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PELVIOLOGIA E PELVIMETRIA
Prof. Dr Lucas Brasileiro
• A Palavra pelve é derivada do latim pelvis que significa bacia.
• Como definição é considerada um complexo osteoligamentoso
de funções múltiplas.
• A constituição da pelve pode ser dividida de forma
didática em componentes ósseos; a saber: ÍLEO,
ÍSQUIO, PÚBIS, SACRO e as três primeiras
VÉRTEBRAS COCCÍGEAS além dos componentes
ligamentosos sacroilíacos e sacrotuberais.
• Sua importância em obstetrícia é verificada
principalmente nas grandes fêmeas domésticas por
permitir, pelas vias retal e ou vaginal, que se efetuem
diagnósticos de gestação, distocias, exploração
semiológica das vísceras pélvicas e parte das
abdominais, além da inseminação artificial como
informou ROBERTS (1979).
❖CARACTERÍSTICAS DA PELVE
• É estrutura de forma cônica, tendo o maior diâmetro voltada
cranialmente e o menor diâmetro voltado caudalmente.
• Ainda atua como elemento de integração na transmissão e
difusão de forças para os membros pélvicos.
• A pelve ainda atua como estojo protetor das vísceras que
contém.
• Por outro lado, apesar de ser estrutura rígida, próximo ao
parto sob ação hormonal, ocorre ampliação do seu diâmetro
interno, devido basicamente ao afrouxamento dos
ligamentos pélvicos, deslocamento dorsal do sacro e lateral
dos íleos, além da abertura da sínfise púbica.
• Desse modo quando associado ao eixo longitudinal da
coluna vertebral, forma ângulo obtuso com amplitude
variada, dependendo da espécie.
❖ARTICULAÇÕES DA PELVE: INTRÍNSECAS E EXTRÍNSECAS
❑ Intrínsecas ou Próprias:
• Sacroíliaca
• União do íleo, ísquio e púbis (acetábulo)
• Sínfese isquiopúbica
• Três primeiras vértebras coccígeas. Como observação podemos dizer que excetuando-se a
última, as outras articulações tendem a um processo de sinostose.
Sacroilíaca: é uma articulação sinovial plana fixada pelos ligamentos sacroilíacos dorsais e
ventrais. É importante pois é o elo de ligação da pelve com a coluna vertebral (biomecânica de
parto e locomoção).
Vértebras coccígeas: estão relacionadas com a ampliação do diâmetro caudal da pelve.
Acetábulo: este atua transmitindo as forças do peso corpóreo aos membros pélvicos e absorvendo
a tração desses membros para o corpo.
Sínfise isquiopúbica: devido a sua posição medial, atua como dissipadora de forças da pelve, além
de ser ponto de equilíbrio da tração exercida pelos membros pélvicos.
❖ARTICULAÇÕES DA PELVE: INTRÍNSECAS E EXTRÍNSECAS
❑ Articulações extrínsecas:
Lombosacra: o arqueamento da coluna vertebral faz com que ocorra ampliação do ângulo
obtuso, e isso facilita a insinuação do feto, por ocasião do parto.
Coxofemural: envolve a cabeça do fêmur e o acetábulo, e sua importância se prende mais nos
casos de displasia em cães e aqui devemos sempre considerar o aspecto hereditário da afecção.
❖PARTICULARIDADES SOBRE OS COMPONENTES LIGAMENTOSOS
• Nos ruminantes os ligamentos sacrotuberais sob ação hormonal (estrógenos e relaxina)
tornam-se flácidos e servem de indicativo para o diagnóstico de proximidade do parto.
• Nos equídeos e suínos devido a presença de tecidos musculares e adiposos mais
desenvolvidos do que nas outras espécies, não são notados externamente.
• Já nos carnívoros são inexistentes, devido a presença dos ligamentos pélvicos espessados.
❖CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE PELVE
• Os animais, de acordo com o tipo de pelve, podem ser classificados, segundo TONIOLLO &
VICENTE (1995), em dolicopélvicos, mesatipélvicos e platipélvicos.
• Cada espécie animal possui um determinado tipo de pelve dentre, no entanto, a espécie canina
possui, dentre os seus representantes, os três tipos de pelve.
• O tipo de cavidade pélvica na espécie canina vai variar de acordo com a raça/ porte do cão.
• A pelve possui diversos aspectos que a diferenciam, tanto em
relação ao sexo, quanto às diversas espécies.
• A da fêmea geralmente é mais ampla e seus tubérculos e saliências
são mais planos do que a do macho, isto porque a pelve funciona
como um canal de saída do feto durante o parto (MELO et al., 2008).
• Observando-se as pelves de diferentes espécies, notam-se algumas
divergências nos tamanhos dos diâmetros conjugado, biilíaco
inferior e superior e entre tuberosidades coxais, assim como na
inclinação da pelve.
• Os animais platipélvicos apresentam o diâmetro pélvico conjugado verdadeiro menor que o
biilíaco, como ocorre nos cães da raça Pequinês.
❖CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE PELVE
Fonte: Campos, Antonia Iraína Mota, 2009.
• O animal dolicopélvico é caracterizado por apresentar face cranial da pelve em forma oval e
achatada lateralmente; o ísquio é sensivelmente escavado e arqueado ventralmente em sua
extremidade caudal, o diâmetro conjugado verdadeiro é maior que o biilíaco, como ocorre nos
cães da raça Whippet.
• O mesatipélvico apresenta a face cranial da pelve quase circular, com discreto estreitamento
na porção ventral, o diâmetro conjugado verdadeiro é similar ao biilíaco, como no Dálmata e
Pointer.
• Pelvimetria consiste basicamente na determinação métrica das dimensões pélvicas e sua
utilização está diretamente relacionada à REPRODUÇÃO, fundamentando um método
profilático contra as complicações do parto causadas por deformação, má-formação ou
sequelas de afecções presentes nessa estrutura óssea (Ferreira,1991).
• Além disso, é um método diagnóstico de baixo custo e de simples realização, não
necessitando de contenção química, exceto em animais selvagens e aqueles com
temperamento agressivo.
• A pelvimetria tem como objetivo o estudo e a determinação das dimensões da pelve,
permitindo que, com o conhecimento das mesmas, possa-se prever ou evitar dificuldades no
momento do parto, podendo ser realizada direta ou indiretamente (Derivaux & Ectors, 1984).
• No estudo das medidas pélvicas, duas medidas são de fundamental importância: o diâmetro
conjugado verdadeiro, ou a medida sacropubiana; e o diâmetro biilíaco médio.
• Entretanto, outras medidas podem ser avaliadas como os diâmetros verticais das faces
cranial e caudal da pelve; diâmetro transversal da cavidade pélvica; diâmetro transversal da
face caudal da cavidade pélvica; e diâmetros oblíquos sacro-ilíacos direito e esquerdo
(OLIVEIRA et al., 2003).
❖PELVIMETRIA
❖PELVIMETRIA
❑ Pelvimetria direta 
• A pelvimetria pode ser realizada de forma direta ou indireta.
• A pelvimetria direta é realizada por meio da palpação in vivo do animal ou pela utilização de
estudo radiográfico das medidas pélvicas.
• A forma indireta da pelvimetria se dá por meio da aferição de determinadas medidas
corpóreas externas correlacionando-as com medidas pélvicas internas.
Na pelvimetria direta, utiliza-se a palpação retal para mensuração da
pelve bovina.
• Medida sacropubiana (distância entre o relevo ventral do corpo
das últimas vértebras sacrais e a protuberância localizada na
sínfise púbica)
• Medida biilíaca superior (distância entre as faces internas dos
corpos dos ílios imediatamente abaixo ao sacro);
• Inferior (distância entre os corpos dos ílios próximos ao
acetábulo).
• Média (maior distância interna entre os braços dos ílios);
❖PELVIMETRIA
❑ Pelvimetria direta 
pelvímetro de RICE
• A mensuração é realizada por meio de um pelvímetro.
• É utilizado por meio da inserção do aparelho no reto do animal e da leitura das medidas de
interesse realizadas externamente.
• O cuidado necessário durante a realização da mensuração deve ser o mesmo tomado durante
qualquer outro tipo de exame retal, sendo fundamental que o examinador conheça profundamente
a anatomia bovina.
• Pode ser realizada também por meio de radiografia
pélvica dos animais, onde as medidas são aferidas
diretamente na película radiográfica.
• Esta técnica é utilizada principalmente em animais
de pequeno porte como cães (ENEROTH &
HAUGEY, 1999), gatos (CELIMLI et al., 2008) e
animais silvestres (PÁFARO, 2007; RAMADINHA
et al., 2003).
❖PELVIMETRIA
❑ Pelvimetria Indireta 
• A pelvimetria indireta se baseia no princípioda correlação entre a área pélvica
interna e outras estruturas corporais, como: altura do animal, conformação da
garupa, distância entre os ílios, distância bi-coxofemoral.
• Em relação a pelvimetria interna, diversos autores evidenciaram correlações
positivas significantes entre o peso e medidas pélvicas externas, e OLIVEIRA et
al. (2001) relatam que as dimensões pélvicas variam principalmente em função
do peso do animal que, por sua vez, possui alta correlação com o perímetro
torácico.
• Em relação à pelvimetria indireta, diversos
autores evidenciam correlações positivas
significativas entre o peso e medidas pélvicas
externas, OLIVEIRA et al. (2003) relatam que
as dimensões pélvicas variam principalmente
em função do peso do animal que, por sua vez,
possui alta correlação com a circunferência
torácica.
❖ FUNÇÕES DA PELVIMETRIA
• A área pélvica pode ser considerada como a variável de maior influência na dificuldade de
parto.
• Assim, a maioria dos casos de distocias resulta da INCOMPATIBILIDADE entre o TAMANHO
DO BEZERRO e a ABERTURA PÉLVICA da mãe, por peso excessivo do feto ou área pélvica
materna insuficiente.
• Essa incompatibilidade pode acarretar obstrução no momento de expulsão do feto,
ESPECIALMENTE NAS PRIMÍPARAS, e talvez em maior proporção nas fêmeas de raça de
corte que naquelas de raças leiteiras.
• Nesse contexto, a pelvimetria se apresenta como uma ferramenta de grande utilidade, podendo
ser utilizada na redução da incidência das distocias nos rebanhos bovinos.
• Baseando-se no fato de que o crescimento da pelve bovina pode ser estimado em 0,27 cm²/dia
entre 10 e 14 meses de idade, e que a heritabilidade da área pélvica é alta, recomenda-se que
as novilhas sejam avaliadas para o tamanho de pelve, por meio da pelvimetria direta, antes da
estação de monta ou da época de reprodução da propriedade.
• Os animais com pelve pequena podem ser descartados do rebanho ou separados para serem
acasalados com touros que apresentem alta facilidade de parto comprovada.
❖ FUNÇÕES DA PELVIMETRIA
• Outra indicação, seria a avaliação da pelve e suas medidas para estimativa do peso do
bezerro que uma novilha pode conseguir parir sem apresentar grande dificuldade.
• Deverão ser levados em consideração a idade e o peso da novilha para a estimativa do peso
do bezerro que esta será capaz de parir sem dificuldade.
• A pelvimetria também pode ser utilizada para predição da dificuldade de um parto,
comparando-se o tamanho da pelve materna (altura e largura) com a circunferência do
casco do feto no momento do parto (método desenvolvido por M. V. Ruble, 1990), levando-
se em conta a correlação significativa entre a circunferência do casco e peso dos bezerros,
tanto filhos de novilhas, quanto de vacas.
• A predição é obtida por uma fórmula matemática, para cálculo da dificuldade de parto
(EPDP), envolvendo as medidas da pelve da mãe (obtidas dentro das três semanas que
antecedem o parto) por meio de um pelvímetro, e a medida da circunferência do casco do
feto, durante o segundo estágio do parto (quando um dos cascos dos membros anteriores
encontra-se acessível).
• O casco é medido com uma fita métrica, colocada ao redor da banda coronária do casco
anterior, obtendo-se a medida em centímetros.
❖ FUNÇÕES DA PELVIMETRIA
• O EPDP entra em uma de quatro categorias indicativas:
- sem necessidade de assistência,
- com assistência manual,
- assistência mecânica,
- ou cesariana (Quadro 1).
• Geralmente, nos casos em que a circunferência do casco anterior do feto excede, em três
centímetros, a média entre a largura e a altura da pelve materna, a cesariana é a indicação.
❖EXERCICIO
(17,9 – 16 + 3,5) + (17,9 – 15,5 + 3,5) ÷ 2
(22 – 23,5 + 3,5) + (22 – 21,5 + 3,5) ÷ 2
(22 – 16 + 3,5) + (22 – 15,5 + 3,5) ÷ 2
Obrigado!

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