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ASPECTOS LEGAIS DA 
PRODUÇÃO MUSICAL 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Luciano Frontino de Medeiros 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O objetivo desta etapa é mostrar como a música, uma expressão cultural 
milenar, foi representada ou armazenada ao longo dos tempos, com ênfase nas 
tecnologias criadas a partir do século XIX e XX. À medida que a tecnologia, em 
termos gerais, foi avançando, novas formas de registros permitiram preservar e 
permitir às gerações futuras conhecer as expressões musicais de cada época, 
além do estabelecimento da cultura de consumo musical presente na sociedade 
contemporânea. O estudo se inicia com as formas de acesso à música até o final 
do século XIX, contemplando os primeiros registros da Antiguidade e também da 
Idade Média e do Renascimento. Em seguida, são abordados os inventos que 
marcaram significativamente a forma como as pessoas interagem com o som: o 
gramofone, o grafofone e o fonógrafo. Já no século XX, estuda-se sobre o 
advento dos discos de vinil e as fitas K7, chegando até a revolução digital 
marcada pelos CDs, o formato MP3 de distribuição de mídias sonoras e, por fim, 
o fenômeno do streaming que mudou para sempre a forma como a sociedade 
consome músicas hoje em dia. 
TEMA 1 – ACESSO À MÚSICA ATÉ O FINAL DO SÉCULO XIX 
Há milhares de anos, o ser humano tem externalizado os produtos da sua 
atividade de pensar, criando ferramentas para melhorar a forma como ele 
interage com a realidade ou buscando expressar tais interações de forma 
permanente. Isto se tornou possível em função da atividade mental da 
representação: a criação de modelos mentais sobre como o mundo funciona. A 
realidade externa é muito complexa e, por meio das representações, ao ser 
humano cabe abstrair parte dessa realidade para alcançar uma compreensão, 
sempre parcial e incompleta. 
Essa atividade pode ser inferida levando-se em conta inscrições em vários 
sítios arqueológicos ao redor do mundo, tais como as pinturas rupestres 
encontradas em Lascaux, refletindo o cotidiano daqueles seres humanos há 
aproximadamente vinte mil anos (Figura 1). Além da própria representação em 
si, permitindo aos cientistas identificar uma série de aspectos da vida cotidiana 
de então. Observa-se também um aspecto estético: existe uma preocupação do 
artista em refinar as expressões, tornar a imagem um simulacro fiel dos animais 
reais, combinando formas e cores dentro das capacidades à mão. Apenas por 
 
 
3 
meio dessa atividade de representação e expressão é que foi possível a nós, em 
nossa época, conhecer uma faceta sobre como era aquela distante realidade. 
1.1 Registro musical na Antiguidade 
A partir do mesmo raciocínio com as representações imagéticas, pode-se 
fazer um paralelo com as representações sonoras. Os arqueólogos têm como 
consenso que a música tenha surgido a partir de certos sons simples produzidos 
pelo ser humano, por exemplo, uma batida entre pedaços de madeira, ou ainda 
pela imitação de certos sons da natureza, como o canto dos pássaros. 
Figura 1 – Pintura rupestre das cavernas de Lascaux-França. 
 
Crédito: Charbonnier Thierry/Shutterstock. 
No entanto, instrumentos musicais rudimentares têm sido encontrados em 
períodos ainda mais antigos. Conard, Malina e Münzel. (2009), recentemente, 
foram descobertos fragmentos de flautas feitas com ossos de aves, datados de 
aproximadamente 35 mil anos atrás, nas cavernas Hohle Fels, no sudoeste da 
Alemanha. 
Essas descobertas sugerem que a região era habitada por uma 
população de Homo sapiens sapiens que havia dominado, entre outras 
coisas, a manipulação de marfim de mamute em formas 
 
 
4 
tridimensionais e naturalistas para fins não diretamente relacionados 
às necessidades econômicas diárias. (Adler, 2009) 
Figura 2 – Flauta de osso 
 
Crédito: Mountainpix/Shutterstock. 
Figura 3 – Representação da tábua de um lado contendo o hino hurrita em 
escrita cuneiforme 
 
Crédito: CC/PD. 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
Figura 4 – Estela de mármore com o Epitáfio de Sicílio (Seikilos), contendo a 
poesia e a notação musical 
 
Crédito: Akg-images/Bernard Bonnefon/Album/Fotoarena. 
Para os cientistas que buscam desvendar como era a cultura dos povos 
antigos, se alguns desses povos tinham um repertório de músicas, é difícil saber. 
A tradição oral passada entre as gerações era a forma de perpetuação dos 
conhecimentos de uma geração para outra. Por isso, sem uma forma de registro 
perene das melodias, se tal conhecimento existiu, acabou se perdendo na noite 
da humanidade. No entanto, alguns achados recentes têm dado otimismo aos 
pesquisadores. Uma placa contendo uma canção da cultura dos hurritas, a qual 
 
 
6 
foi descoberta na cidade amorita de Ugarit, na região que hoje é o território da 
Síria, é considerada a melodia com notação musical mais antiga do mundo, 
sendo datada de 1400 a.C., muito antes dos achados gregos, um indício de que 
a escala diatônica de sete notas provavelmente fosse conhecida há 3400 anos 
(Kuyucu, 2019). 
Antes do surgimento da notação musical universal na Idade Média, uma 
série de fragmentos da Grécia Antiga, dos séculos III a.C. e II a. C., dos versos 
de Eurípedes e tragédias gregas. Dentre eles, está o fragmento do coro de 
Orestes considerado o registro mais antigo (Siqueira, 2020). No entanto, é digno 
de nota o registro completo de um cântico com notação musical é o epitáfio de 
Sicílio (Figura 4), datado do séc. II a.C., encontrado em 1883 numa lápide em 
Aidim, região da Turquia. Nele encontra-se um cântico elegíaco e uma pequena 
canção com notação musical (Pöhlmann; West, 2001). 
Na Figura 5, encontra-se a transcrição do epitáfio, sendo que as notas 
musicais estão simbolizadas por letras maiúsculas. Quando a letra não tem 
símbolo acima, significa o tempo mais curto. A letra que contém um traço acima 
possui uma duração intermediária. E quando há um traço com um ponto, tem-se 
uma nota mais longa (Siqueira, 2020). 
Saiba mais 
SEIKILOS EPITAPH: an ancient song - sheet music, midi & mp3. MFiles, 
S.d. Disponível em: . 
Acesso em; 30 jan. 2023. 
Figura 5 – Transcrição do epitáfio de Sicílio 
 
Crédito: id W./CC. 
 
https://commons.wikimedia.org/wiki/User:David_W.
 
 
7 
1.2 Notação musical na Idade Média 
A evolução sistema de notação moderno teve como principal influência as 
práticas da música litúrgica presente entre os séculos IV e XII. O 
desenvolvimento mais significativo desse período foi o sistema de notação 
neumática, que surgiu das práticas musicais da Igreja Ocidental, utilizando 
símbolos denominados de neumas. O sistema que precedeu e influenciou a 
notação neumática foi a notação ecfonética, que servia para indicar a divisão 
gramatical e a pronúncia de um texto, tal como a visualizada no epitáfio de Sicílio. 
Mais tarde, esse sistema evoluiu musicalmente para a cantilação, a recitação 
meio falada e meio cantada de um texto. Os acentos ecfonéticos aparecem em 
várias culturas; cada cultura desenvolveu sua própria aplicação única do sistema 
(Kligman, 1985). 
Figura 6 – Fragmento de Laon, meados do século X, contendo escrita neumática. 
 
Crédito: José Eduardo Madeira Celeiro Diniz Rebelo-CC/PD. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/User:Jos%C3%A9_Eduardo_Madeira_Celeiro_Diniz_Rebelo
 
 
8 
Na Idade Média, devido ao domínio da Igreja sobre os vários aspectos da 
sociedade feudal, as melodias eram aprendidas visando principalmente a 
inserção nos serviços e cultos religiosos. Ainda que nesse período fossem 
recuperados os currículos de ensino da Grécia Antiga, tal como o quadrivium 
(consistindo em aritmética, geometria, astronomia e música), as melodias eram 
transmitidas ao longo das gerações pela tradição oral e acabavam perdendo as 
suas características originais. Em função disso, o papa Gregório I, em 590 d.C., 
adotou uma série de medidas, dentre elas a criaçãode um acervo musical único 
para a Igreja, reunindo-se assim uma série de cânticos que pudessem ser 
cantados, preservando-os sem alterações (Sousa, 2012). 
Deste modo, após a queda do Império Romano do Ocidente e a 
implementação do Cristianismo como religião oficial, a Igreja assume 
a liderança no que à evolução da música diz respeito, estando os 
monges cristãos no centro do desenvolvimento da escrita e da teoria 
musical, privilegiando-se, indiscutivelmente, um reportório litúrgico 
vocal e de transmissão por via da oralidade, nomeadamente ao nível 
do chamado Canto Gregoriano, melodia simples mas em alguns casos 
ornamentada, que ia seguindo o ritmo das palavras, muitas vezes de 
orações. (Sousa, 2012, p. 35) 
Assim, os mosteiros e os centros religiosos eram, por excelência, os 
agregadores culturais, dinamizando e perpetuando a escrita nos scriptoria, locais 
onde os manuscritos eram discutidos ou elaborados. A transcrição manuscrita 
permitia uma certa liberdade para grafar a diversidade de letras e símbolos. Mas 
a partir da invenção da imprensa, quando os livros eram produzidos com tipos 
móveis colocados lado a lado, começa a haver uma uniformidade de 
representação. 
Portanto, a tradição escrita na música começa seu desenvolvimento 
principalmente a partir do séc. IX, anda pari passu com a tradição oral até o séc. 
XI, onde a música pode ser escrita em notação musical mais aprimorada. A partir 
do séc. XI, até o séc. XV, a tradição oral entra em declínio (Figura 7), não 
desaparecendo contudo devido ao canto gregoriano, sendo que a tradição 
escrita foi impulsionada pela invenção da imprensa (Sousa, 2012, p. 49). 
 
 
 
 
 
 
 
9 
Figura 7 – Tradição oral x tradição escrita na música 
 
Fonte: Sousa, 2012, p. 49. 
A notação neumática, no século X, começou a ser colocada em alturas 
variáveis acima do texto, na tentativa de indicar uma variação melódica, onde 
também a inclusão de linhas paralelas permitia que o registro fosse mais fiel por 
parte dos escribas, surgindo assim a pauta. No final do séc. XI, para Guido 
d’Arezzo é atribuída a invenção da pauta de quatro linhas, permitindo uma 
colocação precisa dos neumas e informando precisamente os intervalos 
diatônicos. Ainda para Guido d’Arezzo se atribui a invenção dos nomes das notas 
musicais. 
Saiba mais 
Os nomes para as notas musicais foram inspirados a partir da prática do 
solfejo nos versos do hino de S. João Batista, que teria sido composto por Paulo, 
diácono de Áquila e monge no Monte Cassino no séc. VII: 
Ut queant laxis / Resonare fabris / Mira gestorum / Famuli tuorum / Solve 
polluti / Labii rectu / Sancte Ioannes. 
A nota Ut corresponderá, mais tarde, à nota Dó 
Crédito: Sousa, 2012, p. 53. 
A notação mensural surge de maneira a dotar as melodias de uma 
indicação de ritmo, o que não era considerado na notação dos neumas. Os 
músicos executavam suas peças de maneira livre, colocando ritmo de maneira 
instintiva e evoluindo de forma dependente do conteúdo da própria música. Caso 
a música se mantivesse monódica, a notação neumática estaria correta. Mas 
com o surgimento da polifonia, a impossibilidade do registro correto da melodia 
ficou evidente (Sousa, 2012, p. 55). 
 
 
10 
Figura 8 – Manuscrito de J. Barbireau, do séc. XVI em notação mensural 
 
Crédito: CC/PD. 
A notação Ars Nova significou um aprofundamento do sistema de notação 
musical, visto que a notação mensural ficou limitada e confusa para o 
entendimento de peças mais complexas. Com a Ars Nova, entra-se em um novo 
ciclo de representação musical, sendo relevante o tratado Ars nova musicae de 
Philippe de Vitry, em 1323, o que possibilitou o desenvolvimento de uma 
composição com maior perfeição. Neste sistema, Vitry adotou a divisão binária 
e apareceram novos símbolos mensuras como a mínima e a semínima (Sousa, 
2012, p. 60) 
1.3 Notação musical no Renascimento 
Conforme Sousa (2012, p. 82), Na transição para o Renascimento, o 
manuscrito continuou a ser usado durante algum tempo mesmo com a invenção 
da imprensa. Isto se deveu principalmente às especificidades do repertório 
musical, pois muitos compradores tinham preferência das edições manuscritas 
para fins colecionáveis ou para ofertar em ocasiões especiais. Ainda que fosse 
 
 
11 
mais dispendioso e por vezes em detrimento da fidelidade das composições, 
sujeitas a alterações pelos copistas, isso não representava a intenção do 
compositor. De fato, imprimir música era um dos maiores problemas enfrentado 
pelos primeiros impressores do Renascimento, para o qual deveria haver uma 
solução prática. 
Intimamente associada à matemática, a música trazia consigo uma 
panóplia de caracteres e símbolos específicos que não existiam em 
tipos, sabendo-se também que a mesma necessitava já de ser 
elaborada sobre pautas, o que exigia um tratamento diferente do papel. 
As notas precisavam de ser colocadas por cima dessas mesmas 
pautas, por isso, numa primeira fase, optou-se por se deixar em branco 
os espaços que iriam conter linguagem musical, posteriormente 
preenchidos à mão. (Sousa, 2012, p. 83) 
Na esteira da invenção da prensa de tipos móveis de Gutenberg, a 
imprensa musical é inventada em 1501, por Ottavianno Petrucci (1466-1539), o 
qual publicou a obra Harmonice Musices Odhecaton. A partir de então, a música 
não era apenas direcionada aos músicos profissionais, nobreza ou clero, mas 
agora torna-se acessível a todos. Há a produção em maior escala e a 
dinamização da divulgação, possibilitando a difusão de partituras mais 
complexas e seu correspondente registro mais seguro no tempo e na memória 
(Sousa, 2012, p. 83). 
Com a imprensa musical, surgiram os problemas relativos aos direitos de 
autor e de edição, que nem sempre eram respeitados. Os impressores e editores 
obtinham os privilégios que eram concedidos pelas autoridades, como por 
exemplo, pelo Rei, que lhes garantia a exclusividade. O copyright iria surgir 
somente no século XVIII para pôr fim a alguns problemas de publicação sem 
autorização dos compositores. 
Uma consequência da expansão do assunto protegido de 
tecnologias de impressão para textos específicos foi a prática de 
conceder privilégios de impressão não apenas a impressores e 
editores, mas também diretamente aos autores. (Kostylo, 2010, 
p. 29) 
Dessa forma, muitos dos compositores tentaram estabelecer uma carreira 
como editores por já se encontrarem inseridos no mundo da música. Além do 
mais, ainda que se pensasse que a impressão da melodia de alguma forma 
viesse a padronizar as intenções do compositor, limitando a interpretação que 
poderia ser atribuída a uma peça, percebe-se que a imprensa musical desvelou 
uma série de consequências positivas. O repertório de livros foi expandido 
 
 
12 
consideravelmente, à medida que novas obras impressas foram sendo 
acrescentadas às manuscritas. Isso proporcionou ao músico um fornecimento 
bem mais amplo de novas músicas a custo acessível, o que possibilitou por fim 
uma melhor conservação das peças, gerando material de estudo as para que e 
interpretação, além da preservação para futuras gerações (Sousa, 2012, p. 87). 
A notação musical moderna, ou ainda notação musical padrão, estabelece 
suas bases a partir das obras de Bach, Haydn, Mozart e Beethoven, na 
passagem do estilo barroco ao clássico, entre 1750 e 1810 (Siqueira, 2020, p. 
40). 
TEMA 2 – GRAMOFONE, GRAFOFONE E FONÓGRAFO 
A partir do séc. XIX, na esteira de descobertas científicas relacionadas ao 
eletromagnetismo, as possibilidades de registro sonoro e, por consequência, 
musical, além da imprensa musical. 
Em meados deste mesmo século, o francês Édouard-Léon Scott de 
Martinville (1817-1879) criou uma máquina, o fonoautógrafo, que poderia 
registrar as mudanças na forma de onda do som em relação ao eixo do tempo, 
com base na ideia de que o som é transmitido como uma onda. Embora a 
máquina de Scott de Martinville pudesse gravarformas de onda sonoras, ela não 
podia reproduzir a forma de onda gravada como som. Em 1877, cerca de 20 
anos depois, o inventor americano Thomas Edison (1847-1931) inventou o 
fonógrafo, uma máquina que reproduzia o som produzindo uma vibração a partir 
de uma forma de onda sonora registrada em um cilindro de latão envolto em 
papel alumínio. Pela primeira vez na história da humanidade, uma máquina pode 
gravar e reproduzir som (Kimizuka, 2012, p. 185). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
Figura 9 – Fonoautógrafo de Martinville 
 
Crédito: CC/PD. 
Saiba mais 
A gravação mais antiga da voz humana que se tem registro aconteceu em 
09/04/1860, com um trecho da música “Au cler de la lune”. Para ouvi-la, acesse 
o link a seguir: 
FICHEIRO: Au Clair de la Lune (1860).ogg. Wikipedia, 27 mar. 2008. 
Disponível em: 
. 
Acesso em: 30 jan. 2023. 
 
 
 
 
 
14 
Figura 10 – O fonógrafo de Edison 
 
Crédito: Sergei Afanasev/Shutterstock. 
Na esteira do desenvolvimento do fonógrafo de Edison, surge o 
gramofone, inventado por Emil Berliner (1851-1929). Berliner mudou-se da 
Alemanha para os EUA e trabalhou como técnico em pesquisas para melhorar o 
gramofone. Ele ficou muito impressionado e entusiasmado com o fonógrafo 
cilíndrico de Edison e tinha um bom entendimento de seus problemas inerentes. 
O dispositivo de Edison gravava o som na forma de onda em um cilindro na 
direção vertical, com a profundidade do sulco mudando com o volume do som. 
Sentindo que isso distorceria o som, Berliner criou um sistema de gravar a forma 
de onda na direção horizontal. Ele também teve a ideia de usar mídia de 
gravação plana em forma de disco em vez de cilindros. Assim, o disco 
gramofone, feito de cera, vinil, goma laca e cobre, foi concebido em 1887, 10 
anos depois do fonógrafo de Edison (Kimizuka, 2012, p. 188). Os discos tinham 
aproximadamente 7 polegadas gravados apenas em um lado com velocidade de 
aproximadamente 70 rpm (rotações por minuto). 
 
 
 
15 
Figura 11 – Emil Berliner e seu gramofone 
 
Crédito: Everett Collection/shutterstock. 
No início do século XX, dispositivos de diferentes fabricantes 
apresentavam diversas velocidades de rotação. Entretanto, o padrão de 78 rpm 
foi estabelecido pela Gramophone Company Limited, empresa fundada por Emil 
Berliner, em 1912 (Copeland, 2008, p. 89). 
Saiba mais 
Acesse a página dedicada à Emil Berliner e o gramofone, contendo 
imagens do dispositivo e do seu inventor, bem como os primeiros discos e alguns 
dos primeiros sons gravados: 
FOR THE record: Emil Berliner and the gramophone. Google Arts & 
Culture, S.d. Disponível em: 
. Acesso 
em: 30 jan. 2023. 
Outro dispositivo construído para gravação de sons, concebido como 
melhoramento do fonógrafo, foi o grafofone, que foi inventado nos Laboratórios 
Volta, estabelecido por Alexander Graham Bell (1847-1922), o mesmo inventor 
 
 
16 
do telefone, e por Charles Summer Tainter (1854-1940), entre os anos de 1881 
e 1885 (Wile, 1990). Da mesma forma que Berliner, Tainter também identificou 
os problemas relacionados com a gravação do fonógrafo de Edison. De acordo 
com ele, o método adotado por Edison em seu fonógrafo era defeituoso pois: 
• O registro controla a vibração do diafragma durante apenas meia 
vibração; 
• A folha de estanho não é adequada para um registro permanente; 
• Se o papel pudesse ser usado para o registro, ele teria vantagens 
especiais; 
• Seria melhor reproduzir o som sem contato com o disco. 
Portanto, o grafofone reproduziria o som por meio de um fonograma. 
Contrário ao fonógrafo de Edison, onde os sulcos eram feitos de forma vertical 
no cilindro, o grafofone usava técnicas de registro de forma lateral em um 
cilindro. 
Figura 12 – Imagem de um grafofone de 1901. 
 
Crédito: Catálogo publicado pela Maison de la Bonne Presse. CC/PD. 
 
 
17 
TEMA 3 – CHEGADA DOS LPS DE VINIL E DAS FITAS K7 
Até o final dos anos 1920, as gravações a partir de captação por microfone 
e amplificação em equipamentos com válvulas eletrônicas eram feitas 
diretamente em discos de cera (Cardoso Filho, 2013, p. 147). O LP – sigla para 
Long Playing – foi introduzido como mídia para gravações sonoras a partir de 
1931 pela empresa RCA Victor (marca atualmente pertencente à Sony Music). 
A referência ao nome vinil se deve ao material utilizado na sua fabricação. Estes 
discos revolucionários foram concebidos para reprodução a 33 1/3 rpm, 
prensados em um disco flexível de 30 cm de diâmetro, com o tempo de 
reprodução de aproximadamente dez minutos por lado. No entanto, seu 
lançamento foi um fracasso comercial por vários motivos, incluindo a falta de 
equipamento de reprodução de consumo acessível e a rejeição do consumidor 
durante a Grande Depressão (Penndorf, 2001). 
Em 1948, o LP aparece no seu formato padrão pela Columbia Records. A 
técnica de gravação em microssulcos no material permitia estender o tempo de 
reprodução em torno de 21 minutos para cada lado. A rivalidade acirrada entre 
a RCA Victor e a Columbia Records levou à introdução de outro formato 
concorrente da RCA, o Extended Play (EP) de 7” com velocidade de 45 rpm. O 
período em que esses dois formatos lutaram pelo domínio de 1948 a 1950 ficou 
conhecido como a “Guerra das Velocidades” (Copeland, 2008, p. 147; Katz, 
2018). 
Com o tempo, o padrão de 33 1/3 rpm acabou predominando no mercado, 
sendo o de 12 polegadas (~30 cm) utilizado para álbuns e o de 7 polegadas (~18 
cm) como formato para singles. Entretanto, os dispositivos de reprodução de LP, 
comumente chamados de toca-discos, ainda foram fabricados por muito tempo 
depois com opções para reprodução em duas velocidades, 33 1/3 rpm e 45 rpm 
(ou até mesmo 3, com a velocidade de 78 rpm). 
 
 
 
 
 
 
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Figura 13 – Disco de vinil em reprodução 
 
Crédito: Nattapol Meechart/Shutterstock. 
Ainda que o gravador de fio tenha sido inventado no final do século XIX, 
em 1928, o engenheiro alemão Fritz Pfleumer revestiu uma fita de papel com 
óxido de ferro para criar uma fita de gravação e fez o primeiro gravador do 
mundo, chamado de Sound Paper Machine. Embora essa máquina tivesse todos 
os elementos básicos de um gravador e pudesse ser aclamada como a primeira 
gravadora do mundo, ela carecia crucialmente de desempenho e não conseguia 
produzir uma qualidade de som satisfatória. 
Em 1932, o presidente da Allgemeine Elektricitäts-Gesellschaft (AEG) 
mostrou interesse e comprou os direitos de patente de Pfleumer. A AEG montou 
imediatamente um laboratório de pesquisa em gravação magnética e começou 
a melhorar a Sound Paper Machine e a fita magnética. Sendo um fabricante 
elétrico, a AEG precisava de especialistas em química para melhorar a fita 
magnética e buscou a parceria com a IG Farben. Dessa forma, a fábrica de 
Ludwigshafen da IG Farben (que em seguida se tornou a BASF) acabou 
colaborando no projeto da fita magnética. Enquanto a IG Farben trabalhava no 
desenvolvimento da fita, a AEG investiu seus esforços na pesquisa e 
desenvolvimento do gravador magnético, completando o precursor do gravador 
moderno – o magnetofone – em 1934. 
 
 
19 
Em julho de 1945, após a rendição da Alemanha, John Mullin que fazia 
parte do grupo de sinalização do exército americano, encontrou o magnetofone 
em uma estação de rádio perto de Frankfurt. Com base nessa pesquisa, Mullin 
pôde reparar e melhorar vários magnetofones. A partir da construção de seu 
próprio magnetofone, Mullin colabora com a empresa Ampex Company Ltd., que 
lança o Ampex modelo 200 em 1948. Esse dispositivo utilizou a icônica fita 
magnética Scotch 111, fabricada pela 3M (Kimizuka, 2012, p. 197). 
Após o desenvolvimento de diversos tipos de dispositivos de fita 
magnética, à medida que os equipamentos de som para automóveis cresciam 
em popularidadee a fita de cartucho de loop infinito surgia nos Estados Unidos, 
uma fita de cartucho de hub duplo lançada em 1962 chamava a atenção na 
Europa: o “Compact Cassette”, ou K7, desenvolvida pela empresa holandesa 
Philips. Embora tenha sido definitivamente bem-sucedido em lançar as bases 
para o sistema K7, algumas tecnologias importantes precisaram ser 
desenvolvidas antes que ele pudesse atingir os recursos Hi-Fi (alta fidelidade) 
com uma velocidade de fita lenta de 4,76 cm/s e uma largura de trilha estreita de 
0,6 mm (uma faixa estéreo) e se tornar um gravador convencional para uso 
musical (Kimizuka, 2012, p. 218). Alguns fatores para o sucesso do K7 foram: 
• Tamanho de cartucho menor; 
• A estrutura do hub duplo evitou o atolamento da fita e melhorou o 
funcionamento da fita; 
• Potencial para qualidade/desempenho de som superior; 
• Abordagem cuidadosa de desenvolvimento de vendas provisórias e 
obtenção de feedback do mercado; 
• Licença de patente gratuita. 
Os equipamentos K7 possuíam a grande vantagem sobre o LP quanto à 
gravação de som, que podia ser facilmente executada em um gravador K7. Até 
o advento do CD-Compact Disk nos anos 1980, as tecnologias do LP e K7 
coexistiram de maneira que a indústria fonográfica fazia o lançamento de álbuns 
no mercado nos dois formatos. O advento da era digital proporcionaria a 
convergência para uma única mídia e, de certa forma, tornou as duas tecnologias 
obsoletas ao mesmo tempo. 
 
 
 
20 
Figura 14 – Imagem de uma fita K7 
 
Crédito: Jero SenneGs/Shutterstock. 
TEMA 4 – ERA DIGITAL: DOS CDS AOS FORMATOS DIGITAIS COMO O MP3 
Até o início dos anos 1980, os formatos de gravação sonora eram feitos 
de forma analógica. O próprio som, na forma de impulsos elétricos, era 
transformado fisicamente e de forma linear no tempo nos microssulcos dos LPs 
ou na magnetização das fitas. Com a tecnologia digital, o som, assim como 
qualquer outro tipo de dado analógico, passou a ser registrado em sequências 
de 0’s e 1’s, mudando completamente o paradigma de gravação e reprodução 
sonora. 
Em 1982, a Sony e a Philips introduziram o primeiro sistema de CD – 
Compact Disc - do mundo: um disco de áudio digital compacto de 12 cm e um 
CD player – que rapidamente substituiu o disco de vinil e lançou a indústria da 
música em um novo mundo de produção musical de alta tecnologia (Shapiro et 
al., 2012). O registro de dados digitais em um CD é de natureza ótica: é 
necessária a tecnologia do laser para fazer a gravação e a leitura dos dados 
contidos em um CD. 
A Philips contribuiu com a experiência em disco a laser e a Sony com o 
conhecimento em áudio digital. Porém, outras tecnologias foram necessárias, as 
 
 
21 
quais foram inventadas e/ou desenvolvidas várias décadas antes do lançamento 
do CD: 
1. A modulação por código de pulso (PCM), que é usada para codificar 
digitalmente o áudio em um CD, foi inventada em 1937 por Alec Reeves; 
2. Os códigos de correção de erros usados no CD foram inventados por 
Irving Reed e Gustave Solomon em 1960. Richard Hamming, da Bell Labs, 
publicou informações sobre códigos de correção de erros em 1950; e, por 
fim; 
3. o próprio laser, que foi inventado em 1958 por Arthur Schawlow e Charles 
Townes da Bell Labs. Sem essas três tecnologias, o CD teria sido 
impossível. 
Em particular, o laser é necessário, pois pode ser focado em um tamanho 
de ponto muito pequeno, necessário para permitir a capacidade necessária em 
um disco de 12 cm. O advento dos lasers e, em particular, dos diodos emissores 
de laser de baixo custo permitiu que a tecnologia do disco compacto se tornasse 
uma das tecnologias eletrônicas de consumo mais bem-sucedidas de todos os 
tempos. (Sharpless, 2003). Desde o seu lançamento até os anos 2000, os CD 
era a principal mídia de gravação sonora. A partir do lançamento de drives de 
gravação de CD, a tecnologia de gravação foi amplamente disseminada. Outras 
tecnologias que se seguiram ao CD, de maneira a permitir uma maior 
compressão de dados parra armazenamento ótico foram o DVD e o Blu-ray. 
Figura 15 – Visão de um CD 
 
Crédito: Anton Gvozdikov/Shutterstock. 
 
 
22 
As tecnologias de compressão de dados permitiram o surgimento de 
formas de armazenamento de arquivos digitais mais eficientes. Para gravações 
sonoras e musicais, o formato MP3 é um dos mais icônicos. MP3 significa 
MPEG-1, Camada 3. MPEG (sigla para Motion Pictures Expert Group) é um 
consórcio de engenheiros e outros profissionais, formado com o apoio da 
Organização Internacional de Padronização (ISO). O MP3 foi desenvolvido pela 
Fraunhofer Society, em uma equipe liderada por Karlheinz Brandenburg. O 
formato inicial foi proposto em 1991, com a última versão sendo lançada em 1998 
(Sterne, 2006; Witt, 2015). 
O MP3 utiliza um processo de compressão de dados explorando técnicas 
de psicoacústica. A reconstrução de um arquivo de som compactado com o 
formato MP3 pode ser feita considerando um nível de erro que não é percebido 
pelo ouvido humano conseguindo-se, desta forma, um alto nível de compressão. 
Em um cenário onde a internet era feita de forma discada, qualquer economia 
era bem-vinda (Witt, 2015). 
O MP3 mudou todo o cenário de distribuição musical, que estava nas 
mãos de poucos na indústria fonográfica, promovendo o surgimento de toda uma 
cultura de compartilhamento e pirataria de músicas na internet, a partir de 
softwares especializados tais como o Napster. Isso motivou uma reação 
enérgica da indústria, ocasionando o fechamento das redes de 
compartilhamento (Witt, 2015). 
Além do MP3, outros formatos para compressão de áudio podem ser 
listados, dentre outros (Filomeno, 2003): 
• WAV (Waveform Audio File Format); 
• PCM (Pulse Code Modulation); 
• AAC (Advanced Audio Coding); 
• OGG Vorbis; 
• WMA (Windows Media Audio); 
• AIFF (Audio Interchange File Format). 
TEMA 5 – COMPARTILHAMENTO MUSICAL PELOS SERVIÇOS DE 
STREAMING 
Nos últimos anos, o fenômeno do streaming mudou significativamente a 
forma como as pessoas consomem informação. Ainda na era digital, o consumo 
 
 
23 
de conteúdo, tal como músicas e vídeos, era feito mediante a compra de mídias 
como CDs e DVDs. Com o aumento da velocidade da internet, a comercialização 
acontece também virtualmente, a partir do download de arquivos de música em 
formatos do tipo MP3. 
Entretanto, em um cenário de internet com maior velocidade e 
confiabilidade de conexão, já não há mais a necessidade de armazenamento 
local de conteúdo, havendo o consumo direto de conteúdo a partir de protocolos 
de transmissão e recepção de pacotes de dados pela internet, ou seja, o serviço 
de streaming. O usuário, neste contexto próprio da computação em nuvem (cloud 
computing), troca a aquisição de conteúdo por uma assinatura do serviço 
prestado. Cabe ao prestador de serviço a qualidade da oferta de conteúdo a ser 
consumido, sendo que qualquer indivíduo pode consumir, não importa se está 
conectado a um computador ou smartphone. 
O termo streaming refere-se à maneira como a música não se configura 
mais como mais propriedade dos consumidores, como nos modelos anteriores. 
Em vez disso, a música flui temporariamente para os usuários. O acesso é pago 
por assinatura mensal ou feito disponível grátis em uma base de publicidade 
suportada. O conteúdo então flui pela audiência, é dinâmico por natureza e, 
portanto, efêmero. Já é fato que o consumo de mídia não está mais vinculado à 
noção de propriedade (Hesmodhalg, citado por Labarca, 2021). 
O mercado de música por streaming é promovido por sites como Spotify, 
Deezer, Amazon, Youtube, Apple Music, TikTok, dentre outros, mantendo-se a 
dinâmica das redes sociais, com seguidores, likes e quantidade de execuções. 
O consumidor pode montar playlists (listas de reprodução) personalizadas, e o 
site pode oferecer sugestões de músicas mediante um algoritmo de 
recomendação. Na era do rádio e da mídiafísica, os usuários não podiam 
acessar imediatamente as músicas que desejavam. Tinham que esperar que a 
música fosse tocada no rádio ou até que tivessem dinheiro para ir comprar o 
disco. Entretanto, até os ricos não podiam ter toda a música do mundo (Labarca, 
2021). 
NA PRÁTICA 
Acesse diferentes sites de streaming e analise como o usuário pode fazer 
seu cadastro, como as músicas podem ser encontradas e como as playlists 
podem ser construídas. Quais as características de redes sociais que podem ser 
 
 
24 
identificadas nestes sites? Como o site faz recomendações inicialmente ao 
usuário? Ao longo do tempo, é possível identificar a influência do algoritmo de 
recomendação? 
FINALIZANDO 
Ao final desta etapa, é possível constatar a evolução que o 
armazenamento musical teve ao longo das eras. Pode-se ter uma noção de 
quantas expressões musicais foram perdidas pela humanidade na antiguidade, 
por não haver uma forma adequada de representação musical e 
armazenamento. A partir da Idade Média e do Renascimento, a música começa 
a ser perenizada, ainda que restrita àqueles que detinham o conhecimento para 
leitura de partituras e, às pessoas comuns, apenas o acesso de performances 
ao vivo. As primeiras tecnologias de gravação proporcionam enfim o registro fiel 
das execuções musicais, permitindo o acesso irrestrito às expressões musicais, 
além da preservação de toda a cultura musical gerada pela humanidade. Por fim, 
a tecnologia digital promoveu a convergência das diferentes mídias e hoje o 
conceito de nuvem é ubíquo, estando a música tem condição de alcançar a todos 
que possuam pelo menos um smartphone com conexão à internet. 
 
 
 
 
25 
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	1.1 Registro musical na Antiguidade

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