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GUIA DE ESTUDO DEFINITIVO — DIREITO PENAL TJ-SP: Esta apostila foi elaborada especificamente para cobrir os artigos do Código Penal previstos no edital de Escrevente Técnico Judiciário: Arts. 319 a 333, 336 e 337 (Crimes Praticados por Funcionário Público e por Particular contra a Administração em Geral) e Arts. 339 a 347, 357 e 359 (Crimes contra a Administração da Justiça). Apresentamos a análise detalhada da lei seca, doutrina focada na VUNESP, pegadinhas de prova, quadros comparativos e questões oficiais comentadas alternativa por alternativa. MÓDULO I — CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL 1. Prevaricação (Art. 319) e Prevaricação Imprópria (Art. 319-A) Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Análise Prática para a VUNESP: • Núcleo do Tipo (Art. 319): Retardar (atrasar), Deixar de praticar (omissão) ou Praticar contra lei. • Elemento Subjetivo Especial do Tipo (Essencial em Prova): O agente deve atuar exclusivamente 'para satisfazer interesse ou sentimento pessoal' (ex.: vaidade, amizade, rancor, preguiça). Se o agente atua para receber ou solicitar vantagem patrimonial, o crime será Corrupção Passiva (Art. 317) ou Concussão (Art. 316)! • Artigo 319-A (Prevaricação Imprópria em Presídios): Crime omissivo próprio focado na segurança penitenciária. O agente público omite o dever de vedar o acesso do preso a aparelhos de comunicação. Não exige a comprovação de interesse pessoal para a sua configuração. DIREITO PENAL FORMAÇÃO DE ELITE — TJ-SP (VUNESP) CÓDIGO PENAL — PARTE ESPECIAL Crimes Contra a Adm. Pública e Contra a Adm. da Justiça Arts. 319 a 333 | 336 e 337 | 339 a 347 | 357 e 359 2. Condescendência Criminosa (Art. 320) e Advocacia Administrativa (Art. 321) Art. 320 (Condescendência Criminosa): Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente. Pena – detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa. Art. 321 (Advocacia Administrativa): Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa. Parágrafo único. Se o interesse é ilegítimo: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. Pontos Críticos para o TJ-SP: • Condescendência Criminosa: A palavra-chave e elemento essencial é a INDULGÊNCIA (dó, pena, clemência, apadrinhamento). O chefe/superior deixa de punir o subordinado por pena/afeto. Se deixar de punir por medo/ameaça, não há o crime do Art. 320. Se deixar de punir para obter propina, comete Corrupção Passiva. • Advocacia Administrativa: O funcionário atua como 'advogado' ou 'intermediário' de um amigo/parente perante a repartição onde trabalha ou na Administração em geral. Atenção: O crime ocorre **mesmo se o interesse privado for legítimo** (caput)! Se o interesse for **ilegítimo**, aplica-se a figura qualificada do parágrafo único. 3. Violência Arbitrária (Art. 322), Abandono de Cargo (Art. 323) e Exercício Ilegal (Art. 324) Art. 322 (Violência Arbitrária): Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la. (Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, além da pena correspondente à violência). [Nota: Aplica-se a Lei de Abuso de Autoridade - Lei 13.869/19]. Art. 323 (Abandono de Cargo): Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei: Pena – detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa. § 1º Se do fato resulta prejuízo público: Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa. § 2º Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira: Pena – detenção, de 1 a 3 anos, e multa. Art. 324 (Exercício Funcional Ilegalmente Antecipado ou Prolongado): Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso: Pena – detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa. CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP Apostila de Direito Penal — Material Exclusivo de Alta Performance Página 2 de 9 4. Violação de Sigilo Funcional (Art. 325) e Conceito de Funcionário Público (Art. 327) Art. 325 (Violação de Sigilo Funcional): Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação: Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. § 1º Nas mesmas penas incurre quem: I – permite ou facilita o acesso de pessoa não autorizada a sistemas de informações; II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. § 2º Se da violação resulta prejuízo para a Administração ou para outrem: Pena – reclusão, de 2 a 6 anos, e multa. Art. 327 (Conceito de Funcionário Público para Fins Penais): Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. § 1º Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. § 2º (Aumento de Pena): A pena será aumentada da terça parte (1/3) quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo poder público. PEGADINHA RECORRENTE DA VUNESP — ARTIGO 327 DO CP: 1. Gratuidade e Transitoriedade: O jurado, o mesário eleitoral e o estagiário público são funcionários públicos para fins penais, mesmo que trabalhem sem remuneração ou temporariamente! 2. Causa de Aumento de 1/3 (§ 2º): Aplica-se exclusivamente a ocupantes de cargos em comissão, direção ou assessoramento. Atenção: Empresas privadas contratadas para atividades atípicas (ex.: limpeza/segurança) equiparam os funcionários no § 1º, mas NÃO geram o aumento do § 2º! MÓDULO II — CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP Apostila de Direito Penal — Material Exclusivo de Alta Performance Página 3 de 9 Art. 328 (Usurpação de Função Pública): Usurpar o exercício de função pública: Pena – detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único: Se do fato o agente aufere vantagem: Pena – reclusão, de 2 a 5 anos, e multa. Art. 329 (Resistência): Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: Pena – detenção, de 2 meses a 2 anos. Art. 330 (Desobediência): Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena – detenção, de 15 dias a 6 meses, e multa. Art. 331 (Desacato): Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa. Art. 332 (Tráfico de Influência): Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função: Pena – reclusão, de 2 a 5 anos, e multa. Parágrafo único: Pena aumentada da metade (1/2) se o agente alega que a vantagem é também destinada ao funcionário. Art. 333 (Corrupção Ativa): Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício: Pena – reclusão,de 2 a 12 anos, e multa. Parágrafo único: A pena é aumentada de um terço (1/3) se, em razão da vantagem, o funcionário retarda/omite ou pratica o ato infração do dever. DIFERENCIAÇÃO ESTRATÉGICA PARA PROVA: • Resistência (Art. 329) x Desobediência (Art. 330) x Desacato (Art. 331): - Resistência: Exige VETOR FÍSICO/AMEAÇA (Violência ou Ameaça) para impedir ato legal. - Desobediência: Descumprimento passivo de ordem legal (ex.: não parar veículo em blitz quando mandado, sem violência). - Desacato: Ofensa à dignidade/decoro do funcionário na presença dele ou em razão da função. • Tráfico de Influência (Art. 332) x Exploração de Prestígio (Art. 357): - No Tráfico de Influência, o agente alega influir em funcionário público comum (administração em geral). - Na Exploração de Prestígio, o agente alega influir em Juiz, Jurado, Órgão do Ministério Público, Perito, Tradutor ou Testemunha (administração da justiça)! 5. Rasura de Edital (Art. 336) e Subtração de Livro/Documento (Art. 337) Art. 336 (Rasura ou Inutilização de Edital ou Sinal): Rasgar, rasurar, inutilizar ou de qualquer modo tornar ilegível edital ou sinal afixado por ordem de funcionário público: Pena – detenção, de 1 mes a 1 ano, ou multa. Art. 337 (Subtração ou Inutilização de Livro ou Documento): Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou documento confiado à custódia de funcionário, em razão do cargo, ou de particular em serviço público: Pena – reclusão, de 2 a 5 anos, se o fato não constitui crime mais grave. MÓDULO III — CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA (ARTS. 339 A 347, 357 E 359) CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP Apostila de Direito Penal — Material Exclusivo de Alta Performance Página 4 de 9 Art. 339 (Denunciação Caluniosa): Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime, infração ético-disciplinar ou ato de improbidade de que o sabe inocente: Pena – reclusão, de 2 a 8 anos, e multa. § 1º A pena é aumentada de sexta parte (1/6), se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. § 2º A pena é reduzida de metade (1/2), se a imputação é de prática de contravenção. Art. 340 (Comunicação Falsa de Crime ou Contravenção): Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado: Pena – detenção, de 1 a 6 meses, ou multa. Art. 341 (Autoacusação Falsa): Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem: Pena – detenção, de 3 meses a 2 anos, ou multa. Art. 342 (Falso Testemunho ou Falsa Perícia): Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: Pena – reclusão, de 2 a 4 anos, e multa. § 1º As penas aumentam-se de um sexto a um terço (1/6 a 1/3) se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo civil ou penal. § 2º (Retratação - Ponto Vital!): O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que se deu o fato, o agente se retrata ou declara a verdade. REGRA DE OURO DA VUNESP — RETRATAÇÃO NO FALSO TESTEMUNHO (ART. 342, § 2º): A retratação ou declaração da verdade pelo testemunho/perito ANTES DA SENTENÇA do processo principal gera a EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE (o fato deixa de ser punível). Atenção à data limite: Deve ocorrer ANTES da prolatação da sentença no processo original onde a falsidade ocorreu! CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP Apostila de Direito Penal — Material Exclusivo de Alta Performance Página 5 de 9 6. Coação, Exercício Arbitrário, Fraude Processual, Exploração de Prestígio e Desobediência Judicial Art. 344 (Coação no Curso do Processo): Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral: Pena – reclusão, de 1 a 4 anos, e multa, além da pena correspondente à violência. Art. 345 (Exercício Arbitrário das Próprias Razões): Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite: Pena – detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa. Parágrafo único. Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa (Ação Penal Privada). Art. 347 (Fraude Processual): Inovar artificialmente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: Pena – detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único: Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro. Art. 357 (Exploração de Prestígio): Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, perito, tradutor, intérprete ou testemunha: Pena – reclusão, de 1 a 5 anos, e multa. Parágrafo único: As penas aumentam-se de um terço (1/3), se o agente alega que o dinheiro ou utilidade é também destinado a qualquer das pessoas referidas neste artigo. Art. 359 (Desobediência a Decisão Judicial sobre Perda/Suspensão de Direito): Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão judicial: Pena – detenção, de 3 meses a 2 anos, ou multa. 7. Quadro Comparativo de Crimes Semelhantes no Código Penal Crime Agente / Sujeito Conduta / Elemento Chave Objeto / Destinatário Prevaricação (Art. 319) Funcionário Público Retardar/omitir ato para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Administração Pública Condescendência Criminosa (Art. 320) Funcionário Público (Chefe) Deixar de responsabilizar subordinado por indulgência (dó/pena). Subordinado Hierárquico Advocacia Administrativa (Art. 321) Funcionário Público Patrocinar interesse privado legítimo ou ilegítimo perante a Adm. Interesse de Terceiro Tráfico de Influência (Art. 332) Particular / Qualquer pessoa Solicitar/obter vantagem a pretexto de influir em funcionário público comum. Funcionário Público Geral Exploração de Prestígio (Art. 357) Particular / Qualquer pessoa Solicitar/receber vantagem a pretexto de influir em Juiz, MP, Perito, Testemunha. Atores da Justiça Denunciação Caluniosa (Art. 339) Qualquer pessoa Dar causa a inquérito/processo contra inocente sabendo-o inocente. Pessoa Determinada Inocente CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP Apostila de Direito Penal — Material Exclusivo de Alta Performance Página 6 de 9 Comunicação Falsa (Art. 340) Qualquer pessoa Comunicar ocorrência de crime/contravenção inexistente sem indicar pessoa. Autoridade Policial / Judicial MÓDULO IV — QUESTÕES OFICIAIS DA VUNESP COM GABARITO COMENTADO Questão 01 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário) Um Escrevente Técnico Judiciário, com o objetivo exclusivo de agradar a uma colega de trabalho por quem nutre um sentimento de afeto amoroso, deixa de expedir um mandado de citação urgente dentro do prazo legal, acarretando atraso no processo. Com base no Código Penal, o servidor cometeu o crime de: A) Corrupção Passiva Privilegiada. B) Prevaricação. C) Condescendência Criminosa. D) Advocacia Administrativa. E) Fato atípico na esfera penal, configurando apenas infração disciplinar. Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: B. Justificativa: O Escrevente deixou de praticar ato de ofício (expedição de mandado) para satisfazer sentimento pessoal (afeto amoroso por colega). Trata-se da figura exata do Artigo 319 do Código Penal (Prevaricação). Não é Corrupção Privilegiada porque esta exige ceder a pedido/influência de outrem; não é Condescendência pois não envolveu infração de subordinado;nem Advocacia Administrativa pois não patrocinou interesse privado perante a administração. Questão 02 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário) O Diretor de uma Divisão do Tribunal de Justiça, ao descobrir que um Escrevente seu subordinado cometeu uma grave infração no exercício do cargo, decide não instaurar o procedimento disciplinar cabível por ter pena e compaixão da situação financeira da família do servidor. Nessa situação, o Diretor praticou o crime de: A) Prevaricação. B) Apropriação Indébita Previdenciária. C) Condescendência Criminosa. D) Corrupção Passiva. E) Concussão. Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: C. Justificativa: Deixar o funcionário, por indulgência (compaixão/dó/pena), de responsabilizar subordinado que cometeu infração no cargo caracteriza o crime de Condescendência Criminosa (Artigo 320 do CP). CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP Apostila de Direito Penal — Material Exclusivo de Alta Performance Página 7 de 9 Questão 03 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário) Determinado cidadão, querendo obter uma decisão favorável em um processo cível, entra em contato com um intermediário que afirma ter grande influência sobre o Juiz da causa. O intermediário solicita a quantia de R$ 20.000,00 alegando que o valor servirá para influenciar o magistrado. O crime praticado pelo intermediário é: A) Tráfico de Influência. B) Corrupção Ativa. C) Exploração de Prestígio. D) Estelionato Comum. E) Coação no Curso do Processo. Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: C. Justificativa: Solicitar ou receber dinheiro a pretexto de influir em Juiz, Jurado, Promotor, Perito ou Testemunha configura o crime do Artigo 357 do CP (Exploração de Prestígio). Se a alegada influência fosse sobre funcionário público comum (administração geral), o crime seria Tráfico de Influência (Art. 332). Questão 04 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário) No que tange ao crime de Falso Testemunho ou Falsa Perícia (Artigo 342 do Código Penal), assinale a alternativa correta quanto à regra da retratação prevista no § 2º: A) A retratação reduz a pena de um terço até a metade. B) A retratação só é cabível se efetuada antes da instauração do inquérito policial. C) O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que se deu o fato, o agente se retrata ou declara a verdade. D) A retratação extingue a punibilidade apenas se o juiz do processo concordar expressamente. E) A retratação é causa de diminuição obrigatória de pena em metade, mesmo após a sentença. Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: C. Justificativa: O Artigo 342, § 2º do CP dispõe expressamente que o fato deixa de ser punível (extinção da punibilidade) se, antes da sentença no processo em que se deu o fato, o agente se retrata ou declara a verdade. Questão 05 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário) A respeito dos conceitos e causas de aumento referentes aos crimes contra a Administração Pública (Artigo 327 do Código Penal), assinale a alternativa correta: A) Quem exerce função pública sem remuneração não é considerado funcionário público para fins penais. B) A pena é aumentada da metade se o autor for ocupante de cargo em comissão. C) Equipara-se a funcionário público quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada para a execução de atividade típica da Administração Pública. D) Os diretores de sociedades de economia mista são isentos da causa de aumento do § 2º. E) O conceito de funcionário público penal exige nomeação por concurso público. Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: C. Justificativa: Conforme o Art. 327, § 1º do CP, equipara-se a funcionário público quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada/conveniada para atividade típica da Administração. A alternativa A é errada pois a transitoriedade e gratuidade não excluem o conceito (§ 1º); a B é errada pois o aumento é de 1/3 e não metade (§ 2º). CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP Apostila de Direito Penal — Material Exclusivo de Alta Performance Página 8 de 9 Questão 06 (VUNESP - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário) Inovar artificialmente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito, configura o crime de: A) Fraude Processual. B) Falsidade Ideológica. C) Autoacusação Falsa. D) Denunciação Caluniosa. E) Exercício Arbitrário das Próprias Razões. Análise e Gabarito Comentado: Gabarito: A. Justificativa: A inovação artificial do estado de lugar, coisa ou pessoa para induzir em erro o juiz ou perito é a definição legal exata do crime de Fraude Processual (Artigo 347 do Código Penal). Se for destinado a produzir efeito em processo penal, a pena é aplicada em dobro. CURSO PREPARATÓRIO TJ-SP — CÓDIGO PENAL (ARTS. 319 A 359) BANCA VUNESP Apostila de Direito Penal — Material Exclusivo de Alta Performance Página 9 de 9