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Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 1
APOSTILA DE ESTUDO
EDUCAÇÃO FÍSICA E
APRENDIZAGEM SOCIAL
Valter Bracht • 2ª edição • 1997
EIXO CENTRAL A obra discute a Educação Física como prática pedagógica, interrogando sua autonomia,
sua legitimidade no currículo e o tipo de aprendizagem social produzido pelo ensino do
esporte. O fio crítico é a necessidade de filtrar códigos externos - especialmente militares e
esportivos - e construir uma prática pedagógica teoricamente fundamentada e socialmente
consciente.
Preparação para seleção de Mestrado • estudo integral da obra
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 2
1. IDENTIFICAÇÃO DO TEXTO
Obra: Educação Física e Aprendizagem Social.
Autor: Valter Bracht. Edição utilizada: 2ª edição, Livraria e Editora Magister, Porto Alegre, 1997.
Composição: quatro ensaios/artigos organizados em duas partes. A Parte I trata da autonomia e da legitimidade da Educação
Física; a Parte II focaliza a aprendizagem social, o conteúdo socioeducativo do esporte e uma investigação comparando formas
de ensino.
CHAVE DE LEITURA O próprio autor informa que os textos refletem momentos distintos de seu percurso: há um
capítulo de forte denúncia e outro com espaço para autocrítica. Algumas posições precisariam
ser relativizadas ou foram posteriormente superadas, mas a essência foi mantida na edição.
2. OBJETIVO, PROBLEMA E IDEIA CENTRAL
Objetivo geral: contribuir para uma teoria da Educação Física entendida como prática pedagógica, articulada a uma teoria
crítica da educação.
Problemas centrais: em que medida a Educação Física escolar construiu autonomia diante das instituições militar e esportiva?
Como justificar sua presença no currículo? Que aprendizagens sociais o esporte escolar produz? É possível organizar o ensino
de modo a favorecer uma vivência social transformadora?
Ideia central: a Educação Física não deve reproduzir mecanicamente os códigos do esporte, da instituição militar ou da
sociedade. Precisa tematizar criticamente a cultura corporal/movimento, justificar pedagogicamente sua presença na escola e
organizar experiências que permitam aos alunos compreender, questionar e transformar relações e valores.
3. ESTUDO DIDÁTICO COMPLETO
3.1 A obra e o movimento crítico da Educação Física
A introdução situa os ensaios no movimento surgido no início dos anos 1980, influenciado pelo debate pedagógico brasileiro e
por referencial de orientação marxista. A Educação Física passa a ser analisada em relação ao sistema educacional e à
sociedade, interrogando sua função social.
3.2 Educação Física em sentido restrito e cultura corporal/movimento
Bracht usa Educação Física em sentido restrito: atividade pedagógica escolar cujo tema é o movimento corporal. Para o conjunto
mais amplo das manifestações ligadas à ludomotricidade, considera mais adequadas expressões como cultura corporal ou
cultura de movimento.
3.3 Movimento corporal como movimento histórico-cultural
O movimento tematizado não é qualquer movimento. Jogos, ginásticas, esportes e danças carregam sentidos produzidos
historicamente. Por isso, uma mesma ação corporal não possui significado social fixo fora de seu contexto.
3.4 Autonomia não é isolamento
Com apoio na teoria dos sistemas, autonomia é entendida como capacidade de regular as relações com o meio a partir de
critérios próprios. O sistema continua interdependente. A análise é complementada por categorias do materialismo histórico para
introduzir gênese, determinações, poder e hierarquia entre sistemas.
3.5 Educação Física e instituição militar
Historicamente, métodos, agentes e códigos militares penetraram a Educação Física: aptidão física, disciplina, hierarquia,
repetição, formação do caráter e função higiênica. O papel professor-aluno aproximava-se de instrutor-recruta. Para o autor, isso
evidenciava baixa autonomia pedagógica.
3.6 Desmilitarização incompleta
A criação de escolas civis de formação de professores contribuiu para a desmilitarização, mas o autor ressalta que o processo
não se completou. Após a Segunda Guerra, cresce a influência de outra instituição: o esporte.
3.7 Esporte na escola × esporte da escola
A distinção é decisiva. Quando a escola apenas transplanta rendimento, competição, recorde, regulamentação rígida, vitória e
racionalização técnica, tem-se o esporte na escola: a Educação Física subordina-se à instituição esportiva. A autonomia exige
uma apropriação pedagógica crítica, isto é, um esporte transformado pela lógica da escola.
3.8 Professor-treinador e aluno-atleta
Com a esportivização, os papéis tendem a reproduzir treinador-atleta. Currículos de formação, seleção de professores e
metodologias técnico-táticas reforçam essa indiferenciação. Sem identidade pedagógica própria, falta referência para definir o
papel específico do professor.
3.9 A escola também precisa ser criticada
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 3
Autonomizar-se do esporte e do militarismo não significa subordinar-se ingenuamente à escola. A construção de autonomia
exige reflexão crítica também sobre a função da própria escola numa sociedade de classes.
3.10 Consenso funcional-latente
Bracht identifica um consenso pouco problematizado: esporte federado como conteúdo hegemônico, aprendizagem esportiva e
aptidão física como objetivos, enquanto cooperação, sociabilidade e autoconfiança aparecem muitas vezes como efeitos
paralelos desejáveis, sem centralidade real na prática.
3.11 Tendências de renovação
O autor discute Educação Física Humanista, Esporte para Todos, Psicomotricidade e a então chamada Educação Física
Revolucionária/progressista. Reconhece avanços, mas aponta limites: individualização do social, instrumentalização do
movimento, insuficiência teórica ou permanência em fase crítico-teórica sem alternativas pedagógicas consolidadas.
3.12 Educação pelo, do e para o movimento
Bracht rejeita a oposição entre educação pelo movimento e educação do movimento. Propõe uma unidade dialética: educação
pelo, do e para o movimento. A Educação Física possui um saber específico a transmitir, mas esse saber também deve
contribuir para objetivos educacionais mais amplos.
3.13 Mundo vivido e problematização
As formas culturais de movimento presentes na vida dos alunos precisam ser tematizadas e problematizadas. Isso impede que o
movimento seja tratado apenas como instrumento e recoloca suas determinações histórico-culturais e contradições sociais.
3.14 Legitimação: legalidade não basta
Legitimar a Educação Física significa apresentar argumentos plausíveis para sua permanência no currículo. A mera existência de
lei não resolve a questão. A legitimação deve apoiar-se discursivamente numa teoria da educação e responder por que a
disciplina é pedagogicamente necessária.
3.15 O que é Educação Física?
Bracht rejeita a busca de uma essência metafísica. A Educação Física concreta é historicamente construída. Como definição
descritiva, apresenta-a como prática pedagógica que tematiza elementos da cultura corporal/movimento. Uma definição plena
dependeria de uma teoria da Educação Física.
3.16 Prática pedagógica, não ciência autônoma
A Educação Física produz conhecimentos para fundamentar e orientar sua intervenção, mas sua característica primeira, no
argumento do autor, é ser prática social de intervenção pedagógica imediata, e não uma ciência cuja função principal seja
explicar uma parcela do real.
3.17 Produção do conhecimento na e para a Educação Física
O autor critica a dependência de problemáticas definidas por ciências-mãe e por funções historicamente atribuídas à disciplina. A
investigação pedagógica deveria partir das questões colocadas pela própria prática educativa.
3.18 O que uma teoria da Educação Física deve responder
Uma teoria precisa responder ao porquê e ao como: fundamentar a presença curricular; definir função da escola, conteúdo e
critérios de seleção/sistematização; propor metodologia coerente; e explicitaravaliação.
3.19 Modelos autônomos e heterônomos de legitimação
Nos modelos autônomos, a razão pedagógica das atividades corporais é buscada nelas mesmas, em dimensões humanas
fundamentais. Nos heterônomos, a justificativa é buscada em efeitos externos - saúde, trabalho, socialização, compensação etc.
São tipos ideais, geralmente combinados na realidade.
3.20 Crítica ao funcionalismo/biologismo
O modelo funcionalista atribui à Educação Física funções compensatórias, utilitaristas e moralistas. A crítica de Bracht é que
essa perspectiva tende a reduzir questões complexas e a tratar a Educação Física como instrumento de adaptação ao sistema.
3.21 Uma legitimação crítica
A perspectiva defendida procura articular o valor humano da ludomotricidade às determinações histórico-sociais. A Educação
Física deve instrumentalizar para o uso autônomo do tempo livre, para compreender e posicionar-se criticamente diante da
cultura corporal/movimento e para desenvolver sociabilidade capaz de enfrentar valores dominantes.
3.22 Limite da pesquisa técnica
Pesquisas de aprendizagem motora, crescimento, desenvolvimento ou socialização podem contribuir, mas não definem por si o
compromisso político e pedagógico da Educação Física. A autonomia exige investigação pedagógica e construção teórica.
3.23 Aprendizagem social e esporte
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 4
Na Parte II, a questão muda de foco: não basta dizer que o esporte socializa. É preciso perguntar para quais valores e relações
ele socializa. O autor questiona a ideia de que disciplina, esforço, vitória/derrota, obediência às regras e competição sejam
automaticamente educativos.
3.24 Esporte e reprodução social
O capítulo de denúncia analisa como o esporte pode reforçar individualismo, concorrência, obediência, hierarquias e uma visão
de igualdade de oportunidades que abstrai desigualdades sociais. A crítica não é ao movimento em si, mas ao significado social
assumido em determinada organização pedagógica.
3.25 Regras não são naturais nem imutáveis
Uma pedagogia crítica deve permitir compreender as regras como construções sociais, discutíveis e modificáveis. O aluno deixa
de ser apenas cumpridor e passa a participar da produção das condições do jogo.
3.26 Competição: crítica, não simples eliminação
Na conclusão da obra, Bracht não propõe simplesmente abolir a competição. Ela pode motivar, mas precisa ter limites. É
desejável quando o oponente é companheiro de jogo; torna-se problemática quando vira rival a ser vencido a qualquer custo ou
inimigo.
3.27 Coletivismo e bem comum
O autor contrapõe ao individualismo competitivo uma aprendizagem voltada ao coletivismo, entendido como ação pessoal
prioritariamente comprometida com o bem comum, associada à consciência da relatividade das normas e à possibilidade de agir
sobre elas.
3.28 Educação Física como campo de vivência social
O capítulo IV parte da ideia de que forma de ensino e conteúdo veiculam valores. A escola socializa; as aulas de Educação
Física também. Logo, metodologia não é neutra: organiza oportunidades de participação, decisão, conflito, cooperação e
responsabilidade.
3.29 Socialização
Socialização é tratada como processo de aprendizagem de capacidades, valores, conhecimentos, atitudes, normas e
disposições necessários ao desempenho de papéis sociais. Pode ocorrer em família, escola, esporte, mídia e outras instituições.
3.30 Crítica às pesquisas centradas apenas na eficácia motora
O autor observa que estudos sobre método global e parcial costumavam priorizar desempenho motor, deixando em segundo
plano inter-relacionamento social, aprendizagem social, cognição e motivação para prática continuada.
3.31 Metodologia Funcional-Integrativa
A proposta para o basquetebol utiliza séries metodológicas de jogos e uma organização da aula em ciclos: planejamento com
alunos; jogo; interrupção para discussão e reflexão; teste de soluções/variantes; avaliação e planejamento seguinte. O professor
busca aceitação mútua, liberdade responsável, confiança e flexibilidade.
3.32 Metodologia Tradicional
No estudo, caracteriza-se pelo método parcial: fundamentos técnicos praticados separadamente antes do jogo, ação docente
diretiva e objetivo principal de aprendizagem de destrezas/gestos técnicos.
3.33 Objetivo da investigação
A pesquisa verifica resultados práticos da Metodologia Funcional-Integrativa, formulada a partir de concepções de aprendizagem
social, interação nos jogos, conceito recreativo de educação do gesto e compromisso com transformação social.
3.34 Instrumentos e comparação
Foram observadas aulas e registrados comportamentos de interação social, além de aplicação de questionário. O estudo
compara seis aulas com Metodologia Funcional-Integrativa e seis aulas com Metodologia Tradicional.
3.35 Resultados gerais
As aulas da Metodologia Funcional-Integrativa apresentaram maior incidência de comportamentos classificados como positivos.
No nível de participação, os alunos demonstraram participação mais efetiva, entusiasmo e alegria. O autor associa isso tanto ao
uso de jogos quanto à condução menos diretiva e à participação nas decisões.
3.36 Resolução de conflitos e decisões
A estrutura da proposta cria situações em que alunos discutem problemas do jogo, formulam soluções e testam variantes. A
aprendizagem social, portanto, não é tratada como efeito automático do esporte, mas como objetivo intencional da organização
pedagógica.
3.37 Limites e consciência histórica
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 5
Mesmo defendendo reorientação do esporte escolar, o autor reconhece limites impostos pela ordem social. A transformação
pedagógica pode produzir experiências diferentes, mas não é apresentada como mecanismo isolado capaz de transformar por si
só as estruturas sociais.
4. CONCEITOS-CHAVE EXPLICADOS
Autonomia pedagógica Capacidade de a Educação Física regular criticamente suas relações com outros sistemas a
partir de critérios pedagógicos próprios; não significa isolamento.
Legitimidade Justificação argumentada da presença da Educação Física no currículo; distingue-se de
simples legalidade.
Cultura
corporal/movimento
Esfera das formas histórico-culturais de movimento que a Educação Física tematiza
pedagogicamente.
Esporte na escola Transplante dos códigos da instituição esportiva para a escola, mantendo rendimento, seleção,
recorde e vitória como referências.
Esporte da escola Apropriação pedagógica do esporte submetida às finalidades educacionais e à crítica de seus
códigos.
Aprendizagem social Aprendizagem de valores, normas, atitudes, disposições e modos de relação; depende da
forma como a prática é organizada.
Socialização Processo pelo qual sujeitos aprendem comportamentos, capacidades, valores e normas
associados à vida social e a papéis sociais.
Modelos autônomos Justificam as atividades corporais por dimensões e significados nelas próprias.
Modelos heterônomos Justificam a Educação Física por efeitos externos às atividades, como saúde, trabalho,
compensação ou socialização.
Metodologia
Funcional-Integrativa
Proposta que articula jogos, participação discente, reflexão, resolução de problemas, testagem
de soluções e avaliação.
Metodologia
Tradicional
No estudo, ensino parcial, diretivo e centrado no domínio técnico.
Coletivismo Ação pessoal comprometida prioritariamente com o bem comum, contraposta ao individualismo
competitivo.
Educação pelo, do e
para o movimento
Unidade proposta para preservar tanto o saber específico da cultura corporal quanto sua
contribuição à formação mais ampla.
5. O QUE A BANCA PODE COBRAR
Educação Física como
prática pedagógica
Para Bracht, sua característica primeira é a intervenção pedagógica que tematiza a cultura
corporal/movimento; não deve ser confundida simplesmente com uma ciência.
Autonomia Não é independência absoluta. É capacidade de filtrar influências externas e construir critérios
pedagógicos próprios.
Militarização e
esportivizaçãoSão momentos em que códigos de outras instituições orientaram papéis, conteúdos e objetivos
da Educação Física, reduzindo sua autonomia.
Esporte na escola ×
esporte da escola
O primeiro reproduz a lógica esportiva externa; o segundo implica tratamento pedagógico
crítico conforme finalidades escolares.
Legalidade ×
legitimidade
Uma disciplina pode ser legalmente obrigatória sem estar pedagogicamente legitimada.
Legitimar exige bons argumentos sobre sua necessidade curricular.
Modelos autônomos ×
heterônomos
Os autônomos buscam a justificativa nas próprias atividades corporais; os heterônomos, em
efeitos externos. Na realidade podem aparecer combinados.
Teoria da Educação
Física
Deve responder por que a disciplina existe e como organizar currículo, conteúdo, metodologia
e avaliação.
Aprendizagem social O esporte não produz valores positivos automaticamente; a aprendizagem depende das
relações e da organização pedagógica.
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 6
Regras Devem ser compreendidas como construções sociais passíveis de reflexão e modificação, e
não apenas obedecidas.
Competição A crítica é à competição desmedida e à supremacia sobre o outro; a obra admite competição
com limites e reconhecimento do oponente como companheiro de jogo.
Metodologia
Funcional-Integrativa
Estrutura a aula com decisão, jogo, reflexão, testagem e avaliação, buscando participação e
liberdade responsável.
Resultados MFI × MT No estudo, a MFI apresentou maior frequência de comportamentos positivos e participação
mais efetiva que a metodologia tradicional.
Limites da ação escolar A prática pedagógica pode reorientar experiências sociais, mas o autor reconhece
condicionamentos e limites estruturais da sociedade.
6. ATENÇÃO PARA A PROVA / POSSÍVEIS PEGADINHAS
• Autonomia pedagógica NÃO significa isolamento da Educação Física em relação à escola, ao esporte ou à sociedade.
• Bracht NÃO afirma que esporte e Educação Física sejam sinônimos.
• A crítica ao esporte escolar NÃO equivale a rejeição absoluta do esporte como conteúdo.
• Esporte na escola e esporte da escola expressam relações pedagógicas diferentes com o fenômeno esportivo.
• Legalidade NÃO é sinônimo de legitimidade.
• A definição de Educação Física como prática pedagógica que tematiza cultura corporal/movimento é apresentada como
descritiva, não como teoria acabada.
• Modelos autônomos e heterônomos são tipos ideais e podem aparecer combinados.
• Educação pelo movimento NÃO deve apagar educação do e para o movimento.
• Socialização pelo esporte NÃO é automaticamente positiva.
• A obra NÃO propõe obediência irrefletida às regras; enfatiza sua relatividade e possibilidade de transformação.
• Bracht NÃO defende simplesmente eliminar toda competição.
• A Metodologia Funcional-Integrativa NÃO é apenas 'jogar livremente'; há planejamento, reflexão, intervenção docente,
testagem e avaliação.
• Os resultados empíricos do capítulo IV NÃO autorizam concluir que uma metodologia escolar, sozinha, transforma a estrutura
social.
7. QUADRO “NÃO CONFUNDA”
CONCEITO NÃO CONFUNDA COM DISTINÇÃO
Autonomia Isolamento Autonomia regula criticamente relações; não elimina
interdependência.
Legitimidade Legalidade Legitimidade exige justificativa pedagógica; legalidade decorre
de norma.
Educação Física Esporte Educação Física tematiza pedagogicamente manifestações
como o esporte.
Esporte na escola Esporte da escola O primeiro reproduz códigos externos; o segundo é
pedagogicamente apropriado.
Socialização Efeito positivo automático Toda prática socializa, mas o conteúdo dessa aprendizagem
precisa ser analisado.
MFI Espontaneísmo Há estrutura, intencionalidade, discussão e avaliação.
Competição crítica Abolição da competição O texto busca reorientar e limitar a competição, não
simplesmente eliminá-la.
8. O AUTOR DEFENDE × O AUTOR NÃO DEFENDE
DEFENDE Educação Física com identidade e autonomia pedagógica construídas criticamente.
NÃO DEFENDE Subordinação automática aos códigos militares, esportivos ou escolares.
DEFENDE Cultura corporal/movimento como saber tematizado pedagogicamente.
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 7
NÃO DEFENDE Redução da Educação Física à execução de técnicas esportivas.
DEFENDE Legitimação por argumentos pedagógicos articulados a uma teoria da educação.
NÃO DEFENDE Justificação apenas porque a disciplina está prevista legalmente.
DEFENDE Análise crítica da socialização produzida pelo esporte.
NÃO DEFENDE Ideia de que praticar esporte gera, por si só, bons valores.
DEFENDE Participação dos alunos em decisões, reflexão sobre regras e resolução de problemas.
NÃO DEFENDE Professor exclusivamente diretivo e aluno mero executor.
DEFENDE Competição pedagogicamente reorientada e limitada.
NÃO DEFENDE Competição voltada à supremacia e à vitória a qualquer custo.
DEFENDE Transformação pedagógica consciente de seus limites sociais.
NÃO DEFENDE Crença de que uma metodologia isolada transforma toda a sociedade.
9. MAPA MENTAL
EDUCAÇÃO FÍSICA E APRENDIZAGEM SOCIAL
↓
PROBLEMA 1: AUTONOMIA → crítica à subordinação militar e esportiva → critérios pedagógicos próprios
↓
PROBLEMA 2: LEGITIMIDADE → legalidade não basta → por que Educação Física na escola? → teoria crítica +
cultura corporal/movimento
↓
PROBLEMA 3: SOCIALIZAÇÃO → esporte não educa automaticamente → valores dependem da organização
pedagógica
↓
PROPOSTA → educação pelo, do e para o movimento → regras discutíveis → participação + coletivismo + crítica da
competição
↓
EXPERIÊNCIA EMPÍRICA → MFI versus MT → mais participação e comportamentos positivos na MFI
↓
HORIZONTE → prática pedagógica crítica, transformadora e consciente de seus limites histórico-sociais
10. RESUMO ESTRUTURADO PARA ESTUDO
• A obra reúne quatro textos que discutem teoria pedagógica, autonomia, legitimidade e aprendizagem social.
• Educação Física é tratada prioritariamente como prática pedagógica que tematiza cultura corporal/movimento.
• O movimento possui significado histórico-cultural; não é neutro nem socialmente vazio.
• A história da área revela forte influência militar e, depois, esportiva.
• A esportivização transfere rendimento, competição, recorde e técnica para a escola e aproxima professor de treinador.
• Autonomia exige filtragem crítica das influências externas e reflexão sobre a própria escola.
• Legitimidade significa justificar pedagogicamente a presença da Educação Física, não apenas invocar sua legalidade.
• Uma teoria da área deve responder ao porquê e ao como: objeto, currículo, conteúdo, metodologia e avaliação.
• Modelos autônomos e heterônomos oferecem formas diferentes de justificar a disciplina.
• Bracht critica perspectivas funcionalistas/biologistas quando reduzem a Educação Física a instrumento de adaptação.
• A proposta progressista articula cultura corporal, crítica social, lazer, autonomia e sociabilidade.
• O esporte socializa, mas a direção dessa socialização depende da forma pedagógica.
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 8
• Regras e competição devem ser problematizadas; o objetivo é superar obediência irrefletida e individualismo.
• A Metodologia Funcional-Integrativa organiza participação discente, reflexão, resolução de conflitos e testagem de soluções.
• No estudo comparativo, a MFI produziu mais comportamentos positivos e maior participação que a metodologia tradicional.
• A transformação pedagógica é possível, mas condicionada pela realidade social mais ampla.
11. 10 QUESTÕES OBJETIVAS DE FIXAÇÃO
1. Para Bracht, a autonomia pedagógica da Educação Física implica:
A) romper toda relação com esporte e escola.
B) criar critérios próprios para regular criticamente relações com outras instituições.
C) transformar-se em ciência independente.
D) rejeitar toda cultura esportiva.
E) limitar-se ao movimento espontâneo.
2. A expressão 'esporte na escola' indica:
A) esporte transformado segundo finalidades escolares.B) conteúdo esportivo sem competição.
C) transplante dos códigos da instituição esportiva para a Educação Física escolar.
D) qualquer prática esportiva extracurricular.
E) esporte criado pelos alunos.
3. Na análise histórica, a passagem do professor-instrutor para professor-treinador expressa:
A) conquista plena de autonomia.
B) substituição de uma influência externa por outra, mantendo baixa diferenciação pedagógica.
C) abandono da técnica.
D) ruptura com o esporte.
E) valorização exclusiva do lúdico.
4. Legitimar a Educação Física significa:
A) demonstrar que existe lei obrigando sua oferta.
B) apresentar argumentos pedagógicos plausíveis para sua presença curricular.
C) provar que esporte melhora rendimento acadêmico.
D) defender a aptidão física como único objetivo.
E) torná-la ciência básica.
5. Os modelos autônomos de legitimação:
A) justificam a disciplina apenas por saúde.
B) buscam sua razão nas próprias atividades corporais e em dimensões humanas nelas implicadas.
C) negam a cultura corporal.
D) são sempre progressistas.
E) aparecem puros na realidade.
6. A unidade 'educação pelo, do e para o movimento' procura:
A) reduzir o movimento a instrumento cognitivo.
B) eliminar o saber específico.
C) articular saber corporal específico e objetivos educacionais mais amplos.
D) substituir cultura por aptidão.
E) defender apenas lazer.
7. Na obra, a aprendizagem social pelo esporte é entendida como:
A) necessariamente cooperativa.
B) neutra.
C) dependente das relações, valores e formas de organização pedagógica.
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 9
D) idêntica à aprendizagem técnica.
E) exclusiva do esporte coletivo.
8. Na MFI, qual sequência melhor representa a estrutura da aula?
A) técnica - prova - jogo - nota.
B) planejamento com alunos - jogo - reflexão - teste de soluções - avaliação/novo planejamento.
C) aquecimento - fundamento - fundamento - jogo.
D) exposição - repetição - correção - competição.
E) jogo livre sem intervenção.
9. A metodologia tradicional observada no estudo caracteriza-se por:
A) decisões compartilhadas e regras modificáveis.
B) método parcial, diretividade docente e ênfase em destrezas técnicas.
C) ausência de técnica.
D) resolução coletiva de conflitos.
E) avaliação exclusivamente social.
10. Sobre competição, a posição apresentada ao final da obra é:
A) deve ser abolida.
B) é sempre educativa.
C) pode ser motivadora, mas precisa ser limitada e reorientada para que o oponente permaneça companheiro de jogo.
D) deve selecionar os melhores.
E) é irrelevante para aprendizagem social.
12. 5 QUESTÕES ANALÍTICAS - NÍVEL MESTRADO
11. Uma escola afirma ter 'autonomia' porque eliminou esportes e trabalha apenas jogos livres. À luz de Bracht, a interpretação
mais precisa é:
A) autonomia equivale à retirada do esporte.
B) a escola alcançou autonomia porque não há técnica.
C) autonomia exige critérios pedagógicos e reflexão crítica; trocar conteúdos sem fundamentação não resolve o problema.
D) jogos livres são necessariamente progressistas.
E) autonomia dispensa teoria.
12. I. A Educação Física é prática pedagógica. II. O esporte possui desenvolvimento relativamente autônomo. III. Portanto,
esporte e Educação Física são equivalentes. IV. A Educação Física pode tematizar o esporte. Assinale:
A) I, II e IV.
B) I e III.
C) II e III.
D) III e IV.
E) todas.
13. Em uma aula, regras oficiais são apresentadas como intocáveis e alunos que questionam são advertidos por 'falta de
disciplina'. Qual crítica melhor decorre da obra?
A) regras devem desaparecer.
B) a prática reforça obediência irrefletida e perde a possibilidade de compreender normas como construções modificáveis.
C) disciplina é incompatível com Educação Física.
D) só regras criadas por alunos são válidas.
E) o problema é apenas técnico.
14. Uma proposta aumenta a participação discente, mas afirma que isso, por si só, produzirá transformação estrutural da
sociedade. Segundo a lógica da obra:
A) a conclusão é plenamente sustentada.
B) a pedagogia não produz qualquer efeito social.
C) a proposta pode produzir vivências sociais diferentes, mas deve reconhecer condicionamentos e limites da ordem social.
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 10
D) só o esporte de rendimento transforma a sociedade.
E) metodologia e sociedade são independentes.
15. Um professor ensina basquetebol por exercícios técnicos e, ao final, afirma que cooperação e autonomia 'aparecerão
naturalmente'. A análise mais compatível é:
A) objetivos sociais são automáticos no esporte.
B) cooperação depende apenas do conteúdo.
C) valores e aprendizagens sociais precisam ser intencionalmente organizados na forma de ensino, não tratados como efeitos paralelos.
D) técnica deve ser proibida.
E) basta acrescentar avaliação física.
13. GABARITO COMENTADO
1. B - Autonomia é capacidade de seleção e regulação crítica das influências, não autarquia.
2. C - O conceito denuncia a subordinação da escola aos códigos da instituição esportiva.
3. B - A troca instrutor-recruta por treinador-atleta mantém a definição dos papéis dependente de instituições externas.
4. B - Legitimidade exige força dos argumentos e articulação com teoria da educação.
5. B - Nos modelos autônomos, o valor pedagógico é buscado nas próprias atividades; são tipos ideais.
6. C - A fórmula procura superar a oposição entre movimento como meio e movimento como saber.
7. C - O ponto crítico é perguntar que valores, normas e relações são efetivamente aprendidos.
8. B - A MFI combina participação, jogo, reflexão, soluções e avaliação.
9. B - No estudo, a MT é parcial, diretiva e tecnicamente centrada.
10. C - A competição não é eliminada; deve perder o caráter de supremacia e hostilidade.
11. C - Autonomia não é simples escolha de conteúdo, mas construção de identidade e critérios pedagógicos.
12. A - I, II e IV são compatíveis; o autor explicitamente distingue esporte de Educação Física.
13. B - Uma pedagogia crítica transforma a regra em objeto de reflexão e possível ação dos participantes.
14. C - A obra sustenta possibilidade pedagógica sem ignorar limites estruturais.
15. C - A crítica aos 'efeitos paralelos desejáveis' mostra que objetivos sociais precisam orientar a ação pedagógica.
14. 5 ITENS DE CERTO OU ERRADO
1. Autonomia pedagógica, na obra, pressupõe alguma interdependência com o meio.
CERTO - autonomia é capacidade de regular relações, não isolamento.
2. Para Bracht, a existência legal da Educação Física basta para legitimá-la pedagogicamente.
ERRADO - legalidade e legitimidade são distinguidas.
3. O esporte escolar socializa, mas a direção da aprendizagem social depende da organização da prática.
CERTO - esse é um dos núcleos da Parte II.
4. A Metodologia Funcional-Integrativa elimina a intervenção do professor.
ERRADO - o professor organiza, intervém, cria condições e mantém flexibilidade.
5. A crítica à competição leva o autor a defender sua eliminação completa.
ERRADO - ele admite competição desejável sob determinadas condições.
15. FLASHCARDS PARA REVISÃO ATIVA
Como Bracht define
Educação Física,
descritivamente?
Prática pedagógica que tematiza elementos da cultura corporal/movimento.
Autonomia é
isolamento?
Não. É regulação crítica das relações com o meio a partir de critérios próprios.
Qual foi a primeira
grande influência
institucional analisada?
A instituição militar, com disciplina, hierarquia, aptidão física e instrução.
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 11
O que marca a
esportivização?
A incorporação de rendimento, competição, recorde, técnica e vitória como códigos
dominantes.
Esporte na escola? Reprodução dos códigos da instituição esportiva dentro da escola.
Esporte da escola? Esporte pedagogicamente apropriado e transformado segundo finalidades escolares.
Legalidade e
legitimidade são
iguais?
Não. Legitimidade exige justificativa pedagógica argumentada.O que uma teoria da
Educação Física deve
responder?
Por que a disciplina é necessária e como organizar currículo, conteúdo, metodologia e
avaliação.
Modelos autônomos? Justificam a atividade corporal por valores/significados nela própria.
Modelos heterônomos? Justificam por efeitos externos, como saúde, trabalho, compensação ou socialização.
O esporte educa
automaticamente?
Não. A aprendizagem social depende da forma de organização e das relações produzidas.
Como tratar regras? Como construções sociais que podem ser compreendidas, discutidas e modificadas.
O que é coletivismo no
texto?
Ação pessoal prioritariamente comprometida com o bem comum.
O que caracteriza a
MFI?
Jogos, participação nas decisões, reflexão, testagem de soluções, avaliação e liberdade
responsável.
Principal diferença
empírica MFI × MT?
Na investigação, a MFI apresentou mais comportamentos positivos e participação mais efetiva.
Bracht quer abolir a
competição?
Não. Quer limitar e reorientar seu sentido pedagógico.
16. DESAFIO DE MESTRADO
QUESTÃO
INTEGRADORA
Explique como autonomia pedagógica, legitimidade e aprendizagem social formam um
mesmo problema teórico na obra. Mostre por que a crítica à esportivização não termina na
retirada do esporte, mas exige uma teoria pedagógica capaz de redefinir conteúdos, relações,
metodologia e valores.
Orientação: articule a Parte I à Parte II: influência institucional → necessidade de autonomia → legitimação curricular → organização
intencional da aprendizagem social.
17. 2 QUESTÕES SUBJETIVAS - ESTUDOS DE CASO
TEÓRICO-PROPOSITIVOS
CASO 1 - A aula que reproduz o clube
Uma escola organiza a Educação Física como treinamento esportivo: alunos são separados por desempenho, o professor atua
como treinador, as regras oficiais são intocáveis e o sucesso é medido por vitória e execução técnica. A gestão afirma que a
disciplina está legitimada porque o esporte é popular e consta do currículo. Analise o caso com base em Bracht e proponha
encaminhamentos.
RESPOSTA-MODELO -
até 10 linhas visuais
O caso reproduz o 'esporte na escola': códigos da instituição esportiva definem papéis,
objetivos e critérios de sucesso, limitando a autonomia pedagógica. A presença legal e a
popularidade do esporte não bastam para legitimar a disciplina. O esporte pode permanecer
como conteúdo, mas deve ser apropriado criticamente como 'esporte da escola'. Isso implica
discutir regras e competição, ampliar a participação, problematizar sentidos histórico-sociais,
diferenciar professor de treinador e vincular conteúdo, metodologia e avaliação a finalidades
educacionais. A autonomia nasce dessa filtragem pedagógica, não da simples retirada do
esporte.
CASO 2 - Técnica primeiro, valores depois
Apostila de estudo • Valter Bracht • Educação Física e Aprendizagem Social 12
Em uma turma de basquetebol, o professor utiliza exclusivamente exercícios fragmentados e diretivos. Cooperação, autonomia e
resolução de conflitos aparecem no plano de ensino, mas não há momentos de decisão discente ou reflexão coletiva. O
professor afirma que esses valores surgirão naturalmente com a prática esportiva. Analise e proponha uma reorganização
coerente com a obra.
RESPOSTA-MODELO -
até 10 linhas visuais
Bracht questiona a ideia de que o esporte produza automaticamente aprendizagens sociais
positivas. Quando cooperação e autonomia ficam como 'efeitos paralelos', a forma de ensino
pode contradizer os objetivos declarados. Uma reorganização pode incorporar princípios da
Metodologia Funcional-Integrativa: planejamento com os alunos, séries de jogos, interrupções
para analisar problemas, discussão de conflitos e regras, formulação e teste de soluções e
avaliação coletiva. O professor continua responsável pela intencionalidade pedagógica, mas
atua de forma menos diretiva. Assim, aprendizagem técnica e social são articuladas na própria
organização da aula.

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