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Projeto Enamed CURSO DE PROJETO ENAMED NOTA FINAL Aluno: Componente Curricular: Projeto Enamed Professor (es): Período: 202602 Turma: Data: Simulado Enamed RELATÓRIO DE DEVOLUTIVA DE PROVA PROVA 00011 - CADERNO 001 1ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 38 anos, sem comorbidades, será submetido a herniorrafia inguinal eletiva sob anestesia geral, programada para as 10h. Na consulta pré-anestésica, refere bom estado geral e nega refluxo gastroesofágico, gastroparesia, diabetes mellitus, obesidade, uso de opioides ou episódios recentes de vômitos. O paciente relata que costuma ingerir torrada e chá sem leite ao acordar e pergunta até que horário poderia consumir cada item sem comprometer o procedimento. Considerando as recomendações de jejum pré-anestésico para adulto saudável em cirurgia eletiva, a orientação mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) concluir a ingestão da torrada até as 4h e do chá sem leite até as 8h. (alternativa B) concluir a ingestão da torrada até as 6h e do chá sem leite até as 8h. (alternativa C) concluir a ingestão da torrada até as 4h e do chá sem leite até as 6h. (alternativa D) concluir a ingestão da torrada até as 2h e do chá sem leite até as 4h. Página 1 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Concluir a ingestão da torrada até as 4h e do chá sem leite até as 8h. Paciente adulto saudável, sem fatores de risco para aspiração pulmonar, submetido a herniorrafia inguinal eletiva sob anestesia geral programada para as 10h. De acordo com as recomendações atuais de jejum pré-anestésico (Sociedade Brasileira de Anestesiologia – SBA e American Society of Anesthesiologists – ASA): Refeição leve (ex.: torrada simples + chá sem leite): até 6 horas antes da anestesia. Líquidos claros (água, chá sem leite, suco sem polpa): até 2 horas antes da anestesia. Essas recomendações reduzem o desconforto pré-operatório (sede, ansiedade) sem aumentar o risco de aspiração pulmonar em pacientes de baixo risco. Análise das alternativas incorretas concluir a ingestão da torrada até as 6h e do chá sem leite até as 8h. Incorreta. Torrada até 6h é um intervalo insuficiente para refeição leve (6h é o mínimo recomendado). concluir a ingestão da torrada até as 4h e do chá sem leite até as 6h. Incorreta. Chá sem leite até 6h é um intervalo excessivo (2h é o seguro). concluir a ingestão da torrada até as 2h e do chá sem leite até as 4h. Incorreta. Torrada até 2h e chá sem leite até 4h são intervalos inadequados para paciente de baixo risco. Referências principais: Nacional: Diretriz da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) – Jejum Pré- Anestésico (atualização 2022/2023). Internacional: American Society of Anesthesiologists (ASA) Practice Guidelines for Preoperative Fasting and the Use of Pharmacologic Agents to Reduce the Risk of Pulmonary Aspiration (2017, com atualizações). 2ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 48 anos, submetida a bypass gástrico em Y de Roux há cinco anos, procura ambulatório de cirurgia bariátrica por reganho de 16 kg nos últimos 18 meses. Relata aumento progressivo da capacidade alimentar, dor epigástrica pós-prandial e episódios de refluxo. Nega disfagia, vômitos persistentes e alteração do hábito intestinal. A endoscopia digestiva alta mostra bolsa gástrica de dimensões preservadas, anastomose gastrojejunal pérvia e ausência de ulceração. O estudo contrastado evidencia opacificação precoce de estrutura gástrica adicional, adjacente à bolsa, antes da progressão do contraste para a alça alimentar. O diagnóstico mais provável é Alternativas: (alternativa A) dilatação da anastomose gastrojejunal. (alternativa B) dilatação da bolsa gástrica. (alternativa C) (CORRETA) fístula gastro-gástrica tardia. (alternativa D) hérnia interna intermitente. Página 2 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Fístula gastro-gástrica tardia. Comentário técnico Paciente com reganho ponderal significativo após bypass gástrico em Y de Roux, dor epigástrica pós-prandial e refluxo. Endoscopia mostra bolsa preservada e anastomose pérvia. O estudo contrastado evidencia opacificação precoce de estrutura gástrica adicional adjacente à bolsa, antes da progressão do contraste para a alça alimentar. Esse achado é típico de fístula gastro-gástrica tardia (comunicação entre a bolsa gástrica e o estômago remanescente excluído). A fístula permite o trânsito de alimentos para o estômago excluído, favorecendo o reganho ponderal e sintomas de refluxo. Análise das alternativas incorretas dilatação da anastomose gastrojejunal. Incorreta. Dilatação da anastomose gastrojejunal geralmente cursa com regurgitação e vômitos, sem opacificação precoce de estrutura gástrica adicional. dilatação da bolsa gástrica. Incorreta. Dilatação da bolsa gástrica não explica a opacificação precoce de estrutura gástrica adjacente à bolsa. hérnia interna intermitente. Incorreta. Hérnia interna intermitente causa obstrução ou dor intermitente, mas não opacificação precoce de estrutura gástrica. 3ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 42 anos, em acompanhamento por transtorno de ansiedade generalizada e episódio depressivo recorrente, é levada ao Pronto Atendimento pelo companheiro por sonolência intensa há cerca de 2 horas. Ele relata que a paciente utiliza sertralina, quetiapina em baixa dose para insônia e clonazepam regularmente, mas encontrou a cartela de clonazepam com vários comprimidos faltando. Nega relato de queda, convulsões, vômitos ou uso de álcool. Ao exame, a paciente está sonolenta, desperta ao chamado, responde de forma lenta e volta a dormir. Apresenta pressão arterial de 108 × 68 mmHg, frequência cardíaca de 64 bpm, frequência respiratória de 12 irpm, saturação de O₂ de 96% em ar ambiente, temperatura de 36,4 ºC e glicemia capilar de 94 mg/dL. Pupilas isocóricas e fotorreagentes. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Não há rigidez, clônus, hipertermia ou sinais de trauma. Considerando a hipótese clínica mais provável, a conduta inicial mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) manter observação monitorada e reavaliar ventilação de forma seriada. (alternativa B) administrar flumazenil intravenoso e observar resposta clínica. (alternativa C) suspender temporariamente os psicofármacos e observar evolução da sonolência. (alternativa D) prescrever carvão ativado e manter observação até melhora da sonolência. Página 3 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Manter observação monitorada e reavaliar ventilação de forma seriada. Comentário técnico Paciente com provável intoxicação aguda por benzodiazepínico (clonazepam) em uso crônico, apresentando sonolência intensa, mas sem depressão respiratória grave (FR 12 irpm, SatO₂ 96%), hemodinamicamente estável e sem sinais de intoxicação por outros agentes (glicemia normal, sem rigidez, clônus ou hipertermia). A conduta inicial deve priorizar o suporte clínico: Monitorização contínua de sinais vitais e nível de consciência. Reavaliação seriada da ventilação e proteção de vias aéreas, se necessário. Suporte sintomático e observação em ambiente adequado (pronto atendimento ou unidade de observação). O flumazenil (antídoto específico) é reservado para casos graves com depressão respiratória significativa, pois pode precipitar convulsões em pacientes com uso crônico de benzodiazepínicos ou história de epilepsia. Análise das alternativas incorretas administrar flumazenil intravenoso e observar resposta clínica. Incorreta. O flumazenil não é indicado de rotina e pode causar convulsões graves em pacientes dependentes de benzodiazepínicos. suspender temporariamente os psicofármacos e observar evolução da sonolência. Incorreta. Suspender os psicofármacos é parte do manejo, mas não substitui a observação monitorada em ambiente de urgência. prescrever carvão ativado e manter observação até melhora da sonolência. Incorreta. O carvão ativado tem benefício limitado em intoxicação por benzodiazepínicos (absorção rápida) e não é prioritário neste momento. 4ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 44 anos, com transtornomês. Incorreta. Queda de uma diluição em 4 semanas é resposta sorológica inicial aceitável; não indica falha terapêutica. adiar a próxima coleta do VDRL até o parto, devido à redução inicial do título. Incorreta. Adiar a próxima coleta até o parto é inadequado; o seguimento mensal é essencial para monitorar a resposta terapêutica. investigar neurossífilis pela persistência de VDRL em título elevado. Incorreta. Persistência de VDRL em título elevado não indica necessariamente neurossífilis; a investigação é indicada em casos específicos. 29ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 68 anos encontra-se no sexto dia pós-operatório de sigmoidectomia aberta por adenocarcinoma de cólon. Desde o procedimento, não eliminou flatos nem fezes e apresentou piora progressiva da distensão abdominal, náuseas e episódios de vômitos biliosos. Ao exame, encontra-se desidratada, com frequência cardíaca de 102 bpm e pressão arterial de 106 × 68 mmHg. O abdome está difusamente distendido e timpânico, com ruídos hidroaéreos reduzidos e dor leve à palpação, sem defesa ou descompressão brusca dolorosa. A tomografia mostra dilatação difusa de alças do intestino delgado e do cólon, sem ponto de transição, pneumoperitônio ou coleção intra-abdominal. O diagnóstico mais provável é Página 30 de 112 Alternativas: (alternativa A) obstrução intestinal mecânica precoce. (alternativa B) deiscência da anastomose colorretal. (alternativa C) obstrução colônica por edema da anastomose. (alternativa D) (CORRETA) íleo paralítico pós-operatório prolongado. Resposta comentada: Gabarito oficial: Íleo paralítico pós-operatório prolongado. Comentário técnico Paciente no 6º dia pós-sigmoidectomia aberta por adenocarcinoma de cólon, apresentando distensão abdominal progressiva, ausência de flatos e fezes, náuseas, vômitos biliosos, desidratação e taquicardia. Tomografia mostra dilatação difusa de alças do intestino delgado e do cólon, sem ponto de transição ou segmento intestinal distal colabado e sem pneumoperitônio ou coleção intra-abdominal. Esse quadro é compatível com íleo paralítico pós-operatório prolongado (paralytic ileus). O íleo paralítico é uma complicação comum após cirurgia abdominal, caracterizada por inibição da motilidade intestinal sem obstrução mecânica. A ausência de ponto de transição na TC e a ausência de sinais de deiscência ou isquemia reforçam o diagnóstico. Conduta: Suporte clínico (hidratação, sonda nasogástrica se necessário, correção de distúrbios hidroeletrolíticos), mobilização precoce e reavaliação. Análise das alternativas incorretas obstrução intestinal mecânica precoce. Incorreta. Uma obstrução mecânica pós- operatória pode produzir distensão, vômitos e obstipação. Contudo, a tomografia geralmente demonstra uma mudança de calibre, com alças dilatadas proximalmente e descompressão distal. A ausência de ponto de transição e a dilatação simultânea do delgado e do cólon favorecem íleo paralítico. deiscência da anastomose colorretal. Incorreta. É plausível pela temporalidade após cirurgia colorretal, mas faltam manifestações que a sustentem, como piora sistêmica, dor progressiva, peritonismo ou sinais tomográficos de extravasamento, gás extraluminal ou coleção. A ausência de pneumoperitônio e coleção não exclui absolutamente uma deiscência inicial, mas, no conjunto do caso, torna essa alternativa claramente inferior ao íleo. obstrução colônica por edema da anastomose. Incorreta. Se houvesse obstrução na anastomose, seria esperado: predomínio de dilatação colônica proximal; mudança de calibre na região anastomótica; cólon distal descomprimido; ponto de transição identificável. Como o exame mostra dilatação difusa do intestino delgado e do cólon sem ponto de transição, essa possibilidade é inadequada. 30ª QUESTÃO Página 31 de 112 Enunciado: Homem de 62 anos comparece à UBS solicitando troca da receita dos óculos. Refere que a visão central está relativamente preservada, mas tem dificuldade progressiva para perceber obstáculos nas laterais, especialmente ao caminhar em locais pouco iluminados. Nega dor ocular, olho vermelho, fotofobia ou perda visual súbita. Tem hipertensão arterial controlada. Durante triagem oftalmológica, apresentou pressão intraocular de 25 mmHg no olho direito e 26 mmHg no olho esquerdo, com alteração suspeita do disco óptico. Considerando os achados apresentados, a conduta inicial mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) encaminhar para avaliação oftalmológica por suspeita de glaucoma. (alternativa B) solicitar campimetria visual antes de definir o encaminhamento. (alternativa C) encaminhar para avaliação eletiva de catarata relacionada à idade. (alternativa D) repetir a tonometria em curto prazo antes de definir o encaminhamento. Resposta comentada: Gabarito oficial: Encaminhar para avaliação oftalmológica por suspeita de glaucoma. Comentário técnico Homem de 62 anos com queixa de dificuldade progressiva para perceber obstáculos nas laterais (alteração de campo visual periférico), visão central relativamente preservada, hipertensão arterial e pressão intraocular elevada (25 e 26 mmHg), com alteração suspeita do disco óptico. Esse quadro é altamente sugestivo de glaucoma (principalmente glaucoma de ângulo aberto primário), principal causa de cegueira irreversível no mundo. A conduta inicial mais adequada é o encaminhamento para avaliação oftalmológica especializada, com prioridade, para confirmação diagnóstica (tonometria, campimetria visual, fundoscopia) e início de tratamento (colírios hipotensores, laser ou cirurgia). Análise das alternativas incorretas solicitar campimetria visual antes de definir o encaminhamento. Incorreta. Campimetria visual é útil, mas deve ser solicitada pela oftalmologia após avaliação inicial. encaminhar para avaliação eletiva de catarata relacionada à idade. Incorreta. Catarata causa redução da visão central (não periférica) e não explica a pressão intraocular elevada. repetir a tonometria em curto prazo antes de definir o encaminhamento. Incorreta. Repetir tonometria pode ser útil, mas a combinação de achados (pressão elevada, alteração suspeita do disco óptico e queixa compatível) exige avaliação especializada. 31ª QUESTÃO Página 32 de 112 Enunciado: Homem de 74 anos é avaliado em ambulatório de cardiologia da atenção secundária por dispneia progressiva aos esforços. Tem hipertensão arterial e utiliza hidroclorotiazida e anlodipino de forma irregular. Ao exame, apresenta pressão arterial de 158 × 92 mmHg e frequência cardíaca de 86 batimentos por minuto, sem sinais clínicos de congestão. O ecocardiograma evidencia dilatação do ventrículo esquerdo e fração de ejeção de 34%, compatível com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Os exames mostram creatinina de 1,0 mg/dL, taxa de filtração glomerular estimada de 68 mL/min/1,73 m² e potássio sérico de 4,3 mEq/L. Não há história de angioedema nem contraindicação conhecida às classes farmacológicas indicadas para o tratamento da insuficiência cardíaca. Nesse caso, a conduta farmacológica mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) instituir sacubitril/valsartana, carvedilol, espironolactona e dapagliflozina. (alternativa B) aumentar as doses de anlodipino e hidroclorotiazida. (alternativa C) associar verapamil e espironolactona (alternativa D) iniciar furosemida e nitrato de uso contínuo. Resposta comentada: Gabarito oficial: instituir sacubitril/valsartana, carvedilol, espironolactona e dapagliflozina. Comentário técnico Homem de 74 anos com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr – FE 34%), hipertensão arterial e descompensação clínica (dispneia progressiva). Sem contraindicações conhecidas. De acordo com as diretrizes atuais (Sociedade Brasileira de Cardiologia/2022 e ESC/2022), o tratamento farmacológico de primeira linha para ICFEr é a quádrupla terapia otimizada: Sacubitril/valsartana (inibidor da neprilisina + BRA). Carvedilol (betabloqueador). Espironolactona (antagonista mineralocorticoide). Dapagliflozina(inibidor da SGLT2). Essa combinação reduz mortalidade, hospitalizações e melhora qualidade de vida. Análise das alternativas incorretas aumentar as doses de anlodipino e hidroclorotiazida. Incorreta. Aumento de anlodipino e hidroclorotiazida não melhora a sobrevida em ICFEr e pode piorar a hiponatremia ou função renal. associar verapamil e espironolactona. Incorreta. Verapamil é contraindicado em ICFEr por seu efeito inotrópico negativo. iniciar furosemida e nitrato de uso contínuo. Incorreta. Furosemida e nitrato são úteis para controle de sintomas congestivos, mas não constituem a terapia modificadora de prognóstico. 32ª QUESTÃO Página 33 de 112 Enunciado: Adolescente de 14 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhada pelo padrasto, que relata queda da escada no dia anterior. Durante a consulta, permanece calada, evita contato visual e olha para o acompanhante antes de responder. Ao exame, observam-se equimoses de diferentes colorações nos braços e na região dorsal, além de escoriações lineares nos antebraços. O padrão e a localização das lesões levantam dúvida quanto ao mecanismo relatado. Em conversa reservada, a adolescente fica chorosa, afirma que tem medo de voltar para casa e pede que o profissional não conte ao acompanhante o que foi conversado. Nesse caso, a conduta inicial mais adequada na APS é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) registrar os achados, avaliar a segurança imediata e acionar a rede de proteção. (alternativa B) registrar os achados, comunicar o acompanhante e acionar a rede de proteção. (alternativa C) aprofundar o relato, identificar o possível agressor e acionar a rede de proteção. (alternativa D) tratar as lesões, programar retorno breve e acionar a rede de proteção. Resposta comentada: Gabarito oficial: Registrar os achados, avaliar a segurança imediata e acionar a rede de proteção. Comentário técnico Adolescente de 14 anos com sinais clínicos (equimoses de diferentes colorações, escoriações lineares) e comportamentais (evitamento de contato visual, dependência do acompanhante, choro, medo de voltar para casa e pedido de confidencialidade) altamente sugestivos de violência física. De acordo com a Lei nº 13.431/2017 (Lei da Escuta Protegida) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), toda suspeita de violência contra criança ou adolescente é de notificação compulsória ao Conselho Tutelar. A conduta inicial na Atenção Primária deve incluir: Registro objetivo e detalhado dos achados (sem julgamento de valor). Entrevista reservada (escuta protegida). Avaliação de risco imediato (segurança da adolescente). Acionamento da rede de proteção (Conselho Tutelar, assistência social, saúde mental, segurança pública se necessário). Análise das alternativas incorretas registrar os achados, comunicar o acompanhante e acionar a rede de proteção. Incorreta. Comunicar o acompanhante pode aumentar o risco de retaliação e violar a escuta protegida. aprofundar o relato, identificar o possível agressor e acionar a rede de proteção. Incorreta. Aprofundar o relato e identificar o agressor é importante, mas não deve atrasar o acionamento da rede de proteção e a garantia de segurança. tratar as lesões, programar retorno breve e acionar a rede de proteção. Incorreta. Tratar lesões e programar retorno é importante, mas não substitui a notificação compulsória e a intervenção da rede de proteção. 33ª QUESTÃO Página 34 de 112 Enunciado: Mulher de 72 anos comparece ao ambulatório de Clínica Médica para seguimento de diabetes mellitus tipo 2, diagnosticado há 18 anos. Refere cansaço progressivo, redução do apetite e edema discreto em tornozelos ao final do dia. Usa metformina, insulina NPH e losartana, mas relata controle glicêmico irregular nos últimos anos. Tem também hipertensão arterial de longa data. Ao exame, apresenta pressão arterial de 152 × 88 mmHg, frequência cardíaca de 78 bpm, IMC de 28 kg/m² e edema maleolar bilateral discreto. A fundoscopia prévia descreve retinopatia diabética não proliferativa. Os exames laboratoriais mostram: creatinina sérica: 2,3 mg/dL; taxa de filtração glomerular estimada: 24 mL/min/1,73 m²; relação albumina/creatinina urinária: 620 mg/g; potássio sérico: 4,9 mEq/L; hemoglobina glicada: 8,4%. Considerando os dados laboratoriais apresentados, o perfil é mais compatível com Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) doença renal diabética avançada, com albuminúria gravemente aumentada. (alternativa B) nefropatia diabética inicial, com albuminúria moderadamente aumentada. (alternativa C) lesão renal aguda pré-renal, com albuminúria transitória por hipovolemia. (alternativa D) doença renal crônica não albuminúrica, com redução isolada da filtração glomerular. Resposta comentada: Gabarito oficial: doença renal diabética avançada, com albuminúria gravemente aumentada. Paciente com diabetes mellitus tipo 2 de longa duração (18 anos), retinopatia diabética confirmada e hipertensão arterial, apresentando agora redução importante da função renal (TFGe 24 mL/min/1,73 m² – DRC estágio 4) e albuminúria grave (620 mg/g). Esse perfil laboratorial é clássico de nefropatia diabética avançada (estágio avançado da doença renal diabética), caracterizada por: Declínio progressivo da taxa de filtração glomerular. Albuminúria gravemente aumentada (categoria A3: > 300 mg/g, segundo classificação KDIGO). Presença de retinopatia diabética (forte marcador de nefropatia diabética). A presença simultânea de retinopatia e nefropatia reforça a etiologia diabética da doença renal crônica. Análise das alternativas incorretas nefropatia diabética inicial, com albuminúria moderadamente aumentada. Incorreta. Nefropatia diabética inicial (estágio microalbuminúrico) corresponde a albuminúria moderadamente aumentada (30–300 mg/g). Aqui a albuminúria é gravemente elevada. lesão renal aguda pré-renal, com albuminúria transitória por hipovolemia. Incorreta. Não há dados sugestivos de lesão renal aguda (história crônica, ausência de hipovolemia ou fator precipitante agudo). A albuminúria grave não é transitória. doença renal crônica não albuminúrica, com redução isolada da filtração glomerular. Incorreta. Embora haja redução da filtração glomerular, existe albuminúria gravemente aumentada, o que afasta o diagnóstico de doença renal crônica não albuminúrica. Página 35 de 112 34ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 70 anos, internado em enfermaria de clínica médica por pneumonia comunitária. No terceiro dia de internação, evolui com tontura ao levantar-se, fraqueza e redução do débito urinário. Ao exame, apresenta pressão arterial de 86 × 54 mmHg, frequência cardíaca de 112 bpm, extremidades frias e mucosas secas. Os exames mostram ureia e creatinina discretamente elevadas em relação à admissão. A equipe considera que a hipovolemia seja o principal fator associado ao quadro hemodinâmico. Considerando os mecanismos fisiológicos de regulação da pressão arterial, a resposta compensatória esperada nesse paciente é: Alternativas: (alternativa A) Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, com retenção renal de sódio e água, sem aumento da resistência vascular periférica. (alternativa B) Ativação dos barorreceptores, aumento do tônus vagal e inibição da liberação de renina para reduzir a pós-carga cardíaca. (alternativa C) (CORRETA) Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, com vasoconstrição periférica e retenção renal de sódio e água. (alternativa D) Liberação de peptídeo natriurético atrial, aumento da natriurese e redução do volume intravascular para aliviar a pressão arterial. Página 36 de 112 Resposta comentada: O paciente apresenta choque hipovolêmico compensado (hipotensão + taquicardia + oligúria + elevação de ureia/creatinina + sinais de desidratação). Em hipovolemia, os principais mecanismos compensatórios para manutenção da pressão arterial são: 1. Ativação do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA): Renina → Angiotensina II → vasoconstrição periférica (aumento da resistência vascular sistêmica). Aldosterona+ ADH → retenção renal de sódio e água (expansão do volume intravascular). 2. Ativação do sistema nervoso simpático (taquicardia e vasoconstrição). A alternativa correta descreve com precisão os dois efeitos principais do SRAA ativado pela hipovolemia. Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, com vasoconstrição periférica e retenção renal de sódio e água. — Correta. Na hipovolemia, ocorre redução do volume circulante efetivo, com queda do retorno venoso, do débito cardíaco e da pressão arterial. Essa redução da perfusão renal estimula a liberação de renina, ativando o sistema renina-angiotensina-aldosterona. A angiotensina II promove vasoconstrição periférica, aumentando a resistência vascular sistêmica, enquanto a aldosterona favorece a retenção renal de sódio e água, contribuindo para restaurar o volume intravascular e manter a pressão arterial. Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, com retenção renal de sódio e água, sem aumento da resistência vascular periférica. — Incorreta. A alternativa reconhece corretamente a ativação do sistema renina-angiotensina- aldosterona e a retenção renal de sódio e água, mas erra ao afirmar que esse processo ocorre sem aumento da resistência vascular periférica. A angiotensina II, componente central do sistema, promove vasoconstrição arteriolar e aumento da resistência vascular sistêmica, especialmente em resposta à hipovolemia e hipotensão. Ativação dos barorreceptores, aumento do tônus vagal e inibição da liberação de renina para reduzir a pós-carga cardíaca. — Incorreta. Na hipotensão por hipovolemia, há menor estiramento dos barorreceptores, com redução da descarga aferente para os centros cardiovasculares. A resposta compensatória é aumento da atividade simpática, redução relativa do tônus vagal, taquicardia, vasoconstrição periférica e estímulo à liberação de renina. Portanto, não se espera aumento do tônus vagal nem inibição da renina. Liberação de peptídeo natriurético atrial, aumento da natriurese e redução do volume intravascular para aliviar a pressão arterial. — Incorreta. O peptídeo natriurético atrial é liberado principalmente quando há distensão atrial por aumento do volume intravascular. Sua ação favorece natriurese, diurese e redução da volemia. No quadro descrito, há hipovolemia, hipotensão, mucosas secas e oligúria, de modo que a resposta esperada é retenção de sódio e água, não aumento da natriurese. 35ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 23 anos comparece ao ambulatório de ginecologia por dor em baixo ventre há 5 dias, de intensidade progressiva, associada à dispareunia profunda e ao aumento do corrimento vaginal. Relata novo parceiro sexual há 2 meses. Apresenta pressão arterial de 112 × 70 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm e temperatura axilar de 37,8 °C. Ao exame abdominal, há dor à palpação profunda em hipogástrio, sem rigidez. O exame especular evidencia secreção endocervical. Ao toque bimanual, observa-se dor à mobilização do colo uterino e sensibilidade anexial bilateral. O teste de gravidez é negativo. Considerando o quadro clínico, a hipótese diagnóstica mais provável é Página 37 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) doença inflamatória pélvica. (alternativa B) cervicite aguda. (alternativa C) endometriose pélvica. (alternativa D) torção anexial. Resposta comentada: Gabarito oficial: Doença inflamatória pélvica. Comentário técnico Mulher de 23 anos com dor em baixo ventre progressiva, dispareunia profunda, aumento do corrimento vaginal, novo parceiro sexual, febre baixa e dor à mobilização cervical + sensibilidade anexial bilateral. Teste de gravidez negativo. O quadro é típico de doença inflamatória pélvica (DIP) — infecção ascendente do trato genital superior, geralmente por Chlamydia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae. Os principais critérios clínicos são dor pélvica, dispareunia, corrimento cervical e sensibilidade anexial. Conduta inicial: Antibioticoterapia empírica (ex.: ceftriaxona + doxiciclina), analgesia, orientação sobre abstinência sexual e tratamento do parceiro. Análise das alternativas incorretas cervicite aguda. Incorreta. Cervicite aguda cursa com corrimento cervical e dor à mobilização cervical, mas sem dor pélvica ou sensibilidade anexial. endometriose pélvica. Incorreta. Endometriose pélvica geralmente cursa com dor crônica cíclica (dismenorreia), não com febre e dor aguda. torção anexial. Incorreta. Torção anexial cursa com dor pélvica intensa, unilateral e súbita, geralmente com náuseas/vômitos. 36ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 26 anos procura uma unidade de pronto atendimento após sofrer corte na face palmar do dedo indicador direito com uma lâmina limpa, há cerca de 40 minutos. Ao exame, apresenta laceração linear de 2,5 cm, com necessidade de sutura, sem lesão tendínea, vascular ou sensitiva. A paciente está consciente, colaborativa e não possui alergia conhecida a anestésicos locais. Para proporcionar anestesia adequada sem deformar as margens da ferida, a conduta mais apropriada é Página 38 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) realizar bloqueio digital na base do dedo com lidocaína a 1%. (alternativa B) infiltrar lidocaína a 1% diretamente nas margens da laceração. (alternativa C) aplicar anestésico tópico na laceração e realizar a sutura sem anestesia infiltrativa complementar. (alternativa D) realizar bloqueio do nervo mediano no punho com bupivacaína a 0,5%. Resposta comentada: Gabarito oficial: Realizar bloqueio digital na base do dedo com lidocaína a 1%. Comentário técnico Laceração linear de 2,5 cm na face palmar do dedo indicador, com necessidade de sutura, sem lesão tendínea, vascular ou sensitiva. A técnica mais apropriada para anestesia local em ferimentos de dedos é o bloqueio digital na base do dedo (bloqueio dos nervos digitais palmares e dorsais). Essa abordagem proporciona anestesia completa do dedo distal ao local de injeção, sem deformar as margens da ferida (ao contrário da infiltração direta, que causa edema local e dificulta a sutura precisa). Lidocaína a 1% sem vasoconstritor é a escolha habitual para bloqueio digital. Análise das alternativas incorretas infiltrar lidocaína a 1% diretamente nas margens da laceração. Incorreta. A infiltração direta nas margens da laceração causa edema local, deformando os bordos e dificultando a sutura estética e precisa. aplicar anestésico tópico na laceração e realizar a sutura sem anestesia infiltrativa complementar. Incorreta. Creme anestésico tópico não é suficiente para proporcionar anestesia adequada em laceração que requer sutura. realizar bloqueio do nervo mediano no punho com bupivacaína a 0,5%. Incorreta. Bloqueio do nervo mediano no punho é mais proximal e desnecessário para ferimento isolado no dedo indicador. Além disso, bupivacaína a 0,5% é menos indicada para bloqueio digital devido ao maior risco de toxicidade. 37ª QUESTÃO Enunciado: Em um município de médio porte, uma equipe de Saúde da Família identifica aumento de queixas de tosse, irritação ocular e falta de ar entre moradores de uma comunidade situada próxima a uma pedreira. Durante visitas domiciliares, agentes comunitários observam acúmulo frequente de poeira nas residências. Trabalhadores da pedreira e demais moradores da localidade relatam piora dos sintomas nos períodos de maior circulação de caminhões. Nesse contexto, a proposta de intervenção mais adequada é Página 39 de 112 Alternativas: (alternativa A) Encaminhar os moradores sintomáticos para avaliação especializada e ampliar a investigação territorial após confirmação diagnóstica. (alternativa B) Orientar medidas individuais de proteção e concentrar o acompanhamento nos trabalhadores diretamente expostos. (alternativa C) (CORRETA) Articular a equipe com as vigilâncias ambiental e do trabalhador para investigação territorial da exposição. (alternativa D) Realizar busca ativa de doenças respiratórias entre moradores e trabalhadores e solicitar à empresa a elaboração das medidas de controle ambiental. Resposta comentada:Gabarito oficial: Articular a equipe com as vigilâncias ambiental e do trabalhador para investigação territorial da exposição. Comentário técnico Aumento de sintomas respiratórios e irritativos (tosse, irritação ocular, falta de ar) em moradores próximos a uma pedreira, com exposição ambiental (poeira) e ocupacional (trabalhadores da pedreira). Há indícios claros de exposição coletiva. A conduta mais adequada é articular a equipe com as vigilâncias ambiental e do trabalhador para: Investigar a exposição (ambiental e ocupacional). Identificar fatores de risco. Definir medidas de controle pactuadas (controle da poeira, proteção respiratória, monitoramento da saúde da população etc.). Essa abordagem intersetorial é fundamental para o enfrentamento de agravos relacionados ao ambiente e ao trabalho na Atenção Básica. Análise das alternativas incorretas Encaminhar os moradores sintomáticos para avaliação especializada e ampliar a investigação territorial após confirmação diagnóstica. Incorreta. Encaminhamento individual e espera de diagnóstico não resolvem o problema ambiental/ocupacional coletivo. Orientar medidas individuais de proteção e concentrar o acompanhamento nos trabalhadores diretamente expostos. Incorreta. Medidas individuais de proteção são importantes, mas insuficientes; o problema é coletivo e exige investigação territorial. Realizar busca ativa de doenças respiratórias entre moradores e trabalhadores e solicitar à empresa a elaboração das medidas de controle ambiental. Incorreta. Busca ativa de doenças respiratórias e solicitação à empresa são complementares, mas não substituem a investigação coordenada pelas vigilâncias. 38ª QUESTÃO Enunciado: Em uma Unidade de Saúde da Família próxima a uma terra indígena, um homem indígena de 42 anos comparece acompanhado da filha, que fala português com maior fluência. Por intermédio da filha, ele relata, em sua língua materna, dor abdominal e perda de apetite há três semanas. Durante a consulta, a filha passa a responder às perguntas, enquanto o paciente demonstra dificuldade para compreender e participar diretamente da entrevista. Diante da barreira de comunicação apresentada, a atitude médica mais adequada é Página 40 de 112 Alternativas: (alternativa A) Solicitar que a filha traduza a entrevista, dirigindo as perguntas ao paciente e confirmando com ela o conteúdo das respostas. (alternativa B) Conduzir a entrevista com frases curtas em português simples, utilizando gestos e recursos visuais para confirmar as respostas do paciente. (alternativa C) (CORRETA) Acionar intérprete qualificado com domínio da língua e preparo para mediação intercultural, dirigindo-se ao paciente e verificando sua compreensão. (alternativa D) Solicitar a participação de uma liderança da comunidade como mediadora, considerando que sua função comunitária a habilita para traduzir a entrevista clínica. Resposta comentada: Gabarito oficial: Acionar intérprete qualificado com domínio da língua e preparo para mediação intercultural, dirigindo-se ao paciente e verificando sua compreensão. A alternativa é a mais adequada porque propõe uma estratégia operacional segura: uso de intérprete, preferencialmente vinculado à rede de cuidado , sem substituir o paciente como interlocutor principal. Além disso, a confirmação periódica da compreensão permite reduzir erros de interpretação, preservar autonomia e construir decisão compartilhada. A alternativa correta está fundamentada em: Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI – 2002, ainda vigente): Enfatiza a atenção diferenciada, a comunicação intercultural e a participação de mediadores/agentes indígenas como estratégia central. Recomenda metodologia participativa propícia à comunicação intercultural. Diretrizes do Ministério da Saúde / SESAI: Priorizam o uso de intérpretes ou mediadores indígenas capacitados (Agentes Indígenas de Saúde - AIS), o diálogo direto com o paciente (respeito à autonomia) e a confirmação de compreensão (técnica teach-back adaptada culturalmente). Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018): Artigos relacionados à autonomia do paciente, confidencialidade e proibição de discriminação (étnico- cultural). Literatura: Estudos sobre comunicação intercultural em saúde indígena (Fiocruz, The Lancet, publicações da OPAS) demonstram que o uso de familiares como tradutores aumenta riscos de viés, omissão de informações sensíveis e quebra de confiança. O modelo de Kleinman (explanatory models) reforça a necessidade de explorar crenças e práticas tradicionais. Análise alternativas incorretas: Solicitar que a filha traduza a entrevista, dirigindo as perguntas ao paciente e confirmando com ela o conteúdo das respostas. Incorreta. A filha pode apoiar, mas não é a opção mais segura para conduzir toda a entrevista. O uso de familiar como intérprete pode gerar omissões, constrangimento, perda de confidencialidade e interferência na autonomia do paciente. Conduzir a entrevista com frases curtas em português simples, utilizando gestos e recursos visuais para confirmar as respostas do paciente. Incorreta. Português simples, gestos e desenhos podem ajudar como recursos complementares, mas não substituem mediação adequada quando há barreira linguística importante. Evitar crenças e práticas de cuidado empobrece a anamnese cultural. Solicitar a participação de uma liderança da comunidade como mediadora, considerando que sua função comunitária a habilita para traduzir a entrevista clínica. Incorreta. A consulta não deve ser adiada sem acolhimento da demanda. Além disso, liderança comunitária não deve ser usada como substituta automática de intérprete ou como condição para atendimento. Página 41 de 112 39ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 61 anos é atendido na emergência por piora do volume abdominal, dor abdominal difusa e febre baixa há 2 dias. Tem cirrose hepática por álcool, com ascite conhecida, e usa espironolactona e furosemida de forma irregular. Nega vômitos persistentes, diarreia ou sangramento digestivo. Ao exame, está sonolento, porém despertável, ictérico, com pressão arterial de 102 × 64 mmHg, frequência cardíaca de 104 bpm e temperatura de 37,9 °C. O abdome é globoso, com macicez móvel e dor difusa leve à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. A paracentese diagnóstica mostra líquido ascítico turvo, com 820 leucócitos/mm³, sendo 42% neutrófilos. A bacterioscopia não evidencia microrganismos. Considerando os achados da análise do líquido ascítico, a conduta inicial mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) iniciar cefalosporina de terceira geração. (alternativa B) aguardar cultura do líquido ascítico. (alternativa C) iniciar quinolona por via oral. (alternativa D) iniciar albumina intravenosa. Resposta comentada: Gabarito oficial: Iniciar cefalosporina de terceira geração. Comentário técnico Paciente com cirrose hepática e ascite apresenta piora do volume abdominal, dor abdominal difusa, febre baixa e sinais de sepse. Paracentese diagnóstica mostra líquido ascítico turvo com 820 leucócitos/mm³ (42% neutrófilos). Critério diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea (PBE): >250 neutrófilos/mm³ no líquido ascítico (mesmo com cultura negativa — PBE cultura- negativa). A conduta inicial é iniciar antibioticoterapia empírica com cefalosporina de terceira geração (ex.: ceftriaxona 2 g IV/dia) após coleta de cultura do líquido ascítico. Albumina intravenosa pode ser associada em casos com disfunção renal ou choque, mas o antibiótico é a prioridade. Análise das alternativas incorretas aguardar cultura do líquido ascítico. Incorreta. Aguardar resultado da cultura pode atrasar o tratamento e aumentar a mortalidade em PBE. iniciar quinolona por via oral. Incorreta. Quinolona por via oral não é o tratamento de escolha para PBE (risco de resistência e menor eficácia em sepse). iniciar albumina intravenosa. Incorreta. Albumina intravenosa é indicada em casos com disfunção renal ou choque séptico, mas não substitui o antibiótico como medida inicial.40ª QUESTÃO Página 42 de 112 Enunciado: Mulher de 28 anos, G2P1, teve parto vaginal em maternidade com sala de parto e equipe obstétrica disponível, com recém-nascido em boas condições. Após o desprendimento fetal, foi realizado manejo ativo do terceiro período do parto, com administração de ocitocina, clampeamento oportuno do cordão e tração controlada. Decorridos 30 minutos, a placenta ainda não dequitou. A puérpera apresenta sangramento vaginal moderado, útero palpável e contraído, pressão arterial de 112 × 70 mmHg e frequência cardíaca de 96 bpm. Nesse caso, a conduta inicial mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) preparar remoção manual da placenta em ambiente adequado. (alternativa B) repetir uterotônico e aguardar dequitação por mais 15 minutos. (alternativa C) encaminhar para centro cirúrgico para curetagem uterina. (alternativa D) manter tração controlada do cordão sob contração uterina. Resposta comentada: Gabarito oficial: Preparar remoção manual da placenta em ambiente adequado. Comentário técnico Puérpera com retenção placentária (30 minutos após o nascimento, apesar de manejo ativo completo do terceiro período: ocitocina, clampeamento oportuno e tração controlada). Sangramento moderado, útero contraído e estabilidade hemodinâmica. A retenção placentária após 30 minutos de manejo ativo aumenta o risco de hemorragia pós-parto. A conduta inicial mais adequada é a remoção manual da placenta em ambiente adequado (sala de parto ou centro cirúrgico), com analgesia/anestesia, assepsia rigorosa e disponibilidade de suporte cirúrgico caso haja complicação (ex.: aderência placentária ou inversão uterina). Análise das alternativas incorretas repetir uterotônico e aguardar dequitação por mais 15 minutos. Incorreta. Repetir uterotônico e aguardar mais tempo após manejo ativo completo não é a conduta recomendada, pois retarda a intervenção e aumenta o risco hemorrágico. encaminhar para centro cirúrgico para curetagem uterina. Incorreta. Curetagem uterina é indicada para retenção de fragmentos placentários após dequitação ou remoção manual, não como primeira conduta. manter tração controlada do cordão sob contração uterina. Incorreta. Tração controlada já foi realizada no manejo ativo; repeti-la não é indicada e pode aumentar o risco de inversão uterina. 41ª QUESTÃO Página 43 de 112 Enunciado: Homem de 46 anos procura atendimento ambulatorial por apresentar sensação de queimação retroesternal e dor epigástrica há 6 meses, com piora após refeições volumosas e ao deitar-se. Refere regurgitação ácida frequente e despertares noturnos ocasionais por tosse seca. Relata melhora parcial dos sintomas após uso irregular de inibidor da bomba de prótons por conta própria. Nega disfagia, odinofagia, vômitos, anemia conhecida ou perda ponderal. Tem obesidade grau 1 e consome bebida alcoólica esporadicamente. Ao exame físico, não há alterações relevantes. Para confirmação diagnóstica desse quadro, o exame complementar mais adequado é: Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) pHmetria esofágica prolongada. (alternativa B) endoscopia digestiva alta. (alternativa C) esofagografia baritada. (alternativa D) manometria esofágica. Resposta comentada: Gabarito oficial: pHmetria esofágica prolongada. Justificativas pHmetria esofágica prolongada. Correta. A pHmetria esofágica prolongada é o exame mais apropriado quando se deseja confirmar objetivamente doença do refluxo gastroesofágico, pois documenta exposição ácida patológica no esôfago e sua correlação com os sintomas. endoscopia digestiva alta. Incorreta. A endoscopia digestiva alta é útil para identificar esofagite erosiva, estenoses, esôfago de Barrett e diagnósticos diferenciais, sobretudo na presença de sinais de alarme. Porém, pode ser normal em muitos pacientes com refluxo e não é o melhor exame para confirmação objetiva do diagnóstico neste contexto. esofagografia baritada. Incorreta. A esofagografia baritada pode mostrar alterações anatômicas e alguns distúrbios estruturais, mas não é exame de escolha para confirmar refluxo gastroesofágico. manometria esofágica. Incorreta. A manometria esofágica avalia motilidade do corpo esofágico e do esfíncter esofagiano inferior, sendo útil em contextos específicos, mas não confirma o diagnóstico de refluxo. 42ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 36 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para receber o resultado do exame citopatológico do colo do útero, realizado durante consulta de rastreamento. O laudo descreve lesão intraepitelial escamosa de alto grau. A paciente está assintomática, não está gestante, não realizou tratamento prévio para lesões cervicais e não apresenta alteração visível do colo uterino ao exame especular. Diante desse resultado, a conduta inicial mais adequada é Página 44 de 112 Alternativas: (alternativa A) solicitar teste para HPV oncogênico e encaminhá-la para colposcopia se o resultado for positivo. (alternativa B) repetir o exame citopatológico em três meses e encaminhá-la para colposcopia se a alteração de alto grau for confirmada. (alternativa C) (CORRETA) encaminhá-la diretamente para colposcopia em serviço de referência. (alternativa D) encaminhá-la para avaliação ginecológica e manter acompanhamento citopatológico semestral enquanto aguarda definição especializada. Resposta comentada: Gabarito oficial: Encaminhá-la diretamente para colposcopia em serviço de referência. Comentário técnico Mulher de 36 anos, assintomática, com citologia cervical mostrando lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). Colo uterino sem lesão visível a olho nu. De acordo com as diretrizes da FEBRASGO, do Ministério da Saúde e da ASCCP, o resultado de HSIL na citologia cervical indica encaminhamento imediato para colposcopia em serviço de referência. O objetivo é confirmar o grau da lesão (CIN 2 ou CIN 3) e planejar o tratamento adequado (ex.: excisão ou ablação). Não é necessário aguardar nova citologia ou teste de HPV. Análise das alternativas incorretas solicitar teste para HPV oncogênico e encaminhá-la para colposcopia se o resultado for positivo. Incorreta. Teste de HPV não deve condicionar o encaminhamento em HSIL (já indica alto risco). repetir o exame citopatológico em três meses e encaminhá-la para colposcopia se a alteração de alto grau for confirmada. Incorreta. Repetir citologia em três meses não é adequado para HSIL (risco elevado de progressão). encaminhá-la para avaliação ginecológica e manter acompanhamento citopatológico semestral enquanto aguarda definição especializada. Incorreta. Manter acompanhamento citopatológico semestral enquanto aguarda definição especializada atrasa o diagnóstico e tratamento. 43ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 31 anos comparece à UBS para consulta de puerpério, 8 semanas após parto vaginal sem intercorrências. Durante a gestação, teve diagnóstico de diabetes mellitus gestacional, controlado com orientação alimentar e monitorização glicêmica, sem necessidade de insulina. O recém-nascido nasceu a termo, com peso adequado para a idade gestacional. A paciente está assintomática, amamentando, sem uso de medicamentos contínuos. Refere que “a diabetes acabou depois do parto” e pergunta se ainda precisa realizar acompanhamento. Ao exame, apresenta pressão arterial de 112 × 70 mmHg, IMC de 29 kg/m² e exame físico sem alterações relevantes. Considerando o antecedente obstétrico e o cuidado longitudinal na UBS, a conduta mais adequada é Página 45 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) solicitar teste oral de tolerância à glicose e orientar rastreamento metabólico periódico. (alternativa B) solicitar glicemia de jejum e hemoglobina glicada, programando reavaliação conforme resultado. (alternativa C) solicitar hemoglobina glicada no puerpério e repetir o rastreamento metabólico em 6 meses. (alternativa D) solicitar glicemia de jejum no puerpério e repetir avaliação antes de nova gestação. Resposta comentada: Gabarito oficial: solicitar teste oral de tolerância à glicose e orientar rastreamentometabólico periódico. Mulher com história de diabetes mellitus gestacional (DMG), agora no puerpério tardio (8 semanas pós-parto vaginal). O DMG é um importante marcador de risco para desenvolvimento futuro de diabetes mellitus tipo 2 (risco aumentado em 7 a 10 vezes). De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, FEBRASGO e American Diabetes Association: O rastreamento pós-parto deve ser realizado entre 4 e 12 semanas após o parto, preferencialmente com Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG 75g) — exame de maior sensibilidade para detectar intolerância à glicose ou diabetes manifesto. Após o rastreio inicial, recomenda-se acompanhamento metabólico periódico (anual ou a cada 1–3 anos, conforme resultado), com ênfase em mudança de estilo de vida (alimentação, atividade física e controle de peso), especialmente em pacientes com sobrepeso (IMC 29 kg/m²). Análise das alternativas incorretas solicitar glicemia de jejum e hemoglobina glicada, programando reavaliação conforme resultado. Incorreta. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada isoladas têm menor sensibilidade que o TOTG para o rastreio pós-parto de DMG. solicitar hemoglobina glicada no puerpério e repetir o rastreamento metabólico em 6 meses. Incorreta. Embora a HbA1c possa ser utilizada, o TOTG é o exame preferencial nas primeiras semanas pós-parto. Reavaliação somente em 6 meses é tardia. solicitar glicemia de jejum no puerpério e repetir avaliação antes de nova gestação. Incorreta. O rastreamento antes de nova gestação é importante, mas não substitui a avaliação obrigatória no puerpério. 44ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde por dor abdominal recorrente há oito meses, presente, em média, dois dias por semana. Refere cólicas em baixo ventre, geralmente aliviadas após a evacuação, associadas a distensão abdominal e alternância entre fezes amolecidas e endurecidas. Os sintomas variam de intensidade ao longo das semanas e não a despertam durante a noite. Nega perda ponderal ou sangramento nas fezes. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, corada e hidratada. O abdome é flácido, com discreto desconforto difuso à palpação, sem massas, visceromegalias ou sinais de irritação peritoneal. Diante desse quadro, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial mais adequada na Atenção Primária à Saúde são, respectivamente, Página 46 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) síndrome do intestino irritável; orientação e manejo sintomático. (alternativa B) doença inflamatória intestinal; pesquisa de marcadores inflamatórios e colonoscopia. (alternativa C) doença celíaca; sorologia específica mantendo o consumo habitual de glúten. (alternativa D) intolerância à lactose; teste de exclusão alimentar com posterior reintrodução. Resposta comentada: Gabarito oficial: Síndrome do intestino irritável; orientação e manejo sintomático. Comentário técnico Mulher de 34 anos com dor abdominal recorrente (presente em média dois dias por semana há oito meses), cólicas em baixo ventre aliviadas após evacuação, distensão abdominal e alternância entre fezes amolecidas e endurecidas. Ausência de sinais de alarme (perda ponderal, sangramento nas fezes, febre). Exame físico normal. O quadro preenche critérios Roma IV para síndrome do intestino irritável (SII) com padrão misto. Conduta inicial na Atenção Primária: Orientação sobre o diagnóstico (tranquilizar a paciente). Mudanças de estilo de vida (dieta rica em fibra solúvel, redução de FODMAPs se necessário, manejo do estresse). Tratamento sintomático (antiespasmódicos, probióticos ou antidepressivos em baixa dose se indicados). Reavaliação periódica e investigação complementar apenas se houver sinais de alarme ou falha no tratamento. Análise das alternativas incorretas doença inflamatória intestinal; pesquisa de marcadores inflamatórios e colonoscopia. Incorreta. Doença inflamatória intestinal é menos provável (ausência de diarreia sanguinolenta, perda de peso ou sinais sistêmicos). Colonoscopia não é primeira linha. doença celíaca; sorologia específica mantendo o consumo habitual de glúten. Incorreta. Doença celíaca requer sorologia com consumo habitual de glúten, mas o padrão alternado de diarreia e constipação é mais compatível com SII. intolerância à lactose; teste de exclusão alimentar com posterior reintrodução. Incorreta. Intolerância à lactose pode ser considerada, mas o padrão alternado e as cólicas aliviadas após evacuação apontam para SII. 45ª QUESTÃO Página 47 de 112 Enunciado: Homem de 41 anos comparece ao ambulatório de Infectologia após doação de sangue recusada por alteração em triagem sorológica. Relata cansaço inespecífico há cerca de dois meses, sem febre, icterícia, colúria ou perda ponderal. Nega uso atual de drogas injetáveis. Refere múltiplas parcerias sexuais no passado e não sabe informar se foi vacinado contra hepatite B. Ao exame, está em bom estado geral, anictérico, sem hepatoesplenomegalia ou sinais de hepatopatia crônica. Os exames laboratoriais mostram: ALT 68 U/L, AST 54 U/L, bilirrubina total 0,8 mg/dL, albumina 4,2 g/dL e INR 1,0. A ultrassonografia abdominal mostra fígado de dimensões preservadas, ecotextura homogênea e ausência de sinais de hipertensão portal. A sorologia para hepatites virais apresenta os seguintes resultados: Marcador Resultado HBsAg reagente anti-HBs não reagente anti-HBc total reagente anti-HBc IgM não reagente HBeAg não reagente anti-HBe reagente anti-HCV não reagente anti-HAV IgM não reagente Com base no quadro clínico e nos marcadores sorológicos apresentados, a hipótese diagnóstica mais compatível é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) infecção crônica pelo vírus da hepatite B, em fase HBeAg negativa. (alternativa B) infecção aguda pelo vírus da hepatite B, em janela imunológica. (alternativa C) imunidade vacinal contra hepatite B, sem evidência de infecção prévia. (alternativa D) infecção prévia resolvida pelo vírus da hepatite B, com imunidade natural. Página 48 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Infecção crônica pelo vírus da hepatite B, em fase HBeAg negativa. Comentário técnico Homem de 41 anos com quadro inespecífico (cansaço), sem icterícia ou sinais de hepatopatia crônica. Sorologia para hepatite B: HBsAg: reagente anti-HBc total: reagente anti-HBc IgM: não reagente HBeAg: não reagente anti-HBe: reagente anti-HBs: não reagente Essa combinação indica infecção crônica pelo vírus da hepatite B, em fase HBeAg negativa (portador inativo ou hepatite B crônica HBeAg-negativa). O anti-HBc IgM negativo exclui infecção aguda, e o anti-HBs negativo exclui imunidade vacinal ou resolução prévia. Conduta inicial: Avaliação laboratorial adicional (carga viral de HBV, ALT, ecografia abdominal) e encaminhamento para seguimento em infectologia/hepatologia. Análise das alternativas incorretas infecção aguda pelo vírus da hepatite B, em janela imunológica. Incorreta. Infecção aguda cursa com anti-HBc IgM positivo. imunidade vacinal contra hepatite B, sem evidência de infecção prévia. Incorreta. Imunidade vacinal cursa com anti-HBs isolado positivo. infecção prévia resolvida pelo vírus da hepatite B, com imunidade natural. Incorreta. Infecção prévia resolvida cursa com anti-HBs positivo e HBsAg negativo. 46ª QUESTÃO Enunciado: Gestante de 30 anos, G2P1, com 29 semanas de gestação, é atendida no ambulatório de pré-natal de alto risco por hipertensão gestacional controlada. Refere boa movimentação fetal e nega sangramento, perda de líquido ou contrações. Durante cardiotocografia basal com duração de 20 minutos, o traçado apresenta frequência cardíaca fetal basal de 145 batimentos por minuto, variabilidade moderada, ausência de desacelerações e duas acelerações de 12 batimentos por minuto, com duração de 12 segundos cada. Considerando a idade gestacional, a interpretação mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) traçado reativo. (alternativa B) traçado não reativo. (alternativa C) traçado inconclusivo. (alternativa D) traçado sugestivode comprometimento fetal. Página 49 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Traçado reativo. Comentário técnico Gestante de 29 semanas com hipertensão gestacional controlada. Cardiotocografia basal de 20 minutos mostra frequência cardíaca fetal basal de 145 bpm, variabilidade moderada, ausência de desacelerações e duas acelerações de 12 bpm com duração de 12 segundos cada. Com 29 semanas, o critério de reatividade fetal é menos exigente do que em termo. A presença de acelerações, variabilidade moderada e ausência de desacelerações caracteriza um traçado reativo, indicando bem-estar fetal. Análise das alternativas incorretas traçado não reativo. Incorreta. Traçado não reativo exige ausência de acelerações e variabilidade reduzida ou ausente. traçado inconclusivo. Incorreta. O traçado é interpretável e reativo; não é inconclusivo. traçado sugestivo de comprometimento fetal. Incorreta. Não há sinais de comprometimento fetal (variabilidade moderada e ausência de desacelerações). 47ª QUESTÃO Enunciado: Durante visita domiciliar de rotina em área adscrita à Estratégia Saúde da Família, a agente comunitária de saúde encontra um lactente de 6 meses que não comparece à Unidade Básica de Saúde desde os 2 meses de idade. A mãe relata dificuldade para levar a criança às consultas devido ao trabalho informal e à falta de apoio familiar. Ao verificar a caderneta, a agente observa vacinas em atraso e ausência de registros recentes de peso e comprimento. A criança está ativa, afebril e sem sinais de dificuldade respiratória. A mãe relata, ainda, que passou a oferecer mingau diluído porque acredita que o leite materno seja “fraco”. Considerando as atribuições do agente comunitário de saúde no acompanhamento da criança no território, a conduta mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) identificar as barreiras de acesso, orientar sobre a avaliação integral e articular o atendimento com a equipe da UBS. (alternativa B) orientar o aleitamento materno, desencorajar o uso do mingau diluído e intensificar as visitas domiciliares. (alternativa C) registrar o atraso vacinal, acionar a rede socioassistencial e manter o acompanhamento familiar. (alternativa D) orientar a atualização vacinal, registrar a pendência e verificar a caderneta em nova visita domiciliar. Página 50 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Identificar as barreiras de acesso, orientar sobre a avaliação integral e articular o atendimento com a equipe da UBS. Comentário técnico Lactente de 6 meses com vacinas em atraso, ausência de acompanhamento ponderal e introdução precoce de mingau diluído (risco de desnutrição e anemia). A mãe apresenta barreiras de acesso (trabalho informal, falta de apoio familiar). O Agente Comunitário de Saúde (ACS) tem papel fundamental na vigilância e articulação do cuidado no território. A conduta mais adequada é: Identificar barreiras de acesso. Orientar a família sobre a importância do acompanhamento integral (vacinação, crescimento, desenvolvimento e aleitamento materno exclusivo). Articular o atendimento com a equipe da UBS para avaliação clínica, atualização vacinal e suporte social. Análise das alternativas incorretas orientar o aleitamento materno, desencorajar o uso do mingau diluído e intensificar as visitas domiciliares. Incorreta. Orientação sobre aleitamento e visitas domiciliares são importantes, mas não substituem a articulação com a equipe da UBS para avaliação integral e atualização vacinal. registrar o atraso vacinal, acionar a rede socioassistencial e manter o acompanhamento familiar. Incorreta. Acionar a rede socioassistencial é complementar, mas o ACS deve priorizar a articulação direta com a equipe da UBS. orientar a atualização vacinal, registrar a pendência e verificar a caderneta em nova visita domiciliar. Incorreta. Orientar atualização vacinal e registrar pendências é parte do trabalho, mas o ACS deve articular o atendimento na UBS, não apenas verificar em nova visita. 48ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 29 anos comparece à unidade básica de saúde com ardor ao urinar, aumento da frequência urinária e urgência miccional há dois dias. Nega febre, calafrios, náuseas, vômitos, dor lombar, corrimento vaginal ou dor pélvica. Não está grávida e não apresenta diabetes, imunossupressão, doença renal ou história de litíase urinária. Refere episódio semelhante há mais de dois anos. Ao exame, está em bom estado geral, afebril, com dor leve à palpação suprapúbica e sem dor à punho-percussão lombar. A urina tipo 1 evidencia leucocitúria e nitrito positivo. Nesse caso, a conduta terapêutica mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) prescrever nitrofurantoína oral por cinco dias. (alternativa B) prescrever ciprofloxacino oral por sete dias. (alternativa C) solicitar urocultura e aguardar o resultado antes de iniciar o antimicrobiano. (alternativa D) administrar ceftriaxona intramuscular, seguida de antibiótico oral por sete dias. Página 51 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: prescrever nitrofurantoína oral por cinco dias. O quadro é compatível com cistite aguda não complicada: mulher jovem, não gestante, sem comorbidades relevantes, com disúria, urgência miccional, polaciúria, dor suprapúbica leve, afebril, sem dor lombar e sem sinais sistêmicos. A urina tipo 1 reforça o diagnóstico pela leucocitúria e nitrito positivo. A nitrofurantoína por cinco dias é opção adequada de primeira linha para cistite não complicada. Adequada. O tratamento empírico oral é suficiente, e a urocultura não é obrigatória de rotina em mulher não gestante com quadro típico de cistite não complicada. Análise das alternativas incorretas prescrever ciprofloxacino oral por sete dias. incorreta. Ciprofloxacino não deve ser primeira escolha em cistite não complicada quando há opções mais estreitas e seguras, como nitrofurantoína. A justificativa da “maior penetração em trato urinário alto” é inadequada porque não há sinais de pielonefrite. solicitar urocultura e aguardar o resultado antes de iniciar o antimicrobiano. incorreta. Aguardar urocultura antes de iniciar tratamento não é necessário em quadro típico de cistite não complicada. Urocultura é mais indicada em gestantes, suspeita de pielonefrite, recorrência, sintomas atípicos, falha terapêutica ou risco de resistência. administrar ceftriaxona intramuscular, seguida de antibiótico oral por sete dias. incorreta. Nitrito positivo sugere bacteriúria por microrganismos redutores de nitrato, mas não indica gravidade nem necessidade de antibiótico intravenoso. A paciente está estável, afebril e sem sinais de infecção urinária alta. 49ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 50 anos, com útero preservado, procura ambulatório de climatério por ondas de calor intensas, despertares noturnos frequentes e irritabilidade, com impacto importante na qualidade de vida há 4 meses. Refere irregularidade menstrual progressiva, com última menstruação há 14 meses. É hipertensa, em uso regular de anti- hipertensivo, com bom controle pressórico. Nega tabagismo, tromboembolismo venoso prévio, doença hepática e neoplasia hormônio-dependente. Exame clínico recente e rastreamento ginecológico estão sem alterações. Após decisão compartilhada pelo início de terapia hormonal para alívio dos sintomas vasomotores, considerando perfil tromboembólico e metabólico mais favorável e proteção endometrial adequada, o esquema mais apropriado é Alternativas: (alternativa A) estradiol por via oral associado a acetato de noretisterona, em esquema combinado contínuo. (alternativa B) estradiol transdérmico em adesivo associado a progestagênio sintético, em esquema combinado contínuo. (alternativa C) estrogênios conjugados por via oral associados a acetato de medroxiprogesterona, em esquema combinado contínuo. (alternativa D) (CORRETA) estradiol transdérmico associado a progesterona micronizada, em esquema combinado contínuo. Página 52 de 112 Resposta comentada: Avaliação das alternativas estradiol por via oral associado a acetato de noretisterona,em esquema combinado contínuo. – Estradiol oral + acetato de noretisterona, esquema combinado contínuo- Incorreta. Via oral aumenta risco relativo de tromboembolismo venoso (RR 1,5–2,0). Acetato de noretisterona (progestágeno sintético derivado da 19- nortestosterona) tem perfil metabólico menos favorável. estradiol transdérmico em adesivo associado a progestagênio sintético, em esquema combinado contínuo. – Estradiol transdérmico + acetato de noretisterona, esquema combinado contínuo - Parcialmente adequada, mas não a melhor. A via transdérmica é correta (menor risco tromboembólico), porém o acetato de noretisterona ainda é um progestágeno sintético com perfil inferior à progesterona micronizada. estrogênios conjugados por via oral associados a acetato de medroxiprogesterona, em esquema combinado contínuo. – Estrogênios conjugados orais + acetato de medroxiprogesterona, esquema combinado contínuo - Incorreta. Este é o esquema do estudo WHI (Women’s Health Initiative) que demonstrou aumento de risco cardiovascular e de câncer de mama. Via oral + progestágeno sintético = pior perfil de segurança entre as opções. estradiol transdérmico associado a progesterona micronizada, em esquema combinado contínuo. – Estradiol transdérmico associado a progesterona micronizada, em esquema combinado contínuo Correta – esquema mais apropriado. Estradiol transdérmico: menor risco tromboembólico e cardiovascular (ideal na hipertensa). Progesterona micronizada: progestágeno natural com melhor tolerabilidade, menor impacto sobre mama, coagulação e metabolismo. Regime contínuo: adequado para proteção endometrial e redução de sangramento. Este esquema é o preferencial nas diretrizes brasileiras atuais para mulheres com sintomas vasomotores moderados/intensos, útero preservado e fatores de risco cardiovascular. 50ª QUESTÃO Enunciado: Menino de 8 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por baixo rendimento escolar e dificuldades de comportamento. Há cerca de dois anos, apresenta dificuldade para manter a atenção, esquece materiais, perde objetos e não conclui tarefas. A professora relata que ele se levanta repetidamente da carteira, interrompe os colegas, responde antes do término das perguntas e tem dificuldade para esperar sua vez. Os sintomas ocorrem em casa e na escola e produzem prejuízo acadêmico e social. Diante da suspeita de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, a conduta inicial mais adequada do médico de família e comunidade é Alternativas: (alternativa A) orientar medidas comportamentais em casa e na escola, adiando a investigação de outras condições até a reavaliação clínica. (alternativa B) (CORRETA) realizar avaliação clínica ampliada, incluindo diferentes contextos, diagnósticos diferenciais e condições associadas. (alternativa C) aplicar escalas padronizadas e solicitar avaliação neuropsicológica antes de estabelecer a condução inicial. (alternativa D) confirmar sintomas em mais de um ambiente e iniciar tratamento farmacológico com reavaliação precoce. Página 53 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Realizar avaliação clínica ampliada, incluindo diferentes contextos, diagnósticos diferenciais e condições associadas. Comentário técnico Menino de 8 anos com sintomas de desatenção (dificuldade para manter atenção, esquecimento, perda de objetos, não concluir tarefas), hiperatividade (levantar-se da carteira) e impulsividade (interromper colegas, responder antes do término das perguntas, dificuldade para esperar a vez), presentes em dois contextos (casa e escola) com prejuízo acadêmico e social. O quadro preenche critérios diagnósticos de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A conduta inicial do médico de família e comunidade deve ser a avaliação clínica ampliada, incluindo: Confirmação dos sintomas em diferentes contextos. Investigação de diagnósticos diferenciais (ansiedade, depressão, problemas de aprendizagem, distúrbios do sono etc.). Avaliação de condições associadas (TDAH comórbido é frequente). Análise das alternativas incorretas orientar medidas comportamentais em casa e na escola, adiando a investigação de outras condições até a reavaliação clínica. Incorreta. Orientar medidas comportamentais é importante, mas a avaliação clínica ampliada deve ser realizada antes de adiar a investigação. aplicar escalas padronizadas e solicitar avaliação neuropsicológica antes de estabelecer a condução inicial. Incorreta. Escalas padronizadas e avaliação neuropsicológica são úteis, mas não substituem a avaliação clínica inicial. confirmar sintomas em mais de um ambiente e iniciar tratamento farmacológico com reavaliação precoce. Incorreta. Iniciar tratamento farmacológico antes de avaliação clínica ampliada e confirmação diagnóstica não é a conduta inicial. 51ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 46 anos, em tratamento para linfoma não Hodgkin, procura serviço de emergência com febre, calafrios, tosse seca e fraqueza há 24 horas. Realizou o último ciclo de quimioterapia há nove dias. Ao exame, apresenta temperatura axilar de 38,6 °C, frequência cardíaca de 118 batimentos por minuto, frequência respiratória de 24 incursões por minuto, pressão arterial de 92 × 58 mmHg, saturação de oxigênio de 93% em ar ambiente e confusão mental leve. Há mucosite oral e crepitações em base pulmonar direita. Os exames mostram 900 leucócitos/mm³, 280 neutrófilos/mm³, 92.000 plaquetas/mm³, creatinina de 1,8 mg/dL e lactato arterial de 3,1 mmol/L. A radiografia de tórax evidencia infiltrado em base pulmonar direita. Com base nos achados apresentados, a interpretação diagnóstica mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) sepse de provável foco pulmonar em paciente com neutropenia febril. (alternativa B) pneumonia em paciente neutropênico, sem disfunção orgânica associada. (alternativa C) choque séptico de provável foco pulmonar. (alternativa D) toxicidade pulmonar pós-quimioterapia associada à mielossupressão. Página 54 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Sepse de provável foco pulmonar em paciente com neutropenia febril. Comentário técnico Paciente em quimioterapia para linfoma não Hodgkin, com febre, tosse, hipotensão, taquicardia, taquipneia, confusão leve, neutropenia grave (280 neutrófilos/mm³), creatinina elevada, lactato arterial elevado (3,1 mmol/L) e infiltrado pulmonar. O quadro preenche critérios de sepse (infecção suspeita + disfunção orgânica aguda). O foco pulmonar é o mais provável, em paciente com neutropenia febril (risco elevado de infecção bacteriana grave). Conduta inicial: Antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ex.: piperacilina- tazobactam ou carbapenêmico), suporte hemodinâmico e avaliação multidisciplinar. Análise das alternativas sepse de provável foco pulmonar em paciente com neutropenia febril. — correta. Integra adequadamente o foco infeccioso pulmonar, a neutropenia febril e a disfunção orgânica. pneumonia em paciente neutropênico, sem disfunção orgânica associada. — incorreta. Reconhece pneumonia e neutropenia, mas nega indevidamente disfunção orgânica, apesar da alteração do estado mental, hipotensão, trombocitopenia, creatinina elevada e lactato de 3,1 mmol/L. choque séptico de provável foco pulmonar. — incorreta. O caso ainda não permite diagnosticar choque séptico. A definição clínica exige necessidade de vasopressor para manter pressão arterial média de pelo menos 65 mmHg e lactato acima de 2 mmol/L, apesar de reposição volêmica adequada. O enunciado não informa reposição volêmica nem necessidade de vasopressores. toxicidade pulmonar pós-quimioterapia associada à mielossupressão. — incorreta. A toxicidade pulmonar pós-quimioterapia pode cursar com sintomas respiratórios e infiltrado, mas é menos compatível com febre acompanhada de calafrios, hipotensão, confusão e hiperlactatemia em paciente profundamente neutropênico. 52ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 41 anos procura o pronto-socorro no 8º dia após bypass gástrico em Y de Roux. Relata dor abdominal progressiva há três dias, inicialmenteem epigástrio e, posteriormente, difusa, associada a náuseas, redução da aceitação alimentar e febre de 38,4 °C. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, com frequência cardíaca de 112 batimentos por minuto, pressão arterial de 108 × 68 mmHg e mucosas discretamente secas. O abdome está doloroso à palpação profunda no andar superior, sem rigidez ou descompressão brusca dolorosa. Os exames laboratoriais mostram leucócitos de 16.200/mm³ e proteína C reativa de 42 mg/L. Diante da suspeita de complicação pós-operatória, a próxima medida mais adequada é Página 55 de 112 Alternativas: (alternativa A) solicitar endoscopia digestiva alta para investigar deiscência da anastomose. (alternativa B) (CORRETA) solicitar tomografia computadorizada de abdome com contraste intravenoso e oral hidrossolúvel. (alternativa C) iniciar hidratação e antibioticoterapia e programar reavaliação ambulatorial em 24 horas. (alternativa D) iniciar antibioticoterapia intravenosa e solicitar avaliação para drenagem percutânea da provável coleção abdominal. Resposta comentada: Gabarito oficial: Solicitar tomografia computadorizada de abdome com contraste intravenoso e oral hidrossolúvel. Comentário técnico Paciente no 8º dia pós-bypass gástrico em Y de Roux com dor abdominal progressiva, febre, taquicardia, leucocitose e PCR elevada. O quadro é altamente sugestivo de fístula/deiscência anastomótica — complicação grave com risco de peritonite e sepse. A tomografia computadorizada de abdome com contraste intravenoso e oral hidrossolúvel é o exame de escolha para: Confirmar o diagnóstico. Avaliar extensão da complicação (coleções, abscessos, peritonite). Orientar o tratamento (conservador com drenagem percutânea ou cirúrgico). Análise das alternativas incorretas solicitar endoscopia digestiva alta para investigar deiscência da anastomose. Incorreta. Endoscopia digestiva alta pode ser útil para avaliação da anastomose, mas não é o exame inicial de escolha em suspeita de fístula com possível peritonite. iniciar hidratação e antibioticoterapia e programar reavaliação ambulatorial em 24 horas. Incorreta. Reavaliação ambulatorial é inadequada em quadro de possível complicação grave com sinais de sepse. iniciar antibioticoterapia intravenosa e solicitar avaliação para drenagem percutânea da provável coleção abdominal. Incorreta. Antibioticoterapia e drenagem percutânea podem ser necessárias, mas o diagnóstico e planejamento devem ser guiados pela TC. 53ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 27 anos procura a emergência com dor súbita e intensa em fossa ilíaca direita há 4 horas, iniciada durante atividade física, associada a náuseas e episódio de lipotimia. Nega febre, disúria e alteração do hábito intestinal. Refere ciclos menstruais regulares, última menstruação há 18 dias e uso regular de preservativos. Ao exame físico, encontra- se pálida, sudorética, com pressão arterial de 88 x 56 mmHg, frequência cardíaca de 122 batimentos por minuto e temperatura axilar de 36,7 °C. O abdome apresenta dor difusa à palpação, mais intensa em abdome inferior, com defesa abdominal e dor à descompressão brusca. O teste de gravidez é negativo. A ultrassonografia transvaginal evidencia massa anexial direita heterogênea de 6 cm e grande quantidade de líquido livre na pelve e em recessos abdominais. Após infusão venosa inicial de cristaloide, a paciente mantém hipotensão e taquicardia. Nessa situação, a conduta terapêutica adequada consiste em realizar Página 56 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) laparotomia exploradora. (alternativa B) laparoscopia com preservação ovariana. (alternativa C) laparoscopia diagnóstica e terapêutica. (alternativa D) laparoscopia com ooforectomia. Página 57 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: laparotomia exploradora. Análise do enunciado Mulher de 27 anos com quadro de abdome agudo de início súbito durante atividade física: Dor intensa em fossa ilíaca direita há 4 horas. Náuseas + lipotimia. Sinais de choque hipovolêmico: PA 88 × 56 mmHg, FC 122 bpm, palidez e sudorese. Exame abdominal: dor difusa com defesa e dor à descompressão brusca (irritação peritoneal). USG transvaginal: massa anexial direita heterogênea de 6 cm + grande quantidade de líquido livre na pelve e recessos abdominais. Teste de gravidez negativo (afasta gravidez ectópica rota). Ciclos regulares, uso de preservativo. Diagnóstico mais provável: Torção de anexo (torção de ovário ou de tumor ovariano) com infarto ovariano e hemoperitônio significativo, levando a choque hipovolêmico. A paciente está instável hemodinamicamente (choque hipovolêmico persistente apesar de infusão inicial de cristaloides). Análise das alternativas laparotomia exploradora. Correta – conduta terapêutica adequada. Justificativa: Paciente com abdome agudo + choque hipovolêmico + grande quantidade de líquido livre na cavidade peritoneal = indicação absoluta de exploração cirúrgica imediata. Em paciente instável hemodinamicamente, a laparotomia exploradora é a via de acesso mais rápida e segura, permitindo controle imediato do sangramento, avaliação da viabilidade do ovário e realização de salpingo-ooforectomia se necessário. As Diretrizes da FEBRASGO e WSES recomendam abordagem cirúrgica urgente em torção de anexo com instabilidade hemodinâmica ou sinais de peritonite/hemoperitônio significativo. A laparoscopia é preferida em pacientes estáveis, mas não é a melhor opção aqui. laparoscopia com preservação ovariana. Incorreta. A laparoscopia é a abordagem preferencial em torção de anexo em pacientes estáveis, com objetivo de detorção e preservação do ovário (ooforoplastia). No entanto, a paciente está em choque hipovolêmico persistente — laparoscopia não é segura nem rápida o suficiente nesse cenário. laparoscopia diagnóstica e terapêutica. Incorreta. A paciente está em choque hipovolêmico com sinais de irritação peritoneal e hemoperitônio. Observação conservadora é inadequada e pode levar a piora clínica grave. laparoscopia com ooforectomia. Incorreta. Além de a via laparoscópica não ser a mais adequada em paciente instável, a ooforectomia imediata não deve ser a primeira opção. O objetivo inicial é avaliar a viabilidade do ovário após detorção (muitos ovários aparentemente “necróticos” recuperam-se após detorção). 54ª QUESTÃO Enunciado: Menino de 4 anos é levado à Unidade Básica de Saúde porque apresenta perda urinária durante o sono em quatro a cinco noites por semana. Durante o dia, permanece seco e não apresenta dor ao urinar, aumento da frequência urinária ou constipação. O desenvolvimento neuropsicomotor é adequado para a idade, e o exame físico não revela alterações. A interpretação mais adequada do quadro é Página 58 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) controle urinário noturno ainda em desenvolvimento. (alternativa B) enurese noturna monossintomática. (alternativa C) bexiga hiperativa sem manifestações urinárias diurnas. (alternativa D) atraso patológico da aquisição do controle urinário noturno. Resposta comentada: Gabarito oficial: Controle urinário noturno ainda em desenvolvimento. Comentário técnico Menino de 4 anos com perda urinária noturna em quatro a cinco noites por semana, controle diurno adquirido aos 3 anos e meio, sem sintomas diurnos (urgência, frequência, disúria) ou constipação. Desenvolvimento neuropsicomotor e exame físico normais. Aos 4 anos, o controle esfincteriano noturno ainda está em fase de maturação fisiológica do sistema nervoso central e da bexiga. O diagnóstico formal de enurese noturna (primária ou secundária) é estabelecido a partir dos 5 anos completos (critérios da International Children’s Continence Society e da Sociedade Brasileira de Pediatria). Antes dessa idade, o termo mais adequado é “perda urinária noturna” ou “controle urinário noturno ainda em desenvolvimento”. Análise das alternativas incorretas enurese noturna monossintomática. Incorreta. O diagnóstico formal de enurese noturna monossintomática é estabelecido a partir dos 5 anos. bexiga hiperativasem manifestações urinárias diurnas. Incorreta. Bexiga hiperativa cursa com urgência, aumento da frequência urinária e perdas diurnas (sintomas não presentes). atraso patológico da aquisição do controle urinário noturno. Incorreta. Atraso patológico da aquisição do controle urinário noturno não é o termo adequado; o caso é fisiológico para a idade. 55ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 32 anos procura uma unidade de pronto atendimento por sangramento nasal iniciado há 25 minutos, após permanecer várias horas em ambiente com ar-condicionado. Nega trauma, uso de anticoagulantes e episódios prévios de sangramento intenso. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, com pressão arterial de 124 × 78 mmHg, frequência cardíaca de 84 batimentos por minuto e vias aéreas pérvias. Observa-se sangramento ativo de pequena intensidade proveniente da região anterior do septo nasal direito, sem sangue em orofaringe. Diante desse quadro, a conduta inicial mais adequada é Página 59 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) comprimir a porção mole do nariz, manter a cabeça inclinada para frente e considerar vasoconstritor tópico. (alternativa B) realizar cauterização química imediata do ponto sangrante e manter a cabeça inclinada para trás. (alternativa C) introduzir tampão nasal anterior, manter observação clínica e prescrever antibiótico profilático. (alternativa D) aplicar gel salino nasal, orientar hidratação da mucosa e aguardar resolução espontânea do sangramento. Resposta comentada: Gabarito oficial: Comprimir a porção mole do nariz, manter a cabeça inclinada para frente e considerar vasoconstritor tópico. Comentário técnico Mulher de 32 anos com epistaxis anterior (sangramento da região do septo nasal), iniciado há 25 minutos, sem sinais de gravidade (bom estado geral, PA normal, sem sangue em orofaringe). A conduta inicial mais adequada para epistaxis anterior é: Compressão da porção mole do nariz (pinçamento das asas nasais) por 10–15 minutos contínuos. Manter a cabeça inclinada para frente (evitar deglutição de sangue e aspiração). Considerar vasoconstritor tópico (ex.: oximetazolina) se o sangramento persistir após compressão. Essas medidas são eficazes na maioria dos casos de epistaxis anterior. Análise das alternativas incorretas realizar cauterização química imediata do ponto sangrante e manter a cabeça inclinada para trás. Incorreta. Cauterização química é indicada após falha das medidas iniciais e não como primeira conduta. Manter a cabeça inclinada para trás aumenta o risco de deglutição de sangue e aspiração. introduzir tampão nasal anterior, manter observação clínica e prescrever antibiótico profilático. Incorreta. Tampão nasal anterior é reservado para casos de falha das medidas conservadoras ou sangramento moderado/grave. Antibiótico profilático não é rotineiro. aplicar gel salino nasal, orientar hidratação da mucosa e aguardar resolução espontânea do sangramento. Incorreta. Gel salino e hidratação da mucosa são medidas preventivas ou adjuvantes, não suficientes como conduta inicial para sangramento ativo. 56ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 32 anos é levado à sala de emergência após colisão entre motocicleta e automóvel. Foi encontrado consciente, com dor intensa na região cervical alta. Chega imobilizado, referindo tontura e visão dupla. Ao exame, apresenta estabilidade hemodinâmica, 15 pontos na Escala de Coma de Glasgow, dor à palpação cervical alta, força e sensibilidade preservadas nos quatro membros e nistagmo horizontal. Após a estabilização inicial, a tomografia da coluna cervical evidencia fratura de C2 com traço envolvendo o forame transverso direito. Mantida a imobilização cervical, o exame complementar prioritário é Página 60 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) angiotomografia arterial de cabeça e pescoço. (alternativa B) ressonância magnética da coluna cervical. (alternativa C) angiorressonância das artérias cervicais. (alternativa D) ultrassonografia Doppler das artérias vertebrais. Resposta comentada: Gabarito oficial: Angiotomografia arterial de cabeça e pescoço. Comentário técnico Homem de 32 anos com trauma de alta energia (colisão motocicleta x automóvel), dor cervical alta, tontura, visão dupla e nistagmo horizontal. Tomografia de coluna cervical mostra fratura de C2 com traço envolvendo o forame transverso direito. Esse achado indica alto risco de lesão da artéria vertebral (dissecção, oclusão ou pseudoaneurisma), que pode levar a síndrome de Wallenberg ou acidente vascular cerebral isquêmico no território vertebrobasilar. A conduta inicial mais adequada é manter a imobilização cervical e solicitar angiotomografia arterial de cabeça e pescoço — exame de escolha para avaliação vascular rápida e precisa no contexto de trauma agudo. Análise das alternativas incorretas ressonância magnética da coluna cervical. Incorreta. Ressonância magnética da coluna cervical é útil para avaliação de partes moles e medula, mas não é o exame prioritário para lesão vascular. angiorressonância das artérias cervicais. Incorreta. Angiorressonância é uma opção válida, mas a angiotomografia é preferida por ser mais rápida e amplamente disponível no contexto de urgência. ultrassonografia Doppler das artérias vertebrais. Incorreta. Ultrassonografia Doppler de artérias vertebrais tem menor sensibilidade e especificidade, especialmente em trauma agudo com fratura cervical. 57ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 44 anos comparece à UBS para consulta de acompanhamento por ganho ponderal progressivo. Refere que deseja “fazer logo cirurgia bariátrica”, pois tem dificuldade para perder peso. Tem hipertensão arterial controlada com losartana e dislipidemia em uso irregular de sinvastatina. Nega diabetes mellitus, apneia do sono diagnosticada, doença cardiovascular estabelecida ou limitação funcional importante. Informa que tentou dietas por conta própria, sem acompanhamento regular, e que iniciou caminhadas há cerca de 1 mês. Ao exame, apresenta pressão arterial de 132 × 78 mmHg, frequência cardíaca de 82 bpm, peso de 91 kg, altura de 1,63 m e IMC de 34,3 kg/m². A circunferência abdominal é de 104 cm. Exames recentes mostram glicemia de jejum de 96 mg/dL, hemoglobina glicada de 5,6%, LDL-colesterol de 158 mg/dL e triglicerídeos de 210 mg/dL. Considerando os critérios de indicação de cirurgia bariátrica e o cuidado longitudinal na atenção primária, a conduta mais adequada é Página 61 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) inserir em cuidado multiprofissional e reavaliar elegibilidade para cirurgia bariátrica. (alternativa B) considerar hipertensão e IMC acima de 30 kg/m² como critérios para encaminhar para cirurgia bariátrica. (alternativa C) aguardar eventual progressão do diagnóstico para diabetes tipo 2 antes de indicar avaliação cirúrgica. (alternativa D) manter acompanhamento clínico na UBS e considerar encaminhamento se houver progressão do IMC. Página 62 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Inserir em cuidado multiprofissional e reavaliar elegibilidade para cirurgia bariátrica. Comentário técnico O ponto central da questão é o IMC da paciente: 34,3 kg/m², que está abaixo do limiar mínimo para indicação de cirurgia bariátrica, mesmo na presença de comorbidades. Os critérios clássicos (Conselho Federal de Medicina/Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica) para indicação cirúrgica são: IMC ≥ 40 kg/m², independentemente de comorbidades; ou IMC entre 35 e 39,9 kg/m², associado a comorbidades relacionadas à obesidade (HAS, DM2, dislipidemia grave, apneia do sono, entre outras); Após tratamento clínico adequado e estruturado, geralmente por período mínimo de 2 anos, sem resposta satisfatória, e com avaliação multiprofissional prévia. No caso, a paciente: Tem IMC de 34,3 kg/m² — não atinge nem o menor limiar (35 kg/m²); Realizou apenas tentativas informais de dieta, sem acompanhamento profissional estruturado, e iniciou caminhadas há apenas 1 mês — ou seja, não houve tratamento clínico adequadamente conduzido e prolongado que permitabipolar estabilizado há vários anos com carbonato de lítio, procura um serviço de urgência por dificuldade para caminhar, tremores intensos nas mãos, náuseas e fala arrastada iniciados há dois dias. Uma semana antes, havia iniciado clortalidona para tratamento de hipertensão arterial. Desde então, refere redução da ingestão de líquidos por episódio de gastroenterite. Ao exame, encontra-se sonolenta, mas desperta ao chamado, com mucosas secas, tremor grosseiro, disartria e marcha atáxica. A pressão arterial é de 108 × 68 mmHg, a frequência cardíaca é de 96 batimentos por minuto e a glicemia capilar é de 102 mg/dL. Diante da principal hipótese diagnóstica, a conduta inicial mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) suspender o lítio e a clortalidona, iniciar hidratação intravenosa e solicitar litemia, função renal e eletrólitos. (alternativa B) manter o lítio, suspender o diurético, administrar antiemético e repetir a avaliação neurológica após hidratação oral. (alternativa C) suspender o lítio, administrar carvão ativado e solicitar dosagem sérica do fármaco após seis horas de observação. (alternativa D) manter os medicamentos habituais, administrar benzodiazepínico e solicitar tomografia de crânio para investigação da ataxia. Página 4 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: suspender o lítio e a clortalidona, iniciar hidratação intravenosa e solicitar litemia, função renal e eletrólitos. Comentário técnico Paciente em uso crônico de carbonato de lítio, que iniciou clortalidona (diurético tiazídico) e apresentou gastroenterite com redução da ingestão hídrica. Evoluiu com tremores grosseiros, disartria, marcha atáxica e sonolência — quadro clássico de intoxicação por lítio (precipitada por desidratação e interação medicamentosa com o diurético, que aumenta a reabsorção tubular de lítio). A conduta inicial deve incluir: Suspensão imediata do lítio e do diurético. Hidratação intravenosa vigorosa. Solicitação urgente de litemia, função renal e eletrólitos. Monitorização clínica e laboratorial seriadas. Análise das alternativas incorretas manter o lítio, suspender o diurético, administrar antiemético e repetir a avaliação neurológica após hidratação oral. Incorreta. Manter o lítio em contexto de intoxicação é perigoso e pode agravar o quadro neurológico. suspender o lítio, administrar carvão ativado e solicitar dosagem sérica do fármaco após seis horas de observação. Incorreta. Carvão ativado não é eficaz para lítio (absorção rápida e baixa ligação ao carvão). A dosagem deve ser solicitada imediatamente, não após seis horas. manter os medicamentos habituais, administrar benzodiazepínico e solicitar tomografia de crânio para investigação da ataxia. Incorreta. Manter o lítio e solicitar tomografia de crânio não aborda a causa principal (intoxicação medicamentosa). A ataxia e sonolência são compatíveis com toxicidade por lítio. 5ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 29 anos procura a Unidade Básica de Saúde após diagnóstico recente de sífilis em teste rápido realizado durante atendimento por lesão genital. Relata relações sexuais sem preservativo nos últimos meses e nunca havia feito testagem para HIV. Está assintomático, em bom estado geral, e aceita realizar a testagem na unidade. É realizado um primeiro teste rápido para HIV, com resultado reagente. Considerando o fluxo diagnóstico e terapêutico do HIV no SUS, a próxima conduta é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) realizar segundo teste rápido distinto e iniciar TARV, se reagente. (alternativa B) solicitar carga viral do HIV e iniciar TARV, se detectável. (alternativa C) repetir o primeiro teste rápido e iniciar TARV, se reagente. (alternativa D) solicitar contagem de CD4 e iniciar TARV, se houver imunossupressão. Página 5 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: realizar segundo teste rápido distinto e iniciar TARV, se reagente. Comentário técnico Homem de 29 anos com teste rápido para HIV reagente, em contexto de sífilis recente e exposição de risco. Está assintomático e aceita a testagem. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV (Ministério da Saúde – Brasil): Teste rápido reagente → realizar teste rápido de metodologia distinta (ex.: outro fabricante ou princípio técnico) para confirmação. Se o segundo teste for reagente → diagnóstico de HIV confirmado. Iniciar Terapia Antirretroviral (TARV) o mais breve possível (estratégia “Test and Treat”), independentemente de contagem de CD4 ou carga viral. Essa abordagem aumenta a retenção no cuidado e reduz a transmissão. Análise das alternativas incorretas solicitar carga viral do HIV e iniciar TARV, se detectável. Incorreta. A carga viral não é pré-requisito para início de TARV. O tratamento deve ser iniciado logo após a confirmação diagnóstica. repetir o primeiro teste rápido e iniciar TARV, se reagente. Incorreta. Repetir o mesmo teste rápido não segue o fluxo recomendado (necessita de metodologia distinta para confirmação). solicitar contagem de CD4 e iniciar TARV, se houver imunossupressão. Incorreta. A contagem de CD4 não é necessária para iniciar TARV. O tratamento é universal, independentemente do grau de imunossupressão. 6ª QUESTÃO Enunciado: Menino de 3 anos, previamente hígido, é levado à Unidade de Pronto Atendimento por febre diária há seis dias e irritabilidade intensa. Ao exame, apresenta conjuntivite bilateral não purulenta, exantema polimorfo no tronco e nos membros, lábios avermelhados e fissurados, língua em framboesa e edema com eritema de mãos e pés. A principal hipótese diagnóstica é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) doença de Kawasaki clássica. (alternativa B) síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica. (alternativa C) escarlatina. (alternativa D) infecção por adenovírus. Página 6 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Doença de Kawasaki clássica. Comentário técnico Menino de 3 anos com febre ≥5 dias associada a: Conjuntivite bilateral não purulenta. Exantema polimorfo no tronco e membros. Alterações labiais (lábios avermelhados e fissurados, língua em framboesa). Edema com eritema de mãos e pés. O quadro preenche os critérios diagnósticos completos de doença de Kawasaki clássica (febre persistente + ≥4 dos 5 critérios principais). A doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda, com risco de acometimento coronariano (aneurismas) se não tratada precocemente. Conduta inicial: Imunoglobulina intravenosa (2 g/kg) + ácido acetilsalicílico em dose anti-inflamatória, com avaliação cardiológica (ecocardiograma). Análise das alternativas incorretas síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica. Incorreta. Síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) está associada à COVID-19, com quadro sistêmico grave, choque e marcadores inflamatórios elevados (não descritos aqui). escarlatina. Incorreta. Escarlatina cursa com exantema escarlatiniforme, língua em framboesa e faringite estreptocócica, mas não com conjuntivite bilateral não purulenta ou edema de extremidades. infecção por adenovírus. Incorreta. Infecção por adenovírus pode causar conjuntivite e febre, mas não o conjunto completo de alterações mucocutâneas. 7ª QUESTÃO Enunciado: Gestante de 24 anos, G2P1, com 39 semanas e 2 dias de gestação, comparece à UBS para consulta de pré-natal referindo saída súbita de grande quantidade de líquido claro pela vagina há cerca de 3 horas, com manutenção de perda líquida em pequena quantidade desde então. Nega febre, dor abdominal contínua, sangramento vaginal ou redução da movimentação fetal. Refere contrações irregulares, pouco dolorosas. Ao exame, apresenta pressão arterial de 110 × 70 mmHg, frequência cardíaca de 84 bpm, temperatura de 36,6 ºC e frequência cardíaca fetal de 144 bpm. O abdome é gravídico, indolor, com tônus uterino normal. Ao exame especular, observa-se líquido claro acumulado em fundo de saco vaginal, com escoamento pelo orifício cervical externo à manobra de Valsalva. O toque vaginal não é realizado. Considerando osconsiderar "falha terapêutica"; Usa sinvastatina de forma irregular, indicando que o tratamento clínico- farmacológico atual sequer está otimizado. Diante disso, a conduta mais apropriada na atenção primária é inserir a paciente em cuidado multiprofissional (nutrição, educação física, apoio psicológico, otimização do tratamento farmacológico da HAS e dislipidemia) e reavaliar a elegibilidade cirúrgica no futuro, caso não haja resposta adequada ao tratamento clínico bem conduzido — em vez de encaminhar precocemente para avaliação cirúrgica. Análise das alternativas incorretas. considerar hipertensão e IMC acima de 30 kg/m² como critérios para encaminhar para cirurgia bariátrica. Incorreta. erro conceitual direto. IMC acima de 30 kg/m² isoladamente (com ou sem comorbidade) não é critério de indicação cirúrgica — o limiar mínimo com comorbidade é IMC ≥ 35 kg/m². Essa alternativa simplifica incorretamente os critérios. aguardar eventual progressão do diagnóstico para diabetes tipo 2 antes de indicar avaliação cirúrgica. Incorreta. porque não é necessário "esperar" o desenvolvimento de diabetes para reavaliar a paciente — essa é uma lógica equivocada de manejo, que além disso adia intervenções clínicas já indicadas agora (controle de peso, lipídios, pressão arterial) em vez de atuar preventivamente. manter acompanhamento clínico na UBS e considerar encaminhamento se houver progressão do IMC. Incorreta. é tentadora por parecer conservadora e alinhada à atenção primária, mas é incompleta: não menciona a necessidade de estruturar o cuidado multiprofissional agora (essencial tanto para tratar adequadamente a obesidade quanto para eventualmente compor o histórico de "tratamento clínico bem conduzido" exigido para indicação cirúrgica futura). Simplesmente "esperar a progressão do IMC" é uma postura passiva que não reflete o cuidado longitudinal ativo esperado da atenção primária. 58ª QUESTÃO Página 63 de 112 Enunciado: Homem de 58 anos procura o pronto atendimento por dor lombar intensa há 3 dias, com irradiação para as nádegas e face posterior das coxas. Relata que, inicialmente, pensou tratar-se de “crise renal”, pois a dor piorava em ondas e dificultava caminhar. Nega febre, disúria ou hematúria. Refere, nas últimas 12 horas, dormência em região perineal, dificuldade para iniciar a micção e sensação de esvaziamento vesical incompleto. Ao exame, apresenta pressão arterial de 138 × 84 mmHg, frequência cardíaca de 88 bpm e temperatura de 36,8 ºC. O abdome é flácido, sem dor à palpação profunda. A punho- percussão lombar é negativa bilateralmente. O exame neurológico mostra redução da sensibilidade em região perineal, fraqueza discreta para flexão plantar bilateral e reflexo aquileu diminuído em ambos os membros inferiores. Considerando o quadro clínico apresentado, a conduta mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) solicitar ressonância lombossacra e acionar avaliação especializada. (alternativa B) prescrever analgesia e programar reavaliação ambulatorial precoce. (alternativa C) solicitar tomografia de abdome e avaliar litíase urinária obstrutiva. (alternativa D) tratar como radiculopatia lombossacra e solicitar ressonância eletiva. Resposta comentada: Gabarito oficial: Solicitar ressonância lombossacra e acionar avaliação especializada. Comentário técnico O paciente apresenta dor lombar irradiada para membros inferiores que evoluiu com sinais e sintomas de compressão de cauda equina: Dormência em região perineal (“saddle anesthesia”). Disfunção vesical (dificuldade para iniciar a micção e sensação de esvaziamento incompleto). Fraqueza discreta para flexão plantar bilateral e reflexo aquileu diminuído. Esses achados configuram síndrome da cauda equina — uma emergência neurocirúrgica causada, na maioria dos casos, por hérnia discal lombar volumosa ou outras lesões compressivas. A demora no diagnóstico e descompressão pode resultar em sequelas permanentes (incontinência urinária/fecal, impotência sexual e paraparesia). A ressonância magnética da coluna lombossacra é o exame de escolha para confirmação diagnóstica. O paciente deve ser avaliado com urgência por neurocirurgia ou ortopedia de coluna. Análise das alternativas incorretas prescrever analgesia e programar reavaliação ambulatorial precoce. Incorreta. Conduta conservadora ambulatorial é inadequada e perigosa diante de sinais de compressão neurológica grave. solicitar tomografia de abdome e avaliar litíase urinária obstrutiva. Incorreta. Embora a dor inicial possa sugerir cólica renal, os achados neurológicos atuais indicam compressão de raízes nervosas, não litíase obstrutiva. tratar como radiculopatia lombossacra e solicitar ressonância eletiva. Incorreta. Tratar como radiculopatia simples ignora os sinais de cauda equina (emergência). A ressonância deve ser feita com caráter urgente, não eletivo. 59ª QUESTÃO Página 64 de 112 Enunciado: Adolescente de 15 anos comparece à UBS acompanhado do pai, com dor intensa no testículo esquerdo iniciada há cerca de 3 horas, durante repouso. Refere náuseas e um episódio de vômito após o início da dor. Nega trauma local, febre, disúria ou secreção uretral. Relata que, nos últimos meses, teve dois episódios semelhantes de dor testicular que melhoraram espontaneamente em menos de uma hora. Ao exame, apresenta pressão arterial de 118 × 72 mmHg, frequência cardíaca de 104 bpm e temperatura de 36,7 ºC. A bolsa escrotal esquerda está dolorosa e discretamente edemaciada. O testículo esquerdo encontra-se elevado e em posição horizontalizada. O reflexo cremastérico está ausente à esquerda. Considerando a principal hipótese diagnóstica, a conduta inicial mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) encaminhar para avaliação cirúrgica urológica em caráter de urgência. (alternativa B) solicitar urocultura e iniciar antibiótico oral para epididimite. (alternativa C) prescrever analgesia, repouso escrotal e Doppler ambulatorial em curto prazo. (alternativa D) prescrever analgesia e acompanhar como torção-detorsão se houver regressão da dor. Resposta comentada: Gabarito oficial: Encaminhar para avaliação cirúrgica urológica em caráter de urgência. Comentário técnico Adolescente com dor testicular aguda intensa (início súbito durante repouso), náuseas/vômito, testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e episódios prévios de dor autolimitada (sugestivo de torção intermitente). Esse quadro é altamente sugestivo de torção testicular — emergência urológica que exige diagnóstico e tratamento cirúrgico imediato. A torção leva à interrupção do fluxo sanguíneo testicular, e o tempo é crítico: a viabilidade testicular cai rapidamente após 6 horas de sintomas. A conduta inicial prioritária é o encaminhamento urgente para exploração cirúrgica (orquidopexia bilateral, com detorção e fixação do testículo). O Doppler colorido pode ser auxiliar, mas não deve atrasar a intervenção em quadro clínico típico. Análise das alternativas incorretas solicitar urocultura e iniciar antibiótico oral para epididimite. Incorreta. Epididimite/orquiepididimite é o principal diagnóstico diferencial, mas é menos provável em adolescente sem febre, disúria ou secreção uretral. O quadro agudo grave e os achados físicos apontam para torção. prescrever analgesia, repouso escrotal e Doppler ambulatorial em curto prazo. Incorreta. Prescrever analgesia e solicitar Doppler ambulatorial pode atrasar o diagnóstico e tratamento, reduzindo a chance de salvamento testicular. prescrever analgesia e acompanhar como torção-detorsão se houver regressão da dor. Incorreta. Observação ou conduta expectante (“torção- detorsão”) é perigosa e pode levar à perda irreversível do testículo. 60ª QUESTÃO Página 65 de 112 Enunciado: Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde para avaliação de manchas na pele presentes desde a primeira infância. A mãe relata aumento progressivo do número de manchas e dificuldade de aprendizagem na escola. Ao exame físico, observam-se oito máculas cafécom leite, medindo entre 0,7 cm e 2,5 cm, distribuídas em tronco e membros, além de efélides em região axilar bilateral. Ressonância magnética de encéfalo, solicitada após queixa de redução da acuidade visual, mostrou lesão compatível com glioma de via óptica. O diagnóstico mais provável é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) neurofibromatose tipo 1. (alternativa B) síndrome de Legius. (alternativa C) síndrome de McCune-Albright. (alternativa D) esclerose tuberosa. Resposta comentada: Gabarito oficial: Neurofibromatose tipo 1. Comentário técnico Menino de 6 anos com múltiplas máculas café com leite (>6, algumas >0,5 cm), efélides axilares (sinal de Crowe), glioma de via óptica e dificuldade de aprendizagem. Esse conjunto de achados preenche critérios diagnósticos para Neurofibromatose tipo 1 (NF1), doença autossômica dominante causada por mutação no gene NF1 (cromossomo 17). Os critérios diagnósticos (NIH) incluem: ≥6 máculas café com leite (>0,5 cm em pré-púberes). Efélides axilares ou inguinais. Glioma de via óptica (uma das manifestações mais graves). A NF1 é a neurocutânea mais comum e exige acompanhamento multidisciplinar (oftalmológico, neurológico, ortopédico e oncológico) devido ao risco de tumores, problemas de aprendizagem e complicações vasculares. Análise das alternativas incorretas Síndrome de Legius. Incorreta. Apresenta máculas café com leite e efélides axilares, mas não tumores como glioma óptico. Síndrome de McCune-Albright. Incorreta. Manchas café com leite são tipicamente grandes e segmentares, associadas a displasia fibrosa óssea e puberdade precoce. Esclerose tuberosa. Incorreta. Caracteriza-se por máculas hipocrômicas (ash- leaf spots), angiofibromas faciais, hamartomas e convulsões, não por múltiplas máculas café com leite. 61ª QUESTÃO Página 66 de 112 Enunciado: Menina de 11 anos é levada à Unidade Básica de Saúde por febre baixa e dor articular há 4 dias. A mãe relata que a dor começou no joelho direito, com edema e dificuldade para caminhar, melhorou parcialmente após uso de analgésico, mas, no dia seguinte, passou a acometer o tornozelo esquerdo e, depois, o cotovelo direito. Há cerca de 3 semanas, a criança apresentou dor de garganta, febre e placas em amígdalas, com melhora espontânea após alguns dias, sem uso de antibiótico. Ao exame, está em bom estado geral, temperatura de 38 °C, frequência cardíaca de 96 bpm. O tornozelo esquerdo está doloroso e discretamente edemaciado, enquanto o joelho direito não apresenta mais edema. Ausculta cardíaca sem sopros evidentes. Não há exantema, petéquias, hepatoesplenomegalia ou sinais de toxemia. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta terapêutica inicial adequada, assinale a alternativa correta. Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) suspeitar de febre reumática aguda e iniciar o tratamento com penicilina benzatina e anti-inflamatório. (alternativa B) suspeitar de artrite séptica e iniciar antibioticoterapia intravenosa após punção da articulação acometida. (alternativa C) suspeitar de artrite idiopática juvenil e iniciar tratamento imunossupressor após avaliação reumatológica. (alternativa D) suspeitar de artrite reativa pós-estreptocócica e prescrever anti-inflamatório sem erradicação estreptocócica. Página 67 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Suspeitar de febre reumática aguda e iniciar penicilina benzatina e anti-inflamatório. Comentário técnico Menina de 11 anos com poliartrite migratória (joelho direito → tornozelo esquerdo → cotovelo direito), febre baixa e antecedente de faringoamigdalite não tratada há 3 semanas. Esse quadro preenche critérios de Jones para febre reumática aguda (poliartrite migratória + evidência de infecção estreptocócica prévia). A febre reumática é uma complicação imunomediada pós-infecção por Streptococcus pyogenes do grupo A. Conduta terapêutica inicial: Penicilina benzatina (dose única intramuscular) para erradicação do estreptococo. Anti-inflamatório (ácido acetilsalicílico em dose anti-inflamatória ou AINE) para controle da artrite. Avaliação cardiológica (ecocardiograma) para pesquisa de cardite reumática. Análise das alternativas incorretas suspeitar de artrite séptica e iniciar antibioticoterapia intravenosa após punção da articulação acometida. Incorreta. Artrite séptica geralmente é monoarticular, com febre alta, toxemia e sinais locais francos de infecção. Não há indícios de sepse ou monoartrite purulenta. suspeitar de artrite idiopática juvenil e iniciar tratamento imunossupressor após avaliação reumatológica. Incorreta. Artrite idiopática juvenil não costuma ser migratória e aguda, e o antecedente de faringoamigdalite aponta para etiologia pós-estreptocócica. suspeitar de artrite reativa pós-estreptocócica e prescrever anti- inflamatório sem erradicação estreptocócica. Incorreta. Artrite pós- estreptocócica reativa geralmente não requer erradicação estreptocócica, mas o quadro migratório e febre sugerem mais febre reumática aguda, que exige penicilina benzatina. 62ª QUESTÃO Enunciado: Gestante de 24 anos, com 27 semanas de gestação, comparece por demanda espontânea a uma unidade básica de saúde. Relata febre, calafrios, náuseas e dor lombar à direita há dois dias. Informa que, há cerca de uma semana, iniciou disúria e aumento da frequência urinária, sem ter procurado atendimento anteriormente. Ao exame físico, apresenta regular estado geral, temperatura de 39,1 °C, frequência cardíaca de 116 batimentos por minuto, pressão arterial de 96 × 62 mmHg e frequência respiratória de 22 incursões por minuto. A punho-percussão da região lombar direita é dolorosa. A altura uterina é compatível com a idade gestacional, não há contrações uterinas e a frequência cardíaca fetal é de 168 batimentos por minuto. Diante desse quadro, a conduta inicial mais adequada é Página 68 de 112 Alternativas: (alternativa A) iniciar hidratação venosa, administrar nitrofurantoína, solicitar urocultura e manter observação na unidade. (alternativa B) administrar antitérmico, prescrever fosfomicina, solicitar hemograma e encaminhar para seguimento ambulatorial. (alternativa C) (CORRETA) iniciar hidratação venosa, administrar antitérmico e antibioticoterapia empírica e encaminhar para internação hospitalar. (alternativa D) administrar analgésico, coletar urocultura, iniciar antibiótico oral e encaminhar para avaliação obstétrica eletiva. Resposta comentada: Gabarito oficial: Iniciar hidratação venosa, administrar antitérmico e antibioticoterapia empírica e encaminhar para internação hospitalar. Comentário técnico Gestante de 27 semanas com quadro clínico de pielonefrite aguda (infecção do trato urinário alto): Disúria e aumento da frequência urinária (sintomas iniciais). Febre, calafrios, dor lombar, taquicardia e hipotensão relativa (sinais de sepse). Sinal de Giordano positivo. A pielonefrite na gestação é uma condição grave, com risco de sepse, parto prematuro e sofrimento fetal. A conduta inicial deve incluir: Hidratação venosa. Antitérmico (paracetamol). Antibioticoterapia empírica intravenosa (ex.: ceftriaxona ou ampicilina + gentamicina). Internação hospitalar para vigilância materna e fetal. Análise das alternativas incorretas iniciar hidratação venosa, administrar nitrofurantoína, solicitar urocultura e manter observação na unidade. Incorreta. Nitrofurantoína não é adequada para pielonefrite (baixa penetração tecidual) e observação na UBS é insuficiente em caso de sepse. administrar antitérmico, prescrever fosfomicina, solicitar hemograma e encaminhar para seguimento ambulatorial. Incorreta. Fosfomicina não é recomendada para pielonefrite e o encaminhamento ambulatorial é inadequado. administrar analgésico, coletar urocultura, iniciar antibiótico oral e encaminhar para avaliação obstétrica eletiva. Incorreta. Tratamento oral e encaminhamento eletivo são insuficientes para pielonefrite com sinais de sepse. 63ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 59 anos recebeu alta hospitalar há 10 dias após infarto agudo do miocárdio comsupradesnivelamento do segmento ST, tratado por angioplastia primária com implante de stent. Encontra-se clinicamente estável e recebeu prescrição de terapia para prevenção cardiovascular secundária. Apresenta diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, tabagismo ativo e dificuldade de adesão ao tratamento medicamentoso. A equipe da unidade básica de saúde encaminhou o paciente para acompanhamento em cardiologia, e a família pergunta como o cuidado será organizado a partir desse momento. Diante da dúvida apresentada e considerando a organização do cuidado no SUS, a orientação mais adequada é Página 69 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) manter o cuidado compartilhado com a cardiologia, sob coordenação da UBS. (alternativa B) manter o seguimento exclusivo na UBS após o tratamento do evento agudo. (alternativa C) transferir o acompanhamento para a cardiologia, restringindo a UBS a atividades administrativas. (alternativa D) manter o seguimento regular em serviço hospitalar de alta complexidade. Resposta comentada: Gabarito oficial: Manter o cuidado compartilhado com a cardiologia, sob coordenação da UBS. Comentário técnico Homem de 59 anos, 10 dias após IAM com supradesnivelamento do segmento ST tratado com angioplastia primária. Tem múltiplos fatores de risco cardiovascular (diabetes, hipertensão, tabagismo) e dificuldade de adesão medicamentosa. A UBS mantém acompanhamento pela Estratégia Saúde da Família. De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica e o modelo de atenção do SUS, a Atenção Primária (UBS/ESF) é o lócus de coordenação do cuidado longitudinal. O cuidado compartilhado com a cardiologia (atenção secundária) é a abordagem mais adequada para garantir continuidade, adesão ao tratamento, controle de fatores de risco e prevenção de novos eventos cardiovasculares. Análise das alternativas incorretas manter o seguimento exclusivo na UBS após o tratamento do evento agudo. Incorreta. Seguimento exclusivo na UBS após o evento agudo não é adequado para paciente de alto risco cardiovascular, que necessita de acompanhamento especializado compartilhado. transferir o acompanhamento para a cardiologia, restringindo a UBS a atividades administrativas. Incorreta. Transferência exclusiva para cardiologia fragmenta o cuidado e não respeita o princípio da longitudinalidade e coordenação pela Atenção Primária. manter o seguimento regular em serviço hospitalar de alta complexidade. Incorreta. Seguimento regular em hospital de alta complexidade não é necessário para paciente estável pós-alta e aumenta o custo e a fragmentação do cuidado. 64ª QUESTÃO Enunciado: Recém-nascido de 3 dias de vida é levado à Unidade Básica de Saúde para avaliação após alta da maternidade. Nasceu a termo, por parto vaginal, com peso de 2.900 g, Apgar 9/10, sem intercorrências. Está em aleitamento materno exclusivo. A mãe relata que ele mama em livre demanda, cerca de 8 a 10 vezes ao dia, mas está preocupada porque “parece ter emagrecido”. Na avaliação, o recém-nascido está ativo, corado, hidratado, com boa pega e sucção efetiva observadas durante a mamada. Apresenta diurese em 5 fraldas nas últimas 24 horas e evacuações em transição. O peso atual é de 2.700 g. A conduta mais adequada é Página 70 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) manter aleitamento materno exclusivo, revisar técnica e retornar em 48–72 horas. (alternativa B) manter aleitamento materno exclusivo, com intervalos regulares a cada 3 horas. (alternativa C) complementar com fórmula após as mamadas até recuperar o peso de nascimento. (alternativa D) oferecer leite materno ordenhado em horários fixos para controlar o volume ingerido. Resposta comentada: Gabarito oficial: Manter aleitamento materno exclusivo, revisar técnica e retornar em 48–72 horas. Comentário técnico Recém-nascido de 3 dias de vida, a termo, em aleitamento materno exclusivo, com perda de peso de 200 g (cerca de 6,9% do peso ao nascer). Apresenta boa pega, sucção efetiva, diurese (5 fraldas/24h) e evacuações em transição, sem sinais de desidratação. A perda de peso fisiológica do recém-nascido pode chegar até 10% do peso ao nascer nos primeiros 3–5 dias de vida, especialmente em bebês em aleitamento materno exclusivo. A conduta inicial deve ser: Manter aleitamento materno exclusivo em livre demanda. Revisar técnica de amamentação (pega, posição, sucção). Reavaliação clínica e ponderal em 48–72 horas. Análise das alternativas incorretas manter aleitamento materno exclusivo, com intervalos regulares a cada 3 horas. Incorreta. Intervalos fixos a cada 3 horas não são recomendados em aleitamento materno exclusivo. A livre demanda é o padrão-ouro para manter a produção de leite e a sucção efetiva. complementar com fórmula após as mamadas até recuperar o peso de nascimento. Incorreta. Complementação com fórmula é indicada apenas em casos de perda excessiva (>10–12%), desidratação ou falha no aleitamento, o que não ocorre aqui. oferecer leite materno ordenhado em horários fixos para controlar o volume ingerido. Incorreta. Ordenha e horários fixos não são indicados como primeira conduta e podem interferir na produção de leite e na dinâmica da amamentação. 65ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 34 anos é levado ao pronto-socorro após atropelamento. Após a estabilização inicial, apresenta pressão arterial de 122 × 78 mmHg e frequência cardíaca de 98 batimentos por minuto. Na avaliação neurológica, abre os olhos ao chamado, responde de forma confusa e localiza o estímulo doloroso. As pupilas são isocóricas e fotorreagentes, sem déficit motor focal. Faz uso diário de ácido acetilsalicílico por antecedente de angioplastia coronariana. A tomografia de crânio mostra fina lâmina de hematoma subdural agudo frontotemporal direito, sem desvio significativo da linha média nem compressão das cisternas basais. Nesse caso, a conduta inicial mais adequada é Página 71 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) internar para monitorização neurológica seriada e solicitar avaliação neurocirúrgica. (alternativa B) internar para observação clínica, sem necessidade de monitorização neurológica seriada. (alternativa C) iniciar manitol intravenoso e hiperventilação controlada preventiva. (alternativa D) encaminhar à unidade de terapia intensiva para monitorização invasiva da pressão intracraniana. Resposta comentada: Gabarito oficial: Internar para monitorização neurológica seriada e solicitar avaliação neurocirúrgica. Comentário técnico Homem de 34 anos com hematoma subdural agudo fino frontotemporal direito, sem desvio de linha média ou compressão de cisternas basais. Apresenta Glasgow 13 (abre olhos ao chamado, responde confuso, localiza dor), pupilas normais e sem déficit motor focal. Faz uso de AAS. Em hematoma subdural agudo pequeno e estável, sem sinais de hipertensão intracraniana ou herniação, a conduta inicial é internação para monitorização neurológica seriada e avaliação neurocirúrgica. O objetivo é detectar deterioração precoce e indicar cirurgia (evacuação) se necessário. Análise das alternativas incorretas internar para observação clínica, sem necessidade de monitorização neurológica seriada. Incorreta. Observação clínica sem monitorização neurológica seriada é inadequada em hematoma subdural. iniciar manitol intravenoso e hiperventilação controlada preventiva. Incorreta. Manitol e hiperventilação são indicados em casos de hipertensão intracraniana ou herniação, não como medida preventiva em hematoma pequeno e estável. encaminhar à unidade de terapia intensiva para monitorização invasiva da pressão intracraniana. Incorreta. Monitorização invasiva da pressão intracraniana é reservada para casos graves (coma, hipertensão intracraniana refratária). 66ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 46 anos, operador de empilhadeira em um centro de distribuição, sofre esmagamento torácico após tombamento do equipamento durante o turno de trabalho. É levado por colegas a uma unidade de pronto atendimento, onde chega inconsciente, sem pulso palpável e em apneia.Após as manobras de reanimação cardiopulmonar, não apresenta retorno da circulação espontânea, e o óbito é constatado. Diante da natureza do evento e das responsabilidades médico-legais e sanitárias, a conduta adequada é Página 72 de 112 Alternativas: (alternativa A) emitir a Declaração de Óbito, registrar a CAT e dispensar a notificação ao Sinan. (alternativa B) encaminhar o corpo ao IML, cabendo ao instituto emitir a CAT e notificar o Sinan. (alternativa C) emitir a Declaração de Óbito, notificar o Sinan e dispensar o registro da CAT. (alternativa D) (CORRETA) encaminhar o corpo ao IML, notificar o Sinan e orientar a empresa a registrar a CAT. Resposta comentada: Gabarito oficial: Encaminhar o corpo ao IML, notificar o Sinan e orientar a empresa a registrar a CAT. Comentário técnico Homem de 46 anos com óbito decorrente de acidente de trabalho grave (esmagamento torácico durante operação de empilhadeira). Conduta adequada: Encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para necropsia (óbito não natural/violento). Notificar o caso ao Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) como acidente de trabalho fatal (notificação compulsória pela equipe de saúde). Orientar a empresa a registrar a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) junto à Previdência Social (obrigação do empregador). Essas medidas cumprem as responsabilidades médico-legais e sanitárias previstas na legislação brasileira. Análise das alternativas incorretas emitir a Declaração de Óbito, registrar a CAT e dispensar a notificação ao Sinan. Incorreta. Em óbito por acidente de trabalho, o corpo deve ser encaminhado ao IML. A emissão da Declaração de Óbito pelo serviço de saúde é inadequada. encaminhar o corpo ao IML, cabendo ao instituto emitir a CAT e notificar o Sinan. Incorreta. A notificação ao Sinan é responsabilidade da equipe de saúde que atendeu o caso, não do IML. emitir a Declaração de Óbito, notificar o Sinan e dispensar o registro da CAT. Incorreta. Não se dispensa o registro da CAT, e o corpo deve ser encaminhado ao IML. 67ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 27 anos é levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência ao pronto- socorro após colisão automobilística ocorrida há cerca de 45 minutos. Na avaliação inicial, apresenta vias aéreas pérvias, frequência respiratória de 30 incursões por minuto, murmúrio vesicular presente bilateralmente e saturação de oxigênio de 96% com máscara de oxigênio. Encontra-se confuso, com pele fria e sudoreica, frequência cardíaca de 136 batimentos por minuto, pressão arterial de 72 × 42 mmHg e enchimento capilar de 5 segundos. O abdome está distendido e doloroso, principalmente no quadrante superior direito. Não há instabilidade pélvica nem sangramento externo significativo. O protocolo de hemorragia maciça é ativado, com início de reposição balanceada de hemocomponentes. O ultrassom FAST realizado à beira do leito evidencia grande quantidade de líquido livre nas janelas hepatorrenal e pélvica. Após as medidas iniciais, o paciente mantém pressão arterial de 78 × 46 mmHg e frequência cardíaca de 132 batimentos por minuto. Diante desse quadro, a conduta mais adequada é Página 73 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) manter a reposição hemostática, administrar ácido tranexâmico e encaminhar imediatamente para laparotomia exploradora. (alternativa B) manter a reposição hemostática, solicitar tomografia contrastada e definir o tratamento conforme o órgão lesionado. (alternativa C) ampliar a infusão de cristaloides, repetir o exame FAST e reavaliar a indicação cirúrgica após estabilização. (alternativa D) administrar ácido tranexâmico, solicitar arteriografia abdominal e indicar embolização do vaso responsável pelo sangramento. Resposta comentada: Gabarito oficial: Manter a reposição hemostática, administrar ácido tranexâmico e encaminhar imediatamente para laparotomia exploradora. Comentário técnico Paciente com trauma de alta energia (colisão automobilística), choque hemorrágico (pele fria, sudoreica, taquicardia, hipotensão, enchimento capilar prolongado), abdome distendido e doloroso, FAST positivo para líquido livre (sangue) em janelas hepatorrenal e pélvica. Mantém instabilidade hemodinâmica apesar de reposição inicial. Conduta mais adequada: Manter reposição hemostática balanceada, administrar ácido tranexâmico e encaminhar imediatamente para laparotomia exploradora (controle de danos). O paciente instável com FAST positivo para hemoperitônio indica sangramento intra-abdominal ativo que requer controle cirúrgico urgente. Análise das alternativas incorretas manter a reposição hemostática, solicitar tomografia contrastada e definir o tratamento conforme o órgão lesionado. Incorreta. Tomografia contrastada é contraindicada em paciente instável (risco de deterioração durante o exame). ampliar a infusão de cristaloides, repetir o exame FAST e reavaliar a indicação cirúrgica após estabilização. Incorreta. Ampliar cristaloides e repetir FAST não deve atrasar a intervenção cirúrgica em choque hemorrágico persistente. administrar ácido tranexâmico, solicitar arteriografia abdominal e indicar embolização do vaso responsável pelo sangramento. Incorreta. Arteriografia/embolização é opção em pacientes estáveis com sangramento arterial focal, não em instabilidade hemodinâmica com hemoperitônio. 68ª QUESTÃO Enunciado: Adolescente de 15 anos é avaliada por amenorreia primária e desenvolvimento mamário insuficiente. Ao exame, apresenta genitália externa feminina sem ambiguidade, mamas em Tanner I–II e pelos pubianos em Tanner III. A ultrassonografia pélvica mostra útero hipoplásico, sem identificação dos ovários. Os exames laboratoriais evidenciam FSH e LH elevados, estradiol baixo e cariótipo 46,XY. Com base nos achados apresentados, a hipótese diagnóstica mais provável é Página 74 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) disgenesia gonadal completa, compatível com síndrome de Swyer. (alternativa B) síndrome de insensibilidade completa aos andrógenos. (alternativa C) deficiência de 5-alfa-redutase. (alternativa D) defeito da síntese de testosterona com subvirilização. Resposta comentada: Gabarito oficial: Disgenesia gonadal completa, compatível com síndrome de Swyer. Comentário técnico Adolescente de 15 anos com amenorreia primária, desenvolvimento mamário insuficiente (Tanner I–II), pelos pubianos Tanner III, útero hipoplásico, ausência de ovários, FSH e LH elevados, estradiol baixo e cariótipo 46,XY. Esse conjunto de achados é compatível com disgenesia gonadal completa (síndrome de Swyer) — cariótipo 46,XY com gônadas disgenéticas (estrias gonadais), ausência de produção de testosterona e hormônio antimülleriano, resultando em fenótipo feminino externo, útero presente (embora hipoplásico) e ausência de virilização puberal. O risco de gonadoblastoma é elevado, exigindo gonadectomia profilática. Análise das alternativas incorretas síndrome de insensibilidade completa aos andrógenos. Incorreta. Síndrome de insensibilidade completa aos andrógenos cursa com fenótipo feminino completo, ausência de útero (devido à ação da AMH) e testículos intra- abdominais (não útero hipoplásico). deficiência de 5-alfa-redutase. Incorreta. Deficiência de 5-alfa-redutase cursa com ambiguidade genital ao nascimento e virilização na puberdade. defeito da síntese de testosterona com subvirilização. Incorreta. Defeito da síntese de testosterona geralmente cursa com ambiguidade genital ao nascimento. 69ª QUESTÃO Enunciado: Adolescente de 17 anos procura a Unidade Básica de Saúde para orientação contraceptiva. Refere menarca aos 12 anos e, nos últimos 3 anos, ciclos menstruais com intervalos de 45 a 70 dias. Relata acne persistente e aumento de pelos na região mentoniana e linha alba. Iniciou vida sexual há 6 meses e deseja evitar gestação. Nega tabagismo, enxaqueca com aura, hipertensão arterial, trombose prévia, doença hepática ou uso de medicações contínuas. Ao exame, apresenta pressão arterial de 108 × 68 mmHg, IMC de 26 kg/m², acne inflamatórialeve e hirsutismo discreto. Teste de gravidez é negativo. A opção contraceptiva que melhor atende simultaneamente ao desejo de evitar gestação e ao controle das manifestações clínicas é Página 75 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) contraceptivo oral combinado de baixa dose. (alternativa B) dispositivo intrauterino de cobre. (alternativa C) implante contraceptivo de etonogestrel. (alternativa D) acetato de medroxiprogesterona trimestral. Resposta comentada: Gabarito oficial: contraceptivo oral combinado de baixa dose. Comentário técnico Adolescente de 17 anos com ciclos menstruais irregulares (45–70 dias), acne persistente e hirsutismo discreto (sugestivo de hiperandrogenismo, possivelmente síndrome dos ovários policísticos – SOP), vida sexual ativa e desejo de evitar gestação. Sem contraindicações absolutas aos métodos hormonais combinados. Método contraceptivo mais apropriado: Contraceptivo hormonal combinado (pílula, adesivo ou anel vaginal). Além da alta eficácia contraceptiva, o método combinado oferece benefícios adicionais nesse perfil: Regularização dos ciclos menstruais. Melhora do acne e hirsutismo (efeito antiandrogênico do etinilestradiol associado ao progestágeno). Redução de cólicas e sangramento irregular. Análise das alternativas incorretas dispositivo intrauterino de cobre. Incorreta. O dispositivo intrauterino de cobre pode piorar o sangramento e cólicas menstruais, não ajudando no controle dos ciclos irregulares. implante contraceptivo de etonogestrel. Incorreta. O implante contraceptivo de etonogestrel (Implanon) frequentemente causa sangramento irregular e não tem efeito antiandrogênico significativo, podendo não melhorar acne e hirsutismo. acetato de medroxiprogesterona trimestral. Incorreta. O acetato de medroxiprogesterona trimestral (Depo-Provera) pode causar ganho de peso, irregularidade menstrual e não é a primeira escolha em adolescente com sinais de hiperandrogenismo. 70ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 32 anos, G2P1, com gestação estimada em nove semanas pela data da última menstruação, procura pronto atendimento obstétrico por sangramento vaginal discreto há dois dias, associado a cólicas leves. Nega eliminação de tecidos, febre, tontura, síncope ou dor pélvica intensa. Encontra-se em bom estado geral, com pressão arterial de 112 × 72 mmHg e frequência cardíaca de 82 batimentos por minuto. Ao exame especular, observa-se pequena quantidade de sangue escuro no canal vaginal, sem sangramento ativo importante. O colo uterino está fechado. Ultrassonografia transvaginal realizada 14 dias antes havia mostrado saco gestacional intrauterino sem vesícula vitelínica. No exame atual, observa-se saco gestacional de contornos irregulares, com diâmetro médio de 27 mm, ainda sem vesícula vitelínica ou embrião. Não há massa anexial nem líquido livre significativo. O diagnóstico e a conduta inicial mais adequados são Página 76 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) gestação anembrionada; definição compartilhada do manejo. (alternativa B) gestação intrauterina de viabilidade incerta; repetição da ultrassonografia em 7 a 10 dias. (alternativa C) abortamento incompleto; esvaziamento uterino por aspiração devido ao sangramento. (alternativa D) abortamento inevitável; administração de misoprostol para induzir a expulsão uterina. Resposta comentada: Gabarito oficial: Gestação anembrionada; definição compartilhada do manejo. Comentário técnico Gestante de 9 semanas pela DUM com sangramento vaginal discreto e cólicas leves. Ultrassonografia transvaginal mostra saco gestacional intrauterino de contornos irregulares, diâmetro médio de 27 mm, sem vesícula vitelínica ou embrião visível. Colo uterino fechado. De acordo com os critérios ultrassonográficos da ISUOG e da FEBRASGO, o diâmetro médio do saco gestacional ≥ 25 mm sem embrião ou vesícula vitelínica é diagnóstico de gestação anembrionada (anembryonic pregnancy / blighted ovum). Conduta inicial: Aconselhamento empático e claro sobre o diagnóstico. Discussão compartilhada das opções de manejo: expectante, medicamentoso (misoprostol) ou cirúrgico (aspiração uterina), considerando preferência da paciente, estabilidade clínica e disponibilidade de serviços. Análise das alternativas incorretas gestação intrauterina de viabilidade incerta; repetição da ultrassonografia em 7 a 10 dias. Incorreta. Repetição da ultrassonografia em 7–10 dias é indicada em casos de viabilidade incerta (ex.: saco gestacionalmais adequada é Página 78 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) síndrome nefrótica. (alternativa B) síndrome nefrítica. (alternativa C) doença renal crônica. (alternativa D) proteinúria isolada. Resposta comentada: Gabarito oficial: síndrome nefrótica. O caso descreve de forma clássica uma síndrome nefrótica em adulto jovem: Proteinúria nefrótica: relação proteína/creatinina de 4,8 g/g (normalmente > 3,5 g/g ou > 3,5 g/24h). Hipoalbuminemia: albumina sérica de 2,4 g/dL (normalmentejudiciário, conforme disponibilidade), com abordagem menos restritiva possível e foco na reintegração familiar e comunitária assim que houver estabilização. Análise das alternativas incorretas internar voluntariamente, com termo familiar e comunicação à rede municipal. Incorreta. Não se trata de internação voluntária (paciente recusa tratamento). O “pedido familiar” sozinho não substitui o laudo médico e a comunicação legal obrigatória. observar na urgência, com sedação clínica e aguardo de decisão judicial. Incorreta. Embora sedação possa ser necessária para contenção imediata, o fluxo prioritário não é o “aguardo de decisão judicial”. A internação involuntária pode e deve ser iniciada pela equipe médica em situação de urgência, com posterior formalização. manter no CAPS, com pactuação familiar e reavaliação em curto prazo. Incorreta. O CAPS é serviço ambulatorial de atenção psicossocial e não possui estrutura para manejo de quadro agudo com risco de violência e ausência de segurança domiciliar. O caso exige avaliação e possível internação em nível de urgência. 75ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 54 anos comparece ao ambulatório de Clínica Médica por tosse seca intermitente há 4 meses, perda de 7 kg no período, cansaço progressivo e rouquidão. Trabalhou por mais de 25 anos em lavoura de café e atualmente mora em área rural. É tabagista há 30 anos. Nega febre alta, sudorese noturna intensa ou contato conhecido com tuberculose. Ao exame, apresenta-se emagrecido, afebril, com saturação de O₂ de 96% em ar ambiente. Observam-se lesões ulceradas dolorosas em mucosa oral, com aspecto granuloso e pontos hemorrágicos finos. A ausculta pulmonar revela estertores esparsos bilaterais. A radiografia de tórax mostra infiltrado intersticial bilateral predominando em campos médios. A baciloscopia do escarro é negativa nas amostras iniciais. Considerando a hipótese clínica mais provável, a conduta terapêutica inicial mais adequada é Página 82 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) iniciar itraconazol oral e acompanhar resposta clínica e laboratorial. (alternativa B) iniciar rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. (alternativa C) prescrever amoxicilina-clavulanato e repetir radiografia em 14 dias. (alternativa D) iniciar fluconazol oral e encaminhar para avaliação odontológica. Resposta comentada: Gabarito oficial: iniciar itraconazol oral e acompanhar resposta clínica e laboratorial. Homem de 54 anos, tabagista, com longa exposição rural (lavoura de café), apresentando tosse crônica, emagrecimento, rouquidão, lesões ulceradas granulomatosas em mucosa oral (aspecto “moriforme” com pontos hemorrágicos) e infiltrado intersticial bilateral na radiografia de tórax, com baciloscopia negativa. Esse quadro é clássico de paracoccidioidomicose (blastomicose sul-americana), micose sistêmica endêmica no Brasil, causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis. A forma crônica do adulto é a mais comum, com predomínio pulmonar e mucocutâneo. Conduta inicial: Itraconazol oral (200 mg/dia) é o tratamento de escolha para formas leve a moderada, com acompanhamento clínico, laboratorial (sorologia, função hepática) e radiológico. Análise das alternativas incorretas iniciar rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Incorreta. O esquema RIPE (tuberculose) não é indicado sem confirmação diagnóstica. A paracoccidioidomicose é o principal diagnóstico diferencial da tuberculose em áreas endêmicas. prescrever amoxicilina-clavulanato e repetir radiografia em 14 dias. Incorreta. Antibioticoterapia para infecção bacteriana não é eficaz contra paracoccidioidomicose. iniciar fluconazol oral e encaminhar para avaliação odontológica. Incorreta. Fluconazol não é a droga de escolha (itraconazol é muito superior em eficácia). Encaminhamento odontológico isolado também não é suficiente. 76ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 29 anos procura atendimento ambulatorial por palpitações, perda de 5 kg em 6 semanas, intolerância ao calor e tremores finos nas mãos. Relata ansiedade e aumento da frequência evacuatória no período. Nega dor cervical, uso de amiodarona, exposição recente a contraste iodado, gestação e antecedente pessoal de doença tireoidiana. Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto, pele quente e úmida e tireoide de volume habitual, sem nódulos palpáveis, sopro ou dor à palpação. Não apresenta oftalmopatia, mixedema pré-tibial ou outras manifestações extratireoidianas. Exames laboratoriais mostram TSH suprimido e T4 livre elevado. Considerando que a etiologia da tireotoxicose não está definida pelo quadro clínico, o exame complementar mais adequado para diferenciar as principais causas é Página 83 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) cintilografia tireoidiana com radioiodocaptação. (alternativa B) ultrassonografia de tireoide com Doppler colorido. (alternativa C) dosagem sérica de tireoglobulina. (alternativa D) dosagem sérica de anticorpos antirreceptor de TSH (TRAb). Resposta comentada: Gabarito oficial: cintilografia tireoidiana com radioiodocaptação. Análise do enunciado Mulher de 29 anos com quadro clínico-laboratorial típico de tireotoxicose: Palpitações, perda ponderal (5 kg em 6 semanas), intolerância ao calor, tremores finos, ansiedade, hiperdefecação FC 110 bpm, pele quente e úmida, tireoide discretamente aumentada (difusa), sem nódulos, sem sopro, sem dor Ausência de oftalmopatia, mixedema pré-tibial ou dor cervical TSH suprimido + T4 livre elevado O objetivo da questão é identificar o exame complementar mais adequado para a investigação etiológica da tireotoxicose. Análise das alternativas cintilografia tireoidiana com radioiodocaptação. Correta. Na tireotoxicose, o primeiro passo etiológico fundamental é diferenciar entre: Causas com aumento da produção hormonal (hiperfunção): Doença de Graves, bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico. Causas com destruição glandular (liberação de hormônio pré-formado): Tireoidites (subaguda, silenciosa, pós-parto), tireotoxicose factícia ou iatrogênica. A cintilografia tireoidiana com radioiodo (¹²³I ou ⁹⁹ᵐTc-pertecnetato) é o exame que melhor realiza essa diferenciação: Captação aumentada → hiperprodução (Graves, nódulos tóxicos). Captação baixa/suprimida → destruição (tireoidites). No caso apresentado, a ausência de oftalmopatia e de dor cervical torna o diagnóstico clínico de doença de Graves menos evidente. Portanto, a cintilografia é o exame mais adequado para definir a etiologia de forma clara e orientar o tratamento (antitireoidianos vs. conduta expectante nas tireoidites). Ultrassonografia de tireoide com Doppler colorido. Incorreta. A USG com Doppler pode mostrar aumento da vascularização (“padrão de inferno tireoidiano”) na doença de Graves ou fluxo reduzido nas tireoidites. É útil, mas não diferencia de forma definitiva os mecanismos de tireotoxicose como a cintilografia. Dosagem sérica de tireoglobulina. Incorreta. A tireoglobulina eleva-se tanto em processos destrutivos (tireoidites) quanto na doença de Graves. Tem baixa especificidade para diferenciação etiológica e não é recomendada como exame inicial. Dosagem sérica de anticorpos antirreceptor de TSH (TRAb). Incorreta. O TRAb é altamente específico para doença de Graves. No entanto, quando a apresentação clínica não é típica (ausência de oftalmopatia), a recomendação é iniciar a investigação com cintilografia para diferenciar todas as causas possíveis de tireotoxicose. O TRAb seria o exame de escolha se a suspeita clínica fosse fortemente de Graves. Página 84 de 112 77ª QUESTÃO Enunciado: Lactente de 4 meses é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura. Nasceu a termo, sem intercorrências, está em aleitamento materno e apresenta ganho ponderal adequado. A mãe relata que ele apresenta controle cefálico adequado, acompanha objetos com o olhar e sorri em resposta à interação. Nega crises convulsivas, regressão de marcos ou dificuldade alimentar. Durante o exame neurológico, observa-se reflexo deMoro discreto e simétrico, preensão palmar ainda presente, reflexo de busca ausente e reflexo de marcha automática ausente. O tônus é adequado para a idade, sem assimetrias ou sinais focais. A interpretação mais adequada dos reflexos observados é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) desenvolvimento neurológico compatível com a idade. (alternativa B) persistência anormal do reflexo de Moro. (alternativa C) atraso na integração da preensão palmar. (alternativa D) imaturidade neurológica pela ausência da marcha automática. Resposta comentada: Gabarito oficial: Desenvolvimento neurológico compatível com a idade. Comentário técnico Lactente de 4 meses apresenta marcos do desenvolvimento adequados (sustenta parcialmente a cabeça, acompanha objetos com o olhar, sorri socialmente) e reflexos primitivos dentro da normalidade para a idade: Reflexo de Moro discreto e simétrico (normal até ~4–6 meses). Preensão palmar presente (normal até ~6 meses). Reflexo de busca ausente (desaparece ~3–4 meses). Reflexo de marcha automática ausente (desaparece ~2–3 meses). Tônus adequado, sem assimetrias ou sinais focais. O quadro é compatível com desenvolvimento neuropsicomotor normal para a idade cronológica. Análise das alternativas incorretas persistência anormal do reflexo de Moro. Incorreta. O reflexo de Moro discreto e simétrico aos 4 meses ainda é fisiológico e não representa persistência anormal. atraso na integração da preensão palmar. Incorreta. A preensão palmar ainda presente é normal até aproximadamente 6 meses de idade; não configura atraso. imaturidade neurológica pela ausência da marcha automática. Incorreta. A ausência do reflexo de marcha automática aos 4 meses é esperada (desaparece por volta dos 2–3 meses). 78ª QUESTÃO Página 85 de 112 Enunciado: Homem de 27 anos procura unidade de pronto atendimento no Amazonas por febre intermitente há quatro dias, associada a calafrios, sudorese, cefaleia e mialgia. Encontra- se consciente, hidratado e hemodinamicamente estável, sem sinais de malária grave. A gota espessa confirma infecção por Plasmodium vivax. O teste quantitativo mostra atividade da G6PD de 7,2 UI/gHb. O paciente pesa 72 kg, nega episódio de malária nos últimos 60 dias e não apresenta contraindicação às 8-aminoquinolinas. Diante do caso e considerando o Guia de Tratamento da Malária no Brasil, o esquema terapêutico indicado é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) cloroquina por três dias e tafenoquina em dose única. (alternativa B) cloroquina por três dias, sem tratamento contra hipnozoítos. (alternativa C) arteméter-lumefantrina por três dias e primaquina por sete dias. (alternativa D) artesunato intravenoso seguido de cloroquina por via oral. Resposta comentada: Gabarito oficial: Cloroquina por três dias e tafenoquina em dose única. Comentário técnico Homem de 27 anos com malária não grave por Plasmodium vivax confirmada por gota espessa, atividade da G6PD normal (7,2 UI/gHb), peso 72 kg, sem contraindicações às 8- aminoquinolinas. De acordo com o Guia de Tratamento da Malária no Brasil (Ministério da Saúde, atualização vigente): Cloroquina (dose total de 25 mg/kg em 3 dias) + tafenoquina em dose única (300 mg) é o esquema de primeira linha para malária não grave por P. vivax em pacientes com atividade da G6PD normal. A tafenoquina é uma 8-aminoquinolina de longa duração que elimina os hipnozoítos hepáticos em dose única, reduzindo recidivas. Análise das alternativas incorretas cloroquina por três dias, sem tratamento contra hipnozoítos. Incorreta. Cloroquina em monoterapia não elimina os hipnozoítos, resultando em alta taxa de recidiva. arteméter-lumefantrina por três dias e primaquina por sete dias. Incorreta. Arteméter-lumefantrina é o esquema de primeira linha para P. falciparum ou casos mistos, não para P. vivax não complicado. artesunato intravenoso seguido de cloroquina por via oral. Incorreta. Artesunato intravenoso é reservado para malária grave ou complicada. 79ª QUESTÃO Página 86 de 112 Enunciado: Um homem de 20 anos, previamente hígido, procura a Unidade Básica de Saúde por lesões cutâneas pruriginosas surgidas há cerca de 24 horas. Relata que iniciou ibuprofeno há 2 dias para dor após entorse de tornozelo. Ao exame, apresenta placas eritematoedematosas, elevadas, de limites imprecisos, tamanhos variáveis e distribuição irregular em tronco e membros superiores, intensamente pruriginosas. Nega febre, dispneia, sibilância, edema de lábios ou língua, tontura, vômitos ou dor abdominal. Encontra-se em bom estado geral, hemodinamicamente estável, sem acometimento de mucosas. Além de suspender o uso do ibuprofeno, a conduta mais adequada na Atenção Primária à Saúde é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) iniciar anti-histamínico oral e orientar medidas de cuidado da pele, com retorno imediato se surgirem sinais de gravidade. (alternativa B) administrar dose inicial de corticosteroide sistêmico e manter observação breve na unidade, diante da possibilidade de progressão do quadro cutâneo nas próximas horas. (alternativa C) prescrever corticosteroide oral após suspensão do ibuprofeno, sem necessidade inicial de anti-histamínico. (alternativa D) manter observação na unidade após suspensão do ibuprofeno e indicar encaminhamento hospitalar caso não haja regressão do quadro cutâneo nas primeiras horas. Página 87 de 112 Resposta comentada: O quadro clínico é compatível com reação cutânea medicamentosa urticariforme, provavelmente relacionada ao uso recente de ibuprofeno. Essa hipótese é sustentada por: relação temporal entre início do medicamento e aparecimento das lesões; lesões pruriginosas, elevadas, eritematoedematosas e de tamanhos variáveis; ausência de sinais de gravidade, como dispneia, sibilância, edema de língua ou lábios, instabilidade hemodinâmica, sintomas gastrointestinais intensos ou acometimento de mucosas. Nesse cenário, além de suspender o ibuprofeno, a conduta inicial mais adequada na Atenção Primária é o tratamento sintomático com anti-histamínico oral, associado à orientação de retorno imediato caso surjam sinais de agravamento. Comentário das alternativas - iniciar anti-histamínico oral e orientar medidas de cuidado da pele, com retorno imediato se surgirem sinais de gravidade. Correta. Essa é a melhor conduta para urticária medicamentosa sem sinais de anafilaxia ou gravidade. O anti-histamínico trata o prurido e reduz as lesões, enquanto a orientação de alarme é essencial para segurança do paciente. - administrar dose inicial de corticosteroide sistêmico e manter observação breve na unidade, diante da possibilidade de progressão do quadro cutâneo nas próximas horas. Incorreta. Embora possa parecer prudente, essa alternativa propõe uma conduta mais intervencionista do que o necessário. Na ausência de sinais sistêmicos ou respiratórios, não há indicação de observação em unidade nem de priorizar corticosteroide sistêmico como primeira medida. - prescrever corticosteroide oral após suspensão do ibuprofeno, sem necessidade inicial de anti-histamínico. Incorreta. O erro está em substituir o anti-histamínico por corticosteroide oral como conduta inicial principal. Em quadro urticariforme leve, o tratamento sintomático de escolha é o anti- histamínico, e não o corticosteroide sistêmico de rotina. - manter observação na unidade após suspensão do ibuprofeno e indicar encaminhamento hospitalar caso não haja regressão do quadro cutâneo nas primeiras horas. Incorreta. A alternativa superestima a gravidade do caso. O paciente está estável, sem sinais de anafilaxia, sem acometimento de mucosas e sem repercussão sistêmica. Nessa situação, observação prolongada e encaminhamento hospitalar não são a melhor conduta inicial. 80ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 68 anos procura atendimento ambulatorial por ferida no pé direito, com quatro meses de evolução. Relata dor no local, mais intensa à noite, que melhora parcialmente quando mantém o membro pendente. É tabagista há vários anos. Ao exame, observa-se úlcera de 2 cm na face lateraldo quinto pododáctilo, com bordas bem delimitadas e pequena área de necrose. O pé direito apresenta temperatura discretamente reduzida em comparação ao contralateral, e o pulso pedioso é diminuído. Não há edema na perna. Considerando os dados clínicos e semiológicos, a etiologia mais provável da úlcera é Página 88 de 112 Alternativas: (alternativa A) venosa, decorrente de hipertensão venosa crônica. (alternativa B) (CORRETA) arterial, decorrente de doença arterial obstrutiva periférica. (alternativa C) neuropática, decorrente de perda da sensibilidade protetora. (alternativa D) vasculítica, decorrente de inflamação dos pequenos vasos cutâneos. Resposta comentada: Gabarito oficial: Arterial, decorrente de doença arterial obstrutiva periférica. Comentário técnico Homem de 68 anos, tabagista, com úlcera dolorosa no pé direito de 4 meses de evolução, dor de repouso aliviada ao pendurar o membro, temperatura reduzida no pé e pulso pedioso diminuído. Esse quadro é típico de úlcera arterial por doença arterial obstrutiva periférica (DAOP). Os principais achados são: Dor de repouso (isquemia crítica). Localização distal (pododáctilo). Sinais de isquemia crônica (pele fria, pulso diminuído). A DAOP é altamente prevalente em tabagistas idosos e representa a principal causa de úlceras arteriais de membro inferior. Análise das alternativas incorretas venosa, decorrente de hipertensão venosa crônica. Incorreta. Úlcera venosa tipicamente localiza-se na região maleolar medial, com edema, hiperpigmentação (dermite ocre) e lipodermatoesclerose. neuropática, decorrente de perda da sensibilidade protetora. Incorreta. Úlcera neuropática (ex.: diabética) localiza-se em pontos de pressão (plantares), com perda da sensibilidade protetora (não descrita no caso). vasculítica, decorrente de inflamação dos pequenos vasos cutâneos. Incorreta. Vasculite cutânea geralmente cursa com lesões purpúricas, livedo reticularis e sinais sistêmicos, não com úlcera isquêmica distal. 81ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 79 anos, com hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 e doença renal crônica estágio 3, está internado em hospital universitário de referência regional após queda da própria altura. A tomografia de crânio realizada na admissão não mostrou alterações traumáticas. Durante a internação, uma tomografia de abdome solicitada por dor abdominal transitória identificou incidentalmente um cisto renal simples, classificado como Bosniak I. Após o achado, foram propostos pareceres especializados e acompanhamento periódico por imagem. Na discussão do caso, um médico propõe revisar a necessidade dessas medidas antes de incluí-las no plano assistencial. Considerando o nível de atenção em que ocorre o cuidado e a atuação médica descrita, essa conduta corresponde a Página 89 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) atenção terciária, com aplicação de prevenção quaternária. (alternativa B) atenção terciária, com aplicação de prevenção secundária. (alternativa C) atenção secundária, com aplicação de prevenção quaternária. (alternativa D) atenção terciária, com aplicação de prevenção terciária. Resposta comentada: Gabarito oficial: Atenção terciária, com aplicação de prevenção quaternária. Comentário técnico Idoso de 79 anos com múltiplas comorbidades (hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 e doença renal crônica estágio 3) internado em hospital universitário de referência regional (atenção terciária) após queda. Achado incidental de cisto renal simples Bosniak I (lesão benigna, sem indicação de investigação adicional). O médico propõe revisar a necessidade de pareceres especializados e acompanhamento periódico por imagem — conduta que exemplifica prevenção quaternária (evitar intervenções médicas desnecessárias e iatrogênicas, especialmente em pacientes frágeis ou com baixa expectativa de benefício). Análise das alternativas incorretas atenção terciária, com aplicação de prevenção secundária. Incorreta. Prevenção secundária refere-se ao diagnóstico e tratamento precoce de doença já existente, não à evitação de sobremedicalização. atenção secundária, com aplicação de prevenção quaternária. Incorreta. O cenário é de atenção terciária (hospital de referência regional). atenção terciária, com aplicação de prevenção terciária. Incorreta. Prevenção terciária foca em reabilitação e redução de complicações em doença estabelecida; aqui o foco é evitar dano iatrogênico desnecessário (quaternária). 82ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 68 anos, com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e doença renal crônica estágio 4, comparece ao ambulatório de Clínica Médica por piora progressiva de fadiga, inapetência e náuseas há uma semana. Refere dispneia aos esforços habituais, sem dor torácica ou febre. Faz uso regular de carvedilol, furosemida, hidralazina e nitrato. Ao exame, apresenta pressão arterial de 148 × 86 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm, frequência respiratória de 26 irpm, saturação de O₂ de 95% em ar ambiente, estertores finos bibasais e edema de membros inferiores 2+/4+. Está sonolento, mas responsivo. Os exames laboratoriais mostram: sódio 138 mEq/L, potássio 5,9 mEq/L, cloro 101 mEq/L, ureia 148 mg/dL, creatinina 5,6 mg/dL, glicemia 112 mg/dL e lactato 1,3 mmol/L. A gasometria arterial evidencia: pH 7,24; PaCO₂ 27 mmHg; HCO₃⁻ 12 mEq/L. Com base no quadro clínico e nos exames apresentados, a alteração metabólica mais compatível é Página 90 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) acidose metabólica com ânion gap aumentado e compensação respiratória adequada. (alternativa B) acidose respiratória crônica com retenção renal compensatória de bicarbonato. (alternativa C) alcalose metabólica por uso de diurético, com hipoventilação compensatória. (alternativa D) acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal e hipocalemia associada. Resposta comentada: Paciente com IC-FEr + DRC estágio 4, em descompensação, com piora da função renal (creatinina 5,6 mg/dL, ureia 148 mg/dL), hipercalemia (K 5,9) e gasometria: pH 7,24 → acidose HCO₃⁻ 12 mEq/L (baixo) → acidose metabólica PaCO₂ 27 mmHg (baixo) → compensação respiratória (hiperventilação) Cálculo do ânion gap (necessário para classificar): AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻) = 138 − (101 + 12) = 25 mEq/L (aumentado). Diagnóstico: acidose metabólica com ânion gap aumentado, provavelmente urêmica, em contexto de doença renal crônica avançada com piora da função renal, hipercalemia e retenção de ácidos não mensurados, com compensação respiratória adequada. Análise das alternativas acidose metabólica com ânion gap aumentado e compensação respiratória adequada. — correta. O paciente apresenta acidemia, com pH 7,24, e bicarbonato reduzido, HCO₃⁻ 12 mEq/L, caracterizando acidose metabólica. O ânion gap é elevado: AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻) = 138 − (101 + 12) = 25 mEq/L. A PaCO₂ de 27 mmHg é compatível com compensação respiratória esperada pela fórmula de Winter: PaCO₂ esperada = 1,5 × HCO₃⁻ + 8 ± 2 = 26 ± 2 mmHg. Assim, há acidose metabólica com ânion gap aumentado e compensação respiratória adequada. No contexto de doença renal crônica avançada, hipercalemia e azotemia importante, o distúrbio é compatível com retenção de ácidos urêmicos. acidose respiratória crônica com retenção renal compensatória de bicarbonato. — incorreta. Na acidose respiratória, o distúrbio primário é elevação da PaCO₂. Neste caso, a PaCO₂ está reduzida, indicando compensação respiratória de uma acidose metabólica, e não retenção ventilatória de CO₂. alcalose metabólica por uso de diurético, com hipoventilação compensatória. — incorreta. Embora o uso de furosemida possa se associar a alcalose metabólica, os dados gasométricos mostram acidemia e bicarbonato reduzido. Além disso, na alcalose metabólica seria esperado pH elevado, não pH de 7,24. acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal e hipocalemia associada. — incorreta. A acidose metabólica hiperclorêmica cursa com ânion gap normal, o que não ocorre no caso. Além disso, o paciente apresentahipercalemia, e não hipocalemia. 83ª QUESTÃO Página 91 de 112 Enunciado: Mulher de 42 anos é avaliada em ambulatório de reumatologia por dor e edema simétricos em punhos, articulações metacarpofalângicas e interfalângicas proximais há quatro meses, com piora pela manhã e melhora parcial ao longo do dia. Os exames mostram anti-CCP positivo, proteína C reativa elevada e radiografia das mãos sem erosões ósseas. Nesse caso, a conduta terapêutica inicial mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) iniciar metotrexato associado a ácido fólico. (alternativa B) iniciar hidroxicloroquina isolada e reavaliar a atividade da doença. (alternativa C) iniciar prednisona em baixa dose associada a anti-inflamatório não esteroidal. (alternativa D) iniciar inibidor de TNF em monoterapia. Resposta comentada: Gabarito oficial: Iniciar metotrexato associado a ácido fólico. Comentário técnico Mulher de 42 anos com poliartrite simétrica de pequenas articulações (punhos, metacarpofalângicas e interfalângicas proximais), duração de 4 meses, rigidez matinal, anti-CCP positivo e PCR elevada. Radiografia sem erosões (doença precoce). De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e EULAR, o tratamento inicial da artrite reumatoide deve incluir metotrexato (DMARD de primeira linha) associado a ácido fólico (para redução de toxicidade). O objetivo é controle precoce da doença para prevenir dano articular irreversível. Análise das alternativas incorretas iniciar hidroxicloroquina isolada e reavaliar a atividade da doença. Incorreta. Hidroxicloroquina isolada é indicada em casos leves ou como terapia adjuvante, não como primeira linha em AR moderada/severa. iniciar prednisona em baixa dose associada a anti-inflamatório não esteroidal. Incorreta. Prednisona em baixa dose e AINE são úteis para controle sintomático, mas não substituem o DMARD (metotrexato). iniciar inibidor de TNF em monoterapia. Incorreta. Inibidor de TNF é terapia de segunda linha, reservada para falha de metotrexato ou contraindicação. 84ª QUESTÃO Enunciado: Um homem de 68 anos é atendido na emergência por piora progressiva da dispneia nos últimos dias. Refere tosse crônica, expectoração matinal e tabagismo de longa data. Ao exame, apresenta uso de musculatura acessória, tórax hiperinsuflado, murmúrio vesicular globalmente reduzido e saturação de oxigênio de 86% em ar ambiente. A gasometria arterial evidencia hipoxemia associada à retenção de gás carbônico. A equipe considera que, além da limitação ao fluxo aéreo, há comprometimento das trocas gasosas por alterações estruturais no parênquima pulmonar. Considerando a estrutura diretamente relacionada à função comprometida, o componente mais compatível com a alteração descrita é Página 92 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) barreira alvéolo-capilar. (alternativa B) epitélio bronquiolar. (alternativa C) músculo liso bronquiolar. (alternativa D) glândulas mucosas brônquicas. Resposta comentada: Gabarito oficial: Barreira alvéolo-capilar. Comentário técnico Homem idoso, tabagista de longa data, com quadro clínico típico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), apresentando limitação ao fluxo aéreo e comprometimento das trocas gasosas (hipoxemia + retenção de CO₂). A descrição “alterações estruturais no parênquima pulmonar” refere-se ao componente enfisematoso da DPOC, caracterizado por destruição de septos alveolares, redução da superfície de troca gasosa e comprometimento direto da barreira alvéolo-capilar (estrutura responsável pela difusão de O₂ e CO₂). Análise das alternativas incorretas epitélio bronquiolar. Incorreta. O epitélio bronquiolar está mais relacionado à obstrução das vias aéreas (bronquite crônica) e hipersecreção de muco. músculo liso bronquiolar. Incorreta. O músculo liso bronquiolar está relacionado à broncoconstrição e hiper-reatividade das vias aéreas. glândulas mucosas brônquicas. Incorreta. As glândulas mucosas brônquicas estão relacionadas à hiperprodução de muco na bronquite crônica. 85ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 36 anos procura uma Unidade Básica de Saúde para receber orientações sobre cirurgia bariátrica. Apresenta índice de massa corporal de 42,2 kg/m², diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica e apneia obstrutiva do sono. Nos últimos dois anos, realizou acompanhamento multiprofissional, com plano alimentar, atividade física supervisionada e tratamento farmacológico, sem perda ponderal sustentada. Encontra-se em acompanhamento regular por sintomas depressivos clinicamente estáveis e nega uso abusivo de álcool ou outras drogas. Considerando os critérios de encaminhamento e a coordenação do cuidado na Atenção Primária à Saúde, a conduta mais adequada é Página 93 de 112 Alternativas: (alternativa A) Manter temporariamente o tratamento clínico na Atenção Primária, encaminhando-a ao serviço especializado somente após melhor controle das comorbidades associadas. (alternativa B) Adiar o encaminhamento até a conclusão do acompanhamento em saúde mental, considerando os sintomas depressivos um fator impeditivo para a avaliação cirúrgica. (alternativa C) (CORRETA) Encaminhá-la para avaliação multiprofissional em serviço habilitado em cirurgia bariátrica, mantendo o acompanhamento clínico na Atenção Primária. (alternativa D) Substituir o tratamento farmacológico antiobesidade e encaminhá-la para avaliação cirúrgica somente se não houver resposta sustentada à nova estratégia terapêutica. Resposta comentada: Gabarito oficial: encaminhá-la para avaliação multiprofissional em serviço habilitado em cirurgia bariátrica, mantendo o acompanhamento clínico na Atenção Primária. Análise do enunciado Mulher de 36 anos com: IMC 42,2 kg/m² (obesidade grau III) Diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica e apneia obstrutiva do sono (comorbidades graves) Falha documentada de tratamento clínico multiprofissional por 2 anos (plano alimentar, atividade física supervisionada e tratamento farmacológico) sem perda ponderal sustentada Humor deprimido em seguimento regular, sem ideação suicida ou sintomas psicóticos Bom estado geral, orientada, PA 138/86 mmHg Avaliação das alternativas Manter temporariamente o tratamento clínico na Atenção Primária, encaminhando-a ao serviço especializado somente após melhor controle das comorbidades associadas. Incorreta. Manter o seguimento clínico na APS até que diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial e apneia obstrutiva do sono estejam plenamente controladas, encaminhando ao serviço especializado apenas após compensação completa das comorbidades. O diabetes tipo 2, a hipertensão e a apneia obstrutiva do sono são indicações para cirurgia bariátrica/metabólica, não pré-requisitos para compensação completa. A cirurgia é frequentemente indicada precisamente para melhorar o controle dessas comorbidades. Exigir compensação total antes do encaminhamento contraria as diretrizes. Adiar o encaminhamento até a conclusão do acompanhamento em saúde mental, considerando os sintomas depressivos um fator impeditivo para a avaliação cirúrgica. Incorreta. Adiar o encaminhamento cirúrgico até que a paciente receba alta do acompanhamento em saúde mental, uma vez que sintomas depressivos em seguimento ambulatorial contraindicam a avaliação para cirurgia bariátrica. Transtorno depressivo em acompanhamento regular, sem ideação suicida ou sintomas psicóticos ativos, não é contraindicação absoluta para avaliação de cirurgia bariátrica. A avaliação psiquiátrica/psicológica faz parte do preparo pré-operatório multidisciplinar, mas não impede o encaminhamento inicial. A decisão final sobre aptidão psiquiátrica cabe à equipe especializada. Encaminhá-la para avaliação multiprofissional em serviço habilitado em cirurgia bariátrica, mantendo o acompanhamento clínico na Atenção Primária. Correta – conduta mais adequada na Atenção Primária à Saúde. Encaminhar a paciente para serviço habilitado em cirurgia bariátrica, mantendo o seguimento na APS e esclarecendo a necessidadedados clínicos apresentados, a interpretação diagnóstica mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) considerar ruptura de membranas estabelecida pelos achados apresentados. (alternativa B) realizar toque vaginal para avaliar dilatação cervical e confirmar perda de líquido. (alternativa C) atribuir a perda a leucorreia gestacional e orientar observação domiciliar. (alternativa D) considerar perda urinária involuntária e repetir exame se houver nova eliminação de líquido. Página 7 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Considerar ruptura de membranas estabelecida pelos achados apresentados. Comentário técnico Gestante a termo (39 semanas e 2 dias) refere saída súbita de grande quantidade de líquido claro pela vagina, com manutenção de perda em pequena quantidade. O exame especular confirma líquido claro acumulado no fundo de saco vaginal com escoamento ao Valsalva. Esses achados são diagnósticos de rotura prematura de membranas (RPM). O exame especular positivo tem alta especificidade quando o líquido é claro e o escoamento é observado. Condutas importantes: Evitar toque vaginal (risco aumentado de infecção ascendente/corioamnionite). Iniciar monitorização materno-fetal, profilaxia antibiótica (se indicado) e planejar interrupção da gestação (indução do parto ou cesariana conforme evolução). Análise das alternativas incorretas realizar toque vaginal para avaliar dilatação cervical e confirmar perda de líquido. Incorreta. O toque vaginal deve ser evitado ao máximo após suspeita ou confirmação de rotura de membranas, devido ao risco de infecção. atribuir a perda a leucorreia gestacional e orientar observação domiciliar. Incorreta. Leucorreia gestacional não causa saída súbita de grande quantidade de líquido com escoamento ao Valsalva no exame especular. considerar perda urinária involuntária e repetir exame se houver nova eliminação de líquido. Incorreta. Perda urinária involuntária (incontinência) não explica o volume inicial descrito nem o líquido claro acumulado no fundo de saco vaginal com escoamento ao Valsalva. 8ª QUESTÃO Enunciado: Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde por queixa de “fimose”. A mãe relata que o prepúcio ainda não retrai completamente e que, em algumas micções, observa discreto abaulamento prepucial. Refere um episódio isolado de hiperemia local há cerca de 1 ano, com melhora após higiene e sem recorrência. Nega infecções urinárias, dor miccional, retenção urinária ou dificuldade importante para urinar. Ao exame físico, observa-se prepúcio recobrindo toda a glande, com retração parcial que permite visualização do meato uretral, sem fissuras, sem cicatriz esbranquiçada e sem anel fibrótico evidente. Considerando os achados clínicos e a conduta inicial na APS, assinale a alternativa correta. Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) Trata-se de fimose fisiológica, com orientação de higiene e acompanhamento clínico. (alternativa B) Trata-se de fimose patológica, com indicação de correção cirúrgica eletiva. (alternativa C) Trata-se de falha do desenvolvimento, com indicação cirúrgica pela idade. (alternativa D) Trata-se de fimose persistente, com indicação de corticosteroide tópico. Página 8 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Trata-se de fimose fisiológica, com orientação de higiene e acompanhamento clínico. Comentário técnico Menino de 5 anos com prepúcio que retrai parcialmente (permite visualização do meato uretral), sem anel fibrótico, sem cicatriz esbranquiçada e sem infecções recorrentes. Episódio isolado de hiperemia há 1 ano com boa resposta à higiene. Esse quadro é compatível com fimose fisiológica (adesão normal do prepúcio à glande), comum até os 6–7 anos de idade. A retração completa do prepúcio pode ocorrer naturalmente até a puberdade em grande parte das crianças. Conduta inicial na Atenção Primária: Orientação de higiene adequada (lavagem gentil diária com água e sabão neutro). Evitar retração forçada do prepúcio (risco de parafimose e formação de cicatriz). Acompanhamento clínico periódico (reavaliação anual ou conforme queixas). Não há indicação de corticóide tópico nem de correção cirúrgica neste momento. Análise das alternativas incorretas Trata-se de fimose patológica, com indicação de correção cirúrgica eletiva. Incorreta. Não há indícios de fimose patológica (anel fibrótico, cicatriz ou infecções recorrentes) que justifiquem correção cirúrgica. Trata-se de falha do desenvolvimento, com indicação cirúrgica pela idade. Incorreta. A retração incompleta aos 5 anos é fisiológica e não indica falha do desenvolvimento. Trata-se de fimose persistente, com indicação de corticosteroide tópico. Incorreta. Corticosteroide tópico é considerado em casos de fimose patológica (anel fibrótico), não em fimose fisiológica. 9ª QUESTÃO Enunciado: Menino de 9 anos, com diabetes mellitus tipo 1 em uso de insulina basal-bolus, é levado à UBS após apresentar mal-estar durante a manhã. A mãe relata que ele aplicou a dose habitual de insulina antes do café, mas comeu menos que o usual por estar sem apetite. Cerca de 2 horas depois, passou a apresentar tremores, sudorese fria, palidez, irritabilidade e queixa de tontura. Na avaliação, está acordado, orientado, responde adequadamente às perguntas e consegue engolir sem dificuldade. A glicemia capilar é de 54 mg/dL. A conduta inicial mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) oferecer carboidrato de absorção rápida por via oral e reavaliar a glicemia. (alternativa B) oferecer lanche com carboidrato complexo e proteína como primeira medida. (alternativa C) administrar glucagon subcutâneo e manter observação até recuperação clínica. (alternativa D) encaminhar para glicose intravenosa, mantendo jejum até avaliação médica. Página 9 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Oferecer carboidrato de absorção rápida por via oral e reavaliar a glicemia. Comentário técnico Criança com diabetes mellitus tipo 1 em esquema basal-bolus apresenta sintomas adrenérgicos (tremores, sudorese fria, palidez) e neuroglicopênicos (irritabilidade, tontura) com glicemia capilar de 54 mg/dL. Está consciente, orientado e capaz de deglutir. A conduta inicial mais adequada é a administração de carboidrato de absorção rápida (15–20 g, ex.: suco de fruta, glicose em gel ou tabletes) por via oral, seguida de reavaliação da glicemia em 15 minutos (regra 15-15). Após correção, deve-se oferecer um lanche com carboidrato complexo e proteína para evitar recidiva da hipoglicemia. Análise das alternativas incorretas oferecer lanche com carboidrato complexo e proteína como primeira medida. Incorreta. Lanche com carboidrato complexo e proteína é adequado após a correção inicial da hipoglicemia, mas não corrige a glicemia de forma rápida. administrar glucagon subcutâneo e manter observação até recuperação clínica. Incorreta. Glucagon subcutâneo é reservado para hipoglicemia grave com perda de consciência ou incapacidade de deglutir. encaminhar para glicose intravenosa, mantendo jejum até avaliação médica. Incorreta. Glicose intravenosa é indicada em casos graves ou quando a via oral não é viável. Não é necessária neste paciente consciente e capaz de deglutir. 10ª QUESTÃO Enunciado: Menino de 18 meses é levado ao pronto atendimento após episódio convulsivo ocorrido em casa. A mãe relata febre desde a noite anterior, associada a coriza e tosse. Durante o episódio, apresentou perda de consciência, revulsão ocular e movimentos tônico-clônicos generalizados dos quatro membros. A crise durou cerca de seis minutos e cessou espontaneamente. Após o evento, permaneceu sonolento por aproximadamente 20 minutos, recuperando-se progressivamente. Não havia apresentado outro episódio durante a doença febril atual. Na avaliação, apresenta temperatura de 38,7 °C, bom estado geral, sem rigidez de nuca, petéquias, sinais de trauma ou déficit motor focal. A interpretação e a conduta mais adequadas são Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) convulsão febril simples, com orientação familiarde avaliação multiprofissional, preparo pré-operatório e acompanhamento prolongado após o procedimento. Justificativa rigorosa: Página 94 de 112 Critérios de indicação para cirurgia bariátrica no SUS (Portaria MS): IMC ≥ 40 kg/m² ou IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades graves (aqui presentes: DM2, HAS e apneia obstrutiva do sono). A paciente já cumpriu o requisito de falha do tratamento clínico conservador por 2 anos. O papel da Atenção Primária é identificar o caso, orientar adequadamente sobre riscos e benefícios, encaminhar para serviço habilitado em cirurgia bariátrica e manter o seguimento compartilhado. É fundamental esclarecer à paciente a necessidade de avaliação multiprofissional completa (nutrição, psicologia/psiquiatria, endocrinologia, etc.), preparo pré-operatório e acompanhamento de longo prazo após a cirurgia. Substituir o tratamento farmacológico antiobesidade e encaminhá-la para avaliação cirúrgica somente se não houver resposta sustentada à nova estratégia terapêutica. Incorreta. Encaminhar a paciente apenas para reavaliação endocrinológica, reservando a cirurgia bariátrica para casos em que haja falha de nova tentativa farmacológica com troca de classe terapêutica e redução documentada da adesão às medidas comportamentais. A paciente já realizou acompanhamento multiprofissional por 2 anos sem sucesso. Não é necessário nova tentativa farmacológica prolongada. O encaminhamento deve ser para o serviço de cirurgia bariátrica, não apenas para endocrinologia. 86ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 24 anos, no quinto dia após cesariana por trabalho de parto prolongado, procura serviço de urgência obstétrica com febre, calafrios, dor no baixo ventre e secreção vaginal de odor desagradável há 24 horas. Está em aleitamento materno exclusivo e pergunta se precisará interrompê-lo durante o tratamento. Ao exame, apresenta temperatura axilar de 38,8 °C, frequência cardíaca de 112 batimentos por minuto, dor à palpação hipogástrica, útero subinvoluído e doloroso e lóquios purulentos e fétidos. As mamas e a ferida operatória não apresentam sinais de infecção. Nesse caso, a conduta mais adequada é Alternativas: (alternativa A) tratar ambulatorialmente com cefalexina oral e manter o aleitamento materno. (alternativa B) (CORRETA) internar para antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e manter o aleitamento materno. (alternativa C) internar para antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e suspender temporariamente o aleitamento materno. (alternativa D) realizar curetagem uterina imediata e manter o aleitamento materno. Página 95 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Internar para antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e manter o aleitamento materno. Comentário técnico Mulher no 5º dia pós-cesariana com febre, calafrios, dor em baixo ventre, útero subinvoluído e doloroso e lóquios purulentos e fétidos. O quadro é compatível com endometrite puerperal — infecção do endométrio pós-parto, mais comum após cesariana. A conduta inicial mais adequada é: Internação hospitalar para vigilância clínica e laboratorial. Antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (ex.: cefalosporina de 3ª geração + metronidazol ou ampicilina + gentamicina). Manter o aleitamento materno (a maioria dos antibióticos utilizados é compatível com amamentação; suspensão temporária não é necessária). Análise das alternativas incorretas tratar ambulatorialmente com cefalexina oral e manter o aleitamento materno. Incorreta. Tratamento ambulatorial com cefalexina oral é inadequado para endometrite pós-cesariana (risco de progressão para sepse). internar para antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e suspender temporariamente o aleitamento materno. Incorreta. Suspensão temporária do aleitamento não é necessária; a maioria dos antibióticos é compatível. realizar curetagem uterina imediata e manter o aleitamento materno. Incorreta. Curetagem uterina não é indicada como primeira conduta em endometrite sem retenção de produtos concepcionais. 87ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 57 anos, tabagista, procura atendimento por ferida dolorosa no pé esquerdo há 2 meses, com aumento progressivo. Há cerca de um ano, refere dor em panturrilha esquerda ao caminhar, com melhora após alguns minutos de repouso. Relata piora da dor ao elevar o membro e alívio parcial ao mantê-lo pendente. Ao exame físico, apresenta úlcera profunda em região distal do pé, com bordas bem delimitadas, leito pálido, áreas necróticas e ausência de tecido de granulação. O membro é frio, com rarefação de pelos e pulsos distais diminuídos. A etiologia mais provável da úlcera é: Alternativas: (alternativa A) vasculite cutânea de pequenos vasos. (alternativa B) úlcera neuropática. (alternativa C) (CORRETA) insuficiência arterial crônica. (alternativa D) insuficiência venosa crônica. Página 96 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Insuficiência arterial crônica. Análise do enunciado Mulher de 57 anos, tabagista, com: Dor em panturrilha ao caminhar (referida há um ano), que melhora com repouso → claudicação intermitente (sintoma clássico de isquemia arterial crônica). Úlcera dolorosa no pé esquerdo há 2 meses, com aumento progressivo. Dor que piora ao elevar o membro e melhora ao mantê-lo pendente → sinal de isquemia grave (dependência postural). Exame físico: Úlcera profunda, bordas bem delimitadas, leito pálido, áreas necróticas, ausência de tecido de granulação (aspecto típico de úlcera isquêmica). Membro frio, rarefação de pelos, pulsos distais diminuídos. Este é o quadro clássico de doença arterial periférica obstrutiva com úlcera isquêmica (úlcera arterial). Análise das alternativas vasculite cutânea de pequenos vasos. Incorreta. Vasculite cutânea geralmente cursa com lesões purpúricas, livedo reticularis e sinais sistêmicos, não com úlcera isquêmica distal. úlcera neuropática. Incorreta. A úlcera neuropática (típica do diabetes) localiza-se em pontos de pressão (plantar, hálux), é indolor (devido à perda sensitiva) e apresenta hiperqueratose ao redor. Aqui a úlcera é dolorosa, localizada em região distal, com claudicação e sinais claros de isquemia arterial. Não há menção a diabetes ou neuropatia. insuficiência arterial crônica. Correta – etiologia mais provável da úlcera. Tabagismo (principal fator de risco). Claudicação intermitente há 1 ano. Dor de repouso com alívio na posição pendente (sinal de isquemia crítica). Úlcera distal, profunda, com bordas nítidas, leito pálido e áreas necróticas (característica de úlcera arterial). Membro frio, rarefação pilosa e pulsos distais diminuídos (sinais de insuficiência arterial crônica grave). O conjunto de achados é patognomônico de doença arterial obstrutiva periférica com úlcera isquêmica. Insuficiência venosa crônica. Incorreta. A úlcera venosa é tipicamente localizada na região maleolar medial, tem bordas irregulares, leito róseo com granulação abundante, exsudato e frequentemente hiperpigmentação e edema crônico. A dor melhora com elevação do membro (oposto ao descrito). Não há claudicação nem sinais de isquemia arterial. 88ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 64 anos procura a Unidade Básica de Saúde por dor abdominal há 2 dias. Refere dor contínua em fossa ilíaca esquerda, associada a febre baixa, náuseas e redução do apetite. Relata constipação nos últimos dias, sem vômitos persistentes, sem sangramento nas fezes e sem perda ponderal recente. Nega episódios semelhantes prévios. Ao exame, apresenta temperatura de 37,9 °C, pressão arterial de 128 × 76 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm e bom estado geral. O abdome está flácido, com dor localizada à palpação profunda em fossa ilíaca esquerda, sem descompressão brusca dolorosa, defesa involuntária ou distensão importante. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial adequada, assinale a alternativa correta. Página 97 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) Suspeitar de diverticulite aguda e encaminhar para avaliação com tomografia de abdome e pelve. (alternativaB) Suspeitar de diverticulite aguda e solicitar colonoscopia precoce para confirmar o diagnóstico. (alternativa C) Suspeitar de diverticulite aguda não complicada e iniciar antibiótico oral, sem necessidade de exame de imagem inicialmente. (alternativa D) Suspeitar de suboclusão intestinal e solicitar radiografia abdominal como exame inicial. Resposta comentada: Gabarito oficial: Suspeitar de diverticulite aguda e encaminhar para avaliação com tomografia de abdome e pelve. Comentário técnico Homem de 61 anos com dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, febre baixa, náuseas, inapetência e constipação. O quadro clínico é altamente sugestivo de diverticulite aguda (primeiro episódio presumido). A conduta inicial mais adequada é solicitar tomografia de abdome e pelve para: Confirmar o diagnóstico. Classificar a gravidade (não complicada vs. complicada — abscesso, perfuração, fístula). Excluir diagnósticos diferenciais (apendicite, neoplasia etc.). Em UBS, o encaminhamento para realização do exame é a ação prioritária. Análise das alternativas incorretas Suspeitar de diverticulite aguda e solicitar colonoscopia precoce para confirmar o diagnóstico. Incorreta. Colonoscopia não é indicada na fase aguda de diverticulite (risco de perfuração). Deve ser realizada após resolução do episódio (geralmente 6–8 semanas) para excluir outras doenças colônicas. Suspeitar de diverticulite aguda não complicada e iniciar antibiótico oral, sem necessidade de exame de imagem inicialmente. Incorreta. Embora o quadro pareça não complicado, essa classificação não pode ser estabelecida com segurança apenas pelo exame clínico. Antibioticoterapia oral pode ser considerada, mas a tomografia é a melhor estratégia inicial para confirmação e estratificação. Suspeitar de suboclusão intestinal e solicitar radiografia abdominal como exame inicial. Incorreta. A ausência de vômitos persistentes, distensão importante e parada de eliminação de gases torna suboclusão menos provável. A radiografia simples tem baixa sensibilidade para diverticulite e não é o exame de escolha. 89ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 79 anos, com baixo peso e multípara, procura um serviço de emergência por dor abdominal em cólica, vômitos e ausência de eliminação de fezes e flatos há dois dias. Relata também dor na face medial da coxa direita, irradiada até o joelho, com piora durante a extensão e a rotação interna do quadril. Ao exame, apresenta abdome distendido, ruídos hidroaéreos aumentados e dor difusa à palpação, sem abaulamento inguinal ou femoral. A tomografia de abdome e pelve evidencia obstrução do intestino delgado por encarceramento de uma alça na parede lateral da pelve à direita. O diagnóstico mais provável é Página 98 de 112 Alternativas: (alternativa A) hérnia femoral encarcerada. (alternativa B) hérnia inguinal indireta encarcerada. (alternativa C) (CORRETA) hérnia obturatória. (alternativa D) hérnia de Spiegel encarcerada. Resposta comentada: Gabarito oficial: Hérnia obturatória. Comentário técnico Idosa de 79 anos, multípara, com baixo peso, apresentando quadro de obstrução intestinal (dor em cólica, vômitos, parada de eliminação de fezes e flatos) associada a dor na face medial da coxa direita irradiada ao joelho, com piora à extensão e rotação interna do quadril (sinal de Howship-Romberg). Tomografia mostra obstrução do intestino delgado por encarceramento de alça em região pélvica profunda à direita. Esse quadro é típico de hérnia obturatória — hérnia interna através do forame obturatório, mais comum em mulheres idosas, multíparas e com baixo peso. A compressão do nervo obturatório explica a dor irradiada para a face medial da coxa. Análise das alternativas incorretas hérnia femoral encarcerada. Incorreta. Hérnia femoral geralmente causa abaulamento inguinal/femoral visível ou palpável (não descrito no caso). hérnia inguinal indireta encarcerada. Incorreta. Hérnia inguinal indireta causa abaulamento inguinal e não explica a dor na face medial da coxa com irradiação ao joelho. hérnia de Spiegel encarcerada. Incorreta. Hérnia de Spiegel localiza-se na região semilunar, com abaulamento lateral ao reto abdominal, e não causa obstrução em região pélvica profunda. 90ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 48 anos procura o pronto atendimento por dor abdominal intensa há 10 horas. Refere dor contínua em epigástrio, irradiada para o dorso, associada a náuseas e vômitos repetidos. Nega dor torácica, dispneia, icterícia, diarreia ou episódios prévios semelhantes. Ao exame, está afebril, com pressão arterial de 118 × 74 mmHg, frequência cardíaca de 104 bpm e dor à palpação profunda em epigástrio, sem rigidez abdominal ou descompressão brusca dolorosa. Exames laboratoriais mostram leucócitos de 13.800/mm³, AST de 68 U/L, ALT de 54 U/L, bilirrubina total de 0,9 mg/dL, triglicerídeos de 180 mg/dL e lipase de 1.250 U/L (valor de referência: até 160 U/L). Considerando o quadro clínico e laboratorial, o diagnóstico mais provável é Página 99 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) pancreatite aguda. (alternativa B) colecistite aguda. (alternativa C) úlcera péptica perfurada. (alternativa D) infarto agudo inferior. Resposta comentada: Gabarito oficial: Pancreatite aguda. Comentário técnico Homem de 48 anos com dor epigástrica intensa irradiada para o dorso, náuseas e vômitos repetidos. Lipase marcadamente elevada (1.250 U/L, limite superior da normalidade 160 U/L — mais de 7 vezes o valor de referência). Esse quadro preenche os critérios diagnósticos de pancreatite aguda (dor abdominal típica + elevação de lipase >3× o limite superior da normalidade). A etiologia mais provável é alcoólica (mesmo sem relato explícito recente, o perfil epidemiológico é compatível). Análise das alternativas incorretas colecistite aguda. Incorreta. Colecistite aguda tipicamente cursa com dor no hipocôndrio direito (sinal de Murphy positivo) e elevação de bilirrubina/enzimas canaliculares, não de lipase. úlcera péptica perfurada. Incorreta. Úlcera péptica perfurada geralmente causa dor súbita intensa com rigidez abdominal e descompressão brusca dolorosa (abdome agudo perfurativo). infarto agudo inferior. Incorreta. Infarto agudo do miocárdio inferior pode causar epigastralgia e náuseas, mas não explica lipase elevada. 91ª QUESTÃO Enunciado: Em uma UBS, a equipe de saúde decide utilizar uma escala breve de triagem para depressão pós-parto em puérperas acompanhadas no território. O instrumento apresenta sensibilidade e especificidade semelhantes quando aplicado em diferentes grupos. Na avaliação dos resultados, observa-se que, entre puérperas com fatores de risco (como história prévia de depressão, baixo apoio social e violência por parceiro íntimo), os resultados positivos da escala são confirmados com maior frequência na avaliação clínica subsequente do que entre puérperas sem esses fatores. Considerando o desempenho de testes de triagem em populações com diferentes prevalências da condição, a explicação mais adequada para esse achado é Página 100 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) o valor preditivo positivo aumenta em populações com maior prevalência da condição. (alternativa B) a acurácia global do teste aumenta quando aplicado em populações de maior risco. (alternativa C) a proporção de falsos positivos aumenta porque a especificidade do teste diminui. (alternativa D) a proporção de resultados falso-negativos diminui porque há maior número de casos detectados. Resposta comentada: Gabarito oficial: O valor preditivo positivo aumenta em populações com maior prevalência da condição. Comentário técnico A escala de triagem apresenta sensibilidade e especificidade semelhantes em diferentes grupos. No entanto, entre puérperas com maior prevalência de depressão pós-parto (grupo de alto risco: história prévia de depressão, baixo apoio social, violência por parceiro), os resultados positivos da escala são confirmados com maior frequência na avaliação clínica subsequente. Essa observação reflete o conceito fundamentalde que o valor preditivo positivo (VPP) aumenta quando a prevalência da condição na população testada é maior, mesmo mantendo-se constantes a sensibilidade e a especificidade do teste. Em populações de maior risco, uma maior proporção dos testes positivos representa casos verdadeiros (verdadeiros positivos), reduzindo a proporção de falsos positivos. Análise das alternativas incorretas a acurácia global do teste aumenta quando aplicado em populações de maior risco. Incorreta. A acurácia global do teste (sensibilidade + especificidade) não se altera com a prevalência da condição. a proporção de falsos positivos aumenta porque a especificidade do teste diminui. Incorreta. A especificidade do teste permanece a mesma; o que muda é a proporção relativa de verdadeiros positivos versus falsos positivos. a proporção de resultados falso-negativos diminui porque há maior número de casos detectados. Incorreta. A proporção de falso-negativos relaciona-se com a sensibilidade do teste (que permanece constante), não diretamente com a prevalência. 92ª QUESTÃO Enunciado: Uma equipe de pesquisadores pretende avaliar a associação entre exposição ocupacional a agrotóxicos e desenvolvimento de sintomas neurológicos em trabalhadores rurais. No início da pesquisa, são incluídos 1.200 trabalhadores sem manifestações neurológicas, classificados conforme a intensidade da exposição estimada por entrevistas, registros de trabalho e biomarcadores. Os participantes são reavaliados anualmente durante cinco anos, e a ocorrência de novos sintomas neurológicos é comparada entre os grupos de maior e menor exposição. Considerando as características metodológicas descritas, o delineamento desse estudo é Página 101 de 112 Alternativas: (alternativa A) caso-controle aninhado em uma coorte ocupacional. (alternativa B) (CORRETA) coorte prospectiva segundo níveis de exposição ocupacional. (alternativa C) ensaio comunitário não randomizado com intervenção em grupos de trabalhadores. (alternativa D) estudo transversal analítico em população trabalhadora. Resposta comentada: Gabarito oficial: Coorte prospectiva segundo níveis de exposição ocupacional. Comentário técnico Os pesquisadores incluíram 1.200 trabalhadores sem manifestações neurológicas no início do estudo, classificaram-nos conforme o nível de exposição a agrotóxicos (entrevistas, registros e biomarcadores) e acompanharam-nos prospectivamente por cinco anos para comparar a ocorrência de novos sintomas neurológicos entre os grupos de maior e menor exposição. Esse delineamento corresponde a um estudo de coorte prospectiva, no qual a exposição é definida no início e os participantes são seguidos ao longo do tempo para avaliar a incidência do desfecho (sintomas neurológicos). Análise das alternativas incorretas caso-controle aninhado em uma coorte ocupacional. Incorreta. Um estudo caso-controle aninhado em coorte seleciona casos e controles dentro de uma coorte pré-existente; aqui não há seleção de casos e controles. ensaio comunitário não randomizado com intervenção em grupos de trabalhadores. Incorreta. Não há intervenção (ensaio comunitário), apenas observação da exposição natural e seguimento. estudo transversal analítico em população trabalhadora. Incorreta. Estudo transversal analítico avalia exposição e desfecho no mesmo momento temporal, sem seguimento prospectivo. 93ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 52 anos comparece à unidade básica de saúde para acompanhamento clínico. Em duas consultas realizadas com intervalo de 10 dias, apresentou pressão arterial de 148 × 94 mmHg e 152 × 92 mmHg, ambas aferidas com técnica adequada. A monitorização residencial da pressão arterial confirma hipertensão arterial sustentada. Nega sintomas cardiovasculares, diabetes mellitus, doença renal e tabagismo. A avaliação não identifica lesão de órgão-alvo, e a estratificação indica baixo risco cardiovascular. Relata consumo frequente de alimentos ultraprocessados e não pratica atividade física regularmente. Considerando o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hipertensão Arterial Sistêmica, a conduta inicial mais adequada é Página 102 de 112 Alternativas: (alternativa A) solicitar monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) antes de instituir qualquer tratamento. (alternativa B) (CORRETA) iniciar mudanças do estilo de vida associadas a tratamento anti-hipertensivo em monoterapia. (alternativa C) orientar mudanças do estilo de vida e reavaliar antes de iniciar tratamento medicamentoso. (alternativa D) iniciar associação de dois anti-hipertensivos e programar reavaliação clínica em curto prazo. Resposta comentada: Gabarito oficial: Iniciar mudanças do estilo de vida associadas a tratamento anti-hipertensivo em monoterapia. Comentário técnico Homem de 52 anos com hipertensão arterial grau 1 confirmada em duas consultas (PA 148 × 94 mmHg e 152 × 92 mmHg), sem lesão de órgão-alvo e com baixo risco cardiovascular, mas com hábitos de vida inadequados (alimentos ultraprocessados e sedentarismo). De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hipertensão Arterial Sistêmica (Ministério da Saúde), para HAS grau 1 confirmada, a conduta inicial recomendada é o início de mudanças de estilo de vida associadas a tratamento farmacológico em monoterapia (ex.: inibidor da ECA, BRA, diurético tiazídico ou bloqueador de canal de cálcio). O tratamento medicamentoso precoce visa reduzir o risco cardiovascular, mesmo em pacientes de baixo risco. Análise das alternativas incorretas solicitar monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) antes de instituir qualquer tratamento. Incorreta. MAPA é útil em casos de suspeita de hipertensão do avental branco, mas não é obrigatória antes de iniciar tratamento em HAS grau 1 confirmada. orientar mudanças do estilo de vida e reavaliar antes de iniciar tratamento medicamentoso. Incorreta. Apenas mudanças de estilo de vida com reavaliação é conduta mais adequada para casos limítrofes ou suspeita de hipertensão do avental branco, não para HAS grau 1 confirmada. iniciar associação de dois anti-hipertensivos e programar reavaliação clínica em curto prazo. Incorreta. Associação de dois anti-hipertensivos é indicada em HAS grau 2 ou com risco cardiovascular alto/lesão de órgão-alvo. 94ª QUESTÃO Página 103 de 112 Enunciado: Homem de 46 anos procura o pronto atendimento por dor abdominal há 18 horas, inicialmente difusa e depois mais intensa em fossa ilíaca direita. Refere náuseas, um episódio de vômito e calafrios. A equipe de triagem considera hipótese inicial de apendicite aguda. Durante a avaliação, o paciente relata que a dor também irradia para região lombar direita e virilha, em cólicas, associada a ardor ao urinar. Ao exame, apresenta pressão arterial de 92 × 58 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm, frequência respiratória de 24 irpm, temperatura de 38,7 ºC e saturação de O₂ de 96% em ar ambiente. O abdome é doloroso em fossa ilíaca direita, sem rigidez difusa. Há dor à punho-percussão lombar direita. Os exames laboratoriais mostram leucócitos de 18.900/mm³, creatinina de 1,8 mg/dL e lactato de 3,2 mmol/L. A urina tipo 1 evidencia leucocitúria, bacteriúria e hematúria. A tomografia de abdome e pelve mostra cálculo de 8 mm no ureter proximal direito, com hidronefrose ipsilateral e apêndice sem alterações. Considerando a principal hipótese diagnóstica, a conduta prioritária é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) realizar drenagem da via urinária obstruída e iniciar tratamento antimicrobiano. (alternativa B) manter observação cirúrgica e repetir imagem abdominal após estabilização clínica. (alternativa C) prescrever analgesia, alfabloqueador e antibioticoterapia oral com retorno precoce. (alternativa D) programar ureterolitotripsia eletiva após resolução espontânea do quadro infeccioso. Resposta comentada: Gabarito oficial: Realizar drenagem da via urinária obstruída e iniciar tratamento antimicrobiano. Comentário técnico O paciente apresenta quadro de pielonefrite obstrutiva (infecção do tratourinário alto associada à obstrução por cálculo ureteral proximal com hidronefrose ipsilateral). Achados que sustentam o diagnóstico: Dor tipo cólica com irradiação para lombar e virilha. Febre, taquicardia, hipotensão e lactato elevado (sugestivo de sepse). Leucocitúria, bacteriúria e hematúria na urina tipo 1. Tomografia confirmando cálculo de 8 mm com hidronefrose. Em pielonefrite obstrutiva, a drenagem urgente da via urinária (preferencialmente cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) associada a antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro é a conduta prioritária. A obstrução impede a drenagem adequada do foco infeccioso, aumentando o risco de urosepse e choque séptico. Análise das alternativas incorretas manter observação cirúrgica e repetir imagem abdominal após estabilização clínica. Incorreta. Observação cirúrgica sem desobstrução da via urinária é inadequada e perigosa em vigência de infecção obstrutiva. prescrever analgesia, alfabloqueador e antibioticoterapia oral com retorno precoce. Incorreta. Tratamento ambulatorial com antibioticoterapia oral é contraindicado em paciente com sinais de sepse e obstrução. programar ureterolitotripsia eletiva após resolução espontânea do quadro infeccioso. Incorreta. Litotripsia eletiva não tem papel no manejo agudo de infecção obstrutiva. A prioridade é a drenagem e controle da infecção. 95ª QUESTÃO Página 104 de 112 Enunciado: Homem de 72 anos, com diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica de longa data, foi internado com pneumonia adquirida na comunidade. As doenças preexistentes agravaram sua condição clínica, e o paciente evoluiu com sepse de foco pulmonar, choque séptico refratário e óbito após 48 horas. Considerando o preenchimento das Partes I e II da Declaração de Óbito, a opção mais adequada é Alternativas: (alternativa A) Parte I: a) parada cardiorrespiratória; b) choque séptico; c) sepse de foco pulmonar; d) pneumonia adquirida na comunidade. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. (alternativa B) (CORRETA) Parte I: a) choque séptico; b) sepse de foco pulmonar; c) pneumonia adquirida na comunidade. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. (alternativa C) Parte I: a) pneumonia adquirida na comunidade; b) sepse de foco pulmonar; c) choque séptico. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. (alternativa D) Parte I: a) choque séptico; b) pneumonia adquirida na comunidade; c) diabetes mellitus tipo 2. Parte II: sepse de foco pulmonar e hipertensão arterial sistêmica. Página 105 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Parte I: a) choque séptico; b) sepse de foco pulmonar; c) pneumonia adquirida na comunidade. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. Justificativa do gabarito: A alternativa apresenta a sequência causal mais adequada. Na Parte I da Declaração de Óbito, deve-se registrar na linha a a causa terminal ou imediata, nas linhas subsequentes as causas intermediárias, e na última linha preenchida a causa básica que iniciou a cadeia de eventos. Nesse caso, a causa terminal é choque séptico, a causa intermediária é sepse de foco pulmonar e a causa básica é pneumonia comunitária. Diabetes mellitus e hipertensão arterial devem ser registrados na Parte II, como condições contribuintes, sem integrar diretamente a cadeia causal principal. O Ministério da Saúde orienta que a DO seja preenchida com a sequência de eventos mórbidos que levou ao óbito e que a causa básica seja a doença ou circunstância que iniciou essa sucessão de eventos. O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) segue o Manual de Instruções para o Preenchimento da Declaração de Óbito do Ministério da Saúde (SVS) e as recomendações da OMS. Estrutura da Parte I (cadeia causal): Linha a: Causa imediata (aquela que produziu diretamente a morte). Linha b: Causa antecedente (que produziu a causa imediata). Linha c: Causa básica (doença inicial que desencadeou toda a cadeia). Parte II: Outras condições significativas que contribuíram para o óbito, mas não fazem parte da cadeia causal direta. Aplicação ao caso: Causa imediata → choque séptico (refratário). Causa antecedente → sepse de foco pulmonar. Causa básica → pneumonia comunitária (doença que iniciou o processo). Parte II → Diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica (comorbidades relevantes, mas não iniciaram a cadeia fatal). Análise das alternativas incorretas Parte I: a) parada cardiorrespiratória; b) choque séptico; c) sepse de foco pulmonar; d) pneumonia adquirida na comunidade. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. Incorreta. Parada cardiorrespiratória é o mecanismo terminal e não deve ser listado na Parte I como causa básica. Parte I: a) pneumonia adquirida na comunidade; b) sepse de foco pulmonar; c) choque séptico. Parte II: diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. Incorreta. A ordem da cadeia causal está invertida (pneumonia é a causa básica, não a intermediária). Parte I: a) choque séptico; b) pneumonia adquirida na comunidade; c) diabetes mellitus tipo 2. Parte II: sepse de foco pulmonar e hipertensão arterial sistêmica. Incorreta. Diabetes e hipertensão são causas contribuintes (Parte II), não causa básica. 96ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 39 anos procura atendimento ambulatorial por episódios recorrentes de cefaleia há oito anos. Nos últimos seis meses, passou a apresentar de cinco a seis dias de dor por mês, com prejuízo frequente das atividades profissionais. As crises duram de 12 a 24 horas, são pulsáteis, unilaterais e acompanhadas de náuseas, fotofobia e fonofobia. Nega sintomas neurológicos focais antes ou durante os episódios. Refere resposta parcial ao uso de sumatriptana nas crises. Apresenta dificuldade persistente para iniciar o sono e desperta várias vezes durante a noite. Tem asma, com necessidade eventual de broncodilatador. Refere desejo de engravidar no próximo ano. Diante da frequência das crises e das condições clínicas associadas, o medicamento mais adequado para iniciar a profilaxia da cefaleia é Página 106 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) amitriptilina. (alternativa B) propranolol. (alternativa C) candesartana. (alternativa D) valproato de sódio. Resposta comentada: Gabarito oficial: Amitriptilina. Comentário técnico Mulher de 39 anos com enxaqueca crônica (5–6 dias de dor por mês), resposta parcial a triptanos, insônia e planejamento de gravidez no próximo ano. Apresenta asma controlada. A amitriptilina é o medicamento mais adequado para iniciar a profilaxia da enxaqueca nesse contexto: Eficaz na redução da frequência e intensidade das crises. Benefício adicional sobre a insônia (efeito sedativo). Relativamente seguro no planejamento de gravidez (categoria C, amplamente usado com cautela). Não contraindicado na asma. Análise das alternativas incorretas propranolol. Incorreta. Propranolol é contraindicado em pacientes com asma (risco de broncoespasmo). candesartana. Incorreta. Candesartana é uma opção de segunda linha, mas não tem efeito sobre a insônia e não é primeira escolha. valproato de sódio. Incorreta. Valproato de sódio é teratogênico (alto risco de malformações fetais e atraso no desenvolvimento) e deve ser evitado em mulheres em idade fértil que planejam engravidar. 97ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 61 anos, em acompanhamento por insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, solicita atendimento remoto para discutir exames recentes e renovar medicações de uso contínuo. A teleconsulta é realizada por videoconferência. Após confirmar a identidade do paciente, o médico investiga sintomas, revisa os exames previamente enviados e ajusta a dose do diurético. O atendimento e a conduta são registrados no prontuário eletrônico. Ao final, o médico preenche uma receita em papel, assina-a manualmente, digitaliza o documento e o envia ao paciente por canal eletrônico institucional. Considerando as normas aplicáveis à telemedicina,o principal erro nessa situação foi Página 107 de 112 Alternativas: (alternativa A) ajustar a dose do diurético sem realizar previamente exame físico presencial. (alternativa B) realizar o seguimento especializado sem teleinterconsulta com médico da Atenção Primária. (alternativa C) (CORRETA) enviar cópia digitalizada de receita manuscrita sem assinatura digital válida. (alternativa D) encaminhar a prescrição por canal eletrônico institucional. Resposta comentada: Gabarito oficial: enviar cópia digitalizada de receita manuscrita sem assinatura digital válida. A questão está alinhada às normas vigentes do Conselho Federal de Medicina: Resolução CFM nº 2.314/2022 (Telemedicina) — Art. 13: Exige que prescrições emitidas à distância sejam documentos com assinatura digital certificada (padrão ICP-Brasil). Resolução CFM nº 2.299/2021 (Documentos Médicos Eletrônicos): Define os requisitos de autenticidade, integridade, irrefutabilidade e rastreabilidade para prescrições digitais. Plataforma oficial do CFM (prescricaoeletronica.cfm.org.br) reforça a obrigatoriedade de assinatura digital qualificada. enviar cópia digitalizada de receita manuscrita sem assinatura digital válida. — Correta. O erro foi emitir a prescrição como fotografia de um receituário físico assinado manualmente. Esse procedimento não equivale, por si só, a uma prescrição digital válida. Em telemedicina, documentos médicos emitidos a distância devem garantir autenticidade, integridade, identificação do médico e validade jurídica, com assinatura digital ou eletrônica aceita pela norma aplicável. ajustar a dose do diurético sem realizar previamente exame físico presencial. — Incorreta. O ajuste da dose do diurético em teleconsulta não é, por si só, irregular. Em paciente conhecido, clinicamente estável, com exames disponíveis e sem sintomas de alarme, o médico pode realizar ajuste terapêutico remoto, desde que considere a conduta segura e registre adequadamente sua avaliação. O erro da situação não foi a ausência de aferição presencial de sinais vitais, mas a documentação inadequada e a forma irregular de emissão da prescrição. realizar o seguimento especializado sem teleinterconsulta com médico da Atenção Primária. — Incorreta. A telemedicina pode ser utilizada em seguimento especializado, não havendo exigência geral de interconsulta prévia com médico da Atenção Primária do município de origem do paciente. A articulação com a rede local pode ser desejável em alguns casos, especialmente diante de instabilidade clínica ou necessidade de cuidado presencial, mas não é requisito obrigatório para a validade da teleconsulta especializada. encaminhar a prescrição por canal eletrônico institucional. — Incorreta. O uso de canal eletrônico do ambulatório para envio de documentos não é, isoladamente, o problema. A questão central é se o documento emitido cumpre os requisitos de segurança, autenticidade, integridade e validade jurídica. Não há exigência de que documentos decorrentes de teleconsulta sejam entregues apenas por sistema público oficial. O erro foi enviar uma fotografia de prescrição manuscrita como se fosse documento digital válido. 98ª QUESTÃO Página 108 de 112 Enunciado: Gestante de 25 anos, G1P0, comparece à UBS para a primeira consulta de pré-natal. Refere data da última menstruação compatível com 9 semanas e 5 dias de gestação. Nega sangramento vaginal, dor pélvica, febre, disúria, corrimento vaginal, perda de líquido ou doenças prévias. Não usa medicamentos contínuos e não realizou exames nesta gestação. Ao exame, apresenta pressão arterial de 104 × 66 mmHg, frequência cardíaca de 80 bpm, IMC de 23 kg/m² e exame físico sem alterações relevantes. Considerando a idade gestacional e os dados clínicos apresentados, a solicitação inicial mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) hemograma, tipagem sanguínea/Rh, glicemia de jejum, sorologias, urina tipo 1 e urocultura. (alternativa B) hemograma, tipagem sanguínea/Rh, sorologias, TOTG 75 g, cardiotocografia e urocultura. (alternativa C) hemograma, glicemia de jejum, sorologias, ultrassonografia morfológica e estreptococo B. (alternativa D) hemograma, sorologias, coagulograma, função renal, proteinúria de 24 horas e Doppler. Resposta comentada: Gabarito oficial: hemograma, tipagem sanguínea/Rh, glicemia de jejum, sorologias, urina tipo 1 e urocultura. Gestante primigesta com 9 semanas e 5 dias, sem fatores de risco ou intercorrências, em primeira consulta de pré-natal. De acordo com o Protocolo de Pré-Natal do Ministério da Saúde (Caderno de Atenção Básica) e diretrizes da FEBRASGO, a solicitação laboratorial inicial deve incluir: Hemograma completo (rastreio de anemia). Tipagem sanguínea e fator Rh (prevenção de isoimunização). Glicemia de jejum (rastreio inicial de diabetes mellitus). Sorologias: HIV, sífilis (VDRL), hepatite B (HBsAg), rubéola (se não vacinada) e, conforme contexto, toxoplasmose e hepatite C. Urina tipo 1 + urocultura (rastreio de infecção urinária assintomática, comum e importante na gestação). Essa solicitação inicial permite o rastreamento precoce de condições que podem impactar o desfecho materno-fetal. Análise das alternativas incorretas hemograma, tipagem sanguínea/Rh, sorologias, TOTG 75 g, cardiotocografia e urocultura. Incorreta. O TOTG 75g deve ser realizado entre 24–28 semanas. Cardiotocografia não tem indicação neste momento gestacional. hemograma, glicemia de jejum, sorologias, ultrassonografia morfológica e estreptococo B. Incorreta. A ultrassonografia morfológica é indicada entre 18–22 semanas. O rastreio de estreptococo do grupo B (Streptococcus agalactiae) é feito entre 35–37 semanas. hemograma, sorologias, coagulograma, função renal, proteinúria de 24 horas e Doppler. Incorreta. Coagulograma, função renal, proteinúria de 24 horas e Doppler não são exames de rotina na primeira consulta de uma gestante de baixo risco. Esses exames são reservados para situações específicas (hipertensão, suspeita de pré-eclâmpsia, etc.). 99ª QUESTÃO Página 109 de 112 Enunciado: Mulher de 72 anos comparece à UBS por episódios de tontura há 1 semana. Descreve sensação de que “o quarto gira”, com duração de menos de 1 minuto, desencadeada ao virar-se na cama para o lado direito ou ao inclinar a cabeça para pegar objetos em prateleira. Nega perda de consciência, dor torácica, palpitações, dispneia, cefaleia súbita, diplopia, disartria, fraqueza, alteração de sensibilidade ou dificuldade para caminhar. Ao exame, apresenta pressão arterial de 132 × 78 mmHg em posição sentada e 128 × 76 mmHg em ortostatismo, frequência cardíaca de 76 bpm e ritmo regular. O exame neurológico é normal, sem nistagmo espontâneo, ataxia ou déficit focal. A manobra posicional reproduz vertigem breve, acompanhada de nistagmo transitório, com resolução espontânea. Considerando os achados clínicos e semiológicos, a conduta inicial mais adequada na APS é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) realizar manobra de reposicionamento canalicular na consulta. (alternativa B) prescrever antivertiginoso por curto prazo e observar evolução ambulatorial. (alternativa C) solicitar avaliação neurológica por suspeita de insuficiência vertebrobasilar. (alternativa D) solicitar eletrocardiograma e investigar possível arritmia como causa da tontura. Página 110 de 112 Resposta comentada: Gabarito: realizar manobra de reposicionamento canalicular na consulta. O quadro é típico de vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): episódios breves, com duração inferior a 1 minuto; desencadeados por mudanças específicas da posição da cabeça; ausência de sintomas neurológicos focais; exame neurológico normal; reprodução da vertigem com nistagmo transitório em manobra posicional. Nesse contexto, a conduta inicial recomendada é realizar uma manobra de reposicionamento canalicular, como a manobra de Epley quando o canal posterior está envolvido. Diretrizes recomendam oferecer essa intervenção já na apresentação inicial, inclusive na Atenção Primária. Análise dasalternativas realizar manobra de reposicionamento canalicular na consulta. — correta. A manobra de reposicionamento trata diretamente o mecanismo da VPPB, promovendo o deslocamento das otocônias para fora do canal semicircular acometido. prescrever antivertiginoso por curto prazo e observar evolução ambulatorial. — incorreta. Antivertiginosos não corrigem a causa da VPPB e não devem ser utilizados rotineiramente como tratamento principal. Podem ser considerados excepcionalmente para náuseas intensas, mas são inferiores à manobra de reposicionamento e podem causar sedação e aumentar o risco de quedas em idosos. solicitar avaliação neurológica por suspeita de insuficiência vertebrobasilar. — incorreta. Insuficiência vertebrobasilar seria mais preocupante diante de déficits neurológicos, diplopia, disartria, ataxia, fraqueza, alteração sensitiva ou vertigem não compatível com padrão posicional periférico. O enunciado exclui esses sinais. solicitar eletrocardiograma e investigar possível arritmia como causa da tontura. — incorreta. Arritmias podem causar tontura, pré-síncope ou síncope, mas não explicam vertigem rotatória breve desencadeada por movimentos cefálicos e acompanhada de nistagmo posicional. Os sinais vitais e o ritmo cardíaco também estão normais. 100ª QUESTÃO Enunciado: Recém-nascido a termo nasce após parto vaginal, com líquido amniótico claro. Ao nascer, apresenta-se hipotônico, em apneia e com frequência cardíaca de 70 batimentos por minuto. São realizadas as medidas iniciais de reanimação. Como permanece em apneia, inicia-se ventilação com pressão positiva. Após correção da técnica e 30 segundos de ventilação efetiva, com movimentação torácica visível, a frequência cardíaca é de 50 batimentos por minuto. O recém-nascido é intubado, inicia-se ventilação com oxigênio a 100% e são realizadas compressões torácicas coordenadas à ventilação. Após 60 segundos dessas medidas efetivas, a frequência cardíaca permanece em 48 batimentos por minuto. A próxima conduta mais adequada é Página 111 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) administrar adrenalina por cateter venoso umbilical. (alternativa B) manter compressões e ventilação por mais 30 segundos antes de medicar. (alternativa C) reposicionar a cânula traqueal e reavaliar a frequência cardíaca antes de medicar. (alternativa D) administrar expansor de volume por via intravenosa. Resposta comentada: Gabarito oficial: Administrar adrenalina por cateter venoso umbilical. Comentário técnico Recém-nascido a termo com depressão ao nascer (hipotonia, apneia, FC inicial 70 bpm). Após medidas iniciais e ventilação efetiva (com intubação e oxigênio a 100%), a FC cai para 50 bpm. Após 60 segundos de compressões torácicas coordenadas com ventilação efetiva, a FC permanece em 48 bpm (e manejo da condição febril. (alternativa B) convulsão febril simples, com eletroencefalograma ambulatorial de rotina. (alternativa C) convulsão febril simples, com anticonvulsivante contínuo preventivo. (alternativa D) convulsão febril complexa, com encaminhamento para avaliação neuropediátrica. Página 10 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Convulsão febril simples, com orientação familiar e manejo da condição febril. Comentário técnico Menino de 18 meses com convulsão tônico-clônica generalizada durante quadro febril (infecção viral de vias aéreas superiores). Duração de 6 minutos, única no período de 24 horas, recuperação completa e exame neurológico normal. Esse episódio é classificado como convulsão febril simples (idade entre 6 meses e 5 anos, duraçãoconduta inicial mais adequada em suspeita de abdome agudo cirúrgico (apendicite) é o acionamento imediato da equipe cirúrgica para avaliação, confirmação diagnóstica e intervenção oportuna (apendicectomia). Exames complementares (USG ou TC) podem ser solicitados, mas não devem atrasar a avaliação cirúrgica em quadro típico. Análise das alternativas incorretas solicitar ultrassonografia abdominal. Incorreta. Ultrassonografia abdominal pode ser auxiliar, mas não deve atrasar a avaliação cirúrgica em quadro clínico altamente sugestivo. administrar analgesia e reavaliar. Incorreta. Administração isolada de analgesia pode mascarar o quadro e retardar o diagnóstico e tratamento cirúrgico. iniciar antibiótico e solicitar tomografia abdominal. Incorreta. Antibioticoterapia e tomografia são úteis em casos selecionados, mas a prioridade é a avaliação cirúrgica urgente. 14ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 29 anos, acompanhado pela equipe da Estratégia Saúde da Família por transtorno psicótico prévio, recebe visita domiciliar após solicitação da mãe, que relata piora do comportamento nos últimos dias. Segundo ela, o paciente suspendeu os medicamentos há cerca de 3 semanas, passou a dormir pouco, mantém-se isolado no quarto e afirma que vizinhos estão monitorando a casa. Também passou a recusar alimentos preparados pela família, dizendo não confiar neles. Durante a visita, encontra- se inquieto, fala em tom elevado e demonstra desconfiança em relação à equipe. Afirma que “não vai esperar ser atacado” e se recusa a conversar em local mais reservado. A mãe relata que, naquela manhã, ele discutiu com familiares, danificou objetos da casa e foi visto manuseando uma faca na cozinha. No momento, não aceita medicação nem permite avaliação clínica completa. Não há relato de uso recente de álcool ou outras drogas. Nesse caso, a conduta médica mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) acionar SAMU/rede de urgência para manejo imediato e transporte seguro. (alternativa B) agendar consulta no CAPS e orientar a família a supervisionar o uso das medicações. (alternativa C) acionar o CAPS de referência para visita compartilhada e pactuação de plano terapêutico. (alternativa D) orientar a família a retirar objetos perfurocortantes e aguardar a equipe de referência. Página 14 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Acionar SAMU/rede de urgência para manejo imediato e transporte seguro. Comentário técnico Paciente com transtorno psicótico prévio em descompensação aguda grave caracterizada por: Suspensão de medicação. Insônia, delírios persecutórios (“vizinhos monitorando”, medo de envenenamento). Agitação psicomotora, fala elevada, desconfiança e comportamento ameaçador. Manuseio de faca e risco concreto de heteroagressão. Esse quadro configura situação de urgência psiquiátrica com risco iminente de violência, exigindo intervenção imediata da rede de urgência/emergência em saúde mental (SAMU ou serviço especializado). A conduta inclui avaliação para possível internação involuntária (Lei nº 10.216/2001), com laudo médico e comunicação ao Ministério Público. Análise das alternativas incorretas agendar consulta no CAPS e orientar a família a supervisionar o uso das medicações. Incorreta. Agendamento eletivo no CAPS é inadequado para descompensação aguda com risco de agressão. acionar o CAPS de referência para visita compartilhada e pactuação de plano terapêutico. Incorreta. Visita compartilhada do CAPS é útil em situações estáveis, mas não substitui a resposta urgente diante de risco iminente de violência. orientar a família a retirar objetos perfurocortantes e aguardar a equipe de referência. Incorreta. Orientar a família a retirar objetos perfurocortantes é uma medida de segurança complementar, mas insuficiente como conduta principal. O paciente necessita de avaliação e manejo profissional imediato. 15ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 78 anos procura o Pronto Atendimento por dor abdominal há 12 horas, associada a náuseas e dois episódios de vômitos. Refere que, há cerca de 2 anos, percebe abaulamento intermitente na região inguinal direita, que variava de tamanho ao longo do dia, especialmente após esforço físico. Nas últimas horas, o abaulamento tornou-se doloroso e não reduziu com decúbito. Nega febre, disúria ou sangramento vaginal. Ao exame, apresenta pressão arterial de 138 × 82 mmHg, frequência cardíaca de 104 bpm, temperatura de 37,4 ºC e mucosas levemente secas. O abdome está distendido, doloroso à palpação difusa, sem rigidez generalizada. A ausculta abdominal mostra ruídos hidroaéreos aumentados. Na região inguinal direita, observa-se abaulamento doloroso, tenso, não redutível, sem hiperemia cutânea. O toque retal não mostra sangue ou massas. Considerando o quadro clínico apresentado, a etiologia mais provável do abdome agudo é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) hérnia da região inguinofemoral encarcerada com obstrução intestinal. (alternativa B) apendicite aguda com plastrão inflamatório em fossa ilíaca direita. (alternativa C) neoplasia de cólon direito com suboclusão intestinal aguda. (alternativa D) linfonodomegalia inguinal dolorosa por infecção de partes moles. Página 15 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: Hérnia da região inguinofemoral encarcerada com obstrução intestinal. Comentário técnico Idosa com história prévia de abaulamento inguinal direito intermitente (hérnia redutível) que evoluiu para irreducibilidade, dor local intensa e quadro de abdome agudo obstrutivo (dor abdominal, náuseas, vômitos, distensão abdominal e ruídos hidroaéreos aumentados). O achado de abaulamento inguinal direito tenso, doloroso e não redutível, associado a sinais de obstrução intestinal, é altamente sugestivo de hérnia inguinal ou femoral encarcerada com obstrução intestinal. Em mulheres idosas, as hérnias femorais são particularmente propensas a encarceramento e estrangulamento. A conduta inicial deve incluir estabilização, analgesia, antibioticoterapia (se houver sinais de isquemia/peritonite) e encaminhamento cirúrgico urgente para exploração e redução/desobstrução. Análise das alternativas incorretas apendicite aguda com plastrão inflamatório em fossa ilíaca direita. Incorreta. Apendicite aguda tipicamente cursa com dor migratória para fossa ilíaca direita, sem abaulamento inguinal prévio ou sinais de obstrução intestinal franco. neoplasia de cólon direito com suboclusão intestinal aguda. Incorreta. Neoplasia de cólon pode causar suboclusão intestinal, mas não explica o abaulamento inguinal tenso e não redutível. linfonodomegalia inguinal dolorosa por infecção de partes moles. Incorreta. Infecção de partes moles ou linfonodomegalia inguinal não causa obstrução intestinal, distensão abdominal ou ruídos hidroaéreos aumentados. 16ª QUESTÃO Enunciado: Gestante de 27 anos, G2P1, comparece ao ambulatório de Ginecologia e Obstetrícia para consulta agendada. Refere estar bem, sem contrações regulares, perda de líquido, sangramento vaginal, cefaleia, escotomas ou dor epigástrica. Informa boa movimentação fetal. A idade gestacional é de 42 semanas e 0 dias, confirmada por ultrassonografia realizada no primeiro trimestre. Ao exame, apresenta pressão arterial de 112 × 70 mmHg, frequência cardíaca de 84 bpm, temperatura axilar de 36,6 °C e altura uterina compatível com a idade gestacional. O feto está em apresentação cefálica, com batimentos cardíacos fetais de 142 bpm. O colo uterino está posterior, dilatado 1 cm, 30% apagado e apresentação alta. A cardiotocografia é reativa, e a ultrassonografia obstétrica mostra líquido amniótico em quantidade normal, placenta sem sinais de descolamento e peso fetal estimado no percentil 45. Com base nos dados clínicos e obstétricos apresentados, a conduta mais adequada é Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) internar para indução do parto, iniciando preparo cervical devido ao colo desfavorável. (alternativa B) manter vigilância semanal intensificada, aguardando trabalho de parto espontâneo. (alternativa C) indicar cesarianaeletiva imediata, devido à idade gestacional de 42 semanas. (alternativa D) realizar cardiotocografia seriada e reavaliar interrupção da gestação em 48 horas. Página 16 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: internar para indução do parto, iniciando preparo cervical devido ao colo desfavorável. Comentário técnico Gestante a 42 semanas e 0 dias (pós-termo), com confirmação ultrassonográfica do primeiro trimestre, sem sinais de sofrimento fetal (CTG reativa, movimentação fetal boa, líquido amniótico normal) e sem intercorrências maternas (PA normal, sem sinais de pré- eclâmpsia). O colo uterino é desfavorável (Bishop baixo), mas isso não contraindica a indução. De acordo com as diretrizes da FEBRASGO, Ministério da Saúde e ACOG: A gestação pós-termo (≥ 42 semanas) está associada a maior risco de morte fetal, aspiração de mecônio, macrossomia e cesariana de urgência. A indução do parto é a conduta recomendada a partir de 41 semanas e fortemente indicada aos 42 semanas, mesmo com colo desfavorável (pode-se utilizar misoprostol, dinoprostona ou ocitocina após preparo cervical). A cesariana eletiva não é indicada apenas pela idade gestacional quando a indução é viável. O manejo ambulatorial expectante ou orientações passivas aumentam o risco perinatal e não são recomendados nesse momento. Análise das alternativas incorretas manter vigilância semanal intensificada, aguardando trabalho de parto espontâneo. Incorreta. Embora vigilância intensificada possa ser considerada entre 41 e 42 semanas em casos selecionados, com 42 semanas a indução é a conduta de escolha. indicar cesariana eletiva imediata, devido à idade gestacional de 42 semanas. Incorreta. A cesariana eletiva não é indicada rotineiramente em gestação pós-termo sem outras complicações. A indução é a primeira linha sempre que possível. realizar cardiotocografia seriada e reavaliar interrupção da gestação em 48 horas. Incorreta. Cardiotocografia seriada e reavaliação em 48 horas podem parecer conduta prudente, mas representam adiamento desnecessário da interrupção. Com 42 semanas completas, a conduta mais adequada é indução do parto. 17ª QUESTÃO Enunciado: Em uma Unidade de Saúde da Família, um homem de 78 anos, lúcido, orientado e capaz de manifestar sua vontade, em acompanhamento por hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2 e doença renal crônica, comparece à consulta de rotina. Ao final do atendimento, sua filha informa que está reunindo documentos para uma avaliação previdenciária. Com autorização expressa do paciente, ela solicita um documento com as informações clínicas pertinentes. O paciente pergunta se o prontuário original poderá ser retirado da unidade para essa finalidade. Considerando a finalidade do documento e as normas éticas e legais sobre acesso, sigilo e guarda do prontuário, a conduta mais adequada é Página 17 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) elaborar relatório médico com as informações pertinentes à avaliação previdenciária, entregá-lo à filha autorizada e esclarecer que o prontuário original permanecerá sob guarda da unidade. (alternativa B) entregar o prontuário original à filha autorizada, mediante registro da retirada e compromisso de devolução após a avaliação previdenciária. (alternativa C) elaborar relatório médico, mas entregá-lo exclusivamente ao paciente, pois a autorização expressa não permite o recebimento do documento por familiar. (alternativa D) encaminhar cópia integral do prontuário diretamente à instituição previdenciária, considerando que a autorização concedida à filha também permite o compartilhamento com terceiros. Página 18 de 112 Resposta comentada: Gabarito oficial: elaborar relatório médico com as informações pertinentes à avaliação previdenciária, entregá-lo à filha autorizada e esclarecer que o prontuário original permanecerá sob guarda da unidade. Justificativa do gabarito: A alternativa é a mais adequada porque respeita a autorização do paciente, atende à finalidade declarada, evita exposição desnecessária de dados sensíveis e mantém o prontuário original sob guarda da unidade. Para avaliação previdenciária, o relatório médico com informações pertinentes costuma ser suficiente e reduz o compartilhamento indevido de dados não relacionados à finalidade informada. A conduta mais adequada está alinhada ao Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018), especialmente: Art. 87: Obrigatoriedade de elaborar prontuário legível. Art. 88: Direito do paciente (ou representante legal) ao acesso ao prontuário e a cópias, com explicações necessárias. § 2º do Art. 87: O prontuário está sob a guarda do médico ou da instituição que assiste o paciente (propriedade institucional, não do paciente). Art. 89: Liberação de cópias do prontuário somente com autorização escrita do paciente (ou ordem judicial). Além disso, segue: LGPD (Lei nº 13.709/2018) — Princípios da finalidade, adequação, necessidade e minimização de dados. Recomendações CFM e normas do SUS para atendimentos na Atenção Primária: para fins previdenciários (INSS), o padrão é elaborar relatório médico específico (laudo ou relatório circunstanciado), contendo apenas as informações pertinentes, e não entregar o prontuário integral ou original. Justificativas das alternativas incorretas: entregar o prontuário original à filha autorizada, mediante registro da retirada e compromisso de devolução após a avaliação previdenciária. Incorreta. Mesmo havendo concordância do paciente, a consulta ao prontuário original não deve ocorrer em ambiente que exponha informações sensíveis ou comprometa a guarda institucional do documento. elaborar relatório médico, mas entregá-lo exclusivamente ao paciente, pois a autorização expressa não permite o recebimento do documento por familiar. Incorreta. O sigilo não impede que o paciente capaz autorize familiar a receber informações. A restrição absoluta desconsidera a autonomia do paciente. encaminhar cópia integral do prontuário diretamente à instituição previdenciária, considerando que a autorização concedida à filha também permite o compartilhamento com terceiros. Incorreta. O paciente pode solicitar cópia do prontuário, inclusive para entrega a terceiro autorizado, mas a alternativa propõe cópia integral à filha sem delimitar finalidade, formalização e pertinência das informações compartilhadas. 18ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 39 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para aconselhamento contraceptivo. Está em tratamento por câncer de mama receptor hormonal positivo e utiliza tamoxifeno. Apresenta sangramento menstrual aumentado, anemia ferropriva recorrente e mioma submucoso com distorção da cavidade uterina. Tem dois filhos e procura um método contraceptivo de elevada eficácia. A orientação mais adequada é Página 19 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) oferecer método de barreira enquanto discute contracepção definitiva. (alternativa B) corrigir a anemia e inserir dispositivo intrauterino de cobre. (alternativa C) controlar o sangramento com sistema intrauterino de levonorgestrel. (alternativa D) prescrever contraceptivo contendo apenas progestagênio. Resposta comentada: Gabarito oficial: Oferecer método de barreira enquanto discute contracepção definitiva. Comentário técnico Mulher de 39 anos com câncer de mama receptor hormonal positivo em uso de tamoxifeno (aumenta risco de hiperplasia e câncer de endométrio), mioma submucoso com distorção da cavidade uterina, sangramento aumentado e anemia ferropriva recorrente. Tem dois filhos e não deseja mais gestações. Conduta mais adequada: Métodos hormonais combinados são contraindicados. DIU de cobre pode piorar o sangramento. SIU-LNG (Mirena) é útil para controle de sangramento, mas a distorção da cavidade uterina representa contraindicação relativa (risco de expulsão, inserção difícil e perfuração). Contracepção definitiva (laqueadura tubária ou vasectomia) é a opção mais segura e definitiva. Enquanto se discute e programa o procedimento, método de barreira (preservativo)é a escolha temporária mais adequada. Análise das alternativas incorretas corrigir a anemia e inserir dispositivo intrauterino de cobre. Incorreta. DIU de cobre pode piorar significativamente o sangramento uterino em paciente com mioma submucoso e anemia. controlar o sangramento com sistema intrauterino de levonorgestrel. Incorreta. Embora o SIU-LNG seja útil no controle de sangramento, a distorção da cavidade uterina torna o método desfavorável. prescrever contraceptivo contendo apenas progestagênio. Incorreta. Contraceptivo contendo apenas progestagênio pode ser considerado, mas não é a melhor opção em paciente com câncer de mama RH+ e distorção da cavidade. 19ª QUESTÃO Enunciado: Multípara de 35 anos, com gestação de 39 semanas e diabetes mellitus gestacional controlado com dieta, é admitida em trabalho de parto espontâneo. Durante o período expulsivo, ocorre o desprendimento da cabeça fetal. Em seguida, observa-se retração da cabeça contra o períneo materno, sem desprendimento dos ombros após tração axial suave. A parturiente encontra-se em decúbito dorsal. Após solicitar ajuda e orientar a interrupção dos puxos, a manobra obstétrica inicial mais adequada é Página 20 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) manobra de McRoberts associada à pressão suprapúbica. (alternativa B) extração do braço posterior para reduzir o diâmetro dos ombros. (alternativa C) manobra interna de rotação dos ombros para liberar o ombro impactado. (alternativa D) mudança da parturiente para a posição de quatro apoios. Resposta comentada: Gabarito oficial: Manobra de McRoberts associada à pressão suprapúbica. Comentário técnico Multípara de 35 anos com diabetes gestacional (fator de risco para distócia de ombros) em trabalho de parto. Após desprendimento da cabeça fetal, observa-se retração da cabeça contra o períneo (sinal de “tartaruga”) sem desprendimento dos ombros, apesar de tração axial suave. Esse quadro caracteriza distócia de ombros — emergência obstétrica que requer intervenção imediata para evitar lesões neonatais (fratura de clavícula, lesão do plexo braquial) e maternas (lacerações perineais graves). Manobra obstétrica inicial mais adequada: Manobra de McRoberts (hiperflexão das coxas sobre o abdome) associada à pressão suprapúbica (manobra de Rubin I ou Mazzanti). Essa combinação resolve a maioria dos casos de distócia de ombros por impactação do ombro anterior. Análise das alternativas incorretas extração do braço posterior para reduzir o diâmetro dos ombros. Incorreta. Extração do braço posterior é de segunda linha, realizada após falha das manobras externas iniciais. manobra interna de rotação dos ombros para liberar o ombro impactado. Incorreta. Manobra interna de rotação dos ombros é de segunda ou terceira linha. mudança da parturiente para a posição de quatro apoios. Incorreta. Posição de quatro apoios (Gaskin) é uma opção útil, mas não é a manobra inicial recomendada. 20ª QUESTÃO Enunciado: Menina de 6 anos é levada à unidade básica de saúde pelo pai devido a episódios noturnos ocorridos duas a três vezes por mês nos últimos seis meses. Aproximadamente uma hora após adormecer, ela se senta na cama, mantém os olhos abertos, grita e apresenta intensa agitação, sudorese e taquicardia. Durante os episódios, não reconhece os familiares e não responde adequadamente às tentativas de consolo. Após alguns minutos, volta a dormir espontaneamente. No dia seguinte, desperta bem-disposta e não se recorda do ocorrido. Não apresenta sonolência diurna, alterações no desempenho escolar nem sintomas neurológicos. A principal hipótese diagnóstica é Página 21 de 112 Alternativas: (alternativa A) sonambulismo. (alternativa B) despertar confusional. (alternativa C) (CORRETA) terror noturno. (alternativa D) transtorno de pesadelos. Resposta comentada: Gabarito oficial: Terror noturno. Comentário técnico Menina de 6 anos com episódios noturnos recorrentes caracterizados por: Início cerca de 1 hora após adormecer (sono lento – N3). Sentar na cama, olhos abertos, grito, intensa agitação, sudorese e taquicardia. Ausência de reconhecimento dos familiares e resposta a consolo. Duração de alguns minutos, retorno espontâneo ao sono. Amnésia completa do evento no dia seguinte, sem sonolência diurna ou alterações no desempenho escolar. Esse quadro é típico de terror noturno (pavor noturno), uma parassonia de despertar do sono lento, comum na infância (pico entre 4–8 anos). Não requer tratamento farmacológico de rotina, apenas orientação familiar e medidas de segurança. Análise das alternativas incorretas sonambulismo. Incorreta. Sonambulismo caracteriza-se por deambulação complexa sem medo intenso ou grito. despertar confusional. Incorreta. Despertar confusional é mais leve, com confusão e desorientação, sem agitação intensa, sudorese ou taquicardia marcante. transtorno de pesadelos. Incorreta. Transtorno de pesadelos ocorre durante o sono REM, com recordação vívida do sonho e dificuldade para voltar a dormir. 21ª QUESTÃO Enunciado: Adolescente de 16 anos comparece à unidade básica de saúde para a primeira consulta de pré-natal, acompanhada da mãe. Refere atraso menstrual e náuseas leves. Informa que a última menstruação ocorreu “há cerca de quatro meses”, mas não recorda a data exata, pois não registrava as menstruações. Nega sangramento vaginal, dor pélvica ou perda de líquido. Ainda não realizou ultrassonografia nesta gestação. Ao exame, apresenta pressão arterial de 102 × 64 mmHg, frequência cardíaca de 82 batimentos por minuto e IMC de 21 kg/m². O exame físico geral não mostra alterações relevantes. A altura uterina é de 16 cm, e o teste rápido de gravidez é positivo. Nesse caso, a idade gestacional deve ser estabelecida prioritariamente por meio da Página 22 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) biometria fetal obtida na primeira ultrassonografia obstétrica. (alternativa B) data aproximada da última menstruação informada pela gestante. (alternativa C) medida da altura uterina obtida na consulta inicial. (alternativa D) correlação entre o início dos sintomas gestacionais e o período de amenorreia. Resposta comentada: Gabarito oficial: Biometria fetal obtida na primeira ultrassonografia obstétrica. Comentário técnico Adolescente de 16 anos com amenorreia de cerca de 4 meses (data incerta), náuseas leves e altura uterina de 16 cm na primeira consulta de pré-natal. Ainda não realizou ultrassonografia. Quando a data da última menstruação é incerta ou desconhecida, o método mais preciso para estabelecer a idade gestacional é a biometria fetal obtida na primeira ultrassonografia obstétrica (preferencialmente no primeiro trimestre). A medida da altura uterina e a correlação com sintomas gestacionais são parâmetros auxiliares, mas têm menor precisão. Análise das alternativas incorretas data aproximada da última menstruação informada pela gestante. Incorreta. Data aproximada da última menstruação é o método de escolha quando confiável, mas aqui é incerta. medida da altura uterina obtida na consulta inicial. Incorreta. Altura uterina é um parâmetro auxiliar, mas tem baixa precisão para estimar idade gestacional exata, especialmente em gestantes obesas ou com miomas. correlação entre o início dos sintomas gestacionais e o período de amenorreia. Incorreta. Correlação entre o início dos sintomas gestacionais e o período de amenorreia é auxiliar, mas não é o método prioritário. 22ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 55 anos é encaminhada ao ambulatório de mastologia por nódulo palpável na mama esquerda há cerca de 3 meses, com crescimento discreto no período. Nega febre, trauma local ou secreção papilar. Sua irmã teve câncer de mama aos 58 anos. Ao exame físico, observa-se nódulo palpável de aproximadamente 2 cm no quadrante superolateral da mama esquerda, de consistência endurecida, contornos irregulares e mobilidade reduzida, sem sinais flogísticos. A mamografia diagnóstica mostra nódulo espiculado, de alta densidade, associado a distorção arquitetural no mesmo quadrante.A conduta diagnóstica inicial mais adequada é Página 23 de 112 Alternativas: (alternativa A) realizar ultrassonografia mamária para melhor caracterização da lesão. (alternativa B) realizar punção aspirativa por agulha fina para análise citológica da lesão. (alternativa C) realizar biópsia excisional da lesão para confirmação histopatológica. (alternativa D) (CORRETA) realizar biópsia percutânea da lesão por agulha grossa. Resposta comentada: Gabarito oficial: realizar biópsia percutânea da lesão por agulha grossa. Comentário técnico Mulher de 55 anos com nódulo mamário palpável de 2 cm, características clínicas suspeitas (consistência endurecida, contornos irregulares, mobilidade reduzida) e mamografia com nódulo espiculado e distorção arquitetural (achados altamente sugestivos de malignidade – BI-RADS 4C ou 5). A conduta diagnóstica inicial mais adequada é a biópsia percutânea por agulha grossa (core biopsy). Esse procedimento é minimamente invasivo, apresenta alta acurácia diagnóstica (>95%), permite análise histopatológica completa (incluindo subtipos e receptores hormonais) e orienta o planejamento terapêutico subsequente. Análise das alternativas incorretas realizar ultrassonografia mamária para melhor caracterização da lesão. Incorreta. A ultrassonografia mamária é complementar para caracterização da lesão, mas não substitui a biópsia em nódulo palpável e altamente suspeito. realizar punção aspirativa por agulha fina para análise citológica da lesão. Incorreta. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) tem menor sensibilidade e especificidade que a biópsia por agulha grossa, especialmente para determinação de subtipo histológico e receptores. realizar biópsia excisional da lesão para confirmação histopatológica. Incorreta. A biópsia excisional (cirúrgica) é reservada para casos em que a biópsia percutânea não é conclusiva ou não é tecnicamente possível. Não é a conduta inicial recomendada. 23ª QUESTÃO Enunciado: Homem de 67 anos encontra-se no 5º dia pós-operatório de ressecção extensa do intestino delgado por isquemia mesentérica. Permanece internado em unidade de terapia intensiva, sob ventilação mecânica, com hipotensão persistente, extremidades frias, oligúria, lactato elevado e necessidade crescente de noradrenalina. Apresenta desnutrição prévia documentada e não recebeu aporte nutricional significativo desde a cirurgia. Nesse momento, a conduta nutricional mais adequada é Página 24 de 112 Alternativas: (alternativa A) adiar o início do suporte nutricional e reavaliar a indicação após melhora da estabilidade hemodinâmica. (alternativa B) iniciar dieta enteral por sonda nasogástrica, em baixo volume e com progressão conforme a tolerância clínica. (alternativa C) (CORRETA) iniciar nutrição parenteral por acesso venoso central, com progressão cautelosa do aporte nutricional. (alternativa D) iniciar dieta enteral por sonda nasoentérica, em infusão contínua e com posicionamento pós-pilórico. Resposta comentada: Gabarito oficial: Iniciar nutrição parenteral por acesso venoso central, com progressão cautelosa do aporte nutricional. Comentário técnico Paciente no 5º dia pós-ressecção extensa de intestino delgado por isquemia mesentérica, com choque persistente (hipotensão, extremidades frias, oligúria, lactato elevado, noradrenalina crescente) e desnutrição prévia. Nesse contexto, a via enteral está contraindicada devido ao risco de isquemia intestinal e necrose. A conduta mais adequada é iniciar nutrição parenteral por acesso venoso central, com progressão cautelosa do aporte nutricional (calorias e proteínas), monitorando tolerância e complicações metabólicas. Análise das alternativas incorretas adiar o início do suporte nutricional e reavaliar a indicação após melhora da estabilidade hemodinâmica. Incorreta. Adiar o suporte nutricional em paciente grave e desnutrido aumenta o catabolismo, piora o prognóstico e favorece infecções. iniciar dieta enteral por sonda nasogástrica, em baixo volume e com progressão conforme a tolerância clínica. Incorreta. Dieta enteral por sonda nasogástrica é contraindicada em choque refratário e perfusão intestinal comprometida. iniciar dieta enteral por sonda nasoentérica, em infusão contínua e com posicionamento pós-pilórico. Incorreta. Sonda nasoentérica pós-pilórica ainda é via enteral e contraindicada na instabilidade hemodinâmica. 24ª QUESTÃO Enunciado: Recém-nascido a termo, com 12 horas de vida, é avaliado pela equipe de pediatria no pós-parto imediato por apresentar baixo peso ao nascer, hipoatividade e icterícia precoce. A mãe tem 22 anos, realizou pré-natal irregular e relata que, no primeiro trimestre, apresentou febre baixa, mal-estar e linfonodos cervicais aumentados, sem exantema. Não houve registro de triagem infecciosa completa durante a gestação. Ao exame, o recém-nascido apresenta hepatoesplenomegalia, microcefalia, petéquias e lesões purpúricas esparsas. A triagem auditiva neonatal é alterada bilateralmente. A ultrassonografia transfontanelar mostra calcificações intracranianas com predomínio periventricular. Hemograma evidencia plaquetopenia. Com base no quadro clínico-neonatal e nos achados complementares, a hipótese diagnóstica mais provável é Página 25 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) infecção congênita por citomegalovírus. (alternativa B) toxoplasmose congênita. (alternativa C) rubéola congênita. (alternativa D) sífilis congênita precoce. Resposta comentada: Gabarito oficial: Infecção congênita por citomegalovírus. Comentário técnico O recém-nascido apresenta quadro clássico de infecção congênita sintomática por Citomegalovírus (CMV), o principal agente das infecções congênitas virais. Elementos diagnósticos principais: História materna: Síndrome viral inespecífica no primeiro trimestre (febre, mal-estar, linfonodomegalia cervical) + pré-natal irregular. Clínicos neonatais: Baixo peso ao nascer, hipoatividade, icterícia precoce, hepatoesplenomegalia, microcefalia, petéquias/púrpura e plaquetopenia. Complementares: Triagem auditiva alterada bilateralmente (CMV é a principal causa infecciosa de surdez congênita) + calcificações intracranianas com predomínio periventricular (achado altamente característico). Esses achados diferenciam o CMV das demais infecções do grupo TORCH. Análise das alternativas incorretas Toxoplasmose congênita: Incorreta. Embora compartilhe microcefalia, hepatoesplenomegalia e calcificações, estas são tipicamente dispersas (não predominantemente periventriculares). A coriorretinite costuma ser mais grave. Rubéola congênita: Incorreta. Associa-se mais a catarata, cardiopatias congênitas (persistência do canal arterial, estenose pulmonar) e surdez. Calcificações periventriculares não são achado típico. Sífilis congênita precoce: Incorreta. Caracteriza-se principalmente por lesões ósseas (osteocondrite, periostite), rash maculopapular (incluindo palma e planta), rinorreia sanguinolenta e anemia. Calcificações cerebrais não são comuns. 25ª QUESTÃO Enunciado: Recém-nascido de 37 semanas, com 72 horas de vida, retorna à maternidade por icterícia percebida pela família. Nasceu de parto vaginal, peso ao nascer de 2.780 g, Apgar 8 e 9, e recebeu alta com 36 horas de vida. Está em aleitamento materno exclusivo, com sucção efetiva, diurese presente e perda ponderal de 7%. A mãe é tipo sanguíneo O Rh positivo, e o recém-nascido é A Rh positivo, com teste de antiglobulina direto positivo. Ao exame, está ativo, afebril, com icterícia até abdome, sem hipoatividade, hipotonia, choro agudo ou dificuldade para mamar. A bilirrubina total sérica é de 17,8 mg/dL, com bilirrubina direta de 0,4 mg/dL. Considerando a idade pós-natal, os fatores de risco e o nível sérico de bilirrubina, a conduta mais adequada é Página 26 de 112 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) iniciar fototerapia intensiva. (alternativa B) orientar aleitamento e reavaliar em 48 horas. (alternativa C) indicar exsanguineotransfusão imediata. (alternativa D) intensificar aleitamento e repetirbilirrubina em 24 horas. Resposta comentada: Gabarito oficial: Iniciar fototerapia intensiva. Comentário técnico Recém-nascido de 37 semanas, 72 horas de vida, com icterícia até abdome, bilirrubina total 17,8 mg/dL, bilirrubina direta normal, incompatibilidade ABO (mãe O, RN A) e teste de antiglobulina direto positivo. De acordo com os nomogramas de Bhutani e diretrizes da American Academy of Pediatrics (AAP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): Bilirrubina total de 17,8 mg/dL aos 72 horas em RN a termo tardio com fatores de risco (incompatibilidade ABO) ultrapassa o limiar para fototerapia intensiva. A conduta inicial é fototerapia intensiva (dupla ou tripla, com luz azul), hidratação adequada e reavaliação seriada de bilirrubina. Exsanguineotransfusão é reservada para casos graves com bilirrubina muito elevada ou falha da fototerapia. Análise das alternativas incorretas orientar aleitamento e reavaliar em 48 horas. Incorreta. Reavaliação ambulatorial em 48 horas é inadequada com bilirrubina já elevada e fatores de risco hemolíticos. indicar exsanguineotransfusão imediata. Incorreta. Exsanguineotransfusão é indicada em casos graves (bilirrubina muito elevada ou sinais de kernicterus), não como primeira conduta. intensificar aleitamento e repetir bilirrubina em 24 horas. Incorreta. Intensificar aleitamento e repetir bilirrubina em 24 horas é conduta conservadora excessiva para este nível sérico e risco hemolítico. 26ª QUESTÃO Enunciado: Gestante de 32 anos, G2P1A0, com 39 semanas de gestação, é admitida na maternidade após ruptura espontânea das membranas há três horas. O parto vaginal anterior ocorreu sem intercorrências, e o pré-natal atual transcorreu sem outras intercorrências clínicas ou obstétricas. Na primeira consulta de pré-natal, realizada com 9 semanas, relatou peso imediatamente anterior à gestação de 101 kg e apresentava peso de 102 kg, altura de 1,65 m e pressão arterial de 118 × 74 mmHg. Na admissão, pesa 113 kg e apresenta pressão arterial de 116 × 72 mmHg, altura uterina de 37 cm e frequência cardíaca fetal de 144 batimentos por minuto. Não há sangramento vaginal, e a dinâmica uterina é irregular. Considerando os fatores maternos associados ao risco de hemorragia pós-parto, o fator presente nesse caso é Página 27 de 112 Alternativas: (alternativa A) idade materna de 32 anos. (alternativa B) um parto vaginal prévio. (alternativa C) ruptura das membranas a termo. (alternativa D) (CORRETA) IMC no início do pré-natal superior a 35 kg/m². Resposta comentada: Gabarito oficial: IMC no início do pré-natal superior a 35 kg/m². Comentário técnico Gestante de 32 anos, G2P1A0, 39 semanas, com peso pré-gestacional de 101 kg e altura 1,65 m (IMC ≈ 37,1 kg/m²). O peso atual de 113 kg é consistente com ganho gestacional normal. De acordo com o Protocolo de Atenção ao Parto e ao Nascimento do Ministério da Saúde, o IMC >35 kg/m² no início do pré-natal é um fator de risco reconhecido para hemorragia pós-parto (principalmente por atonia uterina, dificuldade de manobras e maior chance de cesariana). Os demais fatores apresentados (idade materna, um parto vaginal prévio, ruptura de membranas a termo) não são considerados de alto risco para hemorragia pós-parto. Análise das alternativas incorretas idade materna de 32 anos. Incorreta. Idade materna de 32 anos não é fator de risco significativo para hemorragia pós-parto. um parto vaginal prévio. Incorreta. Um parto vaginal prévio é protetor (diminui o risco de atonia uterina). ruptura das membranas a termo. Incorreta. Ruptura das membranas a termo não é fator de risco significativo isolado para hemorragia pós-parto. 27ª QUESTÃO Enunciado: Menino de 9 anos é levado ao ambulatório de pediatria por dificuldade de concentração, irritabilidade e queda recente do rendimento escolar. Os responsáveis relatam que ele dorme de boca aberta, apresenta roncos na maior parte das noites e movimenta-se muito durante o sono. Em algumas ocasiões, observaram interrupções breves da respiração seguidas de inspiração ruidosa. Nega sintomas persistentes de rinite ou asma. Ao exame, apresenta obesidade, com índice de massa corporal no percentil 96 para idade e sexo. Apresenta tonsilas palatinas ocupando menos de 50% do espaço orofaríngeo, sem alterações relevantes à ausculta pulmonar. Para confirmar a principal hipótese diagnóstica e quantificar os eventos respiratórios durante o sono, o exame mais adequado é Página 28 de 112 Alternativas: (alternativa A) nasofibroscopia flexível para determinar o grau de obstrução da rinofaringe. (alternativa B) oximetria noturna contínua para identificar episódios de dessaturação. (alternativa C) poligrafia respiratória domiciliar com registro de fluxo aéreo, esforço respiratório e oximetria. (alternativa D) (CORRETA) polissonografia noturna em laboratório. Resposta comentada: Gabarito oficial: polissonografia noturna em laboratório. Comentário técnico Menino de 9 anos com sintomas clássicos de síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS): Roncos noturnos, apneias observadas, respiração bucal, movimentação excessiva durante o sono. Sintomas diurnos: dificuldade de concentração, irritabilidade e queda de rendimento escolar. Fatores de risco: obesidade e hipertrofia de tonsilas palatinas. A polissonografia noturna em laboratório é o exame padrão-ouro para confirmação diagnóstica e quantificação da gravidade da SAOS (índice de apneia-hipopneia, dessaturações, distúrbios do sono, etc.). Permite diferenciar SAOS de outros distúrbios respiratórios do sono e orientar o tratamento (adenotonsilectomia, CPAP, perda de peso, etc.). Análise das alternativas incorretas nasofibroscopia flexível para determinar o grau de obstrução da rinofaringe. Incorreta. Nasofibroscopia avalia obstrução anatômica (tonsilas, adenoides), mas não quantifica eventos respiratórios durante o sono. oximetria noturna contínua para identificar episódios de dessaturação. Incorreta. Oximetria noturna é um método de rastreio simples, mas tem baixa sensibilidade e especificidade para diagnóstico de SAOS. poligrafia respiratória domiciliar com registro de fluxo aéreo, esforço respiratório e oximetria. Incorreta. Poligrafia respiratória domiciliar é uma alternativa em casos selecionados, mas a polissonografia em laboratório é o padrão-ouro, especialmente em crianças. 28ª QUESTÃO Enunciado: Mulher de 28 anos, com 31 semanas de gestação, recebeu diagnóstico de sífilis de duração ignorada após teste rápido reagente e VDRL 1:64. Foi tratada com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, por via intramuscular, uma vez por semana, durante três semanas. Quatro semanas após o término do tratamento, encontra-se assintomática, nega nova exposição sexual desprotegida e apresenta VDRL 1:32. Nesse caso, a conduta mais adequada é Página 29 de 112 Alternativas: (alternativa A) repetir o tratamento pela ausência de queda de duas diluições no primeiro mês. (alternativa B) (CORRETA) manter o seguimento sorológico mensal durante a gestação. (alternativa C) adiar a próxima coleta do VDRL até o parto, devido à redução inicial do título. (alternativa D) investigar neurossífilis pela persistência de VDRL em título elevado. Resposta comentada: Gabarito oficial: Manter o seguimento sorológico mensal durante a gestação. Comentário técnico Gestante com sífilis de duração ignorada tratada com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI semanal por 3 semanas. Quatro semanas após o tratamento, VDRL caiu de 1:64 para 1:32 (queda de uma diluição). De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde e da FEBRASGO, uma queda de uma diluição em 4 semanas é compatível com resposta sorológica inicial adequada. A conduta recomendada é manter o seguimento sorológico mensal durante a gestação, avaliar risco de reinfecção e testar/tratar a parceria sexual. Não há indicação de retratamento imediato nem investigação de neurossífilis nesse momento. Análise das alternativas incorretas repetir o tratamento pela ausência de queda de duas diluições no primeiro