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01 - DIREITO PREVIDENCIÁRIO - 1ª Prova

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no caso, o pagamento de benefícios previdenciários. Sua arrecadação e administração são descentralizadas, sendo feita por um órgão paralelo, no caso o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, que é uma autarquia federal, ente administrativo autônomo. As receitas vão para um orçamento próprio, distinto do orçamento da União, e o destino dos recursos é o atendimento das necessidades econômicas e sociais de determinados grupos ou categorias profissionais e econômicas. Embora a exigência da contribuição seja compulsória, o regime especial de contabilização financeira afasta a natureza fiscal.
Pela teoria da exação sul generis a contribuição à Seguridade Social nada tem a ver com o Direito Tributário, não possuindo natureza fiscal nem parafiscal. Trata-se de uma imposição estatal atípica, prevista na Constituição e na legislação ordinária, cuja natureza jurídica éespecial.
A contribuição à seguridade social é tributo. Tributo é gênero, do qual são espécies o imposto, a taxa, a contribuição de melhoria, as contribuições, ou até mesmo o empréstimo compulsório. Em nível jurisprudencial, deve-se observar a orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal no sentido de que a contribuição para a Seguridade Social é modalidade de tributo que não se enquadra na espécie de imposto, taxa ou contribuição de melhoria.
Garacterísticas Gerais
As características gerais das contribuições sociais estão previstas no art. 149 da Constituição Federal, que estabelece para a instituição a observância das normas gerais do Direito Tributário e aos princípios da legalidade e da anterioridade, ressalvando, quanto a este último, a regra especial pertinente às contribuições para a Seguridade Social, cujo prazo de exigibilidade é de noventa dias após a publicação da lei que institui, modifica ou majora contribuição, de acordo com o previsto no art. 195, §6º, da Constituição Federal.
As normas gerais em matéria de legislação tributária, a que estão sujeitas as contribuições sociais, estão previstas no Código Tributário Nacional, recepcionadas pela Constituição com o status de lei complementar.
A regulamentação das contribuições para a Seguridade Social prevista no art. 195 da Constituição Federal por meio de lei ordinária (Lei n. 8.212/91) tem sido admitida, desde que não haja afronta às normas gerais definidas na Constituição e no Código Tributário Nacional.
As contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social previstas nos incisos I,II,III e IV, do art. 195 da Constituição podem ser instituidas por lei ordinária. Todavia, para a instituição de outras fontes de custeio, destinadas a garantir a manutenção ou expansão da Seguridade Social, estabeleceu o constituinte de 1988, no § 4º do art. 195, que deve ser obedecido o disposto no art. 154 - A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição.
Dessa disposição fica evidenciado, no tocante às contribuições sociais, que a remissão trata, exclusivamente, da necessidade de lei complementar para a criação de nova contribuição, uma vez que as outras condições (não-cumulatividade, fato gerador e base de cálculo inéditos) são específicas de espécie tributária, o imposto. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido de que para a criação de nova contribuição social basta a observância do pressuposto formal da lei complementar.
O princípio da anterioridade previsto no art. 150,III, letra b, da Constituição veda a cobrança de tributo no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou. O exercício financeiro começa no dia 1º de janeiro e se prolonga até o dia 31 de dezembro de cada ano.
Para as contribuições à Seguridade Social, a Constituição estabeleceu a observância de uma norma de anterioridade especial prevista no ad. 195, § 6º, no sentido de que só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado.
Sendo assim, não se lhes aplica o disposto no art. 150,III, b, da Constituição, podendo ser exigidas no mesmo exercício financeiro, desde que respeitada a anterioridade dos noventa dias.
As contribuições sociais estão, em regra, sujeitas ao lançamento por homologação. O sujeito passivo antecipa o pagamento respectivo sem que a autoridade administrativa tenha examinado os elementos com base nos quais foi a mesma calculada.
CONTRIBUINTES DA SEGURIDADE SOCIAL
Os termos “contribuinte” e “segurado” possuem diferenças de significado importantes no âmbito do Direito Previdenciário.
Contribuinte é o sujeito passivo da obrigação tributária, podendo ser pessoa física ou jurídica, sendo assim considerada toda pessoa que, por determinação legal, está sujeita ao pagamento de tributo.
A definição de sujeito passivo estabelecida no Código Tributário Nacional é a seguinte: sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art. 121, caput); sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto (art. 122).
O sujeito passivo da obrigação principal pode assumir a condição de contribuinte ou responsável. Diz-se ser contribuinte quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; chama-se responsável quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei (art. 122, parágrafo único, do CTN).
A Constituição, ao delinear o âmbito das contribuições para a Seguridade Social, no art. 195, I, II, III e IV, estabeleceu quem será contribuinte do sistema:
- o empregador, a empresa e a entidade a ela equiparada;
- o trabalhador e os demais segurados da Previdência Social;
- os apostadores de concursos de prognósticos;
- o importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar.
SEGURADOS DA PREVIDENCIA SOCIAL
Os segurados da Previdência são os principais contribuintes do sistema de seguridade social previsto na ordem jurídica nacional. São contribuintes em função do vínculo jurídico que possuem com o regime de previdência, uma vez que, para obter os benefícios, devem teoricamente verter contribuições ao fundo comum. Diz-se teoricamente porque, em certos casos, ainda que não tenha ocorrido contribuição, mas estando o indivíduo enquadrado em atividade que o coloca nesta condição, terá direito a benefícios e serviços: são os casos em que não há carência de um mínimo de contribuições pagas. Os segurados são classificados em obrigatórios e facultativos.
Obrigatórios são os segurados de quem a lei exige a participação no custeio, bem como lhes concede, em contrapartida, benefícios e serviços, quando presentes os requisitos para a concessão. São segurados obrigatórios, e portal razão contribuintes do sistema, os indivíduos enquadrados nos conceitos de: empregado, empregado doméstica, contribuinte individual, trabalhador avulso e segurado especial, na forma prevista no art. 12 da Lei n. 8.212/91.
Facultativos são aqueles que, não tendo regime previdenciário próprio (art. 201, §5º, da CF), nem se enquadrando na condição de segurados obrigatórios do regime geral, resolvem verter contribuições para lazer jus a benefícios e serviços. São segurados facultativos, na formado art. 14 da mesma Lei de Custeio, as pessoas naturais maiores de 14 anos que se filiarem de forma não compulsória ao RGPS, mediante contribuição vertida na forma do art. 21 da Lei.
CONTRIBUIÇÕES DAS EMPRESAS
A Constituição prevê no art. 195, inciso I, a incidência de contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, nos seguintes termos:
- do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, na forma da lei, incidentes sobre:
- folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados,