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O Baricentro da Mente Kleber Kilhian Kleber Kilhian 1 O Baricentro da Mente Kleber Kilhian A evolução da notação para derivadas Desde quando iniciamos nossos estudos nos primeiros anos de escola, aprendemos a resolver certos problemas, como somar e subtrair, multiplicar e dividir. Mais adiante aprende- mos exponenciação e radiciação. Já na graduação, especifica- mente de Matemática ou Engenharia, aprendemos sobre somatórios, produtórios, derivadas, integrais e equações dife- renciais. Para o bom entendimento desta e de outras opera- ções, precisamos de um bom sistema de notação matemática. Quando Isaac Newton inventou seu Cálculo através do método das fluxões ele utilizava uma notação de ponto sobre uma letra para representar a fluxão (derivada) que se pretendia encontrar, que chamou de notação de letra pontuada. Para en- contrar uma derivada, por exemplo de , deve-se obter 2 https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# O Baricentro da Mente Kleber Kilhian uma relação entre e em relação ao tempo. Newton pensava como uma quantidade variável fluindo uniformemente com tempo. A derivada, em sua notação de ponto, ficaria como . A derivada, ou a taxa de variação de em relação a é a proporção entre as suas fluxões, e, por fim, a derivada de fi- caria representada como . Esta notação de Newton não era muito eficiente, mas, mesmo assim, permaneceu em uso na Inglaterra por mais de um século, devido ao prestígio que os matemáticos ingleses ti- nham em relação a Newton. Ainda hoje em dia pode ser encon- trada em livros de Física para denotar a diferenciação em relação ao tempo. No entanto, na Europa continental a notação adotada foi a de Leibniz, que se mostrou muito mais eficiente e a difu- são se deu principalmente por conta dos irmãos Bernoullis. Leibniz pensava em e como incrementos muito pequenos nas variáveis e e a proporção entre elas ofereceu uma medi- da da taxa de variação de em relação a . Atualmente, utili- zamos a letra grega delta maiúscula ( ) para denotar as diferencias de Leibniz. A proporção é escrito como , en- 3 https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# O Baricentro da Mente Kleber Kilhian quanto simboliza o limite quando e se aproxima de zero. A notação de Leibniz apresenta muitas vantagens operacionais, pois a sugestão de utilizá-la como uma fração or- dinária é grande e em muitos casos, se comporta como tal. Por exemplo, se e , então é uma função indireta de . Para calcularmos a derivada dessa função com- posta devemos utilizar a regra da cadeia: Embora cada derivada seja um limite de uma proporção, ela se comporta como se fosse uma proporção real entre duas quanti- dades finitas. Se tivermos uma função ela terá um inverso , com uma derivada recíproca da derivada original: 4 O Baricentro da Mente Kleber Kilhian Podemos ver que a notação de Leibniz de certa forma se comporta como frações ordinárias. Existe uma outra notação para derivada que merece destaque por possuir a vantagem de ser concisa e foi proposta por Lagrange em seu tratado Théorie des fonctions analyti- ques. Lagrange utilizou um apóstrofo para indicar a derivada. Por exemplo, se , então sua derivada será representada por ou simplesmente por . Assim, se , então sua derivada será . No mesmo tratado, Lagrange propôs a notação para função de , que é o precursor do símbolo que utilizamos hoje para denotar funções . Lagrange chamou de função derivada de . E para a segunda derivada de , escreveu ou . Se for uma função com duas variáveis independentes, por exemplo , quando formos derivá-la, devemos es- pecificar em relação a qual das variáveis estamos diferenciando. 5 O Baricentro da Mente Kleber Kilhian Neste caso, usamos a letra no lugar de para obtermos as duas derivadas parciais de : Nesta notação, todas as variáveis serão tomadas como constantes, exceto aquelas indicadas. Por exemplo: se , então as derivadas parciais serão: e No primeiro caso, foi tomado como uma constante e, portanto, a derivada foi realizada em relação a ; No segundo caso, foi tomado como constante sendo realizada a derivada em relação a . A notação foi usada pela primeira vez por Legendre em 1786 em sua obra Memoire sur la manière de distinguer les maxima des minima dans le Calcul des Variations. 6 O Baricentro da Mente Kleber Kilhian Em 1841, Jacobi reintroduziu a notação em seu artigo De determinatibus Functionalibus. O símbolo em alguns ca- sos é chamado de delta de Jacobi. Operadores diferenciais: Cada operador está associado a um procedimento espe- cífico, de modo que devemos saber como este procedimento de- ve ser executado. Por exemplo, para indicar a soma entre duas quantidades e , utilizamos o operador de adição, cujo símbo- lo é , lemos: "mais", e representamos assim: e quer dizer que devemos somar uma quantidade à outra. Outros operadores são muito utilizados em nosso cotidi- ano, como o operador para subtração (menos), para multipli- cação (vezes), para raiz (raiz quadrada de), e muitos outros. No entanto, um operador somente adquire um significa- do se for aplicado a uma quantidade sobre a qual ele pode ope- rar. Por exemplo . Isso quer dizer que, a raiz quadrada de é igual a ou a , pois assim como . No Cálculo não é diferente. Para indicarmos uma dife- 7 https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# O Baricentro da Mente Kleber Kilhian renciação usamos o símbolo operador de Leibniz , indican- do que o que vier à direita do operador deverá ser diferenciado, mas o que estiver à esquerda, não. Por exemplo: Se desejarmos encontrar a segunda derivada, utiliza- mos: Em 1800, o símbolo foi usado como operador diferen- cial pelo francês Louis François Antoine Arbogast, muito em- bora Johann Bernoulli já o tivesse usado de modo não operacional, mas foi o engenheiro eletricista inglês Oliver Hea- viside que elevou o uso do símbolo como operador diferencial à condição de uma verdadeira arte, manipulando habilmente o símbolo e tratando-o como uma quantidade algébrica. Heavi- side resolveu numerosos problemas aplicados de modo elegante e eficaz, envolvendo equações diferenciais que surgiam na teoria elétrica. Da mesma forma que o operador leibniziano, o símbolo age sobre qualquer função que estiver imediatamente à direi- 8 https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# O Baricentro da Mente Kleber Kilhian ta. Por exemplo: E para uma segunda diferenciação, utilizamos : Assim, podemos denotar , com inteiro positivo, como diferenciações sucessivas. Algo bem interessante ocorre se for negativo: obtemos uma antidiferenciação, ou seja, uma integral indefinida. Por exemplo: Vamos analisar uma função específica. Sabemos que a função é igual à sua própria derivada. Aplicando o ope- rador , obtemos , que é uma equação diferencial cuja solução geral é . É tentado tratar como uma equação algébrica ordinária, dividindo ambos os lados por obtendo o que em si não tem significado alguma, mas ganharia seu significado se multiplicarmos ambos os lados por . Esse tipo de manipulação torna o operador útil para resolver certos tipos de equações diferenciais. Por exemplo, a 9 https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# O Baricentro da Mente Kleber Kilhian equação diferencial: pode ser escrita como: Se tomarmos que os símbolos utilizados nesta equação como quantidades algébricas ordinárias,podemos utilizar de suas propriedades colocar $y$ em evidência: Analisando esta nova equação, temos que o produto de dois fatores é igual a . Ou , que é a solução trivial e que nada nos interessa, ou , que é muito mais inte- ressante. Neste caso, podemos ainda fatorar o membro esquer- do como: Novamente temos um produto de dois fatores que é igual a . As soluções para esta equação é: 10 O Baricentro da Mente Kleber Kilhian Estas soluções são meramente declarações operacionais, temos que que multiplicá-las por para obtermos um sentido: A primeira equação tem solução geral como e a segunda equação tem como solução geral , onde e são constantes arbitrárias. Como a equação original é linear e seu lado direito é igual a , a soma dessas soluções também é uma solução, ou seja , e que de fato é a solução geral para a equação . Heaviside não tinha uma educação formal em Mate- mática e a manipulação de , até certo ponto descuidada, foi censurada por matemáticos profissionais. Mas Heaviside justifi- cou seus métodos dizendo que o fim justifica os meios, pois o método que utilizava produzia resultados corretos e uma justi- ficação rigorosa não era de grande importância para ele, mas que foi encontrada num método mais avançado conhecido hoje como transformada de Lapalce. 11 O Baricentro da Mente Kleber Kilhian Referências: •e, a história de um número - Eli Maor •A rainha das Ciências - Gilberto Geraldo Garbi Links para este artigo: •http://bit.ly/evolucao-notacao-derivadas •https://www.obaricentrodamente.com/2019/02/a- evolucao-da-notacao-para-derivadas.html Veja mais: •Qual a melhor notação para derivadas? •Leibniz e as diferenciais •Algumas observações sobre a notação de derivadas 12 https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# https://www.blogger.com/blog/post/edit/1327318402767136411/3858423856578210791# Operadores diferenciais: Referências: Links para este artigo: Veja mais: