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Jurisdição e Competência

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competência 
de foro (comarca). A competência de juízo é sempre absoluta. As regras fixadas nas leis 
de organização judiciária para apuração de qual o juízo competente, dentro de uma 
comarca, são sempre absolutas. 
 
5.2.5. Princípio da perpetuatio jurisdictionis 
 
Seria melhor denominado “princípio da perpetuação da competência”, e não da 
jurisdição. Vem previsto no CPC, art. 87. 
A competência é determinada no momento da propositura da demanda, sendo 
irrelevantes as alterações posteriores do estado de fato ou de direito, salvo se suprimirem 
o órgão jurisdicional ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia. 
Se o órgão judiciário for suprimido, os processos que por ele tramitavam serão 
remetidos a outro juízo. O mesmo ocorrerá se sobrevier uma alteração de competência 
em razão da matéria ou da hierarquia. Foi o que ocorreu, por exemplo, com os processos 
que versavam sobre união estável. Aqueles que já estavam em curso nas varas cíveis 
foram remetidos às varas de família, em decorrência da lei superveniente, que alterou a 
competência ratione materiae. 
Em casos de desmembramento de comarca, existe controvérsia sobre o destino 
dos processos referentes aos réus domiciliados na outra circunscrição recém-criada. Há 
decisões do Superior Tribunal de Justiça determinando a remessa dos autos à nova 
comarca que resultou do desmembramento (STJ, 4ª Turma, REsp 150.902-PR, rei. Min. 
Barros Monteiro). Entretanto, o entendimento predominante é de que deva prevalecer a 
perpetuação de competência, permanecendo os processos em andamento na comarca 
originária. Nesse sentido, a lição de Athos Gusmão Carneiro sobre a necessidade de 
remeter os autos de processo em andamento à comarca desmembrada: “Doutrina 
majoritária responde negativamente, em face da regra do art. 87 do Código de Processo 
Civil e considerando tratar a hipótese de modificação do 'estado de direito', ou melhor, das 
regras jurídicas de determinação de competência, sendo portanto irrelevante a 
modificação de tais regras relativamente às causas já anteriormente propostas. Mas a 
orientação da doutrina nem sempre vem sendo acolhida, no plano administrativo, pelos 
Tribunais”. 
 
5.2.6. Critérios para a fixação de competência 
 
O Código de Processo Civil utilizou a divisão tripartida de critérios para a 
classificação de competência. Essa forma de repartição tornou-se clássica, em especial a 
partir da obra de Chiovenda, e teve imensa repercussão entre os processualistas, que, de 
uma forma ou de outra, a adotam com algumas variações. 
Os critérios dividem-se em três grupos: 
a) objetivo: fixa a competência em razão da matéria e do valor da causa. É 
utilizado, em regra, pelas leis de organização judiciária para a fixação de competência de 
juízo. De acordo com o CPC, art. 111, a competência estabelecida em razão da matéria é 
absoluta, e em razão do valor da causa é relativa; 
b) territorial: regulamenta a competência de foro, que é relativa; 
c) funcional: abrange a competência hierárquica e a que se aplica aos processos 
que mantêm com outros em andamento uma relação, de maneira que caiba ao juízo onde 
se processa o primeiro conduzir também o segundo. É regra de competência absoluta. 
Dinamarco critica, com razão, a adoção da divisão tripartida de competência, 
aduzindo que não se ajusta plenamente à nossa realidade jurídica. Efetivamente, a 
adoção pura e simples dessa divisão torna insolúveis determinadas questões de 
competência, mormente quando há necessidade de utilização de fatores conjugados para 
a sua apuração. Outra crítica que o sistema adotado pelo CPC suscita é a de estabelecer 
a competência pelo valor da causa como sendo relativa. No entanto, o próprio Código 
menciona que o valor da causa é regra para fixação de competência de juízo, e não de 
foro. E as regras de competência de juízo são sempre absolutas, não podendo ser objeto 
de derrogação entre as partes, uma vez que a lei processual permite a eleição de foro, e 
não de juízo. 
 
5.2.7. Regras gerais para apuração de competência 
 
São várias as dificuldades que suscitam a apuração de competência. Cumpre 
àquele que pretende aforar a demanda examinar: 
a) se o processo não é de competência originária do Supremo Tribunal Federal ou 
do Superior Tribunal de Justiça; 
b) se deve ser julgado por alguma das justiças especiais e, em caso afirmativo, 
pela primeira instância, ou pelos tribunais correspondentes; 
c) se, sendo da justiça comum, deve ser julgado pela justiça federal ou estadual; 
d) se é ou não de competência originária dos tribunais estaduais ou federais; 
e) qual o foro competente; 
f) qual o juízo competente. 
Esse exame deve levar em conta os elementos da ação, considerados in statu 
assertionis, tal como fixados concretamente na demanda. Por exemplo, se aforada em 
face da União, a competência será da justiça federal, ainda que ela seja considerada 
parte ilegítima. O que o juiz considera são os elementos da ação tal como fixados na 
petição inicial, tenham sido eles escolhidos acertadamente pelo autor ou não. 
Para solucionar as questões referentes à competência, todos os elementos da 
ação deverão ser examinados: cumpre ao juiz verificar, inicialmente, quem são as partes, 
porque a presença de determinadas pessoas ou de certos entes pode ter relevância (o 
CPC não incluiu, entre os critérios para a apuração, o da competência por pessoa, mas 
faz uso dele quando determina a remessa dos autos à justiça federal, se houver a 
participação da União no processo, ou quando estabelece a competência do domicílio do 
autor, nas ações de separação e divórcio propostas por uma mulher). Em seguida, deve 
examinar a causa de pedir, que, em muitos casos, tem relevância na verificação da 
competência. Por exemplo, nas ações de reparação de danos por acidente de trânsito, a 
competência será a do domicílio do autor ou do local do acidente; por fim, deve o juiz 
verificar o pedido, que também terá repercussão para a competência. Por exemplo, se o 
bem da vida postulado é uni imóvel, e o que se pede c o reconhecimento de um direito 
real sobre ele, a competência será a da situação do imóvel, ao passo que se o bem for 
móvel, a demanda deverá ser proposta no domicílio do réu. 
A competência originária do Supremo Tribunal Federal está fixada no art. 102, I, 
da Constituição Federal; do Superior Tribunal de Justiça, no art. 105, I; e das justiças 
especiais, nos arts. 114, 121 e 124, todos da Constituição Federal. 
 
5.2.8. Competência da justiça federal de primeira instância 
 
A CF, no art. 109, estabelece, em onze incisos, a competência dos juízes federais 
para processos de natureza criminal e cível. 
Ela é, em regra, fixada em razão de pessoa, pela participação, no processo, de 
pessoas jurídicas de direito público federais e empresas públicas, autoridades federais e 
indígenas, mas também pode ser determinada pela matéria, como na hipótese do art. 
109, III, e até em virtude do tipo de processo, como no art. 109, VII e VIII. 
De todas as hipóteses, a mais comum é a da participação no processo da União, 
entidade autárquica e empresa pública federal. Embora a lei não mencione, as fundações 
públicas federais também deslocam a competência para a justiça federal. Mas a 
presença, no processo, das sociedades de economia mista federais não atribui 
competência à justiça federal (Súmula 508 do STF). 
Não é necessário que esses entes figurem no processo na qualidade de autores 
ou réus, bastando que sejam intervenientes (assistentes, opoentes, denunciados ou 
chamados ao processo). No entanto, a CF excepciona as causas de falência, acidentes 
de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à justiça do Trabalho. 
O juízo universal da falência atrai todas as demandas relacionadas à massa 
falida, incumbindo-lhe o julgamento dos pedidos e incidentes concernentes à execução