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Questões resolvidas

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Projeto Enamed 
CURSO DE PROJETO ENAMED NOTA FINAL
Aluno:
Componente Curricular: Projeto Enamed
Professor (es):
Período: 202602 Turma: Data:
Simulado Enamed
RELATÓRIO DE DEVOLUTIVA DE PROVA
PROVA 00011 - CADERNO 001
1ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 38 anos, sem comorbidades, será submetido a herniorrafia inguinal eletiva
sob anestesia geral, programada para as 10h. Na consulta pré-anestésica, refere bom
estado geral e nega refluxo gastroesofágico, gastroparesia, diabetes mellitus, obesidade,
uso de opioides ou episódios recentes de vômitos. O paciente relata que costuma ingerir
torrada e chá sem leite ao acordar e pergunta até que horário poderia consumir cada
item sem comprometer o procedimento.
Considerando as recomendações de jejum pré-anestésico para adulto saudável em
cirurgia eletiva, a orientação mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
concluir a ingestão da torrada até as 4h e do chá sem leite até as 8h.
(alternativa B)
concluir a ingestão da torrada até as 6h e do chá sem leite até as 8h.
(alternativa C)
concluir a ingestão da torrada até as 4h e do chá sem leite até as 6h.
(alternativa D)
concluir a ingestão da torrada até as 2h e do chá sem leite até as 4h.
Página 1 de 112
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Concluir a ingestão da torrada até as 4h e do chá sem leite até
as 8h.
Paciente adulto saudável, sem fatores de risco para aspiração pulmonar, submetido a
herniorrafia inguinal eletiva sob anestesia geral programada para as 10h.
De acordo com as recomendações atuais de jejum pré-anestésico (Sociedade Brasileira
de Anestesiologia – SBA e American Society of Anesthesiologists – ASA):
Refeição leve (ex.: torrada simples + chá sem leite): até 6 horas antes da
anestesia.
Líquidos claros (água, chá sem leite, suco sem polpa): até 2 horas antes da
anestesia.
Essas recomendações reduzem o desconforto pré-operatório (sede, ansiedade) sem
aumentar o risco de aspiração pulmonar em pacientes de baixo risco.
Análise das alternativas incorretas
concluir a ingestão da torrada até as 6h e do chá sem leite até as 8h. Incorreta.
Torrada até 6h é um intervalo insuficiente para refeição leve (6h é o mínimo
recomendado).
concluir a ingestão da torrada até as 4h e do chá sem leite até as 6h. Incorreta.
Chá sem leite até 6h é um intervalo excessivo (2h é o seguro).
concluir a ingestão da torrada até as 2h e do chá sem leite até as 4h. Incorreta.
Torrada até 2h e chá sem leite até 4h são intervalos inadequados para paciente de baixo
risco.
Referências principais:
Nacional: Diretriz da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) – Jejum Pré-
Anestésico (atualização 2022/2023).
Internacional: American Society of Anesthesiologists (ASA) Practice Guidelines
for Preoperative Fasting and the Use of Pharmacologic Agents to Reduce the
Risk of Pulmonary Aspiration (2017, com atualizações).
2ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 48 anos, submetida a bypass gástrico em Y de Roux há cinco anos, procura
ambulatório de cirurgia bariátrica por reganho de 16 kg nos últimos 18 meses. Relata
aumento progressivo da capacidade alimentar, dor epigástrica pós-prandial e episódios
de refluxo. Nega disfagia, vômitos persistentes e alteração do hábito intestinal. A
endoscopia digestiva alta mostra bolsa gástrica de dimensões preservadas, anastomose
gastrojejunal pérvia e ausência de ulceração. O estudo contrastado evidencia
opacificação precoce de estrutura gástrica adicional, adjacente à bolsa, antes da
progressão do contraste para a alça alimentar.
O diagnóstico mais provável é
Alternativas:
(alternativa A)
dilatação da anastomose gastrojejunal.
(alternativa B)
dilatação da bolsa gástrica.
(alternativa C) (CORRETA) 
fístula gastro-gástrica tardia.
(alternativa D)
hérnia interna intermitente.
Página 2 de 112
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Fístula gastro-gástrica tardia.
Comentário técnico
Paciente com reganho ponderal significativo após bypass gástrico em Y de Roux, dor
epigástrica pós-prandial e refluxo. Endoscopia mostra bolsa preservada e anastomose
pérvia. O estudo contrastado evidencia opacificação precoce de estrutura gástrica
adicional adjacente à bolsa, antes da progressão do contraste para a alça alimentar.
Esse achado é típico de fístula gastro-gástrica tardia (comunicação entre a bolsa gástrica
e o estômago remanescente excluído). A fístula permite o trânsito de alimentos para o
estômago excluído, favorecendo o reganho ponderal e sintomas de refluxo.
Análise das alternativas incorretas
dilatação da anastomose gastrojejunal. Incorreta. Dilatação da anastomose
gastrojejunal geralmente cursa com regurgitação e vômitos, sem opacificação
precoce de estrutura gástrica adicional.
dilatação da bolsa gástrica. Incorreta. Dilatação da bolsa gástrica não explica
a opacificação precoce de estrutura gástrica adjacente à bolsa.
hérnia interna intermitente. Incorreta. Hérnia interna intermitente causa
obstrução ou dor intermitente, mas não opacificação precoce de estrutura
gástrica.
3ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 42 anos, em acompanhamento por transtorno de ansiedade generalizada e
episódio depressivo recorrente, é levada ao Pronto Atendimento pelo companheiro por
sonolência intensa há cerca de 2 horas. Ele relata que a paciente utiliza sertralina,
quetiapina em baixa dose para insônia e clonazepam regularmente, mas encontrou a
cartela de clonazepam com vários comprimidos faltando. Nega relato de queda,
convulsões, vômitos ou uso de álcool. Ao exame, a paciente está sonolenta, desperta ao
chamado, responde de forma lenta e volta a dormir. Apresenta pressão arterial de 108 ×
68 mmHg, frequência cardíaca de 64 bpm, frequência respiratória de 12 irpm, saturação
de O₂ de 96% em ar ambiente, temperatura de 36,4 ºC e glicemia capilar de 94 mg/dL.
Pupilas isocóricas e fotorreagentes. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Não há
rigidez, clônus, hipertermia ou sinais de trauma.
Considerando a hipótese clínica mais provável, a conduta inicial mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
manter observação monitorada e reavaliar ventilação de forma seriada.
(alternativa B)
administrar flumazenil intravenoso e observar resposta clínica.
(alternativa C)
suspender temporariamente os psicofármacos e observar evolução da sonolência.
(alternativa D)
prescrever carvão ativado e manter observação até melhora da sonolência.
Página 3 de 112
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Manter observação monitorada e reavaliar ventilação de forma
seriada.
Comentário técnico
Paciente com provável intoxicação aguda por benzodiazepínico (clonazepam) em uso
crônico, apresentando sonolência intensa, mas sem depressão respiratória grave (FR 12
irpm, SatO₂ 96%), hemodinamicamente estável e sem sinais de intoxicação por outros
agentes (glicemia normal, sem rigidez, clônus ou hipertermia).
A conduta inicial deve priorizar o suporte clínico:
Monitorização contínua de sinais vitais e nível de consciência.
Reavaliação seriada da ventilação e proteção de vias aéreas, se necessário.
Suporte sintomático e observação em ambiente adequado (pronto atendimento
ou unidade de observação).
O flumazenil (antídoto específico) é reservado para casos graves com depressão
respiratória significativa, pois pode precipitar convulsões em pacientes com uso crônico
de benzodiazepínicos ou história de epilepsia.
Análise das alternativas incorretas
administrar flumazenil intravenoso e observar resposta clínica.
Incorreta. O flumazenil não é indicado de rotina e pode causar convulsões
graves em pacientes dependentes de benzodiazepínicos.
suspender temporariamente os psicofármacos e observar evolução da
sonolência. Incorreta. Suspender os psicofármacos é parte do manejo, mas não
substitui a observação monitorada em ambiente de urgência.
prescrever carvão ativado e manter observação até melhora da
sonolência. Incorreta. O carvão ativado tem benefício limitado em intoxicação
por benzodiazepínicos (absorção rápida) e não é prioritário neste momento.
4ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 44 anos, com transtornomês. Incorreta. Queda de uma diluição em 4 semanas é resposta
sorológica inicial aceitável; não indica falha terapêutica.
adiar a próxima coleta do VDRL até o parto, devido à redução inicial do
título. Incorreta. Adiar a próxima coleta até o parto é inadequado; o seguimento
mensal é essencial para monitorar a resposta terapêutica.
investigar neurossífilis pela persistência de VDRL em título elevado.
Incorreta. Persistência de VDRL em título elevado não indica necessariamente
neurossífilis; a investigação é indicada em casos específicos.
29ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 68 anos encontra-se no sexto dia pós-operatório de sigmoidectomia aberta por
adenocarcinoma de cólon. Desde o procedimento, não eliminou flatos nem fezes e
apresentou piora progressiva da distensão abdominal, náuseas e episódios de vômitos
biliosos. Ao exame, encontra-se desidratada, com frequência cardíaca de 102 bpm e
pressão arterial de 106 × 68 mmHg. O abdome está difusamente distendido e timpânico,
com ruídos hidroaéreos reduzidos e dor leve à palpação, sem defesa ou descompressão
brusca dolorosa. A tomografia mostra dilatação difusa de alças do intestino delgado e do
cólon, sem ponto de transição, pneumoperitônio ou coleção intra-abdominal.
O diagnóstico mais provável é
Página 30 de 112
Alternativas:
(alternativa A)
obstrução intestinal mecânica precoce.
(alternativa B)
deiscência da anastomose colorretal.
(alternativa C)
obstrução colônica por edema da anastomose.
(alternativa D) (CORRETA) 
íleo paralítico pós-operatório prolongado.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Íleo paralítico pós-operatório prolongado.
Comentário técnico
Paciente no 6º dia pós-sigmoidectomia aberta por adenocarcinoma de cólon,
apresentando distensão abdominal progressiva, ausência de flatos e fezes, náuseas,
vômitos biliosos, desidratação e taquicardia. Tomografia mostra dilatação difusa de alças
do intestino delgado e do cólon, sem ponto de transição ou segmento intestinal distal
colabado e sem pneumoperitônio ou coleção intra-abdominal.
Esse quadro é compatível com íleo paralítico pós-operatório prolongado (paralytic ileus).
O íleo paralítico é uma complicação comum após cirurgia abdominal, caracterizada por
inibição da motilidade intestinal sem obstrução mecânica. A ausência de ponto de
transição na TC e a ausência de sinais de deiscência ou isquemia reforçam o diagnóstico.
Conduta: Suporte clínico (hidratação, sonda nasogástrica se necessário, correção de
distúrbios hidroeletrolíticos), mobilização precoce e reavaliação.
Análise das alternativas incorretas
obstrução intestinal mecânica precoce. Incorreta. Uma obstrução mecânica pós-
operatória pode produzir distensão, vômitos e obstipação. Contudo, a tomografia
geralmente demonstra uma mudança de calibre, com alças dilatadas proximalmente e
descompressão distal. A ausência de ponto de transição e a dilatação simultânea do
delgado e do cólon favorecem íleo paralítico.
deiscência da anastomose colorretal. Incorreta. É plausível pela temporalidade após
cirurgia colorretal, mas faltam manifestações que a sustentem, como piora sistêmica, dor
progressiva, peritonismo ou sinais tomográficos de extravasamento, gás extraluminal ou
coleção.
A ausência de pneumoperitônio e coleção não exclui absolutamente uma deiscência
inicial, mas, no conjunto do caso, torna essa alternativa claramente inferior ao íleo.
obstrução colônica por edema da anastomose. Incorreta. Se houvesse obstrução na
anastomose, seria esperado:
predomínio de dilatação colônica proximal;
mudança de calibre na região anastomótica;
cólon distal descomprimido;
ponto de transição identificável.
Como o exame mostra dilatação difusa do intestino delgado e do cólon sem ponto de
transição, essa possibilidade é inadequada.
30ª QUESTÃO
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Enunciado:
Homem de 62 anos comparece à UBS solicitando troca da receita dos óculos. Refere que
a visão central está relativamente preservada, mas tem dificuldade progressiva para
perceber obstáculos nas laterais, especialmente ao caminhar em locais pouco iluminados.
Nega dor ocular, olho vermelho, fotofobia ou perda visual súbita. Tem hipertensão arterial
controlada. Durante triagem oftalmológica, apresentou pressão intraocular de 25 mmHg
no olho direito e 26 mmHg no olho esquerdo, com alteração suspeita do disco óptico.
Considerando os achados apresentados, a conduta inicial mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
encaminhar para avaliação oftalmológica por suspeita de glaucoma.
(alternativa B)
solicitar campimetria visual antes de definir o encaminhamento.
(alternativa C)
encaminhar para avaliação eletiva de catarata relacionada à idade.
(alternativa D)
repetir a tonometria em curto prazo antes de definir o encaminhamento.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Encaminhar para avaliação oftalmológica por suspeita de
glaucoma.
Comentário técnico
Homem de 62 anos com queixa de dificuldade progressiva para perceber obstáculos nas
laterais (alteração de campo visual periférico), visão central relativamente preservada,
hipertensão arterial e pressão intraocular elevada (25 e 26 mmHg), com alteração
suspeita do disco óptico.
Esse quadro é altamente sugestivo de glaucoma (principalmente glaucoma de ângulo
aberto primário), principal causa de cegueira irreversível no mundo. A conduta inicial
mais adequada é o encaminhamento para avaliação oftalmológica especializada, com
prioridade, para confirmação diagnóstica (tonometria, campimetria visual, fundoscopia) e
início de tratamento (colírios hipotensores, laser ou cirurgia).
Análise das alternativas incorretas
solicitar campimetria visual antes de definir o encaminhamento.
Incorreta. Campimetria visual é útil, mas deve ser solicitada pela oftalmologia
após avaliação inicial.
encaminhar para avaliação eletiva de catarata relacionada à idade.
Incorreta. Catarata causa redução da visão central (não periférica) e não explica
a pressão intraocular elevada.
repetir a tonometria em curto prazo antes de definir o
encaminhamento. Incorreta. Repetir tonometria pode ser útil, mas a
combinação de achados (pressão elevada, alteração suspeita do disco óptico e
queixa compatível) exige avaliação especializada.
31ª QUESTÃO
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Enunciado:
Homem de 74 anos é avaliado em ambulatório de cardiologia da atenção secundária por
dispneia progressiva aos esforços. Tem hipertensão arterial e utiliza hidroclorotiazida e
anlodipino de forma irregular. Ao exame, apresenta pressão arterial de 158 × 92 mmHg e
frequência cardíaca de 86 batimentos por minuto, sem sinais clínicos de congestão. O
ecocardiograma evidencia dilatação do ventrículo esquerdo e fração de ejeção de 34%,
compatível com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Os exames
mostram creatinina de 1,0 mg/dL, taxa de filtração glomerular estimada de 68
mL/min/1,73 m² e potássio sérico de 4,3 mEq/L. Não há história de angioedema nem
contraindicação conhecida às classes farmacológicas indicadas para o tratamento da
insuficiência cardíaca.
Nesse caso, a conduta farmacológica mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
instituir sacubitril/valsartana, carvedilol, espironolactona e dapagliflozina.
(alternativa B)
aumentar as doses de anlodipino e hidroclorotiazida.
(alternativa C)
associar verapamil e espironolactona
(alternativa D)
iniciar furosemida e nitrato de uso contínuo.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: instituir sacubitril/valsartana, carvedilol, espironolactona e
dapagliflozina.
Comentário técnico
Homem de 74 anos com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr – FE
34%), hipertensão arterial e descompensação clínica (dispneia progressiva). Sem
contraindicações conhecidas.
De acordo com as diretrizes atuais (Sociedade Brasileira de Cardiologia/2022 e
ESC/2022), o tratamento farmacológico de primeira linha para ICFEr é a quádrupla terapia
otimizada:
Sacubitril/valsartana (inibidor da neprilisina + BRA).
Carvedilol (betabloqueador).
Espironolactona (antagonista mineralocorticoide).
Dapagliflozina(inibidor da SGLT2).
Essa combinação reduz mortalidade, hospitalizações e melhora qualidade de vida.
Análise das alternativas incorretas
aumentar as doses de anlodipino e hidroclorotiazida. Incorreta. Aumento
de anlodipino e hidroclorotiazida não melhora a sobrevida em ICFEr e pode
piorar a hiponatremia ou função renal.
associar verapamil e espironolactona. Incorreta. Verapamil é contraindicado
em ICFEr por seu efeito inotrópico negativo.
iniciar furosemida e nitrato de uso contínuo. Incorreta. Furosemida e
nitrato são úteis para controle de sintomas congestivos, mas não constituem a
terapia modificadora de prognóstico.
32ª QUESTÃO
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Enunciado:
Adolescente de 14 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhada pelo
padrasto, que relata queda da escada no dia anterior. Durante a consulta, permanece
calada, evita contato visual e olha para o acompanhante antes de responder. Ao exame,
observam-se equimoses de diferentes colorações nos braços e na região dorsal, além de
escoriações lineares nos antebraços. O padrão e a localização das lesões levantam dúvida
quanto ao mecanismo relatado. Em conversa reservada, a adolescente fica chorosa,
afirma que tem medo de voltar para casa e pede que o profissional não conte ao
acompanhante o que foi conversado.
Nesse caso, a conduta inicial mais adequada na APS é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
registrar os achados, avaliar a segurança imediata e acionar a rede de proteção.
(alternativa B)
registrar os achados, comunicar o acompanhante e acionar a rede de proteção.
(alternativa C)
aprofundar o relato, identificar o possível agressor e acionar a rede de proteção.
(alternativa D)
tratar as lesões, programar retorno breve e acionar a rede de proteção.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Registrar os achados, avaliar a segurança imediata e acionar a
rede de proteção.
Comentário técnico
Adolescente de 14 anos com sinais clínicos (equimoses de diferentes colorações,
escoriações lineares) e comportamentais (evitamento de contato visual, dependência do
acompanhante, choro, medo de voltar para casa e pedido de confidencialidade)
altamente sugestivos de violência física.
De acordo com a Lei nº 13.431/2017 (Lei da Escuta Protegida) e o Estatuto da Criança e
do Adolescente (ECA), toda suspeita de violência contra criança ou adolescente é de
notificação compulsória ao Conselho Tutelar. A conduta inicial na Atenção Primária deve
incluir:
Registro objetivo e detalhado dos achados (sem julgamento de valor).
Entrevista reservada (escuta protegida).
Avaliação de risco imediato (segurança da adolescente).
Acionamento da rede de proteção (Conselho Tutelar, assistência social, saúde
mental, segurança pública se necessário).
Análise das alternativas incorretas
registrar os achados, comunicar o acompanhante e acionar a rede de
proteção. Incorreta. Comunicar o acompanhante pode aumentar o risco de
retaliação e violar a escuta protegida.
aprofundar o relato, identificar o possível agressor e acionar a rede de
proteção. Incorreta. Aprofundar o relato e identificar o agressor é importante,
mas não deve atrasar o acionamento da rede de proteção e a garantia de
segurança.
tratar as lesões, programar retorno breve e acionar a rede de proteção.
Incorreta. Tratar lesões e programar retorno é importante, mas não substitui a
notificação compulsória e a intervenção da rede de proteção.
33ª QUESTÃO
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Enunciado:
Mulher de 72 anos comparece ao ambulatório de Clínica Médica para seguimento de
diabetes mellitus tipo 2, diagnosticado há 18 anos. Refere cansaço progressivo, redução
do apetite e edema discreto em tornozelos ao final do dia. Usa metformina, insulina NPH
e losartana, mas relata controle glicêmico irregular nos últimos anos. Tem também
hipertensão arterial de longa data.
Ao exame, apresenta pressão arterial de 152 × 88 mmHg, frequência cardíaca de 78
bpm, IMC de 28 kg/m² e edema maleolar bilateral discreto. A fundoscopia prévia
descreve retinopatia diabética não proliferativa. Os exames laboratoriais mostram:
creatinina sérica: 2,3 mg/dL;
taxa de filtração glomerular estimada: 24 mL/min/1,73 m²;
relação albumina/creatinina urinária: 620 mg/g;
potássio sérico: 4,9 mEq/L;
hemoglobina glicada: 8,4%.
Considerando os dados laboratoriais apresentados, o perfil é mais compatível com
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
doença renal diabética avançada, com albuminúria gravemente aumentada.
(alternativa B)
nefropatia diabética inicial, com albuminúria moderadamente aumentada.
(alternativa C)
lesão renal aguda pré-renal, com albuminúria transitória por hipovolemia.
(alternativa D)
doença renal crônica não albuminúrica, com redução isolada da filtração glomerular.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: doença renal diabética avançada, com albuminúria gravemente
aumentada. 
Paciente com diabetes mellitus tipo 2 de longa duração (18 anos), retinopatia diabética
confirmada e hipertensão arterial, apresentando agora redução importante da função
renal (TFGe 24 mL/min/1,73 m² – DRC estágio 4) e albuminúria grave (620 mg/g).
Esse perfil laboratorial é clássico de nefropatia diabética avançada (estágio avançado da
doença renal diabética), caracterizada por:
Declínio progressivo da taxa de filtração glomerular.
Albuminúria gravemente aumentada (categoria A3: > 300 mg/g, segundo
classificação KDIGO).
Presença de retinopatia diabética (forte marcador de nefropatia diabética).
A presença simultânea de retinopatia e nefropatia reforça a etiologia diabética da doença
renal crônica.
Análise das alternativas incorretas
nefropatia diabética inicial, com albuminúria moderadamente
aumentada. Incorreta. Nefropatia diabética inicial (estágio microalbuminúrico)
corresponde a albuminúria moderadamente aumentada (30–300 mg/g). Aqui a
albuminúria é gravemente elevada.
lesão renal aguda pré-renal, com albuminúria transitória por
hipovolemia. Incorreta. Não há dados sugestivos de lesão renal aguda (história
crônica, ausência de hipovolemia ou fator precipitante agudo). A albuminúria
grave não é transitória.
doença renal crônica não albuminúrica, com redução isolada da
filtração glomerular. Incorreta. Embora haja redução da filtração glomerular,
existe albuminúria gravemente aumentada, o que afasta o diagnóstico de
doença renal crônica não albuminúrica.
Página 35 de 112
34ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 70 anos, internado em enfermaria de clínica médica por pneumonia
comunitária. No terceiro dia de internação, evolui com tontura ao levantar-se, fraqueza e
redução do débito urinário. Ao exame, apresenta pressão arterial de 86 × 54 mmHg,
frequência cardíaca de 112 bpm, extremidades frias e mucosas secas. Os exames
mostram ureia e creatinina discretamente elevadas em relação à admissão. A equipe
considera que a hipovolemia seja o principal fator associado ao quadro hemodinâmico.
Considerando os mecanismos fisiológicos de regulação da pressão arterial, a resposta
compensatória esperada nesse paciente é:
Alternativas:
(alternativa A)
Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, com retenção renal de sódio e
água, sem aumento da resistência vascular periférica.
(alternativa B)
Ativação dos barorreceptores, aumento do tônus vagal e inibição da liberação de renina
para reduzir a pós-carga cardíaca.
(alternativa C) (CORRETA) 
Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, com vasoconstrição periférica e
retenção renal de sódio e água.
(alternativa D)
Liberação de peptídeo natriurético atrial, aumento da natriurese e redução do volume
intravascular para aliviar a pressão arterial.
Página 36 de 112
Resposta comentada:
O paciente apresenta choque hipovolêmico compensado (hipotensão + taquicardia +
oligúria + elevação de ureia/creatinina + sinais de desidratação).
Em hipovolemia, os principais mecanismos compensatórios para manutenção da pressão
arterial são:
1. Ativação do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA):
Renina → Angiotensina II → vasoconstrição periférica (aumento da
resistência vascular sistêmica).
Aldosterona+ ADH → retenção renal de sódio e água (expansão do
volume intravascular).
2. Ativação do sistema nervoso simpático (taquicardia e vasoconstrição).
A alternativa correta descreve com precisão os dois efeitos principais do SRAA ativado
pela hipovolemia.
Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, com vasoconstrição
periférica e retenção renal de sódio e água. — Correta.
Na hipovolemia, ocorre redução do volume circulante efetivo, com queda do retorno
venoso, do débito cardíaco e da pressão arterial. Essa redução da perfusão renal estimula
a liberação de renina, ativando o sistema renina-angiotensina-aldosterona. A
angiotensina II promove vasoconstrição periférica, aumentando a resistência vascular
sistêmica, enquanto a aldosterona favorece a retenção renal de sódio e água,
contribuindo para restaurar o volume intravascular e manter a pressão arterial.
Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, com retenção renal de
sódio e água, sem aumento da resistência vascular periférica. — Incorreta.
A alternativa reconhece corretamente a ativação do sistema renina-angiotensina-
aldosterona e a retenção renal de sódio e água, mas erra ao afirmar que esse processo
ocorre sem aumento da resistência vascular periférica. A angiotensina II,
componente central do sistema, promove vasoconstrição arteriolar e aumento da
resistência vascular sistêmica, especialmente em resposta à hipovolemia e hipotensão.
Ativação dos barorreceptores, aumento do tônus vagal e inibição da liberação
de renina para reduzir a pós-carga cardíaca. — Incorreta.
Na hipotensão por hipovolemia, há menor estiramento dos barorreceptores, com redução
da descarga aferente para os centros cardiovasculares. A resposta compensatória é
aumento da atividade simpática, redução relativa do tônus vagal, taquicardia,
vasoconstrição periférica e estímulo à liberação de renina. Portanto, não se espera
aumento do tônus vagal nem inibição da renina.
Liberação de peptídeo natriurético atrial, aumento da natriurese e redução do
volume intravascular para aliviar a pressão arterial. — Incorreta.
O peptídeo natriurético atrial é liberado principalmente quando há distensão atrial por
aumento do volume intravascular. Sua ação favorece natriurese, diurese e redução da
volemia. No quadro descrito, há hipovolemia, hipotensão, mucosas secas e oligúria, de
modo que a resposta esperada é retenção de sódio e água, não aumento da natriurese.
35ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 23 anos comparece ao ambulatório de ginecologia por dor em baixo ventre há
5 dias, de intensidade progressiva, associada à dispareunia profunda e ao aumento do
corrimento vaginal. Relata novo parceiro sexual há 2 meses. Apresenta pressão arterial
de 112 × 70 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm e temperatura axilar de 37,8 °C. Ao
exame abdominal, há dor à palpação profunda em hipogástrio, sem rigidez. O exame
especular evidencia secreção endocervical. Ao toque bimanual, observa-se dor à
mobilização do colo uterino e sensibilidade anexial bilateral. O teste de gravidez é
negativo.
Considerando o quadro clínico, a hipótese diagnóstica mais provável é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
doença inflamatória pélvica.
(alternativa B)
cervicite aguda.
(alternativa C)
endometriose pélvica.
(alternativa D)
torção anexial.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Doença inflamatória pélvica.
Comentário técnico
Mulher de 23 anos com dor em baixo ventre progressiva, dispareunia profunda, aumento
do corrimento vaginal, novo parceiro sexual, febre baixa e dor à mobilização cervical +
sensibilidade anexial bilateral. Teste de gravidez negativo.
O quadro é típico de doença inflamatória pélvica (DIP) — infecção ascendente do trato
genital superior, geralmente por Chlamydia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae. Os
principais critérios clínicos são dor pélvica, dispareunia, corrimento cervical e
sensibilidade anexial.
Conduta inicial: Antibioticoterapia empírica (ex.: ceftriaxona + doxiciclina), analgesia,
orientação sobre abstinência sexual e tratamento do parceiro.
Análise das alternativas incorretas
cervicite aguda. Incorreta. Cervicite aguda cursa com corrimento cervical e
dor à mobilização cervical, mas sem dor pélvica ou sensibilidade anexial.
endometriose pélvica. Incorreta. Endometriose pélvica geralmente cursa com
dor crônica cíclica (dismenorreia), não com febre e dor aguda.
torção anexial. Incorreta. Torção anexial cursa com dor pélvica intensa,
unilateral e súbita, geralmente com náuseas/vômitos.
36ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 26 anos procura uma unidade de pronto atendimento após sofrer corte na face
palmar do dedo indicador direito com uma lâmina limpa, há cerca de 40 minutos. Ao
exame, apresenta laceração linear de 2,5 cm, com necessidade de sutura, sem lesão
tendínea, vascular ou sensitiva. A paciente está consciente, colaborativa e não possui
alergia conhecida a anestésicos locais.
Para proporcionar anestesia adequada sem deformar as margens da ferida, a conduta
mais apropriada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
realizar bloqueio digital na base do dedo com lidocaína a 1%.
(alternativa B)
infiltrar lidocaína a 1% diretamente nas margens da laceração.
(alternativa C)
aplicar anestésico tópico na laceração e realizar a sutura sem anestesia infiltrativa
complementar.
(alternativa D)
realizar bloqueio do nervo mediano no punho com bupivacaína a 0,5%.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Realizar bloqueio digital na base do dedo com lidocaína a 1%.
Comentário técnico
Laceração linear de 2,5 cm na face palmar do dedo indicador, com necessidade de
sutura, sem lesão tendínea, vascular ou sensitiva.
A técnica mais apropriada para anestesia local em ferimentos de dedos é o bloqueio
digital na base do dedo (bloqueio dos nervos digitais palmares e dorsais). Essa
abordagem proporciona anestesia completa do dedo distal ao local de injeção, sem
deformar as margens da ferida (ao contrário da infiltração direta, que causa edema local
e dificulta a sutura precisa).
Lidocaína a 1% sem vasoconstritor é a escolha habitual para bloqueio digital.
Análise das alternativas incorretas
infiltrar lidocaína a 1% diretamente nas margens da laceração. Incorreta.
A infiltração direta nas margens da laceração causa edema local, deformando os
bordos e dificultando a sutura estética e precisa.
aplicar anestésico tópico na laceração e realizar a sutura sem anestesia
infiltrativa complementar. Incorreta. Creme anestésico tópico não é
suficiente para proporcionar anestesia adequada em laceração que requer
sutura.
realizar bloqueio do nervo mediano no punho com bupivacaína a 0,5%.
Incorreta. Bloqueio do nervo mediano no punho é mais proximal e desnecessário
para ferimento isolado no dedo indicador. Além disso, bupivacaína a 0,5% é
menos indicada para bloqueio digital devido ao maior risco de toxicidade.
37ª QUESTÃO
Enunciado:
Em um município de médio porte, uma equipe de Saúde da Família identifica aumento de
queixas de tosse, irritação ocular e falta de ar entre moradores de uma comunidade
situada próxima a uma pedreira. Durante visitas domiciliares, agentes comunitários
observam acúmulo frequente de poeira nas residências. Trabalhadores da pedreira e
demais moradores da localidade relatam piora dos sintomas nos períodos de maior
circulação de caminhões.
Nesse contexto, a proposta de intervenção mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
Encaminhar os moradores sintomáticos para avaliação especializada e ampliar a
investigação territorial após confirmação diagnóstica.
(alternativa B)
Orientar medidas individuais de proteção e concentrar o acompanhamento nos
trabalhadores diretamente expostos.
(alternativa C) (CORRETA) 
Articular a equipe com as vigilâncias ambiental e do trabalhador para investigação
territorial da exposição.
(alternativa D)
Realizar busca ativa de doenças respiratórias entre moradores e trabalhadores e solicitar
à empresa a elaboração das medidas de controle ambiental.
Resposta comentada:Gabarito oficial: Articular a equipe com as vigilâncias ambiental e do
trabalhador para investigação territorial da exposição.
Comentário técnico
Aumento de sintomas respiratórios e irritativos (tosse, irritação ocular, falta de ar) em
moradores próximos a uma pedreira, com exposição ambiental (poeira) e ocupacional
(trabalhadores da pedreira). Há indícios claros de exposição coletiva.
A conduta mais adequada é articular a equipe com as vigilâncias ambiental e do
trabalhador para:
Investigar a exposição (ambiental e ocupacional).
Identificar fatores de risco.
Definir medidas de controle pactuadas (controle da poeira, proteção respiratória,
monitoramento da saúde da população etc.).
Essa abordagem intersetorial é fundamental para o enfrentamento de agravos
relacionados ao ambiente e ao trabalho na Atenção Básica.
Análise das alternativas incorretas
Encaminhar os moradores sintomáticos para avaliação especializada e
ampliar a investigação territorial após confirmação diagnóstica.
Incorreta. Encaminhamento individual e espera de diagnóstico não resolvem o
problema ambiental/ocupacional coletivo.
Orientar medidas individuais de proteção e concentrar o
acompanhamento nos trabalhadores diretamente expostos. Incorreta.
Medidas individuais de proteção são importantes, mas insuficientes; o problema
é coletivo e exige investigação territorial.
Realizar busca ativa de doenças respiratórias entre moradores e
trabalhadores e solicitar à empresa a elaboração das medidas de
controle ambiental. Incorreta. Busca ativa de doenças respiratórias e
solicitação à empresa são complementares, mas não substituem a investigação
coordenada pelas vigilâncias.
38ª QUESTÃO
Enunciado:
Em uma Unidade de Saúde da Família próxima a uma terra indígena, um homem
indígena de 42 anos comparece acompanhado da filha, que fala português com maior
fluência. Por intermédio da filha, ele relata, em sua língua materna, dor abdominal e
perda de apetite há três semanas. Durante a consulta, a filha passa a responder às
perguntas, enquanto o paciente demonstra dificuldade para compreender e participar
diretamente da entrevista.
Diante da barreira de comunicação apresentada, a atitude médica mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
Solicitar que a filha traduza a entrevista, dirigindo as perguntas ao paciente e
confirmando com ela o conteúdo das respostas.
(alternativa B)
Conduzir a entrevista com frases curtas em português simples, utilizando gestos e
recursos visuais para confirmar as respostas do paciente.
(alternativa C) (CORRETA) 
Acionar intérprete qualificado com domínio da língua e preparo para mediação
intercultural, dirigindo-se ao paciente e verificando sua compreensão.
(alternativa D)
Solicitar a participação de uma liderança da comunidade como mediadora, considerando
que sua função comunitária a habilita para traduzir a entrevista clínica.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Acionar intérprete qualificado com domínio da língua e preparo
para mediação intercultural, dirigindo-se ao paciente e verificando sua
compreensão.
A alternativa é a mais adequada porque propõe uma estratégia operacional segura: uso
de intérprete, preferencialmente vinculado à rede de cuidado , sem substituir o paciente
como interlocutor principal. Além disso, a confirmação periódica da compreensão permite
reduzir erros de interpretação, preservar autonomia e construir decisão compartilhada.
A alternativa correta está fundamentada em:
Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI –
2002, ainda vigente): Enfatiza a atenção diferenciada, a comunicação
intercultural e a participação de mediadores/agentes indígenas como estratégia
central. Recomenda metodologia participativa propícia à comunicação
intercultural.
Diretrizes do Ministério da Saúde / SESAI: Priorizam o uso de intérpretes ou
mediadores indígenas capacitados (Agentes Indígenas de Saúde - AIS), o diálogo
direto com o paciente (respeito à autonomia) e a confirmação de compreensão
(técnica teach-back adaptada culturalmente).
Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018): Artigos relacionados
à autonomia do paciente, confidencialidade e proibição de discriminação (étnico-
cultural).
Literatura: Estudos sobre comunicação intercultural em saúde indígena
(Fiocruz, The Lancet, publicações da OPAS) demonstram que o uso de familiares
como tradutores aumenta riscos de viés, omissão de informações sensíveis e
quebra de confiança. O modelo de Kleinman (explanatory models) reforça a
necessidade de explorar crenças e práticas tradicionais.
Análise alternativas incorretas:
Solicitar que a filha traduza a entrevista, dirigindo as perguntas ao paciente e
confirmando com ela o conteúdo das respostas. Incorreta. A filha pode apoiar,
mas não é a opção mais segura para conduzir toda a entrevista. O uso de familiar como
intérprete pode gerar omissões, constrangimento, perda de confidencialidade e
interferência na autonomia do paciente.
Conduzir a entrevista com frases curtas em português simples, utilizando
gestos e recursos visuais para confirmar as respostas do paciente. Incorreta.
Português simples, gestos e desenhos podem ajudar como recursos complementares,
mas não substituem mediação adequada quando há barreira linguística importante.
Evitar crenças e práticas de cuidado empobrece a anamnese cultural.
Solicitar a participação de uma liderança da comunidade como mediadora,
considerando que sua função comunitária a habilita para traduzir a entrevista
clínica. Incorreta. A consulta não deve ser adiada sem acolhimento da demanda. Além
disso, liderança comunitária não deve ser usada como substituta automática de
intérprete ou como condição para atendimento.
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39ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 61 anos é atendido na emergência por piora do volume abdominal, dor
abdominal difusa e febre baixa há 2 dias. Tem cirrose hepática por álcool, com ascite
conhecida, e usa espironolactona e furosemida de forma irregular. Nega vômitos
persistentes, diarreia ou sangramento digestivo. Ao exame, está sonolento, porém
despertável, ictérico, com pressão arterial de 102 × 64 mmHg, frequência cardíaca de
104 bpm e temperatura de 37,9 °C. O abdome é globoso, com macicez móvel e dor
difusa leve à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. A paracentese diagnóstica
mostra líquido ascítico turvo, com 820 leucócitos/mm³, sendo 42% neutrófilos. A
bacterioscopia não evidencia microrganismos.
Considerando os achados da análise do líquido ascítico, a conduta inicial mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
iniciar cefalosporina de terceira geração.
(alternativa B)
aguardar cultura do líquido ascítico.
(alternativa C)
iniciar quinolona por via oral.
(alternativa D)
iniciar albumina intravenosa.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Iniciar cefalosporina de terceira geração.
Comentário técnico
Paciente com cirrose hepática e ascite apresenta piora do volume abdominal, dor
abdominal difusa, febre baixa e sinais de sepse. Paracentese diagnóstica mostra líquido
ascítico turvo com 820 leucócitos/mm³ (42% neutrófilos).
Critério diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea (PBE): >250
neutrófilos/mm³ no líquido ascítico (mesmo com cultura negativa — PBE cultura-
negativa).
A conduta inicial é iniciar antibioticoterapia empírica com cefalosporina de terceira
geração (ex.: ceftriaxona 2 g IV/dia) após coleta de cultura do líquido ascítico. Albumina
intravenosa pode ser associada em casos com disfunção renal ou choque, mas o
antibiótico é a prioridade.
Análise das alternativas incorretas
aguardar cultura do líquido ascítico. Incorreta. Aguardar resultado da cultura
pode atrasar o tratamento e aumentar a mortalidade em PBE.
iniciar quinolona por via oral. Incorreta. Quinolona por via oral não é o
tratamento de escolha para PBE (risco de resistência e menor eficácia em
sepse).
iniciar albumina intravenosa. Incorreta. Albumina intravenosa é indicada em
casos com disfunção renal ou choque séptico, mas não substitui o antibiótico
como medida inicial.40ª QUESTÃO
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Enunciado:
Mulher de 28 anos, G2P1, teve parto vaginal em maternidade com sala de parto e equipe
obstétrica disponível, com recém-nascido em boas condições. Após o desprendimento
fetal, foi realizado manejo ativo do terceiro período do parto, com administração de
ocitocina, clampeamento oportuno do cordão e tração controlada. Decorridos 30 minutos,
a placenta ainda não dequitou. A puérpera apresenta sangramento vaginal moderado,
útero palpável e contraído, pressão arterial de 112 × 70 mmHg e frequência cardíaca de
96 bpm.
Nesse caso, a conduta inicial mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
preparar remoção manual da placenta em ambiente adequado.
(alternativa B)
repetir uterotônico e aguardar dequitação por mais 15 minutos.
(alternativa C)
encaminhar para centro cirúrgico para curetagem uterina.
(alternativa D)
manter tração controlada do cordão sob contração uterina.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Preparar remoção manual da placenta em ambiente adequado.
Comentário técnico
Puérpera com retenção placentária (30 minutos após o nascimento, apesar de manejo
ativo completo do terceiro período: ocitocina, clampeamento oportuno e tração
controlada). Sangramento moderado, útero contraído e estabilidade hemodinâmica.
A retenção placentária após 30 minutos de manejo ativo aumenta o risco de hemorragia
pós-parto. A conduta inicial mais adequada é a remoção manual da placenta em
ambiente adequado (sala de parto ou centro cirúrgico), com analgesia/anestesia,
assepsia rigorosa e disponibilidade de suporte cirúrgico caso haja complicação (ex.:
aderência placentária ou inversão uterina).
Análise das alternativas incorretas
repetir uterotônico e aguardar dequitação por mais 15 minutos. Incorreta. Repetir
uterotônico e aguardar mais tempo após manejo ativo completo não é a conduta
recomendada, pois retarda a intervenção e aumenta o risco hemorrágico.
encaminhar para centro cirúrgico para curetagem uterina. Incorreta. Curetagem
uterina é indicada para retenção de fragmentos placentários após dequitação ou remoção
manual, não como primeira conduta.
manter tração controlada do cordão sob contração uterina. Incorreta. Tração
controlada já foi realizada no manejo ativo; repeti-la não é indicada e pode aumentar o
risco de inversão uterina.
41ª QUESTÃO
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Enunciado:
Homem de 46 anos procura atendimento ambulatorial por apresentar sensação de
queimação retroesternal e dor epigástrica há 6 meses, com piora após refeições
volumosas e ao deitar-se. Refere regurgitação ácida frequente e despertares noturnos
ocasionais por tosse seca. Relata melhora parcial dos sintomas após uso irregular de
inibidor da bomba de prótons por conta própria. Nega disfagia, odinofagia, vômitos,
anemia conhecida ou perda ponderal. Tem obesidade grau 1 e consome bebida alcoólica
esporadicamente. Ao exame físico, não há alterações relevantes.
Para confirmação diagnóstica desse quadro, o exame complementar mais adequado é:
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
pHmetria esofágica prolongada.
(alternativa B)
endoscopia digestiva alta.
(alternativa C)
esofagografia baritada.
(alternativa D)
manometria esofágica.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: pHmetria esofágica prolongada.
Justificativas
pHmetria esofágica prolongada. Correta.
A pHmetria esofágica prolongada é o exame mais apropriado quando se deseja
confirmar objetivamente doença do refluxo gastroesofágico, pois documenta
exposição ácida patológica no esôfago e sua correlação com os sintomas.
endoscopia digestiva alta. Incorreta.
A endoscopia digestiva alta é útil para identificar esofagite erosiva, estenoses, esôfago de
Barrett e diagnósticos diferenciais, sobretudo na presença de sinais de alarme. Porém,
pode ser normal em muitos pacientes com refluxo e não é o melhor exame para
confirmação objetiva do diagnóstico neste contexto.
esofagografia baritada. Incorreta.
A esofagografia baritada pode mostrar alterações anatômicas e alguns distúrbios
estruturais, mas não é exame de escolha para confirmar refluxo gastroesofágico.
manometria esofágica. Incorreta.
A manometria esofágica avalia motilidade do corpo esofágico e do esfíncter esofagiano
inferior, sendo útil em contextos específicos, mas não confirma o diagnóstico de refluxo.
42ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 36 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para receber o resultado do
exame citopatológico do colo do útero, realizado durante consulta de rastreamento. O
laudo descreve lesão intraepitelial escamosa de alto grau. A paciente está assintomática,
não está gestante, não realizou tratamento prévio para lesões cervicais e não apresenta
alteração visível do colo uterino ao exame especular.
Diante desse resultado, a conduta inicial mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
solicitar teste para HPV oncogênico e encaminhá-la para colposcopia se o resultado for
positivo.
(alternativa B)
repetir o exame citopatológico em três meses e encaminhá-la para colposcopia se a
alteração de alto grau for confirmada.
(alternativa C) (CORRETA) 
encaminhá-la diretamente para colposcopia em serviço de referência.
(alternativa D)
encaminhá-la para avaliação ginecológica e manter acompanhamento citopatológico
semestral enquanto aguarda definição especializada.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Encaminhá-la diretamente para colposcopia em serviço de
referência.
Comentário técnico
Mulher de 36 anos, assintomática, com citologia cervical mostrando lesão intraepitelial
escamosa de alto grau (HSIL). Colo uterino sem lesão visível a olho nu.
De acordo com as diretrizes da FEBRASGO, do Ministério da Saúde e da ASCCP, o
resultado de HSIL na citologia cervical indica encaminhamento imediato para colposcopia
em serviço de referência. O objetivo é confirmar o grau da lesão (CIN 2 ou CIN 3) e
planejar o tratamento adequado (ex.: excisão ou ablação). Não é necessário aguardar
nova citologia ou teste de HPV.
Análise das alternativas incorretas
solicitar teste para HPV oncogênico e encaminhá-la para colposcopia se
o resultado for positivo. Incorreta. Teste de HPV não deve condicionar o
encaminhamento em HSIL (já indica alto risco).
repetir o exame citopatológico em três meses e encaminhá-la para
colposcopia se a alteração de alto grau for confirmada. Incorreta. Repetir
citologia em três meses não é adequado para HSIL (risco elevado de
progressão).
encaminhá-la para avaliação ginecológica e manter acompanhamento
citopatológico semestral enquanto aguarda definição especializada.
Incorreta. Manter acompanhamento citopatológico semestral enquanto aguarda
definição especializada atrasa o diagnóstico e tratamento.
43ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 31 anos comparece à UBS para consulta de puerpério, 8 semanas após parto
vaginal sem intercorrências. Durante a gestação, teve diagnóstico de diabetes mellitus
gestacional, controlado com orientação alimentar e monitorização glicêmica, sem
necessidade de insulina. O recém-nascido nasceu a termo, com peso adequado para a
idade gestacional. A paciente está assintomática, amamentando, sem uso de
medicamentos contínuos. Refere que “a diabetes acabou depois do parto” e pergunta se
ainda precisa realizar acompanhamento. Ao exame, apresenta pressão arterial de 112 ×
70 mmHg, IMC de 29 kg/m² e exame físico sem alterações relevantes.
Considerando o antecedente obstétrico e o cuidado longitudinal na UBS, a conduta mais
adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
solicitar teste oral de tolerância à glicose e orientar rastreamento metabólico periódico.
(alternativa B)
solicitar glicemia de jejum e hemoglobina glicada, programando reavaliação conforme
resultado.
(alternativa C)
solicitar hemoglobina glicada no puerpério e repetir o rastreamento metabólico em 6
meses.
(alternativa D)
solicitar glicemia de jejum no puerpério e repetir avaliação antes de nova gestação.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: solicitar teste oral de tolerância à glicose e orientar
rastreamentometabólico periódico.
Mulher com história de diabetes mellitus gestacional (DMG), agora no puerpério tardio (8
semanas pós-parto vaginal). O DMG é um importante marcador de risco para
desenvolvimento futuro de diabetes mellitus tipo 2 (risco aumentado em 7 a 10 vezes).
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, FEBRASGO e American Diabetes
Association:
O rastreamento pós-parto deve ser realizado entre 4 e 12 semanas após o parto,
preferencialmente com Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG 75g) — exame
de maior sensibilidade para detectar intolerância à glicose ou diabetes
manifesto.
Após o rastreio inicial, recomenda-se acompanhamento metabólico periódico
(anual ou a cada 1–3 anos, conforme resultado), com ênfase em mudança de
estilo de vida (alimentação, atividade física e controle de peso), especialmente
em pacientes com sobrepeso (IMC 29 kg/m²).
Análise das alternativas incorretas
solicitar glicemia de jejum e hemoglobina glicada, programando
reavaliação conforme resultado. Incorreta. Glicemia de jejum e hemoglobina
glicada isoladas têm menor sensibilidade que o TOTG para o rastreio pós-parto
de DMG.
solicitar hemoglobina glicada no puerpério e repetir o rastreamento
metabólico em 6 meses. Incorreta. Embora a HbA1c possa ser utilizada, o
TOTG é o exame preferencial nas primeiras semanas pós-parto. Reavaliação
somente em 6 meses é tardia.
solicitar glicemia de jejum no puerpério e repetir avaliação antes de
nova gestação. Incorreta. O rastreamento antes de nova gestação é
importante, mas não substitui a avaliação obrigatória no puerpério.
44ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde por dor abdominal recorrente há
oito meses, presente, em média, dois dias por semana. Refere cólicas em baixo ventre,
geralmente aliviadas após a evacuação, associadas a distensão abdominal e alternância
entre fezes amolecidas e endurecidas. Os sintomas variam de intensidade ao longo das
semanas e não a despertam durante a noite. Nega perda ponderal ou sangramento nas
fezes. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, corada e hidratada. O abdome é
flácido, com discreto desconforto difuso à palpação, sem massas, visceromegalias ou
sinais de irritação peritoneal.
Diante desse quadro, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial mais
adequada na Atenção Primária à Saúde são, respectivamente,
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
síndrome do intestino irritável; orientação e manejo sintomático.
(alternativa B)
doença inflamatória intestinal; pesquisa de marcadores inflamatórios e colonoscopia.
(alternativa C)
doença celíaca; sorologia específica mantendo o consumo habitual de glúten.
(alternativa D)
intolerância à lactose; teste de exclusão alimentar com posterior reintrodução.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Síndrome do intestino irritável; orientação e manejo
sintomático.
Comentário técnico
Mulher de 34 anos com dor abdominal recorrente (presente em média dois dias por
semana há oito meses), cólicas em baixo ventre aliviadas após evacuação, distensão
abdominal e alternância entre fezes amolecidas e endurecidas. Ausência de sinais de
alarme (perda ponderal, sangramento nas fezes, febre). Exame físico normal.
O quadro preenche critérios Roma IV para síndrome do intestino irritável (SII) com padrão
misto.
Conduta inicial na Atenção Primária:
Orientação sobre o diagnóstico (tranquilizar a paciente).
Mudanças de estilo de vida (dieta rica em fibra solúvel, redução de FODMAPs se
necessário, manejo do estresse).
Tratamento sintomático (antiespasmódicos, probióticos ou antidepressivos em
baixa dose se indicados).
Reavaliação periódica e investigação complementar apenas se houver sinais de
alarme ou falha no tratamento.
Análise das alternativas incorretas
doença inflamatória intestinal; pesquisa de marcadores inflamatórios e
colonoscopia. Incorreta. Doença inflamatória intestinal é menos provável
(ausência de diarreia sanguinolenta, perda de peso ou sinais sistêmicos).
Colonoscopia não é primeira linha.
doença celíaca; sorologia específica mantendo o consumo habitual de
glúten. Incorreta. Doença celíaca requer sorologia com consumo habitual de
glúten, mas o padrão alternado de diarreia e constipação é mais compatível
com SII.
intolerância à lactose; teste de exclusão alimentar com posterior
reintrodução. Incorreta. Intolerância à lactose pode ser considerada, mas o
padrão alternado e as cólicas aliviadas após evacuação apontam para SII.
45ª QUESTÃO
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Enunciado:
Homem de 41 anos comparece ao ambulatório de Infectologia após doação de sangue
recusada por alteração em triagem sorológica. Relata cansaço inespecífico há cerca de
dois meses, sem febre, icterícia, colúria ou perda ponderal. Nega uso atual de drogas
injetáveis. Refere múltiplas parcerias sexuais no passado e não sabe informar se foi
vacinado contra hepatite B. Ao exame, está em bom estado geral, anictérico, sem
hepatoesplenomegalia ou sinais de hepatopatia crônica. Os exames laboratoriais
mostram: ALT 68 U/L, AST 54 U/L, bilirrubina total 0,8 mg/dL, albumina 4,2 g/dL e INR 1,0.
A ultrassonografia abdominal mostra fígado de dimensões preservadas, ecotextura
homogênea e ausência de sinais de hipertensão portal.
A sorologia para hepatites virais apresenta os seguintes resultados:
Marcador Resultado
HBsAg reagente
anti-HBs não reagente
anti-HBc total reagente
anti-HBc IgM não reagente
HBeAg não reagente
anti-HBe reagente
anti-HCV não reagente
anti-HAV IgM não reagente
Com base no quadro clínico e nos marcadores sorológicos apresentados, a hipótese
diagnóstica mais compatível é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
infecção crônica pelo vírus da hepatite B, em fase HBeAg negativa.
(alternativa B)
infecção aguda pelo vírus da hepatite B, em janela imunológica.
(alternativa C)
imunidade vacinal contra hepatite B, sem evidência de infecção prévia.
(alternativa D)
infecção prévia resolvida pelo vírus da hepatite B, com imunidade natural.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Infecção crônica pelo vírus da hepatite B, em fase HBeAg
negativa.
Comentário técnico
Homem de 41 anos com quadro inespecífico (cansaço), sem icterícia ou sinais de
hepatopatia crônica. Sorologia para hepatite B:
HBsAg: reagente
anti-HBc total: reagente
anti-HBc IgM: não reagente
HBeAg: não reagente
anti-HBe: reagente
anti-HBs: não reagente
Essa combinação indica infecção crônica pelo vírus da hepatite B, em fase HBeAg
negativa (portador inativo ou hepatite B crônica HBeAg-negativa). O anti-HBc IgM
negativo exclui infecção aguda, e o anti-HBs negativo exclui imunidade vacinal ou
resolução prévia.
Conduta inicial: Avaliação laboratorial adicional (carga viral de HBV, ALT, ecografia
abdominal) e encaminhamento para seguimento em infectologia/hepatologia.
Análise das alternativas incorretas
infecção aguda pelo vírus da hepatite B, em janela imunológica.
Incorreta. Infecção aguda cursa com anti-HBc IgM positivo.
imunidade vacinal contra hepatite B, sem evidência de infecção prévia.
Incorreta. Imunidade vacinal cursa com anti-HBs isolado positivo.
infecção prévia resolvida pelo vírus da hepatite B, com imunidade
natural. Incorreta. Infecção prévia resolvida cursa com anti-HBs positivo e
HBsAg negativo.
46ª QUESTÃO
Enunciado:
Gestante de 30 anos, G2P1, com 29 semanas de gestação, é atendida no ambulatório de
pré-natal de alto risco por hipertensão gestacional controlada. Refere boa movimentação
fetal e nega sangramento, perda de líquido ou contrações. Durante cardiotocografia basal
com duração de 20 minutos, o traçado apresenta frequência cardíaca fetal basal de 145
batimentos por minuto, variabilidade moderada, ausência de desacelerações e duas
acelerações de 12 batimentos por minuto, com duração de 12 segundos cada.
Considerando a idade gestacional, a interpretação mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
traçado reativo.
(alternativa B)
traçado não reativo.
(alternativa C)
traçado inconclusivo.
(alternativa D)
traçado sugestivode comprometimento fetal.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Traçado reativo.
Comentário técnico
Gestante de 29 semanas com hipertensão gestacional controlada. Cardiotocografia basal
de 20 minutos mostra frequência cardíaca fetal basal de 145 bpm, variabilidade
moderada, ausência de desacelerações e duas acelerações de 12 bpm com duração de
12 segundos cada.
Com 29 semanas, o critério de reatividade fetal é menos exigente do que em termo. A
presença de acelerações, variabilidade moderada e ausência de desacelerações
caracteriza um traçado reativo, indicando bem-estar fetal.
Análise das alternativas incorretas
traçado não reativo. Incorreta. Traçado não reativo exige ausência de
acelerações e variabilidade reduzida ou ausente.
traçado inconclusivo. Incorreta. O traçado é interpretável e reativo; não é
inconclusivo.
traçado sugestivo de comprometimento fetal. Incorreta. Não há sinais de
comprometimento fetal (variabilidade moderada e ausência de desacelerações).
47ª QUESTÃO
Enunciado:
Durante visita domiciliar de rotina em área adscrita à Estratégia Saúde da Família, a
agente comunitária de saúde encontra um lactente de 6 meses que não comparece à
Unidade Básica de Saúde desde os 2 meses de idade. A mãe relata dificuldade para levar
a criança às consultas devido ao trabalho informal e à falta de apoio familiar. Ao verificar
a caderneta, a agente observa vacinas em atraso e ausência de registros recentes de
peso e comprimento. A criança está ativa, afebril e sem sinais de dificuldade respiratória.
A mãe relata, ainda, que passou a oferecer mingau diluído porque acredita que o leite
materno seja “fraco”.
Considerando as atribuições do agente comunitário de saúde no acompanhamento da
criança no território, a conduta mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
identificar as barreiras de acesso, orientar sobre a avaliação integral e articular o
atendimento com a equipe da UBS.
(alternativa B)
orientar o aleitamento materno, desencorajar o uso do mingau diluído e intensificar as
visitas domiciliares.
(alternativa C)
registrar o atraso vacinal, acionar a rede socioassistencial e manter o acompanhamento
familiar.
(alternativa D)
orientar a atualização vacinal, registrar a pendência e verificar a caderneta em nova
visita domiciliar.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Identificar as barreiras de acesso, orientar sobre a avaliação
integral e articular o atendimento com a equipe da UBS.
Comentário técnico
Lactente de 6 meses com vacinas em atraso, ausência de acompanhamento ponderal e
introdução precoce de mingau diluído (risco de desnutrição e anemia). A mãe apresenta
barreiras de acesso (trabalho informal, falta de apoio familiar).
O Agente Comunitário de Saúde (ACS) tem papel fundamental na vigilância e articulação
do cuidado no território. A conduta mais adequada é:
Identificar barreiras de acesso.
Orientar a família sobre a importância do acompanhamento integral (vacinação,
crescimento, desenvolvimento e aleitamento materno exclusivo).
Articular o atendimento com a equipe da UBS para avaliação clínica, atualização
vacinal e suporte social.
Análise das alternativas incorretas
orientar o aleitamento materno, desencorajar o uso do mingau diluído e
intensificar as visitas domiciliares. Incorreta. Orientação sobre aleitamento
e visitas domiciliares são importantes, mas não substituem a articulação com a
equipe da UBS para avaliação integral e atualização vacinal.
registrar o atraso vacinal, acionar a rede socioassistencial e manter o
acompanhamento familiar. Incorreta. Acionar a rede socioassistencial é
complementar, mas o ACS deve priorizar a articulação direta com a equipe da
UBS.
orientar a atualização vacinal, registrar a pendência e verificar a
caderneta em nova visita domiciliar. Incorreta. Orientar atualização vacinal
e registrar pendências é parte do trabalho, mas o ACS deve articular o
atendimento na UBS, não apenas verificar em nova visita.
48ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 29 anos comparece à unidade básica de saúde com ardor ao urinar, aumento
da frequência urinária e urgência miccional há dois dias. Nega febre, calafrios, náuseas,
vômitos, dor lombar, corrimento vaginal ou dor pélvica. Não está grávida e não apresenta
diabetes, imunossupressão, doença renal ou história de litíase urinária. Refere episódio
semelhante há mais de dois anos. Ao exame, está em bom estado geral, afebril, com dor
leve à palpação suprapúbica e sem dor à punho-percussão lombar. A urina tipo 1
evidencia leucocitúria e nitrito positivo.
Nesse caso, a conduta terapêutica mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
prescrever nitrofurantoína oral por cinco dias.
(alternativa B)
prescrever ciprofloxacino oral por sete dias.
(alternativa C)
solicitar urocultura e aguardar o resultado antes de iniciar o antimicrobiano.
(alternativa D)
administrar ceftriaxona intramuscular, seguida de antibiótico oral por sete dias.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: prescrever nitrofurantoína oral por cinco dias.
O quadro é compatível com cistite aguda não complicada: mulher jovem, não gestante,
sem comorbidades relevantes, com disúria, urgência miccional, polaciúria, dor
suprapúbica leve, afebril, sem dor lombar e sem sinais sistêmicos. A urina tipo 1 reforça o
diagnóstico pela leucocitúria e nitrito positivo. A nitrofurantoína por cinco dias é opção
adequada de primeira linha para cistite não complicada. Adequada. O tratamento
empírico oral é suficiente, e a urocultura não é obrigatória de rotina em mulher não
gestante com quadro típico de cistite não complicada.
Análise das alternativas incorretas
prescrever ciprofloxacino oral por sete dias. incorreta.
Ciprofloxacino não deve ser primeira escolha em cistite não complicada quando há
opções mais estreitas e seguras, como nitrofurantoína. A justificativa da “maior
penetração em trato urinário alto” é inadequada porque não há sinais de pielonefrite.
solicitar urocultura e aguardar o resultado antes de iniciar o antimicrobiano.
incorreta.
Aguardar urocultura antes de iniciar tratamento não é necessário em quadro típico de
cistite não complicada. Urocultura é mais indicada em gestantes, suspeita de
pielonefrite, recorrência, sintomas atípicos, falha terapêutica ou risco de resistência.
administrar ceftriaxona intramuscular, seguida de antibiótico oral por sete
dias. incorreta.
Nitrito positivo sugere bacteriúria por microrganismos redutores de nitrato, mas não
indica gravidade nem necessidade de antibiótico intravenoso. A paciente está estável,
afebril e sem sinais de infecção urinária alta.
49ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 50 anos, com útero preservado, procura ambulatório de climatério por ondas
de calor intensas, despertares noturnos frequentes e irritabilidade, com impacto
importante na qualidade de vida há 4 meses. Refere irregularidade menstrual
progressiva, com última menstruação há 14 meses. É hipertensa, em uso regular de anti-
hipertensivo, com bom controle pressórico. Nega tabagismo, tromboembolismo venoso
prévio, doença hepática e neoplasia hormônio-dependente. Exame clínico recente e
rastreamento ginecológico estão sem alterações.
Após decisão compartilhada pelo início de terapia hormonal para alívio dos sintomas
vasomotores, considerando perfil tromboembólico e metabólico mais favorável e
proteção endometrial adequada, o esquema mais apropriado é
Alternativas:
(alternativa A)
estradiol por via oral associado a acetato de noretisterona, em esquema combinado
contínuo.
(alternativa B)
estradiol transdérmico em adesivo associado a progestagênio sintético, em esquema
combinado contínuo.
(alternativa C)
estrogênios conjugados por via oral associados a acetato de medroxiprogesterona, em
esquema combinado contínuo.
(alternativa D) (CORRETA) 
estradiol transdérmico associado a progesterona micronizada, em esquema combinado
contínuo.
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Resposta comentada:
Avaliação das alternativas
estradiol por via oral associado a acetato de noretisterona,em esquema
combinado contínuo. – Estradiol oral + acetato de noretisterona, esquema combinado
contínuo- Incorreta. Via oral aumenta risco relativo de tromboembolismo venoso (RR
1,5–2,0). Acetato de noretisterona (progestágeno sintético derivado da 19-
nortestosterona) tem perfil metabólico menos favorável.
estradiol transdérmico em adesivo associado a progestagênio sintético, em
esquema combinado contínuo. – Estradiol transdérmico + acetato de noretisterona,
esquema combinado contínuo - Parcialmente adequada, mas não a melhor. A via
transdérmica é correta (menor risco tromboembólico), porém o acetato de noretisterona
ainda é um progestágeno sintético com perfil inferior à progesterona micronizada.
estrogênios conjugados por via oral associados a acetato de
medroxiprogesterona, em esquema combinado contínuo. – Estrogênios
conjugados orais + acetato de medroxiprogesterona, esquema combinado contínuo -
Incorreta. Este é o esquema do estudo WHI (Women’s Health Initiative) que demonstrou
aumento de risco cardiovascular e de câncer de mama. Via oral + progestágeno sintético
= pior perfil de segurança entre as opções.
estradiol transdérmico associado a progesterona micronizada, em esquema
combinado contínuo. – Estradiol transdérmico associado a progesterona micronizada,
em esquema combinado contínuo Correta – esquema mais apropriado.
Estradiol transdérmico: menor risco tromboembólico e cardiovascular (ideal na
hipertensa).
Progesterona micronizada: progestágeno natural com melhor tolerabilidade,
menor impacto sobre mama, coagulação e metabolismo.
Regime contínuo: adequado para proteção endometrial e redução de
sangramento.
Este esquema é o preferencial nas diretrizes brasileiras atuais para mulheres com
sintomas vasomotores moderados/intensos, útero preservado e fatores de risco
cardiovascular.
50ª QUESTÃO
Enunciado:
Menino de 8 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por baixo rendimento
escolar e dificuldades de comportamento. Há cerca de dois anos, apresenta dificuldade
para manter a atenção, esquece materiais, perde objetos e não conclui tarefas. A
professora relata que ele se levanta repetidamente da carteira, interrompe os colegas,
responde antes do término das perguntas e tem dificuldade para esperar sua vez. Os
sintomas ocorrem em casa e na escola e produzem prejuízo acadêmico e social.
Diante da suspeita de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, a conduta
inicial mais adequada do médico de família e comunidade é
Alternativas:
(alternativa A)
orientar medidas comportamentais em casa e na escola, adiando a investigação de
outras condições até a reavaliação clínica.
(alternativa B) (CORRETA) 
realizar avaliação clínica ampliada, incluindo diferentes contextos, diagnósticos
diferenciais e condições associadas.
(alternativa C)
aplicar escalas padronizadas e solicitar avaliação neuropsicológica antes de estabelecer a
condução inicial.
(alternativa D)
confirmar sintomas em mais de um ambiente e iniciar tratamento farmacológico com
reavaliação precoce.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Realizar avaliação clínica ampliada, incluindo diferentes
contextos, diagnósticos diferenciais e condições associadas.
Comentário técnico
Menino de 8 anos com sintomas de desatenção (dificuldade para manter atenção,
esquecimento, perda de objetos, não concluir tarefas), hiperatividade (levantar-se da
carteira) e impulsividade (interromper colegas, responder antes do término das
perguntas, dificuldade para esperar a vez), presentes em dois contextos (casa e escola)
com prejuízo acadêmico e social.
O quadro preenche critérios diagnósticos de Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade (TDAH). A conduta inicial do médico de família e comunidade deve ser a
avaliação clínica ampliada, incluindo:
Confirmação dos sintomas em diferentes contextos.
Investigação de diagnósticos diferenciais (ansiedade, depressão, problemas de
aprendizagem, distúrbios do sono etc.).
Avaliação de condições associadas (TDAH comórbido é frequente).
Análise das alternativas incorretas
orientar medidas comportamentais em casa e na escola, adiando a
investigação de outras condições até a reavaliação clínica. Incorreta.
Orientar medidas comportamentais é importante, mas a avaliação clínica
ampliada deve ser realizada antes de adiar a investigação.
aplicar escalas padronizadas e solicitar avaliação neuropsicológica
antes de estabelecer a condução inicial. Incorreta. Escalas padronizadas e
avaliação neuropsicológica são úteis, mas não substituem a avaliação clínica
inicial.
confirmar sintomas em mais de um ambiente e iniciar tratamento
farmacológico com reavaliação precoce. Incorreta. Iniciar tratamento
farmacológico antes de avaliação clínica ampliada e confirmação diagnóstica
não é a conduta inicial.
51ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 46 anos, em tratamento para linfoma não Hodgkin, procura serviço de
emergência com febre, calafrios, tosse seca e fraqueza há 24 horas. Realizou o último
ciclo de quimioterapia há nove dias. Ao exame, apresenta temperatura axilar de 38,6 °C,
frequência cardíaca de 118 batimentos por minuto, frequência respiratória de 24
incursões por minuto, pressão arterial de 92 × 58 mmHg, saturação de oxigênio de 93%
em ar ambiente e confusão mental leve. Há mucosite oral e crepitações em base
pulmonar direita. Os exames mostram 900 leucócitos/mm³, 280 neutrófilos/mm³, 92.000
plaquetas/mm³, creatinina de 1,8 mg/dL e lactato arterial de 3,1 mmol/L. A radiografia de
tórax evidencia infiltrado em base pulmonar direita.
Com base nos achados apresentados, a interpretação diagnóstica mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
sepse de provável foco pulmonar em paciente com neutropenia febril.
(alternativa B)
pneumonia em paciente neutropênico, sem disfunção orgânica associada.
(alternativa C)
choque séptico de provável foco pulmonar.
(alternativa D)
toxicidade pulmonar pós-quimioterapia associada à mielossupressão.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Sepse de provável foco pulmonar em paciente com neutropenia
febril.
Comentário técnico
Paciente em quimioterapia para linfoma não Hodgkin, com febre, tosse, hipotensão,
taquicardia, taquipneia, confusão leve, neutropenia grave (280 neutrófilos/mm³),
creatinina elevada, lactato arterial elevado (3,1 mmol/L) e infiltrado pulmonar.
O quadro preenche critérios de sepse (infecção suspeita + disfunção orgânica aguda). O
foco pulmonar é o mais provável, em paciente com neutropenia febril (risco elevado de
infecção bacteriana grave).
Conduta inicial: Antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ex.: piperacilina-
tazobactam ou carbapenêmico), suporte hemodinâmico e avaliação multidisciplinar.
Análise das alternativas
sepse de provável foco pulmonar em paciente com neutropenia febril. —
correta.
Integra adequadamente o foco infeccioso pulmonar, a neutropenia febril e a disfunção
orgânica.
pneumonia em paciente neutropênico, sem disfunção orgânica associada. —
incorreta.
Reconhece pneumonia e neutropenia, mas nega indevidamente disfunção orgânica,
apesar da alteração do estado mental, hipotensão, trombocitopenia, creatinina elevada e
lactato de 3,1 mmol/L.
choque séptico de provável foco pulmonar. — incorreta.
O caso ainda não permite diagnosticar choque séptico. A definição clínica exige
necessidade de vasopressor para manter pressão arterial média de pelo menos 65 mmHg
e lactato acima de 2 mmol/L, apesar de reposição volêmica adequada. O enunciado não
informa reposição volêmica nem necessidade de vasopressores.
toxicidade pulmonar pós-quimioterapia associada à mielossupressão. —
incorreta.
A toxicidade pulmonar pós-quimioterapia pode cursar com sintomas respiratórios e
infiltrado, mas é menos compatível com febre acompanhada de calafrios, hipotensão,
confusão e hiperlactatemia em paciente profundamente neutropênico.
52ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 41 anos procura o pronto-socorro no 8º dia após bypass gástrico em Y de
Roux. Relata dor abdominal progressiva há três dias, inicialmenteem epigástrio e,
posteriormente, difusa, associada a náuseas, redução da aceitação alimentar e febre de
38,4 °C. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, com frequência cardíaca de 112
batimentos por minuto, pressão arterial de 108 × 68 mmHg e mucosas discretamente
secas. O abdome está doloroso à palpação profunda no andar superior, sem rigidez ou
descompressão brusca dolorosa. Os exames laboratoriais mostram leucócitos de
16.200/mm³ e proteína C reativa de 42 mg/L.
Diante da suspeita de complicação pós-operatória, a próxima medida mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
solicitar endoscopia digestiva alta para investigar deiscência da anastomose.
(alternativa B) (CORRETA) 
solicitar tomografia computadorizada de abdome com contraste intravenoso e oral
hidrossolúvel.
(alternativa C)
iniciar hidratação e antibioticoterapia e programar reavaliação ambulatorial em 24 horas.
(alternativa D)
iniciar antibioticoterapia intravenosa e solicitar avaliação para drenagem percutânea da
provável coleção abdominal.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Solicitar tomografia computadorizada de abdome com
contraste intravenoso e oral hidrossolúvel.
Comentário técnico
Paciente no 8º dia pós-bypass gástrico em Y de Roux com dor abdominal progressiva,
febre, taquicardia, leucocitose e PCR elevada. O quadro é altamente sugestivo de
fístula/deiscência anastomótica — complicação grave com risco de peritonite e sepse.
A tomografia computadorizada de abdome com contraste intravenoso e oral hidrossolúvel
é o exame de escolha para:
Confirmar o diagnóstico.
Avaliar extensão da complicação (coleções, abscessos, peritonite).
Orientar o tratamento (conservador com drenagem percutânea ou cirúrgico).
Análise das alternativas incorretas
solicitar endoscopia digestiva alta para investigar deiscência da
anastomose. Incorreta. Endoscopia digestiva alta pode ser útil para avaliação
da anastomose, mas não é o exame inicial de escolha em suspeita de fístula
com possível peritonite.
iniciar hidratação e antibioticoterapia e programar reavaliação
ambulatorial em 24 horas. Incorreta. Reavaliação ambulatorial é inadequada
em quadro de possível complicação grave com sinais de sepse.
iniciar antibioticoterapia intravenosa e solicitar avaliação para
drenagem percutânea da provável coleção abdominal. Incorreta.
Antibioticoterapia e drenagem percutânea podem ser necessárias, mas o
diagnóstico e planejamento devem ser guiados pela TC.
53ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 27 anos procura a emergência com dor súbita e intensa em fossa ilíaca direita
há 4 horas, iniciada durante atividade física, associada a náuseas e episódio de lipotimia.
Nega febre, disúria e alteração do hábito intestinal. Refere ciclos menstruais regulares,
última menstruação há 18 dias e uso regular de preservativos. Ao exame físico, encontra-
se pálida, sudorética, com pressão arterial de 88 x 56 mmHg, frequência cardíaca de 122
batimentos por minuto e temperatura axilar de 36,7 °C. O abdome apresenta dor difusa à
palpação, mais intensa em abdome inferior, com defesa abdominal e dor à
descompressão brusca. O teste de gravidez é negativo. A ultrassonografia transvaginal
evidencia massa anexial direita heterogênea de 6 cm e grande quantidade de líquido
livre na pelve e em recessos abdominais. Após infusão venosa inicial de cristaloide, a
paciente mantém hipotensão e taquicardia.
Nessa situação, a conduta terapêutica adequada consiste em realizar
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
laparotomia exploradora.
(alternativa B)
laparoscopia com preservação ovariana.
(alternativa C)
laparoscopia diagnóstica e terapêutica.
(alternativa D)
laparoscopia com ooforectomia.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: laparotomia exploradora.
Análise do enunciado
Mulher de 27 anos com quadro de abdome agudo de início súbito durante atividade
física:
Dor intensa em fossa ilíaca direita há 4 horas.
Náuseas + lipotimia.
Sinais de choque hipovolêmico: PA 88 × 56 mmHg, FC 122 bpm, palidez e
sudorese.
Exame abdominal: dor difusa com defesa e dor à descompressão brusca
(irritação peritoneal).
USG transvaginal: massa anexial direita heterogênea de 6 cm + grande
quantidade de líquido livre na pelve e recessos abdominais.
Teste de gravidez negativo (afasta gravidez ectópica rota).
Ciclos regulares, uso de preservativo.
Diagnóstico mais provável: Torção de anexo (torção de ovário ou de tumor ovariano)
com infarto ovariano e hemoperitônio significativo, levando a choque hipovolêmico.
A paciente está instável hemodinamicamente (choque hipovolêmico persistente apesar
de infusão inicial de cristaloides).
Análise das alternativas
laparotomia exploradora. Correta – conduta terapêutica adequada.
Justificativa:
Paciente com abdome agudo + choque hipovolêmico + grande quantidade de
líquido livre na cavidade peritoneal = indicação absoluta de exploração cirúrgica
imediata.
Em paciente instável hemodinamicamente, a laparotomia exploradora é a via de
acesso mais rápida e segura, permitindo controle imediato do sangramento,
avaliação da viabilidade do ovário e realização de salpingo-ooforectomia se
necessário.
As Diretrizes da FEBRASGO e WSES recomendam abordagem cirúrgica urgente
em torção de anexo com instabilidade hemodinâmica ou sinais de
peritonite/hemoperitônio significativo. A laparoscopia é preferida em pacientes
estáveis, mas não é a melhor opção aqui.
laparoscopia com preservação ovariana. Incorreta. A laparoscopia é a abordagem
preferencial em torção de anexo em pacientes estáveis, com objetivo de detorção e
preservação do ovário (ooforoplastia). No entanto, a paciente está em choque
hipovolêmico persistente — laparoscopia não é segura nem rápida o suficiente nesse
cenário.
laparoscopia diagnóstica e terapêutica. Incorreta. A paciente está em choque
hipovolêmico com sinais de irritação peritoneal e hemoperitônio. Observação
conservadora é inadequada e pode levar a piora clínica grave.
laparoscopia com ooforectomia. Incorreta. Além de a via laparoscópica não ser a
mais adequada em paciente instável, a ooforectomia imediata não deve ser a primeira
opção. O objetivo inicial é avaliar a viabilidade do ovário após detorção (muitos ovários
aparentemente “necróticos” recuperam-se após detorção).
54ª QUESTÃO
Enunciado:
Menino de 4 anos é levado à Unidade Básica de Saúde porque apresenta perda urinária
durante o sono em quatro a cinco noites por semana. Durante o dia, permanece seco e
não apresenta dor ao urinar, aumento da frequência urinária ou constipação. O
desenvolvimento neuropsicomotor é adequado para a idade, e o exame físico não revela
alterações.
A interpretação mais adequada do quadro é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
controle urinário noturno ainda em desenvolvimento.
(alternativa B)
enurese noturna monossintomática.
(alternativa C)
bexiga hiperativa sem manifestações urinárias diurnas.
(alternativa D)
atraso patológico da aquisição do controle urinário noturno.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Controle urinário noturno ainda em desenvolvimento.
Comentário técnico
Menino de 4 anos com perda urinária noturna em quatro a cinco noites por semana,
controle diurno adquirido aos 3 anos e meio, sem sintomas diurnos (urgência, frequência,
disúria) ou constipação. Desenvolvimento neuropsicomotor e exame físico normais.
Aos 4 anos, o controle esfincteriano noturno ainda está em fase de maturação fisiológica
do sistema nervoso central e da bexiga. O diagnóstico formal de enurese noturna
(primária ou secundária) é estabelecido a partir dos 5 anos completos (critérios da
International Children’s Continence Society e da Sociedade Brasileira de Pediatria). Antes
dessa idade, o termo mais adequado é “perda urinária noturna” ou “controle urinário
noturno ainda em desenvolvimento”.
Análise das alternativas incorretas
enurese noturna monossintomática. Incorreta. O diagnóstico formal de
enurese noturna monossintomática é estabelecido a partir dos 5 anos.
bexiga hiperativasem manifestações urinárias diurnas. Incorreta. Bexiga
hiperativa cursa com urgência, aumento da frequência urinária e perdas diurnas
(sintomas não presentes).
atraso patológico da aquisição do controle urinário noturno. Incorreta.
Atraso patológico da aquisição do controle urinário noturno não é o termo
adequado; o caso é fisiológico para a idade.
55ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 32 anos procura uma unidade de pronto atendimento por sangramento nasal
iniciado há 25 minutos, após permanecer várias horas em ambiente com ar-condicionado.
Nega trauma, uso de anticoagulantes e episódios prévios de sangramento intenso. Ao
exame, encontra-se em bom estado geral, com pressão arterial de 124 × 78 mmHg,
frequência cardíaca de 84 batimentos por minuto e vias aéreas pérvias. Observa-se
sangramento ativo de pequena intensidade proveniente da região anterior do septo nasal
direito, sem sangue em orofaringe.
Diante desse quadro, a conduta inicial mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
comprimir a porção mole do nariz, manter a cabeça inclinada para frente e considerar
vasoconstritor tópico.
(alternativa B)
realizar cauterização química imediata do ponto sangrante e manter a cabeça inclinada
para trás.
(alternativa C)
introduzir tampão nasal anterior, manter observação clínica e prescrever antibiótico
profilático.
(alternativa D)
aplicar gel salino nasal, orientar hidratação da mucosa e aguardar resolução espontânea
do sangramento.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Comprimir a porção mole do nariz, manter a cabeça inclinada
para frente e considerar vasoconstritor tópico.
Comentário técnico
Mulher de 32 anos com epistaxis anterior (sangramento da região do septo nasal),
iniciado há 25 minutos, sem sinais de gravidade (bom estado geral, PA normal, sem
sangue em orofaringe).
A conduta inicial mais adequada para epistaxis anterior é:
Compressão da porção mole do nariz (pinçamento das asas nasais) por 10–15
minutos contínuos.
Manter a cabeça inclinada para frente (evitar deglutição de sangue e aspiração).
Considerar vasoconstritor tópico (ex.: oximetazolina) se o sangramento persistir
após compressão.
Essas medidas são eficazes na maioria dos casos de epistaxis anterior.
Análise das alternativas incorretas
realizar cauterização química imediata do ponto sangrante e manter a
cabeça inclinada para trás. Incorreta. Cauterização química é indicada após
falha das medidas iniciais e não como primeira conduta. Manter a cabeça
inclinada para trás aumenta o risco de deglutição de sangue e aspiração.
introduzir tampão nasal anterior, manter observação clínica e
prescrever antibiótico profilático. Incorreta. Tampão nasal anterior é
reservado para casos de falha das medidas conservadoras ou sangramento
moderado/grave. Antibiótico profilático não é rotineiro.
aplicar gel salino nasal, orientar hidratação da mucosa e aguardar
resolução espontânea do sangramento. Incorreta. Gel salino e hidratação
da mucosa são medidas preventivas ou adjuvantes, não suficientes como
conduta inicial para sangramento ativo.
56ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 32 anos é levado à sala de emergência após colisão entre motocicleta e
automóvel. Foi encontrado consciente, com dor intensa na região cervical alta. Chega
imobilizado, referindo tontura e visão dupla. Ao exame, apresenta estabilidade
hemodinâmica, 15 pontos na Escala de Coma de Glasgow, dor à palpação cervical alta,
força e sensibilidade preservadas nos quatro membros e nistagmo horizontal. Após a
estabilização inicial, a tomografia da coluna cervical evidencia fratura de C2 com traço
envolvendo o forame transverso direito.
Mantida a imobilização cervical, o exame complementar prioritário é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
angiotomografia arterial de cabeça e pescoço.
(alternativa B)
ressonância magnética da coluna cervical.
(alternativa C)
angiorressonância das artérias cervicais.
(alternativa D)
ultrassonografia Doppler das artérias vertebrais.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Angiotomografia arterial de cabeça e pescoço.
Comentário técnico
Homem de 32 anos com trauma de alta energia (colisão motocicleta x automóvel), dor
cervical alta, tontura, visão dupla e nistagmo horizontal. Tomografia de coluna cervical
mostra fratura de C2 com traço envolvendo o forame transverso direito.
Esse achado indica alto risco de lesão da artéria vertebral (dissecção, oclusão ou
pseudoaneurisma), que pode levar a síndrome de Wallenberg ou acidente vascular
cerebral isquêmico no território vertebrobasilar.
A conduta inicial mais adequada é manter a imobilização cervical e solicitar
angiotomografia arterial de cabeça e pescoço — exame de escolha para avaliação
vascular rápida e precisa no contexto de trauma agudo.
Análise das alternativas incorretas
ressonância magnética da coluna cervical. Incorreta. Ressonância
magnética da coluna cervical é útil para avaliação de partes moles e medula,
mas não é o exame prioritário para lesão vascular.
angiorressonância das artérias cervicais. Incorreta. Angiorressonância é
uma opção válida, mas a angiotomografia é preferida por ser mais rápida e
amplamente disponível no contexto de urgência.
ultrassonografia Doppler das artérias vertebrais. Incorreta.
Ultrassonografia Doppler de artérias vertebrais tem menor sensibilidade e
especificidade, especialmente em trauma agudo com fratura cervical.
57ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 44 anos comparece à UBS para consulta de acompanhamento por ganho
ponderal progressivo. Refere que deseja “fazer logo cirurgia bariátrica”, pois tem
dificuldade para perder peso. Tem hipertensão arterial controlada com losartana e
dislipidemia em uso irregular de sinvastatina. Nega diabetes mellitus, apneia do sono
diagnosticada, doença cardiovascular estabelecida ou limitação funcional importante.
Informa que tentou dietas por conta própria, sem acompanhamento regular, e que iniciou
caminhadas há cerca de 1 mês. Ao exame, apresenta pressão arterial de 132 × 78
mmHg, frequência cardíaca de 82 bpm, peso de 91 kg, altura de 1,63 m e IMC de 34,3
kg/m². A circunferência abdominal é de 104 cm. Exames recentes mostram glicemia de
jejum de 96 mg/dL, hemoglobina glicada de 5,6%, LDL-colesterol de 158 mg/dL e
triglicerídeos de 210 mg/dL.
Considerando os critérios de indicação de cirurgia bariátrica e o cuidado longitudinal na
atenção primária, a conduta mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
inserir em cuidado multiprofissional e reavaliar elegibilidade para cirurgia bariátrica.
(alternativa B)
considerar hipertensão e IMC acima de 30 kg/m² como critérios para encaminhar para
cirurgia bariátrica.
(alternativa C)
aguardar eventual progressão do diagnóstico para diabetes tipo 2 antes de indicar
avaliação cirúrgica.
(alternativa D)
manter acompanhamento clínico na UBS e considerar encaminhamento se houver
progressão do IMC.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Inserir em cuidado multiprofissional e reavaliar elegibilidade
para cirurgia bariátrica.
Comentário técnico
O ponto central da questão é o IMC da paciente: 34,3 kg/m², que está abaixo do limiar
mínimo para indicação de cirurgia bariátrica, mesmo na presença de comorbidades.
Os critérios clássicos (Conselho Federal de Medicina/Sociedade Brasileira de Cirurgia
Bariátrica) para indicação cirúrgica são:
IMC ≥ 40 kg/m², independentemente de comorbidades; ou
IMC entre 35 e 39,9 kg/m², associado a comorbidades relacionadas à obesidade
(HAS, DM2, dislipidemia grave, apneia do sono, entre outras);
Após tratamento clínico adequado e estruturado, geralmente por período
mínimo de 2 anos, sem resposta satisfatória, e com avaliação multiprofissional
prévia.
No caso, a paciente:
Tem IMC de 34,3 kg/m² — não atinge nem o menor limiar (35 kg/m²);
Realizou apenas tentativas informais de dieta, sem acompanhamento
profissional estruturado, e iniciou caminhadas há apenas 1 mês — ou seja, não
houve tratamento clínico adequadamente conduzido e prolongado que permitabipolar estabilizado há vários anos com carbonato de
lítio, procura um serviço de urgência por dificuldade para caminhar, tremores intensos
nas mãos, náuseas e fala arrastada iniciados há dois dias. Uma semana antes, havia
iniciado clortalidona para tratamento de hipertensão arterial. Desde então, refere
redução da ingestão de líquidos por episódio de gastroenterite. Ao exame, encontra-se
sonolenta, mas desperta ao chamado, com mucosas secas, tremor grosseiro, disartria e
marcha atáxica. A pressão arterial é de 108 × 68 mmHg, a frequência cardíaca é de 96
batimentos por minuto e a glicemia capilar é de 102 mg/dL.
Diante da principal hipótese diagnóstica, a conduta inicial mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
suspender o lítio e a clortalidona, iniciar hidratação intravenosa e solicitar litemia, função
renal e eletrólitos.
(alternativa B)
manter o lítio, suspender o diurético, administrar antiemético e repetir a avaliação
neurológica após hidratação oral.
(alternativa C)
suspender o lítio, administrar carvão ativado e solicitar dosagem sérica do fármaco após
seis horas de observação.
(alternativa D)
manter os medicamentos habituais, administrar benzodiazepínico e solicitar tomografia
de crânio para investigação da ataxia.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: suspender o lítio e a clortalidona, iniciar hidratação
intravenosa e solicitar litemia, função renal e eletrólitos.
Comentário técnico
Paciente em uso crônico de carbonato de lítio, que iniciou clortalidona (diurético tiazídico)
e apresentou gastroenterite com redução da ingestão hídrica. Evoluiu com tremores
grosseiros, disartria, marcha atáxica e sonolência — quadro clássico de intoxicação por
lítio (precipitada por desidratação e interação medicamentosa com o diurético, que
aumenta a reabsorção tubular de lítio).
A conduta inicial deve incluir:
Suspensão imediata do lítio e do diurético.
Hidratação intravenosa vigorosa.
Solicitação urgente de litemia, função renal e eletrólitos.
Monitorização clínica e laboratorial seriadas.
Análise das alternativas incorretas
manter o lítio, suspender o diurético, administrar antiemético e repetir a
avaliação neurológica após hidratação oral. Incorreta. Manter o lítio em contexto de
intoxicação é perigoso e pode agravar o quadro neurológico.
suspender o lítio, administrar carvão ativado e solicitar dosagem sérica do
fármaco após seis horas de observação. Incorreta. Carvão ativado não é eficaz para
lítio (absorção rápida e baixa ligação ao carvão). A dosagem deve ser solicitada
imediatamente, não após seis horas.
manter os medicamentos habituais, administrar benzodiazepínico e solicitar
tomografia de crânio para investigação da ataxia. Incorreta. Manter o lítio e
solicitar tomografia de crânio não aborda a causa principal (intoxicação medicamentosa).
A ataxia e sonolência são compatíveis com toxicidade por lítio.
5ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 29 anos procura a Unidade Básica de Saúde após diagnóstico recente de sífilis
em teste rápido realizado durante atendimento por lesão genital. Relata relações sexuais
sem preservativo nos últimos meses e nunca havia feito testagem para HIV. Está
assintomático, em bom estado geral, e aceita realizar a testagem na unidade. É realizado
um primeiro teste rápido para HIV, com resultado reagente.
Considerando o fluxo diagnóstico e terapêutico do HIV no SUS, a próxima conduta é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
realizar segundo teste rápido distinto e iniciar TARV, se reagente.
(alternativa B)
solicitar carga viral do HIV e iniciar TARV, se detectável.
(alternativa C)
repetir o primeiro teste rápido e iniciar TARV, se reagente.
(alternativa D)
solicitar contagem de CD4 e iniciar TARV, se houver imunossupressão.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: realizar segundo teste rápido distinto e iniciar TARV, se
reagente.
Comentário técnico
Homem de 29 anos com teste rápido para HIV reagente, em contexto de sífilis recente e
exposição de risco. Está assintomático e aceita a testagem.
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo
HIV (Ministério da Saúde – Brasil):
Teste rápido reagente → realizar teste rápido de metodologia distinta (ex.: outro
fabricante ou princípio técnico) para confirmação.
Se o segundo teste for reagente → diagnóstico de HIV confirmado.
Iniciar Terapia Antirretroviral (TARV) o mais breve possível (estratégia “Test and
Treat”), independentemente de contagem de CD4 ou carga viral.
Essa abordagem aumenta a retenção no cuidado e reduz a transmissão.
Análise das alternativas incorretas
solicitar carga viral do HIV e iniciar TARV, se detectável. Incorreta. A
carga viral não é pré-requisito para início de TARV. O tratamento deve ser
iniciado logo após a confirmação diagnóstica.
repetir o primeiro teste rápido e iniciar TARV, se reagente. Incorreta.
Repetir o mesmo teste rápido não segue o fluxo recomendado (necessita de
metodologia distinta para confirmação).
solicitar contagem de CD4 e iniciar TARV, se houver imunossupressão.
Incorreta. A contagem de CD4 não é necessária para iniciar TARV. O tratamento
é universal, independentemente do grau de imunossupressão.
6ª QUESTÃO
Enunciado:
Menino de 3 anos, previamente hígido, é levado à Unidade de Pronto Atendimento por
febre diária há seis dias e irritabilidade intensa. Ao exame, apresenta conjuntivite
bilateral não purulenta, exantema polimorfo no tronco e nos membros, lábios
avermelhados e fissurados, língua em framboesa e edema com eritema de mãos e pés.
A principal hipótese diagnóstica é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
doença de Kawasaki clássica.
(alternativa B)
síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica.
(alternativa C)
escarlatina.
(alternativa D)
infecção por adenovírus.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Doença de Kawasaki clássica.
Comentário técnico
Menino de 3 anos com febre ≥5 dias associada a:
Conjuntivite bilateral não purulenta.
Exantema polimorfo no tronco e membros.
Alterações labiais (lábios avermelhados e fissurados, língua em framboesa).
Edema com eritema de mãos e pés.
O quadro preenche os critérios diagnósticos completos de doença de Kawasaki
clássica (febre persistente + ≥4 dos 5 critérios principais). A doença de Kawasaki é uma
vasculite sistêmica aguda, com risco de acometimento coronariano (aneurismas) se não
tratada precocemente.
Conduta inicial: Imunoglobulina intravenosa (2 g/kg) + ácido acetilsalicílico em dose
anti-inflamatória, com avaliação cardiológica (ecocardiograma).
Análise das alternativas incorretas
síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica. Incorreta. Síndrome
inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) está associada à COVID-19, com
quadro sistêmico grave, choque e marcadores inflamatórios elevados (não
descritos aqui).
escarlatina. Incorreta. Escarlatina cursa com exantema escarlatiniforme, língua
em framboesa e faringite estreptocócica, mas não com conjuntivite bilateral não
purulenta ou edema de extremidades.
infecção por adenovírus. Incorreta. Infecção por adenovírus pode causar
conjuntivite e febre, mas não o conjunto completo de alterações mucocutâneas.
7ª QUESTÃO
Enunciado:
Gestante de 24 anos, G2P1, com 39 semanas e 2 dias de gestação, comparece à UBS
para consulta de pré-natal referindo saída súbita de grande quantidade de líquido claro
pela vagina há cerca de 3 horas, com manutenção de perda líquida em pequena
quantidade desde então. Nega febre, dor abdominal contínua, sangramento vaginal ou
redução da movimentação fetal. Refere contrações irregulares, pouco dolorosas. Ao
exame, apresenta pressão arterial de 110 × 70 mmHg, frequência cardíaca de 84 bpm,
temperatura de 36,6 ºC e frequência cardíaca fetal de 144 bpm. O abdome é gravídico,
indolor, com tônus uterino normal. Ao exame especular, observa-se líquido claro
acumulado em fundo de saco vaginal, com escoamento pelo orifício cervical externo à
manobra de Valsalva. O toque vaginal não é realizado.
Considerando osconsiderar "falha terapêutica";
Usa sinvastatina de forma irregular, indicando que o tratamento clínico-
farmacológico atual sequer está otimizado.
Diante disso, a conduta mais apropriada na atenção primária é inserir a paciente em
cuidado multiprofissional (nutrição, educação física, apoio psicológico, otimização do
tratamento farmacológico da HAS e dislipidemia) e reavaliar a elegibilidade cirúrgica no
futuro, caso não haja resposta adequada ao tratamento clínico bem conduzido — em vez
de encaminhar precocemente para avaliação cirúrgica.
Análise das alternativas incorretas.
considerar hipertensão e IMC acima de 30 kg/m² como critérios para
encaminhar para cirurgia bariátrica. Incorreta. erro conceitual direto. IMC
acima de 30 kg/m² isoladamente (com ou sem comorbidade) não é critério de
indicação cirúrgica — o limiar mínimo com comorbidade é IMC ≥ 35 kg/m². Essa
alternativa simplifica incorretamente os critérios.
aguardar eventual progressão do diagnóstico para diabetes tipo 2
antes de indicar avaliação cirúrgica. Incorreta. porque não é necessário
"esperar" o desenvolvimento de diabetes para reavaliar a paciente — essa é
uma lógica equivocada de manejo, que além disso adia intervenções clínicas já
indicadas agora (controle de peso, lipídios, pressão arterial) em vez de atuar
preventivamente.
manter acompanhamento clínico na UBS e considerar encaminhamento
se houver progressão do IMC. Incorreta. é tentadora por parecer
conservadora e alinhada à atenção primária, mas é incompleta: não menciona a
necessidade de estruturar o cuidado multiprofissional agora (essencial tanto
para tratar adequadamente a obesidade quanto para eventualmente compor o
histórico de "tratamento clínico bem conduzido" exigido para indicação cirúrgica
futura). Simplesmente "esperar a progressão do IMC" é uma postura passiva que
não reflete o cuidado longitudinal ativo esperado da atenção primária.
58ª QUESTÃO
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Enunciado:
Homem de 58 anos procura o pronto atendimento por dor lombar intensa há 3 dias, com
irradiação para as nádegas e face posterior das coxas. Relata que, inicialmente, pensou
tratar-se de “crise renal”, pois a dor piorava em ondas e dificultava caminhar. Nega
febre, disúria ou hematúria. Refere, nas últimas 12 horas, dormência em região perineal,
dificuldade para iniciar a micção e sensação de esvaziamento vesical incompleto. Ao
exame, apresenta pressão arterial de 138 × 84 mmHg, frequência cardíaca de 88 bpm e
temperatura de 36,8 ºC. O abdome é flácido, sem dor à palpação profunda. A punho-
percussão lombar é negativa bilateralmente. O exame neurológico mostra redução da
sensibilidade em região perineal, fraqueza discreta para flexão plantar bilateral e reflexo
aquileu diminuído em ambos os membros inferiores.
Considerando o quadro clínico apresentado, a conduta mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
solicitar ressonância lombossacra e acionar avaliação especializada.
(alternativa B)
prescrever analgesia e programar reavaliação ambulatorial precoce.
(alternativa C)
solicitar tomografia de abdome e avaliar litíase urinária obstrutiva.
(alternativa D)
tratar como radiculopatia lombossacra e solicitar ressonância eletiva.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Solicitar ressonância lombossacra e acionar avaliação
especializada.
Comentário técnico
O paciente apresenta dor lombar irradiada para membros inferiores que evoluiu com
sinais e sintomas de compressão de cauda equina:
Dormência em região perineal (“saddle anesthesia”).
Disfunção vesical (dificuldade para iniciar a micção e sensação de esvaziamento
incompleto).
Fraqueza discreta para flexão plantar bilateral e reflexo aquileu diminuído.
Esses achados configuram síndrome da cauda equina — uma emergência neurocirúrgica
causada, na maioria dos casos, por hérnia discal lombar volumosa ou outras lesões
compressivas. A demora no diagnóstico e descompressão pode resultar em sequelas
permanentes (incontinência urinária/fecal, impotência sexual e paraparesia).
A ressonância magnética da coluna lombossacra é o exame de escolha para confirmação
diagnóstica. O paciente deve ser avaliado com urgência por neurocirurgia ou ortopedia
de coluna.
Análise das alternativas incorretas
prescrever analgesia e programar reavaliação ambulatorial precoce.
Incorreta. Conduta conservadora ambulatorial é inadequada e perigosa diante
de sinais de compressão neurológica grave.
solicitar tomografia de abdome e avaliar litíase urinária obstrutiva.
Incorreta. Embora a dor inicial possa sugerir cólica renal, os achados
neurológicos atuais indicam compressão de raízes nervosas, não litíase
obstrutiva.
tratar como radiculopatia lombossacra e solicitar ressonância eletiva.
Incorreta. Tratar como radiculopatia simples ignora os sinais de cauda equina
(emergência). A ressonância deve ser feita com caráter urgente, não eletivo.
59ª QUESTÃO
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Enunciado:
Adolescente de 15 anos comparece à UBS acompanhado do pai, com dor intensa no
testículo esquerdo iniciada há cerca de 3 horas, durante repouso. Refere náuseas e um
episódio de vômito após o início da dor. Nega trauma local, febre, disúria ou secreção
uretral. Relata que, nos últimos meses, teve dois episódios semelhantes de dor testicular
que melhoraram espontaneamente em menos de uma hora. Ao exame, apresenta
pressão arterial de 118 × 72 mmHg, frequência cardíaca de 104 bpm e temperatura de
36,7 ºC. A bolsa escrotal esquerda está dolorosa e discretamente edemaciada. O
testículo esquerdo encontra-se elevado e em posição horizontalizada. O reflexo
cremastérico está ausente à esquerda.
Considerando a principal hipótese diagnóstica, a conduta inicial mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
encaminhar para avaliação cirúrgica urológica em caráter de urgência.
(alternativa B)
solicitar urocultura e iniciar antibiótico oral para epididimite.
(alternativa C)
prescrever analgesia, repouso escrotal e Doppler ambulatorial em curto prazo.
(alternativa D)
prescrever analgesia e acompanhar como torção-detorsão se houver regressão da dor.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Encaminhar para avaliação cirúrgica urológica em caráter de
urgência.
Comentário técnico
Adolescente com dor testicular aguda intensa (início súbito durante repouso),
náuseas/vômito, testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e
episódios prévios de dor autolimitada (sugestivo de torção intermitente).
Esse quadro é altamente sugestivo de torção testicular — emergência urológica que
exige diagnóstico e tratamento cirúrgico imediato. A torção leva à interrupção do fluxo
sanguíneo testicular, e o tempo é crítico: a viabilidade testicular cai rapidamente após 6
horas de sintomas.
A conduta inicial prioritária é o encaminhamento urgente para exploração cirúrgica
(orquidopexia bilateral, com detorção e fixação do testículo). O Doppler colorido pode ser
auxiliar, mas não deve atrasar a intervenção em quadro clínico típico.
Análise das alternativas incorretas
solicitar urocultura e iniciar antibiótico oral para epididimite. Incorreta.
Epididimite/orquiepididimite é o principal diagnóstico diferencial, mas é menos
provável em adolescente sem febre, disúria ou secreção uretral. O quadro agudo
grave e os achados físicos apontam para torção.
prescrever analgesia, repouso escrotal e Doppler ambulatorial em curto
prazo. Incorreta. Prescrever analgesia e solicitar Doppler ambulatorial pode
atrasar o diagnóstico e tratamento, reduzindo a chance de salvamento
testicular.
prescrever analgesia e acompanhar como torção-detorsão se houver
regressão da dor. Incorreta. Observação ou conduta expectante (“torção-
detorsão”) é perigosa e pode levar à perda irreversível do testículo.
60ª QUESTÃO
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Enunciado:
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde para avaliação de manchas na
pele presentes desde a primeira infância. A mãe relata aumento progressivo do número
de manchas e dificuldade de aprendizagem na escola. Ao exame físico, observam-se oito
máculas cafécom leite, medindo entre 0,7 cm e 2,5 cm, distribuídas em tronco e
membros, além de efélides em região axilar bilateral. Ressonância magnética de
encéfalo, solicitada após queixa de redução da acuidade visual, mostrou lesão compatível
com glioma de via óptica.
O diagnóstico mais provável é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
neurofibromatose tipo 1.
(alternativa B)
síndrome de Legius.
(alternativa C)
síndrome de McCune-Albright.
(alternativa D)
esclerose tuberosa.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Neurofibromatose tipo 1.
Comentário técnico
Menino de 6 anos com múltiplas máculas café com leite (>6, algumas >0,5 cm), efélides
axilares (sinal de Crowe), glioma de via óptica e dificuldade de aprendizagem.
Esse conjunto de achados preenche critérios diagnósticos para Neurofibromatose tipo 1
(NF1), doença autossômica dominante causada por mutação no gene NF1 (cromossomo
17). Os critérios diagnósticos (NIH) incluem:
≥6 máculas café com leite (>0,5 cm em pré-púberes).
Efélides axilares ou inguinais.
Glioma de via óptica (uma das manifestações mais graves).
A NF1 é a neurocutânea mais comum e exige acompanhamento multidisciplinar
(oftalmológico, neurológico, ortopédico e oncológico) devido ao risco de tumores,
problemas de aprendizagem e complicações vasculares.
Análise das alternativas incorretas
Síndrome de Legius. Incorreta. Apresenta máculas café com leite e efélides
axilares, mas não tumores como glioma óptico.
Síndrome de McCune-Albright. Incorreta. Manchas café com leite são
tipicamente grandes e segmentares, associadas a displasia fibrosa óssea e
puberdade precoce.
Esclerose tuberosa. Incorreta. Caracteriza-se por máculas hipocrômicas (ash-
leaf spots), angiofibromas faciais, hamartomas e convulsões, não por múltiplas
máculas café com leite.
61ª QUESTÃO
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Enunciado:
Menina de 11 anos é levada à Unidade Básica de Saúde por febre baixa e dor articular há
4 dias. A mãe relata que a dor começou no joelho direito, com edema e dificuldade para
caminhar, melhorou parcialmente após uso de analgésico, mas, no dia seguinte, passou a
acometer o tornozelo esquerdo e, depois, o cotovelo direito. Há cerca de 3 semanas, a
criança apresentou dor de garganta, febre e placas em amígdalas, com melhora
espontânea após alguns dias, sem uso de antibiótico. Ao exame, está em bom estado
geral, temperatura de 38 °C, frequência cardíaca de 96 bpm. O tornozelo esquerdo está
doloroso e discretamente edemaciado, enquanto o joelho direito não apresenta mais
edema. Ausculta cardíaca sem sopros evidentes. Não há exantema, petéquias,
hepatoesplenomegalia ou sinais de toxemia.
Considerando a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta terapêutica inicial
adequada, assinale a alternativa correta.
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
suspeitar de febre reumática aguda e iniciar o tratamento com penicilina benzatina e
anti-inflamatório.
(alternativa B)
suspeitar de artrite séptica e iniciar antibioticoterapia intravenosa após punção da
articulação acometida.
(alternativa C)
suspeitar de artrite idiopática juvenil e iniciar tratamento imunossupressor após avaliação
reumatológica.
(alternativa D)
suspeitar de artrite reativa pós-estreptocócica e prescrever anti-inflamatório sem
erradicação estreptocócica.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Suspeitar de febre reumática aguda e iniciar penicilina
benzatina e anti-inflamatório.
Comentário técnico
Menina de 11 anos com poliartrite migratória (joelho direito → tornozelo esquerdo →
cotovelo direito), febre baixa e antecedente de faringoamigdalite não tratada há 3
semanas.
Esse quadro preenche critérios de Jones para febre reumática aguda (poliartrite
migratória + evidência de infecção estreptocócica prévia). A febre reumática é uma
complicação imunomediada pós-infecção por Streptococcus pyogenes do grupo A.
Conduta terapêutica inicial:
Penicilina benzatina (dose única intramuscular) para erradicação do
estreptococo.
Anti-inflamatório (ácido acetilsalicílico em dose anti-inflamatória ou AINE) para
controle da artrite.
Avaliação cardiológica (ecocardiograma) para pesquisa de cardite reumática.
Análise das alternativas incorretas
suspeitar de artrite séptica e iniciar antibioticoterapia intravenosa após
punção da articulação acometida. Incorreta. Artrite séptica geralmente é
monoarticular, com febre alta, toxemia e sinais locais francos de infecção. Não
há indícios de sepse ou monoartrite purulenta.
suspeitar de artrite idiopática juvenil e iniciar tratamento
imunossupressor após avaliação reumatológica. Incorreta. Artrite
idiopática juvenil não costuma ser migratória e aguda, e o antecedente de
faringoamigdalite aponta para etiologia pós-estreptocócica.
suspeitar de artrite reativa pós-estreptocócica e prescrever anti-
inflamatório sem erradicação estreptocócica. Incorreta. Artrite pós-
estreptocócica reativa geralmente não requer erradicação estreptocócica, mas o
quadro migratório e febre sugerem mais febre reumática aguda, que exige
penicilina benzatina.
62ª QUESTÃO
Enunciado:
Gestante de 24 anos, com 27 semanas de gestação, comparece por demanda
espontânea a uma unidade básica de saúde. Relata febre, calafrios, náuseas e dor
lombar à direita há dois dias. Informa que, há cerca de uma semana, iniciou disúria e
aumento da frequência urinária, sem ter procurado atendimento anteriormente. Ao
exame físico, apresenta regular estado geral, temperatura de 39,1 °C, frequência
cardíaca de 116 batimentos por minuto, pressão arterial de 96 × 62 mmHg e frequência
respiratória de 22 incursões por minuto. A punho-percussão da região lombar direita é
dolorosa. A altura uterina é compatível com a idade gestacional, não há contrações
uterinas e a frequência cardíaca fetal é de 168 batimentos por minuto.
Diante desse quadro, a conduta inicial mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
iniciar hidratação venosa, administrar nitrofurantoína, solicitar urocultura e manter
observação na unidade.
(alternativa B)
administrar antitérmico, prescrever fosfomicina, solicitar hemograma e encaminhar para
seguimento ambulatorial.
(alternativa C) (CORRETA) 
iniciar hidratação venosa, administrar antitérmico e antibioticoterapia empírica e
encaminhar para internação hospitalar.
(alternativa D)
administrar analgésico, coletar urocultura, iniciar antibiótico oral e encaminhar para
avaliação obstétrica eletiva.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Iniciar hidratação venosa, administrar antitérmico e
antibioticoterapia empírica e encaminhar para internação hospitalar.
Comentário técnico
Gestante de 27 semanas com quadro clínico de pielonefrite aguda (infecção do trato
urinário alto):
Disúria e aumento da frequência urinária (sintomas iniciais).
Febre, calafrios, dor lombar, taquicardia e hipotensão relativa (sinais de sepse).
Sinal de Giordano positivo.
A pielonefrite na gestação é uma condição grave, com risco de sepse, parto prematuro e
sofrimento fetal. A conduta inicial deve incluir:
Hidratação venosa.
Antitérmico (paracetamol).
Antibioticoterapia empírica intravenosa (ex.: ceftriaxona ou ampicilina +
gentamicina).
Internação hospitalar para vigilância materna e fetal.
Análise das alternativas incorretas
iniciar hidratação venosa, administrar nitrofurantoína, solicitar
urocultura e manter observação na unidade. Incorreta. Nitrofurantoína não
é adequada para pielonefrite (baixa penetração tecidual) e observação na UBS é
insuficiente em caso de sepse. 
administrar antitérmico, prescrever fosfomicina, solicitar hemograma e
encaminhar para seguimento ambulatorial. Incorreta. Fosfomicina não é
recomendada para pielonefrite e o encaminhamento ambulatorial é inadequado.
administrar analgésico, coletar urocultura, iniciar antibiótico oral e
encaminhar para avaliação obstétrica eletiva. Incorreta. Tratamento oral e
encaminhamento eletivo são insuficientes para pielonefrite com sinais de sepse.
63ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 59 anos recebeu alta hospitalar há 10 dias após infarto agudo do miocárdio
comsupradesnivelamento do segmento ST, tratado por angioplastia primária com
implante de stent. Encontra-se clinicamente estável e recebeu prescrição de terapia para
prevenção cardiovascular secundária. Apresenta diabetes mellitus tipo 2, hipertensão
arterial, tabagismo ativo e dificuldade de adesão ao tratamento medicamentoso. A
equipe da unidade básica de saúde encaminhou o paciente para acompanhamento em
cardiologia, e a família pergunta como o cuidado será organizado a partir desse
momento.
Diante da dúvida apresentada e considerando a organização do cuidado no SUS, a
orientação mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
manter o cuidado compartilhado com a cardiologia, sob coordenação da UBS.
(alternativa B)
manter o seguimento exclusivo na UBS após o tratamento do evento agudo.
(alternativa C)
transferir o acompanhamento para a cardiologia, restringindo a UBS a atividades
administrativas.
(alternativa D)
manter o seguimento regular em serviço hospitalar de alta complexidade.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Manter o cuidado compartilhado com a cardiologia, sob
coordenação da UBS.
Comentário técnico
Homem de 59 anos, 10 dias após IAM com supradesnivelamento do segmento ST tratado
com angioplastia primária. Tem múltiplos fatores de risco cardiovascular (diabetes,
hipertensão, tabagismo) e dificuldade de adesão medicamentosa. A UBS mantém
acompanhamento pela Estratégia Saúde da Família.
De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica e o modelo de atenção do SUS, a
Atenção Primária (UBS/ESF) é o lócus de coordenação do cuidado longitudinal. O cuidado
compartilhado com a cardiologia (atenção secundária) é a abordagem mais adequada
para garantir continuidade, adesão ao tratamento, controle de fatores de risco e
prevenção de novos eventos cardiovasculares.
Análise das alternativas incorretas
manter o seguimento exclusivo na UBS após o tratamento do evento
agudo. Incorreta. Seguimento exclusivo na UBS após o evento agudo não é
adequado para paciente de alto risco cardiovascular, que necessita de
acompanhamento especializado compartilhado.
transferir o acompanhamento para a cardiologia, restringindo a UBS a
atividades administrativas. Incorreta. Transferência exclusiva para
cardiologia fragmenta o cuidado e não respeita o princípio da longitudinalidade e
coordenação pela Atenção Primária.
manter o seguimento regular em serviço hospitalar de alta
complexidade. Incorreta. Seguimento regular em hospital de alta
complexidade não é necessário para paciente estável pós-alta e aumenta o
custo e a fragmentação do cuidado.
64ª QUESTÃO
Enunciado:
Recém-nascido de 3 dias de vida é levado à Unidade Básica de Saúde para avaliação
após alta da maternidade. Nasceu a termo, por parto vaginal, com peso de 2.900 g,
Apgar 9/10, sem intercorrências. Está em aleitamento materno exclusivo. A mãe relata
que ele mama em livre demanda, cerca de 8 a 10 vezes ao dia, mas está preocupada
porque “parece ter emagrecido”. Na avaliação, o recém-nascido está ativo, corado,
hidratado, com boa pega e sucção efetiva observadas durante a mamada. Apresenta
diurese em 5 fraldas nas últimas 24 horas e evacuações em transição. O peso atual é de
2.700 g.
A conduta mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
manter aleitamento materno exclusivo, revisar técnica e retornar em 48–72 horas.
(alternativa B)
manter aleitamento materno exclusivo, com intervalos regulares a cada 3 horas.
(alternativa C)
complementar com fórmula após as mamadas até recuperar o peso de nascimento.
(alternativa D)
oferecer leite materno ordenhado em horários fixos para controlar o volume ingerido.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Manter aleitamento materno exclusivo, revisar técnica e
retornar em 48–72 horas.
Comentário técnico
Recém-nascido de 3 dias de vida, a termo, em aleitamento materno exclusivo, com perda
de peso de 200 g (cerca de 6,9% do peso ao nascer). Apresenta boa pega, sucção efetiva,
diurese (5 fraldas/24h) e evacuações em transição, sem sinais de desidratação.
A perda de peso fisiológica do recém-nascido pode chegar até 10% do peso ao nascer nos
primeiros 3–5 dias de vida, especialmente em bebês em aleitamento materno exclusivo.
A conduta inicial deve ser:
Manter aleitamento materno exclusivo em livre demanda.
Revisar técnica de amamentação (pega, posição, sucção).
Reavaliação clínica e ponderal em 48–72 horas.
Análise das alternativas incorretas
manter aleitamento materno exclusivo, com intervalos regulares a cada
3 horas. Incorreta. Intervalos fixos a cada 3 horas não são recomendados em
aleitamento materno exclusivo. A livre demanda é o padrão-ouro para manter a
produção de leite e a sucção efetiva.
complementar com fórmula após as mamadas até recuperar o peso de
nascimento. Incorreta. Complementação com fórmula é indicada apenas em
casos de perda excessiva (>10–12%), desidratação ou falha no aleitamento, o
que não ocorre aqui.
oferecer leite materno ordenhado em horários fixos para controlar o
volume ingerido. Incorreta. Ordenha e horários fixos não são indicados como
primeira conduta e podem interferir na produção de leite e na dinâmica da
amamentação.
65ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 34 anos é levado ao pronto-socorro após atropelamento. Após a estabilização
inicial, apresenta pressão arterial de 122 × 78 mmHg e frequência cardíaca de 98
batimentos por minuto. Na avaliação neurológica, abre os olhos ao chamado, responde
de forma confusa e localiza o estímulo doloroso. As pupilas são isocóricas e
fotorreagentes, sem déficit motor focal. Faz uso diário de ácido acetilsalicílico por
antecedente de angioplastia coronariana. A tomografia de crânio mostra fina lâmina de
hematoma subdural agudo frontotemporal direito, sem desvio significativo da linha média
nem compressão das cisternas basais.
Nesse caso, a conduta inicial mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
internar para monitorização neurológica seriada e solicitar avaliação neurocirúrgica.
(alternativa B)
internar para observação clínica, sem necessidade de monitorização neurológica seriada.
(alternativa C)
iniciar manitol intravenoso e hiperventilação controlada preventiva.
(alternativa D)
encaminhar à unidade de terapia intensiva para monitorização invasiva da pressão
intracraniana.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Internar para monitorização neurológica seriada e solicitar
avaliação neurocirúrgica.
Comentário técnico
Homem de 34 anos com hematoma subdural agudo fino frontotemporal direito, sem
desvio de linha média ou compressão de cisternas basais. Apresenta Glasgow 13 (abre
olhos ao chamado, responde confuso, localiza dor), pupilas normais e sem déficit motor
focal. Faz uso de AAS.
Em hematoma subdural agudo pequeno e estável, sem sinais de hipertensão
intracraniana ou herniação, a conduta inicial é internação para monitorização neurológica
seriada e avaliação neurocirúrgica. O objetivo é detectar deterioração precoce e indicar
cirurgia (evacuação) se necessário.
Análise das alternativas incorretas
internar para observação clínica, sem necessidade de monitorização
neurológica seriada. Incorreta. Observação clínica sem monitorização
neurológica seriada é inadequada em hematoma subdural.
iniciar manitol intravenoso e hiperventilação controlada preventiva.
Incorreta. Manitol e hiperventilação são indicados em casos de hipertensão
intracraniana ou herniação, não como medida preventiva em hematoma
pequeno e estável.
encaminhar à unidade de terapia intensiva para monitorização invasiva
da pressão intracraniana. Incorreta. Monitorização invasiva da pressão
intracraniana é reservada para casos graves (coma, hipertensão intracraniana
refratária).
66ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 46 anos, operador de empilhadeira em um centro de distribuição, sofre
esmagamento torácico após tombamento do equipamento durante o turno de trabalho. É
levado por colegas a uma unidade de pronto atendimento, onde chega inconsciente, sem
pulso palpável e em apneia.Após as manobras de reanimação cardiopulmonar, não
apresenta retorno da circulação espontânea, e o óbito é constatado.
Diante da natureza do evento e das responsabilidades médico-legais e sanitárias, a
conduta adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
emitir a Declaração de Óbito, registrar a CAT e dispensar a notificação ao Sinan.
(alternativa B)
encaminhar o corpo ao IML, cabendo ao instituto emitir a CAT e notificar o Sinan.
(alternativa C)
emitir a Declaração de Óbito, notificar o Sinan e dispensar o registro da CAT.
(alternativa D) (CORRETA) 
encaminhar o corpo ao IML, notificar o Sinan e orientar a empresa a registrar a CAT.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Encaminhar o corpo ao IML, notificar o Sinan e orientar a
empresa a registrar a CAT.
Comentário técnico
Homem de 46 anos com óbito decorrente de acidente de trabalho grave (esmagamento
torácico durante operação de empilhadeira).
Conduta adequada:
Encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para necropsia (óbito não
natural/violento).
Notificar o caso ao Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação)
como acidente de trabalho fatal (notificação compulsória pela equipe de saúde).
Orientar a empresa a registrar a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)
junto à Previdência Social (obrigação do empregador).
Essas medidas cumprem as responsabilidades médico-legais e sanitárias previstas na
legislação brasileira.
Análise das alternativas incorretas
emitir a Declaração de Óbito, registrar a CAT e dispensar a notificação
ao Sinan. Incorreta. Em óbito por acidente de trabalho, o corpo deve ser
encaminhado ao IML. A emissão da Declaração de Óbito pelo serviço de saúde é
inadequada.
encaminhar o corpo ao IML, cabendo ao instituto emitir a CAT e
notificar o Sinan. Incorreta. A notificação ao Sinan é responsabilidade da
equipe de saúde que atendeu o caso, não do IML.
emitir a Declaração de Óbito, notificar o Sinan e dispensar o registro da
CAT. Incorreta. Não se dispensa o registro da CAT, e o corpo deve ser
encaminhado ao IML.
67ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 27 anos é levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência ao pronto-
socorro após colisão automobilística ocorrida há cerca de 45 minutos. Na avaliação
inicial, apresenta vias aéreas pérvias, frequência respiratória de 30 incursões por minuto,
murmúrio vesicular presente bilateralmente e saturação de oxigênio de 96% com
máscara de oxigênio. Encontra-se confuso, com pele fria e sudoreica, frequência cardíaca
de 136 batimentos por minuto, pressão arterial de 72 × 42 mmHg e enchimento capilar
de 5 segundos. O abdome está distendido e doloroso, principalmente no quadrante
superior direito. Não há instabilidade pélvica nem sangramento externo significativo. O
protocolo de hemorragia maciça é ativado, com início de reposição balanceada de
hemocomponentes. O ultrassom FAST realizado à beira do leito evidencia grande
quantidade de líquido livre nas janelas hepatorrenal e pélvica. Após as medidas iniciais, o
paciente mantém pressão arterial de 78 × 46 mmHg e frequência cardíaca de 132
batimentos por minuto.
Diante desse quadro, a conduta mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
manter a reposição hemostática, administrar ácido tranexâmico e encaminhar
imediatamente para laparotomia exploradora.
(alternativa B)
manter a reposição hemostática, solicitar tomografia contrastada e definir o tratamento
conforme o órgão lesionado.
(alternativa C)
ampliar a infusão de cristaloides, repetir o exame FAST e reavaliar a indicação cirúrgica
após estabilização.
(alternativa D)
administrar ácido tranexâmico, solicitar arteriografia abdominal e indicar embolização do
vaso responsável pelo sangramento.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Manter a reposição hemostática, administrar ácido
tranexâmico e encaminhar imediatamente para laparotomia exploradora.
Comentário técnico
Paciente com trauma de alta energia (colisão automobilística), choque hemorrágico (pele
fria, sudoreica, taquicardia, hipotensão, enchimento capilar prolongado), abdome
distendido e doloroso, FAST positivo para líquido livre (sangue) em janelas hepatorrenal e
pélvica. Mantém instabilidade hemodinâmica apesar de reposição inicial.
Conduta mais adequada: Manter reposição hemostática balanceada, administrar ácido
tranexâmico e encaminhar imediatamente para laparotomia exploradora (controle de
danos). O paciente instável com FAST positivo para hemoperitônio indica sangramento
intra-abdominal ativo que requer controle cirúrgico urgente.
Análise das alternativas incorretas
manter a reposição hemostática, solicitar tomografia contrastada e
definir o tratamento conforme o órgão lesionado. Incorreta. Tomografia
contrastada é contraindicada em paciente instável (risco de deterioração
durante o exame).
ampliar a infusão de cristaloides, repetir o exame FAST e reavaliar a
indicação cirúrgica após estabilização. Incorreta. Ampliar cristaloides e
repetir FAST não deve atrasar a intervenção cirúrgica em choque hemorrágico
persistente.
administrar ácido tranexâmico, solicitar arteriografia abdominal e
indicar embolização do vaso responsável pelo sangramento. Incorreta.
Arteriografia/embolização é opção em pacientes estáveis com sangramento
arterial focal, não em instabilidade hemodinâmica com hemoperitônio.
68ª QUESTÃO
Enunciado:
Adolescente de 15 anos é avaliada por amenorreia primária e desenvolvimento mamário
insuficiente. Ao exame, apresenta genitália externa feminina sem ambiguidade, mamas
em Tanner I–II e pelos pubianos em Tanner III. A ultrassonografia pélvica mostra útero
hipoplásico, sem identificação dos ovários. Os exames laboratoriais evidenciam FSH e LH
elevados, estradiol baixo e cariótipo 46,XY.
Com base nos achados apresentados, a hipótese diagnóstica mais provável é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
disgenesia gonadal completa, compatível com síndrome de Swyer.
(alternativa B)
síndrome de insensibilidade completa aos andrógenos.
(alternativa C)
deficiência de 5-alfa-redutase.
(alternativa D)
defeito da síntese de testosterona com subvirilização.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Disgenesia gonadal completa, compatível com síndrome de
Swyer.
Comentário técnico
Adolescente de 15 anos com amenorreia primária, desenvolvimento mamário insuficiente
(Tanner I–II), pelos pubianos Tanner III, útero hipoplásico, ausência de ovários, FSH e LH
elevados, estradiol baixo e cariótipo 46,XY.
Esse conjunto de achados é compatível com disgenesia gonadal completa (síndrome de
Swyer) — cariótipo 46,XY com gônadas disgenéticas (estrias gonadais), ausência de
produção de testosterona e hormônio antimülleriano, resultando em fenótipo feminino
externo, útero presente (embora hipoplásico) e ausência de virilização puberal. O risco de
gonadoblastoma é elevado, exigindo gonadectomia profilática.
Análise das alternativas incorretas
síndrome de insensibilidade completa aos andrógenos. Incorreta.
Síndrome de insensibilidade completa aos andrógenos cursa com fenótipo
feminino completo, ausência de útero (devido à ação da AMH) e testículos intra-
abdominais (não útero hipoplásico).
deficiência de 5-alfa-redutase. Incorreta. Deficiência de 5-alfa-redutase
cursa com ambiguidade genital ao nascimento e virilização na puberdade.
defeito da síntese de testosterona com subvirilização. Incorreta. Defeito
da síntese de testosterona geralmente cursa com ambiguidade genital ao
nascimento.
69ª QUESTÃO
Enunciado:
Adolescente de 17 anos procura a Unidade Básica de Saúde para orientação
contraceptiva. Refere menarca aos 12 anos e, nos últimos 3 anos, ciclos menstruais com
intervalos de 45 a 70 dias. Relata acne persistente e aumento de pelos na região
mentoniana e linha alba. Iniciou vida sexual há 6 meses e deseja evitar gestação. Nega
tabagismo, enxaqueca com aura, hipertensão arterial, trombose prévia, doença hepática
ou uso de medicações contínuas. Ao exame, apresenta pressão arterial de 108 × 68
mmHg, IMC de 26 kg/m², acne inflamatórialeve e hirsutismo discreto. Teste de gravidez
é negativo.
A opção contraceptiva que melhor atende simultaneamente ao desejo de evitar gestação
e ao controle das manifestações clínicas é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
contraceptivo oral combinado de baixa dose.
(alternativa B)
dispositivo intrauterino de cobre.
(alternativa C)
implante contraceptivo de etonogestrel.
(alternativa D)
acetato de medroxiprogesterona trimestral.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: contraceptivo oral combinado de baixa dose.
Comentário técnico
Adolescente de 17 anos com ciclos menstruais irregulares (45–70 dias), acne persistente
e hirsutismo discreto (sugestivo de hiperandrogenismo, possivelmente síndrome dos
ovários policísticos – SOP), vida sexual ativa e desejo de evitar gestação. Sem
contraindicações absolutas aos métodos hormonais combinados.
Método contraceptivo mais apropriado: Contraceptivo hormonal combinado (pílula,
adesivo ou anel vaginal). Além da alta eficácia contraceptiva, o método combinado
oferece benefícios adicionais nesse perfil:
Regularização dos ciclos menstruais.
Melhora do acne e hirsutismo (efeito antiandrogênico do etinilestradiol associado
ao progestágeno).
Redução de cólicas e sangramento irregular.
Análise das alternativas incorretas
dispositivo intrauterino de cobre. Incorreta. O dispositivo intrauterino de
cobre pode piorar o sangramento e cólicas menstruais, não ajudando no controle
dos ciclos irregulares.
implante contraceptivo de etonogestrel. Incorreta. O implante
contraceptivo de etonogestrel (Implanon) frequentemente causa sangramento
irregular e não tem efeito antiandrogênico significativo, podendo não melhorar
acne e hirsutismo.
acetato de medroxiprogesterona trimestral. Incorreta. O acetato de
medroxiprogesterona trimestral (Depo-Provera) pode causar ganho de peso,
irregularidade menstrual e não é a primeira escolha em adolescente com sinais
de hiperandrogenismo.
70ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 32 anos, G2P1, com gestação estimada em nove semanas pela data da última
menstruação, procura pronto atendimento obstétrico por sangramento vaginal discreto
há dois dias, associado a cólicas leves. Nega eliminação de tecidos, febre, tontura,
síncope ou dor pélvica intensa. Encontra-se em bom estado geral, com pressão arterial
de 112 × 72 mmHg e frequência cardíaca de 82 batimentos por minuto. Ao exame
especular, observa-se pequena quantidade de sangue escuro no canal vaginal, sem
sangramento ativo importante. O colo uterino está fechado. Ultrassonografia transvaginal
realizada 14 dias antes havia mostrado saco gestacional intrauterino sem vesícula
vitelínica. No exame atual, observa-se saco gestacional de contornos irregulares, com
diâmetro médio de 27 mm, ainda sem vesícula vitelínica ou embrião. Não há massa
anexial nem líquido livre significativo.
O diagnóstico e a conduta inicial mais adequados são
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
gestação anembrionada; definição compartilhada do manejo.
(alternativa B)
gestação intrauterina de viabilidade incerta; repetição da ultrassonografia em 7 a 10 dias.
(alternativa C)
abortamento incompleto; esvaziamento uterino por aspiração devido ao sangramento.
(alternativa D)
abortamento inevitável; administração de misoprostol para induzir a expulsão uterina.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Gestação anembrionada; definição compartilhada do manejo.
Comentário técnico
Gestante de 9 semanas pela DUM com sangramento vaginal discreto e cólicas leves.
Ultrassonografia transvaginal mostra saco gestacional intrauterino de contornos
irregulares, diâmetro médio de 27 mm, sem vesícula vitelínica ou embrião visível. Colo
uterino fechado.
De acordo com os critérios ultrassonográficos da ISUOG e da FEBRASGO, o diâmetro
médio do saco gestacional ≥ 25 mm sem embrião ou vesícula vitelínica é diagnóstico de
gestação anembrionada (anembryonic pregnancy / blighted ovum).
Conduta inicial:
Aconselhamento empático e claro sobre o diagnóstico.
Discussão compartilhada das opções de manejo: expectante, medicamentoso
(misoprostol) ou cirúrgico (aspiração uterina), considerando preferência da
paciente, estabilidade clínica e disponibilidade de serviços.
Análise das alternativas incorretas
gestação intrauterina de viabilidade incerta; repetição da
ultrassonografia em 7 a 10 dias. Incorreta. Repetição da ultrassonografia em
7–10 dias é indicada em casos de viabilidade incerta (ex.: saco gestacionalmais adequada
é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
síndrome nefrótica.
(alternativa B)
síndrome nefrítica.
(alternativa C)
doença renal crônica.
(alternativa D)
proteinúria isolada.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: síndrome nefrótica.
O caso descreve de forma clássica uma síndrome nefrótica em adulto jovem:
Proteinúria nefrótica: relação proteína/creatinina de 4,8 g/g (normalmente >
3,5 g/g ou > 3,5 g/24h).
Hipoalbuminemia: albumina sérica de 2,4 g/dL (normalmentejudiciário, conforme
disponibilidade), com abordagem menos restritiva possível e foco na reintegração familiar
e comunitária assim que houver estabilização.
Análise das alternativas incorretas
internar voluntariamente, com termo familiar e comunicação à rede
municipal. Incorreta. Não se trata de internação voluntária (paciente recusa
tratamento). O “pedido familiar” sozinho não substitui o laudo médico e a
comunicação legal obrigatória.
observar na urgência, com sedação clínica e aguardo de decisão
judicial. Incorreta. Embora sedação possa ser necessária para contenção
imediata, o fluxo prioritário não é o “aguardo de decisão judicial”. A internação
involuntária pode e deve ser iniciada pela equipe médica em situação de
urgência, com posterior formalização.
manter no CAPS, com pactuação familiar e reavaliação em curto prazo.
Incorreta. O CAPS é serviço ambulatorial de atenção psicossocial e não possui
estrutura para manejo de quadro agudo com risco de violência e ausência de
segurança domiciliar. O caso exige avaliação e possível internação em nível de
urgência.
75ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 54 anos comparece ao ambulatório de Clínica Médica por tosse seca
intermitente há 4 meses, perda de 7 kg no período, cansaço progressivo e rouquidão.
Trabalhou por mais de 25 anos em lavoura de café e atualmente mora em área rural. É
tabagista há 30 anos. Nega febre alta, sudorese noturna intensa ou contato conhecido
com tuberculose. Ao exame, apresenta-se emagrecido, afebril, com saturação de O₂ de
96% em ar ambiente. Observam-se lesões ulceradas dolorosas em mucosa oral, com
aspecto granuloso e pontos hemorrágicos finos. A ausculta pulmonar revela estertores
esparsos bilaterais. A radiografia de tórax mostra infiltrado intersticial bilateral
predominando em campos médios. A baciloscopia do escarro é negativa nas amostras
iniciais.
Considerando a hipótese clínica mais provável, a conduta terapêutica inicial mais
adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
iniciar itraconazol oral e acompanhar resposta clínica e laboratorial.
(alternativa B)
iniciar rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol.
(alternativa C)
prescrever amoxicilina-clavulanato e repetir radiografia em 14 dias.
(alternativa D)
iniciar fluconazol oral e encaminhar para avaliação odontológica.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: iniciar itraconazol oral e acompanhar resposta clínica e
laboratorial. 
Homem de 54 anos, tabagista, com longa exposição rural (lavoura de café),
apresentando tosse crônica, emagrecimento, rouquidão, lesões ulceradas
granulomatosas em mucosa oral (aspecto “moriforme” com pontos hemorrágicos) e
infiltrado intersticial bilateral na radiografia de tórax, com baciloscopia negativa.
Esse quadro é clássico de paracoccidioidomicose (blastomicose sul-americana), micose
sistêmica endêmica no Brasil, causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis. A forma
crônica do adulto é a mais comum, com predomínio pulmonar e mucocutâneo.
Conduta inicial: Itraconazol oral (200 mg/dia) é o tratamento de escolha para formas leve
a moderada, com acompanhamento clínico, laboratorial (sorologia, função hepática) e
radiológico.
Análise das alternativas incorretas
iniciar rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Incorreta. O
esquema RIPE (tuberculose) não é indicado sem confirmação diagnóstica. A
paracoccidioidomicose é o principal diagnóstico diferencial da tuberculose em
áreas endêmicas.
prescrever amoxicilina-clavulanato e repetir radiografia em 14 dias.
Incorreta. Antibioticoterapia para infecção bacteriana não é eficaz contra
paracoccidioidomicose.
iniciar fluconazol oral e encaminhar para avaliação odontológica.
Incorreta. Fluconazol não é a droga de escolha (itraconazol é muito superior em
eficácia). Encaminhamento odontológico isolado também não é suficiente.
76ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 29 anos procura atendimento ambulatorial por palpitações, perda de 5 kg em
6 semanas, intolerância ao calor e tremores finos nas mãos. Relata ansiedade e aumento
da frequência evacuatória no período. Nega dor cervical, uso de amiodarona, exposição
recente a contraste iodado, gestação e antecedente pessoal de doença tireoidiana. Ao
exame físico, apresenta frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto, pele quente
e úmida e tireoide de volume habitual, sem nódulos palpáveis, sopro ou dor à palpação.
Não apresenta oftalmopatia, mixedema pré-tibial ou outras manifestações
extratireoidianas. Exames laboratoriais mostram TSH suprimido e T4 livre elevado.
Considerando que a etiologia da tireotoxicose não está definida pelo quadro clínico, o
exame complementar mais adequado para diferenciar as principais causas é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
cintilografia tireoidiana com radioiodocaptação.
(alternativa B)
ultrassonografia de tireoide com Doppler colorido.
(alternativa C)
dosagem sérica de tireoglobulina.
(alternativa D)
dosagem sérica de anticorpos antirreceptor de TSH (TRAb).
Resposta comentada:
Gabarito oficial: cintilografia tireoidiana com radioiodocaptação.
Análise do enunciado
Mulher de 29 anos com quadro clínico-laboratorial típico de tireotoxicose:
Palpitações, perda ponderal (5 kg em 6 semanas), intolerância ao calor,
tremores finos, ansiedade, hiperdefecação
FC 110 bpm, pele quente e úmida, tireoide discretamente aumentada (difusa),
sem nódulos, sem sopro, sem dor
Ausência de oftalmopatia, mixedema pré-tibial ou dor cervical
TSH suprimido + T4 livre elevado
O objetivo da questão é identificar o exame complementar mais adequado para a
investigação etiológica da tireotoxicose.
Análise das alternativas
cintilografia tireoidiana com radioiodocaptação. Correta.
Na tireotoxicose, o primeiro passo etiológico fundamental é diferenciar entre:
Causas com aumento da produção hormonal (hiperfunção): Doença de
Graves, bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico.
Causas com destruição glandular (liberação de hormônio pré-formado):
Tireoidites (subaguda, silenciosa, pós-parto), tireotoxicose factícia ou
iatrogênica.
A cintilografia tireoidiana com radioiodo (¹²³I ou ⁹⁹ᵐTc-pertecnetato) é o exame
que melhor realiza essa diferenciação:
Captação aumentada → hiperprodução (Graves, nódulos tóxicos).
Captação baixa/suprimida → destruição (tireoidites).
No caso apresentado, a ausência de oftalmopatia e de dor cervical torna o
diagnóstico clínico de doença de Graves menos evidente. Portanto, a
cintilografia é o exame mais adequado para definir a etiologia de forma clara e
orientar o tratamento (antitireoidianos vs. conduta expectante nas tireoidites).
Ultrassonografia de tireoide com Doppler colorido. Incorreta. A USG com Doppler pode
mostrar aumento da vascularização (“padrão de inferno tireoidiano”) na doença de
Graves ou fluxo reduzido nas tireoidites. É útil, mas não diferencia de forma definitiva os
mecanismos de tireotoxicose como a cintilografia.
Dosagem sérica de tireoglobulina. Incorreta. A tireoglobulina eleva-se tanto em
processos destrutivos (tireoidites) quanto na doença de Graves. Tem baixa especificidade
para diferenciação etiológica e não é recomendada como exame inicial.
Dosagem sérica de anticorpos antirreceptor de TSH (TRAb). Incorreta. O TRAb é
altamente específico para doença de Graves. No entanto, quando a apresentação clínica
não é típica (ausência de oftalmopatia), a recomendação é iniciar a investigação com
cintilografia para diferenciar todas as causas possíveis de tireotoxicose. O TRAb seria o
exame de escolha se a suspeita clínica fosse fortemente de Graves.
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77ª QUESTÃO
Enunciado:
Lactente de 4 meses é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura.
Nasceu a termo, sem intercorrências, está em aleitamento materno e apresenta ganho
ponderal adequado. A mãe relata que ele apresenta controle cefálico adequado,
acompanha objetos com o olhar e sorri em resposta à interação. Nega crises convulsivas,
regressão de marcos ou dificuldade alimentar. Durante o exame neurológico, observa-se
reflexo deMoro discreto e simétrico, preensão palmar ainda presente, reflexo de busca
ausente e reflexo de marcha automática ausente. O tônus é adequado para a idade, sem
assimetrias ou sinais focais.
A interpretação mais adequada dos reflexos observados é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
desenvolvimento neurológico compatível com a idade.
(alternativa B)
persistência anormal do reflexo de Moro.
(alternativa C)
atraso na integração da preensão palmar.
(alternativa D)
imaturidade neurológica pela ausência da marcha automática.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Desenvolvimento neurológico compatível com a idade.
Comentário técnico
Lactente de 4 meses apresenta marcos do desenvolvimento adequados (sustenta
parcialmente a cabeça, acompanha objetos com o olhar, sorri socialmente) e reflexos
primitivos dentro da normalidade para a idade:
Reflexo de Moro discreto e simétrico (normal até ~4–6 meses).
Preensão palmar presente (normal até ~6 meses).
Reflexo de busca ausente (desaparece ~3–4 meses).
Reflexo de marcha automática ausente (desaparece ~2–3 meses).
Tônus adequado, sem assimetrias ou sinais focais. O quadro é compatível com
desenvolvimento neuropsicomotor normal para a idade cronológica.
Análise das alternativas incorretas
persistência anormal do reflexo de Moro. Incorreta. O reflexo de Moro
discreto e simétrico aos 4 meses ainda é fisiológico e não representa
persistência anormal.
atraso na integração da preensão palmar. Incorreta. A preensão palmar
ainda presente é normal até aproximadamente 6 meses de idade; não configura
atraso.
imaturidade neurológica pela ausência da marcha automática. Incorreta.
A ausência do reflexo de marcha automática aos 4 meses é esperada
(desaparece por volta dos 2–3 meses).
78ª QUESTÃO
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Enunciado:
Homem de 27 anos procura unidade de pronto atendimento no Amazonas por febre
intermitente há quatro dias, associada a calafrios, sudorese, cefaleia e mialgia. Encontra-
se consciente, hidratado e hemodinamicamente estável, sem sinais de malária grave. A
gota espessa confirma infecção por Plasmodium vivax. O teste quantitativo mostra
atividade da G6PD de 7,2 UI/gHb. O paciente pesa 72 kg, nega episódio de malária nos
últimos 60 dias e não apresenta contraindicação às 8-aminoquinolinas.
Diante do caso e considerando o Guia de Tratamento da Malária no Brasil, o esquema
terapêutico indicado é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
cloroquina por três dias e tafenoquina em dose única.
(alternativa B)
cloroquina por três dias, sem tratamento contra hipnozoítos.
(alternativa C)
arteméter-lumefantrina por três dias e primaquina por sete dias.
(alternativa D)
artesunato intravenoso seguido de cloroquina por via oral.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Cloroquina por três dias e tafenoquina em dose única.
Comentário técnico
Homem de 27 anos com malária não grave por Plasmodium vivax confirmada por gota
espessa, atividade da G6PD normal (7,2 UI/gHb), peso 72 kg, sem contraindicações às 8-
aminoquinolinas.
De acordo com o Guia de Tratamento da Malária no Brasil (Ministério da Saúde,
atualização vigente):
Cloroquina (dose total de 25 mg/kg em 3 dias) + tafenoquina em dose única
(300 mg) é o esquema de primeira linha para malária não grave por P. vivax em
pacientes com atividade da G6PD normal.
A tafenoquina é uma 8-aminoquinolina de longa duração que elimina os hipnozoítos
hepáticos em dose única, reduzindo recidivas.
Análise das alternativas incorretas
cloroquina por três dias, sem tratamento contra hipnozoítos. Incorreta.
Cloroquina em monoterapia não elimina os hipnozoítos, resultando em alta taxa
de recidiva.
arteméter-lumefantrina por três dias e primaquina por sete dias.
Incorreta. Arteméter-lumefantrina é o esquema de primeira linha para P.
falciparum ou casos mistos, não para P. vivax não complicado.
artesunato intravenoso seguido de cloroquina por via oral. Incorreta.
Artesunato intravenoso é reservado para malária grave ou complicada.
79ª QUESTÃO
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Enunciado:
Um homem de 20 anos, previamente hígido, procura a Unidade Básica de Saúde por
lesões cutâneas pruriginosas surgidas há cerca de 24 horas. Relata que iniciou ibuprofeno
há 2 dias para dor após entorse de tornozelo. Ao exame, apresenta placas
eritematoedematosas, elevadas, de limites imprecisos, tamanhos variáveis e distribuição
irregular em tronco e membros superiores, intensamente pruriginosas. Nega febre,
dispneia, sibilância, edema de lábios ou língua, tontura, vômitos ou dor abdominal.
Encontra-se em bom estado geral, hemodinamicamente estável, sem acometimento de
mucosas.
Além de suspender o uso do ibuprofeno, a conduta mais adequada na Atenção Primária à
Saúde é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
iniciar anti-histamínico oral e orientar medidas de cuidado da pele, com retorno imediato
se surgirem sinais de gravidade.
(alternativa B)
administrar dose inicial de corticosteroide sistêmico e manter observação breve na
unidade, diante da possibilidade de progressão do quadro cutâneo nas próximas horas.
(alternativa C)
prescrever corticosteroide oral após suspensão do ibuprofeno, sem necessidade inicial de
anti-histamínico.
(alternativa D)
manter observação na unidade após suspensão do ibuprofeno e indicar encaminhamento
hospitalar caso não haja regressão do quadro cutâneo nas primeiras horas.
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Resposta comentada:
O quadro clínico é compatível com reação cutânea medicamentosa urticariforme,
provavelmente relacionada ao uso recente de ibuprofeno. Essa hipótese é sustentada
por:
relação temporal entre início do medicamento e aparecimento das lesões;
lesões pruriginosas, elevadas, eritematoedematosas e de tamanhos variáveis;
ausência de sinais de gravidade, como dispneia, sibilância, edema de língua ou
lábios, instabilidade hemodinâmica, sintomas gastrointestinais intensos ou
acometimento de mucosas.
Nesse cenário, além de suspender o ibuprofeno, a conduta inicial mais adequada na
Atenção Primária é o tratamento sintomático com anti-histamínico oral, associado à
orientação de retorno imediato caso surjam sinais de agravamento. 
Comentário das alternativas
- iniciar anti-histamínico oral e orientar medidas de cuidado da pele, com
retorno imediato se surgirem sinais de gravidade.
Correta.
Essa é a melhor conduta para urticária medicamentosa sem sinais de anafilaxia ou
gravidade. O anti-histamínico trata o prurido e reduz as lesões, enquanto a orientação de
alarme é essencial para segurança do paciente.
- administrar dose inicial de corticosteroide sistêmico e manter observação
breve na unidade, diante da possibilidade de progressão do quadro cutâneo nas
próximas horas.
Incorreta.
Embora possa parecer prudente, essa alternativa propõe uma conduta mais
intervencionista do que o necessário. Na ausência de sinais sistêmicos ou respiratórios,
não há indicação de observação em unidade nem de priorizar corticosteroide sistêmico
como primeira medida.
- prescrever corticosteroide oral após suspensão do ibuprofeno, sem
necessidade inicial de anti-histamínico.
Incorreta.
O erro está em substituir o anti-histamínico por corticosteroide oral como conduta inicial
principal. Em quadro urticariforme leve, o tratamento sintomático de escolha é o anti-
histamínico, e não o corticosteroide sistêmico de rotina.
- manter observação na unidade após suspensão do ibuprofeno e indicar
encaminhamento hospitalar caso não haja regressão do quadro cutâneo nas
primeiras horas.
Incorreta.
A alternativa superestima a gravidade do caso. O paciente está estável, sem sinais de
anafilaxia, sem acometimento de mucosas e sem repercussão sistêmica. Nessa situação,
observação prolongada e encaminhamento hospitalar não são a melhor conduta inicial.
80ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 68 anos procura atendimento ambulatorial por ferida no pé direito, com
quatro meses de evolução. Relata dor no local, mais intensa à noite, que melhora
parcialmente quando mantém o membro pendente. É tabagista há vários anos. Ao
exame, observa-se úlcera de 2 cm na face lateraldo quinto pododáctilo, com bordas bem
delimitadas e pequena área de necrose. O pé direito apresenta temperatura
discretamente reduzida em comparação ao contralateral, e o pulso pedioso é diminuído.
Não há edema na perna.
Considerando os dados clínicos e semiológicos, a etiologia mais provável da úlcera é
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Alternativas:
(alternativa A)
venosa, decorrente de hipertensão venosa crônica.
(alternativa B) (CORRETA) 
arterial, decorrente de doença arterial obstrutiva periférica.
(alternativa C)
neuropática, decorrente de perda da sensibilidade protetora.
(alternativa D)
vasculítica, decorrente de inflamação dos pequenos vasos cutâneos.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Arterial, decorrente de doença arterial obstrutiva periférica.
Comentário técnico
Homem de 68 anos, tabagista, com úlcera dolorosa no pé direito de 4 meses de
evolução, dor de repouso aliviada ao pendurar o membro, temperatura reduzida no pé e
pulso pedioso diminuído.
Esse quadro é típico de úlcera arterial por doença arterial obstrutiva periférica (DAOP). Os
principais achados são:
Dor de repouso (isquemia crítica).
Localização distal (pododáctilo).
Sinais de isquemia crônica (pele fria, pulso diminuído).
A DAOP é altamente prevalente em tabagistas idosos e representa a principal causa de
úlceras arteriais de membro inferior.
Análise das alternativas incorretas
venosa, decorrente de hipertensão venosa crônica. Incorreta. Úlcera
venosa tipicamente localiza-se na região maleolar medial, com edema,
hiperpigmentação (dermite ocre) e lipodermatoesclerose.
neuropática, decorrente de perda da sensibilidade protetora. Incorreta.
Úlcera neuropática (ex.: diabética) localiza-se em pontos de pressão (plantares),
com perda da sensibilidade protetora (não descrita no caso).
vasculítica, decorrente de inflamação dos pequenos vasos cutâneos.
Incorreta. Vasculite cutânea geralmente cursa com lesões purpúricas, livedo
reticularis e sinais sistêmicos, não com úlcera isquêmica distal.
81ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 79 anos, com hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 e doença renal
crônica estágio 3, está internado em hospital universitário de referência regional após
queda da própria altura. A tomografia de crânio realizada na admissão não mostrou
alterações traumáticas. Durante a internação, uma tomografia de abdome solicitada por
dor abdominal transitória identificou incidentalmente um cisto renal simples, classificado
como Bosniak I. Após o achado, foram propostos pareceres especializados e
acompanhamento periódico por imagem. Na discussão do caso, um médico propõe
revisar a necessidade dessas medidas antes de incluí-las no plano assistencial.
Considerando o nível de atenção em que ocorre o cuidado e a atuação médica descrita,
essa conduta corresponde a
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
atenção terciária, com aplicação de prevenção quaternária.
(alternativa B)
atenção terciária, com aplicação de prevenção secundária.
(alternativa C)
atenção secundária, com aplicação de prevenção quaternária.
(alternativa D)
atenção terciária, com aplicação de prevenção terciária.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Atenção terciária, com aplicação de prevenção quaternária.
Comentário técnico
Idoso de 79 anos com múltiplas comorbidades (hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo
2 e doença renal crônica estágio 3) internado em hospital universitário de referência
regional (atenção terciária) após queda. Achado incidental de cisto renal simples Bosniak
I (lesão benigna, sem indicação de investigação adicional).
O médico propõe revisar a necessidade de pareceres especializados e acompanhamento
periódico por imagem — conduta que exemplifica prevenção quaternária (evitar
intervenções médicas desnecessárias e iatrogênicas, especialmente em pacientes frágeis
ou com baixa expectativa de benefício).
Análise das alternativas incorretas
atenção terciária, com aplicação de prevenção secundária. Incorreta.
Prevenção secundária refere-se ao diagnóstico e tratamento precoce de doença
já existente, não à evitação de sobremedicalização.
atenção secundária, com aplicação de prevenção quaternária. Incorreta.
O cenário é de atenção terciária (hospital de referência regional).
atenção terciária, com aplicação de prevenção terciária. Incorreta.
Prevenção terciária foca em reabilitação e redução de complicações em doença
estabelecida; aqui o foco é evitar dano iatrogênico desnecessário (quaternária).
82ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 68 anos, com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e doença
renal crônica estágio 4, comparece ao ambulatório de Clínica Médica por piora
progressiva de fadiga, inapetência e náuseas há uma semana. Refere dispneia aos
esforços habituais, sem dor torácica ou febre. Faz uso regular de carvedilol, furosemida,
hidralazina e nitrato. Ao exame, apresenta pressão arterial de 148 × 86 mmHg,
frequência cardíaca de 92 bpm, frequência respiratória de 26 irpm, saturação de O₂ de
95% em ar ambiente, estertores finos bibasais e edema de membros inferiores 2+/4+.
Está sonolento, mas responsivo. Os exames laboratoriais mostram: sódio 138 mEq/L,
potássio 5,9 mEq/L, cloro 101 mEq/L, ureia 148 mg/dL, creatinina 5,6 mg/dL, glicemia
112 mg/dL e lactato 1,3 mmol/L. A gasometria arterial evidencia: pH 7,24; PaCO₂ 27
mmHg; HCO₃⁻ 12 mEq/L.
Com base no quadro clínico e nos exames apresentados, a alteração metabólica mais
compatível é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
acidose metabólica com ânion gap aumentado e compensação respiratória adequada.
(alternativa B)
acidose respiratória crônica com retenção renal compensatória de bicarbonato.
(alternativa C)
alcalose metabólica por uso de diurético, com hipoventilação compensatória.
(alternativa D)
acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal e hipocalemia associada.
Resposta comentada:
Paciente com IC-FEr + DRC estágio 4, em descompensação, com piora da função renal
(creatinina 5,6 mg/dL, ureia 148 mg/dL), hipercalemia (K 5,9) e gasometria:
pH 7,24 → acidose
HCO₃⁻ 12 mEq/L (baixo) → acidose metabólica
PaCO₂ 27 mmHg (baixo) → compensação respiratória (hiperventilação)
Cálculo do ânion gap (necessário para classificar):
AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻) = 138 − (101 + 12) = 25 mEq/L (aumentado).
Diagnóstico: acidose metabólica com ânion gap aumentado, provavelmente urêmica, em
contexto de doença renal crônica avançada com piora da função renal, hipercalemia e
retenção de ácidos não mensurados, com compensação respiratória adequada.
Análise das alternativas
acidose metabólica com ânion gap aumentado e compensação respiratória
adequada. — correta.
O paciente apresenta acidemia, com pH 7,24, e bicarbonato reduzido, HCO₃⁻ 12 mEq/L,
caracterizando acidose metabólica. O ânion gap é elevado:
AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻) = 138 − (101 + 12) = 25 mEq/L.
A PaCO₂ de 27 mmHg é compatível com compensação respiratória esperada pela fórmula
de Winter:
PaCO₂ esperada = 1,5 × HCO₃⁻ + 8 ± 2 = 26 ± 2 mmHg.
Assim, há acidose metabólica com ânion gap aumentado e compensação respiratória
adequada. No contexto de doença renal crônica avançada, hipercalemia e azotemia
importante, o distúrbio é compatível com retenção de ácidos urêmicos.
acidose respiratória crônica com retenção renal compensatória de bicarbonato.
— incorreta.
Na acidose respiratória, o distúrbio primário é elevação da PaCO₂. Neste caso, a PaCO₂
está reduzida, indicando compensação respiratória de uma acidose metabólica, e não
retenção ventilatória de CO₂.
alcalose metabólica por uso de diurético, com hipoventilação compensatória. —
incorreta.
Embora o uso de furosemida possa se associar a alcalose metabólica, os dados
gasométricos mostram acidemia e bicarbonato reduzido. Além disso, na alcalose
metabólica seria esperado pH elevado, não pH de 7,24.
acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal e hipocalemia
associada. — incorreta.
A acidose metabólica hiperclorêmica cursa com ânion gap normal, o que não ocorre no
caso. Além disso, o paciente apresentahipercalemia, e não hipocalemia.
83ª QUESTÃO
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Enunciado:
Mulher de 42 anos é avaliada em ambulatório de reumatologia por dor e edema
simétricos em punhos, articulações metacarpofalângicas e interfalângicas proximais há
quatro meses, com piora pela manhã e melhora parcial ao longo do dia. Os exames
mostram anti-CCP positivo, proteína C reativa elevada e radiografia das mãos sem
erosões ósseas.
Nesse caso, a conduta terapêutica inicial mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
iniciar metotrexato associado a ácido fólico.
(alternativa B)
iniciar hidroxicloroquina isolada e reavaliar a atividade da doença.
(alternativa C)
iniciar prednisona em baixa dose associada a anti-inflamatório não esteroidal.
(alternativa D)
iniciar inibidor de TNF em monoterapia.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Iniciar metotrexato associado a ácido fólico.
Comentário técnico
Mulher de 42 anos com poliartrite simétrica de pequenas articulações (punhos,
metacarpofalângicas e interfalângicas proximais), duração de 4 meses, rigidez matinal,
anti-CCP positivo e PCR elevada. Radiografia sem erosões (doença precoce).
De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e EULAR, o
tratamento inicial da artrite reumatoide deve incluir metotrexato (DMARD de primeira
linha) associado a ácido fólico (para redução de toxicidade). O objetivo é controle precoce
da doença para prevenir dano articular irreversível.
Análise das alternativas incorretas
iniciar hidroxicloroquina isolada e reavaliar a atividade da doença.
Incorreta. Hidroxicloroquina isolada é indicada em casos leves ou como terapia
adjuvante, não como primeira linha em AR moderada/severa.
iniciar prednisona em baixa dose associada a anti-inflamatório não
esteroidal. Incorreta. Prednisona em baixa dose e AINE são úteis para controle
sintomático, mas não substituem o DMARD (metotrexato).
iniciar inibidor de TNF em monoterapia. Incorreta. Inibidor de TNF é terapia
de segunda linha, reservada para falha de metotrexato ou contraindicação.
84ª QUESTÃO
Enunciado:
Um homem de 68 anos é atendido na emergência por piora progressiva da dispneia nos
últimos dias. Refere tosse crônica, expectoração matinal e tabagismo de longa data. Ao
exame, apresenta uso de musculatura acessória, tórax hiperinsuflado, murmúrio vesicular
globalmente reduzido e saturação de oxigênio de 86% em ar ambiente. A gasometria
arterial evidencia hipoxemia associada à retenção de gás carbônico. A equipe considera
que, além da limitação ao fluxo aéreo, há comprometimento das trocas gasosas por
alterações estruturais no parênquima pulmonar.
Considerando a estrutura diretamente relacionada à função comprometida, o
componente mais compatível com a alteração descrita é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
barreira alvéolo-capilar.
(alternativa B)
epitélio bronquiolar.
(alternativa C)
músculo liso bronquiolar.
(alternativa D)
glândulas mucosas brônquicas.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Barreira alvéolo-capilar.
Comentário técnico
Homem idoso, tabagista de longa data, com quadro clínico típico de doença pulmonar
obstrutiva crônica (DPOC), apresentando limitação ao fluxo aéreo e comprometimento
das trocas gasosas (hipoxemia + retenção de CO₂).
A descrição “alterações estruturais no parênquima pulmonar” refere-se ao componente
enfisematoso da DPOC, caracterizado por destruição de septos alveolares, redução da
superfície de troca gasosa e comprometimento direto da barreira alvéolo-capilar
(estrutura responsável pela difusão de O₂ e CO₂).
Análise das alternativas incorretas
epitélio bronquiolar. Incorreta. O epitélio bronquiolar está mais relacionado à
obstrução das vias aéreas (bronquite crônica) e hipersecreção de muco.
músculo liso bronquiolar. Incorreta. O músculo liso bronquiolar está
relacionado à broncoconstrição e hiper-reatividade das vias aéreas.
glândulas mucosas brônquicas. Incorreta. As glândulas mucosas brônquicas
estão relacionadas à hiperprodução de muco na bronquite crônica.
85ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 36 anos procura uma Unidade Básica de Saúde para receber orientações sobre
cirurgia bariátrica. Apresenta índice de massa corporal de 42,2 kg/m², diabetes mellitus
tipo 2, hipertensão arterial sistêmica e apneia obstrutiva do sono. Nos últimos dois anos,
realizou acompanhamento multiprofissional, com plano alimentar, atividade física
supervisionada e tratamento farmacológico, sem perda ponderal sustentada. Encontra-se
em acompanhamento regular por sintomas depressivos clinicamente estáveis e nega uso
abusivo de álcool ou outras drogas.
Considerando os critérios de encaminhamento e a coordenação do cuidado na Atenção
Primária à Saúde, a conduta mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
Manter temporariamente o tratamento clínico na Atenção Primária, encaminhando-a ao
serviço especializado somente após melhor controle das comorbidades associadas.
(alternativa B)
Adiar o encaminhamento até a conclusão do acompanhamento em saúde mental,
considerando os sintomas depressivos um fator impeditivo para a avaliação cirúrgica.
(alternativa C) (CORRETA) 
Encaminhá-la para avaliação multiprofissional em serviço habilitado em cirurgia
bariátrica, mantendo o acompanhamento clínico na Atenção Primária.
(alternativa D)
Substituir o tratamento farmacológico antiobesidade e encaminhá-la para avaliação
cirúrgica somente se não houver resposta sustentada à nova estratégia terapêutica.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: encaminhá-la para avaliação multiprofissional em serviço
habilitado em cirurgia bariátrica, mantendo o acompanhamento clínico na
Atenção Primária.
Análise do enunciado
Mulher de 36 anos com:
IMC 42,2 kg/m² (obesidade grau III)
Diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica e apneia obstrutiva do
sono (comorbidades graves)
Falha documentada de tratamento clínico multiprofissional por 2 anos (plano
alimentar, atividade física supervisionada e tratamento farmacológico) sem
perda ponderal sustentada
Humor deprimido em seguimento regular, sem ideação suicida ou sintomas
psicóticos
Bom estado geral, orientada, PA 138/86 mmHg
Avaliação das alternativas
Manter temporariamente o tratamento clínico na Atenção Primária,
encaminhando-a ao serviço especializado somente após melhor controle das
comorbidades associadas. Incorreta. Manter o seguimento clínico na APS até que
diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial e apneia obstrutiva do sono estejam
plenamente controladas, encaminhando ao serviço especializado apenas após
compensação completa das comorbidades. O diabetes tipo 2, a hipertensão e a apneia
obstrutiva do sono são indicações para cirurgia bariátrica/metabólica, não pré-requisitos
para compensação completa. A cirurgia é frequentemente indicada precisamente para
melhorar o controle dessas comorbidades. Exigir compensação total antes do
encaminhamento contraria as diretrizes.
Adiar o encaminhamento até a conclusão do acompanhamento em saúde
mental, considerando os sintomas depressivos um fator impeditivo para a
avaliação cirúrgica. Incorreta. Adiar o encaminhamento cirúrgico até que a paciente
receba alta do acompanhamento em saúde mental, uma vez que sintomas depressivos
em seguimento ambulatorial contraindicam a avaliação para cirurgia bariátrica.
Transtorno depressivo em acompanhamento regular, sem ideação suicida ou sintomas
psicóticos ativos, não é contraindicação absoluta para avaliação de cirurgia bariátrica. A
avaliação psiquiátrica/psicológica faz parte do preparo pré-operatório multidisciplinar,
mas não impede o encaminhamento inicial. A decisão final sobre aptidão psiquiátrica
cabe à equipe especializada.
Encaminhá-la para avaliação multiprofissional em serviço habilitado em cirurgia
bariátrica, mantendo o acompanhamento clínico na Atenção Primária. Correta –
conduta mais adequada na Atenção Primária à Saúde. Encaminhar a paciente para
serviço habilitado em cirurgia bariátrica, mantendo o seguimento na APS e esclarecendo
a necessidadedados clínicos apresentados, a interpretação diagnóstica mais adequada
é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
considerar ruptura de membranas estabelecida pelos achados apresentados.
(alternativa B)
realizar toque vaginal para avaliar dilatação cervical e confirmar perda de líquido.
(alternativa C)
atribuir a perda a leucorreia gestacional e orientar observação domiciliar.
(alternativa D)
considerar perda urinária involuntária e repetir exame se houver nova eliminação de
líquido.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Considerar ruptura de membranas estabelecida pelos achados
apresentados.
Comentário técnico
Gestante a termo (39 semanas e 2 dias) refere saída súbita de grande quantidade de
líquido claro pela vagina, com manutenção de perda em pequena quantidade. O exame
especular confirma líquido claro acumulado no fundo de saco vaginal com escoamento ao
Valsalva.
Esses achados são diagnósticos de rotura prematura de membranas (RPM). O exame
especular positivo tem alta especificidade quando o líquido é claro e o escoamento é
observado.
Condutas importantes:
Evitar toque vaginal (risco aumentado de infecção ascendente/corioamnionite).
Iniciar monitorização materno-fetal, profilaxia antibiótica (se indicado) e planejar
interrupção da gestação (indução do parto ou cesariana conforme evolução).
Análise das alternativas incorretas
realizar toque vaginal para avaliar dilatação cervical e confirmar perda
de líquido. Incorreta. O toque vaginal deve ser evitado ao máximo após
suspeita ou confirmação de rotura de membranas, devido ao risco de infecção.
atribuir a perda a leucorreia gestacional e orientar observação
domiciliar. Incorreta. Leucorreia gestacional não causa saída súbita de grande
quantidade de líquido com escoamento ao Valsalva no exame especular.
considerar perda urinária involuntária e repetir exame se houver nova
eliminação de líquido. Incorreta. Perda urinária involuntária (incontinência)
não explica o volume inicial descrito nem o líquido claro acumulado no fundo de
saco vaginal com escoamento ao Valsalva.
8ª QUESTÃO
Enunciado:
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde por queixa de “fimose”. A mãe
relata que o prepúcio ainda não retrai completamente e que, em algumas micções,
observa discreto abaulamento prepucial. Refere um episódio isolado de hiperemia local
há cerca de 1 ano, com melhora após higiene e sem recorrência. Nega infecções
urinárias, dor miccional, retenção urinária ou dificuldade importante para urinar. Ao
exame físico, observa-se prepúcio recobrindo toda a glande, com retração parcial que
permite visualização do meato uretral, sem fissuras, sem cicatriz esbranquiçada e sem
anel fibrótico evidente.
Considerando os achados clínicos e a conduta inicial na APS, assinale a alternativa
correta.
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
Trata-se de fimose fisiológica, com orientação de higiene e acompanhamento clínico.
(alternativa B)
Trata-se de fimose patológica, com indicação de correção cirúrgica eletiva.
(alternativa C)
Trata-se de falha do desenvolvimento, com indicação cirúrgica pela idade.
(alternativa D)
Trata-se de fimose persistente, com indicação de corticosteroide tópico.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Trata-se de fimose fisiológica, com orientação de higiene e
acompanhamento clínico.
Comentário técnico
Menino de 5 anos com prepúcio que retrai parcialmente (permite visualização do meato
uretral), sem anel fibrótico, sem cicatriz esbranquiçada e sem infecções recorrentes.
Episódio isolado de hiperemia há 1 ano com boa resposta à higiene.
Esse quadro é compatível com fimose fisiológica (adesão normal do prepúcio à glande),
comum até os 6–7 anos de idade. A retração completa do prepúcio pode ocorrer
naturalmente até a puberdade em grande parte das crianças.
Conduta inicial na Atenção Primária:
Orientação de higiene adequada (lavagem gentil diária com água e sabão
neutro).
Evitar retração forçada do prepúcio (risco de parafimose e formação de cicatriz).
Acompanhamento clínico periódico (reavaliação anual ou conforme queixas).
Não há indicação de corticóide tópico nem de correção cirúrgica neste momento.
Análise das alternativas incorretas
Trata-se de fimose patológica, com indicação de correção cirúrgica
eletiva. Incorreta. Não há indícios de fimose patológica (anel fibrótico, cicatriz
ou infecções recorrentes) que justifiquem correção cirúrgica.
Trata-se de falha do desenvolvimento, com indicação cirúrgica pela
idade. Incorreta. A retração incompleta aos 5 anos é fisiológica e não indica
falha do desenvolvimento.
Trata-se de fimose persistente, com indicação de corticosteroide
tópico. Incorreta. Corticosteroide tópico é considerado em casos de fimose
patológica (anel fibrótico), não em fimose fisiológica.
9ª QUESTÃO
Enunciado:
Menino de 9 anos, com diabetes mellitus tipo 1 em uso de insulina basal-bolus, é levado à
UBS após apresentar mal-estar durante a manhã. A mãe relata que ele aplicou a dose
habitual de insulina antes do café, mas comeu menos que o usual por estar sem apetite.
Cerca de 2 horas depois, passou a apresentar tremores, sudorese fria, palidez,
irritabilidade e queixa de tontura. Na avaliação, está acordado, orientado, responde
adequadamente às perguntas e consegue engolir sem dificuldade. A glicemia capilar é de
54 mg/dL.
A conduta inicial mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
oferecer carboidrato de absorção rápida por via oral e reavaliar a glicemia.
(alternativa B)
oferecer lanche com carboidrato complexo e proteína como primeira medida.
(alternativa C)
administrar glucagon subcutâneo e manter observação até recuperação clínica.
(alternativa D)
encaminhar para glicose intravenosa, mantendo jejum até avaliação médica.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Oferecer carboidrato de absorção rápida por via oral e
reavaliar a glicemia.
Comentário técnico
Criança com diabetes mellitus tipo 1 em esquema basal-bolus apresenta sintomas
adrenérgicos (tremores, sudorese fria, palidez) e neuroglicopênicos (irritabilidade,
tontura) com glicemia capilar de 54 mg/dL. Está consciente, orientado e capaz de
deglutir.
A conduta inicial mais adequada é a administração de carboidrato de absorção rápida
(15–20 g, ex.: suco de fruta, glicose em gel ou tabletes) por via oral, seguida de
reavaliação da glicemia em 15 minutos (regra 15-15). Após correção, deve-se oferecer
um lanche com carboidrato complexo e proteína para evitar recidiva da hipoglicemia.
Análise das alternativas incorretas
oferecer lanche com carboidrato complexo e proteína como primeira
medida. Incorreta. Lanche com carboidrato complexo e proteína é adequado
após a correção inicial da hipoglicemia, mas não corrige a glicemia de forma
rápida.
administrar glucagon subcutâneo e manter observação até recuperação
clínica. Incorreta. Glucagon subcutâneo é reservado para hipoglicemia grave
com perda de consciência ou incapacidade de deglutir.
encaminhar para glicose intravenosa, mantendo jejum até avaliação
médica. Incorreta. Glicose intravenosa é indicada em casos graves ou quando a
via oral não é viável. Não é necessária neste paciente consciente e capaz de
deglutir.
10ª QUESTÃO
Enunciado:
Menino de 18 meses é levado ao pronto atendimento após episódio convulsivo ocorrido
em casa. A mãe relata febre desde a noite anterior, associada a coriza e tosse. Durante o
episódio, apresentou perda de consciência, revulsão ocular e movimentos tônico-clônicos
generalizados dos quatro membros. A crise durou cerca de seis minutos e cessou
espontaneamente. Após o evento, permaneceu sonolento por aproximadamente 20
minutos, recuperando-se progressivamente. Não havia apresentado outro episódio
durante a doença febril atual. Na avaliação, apresenta temperatura de 38,7 °C, bom
estado geral, sem rigidez de nuca, petéquias, sinais de trauma ou déficit motor focal.
A interpretação e a conduta mais adequadas são
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
convulsão febril simples, com orientação familiarde avaliação multiprofissional, preparo pré-operatório e acompanhamento
prolongado após o procedimento. 
Justificativa rigorosa:
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Critérios de indicação para cirurgia bariátrica no SUS (Portaria MS):
IMC ≥ 40 kg/m² ou
IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades graves (aqui presentes: DM2, HAS e
apneia obstrutiva do sono).
A paciente já cumpriu o requisito de falha do tratamento clínico conservador por
2 anos.
O papel da Atenção Primária é identificar o caso, orientar adequadamente sobre
riscos e benefícios, encaminhar para serviço habilitado em cirurgia bariátrica e
manter o seguimento compartilhado.
É fundamental esclarecer à paciente a necessidade de avaliação
multiprofissional completa (nutrição, psicologia/psiquiatria, endocrinologia, etc.),
preparo pré-operatório e acompanhamento de longo prazo após a cirurgia.
Substituir o tratamento farmacológico antiobesidade e encaminhá-la para
avaliação cirúrgica somente se não houver resposta sustentada à nova
estratégia terapêutica. Incorreta. Encaminhar a paciente apenas para reavaliação
endocrinológica, reservando a cirurgia bariátrica para casos em que haja falha de nova
tentativa farmacológica com troca de classe terapêutica e redução documentada da
adesão às medidas comportamentais. A paciente já realizou acompanhamento
multiprofissional por 2 anos sem sucesso. Não é necessário nova tentativa farmacológica
prolongada. O encaminhamento deve ser para o serviço de cirurgia bariátrica, não
apenas para endocrinologia.
86ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 24 anos, no quinto dia após cesariana por trabalho de parto prolongado,
procura serviço de urgência obstétrica com febre, calafrios, dor no baixo ventre e
secreção vaginal de odor desagradável há 24 horas. Está em aleitamento materno
exclusivo e pergunta se precisará interrompê-lo durante o tratamento. Ao exame,
apresenta temperatura axilar de 38,8 °C, frequência cardíaca de 112 batimentos por
minuto, dor à palpação hipogástrica, útero subinvoluído e doloroso e lóquios purulentos e
fétidos. As mamas e a ferida operatória não apresentam sinais de infecção.
Nesse caso, a conduta mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A)
tratar ambulatorialmente com cefalexina oral e manter o aleitamento materno.
(alternativa B) (CORRETA) 
internar para antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e manter o aleitamento
materno.
(alternativa C)
internar para antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e suspender
temporariamente o aleitamento materno.
(alternativa D)
realizar curetagem uterina imediata e manter o aleitamento materno.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Internar para antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro
e manter o aleitamento materno.
Comentário técnico
Mulher no 5º dia pós-cesariana com febre, calafrios, dor em baixo ventre, útero
subinvoluído e doloroso e lóquios purulentos e fétidos. O quadro é compatível com
endometrite puerperal — infecção do endométrio pós-parto, mais comum após cesariana.
A conduta inicial mais adequada é:
Internação hospitalar para vigilância clínica e laboratorial.
Antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (ex.: cefalosporina de 3ª
geração + metronidazol ou ampicilina + gentamicina).
Manter o aleitamento materno (a maioria dos antibióticos utilizados é compatível
com amamentação; suspensão temporária não é necessária).
Análise das alternativas incorretas
tratar ambulatorialmente com cefalexina oral e manter o aleitamento
materno. Incorreta. Tratamento ambulatorial com cefalexina oral é inadequado
para endometrite pós-cesariana (risco de progressão para sepse).
internar para antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e
suspender temporariamente o aleitamento materno. Incorreta. Suspensão
temporária do aleitamento não é necessária; a maioria dos antibióticos é
compatível.
realizar curetagem uterina imediata e manter o aleitamento materno.
Incorreta. Curetagem uterina não é indicada como primeira conduta em
endometrite sem retenção de produtos concepcionais.
87ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 57 anos, tabagista, procura atendimento por ferida dolorosa no pé esquerdo há
2 meses, com aumento progressivo. Há cerca de um ano, refere dor em panturrilha
esquerda ao caminhar, com melhora após alguns minutos de repouso. Relata piora da dor
ao elevar o membro e alívio parcial ao mantê-lo pendente. Ao exame físico, apresenta
úlcera profunda em região distal do pé, com bordas bem delimitadas, leito pálido, áreas
necróticas e ausência de tecido de granulação. O membro é frio, com rarefação de pelos
e pulsos distais diminuídos.
A etiologia mais provável da úlcera é:
Alternativas:
(alternativa A)
vasculite cutânea de pequenos vasos.
(alternativa B)
úlcera neuropática.
(alternativa C) (CORRETA) 
insuficiência arterial crônica.
(alternativa D)
insuficiência venosa crônica.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Insuficiência arterial crônica.
Análise do enunciado
Mulher de 57 anos, tabagista, com:
Dor em panturrilha ao caminhar (referida há um ano), que melhora com repouso
→ claudicação intermitente (sintoma clássico de isquemia arterial crônica).
Úlcera dolorosa no pé esquerdo há 2 meses, com aumento progressivo.
Dor que piora ao elevar o membro e melhora ao mantê-lo pendente → sinal de
isquemia grave (dependência postural).
Exame físico:
Úlcera profunda, bordas bem delimitadas, leito pálido, áreas necróticas,
ausência de tecido de granulação (aspecto típico de úlcera isquêmica).
Membro frio, rarefação de pelos, pulsos distais diminuídos.
Este é o quadro clássico de doença arterial periférica obstrutiva com úlcera isquêmica
(úlcera arterial).
Análise das alternativas
vasculite cutânea de pequenos vasos. Incorreta. Vasculite cutânea geralmente
cursa com lesões purpúricas, livedo reticularis e sinais sistêmicos, não com úlcera
isquêmica distal.
úlcera neuropática. Incorreta. A úlcera neuropática (típica do diabetes) localiza-se em
pontos de pressão (plantar, hálux), é indolor (devido à perda sensitiva) e apresenta
hiperqueratose ao redor. Aqui a úlcera é dolorosa, localizada em região distal, com
claudicação e sinais claros de isquemia arterial. Não há menção a diabetes ou neuropatia.
insuficiência arterial crônica. Correta – etiologia mais provável da úlcera.
Tabagismo (principal fator de risco).
Claudicação intermitente há 1 ano.
Dor de repouso com alívio na posição pendente (sinal de isquemia crítica).
Úlcera distal, profunda, com bordas nítidas, leito pálido e áreas necróticas
(característica de úlcera arterial).
Membro frio, rarefação pilosa e pulsos distais diminuídos (sinais de insuficiência
arterial crônica grave).
O conjunto de achados é patognomônico de doença arterial obstrutiva
periférica com úlcera isquêmica.
Insuficiência venosa crônica. Incorreta. A úlcera venosa é tipicamente localizada na
região maleolar medial, tem bordas irregulares, leito róseo com granulação abundante,
exsudato e frequentemente hiperpigmentação e edema crônico. A dor melhora com
elevação do membro (oposto ao descrito). Não há claudicação nem sinais de isquemia
arterial.
88ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 64 anos procura a Unidade Básica de Saúde por dor abdominal há 2 dias.
Refere dor contínua em fossa ilíaca esquerda, associada a febre baixa, náuseas e
redução do apetite. Relata constipação nos últimos dias, sem vômitos persistentes, sem
sangramento nas fezes e sem perda ponderal recente. Nega episódios semelhantes
prévios. Ao exame, apresenta temperatura de 37,9 °C, pressão arterial de 128 × 76
mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm e bom estado geral. O abdome está flácido, com
dor localizada à palpação profunda em fossa ilíaca esquerda, sem descompressão brusca
dolorosa, defesa involuntária ou distensão importante.
Considerando a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial adequada, assinale
a alternativa correta.
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
Suspeitar de diverticulite aguda e encaminhar para avaliação com tomografia de abdome
e pelve.
(alternativaB)
Suspeitar de diverticulite aguda e solicitar colonoscopia precoce para confirmar o
diagnóstico.
(alternativa C)
Suspeitar de diverticulite aguda não complicada e iniciar antibiótico oral, sem
necessidade de exame de imagem inicialmente.
(alternativa D)
Suspeitar de suboclusão intestinal e solicitar radiografia abdominal como exame inicial.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Suspeitar de diverticulite aguda e encaminhar para avaliação
com tomografia de abdome e pelve.
Comentário técnico
Homem de 61 anos com dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, febre baixa, náuseas,
inapetência e constipação. O quadro clínico é altamente sugestivo de diverticulite aguda
(primeiro episódio presumido).
A conduta inicial mais adequada é solicitar tomografia de abdome e pelve para:
Confirmar o diagnóstico.
Classificar a gravidade (não complicada vs. complicada — abscesso, perfuração,
fístula).
Excluir diagnósticos diferenciais (apendicite, neoplasia etc.).
Em UBS, o encaminhamento para realização do exame é a ação prioritária.
Análise das alternativas incorretas
Suspeitar de diverticulite aguda e solicitar colonoscopia precoce para
confirmar o diagnóstico. Incorreta. Colonoscopia não é indicada na fase
aguda de diverticulite (risco de perfuração). Deve ser realizada após resolução
do episódio (geralmente 6–8 semanas) para excluir outras doenças colônicas.
Suspeitar de diverticulite aguda não complicada e iniciar antibiótico
oral, sem necessidade de exame de imagem inicialmente. Incorreta.
Embora o quadro pareça não complicado, essa classificação não pode ser
estabelecida com segurança apenas pelo exame clínico. Antibioticoterapia oral
pode ser considerada, mas a tomografia é a melhor estratégia inicial para
confirmação e estratificação.
Suspeitar de suboclusão intestinal e solicitar radiografia abdominal
como exame inicial. Incorreta. A ausência de vômitos persistentes, distensão
importante e parada de eliminação de gases torna suboclusão menos provável.
A radiografia simples tem baixa sensibilidade para diverticulite e não é o exame
de escolha.
89ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 79 anos, com baixo peso e multípara, procura um serviço de emergência por
dor abdominal em cólica, vômitos e ausência de eliminação de fezes e flatos há dois dias.
Relata também dor na face medial da coxa direita, irradiada até o joelho, com piora
durante a extensão e a rotação interna do quadril. Ao exame, apresenta abdome
distendido, ruídos hidroaéreos aumentados e dor difusa à palpação, sem abaulamento
inguinal ou femoral. A tomografia de abdome e pelve evidencia obstrução do intestino
delgado por encarceramento de uma alça na parede lateral da pelve à direita.
O diagnóstico mais provável é
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Alternativas:
(alternativa A)
hérnia femoral encarcerada.
(alternativa B)
hérnia inguinal indireta encarcerada.
(alternativa C) (CORRETA) 
hérnia obturatória.
(alternativa D)
hérnia de Spiegel encarcerada.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Hérnia obturatória.
Comentário técnico
Idosa de 79 anos, multípara, com baixo peso, apresentando quadro de obstrução
intestinal (dor em cólica, vômitos, parada de eliminação de fezes e flatos) associada a dor
na face medial da coxa direita irradiada ao joelho, com piora à extensão e rotação interna
do quadril (sinal de Howship-Romberg). Tomografia mostra obstrução do intestino
delgado por encarceramento de alça em região pélvica profunda à direita.
Esse quadro é típico de hérnia obturatória — hérnia interna através do forame
obturatório, mais comum em mulheres idosas, multíparas e com baixo peso. A
compressão do nervo obturatório explica a dor irradiada para a face medial da coxa.
Análise das alternativas incorretas
hérnia femoral encarcerada. Incorreta. Hérnia femoral geralmente causa
abaulamento inguinal/femoral visível ou palpável (não descrito no caso).
hérnia inguinal indireta encarcerada. Incorreta. Hérnia inguinal indireta
causa abaulamento inguinal e não explica a dor na face medial da coxa com
irradiação ao joelho.
hérnia de Spiegel encarcerada. Incorreta. Hérnia de Spiegel localiza-se na
região semilunar, com abaulamento lateral ao reto abdominal, e não causa
obstrução em região pélvica profunda.
90ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 48 anos procura o pronto atendimento por dor abdominal intensa há 10
horas. Refere dor contínua em epigástrio, irradiada para o dorso, associada a náuseas e
vômitos repetidos. Nega dor torácica, dispneia, icterícia, diarreia ou episódios prévios
semelhantes. Ao exame, está afebril, com pressão arterial de 118 × 74 mmHg,
frequência cardíaca de 104 bpm e dor à palpação profunda em epigástrio, sem rigidez
abdominal ou descompressão brusca dolorosa. Exames laboratoriais mostram leucócitos
de 13.800/mm³, AST de 68 U/L, ALT de 54 U/L, bilirrubina total de 0,9 mg/dL,
triglicerídeos de 180 mg/dL e lipase de 1.250 U/L (valor de referência: até 160 U/L).
Considerando o quadro clínico e laboratorial, o diagnóstico mais provável é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
pancreatite aguda.
(alternativa B)
colecistite aguda.
(alternativa C)
úlcera péptica perfurada.
(alternativa D)
infarto agudo inferior.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Pancreatite aguda.
Comentário técnico
Homem de 48 anos com dor epigástrica intensa irradiada para o dorso, náuseas e
vômitos repetidos. Lipase marcadamente elevada (1.250 U/L, limite superior da
normalidade 160 U/L — mais de 7 vezes o valor de referência).
Esse quadro preenche os critérios diagnósticos de pancreatite aguda (dor abdominal
típica + elevação de lipase >3× o limite superior da normalidade). A etiologia mais
provável é alcoólica (mesmo sem relato explícito recente, o perfil epidemiológico é
compatível).
Análise das alternativas incorretas
colecistite aguda. Incorreta. Colecistite aguda tipicamente cursa com dor no
hipocôndrio direito (sinal de Murphy positivo) e elevação de bilirrubina/enzimas
canaliculares, não de lipase.
úlcera péptica perfurada. Incorreta. Úlcera péptica perfurada geralmente causa dor
súbita intensa com rigidez abdominal e descompressão brusca dolorosa (abdome agudo
perfurativo).
infarto agudo inferior. Incorreta. Infarto agudo do miocárdio inferior pode causar
epigastralgia e náuseas, mas não explica lipase elevada.
91ª QUESTÃO
Enunciado:
Em uma UBS, a equipe de saúde decide utilizar uma escala breve de triagem para
depressão pós-parto em puérperas acompanhadas no território. O instrumento apresenta
sensibilidade e especificidade semelhantes quando aplicado em diferentes grupos. Na
avaliação dos resultados, observa-se que, entre puérperas com fatores de risco (como
história prévia de depressão, baixo apoio social e violência por parceiro íntimo), os
resultados positivos da escala são confirmados com maior frequência na avaliação clínica
subsequente do que entre puérperas sem esses fatores.
Considerando o desempenho de testes de triagem em populações com diferentes
prevalências da condição, a explicação mais adequada para esse achado é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
o valor preditivo positivo aumenta em populações com maior prevalência da condição.
(alternativa B)
a acurácia global do teste aumenta quando aplicado em populações de maior risco.
(alternativa C)
a proporção de falsos positivos aumenta porque a especificidade do teste diminui.
(alternativa D)
a proporção de resultados falso-negativos diminui porque há maior número de casos
detectados.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: O valor preditivo positivo aumenta em populações com maior
prevalência da condição.
Comentário técnico
A escala de triagem apresenta sensibilidade e especificidade semelhantes em diferentes
grupos. No entanto, entre puérperas com maior prevalência de depressão pós-parto
(grupo de alto risco: história prévia de depressão, baixo apoio social, violência por
parceiro), os resultados positivos da escala são confirmados com maior frequência na
avaliação clínica subsequente.
Essa observação reflete o conceito fundamentalde que o valor preditivo positivo (VPP)
aumenta quando a prevalência da condição na população testada é maior, mesmo
mantendo-se constantes a sensibilidade e a especificidade do teste. Em populações de
maior risco, uma maior proporção dos testes positivos representa casos verdadeiros
(verdadeiros positivos), reduzindo a proporção de falsos positivos.
Análise das alternativas incorretas
a acurácia global do teste aumenta quando aplicado em populações de
maior risco. Incorreta. A acurácia global do teste (sensibilidade +
especificidade) não se altera com a prevalência da condição.
a proporção de falsos positivos aumenta porque a especificidade do
teste diminui. Incorreta. A especificidade do teste permanece a mesma; o que
muda é a proporção relativa de verdadeiros positivos versus falsos positivos.
a proporção de resultados falso-negativos diminui porque há maior
número de casos detectados. Incorreta. A proporção de falso-negativos
relaciona-se com a sensibilidade do teste (que permanece constante), não
diretamente com a prevalência.
92ª QUESTÃO
Enunciado:
Uma equipe de pesquisadores pretende avaliar a associação entre exposição ocupacional
a agrotóxicos e desenvolvimento de sintomas neurológicos em trabalhadores rurais. No
início da pesquisa, são incluídos 1.200 trabalhadores sem manifestações neurológicas,
classificados conforme a intensidade da exposição estimada por entrevistas, registros de
trabalho e biomarcadores. Os participantes são reavaliados anualmente durante cinco
anos, e a ocorrência de novos sintomas neurológicos é comparada entre os grupos de
maior e menor exposição.
Considerando as características metodológicas descritas, o delineamento desse estudo é
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Alternativas:
(alternativa A)
caso-controle aninhado em uma coorte ocupacional.
(alternativa B) (CORRETA) 
coorte prospectiva segundo níveis de exposição ocupacional.
(alternativa C)
ensaio comunitário não randomizado com intervenção em grupos de trabalhadores.
(alternativa D)
estudo transversal analítico em população trabalhadora.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Coorte prospectiva segundo níveis de exposição ocupacional.
Comentário técnico
Os pesquisadores incluíram 1.200 trabalhadores sem manifestações neurológicas no
início do estudo, classificaram-nos conforme o nível de exposição a agrotóxicos
(entrevistas, registros e biomarcadores) e acompanharam-nos prospectivamente por
cinco anos para comparar a ocorrência de novos sintomas neurológicos entre os grupos
de maior e menor exposição.
Esse delineamento corresponde a um estudo de coorte prospectiva, no qual a exposição
é definida no início e os participantes são seguidos ao longo do tempo para avaliar a
incidência do desfecho (sintomas neurológicos).
Análise das alternativas incorretas
caso-controle aninhado em uma coorte ocupacional. Incorreta. Um estudo
caso-controle aninhado em coorte seleciona casos e controles dentro de uma
coorte pré-existente; aqui não há seleção de casos e controles.
ensaio comunitário não randomizado com intervenção em grupos de
trabalhadores. Incorreta. Não há intervenção (ensaio comunitário), apenas
observação da exposição natural e seguimento.
estudo transversal analítico em população trabalhadora. Incorreta.
Estudo transversal analítico avalia exposição e desfecho no mesmo momento
temporal, sem seguimento prospectivo.
93ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 52 anos comparece à unidade básica de saúde para acompanhamento clínico.
Em duas consultas realizadas com intervalo de 10 dias, apresentou pressão arterial de
148 × 94 mmHg e 152 × 92 mmHg, ambas aferidas com técnica adequada. A
monitorização residencial da pressão arterial confirma hipertensão arterial sustentada.
Nega sintomas cardiovasculares, diabetes mellitus, doença renal e tabagismo. A
avaliação não identifica lesão de órgão-alvo, e a estratificação indica baixo risco
cardiovascular. Relata consumo frequente de alimentos ultraprocessados e não pratica
atividade física regularmente.
Considerando o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hipertensão Arterial
Sistêmica, a conduta inicial mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
solicitar monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) antes de instituir qualquer
tratamento.
(alternativa B) (CORRETA) 
iniciar mudanças do estilo de vida associadas a tratamento anti-hipertensivo em
monoterapia.
(alternativa C)
orientar mudanças do estilo de vida e reavaliar antes de iniciar tratamento
medicamentoso.
(alternativa D)
iniciar associação de dois anti-hipertensivos e programar reavaliação clínica em curto
prazo.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Iniciar mudanças do estilo de vida associadas a tratamento
anti-hipertensivo em monoterapia.
Comentário técnico
Homem de 52 anos com hipertensão arterial grau 1 confirmada em duas consultas (PA
148 × 94 mmHg e 152 × 92 mmHg), sem lesão de órgão-alvo e com baixo risco
cardiovascular, mas com hábitos de vida inadequados (alimentos ultraprocessados e
sedentarismo).
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hipertensão Arterial
Sistêmica (Ministério da Saúde), para HAS grau 1 confirmada, a conduta inicial
recomendada é o início de mudanças de estilo de vida associadas a tratamento
farmacológico em monoterapia (ex.: inibidor da ECA, BRA, diurético tiazídico ou
bloqueador de canal de cálcio).
O tratamento medicamentoso precoce visa reduzir o risco cardiovascular, mesmo em
pacientes de baixo risco.
Análise das alternativas incorretas
solicitar monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) antes
de instituir qualquer tratamento. Incorreta. MAPA é útil em casos de
suspeita de hipertensão do avental branco, mas não é obrigatória antes de
iniciar tratamento em HAS grau 1 confirmada.
orientar mudanças do estilo de vida e reavaliar antes de iniciar
tratamento medicamentoso. Incorreta. Apenas mudanças de estilo de vida
com reavaliação é conduta mais adequada para casos limítrofes ou suspeita de
hipertensão do avental branco, não para HAS grau 1 confirmada.
iniciar associação de dois anti-hipertensivos e programar reavaliação
clínica em curto prazo. Incorreta. Associação de dois anti-hipertensivos é
indicada em HAS grau 2 ou com risco cardiovascular alto/lesão de órgão-alvo.
94ª QUESTÃO
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Enunciado:
Homem de 46 anos procura o pronto atendimento por dor abdominal há 18 horas,
inicialmente difusa e depois mais intensa em fossa ilíaca direita. Refere náuseas, um
episódio de vômito e calafrios. A equipe de triagem considera hipótese inicial de
apendicite aguda. Durante a avaliação, o paciente relata que a dor também irradia para
região lombar direita e virilha, em cólicas, associada a ardor ao urinar. Ao exame,
apresenta pressão arterial de 92 × 58 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm,
frequência respiratória de 24 irpm, temperatura de 38,7 ºC e saturação de O₂ de 96% em
ar ambiente. O abdome é doloroso em fossa ilíaca direita, sem rigidez difusa. Há dor à
punho-percussão lombar direita. Os exames laboratoriais mostram leucócitos de
18.900/mm³, creatinina de 1,8 mg/dL e lactato de 3,2 mmol/L. A urina tipo 1 evidencia
leucocitúria, bacteriúria e hematúria. A tomografia de abdome e pelve mostra cálculo de
8 mm no ureter proximal direito, com hidronefrose ipsilateral e apêndice sem alterações.
Considerando a principal hipótese diagnóstica, a conduta prioritária é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
realizar drenagem da via urinária obstruída e iniciar tratamento antimicrobiano.
(alternativa B)
manter observação cirúrgica e repetir imagem abdominal após estabilização clínica.
(alternativa C)
prescrever analgesia, alfabloqueador e antibioticoterapia oral com retorno precoce.
(alternativa D)
programar ureterolitotripsia eletiva após resolução espontânea do quadro infeccioso.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Realizar drenagem da via urinária obstruída e iniciar
tratamento antimicrobiano.
Comentário técnico
O paciente apresenta quadro de pielonefrite obstrutiva (infecção do tratourinário alto
associada à obstrução por cálculo ureteral proximal com hidronefrose ipsilateral).
Achados que sustentam o diagnóstico:
Dor tipo cólica com irradiação para lombar e virilha.
Febre, taquicardia, hipotensão e lactato elevado (sugestivo de sepse).
Leucocitúria, bacteriúria e hematúria na urina tipo 1.
Tomografia confirmando cálculo de 8 mm com hidronefrose.
Em pielonefrite obstrutiva, a drenagem urgente da via urinária (preferencialmente
cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) associada a antibioticoterapia intravenosa de
amplo espectro é a conduta prioritária. A obstrução impede a drenagem adequada do
foco infeccioso, aumentando o risco de urosepse e choque séptico.
Análise das alternativas incorretas
manter observação cirúrgica e repetir imagem abdominal após
estabilização clínica. Incorreta. Observação cirúrgica sem desobstrução da via
urinária é inadequada e perigosa em vigência de infecção obstrutiva.
prescrever analgesia, alfabloqueador e antibioticoterapia oral com
retorno precoce. Incorreta. Tratamento ambulatorial com antibioticoterapia
oral é contraindicado em paciente com sinais de sepse e obstrução.
programar ureterolitotripsia eletiva após resolução espontânea do
quadro infeccioso. Incorreta. Litotripsia eletiva não tem papel no manejo
agudo de infecção obstrutiva. A prioridade é a drenagem e controle da infecção.
95ª QUESTÃO
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Enunciado:
Homem de 72 anos, com diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica de
longa data, foi internado com pneumonia adquirida na comunidade. As doenças
preexistentes agravaram sua condição clínica, e o paciente evoluiu com sepse de foco
pulmonar, choque séptico refratário e óbito após 48 horas.
Considerando o preenchimento das Partes I e II da Declaração de Óbito, a opção mais
adequada é
Alternativas:
(alternativa A)
Parte I: a) parada cardiorrespiratória; b) choque séptico; c) sepse de foco pulmonar; d)
pneumonia adquirida na comunidade. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão
arterial sistêmica.
(alternativa B) (CORRETA) 
Parte I: a) choque séptico; b) sepse de foco pulmonar; c) pneumonia adquirida na
comunidade. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica.
(alternativa C)
Parte I: a) pneumonia adquirida na comunidade; b) sepse de foco pulmonar; c) choque
séptico. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica.
(alternativa D)
Parte I: a) choque séptico; b) pneumonia adquirida na comunidade; c) diabetes mellitus
tipo 2. Parte II: sepse de foco pulmonar e hipertensão arterial sistêmica.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Parte I: a) choque séptico; b) sepse de foco pulmonar; c)
pneumonia adquirida na comunidade. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e
hipertensão arterial sistêmica.
Justificativa do gabarito:
A alternativa apresenta a sequência causal mais adequada. Na Parte I da Declaração de
Óbito, deve-se registrar na linha a a causa terminal ou imediata, nas linhas subsequentes
as causas intermediárias, e na última linha preenchida a causa básica que iniciou a
cadeia de eventos. Nesse caso, a causa terminal é choque séptico, a causa intermediária
é sepse de foco pulmonar e a causa básica é pneumonia comunitária. Diabetes mellitus e
hipertensão arterial devem ser registrados na Parte II, como condições contribuintes, sem
integrar diretamente a cadeia causal principal. O Ministério da Saúde orienta que a DO
seja preenchida com a sequência de eventos mórbidos que levou ao óbito e que a causa
básica seja a doença ou circunstância que iniciou essa sucessão de eventos.
O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) segue o Manual de Instruções para
o Preenchimento da Declaração de Óbito do Ministério da Saúde (SVS) e as
recomendações da OMS.
Estrutura da Parte I (cadeia causal):
Linha a: Causa imediata (aquela que produziu diretamente a morte).
Linha b: Causa antecedente (que produziu a causa imediata).
Linha c: Causa básica (doença inicial que desencadeou toda a cadeia).
Parte II: Outras condições significativas que contribuíram para o óbito, mas não
fazem parte da cadeia causal direta.
Aplicação ao caso:
Causa imediata → choque séptico (refratário).
Causa antecedente → sepse de foco pulmonar.
Causa básica → pneumonia comunitária (doença que iniciou o processo).
Parte II → Diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica
(comorbidades relevantes, mas não iniciaram a cadeia fatal).
Análise das alternativas incorretas
Parte I: a) parada cardiorrespiratória; b) choque séptico; c) sepse de foco
pulmonar; d) pneumonia adquirida na comunidade. Parte II: diabetes mellitus
tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. Incorreta. Parada cardiorrespiratória é o
mecanismo terminal e não deve ser listado na Parte I como causa básica.
Parte I: a) pneumonia adquirida na comunidade; b) sepse de foco pulmonar; c)
choque séptico. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial
sistêmica. Incorreta. A ordem da cadeia causal está invertida (pneumonia é a causa
básica, não a intermediária).
Parte I: a) choque séptico; b) pneumonia adquirida na comunidade; c) diabetes
mellitus tipo 2. Parte II: sepse de foco pulmonar e hipertensão arterial
sistêmica. Incorreta. Diabetes e hipertensão são causas contribuintes (Parte II), não
causa básica.
96ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 39 anos procura atendimento ambulatorial por episódios recorrentes de
cefaleia há oito anos. Nos últimos seis meses, passou a apresentar de cinco a seis dias de
dor por mês, com prejuízo frequente das atividades profissionais. As crises duram de 12 a
24 horas, são pulsáteis, unilaterais e acompanhadas de náuseas, fotofobia e fonofobia.
Nega sintomas neurológicos focais antes ou durante os episódios. Refere resposta parcial
ao uso de sumatriptana nas crises. Apresenta dificuldade persistente para iniciar o sono e
desperta várias vezes durante a noite. Tem asma, com necessidade eventual de
broncodilatador. Refere desejo de engravidar no próximo ano.
Diante da frequência das crises e das condições clínicas associadas, o medicamento mais
adequado para iniciar a profilaxia da cefaleia é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
amitriptilina.
(alternativa B)
propranolol.
(alternativa C)
candesartana.
(alternativa D)
valproato de sódio.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Amitriptilina.
Comentário técnico
Mulher de 39 anos com enxaqueca crônica (5–6 dias de dor por mês), resposta parcial a
triptanos, insônia e planejamento de gravidez no próximo ano. Apresenta asma
controlada.
A amitriptilina é o medicamento mais adequado para iniciar a profilaxia da enxaqueca
nesse contexto:
Eficaz na redução da frequência e intensidade das crises.
Benefício adicional sobre a insônia (efeito sedativo).
Relativamente seguro no planejamento de gravidez (categoria C, amplamente
usado com cautela).
Não contraindicado na asma.
Análise das alternativas incorretas
propranolol. Incorreta. Propranolol é contraindicado em pacientes com asma
(risco de broncoespasmo).
candesartana. Incorreta. Candesartana é uma opção de segunda linha, mas
não tem efeito sobre a insônia e não é primeira escolha.
valproato de sódio. Incorreta. Valproato de sódio é teratogênico (alto risco de
malformações fetais e atraso no desenvolvimento) e deve ser evitado em
mulheres em idade fértil que planejam engravidar.
97ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 61 anos, em acompanhamento por insuficiência cardíaca com fração de
ejeção reduzida, solicita atendimento remoto para discutir exames recentes e renovar
medicações de uso contínuo. A teleconsulta é realizada por videoconferência. Após
confirmar a identidade do paciente, o médico investiga sintomas, revisa os exames
previamente enviados e ajusta a dose do diurético. O atendimento e a conduta são
registrados no prontuário eletrônico. Ao final, o médico preenche uma receita em papel,
assina-a manualmente, digitaliza o documento e o envia ao paciente por canal eletrônico
institucional.
Considerando as normas aplicáveis à telemedicina,o principal erro nessa situação foi
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Alternativas:
(alternativa A)
ajustar a dose do diurético sem realizar previamente exame físico presencial.
(alternativa B)
realizar o seguimento especializado sem teleinterconsulta com médico da Atenção
Primária.
(alternativa C) (CORRETA) 
enviar cópia digitalizada de receita manuscrita sem assinatura digital válida.
(alternativa D)
encaminhar a prescrição por canal eletrônico institucional.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: enviar cópia digitalizada de receita manuscrita sem assinatura
digital válida.
A questão está alinhada às normas vigentes do Conselho Federal de Medicina:
Resolução CFM nº 2.314/2022 (Telemedicina) — Art. 13: Exige que
prescrições emitidas à distância sejam documentos com assinatura digital
certificada (padrão ICP-Brasil).
Resolução CFM nº 2.299/2021 (Documentos Médicos Eletrônicos): Define os
requisitos de autenticidade, integridade, irrefutabilidade e rastreabilidade para
prescrições digitais.
Plataforma oficial do CFM (prescricaoeletronica.cfm.org.br) reforça a
obrigatoriedade de assinatura digital qualificada.
enviar cópia digitalizada de receita manuscrita sem assinatura digital válida. —
Correta.
O erro foi emitir a prescrição como fotografia de um receituário físico assinado
manualmente. Esse procedimento não equivale, por si só, a uma prescrição digital válida.
Em telemedicina, documentos médicos emitidos a distância devem garantir
autenticidade, integridade, identificação do médico e validade jurídica, com assinatura
digital ou eletrônica aceita pela norma aplicável.
ajustar a dose do diurético sem realizar previamente exame físico presencial. —
Incorreta.
O ajuste da dose do diurético em teleconsulta não é, por si só, irregular. Em paciente
conhecido, clinicamente estável, com exames disponíveis e sem sintomas de alarme, o
médico pode realizar ajuste terapêutico remoto, desde que considere a conduta segura e
registre adequadamente sua avaliação. O erro da situação não foi a ausência de aferição
presencial de sinais vitais, mas a documentação inadequada e a forma irregular de
emissão da prescrição.
realizar o seguimento especializado sem teleinterconsulta com médico da
Atenção Primária. — Incorreta.
A telemedicina pode ser utilizada em seguimento especializado, não havendo exigência
geral de interconsulta prévia com médico da Atenção Primária do município de origem do
paciente. A articulação com a rede local pode ser desejável em alguns casos,
especialmente diante de instabilidade clínica ou necessidade de cuidado presencial, mas
não é requisito obrigatório para a validade da teleconsulta especializada.
encaminhar a prescrição por canal eletrônico institucional. — Incorreta.
O uso de canal eletrônico do ambulatório para envio de documentos não é, isoladamente,
o problema. A questão central é se o documento emitido cumpre os requisitos de
segurança, autenticidade, integridade e validade jurídica. Não há exigência de que
documentos decorrentes de teleconsulta sejam entregues apenas por sistema público
oficial. O erro foi enviar uma fotografia de prescrição manuscrita como se fosse
documento digital válido.
98ª QUESTÃO
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Enunciado:
Gestante de 25 anos, G1P0, comparece à UBS para a primeira consulta de pré-natal.
Refere data da última menstruação compatível com 9 semanas e 5 dias de gestação.
Nega sangramento vaginal, dor pélvica, febre, disúria, corrimento vaginal, perda de
líquido ou doenças prévias. Não usa medicamentos contínuos e não realizou exames
nesta gestação. Ao exame, apresenta pressão arterial de 104 × 66 mmHg, frequência
cardíaca de 80 bpm, IMC de 23 kg/m² e exame físico sem alterações relevantes.
Considerando a idade gestacional e os dados clínicos apresentados, a solicitação inicial
mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
hemograma, tipagem sanguínea/Rh, glicemia de jejum, sorologias, urina tipo 1 e
urocultura.
(alternativa B)
hemograma, tipagem sanguínea/Rh, sorologias, TOTG 75 g, cardiotocografia e urocultura.
(alternativa C)
hemograma, glicemia de jejum, sorologias, ultrassonografia morfológica e estreptococo
B.
(alternativa D)
hemograma, sorologias, coagulograma, função renal, proteinúria de 24 horas e Doppler.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: hemograma, tipagem sanguínea/Rh, glicemia de jejum,
sorologias, urina tipo 1 e urocultura.
Gestante primigesta com 9 semanas e 5 dias, sem fatores de risco ou intercorrências, em
primeira consulta de pré-natal.
De acordo com o Protocolo de Pré-Natal do Ministério da Saúde (Caderno de Atenção
Básica) e diretrizes da FEBRASGO, a solicitação laboratorial inicial deve incluir:
Hemograma completo (rastreio de anemia).
Tipagem sanguínea e fator Rh (prevenção de isoimunização).
Glicemia de jejum (rastreio inicial de diabetes mellitus).
Sorologias: HIV, sífilis (VDRL), hepatite B (HBsAg), rubéola (se não vacinada) e,
conforme contexto, toxoplasmose e hepatite C.
Urina tipo 1 + urocultura (rastreio de infecção urinária assintomática, comum e
importante na gestação).
Essa solicitação inicial permite o rastreamento precoce de condições que podem
impactar o desfecho materno-fetal.
Análise das alternativas incorretas
hemograma, tipagem sanguínea/Rh, sorologias, TOTG 75 g,
cardiotocografia e urocultura. Incorreta. O TOTG 75g deve ser realizado
entre 24–28 semanas. Cardiotocografia não tem indicação neste momento
gestacional.
hemograma, glicemia de jejum, sorologias, ultrassonografia
morfológica e estreptococo B. Incorreta. A ultrassonografia morfológica é
indicada entre 18–22 semanas. O rastreio de estreptococo do grupo B
(Streptococcus agalactiae) é feito entre 35–37 semanas.
hemograma, sorologias, coagulograma, função renal, proteinúria de 24
horas e Doppler. Incorreta. Coagulograma, função renal, proteinúria de 24
horas e Doppler não são exames de rotina na primeira consulta de uma
gestante de baixo risco. Esses exames são reservados para situações
específicas (hipertensão, suspeita de pré-eclâmpsia, etc.).
99ª QUESTÃO
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Enunciado:
Mulher de 72 anos comparece à UBS por episódios de tontura há 1 semana. Descreve
sensação de que “o quarto gira”, com duração de menos de 1 minuto, desencadeada ao
virar-se na cama para o lado direito ou ao inclinar a cabeça para pegar objetos em
prateleira. Nega perda de consciência, dor torácica, palpitações, dispneia, cefaleia súbita,
diplopia, disartria, fraqueza, alteração de sensibilidade ou dificuldade para caminhar. Ao
exame, apresenta pressão arterial de 132 × 78 mmHg em posição sentada e 128 × 76
mmHg em ortostatismo, frequência cardíaca de 76 bpm e ritmo regular. O exame
neurológico é normal, sem nistagmo espontâneo, ataxia ou déficit focal. A manobra
posicional reproduz vertigem breve, acompanhada de nistagmo transitório, com
resolução espontânea.
Considerando os achados clínicos e semiológicos, a conduta inicial mais adequada na APS
é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
realizar manobra de reposicionamento canalicular na consulta.
(alternativa B)
prescrever antivertiginoso por curto prazo e observar evolução ambulatorial.
(alternativa C)
solicitar avaliação neurológica por suspeita de insuficiência vertebrobasilar.
(alternativa D)
solicitar eletrocardiograma e investigar possível arritmia como causa da tontura.
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Resposta comentada:
Gabarito: realizar manobra de reposicionamento canalicular na consulta.
O quadro é típico de vertigem posicional paroxística benigna (VPPB):
episódios breves, com duração inferior a 1 minuto;
desencadeados por mudanças específicas da posição da cabeça;
ausência de sintomas neurológicos focais;
exame neurológico normal;
reprodução da vertigem com nistagmo transitório em manobra posicional.
Nesse contexto, a conduta inicial recomendada é realizar uma manobra de
reposicionamento canalicular, como a manobra de Epley quando o canal posterior está
envolvido. Diretrizes recomendam oferecer essa intervenção já na apresentação inicial,
inclusive na Atenção Primária.
Análise dasalternativas
realizar manobra de reposicionamento canalicular na consulta. — correta.
A manobra de reposicionamento trata diretamente o mecanismo da VPPB, promovendo o
deslocamento das otocônias para fora do canal semicircular acometido.
prescrever antivertiginoso por curto prazo e observar evolução ambulatorial. —
incorreta.
Antivertiginosos não corrigem a causa da VPPB e não devem ser utilizados rotineiramente
como tratamento principal. Podem ser considerados excepcionalmente para náuseas
intensas, mas são inferiores à manobra de reposicionamento e podem causar sedação e
aumentar o risco de quedas em idosos.
solicitar avaliação neurológica por suspeita de insuficiência vertebrobasilar. —
incorreta.
Insuficiência vertebrobasilar seria mais preocupante diante de déficits neurológicos,
diplopia, disartria, ataxia, fraqueza, alteração sensitiva ou vertigem não compatível com
padrão posicional periférico. O enunciado exclui esses sinais.
solicitar eletrocardiograma e investigar possível arritmia como causa da
tontura. — incorreta.
Arritmias podem causar tontura, pré-síncope ou síncope, mas não explicam vertigem
rotatória breve desencadeada por movimentos cefálicos e acompanhada de nistagmo
posicional. Os sinais vitais e o ritmo cardíaco também estão normais.
100ª QUESTÃO
Enunciado:
Recém-nascido a termo nasce após parto vaginal, com líquido amniótico claro. Ao nascer,
apresenta-se hipotônico, em apneia e com frequência cardíaca de 70 batimentos por
minuto. São realizadas as medidas iniciais de reanimação. Como permanece em apneia,
inicia-se ventilação com pressão positiva. Após correção da técnica e 30 segundos de
ventilação efetiva, com movimentação torácica visível, a frequência cardíaca é de 50
batimentos por minuto. O recém-nascido é intubado, inicia-se ventilação com oxigênio a
100% e são realizadas compressões torácicas coordenadas à ventilação. Após 60
segundos dessas medidas efetivas, a frequência cardíaca permanece em 48 batimentos
por minuto.
A próxima conduta mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
administrar adrenalina por cateter venoso umbilical.
(alternativa B)
manter compressões e ventilação por mais 30 segundos antes de medicar.
(alternativa C)
reposicionar a cânula traqueal e reavaliar a frequência cardíaca antes de medicar.
(alternativa D)
administrar expansor de volume por via intravenosa.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Administrar adrenalina por cateter venoso umbilical.
Comentário técnico
Recém-nascido a termo com depressão ao nascer (hipotonia, apneia, FC inicial 70 bpm).
Após medidas iniciais e ventilação efetiva (com intubação e oxigênio a 100%), a FC cai
para 50 bpm. Após 60 segundos de compressões torácicas coordenadas com ventilação
efetiva, a FC permanece em 48 bpm (e manejo da condição febril.
(alternativa B)
convulsão febril simples, com eletroencefalograma ambulatorial de rotina.
(alternativa C)
convulsão febril simples, com anticonvulsivante contínuo preventivo.
(alternativa D)
convulsão febril complexa, com encaminhamento para avaliação neuropediátrica.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Convulsão febril simples, com orientação familiar e manejo da
condição febril.
Comentário técnico
Menino de 18 meses com convulsão tônico-clônica generalizada durante quadro febril
(infecção viral de vias aéreas superiores). Duração de 6 minutos, única no período de 24
horas, recuperação completa e exame neurológico normal.
Esse episódio é classificado como convulsão febril simples (idade entre 6 meses e 5 anos,
duraçãoconduta inicial mais adequada em suspeita de abdome agudo cirúrgico (apendicite) é o
acionamento imediato da equipe cirúrgica para avaliação, confirmação diagnóstica e
intervenção oportuna (apendicectomia). Exames complementares (USG ou TC) podem ser
solicitados, mas não devem atrasar a avaliação cirúrgica em quadro típico.
Análise das alternativas incorretas
solicitar ultrassonografia abdominal. Incorreta. Ultrassonografia abdominal
pode ser auxiliar, mas não deve atrasar a avaliação cirúrgica em quadro clínico
altamente sugestivo.
administrar analgesia e reavaliar. Incorreta. Administração isolada de
analgesia pode mascarar o quadro e retardar o diagnóstico e tratamento
cirúrgico.
iniciar antibiótico e solicitar tomografia abdominal. Incorreta.
Antibioticoterapia e tomografia são úteis em casos selecionados, mas a
prioridade é a avaliação cirúrgica urgente.
14ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 29 anos, acompanhado pela equipe da Estratégia Saúde da Família por
transtorno psicótico prévio, recebe visita domiciliar após solicitação da mãe, que relata
piora do comportamento nos últimos dias. Segundo ela, o paciente suspendeu os
medicamentos há cerca de 3 semanas, passou a dormir pouco, mantém-se isolado no
quarto e afirma que vizinhos estão monitorando a casa. Também passou a recusar
alimentos preparados pela família, dizendo não confiar neles. Durante a visita, encontra-
se inquieto, fala em tom elevado e demonstra desconfiança em relação à equipe. Afirma
que “não vai esperar ser atacado” e se recusa a conversar em local mais reservado. A
mãe relata que, naquela manhã, ele discutiu com familiares, danificou objetos da casa e
foi visto manuseando uma faca na cozinha. No momento, não aceita medicação nem
permite avaliação clínica completa. Não há relato de uso recente de álcool ou outras
drogas.
Nesse caso, a conduta médica mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
acionar SAMU/rede de urgência para manejo imediato e transporte seguro.
(alternativa B)
agendar consulta no CAPS e orientar a família a supervisionar o uso das medicações.
(alternativa C)
acionar o CAPS de referência para visita compartilhada e pactuação de plano terapêutico.
(alternativa D)
orientar a família a retirar objetos perfurocortantes e aguardar a equipe de referência.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Acionar SAMU/rede de urgência para manejo imediato e
transporte seguro.
Comentário técnico
Paciente com transtorno psicótico prévio em descompensação aguda grave caracterizada
por:
Suspensão de medicação.
Insônia, delírios persecutórios (“vizinhos monitorando”, medo de
envenenamento).
Agitação psicomotora, fala elevada, desconfiança e comportamento ameaçador.
Manuseio de faca e risco concreto de heteroagressão.
Esse quadro configura situação de urgência psiquiátrica com risco iminente de violência,
exigindo intervenção imediata da rede de urgência/emergência em saúde mental (SAMU
ou serviço especializado). A conduta inclui avaliação para possível internação involuntária
(Lei nº 10.216/2001), com laudo médico e comunicação ao Ministério Público.
Análise das alternativas incorretas
agendar consulta no CAPS e orientar a família a supervisionar o uso das
medicações. Incorreta. Agendamento eletivo no CAPS é inadequado para
descompensação aguda com risco de agressão.
acionar o CAPS de referência para visita compartilhada e pactuação de
plano terapêutico. Incorreta. Visita compartilhada do CAPS é útil em situações
estáveis, mas não substitui a resposta urgente diante de risco iminente de
violência.
orientar a família a retirar objetos perfurocortantes e aguardar a
equipe de referência. Incorreta. Orientar a família a retirar objetos
perfurocortantes é uma medida de segurança complementar, mas insuficiente
como conduta principal. O paciente necessita de avaliação e manejo profissional
imediato.
15ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 78 anos procura o Pronto Atendimento por dor abdominal há 12 horas,
associada a náuseas e dois episódios de vômitos. Refere que, há cerca de 2 anos,
percebe abaulamento intermitente na região inguinal direita, que variava de tamanho ao
longo do dia, especialmente após esforço físico. Nas últimas horas, o abaulamento
tornou-se doloroso e não reduziu com decúbito. Nega febre, disúria ou sangramento
vaginal. Ao exame, apresenta pressão arterial de 138 × 82 mmHg, frequência cardíaca
de 104 bpm, temperatura de 37,4 ºC e mucosas levemente secas. O abdome está
distendido, doloroso à palpação difusa, sem rigidez generalizada. A ausculta abdominal
mostra ruídos hidroaéreos aumentados. Na região inguinal direita, observa-se
abaulamento doloroso, tenso, não redutível, sem hiperemia cutânea. O toque retal não
mostra sangue ou massas.
Considerando o quadro clínico apresentado, a etiologia mais provável do abdome agudo é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
hérnia da região inguinofemoral encarcerada com obstrução intestinal.
(alternativa B)
apendicite aguda com plastrão inflamatório em fossa ilíaca direita.
(alternativa C)
neoplasia de cólon direito com suboclusão intestinal aguda.
(alternativa D)
linfonodomegalia inguinal dolorosa por infecção de partes moles.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: Hérnia da região inguinofemoral encarcerada com obstrução
intestinal.
Comentário técnico
Idosa com história prévia de abaulamento inguinal direito intermitente (hérnia redutível)
que evoluiu para irreducibilidade, dor local intensa e quadro de abdome agudo obstrutivo
(dor abdominal, náuseas, vômitos, distensão abdominal e ruídos hidroaéreos
aumentados).
O achado de abaulamento inguinal direito tenso, doloroso e não redutível, associado a
sinais de obstrução intestinal, é altamente sugestivo de hérnia inguinal ou femoral
encarcerada com obstrução intestinal. Em mulheres idosas, as hérnias femorais são
particularmente propensas a encarceramento e estrangulamento.
A conduta inicial deve incluir estabilização, analgesia, antibioticoterapia (se houver sinais
de isquemia/peritonite) e encaminhamento cirúrgico urgente para exploração e
redução/desobstrução.
Análise das alternativas incorretas
apendicite aguda com plastrão inflamatório em fossa ilíaca direita.
Incorreta. Apendicite aguda tipicamente cursa com dor migratória para fossa
ilíaca direita, sem abaulamento inguinal prévio ou sinais de obstrução intestinal
franco.
neoplasia de cólon direito com suboclusão intestinal aguda. Incorreta.
Neoplasia de cólon pode causar suboclusão intestinal, mas não explica o
abaulamento inguinal tenso e não redutível.
linfonodomegalia inguinal dolorosa por infecção de partes moles.
Incorreta. Infecção de partes moles ou linfonodomegalia inguinal não causa
obstrução intestinal, distensão abdominal ou ruídos hidroaéreos aumentados.
16ª QUESTÃO
Enunciado:
Gestante de 27 anos, G2P1, comparece ao ambulatório de Ginecologia e Obstetrícia para
consulta agendada. Refere estar bem, sem contrações regulares, perda de líquido,
sangramento vaginal, cefaleia, escotomas ou dor epigástrica. Informa boa movimentação
fetal. A idade gestacional é de 42 semanas e 0 dias, confirmada por ultrassonografia
realizada no primeiro trimestre. Ao exame, apresenta pressão arterial de 112 × 70
mmHg, frequência cardíaca de 84 bpm, temperatura axilar de 36,6 °C e altura uterina
compatível com a idade gestacional. O feto está em apresentação cefálica, com
batimentos cardíacos fetais de 142 bpm. O colo uterino está posterior, dilatado 1 cm,
30% apagado e apresentação alta. A cardiotocografia é reativa, e a ultrassonografia
obstétrica mostra líquido amniótico em quantidade normal, placenta sem sinais de
descolamento e peso fetal estimado no percentil 45.
Com base nos dados clínicos e obstétricos apresentados, a conduta mais adequada é
Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
internar para indução do parto, iniciando preparo cervical devido ao colo desfavorável.
(alternativa B)
manter vigilância semanal intensificada, aguardando trabalho de parto espontâneo.
(alternativa C)
indicar cesarianaeletiva imediata, devido à idade gestacional de 42 semanas.
(alternativa D)
realizar cardiotocografia seriada e reavaliar interrupção da gestação em 48 horas.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: internar para indução do parto, iniciando preparo cervical
devido ao colo desfavorável.
Comentário técnico
Gestante a 42 semanas e 0 dias (pós-termo), com confirmação ultrassonográfica do
primeiro trimestre, sem sinais de sofrimento fetal (CTG reativa, movimentação fetal boa,
líquido amniótico normal) e sem intercorrências maternas (PA normal, sem sinais de pré-
eclâmpsia). O colo uterino é desfavorável (Bishop baixo), mas isso não contraindica a
indução.
De acordo com as diretrizes da FEBRASGO, Ministério da Saúde e ACOG:
A gestação pós-termo (≥ 42 semanas) está associada a maior risco de morte
fetal, aspiração de mecônio, macrossomia e cesariana de urgência.
A indução do parto é a conduta recomendada a partir de 41 semanas e
fortemente indicada aos 42 semanas, mesmo com colo desfavorável (pode-se
utilizar misoprostol, dinoprostona ou ocitocina após preparo cervical).
A cesariana eletiva não é indicada apenas pela idade gestacional quando a
indução é viável.
O manejo ambulatorial expectante ou orientações passivas aumentam o risco perinatal e
não são recomendados nesse momento.
Análise das alternativas incorretas
manter vigilância semanal intensificada, aguardando trabalho de parto
espontâneo. Incorreta. Embora vigilância intensificada possa ser considerada entre 41 e
42 semanas em casos selecionados, com 42 semanas a indução é a conduta de escolha.
indicar cesariana eletiva imediata, devido à idade gestacional de 42 semanas.
Incorreta. A cesariana eletiva não é indicada rotineiramente em gestação pós-termo sem
outras complicações. A indução é a primeira linha sempre que possível.
realizar cardiotocografia seriada e reavaliar interrupção da gestação em 48
horas. Incorreta. Cardiotocografia seriada e reavaliação em 48 horas podem parecer
conduta prudente, mas representam adiamento desnecessário da interrupção. Com 42
semanas completas, a conduta mais adequada é indução do parto.
17ª QUESTÃO
Enunciado:
Em uma Unidade de Saúde da Família, um homem de 78 anos, lúcido, orientado e capaz
de manifestar sua vontade, em acompanhamento por hipertensão arterial sistêmica,
diabetes mellitus tipo 2 e doença renal crônica, comparece à consulta de rotina. Ao final
do atendimento, sua filha informa que está reunindo documentos para uma avaliação
previdenciária. Com autorização expressa do paciente, ela solicita um documento com as
informações clínicas pertinentes. O paciente pergunta se o prontuário original poderá ser
retirado da unidade para essa finalidade.
Considerando a finalidade do documento e as normas éticas e legais sobre acesso, sigilo
e guarda do prontuário, a conduta mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
elaborar relatório médico com as informações pertinentes à avaliação previdenciária,
entregá-lo à filha autorizada e esclarecer que o prontuário original permanecerá sob
guarda da unidade.
(alternativa B)
entregar o prontuário original à filha autorizada, mediante registro da retirada e
compromisso de devolução após a avaliação previdenciária.
(alternativa C)
elaborar relatório médico, mas entregá-lo exclusivamente ao paciente, pois a autorização
expressa não permite o recebimento do documento por familiar.
(alternativa D)
encaminhar cópia integral do prontuário diretamente à instituição previdenciária,
considerando que a autorização concedida à filha também permite o compartilhamento
com terceiros.
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Resposta comentada:
Gabarito oficial: elaborar relatório médico com as informações pertinentes à
avaliação previdenciária, entregá-lo à filha autorizada e esclarecer que o
prontuário original permanecerá sob guarda da unidade.
Justificativa do gabarito:
A alternativa é a mais adequada porque respeita a autorização do paciente, atende à
finalidade declarada, evita exposição desnecessária de dados sensíveis e mantém o
prontuário original sob guarda da unidade. Para avaliação previdenciária, o relatório
médico com informações pertinentes costuma ser suficiente e reduz o compartilhamento
indevido de dados não relacionados à finalidade informada.
A conduta mais adequada está alinhada ao Código de Ética Médica (Resolução CFM nº
2.217/2018), especialmente:
Art. 87: Obrigatoriedade de elaborar prontuário legível.
Art. 88: Direito do paciente (ou representante legal) ao acesso ao prontuário e a
cópias, com explicações necessárias.
§ 2º do Art. 87: O prontuário está sob a guarda do médico ou da instituição que
assiste o paciente (propriedade institucional, não do paciente).
Art. 89: Liberação de cópias do prontuário somente com autorização escrita do
paciente (ou ordem judicial).
Além disso, segue:
LGPD (Lei nº 13.709/2018) — Princípios da finalidade, adequação,
necessidade e minimização de dados.
Recomendações CFM e normas do SUS para atendimentos na Atenção Primária:
para fins previdenciários (INSS), o padrão é elaborar relatório médico específico
(laudo ou relatório circunstanciado), contendo apenas as informações
pertinentes, e não entregar o prontuário integral ou original.
Justificativas das alternativas incorretas:
entregar o prontuário original à filha autorizada, mediante registro da retirada
e compromisso de devolução após a avaliação previdenciária. Incorreta. Mesmo
havendo concordância do paciente, a consulta ao prontuário original não deve ocorrer em
ambiente que exponha informações sensíveis ou comprometa a guarda institucional do
documento.
elaborar relatório médico, mas entregá-lo exclusivamente ao paciente, pois a
autorização expressa não permite o recebimento do documento por familiar.
Incorreta. O sigilo não impede que o paciente capaz autorize familiar a receber
informações. A restrição absoluta desconsidera a autonomia do paciente.
encaminhar cópia integral do prontuário diretamente à instituição
previdenciária, considerando que a autorização concedida à filha também
permite o compartilhamento com terceiros. Incorreta. O paciente pode solicitar
cópia do prontuário, inclusive para entrega a terceiro autorizado, mas a alternativa
propõe cópia integral à filha sem delimitar finalidade, formalização e pertinência das
informações compartilhadas.
18ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 39 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para aconselhamento
contraceptivo. Está em tratamento por câncer de mama receptor hormonal positivo e
utiliza tamoxifeno. Apresenta sangramento menstrual aumentado, anemia ferropriva
recorrente e mioma submucoso com distorção da cavidade uterina. Tem dois filhos e
procura um método contraceptivo de elevada eficácia.
A orientação mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
oferecer método de barreira enquanto discute contracepção definitiva.
(alternativa B)
corrigir a anemia e inserir dispositivo intrauterino de cobre.
(alternativa C)
controlar o sangramento com sistema intrauterino de levonorgestrel.
(alternativa D)
prescrever contraceptivo contendo apenas progestagênio.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Oferecer método de barreira enquanto discute contracepção
definitiva.
Comentário técnico
Mulher de 39 anos com câncer de mama receptor hormonal positivo em uso de
tamoxifeno (aumenta risco de hiperplasia e câncer de endométrio), mioma submucoso
com distorção da cavidade uterina, sangramento aumentado e anemia ferropriva
recorrente. Tem dois filhos e não deseja mais gestações.
Conduta mais adequada:
Métodos hormonais combinados são contraindicados.
DIU de cobre pode piorar o sangramento.
SIU-LNG (Mirena) é útil para controle de sangramento, mas a distorção da
cavidade uterina representa contraindicação relativa (risco de expulsão,
inserção difícil e perfuração).
Contracepção definitiva (laqueadura tubária ou vasectomia) é a opção mais
segura e definitiva. Enquanto se discute e programa o procedimento, método de
barreira (preservativo)é a escolha temporária mais adequada.
Análise das alternativas incorretas
corrigir a anemia e inserir dispositivo intrauterino de cobre. Incorreta.
DIU de cobre pode piorar significativamente o sangramento uterino em paciente
com mioma submucoso e anemia.
controlar o sangramento com sistema intrauterino de levonorgestrel.
Incorreta. Embora o SIU-LNG seja útil no controle de sangramento, a distorção da
cavidade uterina torna o método desfavorável.
prescrever contraceptivo contendo apenas progestagênio. Incorreta.
Contraceptivo contendo apenas progestagênio pode ser considerado, mas não é
a melhor opção em paciente com câncer de mama RH+ e distorção da cavidade.
19ª QUESTÃO
Enunciado:
Multípara de 35 anos, com gestação de 39 semanas e diabetes mellitus gestacional
controlado com dieta, é admitida em trabalho de parto espontâneo. Durante o período
expulsivo, ocorre o desprendimento da cabeça fetal. Em seguida, observa-se retração da
cabeça contra o períneo materno, sem desprendimento dos ombros após tração axial
suave. A parturiente encontra-se em decúbito dorsal.
Após solicitar ajuda e orientar a interrupção dos puxos, a manobra obstétrica inicial mais
adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
manobra de McRoberts associada à pressão suprapúbica.
(alternativa B)
extração do braço posterior para reduzir o diâmetro dos ombros.
(alternativa C)
manobra interna de rotação dos ombros para liberar o ombro impactado.
(alternativa D)
mudança da parturiente para a posição de quatro apoios.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Manobra de McRoberts associada à pressão suprapúbica.
Comentário técnico
Multípara de 35 anos com diabetes gestacional (fator de risco para distócia de ombros)
em trabalho de parto. Após desprendimento da cabeça fetal, observa-se retração da
cabeça contra o períneo (sinal de “tartaruga”) sem desprendimento dos ombros, apesar
de tração axial suave.
Esse quadro caracteriza distócia de ombros — emergência obstétrica que requer
intervenção imediata para evitar lesões neonatais (fratura de clavícula, lesão do plexo
braquial) e maternas (lacerações perineais graves).
Manobra obstétrica inicial mais adequada:
Manobra de McRoberts (hiperflexão das coxas sobre o abdome) associada à
pressão suprapúbica (manobra de Rubin I ou Mazzanti).
Essa combinação resolve a maioria dos casos de distócia de ombros por
impactação do ombro anterior.
Análise das alternativas incorretas
extração do braço posterior para reduzir o diâmetro dos ombros.
Incorreta. Extração do braço posterior é de segunda linha, realizada após falha
das manobras externas iniciais.
manobra interna de rotação dos ombros para liberar o ombro
impactado. Incorreta. Manobra interna de rotação dos ombros é de segunda ou
terceira linha.
mudança da parturiente para a posição de quatro apoios. Incorreta.
Posição de quatro apoios (Gaskin) é uma opção útil, mas não é a manobra inicial
recomendada.
20ª QUESTÃO
Enunciado:
Menina de 6 anos é levada à unidade básica de saúde pelo pai devido a episódios
noturnos ocorridos duas a três vezes por mês nos últimos seis meses. Aproximadamente
uma hora após adormecer, ela se senta na cama, mantém os olhos abertos, grita e
apresenta intensa agitação, sudorese e taquicardia. Durante os episódios, não reconhece
os familiares e não responde adequadamente às tentativas de consolo. Após alguns
minutos, volta a dormir espontaneamente. No dia seguinte, desperta bem-disposta e não
se recorda do ocorrido. Não apresenta sonolência diurna, alterações no desempenho
escolar nem sintomas neurológicos.
A principal hipótese diagnóstica é
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Alternativas:
(alternativa A)
sonambulismo.
(alternativa B)
despertar confusional.
(alternativa C) (CORRETA) 
terror noturno.
(alternativa D)
transtorno de pesadelos.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Terror noturno.
Comentário técnico
Menina de 6 anos com episódios noturnos recorrentes caracterizados por:
Início cerca de 1 hora após adormecer (sono lento – N3).
Sentar na cama, olhos abertos, grito, intensa agitação, sudorese e taquicardia.
Ausência de reconhecimento dos familiares e resposta a consolo.
Duração de alguns minutos, retorno espontâneo ao sono.
Amnésia completa do evento no dia seguinte, sem sonolência diurna ou
alterações no desempenho escolar.
Esse quadro é típico de terror noturno (pavor noturno), uma parassonia de despertar do
sono lento, comum na infância (pico entre 4–8 anos). Não requer tratamento
farmacológico de rotina, apenas orientação familiar e medidas de segurança.
Análise das alternativas incorretas
sonambulismo. Incorreta. Sonambulismo caracteriza-se por deambulação
complexa sem medo intenso ou grito.
despertar confusional. Incorreta. Despertar confusional é mais leve, com
confusão e desorientação, sem agitação intensa, sudorese ou taquicardia
marcante.
transtorno de pesadelos. Incorreta. Transtorno de pesadelos ocorre durante o
sono REM, com recordação vívida do sonho e dificuldade para voltar a dormir.
21ª QUESTÃO
Enunciado:
Adolescente de 16 anos comparece à unidade básica de saúde para a primeira consulta
de pré-natal, acompanhada da mãe. Refere atraso menstrual e náuseas leves. Informa
que a última menstruação ocorreu “há cerca de quatro meses”, mas não recorda a data
exata, pois não registrava as menstruações. Nega sangramento vaginal, dor pélvica ou
perda de líquido. Ainda não realizou ultrassonografia nesta gestação. Ao exame,
apresenta pressão arterial de 102 × 64 mmHg, frequência cardíaca de 82 batimentos por
minuto e IMC de 21 kg/m². O exame físico geral não mostra alterações relevantes. A
altura uterina é de 16 cm, e o teste rápido de gravidez é positivo.
Nesse caso, a idade gestacional deve ser estabelecida prioritariamente por meio da
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
biometria fetal obtida na primeira ultrassonografia obstétrica.
(alternativa B)
data aproximada da última menstruação informada pela gestante.
(alternativa C)
medida da altura uterina obtida na consulta inicial.
(alternativa D)
correlação entre o início dos sintomas gestacionais e o período de amenorreia.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Biometria fetal obtida na primeira ultrassonografia obstétrica.
Comentário técnico
Adolescente de 16 anos com amenorreia de cerca de 4 meses (data incerta), náuseas
leves e altura uterina de 16 cm na primeira consulta de pré-natal. Ainda não realizou
ultrassonografia.
Quando a data da última menstruação é incerta ou desconhecida, o método mais preciso
para estabelecer a idade gestacional é a biometria fetal obtida na primeira
ultrassonografia obstétrica (preferencialmente no primeiro trimestre). A medida da altura
uterina e a correlação com sintomas gestacionais são parâmetros auxiliares, mas têm
menor precisão.
Análise das alternativas incorretas
data aproximada da última menstruação informada pela gestante.
Incorreta. Data aproximada da última menstruação é o método de escolha
quando confiável, mas aqui é incerta.
medida da altura uterina obtida na consulta inicial. Incorreta. Altura
uterina é um parâmetro auxiliar, mas tem baixa precisão para estimar idade
gestacional exata, especialmente em gestantes obesas ou com miomas.
correlação entre o início dos sintomas gestacionais e o período de
amenorreia. Incorreta. Correlação entre o início dos sintomas gestacionais e o
período de amenorreia é auxiliar, mas não é o método prioritário.
22ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 55 anos é encaminhada ao ambulatório de mastologia por nódulo palpável na
mama esquerda há cerca de 3 meses, com crescimento discreto no período. Nega febre,
trauma local ou secreção papilar. Sua irmã teve câncer de mama aos 58 anos. Ao exame
físico, observa-se nódulo palpável de aproximadamente 2 cm no quadrante superolateral
da mama esquerda, de consistência endurecida, contornos irregulares e mobilidade
reduzida, sem sinais flogísticos. A mamografia diagnóstica mostra nódulo espiculado, de
alta densidade, associado a distorção arquitetural no mesmo quadrante.A conduta diagnóstica inicial mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
realizar ultrassonografia mamária para melhor caracterização da lesão.
(alternativa B)
realizar punção aspirativa por agulha fina para análise citológica da lesão.
(alternativa C)
realizar biópsia excisional da lesão para confirmação histopatológica.
(alternativa D) (CORRETA) 
realizar biópsia percutânea da lesão por agulha grossa.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: realizar biópsia percutânea da lesão por agulha grossa.
Comentário técnico
Mulher de 55 anos com nódulo mamário palpável de 2 cm, características clínicas
suspeitas (consistência endurecida, contornos irregulares, mobilidade reduzida) e
mamografia com nódulo espiculado e distorção arquitetural (achados altamente
sugestivos de malignidade – BI-RADS 4C ou 5).
A conduta diagnóstica inicial mais adequada é a biópsia percutânea por agulha grossa
(core biopsy). Esse procedimento é minimamente invasivo, apresenta alta acurácia
diagnóstica (>95%), permite análise histopatológica completa (incluindo subtipos e
receptores hormonais) e orienta o planejamento terapêutico subsequente.
Análise das alternativas incorretas
realizar ultrassonografia mamária para melhor caracterização da lesão.
Incorreta. A ultrassonografia mamária é complementar para caracterização da lesão, mas
não substitui a biópsia em nódulo palpável e altamente suspeito.
realizar punção aspirativa por agulha fina para análise citológica da lesão.
Incorreta. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) tem menor sensibilidade e
especificidade que a biópsia por agulha grossa, especialmente para determinação de
subtipo histológico e receptores.
realizar biópsia excisional da lesão para confirmação histopatológica. Incorreta.
A biópsia excisional (cirúrgica) é reservada para casos em que a biópsia percutânea não é
conclusiva ou não é tecnicamente possível. Não é a conduta inicial recomendada.
23ª QUESTÃO
Enunciado:
Homem de 67 anos encontra-se no 5º dia pós-operatório de ressecção extensa do
intestino delgado por isquemia mesentérica. Permanece internado em unidade de terapia
intensiva, sob ventilação mecânica, com hipotensão persistente, extremidades frias,
oligúria, lactato elevado e necessidade crescente de noradrenalina. Apresenta
desnutrição prévia documentada e não recebeu aporte nutricional significativo desde a
cirurgia.
Nesse momento, a conduta nutricional mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
adiar o início do suporte nutricional e reavaliar a indicação após melhora da estabilidade
hemodinâmica.
(alternativa B)
iniciar dieta enteral por sonda nasogástrica, em baixo volume e com progressão
conforme a tolerância clínica.
(alternativa C) (CORRETA) 
iniciar nutrição parenteral por acesso venoso central, com progressão cautelosa do
aporte nutricional.
(alternativa D)
iniciar dieta enteral por sonda nasoentérica, em infusão contínua e com posicionamento
pós-pilórico.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Iniciar nutrição parenteral por acesso venoso central, com
progressão cautelosa do aporte nutricional.
Comentário técnico
Paciente no 5º dia pós-ressecção extensa de intestino delgado por isquemia mesentérica,
com choque persistente (hipotensão, extremidades frias, oligúria, lactato elevado,
noradrenalina crescente) e desnutrição prévia.
Nesse contexto, a via enteral está contraindicada devido ao risco de isquemia intestinal e
necrose. A conduta mais adequada é iniciar nutrição parenteral por acesso venoso
central, com progressão cautelosa do aporte nutricional (calorias e proteínas),
monitorando tolerância e complicações metabólicas.
Análise das alternativas incorretas
adiar o início do suporte nutricional e reavaliar a indicação após
melhora da estabilidade hemodinâmica. Incorreta. Adiar o suporte
nutricional em paciente grave e desnutrido aumenta o catabolismo, piora o
prognóstico e favorece infecções.
iniciar dieta enteral por sonda nasogástrica, em baixo volume e com
progressão conforme a tolerância clínica. Incorreta. Dieta enteral por
sonda nasogástrica é contraindicada em choque refratário e perfusão intestinal
comprometida.
iniciar dieta enteral por sonda nasoentérica, em infusão contínua e com
posicionamento pós-pilórico. Incorreta. Sonda nasoentérica pós-pilórica
ainda é via enteral e contraindicada na instabilidade hemodinâmica.
24ª QUESTÃO
Enunciado:
Recém-nascido a termo, com 12 horas de vida, é avaliado pela equipe de pediatria no
pós-parto imediato por apresentar baixo peso ao nascer, hipoatividade e icterícia
precoce. A mãe tem 22 anos, realizou pré-natal irregular e relata que, no primeiro
trimestre, apresentou febre baixa, mal-estar e linfonodos cervicais aumentados, sem
exantema. Não houve registro de triagem infecciosa completa durante a gestação. Ao
exame, o recém-nascido apresenta hepatoesplenomegalia, microcefalia, petéquias e
lesões purpúricas esparsas. A triagem auditiva neonatal é alterada bilateralmente. A
ultrassonografia transfontanelar mostra calcificações intracranianas com predomínio
periventricular. Hemograma evidencia plaquetopenia.
Com base no quadro clínico-neonatal e nos achados complementares, a hipótese
diagnóstica mais provável é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
infecção congênita por citomegalovírus.
(alternativa B)
toxoplasmose congênita.
(alternativa C)
rubéola congênita.
(alternativa D)
sífilis congênita precoce.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Infecção congênita por citomegalovírus.
Comentário técnico
O recém-nascido apresenta quadro clássico de infecção congênita sintomática por
Citomegalovírus (CMV), o principal agente das infecções congênitas virais.
Elementos diagnósticos principais:
História materna: Síndrome viral inespecífica no primeiro trimestre (febre,
mal-estar, linfonodomegalia cervical) + pré-natal irregular.
Clínicos neonatais: Baixo peso ao nascer, hipoatividade, icterícia precoce,
hepatoesplenomegalia, microcefalia, petéquias/púrpura e plaquetopenia.
Complementares: Triagem auditiva alterada bilateralmente (CMV é a principal
causa infecciosa de surdez congênita) + calcificações intracranianas com
predomínio periventricular (achado altamente característico).
Esses achados diferenciam o CMV das demais infecções do grupo TORCH.
Análise das alternativas incorretas
Toxoplasmose congênita: Incorreta. Embora compartilhe microcefalia,
hepatoesplenomegalia e calcificações, estas são tipicamente dispersas (não
predominantemente periventriculares). A coriorretinite costuma ser mais grave.
Rubéola congênita: Incorreta. Associa-se mais a catarata, cardiopatias
congênitas (persistência do canal arterial, estenose pulmonar) e surdez.
Calcificações periventriculares não são achado típico.
Sífilis congênita precoce: Incorreta. Caracteriza-se principalmente por lesões
ósseas (osteocondrite, periostite), rash maculopapular (incluindo palma e
planta), rinorreia sanguinolenta e anemia. Calcificações cerebrais não são
comuns.
25ª QUESTÃO
Enunciado:
Recém-nascido de 37 semanas, com 72 horas de vida, retorna à maternidade por
icterícia percebida pela família. Nasceu de parto vaginal, peso ao nascer de 2.780 g,
Apgar 8 e 9, e recebeu alta com 36 horas de vida. Está em aleitamento materno
exclusivo, com sucção efetiva, diurese presente e perda ponderal de 7%. A mãe é tipo
sanguíneo O Rh positivo, e o recém-nascido é A Rh positivo, com teste de antiglobulina
direto positivo. Ao exame, está ativo, afebril, com icterícia até abdome, sem
hipoatividade, hipotonia, choro agudo ou dificuldade para mamar. A bilirrubina total
sérica é de 17,8 mg/dL, com bilirrubina direta de 0,4 mg/dL.
Considerando a idade pós-natal, os fatores de risco e o nível sérico de bilirrubina, a
conduta mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A) (CORRETA) 
iniciar fototerapia intensiva.
(alternativa B)
orientar aleitamento e reavaliar em 48 horas.
(alternativa C)
indicar exsanguineotransfusão imediata.
(alternativa D)
intensificar aleitamento e repetirbilirrubina em 24 horas.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Iniciar fototerapia intensiva.
Comentário técnico
Recém-nascido de 37 semanas, 72 horas de vida, com icterícia até abdome, bilirrubina
total 17,8 mg/dL, bilirrubina direta normal, incompatibilidade ABO (mãe O, RN A) e teste
de antiglobulina direto positivo.
De acordo com os nomogramas de Bhutani e diretrizes da American Academy of
Pediatrics (AAP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP):
Bilirrubina total de 17,8 mg/dL aos 72 horas em RN a termo tardio com fatores
de risco (incompatibilidade ABO) ultrapassa o limiar para fototerapia intensiva.
A conduta inicial é fototerapia intensiva (dupla ou tripla, com luz azul), hidratação
adequada e reavaliação seriada de bilirrubina. Exsanguineotransfusão é reservada para
casos graves com bilirrubina muito elevada ou falha da fototerapia.
Análise das alternativas incorretas
orientar aleitamento e reavaliar em 48 horas. Incorreta. Reavaliação
ambulatorial em 48 horas é inadequada com bilirrubina já elevada e fatores de
risco hemolíticos.
indicar exsanguineotransfusão imediata. Incorreta. Exsanguineotransfusão
é indicada em casos graves (bilirrubina muito elevada ou sinais de kernicterus),
não como primeira conduta.
intensificar aleitamento e repetir bilirrubina em 24 horas. Incorreta.
Intensificar aleitamento e repetir bilirrubina em 24 horas é conduta
conservadora excessiva para este nível sérico e risco hemolítico.
26ª QUESTÃO
Enunciado:
Gestante de 32 anos, G2P1A0, com 39 semanas de gestação, é admitida na maternidade
após ruptura espontânea das membranas há três horas. O parto vaginal anterior ocorreu
sem intercorrências, e o pré-natal atual transcorreu sem outras intercorrências clínicas ou
obstétricas. Na primeira consulta de pré-natal, realizada com 9 semanas, relatou peso
imediatamente anterior à gestação de 101 kg e apresentava peso de 102 kg, altura de
1,65 m e pressão arterial de 118 × 74 mmHg. Na admissão, pesa 113 kg e apresenta
pressão arterial de 116 × 72 mmHg, altura uterina de 37 cm e frequência cardíaca fetal
de 144 batimentos por minuto. Não há sangramento vaginal, e a dinâmica uterina é
irregular.
Considerando os fatores maternos associados ao risco de hemorragia pós-parto, o fator
presente nesse caso é
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Alternativas:
(alternativa A)
idade materna de 32 anos.
(alternativa B)
um parto vaginal prévio.
(alternativa C)
ruptura das membranas a termo.
(alternativa D) (CORRETA) 
IMC no início do pré-natal superior a 35 kg/m².
Resposta comentada:
Gabarito oficial: IMC no início do pré-natal superior a 35 kg/m².
Comentário técnico
Gestante de 32 anos, G2P1A0, 39 semanas, com peso pré-gestacional de 101 kg e altura
1,65 m (IMC ≈ 37,1 kg/m²). O peso atual de 113 kg é consistente com ganho gestacional
normal.
De acordo com o Protocolo de Atenção ao Parto e ao Nascimento do Ministério da Saúde,
o IMC >35 kg/m² no início do pré-natal é um fator de risco reconhecido para hemorragia
pós-parto (principalmente por atonia uterina, dificuldade de manobras e maior chance de
cesariana).
Os demais fatores apresentados (idade materna, um parto vaginal prévio, ruptura de
membranas a termo) não são considerados de alto risco para hemorragia pós-parto.
Análise das alternativas incorretas
idade materna de 32 anos. Incorreta. Idade materna de 32 anos não é fator
de risco significativo para hemorragia pós-parto.
um parto vaginal prévio. Incorreta. Um parto vaginal prévio é protetor
(diminui o risco de atonia uterina).
ruptura das membranas a termo. Incorreta. Ruptura das membranas a
termo não é fator de risco significativo isolado para hemorragia pós-parto.
27ª QUESTÃO
Enunciado:
Menino de 9 anos é levado ao ambulatório de pediatria por dificuldade de concentração,
irritabilidade e queda recente do rendimento escolar. Os responsáveis relatam que ele
dorme de boca aberta, apresenta roncos na maior parte das noites e movimenta-se muito
durante o sono. Em algumas ocasiões, observaram interrupções breves da respiração
seguidas de inspiração ruidosa. Nega sintomas persistentes de rinite ou asma. Ao exame,
apresenta obesidade, com índice de massa corporal no percentil 96 para idade e sexo.
Apresenta tonsilas palatinas ocupando menos de 50% do espaço orofaríngeo, sem
alterações relevantes à ausculta pulmonar.
Para confirmar a principal hipótese diagnóstica e quantificar os eventos respiratórios
durante o sono, o exame mais adequado é
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Alternativas:
(alternativa A)
nasofibroscopia flexível para determinar o grau de obstrução da rinofaringe.
(alternativa B)
oximetria noturna contínua para identificar episódios de dessaturação.
(alternativa C)
poligrafia respiratória domiciliar com registro de fluxo aéreo, esforço respiratório e
oximetria.
(alternativa D) (CORRETA) 
polissonografia noturna em laboratório.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: polissonografia noturna em laboratório.
Comentário técnico
Menino de 9 anos com sintomas clássicos de síndrome da apneia obstrutiva do sono
(SAOS):
Roncos noturnos, apneias observadas, respiração bucal, movimentação
excessiva durante o sono.
Sintomas diurnos: dificuldade de concentração, irritabilidade e queda de
rendimento escolar.
Fatores de risco: obesidade e hipertrofia de tonsilas palatinas.
A polissonografia noturna em laboratório é o exame padrão-ouro para confirmação
diagnóstica e quantificação da gravidade da SAOS (índice de apneia-hipopneia,
dessaturações, distúrbios do sono, etc.). Permite diferenciar SAOS de outros distúrbios
respiratórios do sono e orientar o tratamento (adenotonsilectomia, CPAP, perda de peso,
etc.).
Análise das alternativas incorretas
nasofibroscopia flexível para determinar o grau de obstrução da
rinofaringe. Incorreta. Nasofibroscopia avalia obstrução anatômica (tonsilas,
adenoides), mas não quantifica eventos respiratórios durante o sono.
oximetria noturna contínua para identificar episódios de dessaturação.
Incorreta. Oximetria noturna é um método de rastreio simples, mas tem baixa
sensibilidade e especificidade para diagnóstico de SAOS.
poligrafia respiratória domiciliar com registro de fluxo aéreo, esforço
respiratório e oximetria. Incorreta. Poligrafia respiratória domiciliar é uma
alternativa em casos selecionados, mas a polissonografia em laboratório é o
padrão-ouro, especialmente em crianças.
28ª QUESTÃO
Enunciado:
Mulher de 28 anos, com 31 semanas de gestação, recebeu diagnóstico de sífilis de
duração ignorada após teste rápido reagente e VDRL 1:64. Foi tratada com
benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, por via intramuscular, uma vez por semana,
durante três semanas. Quatro semanas após o término do tratamento, encontra-se
assintomática, nega nova exposição sexual desprotegida e apresenta VDRL 1:32.
Nesse caso, a conduta mais adequada é
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Alternativas:
(alternativa A)
repetir o tratamento pela ausência de queda de duas diluições no primeiro mês.
(alternativa B) (CORRETA) 
manter o seguimento sorológico mensal durante a gestação.
(alternativa C)
adiar a próxima coleta do VDRL até o parto, devido à redução inicial do título.
(alternativa D)
investigar neurossífilis pela persistência de VDRL em título elevado.
Resposta comentada:
Gabarito oficial: Manter o seguimento sorológico mensal durante a gestação.
Comentário técnico
Gestante com sífilis de duração ignorada tratada com benzilpenicilina benzatina 2,4
milhões UI semanal por 3 semanas. Quatro semanas após o tratamento, VDRL caiu de
1:64 para 1:32 (queda de uma diluição).
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde e da FEBRASGO, uma queda de uma
diluição em 4 semanas é compatível com resposta sorológica inicial adequada. A conduta
recomendada é manter o seguimento sorológico mensal durante a gestação, avaliar risco
de reinfecção e testar/tratar a parceria sexual. Não há indicação de retratamento
imediato nem investigação de neurossífilis nesse momento.
Análise das alternativas incorretas
repetir o tratamento pela ausência de queda de duas diluições no
primeiro

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