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Disciplina 8
Psicopedagogia 
baseada na análise 
do comportamento 
aplicada
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Sumário
Ensino em Quadros de Dislexia: Avaliação 
em Quadros de Dislexia 7 
Conceito 7
Origem 7
Diagnóstico 8
Mas por que classificar um transtorno mental? 10
Sintomas ou sinais para dislexia 11
Intervenções para trabalhar na dislexia 13
O papel na psicopedagogia comportamental 14
Mas existem boas e más notícias 15
A dislexia em relação a outros transtornos do 
neurodesenvolvimento 17
Algumas definições de dislexia 19
Vocês sabiam? 21
Teorias sobre o cérebro disléxico 22
Sumário
Possíveis aptidões 26
Teoria e prática nas diferentes categorias 
de classificação 27
Questões fonológicas 28
Codificação e decodificação 28
Decodificação e codificação: dificuldades 
associadas 29
A relação entre as habilidades fonológicas 
e as habilidades de leitura 30
O que isso significa na prática? 30
Como as palavras são “armazenadas” 30
Dica para os professores, pais ou terapeutas 31
Dica de intervenção 32
Vamos entender a compreensão e expressão do 
disléxico 32
Ouvidos, audição e fonologia 33
Sumário
Atividade reflexiva 34
Dificuldades de memória 34
O que é a memória de curto prazo? 34
O que é a memória de trabalho? 35
Problemas práticos com a memória de trabalho 37
Treinos de automaticidade 38
A prática pode levar à perfeição, sem causar 
exaustão? 39
Atividade reflexiva 39
Velocidade de processamento 40
Quando a dislexia pode ser identificada? 41
Evidência para a implementação de apoio precoce 42
Os princípios da identificação 42
Utilizando perfis de desempenho na identificação 
da dislexia 43
Sumário
Programas de identificação 44
Checklist para Transtorno de Aprendizagem com 
prejuízo na leitura (dislexia) (Cruz-Rodrigues et 
al., 2014) 44
Dificuldades comuns no ambiente escolar 47
Possíveis problemas em interações sociais 48
Sugestões que possam ser aplicadas no âmbito 
escolar e clínico 50
Sobre as atividades avaliativas 51
Clínico 51
Não devemos esquecer dos fatores de proteção 52
Referências bibliográficas 53
7
Ensino em Quadros de Dislexia
Ensino em Quadros de Dislexia: 
Avaliação em Quadros de Dislexia
Clarissa Brito
Conceito
A dislexia é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta habilidades 
básicas de leitura e linguagem. Ela tem suas raízes em diferenças nos 
sistemas cerebrais responsáveis pelo processamento fonológico que 
resultam em dificuldade para processar os sons das palavras e associá-los 
com as letras ou sequências de letras que os representam. Outros fatores 
que podem vir associados são déficits nas funções executivas, dificuldades 
no processamento auditivo e/ou visual e desenvolvimento psicomotor.
A palavra dislexia significa 
dificuldade (dis) com palavras (lexia)
A dislexia é considerada um transtorno específico de aprendizagem porque 
seus sintomas geralmente afetam o desempenho acadêmico de estudantes 
sem que haja outra alteração (neurológica, sensorial ou motora) que 
justifique as dificuldades observadas.
Embora seja interessante examinar essas várias definições (e há muitas 
outras), elas não explicam completamente o que é a dislexia. Elas, no 
entanto, demonstram que a dislexia é certamente mais complexa do que 
apenas uma dificuldade com a alfabetização.
Origem
A origem da dislexia é neurobiológica. Como acontece com todas as partes 
da nossa estrutura biológica, tudo começa com os nossos genes e como 
eles são herdados, não deve ser nenhuma surpresa que a dislexia também 
é hereditária e pode vir do lado materno, do lado paterno ou de ambos.
8
Ensino em Quadros de Dislexia
Como a dislexia faz parte da constituição física de uma pessoa, isso 
significa, que você nasce com ela, vive com ela e morre com ela. A dislexia 
não tem cura, fazendo parte de quem você é como indivíduo.
Deve-se notar que há outra condição chamada “dislexia adquirida”, 
decorrente de uma lesão cerebral.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por exclusão, geralmente por equipe multidisciplinar 
composta por psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo e neurologista. 
Antes de afirmar que uma pessoa é disléxica, é preciso descartar 
a ocorrência de deficiências visuais e auditivas, déficit de atenção, 
escolarização inadequada, problemas emocionais, psicológicos e 
socioeconômicos que possam interferir na aprendizagem. Para ser 
considerado dislexia não deve haver outros fatores que possam estar 
causando dificuldades na aprendizagem, nesse sentido é comum que 
seja solicitado pelo médico exames complementares, como: audiometria, 
processamento auditivo, processamento visual, avaliação neurológica, 
psicológica e psicopedagógica. Assim como em outros transtornos não é 
recomendado que apenas um profissional feche o diagnóstico de dislexia.
Esse diagnóstico e essas avaliações são feitos também com base nos 
critérios diagnósticos de dois sistemas internacionais de classificação de 
transtornos mentais e de comportamento, a CID-10, que é a Classificação 
Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a 
Saúde, adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2007; 
e o DSM, o qual já se encontra na sua quinta versão em que ocorreram 
mudanças quanto à dislexia.
A 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da 
OMS, entrou em vigor no ano de 2022. A CID-11 fornece uma linguagem 
comum que permite aos profissionais de saúde compartilhar informações 
padronizadas em todo o mundo. É a base para identificar tendências e 
estatísticas de saúde em todo o mundo, contendo cerca de 17 mil códigos 
únicos para lesões, doenças e causas de morte, sustentados por mais de 
120 mil termos codificáveis. Usando combinações de códigos, mais de 1,6 
milhão de situações clínicas podem agora ser codificadas.
9
Ensino em Quadros de Dislexia
Comparada com as versões anteriores, a CID-11 é totalmente digital, tem 
um novo formato e recursos multilíngues que reduzem a chance de erro. 
A Classificação foi compilada e atualizada com informações de mais de 
90 países e envolvimento sem precedentes de prestadores de serviços de 
saúde, permitindo a evolução de um sistema imposto aos médicos para um 
banco de dados de classificação clínica e terminologia verdadeiramente 
capacitador, que atende a uma ampla gama de usos para registrar e 
relatar estatísticas na saúde e devemos estar atualizados dos sistemas de 
classificação e houve muitas mudanças, estejamos atentos!
Código Presente nos Manuais Diagnósticos: DSM-V 315.00, CID 10 
F8I.0, CID 11 6A03.0 315.2.
O que é o DSM? É a sigla em inglês referente ao Manual Diagnóstico 
e Estatístico dos Transtornos Mentais. Esse manual é um sistema de 
classificação voltado aos problemas de saúde mental, desenvolvido 
pela Associação Americana de Psiquiatria, e muito utilizado em diversos 
países. Ele contém uma lista de critérios diagnósticos para cada transtorno 
psiquiátrico reconhecido pelo sistema de saúde dos EUA. É usado tanto em 
situações clínicas (ambulatórios, hospitais, clínicas e atenção básica), bem 
como em amostras populacionais (ou seja, utilizado nas pesquisas também). 
É um instrumento largamente utilizado por profissionais em uma ampla 
variedade de contextos incluindo psiquiatras, psicólogos, psicopedagogos, 
10
Ensino em Quadros de Dislexia
terapeutas ocupacionais e de reabilitação, bem como por outros médicos e 
pesquisadores de muitas orientações diferentes. A última revisão do Manual 
ocorreu em 2013 e culminou no DSM-5 que é a quinta versão e trouxe 
algumas atualizações, baseadas em estudos científicos publicados nos 
últimos anos. A primeira versão ocorreu por volta de 1940 e vem sofrendo 
atualizações deaparecer em interações sociais cotidianas e serem muito traumáticas para 
o indivíduo. 
Nessas dificuldades podemos citar algumas:
 • Lembrar nomes das pessoas;
 • Encontrando o nome/termo correto para algo;
 • Uso incorreto do tom de voz;
 • Levando tudo ao pé da letra, o que pode criar dificuldades para lidar com 
sarcasmo ou humor sutil (nas abstrações);
49
Ensino em Quadros de Dislexia
 • Confundindo palavras e frases.
Isso pode levar à vergonha e ao medo de dizer algo errado ou inapropriado, 
gerando uma desvalia e a autoestima tende a estar abalada.
Também pode fazer que um indivíduo pareça “lento” em suas interações 
com os outros, já que ele pode precisar de mais tempo para processar 
informações. Por exemplo, o indivíduo com dislexia pode não rir 
imediatamente de uma piada, ou simplesmente não entender piadas que 
envolvem brincadeiras de palavras ou trocadilhos. A dislexia é capaz de 
dramaticamente estreitar os horizontes de uma vida. Felizmente, muitos dos 
indivíduos disléxicos desenvolvem ótimas estratégias para lidar com essa 
condição. Entretanto, todos eles precisam de bastante assistência e apoio 
para conseguir desenvolver essas estratégias na bagagem de sua vida.
Problemas com algumas das áreas identificadas anteriormente podem gerar 
problemas pessoais, como falta de autoconfiança e autoestima.
Indivíduos disléxicos frequentemente acabam focando nas coisas que eles 
sentem que não fazem tão bem quanto os outros. Por causa disso, eles 
acham difícil identificar os seus talentos e aptidões – precisamos ajudá-los 
nessas pontuações.
Consequentemente, podem sentir que não são muito bons em muitos 
comportamentos cotidianos e acadêmicos, afetam seu emocional. Em razão 
de experiências passadas, também podem sentir bastante raiva e frustração 
direcionadas àqueles que parecem adquirir facilmente essas habilidades e 
que para eles são consideradas tão difíceis.
Até aqui vimos várias informações importantes sobre esse transtorno e são 
essas mesmas informações que vão subsidiar os processos de intervenção 
junto aos indivíduos com Transtorno Específico da Aprendizagem. Nós já 
sabemos o que é, quais os sinais de alerta e sintomas e conhecemos alguns 
instrumentos de avaliação.
Nós vimos que não só a avaliação para o diagnóstico é multidisciplinar, 
mas também as intervenções, desse modo, existem várias abordagens que 
podem ser utilizadas para esse fim, dependendo do seu campo de atuação 
e da sua profissão.
50
Ensino em Quadros de Dislexia
Uma vez que esse tema desperta um interesse muito abrangente, nós 
vamos abordar na medida do possível aquilo que pode ser utilizado sem 
restrições, que pode ser utilizado por todos, professores, psicopedagogos, 
neuropsicopedagogos e áreas afins.
A essa altura nós já sabemos quais as principais dificuldades que esses 
indivíduos apresentam e com base nisso o que precisa ser estimulado, 
desenvolvido e alcançado.
Essas informações servem para profissionais e familiares então você 
enquanto profissional pode orientar as famílias para que elas possam 
colaborar nesse processo, o que vai aumentar as chances desse indivíduo 
se desenvolver mais e melhor uma vez que a família é peça fundamental é 
preciso que ela esteja envolvida e ativa. Não ensinando os conteúdos, mas 
presente, apoiando.
Sugestões que possam ser aplicadas 
no âmbito escolar e clínico
Escolar
 • Ensinar a resumir;
 • Sintetizar os conteúdos;
 • Permitir que utilizem calculadoras, gravadores (uso da tecnologia como 
um aliado);
 • Evitar cópias de textos longos e também deveres de casa que envolvam 
leitura e escrita intensa;
 • Oferecer propostas multissensoriais (propostas que envolvam todos os 
sentidos, porque dessa forma a informação irá chegar por várias vias e 
sendo processada de várias formas);
 • No caso da alfabetização, o método fônico apresenta resultados muito 
positivos;
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Ensino em Quadros de Dislexia
 • Com relação a matemática, utilizar exemplos concretos que conectam 
matemática à vida real, utilizando material concreto. Isso pode ajudar a 
fortalecer o sentido dos números para esse indivíduo;
 • Usar pistas visuais ao resolver problemas. A criança pode desenhar 
imagens ou mover objetos, por exemplo. Usar papel milimetrado para 
ajudar a manter os números alinhados (papel quadriculado). Cobrir uma 
parte da folha da atividade ou prova pode ajudar também para que no 
seu campo de visão apareça apenas uma coisa de cada vez;
 • Marcar as palavras-chave dos comandos com marca textos ou pintar com 
lápis de cor, fazendo a aproximação.
Sobre as atividades avaliativas
As avaliações devem preferencialmente ser realizadas na modalidade oral 
ou ter algum auxiliar ajudando a criança na leitura dos comandos.
Evitar a utilização de testes de múltipla escolha, valorizar os trabalhos pelo 
seu conteúdo e não pelos erros de escrita, ou seja, não supervalorizar o 
erro. Colocar esse indivíduo em um local tranquilo na sala de aula, onde 
inclusive ele possa ser auxiliado com mais facilidade pela professora.
A orientação é ver as políticas públicas de proteção que possam ser 
utilizadas no ambiente escolar, muitas escolas fazem esse acolhimento sem 
precisar de protocolos ou ajustes que a lei os protege.
Clínico
No contexto de clínica a intervenção também deve ser baseada nos princípios 
básicos da aprendizagem da leitura, no processo de transformação de 
grafema-fonema e para isso podemos utilizar as atividades grafomotoras por 
exemplo e no reconhecimento global da palavra, com incentivo a uma leitura 
afetiva. Programas devem ser bem elaborados, pois não existem receitas 
prontas ou fórmulas mágicas, existe conhecimento e aprendizagem. Vale 
salientar aqui que a ação terapêutica deve ajudar o indivíduo a desenvolver 
habilidades de organização verbal dos estímulos visuais e auditivos para que 
ele seja capaz de posteriormente fazer essa associação com significado.
52
Ensino em Quadros de Dislexia
Se a criança ainda não se encontra no processo de alfabetização devem ser 
estimuladas as áreas sensório motoras, e isso deve ser feito de modo mais 
específico pela terapia ocupacional.
Essa intervenção clínica, seja ela qual for sempre deve ter como objetivo 
auxiliar o indivíduo quanto ao estabelecimento de nexo entre a recepção do 
estímulo e sua incorporação ao léxico.
Não devemos esquecer dos 
fatores de proteção
 • Mentalidade de crescimento.
 • Todo conhecimento é válido comprovado cientificamente.
 • Perseverança diante do fracasso.
 • Apoio de professores e pais.
 • Acolhimento.
 • Formação docente de qualidade.
 • Recursos suplementares.
 • Bom currículo de leitura.
O melhor fator de prevenção é a intervenção precoce e de qualidade. 
Sabendo que todo conhecimento é válido, útil e funcional e isso 
transforma vidas!!!
Referências bibliográficas
• AMERICAN Psychiatric Association; DSM-IV: Diagnostic and statistical 
manual of mental disorders. 4th ed. Washington: American Psychiatric 
Association; 1995.
• AMERICAN Psychiatric Association; DSM-V: Diagnostic and statistical 
manual of mental disorders. 4th ed. Washington: American Psychiatric 
Association; 2013.
• BADDELEY, A.D. E HITCH, G. Working Memory. Em: BOWER, G.A. (Ed). Recent 
advances in learning and motivation. New York: Academic Press. (1974).
• BRYANT, P. E.; BRADLEY, L. Problemas de leitura na criança. Porto Alegre, 
RS: Artes Médicas, 1987.
• CARACIKI, A. Letra feia é desleixo? Curso de oratória: voz e fala, 2006.
• CRUZ-RODRIGUES C, MECCA TP, DE OLIVEIRA DG, UEKI K, BUENO OFA, DE 
MACEDO EC. Perfis cognitivos de crianças e adolescentes com dislexia na 
WISC-III. Arq Bras Psicol. 2014:66(2):17-35.
• CUETOS, F.; RODRÍGUEZ, B.; RUANO, E.; ARRIBAS, D. PROLECR: Evaluación 
de los procesos lectores revisada. Madrid: TEA Ediciones, 2007.
• DOMINGUES, C. S. Dislexia, disgrafia, disortografia e discalculia: diagnóstico 
e intervenção psicopedagógica. Monografia apresentada ao Curso de 
PósGraduação em Psicopedagogia Clínico-Institucional, Vila Velha-ES,2010. 
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pe/v12n3/v12n3a10.pdf. Acesso em: 
11/03/2020.
• DUARTE, A.N. , SOUZA, J.C. Intervenções pedagógicas em alunos com 
dislexia. Universidade do Estado do RJ – CAp – UERJ, 2014.
• ETCHEPAREBORDA MC. Detecciónprecoz de La dislexia y enfoque terapéutico. 
Rev Neurol 34(Suppl1):13-23, 2002
• GALABURDA, A.M., MENARD, M.T. , ROSEN, G.D. Evidence for aberrant auditory 
anatomy in developmental dyslexia. Proc. Natl. Acad. Sci, vol. 91, 8010-8013, 
1994.
• NICOLSON, R. I. , FAWCETT, A. J. , Y DEAN, P. (1995). Time-estimation deficits in 
developmental dyslexia - evidence for cerebellar involvement. Proceedings 
of the Royal Society of London Series B-Biological Sciences, 259, 43-47.
Referências bibliográficas
• PAPALIA DE, FELDMAN RD. Desenvolvimento humano. 12a ed. Porto Alegre: 
AMGH Editora; 2013.
• VYGOTSKY LS. Pensamento e linguagem. Versão para E-Book. [Edição 
eletrônica] Ridendo Castigat Mores, editor; 2001. Disponível em: http://www.
ebooksbrasil.org/adobeebook/vigo.pdf
	Ensino em Quadros de Dislexia: Avaliação em Quadros de Dislexia
	Conceito
	Origem
	Diagnóstico
	Mas por que classificar um transtorno mental?
	Sintomas ou sinais para dislexia
	Intervenções para trabalhar na dislexia
	O papel na psicopedagogia comportamental
	Mas existem boas e más notícias
	A dislexia em relação a outros transtornos do neurodesenvolvimento
	Algumas definições de dislexia
	Vocês sabiam?
	Teorias sobre o cérebro disléxico
	Possíveis aptidões
	Teoria e prática nas diferentes categorias de classificação
	Questões fonológicas
	Codificação e decodificação
	Decodificação e codificação: dificuldades associadas
	A relação entre as habilidades fonológicas e as habilidades de leitura
	O que isso significa na prática?
	Como as palavras são “armazenadas”
	Dica para os professores, pais ou terapeutas
	Dica de intervenção
	Vamos entender a compreensão e expressão do disléxico
	Ouvidos, audição e fonologia
	Atividade reflexiva
	Dificuldades de memória
	O que é a memória de curto prazo?
	O que é a memória de trabalho?
	Problemas práticos com a memória de trabalho
	Treinos de automaticidade
	A prática pode levar à perfeição, sem causar exaustão?
	Atividade reflexiva
	Velocidade de processamento
	Quando a dislexia pode ser identificada?
	Evidência para a implementação de apoio precoce
	Os princípios da identificação
	Utilizando perfis de desempenho na identificação da dislexia
	Programas de identificação
	Checklist para Transtorno de Aprendizagem com prejuízo na leitura (dislexia) (Cruz-Rodrigues et al., 2014)
	Dificuldades comuns no ambiente escolar
	Possíveis problemas em interações sociais
	Sugestões que possam ser aplicadas no âmbito escolar e clínico
	Sobre as atividades avaliativas
	Clínico
	Não devemos esquecer dos fatores de proteção
	Referências bibliográficastempos em tempos, conforme surgem novas informações 
nas pesquisas sobre esses temas.
Mas por que classificar um 
transtorno mental?
Porque para compreender tudo o que um transtorno pode acarretar, 
nós precisamos de informações sobre como ele é e como afeta o 
funcionamento do indivíduo, para que dessa forma possamos entender 
todas as dimensões do transtorno e definir o diagnóstico, e isso deve ser 
feito com validade e reconhecimento em diversas culturas. Já imaginou a 
dislexia ser diferente em cada local, lugar, país?
O TDAH? O autismo? Todos os transtornos precisam de uma padronização, 
de sintomas e comportamentos que possam ser avaliados assertivamente 
por uma equipe multidisciplinar. Essa unificação, padronização e ainda, 
essas informações são importantes para encontrar as possíveis causas 
genéticas ou epigenéticas, a heterogeneidade dos sintomas, os fatores de 
risco e as comorbidades. Podemos concebê-lo como um referencial.
Como é feita essa classificação das características que o indivíduo 
deve apresentar para ser considerado de risco para a dislexia assim 
como também outros transtornos? Qual a definição? O que diz o DSM-5 
sobre a dislexia e quais são os critérios? E a sigla DEA, o que significa?
Enquanto para o CID-10, a dislexia é considerada um transtorno específico 
de leitura, o DSM-5 vai amplificar esses critérios e a dislexia dentro dessa 
perspectiva desse manual, está classificada na categoria de transtornos 
ou dificuldades específicas de aprendizagem o que inclui um conjunto de 
habilidades acadêmicas e não apenas a leitura, mas também a expressão 
escrita e a matemática, o que na versão anterior, no DSM-IV, era definido 
como dislexia, disgrafia e discalculia.
11
Ensino em Quadros de Dislexia
Nessa última atualização, que culminou na versão 5 do DSM, tudo isso 
passa a ser definido como Dificuldade Específica da Aprendizagem, 
abarcando três domínios ou especificadores que são a leitura, a expressão 
escrita e a matemática. Isso significa basicamente que os sintomas e as 
características que esse indivíduo vai apresentar, se manifestarão em 
diferentes graus nessas três habilidades. Na literatura existente com essa 
nomenclatura sobre esse tema, também veremos referências a ele com a 
sigla DEA – Dificuldade Específica da Aprendizagem.
São quatro os critérios e, conforme o DSM-5, todos devem ser observados 
no indivíduo:
Figura 1. Quadro de critérios do DSM-5 para o diagnóstico da dislexia, sendo que ainda tem um quadro de 
especificadores de gravidade da dislexia propostos por ele para os graus de dislexia: leve, moderada e grave.
Sintomas ou sinais para dislexia
Sintomas que podem estar presentes:
Na linguagem oral:
 • Atraso no desenvolvimento da fala;
12
Ensino em Quadros de Dislexia
 • Problemas para formar palavras de forma correta, como trocar a ordem 
dos sons (popica em vez de pipoca) e confundir palavras semelhantes 
(umidade/ humanidade);
 • Erros de pronúncia, incluindo trocas, omissões, substituições, adições e 
misturas de fonemas;
 • Dificuldade para nomear letras, números e cores;
 • Dificuldade em atividades de aliteração e rima;
 • Dificuldade para se expressar de forma clara.
Na leitura:
 • Dificuldade para decodificar palavras;
 • Erros no reconhecimento de palavras, mesmo as mais frequentes;
 • Leitura oral devagar e incorreta. Pouca fluência, com inadequações de 
ritmo e entonação, em relação ao esperado para a idade e a escolaridade;
 • Compreensão de texto prejudicada como consequência da dificuldade de 
decodificação;
 • Vocabulário reduzido.
Na escrita:
 • Erros de soletração e ortografia, mesmo nas palavras mais frequentes;
 • Omissões, substituições e inversões de letras e/ou sílabas;
 • Dificuldade na produção textual, com velocidade abaixo do esperado 
para a idade e a escolaridade.
Recapitulando: Há diferentes graus de dislexia, normalmente descritos 
como leve, moderado e severo. O grau de dislexia baseia-se, em geral, 
na severidade das dificuldades apresentadas pelo indivíduo.
Atenção aos fatores de risco
Os fatores de risco incluem, mas não se limitam apenas a isso e tudo deve 
ser investigado com bastante cuidado:
13
Ensino em Quadros de Dislexia
 • Problemas no processamento fonológico.
 • Problemas na linguagem oral.
 • Problemas na atenção.
 • Problemas na visão.
 • Falta de experiências precoces com a linguagem oral e escrita.
 • Falta de recursos.
 • Professores pouco preparados.
 • Traumas ou outros fatores ambientais negativos.
Atenção: pode haver interações entre todos esses fatores de risco.
O melhor fator de prevenção é a intervenção precoce e de qualidade.
Intervenções para trabalhar na dislexia
Independentemente de quais forem as diversidades ou dificuldades 
nos processos de desenvolvimento e aprendizagem, a intervenção 
terapêutica sempre se faz necessária. Intervenções pontuais voltadas às 
particularidades de cada caso objetivam auxiliar na superação e adaptação 
A dislexia
pode afetar.
EDUCAÇÃO
PALAVRAS
LEITURA
SAÚDEVIDA
CARREIRA
MATEMÁTICA
ORTOGRAFIA
14
Ensino em Quadros de Dislexia
de limitações e dificuldades, visando impulsionar o pleno desenvolvimento 
do indivíduo.
Para crianças, adolescentes e adultos com desempenho atípico ou em 
atraso, a intervenção correta também ajudará no fortalecimento da 
autoestima e autoconfiança, por isso devemos tomar um cuidado maior nas 
intervenções porque existem muitos conceitos difundidos, o diagnóstico 
nem sempre é fácil de ser realizado, e as técnicas (intervenções) para 
ensinar indivíduos com dislexia são as mais variadas.
O papel na psicopedagogia 
comportamental
O papel do psicopedagogo é de extrema importância, para investigar os 
problemas existentes no processo do aprendizado. Nosso trabalho visa 
atender, tratar e orientar o aluno e sua família, assim como a escola e 
seus professores, esclarecendo sobre os obstáculos que podem interferir 
diariamente na vida do disléxico, sob perspectivas no neurodesenvolvimento, 
Atuamos com crianças, adolescentes, adultos, a família e a escola na 
compreensão do funcionamento cerebral e das suas respectivas alterações. 
Estudamos a relação entre a atividade nervosa superior e o comportamento, 
a cognição, as emoções, a motivação e a vida do indivíduo. A intervenção na 
psicopedagogia comportamental consiste em avaliar e reabilitar/estimular 
as funções cognitivas (memória, atenção, linguagem oral e escrita, cálculo, 
capacidades visuoespaciais, planejamento e ação, destreza manual, 
raciocínio, etc.).
Vamos voltar ao nosso principal objetivo e faço uma pergunta:
• Você provavelmente já ouviu falar sobre alguém com dislexia e suas 
dificuldades educacionais?
• Já estudaram, se depararam com livros ou artigos de muitas 
abordagens diferentes sobre a dislexia, certo?
Entendam que devemos ter sensibilidade em analisar todos os fatos, 
estudos científicos, pois muitos especialistas divergem sobre os termos 
corretos utilizados sobre o assunto, e aqui teremos a oportunidade de 
15
Ensino em Quadros de Dislexia
conhecer os mais utilizados e podermos fazer a seleção da aplicabilidade 
psicopedagógica comportamental mais adequada escolhida pelo 
profissional, professor, pai, estudante ou qualquer área de atuação.
As informações disponíveis sobre dislexia podem, às vezes, parecer bem 
confusas. Os objetivos destes módulos específicos sobre a dislexia são de 
apresentar uma introdução clara sobre o assunto que levará a um maior 
nível de conhecimento, permitindo apoiar/ajudar indivíduos disléxicos de 
forma efetiva e afetiva.
Mas existem boas e más notícias
A boa notícia é que isso demonstra que a dislexia é um assunto bastante 
vivo na área da pesquisa, e isso, por sua vez, significa o aparecimento 
frequente de novas teorias e abordagens de apoio. A má notícia é que isso 
pode fazer que a dislexia pareça ser particularmente complicada e confusa, 
mas não devemos olhar no prisma da negatividade.
Vamos a uma atividade reflexiva, depois de várias informaçõesaté aqui 
apresentadas e fazendo uma pergunta:
• Se alguém lhe pedisse para definir a dislexia, como você a descreveria? 
Já saberia explicar e como analisar?
Vamos retomar ao começo dessa aula:
O que é a dislexia?
A dislexia é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta habilidades 
básicas de leitura e linguagem.
Saberiam me dizer por que a dislexia pode ser um transtorno?
Na psicologia e na psiquiatria a palavra transtorno designa qualquer 
sofrimento, comprometimento ou anomalia que dificulte o desenvolvimento 
normal das capacidades intelectuais ou psíquicas do indivíduo.
Entendam, é muito importante essa observação:
Significa que a dislexia só afeta partes específicas das habilidades gerais 
de aprendizagem de um indivíduo. Muitas vezes, isso inclui a capacidade 
de adquirir habilidades de leitura. Essa informação é muito importante e 
16
Ensino em Quadros de Dislexia
não devemos esquecer nunca, pois a capacidade do indivíduo de aprender 
outras coisas provavelmente não será afetada.
E a aprendizagem?
Em termos simples, aprendizagem significa a capacidade de um indivíduo 
de entender algo. Isso não quer dizer que pessoas com dislexia não 
conseguem aprender a ler, mas que podem ter dificuldade no processo. 
Esta é uma boa notícia, pois, apesar das dificuldades enfrentadas, a 
aprendizagem não é impossível.
Para descrever alguém que tem dislexia os termos adequados são:
 • Um indivíduo que é disléxico;
 • Um indivíduo que tem dislexia;
 • Um indivíduo disléxico.
O ponto importante a ser notado aqui é a palavra “indivíduo” nessas 
definições, pois precisamos tratar cada indivíduo disléxico exatamente 
dessa forma: como um indivíduo.
Se apenas tentamos apoiar a dislexia como uma condição, será muito 
menos eficaz do que ver cada pessoa como um indivíduo único e fornecer 
apoio individualizado.
Não existem dois indivíduos disléxicos iguais e cada um será moldado 
pelo seu padrão único de habilidades, aptidões, experiências de vida, 
oportunidades, personalidade e, por último, pelas características únicas de 
sua dislexia (cada ser é único).
Para apoiar a dislexia, seremos muito mais eficazes se enxergarmos 
cada pessoa com dislexia como um indivíduo único, fornecendo apoio 
individualizado e acolhimento.
Há vários mitos associados à dislexia e vale a pena encará-los de frente, 
devemos ter essas informações e assim poder esclarecer de uma maneira 
assertiva.
 • “A dislexia não existe.”
Sim, ela existe. Em uma seção mais adiante neste módulo, vamos ver 
algumas definições da dislexia baseada em pesquisas científicas. 
17
Ensino em Quadros de Dislexia
Os pesquisadores podem diferir em suas definições de dislexia, mas todos 
concluem que a dislexia existe.
 • “Todos os indivíduos disléxicos são muito inteligentes.”
Isso também não é verdade. Não há nenhuma correlação entre a dislexia e 
a inteligência, nem de forma positiva, nem de forma negativa.
 • “A dislexia é simplesmente uma desculpa usada por pais quando 
seus filhos não estão indo bem na escola.”
Totalmente falso. A dislexia nunca deve ser usada como uma desculpa ou 
um “rótulo” para aqueles que não estão indo bem na escola.
 • “Uma pessoa disléxica não pode ler (ou escrever).”
Novamente, não é verdade. Muitos indivíduos que têm dislexia podem 
enfrentar dificuldades para desenvolver essas habilidades, mas com o apoio 
adequado eles podem aprender a ler e a escrever.
 • “A dislexia e os transtornos do neurodesenvolvimento são a mesma 
coisa.”
A dislexia está incluída sob o título de transtorno do neurodesenvolvimento, 
mas existem outros tipos de transtornos do neurodesenvolvimento como a 
dispraxia, a discalculia, o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade 
(TDAH), etc.
A dislexia pode ocorrer junto com outro transtorno do neurodesenvolvimento, 
então não é incomum que um indivíduo disléxico também tenha déficit de 
atenção e hiperatividade (TDAH), por exemplo.
A dislexia em relação a outros 
transtornos do neurodesenvolvimento
As dislexias têm algumas características em comum com outros transtornos 
do neurodesenvolvimento. Porém, as dificuldades centrais e a natureza 
que causa cada uma dessas condições são diferentes. Cada transtorno do 
neurodesenvolvimento é classificado de acordo com as suas particularidades, 
aqui citarei de uma forma bem sucinta cada uma delas com poucas palavras.
18
Ensino em Quadros de Dislexia
Dispraxia
 • Comprometimento da coordenação motora e equilíbrio;
 • Dificuldade de organizar os movimentos intencionalmente.
TDAH
 • Dificuldade com concentração e atenção;
 • Impulsividade e hiperatividade.
Discalculia
 • Dificuldade com o conceito de números;
 • Dificuldade com consciência espacial.
Disgrafia
 • Dificuldade em escrever e desenhar.
Autismo
 • Dificuldade com o uso social da linguagem, comunicação, etc.
Os transtornos do neurodesenvolvimento acontecem em um continuum e 
as manifestações e intensidades de seus sintomas variam em cada pessoa. 
Portanto, o indivíduo com dislexia pode apresentar características de 
outras condições, como TDAH ou disgrafia e no qual conhecemos como as 
comorbidades.
Como se o TDAH por si só já não fosse o bastante para uma criança e sua 
família, sabe-se que na maioria das vezes o portador apresenta pelo menos 
mais um transtorno associado. As pesquisas estimam que 70% das crianças 
com TDAH apresentam outra comorbidade e pelo menos 10% apresentam 
três ou mais comorbidades.
As comorbidades coexistentes podem gerar forte influência em como os 
sintomas de TDAH irão se manifestar afetando o modo, o comportamento 
e o desempenho acadêmico. A maneira pela qual o indivíduo será tratado, 
portanto, dependerá das desordens secundárias.
19
Ensino em Quadros de Dislexia
*Uma observação sobre essa imagem é que existe TDA/TDAH e não se usa mais TDA e, sim, 
TDAH com ou sem hiperatividade e outras também já houve mudanças – estejam atentos. 
Por isso, a importância de estarmos sempre atualizados com os estudos, pesquisas, as 
novas nomenclaturas e principalmente nos sistemas de classificação internacionais.
Além de apresentar características de um ou mais de um transtorno do 
neurodesenvolvimento, um indivíduo pode ter dificuldades brandas ou 
severas decorrentes dessas características.
É importante pensar que cada indivíduo é único e com necessidades 
específicas.
A dislexia nunca deve ser usada como uma forma de definir um indivíduo.
Algumas definições de dislexia
Há muitas definições diferentes para a dislexia, algumas das quais devemos 
saber, pois são as mais usadas e estudadas atualmente.
A imagem a seguir ilustra a natureza de sobreposição dos transtornos do 
neurodesenvolvimento e como um indivíduo pode apresentar dificuldades 
de um ou de qualquer número desses transtornos.
TDA/TDAH
Dispraxia DisgrafiaAutismo
Dislexia Discalculia
20
Ensino em Quadros de Dislexia
Embora seja interessante examinar essas várias definições (e há muitas 
outras), elas não explicam completamente o que é a dislexia.
Elas, no entanto, demonstram que a dislexia é certamente mais complexa do 
que apenas uma dificuldade com a alfabetização, vejamos algumas delas. A 
informação ainda é nosso maior aliado para uma aprendizagem significativa 
e diferenciada.
Em outubro de 2007, o BDA Management Board (Conselho de 
Gerenciamento do British Dyslexia Association, ou Associação Britânica de 
Dislexia) aprovou a seguinte definição:
A dislexia é uma dificuldade específica de aprendizagem que afeta principalmente o 
desenvolvimento de habilidades ligadas à leitura e à linguagem. Ela provavelmente estará 
presente desde nascimento e terá efeitos ao longo de toda a vida. É caracterizada por 
dificuldades com o processamento fonológico, nomeação rápida, a memória de trabalho, 
a velocidade de processamento e com o desenvolvimento automático de habilidades 
que não correspondem com outras habilidades cognitivas de um indivíduo. Ela tende a 
ser resistente aos métodos convencionais de ensino, mas seu efeito pode ser atenuadopor meio da intervenção específica apropriada, incluindo a aplicação de tecnologias de 
informação e aconselhamento de apoio.
A Associação Dislexia Action* (dyslexiaaction.org.uk) afirma que as principais 
características da dislexia são:
“A dislexia é uma dificuldade específica de aprendizado, que afeta principalmente a leitura 
e a escrita. Cerca de 10% da população é afetada por algum grau de dislexia.
A dislexia normalmente ocorre na mesma família; sabe-se que existem vários genes que 
contribuem para um risco genético de dislexia. Estudos de exames cerebrais sugerem 
que, em pessoas disléxicas, as conexões entre diferentes áreas de linguagem do cérebro 
não funcionam tão eficientemente como deveriam. Porém, essas diferenças não estão 
ligadas à inteligência, e há evidências de que muitas pessoas disléxicas têm aptidões e 
habilidades em tarefas que envolvem o pensamento criativo e visual.
Pessoas disléxicas normalmente têm dificuldade em analisar e trabalhar com os sons de 
palavras faladas, e podem ter dificuldade com a memória de curto prazo, sequências e 
organização. É mais difícil para elas aprenderem como sons falados são representados 
por letras, e isso afeta a habilidade de soletrar, decodificar ou ‘dar sons’ às palavras. 
Embora muitas pessoas disléxicas possam desenvolver habilidades fonológicas e de 
decodificação, elas normalmente precisam de bastante instrução, e muitas vezes nunca 
chegam a um estágio onde essas habilidades estão completamente automáticas.
A dislexia não é apenas um problema com a leitura. Muitas pessoas disléxicas aprendem 
a ler, mas continuam a ter dificuldade com ortografia, escrita, memória e organização. 
Também há pessoas cujas dificuldades de leitura não são causadas por dislexia. A dislexia 
frequentemente causa problemas com matemática: muitas pessoas disléxicas têm 
dificuldades com aritmética e com a aprendizagem e memorização de fatos numéricos.
21
Ensino em Quadros de Dislexia
O grau em que a dislexia causa problemas, na aprendizagem e no dia a dia, depende de 
muitos fatores. Estes incluem a gravidade da dislexia, as habilidades e aptidões que a 
pessoa apresenta, além do tipo de ensino e apoio que ela recebe.
A dislexia não precisa ser uma barreira para as conquistas e o sucesso se ela for 
devidamente reconhecida na sociedade, e medidas forem tomadas para oferecer ensino e 
treinamento adequado, além de estratégias e recursos de compensação.”
*Dyslexia Action: instituição britânica que atua no apoio a crianças, jovens e adultos com 
dislexia.
O documento intitulado The Rose Review sobre o ensino da leitura foi 
coordenado por Jim Rose e publicado em 2006.
A dislexia é uma dificuldade de aprendizagem que afeta principalmente as habilidades 
envolvidas na leitura correta e fluente de palavras e na ortografia.
As características particulares da dislexia são dificuldades em consciência fonológica, 
memória verbal e velocidade de processamento verbal.
A dislexia ocorre em uma gama de habilidades intelectuais.
É melhor pensarmos nela como um continuum, e não uma categoria distinta, pois não há 
pontos de corte claros.
Dificuldades coexistentes à dislexia podem ser vistas nos aspectos da linguagem, 
coordenação motora, cálculo mental, concentração e organização pessoal, mas estes não 
são, em si, marcadores de dislexia.
Vocês sabiam?
Uma boa indicação da gravidade e da persistência das dificuldades da 
dislexia pode ser obtida ao examinar como o indivíduo responde a uma 
intervenção bem fundamentada, pois logicamente vai haver uma melhora 
no quadro dessas dificuldades.
A BDA acrescentou o seguinte texto ao seu resumo do Rose Review**:
Além dessas características, a BDA reconhece as dificuldades de processamento visual e 
auditiva que alguns indivíduos com dislexia podem experimentar, e assinala que leitores 
disléxicos podem mostrar uma combinação de habilidades e dificuldades que afetam o seu 
processo de aprendizagem. Alguns também têm aptidões em outras áreas, como design, 
resolução de problemas, habilidades criativas, habilidades interativas e habilidades orais.
**Rose Review: relatório que apresenta recomendações sobre a adaptação de crianças 
com dislexia no ambiente escolar.
22
Ensino em Quadros de Dislexia
Definição da Associação Internacional de Dislexia:
A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, 
caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente das palavras e pela 
baixa habilidade de decodificação e soletração.
Essas dificuldades geralmente derivam de um déficit no componente fonológico da 
linguagem, muitas vezes surpreendente, quando comparado a outras habilidades cognitivas 
e ao acesso à aprendizagem. Consequências secundárias podem incluir dificuldades na 
compreensão de texto e pouca experiência de leitura, podendo impedir o desenvolvimento 
do vocabulário e do conhecimento geral (2002).
Existem também várias teorias e devemos entender cada uma delas, 
tendo em mente que todo conhecimento é válido, útil e funcional.
Teorias sobre o cérebro disléxico
A primeira coisa a ser compreendida é que um cérebro disléxico é diferente 
de um cérebro não disléxico, principalmente na forma com que ele lida ou 
processa certos tipos de informação, embora também existem algumas 
diferenças físicas.
A palavra-chave aqui é “diferente”. Historicamente, pesquisadores 
costumavam expressar essas diferenças em termos de déficits ou mau 
funcionamento, mas cada vez mais esses termos estão sendo substituídos 
por palavras como “neurodiversidade”, já que essas diferenças não são 
necessariamente melhores ou piores, são simplesmente diferentes.
Infelizmente, tais diferenças podem tornar o aprendizado de certas tarefas 
mais difíceis, especialmente quando o aprendizado é apresentado de uma 
maneira que não corresponde com a forma natural em que o indivíduo 
processa informações. Essas diferenças no cérebro também tornam 
algumas tarefas mais fáceis, como compreender situações complexas.
Vejam a imagem a seguir que está bem explicativa sobre o funcionamento 
cerebral de um cérebro disléxico e não disléxico.
23
Ensino em Quadros de Dislexia
Relacionados a isso estão:
 • A área de broca
Envolvida na produção de palavras 
escritas, sendo encarregada de 
produzir a linguagem (processa 
toda essa informação).
 • A região temporoparietal
Envolvida na análise de palavras 
escritas, significado das palavras.
 • A área temporo-occipital
Utilizada para identificar 
palavras escritas, interpreta os 
grafemas e letras.
Agora vamos as teorias mais pesquisadas:
Teorias fonológicas e de linguagem
Usando a ressonância magnética funcional (fMRI − do inglês Functional 
Magnetic Ressonance Imaging), pesquisadores conseguiram rastrear as 
atividades de cérebros de pessoas com dislexia enquanto realizavam 
atividades de linguagem oral, leitura e escrita.
As áreas do cérebro que normalmente seriam utilizadas para tais tarefas 
aparentemente não estavam funcionando de forma tão eficaz ou estavam 
funcionando de forma diferente. Essas áreas incluíam a parte posterior do 
hemisfério esquerdo e os sistemas anteriores, especialmente as regiões 
em torno do giro frontal. Tais teorias apoiam a ideia de que essa diferença 
de funcionamento torna o cérebro incapaz de realizar boas ligações entre 
símbolos e sons.
Em outras palavras, o cérebro tem dificuldade em conectar a letra escrita 
com o som que essa letra representa. Isso é conhecido como relação de 
som-símbolo (fonema-grafema). Esses achados sugerem que o cérebro 
disléxico tem dificuldade para executar atividades de linguagem e 
leitura de forma automática. A capacidade de realizar essas atividades 
automaticamente é muito importante para a aprendizagem, já que é somente 
quando esse processamento se torna automático, que o cérebro pode ficar 
livre para funções de ordem superior, como a compreensão da palavra 
escrita ou fluência da leitura, que levam à compreensão do que foi lido.
24
Ensino em Quadros de Dislexia
Essa teoriasugere que, em vez de processar as palavras em um sistema 
baseado em um sistema de som, o cérebro tenta memorizar cada 
palavra como um bloco individual. A consequência disso, porém, é que o 
armazenamento da memória pode ficar “rapidamente cheio”, e com isso, 
novas palavras não conseguem ser lembradas.
A boa notícia é que a maioria das pessoas desenvolvem estratégias 
compensatórias, que podem ser observadas em diferentes regiões do cérebro. 
Uma intervenção eficaz pode favorecer o desenvolvimento desse processo.
Teorias magnocelulares
Essas teorias buscam explicar algumas características associadas à dislexia 
que vão além das dificuldades de linguagem. Acredita-se que há falhas 
nas células que carregam informações grandes no cérebro chamadas de 
magnocélulas.
Estas células são importantes para gerenciar o tempo de eventos visuais 
e auditivos. Quando não estão exercendo a sua função corretamente, 
essas células causam problemas de foco e processamento de informação 
em atividades visuais e auditivas. Isso, por sua vez, gera dificuldades para 
lembrar sequências de sons e símbolos e letras. A falta de atenção visual 
faz que símbolos pareçam instáveis, podendo fazer com que sons e letras 
sejam transpostos. Por exemplo, na linguagem oral é possível ouvir essa 
confusão ou transposição quando uma pessoa disléxica pronúncia palavras 
de forma incorreta, como, “manica” em vez de “máquina”. Isso também pode 
ser observado na leitura ou escrita, por exemplo, ler ou escrever a palavra, 
“perto” como “preto” ou “dedo” como “dado”.
Alguns pesquisadores também acreditam na possibilidade de isso significar 
que outras células do cérebro, em especial as células parvocelulares, se 
desenvolvem de forma mais eficaz, possibilitando, por sua vez, aptidões em 
outras áreas.
Teorias do cerebelo
Originalmente essa teoria foi formulada como uma teoria de déficit de 
automatização. Ela foi apoiada pelas descobertas de um paradigma de 
25
Ensino em Quadros de Dislexia
dupla tarefa que envolvia manter o equilíbrio (definido como “manter o 
corpo em um estado de equilíbrio”) enquanto executava outra tarefa. Os 
resultados revelaram que, em condições ideais, indivíduos disléxicos 
poderiam se equilibrar tão bem quanto indivíduos do grupo de controle. 
Porém, em uma situação de tarefa dupla (em que os indivíduos tinham que 
se equilibrar enquanto realizavam outra tarefa), os indivíduos disléxicos 
tiveram um desempenho significativamente pior do que aqueles do grupo 
de controle (Nicolson & Fawcett, 1990).
Mais recentemente, o déficit de automatização foi associado a um 
comprometimento da função do cerebelo. Um estudo histológico (Finch, 
Nicolson & Fawcett, 2002) reanalisou as amostras de cérebro de indivíduos 
com dislexia originalmente investigadas por Galaburda et al. (1994).
Os resultados mostraram diferenças significativas no número de grandes 
e pequenos neurônios do cerebelo em amostras de indivíduos disléxicos e 
amostras do grupo de controle. Com base nas descobertas que apontam para 
o comprometimento cerebelar na dislexia, Nicolson et al. (2001) propuseram 
uma cadeia causal hipotética ligando o comprometimento cerebelar a déficits 
de processamento fonológico e problemas com a leitura e a ortografia.
A automaticidade também é muito importante para a “destreza da 
linguagem”. Esta é a capacidade de aprender uma tarefa a ponto de não 
precisar mais focar no ato de executar a tarefa, o que deixa o cérebro livre 
para funções de ordem superior.
Por exemplo, quando aprendemos a dirigir um carro, inicialmente o ato 
de dirigir toma toda a nossa atenção e pode ser exaustivo. Com o passar 
do tempo e com a prática, chegamos a um ponto em que não precisamos 
mais pensar sobre o ato de dirigir em si, mas, em vez disso, normalmente 
pensamos sobre muitas outras coisas, das quais somente algumas 
possivelmente terão a ver com dirigir. Isso acontece porque o ato de dirigir 
se tornou automático.
A automaticidade é importante para a leitura. Ela permite que pensemos 
sobre o que estamos lendo, em vez de ficarmos apenas decodificando os 
símbolos. Na escrita, ela nos permite expressar os nossos pensamentos 
sem termos de pensar de forma consciente sobre a ortografia ou como 
formar as letras.
26
Ensino em Quadros de Dislexia
Se o cerebelo não está funcionando de forma eficaz, como, de acordo 
com essa teoria, acontece com indivíduos disléxicos, ele precisa trabalhar 
muito na decodificação de sons e símbolos e não consegue adquirir as 
habilidades de linguagem simplesmente falando e ouvindo. Sendo assim, 
tarefas baseadas na linguagem se tornam árduas e cansativas.
Exames do cérebro mostraram que o cerebelo não ativa tanto ou da 
mesma forma em cérebros de indivíduos disléxicos, em comparação 
com cérebro de indivíduos não disléxicos.
Depois que vimos as diferentes teorias, estruturas cerebrais do cérebro 
disléxico, entendam que as aptidões desses indivíduos existem e muitas.
Possíveis aptidões
A palavra “dislexia” se refere a uma dificuldade com palavras, mas, 
frequentemente as diferenças na estrutura do cérebro que causam essas 
dificuldades também podem levar a um desempenho melhor em outras 
áreas.
Indivíduos com dislexia, frequentemente demonstram habilidades que 
incluem:
 • Inteligência visual;
 • Habilidades práticas e de resolução de problemas;
 • Capacidade de ver o todo e resolver problemas;
 • Boa percepção visuoespacial;
 • Criatividade;
 • Boas habilidades de comunicação verbal;
 • Altos níveis de motivação e persistência.
Frequentemente essas áreas de aptidões são negligenciadas e não utilizadas 
de forma eficaz. É muito importante lembrar que essas habilidades e 
potenciais podem existir e que, enquanto um indivíduo pode ter dificuldades 
em algumas áreas, as dificuldades que ele experiência não são a soma total 
do que o define como pessoa. É essencial, que o indivíduo seja apoiado de 
27
Ensino em Quadros de Dislexia
forma holística (isto é: que o foco seja distribuído da mesma forma entre o 
desenvolvimento de seus pontos fortes e o apoio às suas fraquezas).
Há várias teorias em torno do que causa o padrão de habilidades e 
dificuldades vividas por indivíduos disléxicos. O consenso comum indica que 
provavelmente todas essas teorias têm mérito e que, de fato, o cérebro é 
um órgão complexo sobre o qual nós continuamos a aprender. Além das 
três teorias apresentadas aqui, há outras teorias que, apesar de serem 
menos populares, também tentam explicar a dislexia.
O que sabemos é que, de acordo com evidências científicas, o cérebro disléxico 
trabalha de uma forma diferente de um cérebro não disléxico, especialmente 
quando exerce tarefas relacionadas à linguagem, leitura e escrita.
Entretanto, nas últimas duas décadas, a teoria fonológica e da linguagem 
tem sido a explicação dominante sobre a causa da dislexia. Apesar dessa 
teoria ser muito popular entre os atuais pesquisadores da dislexia, há 
críticos que apontam que ela não explica alguns sintomas não relacionados 
às dificuldades fonológicas que também são comuns na dislexia, como as 
dificuldades na memória de trabalho e no processamento de informação. 
Tais críticos geralmente não descartam a teoria que a dislexia está enraizada 
nos sistemas cerebrais responsáveis pelo processamento fonológico, eles 
apenas argumentam que esta não é a única explicação para ela.
Um ponto importante a ser lembrado aqui é que o que pode parecer fácil 
e simples para uma pessoa pode ser muito difícil para outra, simplesmente 
porque ela processa as informações de forma diferente. Isso pode levar a 
bastante frustração tanto para os indivíduos disléxicos quanto para aqueles 
que estão lhe dando apoio. O funcionamento do cérebro disléxico não é 
necessariamente melhor ou pior, é apenas diferente.
Teoria e prática nas diferentes 
categorias de classificação
As dificuldades enfrentadas por pessoas com dislexia podem, muitas vezes, 
ser classificadas em diversas categorias principais. Vamos examinar cada 
uma dessas categoriasao longo deste tópico.
28
Ensino em Quadros de Dislexia
Questões fonológicas
A consciência fonológica é a capacidade de detectar e manipular sons em 
palavras.
O desenvolvimento da consciência fonológica está intimamente ligado ao 
desenvolvimento da linguagem. Os seres humanos são projetados para 
se comunicar por meio da linguagem oral e o processamento fonológico 
necessário para falar e ouvir ocorre de forma subconsciente. A linguagem 
escrita é a tradução de sons da fala (linguagem oral) para a representação 
concreta (escrita) deles. Essa é uma atividade consciente que deve ser 
aprendida.
Codificação e decodificação
A importância da consciência fonológica na alfabetização é frequentemente 
explicada pelo seu papel no processo de codificação e decodificação.
Na leitura, a decodificação se refere ao processo de relacionar a 
representação das palavras escritas às suas representações verbais. 
Principalmente nas fases iniciais da leitura, a decodificação envolve 
transformar as letras de uma palavra escrita em seus sons correspondentes, 
e, em seguida, juntar esses sons para formar a palavra falada.
Obs.: Quando alguém lê para um disléxico ele entende melhor, pois envolve 
decodificação, já está decodificado. Ele mesmo lendo, vai ter que haver 
essa decodificação.
Palavra escrita
Casa
Letras escritas
C-a-s-a
Sons falados
K-a-z-a
Palavra falada
Casa
29
Ensino em Quadros de Dislexia
Codificação é um processo usado na escrita. É parecido com decodificação, 
mas, neste caso, o processo acontece em direção oposta. Dessa vez, você 
começa com a palavra falada e a traduz para sua forma escrita. Mais uma 
vez, especialmente nas fases iniciais da leitura, a codificação envolve 
determinar os sons em uma palavra e, em seguida, transformar esses sons 
em uma sequência de letras a fim de escrever a palavra.
Palavra falada
Casa
Sons falados
K-a-z-a
Letras escritas
C-a-s-a
Palavra escrita
Casa
Importante!
A consciência fonológica é necessária para a codificação e a 
decodificação porque o indivíduo precisa reconhecer os sons 
das palavras para poder relacioná-los aos sons das letras.
Decodificação e codificação: 
dificuldades associadas
No caso da dislexia, em razão das diferenças no cérebro identificadas como 
vocês viram aqui anteriormente, um indivíduo poderá ter muitas dificuldades 
ao desempenhar as seguintes atividades:
 • Identificar, segmentar e sequenciar os sons em uma palavra escrita 
(decodificação);
30
Ensino em Quadros de Dislexia
 • Discriminar os sons das palavras e então lembrar a quais símbolos (letras) 
eles correspondem (codificação).
A relação entre as habilidades 
fonológicas e as habilidades de leitura
A consciência fonológica é muitas vezes utilizada com crianças como 
um indicador das habilidades iniciais de leitura. Estudos como aqueles 
conduzidos por Bryant & Bradley (1980) indicam que aqueles alunos com 
fortes habilidades fonológicas adquirem habilidades de leitura de forma 
mais eficaz do que aqueles que têm habilidades fonológicas mais fracas.
O que isso significa na prática?
Pessoas com habilidades fonológicas mais fracas vão apresentar 
dificuldades para aprender a decodificar e codificar (ler e escrever).
Não é surpreendente, portanto, que um indivíduo disléxico pode parecer 
bem articulado em um nível verbal (aprendido de forma subconsciente), 
porém pode não conseguir traduzir essa habilidade em forma de leitura ou 
escrita (aprendida de forma consciente).
Ou seja, o aluno leva muito mais tempo para fazer conexões entre sons 
e símbolos e essas conexões são facilmente esquecidas, ou é necessário 
fazer muito esforço para lembrá-las. Ao direcionar grande esforço à 
mecânica do processo (decodificação e codificação) a compreensão se 
perde na leitura e a expressão se perde na escrita.
Além disso, o indivíduo não percebe as semelhanças entre palavras ou a 
regularidade da língua, já que cada símbolo tem que ser decodificado como 
uma entidade única.
Como as palavras são “armazenadas”
Além das dificuldades de processamento, indivíduos disléxicos têm um 
“sistema diferente de arquivamento” para palavras em comparação com 
aqueles sem dislexia.
31
Ensino em Quadros de Dislexia
Uma pessoa não disléxica arquiva as palavras usando um sistema baseado 
em sons (fonológico) que reconhece as semelhanças dos sons em palavras.
Um indivíduo disléxico arquiva as palavras como coisas inteiras relacionadas 
ao seu significado ou à sua imagem.
Exemplo
Um indivíduo não disléxico pode ler ou soletrar a palavra “cão”, ele pode 
usar a analogia dos sons dessa palavra para ler ou soletrar as palavras 
“pão”, “chão”, etc. Essas conexões fonológicas podem ser aplicadas para 
ajudar a acelerar o aprendizado da leitura e da ortografia.
Um indivíduo que usa um “sistema de arquivamento” diferente, que envolve 
significados e/ou imagens, vê pouca semelhança entre essas palavras. Por 
exemplo, “pão” é algo que você come e pode usar para fazer torrada para 
o café da manhã, enquanto “cão” é um animal que late.
Como é possível fazer uma conexão entre a ortografia dessas duas palavras 
utilizando apenas as suas imagens e significados? Não é uma tarefa fácil, 
devemos achar subsídios para entendermos melhor esse assunto.
Dica para os professores, 
pais ou terapeutas
Para um indivíduo que tem dislexia, aprender a ler e escrever requer muito 
esforço, um esforço bem maior que os demais, pois cada nova palavra é 
vista como um novo item a ser aprendido, que não aparenta ter relação com 
32
Ensino em Quadros de Dislexia
outras palavras já aprendidas. Tal situação resulta em rápida exaustão e 
desânimo do aluno, já que aprender toda e qualquer palavra individualmente 
é uma tarefa praticamente impossível. Muitas vezes sua autoestima está 
abalada e tem frases prontas de desvalia, cabendo ao professor, pais 
ou terapeutas seu devido acolhimento e reforços adequados para seu 
desenvolvimento social, pedagógico e mental.
Dica de intervenção
Recomenda-se uma alfabetização estruturada, que foque em habilidades 
específicas que o aluno precisa adquirir e/ou fortalecer. Crianças com 
dislexia se beneficiam do ensino explícito, lúdico, concreto, direto, 
individualizado, multissensorial, sequencial e preventivo. Assim podemos 
inferir com maior assertividade sobre quais estímulos funcionam melhor em 
nossas propostas de intervenção.
Vamos entender a compreensão 
e expressão do disléxico
Para ler e escrever um indivíduo disléxico tem que se esforçar muito para 
decodificar e codificar sons e palavras. Ele precisa focar em traduzir 
palavras escritas para palavras faladas (ou vice-versa), em vez de focar no 
curso ou significado do texto. 
Tal situação pode, por sua vez, criar mais dificuldades, por exemplo:
 • Na leitura:
Grande parte da compreensão é perdida, tornando a tarefa sem sentido 
já que não há nenhuma recompensa intrínseca, ou seja, descobrir algo, 
divertir-se com uma história, etc.
 • Na escrita:
Grande parte da expressão do texto poderá ser perdida. Isso pode 
levar outra pessoa a ter dificuldade em entender o texto ou a uma má 
interpretação do que foi escrito.
33
Ensino em Quadros de Dislexia
 • Sutileza:
Grande parte da sutileza da linguagem também poderá ser perdida, como 
humor, tom e entonação.
 • Linguagem:
A linguagem pode ser compreendida apenas em seu nível literal.
 • Concentração:
Ruído de fundo pode causar perda de concentração se distrair o cérebro 
das atividades de codificação e decodificação.
Ouvidos, audição e fonologia
Vale a pena notar a importância de investigar outras possíveis causas 
que podem fazer com que um indivíduo tenha dificuldade em ouvir e 
diferenciar sons.
Quando possível, a audição deve ser avaliada antes de determinar um 
motivo para dificuldade de leitura, consultar um fonoaudiólogo e fazer 
exames complementares para descartar algum problema auditivo.
Evidentemente, se um indivíduo não consegue ouvir adequadamente por 
causa de uma deficiência auditiva, é provável que ele terá problemasem 
discriminar sons de forma suficientemente precisa para desenvolver boas 
ligações entre sons/símbolos.
Importante, muita atenção!
É, portanto, provável que um indivíduo disléxico leve mais tempo 
para aprender a ler e a soletrar. Entender o contexto e prever o 
que vai acontecer na história pode ser uma ferramenta útil para 
leitores disléxicos.
34
Ensino em Quadros de Dislexia
Atividade reflexiva
Pense em uma ocasião em que você ouviu mal ou entendeu errado alguma 
coisa que foi dita para você.
 • Como foi o resultado desse mal-entendido?
 • Como ele faz você se sentir?
Dificuldades de memória
Dificuldades de memória também são uma característica comum da dislexia. 
Em termos simples, a nossa memória é feita de várias partes:
 • Memória de trabalho (ou operacional).
 • Memória de longo-prazo.
 • Memória de curto prazo.
O que é a memória de curto prazo?
A memória de curto prazo tem uma capacidade limitada. Alguns estudos 
parecem identificar que, a capacidade de memória de curto prazo de 
indivíduos disléxicos é menor que de indivíduos não disléxicos. Um 
indivíduo disléxico pode ter dificuldades em lembrar mais que “3 pedaços 
de informação”, enquanto uma pessoa não disléxica pode lembrar em 
média entre “5-9 pedaços de informação” (ver Figura ilustrando a situação 
operacional da memória).
Por isso, a importância de comandos mais claros e enxutos para quem tem 
dificuldades na memória, principalmente para o disléxico.
DISLÉXICO
INFORMAÇÃO
NÃO-DISLÉXICO
INFORMAÇÃO
35
Ensino em Quadros de Dislexia
O que é a memória de trabalho?
O trabalho de Baddeley e Hitch (1974) identifica um modelo de memória um 
pouco diferente, denominado por eles de memória de trabalho.
Eles sugerem que a memória de trabalho é um tipo de memória de curto 
prazo. Porém, em vez de todo o input de informação ir ao mesmo local, a 
informação de diferentes inputs sensoriais (visão, audição, etc.) é dividida 
em áreas diferentes da memória de curto prazo de acordo com o seu tipo.
Baddeley e Hitch (1974) dizem que a memória de trabalho inclui 3 
componentes:
 • Executivo central:
Controla o funcionamento geral da memória de trabalho. Esta é a parte que 
filtra, prioriza e categoriza a informação recebida dos inputs sensoriais.
 • Área de armazenamento visuoespacial (olho interno):
Sistema que processa e armazena imagens mentais. 
 • Alça fonológica:
É a parte da memória de trabalho que lida com o material falado. Ela tem 
duas partes: 
 • Sistema de controle articulatório (voz interna).
 • Armazenamento fonológico (ouvido interno).
A Figura a seguir fornece uma representação visual de como esses 
componentes estão relacionados para nos situarmos melhor nessa 
explicação:
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Ensino em Quadros de Dislexia
Se o executivo central não está funcionando de forma eficaz, isso pode 
significar que o indivíduo tem dificuldades com todos ou alguns dos itens 
a seguir:
 • Filtrar informação que não é necessária;
 • Descobrir o que precisa ser feito primeiro;
 • Dar ordem de importância à uma série de ilustrações (priorizar).
Como consequência, o indivíduo pode armazenar informações em um 
local inadequado em sua memória, onde não é possível acessá-las com 
facilidade. 
Outra possibilidade é que a memória específica pode ser categorizada de 
uma forma diferente ao habitual, por exemplo, pela imagem, contexto, local, 
etc. Isso significa que a memória então só poderá ser recuperada quando 
o indivíduo estiver no mesmo local / ver mesma imagem / vivenciar um 
contexto similar.
Isso pode explicar por que, às vezes, indivíduos que aprenderam algo 
em determinado contexto não conseguem transferir esse aprendizado 
para outro contexto. Basicamente, a memória foi associada ao contexto 
específico e só se torna acessível em determinadas circunstâncias.
Um exemplo típico disso é o aluno que aprendeu a ortografia correta das 
palavras para um teste de ortografia, mas não consegue depois transferir 
essa ortografia para outro trabalho escrito.
Executivo Central
Interface
Episódica
Esboço
Visuoespacial
Alça
Fonológica
Armazenamento
Fonológico
Sistema de Controle
Articulatório
Memória de Longo-Prazo
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Ensino em Quadros de Dislexia
Problemas práticos com a 
memória de trabalho
Em indivíduos com dislexia, as dificuldades de memória não estão apenas 
limitadas à alfabetização, mas também aparecem em outras áreas da 
vida, como:
 • Atividades de sequenciamento;
 • Lembrar de compromissos e do que precisa ser feito;
 • Lembrar e organizar pertences pessoais;
 • Lembrar o que foi pedido.
Na prática, ser uma pessoa esquecida na escola, em casa ou no trabalho 
pode levar a muita frustração para o indivíduo e para aqueles ao seu redor.
Em alguns casos, as consequências de se esquecer podem ser severas, 
levando a castigos e punições. É importante lembrar que o indivíduo não se 
esquece de propósito. Muitas vezes, a realidade é que a informação nunca 
foi processada. Ela nunca chegou a fazer parte da memória de curto prazo, 
porque a capacidade máxima da memória de curto prazo tinha sido atingida, 
então é como se a informação nunca tivesse existido ou chegado.
Por sua vez, isso pode levar a possíveis disputas e discussões que 
normalmente começam com “Eu lhe disse para fazer...” seguido de uma 
resposta do tipo “Você nunca me disse para...”, “Tenho certeza que a 
professora não deu esse assunto...” e por aí existem tantas frases para 
defesa daquele esquecimento. Há um potencial infinito para essa situação 
se deteriorar e se tornar um círculo vicioso de acusações e negações.
Mesmo quando a informação foi armazenada na memória ela pode não 
estar acessível e fácil de ser recuperada. O resultado é que um indivíduo 
disléxico pode precisar de ajuda para desenvolver apoios concretos para 
criar um sistema de backup para compensar sua memória mais fraca.
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Ensino em Quadros de Dislexia
Treinos de automaticidade
Pense em todas as habilidades importantes que precisamos utilizar para 
aprender em um ambiente formal, por exemplo:
 • Ler;
 • Compreender;
 • Ouvir a professora;
 • Tomar nota, etc.
Todas elas requerem um grande número de habilidades de processamento 
que precisam ocorrer simultaneamente.
No caso de um indivíduo disléxico, essas habilidades não funcionam de forma 
automática, por isso exigem muita concentração, o que pode levar a uma 
sobrecarga e a memória de trabalho deve ser muito treinada por todos nós 
inevitavelmente, em razão de tantas informações que recebemos a todo instante.
Isso é frequentemente visto, por exemplo, quando um aluno precisa 
produzir um texto criativo. Enquanto a parte criativa do trabalho pode ser 
extremamente boa, frequentemente isso pode vir às custas de outros 
aspectos, como ortografia, legibilidade, pontuação, etc. O oposto também 
pode acontecer – se um aluno está focado na estrutura do texto e na 
ortografia das palavras, o conteúdo escrito pode faltar criatividade.
Atenção
A memória é algo necessário na vida cotidiana. Devido a isso, 
fraquezas na memória de curto prazo e/ou na memória de 
trabalho impactam todas as tarefas do dia a dia, e não somente 
o aprendizado do indivíduo.
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Ensino em Quadros de Dislexia
A prática pode levar à perfeição, 
sem causar exaustão?
Como consequência dessas dificuldades, o indivíduo disléxico frequentemente 
precisa de muito mais prática em atividades relacionadas à leitura para que 
elas se tornem automáticas. Até em tarefas mais básicas, como estabelecer 
relações entre sons e letras, alunos disléxicos podem precisar de muito mais 
prática e repetição do que alunos não disléxicos. Sabendo que a repetição 
gera exaustão e por isso deve ser avaliado de caso em caso.
A abordagem chave aqui é ensinar em pequenos passos, um ensinamento 
após o outro, assegurando-se que cada passo seja cuidadosamente 
aprendido, praticado, sedimentado e facilmente recuperado antes de 
adicionar a próxima peça a ser aprendida. Quando um novo material é 
apresentado, ele deve ser vinculado ao conhecimento já adquiridopara 
que o “sistema de arquivamento” do indivíduo possa trabalhar de forma 
eficiente, em feedbacks necessários de avaliações para que se gerencie 
novas etapas.
É comum que pessoas que dão apoio a indivíduos disléxicos se desanimem, 
pois, o progresso pode parecer muito lento. Como resultado, elas podem 
sentir que o apoio que estão dando não é eficaz, mas todos aqui precisam 
de acolhimento, muita perseverança e conhecimento nunca é demais.
Mesmo com tarefas não relacionadas à leitura, um indivíduo pode levar 
mais tempo para se tornar proficiente, especialmente se a tarefa requer a 
realização de muitas atividades em sequência, ou seja, coisas que precisam 
ser feitas em determinada ordem. Mais uma vez, o caminho é a prática, 
repetição assistida e estudada.
Isso explica por que muitos programas que buscam dar apoio a pessoas 
com dislexia são chamados de “estruturados e cumulativos”.
Atividade reflexiva
Pense em três atividades que requerem automaticidade (como dirigir um 
carro, etc.).
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Ensino em Quadros de Dislexia
Qual seria o efeito se uma pessoa não conseguisse chegar à automaticidade 
naquela área ou levasse muito tempo para isso?
Velocidade de processamento
O termo “velocidade lenta de processamento” pode dar a falsa impressão de 
que o cérebro de um indivíduo disléxico trabalha em um ritmo mais lento do 
que o cérebro de um indivíduo não disléxico. Isso pode trazer uma série de 
conotações negativas e por isso as desvalias entre os disléxicos são tão comuns.
O que esse termo realmente significa é que o cérebro disléxico leva mais 
tempo para armazenar e recuperar informações porque ele não segue uma 
rota de processamento direta ou linear.  
Isso pode ser comparado a tomar a rota mais bonita para chegar a um 
destino, por exemplo, indo por uma estrada de terra em vez da autoestrada. 
A autoestrada é a rota mais direta, e leva o viajante de A para B em menos 
tempo. Isso é semelhante à forma como trabalha o cérebro não disléxico: 
ele usará a rota mais rápida para recuperar a informação necessária, mas 
cheia de altos e baixos.
A rota mais bonita pode dar mais voltas, e o viajante poderá encontrar 
muitas coisas novas e inesperadas no caminho, então ela inevitavelmente 
levará mais tempo. Isso é semelhante a como um cérebro disléxico recupera 
informações, já que, em razão das diferenças de como a sua memória de 
trabalho funciona, ela poderá ter sido arquivada via uma rota menos óbvia.
Em situações da vida real, isso pode significar que, quando indivíduos 
disléxicos têm de responder a uma pergunta, eles podem levar mais tempo 
para encontrar a informação e responder, apesar de saberem a resposta. 
Enquanto isso, quem fez a pergunta pode assumir, incorretamente, que o 
indivíduo não sabe a resposta ou que ele não está prestando atenção.
Em exames ou testes, em que normalmente há um tempo limitado, isso 
pode ser um problema. É por isso que alguns indivíduos disléxicos devem 
receber tempo extra em avaliações, tarefas e trabalhos. Não só para que 
possam checar as suas respostas ao fim da prova, mas para que tenham o 
tempo necessário para processar e recuperar informações perdidas neste 
percurso.
41
Ensino em Quadros de Dislexia
Dentro de um ambiente de aprendizagem, esse ritmo mais lento 
de processamento pode significar que o professor já avançou para 
o próximo assunto antes que o aluno disléxico tenha processado 
o primeiro assunto, por isso é preciso ter cuidado e entender as 
dificuldades de cada um.
Nessa situação, o aluno acaba assimilando pedaços de informações, 
o que pode levar a ainda mais confusão e aumentar as dificuldades já 
presentes em sua memória de trabalho.
Resumindo, todas as diferenças vividas por um indivíduo disléxico podem, 
na prática, levá-lo a trabalhar muito mais do que seus colegas não 
disléxicos. Isso pode levar à fadiga, ao estresse e à falta de confiança.
Isso acontece especialmente em um ambiente que não acomoda seus 
sistemas diferentes de processamento. Prioriza a memória e o pensamento 
linear, e só avalia a aprendizagem por meio das atividades de leitura e 
escrita.
Gerando alguns problemas com algumas das áreas identificadas descritas 
anteriormente e até problemas pessoais, como falta de autoconfiança e 
autoestima. Indivíduos disléxicos frequentemente acabam focando nas 
coisas que eles sentem que não fazem tão bem quanto os outros. Por causa 
disso, eles acham difícil identificar os seus talentos e aptidões.
Consequentemente, podem sentir que não são muito bons em nada. Em 
razão de experiências passadas, também podem sentir bastante raiva e 
frustração direcionadas àqueles que parecem adquirir facilmente aquelas 
habilidades que consideram tão difíceis.
Haverá momentos em que um indivíduo poderá se sentir muito ansioso, 
especialmente quando se encontra em uma situação nova ou desconhecida 
em que sente as suas fraquezas expostas a estranhos, sentindo-se 
ridicularizados ou a erros constantes.
Quando a dislexia pode ser identificada?
É improvável que um diagnóstico de dislexia seja dado a uma criança com 
menos de sete anos. Apesar de existirem muitas crianças disléxicas que 
apresentam sinais claros de dificuldades antes dessa idade – são os sinais 
42
Ensino em Quadros de Dislexia
de alerta para dislexia. Há muitas diferenças no seu desenvolvimento e 
falta de evidências fortes para que seja fechado um diagnóstico formal e 
confiável antes dessa idade.
Isso não significa, porém, que uma criança com menos de sete ano não 
se beneficiaria de uma avaliação para identificar o seu perfil individual de 
aptidões e dificuldades. Ao fazer isso, um programa de intervenção e apoio 
pode ser implementado o quanto antes, a fim de evitar que a criança fique 
atrás dos seus colegas durante os primeiros anos da alfabetização (agindo 
na prevenção, ainda é o melhor remédio).
Evidência para a implementação 
de apoio precoce
Evidências a favor de intervenção a indivíduos disléxicos apontam que o 
quanto antes o apoio é implementado, mais eficaz ele provavelmente será. A 
importância da identificação, avaliação e intervenção precoce para qualquer 
criança que pode ter necessidades educacionais especiais precisa ser 
enfatizada. O quanto antes ações forem tomadas, melhor será a resposta 
da criança e mais facilmente a intervenção será feita sem causar tanta 
interrupção na escola. A avaliação não deve ser vista como um evento 
único, mas um processo contínuo.
Os princípios da identificação
O objetivo principal de qualquer processo de identificação é direcionar o 
processo de acompanhamento terapêutico e pedagógico para que esse 
possa ser o mais eficaz possível, baseado no perfil único do indivíduo e 
considerando as suas aptidões e dificuldades. O processo de identificação 
é somente o meio de chegar ao resultado e, portanto, nunca deve ser visto 
como o final em si. Em vez disso, deve ser usado como o início de uma 
intervenção personalizada e individualizada.
A maioria dos métodos de identificação busca encontrar um padrão de 
dificuldades consistente com aqueles associados à dislexia. Estes métodos 
podem incluir testes ou tarefas associadas a questões, como:
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Ensino em Quadros de Dislexia
 • Dificuldades de leitura;
 • Dificuldades de memória;
 • Dificuldades de processo fonológico, etc.
Existem no mercado variados testes que podem rastrear essas dificuldades, 
vejam quais podem ser usados, os permitidos para cada área de atuação 
de cada terapeuta na sua especificidade de direito – psicólogos, 
psicopedagogos, fonoaudiólogos.
O propósito desses testes é construir um perfil do padrão de desempenho 
do indivíduo baseado em uma série de tarefas. Uma vez desenvolvido, esse 
perfil é então examinado e interpretado e assim feito um programa para 
o desenvolvimento das habilidades que não tiveram bom desempenho (as 
dificuldades que serão trabalhadas).
Utilizando perfis de desempenho 
na identificação da dislexia
Na maioria dos casos, um indivíduo não disléxico apresenta um perfil de 
desempenho relativamenteconsistente ao longo de uma série de tarefas.
No caso de um indivíduo disléxico, espera-se um perfil inconsistente. Em 
outras palavras, a expectativa é que, em tarefas relacionadas à leitura, ao 
processamento fonológico, à memória, entre outras, um indivíduo disléxico 
apresentaria um desempenho significativamente pior do que o esperado, 
quando comparado a indivíduos não disléxicos da mesma idade, que 
foram expostos a oportunidades de aprendizado semelhantes. Trata-se 
de um perfil inconsistente de desempenho que é inesperado quando se 
considera a inteligência geral do indivíduo e o seu desempenho em outras 
atividades.
Qualquer processo de avaliação pode ser estressante para os indivíduos 
envolvidos, já que várias das tarefas que eles terão que completar serão 
muito desafiadoras caso eles realmente sejam disléxicos.
Há, é claro, diferentes graus de dislexia, normalmente descritas como 
leve, moderada e severa. O grau da dislexia é normalmente categorizado 
44
Ensino em Quadros de Dislexia
baseado na severidade das dificuldades sentidas pelo indivíduo em cada 
uma das áreas testadas comparadas com o seu nível de habilidade inata.
Programas de identificação
Há vários modelos que podem ser utilizados para ajudar a identificar a 
dislexia, cada um tem suas vantagens e desvantagens, por isso o estudo se 
faz necessário, pensando nisso temos dedicamos esse estudo específico 
aqui para dislexia.
Como mencionando anteriormente, o objetivo da identificação da dislexia 
é o direcionamento do processo de acompanhamento terapêutico e 
pedagógico (equipe multidisciplinar). O foco deve sempre ser os próximos 
passos para ajudar o indivíduo a aprender e avançar, e evitarmos 
julgamentos. A composição dessa equipe pode variar dependendo dos 
sintomas apresentados e do centro onde a avaliação acontece.
Checklist para Transtorno de 
Aprendizagem com prejuízo na leitura 
(dislexia) (Cruz-Rodrigues et al., 2014)
Critérios de diagnósticos para dislexia
a) Persistência das dificuldades de aprendizagem, apesar da provisão de 
intervenções-alvo nas habilidades em déficit (pelo menos 6 meses);
b) Mensuração das habilidades acadêmicas substancialmente abaixo do 
esperado para a idade cronológica e prejuízos decorrentes do déficit 
acadêmico;
c) Início dos sintomas nos primeiros anos escolares, que podem se tornar 
manifestos conforme o aumento das demandas de aprendizagem 
excede as capacidades limitadas;
d) Exclusão de outras desordens, como deficiência intelectual (DI).
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Ensino em Quadros de Dislexia
e) Desenvolver uma lista de perguntas para poder identificar um padrão 
de comportamentos ou dificuldades com base nas respostas fornecidas. 
Enquanto os checklists podem ser um tanto quanto subjetivos, eles 
fornecem um primeiro passo importante para a identificação da dislexia 
(contendo principalmente testes de leitura no nível acadêmico para a 
idade de cada indivíduo).
f) Anamnese psicopedagógica minuciosa com toda a vida tanto do 
indivíduo em si que iremos investigar, como também a familiar, tendo 
um olhar investigativo no percurso acadêmico familiar (família toda 
envolvida nesse rastreamento).
g) Não podemos esquecer de traçar um perfil de aptidões, pois a maioria 
das triagens ou testes, só se preocupam com as dificuldades e entreves, 
mas precisamos das aptidões para traçarmos um plano de trabalho 
prazeroso. Sendo que algumas dessas atividades avaliativas serão mais 
relacionadas às dificuldades esperadas, enquanto outras não serão 
relacionadas às dificuldades esperadas e agirão como “controle”.
h) Como um todo nessa fase de entrevistas, testes e exames, o ambiente 
escolar, deverá ser incluído nesse rastreio. Incluir o professor é um dos 
pontos fundamentais nessa programação, entender que o acolhimento 
assertivo só favorecerá essas listagens para serem fidedignas 
nesse tipo de avaliação. Consideramos que as atividades praticadas 
e as dificuldades serão identificadas. A partir disso, são feitas 
recomendações de ajuda e adaptações.
i) Uma avaliação levará no mínimo 2 horas (em cada encontro), 
dependendo do grau de severidade, pois esse rastreamento deverá ser 
feito cuidadosamente para que essa avaliação seja multidisciplinar. Onde 
devem ser marcadas sessões neuropsicológicas, fonoaudiológicas, 
psicopedagógicas oftalmológicas e onde serão solicitados exames 
Distinguir os quadros de dislexia do desenvolvimento das demais 
dificuldades de aprendizagem é fundamental durante o processo de 
avaliação diagnóstica e para a condução de tratamentos adequados, 
uma vez que os fatores etiológicos desses quadros são distintos.
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Ensino em Quadros de Dislexia
complementares para conter nesse conjunto avaliativo do indivíduo (vai 
depender da solicitação necessária em cada área aqui citada). Nestas 
sessões, aplicam-se protocolos de avaliações com testes específicos a 
cada área e idade do indivíduo avaliado. Após a fase de coleta de dados, 
inicia-se um período de estudos, quando cada profissional avalia os 
dados obtidos em sua área de atuação e assim a equipe multidisciplinar 
fará o relatório escrito com todas essas recomendações.
Importante!
A vantagem dos checklists é que eles podem ser usados como 
um passo informal e de baixo custo para a identificação da 
dislexia. Eles dependem, porém, de respostas honestas do 
indivíduo e da habilidade do indivíduo que está administrando o 
checklist para interpretar as respostas de forma precisa e justa.
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Ensino em Quadros de Dislexia
Uma avaliação com qualidade é o ponto de partida para garantir que 
a pessoa com dislexia tenha acesso aos acompanhamentos, ajudas e 
suportes adequados. Ela possibilita que o indivíduo e sua família tenham 
um entendimento mais preciso sobre a natureza de suas dificuldades e 
habilidades, podendo assim, buscar soluções apropriadas e inclusivas.
Em módulos anteriores, explicamos o que é a dislexia e apresentamos 
algumas das teorias associadas a ela. Além disso, vimos as diferentes 
formas de identificar a dislexia.
O aspecto mais importante da dislexia é o indivíduo disléxico, cada ser 
único e sendo extremamente acolhido por todos. Às vezes, há o perigo 
de estarmos tão envolvidos no diagnóstico ou no programa de apoio que 
queremos implementar mais atividades repetitivas no contexto acadêmico 
que podemos nos esquecer do indivíduo e de suas necessidades – um olhar 
nas habilidades é de extrema importância.
Qualquer método de identificação, deve colocar o indivíduo no centro do 
processo e toda a comunidade do indivíduo estar envolvida. Para isso, 
precisamos ter uma boa compreensão de como é ser disléxico.
Dificuldades comuns no 
ambiente escolar
Como já temos estudado até aqui e não é uma surpresa que a dislexia pode 
ter um impacto significativo na vida de um indivíduo, desde muito cedo.
As dificuldades mais comuns são nas habilidades de leitura e 
escrita. Geralmente, precisa-se de muito mais persistência e esforço para 
aprender a ler e escrever. Mesmo após essas habilidades terem sido 
adquiridas, ainda podem persistir problemas relacionados a:
 • Velocidade;
 • Compreensão textual (entendimento do que foi lido);
 • Fluência na leitura;
 • Ortografia;
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Ensino em Quadros de Dislexia
 • Expressão escrita.
Como consequência das dificuldades dos sistemas de memória, podem 
existir problemas relacionados a:
 • Habilidades organizacionais;
 • Completar tarefas complexas;
 • Priorizar informações ou tarefas;
 • Lembrar de mensagens ou lista de instruções, etc.
Números também podem criar problemas para indivíduos disléxicos; não tanto 
com os conceitos, mas com os processos e procedimentos associados a eles.
Dificuldades comuns podem incluir:
 • Fazer cálculos (especialmente cálculos complexos que envolvam uma 
sequência de passos);
 • Reconhecer símbolos e os seus conceitos;
 • Desenhar formas e/ou gráficos;
 • Lembrar das tabelas de multiplicação, etc.
Possíveis problemas em 
interações sociais
Para alguns, as dificuldades relacionadas à dislexia também podem

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