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Metabolismo de Carboidratos Introdução aos Carboidratos Conceito e Composição Carboidratos são moléculas compostas por átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio. São a principal fonte energética da dieta, fornecendo 4 kcal por grama. Além de energia, eles poupam proteínas e servem como combustível eficaz para o Sistema Nervoso Central (SNC), prevenindo a cetose. Fontes Alimentares As principais fontes de carboidratos incluem: Cereais (arroz, trigo, milho, aveia, cevada) Raízes e tubérculos (batata inglesa, batata-doce, mandioca, beterraba, inhame) Leguminosas (feijão) Frutas, doces, lactose (açúcar do leite) Uma pequena quantidade de glicogênio animal. Classificação Geral Os carboidratos são classificados em: Carboidratos simples Carboidratos complexos Classificação Detalhada dos Carboidratos 1. Monossacarídeos (Açúcares Simples) São as unidades mais simples de carboidratos, compostos por 3 a 7 átomos de carbono. Não podem ser hidrolisados em unidades menores. Glicose (Dextrose): Circula no sangue, sendo oxidada para fornecer energia. Todo carboidrato ingerido é inicialmente transformado em glicose no corpo humano. Galactose: É o açúcar do leite. A galactosemia é uma condição em que há incapacidade de metabolizar a galactose. 1 / 6 Frutose: É o açúcar das frutas e é considerado o monossacarídeo mais doce. Pode ser armazenada como glicogênio no fígado e/ou músculo, ou transformada em gordura. 2. Dissacarídeos São formados pela união de dois monossacarídeos através de uma ligação glicosídica. Sacarose (Glicose + Frutose): Conhecida como açúcar de mesa. Lactose (Glicose + Galactose): O açúcar do leite. Maltose (Glicose + Glicose): Encontrada em vegetais, com função energética. 3. Oligossacarídeos São formados pela união de três a nove monossacarídeos. Maltodextrina: Produzida a partir da hidrólise do amido (de milho ou fécula), é um polímero de glicose com cerca de 5 a 10 unidades por molécula. É mais solúvel que o amido, mais agradável à ingestão, mais fácil de digerir e de rápida absorção. Encontrados na maioria dos legumes. Exemplos incluem rafinose e estaquiose. 4. Polissacarídeos (Carboidratos Complexos) São formados por 10 ou mais resíduos de monossacarídeos unidos por ligações glicosídicas. Sua quebra requer múltiplas enzimas digestivas. Glicogênio: Açúcar de reserva energética de animais e fungos. Amido: Açúcar de reserva energética de vegetais e algas. Celulose: Componente estrutural da parede celular de plantas e algas. É uma fibra alimentar insolúvel. Funções dos Carboidratos Fonte Energética: Fornece 4 kcal/g. Poupa Proteínas: Evita que as proteínas sejam usadas como fonte de energia. Combustível Eficaz: Principal fonte de energia para o SNC. Prevenção de Cetose: Ao serem metabolizados, evitam o acúmulo de corpos cetônicos. 2 / 6 Índice Glicêmico (IG) e Carga Glicêmica (CG) Índice Glicêmico (IG) Mede a velocidade com que um alimento contendo carboidratos eleva a glicose no sangue após o consumo. Baixo IG: Menor que 55 Médio IG: Entre 56 e 69 Alto IG: 70 ou mais Carga Glicêmica (CG) Considera tanto a qualidade (IG) quanto a quantidade de carboidrato em uma porção de alimento. Fibras Alimentares Definição e Classificação Fibras são carboidratos não digeríveis (polissacarídeos) para os quais os humanos não possuem a enzima celulase. Fibras Solúveis Solúveis em água. Fermentáveis pela microbiota do cólon. Formam um gel que retarda o trânsito intestinal e a absorção de nutrientes. Exemplos: Pectinas, gomas, mucilagens (encontradas em aveia, cevada, legumes, frutas como maçãs e morangos). Benefícios: Reduzem o colesterol sérico ao se ligarem a ácidos biliares e lipídios, promovem saciedade. Fibras Insolúveis Insolúveis em água. Fermentação limitada. Aumentam o volume fecal e aceleram o trânsito intestinal. Exemplos: Celulose, hemicelulose (encontradas em farelos de trigo, vegetais, cascas de frutas). CG = 100 IG do alimento × Quantidade de carboidrato ingerido (g) 3 / 6 Benefícios: Auxiliam na regularidade intestinal, previnem constipação. Fibras Funcionais São fibras extraídas de alimentos ou sintetizadas, com benefícios específicos à saúde. Quitina: Encontrada na carapaça de crustáceos. Reduz o colesterol sérico. β-glucanas: Encontradas na aveia. Reduzem o colesterol sérico. Frutanos (Inulina): Extraídos da chicória e cebola. Atuam como prebióticos, estimulando o crescimento de bactérias benéficas no intestino. Polidextrose: Sintética, usada como substituto de açúcar. Psyllium: Extraído da semente de psyllium, com alta capacidade de retenção de água. Processo Digestivo de Carboidratos O processo digestivo de carboidratos envolve a ação de enzimas em diferentes partes do trato gastrointestinal. 1. Boca Amilase Salivar (Ptialina): Secreção da saliva que inicia a quebra do amido em oligo ou dissacarídeos (maltoses). Sua ação dura até meia hora no bolo alimentar e é inativada no estômago. 2. Estômago A acidez gástrica (pH baixo) inativa a amilase salivar. A digestão de carboidratos praticamente cessa nesta fase. 3. Intestino Delgado (ID) Duodeno: Amilase Pancreática: Secretada pelo pâncreas, continua a digestão do amido em maltoses e outros dissacarídeos. Jejuno e Íleo: Enzimas da Borda em Escova: Sacarase, Lactase, Maltase, Isomaltase. Sacarase: Hidrolisa a sacarose em glicose e frutose. Lactase: Hidrolisa a lactose em glicose e galactose. Maltase: Hidrolisa a maltose em duas moléculas de glicose. Isomaltase: Hidrolisa a isomaltose. 4 / 6 Absorção de Glicose A absorção dos monossacarídeos (glicose, frutose, galactose) ocorre no íleo, onde eles passam pela parede intestinal e entram na corrente sanguínea. Metabolismo Energético dos Carboidratos Obtenção de Energia A energia a partir dos alimentos é obtida por: Respiração Celular: Processo aeróbio (com oxigênio). Fermentação: Processo anaeróbio (sem oxigênio). Respiração Celular Processo de decomposição de moléculas (CHO, Proteínas, Lipídios) para obter ATP. Possui três estágios principais: 1. Glicólise Ocorre no citoplasma. Processo aeróbio ou anaeróbio. A molécula de glicose ( ) é quebrada em duas moléculas de ácido pirúvico ( ). Saldo Líquido: 2 moléculas de ATP e 2 moléculas de NADH. 2. Ciclo de Krebs (Ciclo do Ácido Cítrico) Ocorre na matriz mitocondrial. Processo aeróbio. O piruvato é convertido em Acetil-CoA, que entra no ciclo. O Acetil-CoA é oxidado, liberando . Produtos por molécula de glicose (2 piruvatos): 6 NADH, 2 FADH , e 2 ATP (ou GTP). 3. Fosforilação Oxidativa Ocorre nas cristas mitocondriais. É o principal produtor de ATP. Envolve a cadeia transportadora de elétrons e a quimiosmose. O NADH e o FADH liberam elétrons, que passam por complexos proteicos. C H O 6 12 6 C H O 3 4 3 CO 2 2 2 5 / 6 A energia liberada é usada para bombear prótons ( ) para o espaço intermembrana, criando um gradiente eletroquímico (Força Próton-Motriz). Os prótons retornam à matriz através da ATP sintase, impulsionando a síntese de ATP. O oxigênio ( ) atua como aceptor final de elétrons, formando água ( ). Produção total estimada por molécula de glicose: Aproximadamente 32 ATPs. Outros Processos Metabólicos da Glicose Glicogênese: Síntese de glicogênio a partir de glicose. Ocorre no fígado e músculos, ativada pela insulina em resposta a altos níveis de glicose no sangue. Glicogenólise: Degradação de glicogênio em glicose. Ocorre no fígado (para manter a glicemia) e nos músculos (para energia muscular) durante jejum ou exercício. Gliconeogênese: Síntese de glicose a partir de precursores não-carboidratos (como lactato, aminoácidos, glicerol). Essencial para manter a glicemia em jejum prolongado, especialmente para o cérebro. Regulação Hormonal da Glicose Sanguínea Insulina: Produzida pelas células beta do pâncreas em resposta a altos níveis de glicose. Promove a captação e armazenamento de glicose (glicogênese), reduzindo a glicemia. Glucagon: Produzido pelas células alfa do pâncreasem resposta a baixos níveis de glicose. Estimula a glicogenólise e a gliconeogênese hepática, aumentando a glicemia. Cortisol: Hormônio do estresse que também pode aumentar a glicemia através da gliconeogênese. Transportadores de Glicose Existem várias isoformas de transportadores de glicose (GLUTs), cada uma com diferentes afinidades e locais de expressão. GLUT 1: Baixa afinidade ( ~1-2 mM), alta distribuição (cérebro, eritrócitos). Transportador constitutivo. GLUT 2: Baixa afinidade ( ~15-20 mM), expresso em fígado, pâncreas, intestino delgado, rim. Sensor de glicose. GLUT 3: Alta afinidade ( ~10 mM), principal transportador em neurônios. GLUT 4: Afimidade moderada ( ~5 mM), expresso em músculos esquelético e cardíaco, tecido adiposo. Dependente de insulina. GLUT 5: Transportador primário de frutose, com baixa afinidade para glicose. Expresso no intestino delgado, rim, cérebro. H+ O 2 H O2 K m K m K m K m 6 / 6