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01 - DIREITO PREVIDENCIÁRIO - 1ª Prova

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obrigado e, ainda, retenha a contribuição dos empregados a seu serviço, recolhendo-as também aos cofres do INSS, tal responsabilidade é intransferível e, caso descumprida, arcará o empregador com os efeitos decorrentes do descumprimento da norma, não se penalizando os empregados.
Da mesma forma que ocorre com a obrigação de pagar tributo, o Estado se utiliza do poder de polícia para verificar a exatidão das contribuições vertidas, bem como das obrigações acessórias decorrentes da aplicação da lei previdenciária, podendo, em caso de violação, aplicar as sanções cabíveis. Finalmente, em caso de ausência de pagamento voluntário das obrigações decorrentes da aplicação das regras de custeio, cumpre ao Poder Público exigir judicialmente a prestação pecuniária, mediante Ação de Execução Fiscal, de rito próprio, após o registro do débito em Dívida Ativa e a expedição do título executivo extrajudicial.
SISTEMA CONTRIBUTIVO
Na relação de custeio da Seguridade Social, aplica-se o princípio de que todos que compõem a sociedade devem colaborar para a cobertura dos riscos provenientes da perda ou redução da capacidade de trabalho ou dos meios de subsistência. Por ser uma relação jurídica estatutária, é compulsória àqueles que a lei impõe, não sendo facultado ao contribuinte optar por não cumprir a obrigação de prestar a sua contribuição social; podem os contribuintes, quando muito, nos casos em que a lei permite, estar isentos, hipótese de entidades assistenciais, ou optar por contribuir com mais ou com menos, mantendo-se a obrigação, caso dos segurados facultativos. Observa-se ainda que são contribuintes não só os segurados da Seguridade Social, como também outras pessoas dentro da sociedade, as empresas e empregadores domésticos, bem como, em nosso ordenamento, aqueles que fazem apostas em concursos de prognósticos.
Há duas formas de obter-se o custeio: uma, pela receita tributária, unicamente, a que se chama de sistema não-contributivo; e outra, pela qual a fonte principal de custeio são contribuições específicas, que são tributos vinculados para este fim, sistema então chamado de contributivo.
No sistema não contributivo, os valores despendidos com o custeio são retirados diretamente do orçamento do Estado, que obtém recursos por meio da arrecadação de tributos, entre outras fontes, sem que haja cobrança de contribuições sociais.
No sistema contributivo, por seu turno, podemos estar diante de duas espécies: uma, em que as contribuições individuais servirão somente para o pagamento de benefícios aos próprios segurados, sendo colocadas numa reserva ou conta individualizada (sistema adotado pelo FGTS), a que chamamos de sistema de capitalização; noutra, as contribuições são todas reunidas num fundo único, que serve para o pagamento das prestações no mesmo período, a quem delas necessite, é o sistema de repartição, hoje vigente em termos de Seguridade no Brasil.
PARTICIPAÇÃO DA UNIÃO
A Constituição Federal de 1988 estabelece no art. 195, caput, que a Seguridade Social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das contribuições sociais.
O art. 165, §5º,III, da Constituição fixa, ainda, a regra segundo a qual a lei orçamentária anual compreenderá “o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. Em verdade, a União não tem, efetivamente, uma contribuição social. Ela participa atribuindo dotações do seu orçamento à Seguridade Social, fixados obrigatoriamente na Lei Orçamentária anual, além de ser responsável pela cobertura de eventuais insuficiências financeiras da Seguridade, em razão do pagamento de benefícios de prestação continuada pela previdência social (art. 16 da Lei n. 8.212/91). Não há um percentual mínimo definido para ser destinado à Seguridade Social, tal como ocorre com a educação (art. 212 da Constituição). É uma parcela aleatória.
De há muito não existem mais as chamadas “quotas de previdência”, que eram taxas exigidas do público em geral com a finalidade de ser transferida a receita deles decorrente ao então Instituto Nacional da Previdência Social — INPS (art. 135 da CLPS/84).
A União garante a Previdência Social. Com isso, tem-na estatizada e sob sua administração, ferindo a idéia de o seguro social ser um empreendimento dos trabalhadores. Na verdade, se os recursos canalizados pelas contribuições não forem suficientes, a sociedade é chamada, através do orçamento da União, a contribuir.
Por outro lado, a União pode socorrer-se do “caixa” da Seguridade Social para pagar seus encargos previdenciários. A União, para fazer frente a esses encargos, é autorizada a utilizar-se dos recursos provenientes das contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro (art. 17 da Lei n. 8.212/91).
Também podem ser utilizados os recursos da Seguridade Social para custear despesas com pessoal e administração geral do INSS, salvo os provenientes da arrecadação da contribuição sobre concursos de prognósticos, cuja destinação é somente para custeio dos benefícios e serviços prestados pela Seguridade Social (art. 18 da Lei n. 8.212/91).
Entretanto, a Emenda Constitucional n. 20/98 acrescentou o inciso Xl ao art.167 da Constituição para vedar a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195,I, a, e, Il (incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho e do trabalhador e demais segurados da Previdência Social), para a realização de despesas outras que não as decorrentes do pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social — RGPS.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS
A Constituição Federal de 1988 tratou das contribuições sociais no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, estabelecendo no art. 149 normas gerais sobre a instituição, e, no art. 195, normas especiais em relação às contribuições para a Seguridade Social.
Sobre a competência para instituição de contribuições previdenciárias esta não é privativa da União, mas estende-se aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, para que instituam sistemas de previdência e assistência social próprios para seus servidores, não sendo possível a estes entes criarem regimes previdenciários para trabalhadores da iniciativa privada, cuja competência é exclusiva da União.
A contribuição para a Seguridade Social é uma espécie de contribuição social, cuja receita tem por finalidade o financiamento das ações nas áreas da saúde, previdência e assistência social.
Natureza Jurídica
A identificação da natureza jurídica das contribuições para a Seguridade Social possui uma importância significativa, pois ajuda a compreender as regras que lhes são aplicáveis.
Várias teorias se formaram para definir a natureza jurídica das contribuições sociais, porém as mais significativas são: a teoria fiscal, a teoria parafiscal e a teoria da exação sul generis.
De acordo com a teoria fiscal, a contribuição para a Seguridade Social tem natureza tributária, pois se trata de uma prestação pecuniária compulsória instituída por lei e cobrada pelo ente público arrecadador com a finalidade de custear as ações nas áreas da saúde, previdência e assistência social. O fato de não se enquadrar como imposto, taxa ou contribuição de melhoria, espécies de tributos relacionados no art. 145 da Constituição Federal e no art. 59 do Código Tributário Nacional, não afasta sua natureza tributária, isto porque a instituição das contribuições sociais está prevista no art. 149 da Constituição, que compõe o capítulo “Do Sistema Tributário Nacional”.
De acordo com a teoria parafiscal, há que se diferenciar os tributos fiscais e parafiscais. A contribuição para a Seguridade Social teria a natureza da parafiscalidade, pois busca suprir os encargos do Estado, que não lhe sejam próprios,