Prévia do material em texto
Neiva Francenely Cunha Vieira
Adriana Regina Dantas Martins
PORTUGUÊS INSTRUMENTAL
Endereço:
Editora FGF
Avenida Porto Velho, 401 – Bairro João XXIII
Fortaleza – CE – CEP: 60.525-571
Email: editorafgf@fgf.edu.br
FORTALEZA
2016
M379p MARTINS, Adriana Regina Dantas.
Português instrumental / Adriana Regina Dantas Martins.
– Fortaleza: FGF, 2016.
105 p. : Il.
ISBN 978-85-8467-023-9
1. Português. 2. Redação. 3. Estudo e ensino. 4. Título.
CDD: 371.422
SUMÁRIO
OBJETIVO..................................................................................................................... 01
INTRODUÇÃO............................................................................................................... 02
UNIDADE 1: LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO................................................................. 03
Tema 1: Elementos da Comunicação.............................................................................
O Texto....................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
A Prática...................................................................................................................
Referências..............................................................................................................
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Tema 2: Funções da Linguagem....................................................................................
O Texto....................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
A Prática...................................................................................................................
Referências..............................................................................................................
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Tema 3: Variação Linguística.........................................................................................
O Texto....................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
A Prática...................................................................................................................
Referências..............................................................................................................
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Tema 4: Leitura e níveis de leitura: o texto verbal e o texto visual................................
Os Textos.................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
A Prática...................................................................................................................
Referências..............................................................................................................
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Tema 5: Tipologias, gêneros textuais e intertextualidade..............................................
Os Textos.................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
A Prática...................................................................................................................
Referências..............................................................................................................
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UNIDADE 2: LINGUAGEM E USO.................................................................................... 60
Tema 1: Coesão e coerência..........................................................................................
O Texto....................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
A Prática...................................................................................................................
Referências..............................................................................................................
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Tema 2: Nova ortografia...............................................................................................
O Texto....................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
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A Prática...................................................................................................................
Referências..............................................................................................................
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Tema3: Concordância nominal e verbal.......................................................................
O Texto....................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
A Prática...................................................................................................................
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Tema 4: O uso da escrita...............................................................................................
O Texto....................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
A Prática...................................................................................................................
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Tema 5: Estudos do Texto.............................................................................................
O Texto....................................................................................................................
O Contexto...............................................................................................................
A Teoria....................................................................................................................
Resumo....................................................................................................................
A Prática...................................................................................................................
Referências..............................................................................................................
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Objetivo
O módulo visa trabalhar as particularidades da Língua Portuguesa em
diferentes contextos sociais, suscitando no aluno a curiosidade de conhecer as
nuances da língua. É objetivo também capacitar o estudante a interagir, por
meio da linguagem, nas modalidades de leitura, escrita e comunicação em
diferentes níveis de linguagem, podendo assim ter acesso as diferentes
instâncias sociais.
01
Introdução
Sejam bem vindos ao módulo de Português Instrumental. Esse módulo
está dividido em duas unidades. Na unidade I, Linguagem e Comunicação,
você terá a oportunidade de estudar as nuances e particularidades da
linguagem dentro do complexo da comunicação e da interação social. Você
será capaz de compreender como a linguagem se adapta nos diferentes
contextos sociais considerando as variações linguísticas de cada interagente.
Também irá estudar as particularidades e níveis de leitura em diferentes tipos e
gêneros textuais.
Na unidade II, Linguagem e uso, o foco está no uso da linguagem
considerando aspectos estruturais de uso, tanto na leitura interpretativa como
na escrita. Estudar esses aspectos permite ao estudante refletir de forma critica
sobre a linguagem e como esse conhecimento pode levá-los a interagir em
instâncias sociais diversas.
Esse material está organizado em duas unidades com 5 temas cada.
Para organizar melhor a leitura e estudo cada tema está dividido em 4
subtópicos: o texto, o contexto, a teoria, a prática. O texto: mostra a linguagem
em uso dentro de um gênero; o contexto: discute os pontos relacionados ao
tema e o contexto interativo; a teoria: é a parte estrutural do assunto e as
explicações de forma micro e macro; a prática: é o momento de treinar tudo o
que foi estudado nos outros tópicos.
Desejo a todos bons estudos!
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Unidade I
Linguagem e comunicação
Objetivos
Estudar os aspectos comunicativos da linguagem, reconhecendo suas
particularidades;
Perceber que a comunicação acontece em diferentes modalidades e
instâncias sociais;
Reconhecer criticamente cada uma das instâncias sociais em que a
comunicação acontece.
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Tema 1
Elementos da comunicação
Objetivos
� Conhecer os diferentes níveis de linguagem;
� Reconhecer os elementos da comunicação e sua importância no processo
comunicativo.
O TEXTO
Com duas pessoas eu já entrei em comunicação tão forte que deixei de existir,
sendo. Como explicar? Olhávamo-nos nos olhos
e não dizíamos nada, e eu era a outra pessoa e a
outra pessoa era eu. É tão difícil falar, é tão difícil
dizer coisas que não podem ser ditas, é tão
silencioso. Como traduzir o profundo silêncio do
encontro entre duas almas? E dificílimo contar:
nós estávamos nos olhando fixamente, e assim
ficamos por uns instantes. Éramos um só ser.
Clarice Lispector, in Crônicas no 'Jornal do Brasil (1971)'
http://www.portugues.com.br/upload/conteudo/images/a-funcao-fatica-ocorre-quando utilizamos-
linguagem-para-manter-contato-com-destinatario-mantendo-nos-assim-conectados-durante-comunicacao-
542aff6f257b9.jpg
1. De acordo com o texto o que é comunicação?
2. Interprete o sentido metafórico das antíteses utilizadas no texto:
[...] deixei de existir x sendo (linha 2)
[...] dizer coisas x não podem ser ditas (linhas 4 e 5)
O CONTEXTO
A comunicação é um processo social, que acontece por meio de uma
linguagem e que culmina na transmissão, decodificação e significação de uma
mensagem. A linguagem segundo Koch (1997, p.9) “é um local de interação
que possibilita aos membros de uma sociedade a prática dos mais diversos
tipos de atos”, atos esses que estabelecem vínculos. A comunicação é um
processo complexo, que requer dos interlocutores (locutor/receptor;
ouvinte/leitor) certo grau de comprometimento e conhecimento compartilhado.
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No trecho de Clarisse Lispector, há um envolvimento entre os participantes, a
ponto de um “ser o outro”, podemos nomear esse fenômeno como sintonia.
A sintonia acontece quando há a captação do sentido, ou seja, o
entendimento “do que o outro quis dizer”, para isso é importante que os
interlocutores “saibam empregar com adequação os recursos da língua na
produção de textos, de acordo com a situação específica de comunicação, que
é muitas vezes bem diversa” (SARMENTO, 2012, p. 21).
Essa diversidade está relacionada a diferentes contextos em que a
linguagem é utilizada para cumprir um propósito comunicativo, por isso, que é
preciso muito mais que conhecimento linguístico para interagir, é necessário
uma atitude ativa de estabelecer relações entre os elementos do texto e do
contexto para construir sentido. É importante lembrar que esse “sentido” pode
ser negociável, plásticode acordo com o conhecimento prévio e intenção de
cada interlocutor.
A TEORIA
Alguns elementos fazem parte da dinâmica comunicativa são eles:
a) Emissor ou remetente: é o que envia a mensagem. Pode ser uma única
pessoa ou um grupo, por exemplo: uma empresa, um sindicato, uma emissora
de rádio ou televisão, uma escola etc.
b) Receptor ou destinatário: é o que recebe a mensagem. Também pode ser
um grupo ou um indivíduo.
c) Mensagem: é o conteúdo das informações transmitidas.
d) Canal de comunicação ou contato: é o meio pelo qual a mensagem é
transmitida. Esse meio pode ser tradicional ou eletrônico.
e) Código: é o conjunto de sinais, ou signos utilizados para elaborar a
mensagem. O emissor codifica o que o receptor irá descodificar, para que isso
ocorra satisfatoriamente é preciso que ambos interagentes dominem o mesmo
código linguístico. Em outras palavras, falem a mesma língua.
f) Referente ou contexto: é o objeto ou a situação a que a mensagem se
refere.
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No esquema temos:
http://pessoal.educacional.com.br/up/47110002/929820/Esquema%20de%20comunica%C3%A7%C3%A3
o.JPG
Exemplo: Quando você escreve um texto, exerce papel de emissor. O
receptor é a pessoa ou grupo a quem seu texto é direcionado (pode ser algum
familiar, o professor, o colega, o chefe etc). A mensagem é aquilo que você
está comunicando sobre uma situação ou sobre alguém (referente ou
contexto). Como a modalidade é a escrita, o canal é a própria folha de papel
ou página da internet, a qual o texto está distribuído. O código, se for o Brasil,
é a língua portuguesa (INFANTE, 1999, p.17-18).
RESUMO
Produzir um texto, seja oral ou escrito, é promover um ato de
comunicação. Ao realizá-lo é preciso levar em conta todos os elementos
envolvidos: o papel do emissor, aquele que produz um enunciado; as
características do receptor, importante para elaborar a mensagem; o
conhecimento sobre o referente; o domínio sobre o código e das condições que
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garantam o bom funcionamento do canal comunicativo. O sucesso de um ato
comunicativo requer conhecimento sobre todos esses elementos.
A PRÁTICA
1) Encontramos abaixo um dos poemas de Manuel Bandeira. Após analisá-lo
encontre os elementos da comunicação.
Andorinha
Andorinha lá fora está dizendo:
— “Passei o dia à toa, à toa!”
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa…
http://www.hileiaamazonica.com.br/wp-content/uploads/2013/09/andorinha-resize.jpg
Emissor: ________________________________________________________
Receptor:_______________________________________________________
Mensagem:______________________________________________________
Código: _________________________________________________________
Canal:__________________________________________________________
Referente ou Contexto: ____________________________________________
2) O marido liga para a esposa e avisa que chegará atrasado para o jantar.
Nesse contexto qual é o canal?
_______________________________________________________________
3) Se uma pessoa, que não sabe falar inglês, está caminhando na beira-mar é
abordada por um turista americano pedindo informações. Por que é possível
dizer que a comunicação fica comprometida?
_______________________________________________________________
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4) O pai fala para o filho: “Carlinhos vá até a padaria e compre 10 pães”. A
frase que está em destaque se refere a qual elemento da comunicação?
_______________________________________________________________
5) Assinale a alternativa correta.
Podemos afirmar que Referente é:
a) o código usado para estabelecer comunicação
b) o que transmite a mensagem
c) o assunto da mensagem
d) quem envia a mensagem
e) quem recebe a mensagem
Referências
BANDEIRA, Manoel. Libertinagem. Rio de Janeiro, 1930
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. São Paulo: Scipione, 1999.
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. A inter-ação pela linguagem. 3ª Ed. São
Paulo: Contexto, 1997.
SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em Textos. São Paulo: Moderna, 2012.
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Tema 2
Funções da linguagem
Objetivos
� Estudar as funções da linguagem e correlacionando com os elementos da
comunicação;
� Reconhecer as diferentes funções da linguagem em contextos diversos.
O TEXTO
Metáfora - Gilberto Gil
Uma lata existe para conter algo,
Mas quando o poeta diz lata
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo,
Mas quando o poeta diz meta
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudo-nada cabe,
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber o incabível
Deixe a meta do poeta, não discuta,
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora
Links: http://www.vagalume.com.br/gilberto-gil/metafora.html#ixzz3emVHK1Ei
http://mfda.files.wordpress.com/2008/10/ma_lata.jpg
https://seohackercdn-seohacker.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2010/09/Meta-tags.jpg
1. Na música de Gilberto Gil a linguagem é utilizada em sentido literal ou
metafórico? Cite exemplos do texto para comprovar sua resposta.
2. Reflita sobra a analogia que o cantor faz entre as palavras “lata” e “poeta”.
O que é possível inferir? Por quê?
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O CONTEXTO
A comunicação, seja de forma falada ou escrita, está
além de expressar pensamentos. O discurso constrói
realidades, realiza ações (convencer, prometer, declarar,
esclarecer etc.), que produz efeito sobre o outro. Nesse
aspecto é possível perceber que utilizamos a linguagem, geralmente com um
propósito, com uma intenção.
Como percebemos na música, a linguagem não está a serviço apenas
de entreter, mas de levar o outro a refletir sobre determinado assunto, divertir,
fazer rir etc. Nesse contexto, é um instrumento que pode servir para dar vazão
ao mundo interior (como expressar a intenção do poeta, por exemplo), entre
outras funções.
O linguista russo Roman Jakobson, foi o primeiro estudioso a perceber
que a linguagem não tem apenas a função de transmitir informações
(SARMENTO, 2012). Para esse autor, cada elemento da comunicação teria
uma função da linguagem correspondente, dependendo da ênfase da
mensagem. Como no quadro abaixo (SARMENTO, 2012, p. 55).
É importante ressaltar que um texto ou um trecho discursivo, em
algumas situações, não cumprem apenas uma única função comunicativa. Não
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é algo fixo, pois cada texto, ou discurso pode flutuar por mais de uma função,
nesse caso é preciso entender que existe o predomínio de uma função em
detrimento da outra.
Por exemplo: A crônica de Jean Carlos Sestrem sobre o marketing
político.
“Mentira bem feita, um negócio de mentira que não tem pernas curtas, mas
longos e esfomeados tentáculos, os que vencem pelo poder de convencer
sem ter feito ou ter credibilidade natural para tanto baseado numa estória de
vida erguida do nada e não de uma história de vida que fala por si só.”
http://pensador.uol.com.br/frase/MTY5ODU5Mw/
Embora o autor expresse sua opinião sobre o assunto, a função
predominante é a metalingüística, pois ele utiliza a linguagem para explicar o
que é marketing político.
A TEORIA
Vamos estudar cada uma das funções da linguagem e suas
particularidades.
Função emotiva ou expressiva: A ênfase está no emissor. A linguagem tem
função emotiva quando expressa os sentimentos do locutor. Nesse contexto,
geralmente, o discurso aparece em 1ª pessoa.
Ex:
Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida,Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...
Sou aquela que passa e ninguém vê ...
Sou a que chamam triste sem o ser ...
Sou a que chora sem saber porquê ...
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Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
O exemplo acima é um poema e por esse motivo
imaginem que a função da linguagem ser
na mensagem e sim nos sentimentos da poetiza, que expressa seu mais
profundo ser. A função da linguagem predominante é a emotiva. Nessa função,
o discurso aparece em 1ª pessoa do singular em vários trechos: (Eu sou, so
aquela); a pontuação é mais expressiva, com o uso de ponto de exclamação e
reticências. Ex: (E que nunca na vida me encontrou!,
dolorida ...)
Função apelativa ou conativa:
publicitário.
http://3.bp.blogspot.com/-
ntTcENPoPEs/UQgUfW1kNaI/AAAAAAAAAHk/C3YoF9jZni4/s1600/lata_logo_questione_mude_beba_pepsi.png
Na função apelativa a ênfase está no interlocutor, por isso o discurso é
persuasivo, ou seja, tem o intuito de convencer, ou não con
algo apelando para suas atitudes. Esse tipo de discurso é muito comum nos
textos publicitários, nesse aspecto, os verbos aparecem geralmente no
imperativo (ordem, pedido, incitação): Ex: Questione. Mude. Beba.
O anúncio nem sempre é pu
valem, por exemplo, das características do produto em questão. Quando o
anunciante descreve os recursos de um determinado aparelho ou carro, ou os
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
e nunca na vida me encontrou!
O exemplo acima é um poema e por esse motivo, talvez alguns
imaginem que a função da linguagem seria a poética, porém a ênfase não está
na mensagem e sim nos sentimentos da poetiza, que expressa seu mais
profundo ser. A função da linguagem predominante é a emotiva. Nessa função,
o discurso aparece em 1ª pessoa do singular em vários trechos: (Eu sou, so
aquela); a pontuação é mais expressiva, com o uso de ponto de exclamação e
e nunca na vida me encontrou!, Sou a crucificada ... a
Função apelativa ou conativa: A ênfase está no locutor. Observe o anúncio
ntTcENPoPEs/UQgUfW1kNaI/AAAAAAAAAHk/C3YoF9jZni4/s1600/lata_logo_questione_mude_beba_pepsi.png
Na função apelativa a ênfase está no interlocutor, por isso o discurso é
persuasivo, ou seja, tem o intuito de convencer, ou não convencer, o outro de
algo apelando para suas atitudes. Esse tipo de discurso é muito comum nos
textos publicitários, nesse aspecto, os verbos aparecem geralmente no
imperativo (ordem, pedido, incitação): Ex: Questione. Mude. Beba.
O anúncio nem sempre é puramente apelativo, alguns anúncios se
valem, por exemplo, das características do produto em questão. Quando o
anunciante descreve os recursos de um determinado aparelho ou carro, ou os
, talvez alguns
ia a poética, porém a ênfase não está
na mensagem e sim nos sentimentos da poetiza, que expressa seu mais
profundo ser. A função da linguagem predominante é a emotiva. Nessa função,
o discurso aparece em 1ª pessoa do singular em vários trechos: (Eu sou, sou
aquela); a pontuação é mais expressiva, com o uso de ponto de exclamação e
Sou a crucificada ... a
Observe o anúncio
ntTcENPoPEs/UQgUfW1kNaI/AAAAAAAAAHk/C3YoF9jZni4/s1600/lata_logo_questione_mude_beba_pepsi.png
Na função apelativa a ênfase está no interlocutor, por isso o discurso é
vencer, o outro de
algo apelando para suas atitudes. Esse tipo de discurso é muito comum nos
textos publicitários, nesse aspecto, os verbos aparecem geralmente no
imperativo (ordem, pedido, incitação): Ex: Questione. Mude. Beba.
ramente apelativo, alguns anúncios se
valem, por exemplo, das características do produto em questão. Quando o
anunciante descreve os recursos de um determinado aparelho ou carro, ou os
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benefícios em adquirir um imóvel ou outro bem, a linguagem predominante
nesses trechos é a denotativa. A função referencial nesse contexto de
descrição está a serviço de um intuito maior que é o de convencer o leitor.
Função fática ou de contato: A ênfase está no canal. Leia a tirinha de Zoé &
Zezé - por Rick Kirkman & Jerry Scott:
http://3.bp.blogspot.com/-
_ACwT4JG1Ug/T4l9nsEq8NI/AAAAAAAAAXA/VT1PrzWLArk/s1600/As+Tirinhas+de+Jornais+5.jpg
A função da linguagem utilizada para estabelecer contato verbal é a
fática. Na tirinha a ênfase está no contato entre Zoé e Zezé. É uma sequência
de orientações para escovar os dentes. Em várias situações cotidianas
fazemos contato sempre que iniciamos uma conversa, seja face a face, no
telefone ou nas redes sociais.
Função referencial ou denotativa: A ênfase está no referente ou contexto.
Observe a reportagem:
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Um terço das pessoas do mundo não tem acesso a água potável, diz ONU.
Cerca de 2,4 bilhões de pessoas no mundo
— ou um terço da população — não têm
acesso a serviços de saneamento básico e
água potável. A conclusão é de um estudo
mundial feito pela Unicef e pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta
semana. A situação brasileira, por outro
lado, é favorável: o acesso chega a 94% dos cidadãos.
"O que os dados mostram é a necessidade de focar nas desigualdades como
único caminho para alcançar um progresso sustentável", afirma no relatório
Sanjay Wijesekera, chefe da divisão de água e saneamento da Unicef, segundo
publicou o portal G1.
Época, São Paulo, n. 891, online, 4 de jul 2015.
A função referencial ou denotativa se concentra no assunto em questão,
o foco está no referente, nesse contexto é sobre a temática “água potável”. A
linguagem é geralmente em 3ª pessoa (“Cerca de 2,4 bilhões de pessoas no
mundo”; “A conclusão é de um estudo mundial”; “O que os dados mostram é”);
ausência de advérbios e adjetivos com alta carga de subjetividade
(SARMENTO, 2012, p.59).
Na maioria dos textos jornalísticos é predominante essa função, pois o
jornalista tem a intenção de falar sobre um determinado assunto para informar
ou alertar sobre algo que está acontecendo. É possível encontrar a função
referencial em outros gêneros, por exemplo: trechos narrativos e descritivos de
livros, romances, propagandas; folhetos ou textos informativos sobre doenças
etc.
Linguagem Denotativa: É o emprego do sentido real da
palavra, isto é, como aparece no dicionário. Ex: ”O furacão
Katrina, um dos mais avassaladores da história dos Estados
Unidos, destruiu a região metropolitana de Nova Orleans e
causou mais de mil mortes (Jornal Nacional, 23/08/2005)”.
Aqui a palavra furacão se refere ao fenômeno climático.
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Linguagem Conotativa
Esse tipo de linguagem não aparece apenas em textos literários, mas também
em interações cotidianas. De forma geral, o significado é construído
culturalmente, por isso é possível captar a intenção do interlocutor em utilizar
determinada palavra. Ex: “Essa mulher é
Furacão- Lucas César e Adriano).” Aqui as palavras fogo e
furacão se referem ao significado simbólico
devastadora, sensual.
https://pixabay.com/static/uploads/photo/2014/04/02/16/28
Função metalinguística:
O termo metalinguagem é a linguagem é utilizada para explicar a própria
linguagem. A tirinha acima é um bom exemplo disso
código) é utilizado para explicar a imagem.
É importante perceber que a metalinguagem não se restringe a textos
especializados, como as explicações de significado do dicionário, por exemplo.
Ao contrário, a função metalinguística ocorre nas mais diversas situações
cotidianas, por exemplo: “Explique o que você falou” (INFANTE, 1999, p.260).
Também nostextos didáticos, na parte das definições e explicações de termos
e expressões. Nos textos de cunho literário, linguístico e crítico em que a
linguagem é utilizada, em
específicos de alguma área. Um autorretrato também pode ser considerado um
exemplo de função metalinguística.
Função poética: A ênfase está na mensagem. Observe as imagens:
Linguagem Conotativa: É uma linguagem metafórica, simbó
Esse tipo de linguagem não aparece apenas em textos literários, mas também
em interações cotidianas. De forma geral, o significado é construído
culturalmente, por isso é possível captar a intenção do interlocutor em utilizar
avra. Ex: “Essa mulher é fogo, é um furacão... (Música: Mulher
Lucas César e Adriano).” Aqui as palavras fogo e
furacão se referem ao significado simbólico de mulher
https://pixabay.com/static/uploads/photo/2014/04/02/16/28/hurricane-307398_640.png
ística: A ênfase está no código. Observe a tirinha:
O termo metalinguagem é a linguagem é utilizada para explicar a própria
tirinha acima é um bom exemplo disso, pois o texto verbal (o
utilizado para explicar a imagem.
É importante perceber que a metalinguagem não se restringe a textos
especializados, como as explicações de significado do dicionário, por exemplo.
Ao contrário, a função metalinguística ocorre nas mais diversas situações
cotidianas, por exemplo: “Explique o que você falou” (INFANTE, 1999, p.260).
Também nos textos didáticos, na parte das definições e explicações de termos
e expressões. Nos textos de cunho literário, linguístico e crítico em que a
linguagem é utilizada, em muitos momentos, no intuito de esclarecer os termos
específicos de alguma área. Um autorretrato também pode ser considerado um
exemplo de função metalinguística.
A ênfase está na mensagem. Observe as imagens:
: É uma linguagem metafórica, simbólica, figurada.
Esse tipo de linguagem não aparece apenas em textos literários, mas também
em interações cotidianas. De forma geral, o significado é construído
culturalmente, por isso é possível captar a intenção do interlocutor em utilizar
(Música: Mulher
Observe a tirinha:
O termo metalinguagem é a linguagem é utilizada para explicar a própria
pois o texto verbal (o
É importante perceber que a metalinguagem não se restringe a textos
especializados, como as explicações de significado do dicionário, por exemplo.
Ao contrário, a função metalinguística ocorre nas mais diversas situações
cotidianas, por exemplo: “Explique o que você falou” (INFANTE, 1999, p.260).
Também nos textos didáticos, na parte das definições e explicações de termos
e expressões. Nos textos de cunho literário, linguístico e crítico em que a
muitos momentos, no intuito de esclarecer os termos
específicos de alguma área. Um autorretrato também pode ser considerado um
A ênfase está na mensagem. Observe as imagens:
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http://econexos.com.br/wp-content/uploads/2013/11/Vang-Gogh.jpeg
http://econexos.com.br/wp-content/uploads/2013/11/Van-gogh-depois.jpeg
A pintura da esquerda é “Oliveiras com o céu amarelo e o sol” de Van
Gogh, e a da direita é uma releitura, mostrando o impacto do desmatamento,
do pesquisador Iain Woodhouse. Nas duas imagens o foco é chamar atenção
para uma mensagem, a beleza das oliveiras e o ambiente sem as oliveiras.
Nesse contexto é perceptível que a elaboração da mensagem utiliza recursos a
fim de chamar a atenção do leitor, no intuito de causar surpresa,
“estranhamento”, prazer estético (INFANTE, 1999), reflexão e mudança de
atitude.
A função poética é perceptível na seleção do tópico, na arrumação das
cores e das palavras, na exploração do sentido, nos efeitos sonoros e rítmicos.
Esse conjunto desenvolve o sentido conotativo dos recursos utilizados no texto,
por isso a função poética não aparece apenas em textos literários, mas
também em textos e slogans publicitários, provérbios, canções populares etc. É
importante lembrar que, nem sempre, todo o texto literário apresenta o
predomínio da função poética, como vimos no poema de Florbela Espanca, em
que o predomínio é a função emotiva.
RESUMO
As funções da linguagem são parte do nosso cotidiano, portanto estudá-
las nos permite entender de forma consciente sobre a linguagem nas diversas
práticas sociais. Cada uma das funções está correlacionada a ênfase que é
colocada em cada um dos elementos da comunicação, porém como nossa
16
linguagem é dinâmica e os significados são construídos nas práticas de
interação essas funções não são estáticas, embora possuam suas
particularidades. Identificar qual função da linguagem prevalece em
determinada situação, significa interagir, compreender a ênfase de um texto em
um contexto particular.
A PRÁTICA
1) Leia o poema Xícara de Fábio Sexugi:
a) Qual a função da linguagem predominante nesse texto? Por quê?
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_______________________________________________________________
b) A leitura desse texto revela alguma característica rítmica ou métrica?
Identifique com elementos do texto.
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_______________________________________________________________
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_______________________________________________________________
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2) (ENEM, 2014) Leia o texto e marque a alternativa.
O exercício da crônica
Escrever crônica é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um
cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas
pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um
prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de uma
máquina, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um
assunto qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da
véspera, em que, com suas artimanhas peculiares, possa injetar um
sangue novo. Se nada houver, restar-lhe o recurso de olhar em torno e
esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente
despertados pela concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao
assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de
escrever, pode surgir o inesperado.
(MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São
Paulo: Cia das Letras, 1991).
Predomina nesse texto a função da linguagem que se constitui
(A) nas diferenças entre o cronista e o ficcionista.
(B) nos elementos que servem de inspiração ao cronista.
(C) nos assuntos que podem ser tratados em uma crônica.
(D) no papel da vida do cronista no processo de escrita da crônica.
(E) nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio de uma crônica.
3) De acordo com o texto “O exercício da crônica”, qual a função da
linguagem predominante? Qual a função que aparece em segundo plano?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
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_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
4) Leia o quadrinho de Duke:
http://images.slideplayer.com.br/8/1870179/slides/slide_11.jpg
a) Como o efeito de humor se constrói nesse quadrinho?
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_______________________________________________________________
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_______________________________________________________________
b) Qual função da linguagem é predominante nesse texto? Retire do texto
argumentos para fundamentar sua resposta.
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_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
5) Leia o texto publicitário:
http://port1002.blogspot.com.br/
a) Qual a função da linguagem predominante nesse texto?
_______________________________________________________________
b) Quais estratégias de persuasão, verbais e não verbais, foram utilizadas para
cumprir o propósito comunicativo?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
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20
6) Leia o fragmento da carta de Machado de Assis a José Veríssimo (Rio, 21
de abril de 1902).
“Meu caro J. Verríssimo, - Recebi sábado o seu
recado, e respondo que sim que estou zangado com
você, como você esteve comigo. A sua zanga veio de o
não haver felicitado pelos 45 anos, a minha vem de os
ter feito sem me propor antes uma troca. E a aceitaria
de muito boa vontade”.
http://panorama-direitoliteratura.blogspot.com.br/2010/05/cartas-jose-
verissimomachado-de-assis.html
http://2.bp.blogspot.com/-
9pXy5NR82VU/U8vyyBDFTqI/AAAAAAAAP5c/v2QGZm92SlQ/s1600/Machado+de+Assis,+por+Andr%C3%A9+Brown.j
pg
a) Qual função da linguagem predomina na carta de Machado? Justifique com
elementos do texto.
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b) A caricatura de Machado de Assis de alguma forma complementa o discurso
de sua carta? Argumente sua resposta.
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7) Leia o texto jornalístico.
http://www.robertoavila.com.br/arquivos/images/referencial.jpg
a) Qual a finalidade do texto? Justifique sua resposta.
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_______________________________________________________________
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b) O canal de comunicação é trabalhado de alguma forma especial no texto?
Comente os recursos utilizados?
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_______________________________________________________________
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c) Que função da linguagem predomina nesse texto? E quais outras funções
aparecem em segundo plano?
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_______________________________________________________________
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_______________________________________________________________
Referências
ESPANCA, Florbela. Livro de Mágoa -Sonetos. Amadora, Portugal : Bertrand,
1978.
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. São Paulo: Scipione, 1999.
SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em Textos. São Paulo: Moderna, 2012.
23
Tema 3
Variação Linguística
Objetivos
� Estudar os níveis de linguagem que fazem parte da prática interativa;
� Conhecer as diferentes variedades da língua portuguesa e as possibilidades
de uso em contextos específicos;
O TEXTO
Fala e Escrita
Toda a atividade discursiva e todas as práticas linguísticas se dão em
textos orais ou escritos com a presença de semiologias de outras áreas, como
a gestualidade e o olhar, na fala, ou elementos pictóricos e gráficos, na escrita.
Assim, as produções discursivas são eventos complexos constituídos de várias
ordens simbólicas que podem ir além do recurso estritamente linguístico. Mas
toda nossa atividade discursiva situa-se, grosso modo, no contexto da fala ou
da escrita. Basta observar nossa vida diária desde que acordamos até o final
do dia. Portanto, mesmo vivendo numa sociedade em que a escrita entrou de
forma bastante generalizada, continuamos falando mais do que escrevendo.
Fala e escrita, ambas têm um papel importante a cumprir e não competem.
Cada uma tem sua arena preferencial, nem sempre fácil de distinguir, pois são
atividades discursivas complementares. Em suma, oralidade e escrita não
estão em competição. Cada uma tem sua história e seu papel na sociedade.
Nesse aspecto dinâmico da linguagem, consideramos que a variação
linguística é normal, natural e comum em todas as línguas, pois todas as
línguas variam, não devemos estranhar as diferenças existentes entre os
falantes do português nas diversas regiões do Brasil. Contudo, a grande
variação presenciada na oralidade não se verifica com a mesma intensidade na
escrita, dado que a escrita tem normas e padrões ditados pelas academias.
Possui normas ortográficas rígidas e algumas regras de textualização que
diferem na relação com a fala. Mas isso ainda não significa que não haja
variação nos modos de escrever.
MARCUSCHI, Luiz Antônio; DIONISIO, Angela Paiva. Fala e Escrita. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. P.
13-16 (Fragmento).
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1) De acordo com o texto qual o papel da fala e da escrita na interação social?
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2) Explique por que as pessoas não falam e não escrevem da mesma forma.
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O CONTEXTO
Como observamos no texto anterior, a fala e a escrita, fazem parte do
processo interativo e não existe uma única forma de falar ou de escrever. A
linguagem é sempre utilizada para cumprir um propósito, que está vinculado a
uma necessidade comunicativa de realizar algo. Dentre outros fatores, essa
necessidade, o contexto, o conhecimento e a intenção do interlocutor são
pontos que determinam as escolhaslinguísticas.
A fala e a escrita flutuam dentro de um continuo que versa entre o formal
e o informal. Isso significa que dependendo do contexto a fala pode ser mais
formal que a escrita, por exemplo: uma palestra de trabalho – uma mensagem
de WhatsApp para um amigo; em outro contexto a escrita pode ser mais formal
que a fala, por exemplo: um trabalho acadêmico – um diálogo com um colega.
25
Toda língua apresenta variações. Em geral, a modalidade escrita segue
os padrões dos modelos de prestígio, porém isso não significa que seja
invariável. “O bom uso da língua é aquele que se adéqua às condições de uso”
(ANTUNES, 2007). Em situações mais formais é comum o uso da língua culta,
em situações informais é mais adequado o uso da linguagem coloquial
(SARMENTO, 2012).
Por isso, é importante cada interagente da língua conhecer as variações
linguísticas, “para saber empregá-las com propriedade e domínio”
(SARMENTO, 2012, p. 42).
Variação Linguística: são as diferentes variações regionais e sociais dentro
de uma mesma língua.
Norma padrão: é a variedade linguística mais valorizada socialmente e a mais
utilizada na esfera pública (imprensa, comércio, indústria, universidade,
governo etc). Na escola é o falar de acordo com as regras gramaticais. É o
falar de maior prestígio social. (SARMENTO, 2012).
A TEORIA
Vamos estudar os diferentes tipos de variações.
Variação regional
O regionalismo são as marcas linguísticas que caracterizam uma
determinada região, em outras palavras as expressões típicas de determinado
lugar. Isso geralmente acontece pelas diversas influências de elementos
culturais, linguísticos, históricos, sociais, artísticos, religiosos, políticos etc.
Essa variedade linguística pode ser no aspecto sintático (que é o mais
raro), por exemplo: Tu já estudaste Química? Em contrapartida Você já
estudou Química?; no aspecto vocabular, por exemplo: Aipim (Rio de
Janeiro), Macaxeira (Nordeste), Mandioca (Sudeste); no aspecto fonético, por
exemplo: o /r/ paulista, o /s/ carioca etc; no aspecto semântico, por exemplo:
canjica (São Paulo, iguaria doce feita de milho branco; Ceará, pasta de milho
verde). A canjica do paulista é o mugunzá do cearense; a canjica do cearense
26
é o curau do paulista. Compreender essas variedades é essencial para se
comunicar em determinados contextos com determinados interlocutores.
Variação social
É característica das diferenças entre as classes sociais. Pode ser no
aspecto profissional, que são os jargões de cada área: médico, professor,
policial etc; Pode ser para caracterizar as “tribos sociais” que são as gírias, que
são dialetos sociais de um grupo específico.
As variações sociais podem estar relacionadas às questões como: grau
de escolaridade, classe econômica, idade, sexo, grau de formalismo, diferença
entre classes etc. Cada um dos interlocutores de cada classe social,
dependendo da situação, pode fazer uso de uma variedade padrão ou popular.
Variação Histórica
A variação histórica é caracterizada devido às mudanças que acontecem
na língua ao longo do tempo. Essas mudanças são incentivadas tanto por
características internas da própria língua, ou por fatores externos, como
contato com outros povos e avanço tecnológico (SARMENTO, 2012). Essas
mudanças podem acontecer nos aspectos:
Semântico: broto (garota); fonético: (pranta x planta, fror x flor), lexical:
(novas palavras: digitação; outras desaparecem: datilografia), sintático: “São
dessas coisas que se não explicam” (Aluísio Azevedo) x “São dessas coisas
que não se explicam”, ortográfico: (pharmácia x farmácia).
Neologismo e Estrangeirismo
Os neologismos são fenômenos linguísticos que acontecem quando o
interagente da língua impugna uma significação diferente para um termo já
existente, por exemplo: gato (ligação clandestina de água ou luz); ou cria um
novo termo para explicar algo ou definir alguém. Isso acontece independente
de um vocabulário amplo, é motivado pela própria dinamicidade da língua. Um
27
bom exemplo são os textos literários e musicais. Sarmento (2006, p. 285) cita
um exemplo interessante:
Replique tocou, o surdo escutou
E o meu corasamborim (junção de coração + samba+ tamborim)
Cuíca gemeu, será que era eu, quando ela passou por mim?
ARNALDO, Antunes; CARLINHOS,Brown; MONTE, Marisa. Carnavália, In Tribalistas, 2002.
Os estrangeirismos são os empréstimos linguísticos, ou seja, são os
termos estrangeiros que passam a fazer parte de uma língua. Na sociedade
globalizada é frequente esse tipo de fenômeno, pois a influência que algumas
culturas exercem sobre outras é claramente percebida na culinária, na música,
na vestimenta, na tecnologia e até no comportamento. No vocabulário
tecnológico a maioria das palavras são estrangeirismos do inglês, por exemplo:
mouse, software, hardware, case, scanner, mousepad, notebook, iphone etc.
No dicionário, algumas palavras, de origem estrangeira já são incorporadas em
nosso vocabulário, por exemplo: lanche (lunch em inglês), esse exemplo em
inglês significa almoço; futebol (football em inglês britânico).
Resumo
Estudar os diferentes níveis de linguagem e as diferentes variações
linguísticas, significa refletir sobre a dinamicidade da língua e se apropriar de
um tipo de conhecimento específico para interagir com mais propriedade nos
diferentes contextos. Estudamos que a língua pode variar em diferentes níveis
e dimensões, dessa forma é importante entender que essas variações são
características de uma região, por isso o conceito de erro não se aplica à
linguagem. Os diferentes usos podem caracterizar inadequações e nunca erro.
É importante ficar atento para essas questões e compreender que preconceito
linguístico é um julgamento depreciativo e desrespeitoso. Depreciar a língua é
depreciar a identidade de um povo.
28
A PRÁTICA
1)Leia o texto e responda as questões:
Cuitelinho (Renato Teixeira)
Cheguei na beira do porto
Onde as onda se espaia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia,ai,ai
Ai quando eu vim
da minha terra
Despedi da parentália
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaias
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes batáia,ai, ai
A tua saudade corta
Como aço de naváia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
E os óio se enche d´água
Que até a vista se atrapáia, ai...
http://letras.mus.br/renato-teixeira/298332/
http://www.walldesk.com.br/pdp/1024/03/10/Bei
ja-Flor/Broad-billed-Hummingbird.jpg
a)Que nível de linguagem foi
utilizada no texto de Renato
Teixeira? Explique o por quê.
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b) De acordo com o texto o que é “cuitelinho”? Em que trecho esse significado
aparece?
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c) Retire do texto as palavras que caracterizam algum tipo de variação e
identifique-as.
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_______________________________________________________________2) Leia o texto:
https://mscamp.wordpress.com/files/2008/10/variedade-linguistica11.jpg
a) De que forma os elementos linguísticos provocam o efeito de humor? É
possível dizer que houve algum problema na comunicação?
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b) Que nível de linguagem é utilizado no quadrinho anterior? Em que variedade
o texto se enquadra?
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3) Leia o texto e responda:
http://www.taquiprati.com.br/images/Norma%20culta%20charge-surfista.jpg
a) Que inadequações contribuem para que o humor seja resgatado no texto?
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b) Analisando a expressão facial do surfista o que é possível inferir?
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c) Reescreva o texto verbal da charge adequando-o com o contexto em
questão.
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d) Essa charge se refere a qual tipo de variação?
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4) Decifre o texto:
https://encrypted-
tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSpzV8496yPbQbCvOFfX05soM8Pf9dP24s1fqmbWVTJwQjfIVH0Lw
a) Qual é o assunto do texto?
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_______________________________________________________________
b) Que nível de linguagem e que tipo de variação encontramos nesse texto?
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c) Que tipo de conhecimento é necessário para escrever ou compreender esse
tipo de texto?
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5) Leia o texto:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/aulas/6641/imagens/digitalizar7.jpg
a) O que a médica está dizendo? Que variação e que nível de linguagem ela
está utilizando?
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b) Reescreva esse texto utilizando uma variação popular.
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6) Leia o texto de Zeca Baleiro:
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat...
Eu tenho savoir-faire
Meu temperamento é light
Minha casa é hi-tech
Toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash...
http://letras.com/zeca-baleiro/43674/ (Fragmento)
a) Explique a influência do estrangeirismo na letra da música.
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b)Destaque os termos estrangeiros e explique o que significam dentro do
contexto.
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Referências
ANTUNES, Irandé. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem
pedras no caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
MARCUSCHI, Luiz Antônio; DIONISIO, Angela Paiva. Fala e Escrita. Belo
Horizonte: Autêntica, 2007. P. 13-16 (Fragmento).
SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em Textos. São Paulo: Moderna, 2012.
35
Tema 4
Leitura e níveis de leitura: o texto verbal e o texto visual
Objetivos
� Conhecer o que é leitura e os níveis de leitura, tanto na modalidade verbal
como visual;
� Praticar a leitura nesses diferentes níveis e nessas modalidades.
OS TEXTOS
Texto 1:
http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9f128efb/14614833_hJwTy.jpeg
36
Texto 2:
http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSGU3BMR3zfDKLi5_t-hDYxDVtAxXV4U0ENjxUhOjVd_n7G8svKng
1) O que é possível compreender a partir da leitura desses dois textos?
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2) Analisando o texto 1 explique a afirmação: “Liga seu senso crítico na
tomada”.
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3) Observando o texto 2, podemos dizer que a escolha da imagem reforça o
sentido do texto verbal? Por quê?
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37
O CONTEXTO
O conceito de texto, hoje, é visto a partir da noção de interação. Nessa concepção
interacional, os sujeitos são vistos como seres ativos e construtores sociais, assim, o
texto passa a ser visto como o próprio lugar de interação. É tomado como um evento
em que os "sujeitos são atores sociais levando em conta o contexto
sociocomunicativo, histórico e cultural para a construção dos sentidos e das
referências dos textos" (CAVALCANTE, 2013, p. 19).
Koch & Elias (2010) advertem que:
Na concepção interacional da língua o texto é considerado o próprio
lugar da interação e da constituição dos interlocutores. Há lugar, no
texto, para toda uma gama de implícitos, dos maisvariados tipos,
somente detectáveis quando se tem, como pano de fundo, o
contexto sociocognitivo dos participantes da interação. [...] o sentido
de um texto é construído na interação texto- sujeitos e não algo que
preexista a essa interação. (KOCH; ELIAS, 2010, p. 11).
No bojo dessa concepção, temos que a leitura é, pois, uma atividade interativa
altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza evidentemente com
base em elementos linguísticos (e não-linguísticos) presentes na superfície textual e
na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de
saberes no interior do evento comunicativo (KOCH & ELIAS, 2010). A compreensão
de um texto não se dá exclusivamente por meio da materialidade dos elementos
linguísticos presentes na superfície do texto, mas leva-se em conta no processo da
leitura, o ativamento de conhecimentos que estão armazenados na memória do
ouvinte/ leitor que contribuem para a produção de sentidos. Exemplo:
Fonte: http://pilhapuradejoaninha.blogspot.com.br/2012/12/viva-criatividade-em-torno-de-oscar.html.
Nas palavras de Carvalho & Silva (2014), apenas os elementos linguísticos do texto
(O título Convocação extraordinária e a fala do personagem à direita - Jesus) não
proporcionam subsídios necessários para a compreensão e o efeito cômico presente
na charge. Para que o leitor entenda o sentido do texto faz-se necessário a leitura das
imagens e os reconhecimentos dos elementos que compõem o texto: saber que o
senhor que carrega uma maleta permeada por réguas é o arquiteto Oscar Niemeyer,
38
compreender o contexto em que o texto está inserido (morte do arquiteto que projetou
a cidade de Brasília e de grande reconhecimento no mundo todo), perceber que na
fala do personagem Jesus: "Vou acabar com tudo no dia 21", refere-se a previsão
apocalíptica de que o mundo acabaria em 21/12/2012. Segundo os autores, o humor
se dá não somente pelo o que está homologado no texto, mas sim por sua relação
com as imagens e os conhecimentos que devem ser mobilizados para que a
compreensão seja possível. É preciso considerar que, no exercício da leitura, além
das pistas e sinalizações que o texto oferece, entram em cena os conhecimentos do
leitor.
CARVALHO, Francisco Romário Paz. Leitura, Texto e produção de sentido: em cena
o verbal e o visual. Revista Temática. Vol. 10, n. 6 (2014). (Fragmento).
A TEORIA
O texto do tópico “contexto” esclarece pontos importantes no que se
refere à leitura. A partir desse conhecimento é possível compreender, de forma
consciente, o que é ler e que leitura não se restringe apenas aos textos
verbais. Foi possível perceber pelo exemplo da charge “convocação
extraoridinária” que o texto visual também contribui para que o sentido do texto
seja recuperado.
A leitura acontece por meio de um processamento interativo da mente, e
segundo a necessidade da tarefa e do leitor, pode acontecer de forma
descendente ou ascendente. A estratégia descendente são as que partem do
conhecimento de mundo para o nível de decodificação da palavra, seria em
outras palavras, do amplo para o restrito; a estratégia ascendente inicia pelo
elemento linguístico (palavra) para depois acionar outros conhecimentos de
ordem enciclopédica, semântica e/ou
pragmática (KLEIMAN, 2010, p.40).
No âmbito das estratégias
ascendentes ou descendentes é
possível dizer que essa dinâmica
acontece em três níveis: pré-leitura,
leitura e pós-leitura.
http://www.iapcursos.com.br/site/imagens/cursos/leitura.jpg
A pré-leitura: é o momento em que o conhecimento sobre determinado
assunto é ativado, mesmo antes da leitura detalhada do texto. Isso envolve a
39
experiência do leitor com outros textos ou experiências de vida. Esse
conhecimento pode ser ativado pelo título ou pelas imagens que compõem
esse texto. Nesse momento algumas estratégias específicas são acionadas:
predição/ inferência, conhecimento de mundo e contexto.
• Predição ou inferência: É a atividade de predizer, inferir, “adivinhar” o
conteúdo de um texto, por intermédio de pistas que estão no próprio
texto. Estas pistas podem ser: o título, o conteúdo visual, as marcas
tipográficas (uso de maiúscula, itálico, negrito, número, símbolo), o
gênero textual etc. A predição aciona os outros conhecimentos a seguir.
• Conhecimento de mundo: Se refere a toda bagagem cultural e de vida
que todas as pessoas possuem, seja ela letrada ou não. Esse
conhecimento, acionado a partir da predição, contribui no processo de
compreensão do texto.
• Contexto: É a inter-relação dos elementos que acompanham um fato ou
uma situação criando um local específico. O conhecimento desse local
ajuda o leitor a compreender o sentido real ou figurado de uma
determinada palavra, ou imagem.
A predição ou inferência depende do contexto e do conhecimento de
mundo para ser formulada. Essas estratégias além de ajudarem na construção
do significado, contribuem para a captação de novas palavras que são
associadas a determinados contextos, e dessa forma é possível maximizar as
“famílias” de conceitos sobre um assunto (KLEIMAN, 2010, p. 79).
A leitura: É a parte da interação verbal ou visual que implica na
participação ativa do leitor para interpretar e reconstruir o sentido, sempre
levando em consideração a intenção do autor (ANTUNES, 2003, p. 66).
É uma atividade complexa, em que todos os elementos que se
encontram no texto funcionam como “instruções” que não podem ser
desprezadas, pois traçam um caminho para que o leitor construa significações,
hipóteses, confirme predições, tire conclusões. Grande parte do que o leitor
consegue assimilar do texto está ligado ao conhecimento prévio, ou seja, aquilo
que ele já sabe sobre determinado assunto (ANTUNES, 2003, p. 67). É uma
mistura de processo cognitivo e interativo, um exemplo disso é que em
40
determinadas situações o leitor nem precisa ler todo o texto, ou ler de forma
detalhada para captar seu sentido.
A pós-Leitura: Esse é a atividade final em que o leitor faz uma reflexão
sobre o texto e sobre a aplicação deste para sua vida. É importante que o leitor
tenha o hábito de fazer essa atividade de forma consciente, e que seja
motivada uma reflexão crítica, buscando compreender a importância desse
texto, refletindo sobre as predições iniciais, tirando uma conclusão final sobre a
intenção do autor e o mundo do leitor.
Considerando todo esse complexo que compõe a atividade de ler, é
possível dizer que a leitura ajuda a formar conceitos e melhora de forma
significativa a capacidade de argumentação. Vamos ler!!!!!
Resumo
A leitura é uma atividade interativa, é uma forma de comunicação
importante na construção do sentido. Ler não se resume ao contato com o
texto verbal, o texto visual é também um instrumento importante e que já faz
parte do contexto de leitura.
O leitor durante a leitura além de construir sentido, utiliza algumas
estratégias que podem reconstruir significados a partir da interação com o
texto, do conhecimento prévio, do contexto e do conhecimento linguístico.
A PRÁTICA
Leia o texto “Geração Coca-Cola de Renato Russo e o mesmo texto em
outro formato e responda as questões:
Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de 9 às 6
Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez -
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês.
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola.
Depois de 20 anos na escola
41
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser?
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reisFazer comédia no cinema com as suas leis
http://letras.com/legiao-urbana/45051/ (fragmento)
http://spe.fotolog.com/photo/30/63/15/rusloko/1197038318_f.jpg
a) A partir da leitura do texto nos dois formatos, qual relação é possível fazer
entre eles?
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b) Utilizando a estratégia de pré-leitura o que é possível inferir a partir do título
do texto?
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c) Utilizando a estratégia de leitura, quais as marcas tipográficas são
encontradas no texto?
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d) Considerando o contexto social do Brasil, o que é possível afirmar a partir
desse trecho? “Desde pequenos nós comemos lixo/ Comercial e industrial”
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e) Observando o texto no formato de garrafa responda:
I- Por que o texto aparece em cores diferentes?
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II- Por que o tamanho e a fonte de algumas palavras aparecem em destaque?
Qual a intenção do autor?
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f) A partir da estratégia de pós-leitura, qual a leitura crítica é possível fazer
desse texto considerando a realidade social do Brasil?
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Leia os textos e responda as perguntas: Texto 1: Leitura Alimenta
http://portalpitanga.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Imagem2.jpg
Texto 2: Quem lê enxerga mais.
44
http://algarmidia.com.br/blog-da-propaganda/wp-content/uploads/sites/3/2011/04/hco.jpg
a) Que leitura é possível fazer do título do texto 1? Qual o objetivo desse
anúncio?
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b) Qual o sentido dos artefatos de cozinha (garfo, faca e saleiro) no texto 1
para a construção do sentido?
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c) Qual a leitura crítica é possível fazer do conteúdo verbal do texto 1?
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d) Qual a ligação entre o titulo do texto 2 e seu conteúdo visual?
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e)Qual o objetivo do anúncio do texto 2? Pelas informações no anúncio quem é
o autor?
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f)Por que de acordo com o anúncio: Quem lê enxerga mais?
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g) O que existe de comum entre os textos 1 e 2? Comprove com elementos
extraídos dos textos.
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Referências
ANTUNES, Irandé. Aula de Português: Encontro e Interação. São Paulo:
Parábola Editorial, 2003.
________________. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem
pedras no caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
KLEIMAN, Ângela. Oficina de Leitura: Teoria e Prática. Campinas, SP: Pontes
Editores, 2010.
47
Tema 5
Tipologias, Gêneros Textuais e intertextualidade
Objetivos
� Entender a diferença entre tipologia e gênero textual;
� Conhecer as particularidades e usos das tipologias e gêneros textuais.
OS TEXTOS
Texto 1: Cartum de Quino
48
Texto 2: Notícia da Revista Veja
Pan-2015: atleta desmaia, mas é medalha de prata no levantamento de peso
A halterofilista equatoriana Neise Dajones passou mal, nesta terça-feira, após
levantar 121 quilos em prova da categoria até 69 quilos, no Pan de Toronto. Logo
após o esforço, a atleta de 17 anos não aguentou: desmaiou e, caída no chão, sofreu
uma convulsão. Mesmo com o incidente, Neise foi liberada para tentar levantar 125
quilos em outra fase da prova. O resultado: medalha de prata. Na segunda-feira, outra
atleta, a venezuelana Genesis Rodriguez, também desmaiou ao tentar erguer 106
quilos e também conseguiu faturar a prata.
http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/pan-2015-atleta-desmaia-mas-e-medalha-de-prata-no-levantamento-de-peso
Texto 3: Artigo de opinião
Análise/ Thomaz Wood Jr.
O fim dos gerentes?
por Thomaz Wood jr. — publicado 15/07/2015 04h06
Após ceifar empregos na base, chegou a hora de a tecnologia ameaçar o meio da
pirâmide corporativa.
As fábricas automatizadas do fim do século XX substituíram trabalhadores por robôs.
Agora é a vez de as empresas de serviços substituírem gerentes e outros
profissionais por softwares. Os efeitos ainda são alvo de especulação. Por um lado,
um movimento que libera os seres humanos de tarefas repetitivas e maçantes é um
sonho de qualquer utopista. Por outro, o desemprego e o agravamento das
desigualdades são efeitos palpáveis e hoje incontestáveis.
Em editorial da revista científica Administrative Science Quarterly, veiculada em junho
de 2015, Gerald F. Davis observaque, a partir dos anos 1980, mudanças na
economia alteraram o perfil de ocupação dos egressos de MBAs, o templo formador
de gerentes. Em lugar de buscar trabalho ou receber ofertas de grandes companhias
industriais, eles passaram a ser absorvidos por empresas de consultoria e por
instituições financeiras.
Ao mesmo tempo, observa o autor, a tecnologia da informação passou a substituir
parte das atividades dos gerentes por algoritmos. Hoje, nos Estados Unidos, 7
milhões de profissionais são classificados como gerentes, porém, seu trabalho não
envolve necessariamente a supervisão de outros profissionais. A gestão de pessoas
por outras pessoas pode estar se tornando anacrônica. Chocante: as mudanças
podem fazer com que os gerentes voltem a trabalhar.
http://www.cartacapital.com.br/revista/858/o-fim-dos-gerentes-2921.html (Fragmento)
1) Lendo o texto 1 é possível identificar o motivo da fila estar tão grande?
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2) Qual o objetivo do texto 2? Quais informações relevantes aparecem nesse
texto, que possibilitam a total compreensão?
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3) Qual o foco do texto 3? É possível identificar a opinião do autor?
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O CONTEXTO
Gêneros textuais: definição e funcionalidade
Luiz Antônio Marcuschi
Já se tornou trivial a ideia de que os gêneros textuais são fenômenos históricos,
profundamente vinculados à vida cultural e social. Fruto de trabalho coletivo, os
gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-
dia. São entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em
qualquer situação comunicativa. No entanto, mesmo apresentando alto poder preditivo
e interpretativo das ações humanas em qualquer contexto discursivo, os gêneros não
são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa. Caracterizam-se como
eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos. Surgem emparelhados a
necessidades e atividades sócioculturais, bem como na relação com inovações
tecnológicas, o que é facilmente perceptível ao se considerar a quantidade de gêneros
textuais hoje existentes em relação a sociedades anteriores à comunicação escrita.
Como afirmado, não é difícil constatar que nos últimos dois séculos foram as novas
tecnologias, em especial as ligadas
à área da comunicação, que propiciaram o surgimento de novos gêneros textuais. Por
certo, não são propriamente as tecnologias per se que originam os gêneros e sim a
intensidade dos usos dessas tecnologias e suas interferências nas atividades
comunicativas diárias. Assim, os grandes suportes tecnológicos da comunicação tais
como o rádio, a televisão, o jornal, a revista, a internet, por terem uma presença
marcante e grande centralidade nas atividades comunicativas da realidade social que
ajudam a criar, vão por sua vez propiciando e abrigando gêneros novos bastante
50
característicos. Daí surgem formas discursivas novas, tais como editoriais, artigos de
fundo, notícias, telefonemas, telegramas, telemensagens, teleconferências,
videoconferências, reportagens ao vivo, cartas eletrônicas (e-mails), bate-papos
virtuais, aulas virtuais e assim por diante.
Tipo textual x Gênero textual
Usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de construção teórica
definida pela natureza linguística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos,
tempos verbais, relações lógicas}. Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia
dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição,
injunção.
Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para
referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que
apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades
funcionais, estilo e composição característica. Se os tipos textuais são apenas meia
dúzia, os gêneros são inúmeros. Alguns exemplos de gêneros textuais seriam:
telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem
jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo,
receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante,
instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada,
conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador,
aulas virtuais e assim por diante.
http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/322091/mod_resource/content/1/MARCUSCHI%20G%C3%AAneros%2
0textuais.pdf (Fragmento)
http://www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2014/06/generos-textuais.jpg
A TEORIA
O texto de Marcuschi discute de forma didática os conceitos de “tipo e
gênero textual” dando um amplo panorama sobre esses tópicos. Aplicando
esse conhecimento nos textos 1, 2 e 3, observamos que para cada objetivo e
intenção comunicativa o texto se enquadra em uma tipologia e em um gênero
diferente. O texto 1 é um cartum do tipo descritivo; o texto 2 é uma notícia do
tipo narrativa; o texto 3 é um artigo de opinião de tipo argumentativo. Essa
classificação não é engessada, ao contrário, os gêneros flutuam entre as
tipologias dependendo da necessidade comunicativa e da intenção do
51
interlocutor. Vamos estudar de forma detalhada cada uma das tipologias
textuais.
Descrição:
Descrever é utilizar a linguagem verbal ou imagética (desenho, símbolo)
para construir ideias ou imagens que representam lugares, objetos, seres,
cenas, situações. É um processo de transformar em linguagem o que foi
percebido pela observação, como se fosse o recorte de uma determinada
realidade que se deseja replicar (INFANTE 1999).
Produzir um texto descritivo significa apresentar um objeto (cena, ser,
situação) a partir de um determinado ponto de vista. O produto desse processo,
em algumas situações, em diferentes escalas é influenciado pelo olhar do
observador. É notório que se espera desse tipo de texto um alto grau de
objetividade, mas é praticamente impossível anular a presença do observador.
Em sentido amplo, o texto descritivo é utilizado nos textos narrativos e
argumentativos com o intuito de caracterizar personagens, lugares, fornecer
dados para fundamentar um argumento etc. (INFANTE, 1999, p. 137). A
descrição é uma ferramenta importante para construção do sentido.
Exemplo 1 (personagem do filme Frozen): Descrição objetiva (quando o foco
está em descrever as características)
http://spotseriestv.blogspot.com.br/2014/06/confira-descricao-personagens-frozen-estarao-once-upon-time.html
Exemplo 2 (Monalisa de Leonardo Da Vinci): Descrição
subjetiva (apesar do foco ser a descrição do objeto é
possível indentificar o olhar do observador de forma
mais contundente).
“O quadro apresenta uma mulher com uma expressão
introspectiva e um pouco tímida. O seu sorriso restrito
52
é muito sedutor, mesmo que um pouco conservador. Seu corpo representa o
padrão de beleza da mulher na época de Leonardo”.
http://galeriadefotos.universia.com.br/uploads/2012_01_20_15_52_231.jpg
http://trioternura.arteblog.com.br/96595/Descricao-do-quadro-Mona-Lisa/Narração:
Narrar é “encadear uma sequência de fatos, reais ou imaginários, em
que personagens se movimentam num certo espaço à medida que o tempo
passa” (INFANTE, 1999, p.114). A narração pode ser escrita ou falada,
independente da modalidade, a estrutura é a mesma. Isso significa que existe
um fato, que acontece com alguém, em um determinado espaço de tempo e
lugar. Essas informações são de relevância para que o interlocutor
compreenda o episódio.
A narrativa obedece a um contínuo, que em geral, passa de um estado
inicial de equilíbrio para um estado final, que independente de ser trágico ou
não, apresenta os seguintes elementos.
Espaço: É o local onde acontecem os fatos. Esse espaço pode ser
“físico” que o retratado no enredo, ou “psicológico” é a vivência subjetiva do
personagem.
Enredo: É a história em si, é o que correlaciona todos os outros
elementos. O enredo pode ser imprevisível e o desfecho pode ser que não
corresponda às expectativas do leitor. O final pode ser alegre, triste, cômico ou
trágico.
Personagens: São os elementos fundamentais, são os que realizam as
ações. Sempre em uma narrativa os personagens podem ser protagonistas
(principal), antagonistas (rival), coadjuvantes (secundários).
Tempo: É o desencadear das situações. Se esse tempo acontece em
sequência gradual de calendário ou relógio, chamamos de cronológico; se o
tempo é marcado pela sequência de pensamentos, sentimentos e reflexões
dos personagens é tempo psicológico.
Narrador: É aquele que tem a função de contar a história, porém esse
narrador pode assumir diferentes papéis:
Observador: Apenas conta os fatos sem se envolver, geralmente o discurso
aparece em 3ª pessoa;
53
Participante: Tanto conta os fatos como participa deles, nesse caso o discurso
é em 1ª pessoa;
Onisciente: Além de narrar os fatos, revela os pensamentos e sentimentos dos
personagens, em determinadas situações a voz do narrador se confunde com a
voz dos personagens.
O discurso pode assumir diferentes perspectivas dependendo de como o
narrador retrata a fala dos personagens.
Discurso direto: Nessa situação o personagem ganha voz, pois é a
transcrição direta da fala do personagem. Exemplo:
"Não havia nenhum planejamento de carreira na escola para mim. Eu só passava o tempo e
era passada para a próxima série. Depois de três anos eu disse 'chega' e deixei". Laura Green.
Pequenas empresas, grandes negócios. 12/07/2015
http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2015/07/jovem-com-sindrome-de-down-conta-saga-para-tornar-se-empresaria.html
Discurso Indireto: É quando o narrador adapta e incorpora a fala dos
personagens. Na maioria dos casos o discurso aparece em 3ª pessoa.
“O empresário Roark Stuart Kelly, junto com mais dois sócios, montou um bike café. Ele era
gerente administrativo, mas não estava contente com a área e achou que seria legal ser dono
de um negócio como um food bike: prático, econômico e sustentável”.
Pequenas empresas, grandes negócios. 12/07/2015
http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2015/07/baixo-investimento-e-atrativo-para-montar-negocio-com-food-bike.html
Discurso indireto livre: Embora escrito em 3ª pessoa, os personagens
têm voz própria. É a junção dos anteriores, em geral, o discurso do narrador se
confunde com a fala do personagem.
Laura, então, passou um tempo com sua família e amigos tentando descobrir o que queria
fazer. "Eu decidi que queria trabalhar com moda. Não por causa de ninguém, mas queria criar
meu próprio negócio vendendo acessórios. E foi o que eu fiz."
http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2015/07/jovem-com-sindrome-de-down-conta-saga-para-tornar-se-empresaria.html
Argumentação/ dissertação:
Dissertar/Argumentar é utilizar a linguagem para expor opiniões e fatos,
discutir ideias e conceitos, defender um ponto de vista, chegar a conclusões
etc, em geral, em uma perspectiva persuasiva. O interlocutor no intuito de
persuadir precisa elaborar bem a linguagem e construir argumentos
54
consistentes para provar sua “tese”, é preciso conhecimento profundo e olhar
crítico, isso tanto na fala como na escrita.
Argumentar ou dissertar na modalidade escrita significa obedecer as
particularidades do texto escrito, ou seja, estar de acordo com a norma
gramatical padrão, considerar desde vocabulário “até a necessidade de suprir
recursos expressivos da fala (mímica e entonação) e construções sintáticas
logicamente organizadas.” (INFANTE, 1999, p. 159).
O texto dissertativo-argumentativo precisa se enquadrar em um
processo que contenha início (introdução), meio (desenvolvimento) e desfecho
crítico (conclusão). Vamos ver cada um detalhadamente.
Introdução: É o ponto inicial do texto. Aqui é preciso apresentar ao interlocutor
o assunto que será tratado e também delimitar os argumentos que serão
discutidos posteriormente. Essa parte é uma espécie de panorama do texto.
Desenvolvimento: Nessa parte é onde os argumentos apresentados na
introdução serão discutidos de forma organizada. Esse conteúdo pode ser
organizado de diferentes aspectos, dependendo da proposta do texto e das
informações disponíveis.
Conclusão: É o desfecho do texto, aqui é preciso retomar e condensar o
conteúdo anterior para finalizar de maneira clara e coerente. O autor pode fazer
um comentário final se posicionando ou encaminhar alguma proposta prática
de ação. Exemplo do filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937):
Todos os homens são intelectuais – pode-se dizer, mas nem todos os homens têm na
sociedade a função de intelectuais (Frase núcleo). 1a) Não se pode separar o homo
faber do homo sapiens. Todo homem, fora de sua profissão, exerce alguma atividade
intelectual, é um “filósofo”, um artista, um homem de gosto, 1b) participa de uma
concepção de mundo, 1c) tem uma linha de conduta moral: contribui para manter ou
para modificar uma concepção do mundo, isto é, para suscitar novos modos de
pensar.
Após apresentarmos as tipologias textuais vamos mostrar alguns
exemplos de gêneros textuais dentro dos aspectos tipológicos.
55
Aspectos tipológicos Exemplos de gêneros orais e escritos
Descrição, instrução Autorretrato, Instrução de montagem de
receita, regulamento, regras de jogo, pintura
de um objeto em tela, diário, relato, biografia,
currículo, lista, cardápio, anúncio, bula de
remédio etc.
Narração Conto, fábula, novela, notícia, romance,
crônica, conto de fada, fábula, lenda,
email etc.
Dissertação/Argumentação Artigo, editorial, resenha, carta de
opinião, email, ensaio, monografia,
dissertação, tese, seminário, palestra,
entrevista, conferência etc.
É importante lembrar que esse quadro não é fixo, alguns gêneros podem se
enquadrar em outro aspecto tipológico, o que vai definir esse aspecto é a
necessidade comunicativa e a intenção do interlocutor. Por exemplo, email.
Resumo
Os gêneros textuais são as diversas práticas sociais que circulam na
sociedade, esses gêneros dependendo da necessidade comunicativa podem
se apresentar em diferente aspecto tipológico. Compreender as tipologias e os
gêneros é entender a comunicação nos diferentes usos.
A PRÁTICA
1) (Enem 2010).
Partindo do pressuposto de que um texto estrutura-se a partir de características
gerais de um determinado gênero, identifique os gêneros descritos a seguir:
I. Tem como principal característica transmitir a opinião de pessoas de
destaque sobre algum assunto de interesse. Algumas revistas têm uma seção
dedicada a esse gênero;
II. Caracteriza-se por apresentar um trabalho voltado para o estudo da
linguagem, fazendo-o de maneira particular, refletindo o momento, a vida dos
homens através de figuras que possibilitam a criação de imagens;
III. Gênero que apresenta uma narrativa informal ligada àvida cotidiana.
Apresenta certa dose de lirismo e sua principal característica é a brevidade;
56
IV. Linguagem linear e curta, envolve poucas personagens, que geralmente se
movimentam em torno de uma única ação, dada em um só espaço, eixo
temático e conflito. Suas ações encaminham-se diretamente para um desfecho;
V. Esse gênero é predominantemente utilizado em manuais de
eletrodomésticos, jogos eletrônicos, receitas, rótulos de produtos, entre outros.
São respectivamente:
a) texto instrucional, crônica, carta, entrevista e carta argumentativa.
b) carta, bula de remédio, narração, prosa, crônica.
c) entrevista, poesia, crônica, conto, texto instrucional.
d) entrevista, poesia, conto, crônica, texto instrucional.
e) texto instrucional, crônica, entrevista, carta e carta argumentativa.
2) Você é corretor de uma imobiliária, leia a imagem e escreva um anúncio
descrevendo detalhadamente a casa. Sua descrição pode ser objetiva ou
subjetiva. O intuito é convencer o cliente que é um bom negócio.
http://www.anglaisfacile.com/cgi2/myexam/images/15033.gif
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3) Escolha uma capa de filme e narre a história, considerando os elementos da
narração.
http://3.bp.blogspot.com/-zlDCwgeLjqU/VIG8xQD1J1I/AAAAAAAAADY/P_syZgY2B2k/s1600/sem%2Bnome.png
http://rockntech.com.br/wp-content/uploads/2013/07/capas
http://imguol.com/c/entretenimento/2014/01/29/montagem
1391038565331_650x500.jpg
http://leitoresdepressivos.com/wp-content/uploads/2013/11/Cartas_Para_Julieta1.jpg
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4) Leia a manchete da capa da revista Veja (13/11/2013) e escreva um texto
dissertativo-argumentativo discutindo sobre a liberação da maconha no Brasil.
Construa seu texto de forma coesa, coerente e com argumentos sólidos.
Escolha uma capa de filme e narre a história, considerando os elementos da
zlDCwgeLjqU/VIG8xQD1J1I/AAAAAAAAADY/P_syZgY2B2k/s1600/sem%2Bnome.png
content/uploads/2013/07/capas-alternativas-filmes-pouco-investimento_7.jpg
http://imguol.com/c/entretenimento/2014/01/29/montagem-com-capa-do-livro-divergente-e-cena-do-filme
content/uploads/2013/11/Cartas_Para_Julieta1.jpg
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a a manchete da capa da revista Veja (13/11/2013) e escreva um texto
argumentativo discutindo sobre a liberação da maconha no Brasil.
Construa seu texto de forma coesa, coerente e com argumentos sólidos.
Escolha uma capa de filme e narre a história, considerando os elementos da
zlDCwgeLjqU/VIG8xQD1J1I/AAAAAAAAADY/P_syZgY2B2k/s1600/sem%2Bnome.png
investimento_7.jpg
filme-divergente-
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a a manchete da capa da revista Veja (13/11/2013) e escreva um texto
argumentativo discutindo sobre a liberação da maconha no Brasil.
Construa seu texto de forma coesa, coerente e com argumentos sólidos.
58
http://3.bp.blogspot.com/-QI60Ntq2F-k/UpLBvmwueYI/AAAAAAAABD0/WnJy7RHTXTs/s350/capa380.jpg
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Referências
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto: Curso prático de leitura e redação. São
Paulo: Scipione, 1999.
59
Unidade II
Linguageme Uso
Objetivos
Estudar os aspectos funcionais da linguagem, reconhecendo suas
particularidades;
Compreender que a língua possui particularidades e estudar esses aspectos
é importante para interagir nos diferentes aspectos da linguagem;
Reconhecer a gramática da língua portuguesa nas instâncias de uso na
modalidade de escrita e de interpretação textual.
60
Tema 1
Coesão e Coerência
Objetivos
� Conhecer os aspectos de coesão e coerência da língua portuguesa e como
articulá-los no uso da língua;
� Estudar o processo de referenciação e os operadores argumentativos da
linguagem e sua funcionalidade no processo de interpretação;
O TEXTO
http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/1/normal_creme.jpg
1. Qual o objetivo desse anúncio?
2. No texto verbal do anúncio o pronome “esse” está se referindo a que ou
quem?
61
3. Com que intuito a disposição do conteúdo verbal e o ângulo do conteúdo
imagético são articulados nesse anúncio?
O CONTEXTO
A coesão, a coerência, a referenciação e os operadores argumentativos
estão presentes nos textos. O texto é uma unidade de linguagem em uso,
como o anúncio do tópico anterior do produto “Rugol”, e cumpre uma função
comunicativa em um dado jogo de atuação sócio comunicativa (Costa
Val,1991). Independente do estilo, do layout e do tamanho, todo texto, para
cumprir o seu propósito comunicativo precisa ter textualidade. A textualidade,
como em um tecido, é a costura entre os elementos que compõem o texto, não
é um conjunto de palavras ou frases soltas (SARMENTO, 2012). A essa
costura damos o nome de coesão e a articulação desses elementos na
produção de sentido chamamos de coerência.
Os operadores argumentativos são elementos gramaticais discursivos
que são utilizados não apenas para ligar os termos na sentença, mas também
para dar um direcionamento para o interlocutor do percurso do texto, por
exemplo: mas (indica adversidade), portanto (finalidade) etc.
Já a referenciação é uma atividade discursiva (Koch, 2005), em que o
interlocutor opera sobre a linguagem fazendo escolhas significativas para
referenciar uma realidade, no intuito de construir sentidos.
Discurso: é o uso da língua em uma determinada situação de comunicação entre os
interlocutores (SARMENTO, 2012, p. 66).
A TEORIA
Coesão textual: é a conexão estabelecida entre as partes de um
texto (palavras, períodos e parágrafos) por meio de conectivos –
conjunções, pronomes, preposições e advérbios- e outros recursos
linguísticos (SARMENTO, 2006, p. 89).
62
Falar ou escrever um bom texto depende de uma boa articulação das
ideias, esse processo é obtido por meio de um bom encadeamento sintático e
semântico. Isso é coesão, ou seja, a conexão das partes do discurso.
A referenciação é um elemento de coesão textual. A coesão referencial
acontece pela referência dos elementos do próprio texto. São exemplos de
referentes: os pronomes pessoais, demonstrativos, possessivos ou advérbios e
expressões adverbiais que indicam localização (Koche, Boff, Pavani, 2009, p.
26). Exemplo de referenciação:
Ronald Julião deixou o estádio eufórico. Aquela medalha de prata no Pan trazia uma sensação
de alívio após ter que conviver com dores e lesões recentemente. O atleta do lançamento de
disco fez questão de dar uma volta olímpica carregando a bandeira do Brasil ao alcançar a
marca de 64,65m que lhe rendeu a presença no pódio do Canadá. As duas hérnias que
carrega nas costas, naquele momento, não seriam mais o suficiente para frear sua alegria. Em
determinado momento, inclusive, ele chegou a achar que havia sido campeão.
http://globoesporte.globo.com/jogos-pan-americanos/noticia/2015/07/com-duas-hernias-brasileiro-recupera-forca-e-leva-medalha-de-
prata-no-disco.html
Aquela (medalha), atleta (Ronald), lhe, sua, ele (Ronald).
Um dos elementos linguísticos que servem para orientar a sequência do
discurso são os operadores argumentativos, em outras palavras, ele determina
o encadeamento possível com outros enunciados (KOCHE, BOFF e PAVANI,
2006), mostrando ao interlocutor as possíveis construções de sentido.
Os elementos gramaticais que funcionam como operadores
argumentativos são: conjunções, preposições, locuções adverbiais (às vezes,
com certeza), conjuntivas (já que, visto que), prepositivas (ao lado de, a
respeito de), ou as palavras que de acordo com a N.G.B (Nomenclatura
Gramatical Brasileira) não se enquadram em nenhuma classe gramatical, como
os denotadores de exclusão (só, somente, apenas, senão) e inclusão (até,
mesmo, inclusive, também).
Cada um desses operadores pode desempenhar uma função,
dependendo do contexto e da necessidade comunicativa, entre eles: operador
de adição (e, também, ainda, nem); finalidade (a fim de, com o intuito de);
causa e consequência (porque, visto que, em virtude de); explicação
(porque, que, já que, pois); oposição (porém, contudo, todavia, entretanto,
63
apesar de); condição (contanto que, a não ser que, a menos que, desde que);
tempo (em pouco tempo, depois, logo que ); proporção ( ao passo que, tanto
quanto, tanto mais); conformidade ( segundo, conforme, consoante);
conclusão (portanto, então, assim, logo, por isso); alternativo (ou...ou,
ou...então); comparação (como, tão quanto, tal qual); esclarecimento (ou
seja, quer dizer); inclusão (até, mesmo, inclusive, também); exclusão (só,
somente, apenas, senão) (KOCHE, BOFF e PAVANI, 2006, p.32-35).
É importante salientar que esses são apenas alguns exemplos, e essa
divisão não é estática. O uso desses operadores pode variar de acordo com a
intenção do interlocutor, contexto e necessidade comunicativa.
Coerência textual: é o resultado de um processo de construção de
sentidos feitos pelos interlocutores, em uma situação de interação
(KOCH, 1997).
A coerência se constrói com elementos dentro do texto e também pelo
interlocutor no momento da interação, por isso a coerência está atrelada a
outros elementos como: conhecimento do interlocutor sobre determinado
assunto e contexto social e situacional.
A coesão e a coerência estão interligadas, mas pode acontecer de um
texto ser coeso e não ser coerente, e também um texto pode ser coerente e
não possuir elementos conectivos em todo o seu contínuo textual.
Exemplo 1: Cabeça de Bagre II (Mamonas Assassinas).Texto coeso, porém
não coerente.
Loucura, insensatez, estado inevitável
Embalagem de iogurte inviolável
Fome, miséria, incompreensão,
O Brasil é Tetra Campeão
http://letras.com/mamonas-assassinas/24143/
Exemplo 2: Coerente sem elementos coesivos.
Menino venha pra dentro, olhe o sereno! Vá lavar essa mão. Já
64
escovou os dentes? Tome a bênção a seu pai. Já pra cama!
Menino, de Fernando Sabino.
Alguns fatores são considerados fatores de coerência: os elementos
linguísticos, conhecimento de mundo, fatores implícitos e a intertextualidade.
(KOCHE, BOFF e PAVANI, 2006, p.19-20).
Elementos Linguísticos: são os itens lexicais e as estruturas sintáticas que
ativam o conhecimento armazenado e ajudam a construir a coerêcia textual;
Conhecimento de mundo: é um fator importante, pois a coerência de um texto
pode depender do conhecimento que o interlocutor possui sobre determinado
assunto. Ex:
“Valerioduto de MG pagou juiz eleitoral, afirma PF”. (Folha de São Paulo,
1998).
Esse termo se refere ao conjunto de contas bancárias do empresário
Marcos Valério, para as quais ele desviava dinheiro público para depois
barganhar com governantes políticos. Sem conhecer esse contexto é muito
difícil o interlocutor achar esse texto coerente.
Fatoresimplícitos: são as informações que não estão explícitas no texto e
dependem de inferência ou pressuposição para o entendimento do texto. Ex:
“Bebeu e está dirigindo? Desculpe a intimidade, mas a viúva é bonita.”
(Campanha sobre segurança no trânsito)
Intertextualidade: é um diálogo entre dois ou mais textos (SARMENTO, 2012)
em que um deles faz referencia ao outro, o processo de associar conteúdos de
referidos textos a outros textos. O entendimento acontece quando esse
conhecimento prévio é resgatado e utilizado para construir a coerência de
determinado texto. Ex:
65
O texto fonte é a Bíblia Sagrada,
esse trecho está no livro de
Gênesis 3:19.
“porquanto és pó e em pó te
tornarás”.
Para compreender esse anúncio é
importante reconhecer a
intertextualidade que aparece.
Ainda nesse anúncio a marcação
de aspas, reforça que o trecho é
um discurso fonte de outro texto.
http://s2.glbimg.com/SniVERDuZq0_oExbvwY4vqjQAx0=/0x0:394x522/300x397/s.glbimg.com/po/ek/f/original/2013/07/
30/propaganda_chevrolet.jpg
RESUMO
Estudar a coesão e coerência significa levar em consideração os
elementos que contribuem para uma boa construção textual. Construir e
compreender um texto significa considerar características gramaticais,
semânticas e pragmáticas. Além de fatores como conhecimento de mundo,
intertextualidade e fatores implícitos.
A PRÁTICA
1) No texto abaixo, verifica-se que os diferentes operadores argumentativos
relacionam as ideias produzindo sentido. Numere cada parêntese de acordo
com o código, indicando a relação estabelecida:
(1) oposição; (2) adição; (3) alternância; (4) explicação; (5) finalidade;
(6)comparação; (7) conformidade; (8)conclusão; (9) condição.
66
“O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem.”
1.Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e
2.domingos pelo menos uma centena de vezes.
3.Da mesma forma ( ), se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos,
4.terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles,
5.deixar de lado o orgulho e o comodismo. Se quiser um casamento gratificante, terá
6.que investir tempo, energia e ( ) sentimentos nesse objetivo. O sucesso é
7.construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas ( ), para obter
8.resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo
9.mundo, obterá os mesmos ( ) resultados. Não compare à maioria, pois( )
10.infelizmente ela não é modelo de sucesso.
Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros
estão tomando chope com batatas fritas.
Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Ou seja,
( ) terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina. A realização
de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize
por mágica. Mas ( ),toda mágica é ilusão. A ilusão não tira ninguém de onde está.
Ilusão é combustível de perdedores.“Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio.
Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.”
Texto por Roberto Shinyashiki
2) Observando o texto “O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz
o que todos fazem.” Encontre os referentes dos vocábulos abaixo:
a) Isso (linha 4)___________________________________________________
b) Eles (linha 4)___________________________________________________
c) Nesse (linha 6)_________________________________________________
d) Mesmos (linha 9)_______________________________________________
e) Ela (linha 10) __________________________________________________
Leia as propagandas abaixo e responda as perguntas:
Texto 1
67
Texto 2
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=19919
Texto 3 Texto 4
https://direitobemfeito.files.wordpress.com/2010/11/monbijou.jpg?w=294&h=400
https://edutakashi.files.wordpress.com/2010/10/bombril.jpg
3) Identifique a intertextualidade de cada texto:
a) Texto 1:______________________________________________________
b) Texto 2:______________________________________________________
c) Texto 3:______________________________________________________
d) Texto 4:______________________________________________________
68
4) Se observarmos bem cada um dos textos publicitários, percebemos que
cada formato e cor das letras, o pigmento do fundo, a cor das roupas dos
personagens, a expressão facial contribuem para que haja um diálogo entre os
textos de referência. O conteúdo verbal também segue o mesmo princípio, por
esse aspecto responda: qual parte do texto verbal contribui para que a
coerência textual seja construída?
a) Texto 1:______________________________________________________
b) Texto 2:______________________________________________________
c) Texto 3:______________________________________________________
d) Texto 4:______________________________________________________
5) Leia o texto abaixo e complete com elementos coesivos adequados a fim de
tornar o texto coerente.
O PERFIL DO CONTABILISTA NO SÉCULO XXI
Júlio César Zanluca
A presença do contabilista é cada vez mais imprescindível _________sociedade
_______ para as organizações, ________ elas de finalidade lucrativa ou não. A
principal característica ________ profissão, no século XXI, será o conhecimento
aplicado. Não _________ importante, é _______ o contabilista precisa ser um
profissional flexível, autodidata e preparado ________enfrentar desafios de uma
profissão _________ a competição e exigências crescem a cada dia. Sua função,
neste século, ________ ser considerada a de um gestor de informações. Seu
conhecimento ____________ amplo, compreendendo as normas internacionais de
contabilidade, legislação fiscal, comercial e correlatas. _______ habilidades
imprescindíveis são: capacidade de se expressar de forma clara e sintética, ótima
redação, domínio de recursos de informática (planilhas, textos, internet) e
conhecimentos de estatística. O contabilista precisa conhecer ____ utilizar-se
______ relações humanas, além de técnicas de administração. Não ______ficar
alheio ao mundo _____ o cerca, e precisará ler continuamente, tornando-se um
autodidata por excelência. _________ ser ético, ter capacidade de inovar e criar,
desenvolvendo também sua capacidade de adaptação - _______ mudanças fazem
parte do cenário empresarial e corporativo. A área de atuação do profissional
contábil é bastante ampla, oferecendo inúmeras alternativas de trabalho.
http://www.portaldecontabilidade.com.br/noticias/perfil_contador.htm
69
Referências
COSTA VAL, M.G. Redação e Textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
KOCHE, Vanilda Saton; BOFF, Odete M. Benetti; PAVANI, Cinara Ferreira.
Prática Textual: atividades de leitura e escrita. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
KOCH, Ingedore Villaça. Referenciação e orientação argumentativa. São
Paulo: Contexto, 2005.
______________________. Texto e coerência. São Paulo: Cortez, 1997.
SARMENTO, Leila Lauar. Oficina de Redação. São Paulo: Moderna, 2006.
_____________________. Gramática em Textos. São Paulo: Moderna, 2012.
70
Tema 2
Nova Ortografia
Objetivos
� Estudar as mudanças na nova ortografia da Língua Portuguesa;
� Entender cada uma das particularidades dessa mudança para utilizar a
linguagem de forma adequada com as novas regras.
O TEXTO
Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusõesde prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Língua (Fragmento da música de Caetano Veloso) http://letras.com/caetano-veloso/44738/
1. Qual a mensagem desse trecho de Caetano Veloso?
2. Qual a relação entre Luís de Camões e o termo Lusamérica latim em pó?
3. Qual a referência fonte do termo Flor do Lácio?
4. Explique o trecho:
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
71
O CONTEXTO
O Brasil foi a principal e mais rentável colônia de Portugal. Durante muito
tempo, longas viagens marcaram uma miscigenação maciça aqui no Brasil. A
priori, nossos nativos foram “catequizados” e forçados a assimilarem a cultura
portuguesa, também por outro lado, os colonizadores eram influenciados
linguisticamente e culturalmente pelo nativo brasileiro. No período da cultura
agrícola, os negros, os italianos, e muitas outras culturas e línguas passaram a
fazer parte do Brasil. No intuito de manter seu poderio político e econômico,
Portugal determinou que quem quisesse viver aqui no Brasil precisava se
comunicar por meio da Língua Portuguesa. Porém, esse processo de
assimilação de outro código não é algo simples, ao contrário, é como tentar
separar dois baldes de tintas que foram misturados, uma cor influencia na
pigmentação da outra. Assim é a língua, dinâmica, criativa e determina a
identidade de um povo.
Nesse aspecto, Caetavo Veloso, mostra essa realidade na música
“Língua”. De uma forma criativa, ele valoriza essa dinamicidade da língua e
ressalta que embora exista um padrão de similaridade, a língua são as várias
facetas de um povo, isso pode significar diferentes dialetos dentro de um único
idioma. Mesmo compreendendo as diferenças, por questões políticas e
econômicas, em 1995 foi firmado um acordo entre os países falantes da Língua
Portuguesa. Esse acordo tem o intuito de facilitar a circulação de documentos
entre esses países e minimizar os tramites burocráticos de comércio entre eles.
A TEORIA
Vamos observar as mudanças em nossa ortografia depois do acordo
ortográfico.
O nosso alfabeto passa a ter 26 letras, com o acréscimo do K,W e Y.
O trema ( ¨ ) sinal que era utilizado sobre a vogal U junto com as
consoantes g e q, para indicar a pronúncia dessa vogal foi abolido.
O acento agudo desaparece em três casos:
72
a) Nos ditongos abertos ei e oi das palavras paroxítonas. Ex: ideia, geleia,
jiboia, boia, assembleia, alcateia, colmeia, alcateia, epopeia, joia, Coreia,
plateia, odisseia, paranoia, proteico.
As oxítonas que terminam em éis, éu, éus, ói, óis continuam acentuadas:
Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus, chapéu, chapéus, anéis, dói,
céu, ilhéu.
b) Nas palavras paroxítonas com i e u tônicos formando hiato (sequência de
duas vogais que pertencem a sílabas diferentes), quando vierem após um
ditongo. Ex: baiuca, bocaiuva, feiura, Taoismo.
As oxítonas terminadas em i e u (ou seguida de s) o acento permanece.Ex:
Piauí, tuiuiú.
c) Nas formas verbais que possuem o u tônico precedido das letras g ou q e
seguido de e ou i. Esses casos ocorrem apenas nas formas verbais de arguir e
redarguir.
Não se usa mais acento em palavras terminadas em êem e ôo(s). Ex:
zoo, voo, creem, leem, veem, enjoo, perdoo, deem, magoo, abençoo.
Não se usa mais acento que diferencia os pares. Ex: para, pela, pera,
pelo, polo.
É facultativo o acento de forma (bolo) e forma (contorno).
Permanece o acento:
a) pode (presente 3ª pessoa singular) e pôde (pretérito perfeito do indicativo 3ª
pessoa singular).
b) Pôr (verbo), por (preposição).
c) Singular e plural dos verbos ter e vir juntamente com seus derivados
(manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc). Ex: Eles têm, Eles vêm,
Eles mantêm, Eles detêm etc.
Hífen
Com prefixo usas-se sempre o hífen em palavras iniciadas por h.Ex:
anti-higiênico, anti-histórico, co-herdeiro, macro-história, mini-hotel, proto-
história, sobre-humano, super-homem, ultra-humano.
Exceção: Subumano (o h desaparece).
Quando o prefixo termina em vogal diferente da palavra seguinte. Ex:
73
Aeroespacial, agroindustrial, anteontem, antiaéreo, antieducativo,
autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, coautor, coedição,
extraescolar, infraestrutura, plurianual, semiaberto, semianalfabeto,
semiesférico,semiopaco
Quando o prefixo termina em vogal e a outra palavra começa com a
consoante diferente de r ou s.Ex:
anteprojeto, antipedagógico, autopeça, autoproteção, coprodução, geopolítica,
microcomputador, pseudoprofessor, semicírculo, semideus, seminovo,
ultramoderno.
Quando o prefixo termina em vogal e a próxima letra da outra palavra for
r ou s, essas consoantes são duplicadas. Ex:
Antirrábico, antirracismo, antirreligioso, antirrugas, antissocial, biorritmo,
contrarregra, contrassenso, cosseno, infrassom, microssistema, minissaia,
multissecular, neorrealismo, neossimbolista, semirreta, ultrarresistente,
ultrassom.
Quando o prefixo é vice o uso do hífen permanece. Ex: vice-rei.
Quando o prefixo termina por vogal e a outra palavra começa pela
mesma vogal o hífen é utilizado. Ex:
anti-ibérico, anti-imperialista, anti-inflacionário, anti-inflamatório, auto-
observação, contra-almirante, contra-atacar, contra-ataque, micro-ondas,
micro-ônibus, semi-internato, semi-interno.
Quando o prefixo termina por consoante e o outro elemento começa pela
mesma consoante utiliza-se hífen. Ex:
hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, sub-bibliotecário, super-racista,
super-reacionário, super-resistente, super-romântico.
Nos outros casos não se usa o hífen. Ex:
Hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.
Quando o prefixo termina por consoante e o segundo elemento começar
por vogal não se usa hífen. Ex:
Hiperacidez, hiperativo, Interescolar, interestadual,interestelar, interestudantil,
superamigo, superaquecimento, supereconômico, superexigente,
superinteressante, superotimismo.
Com o prefixo sub, diante de r usa-se hífen. Ex: sub-região, sub-raça etc
74
Com os prefixos circum e pan usa-se hífen diante de palavra iniciada por
m, n e vogal. Ex: circum-navegação, pan-americano.
Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se
sempre o hífen. Ex:
além-mar, além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno, ex-diretor, ex-hospedeiro, ex-
prefeito, ex-presidente, pós-graduação, pré-história, pré-vestibular, pró-
europeu, recém-casado, recém-nascido, sem-terra.
Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu
e mirim. Ex:
amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.
Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que
ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas
encadeamentos vocabulares. Ex:
ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.
Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de
composição. Ex:
Girassol, madressilva, mandachuva, paraquedas, paraquedista, pontapé.
Fonte:http://sistemas.rei.unicamp.br/pdf/Guia_Reforma_Ortografica_CP.pdf
RESUMO
A reforma ortográfica é uma realidade, aqui no Brasil, todo material escrito já
obedece a essas regras, por isso, é importante praticar o uso dessas novas
mudanças para estar apto a interagir de acordo com a norma padrão da língua.
A PRÁTICA
1) Escolha a alternativa que contempla as regras da nova ortografia.
a) sequencia,linguística, linguiça, apazigüei;
b) A presidente detém o poder o país, e os governadores detêm o poder do
Estado;
c) boia, colméia, jóia, plateia, herói;
d) baiúca, bocaiúva, feiúra;
e) perdoo, magoo, vêem, creêm;
75
2) (ITA) Segundo o novo Acordo, entre as palavras pão duro (avarento), copo
de leite (planta) e pé de moleque (doce) o hífen é obrigatório:
a) em nenhuma delas.
b) na segunda palavra.
c) na terceira palavra.
d) em todas as palavras.
e) na primeira e na segunda palavra.
3) (ESA) Assinale o item em que o uso do hífen está incorreto.
a) infraestrutura - super-homem - autoeducação
b) bem-vindo - antessala - contra-regra
c) contramestre - infravermelho - autoescola
d) neoescolástico - ultrassom - pseudo-herói
e) extraoficial - infra-hepático - semirreta
4) (IMA-MG) Suponha que você tenha que agregar o prefixo sub- às palavras
que aparecem nas alternativas a seguir. Assinale aquela que tem de ser escrita
com hífen:
a) (sub) chefe
b) (sub) entender
c) (sub) solo
d) (sub) reptício
e) (sub) liminar
Referências
TUFANO, Douglas. Guia prático da nova ortografia. São Paulo:
Melhoramentos, 2008.
76
Tema 3
Concordância nominal e verbal
Objetivos
� Estudar as regras que regem a concordância nominal e verbal da língua
portuguesa;
� Identificar na prática esses usos e os erros mais comuns da língua
portuguesa.
O TEXTO
http://www.portalaz.com.br/imagens/geral/20150319150722_aa1d5.jpg
1) Como o texto visual contribui para a construção de sentido?
2) Por que o adjetivo “pequenas” está no feminino plural?
3) Por que o verbo “teríamos” está na 1ª pessoa do plural?
4) Qual a principal mensagem deste anúncio?
77
O CONTEXTO
Na situação comunicativa, para que haja interação é preciso que as
ideias sejam articuladas de forma coerente e que a sentença seja gramatical.
Quando falamos de concordância, seja nominal ou verbal, não significa uma
forma estática de uso da língua. Na fala existe uma flexibilidade maior que na
escrita, dependendo do contexto e dos participantes da interação. Em algumas
situações, não falar dentro das normas gramaticais não compromete a
comunicação. Por exemplo, é muito comum ouvir nas bancas de pastéis, das
feiras livres do sudeste brasileiro a frase: “Dois pastel, por favor”. Embora aos
ouvidos de um bom gramático isso pareça “estranho”, a comunicação entre
cliente e comerciante não fica comprometida. O pasteleiro entrega para o
cliente dois pastéis. Então, as regras devem ser desprezadas? De forma
alguma, pois é preciso considerar que em outros contextos conhecer as regras
é fundamental, por exemplo: no contexto de uma reunião de negócios em um
restaurante de prestígio, essa mesma sentença “dois pastel” pode ser
estigmatizada.
Todo bom profissional precisa estudar as regras para ter condições de
interagir nas diversas situações de comunicação.
A TEORIA
Concordância Nominal
Segundo Terciotti (2013) a concordância nominal é o estudo da relação
entre os substantivos e os seus determinantes (artigos, numerais, pronomes
adjetivos e adjetivos), esses precisam concordar em número (singular e plural)
e em gênero (masculino e feminino) com os substantivos a que se referem.
Também a concordância se relaciona ao comportamento dos advérbios e de
outras palavras ou expressões que são invariáveis, como as locuções
adjetivas.
As principais regras de concordância nominal são:
78
1- Se o adjetivo vier depois de dois substantivos, ele ficará no masculino plural
ou concordará com o mais próximo. Nesse último caso o sentido será restrito
apenas ao último substantivo.
Ex: a) Estado e economia desenvolvidos; b) Ela possui futuro e carreira
promissora.
2 - Se o adjetivo vier antes de dois substantivos, poderá concordar tanto com o
substantivo mais próximo como com todos. Nesse caso o sentido é estendido a
todos os substantivos e não somente ao mais próximo.
Ex: Comprei linda blusa e casaco.
3 - O particípio dos verbos sempre concordará em gênero e número com o
substantivo a que se refere. Com exceção os vocábulos salvo, visto e posto.
Ex: a) Lidos os textos, respondam as perguntas; b) Salvo raras exceções, as
comidas mexicanas têm muita pimenta.
4 - O predicativo do sujeito e do objeto sempre concordarão com os elementos
aos quais se referem.
Ex: a) O casal era lindo; b) Os casais eram lindos.
5 - As locuções adjetivas e os advérbios são invariáveis, por isso não
concordam com os nomes aos quais se referem.
Ex: a)Minha bolsa está junto com meu casaco. (locução adjetiva);
b) Os sindicatos ficaram alerta. (advérbio de modo); Os rapazes alertas estão
no grupo A. (alertas, nesse caso é adjetivo, por isso varia); Ela estava meio
nervosa (advérbio); Bebi meia garrafa de água. (numeral, metade de algo);
Compramos bastantes presentes. (Quando se refere a um substantivo e pode
ser substituído por vários concorda com o substantivo); As práticas daqueles
deputados são bastante duvidosas. (Quando se refere a um verbo ou a um
adjetivo se puder ser substituído por muito será advérbio e permanecerá
invariável).
6 - Os adjetivos compostos apresentam apenas o segundo elemento
concordando em gênero e número com o substantivo modificado por ele.
Ex: a) Ano passado, visitamos as exposições luso-brasileiras; b) O presidente
explicou os novos rumos da política econômico-financeira.
7 - Quando a cor for simplesmente um adjetivo, a concordância será feita
normalmente, com o adjetivo concordando em gênero e número com o
substantivo modificado por ele. Ex: camisa branca; saias vermelhas;
79
Quando o nome da cor for um substantivo ou um adjetivo composto, no qual o
segundo elemento é um substantivo, não haverá concordância. Com exceção
da cor lilás que apresenta a forma plural lilases.
Ex: Casacos vinho; Calças areia; Colares azul-piscina; Brincos verde-
esmeralda; vestidos laranja.
Quando o nome da cor for um adjetivo composto, e o segundo elemento não
for um substantivo, o primeiro elemento permanece invariável e o segundo
concorda em gênero e número com o substantivo a qual se refere. Ex: Olhos
verde-claros.
Com exceção das cores azul-marinho, azul-celeste, cor-de-rosa, cor de carne
são invariáveis. Ex: Casacos azul-marinho.
8 - A expressão tal qual, o primeiro elemento – tal- concordará com seu
antecedente e o segundo com eu consequente.
Ex: a) A filha é tal qual a mãe; b) As filhas são tais qual a mãe; c) O filho é tal
qual o pai; d) O filho é tal quais os pais.
9 - As expressões mesmo, próprio, só, extra, junto, quite, obrigado, incluso,
anexo concordam em gênero e número com os nomes aos quais se referem.
Ex: Os alunos mesmos enviaram as atividades; Ela própria...; Eles próprios...;
Nós próprios...; Edição extra; Trabalho duas horas extras; Eu fiquei quite e eles
ficaram quites; Ela disse: muito obrigada; Ele disse muito obrigado; As faturas
estão inclusas; Os relatórios estão inclusos; Segue anexa a relação; Seguem
anexas as relações;
10 - Os adjetivos bom, necessário, preciso, proibido, permitido permanecerão
invariáveis, se empregados genericamente, mas concordarão com o
substantivo a que se referem se este vier acompanhado de algum modificador
(artigo, pronome etc.)
Ex: Entrada é proibido; A entrada é proibida; É necessário paciência; É
necessária a paciência; Água é bom para saúde; A água é boa para saúde;
Não é permitido permanência neste local; Não é permitida a permanência neste
local.
80
Concordância Verbal
A concordância verbal se refere à concordância entre verbo e o sujeito
da oração. O verbo deve concordar com o sujeito em número (singular e plural)
e pessoa (1ª, 2ª e 3ª). Ex: Os brinquedos são novos; Erasmo e Roberto
cantaram em programas de televisão.As principais regras de concordância verbal são:
1 - Quando o núcleo do sujeito for constituído por um nome próprio plural
(como Andes, Minas Gerais, Estados Unidos etc), antecedido de artigo também
no plural, o verbo concordará com o artigo e não com o núcleo dos sujeito. Se
não houver modificador o verbo ficará na terceira pessoa do singular. Se for
título de obra poderá ficar tanto no singular como no plural.
Ex: Os Estados Unidos são uma forte nação; Minas Gerais é um rico estado;
Os Lusíadas são (ou é) a maior obra da literatura portuguesa.
2 - Quando tivermos sujeitos coletivos, pode ocorrer concordância lógica com o
sujeito ou com o componente mais próximo.
Ex: Uma porção de processos foi arquivado (lógica); Uma porção de
processos foram arquivados (proximidade).
3 - Quando o sujeito for representado por um percentual, o verbo poderá
concordar com o percentual ou com seus componentes, porém se vier
acompanhado de um modificador o verbo concordará com o modificador.
Ex: Sessenta por cento do senado aprovam (ou aprova) as novas medidas;
Esses 40% da arrecadação serão aplicados na educação.
4 - Quando o sujeito for constituído de um número fracionário, o verbo
concordará com o numeral.
Ex: Um terço das pessoas não chegou no horário; Dois terços das pessoas
chegaram no horário.
5 - Quando o sujeito for um pronome de tratamento, o verbo ficará na terceira
pessoa do singular, se o pronome estiver no singular e na terceira pessoa do
plural se estiver no plural.
Ex: Sua Excelência recebeu uma bela homenagem; Suas excelências
receberam uma bela homenagem.
6 - Quando sujeito for cada um, o verbo ficará na terceira pessoa do singular.
Ex: Cada um dos atores representa várias personagens; Cada um de nós fez
o possível para salvar os objetos do incêndio.
81
7- Quando os verbos bater, soar, dar se referirem a horas, concordarão com o
sujeito da oração.
Ex: Deram cinco horas; Soou seis horas o relógio da igreja (sujeito relógio); Já
soaram dez horas no relógio da copa (sujeito= dez horas).
8 - a)Quando a oração apresentar verbos impessoais (verbos sem sujeito), os
verbos ficarão na 3ª pessoa do singular.
Ex: Havia muitos stands na exposição (haver no sentido de existir); Saiu há
meia hora (impessoal indica tempo);
b) Fazer indicando tempo passado ou fenômeno da natureza.
Ex: Faz dois dias que cheguei de viagem;
c) Chover, trovejar, anoitecer, que indicam fenômenos da natureza.
Ex: Choveu a noite toda.
d) Quando o verbo impessoal integrar uma locução verbal, o verbo antecedente
também será influenciado pela impessoalidade, ficando na 3ª pessoa do
singular. Quando o verbo haver adquirir o sentido de “ter, possuir” concordará
com o sujeito.
Ex: Deve haver muitas pessoas que não têm o que comer; Tinha havido
alguns problemas em sua inscrição; A temperatura caiu e as crianças haviam
(=tinham)deixado seus casacos em casa.
RESUMO
Conhecer as particularidades da concordância verbal e nominal contribui
para articular linguagem de forma mais adequada com a norma padrão. Uma
boa forma de aprender os diversos usos é praticar.
A PRÁTICA
1- Justifique a concordância verbal das seguintes sentenças:
a) Um mês, um ano, um século não seria suficiente para fazê-la esquecer
aquele amor.
_______________________________________________________________
b) Inabilidade e inaptidão marcou a gestão desse prefeito.
_______________________________________________________________
82
c) A Lei Seca, os acidentes e as mortes, nada parece conscientizar os
motoristas imprudentes.
_______________________________________________________________
2 - Escolha a alternativa que preenche corretamente os espaços abaixo.
Os Estados Unidos ________ o novo pacote econômico (aprovou/aprovaram).
Fui eu quem ______ votar. (decidiu/decidi).
________ dois anos que estive na Europa. (Faz/ Fazem).
Deve ________ muitos ratos no porão. (haver/ haverem).
3 - Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal.
“Já ____ anos, ____neste local grande árvores. Hoje, só _____ arranha-céus”.
( ) fazem/ havia/ existe
( ) fazem/ haviam/ existe
( ) fazem/ haviam/ existem
( ) faz/ havia/ existem
( ) faz/ havia/ existe
4 - Identifique o sentido assumido pela concordância nominal.
a) O Brasil comprou vinhos e flores argentinas.
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
b) O Brasil comprou vinhos e flores argentinos.
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
c) Sempre julguei a gerente e o diretor competente.
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
d) Sempre julguei competente a gerente e o diretor.
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
83
5) Qual das sentenças a seguir está correta. Justifique sua resposta.
a) A proteína de soja é boa para saúde.
A proteína de soja é bom para a saúde.
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
b) A vendedora está meia cansada.
A vendedora está meio cansada.
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
6 ) Assinale a alternativa que completa a lacuna corretamente.
Elas ____ enviaram aos vendedores ________ as listas de preços atualizadas
com ________ modificações.
( ) mesma, anexa, bastante
( ) mesmas, anexas, bastantes
( ) mesma, anexas, bastante
( ) mesmas, anexa, bastante
( ) mesma, anexa, bastantes
Referências
TERCIOTTI, Sandra Helena. Português na prática. 2. ed. São Paulo: Saraiva,
2013.
84
Tema 4
O uso na escrita
Objetivos
� Conhecer os aspectos essenciais para uma boa escrita;
� Estudar a escrita como meio de comunicação.
O TEXTO
Você está num restaurante com nome francês. O cardápio é todo escrito
em francês. Só o preço está em reais. Muitos reais. Você pergunta o que
significa o nome de um determinado prato ao maître. Você tem certeza que o
maître está se esforçando para não rir da sua pronúncia. O maître levará mais
tempo para descrever o prato do que você para comê-lo, pois o que vem é uma
pasta vagamente marinha em cima de uma torrada do tamanho aproximado de
uma moeda de um real, embora custe mais de cem. Você come de um golpe
só, pensando no que os operários são obrigados a comer. Com inveja. Sua
acompanhante pergunta qual é o gosto e você responde que não deu tempo
para saber. O prato principal vem trocado. Você tem certeza que pediu um
"Boeuf à quelque chose" e o que vem é uma fatia de pato sem qualquer
acompanhamento. Só. Bem que você tinha notado o nome: "Canard
melancolique". Você a princípio sente pena do pato, pela sua solidão, mas
muda de idéia quando tenta cortá-lo. Ele é um duro, pode aguentar. Quando
vem a conta, você nota que cobraram pelo pato e pelo "boeuf' que não veio.
Você: a) paga assim mesmo para não dar à sua acompanhante a impressão de
que se preocupa com coisas vulgares como o dinheiro, ainda mais o brasileiro;
b) chama discretamente o maître e indica o erro, sorrindo para dar a entender
que, "Merde, alors", estas coisas acontecem; ou c) vira a mesa, quebra uma
garrafa de vinho contra a parede e, segurando o gargalo, grita: "Eu quero o
gerente e é melhor ele vir sozinho!
Luís Fernando Veríssimo.
http://www.releituras.com/lfverissimo_hoqueeho.asp1) Qual o objetivo do autor em criar novas palavras em suposto “francês”?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
85
2) Em alguns momentos o autor faz uso de períodos bem curtos (Muitos reais/
O prato principal vem trocado/ Só/ Ele é um duro, pode aguentar), qual o intuito
dele?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
O CONTEXTO
A escrita é um meio de comunicar entre pessoas através do tempo e do
espaço. A escrita pode servir para, mútua e concomitantemente, orientar
atenção, alinhar pensamentos, coordenar ações e fazer negócios entre
pessoas que não estão fisicamente co-presentes como também entre as que
estão presentes. Essas realizações sociais dependem do texto para induzir
significados apropriados nas mentes dos receptores, de forma que a escrita
ativa mecanismos psicológicos pelos quais construímos sentidos e nos
alinhamos com as comunicações de outros.
Escrever é um complexo processo. É entrar em uma atividade mental
localizada, de agregar as palavras que achamos mais apropriadas a nossa
situação, papel e tarefa, somos absorvidos dentro do papel e da situação como
um ator fica absorvido por um papel numa peça. E assim, nos tornamos mais
responsivos a informações, ideias, memórias que são relevantes para o papel e
a tarefa. Quanto mais desafiadora a tarefa de escrita, mais entramos nesse
modo de assumir diferentes papéis. Como no texto de Luis Fernando
Veríssimo, em que o autor entra no contexto, e cria novas palavras com o
intuito de ironizar os altos preços da comida em restaurante francês.
Nesse complexo processo interativo, emerge o texto. Esse próprio texto
torna-se um elemento no processo, como algo a ser inspecionado e usado,
como um enquadre para a ação continuada. Temos que viver com as
consequências sociais do texto. Como é que as pessoas entendem nosso texto
e como elas reagem? Isso é uma das coisas que tornamos conscientes na
medida em que tentamos entender o que estamos fazendo, considerar nossas
opções, monitorar nossas ações, tentar fazer escolhas efetivas dentro de
86
processos sociais e psicológicos, e construir um artefato textual. Quanto mais
sabemos sobre nossas situações, as dinâmicas sociais e os processos
psicológicos, as opções textuais e as conseqüências antecipáveis de nossas
escolhas, mais inteligente e efetivamente podemos orquestrar nossas
performances, mesmo na maneira como nos tornamos acessíveis e integramos
elementos não conscientes e não racionais a ambos os processos de escrita e
recepção. (BAZERMAN, Charles. Escrita, gênero e interação social. São Paulo: Cortez,
2007. Fragmento).
A TEORIA
O trabalho de construir um texto pode ir muito além de formar sentenças
e parágrafos sobre um tópico e de estabelecer uma sequência de enunciados
para lidar com a tarefa que se tem em mãos. Muitos elementos podem ter de
ser integrados ao texto. Dependendo do gênero em que o escritor está
escrevendo, ele pode ser considerado completamente responsável por integrar
apropriadamente elementos específicos ao texto ou à sua produção; ele pode
ser chamado a justificar por não incluir ou até levar em consideração elementos
esperados. Outros desses elementos podem ser escolhas acidentais do
escritor.
Em ambos os casos, integrar múltiplos elementos ao texto requer que o
escritor se engaje em relações complexas com a memória, documentos em
volta, artefatos e pessoas. O escritor tem de coletar, selecionar, avaliar,
analisar, sintetizar e tirar conclusões dos materiais; depois, o escritor também
tem de descobrir quais desses elementos devem estar disposto e como eles
devem ser funcionalmente usados dentro da estrutura retórica do texto.
(BAZERMAN, 2007, p. 59-60).
Para esse tópico em questão vamos trabalhar o gênero artigo
acadêmico. Esse gênero é o meio utilizado para divulgação das pesquisas e
trabalhos desenvolvidos ao longo da vida acadêmica. O artigo utiliza uma
linguagem concisa, correta e clara (KOCHE, BOFF; PAVANI, 2009). É preciso
coerência na exposição das ideias e na argumentação, também coesão entre
os elementos e parágrafos sem esquecer a fidelidade às fontes.
87
Estrutura do artigo
Identificação: Título do trabalho: deve ser claro, sucinto, apresentando o
estudo; Autor: a pessoa que fez o estudo e escreveu o artigo, localizado logo
após o título e à direita da página; Qualificação do autor (profissional e
acadêmica): coloca-se em forma de nota de rodapé.
Resumo (ou abstract) e palavras-chave: O resumo consiste em uma síntese
do que foi pesquisado, da metodologia utilizada e dos resultados alcançados.
As palavras-chave são as expressões que concentram o tema do texto.
Corpo do artigo: O corpo do artigo apresenta a situação-problema
(introdução), a discussão e a solução-avaliação.
Introdução: orienta o leitor, apresentando a situação problema (dúvida
investigada), os objetivos e afirmações opcionais que justificam a importância
da pesquisa. Essa parte introdutória mostra o panorama metodológico e faz
referência à organização do trabalho, ou seja, as partes que o compõem.
Fundamentação Teórica: Apanhado de teorias que ajudam a fundamentar a
argumentação do pesquisador.
Discussão: Nesse ponto, se expõe e se discute as informações que foram
utilizadas para entender e esclarecer o problema, fundamentado pela
argumentação das teorias expostas e autores consultados.
Conclusão: Apresenta comentários finais, apontando as respostas ao
problema investigado, as conclusões alcançadas e/ou limites do estudo
desenvolvido.
Referências: Listam-se as referências bibliográficas pertinentes a todas as
citações feitas, de acordo com as normas da ABNT.
Etapas para a produção de um artigo
Delimitação do problema; seleção da bibliografia sobre o assunto; elaboração
de abordagem para a análise do assunto; elaboração do esquema de trabalho;
elaboração do resumo dos tópicos e da análise pessoal; organização das
anotações na ordem apresentada no esquema; o tempo verbal mais indicado é
o presente do indicativo; escrita da primeira versão do trabalho; revisão da
88
escrita; submissão do artigo ao orientador; escrita da
versão final (KOCHE, BOFF; PAVANI, 2009, p. 130).
Para redigir os objetivos no artigo acadêmico faz-
se uso de substantivos e verbos como: contribuir, propor,
discutir, tratar, avaliar, comparar, debater, analisar, tentar,
procurar, pretender, visar, intuito, fim, propósito, objetivo.
Exemplos de objetivos:
a)O propósito central da discussão será debater uma das questões mais
polêmicas resultantes da.....; b) O presente artigo propõe-se a levantar
questões relacionadas a .... (KOCHE, BOFF; PAVANI, 2009, p. 131).
https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRXhBZUIAXXQQjzrm3NdNKpmu3Tv7soP3T6O-
XphGpohFLUcMTERA
RESUMO
Escrever não é uma dádiva, como alguns possam imaginar, ao contrário
disso é um complexo processo consciente de produção. Esse processo
demanda tempo e prática. Quanto mais se praticar, mais habilidade irá se
adquirir. Essa é uma boa oportunidade para começar a escrever. Vamos
praticar.
A PRÁTICA
Leia a introdução de um artigo acadêmico e resolva as questões.
Em nossa prática docente, com alunos de 3º grau, constatamos que eles
não têm o hábito de reescrever seus textos. Ocupam-se geralmente com as
correções de superfície e, muito raramente, com a mudança de conteúdo. As
operações de revisão que eles realizam são de mera correçãoortográfica.
O presente artigo tem o propósito de discutir a importância da reescrita
como uma etapa da produção textual, sem a qual o texto não se completa. É
importante abordar a questão, uma vez que essa prática é um momento do
processo construtivo de um texto, considerado como um trabalho que envolve
interação, análise, reflexão e recriação. Esse estudo tem como fundamentos
teóricos as contribuições de Bakthin (1981), Fiad e Mayrink-Sabinson (1993),
89
Geraldi (1997), Guedes (1994), Halté (1989), Kato (1990), Petitjean (1994),
Orlandi(1988), Pécora (1992) e Koche (1996).
O trabalho apresenta inicialmente reflexões teóricas sobre língua,
linguagem e texto na perspectiva interacionista; em seguida, aborda a reescrita
como elemento indispensável na produção de um texto e, por último, trata da
atuação pedagógica envolvida nesse processo. (PAVANI, Cinara Ferreira;
BOFF, Odete M. Benetti; KOCHE, Vanilda Salton. Reescrita: processo de
produção textual. Espaço pedagógico. Passo fundo: Universidade de Passo
Fundo, v. 8, n.2, p. 13-14, dez. 2001).
1) Qual é a situação- problema apresentada pelo artigo?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
2) Qual é a justificativa?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
3) Qual o objetivo do artigo?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
4) Cite os autores que fundamentam o estudo proposto no artigo.
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
90
5) Aponte no texto a parte que orienta o leitor em relação à organização do
artigo.
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
Referências
BAZERMAN, Charles. Escrita, gênero e interação social. São Paulo: Cortez,
2007.
KOCHE, Vanilda Salton; BOFF, Odete Maria Benetti; PAVANI, Cinara Ferreira.
Prática Textual. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
91
� Estudar os aspectos linguísticos e extralinguísticos do texto na produção
de sentido;
� Praticar a interpretação textual de forma critica e reflexiva
O TEXTO
http://rotadosconcursos.com.br/sistema/public/imagens_provas/5390/03.gif
1) O texto acima corresponde a que gênero?
2) Qual a relação do texto verbal e do texto visual?
3) Na sua opinião, porque o autor do texto escolheu essa imagem?
Tema 5
Estudos do Texto
Objetivos
s aspectos linguísticos e extralinguísticos do texto na produção
Praticar a interpretação textual de forma critica e reflexiva;
http://rotadosconcursos.com.br/sistema/public/imagens_provas/5390/03.gif
O texto acima corresponde a que gênero?
Qual a relação do texto verbal e do texto visual?
sua opinião, porque o autor do texto escolheu essa imagem?
s aspectos linguísticos e extralinguísticos do texto na produção
sua opinião, porque o autor do texto escolheu essa imagem?
92
O CONTEXTO
Todos têm dificuldades com interpretação de textos. Encare isso como
algo normal, inevitável. Importante é enfrentar a questão e, com segurança,
progredir. Aliás, progredir muito. Leia com atenção os itens abaixo.
1) Desenvolva o gosto pela leitura. Leia de tudo: jornais, revistas, livros, textos
publicitários, bulas de remédios etc. Mas leia com atenção, tentando
pacientemente, apreender o sentido. O mal é “ler por ler”, para se livrar.
2) Aumente o seu vocabulário. Os dicionários são amigos que precisamos
consultar.
3) Não se deixe levar pela primeira impressão. Há textos que metem medo. Na
realidade, eles nos oferecem um mundo de informações que nos fornecerão
grande prazer interior. Abra a sua mente e o seu coração para o que o texto lhe
transmite, na qualidade de um amigo silencioso.
4) Ao fazer uma prova qualquer, leia o texto duas ou três vezes, atentamente,
antes de tentar responder a qualquer pergunta. Primeiro, e preciso captar sua
mensagem, entendê-lo como um todo, e isso não pode ser alcançado com uma
simples leitura. Dessa forma, leia-o algumas vezes. À cada leitura, novas ideias
serão assimiladas. Tenha a paciência necessária para agir assim, Só depois
tente resolver as questões propostas.
5) As questões de interpretação podem ser localizadas (por exemplo, voltadas
só para um determinado trecho) ou referir-se ao conjunto, as ideias gerais do
texto. No primeiro caso, leia não apenas o trecho (às vezes uma linha) referido,
mas todo o parágrafo em que ele se situa. Lembre-se: quanto mais você ler,
mais entenderá o texto. Tudo é uma questão de costume, e você vai
acostumar-se a agir dessa forma. Então – acredite nisso- alcançará seu
objetivo.
6) Há questões que pedem conhecimento fora do texto. Por exemplo, ele pode
aludir a uma determinada personalidade da história ou atualidade, e ser
cobrado do aluno ou candidato o nome dessa pessoa ou algo que ela tenha
feito. Por isso, é importante desenvolver o hábito da leitura, como já foi dito.
Procure estar atualizado. (AQUINO, Renato. Interpretação de Textos. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2005. Fragmento.)
93
A TEORIA
Interpretar um texto é identificar sua ideia principal e a partir dai suas
ideias secundárias, argumentações ou explicações que levem ao
esclarecimento do texto. No processo interpretativo tudo o que aprendemos ao
longo da vida, por meio dos sentidos ou na escola, vem à tona e contribui para
a construção do sentido. Isso significa conhecimento histórico, literário,
gramatical, semântico, pragmático entre outros.
Em provas de concurso, a interpretação é primordial para um bom
resultado, por isso é importante ficar atento e entender que interpretar é um
processo consciente que exige investimento e prática.
Vamos ver alguns erros ao interpretar um texto que podem ser evitados.
a) Extrapolação: acontece quando o leitor sai do contexto introduzindo ideias
que não aparecem no texto.
b) Redução: ao contrário da extrapolação, significa se atentar a apenas um
aspecto do texto, esquecendo-se que são todos os aspectos textuais que
constroem o sentido.
c) Contradição: pode acontecer quando o texto apresenta ideias contrárias as
do candidato, fato esse que acaba incentivando o candidato a tirar conclusões
equivocadas.
Vamos refletir sobre algumas dicas para interpretação textual.
01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá até o
fim, ininterruptamente; (Procure, através do contexto, entender o sentido da
palavra)
03. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
04. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
05. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
06. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compreensão;
07. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto
correspondente;
08. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
09. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de...), não, correta,
incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
aparecemnas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
perguntou e o que se pediu;
10. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais exata ou
a mais completa;
94
11. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de lógica
objetiva;
12. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
13. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta, mas a
opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
14. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a resposta;
15. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor, definindo
o tema e a mensagem;
http://professordiegolucas.blogspot.com.br/2012/03/como-interpretar-um-texto.html Acesso 31/08/2015
RESUMO
Estudar um texto é mais do que apenas ler, a leitura é o passo inicial,
que convoca dentro do processo cognitivo tudo o que se está armazenado e
interligado nesse emaranhado de sentido, adquirido pelas vivências ao longo
da vida. É o verbal e o visual que motivam e conduzem esse processo. É algo
rápido, complexo e que precisa ser gerenciado pelo consciente. Para um bom
gerenciamento é preciso muita leitura e prática, em um ousado vai e vem de
erros e acertos. Quanto mais praticar mais próximo estará de alcançar o
sentido de um determinado texto.
A PRÁTICA
Leia os textos abaixo e responda as questões:
http://2.bp.blogspot.com/-LhoC3nZJYvQ/TlMGQMjcXHI/AAAAAAAAABg/095fCFf7X6k/s1600/escolhacelta.jpg
95
1- Qual o objetivo desse anúncio?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
2 - Como o humor é mostrado nesse anúncio?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
Legisladores do mundo se comprometem
a alcançar os objetivos da Rio+20
3 - (ENADE 2012- Administração) Reunidos na cidade do Rio de Janeiro, 300
parlamentares de 85 países se comprometeram a ajudar seus governantes a
alcançar os objetivos estabelecidos nas conferências Rio+20 e Rio 92, assim
como a utilizar a legislação para promover um crescimento mais verde e
socialmente inclusivo para todos. Após três dias de encontros na Cúpula
Mundial de Legisladores, promovida pela GLOBE International uma rede
internacional de parlamentares que discute ações legislativas em relação ao
meio ambiente, os participantes assinaram um protocolo que tem como objetivo
sanar as falhas no processo da Rio 92. Em discurso durante a sessão de
encerramento do evento, o vice presidente do Banco Mundial para a América
Latina e o Caribe afirmou: “Esta Cúpula de Legisladores mostrou claramente
que, apesar dos acordos globais serem úteis, não precisamos esperar.
Podemos agir e avançar agora, porque as escolhas feitas hoje nas áreas de
infraestrutura, energia e tecnologia de terminarão o futuro”. Disponível em:
<www.worldbank.org/pt/news/2012/06/20>.Acesso em: 22 jul. 2012 (adaptado).
O compromisso assumido pelos legisladores, explicitado no texto acima, é
condizente com o fato de que
A os acordos internacionais relativos ao meio ambiente são autônomos, não
exigindo de seus signatários a adoção de medidas internas de implementação
para que sejam revestidos de exigibilidade pela comunidade internacional.
B a mera assinatura de chefes de Estado em acordos internacionais não
garante a implementação interna dos termos de tais acordos, sendo
96
imprescindível, para isso, a efetiva participação do Poder Legislativo de cada
país.
C as metas estabelecidas na Conferência Rio 92 foram cumpridas devido à
propositura de novas leis internas, incremento de verbas orçamentárias
destinadas ao meio ambiente e monitoramento da implementação da agenda
do Rio pelos respectivos governos signatários.
D a atuação dos parlamentos dos países signatários de acordos internacionais
restringe-se aos mandatos de seus respectivos governos, não havendo relação
de causalidade entre o compromisso de participação legislativa e o alcance dos
objetivos definidos em tais convenções.
E a Lei de Mudança Climática aprovada recentemente no México não impacta
o alcance de resultados dos compromissos assumidos por aquele país de
reduzir as emissões de gases do efeito estufa, de evitar o desmatamento e de
se adaptar aos impactos das mudanças climáticas.
4 - (ENADE 2013 Tecnologia e gestão hospitalar)
Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!...
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim:
Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
Sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da
alegria,
E ainda mais alegre no meio da tristeza...
ROSA, J.G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
http://img1.oncoloring.com/hunting-two-hunters-in-a-_499aac2ad1d69-p.gif
De acordo com o fragmento do poema acima, de Guimarães Rosa, a vida é
A uma queda que provoca tristeza e inquietude prolongada.
B um caminhar de percalços e dificuldades insuperáveis.
C um ir e vir de altos e baixos que requer alegria perene e coragem.
D um caminho incerto, obscuro e desanimador.
E uma prova de coragem alimentada pela tristeza
5 - (ENADE, 2013 Tecnologia e gestão hospitalar)
97
A discussão nacional sobre a resolução das complexas questões sociais
brasileiras e sobre o desenvolvimento em bases sustentáveis tem destacado a
noção de corresponsabilidade e a de complementaridade entre as ações dos
diversos setores e atores que atuam no campo social. A interação entre esses
agentes propicia a troca de conhecimento das distintas experiências,
proporciona mais racionalidade, qualidade e eficácia às ações desenvolvidas e
evita superposições de recursos e competências. De uma forma geral, esses
desafios moldam hoje o quadro de atuação das organizações da sociedade
civil do terceiro setor. No Brasil, o movimento relativo a mais exigências de
desenvolvimento institucional dessas organizações, inclusive das fundações
empresariais, é recente e foi intensificado a partir da década de 90.
BNDES. Terceiro Setor e Desenvolvimento Social. Relato Setorial nº 3 AS/GESET. Disponível em:
<http://www.bndes.gov.br>.Acesso em: 02 ago. 2013 (adaptado).
De acordo com o texto, o terceiro setor
A é responsável pelas ações governamentais na área social e ambiental.
B promove o desenvolvimento social e contribui para aumentar o capital social.
C gerencia o desenvolvimento da esfera estatal, com especial ênfase na
responsabilidade social.
D controla as demandas governamentais por serviços, de modo a garantir a
participação do setor privado.
E é responsável pelo desenvolvimento social das empresas e pela dinamização
do mercado de trabalho
6 - (ENADE 2013 Tecnologia e gestão hospitalar)
Uma revista lançou a seguinte pergunta em um editorial: “Você pagaria um
ladrão para invadir sua casa?”. As pessoas mais espertas diriam
provavelmente que não, mas companhias inteligentes de tecnologia estão,
cada vez mais, dizendo que sim. Empresas como a Google oferecem
recompensas para
hackersque consigam encontrar maneiras de entrarem seus softwares. Essas
companhias frequentemente pagam milhares de dólares pela descoberta de
apenas um bug– o suficiente para que a caça a bugs possa fornecer uma
renda significativa. As empresas envolvidas dizem que os programas de
98
recompensa tornam seus produtos mais seguros. “Nós recebemos mais relatos
de bugs, o que significa que temos mais correções, o que significa uma melhor
experiência para nossos usuários”, afirmou o gerente de programa de
segurança de uma empresa. Mas os programas não estão livresde
controvérsias. Algumas empresas acreditam que as recompensas devem
apenas ser usadas para pegar cibercriminosos, não para encorajar as pessoas
a encontrar as falhas. E também há a questão de double-dipping – a
possibilidade de um hackerreceber um prêmio por ter achado a vulnerabilidade
e, então, vender a informação sobre o mesmo
bug para compradores maliciosos.
Disponível em: <http://pcworld.uol.com.br>. Acesso em: 30 jul. 2013 (adaptado).
Considerando o texto acima, infere-se que
A os caçadores de falhas testam os softwares, checam os sistemas e previnem
os erros antes que eles aconteçam e, depois, revelam as falhas a compradores
criminosos.
B os caçadores de falhas agem de acordo com princípios éticos consagrados
no mundo empresarial, decorrentes do estímulo à livre concorrência comercial.
C a maneira como as empresas de tecnologia lidam com a prevenção contra
ataques dos cibercriminosos é uma estratégia muito bem-sucedida.
D o uso das tecnologias digitais de informação e das respectivas ferramentas
dinamiza os processos de comunicação entre os usuários de serviços das
empresas de tecnologia.
E os usuários de serviços de empresas de tecnologia são beneficiários diretos
dos trabalhos desenvolvidos pelos caçadores de falhas contratados e
premiados pelas empresas
7- (ENADE 2013 Tecnologia e gestão hospitalar)
Uma sociedade sustentável é aquela em que o desenvolvimento está integrado
à natureza, com respeito à diversidade biológica e sociocultural, exercício
responsável e consequente da cidadania, com a distribuição equitativa das
riquezas e em condições dignas de desenvolvimento. Em linhas gerais, o
projeto de uma sociedade sustentável aponta para uma justiça com equidade,
distribuição das riquezas, eliminando-se as desigualdades sociais; para o fim
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da exploração dos seres humanos; para a eliminação das discriminações de
gênero, raça, geração ou de qualquer outra; para garantir a todos e a todas os
direitos à vida e à felicidade, à saúde, à educação, à moradia, à cultura, ao
emprego e a envelhecer com dignidade; para o fim da exclusão social; para a
democracia plena.
TAVARES, E. M. F. Disponível em:<http://www2.ifrn.edu.br>. Acesso em: 25 jul. 2013 (adaptado).
Nesse contexto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I. Os princípios que fundamentam uma sociedade sustentável exigem a adoção
de políticas públicas que entram em choque com velhos pressupostos
capitalistas.
PORQUE
II. O crescimento econômico e a industrialização, na visão tradicional, são
entendidos como sinônimos de desenvolvimento, desconsiderando-se o caráter
finito dos recursos naturais e privilegiando-se a exploração da força de trabalho
na acumulação de capital. A respeito dessas asserções, assinale a opção
correta.
A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa
correta da I.
B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma
justificativa correta da I.
C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
E As asserções I e II são proposições falsas.
Referências
AQUINO, Renato. Interpretação de Textos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
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