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Direito Processual Civil

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outros, cada qual 
seguindo o seu próprio curso. 
o Os processos que se formarem correrão perante o mesmo juízo ao qual 
foi distribuído o que permitirá, preservar a harmonia dos julgados. 
 
o Desmembramento a pedido: 
o Caso o juiz não determine o desmembramento de ofício 
o O pedido de limitação pode ser requerido por qualquer dos réus. 
o O prazo para formulá-lo é o de resposta. 
o Conseqüências: 
o Interrompe o prazo para defesa. 
o Penas da litigância de má-fé 
o A eficácia interruptiva decorre de lei. 
 
 
APOSTILA DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Professor Heitor Miranda Guimarães 
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IV.2 - CLASSIFICAÇÃO DO LITISCONSÓRCIO: 
 
o São duas classificações fundamentais: 
o Litisconsórcio necessário: 
o Será obrigatório o litisconsórcio: 
o Quando houver lei determinando a sua formação 
o Quando a natureza da relação jurídica for tal que o juiz tenha 
de decidir a lide de modo uniforme para todas as partes. 
 A primeira hipótese por exemplo, nas ações de 
usucapião, em que o art. 942 estabelece a citação daquele 
em cujo nome estiver registrado, de todos os confinantes. 
 Outro exemplo é o CPC, art. 10, § 1º que determina a 
citação de ambos os cônjuges nas ações que versem sobre 
direito real imobiliário. 
o É possível, litisconsórcio necessário mesmo que não haja lei 
determinando a sua formação. 
 O casamento, por exemplo, 
 É dessa natureza, porque não é possível dissolvê-lo para 
o marido e não para a mulher. 
 O casamento é sempre uma relação jurídica que tem dois 
titulares: o marido e a mulher. 
o Se a demanda de anulação de casamento for aforada, por 
exemplo, pelo Ministério Público, necessariamente terão que 
ser citados ambos os cônjuges. 
 
o Da mesma forma: 
o Num contrato fizeram parte 4 pessoas, 
o Uma delas quer anulá-lo, 
o Será preciso citar as outras três, 
o Porque o contrato não pode ser anulado somente para um e não 
para os outros. 
 
o O litisconsórcio será necessário quando houver unitariedade; 
o De lide que tenha dois ou mais titulares, 
o Caso em que nem será preciso haver lei determinando a sua 
formação. 
o Nessa hipótese, além de necessário, ele será unitário, porque, a 
sentença não poderá ser diferente para os litisconsortes. 
o Por exemplo ação anulatória de casamento ajuizada pelo 
Ministério Público, 
 Haverá necessidade de citação do marido e da mulher 
(porque a relação jurídica é de ambos), 
 A sentença terá que ser idêntica para ambos. 
 
o Litisconsórcio Necessário por Força de Lei: 
o Poderá ser unitário ou simples. 
 
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Professor Heitor Miranda Guimarães 
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o Hipóteses em que a lei manda formá-lo, 
o A relação jurídica é una e incindível. 
o Ex.: É o caso da ação de dissolução e liquidação de sociedade 
comercial. 
 
o Litisconsórcio Necessário por Força de Lei e Unitário: 
o Não pode o juiz dissolver a sociedade para alguns e não para os 
demais. 
o A própria natureza da relação jurídica sub judice impõe a sua 
formação. 
 
o Litisconsórcio Necessário por Força de Lei e Simples: 
o A norma jurídica impõe a sua formação, 
o Mas a sentença não precisa ser igual para todos os litisconsortes. 
o Por exemplo: nas ações de usucapião, em que o pedido, tal 
como formulado pelo autor, poderá ser acolhido em relação a 
alguns confrontantes, mas não a outros. 
 
o Razões para o Litisconsórcio Necessário: 
o Há duas razões que fazem um litisconsórcio necessário: 
o Ou existe lei determinando a sua formação, 
o Caso em que ele poderá ser simples ou unitário, 
o Conforme a relação jurídica sub judice seja ou não uma e 
incindível; 
o Ou não há lei impondo a sua formação, 
o Mas há unilateralidade de lide, 
o Pois a relação é uma e indivisível, 
o Com mais de um titular. 
o Nessa segunda hipótese, o litisconsórcio necessário, será 
inexoravelmente unitário. 
o O litisconsórcio é necessário porque não há como atingir a relação 
jurídica sem trazer a juízo todos os seus titulares; 
o E unitário porque, sendo incindível a relação, o resultado há de ser 
igual para todos. 
o Há casos que dependem de previsão legal, 
o Em que as relações jurídicas unas e incindíveis, 
o Com mais de um titular, 
o Podem ser postuladas ou defendidas ações em juízo por apenas 
um deles. 
 Por exemplo: 
 Condomínio. 
 No caso de um único bem, 
 Que pertence a vários titulares. 
 Se não houvesse lei em contrário, o bem só 
poderia ser defendido em juízo por todos. 
 
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 No entanto, há regra legal expressa permitindo 
que a coisa possa ser defendida em juízo por 
apenas um deles (CC, art. 1.314). 
 
o Litisconsórcio facultativo 
o Ocorre quando há opção entre formá-lo ou não. Em regra, a decisão incumbe ao 
autor, pois é ele quem apresenta a demanda e indica quem são as partes. Há 
casos, que a formação do litisconsórcio depende da vontade do réu, como, por 
exemplo, no chamamento ao processo do devedor principal, em caso de fiança, 
ou dos co-devedores solidários. 
o Pode ser unitário, diante de uma situação de uma relação jurídica, que tem mais 
de um titular e pode ser postulada ou defendida em juízo por apenas um deles. 
Quando os vários titulares da relação jurídica têm a opção de ir juntos a juízo ou 
não. Haverá litisconsórcio facultativo unitário. (ex: condomínio). 
o O mais comum é que ele seja facultativo e simples, isto é, opcional e sem a 
exigência de resultado idêntico para todos. 
O CPC, art. 46, enumera as hipóteses em que será facultativo e simples. 
a) Comunhão de direitos e obrigações relativamente à lide: Ocorre 
quando duas ou mais pessoas se apresentam como titulares de um 
só direito ou quando elas sejam apontadas como obrigadas por um 
vínculo só. 
 
O exemplo é dado pela solidariedade ativa e passiva, há uma única dívida, 
que tem mais de um titular. 
 
Ativa, cada um dos credores pode cobrar a dívida na integralidade, se o 
preferir; na passiva, o débito inteiro pode ser exigido de qualquer dos devedores. 
 
b) Conexidade: De acordo com o CPC, art. 103, duas demandas são 
conexas quando tiverem o mesmo pedido ou se apoiarem na 
mesma causa de pedir. 
Por exemplo, duas pessoas que tenham sofrido danos em virtude de um 
mesmo acidente de trânsito podem ir juntas a juízo, em litisconsórcio facultativo, 
porque ambos os pedidos estão fundados no mesmo fato. 
 
c) Afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito 
(art. 46, IV).O legislador não explica o que sejam as afinidades por 
um ponto comum. O termo “afinidade” pelo juiz. 
 
Cumpre a ele verificar se há, entre as situações dos autores ou réus, 
similitude, semelhança, ou parecença que justifique o litisconsórcio. 
 
Imaginem-se duas pessoas que pretendam obter um determinado benefício 
da previdência social, invocando em seu favor o mesmo dispositivo legal. Embora a 
situação de cada uma delas seja diferente, há um ponto comum, a aplicação daquele 
dispositivo invocado e a conseqüência daí decorrente. 
 
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Não se admitirá, por exemplo. Não há aí nenhum ponto comum, mas apenas 
identidade de réus, não é suficiente para ensejar o litisconsórcio. 
 
Litisconsórcio unitário 
É aquele em que a solução do litígio deverá ser igual para todos. Para verificar 
se um litisconsórcio é unitário, deve-se imaginar se existe alguma possibilidade de 
soluções diferentes. 
Se isso for incogitável, haverá a unitariedade. Se o Ministério Público, por 
exemplo, ajuíza uma ação anulatória de casamento em face do marido e da mulher, 
não será possível, em hipótese alguma, que o juiz anule o matrimônio para um e não 
o faça para o outro. Ou o casamento vale para ambos, ou não