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Prévia do material em texto

Neiva Francenely Cunha Vieira 
Adriana Regina Dantas Martins 
 
 
 
PORTUGUÊS INSTRUMENTAL 
 
 
 
 
 
Endereço: 
Editora FGF 
Avenida Porto Velho, 401 – Bairro João XXIII 
Fortaleza – CE – CEP: 60.525-571 
 
Email: editorafgf@fgf.edu.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORTALEZA 
2016 
 
 
M379p MARTINS, Adriana Regina Dantas. 
 Português instrumental / Adriana Regina Dantas Martins. 
 – Fortaleza: FGF, 2016. 
 105 p. : Il. 
 
 ISBN 978-85-8467-023-9 
 
1. Português. 2. Redação. 3. Estudo e ensino. 4. Título. 
 
 
 
 CDD: 371.422 
 
SUMÁRIO 
OBJETIVO..................................................................................................................... 01 
INTRODUÇÃO............................................................................................................... 02 
UNIDADE 1: LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO................................................................. 03 
Tema 1: Elementos da Comunicação............................................................................. 
 O Texto.................................................................................................................... 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
04 
04 
04 
05 
06 
07 
08 
Tema 2: Funções da Linguagem.................................................................................... 
 O Texto.................................................................................................................... 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
09 
09 
10 
11 
16 
17 
23 
Tema 3: Variação Linguística......................................................................................... 
 O Texto.................................................................................................................... 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
24 
24 
25 
26 
28 
29 
35 
Tema 4: Leitura e níveis de leitura: o texto verbal e o texto visual................................ 
 Os Textos................................................................................................................. 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
36 
36 
38 
39 
41 
41 
47 
Tema 5: Tipologias, gêneros textuais e intertextualidade.............................................. 
 Os Textos................................................................................................................. 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
48 
48 
50 
51 
56 
56 
59 
UNIDADE 2: LINGUAGEM E USO.................................................................................... 60 
Tema 1: Coesão e coerência.......................................................................................... 
 O Texto.................................................................................................................... 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
61 
61 
62 
62 
66 
66 
70 
Tema 2: Nova ortografia............................................................................................... 
 O Texto.................................................................................................................... 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
71 
71 
72 
72 
75 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
75 
76 
Tema3: Concordância nominal e verbal....................................................................... 
 O Texto.................................................................................................................... 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
77 
77 
78 
78 
82 
82 
84 
Tema 4: O uso da escrita............................................................................................... 
 O Texto.................................................................................................................... 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
85 
85 
86 
87 
89 
89 
91 
Tema 5: Estudos do Texto............................................................................................. 
 O Texto.................................................................................................................... 
 O Contexto............................................................................................................... 
 A Teoria.................................................................................................................... 
 Resumo.................................................................................................................... 
 A Prática................................................................................................................... 
 Referências.............................................................................................................. 
92 
92 
93 
94 
95 
95 
100 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Objetivo 
 
O módulo visa trabalhar as particularidades da Língua Portuguesa em 
diferentes contextos sociais, suscitando no aluno a curiosidade de conhecer as 
nuances da língua. É objetivo também capacitar o estudante a interagir, por 
meio da linguagem, nas modalidades de leitura, escrita e comunicação em 
diferentes níveis de linguagem, podendo assim ter acesso as diferentes 
instâncias sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
01 
Introdução 
Sejam bem vindos ao módulo de Português Instrumental. Esse módulo 
está dividido em duas unidades. Na unidade I, Linguagem e Comunicação, 
você terá a oportunidade de estudar as nuances e particularidades da 
linguagem dentro do complexo da comunicação e da interação social. Você 
será capaz de compreender como a linguagem se adapta nos diferentes 
contextos sociais considerando as variações linguísticas de cada interagente. 
Também irá estudar as particularidades e níveis de leitura em diferentes tipos e 
gêneros textuais. 
Na unidade II, Linguagem e uso, o foco está no uso da linguagem 
considerando aspectos estruturais de uso, tanto na leitura interpretativa como 
na escrita. Estudar esses aspectos permite ao estudante refletir de forma critica 
sobre a linguagem e como esse conhecimento pode levá-los a interagir em 
instâncias sociais diversas. 
Esse material está organizado em duas unidades com 5 temas cada. 
Para organizar melhor a leitura e estudo cada tema está dividido em 4 
subtópicos: o texto, o contexto, a teoria, a prática. O texto: mostra a linguagem 
em uso dentro de um gênero; o contexto: discute os pontos relacionados ao 
tema e o contexto interativo; a teoria: é a parte estrutural do assunto e as 
explicações de forma micro e macro; a prática: é o momento de treinar tudo o 
que foi estudado nos outros tópicos. 
 
Desejo a todos bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
02 
 
Unidade I 
Linguagem e comunicação 
Objetivos 
 Estudar os aspectos comunicativos da linguagem, reconhecendo suas 
particularidades; 
 Perceber que a comunicação acontece em diferentes modalidades e 
instâncias sociais; 
 Reconhecer criticamente cada uma das instâncias sociais em que a 
comunicação acontece. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
03 
 
 Tema 1 
Elementos da comunicação 
Objetivos 
� Conhecer os diferentes níveis de linguagem; 
� Reconhecer os elementos da comunicação e sua importância no processo 
comunicativo. 
O TEXTO 
Com duas pessoas eu já entrei em comunicação tão forte que deixei de existir, 
sendo. Como explicar? Olhávamo-nos nos olhos 
e não dizíamos nada, e eu era a outra pessoa e a 
outra pessoa era eu. É tão difícil falar, é tão difícil 
dizer coisas que não podem ser ditas, é tão 
silencioso. Como traduzir o profundo silêncio do 
encontro entre duas almas? E dificílimo contar: 
nós estávamos nos olhando fixamente, e assim 
ficamos por uns instantes. Éramos um só ser. 
Clarice Lispector, in Crônicas no 'Jornal do Brasil (1971)' 
http://www.portugues.com.br/upload/conteudo/images/a-funcao-fatica-ocorre-quando utilizamos-
linguagem-para-manter-contato-com-destinatario-mantendo-nos-assim-conectados-durante-comunicacao-
542aff6f257b9.jpg 
 
 
1. De acordo com o texto o que é comunicação? 
2. Interprete o sentido metafórico das antíteses utilizadas no texto: 
[...] deixei de existir x sendo (linha 2) 
[...] dizer coisas x não podem ser ditas (linhas 4 e 5) 
 
O CONTEXTO 
 
A comunicação é um processo social, que acontece por meio de uma 
linguagem e que culmina na transmissão, decodificação e significação de uma 
mensagem. A linguagem segundo Koch (1997, p.9) “é um local de interação 
que possibilita aos membros de uma sociedade a prática dos mais diversos 
tipos de atos”, atos esses que estabelecem vínculos. A comunicação é um 
processo complexo, que requer dos interlocutores (locutor/receptor; 
ouvinte/leitor) certo grau de comprometimento e conhecimento compartilhado. 
04 
No trecho de Clarisse Lispector, há um envolvimento entre os participantes, a 
ponto de um “ser o outro”, podemos nomear esse fenômeno como sintonia. 
A sintonia acontece quando há a captação do sentido, ou seja, o 
entendimento “do que o outro quis dizer”, para isso é importante que os 
interlocutores “saibam empregar com adequação os recursos da língua na 
produção de textos, de acordo com a situação específica de comunicação, que 
é muitas vezes bem diversa” (SARMENTO, 2012, p. 21). 
Essa diversidade está relacionada a diferentes contextos em que a 
linguagem é utilizada para cumprir um propósito comunicativo, por isso, que é 
preciso muito mais que conhecimento linguístico para interagir, é necessário 
uma atitude ativa de estabelecer relações entre os elementos do texto e do 
contexto para construir sentido. É importante lembrar que esse “sentido” pode 
ser negociável, plásticode acordo com o conhecimento prévio e intenção de 
cada interlocutor. 
 
A TEORIA 
 
Alguns elementos fazem parte da dinâmica comunicativa são eles: 
 
a) Emissor ou remetente: é o que envia a mensagem. Pode ser uma única 
pessoa ou um grupo, por exemplo: uma empresa, um sindicato, uma emissora 
de rádio ou televisão, uma escola etc. 
b) Receptor ou destinatário: é o que recebe a mensagem. Também pode ser 
um grupo ou um indivíduo. 
c) Mensagem: é o conteúdo das informações transmitidas. 
d) Canal de comunicação ou contato: é o meio pelo qual a mensagem é 
transmitida. Esse meio pode ser tradicional ou eletrônico. 
e) Código: é o conjunto de sinais, ou signos utilizados para elaborar a 
mensagem. O emissor codifica o que o receptor irá descodificar, para que isso 
ocorra satisfatoriamente é preciso que ambos interagentes dominem o mesmo 
código linguístico. Em outras palavras, falem a mesma língua. 
f) Referente ou contexto: é o objeto ou a situação a que a mensagem se 
refere. 
 
05 
No esquema temos: 
 
http://pessoal.educacional.com.br/up/47110002/929820/Esquema%20de%20comunica%C3%A7%C3%A3
o.JPG 
 
Exemplo: Quando você escreve um texto, exerce papel de emissor. O 
receptor é a pessoa ou grupo a quem seu texto é direcionado (pode ser algum 
familiar, o professor, o colega, o chefe etc). A mensagem é aquilo que você 
está comunicando sobre uma situação ou sobre alguém (referente ou 
contexto). Como a modalidade é a escrita, o canal é a própria folha de papel 
ou página da internet, a qual o texto está distribuído. O código, se for o Brasil, 
é a língua portuguesa (INFANTE, 1999, p.17-18). 
 
RESUMO 
 
Produzir um texto, seja oral ou escrito, é promover um ato de 
comunicação. Ao realizá-lo é preciso levar em conta todos os elementos 
envolvidos: o papel do emissor, aquele que produz um enunciado; as 
características do receptor, importante para elaborar a mensagem; o 
conhecimento sobre o referente; o domínio sobre o código e das condições que 
06 
garantam o bom funcionamento do canal comunicativo. O sucesso de um ato 
comunicativo requer conhecimento sobre todos esses elementos. 
 
A PRÁTICA 
 
1) Encontramos abaixo um dos poemas de Manuel Bandeira. Após analisá-lo 
encontre os elementos da comunicação. 
Andorinha 
Andorinha lá fora está dizendo: 
— “Passei o dia à toa, à toa!” 
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! 
 Passei a vida à toa, à toa… 
 
http://www.hileiaamazonica.com.br/wp-content/uploads/2013/09/andorinha-resize.jpg 
Emissor: ________________________________________________________ 
Receptor:_______________________________________________________ 
Mensagem:______________________________________________________ 
Código: _________________________________________________________ 
Canal:__________________________________________________________ 
Referente ou Contexto: ____________________________________________ 
 
2) O marido liga para a esposa e avisa que chegará atrasado para o jantar. 
Nesse contexto qual é o canal? 
_______________________________________________________________ 
 
3) Se uma pessoa, que não sabe falar inglês, está caminhando na beira-mar é 
abordada por um turista americano pedindo informações. Por que é possível 
dizer que a comunicação fica comprometida? 
_______________________________________________________________ 
07 
 
4) O pai fala para o filho: “Carlinhos vá até a padaria e compre 10 pães”. A 
frase que está em destaque se refere a qual elemento da comunicação? 
_______________________________________________________________ 
 
5) Assinale a alternativa correta. 
Podemos afirmar que Referente é: 
a) o código usado para estabelecer comunicação 
b) o que transmite a mensagem 
c) o assunto da mensagem 
d) quem envia a mensagem 
e) quem recebe a mensagem 
 
Referências 
BANDEIRA, Manoel. Libertinagem. Rio de Janeiro, 1930 
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. São Paulo: Scipione, 1999. 
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. A inter-ação pela linguagem. 3ª Ed. São 
Paulo: Contexto, 1997. 
SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em Textos. São Paulo: Moderna, 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
08 
Tema 2 
Funções da linguagem 
Objetivos 
� Estudar as funções da linguagem e correlacionando com os elementos da 
comunicação; 
� Reconhecer as diferentes funções da linguagem em contextos diversos. 
 
O TEXTO 
 
Metáfora - Gilberto Gil 
Uma lata existe para conter algo, 
Mas quando o poeta diz lata 
Pode estar querendo dizer o incontível 
 
Uma meta existe para ser um alvo, 
Mas quando o poeta diz meta 
Pode estar querendo dizer o inatingível 
 
Por isso não se meta a exigir do poeta 
Que determine o conteúdo em sua lata 
Na lata do poeta tudo-nada cabe, 
Pois ao poeta cabe fazer 
Com que na lata venha caber o incabível 
 
Deixe a meta do poeta, não discuta, 
Deixe a sua meta fora da disputa 
Meta dentro e fora, lata absoluta 
Deixe-a simplesmente metáfora 
Links: http://www.vagalume.com.br/gilberto-gil/metafora.html#ixzz3emVHK1Ei 
http://mfda.files.wordpress.com/2008/10/ma_lata.jpg 
https://seohackercdn-seohacker.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2010/09/Meta-tags.jpg 
 
1. Na música de Gilberto Gil a linguagem é utilizada em sentido literal ou 
metafórico? Cite exemplos do texto para comprovar sua resposta. 
2. Reflita sobra a analogia que o cantor faz entre as palavras “lata” e “poeta”. 
O que é possível inferir? Por quê? 
09 
 
O CONTEXTO 
A comunicação, seja de forma falada ou escrita, está 
além de expressar pensamentos. O discurso constrói 
realidades, realiza ações (convencer, prometer, declarar, 
esclarecer etc.), que produz efeito sobre o outro. Nesse 
aspecto é possível perceber que utilizamos a linguagem, geralmente com um 
propósito, com uma intenção. 
Como percebemos na música, a linguagem não está a serviço apenas 
de entreter, mas de levar o outro a refletir sobre determinado assunto, divertir, 
fazer rir etc. Nesse contexto, é um instrumento que pode servir para dar vazão 
ao mundo interior (como expressar a intenção do poeta, por exemplo), entre 
outras funções. 
O linguista russo Roman Jakobson, foi o primeiro estudioso a perceber 
que a linguagem não tem apenas a função de transmitir informações 
(SARMENTO, 2012). Para esse autor, cada elemento da comunicação teria 
uma função da linguagem correspondente, dependendo da ênfase da 
mensagem. Como no quadro abaixo (SARMENTO, 2012, p. 55). 
 
 
 
É importante ressaltar que um texto ou um trecho discursivo, em 
algumas situações, não cumprem apenas uma única função comunicativa. Não 
10 
é algo fixo, pois cada texto, ou discurso pode flutuar por mais de uma função, 
nesse caso é preciso entender que existe o predomínio de uma função em 
detrimento da outra. 
Por exemplo: A crônica de Jean Carlos Sestrem sobre o marketing 
político. 
“Mentira bem feita, um negócio de mentira que não tem pernas curtas, mas 
longos e esfomeados tentáculos, os que vencem pelo poder de convencer 
sem ter feito ou ter credibilidade natural para tanto baseado numa estória de 
vida erguida do nada e não de uma história de vida que fala por si só.” 
http://pensador.uol.com.br/frase/MTY5ODU5Mw/ 
 
Embora o autor expresse sua opinião sobre o assunto, a função 
predominante é a metalingüística, pois ele utiliza a linguagem para explicar o 
que é marketing político. 
 
A TEORIA 
 
Vamos estudar cada uma das funções da linguagem e suas 
particularidades. 
 
Função emotiva ou expressiva: A ênfase está no emissor. A linguagem tem 
função emotiva quando expressa os sentimentos do locutor. Nesse contexto, 
geralmente, o discurso aparece em 1ª pessoa. 
 
Ex: 
Eu 
Eu sou a que no mundo anda perdida,Eu sou a que na vida não tem norte, 
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte 
Sou a crucificada ... a dolorida ... 
 
Sombra de névoa ténue e esvaecida, 
E que o destino amargo, triste e forte, 
Impele brutalmente para a morte! 
Alma de luto sempre incompreendida! ... 
 
Sou aquela que passa e ninguém vê ... 
Sou a que chamam triste sem o ser ... 
Sou a que chora sem saber porquê ... 
11 
 
Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver 
E que nunca na vida me encontrou! 
 
Florbela Espanca 
 
O exemplo acima é um poema e por esse motivo
imaginem que a função da linguagem ser
na mensagem e sim nos sentimentos da poetiza, que expressa seu mais 
profundo ser. A função da linguagem predominante é a emotiva. Nessa função, 
o discurso aparece em 1ª pessoa do singular em vários trechos: (Eu sou, so
aquela); a pontuação é mais expressiva, com o uso de ponto de exclamação e 
reticências. Ex: (E que nunca na vida me encontrou!, 
dolorida ...) 
 
Função apelativa ou conativa:
publicitário. 
http://3.bp.blogspot.com/-
ntTcENPoPEs/UQgUfW1kNaI/AAAAAAAAAHk/C3YoF9jZni4/s1600/lata_logo_questione_mude_beba_pepsi.png
 
Na função apelativa a ênfase está no interlocutor, por isso o discurso é 
persuasivo, ou seja, tem o intuito de convencer, ou não con
algo apelando para suas atitudes. Esse tipo de discurso é muito comum nos 
textos publicitários, nesse aspecto, os verbos aparecem geralmente no 
imperativo (ordem, pedido, incitação): Ex: Questione. Mude. Beba. 
O anúncio nem sempre é pu
valem, por exemplo, das características do produto em questão. Quando o 
anunciante descreve os recursos de um determinado aparelho ou carro, ou os 
Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver 
e nunca na vida me encontrou! 
O exemplo acima é um poema e por esse motivo, talvez alguns 
imaginem que a função da linguagem seria a poética, porém a ênfase não está 
na mensagem e sim nos sentimentos da poetiza, que expressa seu mais 
profundo ser. A função da linguagem predominante é a emotiva. Nessa função, 
o discurso aparece em 1ª pessoa do singular em vários trechos: (Eu sou, so
aquela); a pontuação é mais expressiva, com o uso de ponto de exclamação e 
e nunca na vida me encontrou!, Sou a crucificada ... a 
Função apelativa ou conativa: A ênfase está no locutor. Observe o anúncio 
 
ntTcENPoPEs/UQgUfW1kNaI/AAAAAAAAAHk/C3YoF9jZni4/s1600/lata_logo_questione_mude_beba_pepsi.png
Na função apelativa a ênfase está no interlocutor, por isso o discurso é 
persuasivo, ou seja, tem o intuito de convencer, ou não convencer, o outro de 
algo apelando para suas atitudes. Esse tipo de discurso é muito comum nos 
textos publicitários, nesse aspecto, os verbos aparecem geralmente no 
imperativo (ordem, pedido, incitação): Ex: Questione. Mude. Beba. 
O anúncio nem sempre é puramente apelativo, alguns anúncios se 
valem, por exemplo, das características do produto em questão. Quando o 
anunciante descreve os recursos de um determinado aparelho ou carro, ou os 
, talvez alguns 
ia a poética, porém a ênfase não está 
na mensagem e sim nos sentimentos da poetiza, que expressa seu mais 
profundo ser. A função da linguagem predominante é a emotiva. Nessa função, 
o discurso aparece em 1ª pessoa do singular em vários trechos: (Eu sou, sou 
aquela); a pontuação é mais expressiva, com o uso de ponto de exclamação e 
Sou a crucificada ... a 
Observe o anúncio 
ntTcENPoPEs/UQgUfW1kNaI/AAAAAAAAAHk/C3YoF9jZni4/s1600/lata_logo_questione_mude_beba_pepsi.png 
Na função apelativa a ênfase está no interlocutor, por isso o discurso é 
vencer, o outro de 
algo apelando para suas atitudes. Esse tipo de discurso é muito comum nos 
textos publicitários, nesse aspecto, os verbos aparecem geralmente no 
imperativo (ordem, pedido, incitação): Ex: Questione. Mude. Beba. 
ramente apelativo, alguns anúncios se 
valem, por exemplo, das características do produto em questão. Quando o 
anunciante descreve os recursos de um determinado aparelho ou carro, ou os 
12 
benefícios em adquirir um imóvel ou outro bem, a linguagem predominante 
nesses trechos é a denotativa. A função referencial nesse contexto de 
descrição está a serviço de um intuito maior que é o de convencer o leitor. 
 
Função fática ou de contato: A ênfase está no canal. Leia a tirinha de Zoé & 
Zezé - por Rick Kirkman & Jerry Scott: 
 
 
http://3.bp.blogspot.com/-
_ACwT4JG1Ug/T4l9nsEq8NI/AAAAAAAAAXA/VT1PrzWLArk/s1600/As+Tirinhas+de+Jornais+5.jpg 
 
A função da linguagem utilizada para estabelecer contato verbal é a 
fática. Na tirinha a ênfase está no contato entre Zoé e Zezé. É uma sequência 
de orientações para escovar os dentes. Em várias situações cotidianas 
fazemos contato sempre que iniciamos uma conversa, seja face a face, no 
telefone ou nas redes sociais. 
 
Função referencial ou denotativa: A ênfase está no referente ou contexto. 
Observe a reportagem: 
13 
Um terço das pessoas do mundo não tem acesso a água potável, diz ONU. 
 
Cerca de 2,4 bilhões de pessoas no mundo 
— ou um terço da população — não têm 
acesso a serviços de saneamento básico e 
água potável. A conclusão é de um estudo 
mundial feito pela Unicef e pela Organização 
Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta 
semana. A situação brasileira, por outro 
lado, é favorável: o acesso chega a 94% dos cidadãos. 
"O que os dados mostram é a necessidade de focar nas desigualdades como 
único caminho para alcançar um progresso sustentável", afirma no relatório 
Sanjay Wijesekera, chefe da divisão de água e saneamento da Unicef, segundo 
publicou o portal G1. 
 
Época, São Paulo, n. 891, online, 4 de jul 2015. 
 
A função referencial ou denotativa se concentra no assunto em questão, 
o foco está no referente, nesse contexto é sobre a temática “água potável”. A 
linguagem é geralmente em 3ª pessoa (“Cerca de 2,4 bilhões de pessoas no 
mundo”; “A conclusão é de um estudo mundial”; “O que os dados mostram é”); 
ausência de advérbios e adjetivos com alta carga de subjetividade 
(SARMENTO, 2012, p.59). 
 Na maioria dos textos jornalísticos é predominante essa função, pois o 
jornalista tem a intenção de falar sobre um determinado assunto para informar 
ou alertar sobre algo que está acontecendo. É possível encontrar a função 
referencial em outros gêneros, por exemplo: trechos narrativos e descritivos de 
livros, romances, propagandas; folhetos ou textos informativos sobre doenças 
etc. 
 
 
Linguagem Denotativa: É o emprego do sentido real da 
palavra, isto é, como aparece no dicionário. Ex: ”O furacão 
Katrina, um dos mais avassaladores da história dos Estados 
Unidos, destruiu a região metropolitana de Nova Orleans e 
causou mais de mil mortes (Jornal Nacional, 23/08/2005)”. 
Aqui a palavra furacão se refere ao fenômeno climático. 
14 
Linguagem Conotativa
Esse tipo de linguagem não aparece apenas em textos literários, mas também 
em interações cotidianas. De forma geral, o significado é construído 
culturalmente, por isso é possível captar a intenção do interlocutor em utilizar 
determinada palavra. Ex: “Essa mulher é 
Furacão- Lucas César e Adriano).” Aqui as palavras fogo e 
furacão se referem ao significado simbólico 
devastadora, sensual. 
https://pixabay.com/static/uploads/photo/2014/04/02/16/28
 
Função metalinguística:
 
 
O termo metalinguagem é a linguagem é utilizada para explicar a própria 
linguagem. A tirinha acima é um bom exemplo disso
código) é utilizado para explicar a imagem. 
É importante perceber que a metalinguagem não se restringe a textos 
especializados, como as explicações de significado do dicionário, por exemplo. 
Ao contrário, a função metalinguística ocorre nas mais diversas situações 
cotidianas, por exemplo: “Explique o que você falou” (INFANTE, 1999, p.260). 
Também nostextos didáticos, na parte das definições e explicações de termos 
e expressões. Nos textos de cunho literário, linguístico e crítico em que a 
linguagem é utilizada, em 
específicos de alguma área. Um autorretrato também pode ser considerado um 
exemplo de função metalinguística. 
Função poética: A ênfase está na mensagem. Observe as imagens:
Linguagem Conotativa: É uma linguagem metafórica, simbó
Esse tipo de linguagem não aparece apenas em textos literários, mas também 
em interações cotidianas. De forma geral, o significado é construído 
culturalmente, por isso é possível captar a intenção do interlocutor em utilizar 
avra. Ex: “Essa mulher é fogo, é um furacão... (Música: Mulher 
Lucas César e Adriano).” Aqui as palavras fogo e 
furacão se referem ao significado simbólico de mulher 
https://pixabay.com/static/uploads/photo/2014/04/02/16/28/hurricane-307398_640.png 
ística: A ênfase está no código. Observe a tirinha:
O termo metalinguagem é a linguagem é utilizada para explicar a própria 
tirinha acima é um bom exemplo disso, pois o texto verbal (o 
utilizado para explicar a imagem. 
É importante perceber que a metalinguagem não se restringe a textos 
especializados, como as explicações de significado do dicionário, por exemplo. 
Ao contrário, a função metalinguística ocorre nas mais diversas situações 
cotidianas, por exemplo: “Explique o que você falou” (INFANTE, 1999, p.260). 
Também nos textos didáticos, na parte das definições e explicações de termos 
e expressões. Nos textos de cunho literário, linguístico e crítico em que a 
linguagem é utilizada, em muitos momentos, no intuito de esclarecer os termos 
específicos de alguma área. Um autorretrato também pode ser considerado um 
exemplo de função metalinguística. 
A ênfase está na mensagem. Observe as imagens:
: É uma linguagem metafórica, simbólica, figurada. 
Esse tipo de linguagem não aparece apenas em textos literários, mas também 
em interações cotidianas. De forma geral, o significado é construído 
culturalmente, por isso é possível captar a intenção do interlocutor em utilizar 
(Música: Mulher 
Observe a tirinha: 
 
O termo metalinguagem é a linguagem é utilizada para explicar a própria 
pois o texto verbal (o 
É importante perceber que a metalinguagem não se restringe a textos 
especializados, como as explicações de significado do dicionário, por exemplo. 
Ao contrário, a função metalinguística ocorre nas mais diversas situações 
cotidianas, por exemplo: “Explique o que você falou” (INFANTE, 1999, p.260). 
Também nos textos didáticos, na parte das definições e explicações de termos 
e expressões. Nos textos de cunho literário, linguístico e crítico em que a 
muitos momentos, no intuito de esclarecer os termos 
específicos de alguma área. Um autorretrato também pode ser considerado um 
A ênfase está na mensagem. Observe as imagens: 
15 
 
 
http://econexos.com.br/wp-content/uploads/2013/11/Vang-Gogh.jpeg 
http://econexos.com.br/wp-content/uploads/2013/11/Van-gogh-depois.jpeg 
 
A pintura da esquerda é “Oliveiras com o céu amarelo e o sol” de Van 
Gogh, e a da direita é uma releitura, mostrando o impacto do desmatamento, 
do pesquisador Iain Woodhouse. Nas duas imagens o foco é chamar atenção 
para uma mensagem, a beleza das oliveiras e o ambiente sem as oliveiras. 
Nesse contexto é perceptível que a elaboração da mensagem utiliza recursos a 
fim de chamar a atenção do leitor, no intuito de causar surpresa, 
“estranhamento”, prazer estético (INFANTE, 1999), reflexão e mudança de 
atitude. 
A função poética é perceptível na seleção do tópico, na arrumação das 
cores e das palavras, na exploração do sentido, nos efeitos sonoros e rítmicos. 
Esse conjunto desenvolve o sentido conotativo dos recursos utilizados no texto, 
por isso a função poética não aparece apenas em textos literários, mas 
também em textos e slogans publicitários, provérbios, canções populares etc. É 
importante lembrar que, nem sempre, todo o texto literário apresenta o 
predomínio da função poética, como vimos no poema de Florbela Espanca, em 
que o predomínio é a função emotiva. 
 
RESUMO 
 
As funções da linguagem são parte do nosso cotidiano, portanto estudá-
las nos permite entender de forma consciente sobre a linguagem nas diversas 
práticas sociais. Cada uma das funções está correlacionada a ênfase que é 
colocada em cada um dos elementos da comunicação, porém como nossa 
16 
linguagem é dinâmica e os significados são construídos nas práticas de 
interação essas funções não são estáticas, embora possuam suas 
particularidades. Identificar qual função da linguagem prevalece em 
determinada situação, significa interagir, compreender a ênfase de um texto em 
um contexto particular. 
 
A PRÁTICA 
 
1) Leia o poema Xícara de Fábio Sexugi: 
 
 
 
a) Qual a função da linguagem predominante nesse texto? Por quê? 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
b) A leitura desse texto revela alguma característica rítmica ou métrica? 
Identifique com elementos do texto. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
17 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
2) (ENEM, 2014) Leia o texto e marque a alternativa. 
O exercício da crônica 
Escrever crônica é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um 
cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas 
pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um 
prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de uma 
máquina, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um 
assunto qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da 
véspera, em que, com suas artimanhas peculiares, possa injetar um 
sangue novo. Se nada houver, restar-lhe o recurso de olhar em torno e 
esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a 
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente 
despertados pela concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao 
assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de 
escrever, pode surgir o inesperado. 
(MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São 
Paulo: Cia das Letras, 1991). 
Predomina nesse texto a função da linguagem que se constitui 
(A) nas diferenças entre o cronista e o ficcionista. 
(B) nos elementos que servem de inspiração ao cronista. 
(C) nos assuntos que podem ser tratados em uma crônica. 
(D) no papel da vida do cronista no processo de escrita da crônica. 
(E) nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio de uma crônica. 
3) De acordo com o texto “O exercício da crônica”, qual a função da 
linguagem predominante? Qual a função que aparece em segundo plano? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
18 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
4) Leia o quadrinho de Duke: 
 
http://images.slideplayer.com.br/8/1870179/slides/slide_11.jpg 
a) Como o efeito de humor se constrói nesse quadrinho? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
b) Qual função da linguagem é predominante nesse texto? Retire do texto 
argumentos para fundamentar sua resposta. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
19 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
5) Leia o texto publicitário: 
 
http://port1002.blogspot.com.br/ 
a) Qual a função da linguagem predominante nesse texto? 
_______________________________________________________________ 
b) Quais estratégias de persuasão, verbais e não verbais, foram utilizadas para 
cumprir o propósito comunicativo? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
20 
6) Leia o fragmento da carta de Machado de Assis a José Veríssimo (Rio, 21 
de abril de 1902). 
 
 “Meu caro J. Verríssimo, - Recebi sábado o seu 
recado, e respondo que sim que estou zangado com 
você, como você esteve comigo. A sua zanga veio de o 
não haver felicitado pelos 45 anos, a minha vem de os 
ter feito sem me propor antes uma troca. E a aceitaria 
de muito boa vontade”. 
 
http://panorama-direitoliteratura.blogspot.com.br/2010/05/cartas-jose-
verissimomachado-de-assis.html 
 
http://2.bp.blogspot.com/-
9pXy5NR82VU/U8vyyBDFTqI/AAAAAAAAP5c/v2QGZm92SlQ/s1600/Machado+de+Assis,+por+Andr%C3%A9+Brown.j
pg 
 
a) Qual função da linguagem predomina na carta de Machado? Justifique com 
elementos do texto. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
b) A caricatura de Machado de Assis de alguma forma complementa o discurso 
de sua carta? Argumente sua resposta. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
21 
7) Leia o texto jornalístico. 
 
 
http://www.robertoavila.com.br/arquivos/images/referencial.jpg 
 
a) Qual a finalidade do texto? Justifique sua resposta. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
b) O canal de comunicação é trabalhado de alguma forma especial no texto? 
Comente os recursos utilizados? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
22 
c) Que função da linguagem predomina nesse texto? E quais outras funções 
aparecem em segundo plano? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
Referências 
 
ESPANCA, Florbela. Livro de Mágoa -Sonetos. Amadora, Portugal : Bertrand, 
1978. 
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. São Paulo: Scipione, 1999. 
SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em Textos. São Paulo: Moderna, 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
Tema 3 
Variação Linguística 
 
Objetivos 
 
� Estudar os níveis de linguagem que fazem parte da prática interativa; 
� Conhecer as diferentes variedades da língua portuguesa e as possibilidades 
de uso em contextos específicos; 
 
O TEXTO 
Fala e Escrita 
Toda a atividade discursiva e todas as práticas linguísticas se dão em 
textos orais ou escritos com a presença de semiologias de outras áreas, como 
a gestualidade e o olhar, na fala, ou elementos pictóricos e gráficos, na escrita. 
Assim, as produções discursivas são eventos complexos constituídos de várias 
ordens simbólicas que podem ir além do recurso estritamente linguístico. Mas 
toda nossa atividade discursiva situa-se, grosso modo, no contexto da fala ou 
da escrita. Basta observar nossa vida diária desde que acordamos até o final 
do dia. Portanto, mesmo vivendo numa sociedade em que a escrita entrou de 
forma bastante generalizada, continuamos falando mais do que escrevendo. 
Fala e escrita, ambas têm um papel importante a cumprir e não competem. 
Cada uma tem sua arena preferencial, nem sempre fácil de distinguir, pois são 
atividades discursivas complementares. Em suma, oralidade e escrita não 
estão em competição. Cada uma tem sua história e seu papel na sociedade. 
Nesse aspecto dinâmico da linguagem, consideramos que a variação 
linguística é normal, natural e comum em todas as línguas, pois todas as 
línguas variam, não devemos estranhar as diferenças existentes entre os 
falantes do português nas diversas regiões do Brasil. Contudo, a grande 
variação presenciada na oralidade não se verifica com a mesma intensidade na 
escrita, dado que a escrita tem normas e padrões ditados pelas academias. 
Possui normas ortográficas rígidas e algumas regras de textualização que 
diferem na relação com a fala. Mas isso ainda não significa que não haja 
variação nos modos de escrever. 
 
MARCUSCHI, Luiz Antônio; DIONISIO, Angela Paiva. Fala e Escrita. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. P. 
13-16 (Fragmento). 
 
 
 
 
24 
1) De acordo com o texto qual o papel da fala e da escrita na interação social? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
2) Explique por que as pessoas não falam e não escrevem da mesma forma. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
O CONTEXTO 
 
Como observamos no texto anterior, a fala e a escrita, fazem parte do 
processo interativo e não existe uma única forma de falar ou de escrever. A 
linguagem é sempre utilizada para cumprir um propósito, que está vinculado a 
uma necessidade comunicativa de realizar algo. Dentre outros fatores, essa 
necessidade, o contexto, o conhecimento e a intenção do interlocutor são 
pontos que determinam as escolhaslinguísticas. 
A fala e a escrita flutuam dentro de um continuo que versa entre o formal 
e o informal. Isso significa que dependendo do contexto a fala pode ser mais 
formal que a escrita, por exemplo: uma palestra de trabalho – uma mensagem 
de WhatsApp para um amigo; em outro contexto a escrita pode ser mais formal 
que a fala, por exemplo: um trabalho acadêmico – um diálogo com um colega. 
25 
Toda língua apresenta variações. Em geral, a modalidade escrita segue 
os padrões dos modelos de prestígio, porém isso não significa que seja 
invariável. “O bom uso da língua é aquele que se adéqua às condições de uso” 
(ANTUNES, 2007). Em situações mais formais é comum o uso da língua culta, 
em situações informais é mais adequado o uso da linguagem coloquial 
(SARMENTO, 2012). 
Por isso, é importante cada interagente da língua conhecer as variações 
linguísticas, “para saber empregá-las com propriedade e domínio” 
(SARMENTO, 2012, p. 42). 
 
Variação Linguística: são as diferentes variações regionais e sociais dentro 
de uma mesma língua. 
Norma padrão: é a variedade linguística mais valorizada socialmente e a mais 
utilizada na esfera pública (imprensa, comércio, indústria, universidade, 
governo etc). Na escola é o falar de acordo com as regras gramaticais. É o 
falar de maior prestígio social. (SARMENTO, 2012). 
 
A TEORIA 
 
 Vamos estudar os diferentes tipos de variações. 
 
Variação regional 
 
O regionalismo são as marcas linguísticas que caracterizam uma 
determinada região, em outras palavras as expressões típicas de determinado 
lugar. Isso geralmente acontece pelas diversas influências de elementos 
culturais, linguísticos, históricos, sociais, artísticos, religiosos, políticos etc. 
Essa variedade linguística pode ser no aspecto sintático (que é o mais 
raro), por exemplo: Tu já estudaste Química? Em contrapartida Você já 
estudou Química?; no aspecto vocabular, por exemplo: Aipim (Rio de 
Janeiro), Macaxeira (Nordeste), Mandioca (Sudeste); no aspecto fonético, por 
exemplo: o /r/ paulista, o /s/ carioca etc; no aspecto semântico, por exemplo: 
canjica (São Paulo, iguaria doce feita de milho branco; Ceará, pasta de milho 
verde). A canjica do paulista é o mugunzá do cearense; a canjica do cearense 
26 
é o curau do paulista. Compreender essas variedades é essencial para se 
comunicar em determinados contextos com determinados interlocutores. 
 
Variação social 
 
É característica das diferenças entre as classes sociais. Pode ser no 
aspecto profissional, que são os jargões de cada área: médico, professor, 
policial etc; Pode ser para caracterizar as “tribos sociais” que são as gírias, que 
são dialetos sociais de um grupo específico. 
As variações sociais podem estar relacionadas às questões como: grau 
de escolaridade, classe econômica, idade, sexo, grau de formalismo, diferença 
entre classes etc. Cada um dos interlocutores de cada classe social, 
dependendo da situação, pode fazer uso de uma variedade padrão ou popular. 
 
Variação Histórica 
 
A variação histórica é caracterizada devido às mudanças que acontecem 
na língua ao longo do tempo. Essas mudanças são incentivadas tanto por 
características internas da própria língua, ou por fatores externos, como 
contato com outros povos e avanço tecnológico (SARMENTO, 2012). Essas 
mudanças podem acontecer nos aspectos: 
 Semântico: broto (garota); fonético: (pranta x planta, fror x flor), lexical: 
(novas palavras: digitação; outras desaparecem: datilografia), sintático: “São 
dessas coisas que se não explicam” (Aluísio Azevedo) x “São dessas coisas 
que não se explicam”, ortográfico: (pharmácia x farmácia). 
 
Neologismo e Estrangeirismo 
 
Os neologismos são fenômenos linguísticos que acontecem quando o 
interagente da língua impugna uma significação diferente para um termo já 
existente, por exemplo: gato (ligação clandestina de água ou luz); ou cria um 
novo termo para explicar algo ou definir alguém. Isso acontece independente 
de um vocabulário amplo, é motivado pela própria dinamicidade da língua. Um 
27 
bom exemplo são os textos literários e musicais. Sarmento (2006, p. 285) cita 
um exemplo interessante: 
 
Replique tocou, o surdo escutou 
E o meu corasamborim (junção de coração + samba+ tamborim) 
Cuíca gemeu, será que era eu, quando ela passou por mim? 
ARNALDO, Antunes; CARLINHOS,Brown; MONTE, Marisa. Carnavália, In Tribalistas, 2002. 
 
Os estrangeirismos são os empréstimos linguísticos, ou seja, são os 
termos estrangeiros que passam a fazer parte de uma língua. Na sociedade 
globalizada é frequente esse tipo de fenômeno, pois a influência que algumas 
culturas exercem sobre outras é claramente percebida na culinária, na música, 
na vestimenta, na tecnologia e até no comportamento. No vocabulário 
tecnológico a maioria das palavras são estrangeirismos do inglês, por exemplo: 
mouse, software, hardware, case, scanner, mousepad, notebook, iphone etc. 
No dicionário, algumas palavras, de origem estrangeira já são incorporadas em 
nosso vocabulário, por exemplo: lanche (lunch em inglês), esse exemplo em 
inglês significa almoço; futebol (football em inglês britânico). 
 
Resumo 
 
Estudar os diferentes níveis de linguagem e as diferentes variações 
linguísticas, significa refletir sobre a dinamicidade da língua e se apropriar de 
um tipo de conhecimento específico para interagir com mais propriedade nos 
diferentes contextos. Estudamos que a língua pode variar em diferentes níveis 
e dimensões, dessa forma é importante entender que essas variações são 
características de uma região, por isso o conceito de erro não se aplica à 
linguagem. Os diferentes usos podem caracterizar inadequações e nunca erro. 
É importante ficar atento para essas questões e compreender que preconceito 
linguístico é um julgamento depreciativo e desrespeitoso. Depreciar a língua é 
depreciar a identidade de um povo. 
 
 
28 
A PRÁTICA 
1)Leia o texto e responda as questões: 
 
Cuitelinho (Renato Teixeira) 
Cheguei na beira do porto 
Onde as onda se espaia 
As garça dá meia volta 
E senta na beira da praia 
E o cuitelinho não gosta 
Que o botão de rosa caia,ai,ai 
Ai quando eu vim 
da minha terra 
Despedi da parentália 
Eu entrei no Mato Grosso 
Dei em terras paraguaias 
Lá tinha revolução 
Enfrentei fortes batáia,ai, ai 
A tua saudade corta 
Como aço de naváia 
O coração fica aflito 
Bate uma, a outra faia 
E os óio se enche d´água 
Que até a vista se atrapáia, ai... 
http://letras.mus.br/renato-teixeira/298332/ 
http://www.walldesk.com.br/pdp/1024/03/10/Bei
ja-Flor/Broad-billed-Hummingbird.jpg 
a)Que nível de linguagem foi 
utilizada no texto de Renato 
Teixeira? Explique o por quê. 
____________________________
____________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
 
29 
b) De acordo com o texto o que é “cuitelinho”? Em que trecho esse significado 
aparece? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
c) Retire do texto as palavras que caracterizam algum tipo de variação e 
identifique-as. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________2) Leia o texto: 
 
https://mscamp.wordpress.com/files/2008/10/variedade-linguistica11.jpg 
 
a) De que forma os elementos linguísticos provocam o efeito de humor? É 
possível dizer que houve algum problema na comunicação? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
30 
b) Que nível de linguagem é utilizado no quadrinho anterior? Em que variedade 
o texto se enquadra? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
3) Leia o texto e responda: 
 
http://www.taquiprati.com.br/images/Norma%20culta%20charge-surfista.jpg 
 
a) Que inadequações contribuem para que o humor seja resgatado no texto? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
b) Analisando a expressão facial do surfista o que é possível inferir? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
31 
c) Reescreva o texto verbal da charge adequando-o com o contexto em 
questão. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
d) Essa charge se refere a qual tipo de variação? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
4) Decifre o texto: 
 
https://encrypted-
tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSpzV8496yPbQbCvOFfX05soM8Pf9dP24s1fqmbWVTJwQjfIVH0Lw 
 
 
 
a) Qual é o assunto do texto? 
32 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
b) Que nível de linguagem e que tipo de variação encontramos nesse texto? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
c) Que tipo de conhecimento é necessário para escrever ou compreender esse 
tipo de texto? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
5) Leia o texto: 
 
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/aulas/6641/imagens/digitalizar7.jpg 
 
a) O que a médica está dizendo? Que variação e que nível de linguagem ela 
está utilizando? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
33 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
b) Reescreva esse texto utilizando uma variação popular. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
6) Leia o texto de Zeca Baleiro: 
Venha provar meu brunch 
Saiba que eu tenho approach 
Na hora do lunch 
Eu ando de ferryboat... 
Eu tenho savoir-faire 
Meu temperamento é light 
Minha casa é hi-tech 
Toda hora rola um insight 
Já fui fã do Jethro Tull 
Hoje me amarro no Slash 
Minha vida agora é cool 
Meu passado é que foi trash... 
http://letras.com/zeca-baleiro/43674/ (Fragmento) 
a) Explique a influência do estrangeirismo na letra da música. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
b)Destaque os termos estrangeiros e explique o que significam dentro do 
contexto. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
34 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
Referências 
 
 ANTUNES, Irandé. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem 
pedras no caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. 
MARCUSCHI, Luiz Antônio; DIONISIO, Angela Paiva. Fala e Escrita. Belo 
Horizonte: Autêntica, 2007. P. 13-16 (Fragmento). 
SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em Textos. São Paulo: Moderna, 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
Tema 4 
Leitura e níveis de leitura: o texto verbal e o texto visual 
 
Objetivos 
 
� Conhecer o que é leitura e os níveis de leitura, tanto na modalidade verbal 
como visual; 
� Praticar a leitura nesses diferentes níveis e nessas modalidades. 
 
OS TEXTOS 
Texto 1: 
 
http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9f128efb/14614833_hJwTy.jpeg 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
Texto 2: 
 
http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSGU3BMR3zfDKLi5_t-hDYxDVtAxXV4U0ENjxUhOjVd_n7G8svKng 
 
1) O que é possível compreender a partir da leitura desses dois textos? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
2) Analisando o texto 1 explique a afirmação: “Liga seu senso crítico na 
tomada”. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
3) Observando o texto 2, podemos dizer que a escolha da imagem reforça o 
sentido do texto verbal? Por quê? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
37 
O CONTEXTO 
 
O conceito de texto, hoje, é visto a partir da noção de interação. Nessa concepção 
interacional, os sujeitos são vistos como seres ativos e construtores sociais, assim, o 
texto passa a ser visto como o próprio lugar de interação. É tomado como um evento 
em que os "sujeitos são atores sociais levando em conta o contexto 
sociocomunicativo, histórico e cultural para a construção dos sentidos e das 
referências dos textos" (CAVALCANTE, 2013, p. 19). 
Koch & Elias (2010) advertem que: 
Na concepção interacional da língua o texto é considerado o próprio 
lugar da interação e da constituição dos interlocutores. Há lugar, no 
texto, para toda uma gama de implícitos, dos maisvariados tipos, 
somente detectáveis quando se tem, como pano de fundo, o 
contexto sociocognitivo dos participantes da interação. [...] o sentido 
de um texto é construído na interação texto- sujeitos e não algo que 
preexista a essa interação. (KOCH; ELIAS, 2010, p. 11). 
 
No bojo dessa concepção, temos que a leitura é, pois, uma atividade interativa 
altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza evidentemente com 
base em elementos linguísticos (e não-linguísticos) presentes na superfície textual e 
na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de 
saberes no interior do evento comunicativo (KOCH & ELIAS, 2010). A compreensão 
de um texto não se dá exclusivamente por meio da materialidade dos elementos 
linguísticos presentes na superfície do texto, mas leva-se em conta no processo da 
leitura, o ativamento de conhecimentos que estão armazenados na memória do 
ouvinte/ leitor que contribuem para a produção de sentidos. Exemplo: 
 
Fonte: http://pilhapuradejoaninha.blogspot.com.br/2012/12/viva-criatividade-em-torno-de-oscar.html. 
 
Nas palavras de Carvalho & Silva (2014), apenas os elementos linguísticos do texto 
(O título Convocação extraordinária e a fala do personagem à direita - Jesus) não 
proporcionam subsídios necessários para a compreensão e o efeito cômico presente 
na charge. Para que o leitor entenda o sentido do texto faz-se necessário a leitura das 
imagens e os reconhecimentos dos elementos que compõem o texto: saber que o 
senhor que carrega uma maleta permeada por réguas é o arquiteto Oscar Niemeyer, 
38 
compreender o contexto em que o texto está inserido (morte do arquiteto que projetou 
a cidade de Brasília e de grande reconhecimento no mundo todo), perceber que na 
fala do personagem Jesus: "Vou acabar com tudo no dia 21", refere-se a previsão 
apocalíptica de que o mundo acabaria em 21/12/2012. Segundo os autores, o humor 
se dá não somente pelo o que está homologado no texto, mas sim por sua relação 
com as imagens e os conhecimentos que devem ser mobilizados para que a 
compreensão seja possível. É preciso considerar que, no exercício da leitura, além 
das pistas e sinalizações que o texto oferece, entram em cena os conhecimentos do 
leitor. 
CARVALHO, Francisco Romário Paz. Leitura, Texto e produção de sentido: em cena 
o verbal e o visual. Revista Temática. Vol. 10, n. 6 (2014). (Fragmento). 
 
A TEORIA 
 
O texto do tópico “contexto” esclarece pontos importantes no que se 
refere à leitura. A partir desse conhecimento é possível compreender, de forma 
consciente, o que é ler e que leitura não se restringe apenas aos textos 
verbais. Foi possível perceber pelo exemplo da charge “convocação 
extraoridinária” que o texto visual também contribui para que o sentido do texto 
seja recuperado. 
A leitura acontece por meio de um processamento interativo da mente, e 
segundo a necessidade da tarefa e do leitor, pode acontecer de forma 
descendente ou ascendente. A estratégia descendente são as que partem do 
conhecimento de mundo para o nível de decodificação da palavra, seria em 
outras palavras, do amplo para o restrito; a estratégia ascendente inicia pelo 
elemento linguístico (palavra) para depois acionar outros conhecimentos de 
ordem enciclopédica, semântica e/ou 
pragmática (KLEIMAN, 2010, p.40). 
No âmbito das estratégias 
ascendentes ou descendentes é 
possível dizer que essa dinâmica 
acontece em três níveis: pré-leitura, 
leitura e pós-leitura. 
http://www.iapcursos.com.br/site/imagens/cursos/leitura.jpg 
A pré-leitura: é o momento em que o conhecimento sobre determinado 
assunto é ativado, mesmo antes da leitura detalhada do texto. Isso envolve a 
39 
experiência do leitor com outros textos ou experiências de vida. Esse 
conhecimento pode ser ativado pelo título ou pelas imagens que compõem 
esse texto. Nesse momento algumas estratégias específicas são acionadas: 
predição/ inferência, conhecimento de mundo e contexto. 
 
• Predição ou inferência: É a atividade de predizer, inferir, “adivinhar” o 
conteúdo de um texto, por intermédio de pistas que estão no próprio 
texto. Estas pistas podem ser: o título, o conteúdo visual, as marcas 
tipográficas (uso de maiúscula, itálico, negrito, número, símbolo), o 
gênero textual etc. A predição aciona os outros conhecimentos a seguir. 
• Conhecimento de mundo: Se refere a toda bagagem cultural e de vida 
que todas as pessoas possuem, seja ela letrada ou não. Esse 
conhecimento, acionado a partir da predição, contribui no processo de 
compreensão do texto. 
• Contexto: É a inter-relação dos elementos que acompanham um fato ou 
uma situação criando um local específico. O conhecimento desse local 
ajuda o leitor a compreender o sentido real ou figurado de uma 
determinada palavra, ou imagem. 
 
A predição ou inferência depende do contexto e do conhecimento de 
mundo para ser formulada. Essas estratégias além de ajudarem na construção 
do significado, contribuem para a captação de novas palavras que são 
associadas a determinados contextos, e dessa forma é possível maximizar as 
“famílias” de conceitos sobre um assunto (KLEIMAN, 2010, p. 79). 
A leitura: É a parte da interação verbal ou visual que implica na 
participação ativa do leitor para interpretar e reconstruir o sentido, sempre 
levando em consideração a intenção do autor (ANTUNES, 2003, p. 66). 
É uma atividade complexa, em que todos os elementos que se 
encontram no texto funcionam como “instruções” que não podem ser 
desprezadas, pois traçam um caminho para que o leitor construa significações, 
hipóteses, confirme predições, tire conclusões. Grande parte do que o leitor 
consegue assimilar do texto está ligado ao conhecimento prévio, ou seja, aquilo 
que ele já sabe sobre determinado assunto (ANTUNES, 2003, p. 67). É uma 
mistura de processo cognitivo e interativo, um exemplo disso é que em 
40 
determinadas situações o leitor nem precisa ler todo o texto, ou ler de forma 
detalhada para captar seu sentido. 
A pós-Leitura: Esse é a atividade final em que o leitor faz uma reflexão 
sobre o texto e sobre a aplicação deste para sua vida. É importante que o leitor 
tenha o hábito de fazer essa atividade de forma consciente, e que seja 
motivada uma reflexão crítica, buscando compreender a importância desse 
texto, refletindo sobre as predições iniciais, tirando uma conclusão final sobre a 
intenção do autor e o mundo do leitor. 
Considerando todo esse complexo que compõe a atividade de ler, é 
possível dizer que a leitura ajuda a formar conceitos e melhora de forma 
significativa a capacidade de argumentação. Vamos ler!!!!! 
 
Resumo 
 
A leitura é uma atividade interativa, é uma forma de comunicação 
importante na construção do sentido. Ler não se resume ao contato com o 
texto verbal, o texto visual é também um instrumento importante e que já faz 
parte do contexto de leitura. 
 O leitor durante a leitura além de construir sentido, utiliza algumas 
estratégias que podem reconstruir significados a partir da interação com o 
texto, do conhecimento prévio, do contexto e do conhecimento linguístico. 
 
A PRÁTICA 
 
Leia o texto “Geração Coca-Cola de Renato Russo e o mesmo texto em 
outro formato e responda as questões: 
Quando nascemos fomos programados 
A receber o que vocês 
Nos empurraram com os enlatados 
Dos U.S.A., de 9 às 6 
Desde pequenos nós comemos lixo 
Comercial e industrial 
Mas agora chegou nossa vez - 
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês. 
Somos os filhos da revolução 
Somos burgueses sem religião 
Somos o futuro da nação 
Geração Coca-Cola. 
Depois de 20 anos na escola 
41 
Não é difícil aprender 
Todas as manhas do seu jogo sujo 
Não é assim que tem que ser? 
Vamos fazer nosso dever de casa 
E aí então vocês vão ver 
Suas crianças derrubando reisFazer comédia no cinema com as suas leis 
 http://letras.com/legiao-urbana/45051/ (fragmento) 
http://spe.fotolog.com/photo/30/63/15/rusloko/1197038318_f.jpg 
 
a) A partir da leitura do texto nos dois formatos, qual relação é possível fazer 
entre eles? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
b) Utilizando a estratégia de pré-leitura o que é possível inferir a partir do título 
do texto? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
c) Utilizando a estratégia de leitura, quais as marcas tipográficas são 
encontradas no texto? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
d) Considerando o contexto social do Brasil, o que é possível afirmar a partir 
desse trecho? “Desde pequenos nós comemos lixo/ Comercial e industrial” 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
42 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
e) Observando o texto no formato de garrafa responda: 
I- Por que o texto aparece em cores diferentes? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
II- Por que o tamanho e a fonte de algumas palavras aparecem em destaque? 
Qual a intenção do autor? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
f) A partir da estratégia de pós-leitura, qual a leitura crítica é possível fazer 
desse texto considerando a realidade social do Brasil? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
43 
Leia os textos e responda as perguntas: Texto 1: Leitura Alimenta 
 
http://portalpitanga.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Imagem2.jpg 
Texto 2: Quem lê enxerga mais. 
44 
 
http://algarmidia.com.br/blog-da-propaganda/wp-content/uploads/sites/3/2011/04/hco.jpg 
a) Que leitura é possível fazer do título do texto 1? Qual o objetivo desse 
anúncio? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
b) Qual o sentido dos artefatos de cozinha (garfo, faca e saleiro) no texto 1 
para a construção do sentido? 
45 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
c) Qual a leitura crítica é possível fazer do conteúdo verbal do texto 1? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
d) Qual a ligação entre o titulo do texto 2 e seu conteúdo visual? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
e)Qual o objetivo do anúncio do texto 2? Pelas informações no anúncio quem é 
o autor? 
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_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 f)Por que de acordo com o anúncio: Quem lê enxerga mais? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
46 
g) O que existe de comum entre os textos 1 e 2? Comprove com elementos 
extraídos dos textos. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
Referências 
ANTUNES, Irandé. Aula de Português: Encontro e Interação. São Paulo: 
Parábola Editorial, 2003. 
 ________________. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem 
pedras no caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. 
KLEIMAN, Ângela. Oficina de Leitura: Teoria e Prática. Campinas, SP: Pontes 
Editores, 2010. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
Tema 5 
Tipologias, Gêneros Textuais e intertextualidade 
 
Objetivos 
 
� Entender a diferença entre tipologia e gênero textual; 
� Conhecer as particularidades e usos das tipologias e gêneros textuais. 
 
OS TEXTOS 
Texto 1: Cartum de Quino 
 
 
 
 
48 
Texto 2: Notícia da Revista Veja 
 
Pan-2015: atleta desmaia, mas é medalha de prata no levantamento de peso 
A halterofilista equatoriana Neise Dajones passou mal, nesta terça-feira, após 
levantar 121 quilos em prova da categoria até 69 quilos, no Pan de Toronto. Logo 
após o esforço, a atleta de 17 anos não aguentou: desmaiou e, caída no chão, sofreu 
uma convulsão. Mesmo com o incidente, Neise foi liberada para tentar levantar 125 
quilos em outra fase da prova. O resultado: medalha de prata. Na segunda-feira, outra 
atleta, a venezuelana Genesis Rodriguez, também desmaiou ao tentar erguer 106 
quilos e também conseguiu faturar a prata. 
http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/pan-2015-atleta-desmaia-mas-e-medalha-de-prata-no-levantamento-de-peso 
 
Texto 3: Artigo de opinião 
 
Análise/ Thomaz Wood Jr. 
O fim dos gerentes? 
por Thomaz Wood jr. — publicado 15/07/2015 04h06 
 
Após ceifar empregos na base, chegou a hora de a tecnologia ameaçar o meio da 
pirâmide corporativa. 
As fábricas automatizadas do fim do século XX substituíram trabalhadores por robôs. 
Agora é a vez de as empresas de serviços substituírem gerentes e outros 
profissionais por softwares. Os efeitos ainda são alvo de especulação. Por um lado, 
um movimento que libera os seres humanos de tarefas repetitivas e maçantes é um 
sonho de qualquer utopista. Por outro, o desemprego e o agravamento das 
desigualdades são efeitos palpáveis e hoje incontestáveis. 
Em editorial da revista científica Administrative Science Quarterly, veiculada em junho 
de 2015, Gerald F. Davis observaque, a partir dos anos 1980, mudanças na 
economia alteraram o perfil de ocupação dos egressos de MBAs, o templo formador 
de gerentes. Em lugar de buscar trabalho ou receber ofertas de grandes companhias 
industriais, eles passaram a ser absorvidos por empresas de consultoria e por 
instituições financeiras. 
Ao mesmo tempo, observa o autor, a tecnologia da informação passou a substituir 
parte das atividades dos gerentes por algoritmos. Hoje, nos Estados Unidos, 7 
milhões de profissionais são classificados como gerentes, porém, seu trabalho não 
envolve necessariamente a supervisão de outros profissionais. A gestão de pessoas 
por outras pessoas pode estar se tornando anacrônica. Chocante: as mudanças 
podem fazer com que os gerentes voltem a trabalhar. 
http://www.cartacapital.com.br/revista/858/o-fim-dos-gerentes-2921.html (Fragmento) 
 
1) Lendo o texto 1 é possível identificar o motivo da fila estar tão grande? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
49 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
2) Qual o objetivo do texto 2? Quais informações relevantes aparecem nesse 
texto, que possibilitam a total compreensão? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
3) Qual o foco do texto 3? É possível identificar a opinião do autor? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
O CONTEXTO 
 
Gêneros textuais: definição e funcionalidade 
 
Luiz Antônio Marcuschi 
 
Já se tornou trivial a ideia de que os gêneros textuais são fenômenos históricos, 
profundamente vinculados à vida cultural e social. Fruto de trabalho coletivo, os 
gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-
dia. São entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em 
qualquer situação comunicativa. No entanto, mesmo apresentando alto poder preditivo 
e interpretativo das ações humanas em qualquer contexto discursivo, os gêneros não 
são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa. Caracterizam-se como 
eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos. Surgem emparelhados a 
necessidades e atividades sócioculturais, bem como na relação com inovações 
tecnológicas, o que é facilmente perceptível ao se considerar a quantidade de gêneros 
textuais hoje existentes em relação a sociedades anteriores à comunicação escrita. 
Como afirmado, não é difícil constatar que nos últimos dois séculos foram as novas 
tecnologias, em especial as ligadas 
à área da comunicação, que propiciaram o surgimento de novos gêneros textuais. Por 
certo, não são propriamente as tecnologias per se que originam os gêneros e sim a 
intensidade dos usos dessas tecnologias e suas interferências nas atividades 
comunicativas diárias. Assim, os grandes suportes tecnológicos da comunicação tais 
como o rádio, a televisão, o jornal, a revista, a internet, por terem uma presença 
marcante e grande centralidade nas atividades comunicativas da realidade social que 
ajudam a criar, vão por sua vez propiciando e abrigando gêneros novos bastante 
50 
característicos. Daí surgem formas discursivas novas, tais como editoriais, artigos de 
fundo, notícias, telefonemas, telegramas, telemensagens, teleconferências, 
videoconferências, reportagens ao vivo, cartas eletrônicas (e-mails), bate-papos 
virtuais, aulas virtuais e assim por diante. 
Tipo textual x Gênero textual 
Usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de construção teórica 
definida pela natureza linguística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, 
tempos verbais, relações lógicas}. Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia 
dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, 
injunção. 
Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para 
referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que 
apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades 
funcionais, estilo e composição característica. Se os tipos textuais são apenas meia 
dúzia, os gêneros são inúmeros. Alguns exemplos de gêneros textuais seriam: 
telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem 
jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, 
receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, 
instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, 
conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, 
aulas virtuais e assim por diante. 
http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/322091/mod_resource/content/1/MARCUSCHI%20G%C3%AAneros%2
0textuais.pdf (Fragmento) 
http://www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2014/06/generos-textuais.jpg 
 
A TEORIA 
 
O texto de Marcuschi discute de forma didática os conceitos de “tipo e 
gênero textual” dando um amplo panorama sobre esses tópicos. Aplicando 
esse conhecimento nos textos 1, 2 e 3, observamos que para cada objetivo e 
intenção comunicativa o texto se enquadra em uma tipologia e em um gênero 
diferente. O texto 1 é um cartum do tipo descritivo; o texto 2 é uma notícia do 
tipo narrativa; o texto 3 é um artigo de opinião de tipo argumentativo. Essa 
classificação não é engessada, ao contrário, os gêneros flutuam entre as 
tipologias dependendo da necessidade comunicativa e da intenção do 
51 
interlocutor. Vamos estudar de forma detalhada cada uma das tipologias 
textuais. 
 
Descrição: 
 
 Descrever é utilizar a linguagem verbal ou imagética (desenho, símbolo) 
para construir ideias ou imagens que representam lugares, objetos, seres, 
cenas, situações. É um processo de transformar em linguagem o que foi 
percebido pela observação, como se fosse o recorte de uma determinada 
realidade que se deseja replicar (INFANTE 1999). 
Produzir um texto descritivo significa apresentar um objeto (cena, ser, 
situação) a partir de um determinado ponto de vista. O produto desse processo, 
em algumas situações, em diferentes escalas é influenciado pelo olhar do 
observador. É notório que se espera desse tipo de texto um alto grau de 
objetividade, mas é praticamente impossível anular a presença do observador. 
Em sentido amplo, o texto descritivo é utilizado nos textos narrativos e 
argumentativos com o intuito de caracterizar personagens, lugares, fornecer 
dados para fundamentar um argumento etc. (INFANTE, 1999, p. 137). A 
descrição é uma ferramenta importante para construção do sentido. 
Exemplo 1 (personagem do filme Frozen): Descrição objetiva (quando o foco 
está em descrever as características) 
 
 
http://spotseriestv.blogspot.com.br/2014/06/confira-descricao-personagens-frozen-estarao-once-upon-time.html 
 
Exemplo 2 (Monalisa de Leonardo Da Vinci): Descrição 
subjetiva (apesar do foco ser a descrição do objeto é 
possível indentificar o olhar do observador de forma 
mais contundente). 
“O quadro apresenta uma mulher com uma expressão 
introspectiva e um pouco tímida. O seu sorriso restrito 
52 
é muito sedutor, mesmo que um pouco conservador. Seu corpo representa o 
padrão de beleza da mulher na época de Leonardo”. 
http://galeriadefotos.universia.com.br/uploads/2012_01_20_15_52_231.jpg 
http://trioternura.arteblog.com.br/96595/Descricao-do-quadro-Mona-Lisa/Narração: 
 
Narrar é “encadear uma sequência de fatos, reais ou imaginários, em 
que personagens se movimentam num certo espaço à medida que o tempo 
passa” (INFANTE, 1999, p.114). A narração pode ser escrita ou falada, 
independente da modalidade, a estrutura é a mesma. Isso significa que existe 
um fato, que acontece com alguém, em um determinado espaço de tempo e 
lugar. Essas informações são de relevância para que o interlocutor 
compreenda o episódio. 
A narrativa obedece a um contínuo, que em geral, passa de um estado 
inicial de equilíbrio para um estado final, que independente de ser trágico ou 
não, apresenta os seguintes elementos. 
Espaço: É o local onde acontecem os fatos. Esse espaço pode ser 
“físico” que o retratado no enredo, ou “psicológico” é a vivência subjetiva do 
personagem. 
Enredo: É a história em si, é o que correlaciona todos os outros 
elementos. O enredo pode ser imprevisível e o desfecho pode ser que não 
corresponda às expectativas do leitor. O final pode ser alegre, triste, cômico ou 
trágico. 
Personagens: São os elementos fundamentais, são os que realizam as 
ações. Sempre em uma narrativa os personagens podem ser protagonistas 
(principal), antagonistas (rival), coadjuvantes (secundários). 
 Tempo: É o desencadear das situações. Se esse tempo acontece em 
sequência gradual de calendário ou relógio, chamamos de cronológico; se o 
tempo é marcado pela sequência de pensamentos, sentimentos e reflexões 
dos personagens é tempo psicológico. 
Narrador: É aquele que tem a função de contar a história, porém esse 
narrador pode assumir diferentes papéis: 
Observador: Apenas conta os fatos sem se envolver, geralmente o discurso 
aparece em 3ª pessoa; 
53 
Participante: Tanto conta os fatos como participa deles, nesse caso o discurso 
é em 1ª pessoa; 
Onisciente: Além de narrar os fatos, revela os pensamentos e sentimentos dos 
personagens, em determinadas situações a voz do narrador se confunde com a 
voz dos personagens. 
O discurso pode assumir diferentes perspectivas dependendo de como o 
narrador retrata a fala dos personagens. 
Discurso direto: Nessa situação o personagem ganha voz, pois é a 
transcrição direta da fala do personagem. Exemplo: 
"Não havia nenhum planejamento de carreira na escola para mim. Eu só passava o tempo e 
era passada para a próxima série. Depois de três anos eu disse 'chega' e deixei". Laura Green. 
Pequenas empresas, grandes negócios. 12/07/2015 
http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2015/07/jovem-com-sindrome-de-down-conta-saga-para-tornar-se-empresaria.html 
 
Discurso Indireto: É quando o narrador adapta e incorpora a fala dos 
personagens. Na maioria dos casos o discurso aparece em 3ª pessoa. 
“O empresário Roark Stuart Kelly, junto com mais dois sócios, montou um bike café. Ele era 
gerente administrativo, mas não estava contente com a área e achou que seria legal ser dono 
de um negócio como um food bike: prático, econômico e sustentável”. 
Pequenas empresas, grandes negócios. 12/07/2015 
http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2015/07/baixo-investimento-e-atrativo-para-montar-negocio-com-food-bike.html 
 
Discurso indireto livre: Embora escrito em 3ª pessoa, os personagens 
têm voz própria. É a junção dos anteriores, em geral, o discurso do narrador se 
confunde com a fala do personagem. 
Laura, então, passou um tempo com sua família e amigos tentando descobrir o que queria 
fazer. "Eu decidi que queria trabalhar com moda. Não por causa de ninguém, mas queria criar 
meu próprio negócio vendendo acessórios. E foi o que eu fiz." 
http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2015/07/jovem-com-sindrome-de-down-conta-saga-para-tornar-se-empresaria.html 
 
Argumentação/ dissertação: 
 Dissertar/Argumentar é utilizar a linguagem para expor opiniões e fatos, 
discutir ideias e conceitos, defender um ponto de vista, chegar a conclusões 
etc, em geral, em uma perspectiva persuasiva. O interlocutor no intuito de 
persuadir precisa elaborar bem a linguagem e construir argumentos 
54 
consistentes para provar sua “tese”, é preciso conhecimento profundo e olhar 
crítico, isso tanto na fala como na escrita. 
Argumentar ou dissertar na modalidade escrita significa obedecer as 
particularidades do texto escrito, ou seja, estar de acordo com a norma 
gramatical padrão, considerar desde vocabulário “até a necessidade de suprir 
recursos expressivos da fala (mímica e entonação) e construções sintáticas 
logicamente organizadas.” (INFANTE, 1999, p. 159). 
O texto dissertativo-argumentativo precisa se enquadrar em um 
processo que contenha início (introdução), meio (desenvolvimento) e desfecho 
crítico (conclusão). Vamos ver cada um detalhadamente. 
Introdução: É o ponto inicial do texto. Aqui é preciso apresentar ao interlocutor 
o assunto que será tratado e também delimitar os argumentos que serão 
discutidos posteriormente. Essa parte é uma espécie de panorama do texto. 
Desenvolvimento: Nessa parte é onde os argumentos apresentados na 
introdução serão discutidos de forma organizada. Esse conteúdo pode ser 
organizado de diferentes aspectos, dependendo da proposta do texto e das 
informações disponíveis. 
Conclusão: É o desfecho do texto, aqui é preciso retomar e condensar o 
conteúdo anterior para finalizar de maneira clara e coerente. O autor pode fazer 
um comentário final se posicionando ou encaminhar alguma proposta prática 
de ação. Exemplo do filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937): 
 
Todos os homens são intelectuais – pode-se dizer, mas nem todos os homens têm na 
sociedade a função de intelectuais (Frase núcleo). 1a) Não se pode separar o homo 
faber do homo sapiens. Todo homem, fora de sua profissão, exerce alguma atividade 
intelectual, é um “filósofo”, um artista, um homem de gosto, 1b) participa de uma 
concepção de mundo, 1c) tem uma linha de conduta moral: contribui para manter ou 
para modificar uma concepção do mundo, isto é, para suscitar novos modos de 
pensar. 
 
Após apresentarmos as tipologias textuais vamos mostrar alguns 
exemplos de gêneros textuais dentro dos aspectos tipológicos. 
 
 
55 
Aspectos tipológicos Exemplos de gêneros orais e escritos 
Descrição, instrução Autorretrato, Instrução de montagem de 
receita, regulamento, regras de jogo, pintura 
de um objeto em tela, diário, relato, biografia, 
currículo, lista, cardápio, anúncio, bula de 
remédio etc. 
Narração Conto, fábula, novela, notícia, romance, 
crônica, conto de fada, fábula, lenda, 
email etc. 
Dissertação/Argumentação Artigo, editorial, resenha, carta de 
opinião, email, ensaio, monografia, 
dissertação, tese, seminário, palestra, 
entrevista, conferência etc. 
É importante lembrar que esse quadro não é fixo, alguns gêneros podem se 
enquadrar em outro aspecto tipológico, o que vai definir esse aspecto é a 
necessidade comunicativa e a intenção do interlocutor. Por exemplo, email. 
 
Resumo 
 
Os gêneros textuais são as diversas práticas sociais que circulam na 
sociedade, esses gêneros dependendo da necessidade comunicativa podem 
se apresentar em diferente aspecto tipológico. Compreender as tipologias e os 
gêneros é entender a comunicação nos diferentes usos. 
 
A PRÁTICA 
 
1) (Enem 2010). 
Partindo do pressuposto de que um texto estrutura-se a partir de características 
gerais de um determinado gênero, identifique os gêneros descritos a seguir: 
I. Tem como principal característica transmitir a opinião de pessoas de 
destaque sobre algum assunto de interesse. Algumas revistas têm uma seção 
dedicada a esse gênero; 
II. Caracteriza-se por apresentar um trabalho voltado para o estudo da 
linguagem, fazendo-o de maneira particular, refletindo o momento, a vida dos 
homens através de figuras que possibilitam a criação de imagens; 
III. Gênero que apresenta uma narrativa informal ligada àvida cotidiana. 
Apresenta certa dose de lirismo e sua principal característica é a brevidade; 
56 
IV. Linguagem linear e curta, envolve poucas personagens, que geralmente se 
movimentam em torno de uma única ação, dada em um só espaço, eixo 
temático e conflito. Suas ações encaminham-se diretamente para um desfecho; 
V. Esse gênero é predominantemente utilizado em manuais de 
eletrodomésticos, jogos eletrônicos, receitas, rótulos de produtos, entre outros. 
São respectivamente: 
a) texto instrucional, crônica, carta, entrevista e carta argumentativa. 
b) carta, bula de remédio, narração, prosa, crônica. 
c) entrevista, poesia, crônica, conto, texto instrucional. 
d) entrevista, poesia, conto, crônica, texto instrucional. 
e) texto instrucional, crônica, entrevista, carta e carta argumentativa. 
2) Você é corretor de uma imobiliária, leia a imagem e escreva um anúncio 
descrevendo detalhadamente a casa. Sua descrição pode ser objetiva ou 
subjetiva. O intuito é convencer o cliente que é um bom negócio. 
 
 
http://www.anglaisfacile.com/cgi2/myexam/images/15033.gif 
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57 
3) Escolha uma capa de filme e narre a história, considerando os elementos da 
narração. 
 
http://3.bp.blogspot.com/-zlDCwgeLjqU/VIG8xQD1J1I/AAAAAAAAADY/P_syZgY2B2k/s1600/sem%2Bnome.png
http://rockntech.com.br/wp-content/uploads/2013/07/capas
http://imguol.com/c/entretenimento/2014/01/29/montagem
1391038565331_650x500.jpg 
http://leitoresdepressivos.com/wp-content/uploads/2013/11/Cartas_Para_Julieta1.jpg
 
 
 
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4) Leia a manchete da capa da revista Veja (13/11/2013) e escreva um texto 
dissertativo-argumentativo discutindo sobre a liberação da maconha no Brasil. 
Construa seu texto de forma coesa, coerente e com argumentos sólidos.
Escolha uma capa de filme e narre a história, considerando os elementos da 
 
zlDCwgeLjqU/VIG8xQD1J1I/AAAAAAAAADY/P_syZgY2B2k/s1600/sem%2Bnome.png
content/uploads/2013/07/capas-alternativas-filmes-pouco-investimento_7.jpg
http://imguol.com/c/entretenimento/2014/01/29/montagem-com-capa-do-livro-divergente-e-cena-do-filme
content/uploads/2013/11/Cartas_Para_Julieta1.jpg 
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a a manchete da capa da revista Veja (13/11/2013) e escreva um texto 
argumentativo discutindo sobre a liberação da maconha no Brasil. 
Construa seu texto de forma coesa, coerente e com argumentos sólidos.
Escolha uma capa de filme e narre a história, considerando os elementos da 
 
zlDCwgeLjqU/VIG8xQD1J1I/AAAAAAAAADY/P_syZgY2B2k/s1600/sem%2Bnome.png 
investimento_7.jpg 
filme-divergente-
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a a manchete da capa da revista Veja (13/11/2013) e escreva um texto 
argumentativo discutindo sobre a liberação da maconha no Brasil. 
Construa seu texto de forma coesa, coerente e com argumentos sólidos. 
58 
 
http://3.bp.blogspot.com/-QI60Ntq2F-k/UpLBvmwueYI/AAAAAAAABD0/WnJy7RHTXTs/s350/capa380.jpg 
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Referências 
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto: Curso prático de leitura e redação. São 
Paulo: Scipione, 1999. 
 
59 
Unidade II 
Linguageme Uso 
Objetivos 
 Estudar os aspectos funcionais da linguagem, reconhecendo suas 
particularidades; 
 Compreender que a língua possui particularidades e estudar esses aspectos 
é importante para interagir nos diferentes aspectos da linguagem; 
 Reconhecer a gramática da língua portuguesa nas instâncias de uso na 
modalidade de escrita e de interpretação textual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
60 
Tema 1 
Coesão e Coerência 
 
Objetivos 
 
� Conhecer os aspectos de coesão e coerência da língua portuguesa e como 
articulá-los no uso da língua; 
� Estudar o processo de referenciação e os operadores argumentativos da 
linguagem e sua funcionalidade no processo de interpretação; 
 
O TEXTO 
 
http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/1/normal_creme.jpg 
 
1. Qual o objetivo desse anúncio? 
2. No texto verbal do anúncio o pronome “esse” está se referindo a que ou 
quem? 
61 
3. Com que intuito a disposição do conteúdo verbal e o ângulo do conteúdo 
imagético são articulados nesse anúncio? 
 
O CONTEXTO 
 
A coesão, a coerência, a referenciação e os operadores argumentativos 
estão presentes nos textos. O texto é uma unidade de linguagem em uso, 
como o anúncio do tópico anterior do produto “Rugol”, e cumpre uma função 
comunicativa em um dado jogo de atuação sócio comunicativa (Costa 
Val,1991). Independente do estilo, do layout e do tamanho, todo texto, para 
cumprir o seu propósito comunicativo precisa ter textualidade. A textualidade, 
como em um tecido, é a costura entre os elementos que compõem o texto, não 
é um conjunto de palavras ou frases soltas (SARMENTO, 2012). A essa 
costura damos o nome de coesão e a articulação desses elementos na 
produção de sentido chamamos de coerência. 
 Os operadores argumentativos são elementos gramaticais discursivos 
que são utilizados não apenas para ligar os termos na sentença, mas também 
para dar um direcionamento para o interlocutor do percurso do texto, por 
exemplo: mas (indica adversidade), portanto (finalidade) etc. 
Já a referenciação é uma atividade discursiva (Koch, 2005), em que o 
interlocutor opera sobre a linguagem fazendo escolhas significativas para 
referenciar uma realidade, no intuito de construir sentidos. 
 
Discurso: é o uso da língua em uma determinada situação de comunicação entre os 
interlocutores (SARMENTO, 2012, p. 66). 
 
A TEORIA 
 
Coesão textual: é a conexão estabelecida entre as partes de um 
texto (palavras, períodos e parágrafos) por meio de conectivos – 
conjunções, pronomes, preposições e advérbios- e outros recursos 
linguísticos (SARMENTO, 2006, p. 89). 
62 
Falar ou escrever um bom texto depende de uma boa articulação das 
ideias, esse processo é obtido por meio de um bom encadeamento sintático e 
semântico. Isso é coesão, ou seja, a conexão das partes do discurso. 
A referenciação é um elemento de coesão textual. A coesão referencial 
acontece pela referência dos elementos do próprio texto. São exemplos de 
referentes: os pronomes pessoais, demonstrativos, possessivos ou advérbios e 
expressões adverbiais que indicam localização (Koche, Boff, Pavani, 2009, p. 
26). Exemplo de referenciação: 
 
Ronald Julião deixou o estádio eufórico. Aquela medalha de prata no Pan trazia uma sensação 
de alívio após ter que conviver com dores e lesões recentemente. O atleta do lançamento de 
disco fez questão de dar uma volta olímpica carregando a bandeira do Brasil ao alcançar a 
marca de 64,65m que lhe rendeu a presença no pódio do Canadá. As duas hérnias que 
carrega nas costas, naquele momento, não seriam mais o suficiente para frear sua alegria. Em 
determinado momento, inclusive, ele chegou a achar que havia sido campeão. 
http://globoesporte.globo.com/jogos-pan-americanos/noticia/2015/07/com-duas-hernias-brasileiro-recupera-forca-e-leva-medalha-de-
prata-no-disco.html 
 
Aquela (medalha), atleta (Ronald), lhe, sua, ele (Ronald). 
Um dos elementos linguísticos que servem para orientar a sequência do 
discurso são os operadores argumentativos, em outras palavras, ele determina 
o encadeamento possível com outros enunciados (KOCHE, BOFF e PAVANI, 
2006), mostrando ao interlocutor as possíveis construções de sentido. 
Os elementos gramaticais que funcionam como operadores 
argumentativos são: conjunções, preposições, locuções adverbiais (às vezes, 
com certeza), conjuntivas (já que, visto que), prepositivas (ao lado de, a 
respeito de), ou as palavras que de acordo com a N.G.B (Nomenclatura 
Gramatical Brasileira) não se enquadram em nenhuma classe gramatical, como 
os denotadores de exclusão (só, somente, apenas, senão) e inclusão (até, 
mesmo, inclusive, também). 
Cada um desses operadores pode desempenhar uma função, 
dependendo do contexto e da necessidade comunicativa, entre eles: operador 
de adição (e, também, ainda, nem); finalidade (a fim de, com o intuito de); 
causa e consequência (porque, visto que, em virtude de); explicação 
(porque, que, já que, pois); oposição (porém, contudo, todavia, entretanto, 
63 
apesar de); condição (contanto que, a não ser que, a menos que, desde que); 
tempo (em pouco tempo, depois, logo que ); proporção ( ao passo que, tanto 
quanto, tanto mais); conformidade ( segundo, conforme, consoante); 
conclusão (portanto, então, assim, logo, por isso); alternativo (ou...ou, 
ou...então); comparação (como, tão quanto, tal qual); esclarecimento (ou 
seja, quer dizer); inclusão (até, mesmo, inclusive, também); exclusão (só, 
somente, apenas, senão) (KOCHE, BOFF e PAVANI, 2006, p.32-35). 
É importante salientar que esses são apenas alguns exemplos, e essa 
divisão não é estática. O uso desses operadores pode variar de acordo com a 
intenção do interlocutor, contexto e necessidade comunicativa. 
 
Coerência textual: é o resultado de um processo de construção de 
sentidos feitos pelos interlocutores, em uma situação de interação 
(KOCH, 1997). 
 
 A coerência se constrói com elementos dentro do texto e também pelo 
interlocutor no momento da interação, por isso a coerência está atrelada a 
outros elementos como: conhecimento do interlocutor sobre determinado 
assunto e contexto social e situacional. 
A coesão e a coerência estão interligadas, mas pode acontecer de um 
texto ser coeso e não ser coerente, e também um texto pode ser coerente e 
não possuir elementos conectivos em todo o seu contínuo textual. 
 
Exemplo 1: Cabeça de Bagre II (Mamonas Assassinas).Texto coeso, porém 
não coerente. 
Loucura, insensatez, estado inevitável 
Embalagem de iogurte inviolável 
Fome, miséria, incompreensão, 
O Brasil é Tetra Campeão 
http://letras.com/mamonas-assassinas/24143/ 
 
 
Exemplo 2: Coerente sem elementos coesivos. 
Menino venha pra dentro, olhe o sereno! Vá lavar essa mão. Já 
64 
escovou os dentes? Tome a bênção a seu pai. Já pra cama! 
Menino, de Fernando Sabino. 
 
Alguns fatores são considerados fatores de coerência: os elementos 
linguísticos, conhecimento de mundo, fatores implícitos e a intertextualidade. 
(KOCHE, BOFF e PAVANI, 2006, p.19-20). 
Elementos Linguísticos: são os itens lexicais e as estruturas sintáticas que 
ativam o conhecimento armazenado e ajudam a construir a coerêcia textual; 
Conhecimento de mundo: é um fator importante, pois a coerência de um texto 
pode depender do conhecimento que o interlocutor possui sobre determinado 
assunto. Ex: 
 “Valerioduto de MG pagou juiz eleitoral, afirma PF”. (Folha de São Paulo, 
1998). 
 
Esse termo se refere ao conjunto de contas bancárias do empresário 
Marcos Valério, para as quais ele desviava dinheiro público para depois 
barganhar com governantes políticos. Sem conhecer esse contexto é muito 
difícil o interlocutor achar esse texto coerente. 
Fatoresimplícitos: são as informações que não estão explícitas no texto e 
dependem de inferência ou pressuposição para o entendimento do texto. Ex: 
“Bebeu e está dirigindo? Desculpe a intimidade, mas a viúva é bonita.” 
(Campanha sobre segurança no trânsito) 
 
Intertextualidade: é um diálogo entre dois ou mais textos (SARMENTO, 2012) 
em que um deles faz referencia ao outro, o processo de associar conteúdos de 
referidos textos a outros textos. O entendimento acontece quando esse 
conhecimento prévio é resgatado e utilizado para construir a coerência de 
determinado texto. Ex: 
65 
 
O texto fonte é a Bíblia Sagrada, 
esse trecho está no livro de 
Gênesis 3:19. 
“porquanto és pó e em pó te 
tornarás”. 
Para compreender esse anúncio é 
importante reconhecer a 
intertextualidade que aparece. 
Ainda nesse anúncio a marcação 
de aspas, reforça que o trecho é 
um discurso fonte de outro texto. 
 
http://s2.glbimg.com/SniVERDuZq0_oExbvwY4vqjQAx0=/0x0:394x522/300x397/s.glbimg.com/po/ek/f/original/2013/07/
30/propaganda_chevrolet.jpg 
 
RESUMO 
 
Estudar a coesão e coerência significa levar em consideração os 
elementos que contribuem para uma boa construção textual. Construir e 
compreender um texto significa considerar características gramaticais, 
semânticas e pragmáticas. Além de fatores como conhecimento de mundo, 
intertextualidade e fatores implícitos. 
 
A PRÁTICA 
 
1) No texto abaixo, verifica-se que os diferentes operadores argumentativos 
relacionam as ideias produzindo sentido. Numere cada parêntese de acordo 
com o código, indicando a relação estabelecida: 
(1) oposição; (2) adição; (3) alternância; (4) explicação; (5) finalidade; 
(6)comparação; (7) conformidade; (8)conclusão; (9) condição. 
66 
“O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem.” 
1.Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e 
2.domingos pelo menos uma centena de vezes. 
3.Da mesma forma ( ), se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, 
4.terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, 
5.deixar de lado o orgulho e o comodismo. Se quiser um casamento gratificante, terá 
6.que investir tempo, energia e ( ) sentimentos nesse objetivo. O sucesso é 
7.construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas ( ), para obter 
8.resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo 
9.mundo, obterá os mesmos ( ) resultados. Não compare à maioria, pois( ) 
10.infelizmente ela não é modelo de sucesso. 
Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros 
estão tomando chope com batatas fritas. 
Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Ou seja, 
( ) terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina. A realização 
de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize 
por mágica. Mas ( ),toda mágica é ilusão. A ilusão não tira ninguém de onde está. 
Ilusão é combustível de perdedores.“Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. 
Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.” 
Texto por Roberto Shinyashiki 
2) Observando o texto “O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz 
o que todos fazem.” Encontre os referentes dos vocábulos abaixo: 
a) Isso (linha 4)___________________________________________________ 
b) Eles (linha 4)___________________________________________________ 
c) Nesse (linha 6)_________________________________________________ 
d) Mesmos (linha 9)_______________________________________________ 
e) Ela (linha 10) __________________________________________________ 
Leia as propagandas abaixo e responda as perguntas: 
 Texto 1 
67 
 Texto 2 
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=19919 
Texto 3 Texto 4 
 
https://direitobemfeito.files.wordpress.com/2010/11/monbijou.jpg?w=294&h=400 
https://edutakashi.files.wordpress.com/2010/10/bombril.jpg 
3) Identifique a intertextualidade de cada texto: 
a) Texto 1:______________________________________________________ 
b) Texto 2:______________________________________________________ 
c) Texto 3:______________________________________________________ 
d) Texto 4:______________________________________________________ 
68 
4) Se observarmos bem cada um dos textos publicitários, percebemos que 
cada formato e cor das letras, o pigmento do fundo, a cor das roupas dos 
personagens, a expressão facial contribuem para que haja um diálogo entre os 
textos de referência. O conteúdo verbal também segue o mesmo princípio, por 
esse aspecto responda: qual parte do texto verbal contribui para que a 
coerência textual seja construída? 
a) Texto 1:______________________________________________________ 
b) Texto 2:______________________________________________________ 
c) Texto 3:______________________________________________________ 
d) Texto 4:______________________________________________________ 
5) Leia o texto abaixo e complete com elementos coesivos adequados a fim de 
tornar o texto coerente. 
 
O PERFIL DO CONTABILISTA NO SÉCULO XXI 
Júlio César Zanluca 
A presença do contabilista é cada vez mais imprescindível _________sociedade 
_______ para as organizações, ________ elas de finalidade lucrativa ou não. A 
principal característica ________ profissão, no século XXI, será o conhecimento 
aplicado. Não _________ importante, é _______ o contabilista precisa ser um 
profissional flexível, autodidata e preparado ________enfrentar desafios de uma 
profissão _________ a competição e exigências crescem a cada dia. Sua função, 
neste século, ________ ser considerada a de um gestor de informações. Seu 
conhecimento ____________ amplo, compreendendo as normas internacionais de 
contabilidade, legislação fiscal, comercial e correlatas. _______ habilidades 
imprescindíveis são: capacidade de se expressar de forma clara e sintética, ótima 
redação, domínio de recursos de informática (planilhas, textos, internet) e 
conhecimentos de estatística. O contabilista precisa conhecer ____ utilizar-se 
______ relações humanas, além de técnicas de administração. Não ______ficar 
alheio ao mundo _____ o cerca, e precisará ler continuamente, tornando-se um 
autodidata por excelência. _________ ser ético, ter capacidade de inovar e criar, 
desenvolvendo também sua capacidade de adaptação - _______ mudanças fazem 
parte do cenário empresarial e corporativo. A área de atuação do profissional 
contábil é bastante ampla, oferecendo inúmeras alternativas de trabalho. 
http://www.portaldecontabilidade.com.br/noticias/perfil_contador.htm 
 
 
69 
Referências 
COSTA VAL, M.G. Redação e Textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1991. 
KOCHE, Vanilda Saton; BOFF, Odete M. Benetti; PAVANI, Cinara Ferreira. 
Prática Textual: atividades de leitura e escrita. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009. 
KOCH, Ingedore Villaça. Referenciação e orientação argumentativa. São 
Paulo: Contexto, 2005. 
______________________. Texto e coerência. São Paulo: Cortez, 1997. 
SARMENTO, Leila Lauar. Oficina de Redação. São Paulo: Moderna, 2006. 
_____________________. Gramática em Textos. São Paulo: Moderna, 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
70 
Tema 2 
Nova Ortografia 
 
Objetivos 
 
� Estudar as mudanças na nova ortografia da Língua Portuguesa; 
� Entender cada uma das particularidades dessa mudança para utilizar a 
linguagem de forma adequada com as novas regras. 
 
O TEXTO 
 
Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões 
Gosto de ser e de estar 
E quero me dedicar a criar confusõesde prosódia 
E uma profusão de paródias 
Que encurtem dores 
E furtem cores como camaleões 
Gosto do Pessoa na pessoa 
Da rosa no Rosa 
E sei que a poesia está para a prosa 
Assim como o amor está para a amizade 
E quem há de negar que esta lhe é superior? 
E deixe os Portugais morrerem à míngua 
"Minha pátria é minha língua" 
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó 
O que quer 
O que pode esta língua? 
Língua (Fragmento da música de Caetano Veloso) http://letras.com/caetano-veloso/44738/ 
 
1. Qual a mensagem desse trecho de Caetano Veloso? 
2. Qual a relação entre Luís de Camões e o termo Lusamérica latim em pó? 
3. Qual a referência fonte do termo Flor do Lácio? 
4. Explique o trecho: 
E quem há de negar que esta lhe é superior? 
E deixe os Portugais morrerem à míngua 
"Minha pátria é minha língua" 
 
 
 
 
 
71 
O CONTEXTO 
 
O Brasil foi a principal e mais rentável colônia de Portugal. Durante muito 
tempo, longas viagens marcaram uma miscigenação maciça aqui no Brasil. A 
priori, nossos nativos foram “catequizados” e forçados a assimilarem a cultura 
portuguesa, também por outro lado, os colonizadores eram influenciados 
linguisticamente e culturalmente pelo nativo brasileiro. No período da cultura 
agrícola, os negros, os italianos, e muitas outras culturas e línguas passaram a 
fazer parte do Brasil. No intuito de manter seu poderio político e econômico, 
Portugal determinou que quem quisesse viver aqui no Brasil precisava se 
comunicar por meio da Língua Portuguesa. Porém, esse processo de 
assimilação de outro código não é algo simples, ao contrário, é como tentar 
separar dois baldes de tintas que foram misturados, uma cor influencia na 
pigmentação da outra. Assim é a língua, dinâmica, criativa e determina a 
identidade de um povo. 
Nesse aspecto, Caetavo Veloso, mostra essa realidade na música 
“Língua”. De uma forma criativa, ele valoriza essa dinamicidade da língua e 
ressalta que embora exista um padrão de similaridade, a língua são as várias 
facetas de um povo, isso pode significar diferentes dialetos dentro de um único 
idioma. Mesmo compreendendo as diferenças, por questões políticas e 
econômicas, em 1995 foi firmado um acordo entre os países falantes da Língua 
Portuguesa. Esse acordo tem o intuito de facilitar a circulação de documentos 
entre esses países e minimizar os tramites burocráticos de comércio entre eles. 
 
A TEORIA 
 
Vamos observar as mudanças em nossa ortografia depois do acordo 
ortográfico. 
O nosso alfabeto passa a ter 26 letras, com o acréscimo do K,W e Y. 
O trema ( ¨ ) sinal que era utilizado sobre a vogal U junto com as 
consoantes g e q, para indicar a pronúncia dessa vogal foi abolido. 
O acento agudo desaparece em três casos: 
72 
a) Nos ditongos abertos ei e oi das palavras paroxítonas. Ex: ideia, geleia, 
jiboia, boia, assembleia, alcateia, colmeia, alcateia, epopeia, joia, Coreia, 
plateia, odisseia, paranoia, proteico. 
As oxítonas que terminam em éis, éu, éus, ói, óis continuam acentuadas: 
Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus, chapéu, chapéus, anéis, dói, 
céu, ilhéu. 
b) Nas palavras paroxítonas com i e u tônicos formando hiato (sequência de 
duas vogais que pertencem a sílabas diferentes), quando vierem após um 
ditongo. Ex: baiuca, bocaiuva, feiura, Taoismo. 
As oxítonas terminadas em i e u (ou seguida de s) o acento permanece.Ex: 
Piauí, tuiuiú. 
c) Nas formas verbais que possuem o u tônico precedido das letras g ou q e 
seguido de e ou i. Esses casos ocorrem apenas nas formas verbais de arguir e 
redarguir. 
Não se usa mais acento em palavras terminadas em êem e ôo(s). Ex: 
zoo, voo, creem, leem, veem, enjoo, perdoo, deem, magoo, abençoo. 
Não se usa mais acento que diferencia os pares. Ex: para, pela, pera, 
pelo, polo. 
É facultativo o acento de forma (bolo) e forma (contorno). 
Permanece o acento: 
a) pode (presente 3ª pessoa singular) e pôde (pretérito perfeito do indicativo 3ª 
pessoa singular). 
b) Pôr (verbo), por (preposição). 
c) Singular e plural dos verbos ter e vir juntamente com seus derivados 
(manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc). Ex: Eles têm, Eles vêm, 
Eles mantêm, Eles detêm etc. 
Hífen 
Com prefixo usas-se sempre o hífen em palavras iniciadas por h.Ex: 
anti-higiênico, anti-histórico, co-herdeiro, macro-história, mini-hotel, proto-
história, sobre-humano, super-homem, ultra-humano. 
Exceção: Subumano (o h desaparece). 
Quando o prefixo termina em vogal diferente da palavra seguinte. Ex: 
73 
Aeroespacial, agroindustrial, anteontem, antiaéreo, antieducativo, 
autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, coautor, coedição, 
extraescolar, infraestrutura, plurianual, semiaberto, semianalfabeto, 
semiesférico,semiopaco 
Quando o prefixo termina em vogal e a outra palavra começa com a 
consoante diferente de r ou s.Ex: 
anteprojeto, antipedagógico, autopeça, autoproteção, coprodução, geopolítica, 
microcomputador, pseudoprofessor, semicírculo, semideus, seminovo, 
ultramoderno. 
Quando o prefixo termina em vogal e a próxima letra da outra palavra for 
r ou s, essas consoantes são duplicadas. Ex: 
Antirrábico, antirracismo, antirreligioso, antirrugas, antissocial, biorritmo, 
contrarregra, contrassenso, cosseno, infrassom, microssistema, minissaia, 
multissecular, neorrealismo, neossimbolista, semirreta, ultrarresistente, 
ultrassom. 
Quando o prefixo é vice o uso do hífen permanece. Ex: vice-rei. 
Quando o prefixo termina por vogal e a outra palavra começa pela 
mesma vogal o hífen é utilizado. Ex: 
anti-ibérico, anti-imperialista, anti-inflacionário, anti-inflamatório, auto-
observação, contra-almirante, contra-atacar, contra-ataque, micro-ondas, 
micro-ônibus, semi-internato, semi-interno. 
Quando o prefixo termina por consoante e o outro elemento começa pela 
mesma consoante utiliza-se hífen. Ex: 
hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, sub-bibliotecário, super-racista, 
super-reacionário, super-resistente, super-romântico. 
Nos outros casos não se usa o hífen. Ex: 
Hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção. 
Quando o prefixo termina por consoante e o segundo elemento começar 
por vogal não se usa hífen. Ex: 
Hiperacidez, hiperativo, Interescolar, interestadual,interestelar, interestudantil, 
superamigo, superaquecimento, supereconômico, superexigente, 
superinteressante, superotimismo. 
Com o prefixo sub, diante de r usa-se hífen. Ex: sub-região, sub-raça etc 
74 
Com os prefixos circum e pan usa-se hífen diante de palavra iniciada por 
m, n e vogal. Ex: circum-navegação, pan-americano. 
 Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se 
sempre o hífen. Ex: 
além-mar, além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno, ex-diretor, ex-hospedeiro, ex-
prefeito, ex-presidente, pós-graduação, pré-história, pré-vestibular, pró-
europeu, recém-casado, recém-nascido, sem-terra. 
Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu 
e mirim. Ex: 
amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu. 
Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que 
ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas 
encadeamentos vocabulares. Ex: 
ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo. 
Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de 
composição. Ex: 
Girassol, madressilva, mandachuva, paraquedas, paraquedista, pontapé. 
Fonte:http://sistemas.rei.unicamp.br/pdf/Guia_Reforma_Ortografica_CP.pdf 
 
RESUMO 
 
A reforma ortográfica é uma realidade, aqui no Brasil, todo material escrito já 
obedece a essas regras, por isso, é importante praticar o uso dessas novas 
mudanças para estar apto a interagir de acordo com a norma padrão da língua. 
 
A PRÁTICA 
 
1) Escolha a alternativa que contempla as regras da nova ortografia. 
a) sequencia,linguística, linguiça, apazigüei; 
b) A presidente detém o poder o país, e os governadores detêm o poder do 
Estado; 
c) boia, colméia, jóia, plateia, herói; 
d) baiúca, bocaiúva, feiúra; 
e) perdoo, magoo, vêem, creêm; 
75 
2) (ITA) Segundo o novo Acordo, entre as palavras pão duro (avarento), copo 
de leite (planta) e pé de moleque (doce) o hífen é obrigatório: 
a) em nenhuma delas. 
b) na segunda palavra. 
c) na terceira palavra. 
d) em todas as palavras. 
e) na primeira e na segunda palavra. 
3) (ESA) Assinale o item em que o uso do hífen está incorreto. 
a) infraestrutura - super-homem - autoeducação 
b) bem-vindo - antessala - contra-regra 
c) contramestre - infravermelho - autoescola 
d) neoescolástico - ultrassom - pseudo-herói 
e) extraoficial - infra-hepático - semirreta 
 4) (IMA-MG) Suponha que você tenha que agregar o prefixo sub- às palavras 
que aparecem nas alternativas a seguir. Assinale aquela que tem de ser escrita 
com hífen: 
a) (sub) chefe 
b) (sub) entender 
c) (sub) solo 
d) (sub) reptício 
e) (sub) liminar 
Referências 
TUFANO, Douglas. Guia prático da nova ortografia. São Paulo: 
Melhoramentos, 2008. 
 
 
 
 
 
 
76 
Tema 3 
Concordância nominal e verbal 
 
Objetivos 
 
� Estudar as regras que regem a concordância nominal e verbal da língua 
portuguesa; 
� Identificar na prática esses usos e os erros mais comuns da língua 
portuguesa. 
 
O TEXTO 
 
 
http://www.portalaz.com.br/imagens/geral/20150319150722_aa1d5.jpg 
1) Como o texto visual contribui para a construção de sentido? 
2) Por que o adjetivo “pequenas” está no feminino plural? 
3) Por que o verbo “teríamos” está na 1ª pessoa do plural? 
4) Qual a principal mensagem deste anúncio? 
77 
 
O CONTEXTO 
 
Na situação comunicativa, para que haja interação é preciso que as 
ideias sejam articuladas de forma coerente e que a sentença seja gramatical. 
Quando falamos de concordância, seja nominal ou verbal, não significa uma 
forma estática de uso da língua. Na fala existe uma flexibilidade maior que na 
escrita, dependendo do contexto e dos participantes da interação. Em algumas 
situações, não falar dentro das normas gramaticais não compromete a 
comunicação. Por exemplo, é muito comum ouvir nas bancas de pastéis, das 
feiras livres do sudeste brasileiro a frase: “Dois pastel, por favor”. Embora aos 
ouvidos de um bom gramático isso pareça “estranho”, a comunicação entre 
cliente e comerciante não fica comprometida. O pasteleiro entrega para o 
cliente dois pastéis. Então, as regras devem ser desprezadas? De forma 
alguma, pois é preciso considerar que em outros contextos conhecer as regras 
é fundamental, por exemplo: no contexto de uma reunião de negócios em um 
restaurante de prestígio, essa mesma sentença “dois pastel” pode ser 
estigmatizada. 
Todo bom profissional precisa estudar as regras para ter condições de 
interagir nas diversas situações de comunicação. 
 
A TEORIA 
 
Concordância Nominal 
Segundo Terciotti (2013) a concordância nominal é o estudo da relação 
entre os substantivos e os seus determinantes (artigos, numerais, pronomes 
adjetivos e adjetivos), esses precisam concordar em número (singular e plural) 
e em gênero (masculino e feminino) com os substantivos a que se referem. 
Também a concordância se relaciona ao comportamento dos advérbios e de 
outras palavras ou expressões que são invariáveis, como as locuções 
adjetivas. 
As principais regras de concordância nominal são: 
78 
1- Se o adjetivo vier depois de dois substantivos, ele ficará no masculino plural 
ou concordará com o mais próximo. Nesse último caso o sentido será restrito 
apenas ao último substantivo. 
Ex: a) Estado e economia desenvolvidos; b) Ela possui futuro e carreira 
promissora. 
2 - Se o adjetivo vier antes de dois substantivos, poderá concordar tanto com o 
substantivo mais próximo como com todos. Nesse caso o sentido é estendido a 
todos os substantivos e não somente ao mais próximo. 
Ex: Comprei linda blusa e casaco. 
3 - O particípio dos verbos sempre concordará em gênero e número com o 
substantivo a que se refere. Com exceção os vocábulos salvo, visto e posto. 
Ex: a) Lidos os textos, respondam as perguntas; b) Salvo raras exceções, as 
comidas mexicanas têm muita pimenta. 
4 - O predicativo do sujeito e do objeto sempre concordarão com os elementos 
aos quais se referem. 
Ex: a) O casal era lindo; b) Os casais eram lindos. 
5 - As locuções adjetivas e os advérbios são invariáveis, por isso não 
concordam com os nomes aos quais se referem. 
Ex: a)Minha bolsa está junto com meu casaco. (locução adjetiva); 
b) Os sindicatos ficaram alerta. (advérbio de modo); Os rapazes alertas estão 
no grupo A. (alertas, nesse caso é adjetivo, por isso varia); Ela estava meio 
nervosa (advérbio); Bebi meia garrafa de água. (numeral, metade de algo); 
Compramos bastantes presentes. (Quando se refere a um substantivo e pode 
ser substituído por vários concorda com o substantivo); As práticas daqueles 
deputados são bastante duvidosas. (Quando se refere a um verbo ou a um 
adjetivo se puder ser substituído por muito será advérbio e permanecerá 
invariável). 
6 - Os adjetivos compostos apresentam apenas o segundo elemento 
concordando em gênero e número com o substantivo modificado por ele. 
Ex: a) Ano passado, visitamos as exposições luso-brasileiras; b) O presidente 
explicou os novos rumos da política econômico-financeira. 
7 - Quando a cor for simplesmente um adjetivo, a concordância será feita 
normalmente, com o adjetivo concordando em gênero e número com o 
substantivo modificado por ele. Ex: camisa branca; saias vermelhas; 
79 
Quando o nome da cor for um substantivo ou um adjetivo composto, no qual o 
segundo elemento é um substantivo, não haverá concordância. Com exceção 
da cor lilás que apresenta a forma plural lilases. 
Ex: Casacos vinho; Calças areia; Colares azul-piscina; Brincos verde-
esmeralda; vestidos laranja. 
Quando o nome da cor for um adjetivo composto, e o segundo elemento não 
for um substantivo, o primeiro elemento permanece invariável e o segundo 
concorda em gênero e número com o substantivo a qual se refere. Ex: Olhos 
verde-claros. 
Com exceção das cores azul-marinho, azul-celeste, cor-de-rosa, cor de carne 
são invariáveis. Ex: Casacos azul-marinho. 
8 - A expressão tal qual, o primeiro elemento – tal- concordará com seu 
antecedente e o segundo com eu consequente. 
Ex: a) A filha é tal qual a mãe; b) As filhas são tais qual a mãe; c) O filho é tal 
qual o pai; d) O filho é tal quais os pais. 
9 - As expressões mesmo, próprio, só, extra, junto, quite, obrigado, incluso, 
anexo concordam em gênero e número com os nomes aos quais se referem. 
Ex: Os alunos mesmos enviaram as atividades; Ela própria...; Eles próprios...; 
Nós próprios...; Edição extra; Trabalho duas horas extras; Eu fiquei quite e eles 
ficaram quites; Ela disse: muito obrigada; Ele disse muito obrigado; As faturas 
estão inclusas; Os relatórios estão inclusos; Segue anexa a relação; Seguem 
anexas as relações; 
10 - Os adjetivos bom, necessário, preciso, proibido, permitido permanecerão 
invariáveis, se empregados genericamente, mas concordarão com o 
substantivo a que se referem se este vier acompanhado de algum modificador 
(artigo, pronome etc.) 
Ex: Entrada é proibido; A entrada é proibida; É necessário paciência; É 
necessária a paciência; Água é bom para saúde; A água é boa para saúde; 
Não é permitido permanência neste local; Não é permitida a permanência neste 
local. 
 
 
 
 
80 
Concordância Verbal 
A concordância verbal se refere à concordância entre verbo e o sujeito 
da oração. O verbo deve concordar com o sujeito em número (singular e plural) 
e pessoa (1ª, 2ª e 3ª). Ex: Os brinquedos são novos; Erasmo e Roberto 
cantaram em programas de televisão.As principais regras de concordância verbal são: 
1 - Quando o núcleo do sujeito for constituído por um nome próprio plural 
(como Andes, Minas Gerais, Estados Unidos etc), antecedido de artigo também 
no plural, o verbo concordará com o artigo e não com o núcleo dos sujeito. Se 
não houver modificador o verbo ficará na terceira pessoa do singular. Se for 
título de obra poderá ficar tanto no singular como no plural. 
Ex: Os Estados Unidos são uma forte nação; Minas Gerais é um rico estado; 
Os Lusíadas são (ou é) a maior obra da literatura portuguesa. 
2 - Quando tivermos sujeitos coletivos, pode ocorrer concordância lógica com o 
sujeito ou com o componente mais próximo. 
Ex: Uma porção de processos foi arquivado (lógica); Uma porção de 
processos foram arquivados (proximidade). 
3 - Quando o sujeito for representado por um percentual, o verbo poderá 
concordar com o percentual ou com seus componentes, porém se vier 
acompanhado de um modificador o verbo concordará com o modificador. 
Ex: Sessenta por cento do senado aprovam (ou aprova) as novas medidas; 
Esses 40% da arrecadação serão aplicados na educação. 
4 - Quando o sujeito for constituído de um número fracionário, o verbo 
concordará com o numeral. 
Ex: Um terço das pessoas não chegou no horário; Dois terços das pessoas 
chegaram no horário. 
5 - Quando o sujeito for um pronome de tratamento, o verbo ficará na terceira 
pessoa do singular, se o pronome estiver no singular e na terceira pessoa do 
plural se estiver no plural. 
Ex: Sua Excelência recebeu uma bela homenagem; Suas excelências 
receberam uma bela homenagem. 
6 - Quando sujeito for cada um, o verbo ficará na terceira pessoa do singular. 
Ex: Cada um dos atores representa várias personagens; Cada um de nós fez 
o possível para salvar os objetos do incêndio. 
81 
7- Quando os verbos bater, soar, dar se referirem a horas, concordarão com o 
sujeito da oração. 
Ex: Deram cinco horas; Soou seis horas o relógio da igreja (sujeito relógio); Já 
soaram dez horas no relógio da copa (sujeito= dez horas). 
8 - a)Quando a oração apresentar verbos impessoais (verbos sem sujeito), os 
verbos ficarão na 3ª pessoa do singular. 
Ex: Havia muitos stands na exposição (haver no sentido de existir); Saiu há 
meia hora (impessoal indica tempo); 
b) Fazer indicando tempo passado ou fenômeno da natureza. 
Ex: Faz dois dias que cheguei de viagem; 
c) Chover, trovejar, anoitecer, que indicam fenômenos da natureza. 
Ex: Choveu a noite toda. 
d) Quando o verbo impessoal integrar uma locução verbal, o verbo antecedente 
também será influenciado pela impessoalidade, ficando na 3ª pessoa do 
singular. Quando o verbo haver adquirir o sentido de “ter, possuir” concordará 
com o sujeito. 
Ex: Deve haver muitas pessoas que não têm o que comer; Tinha havido 
alguns problemas em sua inscrição; A temperatura caiu e as crianças haviam 
(=tinham)deixado seus casacos em casa. 
 
RESUMO 
 
Conhecer as particularidades da concordância verbal e nominal contribui 
para articular linguagem de forma mais adequada com a norma padrão. Uma 
boa forma de aprender os diversos usos é praticar. 
 
A PRÁTICA 
 
1- Justifique a concordância verbal das seguintes sentenças: 
a) Um mês, um ano, um século não seria suficiente para fazê-la esquecer 
aquele amor. 
_______________________________________________________________ 
b) Inabilidade e inaptidão marcou a gestão desse prefeito. 
_______________________________________________________________ 
82 
c) A Lei Seca, os acidentes e as mortes, nada parece conscientizar os 
motoristas imprudentes. 
_______________________________________________________________ 
 
2 - Escolha a alternativa que preenche corretamente os espaços abaixo. 
Os Estados Unidos ________ o novo pacote econômico (aprovou/aprovaram). 
Fui eu quem ______ votar. (decidiu/decidi). 
________ dois anos que estive na Europa. (Faz/ Fazem). 
Deve ________ muitos ratos no porão. (haver/ haverem). 
 
3 - Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal. 
“Já ____ anos, ____neste local grande árvores. Hoje, só _____ arranha-céus”. 
( ) fazem/ havia/ existe 
( ) fazem/ haviam/ existe 
( ) fazem/ haviam/ existem 
( ) faz/ havia/ existem 
( ) faz/ havia/ existe 
 
4 - Identifique o sentido assumido pela concordância nominal. 
a) O Brasil comprou vinhos e flores argentinas. 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
 
b) O Brasil comprou vinhos e flores argentinos. 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
 
c) Sempre julguei a gerente e o diretor competente. 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
 
d) Sempre julguei competente a gerente e o diretor. 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
83 
 
5) Qual das sentenças a seguir está correta. Justifique sua resposta. 
a) A proteína de soja é boa para saúde. 
A proteína de soja é bom para a saúde. 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
 
b) A vendedora está meia cansada. 
A vendedora está meio cansada. 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
 
6 ) Assinale a alternativa que completa a lacuna corretamente. 
Elas ____ enviaram aos vendedores ________ as listas de preços atualizadas 
com ________ modificações. 
( ) mesma, anexa, bastante 
( ) mesmas, anexas, bastantes 
( ) mesma, anexas, bastante 
( ) mesmas, anexa, bastante 
( ) mesma, anexa, bastantes 
 
Referências 
TERCIOTTI, Sandra Helena. Português na prática. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 
2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
84 
Tema 4 
O uso na escrita 
 
Objetivos 
 
 
� Conhecer os aspectos essenciais para uma boa escrita; 
� Estudar a escrita como meio de comunicação. 
 
O TEXTO 
 
Você está num restaurante com nome francês. O cardápio é todo escrito 
em francês. Só o preço está em reais. Muitos reais. Você pergunta o que 
significa o nome de um determinado prato ao maître. Você tem certeza que o 
maître está se esforçando para não rir da sua pronúncia. O maître levará mais 
tempo para descrever o prato do que você para comê-lo, pois o que vem é uma 
pasta vagamente marinha em cima de uma torrada do tamanho aproximado de 
uma moeda de um real, embora custe mais de cem. Você come de um golpe 
só, pensando no que os operários são obrigados a comer. Com inveja. Sua 
acompanhante pergunta qual é o gosto e você responde que não deu tempo 
para saber. O prato principal vem trocado. Você tem certeza que pediu um 
"Boeuf à quelque chose" e o que vem é uma fatia de pato sem qualquer 
acompanhamento. Só. Bem que você tinha notado o nome: "Canard 
melancolique". Você a princípio sente pena do pato, pela sua solidão, mas 
muda de idéia quando tenta cortá-lo. Ele é um duro, pode aguentar. Quando 
vem a conta, você nota que cobraram pelo pato e pelo "boeuf' que não veio. 
Você: a) paga assim mesmo para não dar à sua acompanhante a impressão de 
que se preocupa com coisas vulgares como o dinheiro, ainda mais o brasileiro; 
b) chama discretamente o maître e indica o erro, sorrindo para dar a entender 
que, "Merde, alors", estas coisas acontecem; ou c) vira a mesa, quebra uma 
garrafa de vinho contra a parede e, segurando o gargalo, grita: "Eu quero o 
gerente e é melhor ele vir sozinho! 
Luís Fernando Veríssimo. 
http://www.releituras.com/lfverissimo_hoqueeho.asp1) Qual o objetivo do autor em criar novas palavras em suposto “francês”? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
85 
2) Em alguns momentos o autor faz uso de períodos bem curtos (Muitos reais/ 
O prato principal vem trocado/ Só/ Ele é um duro, pode aguentar), qual o intuito 
dele? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
 
O CONTEXTO 
 
A escrita é um meio de comunicar entre pessoas através do tempo e do 
espaço. A escrita pode servir para, mútua e concomitantemente, orientar 
atenção, alinhar pensamentos, coordenar ações e fazer negócios entre 
pessoas que não estão fisicamente co-presentes como também entre as que 
estão presentes. Essas realizações sociais dependem do texto para induzir 
significados apropriados nas mentes dos receptores, de forma que a escrita 
ativa mecanismos psicológicos pelos quais construímos sentidos e nos 
alinhamos com as comunicações de outros. 
Escrever é um complexo processo. É entrar em uma atividade mental 
localizada, de agregar as palavras que achamos mais apropriadas a nossa 
situação, papel e tarefa, somos absorvidos dentro do papel e da situação como 
um ator fica absorvido por um papel numa peça. E assim, nos tornamos mais 
responsivos a informações, ideias, memórias que são relevantes para o papel e 
a tarefa. Quanto mais desafiadora a tarefa de escrita, mais entramos nesse 
modo de assumir diferentes papéis. Como no texto de Luis Fernando 
Veríssimo, em que o autor entra no contexto, e cria novas palavras com o 
intuito de ironizar os altos preços da comida em restaurante francês. 
Nesse complexo processo interativo, emerge o texto. Esse próprio texto 
torna-se um elemento no processo, como algo a ser inspecionado e usado, 
como um enquadre para a ação continuada. Temos que viver com as 
consequências sociais do texto. Como é que as pessoas entendem nosso texto 
e como elas reagem? Isso é uma das coisas que tornamos conscientes na 
medida em que tentamos entender o que estamos fazendo, considerar nossas 
opções, monitorar nossas ações, tentar fazer escolhas efetivas dentro de 
86 
processos sociais e psicológicos, e construir um artefato textual. Quanto mais 
sabemos sobre nossas situações, as dinâmicas sociais e os processos 
psicológicos, as opções textuais e as conseqüências antecipáveis de nossas 
escolhas, mais inteligente e efetivamente podemos orquestrar nossas 
performances, mesmo na maneira como nos tornamos acessíveis e integramos 
elementos não conscientes e não racionais a ambos os processos de escrita e 
recepção. (BAZERMAN, Charles. Escrita, gênero e interação social. São Paulo: Cortez, 
2007. Fragmento). 
 
A TEORIA 
 
O trabalho de construir um texto pode ir muito além de formar sentenças 
e parágrafos sobre um tópico e de estabelecer uma sequência de enunciados 
para lidar com a tarefa que se tem em mãos. Muitos elementos podem ter de 
ser integrados ao texto. Dependendo do gênero em que o escritor está 
escrevendo, ele pode ser considerado completamente responsável por integrar 
apropriadamente elementos específicos ao texto ou à sua produção; ele pode 
ser chamado a justificar por não incluir ou até levar em consideração elementos 
esperados. Outros desses elementos podem ser escolhas acidentais do 
escritor. 
Em ambos os casos, integrar múltiplos elementos ao texto requer que o 
escritor se engaje em relações complexas com a memória, documentos em 
volta, artefatos e pessoas. O escritor tem de coletar, selecionar, avaliar, 
analisar, sintetizar e tirar conclusões dos materiais; depois, o escritor também 
tem de descobrir quais desses elementos devem estar disposto e como eles 
devem ser funcionalmente usados dentro da estrutura retórica do texto. 
(BAZERMAN, 2007, p. 59-60). 
Para esse tópico em questão vamos trabalhar o gênero artigo 
acadêmico. Esse gênero é o meio utilizado para divulgação das pesquisas e 
trabalhos desenvolvidos ao longo da vida acadêmica. O artigo utiliza uma 
linguagem concisa, correta e clara (KOCHE, BOFF; PAVANI, 2009). É preciso 
coerência na exposição das ideias e na argumentação, também coesão entre 
os elementos e parágrafos sem esquecer a fidelidade às fontes. 
 
87 
Estrutura do artigo 
 
Identificação: Título do trabalho: deve ser claro, sucinto, apresentando o 
estudo; Autor: a pessoa que fez o estudo e escreveu o artigo, localizado logo 
após o título e à direita da página; Qualificação do autor (profissional e 
acadêmica): coloca-se em forma de nota de rodapé. 
Resumo (ou abstract) e palavras-chave: O resumo consiste em uma síntese 
do que foi pesquisado, da metodologia utilizada e dos resultados alcançados. 
As palavras-chave são as expressões que concentram o tema do texto. 
Corpo do artigo: O corpo do artigo apresenta a situação-problema 
(introdução), a discussão e a solução-avaliação. 
Introdução: orienta o leitor, apresentando a situação problema (dúvida 
investigada), os objetivos e afirmações opcionais que justificam a importância 
da pesquisa. Essa parte introdutória mostra o panorama metodológico e faz 
referência à organização do trabalho, ou seja, as partes que o compõem. 
Fundamentação Teórica: Apanhado de teorias que ajudam a fundamentar a 
argumentação do pesquisador. 
Discussão: Nesse ponto, se expõe e se discute as informações que foram 
utilizadas para entender e esclarecer o problema, fundamentado pela 
argumentação das teorias expostas e autores consultados. 
Conclusão: Apresenta comentários finais, apontando as respostas ao 
problema investigado, as conclusões alcançadas e/ou limites do estudo 
desenvolvido. 
Referências: Listam-se as referências bibliográficas pertinentes a todas as 
citações feitas, de acordo com as normas da ABNT. 
 
Etapas para a produção de um artigo 
 
Delimitação do problema; seleção da bibliografia sobre o assunto; elaboração 
de abordagem para a análise do assunto; elaboração do esquema de trabalho; 
elaboração do resumo dos tópicos e da análise pessoal; organização das 
anotações na ordem apresentada no esquema; o tempo verbal mais indicado é 
o presente do indicativo; escrita da primeira versão do trabalho; revisão da 
88 
escrita; submissão do artigo ao orientador; escrita da 
versão final (KOCHE, BOFF; PAVANI, 2009, p. 130). 
Para redigir os objetivos no artigo acadêmico faz-
se uso de substantivos e verbos como: contribuir, propor, 
discutir, tratar, avaliar, comparar, debater, analisar, tentar, 
procurar, pretender, visar, intuito, fim, propósito, objetivo. 
Exemplos de objetivos: 
a)O propósito central da discussão será debater uma das questões mais 
polêmicas resultantes da.....; b) O presente artigo propõe-se a levantar 
questões relacionadas a .... (KOCHE, BOFF; PAVANI, 2009, p. 131). 
https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRXhBZUIAXXQQjzrm3NdNKpmu3Tv7soP3T6O-
XphGpohFLUcMTERA 
 
RESUMO 
 
Escrever não é uma dádiva, como alguns possam imaginar, ao contrário 
disso é um complexo processo consciente de produção. Esse processo 
demanda tempo e prática. Quanto mais se praticar, mais habilidade irá se 
adquirir. Essa é uma boa oportunidade para começar a escrever. Vamos 
praticar. 
 
A PRÁTICA 
 
Leia a introdução de um artigo acadêmico e resolva as questões. 
Em nossa prática docente, com alunos de 3º grau, constatamos que eles 
não têm o hábito de reescrever seus textos. Ocupam-se geralmente com as 
correções de superfície e, muito raramente, com a mudança de conteúdo. As 
operações de revisão que eles realizam são de mera correçãoortográfica. 
O presente artigo tem o propósito de discutir a importância da reescrita 
como uma etapa da produção textual, sem a qual o texto não se completa. É 
importante abordar a questão, uma vez que essa prática é um momento do 
processo construtivo de um texto, considerado como um trabalho que envolve 
interação, análise, reflexão e recriação. Esse estudo tem como fundamentos 
teóricos as contribuições de Bakthin (1981), Fiad e Mayrink-Sabinson (1993), 
89 
Geraldi (1997), Guedes (1994), Halté (1989), Kato (1990), Petitjean (1994), 
Orlandi(1988), Pécora (1992) e Koche (1996). 
O trabalho apresenta inicialmente reflexões teóricas sobre língua, 
linguagem e texto na perspectiva interacionista; em seguida, aborda a reescrita 
como elemento indispensável na produção de um texto e, por último, trata da 
atuação pedagógica envolvida nesse processo. (PAVANI, Cinara Ferreira; 
BOFF, Odete M. Benetti; KOCHE, Vanilda Salton. Reescrita: processo de 
produção textual. Espaço pedagógico. Passo fundo: Universidade de Passo 
Fundo, v. 8, n.2, p. 13-14, dez. 2001). 
 
1) Qual é a situação- problema apresentada pelo artigo? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
2) Qual é a justificativa? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
3) Qual o objetivo do artigo? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
4) Cite os autores que fundamentam o estudo proposto no artigo. 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
90 
 
5) Aponte no texto a parte que orienta o leitor em relação à organização do 
artigo. 
 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
Referências 
BAZERMAN, Charles. Escrita, gênero e interação social. São Paulo: Cortez, 
2007. 
KOCHE, Vanilda Salton; BOFF, Odete Maria Benetti; PAVANI, Cinara Ferreira. 
Prática Textual. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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� Estudar os aspectos linguísticos e extralinguísticos do texto na produção 
de sentido; 
� Praticar a interpretação textual de forma critica e reflexiva
 
O TEXTO 
http://rotadosconcursos.com.br/sistema/public/imagens_provas/5390/03.gif
 
1) O texto acima corresponde a que gênero?
2) Qual a relação do texto verbal e do texto visual?
3) Na sua opinião, porque o autor do texto escolheu essa imagem?
 
 
 
 
Tema 5 
Estudos do Texto 
Objetivos 
s aspectos linguísticos e extralinguísticos do texto na produção 
Praticar a interpretação textual de forma critica e reflexiva; 
 
http://rotadosconcursos.com.br/sistema/public/imagens_provas/5390/03.gif 
O texto acima corresponde a que gênero? 
Qual a relação do texto verbal e do texto visual? 
sua opinião, porque o autor do texto escolheu essa imagem?
s aspectos linguísticos e extralinguísticos do texto na produção 
 
sua opinião, porque o autor do texto escolheu essa imagem? 
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O CONTEXTO 
 
Todos têm dificuldades com interpretação de textos. Encare isso como 
algo normal, inevitável. Importante é enfrentar a questão e, com segurança, 
progredir. Aliás, progredir muito. Leia com atenção os itens abaixo. 
1) Desenvolva o gosto pela leitura. Leia de tudo: jornais, revistas, livros, textos 
publicitários, bulas de remédios etc. Mas leia com atenção, tentando 
pacientemente, apreender o sentido. O mal é “ler por ler”, para se livrar. 
2) Aumente o seu vocabulário. Os dicionários são amigos que precisamos 
consultar. 
3) Não se deixe levar pela primeira impressão. Há textos que metem medo. Na 
realidade, eles nos oferecem um mundo de informações que nos fornecerão 
grande prazer interior. Abra a sua mente e o seu coração para o que o texto lhe 
transmite, na qualidade de um amigo silencioso. 
4) Ao fazer uma prova qualquer, leia o texto duas ou três vezes, atentamente, 
antes de tentar responder a qualquer pergunta. Primeiro, e preciso captar sua 
mensagem, entendê-lo como um todo, e isso não pode ser alcançado com uma 
simples leitura. Dessa forma, leia-o algumas vezes. À cada leitura, novas ideias 
serão assimiladas. Tenha a paciência necessária para agir assim, Só depois 
tente resolver as questões propostas. 
5) As questões de interpretação podem ser localizadas (por exemplo, voltadas 
só para um determinado trecho) ou referir-se ao conjunto, as ideias gerais do 
texto. No primeiro caso, leia não apenas o trecho (às vezes uma linha) referido, 
mas todo o parágrafo em que ele se situa. Lembre-se: quanto mais você ler, 
mais entenderá o texto. Tudo é uma questão de costume, e você vai 
acostumar-se a agir dessa forma. Então – acredite nisso- alcançará seu 
objetivo. 
6) Há questões que pedem conhecimento fora do texto. Por exemplo, ele pode 
aludir a uma determinada personalidade da história ou atualidade, e ser 
cobrado do aluno ou candidato o nome dessa pessoa ou algo que ela tenha 
feito. Por isso, é importante desenvolver o hábito da leitura, como já foi dito. 
Procure estar atualizado. (AQUINO, Renato. Interpretação de Textos. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2005. Fragmento.) 
 
93 
A TEORIA 
 
Interpretar um texto é identificar sua ideia principal e a partir dai suas 
ideias secundárias, argumentações ou explicações que levem ao 
esclarecimento do texto. No processo interpretativo tudo o que aprendemos ao 
longo da vida, por meio dos sentidos ou na escola, vem à tona e contribui para 
a construção do sentido. Isso significa conhecimento histórico, literário, 
gramatical, semântico, pragmático entre outros. 
Em provas de concurso, a interpretação é primordial para um bom 
resultado, por isso é importante ficar atento e entender que interpretar é um 
processo consciente que exige investimento e prática. 
Vamos ver alguns erros ao interpretar um texto que podem ser evitados. 
a) Extrapolação: acontece quando o leitor sai do contexto introduzindo ideias 
que não aparecem no texto. 
b) Redução: ao contrário da extrapolação, significa se atentar a apenas um 
aspecto do texto, esquecendo-se que são todos os aspectos textuais que 
constroem o sentido. 
c) Contradição: pode acontecer quando o texto apresenta ideias contrárias as 
do candidato, fato esse que acaba incentivando o candidato a tirar conclusões 
equivocadas. 
Vamos refletir sobre algumas dicas para interpretação textual. 
 
01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto; 
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá até o 
fim, ininterruptamente; (Procure, através do contexto, entender o sentido da 
palavra) 
03. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas; 
04. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar; 
05. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor; 
06. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compreensão; 
07. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto 
correspondente; 
08. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão; 
09. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de...), não, correta, 
incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que 
aparecemnas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se 
perguntou e o que se pediu; 
10. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais exata ou 
a mais completa; 
94 
11. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de lógica 
objetiva; 
12. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais; 
13. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta, mas a 
opção que melhor se enquadre no sentido do texto; 
14. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a resposta; 
15. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor, definindo 
o tema e a mensagem; 
http://professordiegolucas.blogspot.com.br/2012/03/como-interpretar-um-texto.html Acesso 31/08/2015 
 
RESUMO 
 
Estudar um texto é mais do que apenas ler, a leitura é o passo inicial, 
que convoca dentro do processo cognitivo tudo o que se está armazenado e 
interligado nesse emaranhado de sentido, adquirido pelas vivências ao longo 
da vida. É o verbal e o visual que motivam e conduzem esse processo. É algo 
rápido, complexo e que precisa ser gerenciado pelo consciente. Para um bom 
gerenciamento é preciso muita leitura e prática, em um ousado vai e vem de 
erros e acertos. Quanto mais praticar mais próximo estará de alcançar o 
sentido de um determinado texto. 
 
A PRÁTICA 
 
Leia os textos abaixo e responda as questões: 
 
http://2.bp.blogspot.com/-LhoC3nZJYvQ/TlMGQMjcXHI/AAAAAAAAABg/095fCFf7X6k/s1600/escolhacelta.jpg 
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1- Qual o objetivo desse anúncio? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
2 - Como o humor é mostrado nesse anúncio? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
Legisladores do mundo se comprometem 
a alcançar os objetivos da Rio+20 
 
 3 - (ENADE 2012- Administração) Reunidos na cidade do Rio de Janeiro, 300 
parlamentares de 85 países se comprometeram a ajudar seus governantes a 
alcançar os objetivos estabelecidos nas conferências Rio+20 e Rio 92, assim 
como a utilizar a legislação para promover um crescimento mais verde e 
socialmente inclusivo para todos. Após três dias de encontros na Cúpula 
Mundial de Legisladores, promovida pela GLOBE International uma rede 
internacional de parlamentares que discute ações legislativas em relação ao 
meio ambiente, os participantes assinaram um protocolo que tem como objetivo 
sanar as falhas no processo da Rio 92. Em discurso durante a sessão de 
encerramento do evento, o vice presidente do Banco Mundial para a América 
Latina e o Caribe afirmou: “Esta Cúpula de Legisladores mostrou claramente 
que, apesar dos acordos globais serem úteis, não precisamos esperar. 
Podemos agir e avançar agora, porque as escolhas feitas hoje nas áreas de 
infraestrutura, energia e tecnologia de terminarão o futuro”. Disponível em: 
<www.worldbank.org/pt/news/2012/06/20>.Acesso em: 22 jul. 2012 (adaptado). 
 
O compromisso assumido pelos legisladores, explicitado no texto acima, é 
condizente com o fato de que 
 
A os acordos internacionais relativos ao meio ambiente são autônomos, não 
exigindo de seus signatários a adoção de medidas internas de implementação 
para que sejam revestidos de exigibilidade pela comunidade internacional. 
B a mera assinatura de chefes de Estado em acordos internacionais não 
garante a implementação interna dos termos de tais acordos, sendo 
96 
imprescindível, para isso, a efetiva participação do Poder Legislativo de cada 
país. 
C as metas estabelecidas na Conferência Rio 92 foram cumpridas devido à 
propositura de novas leis internas, incremento de verbas orçamentárias 
destinadas ao meio ambiente e monitoramento da implementação da agenda 
do Rio pelos respectivos governos signatários. 
D a atuação dos parlamentos dos países signatários de acordos internacionais 
restringe-se aos mandatos de seus respectivos governos, não havendo relação 
de causalidade entre o compromisso de participação legislativa e o alcance dos 
objetivos definidos em tais convenções. 
E a Lei de Mudança Climática aprovada recentemente no México não impacta 
o alcance de resultados dos compromissos assumidos por aquele país de 
reduzir as emissões de gases do efeito estufa, de evitar o desmatamento e de 
se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. 
 
4 - (ENADE 2013 Tecnologia e gestão hospitalar) 
Todo caminho da gente é resvaloso. 
Mas também, cair não prejudica demais 
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!... 
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: 
Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, 
Sossega e depois desinquieta. 
O que ela quer da gente é coragem. 
Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da 
alegria, 
E ainda mais alegre no meio da tristeza... 
ROSA, J.G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. 
http://img1.oncoloring.com/hunting-two-hunters-in-a-_499aac2ad1d69-p.gif 
 
De acordo com o fragmento do poema acima, de Guimarães Rosa, a vida é 
 
A uma queda que provoca tristeza e inquietude prolongada. 
B um caminhar de percalços e dificuldades insuperáveis. 
C um ir e vir de altos e baixos que requer alegria perene e coragem. 
D um caminho incerto, obscuro e desanimador. 
E uma prova de coragem alimentada pela tristeza 
 
 5 - (ENADE, 2013 Tecnologia e gestão hospitalar) 
 
97 
A discussão nacional sobre a resolução das complexas questões sociais 
brasileiras e sobre o desenvolvimento em bases sustentáveis tem destacado a 
noção de corresponsabilidade e a de complementaridade entre as ações dos 
diversos setores e atores que atuam no campo social. A interação entre esses 
agentes propicia a troca de conhecimento das distintas experiências, 
proporciona mais racionalidade, qualidade e eficácia às ações desenvolvidas e 
evita superposições de recursos e competências. De uma forma geral, esses 
desafios moldam hoje o quadro de atuação das organizações da sociedade 
civil do terceiro setor. No Brasil, o movimento relativo a mais exigências de 
desenvolvimento institucional dessas organizações, inclusive das fundações 
empresariais, é recente e foi intensificado a partir da década de 90. 
BNDES. Terceiro Setor e Desenvolvimento Social. Relato Setorial nº 3 AS/GESET. Disponível em: 
<http://www.bndes.gov.br>.Acesso em: 02 ago. 2013 (adaptado). 
 
De acordo com o texto, o terceiro setor 
 
A é responsável pelas ações governamentais na área social e ambiental. 
B promove o desenvolvimento social e contribui para aumentar o capital social. 
C gerencia o desenvolvimento da esfera estatal, com especial ênfase na 
responsabilidade social. 
D controla as demandas governamentais por serviços, de modo a garantir a 
participação do setor privado. 
E é responsável pelo desenvolvimento social das empresas e pela dinamização 
do mercado de trabalho 
 
6 - (ENADE 2013 Tecnologia e gestão hospitalar) 
Uma revista lançou a seguinte pergunta em um editorial: “Você pagaria um 
ladrão para invadir sua casa?”. As pessoas mais espertas diriam 
provavelmente que não, mas companhias inteligentes de tecnologia estão, 
cada vez mais, dizendo que sim. Empresas como a Google oferecem 
recompensas para 
hackersque consigam encontrar maneiras de entrarem seus softwares. Essas 
companhias frequentemente pagam milhares de dólares pela descoberta de 
apenas um bug– o suficiente para que a caça a bugs possa fornecer uma 
renda significativa. As empresas envolvidas dizem que os programas de 
98 
recompensa tornam seus produtos mais seguros. “Nós recebemos mais relatos 
de bugs, o que significa que temos mais correções, o que significa uma melhor 
experiência para nossos usuários”, afirmou o gerente de programa de 
segurança de uma empresa. Mas os programas não estão livresde 
controvérsias. Algumas empresas acreditam que as recompensas devem 
apenas ser usadas para pegar cibercriminosos, não para encorajar as pessoas 
a encontrar as falhas. E também há a questão de double-dipping – a 
possibilidade de um hackerreceber um prêmio por ter achado a vulnerabilidade 
e, então, vender a informação sobre o mesmo 
bug para compradores maliciosos. 
Disponível em: <http://pcworld.uol.com.br>. Acesso em: 30 jul. 2013 (adaptado). 
 
Considerando o texto acima, infere-se que 
 
A os caçadores de falhas testam os softwares, checam os sistemas e previnem 
os erros antes que eles aconteçam e, depois, revelam as falhas a compradores 
criminosos. 
B os caçadores de falhas agem de acordo com princípios éticos consagrados 
no mundo empresarial, decorrentes do estímulo à livre concorrência comercial. 
C a maneira como as empresas de tecnologia lidam com a prevenção contra 
ataques dos cibercriminosos é uma estratégia muito bem-sucedida. 
D o uso das tecnologias digitais de informação e das respectivas ferramentas 
dinamiza os processos de comunicação entre os usuários de serviços das 
empresas de tecnologia. 
E os usuários de serviços de empresas de tecnologia são beneficiários diretos 
dos trabalhos desenvolvidos pelos caçadores de falhas contratados e 
premiados pelas empresas 
 
7- (ENADE 2013 Tecnologia e gestão hospitalar) 
Uma sociedade sustentável é aquela em que o desenvolvimento está integrado 
à natureza, com respeito à diversidade biológica e sociocultural, exercício 
responsável e consequente da cidadania, com a distribuição equitativa das 
riquezas e em condições dignas de desenvolvimento. Em linhas gerais, o 
projeto de uma sociedade sustentável aponta para uma justiça com equidade, 
distribuição das riquezas, eliminando-se as desigualdades sociais; para o fim 
99 
da exploração dos seres humanos; para a eliminação das discriminações de 
gênero, raça, geração ou de qualquer outra; para garantir a todos e a todas os 
direitos à vida e à felicidade, à saúde, à educação, à moradia, à cultura, ao 
emprego e a envelhecer com dignidade; para o fim da exclusão social; para a 
democracia plena. 
TAVARES, E. M. F. Disponível em:<http://www2.ifrn.edu.br>. Acesso em: 25 jul. 2013 (adaptado). 
Nesse contexto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. 
I. Os princípios que fundamentam uma sociedade sustentável exigem a adoção 
de políticas públicas que entram em choque com velhos pressupostos 
capitalistas. 
PORQUE 
II. O crescimento econômico e a industrialização, na visão tradicional, são 
entendidos como sinônimos de desenvolvimento, desconsiderando-se o caráter 
finito dos recursos naturais e privilegiando-se a exploração da força de trabalho 
na acumulação de capital. A respeito dessas asserções, assinale a opção 
correta. 
 
A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa 
correta da I. 
B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma 
justificativa correta da I. 
C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. 
D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. 
E As asserções I e II são proposições falsas. 
 
Referências 
AQUINO, Renato. Interpretação de Textos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 
 
 
 
 
 
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