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Direito Penal para Concursos de Polícia
Penal
Resumo Didático e Completo para sua Aprovação
�. Princípios do Direito Penal
O Direito Penal é um ramo do direito público que define crimes, comina penas e
estabelece medidas de segurança. Sua função primordial é a proteção de bens
jurídicos essenciais à convivência em sociedade, como a vida, a liberdade, o
patrimônio e a honra. Ele atua como a última ratio (último recurso) do sistema
jurídico, sendo acionado apenas quando outras áreas do direito se mostram
insuficientes para resolver conflitos sociais.
�.�. Conceito de Direito Penal
O Direito Penal pode ser compreendido como o conjunto de normas jurídicas que
ligam ao fato criminoso a consequência jurídica da pena ou da medida de segurança.
É um instrumento de controle social formal, que busca manter a ordem e a paz social
através da prevenção e repressão de condutas consideradas graves [�].
�.�. Outros Princípios do Direito Penal
Diversos princípios fundamentais norteiam o Direito Penal, garantindo a limitação do
poder punitivo estatal e a proteção dos direitos individuais:
Princípio da Legalidade (Nullum crimen, nulla poena sine praevia lege): Não
há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal
(Art. �º do Código Penal - CP). Garante que ninguém pode ser punido por um ato
que não era considerado crime no momento de sua prática.
Princípio da Anterioridade: A lei penal deve ser anterior ao fato que se pretende
punir. É um desdobramento do princípio da legalidade.
Princípio da Irretroatividade da Lei Penal Maléfica: A lei penal não retroagirá,
salvo para beneficiar o réu (Art. �º, XL da Constituição Federal - CF e Art. �º,
parágrafo único do CP). Isso significa que uma lei mais severa não pode ser
aplicada a fatos ocorridos antes de sua vigência.
Princípio da Humanidade das Penas: As penas não podem ser cruéis,
desumanas ou degradantes. Proíbe penas de morte (salvo em caso de guerra
declarada), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento e penas
cruéis (Art. �º, XLVII da CF).
Princípio da Individualização da Pena: A pena deve ser aplicada de forma
individualizada, considerando as particularidades de cada caso e do agente. Isso
ocorre em três fases: legislativa (o legislador estabelece limites), judicial (o juiz
fixa a pena) e executória (a pena é cumprida de forma adaptada ao condenado).
Princípio da Culpabilidade: Ninguém será punido se não agiu com dolo
(intenção) ou culpa (negligência, imprudência ou imperícia). É a base para a
responsabilidade penal subjetiva.
Princípio da Lesividade/Ofensividade: Não há crime sem lesão ou perigo
concreto de lesão a um bem jurídico tutelado. Condutas que não afetam bens
jurídicos de terceiros não devem ser criminalizadas.
Princípio da Insignificância/Bagatela: Exclui a tipicidade material de condutas
que, embora formalmente típicas, causam ínfima lesão ao bem jurídico
protegido. Requer a mínima ofensividade da conduta, a ausência de
periculosidade social da ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do
comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Princípio da Intervenção Mínima: O Direito Penal só deve intervir quando
estritamente necessário para a proteção de bens jurídicos relevantes, e apenas
quando os outros ramos do direito se mostrarem ineficazes. É composto pelos
princípios da fragmentariedade e da subsidiariedade.
Princípio do Ne Bis In Idem: Ninguém pode ser julgado ou punido duas vezes
pelo mesmo fato.
�. Lei Penal no Tempo e no Espaço
A aplicação da lei penal depende de quando e onde o crime foi cometido, bem como
da legislação vigente no momento.
�.�. Lei Penal no Tempo
Conforme o Art. �º do CP, considera-se praticado o crime no momento da ação ou
omissão, ainda que outro seja o momento do resultado (Teoria da Atividade). A lei
aplicável é a vigente no momento da conduta. No entanto, a lei posterior que de
qualquer modo favorecer o agente aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos
por sentença transitada em julgado (Novatio Legis In Mellius) [�].
Abolitio Criminis: Lei nova que deixa de considerar um fato como crime.
Extingue a punibilidade e os efeitos penais da condenação.
Novatio Legis Incriminadora: Lei nova que cria um crime. Não retroage.
Novatio Legis In Pejus: Lei nova que agrava a pena ou a situação do réu. Não
retroage.
Novatio Legis In Mellius: Lei nova que beneficia o réu. Retroage.
�.�. Lei Penal no Espaço
O Art. �º do CP adota a Teoria da Territorialidade como regra geral: aplica-se a lei
brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao
crime cometido no território nacional. O território nacional abrange o solo, o espaço
aéreo correspondente, o mar territorial, as embarcações e aeronaves brasileiras,
públicas ou a serviço do governo, onde quer que se encontrem, e as particulares,
quando em alto-mar ou espaço aéreo correspondente [�].
Lugar do Crime (Art. �º do CP - Teoria da Ubiquidade/Mista): Considera-se
praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em
parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
Extraterritorialidade (Art. �º do CP): A lei brasileira pode ser aplicada a crimes
cometidos fora do território nacional em algumas situações, divididas em
incondicionada (sempre se aplica) e condicionada (depende de certas
condições).
�. Teoria Geral do Crime
A Teoria Geral do Crime busca compreender a estrutura do delito, seus elementos e as
condições para a imposição de uma pena. A concepção tripartida do crime o define
como um fato típico, ilícito (antijurídico) e culpável.
�.�. Conceito de Crime
Conceito Material: Crime é toda ação ou omissão que lesa ou expõe a perigo um
bem jurídico relevante, cuja proteção é considerada fundamental para a
sociedade.
Conceito Formal: Crime é toda conduta que a lei proíbe, sob ameaça de pena.
Conceito Analítico (Tripartido): Crime é um fato típico, ilícito e culpável.
�.�. Fato Típico e seus Elementos
O fato típico é o primeiro elemento do conceito analítico de crime e consiste na
adequação da conduta do agente a um tipo penal (descrição legal de um crime). Seus
elementos são:
�. Conduta: Ação ou omissão humana, voluntária e consciente, dirigida a uma
finalidade. Pode ser:
Dolosa: O agente quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo (Art. ��,
I do CP).
Culposa: O agente dá causa ao resultado por imprudência, negligência ou
imperícia (Art. ��, II do CP).
�. Resultado: A modificação do mundo exterior causada pela conduta. Pode ser:
Naturalístico: Alteração física no mundo exterior (ex: morte no homicídio).
Jurídico: Lesão ou perigo de lesão a um bem jurídico (presente em todos
os crimes).
�. Nexo de Causalidade: Ligação entre a conduta e o resultado. A Teoria da
Equivalência dos Antecedentes (conditio sine qua non) é adotada pelo CP (Art.
��): o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a
quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o
resultado não teria ocorrido.
�. Tipicidade: A adequação perfeita da conduta do agente ao modelo abstrato
descrito na lei penal. Divide-se em:
Tipicidade Formal: Subsunção da conduta ao tipo penal.
Tipicidade Material: Relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem
jurídico (Princípio da Insignificância).
�.�. Crime Doloso e Crime Culposo
Crime Doloso (Art. ��, I do CP): Ocorre quando o agente quis o resultado ou
assumiu o risco de produzi-lo.
Dolo Direto: O agente tem a intenção de produzir o resultado.
Dolo Eventual: O agente assume o risco de produzir o resultado, ou seja,
prevê o resultado como possível e, mesmo assim, age, sendo-lhe
indiferente a sua ocorrência.
Crime Culposo (Art. ��, II do CP): Ocorre quando o agente dá causa ao
resultado por imprudência, negligência ou imperícia, sem a intenção de produzi-
lo.
Imprudência: Ação precipitada, sem cautela (ex: dirigir em alta
velocidade).
Negligência: Falta de cuidado, desatenção (ex: esquecer arma carregada ao
alcance de criança).
Imperícia:Falta de aptidão técnica para o exercício de arte ou profissão (ex:
médico que erra procedimento por falta de conhecimento).
�.�. Crime Consumado, Tentado e Impossível
Crime Consumado (Art. ��, I do CP): Ocorre quando nele se reúnem todos os
elementos de sua definição legal.
Crime Tentado (Art. ��, II do CP): Ocorre quando, iniciada a execução, não se
consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. A pena da tentativa é a
do crime consumado, diminuída de um a dois terços.
Crime Impossível (Art. �� do CP): Não se pune a tentativa quando, por
ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é
impossível consumar-se o crime. Ex: tentar matar alguém já morto, ou usar arma
de brinquedo para roubar (se a ineficácia for absoluta).
�.�. Ilicitude (Antijuridicidade)
A ilicitude é o segundo elemento do conceito analítico de crime e representa a
contrariedade da conduta com o ordenamento jurídico. Uma conduta típica é, em
regra, ilícita. No entanto, existem causas que excluem a ilicitude, tornando a conduta
lícita, mesmo sendo típica.
Causas Excludentes de Ilicitude (Art. �� do CP):
�. Estado de Necessidade (Art. �� do CP): Sacrifício de um bem jurídico para
salvar outro de perigo atual e inevitável, não provocado voluntariamente pelo
agente, e cuja lesão não era razoavelmente exigível. Ex: arrombar uma porta para
salvar alguém de um incêndio.
�. Legítima Defesa (Art. �� do CP): Repelir injusta agressão, atual ou iminente, a
direito próprio ou de terceiro, usando moderadamente dos meios necessários.
Ex: reagir a um assalto para proteger a vida.
�. Estrito Cumprimento do Dever Legal: Conduta praticada no exercício de um
dever imposto por lei. Ex: policial que usa força necessária para prender um
criminososo.
�. Exercício Regular de Direito: Conduta praticada no exercício de um direito
reconhecido pelo ordenamento jurídico. Ex: lutador de boxe que lesiona o
adversário em uma luta regulamentada.
�.�. Culpabilidade
A culpabilidade é o terceiro e último elemento do conceito analítico de crime. É o juízo
de reprovação pessoal que se faz sobre a conduta típica e ilícita do agente. Para que
haja culpabilidade, são necessários três elementos:
�. Imputabilidade: Capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de
determinar-se de acordo com esse entendimento. São inimputáveis os menores
de �� anos, os doentes mentais e aqueles que, por embriaguez completa e
acidental, eram incapazes de entender o caráter ilícito do fato.
�. Potencial Consciência da Ilicitude: A possibilidade de o agente conhecer a
ilicitude de sua conduta.
�. Exigibilidade de Conduta Diversa: A possibilidade de o agente ter agido de
outra forma, conforme o direito. Se não era exigível que agisse de outra forma
(ex: coação moral irresistível), a culpabilidade é excluída.
�. Causas de Inimputabilidade Penal (Exclusão da Imputabilidade):
Menoridade (Art. �� do CP): Menores de �� anos são inimputáveis, sujeitos
às normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Doença Mental ou Desenvolvimento Mental Incompleto ou Retardado
(Art. �� do CP): Se o agente, por doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-
se de acordo com esse entendimento.
Embriaguez Completa Proveniente de Caso Fortuito ou Força Maior
(Art. ��, §�º do CP): Se o agente, por embriaguez completa, proveniente
de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-
se de acordo com esse entendimento.
�.�. Erro de Tipo e Erro de Proibição
Erro de Tipo (Art. �� do CP): O agente não tem conhecimento de um elemento
do tipo penal. Exclui o dolo. Se for inevitável, exclui também a culpa. Se evitável,
responde por crime culposo, se previsto em lei.
Erro de Tipo Essencial: Recai sobre elemento essencial do tipo (ex: pegar
objeto alheio pensando que é seu).
Erro de Tipo Acidental: Recai sobre elementos secundários (ex: erro na
execução, resultado diverso do pretendido).
Erro de Proibição (Art. �� do CP): O agente conhece o fato, mas desconhece que
sua conduta é proibida por lei. Exclui a potencial consciência da ilicitude. Se
inevitável, isenta de pena. Se evitável, diminui a pena de um sexto a um terço.
�.�. Erro Acidental
O erro acidental não exclui o dolo nem a culpa, apenas altera a forma de aplicação da
pena ou a qualificação do crime. Inclui:
Erro na Execução (Aberratio Ictus): O agente, por acidente ou erro no uso dos
meios de execução, atinge pessoa diversa da que pretendia ofender. Responde
como se tivesse atingido a pessoa pretendida.
Resultado Diverso do Pretendido (Aberratio Criminis): O agente, por erro ou
acidente na execução, provoca resultado diverso do pretendido. Responde por
culpa, se o fato é previsto como crime culposo.
�. Concurso de Pessoas
Ocorre quando duas ou mais pessoas concorrem para a prática do mesmo crime. A
regra geral é que todos os que contribuem para o crime respondem por ele, na medida
de sua culpabilidade (Art. �� do CP).
�.�. Modalidades
Autoria: Quem realiza o núcleo do tipo penal (autor direto) ou quem tem o
domínio final do fato (autor mediato).
Coautoria: Duas ou mais pessoas que, em conjunto, realizam o núcleo do tipo
penal, com divisão de tarefas.
Participação: Quem, sem realizar o núcleo do tipo, concorre para o crime,
induzindo, instigando ou auxiliando o autor. O partícipe tem uma conduta
acessória em relação à do autor.
�.�. Participação
A participação pode ser moral (induzimento ou instigação) ou material (auxílio). A
punibilidade do partícipe é acessória à do autor, ou seja, só há participação se houver
um crime principal.
�.�. Comunicabilidade das Circunstâncias
As circunstâncias e as condições de caráter pessoal não se comunicam, salvo quando
elementares do crime (Art. �� do CP). Ex: se um funcionário público comete peculato
com um particular, a condição de funcionário público (elementar do crime) se
comunica ao particular para fins de tipificação, mas não para fins de agravamento da
pena, a menos que o particular soubesse da condição do funcionário público.
�.�. Cooperação Dolosamente Distinta (Art. ��, §�º do CP)
Se um dos concorrentes quis participar de crime menos grave, mas o resultado mais
grave ocorreu, ele será punido pela participação no crime menos grave, com a pena
aumentada de um a dois terços, se previsível o resultado mais grave. Se o resultado
mais grave era imprevisível, responde apenas pelo crime menos grave.
�. Concurso de Crimes
Ocorre quando o agente pratica dois ou mais crimes, seja por uma única conduta ou
por várias. A forma de aplicação da pena varia conforme o tipo de concurso.
�.�. Concurso Material (Art. �� do CP)
Ocorre quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou
mais crimes, idênticos ou não. As penas são somadas (cúmulo material).
�.�. Concurso Formal (Art. �� do CP)
Ocorre quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes, idênticos ou não. A pena é aplicada pela regra da exasperação: aplica-se a
pena do crime mais grave (ou uma delas, se idênticas), aumentada de um sexto até
metade. Se as condutas forem autônomas (dolo independente para cada resultado),
aplica-se o cúmulo material (concurso formal impróprio).
�.�. Crime Continuado (Art. �� do CP)
Ocorre quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou
mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de
execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como
continuação do primeiro. A pena é aplicada pela regra da exasperação: aplica-se a
pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada de
um sexto a dois terços.
�. Crimes Contra a Pessoa
São crimes que atentam contra a vida, a integridade física e a honra das pessoas.
�.�. Homicídio (Art. ��� do CP)
Matar alguém. É o crime mais grave contra a vida. Pode ser:Simples: Pena de reclusão de � a �� anos.
Qualificado: Com aumento de pena devido a circunstâncias como motivo fútil,
torpe, meio cruel, recurso que dificulte a defesa da vítima, para assegurar a
execução, ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime. A pena é de
reclusão de �� a �� anos.
Privilegiado: Diminuição de pena se o crime é cometido por motivo de relevante
valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a
injusta provocação da vítima. O privilégio não se aplica ao homicídio qualificado.
�.�. Induzimento, Instigação ou Auxílio ao Suicídio ou à
Automutilação (Art. ��� do CP)
Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe
auxílio material para que o faça. A pena varia conforme o resultado (lesão grave,
morte).
�.�. Infanticídio (Art. ��� do CP)
Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo
após. É um crime próprio da mãe, com pena mais branda (detenção de � a � anos).
�.�. Aborto (Art. ��� a ��� do CP)
Interrupção da gravidez. Pode ser:
Provocado pela gestante ou com seu consentimento (Art. ���): Pena de
detenção de � a � anos.
Provocado por terceiro sem o consentimento da gestante (Art. ���): Pena de
reclusão de � a �� anos.
Provocado por terceiro com o consentimento da gestante (Art. ���): Pena de
reclusão de � a � anos.
Aborto Legal/Permitido (Art. ���): Não se pune o aborto praticado por médico
se não há outro meio de salvar a vida da gestante (aborto necessário) ou se a
gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante
ou, quando incapaz, de seu representante legal (aborto
sentimental/humanitário).
�.�. Lesões Corporais (Art. ��� do CP)
Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem. Pode ser:
Leve: Pena de detenção de � meses a � ano.
Grave: Se resulta em incapacidade para as ocupações habituais por mais de ��
dias, perigo de vida, debilidade permanente de membro, sentido ou função, ou
aceleração de parto.
Gravíssima: Se resulta em incapacidade permanente para o trabalho,
enfermidade incurável, perda ou inutilização de membro, sentido ou função,
deformidade permanente ou aborto.
Seguida de Morte: Se da lesão resulta morte e as circunstâncias evidenciam que
o agente não quis o resultado nem assumiu o risco de produzi-lo.
�.�. Crimes Contra a Honra (Art. ��� a ��� do CP)
Calúnia (Art. ���): Atribuir falsamente a alguém a prática de um fato definido
como crime. Ex: dizer que alguém roubou, sabendo que não roubou.
Difamação (Art. ���): Atribuir a alguém um fato desonroso, mas não criminoso.
Ex: dizer que alguém trai o cônjuge.
Injúria (Art. ���): Ofender a dignidade ou o decoro de alguém. Ex: chamar
alguém de
ladrão, sem que ele tenha cometido um crime, apenas para ofender.
Ação Penal: Nos crimes contra a honra, a ação penal é, em regra, privada, ou
seja, depende da queixa do ofendido. Há exceções, como a injúria racial, que é de
ação penal pública condicionada à representação.
�. Crimes Contra o Patrimônio
São crimes que visam a proteção do patrimônio alheio, seja ele móvel ou imóvel.
�.�. Furto (Art. ��� do CP)
Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel, sem o consentimento do
proprietário, com o fim de assenhoreamento definitivo. A diferença principal para o
roubo é a ausência de violência ou grave ameaça.
Furto Qualificado: A pena é aumentada se o furto é cometido com destruição ou
rompimento de obstáculo, com abuso de confiança, mediante fraude, escalada
ou destreza, ou com o emprego de chave falsa, ou mediante concurso de duas ou
mais pessoas.
�.�. Roubo (Art. ��� do CP)
Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência à pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência. A pena é mais grave que a do furto devido ao emprego
da violência ou grave ameaça.
Roubo Qualificado: A pena é aumentada se há emprego de arma, concurso de
pessoas, restrição da liberdade da vítima, ou se resulta lesão corporal grave ou
morte (latrocínio).
�.�. Extorsão (Art. ��� do CP)
Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter
para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou
deixar de fazer alguma coisa. Diferente do roubo, a vítima participa da ação, fazendo
algo que não queria.
Extorsão Qualificada pelo Resultado: Se da extorsão resulta lesão corporal
grave ou morte.
Extorsão Mediante Sequestro (Art. ��� do CP): Sequestrar pessoa com o fim de
obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do
resgate.
�.�. Dano (Art. ��� do CP)
Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Pode ser simples ou qualificado (ex:
contra o patrimônio público).
�.�. Apropriação Indébita (Art. ��� do CP)
Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção. A diferença
para o furto é que o agente já tem a posse legítima da coisa, mas inverte o título da
posse, passando a agir como se fosse dono.
Apropriação Indébita Previdenciária (Art. ���-A do CP): Deixar de repassar à
previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e
forma legal ou convencional.
�.�. Estelionato (Art. ��� do CP)
Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou
mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
fraudulento. A fraude é o elemento central.
Estelionato Envolvendo Ativos Virtuais (Art. ���-A do CP): Nova modalidade
de estelionato que pune a fraude envolvendo criptomoedas e outros ativos
digitais.
�.�. Receptação (Art. ��� do CP)
Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa
que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira,
receba ou oculte. Pode ser dolosa ou culposa.
�.�. Disposições Gerais sobre os Crimes Contra o Patrimônio
Escusa Absolutória (Art. ��� e ��� do CP): Em alguns crimes contra o
patrimônio, a pena é isenta ou a ação penal depende de representação, quando
praticados entre cônjuges, ascendentes e descendentes, sem violência ou grave
ameaça.
Ação Penal: A regra geral é que a ação penal é pública incondicionada, mas há
exceções, como o furto de coisa comum, que é de ação penal pública
condicionada à representação.
�. Crimes Contra a Liberdade Sexual e Sexuais Contra
Vulnerável
São crimes que protegem a liberdade sexual e a dignidade de pessoas, com especial
atenção aos vulneráveis.
�.�. Estupro (Art. ��� do CP)
Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a
praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. É um crime
hediondo.
�.�. Violência Sexual Mediante Fraude (Art. ��� do CP)
Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou
outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima.
�.�. Importunação Sexual (Art. ���-A do CP)
Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de
satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. Ex: passar a mão em alguém no
transporte público.
�.�. Assédio Sexual (Art. ���-A do CP)
Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favor sexual, prevalecendo-
se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao
exercício de emprego, cargo ou função.
�.�. Estupro de Vulnerável (Art. ���-A do CP)
Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de �� anos. É um
crime hediondo e a presunção de violência é absoluta.
�.�. Corrupção de Menores (Art. ��� do CP)
Corromper ou facilitar a corrupção de menor de �� anos, com ele praticando infração
penal ou induzindo-o a praticá-la.
�.�. Satisfação de Lascívia Mediante Presença de Criança ou
Adolescente (Art. ���-A do CP)
Praticar ato libidinoso na presença de criança ou adolescente, com o objetivo de
satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro.
�.�. Favorecimento da Prostituição ou Outra Forma de Exploração
Sexualde Vulnerável (Art. ���-B do CP)
Manter casa de prostituição ou explorar a prostituição de alguém, ou facilitar a
exploração sexual de vulnerável.
�.�. Divulgação de Cena de Estupro ou de Cena de Estupro de
Vulnerável, de Cena de Sexo ou de Pornografia (Art. ���-C do CP)
Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar
ou divulgar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que
contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável, ou que faça apologia ou induza
a sua prática, ou, ainda, que contenha cena de sexo ou de pornografia envolvendo
criança ou adolescente.
�.��. Disposições Gerais e Causas de Aumento de Pena
Diversas causas de aumento de pena são aplicáveis a esses crimes, como se o crime é
cometido por ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou se a
vítima é pessoa com deficiência.
�. Crimes Contra a Fé Pública
São crimes que protegem a confiança que a sociedade deposita em documentos,
símbolos e valores.
�.�. Moeda Falsa (Art. ��� do CP)
Falsificar, fabricar ou alterar moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país
ou no estrangeiro. É um crime de competência da Justiça Federal.
�.�. Petrechos para Falsificação de Moeda (Art. ��� do CP)
Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar
maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à
falsificação de moeda.
�.�. Falsidade Documental
Falsificação de Documento Público (Art. ��� do CP): Falsificar, no todo ou em
parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro.
Falsificação de Documento Particular (Art. ��� do CP): Falsificar, no todo ou
em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro.
Falsidade Ideológica (Art. ��� do CP): Omitir, em documento público ou
particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir
declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar
direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. A
falsidade não está no documento em si, mas no seu conteúdo.
Falsidade de Atestado Médico (Art. ��� do CP): Dar o médico, no exercício de
sua profissão, atestado falso.
�.�. Uso de Documento Falso (Art. ��� do CP)
Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os artigos
��� a ��� do CP. Quem usa o documento falso responde por este crime, e não pela
falsificação, a menos que tenha sido o próprio falsificador.
�.�. Outras Falsidades
Falsa Identidade (Art. ��� do CP): Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa
identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou de outrem, ou para
causar dano a outrem.
��. Crimes Contra a Administração Pública
São crimes que atentam contra o bom funcionamento da administração pública,
praticados por funcionários públicos ou por particulares.
��.�. Praticados por Funcionário Público
Conceito de Funcionário Público para Fins Penais (Art. ��� do CP): Considera-
se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente
ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. Equipara-se a
funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade
paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou
conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.
Peculato (Art. ��� do CP): Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor
ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em
razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio. Pode ser peculato-
furto (o funcionário não tem a posse, mas se aproveita da facilidade do cargo
para subtrair) ou peculato mediante erro de outrem.
Concussão (Art. ��� do CP): Exigir, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão
dela, vantagem indevida.
Corrupção Passiva (Art. ��� do CP): Solicitar ou receber, para si ou para outrem,
direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em
razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem.
Facilitação de Contrabando ou Descaminho (Art. ��� do CP): Facilitar, com
infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho.
Advocacia Administrativa (Art. ��� do CP): Patrocinar, direta ou indiretamente,
interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de
funcionário.
��.�. Praticados por Particular
Resistência (Art. ��� do CP): Opor-se à execução de ato legal, mediante
violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe
esteja prestando auxílio.
Desobediência (Art. ��� do CP): Desobedecer a ordem legal de funcionário
público.
Desacato (Art. ��� do CP): Desacatar funcionário público no exercício da função
ou em razão dela.
Tráfico de Influência (Art. ��� do CP): Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si
ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em
ato praticado por funcionário público no exercício da função.
Corrupção Ativa (Art. ��� do CP): Oferecer ou prometer vantagem indevida a
funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício.
Contrabando (Art. ��� do CP): Importar ou exportar mercadoria proibida.
Descaminho (Art. ��� do CP): Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de
direito ou imposto devido pela entrada, saída ou consumo de mercadoria.
Conclusão
O Direito Penal é uma disciplina vasta e complexa, mas fundamental para a atuação do
Policial Penal. Este resumo buscou abordar os principais tópicos cobrados em
concursos, de forma didática e objetiva. É crucial que você aprofunde seus estudos na
lei seca, na doutrina e na jurisprudência, além de resolver muitas questões para fixar o
conteúdo. A compreensão dos princípios e da teoria geral do crime, bem como dos
crimes em espécie mais relevantes para a carreira, será um diferencial em sua
aprovação. Bons estudos!
Referências
[�] BRASIL. Decreto-Lei nº �.���, de � de dezembro de ����. Código Penal. Diário
Oficial da União, Rio de Janeiro, �� dez. ����. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_��/decreto-lei/del����compilado.htm. Acesso em:
�� out. ����.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm

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