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UNIVERSIDADE FEDERAL SANTA CATARINA | UFSC CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS | CFH Departamento de História Disciplina: História da América Portuguesa Semestre: 2026|2 Professor: Tiago Kramer de Oliveira Estagiário Docente: José Antônio Alves FICHA DE LEITURA NOME DO DISCENTE Pedro Linhares Baleche 25400135 - UAB/UFSC - Polo: Tubarão-SC REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA PAIVA, Eduardo França. O vocabulário das mestiçagens e das distinções e o mundo do trabalho na Ibero-América - séculos XVI e XVII. In: PRIORE, Mary del; MELO, Gian. História das mestiçagens no Brasil. São Paulo: Unesp, 2026, p. 163-189. IMPRESSÕES GERAIS A leitura mostrou para mim a todo momento como as palavras utilizadas para identificar as pessoas na sociedade colonial tinham realmente muito mais significados do que simplesmente definir a cor da pele, o autor vai mostrar principalmente como termos como qualidade, condição, raça e cor eram utilizados para diferenciar e classificar as pessoas dentro daquela sociedade que tinha como raiz o preconceito estrutural. O que mais aparece durante toda a minha leitura é que essas classificações estavam muito ligadas ao mundo do trabalho e a escravidão e até mesmo origem e também à posição que cada pessoa ocupava naquela sociedade. Acho interessante porque muitas palavras que hoje entendemos de uma determinada forma tinham outros significados naquele período e poderiam mudar dependendo da região e da situação adotada. COMENTÁRIOS O que mais me chamou atenção foi a importância da palavra “qualidade”. O autor mostra que ela era muito utilizada para identificar as pessoas a partir da sua origem, ascendência e procedência, então não era simplesmente uma questão de cor, como muitas vezes podemos pensar hoje. A qualidade podia envolver ser branco, preto, negro, crioulo, índio, mulato, pardo e vários outros termos que foram sendo utilizados naquele meio. Sobre a relação entre qualidade e condição, a condição estava mais relacionada à situação jurídica da pessoa, principalmente se era livre, liberta ou escrava, sendo assim, uma pessoa poderia ser identificada juntando essas informações, mostrando que a classificação social era bastante complexa. Isso me chama atenção porque mostra que não bastava apenas saber a origem ou a aparência de alguém, era necessário entender também sua condição dentro daquela sociedade. Outra coisa que me chamou atenção foi a questão do mundo do trabalho, as classificações não estavam separadas da vida econômica, porque escravidão, trabalho e mestiçagens estavam muito ligados. Todo desenvolvimento dessas sociedades fez criar diferentes grupos de pessoas, e os termos utilizados ajudavam a identificar essas diferenças. O autor vai mostrar que as mestiçagens também aconteciam nos espaços de trabalho, nos mercados, nas cidades e nas relações do cotidiano. A questão de que os mesmos termos não tinham necessariamente o mesmo significado em todos os lugares é um ponto importante do texto. Por exemplo um pardo, um mulato ou um crioulo poderia ser entendido de maneiras diferentes dependendo da região e da situação. Isso vai mostrar que não podemos pegar uma definição atual e colocar diretamente sobre a sociedade colonial, porque acabamos criando uma interpretação que talvez não existisse naquele determinado momento. Outra parte que me chamou atenção foi a discussão sobre a palavra “raça”, o autor mostra que ela já aparecia naquele período, mas não possuía exatamente o significado biológico que recebeu posteriormente na sociedade. Muitas vezes estava mais relacionada à linhagem, origem e ascendência, na minha visão isso é importante porque mostra como o historiador precisa tomar cuidado com as palavras que aparecem nas fontes e tentar entender o que elas significavam naquele determinado período e não apenas interpretar de maneira atual. Por fim, o ponto principal da leitura é justamente perceber que as palavras também fazem parte das relações de poder, nomear uma pessoa de determinada forma por mais que não pareça não era apenas uma descrição, mas também podia colocar ela em determinado lugar dentro daquela sociedade hierarquizada. Ao mesmo tempo, essas classificações não eram totalmente fixas e podiam mudar conforme a situação social, econômica e até mesmo conforme os interesses das pessoas ao conseguir de certa forma “emergir” naquele meio. SOBRE O/A AUTOR/A Eduardo França Paiva é historiador e professor titular do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Possui graduação e mestrado em História pela UFMG e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo. Também realizou estudos de pós-doutorado na Espanha e na França. Sua produção está principalmente relacionada à História do Brasil Colonial, História Cultural, escravidão e às dinâmicas de mestiçagens na Ibero-América. (Escavador, 2026) QUESTÕES Como o vocabulário utilizado para classificar as pessoas ajudava a organizar as diferenças sociais na Ibero-América? Trecho: p. 163-189. Qual era a diferença entre “qualidade” e “condição” na classificação dos indivíduos? Trecho: p. 163-189. Como as relações de trabalho e a escravidão influenciaram a criação e utilização das categorias de distinção? Trecho: p. 163-189. Por que não podemos interpretar palavras como raça, cor, pardo e mulato utilizando somente os significados atuais?