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E81e Estival, Katianny Gomes Santana. Ética e negócios [recurso eletrônico] : ética e cidadania no mundo dos negócios / Katianny Gomes Santana Estival . -- Fortaleza : Universidade de Fortaleza, [2021]. 16 p. - ( Percurso de Aprendizagem ; 2) 1. Ética e negócios. I. Título. II. Série. CDU 658:174 Este Material de Leitura, produzido em agosto de 2021 © Universidade de Fortaleza, está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0. Para visualizar uma cópia desta licença, visite https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/. ÉTICA E CIDADANIA NO MUNDO DOS NEGÓCIOS Sumário Sumário clicável História dos estudos da ética empresarial1. Ética e governança corporativa2. 4 Voltar ao sum ário O objetivo do Percurso de Aprendizagem 2 é identificar o histórico das discussões sobre a ética e a cidadania nos negócios, como a ética se inseriu e se consolida na gestão das empresas com a ética empresarial. Aborda a evolução da ética empresarial para a gestão da governança corporativa, no relacionamento com as partes interessadas que se relacionam com as organizações (colaboradores, consumidores, cadeias de fornecedores, governos, comunidade) e como a governança pode influenciar a dinâmica das organizações nos ambientes interno (ambiente das operações organizacionais, sob o controle da organização) e externo (referente aos fatores políticos, econômicos, sociais e tecnológicos que exercem influência sobre a dinâmica das organizações) para o planejamento e a execução das boas práticas, transparência e efetividade do desenvolvimento sustentável alinhado e coerente com a ética empresarial. Olá 5 Voltar ao sum ário História dos estudos da ética empresarial1. O professor Robert Henry Srour, doutor em Sociologia pela USP, em palestra proferida no ano de 2016 sobre a ética empresarial (Ideia Sustentável, 2016), reflete sobre a importância da visão ampla e da incorporação das práticas da ética empresarial nas empresas e os riscos que ameaçam as organizações que não estão alinhadas às relações éticas e à governança, onde são consideradas as relações estabelecidas com todas as partes interessadas que se relacionam com as organizações, os chamados stakeholders (consumidores, investidores, colaboradores, comunidade, Governos, fornecedores, concorrentes...). A ética empresarial tem a base científica e o discurso demonstrativo como norteadores, e visa demonstrar e analisar para que servem, como podem ser aplicados, com fundamento em pesquisas prévias e resultados obtidos. Visa reforçar a relevância do mapeamento, a análise e a ação dos tipos de impactos econômicos, sociais, ambientais que a empresa pode gerar sobre os stakeholders. Os estudos da ética empresarial visam demonstrar como pode ser aplicada aos negócios e como é possível desenvolver e ampliar o chamado capital reputacional: que se refere à reputação corporativa, que é construída pela empresa ao longo do tempo, de acordo com as ações, histórico, cultura, práticas de governança, transparência, imagem...O capital reputacional, segundo Machado Filho e Zylbersztajn (2004), citado por Cardoso (2019, p.97), pode ser compreendido como: ...Porção do valor de mercado da empresa que pode ser atribuída à percepção que se tem da firma como uma corporação de boa conduta no mercado. Ainda para Machado Filho (2002, p. 63), “(...) é formado por várias dimensões que moldam a imagem de uma determinada corporação”. O capital reputacional pode influenciar o valor de mercado das organizações, e consequentemente refletir em ganhos ou perdas monetárias, por isso é importante conhecer e agir para a valorização desse capital, através, por exemplo, de modelos de gestão alinhados à responsabilidade social empresarial (SROUR, 2016). Com base nas visões apresentadas sobre a ética empresarial, serão abordadas a evolução das discussões e a relação entre a ética e a governança corporativa. História dos estudos da ética empresarial A evolução da ética empresarial ocorre alinhada aos movimentos de avanços das discussões dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável. Como disciplina de estudos no campo dos negócios, é estabelecida na década de 1960, nos Estados Unidos. Nas décadas de 1980 à atualidade evoluiu da incorporação como disciplina 6 Voltar ao sum ário de estudos e pesquisas do campo dos negócios para a formalização de movimentos empresariais globais, nacionais, com foco na promoção das ações da ética empresarial, principalmente nas temáticas: corrupção, liderança e responsabilidades corporativas. A visão aristotélica retorna ao ambiente empresarial, com as discussões sobre os propósitos dos profissionais e das empresas não serem limitados à maximização dos lucros, mas também à geração de impactos sociais e ambientais positivos para os seus stakeholders (Arruda e Whitaker, 2017). No mundo e no Brasil, organizações privadas, da sociedade civil e Governos atuam para o fomento da ética corporativa, nos temas: ...governança corporativa, responsabilidade social e ambiental e desenvolvimento sustentável. Algumas normas e índices internacionais foram criados, com objetivos específicos de incentivar as empresas a elevarem seus padrões nessas diferentes áreas. São exemplos a SA 8000, AA 1000 a Global Reporting Initiative (GRI), a ISO 26000 e os 17 Objetivos de Sustentabilidade da ONU (Arruda e Whitaker, 2017, p.51) Da limitação de ações para o cumprimento das responsabilidades legais, a ética empresarial passa a permear todas as áreas da estratégia da responsabilidade social empresarial: as responsabilidades econômicas, legais, éticas e filantrópicas. 7 Voltar ao sum ário Figura 1– Pirâmide da Responsabilidade Social Corporativa Fonte: Adaptado de Cortez et al. (2014, p.3) por EAD Unifor. A pirâmide da responsabilidade social corporativa proposta por Carroll (1979) mantém- se como referência nas discussões sobre a RSE (Responsabilidade Social Empresarial) e ética empresarial. Apresenta na sua base a necessidade da lucratividade, pois a razão de existir de uma organização privada visa à geração e distribuição de riquezas aos acionistas. As responsabilidades legais visam que a empresa cumpra as regras do jogo e operem em cumprimento às leis vigentes para a operação. Todas as responsabilidades englobam a ética corporativa, mas são tratadas também especificamente com foco em atender às expectativas dos membros das partes interessadas que se relacionam com a organização (stakeholders). A responsabilidade filantrópica na visão de Carroll (1979) se refere à prática da empresa de restituir à sociedade parte do que recebe com foco na promoção do desenvolvimento sustentável. A partir da visão de Carroll (1979), a RSE deve contemplar a prática integrada de cada uma das dimensões apresentadas. (Barbieri e Cajazeira, 2017). A RSE é uma das estratégias que podem ser utilizadas para demonstrar, analisar e agir frente aos impactos econômicos, sociais e ambientais que uma organização pode exercer junto às partes interessadas com as quais se relaciona, foco dos estudos da ética corporativa. Vamos observar as figuras propostas a seguir e refletir acerca da importância da evolução da ética empresarial, da revolução industrial à pandemia COVID 19, no ano de 2020/2021. http://www.anpad.org.br/admin/pdf/2014_EnANPAD_ESO588.pdf 8 Voltar ao sum ário Para refletir Figura 2 – Trabalho infantil no ambiente de uma fábrica Fonte: Planneta Educação (2021). Figura 3 – Manifestação Caso Carrefour e Combate ao Racismo no ano de 2020 Fonte: El País (2021) 9 Voltar ao sum ário Figura 4 – Ação da AMBEV no apoio ao abastecimento de oxigênio hospitalar na Pandemia Covid 19 no ano de 2020. Fonte: Ambev (2020). A figura 2 apresenta um cenário que era comum nas operações fabris até a Declaração dos Direitos Humanos, 1948, quandoa presença do trabalho infantil, do trabalho escravo, das condições insalubres, ocorriam nos ambientes produtivos sem grandes consequências sobre a dinâmica dos mercados. As transformações sociais influenciam a ética da sociedade e a ética empresarial. Demandas como inclusão, diversidade, questões de gênero, transparência, responsabilidade social das empresas para o desenvolvimento das sociedades, principalmente em crises de saúde, econômicas, ambientais e sociais, tornam-se necessidades para a adequação, mudança dos modelos de gestão, com a evolução para a inovação em negócios que nascem para resolução de problemas sociais e ambientais, ao mesmo tempo em que visam também geração de receitas, os chamados negócios de impacto. Nas figuras 3 e 4, refletimos sobre como o ambiente interno das organizações é influenciado pelas dinâmicas do ambiente externo e a importância de a ética empresarial estar alinhada às estratégias para a RSE, através de práticas que evitem, minimizem e/ou gerenciem os riscos da geração de impactos negativos para os stakeholders. A figura 5 a seguir, proposta por Laasch e Conaway (2016, p. 113), apresenta o cenário da evolução da ética empresarial antes de 1960 à década de 2000. 10 Voltar ao sum ário Figura 5 – Desenvolvimento da ética empresarial (1) Ética em administração (antes de 1960) • Aplicação da “ética padrão” à administração e economia. • Sem área de atuação independente. • Críticas frequentes à administração e economia por uma perspectiva teológica. (2) Problemas sociais em administração (década de 1960) • Foco em problemas sociais e ambientais específicos, como poluição, consumismo e resíduos nucleares. • Atitude antiempresarial e contracultura, muitas vezes por intermédio de protesto estudantis. (3) Ética empresarial: surgimento, definição e desenvolvimento (décadas de 1970 e 1980) • Institucionalização da ética empresarial por meio de conferências, publicações, associações e curso com foco explícito na ética empresarial. • Definida como área interdisciplinar da filosofia e dos estudos de administração centrados em problemas sociais nas empresas. (4) Tomada de decisão e comportamento ético (década de 1990) • Mudança para ética descritiva, métodos baseados na sociologia e na psicologia para entender a tomada de decisão ética. • A ética comportamental entra na ética empresarial para explicar por que o comportamento ético ocorre ou não. (5) Maturidade e aplicação (década de 2000) • Aplicação de conceitos previamente desenvolvidos de situações específicas regionais, culturais e baseadas em casos. • Avaliação de ferramentas de gestão da ética na prática • Maturidade conceitual da ética empresarial e substituição, de modo crescente, por novos temas como responsabilidade social empresarial. Ética em presarial contem porânea Fonte: Adaptado de Laasch e Conaway (2016, p. 113) por EAD Unifor. Os autores LAASCH e CONAWAY (2016) analisam que, a partir da década de 1990, houve uma maior evolução das práticas da ética empresarial com a ampliação dos estudos dos processos de tomada de decisão ética das pessoas e dos grupos organizacionais; com a avaliação do uso e dos resultados das ferramentas para a gestão ética, códigos de ética, de conduta, aconselhamento, mecanismos de delação; e com as ações que colaboraram para o amadurecimento da ética corporativa até os temas atuais do século XXI: gestão da governança, relação com os stakeholders, diversidade, inclusão, cidadania, RSE, entre outros. Vamos avançar no debate sobre a ética e a governança e conhecer a evolução das estratégias, práticas e tendências no cenário organizacional. 11 Voltar ao sum ário Ética e governança corporativa2. A ética e a governança corporativa incluem as relações com as partes interessadas que se relacionam com as organizações (colaboradores, consumidores, fornecedores, acionistas, comunidades, Governos, entre outras), que são influenciadas ou influenciam de alguma forma os processos decisórios, que precisam ser reconhecidos e avaliados de forma contínua para a prática da chamada “Boa Governança Corporativa”. Na história da ética, na Grécia clássica, a explicação filosófica associa a uma vida feliz, plena, “boa de ser vivida”. Na visão de Platão, nos diálogos de Alcibíades, Fédon e Mênon. O fator econômico é identificado como essencial para a vida, mas não seria possível atingir uma vida plena, com resultados econômicos que não sejam norteados por valores éticos. (Arruda e Whitaker, 2017, p.52). Na visão de Aristóteles, os princípios e valores são as virtudes que regem as relações humanas nos âmbitos: econômico, social, político. A partir dessa associação, Arruda e Whitaker (2017, p. 53) analisam que a “Governança Corporativa está fundamentada em relacionamentos entre pessoas e grupos de pessoas que representam os interesses das organizações. As virtudes devem presidir esses relacionamentos.” A governança corporativa no Brasil e exterior se refere ao grupo de processos que resultam nas chamadas boas práticas, que visam maiores controles internos e consequentemente melhoria do desempenho organizacional. Os princípios que balizam as boas práticas da governança corporativa são: prestação de contas (accountability), transparência (disclosure), equidade (fairness) e responsabilidade corporativa na conformidade com as regras (compliance). Ações com foco no estabelecimento de relações transparentes e integradas entre os acionistas e a organização e os gestores (Ribeiro & dos Santos, 2015) citado por Innocenti et al. (2020, p.109). Vamos aprender o que significa cada um dos princípios das boas práticas? 12 Voltar ao sum ário De acordo com o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, 2021), organização brasileira com papel importante na difusão e na assessoria junto às empresas para as boas práticas da governança, os 4 (quatro) princípios, que remetem às boas práticas podem ser assim descritos: • Transparência – Consiste no desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. Não deve restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que conduzem à preservação e à otimização do valor da organização; • Equidade – Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas; • Prestação de contas (accountability) – Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões e atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papéis; • Responsabilidade corporativa – Os agentes de governança devem zelar pela viabilidade econômico-financeira das organizações, reduzir as externalidades negativas de seus negócios e suas operações e aumentar as positivas, levando em consideração, no seu modelo de negócios, os diversos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional, etc.) no curto, médio e longo prazos. (IBCG, 2021, p.1). A prática da boa governança proporciona aos acionistas as informações necessárias para a avaliação da gestão e o monitoramento da direção da empresa. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) lançou, em dezembro de 2000, o Novo Mercado (NM) e os Níveis Diferenciados de Governança Corporativa (NDGC). Foram criados dois níveis de governança corporativa que se distinguem pelas práticas de governança adotadas. As Práticas Diferenciadas de Governança Corporativa são conceituadas como conjunto de normas de conduta para empresas, administradores e controladores, considerado importante para uma boa valorização das ações e outros ativos emitidos pela companhia.As regras significam agir além das obrigações que as companhias têm perante a Lei das Sociedades por Ações (Lei das S.As.). Visam melhorar a avaliação daquelas que aderem voluntariamente aos segmentos. Consequentemente, atraem os investidores, asseguram direitos aos acionistas, dispõem as informações aos participantes do mercado, o que resulta na mitigação do risco de assimetria informacional (Bovespa, 2021, P.1). As empresas no nível 1 devem adotar práticas que favoreçam a transparência e o acesso às informações pelos investidores. 13 Voltar ao sum ário No Nível 1, as empresas passam a divulgar informações adicionais àquelas exigidas por lei, como, por exemplo, um calendário anual de eventos corporativos, além de se comprometerem a manter, no mínimo, 25% de suas ações em circulação no mercado (free float). Já as empresas do Nível 2 podem manter ações preferenciais (PN). Nesse caso, em situações de venda do controle da companhia, tanto os detentores de ações ordinárias quanto os de ações preferenciais têm assegurado o mesmo tratamento concedido ao acionista controlador, por meio do direito de tag along de 100% do preço pago pelas ações ordinárias. Além disso, as ações preferenciais passam a conceder direito de voto em decisões relevantes, como aprovações de fusões, incorporações e contratos entre o acionista controlador e a empresa, sempre que tais matérias dependerem de deliberação em assembleia geral de acionistas (Bovespa, 2021, p. 1). SAIBA MAIS Saiba mais sobre como as empresas podem acessar os novos mercados e os níveis diferenciados de governança corporativa na Bovespa, através da consulta ao site indicado a seguir: BOVESPA. NOVOS MERCADOS. 2021. Disponível em: http://www. b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/solucoes-para-emissores/ segmentos-de-listagem/novo-mercado/. Acesso em 25 de março de 2021. A boa governança corporativa visa assegurar às partes interessadas que se relacionam com a organização que a empresa atua de acordo com os pilares da equidade, transparência, prestação de contas (accountability) e responsabilidade corporativa. A prática tende a influenciar de forma positiva ou negativa (quando não considerada e gerenciada com eficácia e eficiência) os resultados financeiros das organizações, além do capital reputacional. A pesquisa da consultoria internacional Delloite sobre os caminhos da transparência e prática da governança nas empresas brasileiras, realizada no ano de 2015, já sinalizava a visão das práticas de governança, através da existência dos conselhos de administração em 80% das empresas entrevistadas, sendo que 13% já tinham o foco na instalação em 2 anos e apenas 7% não apresentavam a meta. Outra informação relevante é a contratação de auditorias externas por 95% das 80% que possuem Conselhos de Administração (EXAME, 2017). A figura 6 a seguir apresenta a sistematização dos dados. Figura 6 – Empresas comprometidas com a ética http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/solucoes-para-emissores/segmentos-de-listagem/novo-mercado/ http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/solucoes-para-emissores/segmentos-de-listagem/novo-mercado/ http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/solucoes-para-emissores/segmentos-de-listagem/novo-mercado/ 14 Voltar ao sum ário Fonte: Adaptado de Exame, (2017) por EAD Unifor. Apesar da tendência para a ampliação dos conselhos de administração, ferramentas essenciais para as boas práticas da governança, o estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em parceria com a consultoria EY e o escritório de advocacia Tozzini Freire (2020), evidenciou que as companhias abertas brasileiras adotaram 54,3% das práticas recomendadas pelo Código Brasileiro de Governança Corporativa (Valorinveste, 2020). As informações evidenciam que não basta a utilização de ferramentas, como códigos de conduta, estruturação dos conselhos, entre outras, é necessário que haja o alinhamento estratégico, implantação e monitoramento da gestão da governança para que os resultados reflitam no valor organizacional. A adoção de práticas sistematizadas para a governança corporativa, como o Índice de Governança Corporativa (IGC) Bovespa, apresenta tendência de geração de resultados mais consolidados e crescentes na relação de boas práticas de governança e valor de mercado das organizações, como é possível visualizar na figura 7 a seguir. Figura 7 – Valor da boa governança: comparativo entre empresas de capital aberto e empresas que adotam o IGC Empresas com boas práticas de governança, riscos e conformidade, representadas pelo índice IGC, são mais atraentes a investidores e garantem um maior retorno aos acionistas. IGC IBOVESPA JUN/01 DEC/09 SEP/10 JUN/11 MAR/12 DEC/12 SEP/13 JUN/14 MAR/15 DEC/15 SEP/16 MAR/17 1200 1000 800 600 400 200 0 *Evolução relativa do Ibovespa e IGC Fonte: Adaptado de Exame, (2017) por EAD Unifor. Os critérios para as decisões de investimentos nas organizações visam à maximização 15 Voltar ao sum ário dos lucros, no entanto, cada vez mais é possível evidenciar a valorização do capital reputacional para a tomada de decisões, já que a valorização ou desvalorização desse capital em uma empresa pode influenciar os impactos econômicos, sociais e ambientais sobre os stakeholders, incluídos aí os acionistas. Outras metodologias e ferramentas que incluem a governança alinhada à responsabilidade social corporativa, a questões ambientais e sociais, como o ESG, ASG em português (Ambientais, Sociais e de Governança), são tendências que avançam nas dinâmicas para sistematizar, monitorar e comunicar as práticas da governança com alinhamento aos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU (Organizações das Nações Unidas). Nos próximos Percursos de Aprendizagem, continuaremos os estudos com o aprofundamento dos temas, ferramentas e correlação com a ética empresarial. 16 Voltar ao sum ário Os estudos do Percurso de Aprendizagem II demonstraram como a ética empresarial, com base nos estudos científicos do campo da gestão, é aplicada pelos profissionais e as organizações para a tomada de decisões transparentes e com boas práticas da governança corporativa. Foram identificadas quais são as bases, métodos e técnicas podem ser utilizados, quais os impactos econômicos, sociais e ambientais gerados com base nas decisões para cada uma das partes interessadas que se relacionam com as organizações (acionistas, concorrentes, colaboradores, comunidade, fornecedores, Governos...), os chamados stakeholders. Para a prática da ética empresarial nos modelos de gestão, as ações de diagnosticar, gerenciar, monitorar e buscar a redução e a mitigação dos impactos tornam-se essenciais para as estratégias empresariais e a construção e consolidação do chamado capital reputacional. O capital reputacional é aquele que se refere ao valor tangível e intangível da reputação empresarial. A disponibilidade de manuais de boas práticas para a ética e a governança, com informações sistematizadas, implantadas e divulgadas por organizações como IBCG, Instituto Ethos, Bovespa, entre outras, facilita o acesso das empresas, de todos os segmentos e tamanhos, às práticas de governança. RESUMO DO PERCURSO DE APRENDIZAGEM 17 Voltar ao sum ário REFERÊNCIAS ARRUDA, Maria Cecilia Coutinho de; RAMOS, José Maria Rodriguez; WHITAKER, Maria do Carmo. Fundamentos de ética empresarial e econômica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788597013115. (DIGITAL) (Cód.:22532). BARBIERI, José Carlos; CAJAZEIRA, Jorge. Responsabilidade social empresarial e empresa sustentável: da teoria à prática. São Paulo: Saraiva, 2017. BOVESPA. NOVOS MERCADOS. 2021. Disponível em: http://www.b3.com.br/pt_br/ produtos-e-servicos/solucoes-para-emissores/segmentos-de-listagem/novo-mercado/. Acesso em 25 de março de 2021. CARDOSO,M. (2019). Responsabilidade corporativa da Jerónimo Martins: discurso que gera imagem empresarial positiva. Ámbitos. Revista Internacional de Comunicación, 44, 93-109. doi: 10.12795/Ambitos.2019.i44.06 CORTEZ, Rodrigo Claudino, Van Bellen, Hans Michael, Zaro, Elise Soerger. FERRAMENTAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL: uma análise comparativa a partir das dimensões e modelos de RSC. 2014. Anais do XXXVIII ENANPAD. Rio de Janeiro. Disponível em: http:// www.anpad.org.br/admin/pdf/2014_EnANPAD_ESO588.pdf. Acesso em 25 de março de 2021. EXAME. Os dados confirmam: boas práticas de governança valorizam as ações. 2017. Disponível em: https://exame.com/negocios/os-dados-confirmam-boas-praticas-de- governanca-valorizam-acoes/. Acesso em 26 de março de 2021. IBCG. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Os 4 princípios da governança corporativa. Disponível em: https://www.ibgc.org.br/blog/principios-de-governanca- corporativa. Acesso em 25 de março de 2021. 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Quezado V. Vale Diretoria de Planejamento Marcelo Nogueira Magalhães Diretoria de Tecnologia José Eurico de Vasconcelos Filho Diretoria do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão Danielle Batista Coimbra Diretoria do Centro de Ciências da Saúde Lia Maria Brasil de Souza Barroso Diretoria do Centro de Ciências Jurídicas Katherinne de Macêdo Maciel Mihaliuc Diretoria do Centro de Ciências Tecnológicas Jackson Sávio de Vasconcelos Silva AUTOR KATIANNY ESTIVAL Pós-doutora em Administração. Professora Titular do Departamento de Ciências Administrativas e Contábeis da Universidade Estadual de Santa Cruz, desde 2007, em Ilhéus, Bahia. Professora integrante do Programa Academia, gerido pelo ICE (Inovação em Cidadania Empresarial). Mentora certificada pelo Global Mentoring Group. Atua em assessorias a empreendedores sociais e negócios de impacto. Atua como avaliadora do MEC/INEP. RESPONSABILIDADE TÉCNICA Identidade Visual / Arte Francisco Cristiano Lopes de Sousa Paulo Renato Mendes Almeida Editoração / Diagramação Emanoel Alves Cavalcante Rafael Oliveira de Souza Rebeka Melo Peres Régis da Silva Pereira Produção de Áudio e Vídeo José Moreira de Sousa Pedro Henrique de Moura Mendes Programação / Implementação Renan Alves Diniz Thais Rozas Teixeira