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A exceção do contrato não cumprido Art. 476 do CC Exceptio non adimpleti contractus Arguível nos contratos bilaterais. Há uma demanda judicial, o autor quer a prestação contratual, porém, ele mesmo não cumpriu sua parte no contrato. É uma defesa do réu que demonstra um fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor – art. 350 do CPC. Clara contratou a empresa Limpíssima Ltda., para lavar o seu telhado e pintá-lo ao preço de R$ 8.000,00, cujo pagamento foi parcelado em 3 vezes. A empresa emitiu 3 boletos. Ocorre que os prestadores de serviço abandonaram a limpeza sem finalizá-la. Clara decidiu não pagar o último boleto. Hoje ela foi citada para responder à ação de cobrança intentada pela Limpíssima Ltda. Qual será a defesa de Clara? Fundamentação Legal (Art. 476 do CC): O dispositivo estabelece que "nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o adimplemento da do outro". Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la. Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. RESCISÃO DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. INADIMPLEMENTO DAS PRESTAÇÕES DO FINANCIAMENTO PELOS REQUERIDOS. CESSAÇÃO DO PAGAMENTO MOTIVADO PELO ATRASO NA ENTREGA DAS OBRAS DO EMPREENDIMENTO PELA AUTORA. EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO. TESE ACOLHIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (TJSC, Apelação Cível n. 2008.010243-2, de Blumenau, rel. Des. Victor Ferreira, j. 11-04-2013). A empresa Celulose S/A comprometeu-se por contrato a entregar, mensalmente, 200 toneladas de polpa de celulose à fabricante de papel Papelão Ltda, mediante pagamento para 28 dias. Esta semana a Celulose S/A descobriu que a compradora (Papelão) teve 3 títulos protestados e está receosa de continuar fornecendo, pois não confia mais que receberá o pagamento. O que ela pode fazer? Aquele que deve prestar primeiro está em dúvida quanto à higidez econômica da contraparte. O art. 477 do CC permite que se exijam garantias ou a alteração na ordem das prestações. Encenação: "A Duplicata e os Pisos Não Entregues" Personagens: • Sr. Cláudio – dono da Loja PisoFácil • Sra. Helena – administradora da Construtora Alfa • Juíza – para intermediar e explicar os conceitos • Narrador – para completar as explicações. ________________________________________ Cena 1 – Loja PisoFácil (Sr. Cláudio está ao telefone, visivelmente irritado.) Sr. Cláudio: (alto e indignado) — Isso é um absurdo! A Construtora Alfa não pagou a primeira duplicata! Já se passaram dez dias do vencimento! Eu vou processar essa empresa! (caminha de um lado para outro, pega o celular e liga para a advogada da construtora) Cena 2 – Escritório da Construtora Alfa (Helena atende o telefone com calma.) Helena: — Construtora Alfa, bom dia. Helena, responsável pelo setor financeiro. Sr. Cláudio: (irritado) — Sra. Helena, é o Sr. Cláudio da PisoFácil! Vim cobrar o pagamento da duplicata vencida! O contrato previa pagamento em cinco parcelas, e já começou com calote? Sra. Helena: (firme, mas cortês) — Sr. Cláudio, com todo respeito, a Construtora Alfa não efetuou o pagamento porque a loja não cumpriu sua parte. A primeira entrega dos pisos não foi feita. O senhor se lembra que o contrato previa três entregas parciais e a primeira já deveria ter sido realizada? Sr. Cláudio: — Mas isso não justifica deixar de pagar! Vocês têm obrigação contratual! Sra. Helena: — E o senhor também, Sr. Cláudio. Mas a exceção do contrato não cumprido permite que uma parte se recuse a cumprir sua obrigação se a outra parte descumpriu primeiro. Nós só pagaríamos se os pisos fossem entregues como prometido. Cena 3 – Tribunal (ou cenário neutro com narrador explicando) (A Juíza entra e se posiciona ao centro, olhando para o público.) Juíza: — Essa situação é um exemplo claro da exceção do contrato não cumprido. Trata-se de uma regra prevista no artigo 476 do Código Civil Brasileiro. Vamos ler: (abre um livro ou tablet) — "Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro." (A juíza se dirige ao público, explicando com clareza.) Juíza: — Ou seja, quando um contrato prevê obrigações recíprocas, como neste caso — fornecimento de pisos e pagamento parcelado —, uma parte só pode cobrar da outra se tiver cumprido o que lhe cabia. Como a Loja PisoFácil não entregou os pisos no primeiro prazo, a Construtora Alfa pôde, legitimamente, deixar de pagar a primeira duplicata. Narrador: — O nome técnico disso é exceptio non adimpleti contractus. Em português claro: "não cumpri porque você também não cumpriu". Cena Final – Conclusão e lição (Sra. Helena e Sr. Cláudio estão novamente conversando, agora com tom mais cordial.) Sr. Cláudio: (suspiros) — Está bem, Sra. Helena. Reconheço que erramos na logística da entrega. Vamos regularizar isso imediatamente. Sra. Helena: — Perfeito. Assim que recebermos os pisos conforme combinado, faremos o pagamento normalmente, mas sem os encargos da mora, confere?. Narrador (ao público): — Moral da história: em contratos bilaterais, quem quer exigir cumprimento, precisa primeiro cumprir sua parte. O Direito protege quem age de boa-fé e respeita os compromissos. (OAB) Jorge, engenheiro e construtor, firma, em seu escritório, contrato de empreitada com Maria, dona da obra. Na avença, foi acordado que Jorge forneceria os materiais da construção e concluiria a obra, nos termos do projeto, no prazo de seis meses. Acordou-se, também, que o pagamento da remuneração seria efetivado em duas parcelas: a primeira, correspondente à metade do preço, a ser depositada no prazo de 30 (trinta) dias da assinatura do contrato; e a segunda, correspondente à outra metade do preço, no ato de entrega da obra concluída. Maria, cinco dias após a assinatura da avença, toma conhecimento de que sobreveio decisão em processo judicial que determinou a penhora sobre todo o patrimônio de Jorge, reconhecendo que este possui dívida substancial com um credor que acaba de realizar ato de constrição sobre todos os seus bens (em virtude do valor elevado da dívida). Diante de tal situação, Maria pode recusar o pagamento do preço até que a obra seja concluída ou, pelo menos, até o momento em que o empreiteiro prestar garantia suficiente de que irá realizá- la. resolver o contrato por onerosidade excessiva, haja vista que o fato superveniente e imprevisível tornou o acordo desequilibrado, afetando o sinalagma contratual. exigir o cumprimento imediato da prestação (atividade de construção), em virtude do vencimento antecipado da obrigação de fazer, a cargo do empreiteiro. desistir do contrato, sem qualquer ônus, pelo exercício do direito de arrependimento, garantido em razão da natureza de contrato de consumo. A teoria da imprevisão, Cláusula Rebus sic stantibus, Resolução por onerosidade excessiva Arts. 478 – 480 e 317 do CC Requisitos Arts. 478 e 317 do CC Contrato de execução continuada ou diferida Vantagem para a outra parte. Acontecimentos extraordinários e imprevisíveis Onerosidade excessiva Impacto sobre a base econômica O que o devedor excessivamente onerado pode pedir? Resolução contratual – art. 478 do CC. Revisão das condições do contrato – arts. 479 e 317 do CC. Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva. Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem paraa outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar equitativamente as condições do contrato. Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. [...]. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE APELANTE PRESENTE. MÉRITO. APLICAÇÃO DA TEORIA DA IMPREVISÃO, EM RAZÃO DA PANDEMIA. EFEITOS ECONÔMICOS QUE ATINGIRAM TODOS OS SETORES DA SOCIEDADE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE VANTAGEM EXCESSIVA DO BANCO [...] (TJSC, ApCiv 5042046-93.2023.8.24.0930, 1ª Câmara de Direito Comercial, Relator GUILHERME NUNES BORN, julgado em 23/07/2026) [...]PUGNADA APLICAÇÃO DA TEORIA DA IMPREVISÃO COM FUNDAMENTO EM CRISE ECONÔMICA CAUSADA POR INSTABILIDADE METEOROLÓGICA. TESE INACOLHIDA. AUSÊNCIA DE FATO SUPERVENIENTE CAPAZ DE ENSEJAR ONEROSIDADE EXCESSIVA. MODIFICAÇÕES NO CENÁRIO ECONÔMICO QUE SÃO INERENTES AO RISCO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL DESENVOLVIDA PELA RECORRENTE E NÃO JUSTIFICAM A APLICAÇÃO DA CLÁUSULA REBUS SIC STANTIBUS. AUSÊNCIA DE FATO EXTRAORDINÁRIO E IMPREVISÍVEL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA TEORIA DA IMPREVISÃO. DECISUM INTANGÍVEL. RECURSO DESPROVIDO. (TJSC, ApCiv 5003295-35.2024.8.24.0014, 4ª Câmara de Direito Comercial, Relator JOSÉ CARLOS CARSTENS KOHLER, julgado em 21/07/2026) PANDEMIA INTEMPÉRIES [...] - CONTRATO DE DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL - OBRIGAÇÕES FINANCEIRAS ASSUMIDAS PELO EX-COMPANHEIRO EM FAVOR DA EX-MULHER - DESCUMPRIMENTO - DESEMPREGO POSTERIOR - TEORIA DA IMPREVISÃO - APLICABILIDADE - DESCABIMENTO - PACTA SUNT SERVANDA [...] 2 É incabível a aplicação da teoria da imprevisão para resolver ou revisar as condições contratuais estabelecidas por livre manifestação de vontade pelas partes, quando o evento apresentado para fundamentar a pretensão tratar-se de desemprego do devedor, fato subjetivo e de inequívoca previsibilidade pelo cidadão mediano. (TJSC, AC 0800252-35.2013.8.24.0045, 5ª Câmara de Direito Civil, Relator LUIZ CÉZAR MEDEIROS, D.E. 05/06/2019) image3.png image1.png image2.jpg