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UA 6
Arte, saúde mental
e Terapia Ocupacional
expressão • autoria • cuidado • participação cultural
Quando a arte aparece em saúde mental, 
estamos olhando para uma pessoa que cria 
ou apenas para um diagnóstico?
Professora Especialista: Bruna Menezes
bruna.menezes@professor.unis.edu.br
1
Como será nossa aula?
Do contexto institucional à autoria e à participação cultural
1 1. Contexto arte, saúde mental e institucionalização
2 2. Mudança de 
olhar expressão, singularidade e Nise da Silveira
3 3. Ética autoria, consentimento e não patologização
4 4. Terapia 
Ocupacional arte como ocupação, recurso e participação cultural
5 5. Síntese território, redes e cuidado em liberdade
2
Quando o diagnóstico explica tudo...
um problema de leitura clínica pode aparecer
Exemplo
Uma pessoa com diagnóstico psiquiátrico 
produz uma pintura em uma oficina.
A equipe pergunta imediatamente: “o que 
este desenho revela sobre a doença?”
A obra passa a ser lida como sintoma antes 
de ser reconhecida como produção.
Pergunta para a turma
O que deixamos de enxergar quando toda 
produção humana é interpretada pelo 
diagnóstico?
• escolha
• estilo
• história
• repertório
• autoria
• intenção
3
Arte e saúde mental: por que essa relação importa?
Atividades artísticas podem assumir sentidos muito diferentes
Expressão Comunicação Criação Convivência Participação
Pintar, escrever, modelar, cantar, fotografar ou dançar podem ser lazer, trabalho, memória, 
identidade, produção estética, convivência ou recurso profissional.
O significado depende da pessoa e do contexto.
4
Institucionalização: quando o cotidiano é decidido por outros
Não é apenas estar dentro de um hospital
A institucionalização pode envolver:
● rotinas rígidas e pouca escolha;
● afastamento de vínculos e territórios;
● interrupção de ocupações anteriores;
● redução de papéis sociais;
● transformação da pessoa em “objeto de 
cuidado”.
Onde ficam escolha, desejo e autoria?
5
Da instituição à pessoa: mudar a pergunta muda o cuidado
Do controle para a participação
Lógica centrada na instituição
“Qual atividade manterá o paciente 
ocupado?”
“O que o desenho revela sobre o quadro?”
“Todos devem fazer a mesma oficina?”
“Como controlar a rotina?”
Lógica centrada na pessoa
“O que faz sentido para esta pessoa?”
“Como ela compreende sua produção?”
“Que escolhas deseja fazer?”
“Que vínculos, lugares e projetos quer 
retomar?”
6
Nise da Silveira: por que sua experiência é importante nesta unidade?
O foco aqui não é “diagnosticar pela arte”
A obra de Nise da Silveira permite discutir atividades 
expressivas como espaços de relação, criação e 
comunicação.
Para a formação em Terapia Ocupacional, o ponto 
central é deslocar o olhar do “produto como prova 
diagnóstica” para a pessoa, seu processo e sua autoria.
Perguntas úteis:
● o que acontece quando existem condições para 
criar?
● quem decide o significado da produção?
● como reconhecer o autor e não apenas o 
diagnóstico?
7
Produção artística não é diagnóstico
Evite “dicionários universais” de cores, formas e traços
Atalho perigoso
“Preto = depressão”
“Traço forte = agressividade”
“Figura pequena = baixa autoestima”
“Rasgar a folha = descontrole”
Postura clínica mais cuidadosa
Descrever antes de interpretar.
Perguntar, quando a pessoa quiser falar.
Considerar materiais, contexto e intenção.
Aceitar que a pessoa pode não querer 
explicar.
8
Descrever ≠ inferir ≠ atribuir significado
Três níveis que não devem ser confundidos
1. DESCREVER
“Há predominância de 
formas circulares.”
“Foram usadas três cores.”
“A pessoa retomou a 
mesma imagem.”
2. INFERIR
“Talvez exista um padrão de 
repetição.”
“Pode haver preferência 
estética.”
Hipóteses exigem contexto.
3. PERGUNTAR
“Você gostaria de falar 
sobre isso?”
“O que foi importante no 
processo?”
“Quer guardar, mudar ou 
mostrar?”
9
Autoria: a obra continua pertencendo a quem a produziu
O contexto terapêutico não apaga direitos
Uma produção realizada em um serviço não se 
torna automaticamente “material da equipe”.
Antes de fotografar, expor, publicar ou utilizar 
em aula/congresso, é necessário discutir 
autorização e finalidade.
Reconhecer autoria também significa evitar 
apresentar alguém apenas por seu diagnóstico.
1 Autoria
2 Privacidade
3 Consentimento
4 Escolha
10
Processo e produto: os dois podem importar
Evite transformar um princípio em regra rígida
Olhar para o processo
escolhas
experimentações
estratégias
relações
prazer e envolvimento
adaptações
Reconhecer o produto
obra para guardar
presente ou memória
produto para exposição
produção para venda
registro de uma trajetória
A pergunta é: o que esta pessoa valoriza neste processo e neste produto?
11
Arte como ocupação × arte como recurso profissional
As duas possibilidades podem se encontrar, mas não são iguais.
ARTE COMO OCUPAÇÃO
● A pessoa pinta, canta, escreve, dança 
ou fotografa porque isso faz parte de 
sua vida.
● Pode ser lazer, trabalho, identidade, 
profissão, pertencimento ou criação.
● O objetivo da TO pode ser favorecer 
continuidade ou retomada dessa 
ocupação.
ARTE COMO RECURSO
● A atividade é proposta dentro de um 
processo profissional.
● É preciso definir objetivo, significado, 
escolha, adaptações e uso do 
resultado.
● A técnica dominada pelo profissional 
não deve determinar sozinha a 
atividade.
12
Oficina: para quê e para quem?
Participar não é apenas reproduzir uma tarefa
Oficina A - padronização
• mesmo objeto para todos
• material já definido
• modelo a ser copiado
• conclusão obrigatória
• pouca participação nas decisões
Oficina B - autoria
• interesses discutidos
• materiais experimentados
• decisões compartilhadas
• diferentes formas de participar
• possibilidade de criação individual e 
coletiva
Uma oficina não é terapêutica apenas porque acontece dentro de um serviço.
13
A dimensão coletiva da arte
Uma produção pode mobilizar muito mais que “fazer um desenho”
Projetos culturais podem envolver:
● planejar;
● negociar;
● circular pela cidade;
● organizar;
● divulgar;
● trabalhar coletivamente;
● apresentar ou expor.
14
Do serviço ao território
Cuidado em liberdade também envolve circulação e cidadania
SERVIÇO
COTIDIANO
TERRITÓRIO
CULTURA
CIDADANIA
A pergunta deixa de ser apenas “que oficina faremos aqui dentro?” e passa a incluir “que 
experiências culturais já existem no território e como a pessoa deseja participar delas?”
15
O terapeuta ocupacional como mediador
Não é preciso ser “especialista em arte”
FACILITAR acesso a materiais e experiências
ADAPTAR atividade, ambiente ou recursos quando necessário
ARTICULAR serviços, coletivos, artistas e equipamentos culturais
APOIAR escolhas, circulação, exposição e projetos
AMPLIAR redes sociais e participação cultural
16
Dois riscos: patologizar e romantizar
Ambos apagam a complexidade da pessoa
Patologização
“Tudo o que ela faz é sintoma.”
Consequência: diagnóstico substitui 
história, autoria e significado.
Romantização
“Sofrimento produz genialidade.”
Consequência: o sofrimento é idealizado e 
a pessoa volta a ser reduzida a uma 
narrativa pronta.
A produção artística pode existir apesar, durante ou independentemente 
do sofrimento psíquico.
17
Estudo de caso: quando a oficina não amplia a participação
Leia a situação como terapeuta ocupacional
● Em um serviço de saúde mental, um participante 
produz pinturas durante vários meses.
● A equipe fotografa as obras e passa a utilizá-las em 
reuniões para tentar relacioná-las ao diagnóstico.
● Algumas imagens são apresentadas em atividade 
acadêmica sem consulta ao autor.
● Ao mesmo tempo, ele diz que gostaria de conhecer 
exposições e aprender novas técnicas de pintura, mas 
esse interesse não entra no projeto terapêutico.
Perguntas para raciocinar
• Quem é o autor?
• Houve consentimento?
• A obra foi reduzida ao 
diagnóstico?
• O interesse artístico foi 
reconhecido?
• Que recursos do território 
poderiam ser articulados?18
Atividade avaliativa — do conceito ao raciocínio profissional
Trabalho em grupo • tempo máximo: 35 min • entrega em sala • valor: 0,75 ponto
22
Objetivo da atividade
Analisar uma situação do campo da saúde mental e 
propor uma resposta terapêutico-ocupacional coerente 
com os princípios estudados na UA 6.
A resposta precisa articular: autoria, consentimento, não 
patologização, escolha, participação e/ou território — 
conforme o caso.
Sugestão para usar os 30 minutos
5 min ler o caso e dividir tarefas
20min analisar e construir a 
resposta
5 min revisar e fechar a folha
10 grupos de aproximadamente 5 estudantes • 1 folha por grupo • apenas os integrantes 
presentes assinam a entrega
Situações para análise
23
CASO A - Exposição sem autoria
O serviço expõe pinturas de usuários sem consulta 
prévia. As obras aparecem sem nome do autor e 
identificadas apenas pelo diagnóstico. Frase do 
material: “Obras de pacientes esquizofrênicos”.
CASO B - Oficina padronizada
Todos devem produzir o mesmo artesanato e 
concluir o modelo. Quem recusa é descrito como 
“pouco aderente”. Registro: “Baixa participação 
porque não concluiu a atividade proposta”.
CASO C - Território adiado
Uma usuária gosta de fotografia e quer participar 
de um coletivo da cidade. A equipe cria uma oficina 
interna e afirma: “Quando estiver mais estável, 
poderá frequentar o grupo externo”.
CASO D - Cor como sintoma
Após várias pinturas com predominância de preto, a 
profissional registra piora do humor e retira tintas 
escuras da oficina. Registro: “O uso de preto 
confirma conteúdo depressivo”.
CASO E - Uso acadêmico
Poemas produzidos em um grupo são selecionados para um congresso sem consulta aos autores. A 
equipe entende que basta retirar os nomes. Justificativa: “Como está anônimo, podemos utilizar”.
Roteiro de análise — o que precisa aparecer na folha
24
1 O que está em jogo?
Identifiquem pelo menos 2 problemas presentes 
na situação.
2 Que conceitos ajudam a analisar?
Relacionem o caso a pelo menos 2 conceitos 
da UA 6.
3 Como redesenhar a situação?
Proponham 3 ações concretas da Terapia 
Ocupacional — não apenas uma nova oficina.
4 Como registrar de modo ético?
Reescrevam a frase problemática do caso em 
2–3 linhas, sem diagnosticar pela obra e sem 
apagar autoria.
Conceitos que podem aparecer
• autoria e consentimento
• não patologização
• arte como ocupação × recurso
• processo e produto
• escolha e participação
• cuidado em liberdade
• território e circulação cultural
• mediação profissional
Cinco ideias para levar da UA 6
1 A arte pode ser ocupação, expressão, trabalho, lazer, identidade ou recurso profissional.
2 Uma produção artística não deve ser tratada automaticamente como sintoma.
3 Autoria, consentimento e privacidade permanecem mesmo dentro de um serviço.
4 Participação envolve escolha, criação, circulação e reconhecimento e não só execução.
5 A TO pode mediar o acesso à cultura e ao território sem transformar toda arte em “terapia”.
19
Referências utilizadas
CASTRO, Eliane Dias de. Arte, corpo e terapia ocupacional: aproximações, intersecções e 
desdobramentos. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, v. 11, n. 1, p. 
7–12, 2000.
DORNELES, Patrícia Silva. Políticas culturais. In: Terapia Ocupacional: fundamentação e 
prática. 2. ed. Cap. 38.
SILVEIRA, Nise da. Imagens do inconsciente. 1. ed. São Paulo: Vozes, 2015.
21

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