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ANATOMIA PATOLÓGICA • Logos (estudo) e pathos (doenças); • Estudo através de métodos morfológicos de alterações produzidas pelas doenças em órgãos e tecidos; • Exames macroscópico e microscópico (microscopia óptica e eletrônica); • Origem na Anatomia Humana; DEGENERAÇÕES • Def. atual: “ lesões REVERSÍVEIS decorrentes de alterações bioquímicas que resultam no acúmulo de substâncias no interior das células.” DEGENERAÇÕES • Acúmulo de água e eletrólitos – Degeneração hidrópica ou vacuolar; • Acúmulo de lipídeos Esteatose Lipidoses • Acúmulo de proteínas Hialina Mucóide • Acúmulo de carboidratos. ALTERAÇÃO VACUOLAR • É a entrada de fluido extracelular e eletrólitos dentro de uma célula, secundária a deficiência na atividade das ATPases (bombas de Na/K) da membrana celular, levando a acúmulo de água no citoplasma. • É reversível, desde que não muito intensa ou prolongada. ALTERAÇÃO VACUOLAR • Bomba de Na+ / K+ : ATPase que atravessa a membrana plasmática. Para cada molécula de ATP que a enzima hidroliza, 3 íons Na+ são bombeados para fora e 2 K+ para dentro. • Até 100 ATPs podem ser hidrolizados por segundo. • Na maioria das células, 30 a 40% da energia do metabolismo basal é consumida na manutenção de gradientes iônicos. • Em células eletricamente excitáveis, 70%. Fígado normal Alteração vacuolar • O estado de choque é uma hipoperfusão dos tecidos que causa anóxia generalizada das células e, portanto, menor síntese de ATP pelo ciclo de Krebs. • A falta de ATP leva à parada de funcionamento da bomba de Na/K com acúmulo de íon Na no interior do citoplasma atraindo água por osmose. O resultado é a alteração vacuolar demonstrada acima. ALTERAÇÃO VACUOLAR DEGENERAÇÕES • Acúmulo de água e eletrólitos – Degeneração hidrópica ou vacuolar; • Acúmulo de lipídeos Esteatose Lipidoses • Acúmulo de proteínas Hialina Mucóide • Acúmulo de carboidratos. Glicogênio - molécula ramificada; unidades de glicose em ligação glicosídica; Forma de armazenamento de açúcares em células animais; Doença de Von Gierke: glicogenose do tipo I. Deficiência de glicose-6-fosfatase em hepatócitos e células tubulares renais. • Notada geralmente em torno dos dois anos de idade. • Herança autossômica recessiva (HAR). • Retardo de crescimento. • Ausência de retardo mental. • Grande hepatomegalia e renomegalia. • Ausência de esplenomegalia ou de ascite. • Hipoglicemia grave (pode ter convulsões). • Acúmulo de glicogênio no citoplasma dos hepatócitos: aspecto de célula vegetal. DOENÇA DE VON GIERKE – GLICOGENOSE TIPO I A causa destas alterações é uma deficiência genética da enzima glicose- 6-fosfatase, a última enzima da via de degradação do glicogênio, antes de sua liberação como glicose no sangue. A enzima é codificada por um par de gens autossômicos. É necessária a falta de ambos para que a doença se manifeste (portanto, herança autossômica recessiva). Fígado normal von Gierke GLICOGENOSE DE VON GIERKE Esta lâmina de fígado mostra acúmulo de glicogênio em hepatócitos, que ficam com citoplasma claro e vacuolado (aspecto em célula vegetal). O material foi obtido por biópsia em cunha, fixado em formol, incluído em parafina, e os cortes foram corados por hematoxilina e eosina. O glicogênio, sendo hidrossolúvel, dissolveu-se no fixador, que é aquoso. Temos, portanto, a imagem após a retirada do glicogênio. aspecto vazio do citoplasma foi comparado ao de uma célula vegetal, onde a maior parte do volume celular é ocupado por um vacúolo aquoso. Alteração vacuolar von Gierke Nos dois casos, o citoplasma das células assume aspecto claro e vacuolado, não sendo possível distinguir entre uma e outra baseando-se apenas em uma lâmina de HE. No entanto, são situações muito diferentes do ponto de vista patogenético. Isto ilustra que o achado morfológico por si só, embora muito valioso pelas informações que presta, pode ser precário se tomado isoladamente, sem a indispensável correlação com dados clínicos e laboratoriais. Estes precisam ser fornecidos ao patologista, ainda que resumidamente, no pedido que acompanha o material submetido para exame anátomo-patológico. DEGENERAÇÕES • Acúmulo de água e eletrólitos – Degeneração hidrópica ou vacuolar; • Acúmulo de lipídeos Esteatose Lipidoses • Acúmulo de proteínas Hialina Mucóide • Acúmulo de carboidratos. DEGENERAÇÕES HIALINAS • DEFINIÇÃO. Produção e acúmulo de proteínas no interior de células ou em tecidos, que tomam aspecto hialino (homogêneo e eosinófilo). • Hialino vem de hyalos, que significa vidro. Portanto, as proteínas têm histologicamente aspecto homogêneo e brilhante, ou refringente, que lembra vidro, e cor rósea forte quando coradas por hematoxilina e eosina. DEGENERAÇÕES HIALINAS ALTERAÇÃO HIALINA DE MALLORY • Característica, mas não patognomônica do alcoolismo crônico. • Filamentos e grumos acidófilos no citoplasma dos hepatócitos. • Resulta de condensação das proteínas do citoesqueleto por ação direta do álcool (quando ingerido em grandes quantidades). • Geralmente associa-se à esteatose (acúmulo de triglicérides no citoplasma dos hepatócitos, também por efeito do álcool). Acúmulo de proteínas em células: degeneração hialina de Mallory • Alteração hialina de Mallory, material grumoso hialino (homogêneo e eosinófilo) no citoplasma de hepatócitos, geralmente visualisável em meio aos vacúolos lipídicos. • Condensação de filamentos do citoesqueleto por ação tóxica do álcool. Geralmente é observada em ingesta recente e intensa de álcool. DEGENERAÇÕES HIALINAS • Encontrada com freqüência na hipertensão arterial benigna e no diabetes mellitus, porém é um fenômeno normal do envelhecimento. • Pode ocorrer em vários órgãos. No baço é precoce, mas sem importância clínica. • No rim, arteríolas aferentes glomerulares sofrem deposição de substância hialina entre o endotélio e a camada média. A camada média sofre atrofia. • A substância hialina tem origem em proteínas do plasma. Estas vão gradualmente passando através do endotélio e depositando-se abaixo. Em conseqüência, há diminuição da luz da arteríola, levando a isquemia e, gradualmente, a hialinização dos glomérulos. • Acometimento dos glomérulos é esparso e ao acaso. Quase nunca leva a insuficiência renal. HIALINOSE ARTERIOLAR Exemplos de acúmulo extracelular de proteínas : hialinose arteriolar e hialinização glomerular no rim na hipertensão arterial benigna A HIALINOSE ARTERIOLAR (também conhecida por arteriolosclerose hialina) é a deposição de material proteico de aspecto hialino em posição subendotelial em arteríolas, isto é, entre o endotélio e a camada média. ARTERÍOLAS NORMAIS HIALINOSE ARTERIOLAR São glomérulos que sofreram isquemia (falta de irrigação) em conseqüência de lesões vasculares (artériosclerose e arteríolosclerose), levando a degeneração das células constituintes dos mesmos, particularmente dos podócitos, que são as células epiteliais integrantesdo aparelho de filtração. DEGENERAÇÕES HIALINAS SUBSTÂNCIA FIBRINÓIDE • Fibrinóide = semelhante a fibrina • Material hialino encontrado em vasos em doenças autoimunes e na hipertensão maligna. • Em doenças autoimunes (ex. lupus, PAN) = restos de células necróticas, fibrina e imunocomplexos. • Na hipertensão maligna = restos de células necróticas, fibrina mas não imunocomplexos Substância fibrinóide na poliarterite nodosa (PAN) • DEFINIÇÃO. A gota é um síndrome caracterizado por deposição de cristais de urato de sódio em certas articulações, principalmente na metatarso-falangiana do hálux, e cálculos nas vias urinárias. • Predomina em homens (95%) geralmente dos 30 aos 50 anos, bem nutridos e ativos. • Inicia-se com ataques agudos de artrite que regridem espontaneamente ou com medicação (gota aguda). • Se não tratada, progride à fase crônica, em que deposição permanente de cristais na forma de tofos destrói as articulações. GOTA ÚRICA Gota úrica aguda • Deposição nos tecidos de cristais de urato de sódio, principalmente em articulações distais. • Solubilidade dos uratos no líquido articular é 6,4 mg / 100ml. Se excedida – cristalização. • Cristais atraem células para fagocitose (neutrófilos, macrófagos) – liberação de radicais livres – reação inflamatória aguda – rubor, calor, tumor e dor. • Crise aguda melhora, espontâneamente ou com antiinflamatórios (ou colchicina, hoje menos usada). GOTA ÚRICA Mecanismo do ataque agudo: precipitação de cristais de urato no líquido sinovial e tecidos periarticulares, na vigência de hiperuricemia (ver quadro abaixo). Os cristais provocam afluxo de neutrófilos que, na tentativa de fagocitá-los, liberam enzimas proteolíticas e radicais livres, dando origem aos sinais inflamatórios. Também há ativação do complemento. Gota úrica crônica • Repetição dos ataques agudos – deposição permanente de cristais – reação inflamatória crônica granulomatosa. • Lesão das superfícies articulares – artropatia gotosa. • Articulações mais envolvidas – mais distais porque temperatura é mais baixa. • Deposição nas cartilagens auriculares. • Calculose renal. • Gota crônica. Com o tempo, após vários ataques e remissões, vão-se formando insidiosamente depósitos de uratos, chamados tofos, que não são acompanhados de sinais inflamatórios. As articulações mais acometidas são as distais, e a cartilagem auricular. • Microscopicamente, observa-se reação inflamatória crônica inespecífica ou granulomatosa (com presença de células gigantes). Há forte tendência ao desenvolvimento de cálculos renais.