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IBGE   TECNICO   Conhecimentos Gerais

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potências européias para a defesa do absolutismo e do colonialismo. 
Na prática, o acordo tratava de suprimir a liberdade de imprensa e de 
discussão, a liberdade religiosa, civil ou política ou qualquer outro entrave 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Conhecimentos Gerais A Opção Certa Para a Sua Realização 17 
ao restabelecimento dos princípios monárquicos, para sempre abalados 
pela revolução francesa. No que tange ao Novo Mundo, a idéia, expressa 
pela Santa Aliança no Congresso de Verona, em 1822, era a recolonização 
dos países americanos que já se haviam emancipado. 
D. João ratificara o tratado, ao tempo em que se criara no Rio da Prata 
um estado revolucionário, nas vésperas do Congresso de Tucumán, que 
proclamou a independência das Províncias Unidas, em 9 de julho de 1816, 
enquanto Artigas prosseguia em sua luta pela independência uruguaia. Em 
claro desafio à Santa Aliança, D. João enviou, sob o comando do general 
Carlos Frederico Lecor, uma tropa de elite, vinda de Lisboa, para que 
obrigasse a Banda Oriental, incorporada desde julho de 1821 com o nome 
de Província Cisplatina, a jurar a constituição do império. Era uma forma de 
evitar entregar a D. Carlota Joaquina a regência das colônias espanholas, 
na qualidade de irmã de Fernando VII e, portanto, representante da família 
real da Espanha deposta por Napoleão. 
Essa campanha se desdobrava em duas frentes cada vez mais difíceis 
-- a luta armada, pela resistência heróica dos patriotas uruguaios; e as 
negociações diplomáticas, pela oposição clara ou velada das potências 
européias contra as pretensões expansionistas. Além disso, D. João teve 
de enfrentar grave perturbação no Nordeste: a revolução de 1817, em 
Pernambuco e na Paraíba, em protesto contra a hegemonia do sul e pela 
autonomia. 
Sufocando com requintes de crueldade esse movimento, D. João sen-
tiu-se forte para buscar uma aliança com a Áustria e o apoio do chanceler 
austríaco Klemens Wenzel Nepomuk Lothar, príncipe de Metternich, ideali-
zador da Santa Aliança e campeão dos princípios conservadores, para 
manter-se no Brasil enquanto procurava consolidar o domínio do Prata. 
Fazia assim, através de seu emissário à corte austríaca, uma profissão de 
fé conservadora; mas ao mesmo tempo, em carta a Thomas Jefferson, 
presidente dos Estados Unidos, confessava-se partidário dos "seguros 
princípios liberais, tanto religiosos como políticos, que ambos professamos" 
e fiel "à mais perfeita união e amizade... entre as nações que habitam esse 
novo mundo". Pretendia o rei, ao que parece, obter o apoio das potências 
européias a sua permanência no Brasil e a sua política expansionista, e ao 
mesmo tempo garantir a neutralidade da nova e forte nação americana, que 
despontava como a rival democrática do absolutismo europeu. 
A missão junto à Áustria foi coroada de êxito. D. João não somente 
conseguiu o apoio de Metternich contra a Grã-Bretanha e a Espanha na 
questão da ocupação do Prata, como ainda ajustou o casamento de D. 
Pedro com D. Carolina Josefa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria e filha 
de Francisco I. D. Leopoldina chegou ao Brasil em novembro de 1817, e só 
então o rei concordou em festejar oficialmente sua aclamação, embora a 
rainha D. Maria já houvesse falecido há quase dois anos, em março de 
1816. Prestigiado pela casa da Áustria, sustentáculo da Santa Aliança e 
anteparo valioso a sua política de resistência contra as pretensões espa-
nholas, e liberto da opressiva predominância britânica, D. João podia final-
mente realizar seus desejos de continuar em seus domínios americanos e 
manter a integridade territorial brasileira, com a integração da Banda Orien-
tal e a supressão do movimento sedicioso de Pernambuco. 
Primeiro reinado 
No ato da aclamação, em 6 de fevereiro de 1818, D. João estava no 
apogeu de seu reinado, mas mesmo assim a situação continuava tensa e 
as frentes de luta abertas. As prisões brasileiras guardavam centenas de 
patriotas; no sul, prosseguia a encarniçada resistência de Artigas; e em 
Portugal, os súditos reclamavam a reintegração européia do monarca. Em 
1820, a vitória da revolução liberal no Porto procurara viabilizar a implanta-
ção do capitalismo em Portugal, o que significava um programa de recolo-
nização do Brasil. As condições reais de ambas as sociedades demonstra-
vam a inviabilidade de duas constituições, que respeitassem as caracterís-
ticas das formações sociais portuguesa e brasileira, e portanto a manuten-
ção do reino. D. João e seus conselheiros percebiam prudentemente a 
inviabilidade do propósito recolonizador e a potencial ruptura do Brasil com 
a monarquia portuguesa. 
A aprovação do projeto constitucional em Lisboa, sem a presença de 
representantes brasileiros, a subordinação das capitanias à metrópole, e 
não ao Rio de Janeiro, a adesão do Grão-Pará, Bahia e da guarnição do 
Rio de Janeiro às manobras das cortes e o juramento constitucional impos-
to a D. João VI definiram claramente as contradições entre Brasil e Portu-
gal. Com o retorno de D. João a Portugal e a nomeação de D. Pedro como 
regente do reino do Brasil encerra-se essa fase, à qual se segue a tentativa 
de manter a unidade luso-brasileira. 
Independência. Caso vigorasse o regime instituído pela constituição fei-
ta em Lisboa, o Brasil não teria mais um governo próprio, nem tribunais 
superiores. A administração centralizada e unificada em Lisboa absorveria 
todas as regalias conquistadas desde a chegada do rei. O dilema apresen-
tado aos brasileiros não foi simplesmente o da união ou separação de 
Portugal. Essa união foi desejada e defendida até o último momento pelas 
figuras mais representativas do Brasil, como o próprio José Bonifácio de 
Andrada e Silva. E só foi abandonada quando ficou claro que seu preço era 
a inferiorização e a desarticulação do reino do Brasil. 
Só havia uma fórmula para manter a unidade das províncias brasileiras 
e ao mesmo tempo enfrentar as forças metropolitanas: a monarquia brasi-
leira, tendo como chefe da nova nação o próprio príncipe regente. Até 
mesmo os mais extremados republicanos perceberam que a permanência 
de D. Pedro era a garantia da manutenção da unidade nacional. O próprio 
herdeiro do trono conduziu o movimento, do qual o grito do Ipiranga, a 7 de 
setembro de 1822, foi apenas o mais teatral de uma série de atos que 
tornaram realidade a independência do Brasil. Já antes o príncipe convoca-
ra um conselho de procuradores da Província; no decreto de 3 de junho de 
1822, em que convocou uma Assembléia Constituinte, D. Pedro menciona-
va literalmente que o objetivo era dar ao Brasil "as bases sobre que se deva 
erigir a sua independência". No dia 1º de agosto do mesmo ano, na quali-
dade de "regente deste vasto império" e considerando o estado de coação 
em que se encontrava, proibiu o desembarque de tropas portuguesas e 
mandou combater as que ousassem desembarcar sem a sua licença. 
A figura mais notável do espírito brasileiro nesse período foi José Boni-
fácio, o chamado Patriarca da Independência. Sua obra política grandiosa 
foi a articulação entre o governo do príncipe no Rio de Janeiro e os gover-
nos das províncias para sustentar a idéia da unidade nacional. 
Ao desligar-se do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, criado 
em 1815, o Brasil deveria ter conservado o título de reino. Assim é que em 
São Paulo, após o grito do Ipiranga, D. Pedro foi aclamado rei do Brasil. A 
idéia de império, entretanto, condizia mais com o ambiente liberal, ainda 
impregnado do fenômeno napoleônico, do que a expressão legitimista de 
reino. Assim, D. Pedro foi aclamado imperador constitucional e defensor 
perpétuo do Brasil em 12 de outubro de 1822. A 3 de maio de 1823 insta-
lou-se a Assembléia Constituinte. No entanto, a ausência de