Lei_de_Crimes_Ambientais
34 pág.

Lei_de_Crimes_Ambientais


DisciplinaDireito Penal III5.067 materiais45.283 seguidores
Pré-visualização12 páginas
Direito Penal IV - Lei de Crimes Ambientais 
 
 Página 1 
 
LEI DE CRIMES AMBIENTAIS: Lei 9.605/98 
 
1. Proteção do Meio Ambiente na CF/88: 
 
A Constituição Federal de 1988 dispensou tratamento especial ao Meio Ambiente. José Afonso 
da Silva afirma que outras Constituições não tiveram essa preocupação. Foi destinado capítulo 
específico de proteção ao meio ambiente, além de normas ao longo de todo texto constitucional 
sobre proteção do meio ambiente. 
Dentre todas essas medidas de proteção ao meio ambiente se encontra a proteção penal, o 
que significa dizer que há previsão expressa na CF de que as lesões ao meio ambiente devem também 
ser punidas criminalmente, além de administrativa e civilmente. 
Essa previsão expressa é o que Luiz Regis Prado denomina Mandato Expresso de 
Criminalização. Essa expressão foi usada para definir a tutela expressa de proteção ao meio 
ambiente. 
Esta disposição se encontra no art. 225, §3º da CF, senão vejamos: 
 \u201cAs condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou 
jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.\u201d 
As lesões ao meio ambiente sujeitam os infratores às sanções penais. Não há dúvida pois, que 
o meio ambiente deve ser e está penalmente tutelado, conforme disposição Constitucional. Essa 
discussão, em face da CF não tem sentido. 
 
2. Lei 9.605/98: 
 
Cumprindo a determinação constitucional surgiu a Lei 9.605/98 (dez anos após a CF) para 
proteção ao meio ambiente. Pode referida lei ser chamada Lei Ambiental \u2013 LA. 
Essa lei pode ser dividida da seguinte forma: 
 Parte geral \u2013 artigos 2º ao 28 \ufffd traz normas gerais de aplicação à lei penal. 
 Parte especial \u2013 art. 29 e seguintes \ufffd traz a tipificação dos crimes ambientais. 
Observe-se que, no que a lei ambiental for omissa, há complementação pela aplicação 
subsidiária do Código Penal, Código de Processo Penal e Lei 9.099/95 (a maioria das infrações 
ambientais são infrações de menor potencial ofensivo). 
 O objetivo claro e expresso dessa lei é a reparação do dano ambiental. A lei tem como 
propósito a reparação do dano ambiental, ou pelo menos, a sua compensação. Assim, podemos 
concluir que a maioria dos dispositivos da parte geral se encontra baseada na reparação dos danos 
ambientais. Ex. transação penal \ufffd somente é cabível se foi feita a composição acerca da reparação 
do dano ambiental, o que também ocorre com os demais institutos previstos na lei (suspensão 
condicional do processo, condenação com aplicação de penalidade para reparação do dano, etc.). 
 
3. Art. 2º da Lei Ambiental \u2013 Responsabilidade Penal das Pessoas Físicas: 
 
\u201cArt. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes 
cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão 
Direito Penal IV - Lei de Crimes Ambientais 
 
 Página 2 
 
técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de 
outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. 
 
a) Concurso de Pessoas nos crimes ambientais: 
 
Há possibilidade de concurso de pessoas nos crimes ambientais, tendo a LA adotado a Teoria 
Monista ou Unitária do Concurso de Pessoas, tal como no art. 29, caput do CP. É o que prevê a 
primeira parte do art. 2º da Lei de crimes ambientais: \u201cQuem, de qualquer forma, concorre para a prática dos 
crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade\u201d. 
 
b) Omissão penalmente relevante nos crimes ambientais 
 
A segunda parte do artigo afirma que diretor, administrador, gerente, conselho, membro de 
órgão técnico, preposto ou mandatário de pessoa jurídica têm o dever jurídico de agir e evitar crimes 
ambientais, ou seja, essa segunda parte do art. 2º (incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua 
culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o 
preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua 
prática, quando podia agir para evitá-la) criou para essas pessoas o dever jurídico de agir, tornando a 
omissão deles penalmente relevante, nos termos do art. 13, §2º, \u201ca\u201d do Código Penal: \u201c§ 2º - A omissão 
é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) 
tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;\u201d 
Assim, as pessoas previstas no art. 2º da Lei ambiental respondem pela prática de crimes 
ambientais, tanto por ação quanto por omissão. 
É necessário observar que, para que essas pessoas sejam punidas por omissão, são 
necessários dois requisitos: 
 Ciência da conduta criminosa de outrem, ou seja, ciência da existência do crime. 
 Poder de evitar a infração ambiental. 
Esses requisitos objetivam evitar a responsabilidade penal objetiva. 
Obs.: se a omissão de tais agentes foi culposa, somente poderá haver punição caso haja a forma 
culposa do crime ambiental. Isso tendo em vista a excepcionalidade do crime culposo (somente 
pode ser punido, se houver previsão expressa da forma culposa do crime). 
 
3.1. Denúncia genérica: 
 
A fim de se evitar a responsabilidade penal objetiva, a jurisprudência atual do STF e do STJ não 
admite nos crimes ambientais, ou em qualquer crime societário, denúncia genérica. 
Denúncia genérica é aquela que não estabelece o mínimo vínculo entre o fato criminoso 
narrado na denúncia e o denunciado, ou seja, não estabelece o mínimo vínculo da conduta do 
agente com o fato criminoso. São denúncias que incluem no pólo passivo o diretor, gerente, sócio, 
etc. somente por ostentarem essa condição. 
A denúncia dá-se apenas pela condição ocupada pelo agente e não tendo em vista a prática 
delitiva. Essas denúncias vêm sendo reputadas ineptas pelo STF e STJ considerando que inviabilizam o 
exercício do contraditório e da ampla defesa. Se a pessoa não sabe qual o fato criminoso praticado 
Direito Penal IV - Lei de Crimes Ambientais 
 
 Página 3 
 
por ela não tem como exercer o contraditório e a ampla defesa. Nesse sentido, STJ, HC 58.157 e RHC 
24.390. 
 Merece especial destaque o HC 86.789, STF, cujo relator foi Joaquim Barbosa, em que há 
afirmação de que tenha havido mudança de orientação jurisprudencial considerando que, nos crimes 
societários, o STF e o STJ entendiam que era apta a denúncia que não individualizasse as condutas 
dos denunciados, bastando indicar que eles eram, de algum modo, responsáveis pela empresa \u2013 se o 
agente era responsável pela empresa, era responsabilizado. O argumento utilizado era no sentido de 
que a individualização das condutas ocorreria na instrução criminal. 
 Houve mudança de orientação jurisprudencial, e hoje, o STF e o STJ exigem que haja 
individualização das respectivas condutas na denúncia, em obediência os princípios do devido 
processo legal, ampla defesa e contraditório e dignidade da pessoa humana. 
 Assim, atualmente, o STF e o STJ repudiam as denúncias genéricas. 
 
3.1.1. Denúncia genérica X Denúncia Geral: 
 
Há setores da doutrina e jurisprudência que fazem diferenciação entre denúncia genérica e 
denúncia geral, podendo ser citado Eugênio Paccelli de Oliveira. 
Segundo tal autor, denúncia genérica é aquela que narra a conduta criminosa ou várias 
condutas criminosas e as imputa genericamente a todos os acusados, sem indicar quem agiu de tal ou 
qual maneira, inviabilizando o contraditório e a ampla defesa. Essa denúncia deve ser considerada 
inepta e via de consequência,
Luiza
Luiza fez um comentário
está atualizada:
0 aprovações
Carregar mais