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Agenda 21 - acoes2edicao

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em massa;
nova eficiência organizacional, com maior ênfase à configuração de sistemas do que à automação. 
A redução do tempo e do espaço, resultante dos impactos multifacetados da terceira revolução científica e tecnológica, ampliou os fluxos de comércio internacional que, conjugados com a maior abertura externa das economias nacionais, impuseram a necessidade de reestruturação das empresas e das organizações para enfrentar os desafios da integração competitiva. 
Cenário atual do Brasil
Em todos os países da América Latina, assiste-se, atualmente, a uma profunda mudança no papel do Estado na economia, em sua tríplice função alocativa, distributiva e de estabilização. Durante quase todo o período do pós-guerra, os estados nacionais exerceram papel insubstituível na promoção do crescimento econômico, na formulação e na implementação de políticas sociais compensatórias, assim como no esforço de contenção dos processos inflacionários em cada país latino-americano. 
Não resta dúvida de que a reforma do Estado tem se constituído em um vigoroso evento portador de mudanças no Brasil. Em função dos processos de privatizações iniciados na última década, das concessões de serviços públicos, autorizadas a partir dos três últimos anos, das desregulamentações adotadas particularmente nas relações de comércio internacional e da integração na união alfandegária do Mercosul, a economia brasileira passou a dispor de melhores condições institucionais e oportunidades econômicas para configurar um ciclo de expansão, neste início de século XXI. A economia brasileira tornou-se, pois, mais aberta, menos regulamentada, mais privatizada e, portanto, mais propensa ao crescimento sustentado. 
No caso específico do processo de privatização, o impacto das vendas das empresas estatais, em primeira instância, é de natureza macroeconômica, com os recursos obtidos sendo dirigidos para a redução do desequilíbrio das contas públicas e para financiar o déficit em conta corrente quando houver significativa participação do capital estrangeiro nesse processo. O segundo e mais duradouro impacto é, fundamentalmente, de natureza microeconômica e se realiza pela reestruturação organizacional das empresas privatizadas e pelos investimentos de modernização para sua competitividade dinâmica. 
É preciso enfatizar, contudo, que o Brasil ainda deverá contar com o papel do Estado, ao longo dos próximos anos, não apenas para garantir a oferta dos serviços públicos tradicionais, mas também para:
coordenar o processo de desenvolvimento nacional, por meio de mecanismos de intervenção indireta e de planejamento indicativo;
promover melhor distribuição da renda e da riqueza, por meio de políticas sociais compensatórias;
articular programas de geração de emprego e renda;
conceber e executar um conjunto de políticas econômicas que mantenham a consistência macroeconômica;
regulamentar a operação de setores estratégicos (energia elétrica, telecomunicações e petróleo) para o crescimento econômico, a sustentabilidade ambiental e a eqüidade social;
atenuar os desequilíbrios regionais de desenvolvimento;
apoiar, técnica e financeiramente, segmentos seletivos da economia brasileira (pequenas e médias empresas, pequenos produtores rurais, exportações) para ampliar sua capacidade competitiva ou estabilizar sua renda. 
Nos últimos vinte anos ocorreram mudanças substanciais no padrão demográfico do Brasil que terão conseqüências gerais e profundas no seu processo de desenvolvimento econômico e social, e conseqüências específicas na dinâmica de mercados de diversos bens e serviços. 
No final da década de 1960, tem início um processo rápido e generalizado de declínio da fecundidade. Limitado inicialmente aos grupos sociais urbanos de renda mais elevada das regiões desenvolvidas, esse processo se estendeu a todas as classes sociais e nas diversas regiões, levando à desaceleração do ritmo de crescimento populacional. Além do mais, importantes mudanças de valores e de comportamentos se refletiram na estrutura e configuração da família brasileira, a exemplo do papel da mulher na sociedade e as repercussões sobre sua crescente participação no mercado de trabalho. 
O novo padrão demográfico se caracteriza, pois, por mudanças na estrutura etária, com maior participação relativa dos idosos e menor participação relativa do contingente com menos de 15 anos. Projeta-se que, em meados deste século, a população brasileira deverá se estacionar em torno de 250 milhões de habitantes, em função do declínio ainda maior da taxa de fecundidade. 
Os relatórios de desenvolvimento humano da Organização das Nações Unidas têm destacado que são inúmeras as conseqüências desse novo padrão demográfico para o novo ciclo de crescimento econômico, para as políticas sociais do Brasil e, conseqüentemente, para as estratégias empresariais de marketing. 
Primeiro, a população em idade escolar a ser atendida nos diferentes níveis de ensino vem crescendo em ritmo cada vez menor, e assim deverá continuar. Recursos que vinham sendo utilizados para a expansão da capacidade de atendimento do sistema educacional brasileiro poderão ser realocados em programas de qualidade nesse mesmo sistema. 
Segundo, a expansão mais lenta da população jovem, além de diminuir a pressão sobre o mercado de trabalho, oferece, também, condições mais favoráveis para uma melhor preparação técnica das pessoas antes de seu ingresso no mercado de trabalho ou no próprio local de trabalho, melhorando-se, assim, as características de qualidade da mão-de-obra, necessária para um ciclo de expansão intensivo em informação e conhecimento. 
Terceiro, como as pessoas idosas pertencerão a famílias cada vez menores (tendência a famílias com apenas dois filhos), poderão ter menor amparo dos filhos e parentes. Portanto, o sistema de saúde, público e privado, deverá se preparar para atender adequadamente a essa parcela crescente da população, que apresenta um quadro de morbidade bem específico e de tratamento mais caro. 
Finalmente, o aumento da relação entre idosos e pessoas em idade ativa, nas próximas décadas, deverá acentuar significativamente o grave desequilíbrio no sistema previdenciário brasileiro. 
A atual fase de transição demográfica brasileira apresenta um período crucial e de grandes oportunidades sob os mais diferentes aspectos. O caso da previdência oficial é ilustrativo e evidencia um desequilíbrio atuarial crônico, desde as mudanças ocorridas na Constituição de 1988, contribuindo para a formação do déficit do setor público consolidado no Brasil. 
Esse déficit poderá se tornar crônico e superar 3% do PIB nos primeiros anos deste século, se as reformas institucionais não avançarem. Essas reformas, ao abrirem espaço para a ampliação da previdência complementar pelos fundos privados, poderão provocar a emergência de uma importante fonte de poupança privada no país, além de responder de forma mais eficaz às necessidades da população idosa nas próximas décadas. 
Assim, a redução na proporção de jovens na população total e as novas demandas geradas pelo aumento absoluto e da proporção dos idosos, sob muitos aspectos, podem se transformar numa oportunidade para formulação de estratégias de mercados do setor privado (diferenciação e diversificação dos produtos de consumo, planos de saúde, previdência complementar, medicina geriátrica) e num desafio para a reestruturação dos gastos públicos, envolvendo o redimensionamento, para cima ou para baixo, de programas de assistência à maternidade, de creches, de qualificação da mão-de-obra, de saúde da terceira idade e de qualidade total no ensino fundamental. 
Da mesma forma, mudanças de valores e de comportamento na estrutura da família brasileira, maior participação das mulheres na composição do orçamento doméstico e controle sobre o número preferencial de filhos certamente irão transformar as relações de mercado. 
Uma escolha entre os futuros possíveis
As novas idéias que procuram explicar por que alguns países