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1 Atuação da Enfermagem na Promoção da Saúde Mental na Atenção Primária: Acolhimento, Identificação Precoce e Continuidade do Cuidado [footnoteRef:1] [1: Acadêmica do curso de Enfermagem da Unopar.] [footnoteRef:2] [2: Orientador(a). Coordenador(a) do curso de Enfermagem da Unopar.] RESUMO A saúde mental integra o cuidado em saúde e representa uma demanda frequente na Atenção Primária, onde o enfermeiro participa de consultas, acolhimentos, visitas domiciliares e acompanhamento longitudinal. Este trabalho teve como objetivo analisar as contribuições da enfermagem para a promoção da saúde mental na Atenção Primária, com ênfase na identificação de sofrimento psíquico, consulta de enfermagem, cuidado colaborativo e continuidade assistencial. Foi realizada revisão bibliográfica, qualitativa e descritiva, baseada exclusivamente em artigos científicos publicados entre 2020 e 2026, localizados nas bases PubMed e SciELO. Foram incluídos estudos brasileiros e internacionais, abrangendo revisões, pesquisas qualitativas, estudos transversais e investigações sobre intervenções. A literatura indicou que a enfermagem pode contribuir por meio de escuta qualificada, avaliação de necessidades, consulta estruturada, educação em saúde, monitoramento, visita domiciliar e articulação multiprofissional. Também foram identificadas barreiras relacionadas à formação, sobrecarga de trabalho, disponibilidade de recursos e fragmentação assistencial. Modelos colaborativos e estratégias conduzidas por enfermeiros apresentaram potencial para ampliar o cuidado quando acompanhados de treinamento, supervisão e seguimento estruturado. Concluiu-se que a enfermagem possui papel relevante na integração da saúde mental à Atenção Primária, mas a ampliação dessa atuação depende de condições organizacionais e desenvolvimento de competências específicas. Palavras-chave: Saúde mental. Enfermagem. Atenção primária à saúde. Ansiedade. Depressão. 1. INTRODUÇÃO A saúde mental constitui dimensão inseparável do cuidado em saúde e, na Atenção Primária à Saúde, aparece tanto em demandas explicitamente psicológicas quanto em queixas relacionadas ao sono, ao funcionamento cotidiano, às relações e ao autocuidado. Estudos sobre a integração da saúde mental no primeiro nível de atenção mostram que a proximidade dos profissionais com o território favorece identificação de necessidades e continuidade assistencial, mas a resposta depende de preparo clínico, organização dos serviços e articulação entre os profissionais. Revisões recentes destacam que modelos integrados e colaborativos podem ampliar o acesso e melhorar resultados, sobretudo para transtornos depressivos e ansiosos, quando existe acompanhamento estruturado e definição clara de responsabilidades (Oliveira et al., 2023; Faisal et al., 2024). A presença frequente de sofrimento psíquico na Atenção Primária não significa que tristeza, preocupação ou reações a adversidades devam ser automaticamente classificadas como transtornos mentais. Mendes et al. (2024), ao investigarem práticas de enfermeiras no cuidado a pessoas em sofrimento psíquico, identificaram a importância de compreender fatores ambientais, sociais e familiares e de criar espaços de escuta para expressão de sentimentos. Esse enfoque permite avaliar intensidade, duração, repercussão funcional e contexto de vida antes de definir necessidades de acompanhamento, preservando a singularidade da pessoa e evitando respostas exclusivamente classificatórias. Na realidade brasileira, a Atenção Primária constitui espaço privilegiado para reconhecer necessidades de saúde mental e coordenar o cuidado por manter contato continuado com usuários e famílias. Nunes et al. (2020), em estudo com enfermeiros da Estratégia Saúde da Família, identificaram pouca articulação entre a rede básica e os serviços de saúde mental e relataram insegurança profissional para atuação na área. Esses resultados evidenciam que a capacidade potencial da Atenção Primária depende de comunicação entre serviços, apoio técnico e qualificação das equipes, especialmente quando as situações exigem compartilhamento do cuidado. A enfermagem participa desse processo por meio de consultas, acolhimentos, visitas domiciliares, ações educativas, grupos, acompanhamento de condições crônicas e contatos frequentes com usuários e famílias. Simão, Vargas e Pereira (2022), ao mapearem intervenções de enfermagem em saúde mental na Atenção Primária brasileira, identificaram amplo conjunto de possibilidades de atuação, mas observaram predominância de acolhimento e encaminhamento, além de limitações relacionadas ao conhecimento técnico-científico. Esses achados indicam que a presença do enfermeiro no território não garante, por si só, cuidado integral; é necessário desenvolver competências que permitam avaliar, acompanhar e coordenar as necessidades identificadas. Estudos recentes reforçam essa discussão. Comaru e Monteiro (2025), em revisão integrativa sobre consulta de enfermagem em saúde mental na Atenção Primária, destacaram a consulta como recurso para identificação de problemas, construção do cuidado e atuação terapêutica do enfermeiro, mas apontaram lacunas de formação e sobrecarga dos serviços. Em meta-síntese internacional, Rafi et al. (2026) identificaram que enfermeiros podem contribuir para intervenções psicossociais, redução do estigma e articulação interprofissional, ao mesmo tempo em que dificuldades de treinamento, carga de trabalho e recursos limitados permanecem como barreiras. A ansiedade e a depressão merecem atenção especial porque estão entre as condições mais frequentemente abordadas nos estudos de integração da saúde mental à Atenção Primária. Turi et al. (2023) encontraram evidências de que profissionais de enfermagem de prática avançada podem oferecer cuidado efetivo a pessoas com ansiedade, depressão e transtornos relacionados ao uso de substâncias em contextos de atenção primária. Kappelin, Carlsson e Wachtler (2022) também mostraram que, em modelos de cuidado colaborativo, o acompanhamento por um gestor de caso, muitas vezes enfermeiro, pode envolver monitoramento de sintomas, função, adesão e prevenção de recaídas. Esses achados reforçam a importância de reconhecer sintomas sem reduzir a avaliação a um diagnóstico isolado. A atuação em saúde mental também exige cuidado ético com a comunicação e com a participação do usuário. Menear et al. (2022), ao analisarem programas de cuidado colaborativo para depressão e ansiedade, observaram que planejamento personalizado e decisão compartilhada ainda eram utilizados em menos da metade dos programas avaliados. O dado indica espaço para ampliar a participação da pessoa na definição de objetivos, escolhas terapêuticas e acompanhamento, aspecto especialmente relevante para a enfermagem por sua proximidade com o usuário ao longo do cuidado. A continuidade do cuidado não deve ser confundida com repetição de consultas sem objetivo clínico definido. Kappelin, Carlsson e Wachtler (2022) identificaram, em intervenções colaborativas para pessoas com multimorbidade envolvendo depressão ou ansiedade, componentes como acompanhamento programado, monitoramento de sintomas e funcionalidade, apoio à adesão e prevenção de recaídas. Para a enfermagem, essa lógica reforça a necessidade de registrar necessidades, pactuar metas, reavaliar mudanças e facilitar o acesso a outros profissionais quando a situação ultrapassa a capacidade de resolução do atendimento inicial. Diante desse contexto, o problema que orientou este estudo foi: de que maneira a atuação da enfermagem pode contribuir para a promoção da saúde mental na Atenção Primária à Saúde, considerando o acolhimento, a identificação precoce de sintomas e a continuidade do cuidado? A questão delimitou a análise às práticas de enfermagem no primeiro nível de atenção e à sua articulação com a rede, sem restringir a saúde mental a um diagnóstico específico. O objetivo geral foi analisar, na literatura, as contribuições da enfermagem para a promoção da saúde mental na Atenção Primária.Como objetivos específicos, buscou-se identificar práticas de acolhimento e avaliação utilizadas no cuidado; discutir possibilidades de reconhecimento precoce de sintomas de ansiedade e depressão; analisar desafios que limitam a atuação do enfermeiro; e compreender a importância da continuidade assistencial e da articulação multiprofissional. A relevância do tema decorre da necessidade de ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental sem reduzir a Atenção Primária a simples porta de encaminhamento. 2. DESENVOLVIMENTO O desenvolvimento foi organizado em metodologia e resultados e discussão. A análise foi fundamentada exclusivamente em artigos científicos publicados entre 2020 e 2026, selecionados por relação direta com enfermagem, saúde mental e Atenção Primária. Foram consideradas revisões, estudos qualitativos, estudos observacionais e pesquisas sobre intervenções, preservando as diferenças entre os desenhos e evitando apresentar resultados de contextos específicos como conclusões universais. 2.1 Metodologia Foi realizada uma revisão bibliográfica de natureza qualitativa e descritiva, com síntese narrativa da produção científica. O método foi escolhido para reunir evidências recentes sobre práticas de enfermagem, consulta de enfermagem, cuidado colaborativo, sofrimento psíquico e acompanhamento de transtornos mentais comuns na Atenção Primária. O trabalho não foi apresentado como revisão sistemática, pois não incluiu protocolo prospectivo, busca exaustiva em todas as bases nem avaliação padronizada do risco de viés de cada estudo. O levantamento bibliográfico foi realizado em setembro de 2026 nas bases PubMed e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram empregados, isoladamente e em combinações, os termos “saúde mental”, “enfermagem”, “atenção primária à saúde”, “consulta de enfermagem”, “sofrimento psíquico”, “ansiedade”, “depressão”, “mental health”, “nursing”, “primary health care”, “nursing consultation”, “psychological distress”, “anxiety” e “depression”. A delimitação temporal compreendeu apenas artigos científicos publicados de 2020 a 2026. Foram incluídos artigos científicos em português ou inglês publicados entre 2020 e 2026, com identificação verificável de autoria, periódico, ano e DOI ou registro bibliográfico, e que apresentassem relação direta com a questão estudada. Foram selecionadas revisões sistemáticas, revisões integrativas ou de escopo, estudos qualitativos, estudos transversais e outras investigações empíricas pertinentes. Foram excluídos documentos institucionais, livros, capítulos, editoriais, trabalhos acadêmicos não publicados em periódicos científicos e artigos anteriores a 2020. Os critérios de inclusão exigiram publicação em periódico científico entre 2020 e 2026, relação direta com enfermagem, saúde mental ou Atenção Primária e informações bibliográficas verificáveis. Foram excluídos documentos institucionais, materiais de divulgação, livros, capítulos, editoriais, teses, dissertações e artigos anteriores a 2020. Também foram afastados estudos centrados exclusivamente em internação psiquiátrica ou em contextos especializados sem interface com a Atenção Primária. A leitura dos materiais buscou identificar objetivo, desenho do estudo, contexto assistencial, população estudada, intervenções descritas, resultados e limitações. Os achados foram organizados por afinidade temática: saúde mental na Atenção Primária; acolhimento e consulta de enfermagem; reconhecimento de ansiedade e depressão; intervenções de enfermagem; continuidade e coordenação do cuidado; trabalho multiprofissional; estigma; e barreiras estruturais e formativas. Os resultados foram interpretados respeitando o alcance metodológico de cada publicação. Revisões de escopo foram utilizadas para mapear práticas existentes, revisões sistemáticas para discutir sínteses de evidências e pesquisas qualitativas para compreender experiências e desafios. Não foram atribuídas relações de causa e efeito quando os estudos não possuíam desenho capaz de sustentá-las. Da mesma forma, resultados internacionais foram utilizados como referência comparativa, sem pressupor aplicação automática ao contexto brasileiro. Entre as limitações desta revisão estão a seleção narrativa das fontes, a possibilidade de não inclusão de todos os estudos relevantes e a heterogeneidade dos contextos analisados. A pesquisa não produziu estimativa quantitativa do efeito das intervenções de enfermagem. Sua contribuição consistiu em organizar achados recentes de forma crítica, destacando possibilidades, obstáculos e implicações para o cuidado em saúde mental na Atenção Primária. 2.2 Resultados e Discussão A análise dos estudos mostrou que a saúde mental na Atenção Primária não constitui atividade isolada de um único profissional. O cuidado aparece integrado às demandas clínicas, sociais e familiares que chegam aos serviços. Essa característica pode favorecer a identificação de sofrimento psíquico em pessoas que não procurariam diretamente um serviço especializado. Entretanto, também pode dificultar o reconhecimento quando a consulta permanece concentrada apenas na queixa física imediata. A enfermagem, por manter contato frequente com usuários em diferentes programas e situações, encontra oportunidades para perceber mudanças de comportamento, autocuidado, sono, adesão ao tratamento e funcionamento cotidiano. A relevância da saúde mental para a Atenção Primária é evidenciada pela diversidade de estudos recentes dedicados à integração do cuidado, à consulta de enfermagem e às intervenções colaborativas. Oliveira et al. (2023), em revisão integrativa, identificaram diferentes abordagens de saúde mental desenvolvidas nesse nível de atenção e destacaram a necessidade de intervenções tecnicamente viáveis e integradas ao cotidiano dos serviços. A literatura analisada mostra, portanto, que essas demandas fazem parte da rotina assistencial e não podem ser tratadas como situações excepcionais. As lacunas de acesso e continuidade aparecem em diferentes estudos como problemas relacionados tanto à disponibilidade de serviços quanto à organização do cuidado. Nunes et al. (2020) observaram pouca comunicação entre saúde mental e rede básica no contexto estudado, enquanto Rafi et al. (2026) identificaram barreiras de recursos, treinamento e articulação interprofissional em diferentes sistemas. Na Atenção Primária, ampliar acesso significa não apenas encaminhar, mas acolher, acompanhar e coordenar o percurso do usuário de acordo com a complexidade da necessidade. Simão, Vargas e Pereira (2022) mapearam intervenções de enfermagem em saúde mental na Atenção Primária brasileira e incluíram 60 estudos. A revisão identificou amplo escopo de ações, embora acolhimento e encaminhamento para médico ou serviço especializado aparecessem com frequência. Os autores relacionaram parte dessa concentração à carência de conhecimento técnico-científico, que pode limitar a autonomia clínica e manter o cuidado próximo de um modelo centrado na doença e na referência para outro profissional. Esse resultado não torna o encaminhamento inadequado. Encaminhar é necessário quando a necessidade excede os recursos da equipe, quando há maior gravidade ou quando a avaliação especializada pode modificar a condução. O problema surge quando o encaminhamento se torna a única resposta possível. Nessa situação, o usuário pode permanecer sem suporte enquanto aguarda outro serviço, e a equipe perde oportunidade de atuar sobre fatores de sofrimento presentes no território. A enfermagem pode contribuir mantendo vínculo e acompanhamento mesmo quando existe referência para atenção especializada. A consulta de enfermagem oferece espaço organizado para essa atuação. Revisão integrativa publicada em 2025 sobre consulta de enfermagem em saúde mental na Atenção Primária analisou 14 estudos e destacou sua relevância para o cuidado, o papel terapêutico do enfermeiro e desafios relacionados ao contexto territorial. A consulta pode integrar avaliação do estado geral, investigação de sintomas, análise decondições sociais, identificação de redes de apoio e planejamento de intervenções. Seu potencial depende, entretanto, de tempo, preparo e continuidade, não apenas da existência formal do procedimento. O acolhimento foi um elemento recorrente nas publicações. Em saúde mental, acolher não se resume a receber de maneira cordial. Envolve reconhecer a queixa como legítima, compreender a demanda apresentada, avaliar urgência e construir uma resposta responsável. Uma pessoa que relata insônia, irritabilidade, medo constante ou perda de interesse em atividades pode precisar de perguntas adicionais para que o sofrimento seja compreendido. Respostas apressadas como “isso é apenas estresse” podem encerrar a conversa antes que informações importantes apareçam. A escuta qualificada precisa manter equilíbrio entre abertura e avaliação clínica. O enfermeiro deve permitir que a pessoa descreva sua experiência, mas também organizar informações relevantes: início dos sintomas, duração, fatores desencadeantes, intensidade, repercussão no trabalho ou estudo, sono, alimentação, uso de álcool e outras substâncias, presença de doenças clínicas, medicamentos em uso, rede de apoio e histórico de cuidado em saúde mental. Essa organização não transforma a consulta em interrogatório; oferece elementos para estimar necessidades e decidir próximos passos. A ansiedade representa exemplo importante de condição frequentemente abordada nos estudos de cuidado colaborativo em Atenção Primária. Kappelin, Carlsson e Wachtler (2022) analisaram intervenções destinadas a pessoas com multimorbidade envolvendo depressão ou ansiedade e destacaram o papel do acompanhamento estruturado, do monitoramento de sintomas e da função e da prevenção de recaídas. Na prática de enfermagem, sintomas ansiosos precisam ser interpretados em conjunto com intensidade, duração, prejuízo funcional e contexto, evitando conclusões baseadas em manifestações isoladas. A depressão também exige avaliação contextualizada e acompanhamento longitudinal. Faisal et al. (2024), em revisão sistemática e metanálise sobre cuidado colaborativo em países de baixa e média renda, encontraram melhores resultados para depressão no curto e médio prazo quando comparados ao cuidado usual. Esses achados reforçam a importância de acompanhar evolução, funcionalidade e resposta às intervenções, em vez de limitar a avaliação a uma queixa momentânea ou a um único instrumento de rastreamento. Instrumentos de rastreamento podem apoiar a identificação de sintomas, mas seu resultado não substitui avaliação clínica. Escalas breves para depressão e ansiedade ajudam a padronizar perguntas e acompanhar mudanças ao longo do tempo. Entretanto, um ponto de corte não confirma diagnóstico por si só. Condições clínicas, luto, uso de substâncias, efeitos de medicamentos e situações de crise podem produzir sintomas semelhantes. A interpretação precisa considerar história, funcionalidade, contexto e encaminhamentos necessários. A identificação precoce possui sentido quando modifica o cuidado. Rastrear sem oferecer orientação, acompanhamento ou acesso a avaliação posterior pode produzir pouco benefício. Por isso, a organização do serviço precisa prever o que acontece depois de um resultado sugestivo. A enfermagem pode contribuir explicando o significado do rastreamento, discutindo próximos passos, registrando achados e acompanhando se o usuário conseguiu acessar os recursos indicados. Essa continuidade reduz a chance de a avaliação inicial se tornar um dado isolado no prontuário. A avaliação de risco constitui dimensão particularmente sensível. Relatos de desesperança, pensamentos de morte, autoagressão ou risco para terceiros exigem abordagem direta e responsável. Perguntar sobre ideias de morte não cria comportamento suicida; ao contrário, pode abrir espaço para identificação de risco já existente. A resposta deve seguir protocolos locais, avaliar necessidade de proteção imediata e mobilizar recursos da equipe e da rede. (Simão, Vargas e Pereira, 2022, P.6). O cuidado em saúde mental também envolve fatores de proteção. Relações familiares ou comunitárias de apoio, vínculo com atividades significativas, condições de moradia, renda, espiritualidade, participação social e acesso a serviços podem influenciar a capacidade de enfrentar situações adversas. Conhecer esses recursos permite construir planos mais realistas. Uma orientação que desconsidera as condições concretas do usuário pode ser tecnicamente correta e, ainda assim, inviável na prática. A educação em saúde apareceu entre as intervenções possíveis. Informar sobre sono, uso de substâncias, atividade física, estratégias de enfrentamento, sinais de agravamento e locais de apoio pode aumentar compreensão e autonomia. Entretanto, educação em saúde não deve ser reduzida a listas de recomendações. Para uma pessoa em sofrimento, ouvir repetidamente que precisa “dormir melhor” ou “fazer exercício” sem que as barreiras sejam discutidas pode transmitir responsabilização individual. A orientação precisa ser negociada e adaptada às possibilidades reais. A relação terapêutica é outro componente relevante. Rafi et al. (2026), em revisão sistemática e meta-síntese de 34 estudos qualitativos de 18 países, identificaram que enfermeiros descreviam funções relacionadas à redução do estigma, intervenções psicossociais, defesa das necessidades dos usuários e colaboração interprofissional. A síntese também mostrou barreiras estruturais, como escassez de recursos, pressões de carga de trabalho e lacunas de treinamento. Esses achados ajudam a compreender por que competências relacionais dependem também das condições em que o trabalho é realizado. O combate ao estigma não ocorre apenas por campanhas educativas. Ele também está presente na linguagem cotidiana da assistência. Termos pejorativos, suposições de falta de vontade e tratamento infantilizado podem reduzir confiança. Por outro lado, explicar que sintomas são avaliados com o mesmo cuidado dedicado a outras condições, respeitar decisões e evitar reduzir a pessoa ao diagnóstico são atitudes que favorecem cuidado digno. A enfermagem tem papel importante porque participa de múltiplos pontos de contato com o usuário. A confidencialidade merece atenção especial. Em unidades próximas à comunidade, usuários podem temer que informações sobre saúde mental sejam conhecidas por vizinhos ou familiares. A equipe precisa comunicar limites e responsabilidades do sigilo, organizar espaços de atendimento que protejam privacidade e evitar conversas desnecessárias em áreas comuns. A percepção de que o serviço não preserva informações pode reduzir procura por ajuda e dificultar relato de situações sensíveis. O acompanhamento longitudinal permite observar padrões que dificilmente aparecem em uma única consulta. Mudanças progressivas na capacidade de trabalhar, cuidar dos filhos, manter higiene, preparar refeições ou comparecer a compromissos podem indicar agravamento. Da mesma forma, retorno a atividades, melhora do sono e maior participação social podem sinalizar recuperação mesmo quando alguns sintomas permanecem. Avaliar funcionalidade amplia a visão além de perguntas sobre presença ou ausência de tristeza e ansiedade. A documentação do cuidado tem função clínica e não apenas administrativa. Registros que descrevem sintomas, fatores associados, riscos, intervenções combinadas e plano de retorno facilitam a continuidade entre profissionais. Anotações genéricas como “orientado” ou “encaminhado” não esclarecem o que foi identificado, qual orientação foi dada ou qual necessidade deverá ser revista. Um registro suficientemente detalhado ajuda a equipe a compreender a trajetória sem exigir que o usuário reinicie toda a narrativa em cada atendimento. A continuidade também depende da comunicação entre serviços. Encaminhar para um Centro de Atenção Psicossocial ou outro ponto da rede sem definir como informações serão compartilhadas pode fragmentar o cuidado. A Atenção Primária pode continuar responsável por necessidades clínicas gerais, vacinação,condições crônicas e suporte territorial, enquanto o serviço especializado acompanha demandas específicas. A integração evita que saúde física e mental sejam tratadas como esferas independentes. O cuidado colaborativo tem sido estudado como estratégia para aproximar saúde mental e Atenção Primária. Revisão sistemática de Turi et al. (2023) analisou 17 estudos sobre cuidado realizado por nurse practitioners para pessoas com ansiedade, depressão e transtornos relacionados ao uso de substâncias em serviços primários nos Estados Unidos. Parte das evidências indicou resultados comparáveis aos cuidados médicos em determinadas práticas e possível redução de sintomas em modelos colaborativos, embora os autores tenham destacado necessidade de estudos de maior qualidade. O resultado não deve ser interpretado como equivalência automática entre sistemas de saúde, mas mostra que profissionais de enfermagem podem assumir funções ampliadas quando possuem formação e suporte adequados. Outra revisão integrativa, conduzida por Oliveira et al. (2023), analisou abordagens de saúde mental desenvolvidas na Atenção Primária e destacou a necessidade de intervenções tecnicamente viáveis para esse cenário. A integração do cuidado é relevante porque muitos usuários apresentam simultaneamente condições físicas e sofrimento psíquico. Pessoas com diabetes, hipertensão, dor crônica e outras doenças podem apresentar sintomas depressivos ou ansiosos, e esses sintomas podem influenciar autocuidado, adesão e utilização dos serviços. Em 2026, revisão sistemática com meta-análise sobre intervenções em Atenção Primária e comunidade para pessoas com multimorbidade envolvendo depressão ou ansiedade avaliou diferentes estratégias organizacionais e direcionadas ao paciente. A heterogeneidade das intervenções reforça que não existe um único modelo aplicável a todas as situações. Para a enfermagem, a principal implicação é que o cuidado deve ser integrado às demais condições de saúde do usuário, evitando tratar sintomas mentais como assunto separado das necessidades clínicas e sociais. A abordagem da saúde mental no acompanhamento de doenças crônicas exemplifica essa integração. Uma pessoa que deixa de tomar medicamentos pode ser classificada como não aderente, mas a investigação pode revelar depressão, dificuldade econômica, efeitos adversos, problemas cognitivos ou ausência de apoio. A enfermagem, ao explorar as razões concretas do comportamento, consegue substituir julgamento por análise de barreiras. Essa mudança modifica tanto a relação terapêutica quanto a escolha da intervenção. Visitas domiciliares podem ampliar a compreensão do contexto. O ambiente domiciliar oferece informações sobre rede de apoio, capacidade funcional, isolamento, condições de moradia e dificuldades que não aparecem na unidade. Entretanto, a visita precisa preservar privacidade e não deve ser utilizada como forma de vigilância moral. Em saúde mental, a presença da equipe no domicílio pode ser valiosa quando pactuada e orientada a objetivos claros. Atividades grupais também podem favorecer apoio social e educação em saúde, mas não são adequadas para todas as pessoas nem para todos os temas. Alguns usuários se sentem expostos em grupos, e determinadas situações exigem atendimento individual. A indicação deve considerar preferência, confidencialidade e finalidade. Grupos podem complementar o cuidado, não substituir avaliação individual quando há sintomas significativos, risco ou necessidade de plano específico. A família pode atuar como recurso de apoio ou como fonte de conflito. Incluir familiares exige consentimento do usuário sempre que possível e avaliação do papel que exercem. Informações compartilhadas sem autorização podem prejudicar confiança e, em algumas situações, segurança. A enfermagem precisa equilibrar participação familiar, autonomia e confidencialidade, especialmente quando a pessoa adulta possui capacidade de decidir sobre seu cuidado. Situações de violência exigem atenção porque sofrimento emocional pode estar relacionado a violência doméstica, sexual, comunitária ou institucional. Perguntas sobre segurança devem ser feitas de maneira cuidadosa e em ambiente privado. Identificar violência modifica o plano de cuidado e pode demandar articulação com serviços de proteção. A simples prescrição de estratégias para ansiedade é insuficiente quando a pessoa permanece exposta a ameaça concreta. O uso de álcool e outras substâncias também deve ser abordado sem julgamento. Algumas pessoas utilizam substâncias para lidar com insônia, ansiedade ou experiências traumáticas, enquanto outras desenvolvem problemas de saúde mental relacionados ao consumo. A avaliação precisa considerar padrão de uso, consequências, motivação para mudança e riscos. A enfermagem pode realizar intervenções breves e encaminhar quando necessário, mantendo acompanhamento das demais necessidades de saúde. A saúde mental de adolescentes, adultos e idosos apresenta particularidades. Em adolescentes, mudanças comportamentais podem ser interpretadas apenas como características da idade; em idosos, sintomas depressivos podem ser confundidos com envelhecimento ou doenças clínicas. A Atenção Primária acompanha diferentes fases da vida e precisa evitar explicações simplificadas. Reconhecer alterações em relação ao funcionamento habitual pode ser mais útil do que procurar uma apresentação estereotipada. O contexto de trabalho também influencia sofrimento psíquico. Jornadas extensas, desemprego, insegurança financeira, assédio e conflitos podem estar associados a sintomas. O cuidado não deve prometer resolver problemas estruturais por meio de técnicas individuais, mas pode ajudar a pessoa a identificar recursos, reconhecer limites e buscar apoio apropriado. A saúde mental precisa ser analisada em relação às condições concretas de vida. A sobrecarga dos próprios profissionais aparece como barreira para um cuidado mais atento. Quando a equipe trabalha sob pressão contínua, consultas tendem a priorizar tarefas imediatas, reduzindo tempo de escuta. Rafi et al. (2026) identificaram pressões de carga de trabalho e limitações de recursos entre os desafios relatados internacionalmente. Essa constatação evita interpretar dificuldades exclusivamente como falha individual do enfermeiro. Qualificação profissional precisa vir acompanhada de condições organizacionais que permitam aplicar o conhecimento. A formação em saúde mental foi apontada como necessidade em diferentes estudos. Conhecimentos sobre comunicação terapêutica, avaliação de risco, sintomas comuns, psicofármacos, intervenções psicossociais e organização da rede podem aumentar segurança profissional. Entretanto, cursos isolados têm alcance limitado quando não existe supervisão, discussão de casos e acesso a apoio especializado. Educação permanente articulada à prática favorece incorporação de competências de modo mais consistente. O apoio matricial constitui uma estratégia relevante no contexto brasileiro porque permite que equipes de referência discutam casos e construam planos com profissionais de saúde mental sem transferir automaticamente toda a responsabilidade. Essa lógica favorece aprendizagem compartilhada e pode reduzir encaminhamentos desnecessários. Para funcionar, exige disponibilidade das equipes, comunicação e reconhecimento das responsabilidades de cada ponto da rede. A medicalização constitui outro tema importante. Medicamentos podem ser fundamentais no tratamento de transtornos mentais, mas não devem se tornar resposta automática para todo sofrimento. A enfermagem pode contribuir monitorando adesão, efeitos adversos, compreensão do tratamento e uso seguro, ao mesmo tempo em que mantém atenção a intervenções psicossociais e determinantes sociais. O cuidado integral não opõe tratamento medicamentoso e não medicamentoso; seleciona estratégias conforme necessidade e evidência. O monitoramento de efeitos adversos é especialmente relevante quando o usuário utiliza psicofármacos por períodos prolongados. Alterações de sono, peso, sexualidade,sedação e outros efeitos podem afetar qualidade de vida e adesão. Perguntar ativamente sobre essas experiências permite que a equipe discuta ajustes com o profissional responsável pela prescrição. A interrupção abrupta por decisão do usuário pode ocorrer quando efeitos indesejados não encontram espaço para discussão. Tecnologias de comunicação podem apoiar acompanhamento, lembrança de consultas e educação em saúde, mas não devem ser tratadas como solução universal. Acesso desigual à internet, privacidade, disponibilidade de dispositivos e alfabetização digital interferem na utilização. Além disso, situações de risco e avaliações complexas podem exigir contato presencial. A tecnologia deve complementar o cuidado quando aumenta acesso e não quando substitui indiscriminadamente relações terapêuticas necessárias. A avaliação de resultados precisa considerar mais do que redução de escores. Melhora da capacidade de dormir, retomar atividades, manter relações, cuidar da saúde e participar de decisões são resultados relevantes. Em saúde mental, ausência completa de sintomas pode não ser objetivo imediato ou possível. Acompanhamento centrado na pessoa permite pactuar metas graduais e revisar expectativas ao longo do tempo. A autonomia do usuário ocupa posição central nesse processo. Explicar opções, benefícios, limites e possíveis consequências permite decisões informadas. Uma postura paternalista pode reduzir participação e comprometer vínculo. Mesmo quando o profissional considera uma estratégia preferível, o plano precisa incorporar valores, prioridades e possibilidades do usuário, exceto em situações específicas de risco em que medidas protetivas sejam necessárias conforme legislação e protocolos. A experiência de estigma pode ocorrer também dentro dos serviços de saúde. Usuários com histórico psiquiátrico podem ter queixas físicas atribuídas precipitadamente à ansiedade ou ao diagnóstico mental. Esse fenômeno aumenta risco de subavaliação de problemas clínicos. A enfermagem deve evitar pressupor que dor, falta de ar, palpitação ou outros sintomas sejam psicológicos antes de realizar avaliação adequada. Cuidado integral significa reconhecer simultaneamente saúde física e mental. Por outro lado, sintomas físicos recorrentes sem explicação evidente podem ser oportunidade para investigar sofrimento emocional de forma respeitosa. A abordagem não deve comunicar que “não há nada” ou que o problema está apenas na cabeça da pessoa. É possível explicar que corpo e emoções se influenciam e que múltiplos fatores podem contribuir para os sintomas. Essa linguagem mantém legitimidade da experiência e abre espaço para cuidado mais amplo. A consulta de enfermagem pode organizar esse processo por etapas: acolher a demanda, reunir história, identificar necessidades e riscos, avaliar recursos disponíveis, construir plano, registrar intervenções e combinar seguimento. A estrutura não significa rigidez. Em determinadas consultas, a prioridade será proteção; em outras, educação em saúde, revisão de medicamentos, encaminhamento ou fortalecimento de apoio social. O plano deve responder ao problema apresentado naquele momento. A literatura analisada também mostrou que o papel da enfermagem varia entre países e sistemas de saúde. Em alguns locais, enfermeiros de prática avançada possuem maior autonomia diagnóstica e prescritiva; em outros, suas funções são diferentes. Por isso, achados internacionais precisam ser interpretados dentro das competências profissionais e normativas locais. A contribuição mais transferível está em princípios como escuta, continuidade, coordenação, trabalho em equipe e redução do estigma. A integração entre Atenção Primária e saúde mental pode aumentar capacidade do sistema de responder a demandas comuns sem concentrar todo cuidado em serviços especializados. No entanto, integração não significa que a Atenção Primária deva assumir sozinha casos de alta complexidade. A rede funciona quando existem critérios de compartilhamento, referência e contrarreferência e quando usuários podem transitar entre níveis de cuidado sem perda de informação ou abandono. Em resposta ao problema de pesquisa, o conjunto de artigos analisados sustenta que a enfermagem contribui para a promoção da saúde mental na Atenção Primária por meio de escuta, consulta, identificação de necessidades, acompanhamento longitudinal, visita domiciliar, educação em saúde e articulação da rede. Estudos brasileiros apontam, simultaneamente, limites de capacitação e sobrecarga, enquanto revisões internacionais mostram potencial de modelos colaborativos e de intervenções conduzidas por enfermeiros quando existem treinamento, supervisão e acompanhamento estruturado (Simão; Vargas; Pereira, 2022; Aurizki; Wilson, 2022; Turi et al., 2023; Rafi et al., 2026). A síntese também mostra que reconhecer sintomas precocemente não deve ser confundido com ampliar diagnósticos indiscriminadamente. O objetivo é evitar que sofrimento significativo e risco permaneçam invisíveis, ao mesmo tempo em que se respeita a diversidade das experiências humanas. Uma Atenção Primária sensível à saúde mental deve ser capaz de acolher incerteza, acompanhar evolução e ajustar a resposta conforme novas informações surgem. Nesse percurso, a enfermagem pode funcionar como elemento de continuidade entre pessoa, família, território e rede assistencial. CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho alcançou o objetivo de analisar as contribuições da enfermagem para a promoção da saúde mental na Atenção Primária à Saúde com base em artigos científicos publicados entre 2020 e 2026. A literatura mostrou que o enfermeiro ocupa posição estratégica por manter contato frequente com usuários e famílias e por participar de consultas, acolhimentos, visitas domiciliares e acompanhamento longitudinal. Esses espaços podem favorecer reconhecimento de sofrimento psíquico, construção de vínculo e coordenação do cuidado. A resposta ao problema de pesquisa indicou que a contribuição da enfermagem não se limita ao encaminhamento. A consulta, a escuta qualificada, a avaliação de necessidades, o acompanhamento e a articulação multiprofissional constituem práticas descritas na literatura recente. Entretanto, estudos brasileiros mostram que acolhimento e encaminhamento ainda ocupam lugar predominante em muitos serviços, evidenciando distância entre o potencial profissional e as condições concretas de trabalho (Simão; Vargas; Pereira, 2022; Comaru; Monteiro, 2025). Os objetivos específicos foram contemplados pela identificação das práticas de consulta, escuta, visita domiciliar, discussão de casos e cuidado colaborativo e pela análise de barreiras para sua execução. Entre os desafios mais consistentes destacaram-se lacunas de formação, excesso de responsabilidades, articulação insuficiente entre serviços e necessidade de apoio técnico. Esses fatores aparecem em pesquisas brasileiras e em revisões internacionais, indicando que melhorar o cuidado exige mudanças profissionais e organizacionais (Nunes et al., 2020; Toso et al., 2024; Rafi et al., 2026). A revisão também destacou que protocolos e instrumentos podem apoiar a prática, mas não substituem o vínculo, a análise do contexto e a participação do usuário. Evidências sobre cuidado colaborativo mostram que monitoramento estruturado pode ser útil, enquanto estudos sobre decisão compartilhada apontam necessidade de envolver mais ativamente usuários e famílias na definição dos objetivos terapêuticos (Kappelin; Carlsson; Wachtler, 2022; Menear et al., 2022). Conclui-se que a enfermagem pode fortalecer a saúde mental na Atenção Primária quando dispõe de formação adequada, condições de trabalho, supervisão e integração multiprofissional. Os 16 artigos utilizados mostram que a atuação pode ir do reconhecimento inicial do sofrimento à continuidade do acompanhamento, sem que a Atenção Primária substitua serviços especializados nos casos de maior complexidade. Pesquisas futuras devem avaliar intervenções de enfermagem em diferentes contextos brasileiros e mensurar resultadosclínicos, funcionais e de continuidade do cuidado. REFERÊNCIAS AURIZKI, Gading Ekapuja; WILSON, Ian. Nurse-led task-shifting strategies to substitute for mental health specialists in primary care: a systematic review. International Journal of Nursing Practice, v. 28, n. 5, e13046, 2022. DOI: https://doi.org/10.1111/ijn.13046. COMARU, Natália Rocha Chagas; MONTEIRO, Ana Ruth Macêdo. Consulta de enfermagem em saúde mental na Atenção Primária à Saúde: revisão integrativa. Texto & Contexto - Enfermagem, v. 34, e20250032, 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2025-0032pt. DICKENS, Geoffrey L. et al. Randomized controlled trials of mental health nurse-delivered interventions: a systematic review. Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing, v. 30, n. 3, p. 341-360, 2023. DOI: https://doi.org/10.1111/jpm.12881. FAISAL, Mehreen Riaz et al. Collaborative care for common mental disorders in low- and middle-income countries: a systematic review and meta-analysis. Journal of Affective Disorders, v. 363, p. 595-608, 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jad.2024.07.086. 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