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Propriedade Intelectual

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formalidade: esse gozo e esse exercício devem ser independentes da existência da proteção no país de origem das obras. Por conseguinte, afora as estipulações da presente Convenção, a extensão da proteção e os meios processuais garantidos ao autor para salvaguardar os seus direitos regulam-se exclusivamente pela legislação do País onde a proteção é reclamada”.
 * A proteção independe de qualquer formalidade.
Art. 2º Conv. da União de Paris 1883 – CUP:
“1) Os nacionais de cada um dos países da União gozarão em todos os outros países da União, no que se refere à proteção da propriedade industrial, das vantagens que as leis respectivas concedem atualmente ou venham a conceder no futuro aos nacionais, sem prejuízo dos direitos especialmente previstos na presente Convenção. Em consequência, terão a mesma proteção que estes e os mesmos recursos legais contra qualquer atentado dos seus direitos, desde que observem as condições e formalidades impostas aos nacionais”.
* exige formalidades para propriedade industrial.
Art. 3º, TRIPs:
“1) Cada membro concederá aos nacionais dos demais Membros tratamento não menos favorável que o outorgado as seus próprios nacionais com relação à proteção* da propriedade intelectual, salvo as exceções já previstas, respectivamente, na Convenção de Paris, de Berna, de Roma e no Tratado sobre PI em Matéria de Circuitos Integrados [...]”.
* Para os efeitos dos arts. 3 e 4 deste acordo, a “proteção” compreenderá aspectos que afetem a existência, obtenção, abrangência, manutenção e aplicação de normal de proteção dos direitos de propriedade intelectual, bem como os aspectos relativos ao exercício de direitos de propriedade intelectual de que trata especificamente este acordo.
Tratamento de Nação Mais Favorecida: 
É uma característica, historicamente, de Acordos de Comércio. “Toda vantagem, favorecimento, privilégio ou imunidade que um Membro conceda aos Nacionais de qualquer outro país será outorgada imediata e incondicionalmente aos nacionais de todos os demais Membros.” (art. 4º, TRIPs)
Exceto acordos sobre assistência judicial ou aplicação em geral da lei; direitos conexos não previstos no TRIPs e acordos em vigor antes do Acordo Constitutivo da OMC.
A Cultura como Propriedade
Cada vez mais aumenta a exploração comercial de obras de arte, artesanato e de conhecimento de comunidades tradicionais. Todavia, isso gera uma preocupação de que as sociedades tradicionais estejam sendo exploradas e prejudicadas no processo. Os prejuízos são diversos, partindo dos financeiros, passam por perdas permanentes de obras para museus e coleções privadas, até a degradação de itens culturais (como cópias que revertem valores da comunidade).
Porém, conhecimentos tradicionais estão fora dos principais tratados de proteção de PI. Em geral, são considerados integrantes de domínio público. Além disso, as comunidades tradicionais ficam alheias aos processos de proteção e faltam recursos técnicos e econômicos para industrializar produtos resultantes de suas descobertas.
Houve sim algumas iniciativas para essa proteção, todavia, sem muito sucesso. Por isso, não há um consenso a este respeito. Basicamente, os conhecimentos tradicionais são considerados Domínio Público.
► Convenções Sobre Diversidade Biológica (CDB)
ECO92: Primeiro acordo internacional que reconhece o papel e a contribuição de comunidades indígenas e locais na conservação e no uso sustentável da biodiversidade. Promulgada no Brasil pelo Decreto 2.519, de 16.03.1998.
Preâmbulo do CDB: “[...] os Estados têm direitos soberanos sobre os próprios recursos biológicos.”
* MProv. 2.186-16 de 23.08.2001: “Art. 8° §2° O conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético de que trata essa Medida Provisória integra o patrimônio cultural brasileiro e poderá ser objeto de cadastro, conforme dispuser o Conselho Geral ou legislação específica.”
► TRIPs
Os fundamentos atuais de PI são em grande parte produtos das estratégias globais de um número relativamente pequeno de companhias e organizações empresariais. A globalização da PI beneficiou efetivamente os exportadores de bens intangíveis (principalmente EUA). 
Países em desenvolvimento como Coréia do Sul, Singapura, Brasil e Índia conseguiram sua industrialização sem a existência de um regime internacional de PI. 
Antes do TRIPs, Brasil e índia não patenteavam, por exemplo, medicamentos, por considerarem questão de Saúde Pública. Devido a tal posicionamento, surgem os genéricos. A industrialização cresceu exatamente por não haver uma política de proteção. Por isso, também, havia uma pressão internacional para que esses países adotassem políticas de proteção à propriedade Intelectual.
► Indústria do Conhecimento – Pré 2ª Guerra
Em 1890 entra em vigor a “Sherman Act” (lei antitruste norte-americana). Desde o século XIX, cartéis eram vistos como forma de resolver problemas de superprodução e competição: fixação de preços ou limitação da produção. Com a proibição, as empresas habituadas aos acordos ora proibidos partiram em busca de uma alternativa legal: a Propriedade Intelectual.
As grandes corporações de século XXI passaram a investir em P&D (pesquisa e desenvolvimento) desde o início do séc. XX. São as chamadas Companhias Criadoras de Conhecimento (CCCs). Cartéis de commodities → Cartéis de Conhecimento.
Estratégia básica: aumentar significativamente os investimentos e P&D e transformar o conhecimento adquirido em produtos protegidos através de PI.
Ex: Acordos de compartilhamento de PI, licenças cruzadas:
- 1929: DuPont e ICI (Imperial Chemical Industries) – exploração de explosivos.
- 1924: Cartel de Lâmpada Elétrica (Osram, Philips, Tungsram, Int’l General Eletric)
- “British Publishers’ Tradicional Market Agreement”: Acordo entre editoras dos EUA e do Reino Unido, quebrado após ameaça de ação antitruste nos anos 70.
Ameaças ao controle corporativo do conhecimento:
Os custos com P&D continuavam a subir e os retornos começavam a cair. Pois há um aumento de competição de empresas menores e da difusão do conhecimento através de publicações acadêmicas. Concorrência internacional: nações soberanas passam a utilizar o sistema de PI em benefício de seu desenvolvimento. Outros países desenvolvem indústrias competitivas (ex: farmacêuticos genéricos)
► Soluções às ameaças do Pós-Guerra
Investimento no desenvolvimento de novas áreas e mudar as regras de PI para protegê-los (ex: biotecnologia, software). As universidades passam as fazer as pesquisas básicas e as empresas passam a gastar menos com P&D.
Busca-se estabelecer um padrão internacional de proteção de direitos de PI que fosse condizente com o desejado pelas grandes CCCs.
► PI como prioridade política dos EUA
Década de 70-80: problemas econômicos: tendências protecionistas: proteção de PI como solução para a indústria e estratégia para questões militares.
1982: conhecimentos e invenções dos EUA estavam sendo roubadas pelos governos do Brasil, Canadá, Índia, México, Coréia do Sul, Itália e Espanha. A OMPI também é duramente criticada. “Stealing from the mind” The New York Times (B. MacTaggart).
CCNC : Comitê Consultivo em Negociações do Comércio. 
	ͽ 1983: Lei para Recuperação Econômica do Caribe: Benefícios fiscais em troca de proteção à PI.
	ͽ 1984: Lei Comercial Norte-Americana emendada para incluir o Processo 301 e o Sistema Geral de Previdências.
	ͽ 1985: EUA iniciam processo 301 contra Coréia do Sul. Entram em acordo em 1986.
	ͽ Entre 1985 e 1994: 11 Processos 301 relacionados à PI:
- Brasil 1985, 1987 (tarifas impostas) e 1993
- Coréia do Sul (1985), Argentina (1988), Tailândia (1990 e 1991), Índia (1991), China (1991 e 1994) e Taiwan (1992).
A “rede de vigilância” envolvendo empresas, câmaras de comércio, associações comerciais e embaixadas relacionadas aos EUA persiste até os dias de hoje.
EUA busca consenso com União Européia e Japão para incluir PI na agenda de discussões do GATT. – A aliança é formada graças ao lobby das corporações.