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Universidade Federal do Rio Grande – FURG Engenharia de Alimentos - EQA Matérias Primas Agropecuárias Prática 01 – Morfologia de Cereais Francisco Leal – 51580 2016 Introdução Os cereais são alimentos básicos que estão presentes na base da alimentação mundial e anualmente passam da marca dos 2 bilhões de toneladas de grãos produzidos em todo o mundo, onde o Brasil contribui com um pouco mais de 6% para esse valor. (KOBLITZ, 2011) Os grãos dos cereais são chamados de cariopses, frutos secos que são característicos da família das gramíneas, compostos por: germe (também chamado de embrião), endosperma (maior porção presente no grão) e o farelo (salvado, presente em todos os cereais). O objetivo da prática consiste em analisar morfologicamente a estrutura de algumas amostras de cereais. Material e Métodos Material • Bisturi • Lupa manual • Amostras de arroz (com casca, branco parboilizado), cevada (com e sem casca), aveia (com e sem casca), milho e centeio. Método Foram observados os grãos das amostras de cereais e identificadas as cascas externas das amostras de arroz, trigo, cevada e aveia. Com auxílio de um bisturi, um corte longitudinal foi aplicado nos grãos na tentativa de identificarmos o germe, o endosperma amiláceo e as camadas externas. Para finalizar a prática, as estruturas vistas de cada amostra foram desenhadas e, como complemento do conhecimento, uma das bibliografias propostas foram consultadas. Resultados e discussões Amostra Germe Endosperma Farelo Casca Sulco Barba Arroz c/ casca x x x x Arroz branco x x Arroz parboilizado x x Trigo x x x x x Aveia c/ casca x x x x x Aveia x x x Cevada c/ casca x x x x Cevada x x Centeio x x O trigo, arroz e o milho são considerados os cereais mais importantes e consumidos em maior quantidade. A cevada, o centeio e a aveia complementam este grupo. Para cada uma das amostras analisadas foram encontradas semelhanças e diferenças, mostradas na tabela abaixo. Comumente, em cereais que passam pelo processo de polimento (como por exemplo, no arroz branco e o parboilizado) acabam perdendo o seu germe, claramente visível no arroz com casca (integral) ao descascá-lo. É possível analisar o desenho da estrutura de cada um dos grãos separadamente para melhor exemplificar cada singularidade. Arroz: Aveia: Milho: Cevada: Centeio: As cariopses nuas (como o milho, trigo e o centeio) possuem apenas farelo, enquanto que as vestidas (arroz, aveia e cevada) apresentam também a casca. O milho possui um endosperma composto: um endosperma de coloração branca (farináceo) que possui amido fracamente unido e um endosperma de coloração amarelada (vítrio) e duro. O germe é grande e possuí uma grande quantidade de lipídios, motivo pelo qual se torna utilizado para fabricação do óleo de milho, diferentemente do arroz, que se utiliza do farelo para a fabricação do seu óleo. Além disso, possui em sua extremidade um “tip cap”, responsável pela união entra a espiga e o grão. O trigo (representado através de uma ilustração de suas estruturas na primeira questão do questionário) é caracterizado por apresentar barba e um sulco (também denominado de crease). A aveia, apesar de menor, apresenta uma reentrância que pode ser considerada um sulco. Conclusão O objetivo da prática de analisar morfologicamente as amostras de cereais foi alcançado com sucesso e as diferenças e semelhanças entre elas puderam ser enumeradas ao longo da mesma. Questionário Trigo 2) As cariopses vestidas possuem estruturas denominadas “gluma” que ficam aderidas ao grão constituindo o que chamamos de “casca”. Já as cariopses nuas perdem as glumas durante a colheita e trilha. Estão presentes na família das gramíneas e são caracterizadas por pequenas membranas escariosas. 3 e 6) O milho apresenta um endosperma composto: o farináceo (branco) e o vítreo (amarelado devido a presença de carotenoides e substâncias lipídicas). No farináceo, os grânulos de amido são arredondados e sem uma matriz protéica circundando essas estruturas, deixando-o mais disperso e, consequentemente, mais macio e com espaços vagos. Já no vítreo, a matriz protéica possui corpos estruturados e é mais densa, não permitindo espaço entre elas. A denominação farináceo/vítreo se refere ao aspecto dos grãos quanto a passagem da luz. Os espaços vagos do endosperma farináceo permitem a passagem de luz, deixando o material opaco. Em contrapartida, a ausência destes espaços faz com que o endosperma vítreo reflita a luz. Para a identificação de materiais duros e farináceos tem se aplicado o uso desta propriedade, mesmo que a vitreosidade e a dureza sejam propriedades distintas. 4) O triticale é um cereal híbrido resultante da hibridação de duas espécies diferentes: o trigo (Triticum aestivum L.) e o centeio (Secale cereale L.). Uma de suas características mais marcantes é a possibilidade de serem cultivados em locais ecologicamente desfavoráveis para o trigo, aumentando a sua importância em unidades de produção agrícola que necessitam de um produto energético próximo para produção de leite, ovos, aves e suínos. É mais utilizado na formulação de rações para animais, devido ao seu alto teor de proteínas, e em menor quantidade na alimentação humana. 5) Aveia – Comprimento: 6-13 mm, Largura: 1-4,5 mm Trigo – Comprimento: 5-8 mm, Largura: 2,5-4,5 mm Arroz – Comprimento: 5-10 mm, Largura: 1,5-5 mm Milho – Comprimento: 8-17 mm, Largura: 5-10 mm Centeio – Comprimento: 4,5-10 mm, Largura: 1,5-3,5 mm Cevada – Comprimento: 8-14 mm, Largura: 1-4,5 mm 7) Os tricomas são apêndices da epiderme e se localizam no mesofilo ou nas epidermes, vistos de maneira geral como “pelos” ou pequenas escamas na superfície de folhas e caules. Estão presentes em diversos órgãos das plantas e concedem diferentes funções a elas. São subdivididos em vários tipos de tricomas, como por exemplo, glandulares e secretores de sal. Ou ainda, quanto a sua presença e densidade. Referências Bibliográficas • Koblitz, M. G. B. Matérias Primas Alimentícias – Composição e Controle de Qualidade. Guanabara Koogan, 2011. • Hoseney, R. C. Principios de Ciencia y Tecnologia de los Cereales. Zaragoza, Ed. Acribia, 1991. • PAES, M. C. D. Aspectos Físicos, Químicos e Tecnológicos do Grão de Milho. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Embrapa. Sete Lagoas, MG. 2006