fundamentação concreta, o mero decurso do tempo não a justifica).
2. Prazo Limite da Suspensão Prescricional (Súmula 415 do STJ): O prazo de suspensão da prescrição é regulado
pelo máximo da pena abstrata cominada ao delito.
3. Prisão Preventiva: Não é automática! Exige o preenchimento dos requisitos cautelares do Art. 312 do CPP.
4. Se o Réu For Citado Pessoalmente e Fugir (Art. 367): O processo NÃO SUSPENDE! O processo seguirá à revelia
do acusado que, citado ou intimado pessoalmente, deixar de comparecer sem motivo justificado.
3. Das Intimações e Notificações (Arts. 370 a 372)
A intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém de um ato ou termo do processo para que faça ou deixe de fazer
alguma coisa. A VUNESP cobra com frequência a diferença na forma de intimação dos defensores.
Sujeito / Destinatário Forma de Intimação Regra Processual (Art. 370 do CPP)
Advogado Constituído Órgão Oficial / Diário Publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da
comarca.
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTS. 351 A 372 ESCREVENTE TJ-SP | BANCA VUNESP
Apostila Mestra de Citações e Intimações — Resolução Comentada VUNESP Página 2 de 5
Defensor Público e Dativo PESSOAL Intimação pessoal mediante entrega dos autos com vista ou meio
eletrônico equivalente.
Ministério Público PESSOAL Intimação pessoal mediante vista dos autos na
procuradoria/promotoria.
Testemunhas e Vítimas Mandado / Correio /
Via Eletrônica
Cumprida por oficial de justiça, aviso de recebimento ou meio
eletrônico válido.
4. Quadro-Resumo de Citações e Intimações para Véspera de Prova
CHECKLIST FINAL DE MEMORIZAÇÃO
RESUMO DE VÉSPERA — VUNESP:
• Réu Preso: Citação SEMPRE pessoal (Art. 360).
• Militar: Citação por intermédio do chefe do serviço (Art. 358).
• Funcionário Público: Citação pessoal + notificação ao chefe de serviço (Art. 352).
• Citação por Hora Certa: Ocorre se o réu se oculta. Se não comparecer, dá-se defensor dativo e O PROCESSO
SEGUE (Art. 362).
• Citação por Edital + Não Comparecimento (Art. 366): SUSPENDE O PROCESSO E A PRESCRIÇÃO. Prova urgente
pode ser produzida. Prisão não é automática.
• Réu Citado Pessoalmente que Foge (Art. 367): O processo SEGUE À REVELIA.
• Intimação Pessoal Obrigatória: Ministério Público, Defensoria Pública e Defensor Dativo.
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTS. 351 A 372 ESCREVENTE TJ-SP | BANCA VUNESP
Apostila Mestra de Citações e Intimações — Resolução Comentada VUNESP Página 3 de 5
5. Banco de Questões VUNESP Comentadas Opção por Opção
Treine com questões oficiais e inéditas elaboradas rigorosamente no padrão de cobrança da Banca VUNESP para o TJ-SP.
Questão 1 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
No tocante às citações e intimações no processo penal, assinale a alternativa correta de acordo com as disposições do Código de
Processo Penal:
A) A citação do réu preso será feita por edital, caso o estabelecimento prisional se localize em outra comarca.
B) A citação do funcionário público será feita exclusivamente ao seu chefe de serviço, que repassará o mandado ao réu.
C) A citação do militar far-se-á por intermédio do chefe do serviço.
D) Verificado que o réu se oculta para não ser citado, ser-lhe-á feita a citação por edital com prazo de 15 dias.
E) A intimação do defensor dativo será feita mediante publicação no Diário da Justiça Eletrônico.
Gabarito: C
Análise das alternativas:
• A) Incorreta. Conforme o Art. 360 do CPP, a citação do réu preso será SEMPRE pessoal.
• B) Incorreta. O Art. 352 estabelece que a citação do funcionário público será feita a ele pessoalmente, notificando-se o chefe de serviço.
• C) CORRETA. A exata redação do Art. 358 do CPP: 'A citação do militar far-se-á por intermédio do chefe do serviço.'
• D) Incorreta. Se o réu se oculta, a citação será por HORA CERTA (Art. 362), e não por edital.
• E) Incorreta. O defensor dativo e a Defensoria Pública têm prerrogativa de intimação PESSOAL (Art. 370, § 4º).
Questão 2 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
Tício foi denunciado pela prática do crime de furto qualificado. Citado por edital por se encontrar em local incerto e não sabido, Tício
não compareceu em juízo no prazo legal e nem constituiu advogado. Diante desse cenário, nos termos do artigo 366 do CPP, o juiz
deverá:
A) Decretar a revelia de Tício, nomear defensor dativo e dar prosseguimento regular ao processo.
B) Suspender o processo e o curso do prazo prescricional, podendo determinar a produção antecipada de provas urgentes.
C) Decretar obrigatoriamente a prisão preventiva de Tício e extinguir o processo sem resolução do mérito.
D) Determinar a renovação da citação por hora certa antes de qualquer medida de suspensão.
E) Suspender o processo, mas manter o curso do prazo prescricional em andamento normal.
Gabarito: B
Análise das alternativas:
• A) Incorreta. A revelia e o prosseguimento ocorrem quando o réu é citado pessoalmente e foge (Art. 367) ou na citação por hora certa
(Art. 362).
• B) CORRETA. Nos termos do Art. 366 do CPP: 'Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão
suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas
urgentes...'
• C) Incorreta. A prisão preventiva não é obrigatória nem automática, dependendo do preenchimento dos requisitos do Art. 312 do CPP.
• D) Incorreta. Não há previsão de citação por hora certa após frustrada a citação por edital.
• E) Incorreta. O Art. 366 impõe a DUPLA SUSPENSÃO (do processo E da prescrição).
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTS. 351 A 372 ESCREVENTE TJ-SP | BANCA VUNESPApostila Mestra de Citações e Intimações — Resolução Comentada VUNESP Página 4 de 5
Questão 3 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
A respeito do instituto da citação por hora certa regulado no Processo Penal (Art. 362 do CPP), assinale a afirmativa correta:
A) Aplica-se quando o réu não é encontrado por estar em local incerto e não sabido.
B) Completada a citação por hora certa, se o acusado não comparecer nem constituir advogado, o processo ficará suspenso juntamente
com a prescrição.
C) Verificado que o réu se oculta para não ser citado, o oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá à citação por hora certa,
observando o procedimento do Código de Processo Civil.
D) A citação por hora certa independe de certificação de ocultação pelo oficial de justiça.
E) O réu citado por hora certa que não comparece tem decretada sua prisão preventiva de forma automática.
Gabarito: C
Análise das alternativas:
• A) Incorreta. Quando o réu está em local incerto, a citação é por edital (Art. 361). A hora certa exige OCULTAÇÃO do réu.
• B) Incorreta. Na hora certa, se o réu não comparecer, nomeia-se defensor dativo e o PROCESSO SEGUE (não suspende!). A suspensão
é exclusiva do Art. 366 (edital).
• C) CORRETA. Exata disposição do Art. 362 do CPP.
• D) Incorreta. A certificação detalhada da fundada suspeita de ocultação é requisito indispensável.
• E) Incorreta. Não existe prisão preventiva automática no direito processual penal brasileiro.
Questão 4 (VUNESP - TJ-SP - Prova Inédita)
Mévio, funcionário público estadual, foi denunciado pelo delito de peculato. O oficial de justiça encarregado de citá-lo dirigiu-se ao
seu local de trabalho e realizou a entrega do mandado apenas ao chefe da repartição, sem citar Mévio pessoalmente. De acordo
com o CPP, tal procedimento está:
A) Correto, pois a citação do funcionário público é feita exclusivamente ao seu superior hierárquico.
B) Incorreto, pois a citação do funcionário público deve ser pessoal, além de ser notificado o chefe de serviço.
C) Correto, bastando a notificação do chefe de serviço em qualquer hipótese.
D) Incorreto, pois o funcionário público goza de foro privilegiado e só pode ser citado por edital.
E) Correto, desde que o chefe de serviço assine o contrafé declarando ter recebido em nome do subordinado.
Gabarito: B
Análise das alternativas:
• A, C, D, E) Incorretas.
• B) CORRETA. Conforme dispõe o Art. 352 do CPP: 'A citação do funcionário público far-se-á mediante notificação ao chefe da repartição
em que servir', devendo a citação do réu ser PESSOAL. Entregar apenas ao chefe violaria a garantia do contraditório e da ampla defesa.
Questão 5 (VUNESP - TJ-SP - Prova Inédita)
Sobre o regime das intimações previsto nos artigos 370 a 372 do Código de Processo Penal, assinale a alternativa incorreta:
A) A intimação do Ministério Público será feita sempre pessoalmente.
B) A intimação do defensor nomeado (dativo) será feita pessoalmente.
C) A intimação do advogado constituído pelo réu será feita, em regra, por publicação no órgão oficial.
D) A falta de intimação de ato processual que enseje adiamento causa nulidade se demonstrado prejuízo.
E) A intimação da Defensoria Pública pode ser realizada exclusivamente por edital nos casos de réu solto.
Gabarito: E
Análise das alternativas:
• A, B, C, D) Corretas e em consonância com o Art. 370 do CPP.
• E) INCORRETA (Gabarito pedido pelo enunciado). O Art. 370, § 4º do CPP determina que a intimação da Defensoria Pública será
SEMPRE PESSOAL (por carga dos autos ou meio eletrônico próprio), sendo vedada a citação/intimação por edital para a instituição.
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTS. 351 A 372 ESCREVENTE TJ-SP | BANCA VUNESP
Apostila Mestra de Citações e Intimações — Resolução Comentada VUNESP Página 5 de 5
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL — ARTS. 394 A
497
Do Processo Comum (Procedimentos Ordinário e Sumário) e do Tribunal do Júri — TJ-SP
DIRETRIZ DE ESTUDO PARA O TJ-SP (BANCA VUNESP):
Os artigos 394 a 497 do CPP representam a espinha dorsal do procedimento criminal no Brasil. A VUNESP cobra
com altíssima frequência: 1) Rejeição liminar da denúncia (Art. 395); 2) Hipóteses de Absolvição Sumária (Art. 397);
3) A ordem estrita das oitivas na AIJ (Art. 400); 4) As 4 decisões do fim da 1ª fase do Júri (Arts. 413 a 419); e 5) A
ordem rígida de quesitação no Plenário do Júri (Art. 483).
1. Disposições Preliminares e Rejeição Liminar (Arts. 394 e 395)
O Artigo 394 do CPP estabelece a divisão dos procedimentos penais de primeiro grau. O procedimento comum
divide-se em: Ordinário (crimes com pena máxima igual ou superior a 4 anos de reclusão/detenção), Sumário (crimes
com pena máxima inferior a 4 anos e superior a 2 anos) e Sumaríssimo (infrações de menor potencial ofensivo - Lei
9.099/95, pena máxima de até 2 anos).
Artigo 395 do CPP — Rejeição Liminar da Denúncia ou Queixa:
A denúncia ou queixa será liminarmente rejeitada quando:
• I - for manifestamente inépcia: descumprimento dos requisitos formais do Art. 41 do CPP (ausência de descrição do
fato, qualificação ou rol de testemunhas);
• II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal: ex.: ausência de representação nos
crimes de ação pública condicionada, ou ilegitimidade de parte;
• III - faltar justa causa para o exercício da ação penal: ausência de suporte probatório mínimo (lastro probatório de
materialidade e autoria).
PEGADINHA CLÁSSICA VUNESP: O juiz REJEITA A DENÚNCIA (Art. 395) antes de citar o réu. Não confunda a
rejeição liminar (decisão interlocutória de recebimento/rejeição) com a ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA (Art. 397), que ocorre
APÓS a citação e a apresentação da Resposta à Acusação!
2. Citação, Resposta à Acusação e Absolvição Sumária (Arts. 396 a 397)
Recebida a denúncia ou queixa, o juiz ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no
prazo de 10 (dez) dias (Art. 396). Na Resposta à Acusação (Art. 396-A), o réu poderá arguir preliminares, alegar tudo o
que interesse à sua defesa, oferecer documentos, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas (até 8 no
procedimento ordinário e até 5 no sumário).
Inércia do Réu (§ 2º do Art. 396-A): Se a resposta não for apresentada no prazo, ou se o acusado, citado, não constituir
defensor, o juiz nomeará defensor dativo ou a Defensoria Pública para oferecê-la, concedendo-lhe novamente o prazo de
10 dias e vista dos autos.
Artigo 397 do CPP — Hipóteses de Absolvição Sumária (CAMPEÃO DE PROVA):
Após a resposta à acusação, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:
• I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato: legítima defesa, estado de necessidade, estrito
cumprimento do dever legal ou exercício regular de direito;
• II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, SALVO INIMPUTABILIDADE: ex.:
coação moral irresistível ou obediência hierárquica. ATENÇÃO: A inimputabilidade por doença mental (Art. 26 do CP)
NÃO gera absolvição sumária nesta fase, pois exige instrução para aplicação de medida de segurança (absolvição
impropria)!
• III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime: atipicidade formal ou material do fato;
• IV - extinta a punibilidade do agente: prescrição, decadência, perempção, morte do agente, anistia, graça ou induto.
3. Instrução e Julgamento no Procedimento Comum (Arts. 399 a 405)
Não sendo caso de absolvição sumária, o juiz designará dia e hora para a Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ),
ordenando a intimação do acusado, seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do assistente.
Ordem Estrita e Rigorosa das Oitivas na AIJ (Art. 400 do CPP):
A audiência será realizada em ato único, no prazo máximo de 60 dias, devendo obedecer rigorosamente à seguinte
sequência:
1º) Tomada de declarações do OFENDIDO (vítima);
2º) Inquirição das TESTEMUNHAS DE ACUSAÇÃO (até 8 no ordinário / 5 no sumário);
3º) Inquirição das TESTEMUNHAS DE DEFESA (até 8 no ordinário / 5 no sumário);
4º) Esclarecimentosdos PERITOS, ACAREAÇÕES e RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS;
5º) INTERROGATÓRIO DO ACUSADO (o interrogatório é sempre o ÚLTIMO ato da instrução probatória, sob pena de
nulidade absoluta por violação à ampla defesa).
Princípio da Identidade Física do Juiz (§ 2º do Art. 399): O juiz que presidir a instrução deverá proferir a sentença.
4. Tribunal do Júri — 1ª Fase: Sumário da Culpa (Arts. 406 a 421)
O procedimento do Tribunal do Júri é bifásico (bifurcado ou escalonado), destinado aos crimes dolosos contra a vida
(homicídio, induzimento/instigação/auxílio ao suicídio ou automutilação, infanticídio e aborto, consumados ou tentados).
A 1ª Fase (Judicium Accusationis ou Sumário da Culpa) vai do oferecimento da denúncia até a decisão de encerramento
da instrução inicial. Ao final da 1ª fase, o juiz presidente proferirá uma das quatro decisões possíveis:
• 1) PRONÚNCIA (Art. 413): Decisão interlocutória mista que julga admissível a acusação e remete o réu a julgamento
em plenário. Exige convencimento da materialidade do fato e a existência de indícios suficientes de autoria ou de
participação. Vigora o princípio in dubio pro societate.
• 2) IMPRONÚNCIA (Art. 414): Decisão de rejeição da acusação por não se convencer da materialidade ou por não
haver indícios suficientes de autoria. Efeito: O processo é arquivado, mas enquanto não extinta a punibilidade, pode ser
instaurada nova denúncia se surgirem novas provas (§ único).
• 3) ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA (Art. 415): Decisão definitiva de mérito proferida quando provada a inexistência do fato,
provado não ser o réu autor/partícipe, o fato não constituir infração penal ou demonstrada causa de isenção de
pena/excludente de ilicitude.
• 4) DESCLASSIFICAÇÃO (Art. 419): O juiz se convence da existência de crime diverso dos dolosos contra a vida. Os
autos são remetidos ao juiz competente.
5. Tribunal do Júri — 2ª Fase: Plenário do Júri (Arts. 422 a 497)
A 2ª Fase (Judicium Causae) inicia-se com a preclusão da decisão de pronúncia. O Conselho de Sentença é composto
por 1 (um) juiz presidente e 7 (sete) jurados leigos, sorteados entre os 25 jurados convocados para a reunião.
Incomunicabilidade dos Jurados (Art. 466, § 1º): Os jurados sorteados não poderão comunicar-se entre si ou com
outrem, nem manifestar sua opinião sobre o processo, sob pena de exclusão do Conselho e multa.
Ordem de Quesitação no Plenário (Art. 483 do CPP - EXTREMAMENTE COBRADO):
Os quesitos serão redigidos em proposições simples e afirmativas e formulados na seguinte ordem obrigatória:
1º) Materialidade do fato (Ex.: 'No dia X, a vítima sofreu as lesões descritas no laudo?');
2º) Autoria ou participação (Ex.: 'O réu concorreu para a prática do fato?');
[Se respondidos afirmativamente os dois primeiros quesitos por maioria de votos, formula-se obrigatoriamente o 3º
quesito]
3º) Quesito Genérico de Absolvição: 'O jurado absolve o acusado?' (Quesito obrigatório concentrador de todas as
teses defensivas);
4º) Se mantida a condenação: Quesito sobre causa de diminuição de pena alegada;
5º) Quesito sobre qualificadoras ou causas de aumento de pena reconhecidas na pronúncia.
6. Tabela Comparativa dos Procedimentos no CPP
Critério / Atributo Procedimento Ordinário Procedimento Sumário Tribunal do Júri (1ª Fase)
Pena Máxima do Crime Equal ou Superior a 4 anos Inferior a 4 anos e > 2 anos Crimes Dolosos c/ a Vida
Limite de Testemunhas Até 8 testemunhas Até 5 testemunhas Até 8 (1ª fase) / 5 (Plenário)
Prazo da AIJ Até 60 dias Até 30 dias Até 90 dias
Interrogatório do Réu Último ato da instrução Último ato da instrução Último ato da instrução
Decisões de Encerramento Sentença Condenatória ou
Absolutória
Sentença Condenatória ou
Absolutória
Pronúncia, Impronúncia,
Absolvição Sumária ou
Desclassificação
7. Banco de Questões Comentadas VUNESP (20 Questões)
Resolva as questões oficiais e inéditas elaboradas nos moldes da Banca VUNESP para o TJ-SP:
Questão 01 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
Ao receber a denúncia oferecida pelo Ministério Público, o Magistrado verifica que o fato narrado é manifestamente
atípico e não constitui infração penal. Nos termos do Código de Processo Penal, o juiz deverá:
A) absolver sumariamente o acusado, nos termos do Artigo 397, III, do CPP, antes mesmo da citação.
B) rejeitar liminarmente a denúncia por falta de justa causa, nos termos do Artigo 395, III, do CPP.
C) determinar a citação do réu e, após a resposta à acusação, absolvê-lo sumariamente nos termos do Artigo 397, III, do
CPP.
D) determinar o arquivamento do inquérito policial pela falta de pressuposto processual.
E) pronunciar o réu para julgamento perante o Tribunal do Júri.
Gabarito Comentado: C. A atipicidade evidente verificada APÓS o recebimento da denúncia e apresentação da
Resposta à Acusação gera a Absolvição Sumária (Art. 397, III). A rejeição liminar (Art. 395) ocorre no momento do
recebimento. Se a denúncia foi recebida, o caminho correto após a resposta à acusação é a absolvição sumária.
Questão 02 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário)
Sobre o procedimento comum ordinário previsto nos artigos 394 a 405 do Código de Processo Penal, assinale a
alternativa correta referente à ordem das oitivas na Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ):
A) O interrogatório do réu deve ser realizado em primeiro lugar para garantir que a defesa conheça suas alegações.
B) As testemunhas de defesa são inquiridas antes das testemunhas de acusação.
C) O interrogatório do acusado é obrigatoriamente o último ato da instrução probatória.
D) A vítima é ouvida após as testemunhas da acusação e da defesa.
E) Os esclarecimentos dos peritos e acareações ocorrem após o interrogatório do réu.
Gabarito Comentado: C. Nos termos do Art. 400 do CPP, a instrução obedece à ordem: 1º) ofendido; 2º) testemunhas
de acusação; 3º) testemunhas de defesa; 4º) peritos, acareações e reconhecimentos; 5º) INTERROGATÓRIO DO
ACUSADO (último ato).
Questão 03 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente)
Assinale a alternativa que apresenta uma hipótese em que NÃO cabe a absolvição sumária prevista no Artigo 397 do
CPP:
A) Existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato.
B) Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, fundada em inimputabilidade por doença
mental.
C) Fato narrado que evidentemente não constitui crime.
D) Extinção da punibilidade do agente pela prescrição.
E) Existência manifesta de estado de necessidade ou legítima defesa.
Gabarito Comentado: B. O Art. 397, II, do CPP prevê expressamente a absolvição sumária por excludente de
culpabilidade 'SALVO INIMPUTABILIDADE'. O inimputável por doença mental (Art. 26 do CP) exige instrução para
aplicação de medida de segurança.
Questão 04 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente)
Ao encerrar a primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri (Sumário da Culpa), se o juiz se convencer da existência
do crime e de indícios suficientes de autoria, proferirá decisão de:
A) Impronúncia.
B) Absolvição Sumária.
C) Pronúncia.
D) Desclassificação.
E) Procedência total do pedido punitivo.
Gabarito Comentado: C. Nos termos do Art. 413 do CPP, o juiz fundamentadamente pronunciará o acusado se
convencido da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação.
Questão 05 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente)
No Plenário do Tribunal do Júri, respondidos afirmativamente por maioria de votos os quesitos referentes à materialidade
do fato e à autoria, é OBRIGATÓRIA a formulação do quesito com a seguinte redação:
A) 'O réu agiu em legítima defesa?'
B) 'O jurado absolve o acusado?'
C) 'O réu cometeu o crime sob o domínio de violenta emoção?'
D) 'Existe causa excludente de culpabilidade?'
E) 'O crime foi praticado por motivo fútil?'
Gabarito Comentado: B. O Art. 483, III e § 2º, do CPP determina que, afirmadas a materialidade e a autoria, o juiz
formulará obrigatoriamente o quesito genérico de absolvição: 'O jurado absolve o acusado?'.
Questão 06 (VUNESP - TJ-SP)
A citação do réu no procedimento comum ordinário para apresentar Respostaà Acusação concede o prazo de:
A) 5 dias.
B) 10 dias.
C) 15 dias.
D) 20 dias.
E) 30 dias.
Gabarito Comentado: B. O Artigo 396 do CPP estabelece o prazo de 10 (dez) dias para a Resposta à Acusação.
Questão 07 (VUNESP - TJ-SP)
No procedimento comum sumário, o número máximo de testemunhas que cada parte poderá arrolar é de:
A) 3 testemunhas.
B) 5 testemunhas.
C) 8 testemunhas.
D) 10 testemunhas.
E) sem limite de testemunhas.
Gabarito Comentado: B. No procedimento sumário (Art. 532 do CPP), o limite é de até 5 testemunhas. No ordinário (Art.
401), o limite é de até 8 testemunhas.
Questão 08 (VUNESP - TJ-SP)
Quando o juiz, ao final da 1ª fase do Tribunal do Júri, reconhecer a existência de crime diverso dos dolosos contra a vida
e não for competente para o julgamento, deverá proferir decisão de:
A) Impronúncia.
B) Absolvição Sumária.
C) Desclassificação.
D) Pronúncia qualificada.
E) Anulação do processo.
Gabarito Comentado: C. Trata-se da decisão de Desclassificação (Art. 419 do CPP), remetendo-se os autos ao juízo
competente.
Questão 09 (VUNESP - TJ-SP)
O Conselho de Sentença no Tribunal do Júri é constituído por:
A) 1 juiz presidente e 5 jurados.
B) 1 juiz presidente e 7 jurados.
C) 3 juízes togados e 7 jurados.
D) 1 juiz presidente e 12 jurados.
E) 1 juiz presidente e 25 jurados.
Gabarito Comentado: B. Nos termos do Art. 447 do CPP, o Tribunal do Júri é composto por 1 juiz presidente e 25
jurados, dos quais 7 constituem o Conselho de Sentença em cada sessão.
Questão 10 (VUNESP - TJ-SP)
A respeito da impronúncia (Art. 414 do CPP), é correto afirmar que:
A) faz coisa julgada material, impedindo a instauração de novo processo em qualquer hipótese.
B) extingue definitivamente a punibilidade do réu.
C) enquanto não extinta a punibilidade, pode ser formulada nova denúncia se surgirem novas provas.
D) obriga o juiz a remeter os autos imediatamente ao tribunal de justiça.
E) equivale à absolvição sumária do acusado.
Gabarito Comentado: C. A impronúncia faz apenas coisa julgada formal. O parágrafo único do Art. 414 do CPP
estabelece que, enquanto não extinta a punibilidade, pode ser instaurado novo processo se surgirem novas provas.
Questão 11 (VUNESP - Concurso Tribunal de Justiça)
Se o acusado, citado por edital, não comparecer nem constituir advogado, o juiz aplicará o Artigo 366 do CPP. Todavia,
no procedimento do Júri, ocorrendo a preclusão da pronúncia sem o comparecimento do réu solto, o processo:
A) ficará suspenso indefinidamente.
B) prosseguirá normalmente, sendo o réu julgado em plenário (julgamento 'a serment').
C) será arquivado sem resolução de mérito.
D) gerará a absolvição sumária do réu.
E) anulará todos os atos praticados desde a denúncia.
Gabarito Comentado: B. Com a reforma do CPP (Lei 11.689/08), extinguiu-se a crise de instabilidade no Júri; se o réu
pronunciado for notificado/citado ou se não for localizado, o julgamento no Plenário pode ocorrer sem a sua presença
(Art. 457 do CPP).
Questão 12 (VUNESP - TJ-SP)
No procedimento comum ordinário, se a Resposta à Acusação não for apresentada no prazo legal de 10 dias pelo
advogado constituído, o juiz deverá:
A) decretar a revelia do réu e julgar antecipadamente a lide.
B) nomear defensor dativo ou a Defensoria Pública para oferecê-la em 10 dias.
C) absolver sumariamente o acusado por falta de defesa.
D) rejeitar liminarmente a denúncia.
E) aplicar multa ao réu e prosseguir sem resposta.
Gabarito Comentado: B. Conforme o Artigo 396-A, § 2º, do CPP, não apresentada a resposta no prazo, o juiz nomeará
defensor para oferecê-la no prazo de 10 dias.
Questão 13 (VUNESP - TJ-SP)
De acordo com o Artigo 399, § 2º, do CPP, o magistrado que presidir a instrução criminal deverá proferir a sentença.
Esse dispositivo consagra o princípio da:
A) Inviolabilidade do Juiz.
B) Identidade Física do Juiz.
C) Inamovibilidade do Magistrado.
D) Imediatidade Probatória Absoluta.
E) Razoável Duração do Processo.
Gabarito Comentado: B. O Art. 399, § 2º, consagra expressamente o Princípio da Identidade Física do Juiz no processo
penal.
Questão 14 (VUNESP - TJ-SP)
A respeito das testemunhas no procedimento comum ordinário, assinale a alternativa correta:
A) Cada parte poderá arrolar até 10 testemunhas.
B) Não se incluem no limite legal as testemunhas que nada souberem sobre o fato.
C) As testemunhas referidas e as que não prestam compromisso de dizer a verdade não são computadas no limite de 8.
D) O juiz é obrigado a ouvir todas as testemunhas arroladas, mesmo que manifestamente protelatórias.
E) Testemunhas de acusação são ouvidas sempre após as de defesa.
Gabarito Comentado: C. Nos termos do Art. 401, § 1º, do CPP, não se computam no limite de 8 testemunhas as que
não prestarem compromisso (declarantes) e as referidas.
Questão 15 (VUNESP - TJ-SP)
Indique a alternativa que representa uma excludente de ilicitude que, se demonstrada manifestamente após a Resposta à
Acusação, fundamenta a Absolvição Sumária (Art. 397, I, CPP):
A) Erro de tipo escusável.
B) Coação moral irresistível.
C) Estrito cumprimento do dever legal.
D) Embriaguez involuntária completa.
E) Obediência hierárquica.
Gabarito Comentado: C. O estrito cumprimento do dever legal é causa excludente de ilicitude (Art. 23 do CP). As
demais opções (A, B, D, E) são causas excludentes de culpabilidade ou de dolo.
Questão 16 (VUNESP - TJ-SP)
Na 1ª fase do procedimento do Tribunal do Júri, contra a decisão de Pronúncia cabe o recurso de:
A) Apelação.
B) Recurso em Sentido Estrito (RESE).
C) Agravo em Execução.
D) Carta Testemunhável.
E) Correição Parcial.
Gabarito Comentado: B. Nos termos do Art. 581, IV, do CPP, contra a decisão que pronunciar o réu cabe Recurso em
Sentido Estrito (RESE). Contra a impronúncia e absolvição sumária cabe Apelação (Art. 416).
Questão 17 (VUNESP - TJ-SP)
Assinale a alternativa correta quanto à votação dos quesitos pelos jurados no Plenário do Júri:
A) As decisões do Conselho de Sentença são tomadas por maioria de votos (ex.: 4 a 0 ou 4 a 3).
B) A votação deve ser aberta para garantir a transparência do julgamento.
C) Exige-se unanimidade de 7 a 0 para a condenação do réu.
D) O juiz presidente vota em conjunto com os jurados para desempatar.
E) O resultado individual de todos os 7 votos deve ser divulgado integralmente.
Gabarito Comentado: A. Para preservar o sigilo das votações (Art. 483, § 1º e § 2º, CPP), atingida a maioria de 4 votos
em qualquer sentido, encerra-se a contagem daquele quesito (não se divulgando o placar de 7x0 ou 6x1).
Questão 18 (VUNESP - TJ-SP)
Caso o jurado sorteado venha a manifestar sua opinião sobre o processo durante a sessão de julgamento no Plenário,
ele estará violando a regra da:
A) Publicidade dos atos processuais.
B) Incomunicabilidade dos jurados.
C) Soberania dos veredictos.
D) Paridade de armas.
E) Impessoalidade jurisdicional.
Gabarito Comentado: B. O Art. 466, § 1º, do CPP proíbe os jurados de se comunicarem sobre o processo ou
manifestarem sua opinião, sob pena de exclusão do Conselho e multa (Regra da Incomunicabilidade).
Questão 19 (VUNESP - TJ-SP)
A rejeição liminar da denúncia fundamentada na falta de justa causa (Art. 395, III, CPP) significa que:
A) a peça acusatória possui erros de gramática e ortografia.
B) o promotor de justiça não possui atribuição funcional.
C) inexiste suporte probatório mínimo de materialidade e indícios de autoria.
D) o crime já prescreveu.
E) o réu é menor de 18 anos.
Gabarito Comentado: C. A justa causa consiste no suporte probatório mínimo (lastro de prova) que dá verossimilhança
à imputação formulada na denúncia.
Questão 20 (VUNESP - TJ-SP)
Se no curso da instrução do procedimento comum ordinário surgirem provas de infração penal não contida na denúncia,
o Ministério Público deverá aditar a acusação no prazo de 5 dias. Esse instituto é denominado pela doutrina e
jurisprudência de:
A) Mutatio Libelli (Art. 384 do CPP).
B) Emendatio Libelli (Art. 383 do CPP).
C) Desclassificação de Ofício.
D) Nulidade Relativa Sanitária.
E) Transação Penal Subsidiária.
Gabarito Comentado: A. A alteraçãoda descrição fática contida na denúncia em virtude de nova prova surgida na
instrução denomina-se Mutatio Libelli (Art. 384 do CPP), exigindo aditamento do MP.
DIREITO PROCESSUAL PENAL — DO PROCEDIMENTO SUMÁRIO (ARTS. 531 A 538 DO CPP) TJ-SP | VUNESP
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CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
ARTIGOS 531 A 538 — DO PROCEDIMENTO SUMÁRIO
O Procedimento Comum Sumário é aplicável aos crimes cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) anos e
superior a 2 (dois) anos de pena privativa de liberdade (Art. 394, § 1º, II, do CPP). Trata-se de uma modalidade
celerizada da instrução criminal, mantendo a estrutura do procedimento ordinário, porém com prazos reduzidos, limite de
testemunhas menor (até 5) e concentração de atos em Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ). Abaixo, apresentamos a
análise minuciosa dos Artigos 531 a 538 do CPP, destacando os pontos com maior índice de cobrança pela banca VUNESP
no concurso de Escrevente Técnico Judiciário do TJ-SP.
1. Audiência de Instrução e Julgamento no Procedimento Sumário (Art. 531)
Art. 531 do CPP: 'Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 30 (trinta) dias, proceder-se-á
à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, ressalvado o
disposto no art. 222, aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas,
interrogar-se-á o acusado e proceder-se-á ao debate.'
Prazo de Realização da AIJ: O prazo máximo para a realização da audiência de instrução e julgamento no procedimento
sumário é de 30 (trinta) dias (enquanto no procedimento ordinário o prazo é de 60 dias). Este prazo é frequentemente objeto
de questões da VUNESP que buscam confundir os prazos dos dois procedimentos.
Ordem Rígida dos Atos da AIJ (Princípio do Contraditório e Ampla Defesa):
1. Declarações do ofendido (vítima);
2. Inquirição das testemunhas de acusação;
3. Inquirição das testemunhas de defesa;
4. Esclarecimentos dos peritos, acareações e reconhecimentos de pessoas/coisas;
5. Interrogatório do acusado (SEMPRE o último ato da instrução probatória);
6. Debates orais (Alegações Finais).
■■ ALERTA DE PROVA — INVERSÃO DO INTERROGATÓRIO
PEGADINHA CLÁSSICA DA VUNESP: O interrogatório do réu DEVE ser o último ato da instrução. Se o juiz inverter essa ordem
sem justificativa legal, ocorre NULIDADE ABSOLUTA por violação da ampla defesa. A única ressalva expressa no artigo é a
inquirição de testemunha por Carta Precatória (Art. 222 do CPP), a qual não suspende a instrução criminal.
2. Limite do Número de Testemunhas (Art. 532)
Art. 532 do CPP: 'Na instrução, poderão ser inquiridas até 5 (cinco) testemunhas arroladas pela acusação e 5 (cinco) pela
defesa.'
Procedimento Pena Cominada em Abstrato
Prazo Máximo da
AIJ
Limite de Testemunhas
(Acusação/Defesa)
Procedimento Ordinário Pena máxima ≥ 4 anos 60 dias Até 8 testemunhas
Procedimento Sumário Pena máxima 2 anos 30 dias Até 5 testemunhas
Procedimento
Sumaríssimo (JECRIM)
Infracões de menor potencial
(Pena máx ≤ 2 anos e multas)
Incontinenti / Imadiata
Até 3 testemunhas (Lei
9.099/95)
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3. Aplicação Subsidiária e Alegações Finais Orais (Arts. 533 e 534)
Art. 533 do CPP: 'Aplica-se ao procedimento sumário o disposto nos arts. 395 a 398 deste Código.'
Isso significa que o procedimento sumário adota integralmente as regras do procedimento ordinário no tocante à rejeição
liminar da denúncia/queixa (Art. 395), apresentação de Resposta à Acusação no prazo de 10 dias (Art. 396 e 396-A) e a
possibilidade de Absolvição Sumária (Art. 397).
Art. 534 do CPP: 'As alegações finais serão orais, concedendo-se a palavra, respectivamente, à acusação e à defesa, pelo
prazo de 20 (vinte) minutos, prorrogável por mais 10 (dez), proferindo o juiz a sentença em seguida.'
• Prazo das Sustentações Orais: 20 minutos para o Ministério Público/Querelante e 20 minutos para a Defesa.
• Prorrogação: O juiz pode prorrogar por mais 10 minutos.
• Pluralidade de Acusados (§ 1º): O tempo previsto para a acusação e defesa de cada um dos réus será INDIVIDUAL.
• Assistente da Acusação (§ 2º): Ao assistente do MP serão concedidos 10 minutos (após a manifestação do MP),
prorrogando-se por igual tempo (mais 10 min) o tempo da defesa.
■ DESTAQUE DE PROVA — ORALIDADE DAS ALEGAÇÕES FINAIS
REGRA DE OURO DAS ALEGAÇÕES FINAIS NO SUMÁRIO: No procedimento sumário, a regra absoluta é a ORALIDADE e a
IMEDIATIDADE DA SENTENÇA na própria audiência. Não há previsão legal expressa de conversão automática em memoriais
escritos como ocorre no procedimento ordinário (Art. 403, § 3º), enfatizando o princípio da concentração dos atos processuais.
4. Impossibilidade de Adiamento, Carta Precatória e JECRIM (Arts. 535 a 538)
Art. 535 do CPP: 'Nenhum ato adiar-se-á, salvo se indispensável à prova faltante, determinando o juiz a realização imediata
daquelas que forem possíveis.'
Consagra o Princípio da Unidade/Continuidade da Audiência. Havendo ausência de prova ou testemunha, o juiz deve
colher todas as demais provas disponíveis na audiência e designar a realização da faltante sem anular ou refazer os atos já
praticados.
Art. 536 do CPP: 'A testemunha que morar fora da jurisdição do juiz será inquirida pelo juiz do lugar de sua residência,
expedindo-se para esse fim carta precatória, com prazo razoável, intimadas as partes.'
Art. 537 do CPP: (Revogado pela Lei nº 11.719/2008).
Art. 538 do CPP: 'Nas infrações penais de menor potencial ofensivo, quando o juizado especial criminal encaminhar ao juízo
comum as peças existentes, adotar-se-á o procedimento sumário previsto neste Capítulo.'
■ QUESTÃO CERTA NA VUNESP — REMESSA DO JECRIM AO JUÍZO COMUM
A CONEXÃO COM O JECRIM (ART. 538): Quando um processo do Juizado Especial Criminal (JECRIM - Lei 9.099/95) precisa
ser remetido ao Juízo Comum (por exemplo, quando o réu não é encontrado para citação pessoal e necessita de citação por
edital, conforme Art. 66, parágrafo único, da Lei 9.099/95), o procedimento a ser adotado no Juízo Comum será obrigatoriamente
o PROCEDIMENTO SUMÁRIO!
5. Banco de Questões VUNESP Comentadas Alternativa por Alternativa
Resolva as questões abaixo extraídas dos exames oficiais do TJ-SP e bancas correlatas da VUNESP. Cada questão contém
gabarito comentado fundamentando cada alternativa.
Questão 01. VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário (Adaptada)
No tocante ao Procedimento Comum Sumário (artigos 531 a 538 do Código de Processo Penal), assinale a alternativa
correta:
DIREITO PROCESSUAL PENAL — DO PROCEDIMENTO SUMÁRIO (ARTS. 531 A 538 DO CPP) TJ-SP | VUNESP
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A) O prazo máximo para a realização da audiência de instrução e julgamento é de 60 (sessenta) dias a contar do recebimento da
denúncia.
B) Na instrução criminal do procedimento sumário, acusação e defesa poderão arrolar até 8 (oito) testemunhas cada uma.
C) As alegações finais serão obrigatoriamente apresentadas por memoriais escritos no prazo sucessivo de 5 (cinco) dias.
D) As alegações finais serão orais, concedendo-se o prazo de 20 (vinte) minutos para a acusação e 20 (vinte) minutos para a
defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez) minutos.
E) Se o réu for acusado de infração de menor potencial ofensivo e o JECRIM remeter os autos ao Juízo Comum, adotar-se-á o
procedimento ordinário.
GABARITO: D
Análise das Alternativas:
• A) INCORRETA. O prazo máximo para a realização da AIJ no procedimento sumário é de 30 dias (Art. 531 do CPP). O prazo de 60 dias
pertence ao procedimento ordinário (Art. 400).
• B) INCORRETA. No procedimento sumário, o limite é de até 5 (cinco) testemunhas para a acusação e 5 para a defesa (Art. 532). O
limite de 8 testemunhas aplica-se ao procedimento ordinário.