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HISTÓRIA DO BRASIL II12
UNIMES VIRTUAL
Aula: 01
Temática: O contexto do século XVIII
Primeiramente, devemos analisar o contexto europeu do fi-
nal do século XVIII e todo o conjunto de ações que repercu-
tiram diretamente na América Latina e, conseqüentemente, 
no Brasil. Entre as principais transformações ocorridas nesse período po-
demos citar: a Independência dos Estados Unidos — antiga colônia ingle-
sa — em 1776, e a Revolução Francesa em 1789.
No campo econômico, começava a surgir a Revolução Industrial inglesa, a 
qual iria abalar todo o sistema mercantilista. Segundo Boris Fausto, a cria-
ção de novas fontes de energia, o surgimento e aparelhamento industrial 
e um eficiente desenvolvimento agrícola, colaboraram para transformar a 
Inglaterra na maior potência mundial do período. Colaboraram para isso 
a ampliação do seu mercado consumidor, a utilização de tarifas protecio-
nistas para seus produtos e os acordos comerciais feitos, principalmente, 
com as Américas espanhola e portuguesa.
A independência norte-americana e a Revolução Francesa ressoaram por 
toda a Europa e também nas Américas, o que influenciou ideologica e poli-
ticamente vários paises, entre eles o Brasil. Isso mudou as relações entre 
metrópole e colônia e abriu espaço para o surgimento de movimentos de 
independência nas colônias e de adaptação do sistema liberal, porém, não 
de modo homogêneo em todos os novos países.independentes. 
O Brasil colônia no final do século XVIII: início da administração 
pombalina
Devemos analisar como esses fatos repercutiram em Portugal e no Brasil 
colônia. Nesse período, Portugal não caminhava igualmente como seus 
vizinhos europeus. Era um país com certo atraso no desenvolvimento 
econômico, pois vivia em constante conflito com a Espanha e dependia 
da Inglaterra, em vários sentidos, inclusive para a proteção militar. .Essa 
proteção era interessante para a Inglaterra, que via o Brasil como um 
importante mercado para exportação de produtos e aquisição de matérias-
primas ou produtos tropicais. 
A ascensão de Dom José I ao trono português, em 1750, trouxe grandes 
mudanças para o Brasil, principalmente após a nomeação do ministro Se-
bastião José de Carvalho e Melo — mais conhecido como Marquês de 
HISTÓRIA DO BRASIL II 13
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Pombal. No período de 27 anos em que esteve no governo português, 
tentou tornar mais eficiente a administração e política portuguesa, além 
de melhorar o aproveitamento das colônias portuguesas.
 
No Brasil, Pombal criou duas companhias de comércio: 
Grão Pará-Maranhão, em 1755, e a Pernambuco-Paraíba, 
em 1759. O objetivo da Companhia de Comércio do Grão 
Pará era transformar e desenvolver a região Norte, onde se poderia desen-
volver e produzir produtos que eram consumidos e apreciados em vários 
locais da Europa. Entre eles, pode-se destacar o cacau e o algodão, que 
poderiam ser transportados pelos navios da companhia. A companhia de 
Pernambuco-Paraíba tinha a mesma proposta da primeira, só que na re-
gião Nordeste — a idéia era aproveitar a posição geográfica da região 
mais próxima da Europa.
A política implementada por Pombal prejudicou alguns setores e privile-
giou outros. O seu programa econômico sofreu alguns reveses:
O programa econômico de Pombal foi em grande me-
dida frustrado porque, em meados do século XVIII, a 
Colônia entrou em um período de depressão econômi-
ca que se prolongou até o fim da década de 1770. As 
principais causas da depressão foram a crise do açú-
car e, a partir de 1760, a que da produção do ouro. Ao 
mesmo tempo que as rendas da Metrópole caíram, 
cresciam as despesas extraordinárias destinadas a 
reconstruir Lisboa, destruída por um terremoto em 
1755, e a sustentar as guerras contra a Espanha, pelo 
controle da extensa região que ia do sul de São Paulo 
ao Rio da Prata (FAUSTO, 1995, p. 110)
 
Um dos pontos fortes da política pombalina foi diminuir a de-
pendência de Portugal em relação às importações e aos pro-
dutos industrializados, principalmente os ingleses, o que pro-
moveu um incentivo para instalar manufaturas na metrópole e até mesmo na 
colônia brasileira. Pombal promoveu várias mudanças político-administrati-
vas no Brasil - algumas polêmicas que iremos tratar na aula seguinte.
HISTÓRIA DO BRASIL II14
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Aula: 02
Temática: Medidas controversas e o final 
 da administração pombalina
 
Uma das medidas implementadas por Pombal foi a transfe-
rência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro. Outra 
medida foi a organização e o apoio para a formação de cien-
tistas e pesquisadores para estudar os vários recursos naturais das terras 
brasileiras, com o principal objetivo de levantar produtos interessantes e 
comercializáveis. O estímulo inicial foi dado para as ciências naturais. Um 
grande número de estudiosos formados, principalmente, na Universidade 
de Coimbra ou de Lisboa, tinham como tarefa estudar várias regiões brasi-
leiras e analisar a possibilidade de produção e extração de matéria-prima 
para a metrópole, indo do potencial agrícola ao mineral. A importância 
dos roteiros produzidos, no final do século XVIII, e das informações neles 
contidas está analisada no texto abaixo: 
Esses relatórios de viagem devem ser estudados 
como mais de um aspecto da tomada de contato dos 
brasileiros com a realidade de sua terra, embora não 
se destinassem a serem divulgados, mas apenas a 
servir de instrução ao governo, dada a política de sigi-
lo e a intenção de Portugal de manter o Brasil fechado 
para o mundo [...]. (DIAS, 2005, p. 71)
 
Uma das mais polêmicas medidas da administração pom-
balina foi a expulsão dos jesuítas de Portugal e suas terras, 
incluindo o Brasil. A expulsão foi feita pela lei de 3 de setem-
bro de 1759, que rompeu com uma relação de mais de duzentos anos entre 
os religiosos e a coroa portuguesa. Podemos considerar a ação política 
portuguesa a partir do seguinte ponto de vista: o objetivo da medida era 
centralizar a administração e impedir ações livres, como a da Companhia 
de Jesus, cuja atuação nem sempre condizia com os interesses da coroa. 
É preciso lembrar que a expulsão dos jesuítas não foi um ato isolado da 
coroa portuguesa. Na mesma época, a Companhia de Jesus foi banida de 
vários países da Europa. 
Isso nos leva a outra questão importante que pode ter contribuído para a 
medida: a expulsão dos jesuítas foi acompanhada pelo confisco dos bens de 
uma das mais ricas ordens da Igreja. Portugal confiscou as extensas proprie-
dades que eram pontos estratégicos de fronteira, e as propriedades urbanas 
foram leiloadas para grandes detentores de terras e ricos comerciantes.
HISTÓRIA DO BRASIL II 15
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Finalmente, devemos citar a extinção da escravidão indígena pelas leis de 
1755 e 1758. A intenção de Portugal com isso era integrar os indígenas 
à civilização portuguesa, para um maior controle de áreas afastas, e im-
pedir rebeliões dos cativos. Foi autorizado também o casamento entre os 
brancos e índios, algo que não visto com bons olhos pelos jesuítas. Desse 
modo, várias aldeias seriam transformadas em vilas e seriam administra-
das pelo poder regional ligado a Portugal. 
 
O afastamento dos jesuítas acarretou um grande problema 
relacionado ao ensino na colônia, pois, diferentemente da 
coroa espanhola, a portuguesa não via com bons olhos o 
surgimento de uma elite letrada no Brasil. Desde meados do século XVI, 
a América Espanhola já possuía algumas universidades no Peru e no Mé-
xico, enquanto, no Brasil, os grandes proprietários e comerciantes tinham 
de enviar seus filhos para estudar em Portugal ou em outros países da 
Europa, uma vez que em território brasileiro as primeiras faculdades surgi-
ram somente no século XIX. Os poucos locais de ensino podiam ser encon-
trados em seminários, como no caso de Olinda e nos chamadosclubes 
intelectuais no Rio de Janeiro e Bahia. (FAUSTO, 2003, p. 112)
 
As medidas impostas pelo marquês de Pombal aos jesuítas 
estavam, de certo modo, ligadas a um movimento de con-
trole sobre as instituições sociais que apresentavam uma 
certa dependência ou autonomia e algum poder. Tais medidas contaram 
com o apoio da Igreja e do Papa Clemente XIV, que extinguiu a Companhia 
de Jesus em 1773. A companhia de Jesus voltou à cena religiosa apenas 
em 7 de agosto de 1814.
O marquês de Pombal foi destituído quando Dona Maria I assumiu o trono 
em 1777. Ele foi acusado por roubo e fraude, julgado culpado e desterrado 
em 1781.
HISTÓRIA DO BRASIL II16
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Aula: 03
Temática: Reinado de Dona Maria e os movimentos 
 de rebeldia na colônia
 
Com o reinado de Dona Maria I, iniciou-se um período de mu-
danças no âmbito político e administrativo em Portugal e suas 
colônias: foram extintas as companhias de comércio, proibi-
das fábricas ou manufaturas de tecidos na colônia — à exceção da tecela-
gem rústica dos panos usados para o vestuário dos escravos africanos. 
Durante o reinado de Dona Maria I, tentou-se continuar ou aprofundar as 
reformas político-administrativas com o objetivo de lançar Portugal nos 
novos rumos da economia ocidental e proteger o colonialismo mercantil. 
Alguns setores da economia se salvaram, o que gerou um certo impulso 
nos anos posteriores, beneficiados principalmente por fatores ocorridos no 
panorama mundial e pelo pioneirismo português:
O reinado de Dona Maria I e do Príncipe Regente Dom 
João, ao contrário do anterior, beneficiou-se de uma 
conjuntura favorável à reativação das atividades agrí-
colas da Colônia: a produção de açúcar valorizou-se 
e se expandiu, favorecida pela insurreição dos escra-
vos em São Domingos. Além disso, uma nova cultura 
ganhou força. O algodão, desenvolvido pela compa-
nhia de comércio pombalina e incentivado pela guer-
ra de independência dos Estados Unidos, transformou 
o Maranhão, por algum tempo, na mais próspera da 
América portuguesa (FAUSTO, op. cit, p. 113 )
Primeiros movimentos de independência e rebeldia
Os acontecimentos ocorridos no mundo ocidental geraram e influenciaram 
vários movimentos de rebeldia em algumas regiões do Brasil, nas últimas 
décadas do período colonial. Não devemos confundi-los com revoltas que 
pretendiam a emancipação de Portugal ou com movimentos homogêneos 
e com uma linha ideológica definida. Em geral, foram contestações e rebe-
liões de âmbito regional e de caráter distinto, principalmente, porque ainda 
não havia no Brasil a idéia de nação integrada e interligada. Entre essas re-
voltas estão a Inconfidência Mineira, 1789; Conjuração de Alfaiates, 1798; 
a Revolução de Pernambuco, 1817 — já com a família real no Brasil.
Os movimentos separatistas foram surgindo, principalmente, a partir do 
descontentamento dos setores da sociedade colonial, cujos interesses 
passaram a ser prejudicados pelos interesses da metrópole. As camadas 
HISTÓRIA DO BRASIL II 17
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que mais contestaram a relação com a metrópole foram os grandes pro-
prietários de terras e de escravos, comerciantes, artesãos, militares de 
baixa patente, além de órgãos político-administrativos.
 
A influência ideológica vinha principalmente da França e 
do liberalismo, além da Revolução Americana. Porém, de-
vemos tomar cuidado ao analisar as idéias impetradas por 
essas revoltas, pois elas eram apropriadas pelas elites locais e utilizadas 
segundo seus interesses. Esse arcabouço intelectual era usado muitas ve-
zes como justificativa que camuflava os interesses da elite regional.
Devemos nos lembrar:
Esses movimentos não podem ser usados como exemplos do surgimento 
da consciência nacional. São revoltas com objetivos distintos e de regiões 
diferentes, desencadeados por mineiros, pernambucanos, baianos, aristo-
cratas e a população humilde, com identidades e sentimentos de pertenci-
mento regional, não existia a idéia de ser brasileiro no contexto de nação. 
Seriam etapas pelas quais a sociedade brasileira passou até a atingir a 
consciência de nação e sua identificação com ela.
 
Nas próximas aulas iremos estudar e analisar as duas mais 
importantes revoltas acontecidas no final do século XVIII, 
que repercutiram em movimentos posteriores, durante o sé-
culo XIX e, até mesmo, no início da República. 
HISTÓRIA DO BRASIL II18
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Aula: 04
Temática: Inconfidência Mineira
A Inconfidência Mineira, como foi dito anteriormente, foi uma 
revolta de caráter regional, isto é, movida pelos interesses da 
elite local em relação à administração portuguesa da região. 
A revolta envolveu personalidades da elite local e contou com o apoio da 
uma tropa regular que estava aquartelada na região. Entre os integrantes es-
tavam alguns dos homens mais ricos e de grande reputação da capitania. 
Os problemas haviam começado durante o governo de Pombal, quando a 
sociedade mineira entrou em crise, principalmente, pela queda da produ-
ção do ouro na região e pela política de arrocho fiscal da metrópole, que 
insistiu na cobrança do quinto, apesar da queda na produção do ouro, 
forçando cada habitante a contribuir como uma cota adicional. 
O alferes Joaquim José da Silva Xavier era uma exceção entre os inte-
grantes abastados. Entrara na carreira militar, em 1775, com o posto in-
ferior e inicial do regimento. Exercia o ofício de dentista, surgindo, assim, 
o apelido de Tiradentes. Dentro da conspiração, Tiradentes teve um papel 
fundamental. Por meio do seu secundário ofício comunicava-se com a 
elite mineira sem levantar suspeitas. Tinha também como função instigar 
a população a apoiar o levante.
Todos os principais integrantes tinham motivos pessoais para o levante. 
Sentiam-se acuados e ameaçados de perder seus patrimônios por força 
das ordens de Martinho de Melo e Castro, ministro da rainha Dona Maria 
I e pela mudança de governador na província em 1782. Luís da Cunha 
Menezes, o novo governador, exigia a cobrança do pagamento das dívidas 
atrasadas e contraídas pela elite mineira. Tiradentes, por sua vez, sentiu-se 
prejudicado ao perder no período o comando de um importante destaca-
mento de Dragões que patrulhava uma estrada na Serra da Mantiqueira.
Com a nomeação de um novo governador, o Visconde de Barbacena, a 
situação ficou ainda mais complicada, pois recebeu ordens de garantir o 
recebimento do imposto anual de cem arrobas de ouro – cobrança que 
ficou conhecida como Derrama. 
Derrama: era um imposto que teria de ser pago, indivi-
dualmente, pelos habitantes da capitania, caso não fosse 
alcançada a quota de ouro anual estipulada pelo governo 
HISTÓRIA DO BRASIL II 19
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como tributo. Lembremos que neste período Minas Gerais passava por um 
declínio da extração do metal.
As dívidas adquiridas pela elite originaram-se da seguinte maneira: du-
rante o período colonial, era comum repassar a função de arrecadação 
de impostos para particulares que tinham relação com o poder público. 
Ao arrecadar o valor estipulado pela coroa, eles ficavam com a diferença, 
porém, muitas vezes, nem chegavam a completar o montante exigido, ori-
ginando as dívidas com a coroa.
Os conspiradores planejaram esperar o dia da derrama para agir — em 
fevereiro de 1789. Com a ajuda do regimento dos Dragões, o governador 
seria assassinado e proclamada a república. O papel de Tiradentes seria 
promover a agitação pública junto com outros companheiros. A declara-
ção de independência seria lida juntamente com o anúncio da morte do 
governador. A capital da nova República deveria ser São João del Rei.
O plano não chegou a ser posto em prática. Em março de 1789, o gover-
nador decretou suspensa a derrama e os revoltosos foram denunciados 
por Joaquim Silvério dos Reis, que tinha motivos particularespara essa 
ação: era um devedor da coroa. Logo após, foram decretadas as prisões 
dos conspiradores. O processo ocorreu na então capital da colônia, Rio de 
Janeiro, e terminou em abril de 1792.
 
A coroa portuguesa, na tentativa de demonstrar seu poder 
fazendo com essa punição servisse de exemplo, decretou a 
forca para todos os réus. Porém, mais tarde, Dona Maria I 
voltou atrás e enviou uma carta de clemência, através da qual transformou 
a pena em banimento, exceto no caso de Tiradentes. No dia 21 de abril 
de 1792, o réu Joaquim José da Silva Xavier foi enforcado numa grande 
demonstração de força da coroa. Seu corpo foi esquartejado e sua cabeça 
exposta em Ouro Preto.
 
A Inconfidência Mineira foi acontecimento regional que, 
aparentemente limitado e com pouca possibilidade de êxi-
to, adquiriu um grande impacto na história do país. Pode-
mos pensar também que o movimento foi usado pela elite mineira como 
subterfúgio para que fosse possível alcançar seus interesses de um modo 
disfarçado de um movimento republicano e popular.
Todo o espetáculo e demonstração de força impetrada pela coroa com o 
objetivo de minar quaisquer outras possibilidades de levante não se con-
cretizaram. Na verdade o resultado foi o contrário, pois a memória do le-
HISTÓRIA DO BRASIL II20
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vante permaneceu viva e os conspiradores foram vistos com simpatia e 
como heróis.
A força simbólica da Inconfidência foi usada principalmente pelos republi-
canos como campanha contra a monarquia. A figura de Tiradentes seria 
alçada a mártir da república e mitificada — a imagem parecida com a de 
Jesus Cristo. 
 
Os principais integrantes do levante e seus interesses:
• José de Alvarenga Peixoto: endividado com a coroa.
• José da Silva de Oliveira Rolim: padre; tinha contra si uma ordem de 
banimento de Lisboa; traficante de escravos e diamantes. Tentou obter 
junto ao visconde de Barbacena uma ordem banimento contra ele, o que 
não conseguiu, e essa mágoa o teria levado a aderir à conspiração. 
• Carlos Correia de Toledo e Melo: vigário, rico proprietário de terras, 
com trabalhos na mineração e senhor de muitos escravos; teve muitos 
problemas com o governador Melo e Castro.
• Francisco de Paula Freire de Andrade: comandante do regimento de 
Dragões; era perseguido e acusado por Melo e Castro.
• Joaquim Silvério dos Reis: denunciou a conspiração em troca do per-
dão das suas dívidas.
• José Álvares Maciel: filho do capitão-mor de Vila Rica, tinha várias 
dividas em atraso.
• Domingos de Abreu Vieira: negociante português, detinha dívidas junto 
à coroa.
HISTÓRIA DO BRASIL II 21
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Aula 05
Temática: A Conjuração dos Alfaiates
A Conjuração dos Alfaiates foi um movimento baiano, acon-
tecido em 1798, quase dez anos depois da Inconfidência Mi-
neira. Entre seus integrantes havia pessoas de origem hu-
milde: negros libertos, mulatos, artesãos, soldados, profissionais liberais 
etc. O movimento recebeu esse nome, porque dois de seus líderes eram 
alfaiates: João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos 
Lira. Outros dois líderes eram soldados: Lucas Dantas e Luís Gonzaga das 
Virgens. A revolta dos alfaiates também tem sido chamada de Conjuração 
ou Inconfidência Baiana. Outra liderança importante foi o médico Cipriano 
Barata que, diferentemente dos outros participantes, não tinha origem hu-
milde. Voltaremos a falar sobre ele, uma vez que Barata tomou parte de 
outros movimentos sociais no Nordeste. 
 
A revolta teve motivações semelhantes aos outros movi-
mentos e rebeliões ocorridos no Brasil, no século XVIII: des-
contentamento com o poder central metropolitano e pelas 
condições de vida da população da capital baiana. A cidade de Salvador 
sofria com a falta e com o alto preço dos alimentos. A população saqueava 
açougues por falta de comida, como foi o caso do saque da carne destina-
da ao general-comandante de Salvador.
As propostas dos conspiradores eram o rompimento com a metrópole, a 
instalação da República na Bahia, o fim da escravidão e o aumento dos 
soldos dos militares de baixa patente, entre outras reivindicações. Um 
aspecto distinguia este levante em relação aos demais movimentos da 
época: a conjuração baiana foi a primeira revolta popular e com caráter 
republicano da história do Brasil.
A revolta não chegou a ser concretizada. porque no dia 12 de agosto de 
1798, os membros do movimento saíram às ruas distribuindo panfletos, 
pregando um levante geral e a instalação de um governo independente e 
republicano. A manifestação alertou as autoridades, que reagiram imedia-
tamente e realizaram perseguições e prisões. 
Os quatro líderes de origem humilde foram julgados e condenados ao en-
forcamento e esquartejamento. Outros receberam penas de prisão e bani-
mento na costa da África. Cipriano Barata foi absolvido e solto.
HISTÓRIA DO BRASIL II22
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O suporte ideológico do movimento vinha de uma associação literária, 
formada em Salvador, que discutia as idéias iluministas e os problemas 
sociais que afetavam a população baiana. A associação teria sido criada 
pela loja maçônica Cavaleiros da Luz, da qual participavam diversas perso-
nalidades da região, entre eles Cipriano Barata e outros intelectuais.
Um dos temores das autoridades portuguesas era que acontecesse na 
Colônia sul-americana o que ocorreu em São Domingos no Caribe, onde 
uma revolta de escravos, iniciada em 1791, deu origem à independência 
do país sob um governo comandado pelos próprios negros. São Domingos, 
que era uma colônia francesa, transformou-se no Haiti. A Bahia tinha con-
dições semelhantes ao Haiti: um grande contingente de negros e mulatos, 
aproximadamente 80% da população da capitania. 
Igualmente, a Inconfidência Mineira, a Conjuração dos Alfaiates nem che-
gou perto do seu objetivo, mas permaneceu na lembrançca por seu valor 
simbólico e contestatório. Um movimento que tinha à frente a população 
humilde e de escravos, que lutaram por melhores condições de vida.
 
Como vimos, os movimentos sociais do século XVIII tinham 
interesses distintos e regionais, somente se assemelham 
pelo descontentamento com o poder central, não existia uma 
idéia homogênea de nação a ser construída. O rompimento com a metrópo-
le, como veremos, não ocorreu por meio de uma revolução, mas por meio de 
um processo, sobretudo político, iniciado com a chegada da família real ao 
Brasil e com a abertura dos portos às nações amigas. Esses eventos deram 
início a uma certa modernização na capital da colônia , o que, juntamente 
com outros fatores, acelerou o processo de independência. 
HISTÓRIA DO BRASIL II 23
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Aula: 06
Temática: A chegada da Família Real ao Brasil
Com parte da Europa dominada pela França, a Inglaterra 
era a única potência européia capaz de barrar a expansão 
francesa. Sabendo disso, Napoleão Bonaparte, imperador 
da França, impôs um bloqueio que visava barrar o comércio dos países 
europeus com a Inglaterra. Portugal foi intimado a aderir ao bloqueio sob 
pena de invasão. Diante da recusa portuguesa, em novembro de 1807, 
a França invadiu o território luso, seguindo em direção à capital, Lisboa. 
Nesse período, Portugal era governado por D. João — que assumira o co-
mando desde que Dona Maria I, a rainha mãe, fora afastada do trono por 
demência, em 1792. O então príncipe regente, acordado com a Inglaterra, 
decidiu pela transferência de da corte para o Brasil.
 
Durante muito tempo a história tratou a fuga da família real 
portuguesa para o Brasil como uma demonstração de co-
vardia, temperada com uma certa dose de atrapalhação, 
dando à cena um certo tom de comédia. Porém, atualmente, a historiogra-
fia tende a considerar o caso como exemplo de esperteza política do então 
príncipe regente. Primeiramente, o Brasil já vinha se destacando entre os 
domíniosportugueses; em segundo lugar, D.João escapou de ser deposto 
por Napoleão, como havia acontecido com o rei espanhol. Em meio ao 
clima revolucionário que se estendeu pela Europa após a Revolução Fran-
cesa, o regente português foi um dos poucos a manter a coroa. 
D.João trouxe para o Brasil todo o aparato administrativo da coroa, o te-
souro real, uma impressora e uma grande biblioteca (que daria origem à 
Biblioteca Nacional). 
 
Durante os dias de 25 e 27 de novembro de 1807, cente-
nas de portugueses embarcaram em direção ao Brasil. Entre 
eles havia várias personalidades, funcionários reais, minis-
tros, juízes, membros do exército, da marinha e da nobreza lusitana. Os 
navios portugueses contaram com a proteção de vários navios ingleses 
até a chegada ao Brasil. Alguns administradores e colonos de outras lo-
cais do império português — como Angola ou Moçambique — também 
migraram para o Rio de Janeiro. 
HISTÓRIA DO BRASIL II24
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A viagem da corte portuguesa, segundo consta, não teria sido nada fácil 
e confortável:
Houve muita confusão no embarque, e a viagem não 
foi fácil. Uma tempestade dividiu a frota; os navios es-
tavam superlotados, daí resultando falta de comida e 
água; a troca de roupa foi improvisada com cobertas 
e lençóis fornecidos pela marinha inglesa; para com-
plementar, o ataque dos piolhos obrigou as mulheres 
a raspar o cabelo. Mas esses aspectos novelescos 
não podem ocultar o fato de que, a partir da vinda 
da família real para o Brasil, ocorreu uma reviravolta 
nas relações entre a Metrópole e a Colônia (FAUSTO, 
1995, p. 121)
Abertura dos portos às nações amigas
Com a chegada da corte portuguesa, um dos primeiros atos de D. João foi 
a abertura dos portos brasileiros às nações amigas. Isso ocorreu em 28 
de janeiro de 1808, o que beneficiou quase exclusivamente os interesses 
ingleses, facilitando assim a entrada de seus produtos em um novo merca-
do consumidor. Outras concessões foram feitas à Inglaterra: em 1810, foi 
assinado um novo tratado que estipulava o imposto alfandegário de 15% 
aos produtos e 16% aos portugueses, gerando dessa maneira inúmeros 
protestos, já que os produtos portugueses não poderiam concorrer com os 
ingleses que eram de melhor qualidade; a Inglaterra recebeu autorização 
para extrair madeiras brasileiras para construção de navios; e os ingleses 
que moravam no Brasil receberam a garantia de serem julgados somente 
pelas leis e pelas autoridades inglesas. 
As vantagens concedidas à Inglaterra aumentaram ainda mais o descon-
tentamento dos comerciantes locais. O Brasil foi abarrotado de produtos 
ingleses, já que esses eram impedidos de entrar na Europa pela França de 
Napoleão.
 
A abertura dos portos teve conseqüências importantes 
para a história do Brasil, pois, a partir de então, iniciou-se a 
emancipação política brasileira, pois, com a capital do impé-
rio português tomada pelos franceses, o Brasil passou a tratar diretamente 
com as outras nações. Esse período marcou também o começo da forte 
influência inglesa no Brasil e, mais do que isso, os negócios sendo feitos 
diretamente com outras nações pôs um fim no chamado pacto colonial por 
meio do qual a metrópole portuguesa detinha o monopólio de todas as ne-
gociações feitas com o Brasil. Essa nova situação atendeu aos interesses 
de certos grupos de latifundiários e de comerciantes. 
HISTÓRIA DO BRASIL II 25
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Para a Colônia, como já foi dito, a vinda da família real significou moder-
nização. O príncipe regente revogou o Alvará de 1785 de D. Maria I, que 
proibia a produção manufatureira no Brasil. Tal medida ampliou a liberdade 
econômica da então colônia. Ofereceram-se incentivos e estímulos para 
importação de materiais para a indústria da lã, da seda e do ferro, além de 
motivar a entrada de máquinas mais modernas no Brasil.
 
A influência inglesa cresceu a ponto de obrigar Portugal a 
firmar um tratado chamado Tratado de Navegação e Co-
mércio, de 1810, pelo qual a coroa portuguesa se compro-
metia a limitar o tráfico de escravos de suas colônias e até extingui-lo 
completamente. 
HISTÓRIA DO BRASIL II26
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Aula: 07
Temática: A colônia vestida de metrópole
A corte portuguesa chegou ao Brasil em 11 de março de 
1808, o que desencadeaou um surto migratório em direção 
às terras brasileiras:
A parcimônia de dados disponíveis não permite que 
se meça precisamente o fluxo migratório em direção 
à nova corte sul-americana. Mas é possível captar as 
mudanças comparando os dados dos censos efetu-
ados na cidade em 1799 e 1821. Entre uma e outra 
data, a população urbana, excluídas portanto as fre-
guesias rurais do município, subiu de 43 mil para 79 
mil habitantes. Em particular, contingente de habitan-
tes livres mais que dobrou, passando de 20 mil para 
46 mil indivíduos. (ALENCASTRO, 1997, p. 13)
Após estabelecer-se no Rio de Janeiro, iniciou-se a reorganização admi-
nistrativa e o estabelecimento da burocracia do Estado, como a nomeação 
dos ministros. Foram sendo recriados paulatinamente todos os órgãos 
do Estado português: os ministérios do Reino, da Marinha e Ultramar, da 
Guerra, Assuntos Estrangeiros e o Real Erário, que, em 1821, mu¬dou o 
nome para Ministério da Fazenda.
Todo o aparato administrativo da coroa portuguesa ressurgiu no Brasil. O com-
plexo político-administrativo apareceu na colônia, principalmente, para empre-
gar a corte portuguesa que veio junto com a família real e para respaldar o 
príncipe regente na administração do império português, longe de Lisboa. 
A transferência do aparato administrativo português trouxe algumas im-
portantes conseqüências para o Brasil, principalmente a de deixar de ser 
administrado exteriormente pela metrópole. Com a transferência da corte, 
o Brasil se tornou o centro de decisões no mundo colonial português.
Com a presença da corte no Rio de Janeiro, os latifundiários passaram a ter 
mais chances de participar e, se possível, influenciar as decisões do governo. 
Entre as instituições criadas durante o período de permanência da corte no 
Rio de Janeiro, podemos citar:
O Banco do Brasil: foi fundado em 12 de outubro de 1808 para servir 
como instrumento financeiro do Tesouro Real. No entanto, sua criação se-
HISTÓRIA DO BRASIL II 27
UNIMES VIRTUAL
ria para atuar como instituição creditaria de setores do comércio, indústria 
e agricultura. Por meio dele o governo pôde emitir papel-moeda, suprindo 
assim suas necessidades, custeando as despesas da casa real, judiciário, 
exército, pensões e soldos.
Biblioteca Nacional: quando deixou Lisboa com destino ao Brasil, a família 
real trouxe consigo todo o acervo da Livraria Real, com cerca de 60.000 
peças, entre livros, manuscritos, estampas, mapas, moedas e medalhas. A 
partir de 29 de outubro de 1810, a Biblioteca Nacional foi estabelecida no Rio 
de Janeiro. Inicialmente, a consulta era permitida apenas aos estudiosos, 
mediante consentimento régio. Foi liberada ao público geral em 1814.
Jardim Botânico: foi formado com o objetivo de aclimatar as especiarias 
vindas das Índias Orientais em 13 de junho de 1808. Primeiramente, foi cha-
mado de Jardim de Aclimação. Encantado com a exuberância da natureza 
do lugar, D.João instalou o Jardim, que, em 11 de outubro do mesmo ano, 
passou a se chamar Real Horto. Foi aberto à visitação pública após 1822.
No âmbito militar, o governo português realizou expedições à Guiana 
Francesa, numa clara provocação à França, logicamente influenciado pela 
Inglaterra. Fez algumas intervenções na área do Prata, na região fronteiri-
ça, a partir de 1811, época em que foi anexada a Banda Oriental e criada a 
Província da Cisplatina, em 1821. 
Antes de prosseguir, vale a pena ler as considerações do 
historiador Luiz Felipe de Alencastro sobre a questão do na-
cionalismo no Brasil, sentimento importanteem movimen-
tos de independência e de formação do Estado Nacional. 
Desde a formação colonial até o século XIX, o Brasil era dividido em uni-
dades distintas que não possuíam uma ligação entre si. Cada região obe-
decia diretamente à metrópole. Com a transferência da corte para o Rio 
de Janeiro, criou-se uma noção de unidade territorial. Essa transmissão 
político-administrativa de poderes teve como conseqüência o surgimento 
do conceito de unidade de que se necessitava.
Utilizei o termo brasileiro de forma destacada para 
lembrar, como já foi dito, que não existia ainda a idéia 
de pertencimento e de unidade nacional, mas sim, o 
de identificação regional. Porém a partir desse mo-
mento, aquela diversidade regional que existia desde 
o século XVII, vai ser abalada pela constante presença 
estrangeira no Rio de Janeiro após 1808: “[...] o Rio 
de Janeiro como uma grande eclusa, recanalizando 
os fluxos externos e acomodando os regionalismos 
num quadro mais amplo, pela primeira vez verdadei-
ramente nacional [...]”. (ALENCASTRO, 1997 p. 24)
HISTÓRIA DO BRASIL II28
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Aula: 08
Temática: A vida cultural na corte brasileira
A vida cultural da capital da colônia, Rio de Janeiro, mudou 
muito depois da chegada da Família Real. Houve mudanças 
até mesmo em relação aos padrões estéticos. Duas das prin-
cipais novidades foram o aparecimento da imprensa e o acesso aos livros. 
Tais inovações colaboraram com a proliferação de idéias e ideologias. 
Acostumados a certos requintes em Lisboa, a Família Real e a corte trou-
xeram um vasto aparato cultural para a cidade: foram criados teatros, bi-
bliotecas, academias literárias e científicas. A população do Rio de Janei-
ro, durante o período da permanência de D. João, praticamente dobrou. 
Entre os habitantes estavam estrangeiros de várias nacionalidades, mas, 
sobretudo, portugueses, além de grandes proprietários que vieram se es-
tabelecer na cidade.
Entre as escolas científicas podemos citar: Escola de Comércio, Escola 
Real de Ciência, Artes e Ofícios, Academia Militar e da Marinha. No cam-
po das artes foi organizada uma Academia Imperial de Belas Artes com a 
chegada da Missão Artística Francesa de 1816.
 
A Missão Artística Francesa de 1816
A Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro foi criada por um de-
creto, em 1816, por iniciativa de Antônio de Araújo Azevedo, o Conde de 
Barca, que teve a idéia de fundar uma academia ou escola de ciências e artes 
de acordo com o modelo francês. De acordo com esse modelo o objetivo era 
aprimorar e ampliar o gosto pelas artes e introduzir o ensinamento de alguns 
ofícios, tidos como fundamentais para o desenvolvimento material do país.
Os principais nomes da missão eram: Nicolas-Antoine Antônio Taunay, 
pintor de paisagens e batalha; Jean Baptiste Debret, pintura histórica; Au-
guste Marie Taunay, escultor; Auguste Henri Victor Grandjean Montigny, 
arquiteto; Simon Pradier; arquiteto; Francisco Ovide, músico compositor.
Os artistas vieram precipitados pelos recentes acontecimentos políticos 
na Europa. Com a queda de Napoleão I, o exílio de David, pintor neoclás-
sico francês, e a restauração bourbônica, em 1815, muitos artistas sofre-
ram com as perseguições, por serem estes bonapartistas. Desgostosos na 
HISTÓRIA DO BRASIL II 29
UNIMES VIRTUAL
França, procuraram novos horizontes profissionais. Havia a idéia de formar 
no Brasil uma colônia de artistas a fim de estimular o desenvolvimento 
industrial e cultural do país.
Embora tenha sido criada por meio do decreto de 1816, a Academia 
Imperial de Belas Artes só passaria a funcionar com uma certa regula-
ridade a partir 1826. Durante esses dez anos, as atividades se resumiram 
a algumas aulas de Debret. Durante a construção do palácio da Acade-
mia, os artistas dedicaram-se, principalmente, a obras particulares e a 
trabalhos dedicados à pintura histórica para coroa portuguesa. A pintura 
histórica e o neoclacissismo desenvolvidos na Academia influenciaram a 
formação de inúmeros artistas nacionais. 
Os artistas estrangeiros foram responsáveis pela inserção do ensino ar-
tístico no Brasil e influenciaram vários artistas brasileiros, durante todo o 
século XIX e início do XX. Foram responsáveis por projetos arquitetônicos 
e por ensino profissional. Os pintores retrataram as paisagens e cenas do 
cotidiano do Brasil, principalmente Debret, que foi o pintor mais impor-
tante da primeira geração da Academia Imperial. Um de seus primeiros 
trabalhos no Brasil foi a organização dos festejos de aclamação de Dom 
João VI. No período em que esteve no Brasil se interessou por cenas do 
cotidiano, pela vida social e política brasileira, e, sobretudo, a vida cotidia-
na dos escravos. 
 
A imprensa
A imprensa, que fora proibida durante séculos no Brasil, foi difundida com 
a chegada da corte, com funcionamento das primeiras tipografias. Houve 
a fundação da Imprensa Régia, responsável pelas primeiras publicações 
no Brasil. Um dos primeiros periódicos publicados foi A Gazeta do Rio de 
janeiro que, fundada em 10 de setembro de 1808, contava com a proteção 
das autoridades e se limitava a publicar assuntos referentes à corte. 
O Correio Braziliense, editado em 1808, diferenciava-se dos outros perió-
dicos por ser liberal e fazer oposição ao governo. Dirigido por Hipólito José 
da Costa, o jornal não era impresso no Brasil, mas em Londres.
O “Correio Braziliense” entrava clandestinamente, nos 
porões dos navios que transportavam mercadorias e 
escravos. Todo o cerco da Coroa Portuguesa ao in-
cipiente jornalismo brasileiro temia a propagação de 
ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que fer-
vilhavam na Europa, especialmente na França, com 
os quais Hipólito mantinha uma certa identidade.
HISTÓRIA DO BRASIL II30
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Os dois jornais tinham posições ideológicas antagô-
nicas. Fugindo da Inquisição, Hipólito pregava a liber-
tação do Brasil dos domínios de Portugal; enquanto 
a Gazeta, dirigida por Frei Tibúrcio José da Costa, 
funcionava como um diário oficial da Corte. Quando 
nasce, 308 anos após o “descobrimento”, a Imprensa 
tupiniquim já vem cerceada, fato que vai marcá-la em 
vários períodos históricos, culminando com a Lei da 
Mordaça, quase 200 anos depois. (ARAÚJO, 2004)
HISTÓRIA DO BRASIL II 31
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Aula: 09
Temática: O Brasil no caminho dos viajantes
A vinda da corte portuguesa e a abertura dos portos bra-
sileiros às nações amigas em 1808 possibilitaram a entra-
da, na colônia, de diversos viajantes estrangeiros. Muitos 
deles participaram e foram responsáveis por expedições científicas com 
o objetivo de explorar e conhecer o país e suas especificidades, a partir 
de uma visão intelectual reflexiva que se anunciava desde o século XVI, 
com prolongamento no século XIX, engendrando uma cultura simultane-
amente artística e científica. Desse modo, construíram visões de mundo, 
auto-imagens, estereótipos étnicos, sociais e geográficos, de ambientes 
alheios aos seus.
 
O Brasil e a América Latina foram o destino de várias expe-
dições de cunho científico, o que suscitou uma espécie de 
redescoberta do Brasil pelos viajantes. A aspiração cientí-
fica levou viajantes europeus a diversas partes do mundo em busca do 
conhecimento natural. Tal postura fazia parte de certas tendências totali-
zadoras que surgiram durante o século XVIII, embasadas em um discurso 
de “anticonquista” por meio do qual o naturalista europeu legitimava sua 
presença em várias regiões do mundo, isto é, pela importância do conhe-
cimento e da pesquisa científica. Essa narrativa naturalista teve enorme 
força ideológica durante todo o século XIX e permaneceu até nossos dias. 
Entretanto, deve-se considerar que a visão de conhecimento era intrinse-
camente eurocêntrica.
Alguns viajantes partiram de uma antropologia crítica, adaptando o siste-ma classificatório das ciências naturais à análise etnográfica. Esses olha-
res e estereótipos eram pautados na desqualificação e homogeneização de 
populações nativas, principalmente de sua história e cultura. As narrativas 
de viagem e as produções pictóricas podem ser um bom exemplo disso.
 
A maior influência do pensamento científico e naturalista eu-
ropeu foi o alemão Alexandre von Humboldt. Estudioso das 
ciências naturais, ele partiu do porto espanhol de La Coruña, 
em 1799, com proteção do governo espanhol, em direção ao continente 
americano. Seus escritos inspiraram novas visões da América, além de 
revelar a amplitude da rica natureza dos trópicos. Sua influência inspirou 
HISTÓRIA DO BRASIL II32
UNIMES VIRTUAL
estudiosos e viajantes nos dois lados do Atlântico. Humboldt foi proibido de 
entrar em território brasileiro devido à política de proteção da coroa portu-
guesa, preocupada em preservar seus territórios e suas riquezas naturais.
Considerado uma pessoa de extraordinário vigor e habilidade na ilustra-
ção, Humboldt estruturou suas jornadas e temas de estudo e despendeu a 
energia de uma vida inteira para sua realização. Devotou sua vida e fortuna 
em suas viagens e escritos, os quais assumiram proporções épicas.
 
Os métodos de análise desses cientistas naturalistas servi-
ram como fulcro ideológico para vários viajantes europeus 
que desembarcaram no Brasil, com o objetivo principal de 
fazer experimentos e pesquisas sobre os recursos naturais do país, pois 
esta seria uma das poucas regiões da América desconhecida por euro-
peus. Os primeiros pesquisadores europeus a entrar em território nacional 
foram Thomas Lindley, em 1802, e John Mawe, em 1807.
Alguns desses viajantes criaram referências de acordo com seu repertório 
cultural. Dessa maneira, construíram olhares muitas vezes preconceituo-
sos e depreciativos em relação à sociedade e aos costumes brasileiros. 
Os viajantes procuraram revelar aos europeus os aspectos da nossa pai-
sagem, da nossa fauna, flora e dos habitantes do novo mundo.
Muitos desses viajantes consideravam as populações nativas atrasadas; 
interpretavam a resistência ao trabalho disciplinado como preguiça e seu 
modo de vida como barbárie. Desse modo, no pensamento de alguns eu-
ropeus, sua presença na América se justificava, exatamente, pela neces-
sidade de disciplinar e conduzir essas populações à civilização, conforme 
os padrões europeus. O tempo cíclico e irregular das culturas indígenas 
locais deveria ser substituído pelo tempo linear, abstrato e contabilizável 
da sociedade capitalista. 
 
A construção iconográfica e a narrativa produzida pelos via-
jantes constituíram um novo campo de estudo para a histo-
riografia como documento e para os professores de História 
como ferramenta de ensino. As imagens e a literatura dos viajantes são 
constantemente encontradas em livros didáticos e acadêmicos e podem 
ser analisados os códigos de vestimentas, da cultura material, do cotidia-
no, da etnografia e paisagens de ambientes do período.
Entre os cientistas estrangeiros que passaram por aqui e construíram re-
ferenciais narrativos e pictóricos sobre o Brasil, podemos citar: o médico 
sueco Gustavo Beyer, em 1813; o botânico francês August de Saint-Hi-
HISTÓRIA DO BRASIL II 33
UNIMES VIRTUAL
laire, em 1817; os alemães Johann Baptist Spix e Karl Friedrich Philipp, 
1817; o diplomata russo, Barão Georg Heirich von Langsdorff, 1822; entre 
muitos outros.
 
Um exemplo de uma narrativa de um viajante europeu ex-
traído do diário do Barão Langsdorff faz uma análise sobre o 
interior brasileiro:
“Aqui há sempre muitas coisas que ensejam a refle-
xão de pensadores, filósofos e não eruditos, patrões 
e empregados. Estamos às voltas com muitas dificul-
dades e despesas, prestes a iniciar uma viagem de 
pesquisa de grande parte perigosa. Vamos percorrer 
um caminho nunca antes percorrido. É como se esti-
véssemos diante de um véu escuro: vamos abando-
nar o mundo civilizado para viver no meio de índios, 
tigres, onças, tapires, macacos e outros animais”.
HISTÓRIA DO BRASIL II38
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Aula: 10
Temática: Da categoria de Reino Unido a Portugal 
 ao liberalismo brasileiro
 
Em uma jogada tipicamente política, Dom João elevou o 
Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. As-
sim, o Brasil deixava de ser uma simples colônia e ganhava 
status de reino ligado a Portugal. Um dos fatores que influenciaram essa 
decisão foi a onda de movimentos de emancipação que assolava a Amé-
rica Espanhola. A elevação do Brasil a Reino Unido criou as bases de uma 
certa autonomia administrativa da colônia.
 
Após a derrota de Napoleão, foi realizado o Congresso de 
Viena. Em 1815, os países vitoriosos, em sua maioria mo-
narquias absolutistas, tinham receio de que os movimentos 
iluministas e liberais se propagassem por seus domínios. Para evitar essa 
disseminação e manter o controle sobre as fronteiras foi estabelecido um 
pacto militar entre Rússia, Prússia e Áustria, chamado Santa Aliança. Hou-
ve uma vasta reação antinapoleônica em toda a Europa. O Congresso de 
Viena tinha como objetivo reorganizar o mapa político e territorial europeu, 
segundo os interesses do absolutismo. Pelo princípio da legitimidade, o 
poder retornaria aos monarcas depostos pelos revolucionários franceses.
Os movimentos liberais propunham a descentralização do poder dos mo-
narcas e maior liberdade econômica:
Segundo a historiadora Emilia Viotti da Costa, o liberalismo 
europeu foi originalmente uma ideologia burguesa, vincula-
da ao desenvolvimento do capitalismo e à crise do mun-
do senhorial. As noções liberais iriam surgir devido às lutas da burguesia 
contra os abusos da autoridade real, os privilégios do clero e da nobreza, 
os monopólios que inibiam a produção, a circulação, o comércio e o tra-
balho livre. Na luta contra o absolutismo, os liberais defenderam a teoria 
do contrato social, afirmando a soberania do povo e a supremacia da lei, e 
propuseram a divisão de poderes, defendendo formas representativas de 
governo. Para destruir os privilégios corporativos, converteram em direitos 
universais a liberdade, a igualdade perante a lei e o direito de propriedade. 
Aos regulamentos que inibiam o comércio e a produção opuseram a liber-
dade de comércio e de trabalho.
HISTÓRIA DO BRASIL II 39
UNIMES VIRTUAL
Segundo o Congresso de Viena, o princípio da legitimidade da coroa por-
tuguesa não seria legal, pois o congresso reconheceria apenas Portugal 
como sede do reino português e não o Brasil. O Brasil era reconhecido 
apenas como colônia, e, por esse motivo, o congresso legitimaria a monar-
quia portuguesa somente diante do retorno do príncipe regente a Lisboa. O 
impasse foi solucionado após a elevação do Brasil a reino, o que permitia à 
corte permanecer no Brasil. Essa decisão acarretou conseqüências contro-
versas para Dom João, pois, dessa maneira, inibia qualquer emancipação 
política do país em relação a Portugal, mas, por outro lado, promoveu uma 
grande insatisfação em Portugal e nos portugueses que viviam no Brasil.
Com relação ao liberalismo brasileiro, devemos tomar certo cuidado ao 
analisar, pois somente pode ser compreendido dentro da lógica e realida-
de brasileira. O movimento liberal brasileiro importou os princípios e as 
fórmulas políticas européias, mas as adaptou às suas realidades. Segundo 
Emília Viotti, as mesmas palavras podem ter significados diferentes em 
contextos distintos, ou seja, devemos ir além de uma análise formal do 
discurso liberal e, dessa maneira, relacionar a retórica à prática liberal, po-
dendo, assim, definir a especificidade do liberalismo brasileiro, seria então 
preciso desconstruir o discurso liberal (COSTA, 1999, p. 132).
 
Os principais adeptos do liberalismo no Brasil foram as 
pessoas que tinham interessesligados à economia de ex-
portação e importação e os grandes proprietários de terras. 
Por outro lado, esses homens desejavam libertar-se de Portugal para que 
pudessem realizar o livre comércio com outras nações, mas queriam man-
ter certas tradições inabaladas, como a estrutura de produção, sistema 
escravista, o sistema de clientela etc. Tais valores eram contrários ao libe-
ralismo europeu, surgindo então um “liberalismo conservador brasileiro”.
HISTÓRIA DO BRASIL II34
UNIMES VIRTUAL
 
Resumo - Unidade I
Na primeira unidade procuramos ampliar o debate a respeito 
do final do período colonial e as transformações e conseqü-
ências para o Brasil com relação à chegada da família real. 
Foram abordadas as temáticas que relacionam a transferência da admi-
nistração portuguesa, a política implementada e as revoltas que surgiram 
na colônia no final do século XVIII e início do XIX. Tivemos como proposta 
combinar fatores externos que foram decisivos e, muitas vezes, responsá-
veis pelos fatos ocorridos no Brasil.
Nessa primeira unidade, portanto, você pôde estudar alguns aspectos da 
transformação da sociedade brasileira, do final do século XVIII. 
 
Referências Bibliográficas
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. História da vida privada no Brasil: Impé-
rio. São Paulo: Cia. das Letras, 1997, Vol. II.
COSTA, Emilia Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisi-
vos. São Paulo: Editora Unesp, 1999.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político 
brasileiro. Rio de Janeiro: Globo, 1987.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995.
FRAGOSO, João L. R.; FLORENTINO, Manolo. O arcadismo como projeto: 
mercado atlântico, sociedade agrária e elite mercantil do Rio de Ja-
neiro 1790-1840. Rio de Janeiro: Diadorim, 1993.
 
Link
ARAÚJO, Ed Wilson. 200 anos da imprensa no Brasil, 50 anos do Jornal 
Pequeno. Disponível em: http://www.piratininga.org.br/artigos/2004/01/
araujo-jornalpequeno.html - último acesso em 15/01/2007.
HISTÓRIA DO BRASIL II40
UNIMES VIRTUAL
Aula: 11
Temática: A Revolução Pernambucana de 1817
A presença da corte no Brasil não assegurou o fim dos atritos 
entre a colônia e o poder central, pelo contrário, surgiram no-
vos acontecimentos que geraram insatisfação, principalmen-
te, no Nordeste. O país já não era mais comandado por um príncipe regente, 
mas por um monarca. Com o falecimento de Dona Maria I, em 1816, o reino 
de Portugal passou a ser comandado pelo proclamado rei D. João VI.
Havia no Brasil um consenso de que a corte portuguesa fa-
vorecia os interesses dos portugueses residentes no Brasil, o 
que gerou muito descontentamento e críticas. Um outro grupo 
descontente era formado pelos militare,s porque, para compor os exércitos, 
D. João VI reservou os melhores cargos e patentes para portugueses. 
Como razão para o descontentamento na colônia, existia também a alta 
carga tributária que deveria cobrir todos os gastos da corte e as missões 
militares promovidas pelo monarca na região do Prata.
Entre março e maio de 1817 eclodiu no Nordeste uma grande insurreição, 
com foco principal em Pernambuco, mas com focos também no Ceará, 
Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Esse movimento, também cha-
mado de revolução, durante 74 dias, proclamou o fim do domínio portu-
guês naquelas regiões. Entre os integrantes estavam várias camadas da 
sociedade: militares, proprietários rurais, juízes, artesãos, comerciantes 
e padres. A população humilde viu no movimento a oportunidade de me-
lhorar sua condição de vida. Já os grandes proprietários de terras viam a 
possibilidade de se libertarem do controle imposto pela coroa portuguesa. 
Resumidamente, o grande impulsionador do movimento no Nordeste foi o 
antilusitanismo e o desfavorecimento regional. A região atravessava um 
momento economicamente difícil com a queda do preço do açúcar e do 
algodão, além da alta da mão-de-obra escrava. 
Em Pernambuco, o governador Caetano Pinto de Miranda havia sido de-
posto e organizado um governo provisório no Recife. O embasamento in-
telectual do movimento veio das idéias liberais, do modelo republicano e 
dos ideais da Revolução Francesa, porém não tocaram no problema da es-
cravidão. Os revoltosos tentaram ganhar apoio junto aos Estados Unidos, 
Inglaterra e Argentina com o envio de mensageiros.
HISTÓRIA DO BRASIL II 41
UNIMES VIRTUAL
O monarca Dom João VI agiu rapidamente, organizou um exército e uma 
esquadra que bloqueou os revoltosos no Recife e em Alagoas. As lutas 
se desenrolaram mostrando o despreparo e a inferioridade numérica dos 
insurgentes que resistiram bravamente, ainda que não tenham conseguido 
vencer as tropas portuguesas. Prontamente, foram feitas prisões e execu-
tados os esquartejamentos dos líderes do movimento, que durou pouco 
mais de dois meses no total. 
A adesão de várias províncias do Nordeste não foi o suficiente para o 
sucesso do movimento, houve falta de apoio e participação popular. Além 
disso, os rebeldes não tinham um preparo militar para enfrentar as tro-
pas portuguesas. Muitos dos insurgentes das camadas mais abastadas 
nordestinas, na verdade queriam manter seus privilégios na região e não 
montar um governo embasado em um modelo republicano com participa-
ção popular. Eles pretendiam continuar usufruindo os direitos e o controle 
que haviam conquistado ao longo dos anos.
 
D. João VI teve de enfrentar problemas também em Portu-
gal, onde vinha crescendo a cada dia o movimento liberal, 
como veremos na próxima aula. 
HISTÓRIA DO BRASIL II42
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Aula: 12
Temática: Problemas para o novo monarca e o início 
 do movimento de independência
 
Com a decisão de permanecer no Brasil, Dom João VI en-
frentou forte pressão de Portugal e dos portugueses que es-
tavam por aqui, principalmente, dos adeptos das idéias libe-
rais que tinham se espalhado por toda a Europa, a despeito das tentativas 
de conter essa expansão, por parte das monarquias absolutistas. Devido 
ao descontentamento com o monarca, em agosto de 1820, estourou em 
Portugal uma revolução liberal inspirada no iluminismo. O movimento libe-
ral vinha ganhando simpatizantes e destaque na metrópole. 
Da revolução de 1820, participaram vários setores da sociedade, incluindo 
os militares, que se revoltaram devido à crise política desencadeada pela 
ausência da corte e dos setores administrativos; os militares não aceita-
vam a presença de oficiais ingleses no alto escalão militar.
No final de 1820, de posse do poder, os revoltosos tomaram diversas me-
didas de cunho liberal. Convocaram uma junta provisória para governar e 
votaram uma Constituição baseada em princípios liberais. Foi estabelecido 
um novo critério de representação conforme o número de habitantes, ten-
do o Brasil o direito a 70 deputados, num total de 200. Além disso, foram 
criadas as juntas governamentais que seriam leais à revolução, abrangen-
do assim todas as capitanias, chamadas províncias a partir de então. Esse 
movimento provocou repercussão no Brasil, segundo Boris Fausto:
Foram os militares descontentes que iniciaram o mo-
vimento de 1820 em Portugal. Foi também entre os 
militares que ocorreram as primeiras repercussões do 
movimento no Brasil. As tropas se rebelaram em Be-
lém e em Salvador, instituindo aí suas juntas governa-
mentais. No Rio de Janeiro, manifestações populares 
e das tropas portuguesas forçaram o rei a reformular 
o ministério, a criar juntas onde elas não existiam e a 
preparar as eleições indiretas para as Cortes.
Naquela altura, a principal questão que dividia as opi-
niões era o retorno ou não de Dom João VI a Portu-
gal. O retorno era defendido no Rio de Janeiro pela 
“facção portuguesa”, formada por altas patentes mi-
litares, burocratas e comerciantes interessados em 
subordinar o Brasil à Metrópole, se possível de acor-do com os padrões do sistema colonial. Opunha-se a 
HISTÓRIA DO BRASIL II 43
UNIMES VIRTUAL
isso e ao retorno do monarca o “partido brasileiro”, 
constituído por grandes proprietários rurais das capi-
tanias próximas à capital, burocratas e membros do 
Judiciário nascidos no Brasil. Acrescentem-se a eles 
portugueses cujos interesses tinham passado a vin-
cular-se aos da Colônia: comerciantes ajustados às 
novas circunstâncias do livre comércio e investido-
res em terras e propriedades urbanas, muitas vezes 
ligados por laços de casamento à gente da Colônia. 
(FAUSTO, 1995, p. 130, 131)
Essa revolução, que acabou gerando o fim do absolutismo português, foi 
chamada Revolução Liberal do Porto — cidade portuguesa onde teve iní-
cio o processo revolucionário. 
 
Com o trono ameaçado, Dom João VI retornou a Portugal em 
abril de 1821, com quatro mil portugueses e com o ouro do 
Banco do Brasil. No Brasil, em seu lugar deixou seu filho e 
príncipe regente Dom Pedro. Nas eleições para os representantes do Brasil 
nas Cortes foram eleitos alguns nomes que figuraram como personagens 
importantes na história política do país, entre eles : Cipriano Barata, Muniz 
Tavarez, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e Padre Feijó. 
Um fato interessante que devemos observar é que Dom João VI retornou 
para Portugal do mesmo modo que partira em 1807, ou seja, pressionado 
e obrigado.
HISTÓRIA DO BRASIL II44
UNIMES VIRTUAL
Aula: 13
Temática: Os fatores que levaram 
 à independência brasileira
 
No decorrer de 1820, vários acontecimentos fortaleceram 
no Brasil o desejo de rompimento com o domínio português, 
mas o principal talvez tenha sido a determinação portugue-
sa para o retorno imediato do príncipe regente, D. Pedro. 
 
A exigência portuguesa desencadeou um movimento políti-
co que tinha como objetivo impedir que o príncipe retornas-
se para Portugal. 
A decisão de Dom Pedro de ficar no Brasil foi anunciada no dia nove de 
janeiro de 1822 — episódio que ficou conhecido como “Dia do Fico”— e 
representou um caminho sem volta. Os procedimentos e atos após tal 
atitude selaram definitivamente uma ruptura com os portugueses. Portugal 
não aceitou passivamente a recusa do príncipe. Tropas portuguesas tenta-
ram forçar seu embarque, mas foram detidas.
As tropas portuguesas infiéis ao príncipe foram prontamente obrigadas 
a deixar o Brasil. Esse fato deflagrou a preocupação de formação de um 
exército brasileiro. 
Após “o Fico” foi criado um ministério composto por portugueses, mas 
sob o comando de um brasileiro, o ilustre José Bonifácio de Andrada e Sil-
va que, juntamente com seus irmãos, tornou-se personalidade importante 
no período e no estabelecimento da independência brasileira. 
 
José Bonifácio era um defensor de idéias progressistas, 
com muitos planos no campo social; defendia a gradativa 
extinção da escravidão, uma reforma agrária moderada e a 
entrada de imigrantes no Brasil. No âmbito político destacou-se como libe-
ral conservador e monarquista convicto, contando com o apoio de parcela 
da elite dominante brasileira. 
Em abril de 1822, o príncipe regente decidiu que as ordens que vinham 
de Portugal só teriam valor se fossem aprovadas por ele — essa decidão 
ficou conhecida como “cumpra-se”. Em junho do mesmo ano, Dom Pedro 
HISTÓRIA DO BRASIL II 45
UNIMES VIRTUAL
convocou uma Assembléia Nacional Constituinte que teria como finalida-
de fazer novas leis para o Brasil. Essa medida provocou um grande abalo 
nas Cortes, uma vez que representava o rompimento institucional do Brasil 
com Portugal. 
 
Conservadores e radicais
Para os conservadores, o Brasil deveria procurar maior autonomia em rela-
ção à Portugal, partindo apenas em última instância para um rompimento 
definitivo ou independência. A forma de governo proposta era a monar-
quia constitucional, com representação limitada, para que fosse possível 
manter a ordem social.
Para a ala radical, que incluía os monarquistas e os chamados “extrema-
dos”, haveria caminhos diferentes para contornar a crise. Os monarquistas 
se preocupavam com maiores liberdades, como a liberdade de imprensa, 
e com maior participação popular. Os extremados partiam do princípio de 
que a independência se associava à República.
 
Enfim a independência
Com a convocação da Constituinte, deu-se o primeiro passo para o 
processo de rompimento com Portugal. Os governos provinciais foram 
aconselhados a não mais empregar no serviço público funcionários que 
viessem de Portugal. A atitude de maior vulto, no entanto, foi a declara-
ção de Dom Pedro de que as tropas vindas de Portugal seriam declaradas 
inimigas no Brasil.
O governo português, como última tentativa de pressionar o príncipe re-
gente, deu-lhe um ultimato. Em agosto de 1822, enviou uma carta na qual 
exigia o retorno imediato a Portugal e a anulação da convocação da As-
sembléia Nacional Constituinte. Nos mesmos despachos que haviam che-
gado de Portugal, acusavam de traição os ministros. 
Quando esses documentos chegaram, D. Pedro estava em São Paulo — 
onde tinha ido apaziguar um clima de revolta. Dona Leopoldina e José 
Bonifácio enviaram, prontamente, mensageiros para alcançá-lo e colocá-lo 
a par das notícias e imposições portuguesas.
No dia 7 de setembro de 1822, D. Pedro foi alcançado em São Paulo às 
margens do riacho do Ipiranga, onde lhe foram entregues as cartas. Conta-
se que o “grito de independência” foi dado logo após a leitura das cartas. 
HISTÓRIA DO BRASIL II46
UNIMES VIRTUAL
Em primeiro de dezembro de 1822, então com vinte e quatro anos, D. Pe-
dro foi coroado imperador do Brasil e recebeu o título de D. Pedro I.
 
O Brasil se tornara independente em relação a Portugal, 
mantendo o regime monárquico, diferentemente dos vizi-
nhos sul-americanos que haviam se tornado independentes 
e optado pelo regime republicano. As diferenças não ficaram apenas na 
opção do regime de governo. O que causava maior espécie era a manu-
tenção de um herdeiro do trono português no comando da nova nação 
independente. 
A independência não alterou significativamente a vida da população humil-
de, ao menos no primeiro momento. A independência não trouxe a moder-
nização que se esperava, especialmente porque foi mantida a instituição 
responsável, em grande parte, pelo atraso do Brasil e pela dificuldade de 
construir uma nação moderna. 
HISTÓRIA DO BRASIL II 47
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Aula: 14
Temática: A consolidação da Independência 
 e o início do Primeiro Reinado
 
O primeiro grande problema do novo governo foi constituir 
um exército nacional. O número do efetivo existente era 
muito baixo e o exército desorganizado, portanto, desprepa-
rado para enfrentar as tropas portuguesas. Uma das soluções encontradas 
foi a contratação de mercenários na Europa com o objetivo de organizar 
um novo exército brasileiro capaz de enfrentar as guerras de independên-
cia. O oficial francês, Pedro Labatut, foi nomeado por Dom Pedro I para 
organizar as tropas brasileiras. Antes mesmo da Independência, Labatut 
exercera um papel na organização das tropas e nos combates às tropas 
portuguesas que estavam no país desde 1808. 
 
As regiões em que aconteceram os principais combates fo-
ram o Sul e o Nordeste. No Sul, na região da Província da 
Cisplatina, houve confrontos com tropas portuguesas, que 
acabaram sendo expulsas em novembro de 1823. 
Na Bahia, ocorreram os maiores combates e, conseqüentemente, o maior 
número de mortos. A vitória das tropas nacionais contou com a ajuda de 
milícias formadas por grandes proprietários de terras. Os portugueses fo-
ram expulsos em 2 de julho de 1823. 
Os pesquisadores acreditam que a maior proximidade, inclusive cultural, 
do Nordeste com Portugal, poderia explicar a concentração da resistência 
nessa região. Entretanto,devemos nos lembrar de que houve combates 
também no Maranhão e no Pará, na região Norte. 
 
O reconhecimento no plano internacional
Os Estados Unidos foram a primeira nação a reconhecer a independência 
brasileira, em maio de 1824. A Inglaterra adotou o reconhecimento logo de-
pois, obviamente, por ter vários interesses econômicos no Brasil, já que o 
novo país era o seu terceiro mercado externo. Segundo alguns historiadores, 
a Inglaterra demorou a reconhecer a independência brasileira, porque tenta-
va pressionar o governo brasileiro quanto à extinção do tráfico negreiro.
HISTÓRIA DO BRASIL II48
UNIMES VIRTUAL
O reconhecimento português ocorreu em agosto de 1825 com o intermédio 
da Inglaterra, que propôs um acordo segundo o qual, em troca do reconhe-
cimento, o Brasil pagaria a Portugal uma indenização, ou seja, ressarciria 
a antiga Metrópole em dois milhões de libras. Esse acordo é considerado 
a primeira dívida externa brasileira, já que o montante da indenização foi 
financiado junto a bancários ingleses. 
 
A Inglaterra faria também as suas exigências, entre elas, a 
da renovação de tratados assinados por Dom João VI em 
1810. Tais tratados, como vimos, beneficiavam os produtos 
ingleses. Com o consentimento brasileiro a Inglaterra continuou a se be-
neficiar de vários privilégios comerciais. No plano internacional, o Brasil 
superou a subordinação política de Portugal, mas continuou subordinado 
economicamente aos ingleses. 
 
Com o reconhecimento internacional resolvido, era a hora 
de resolver os problemas internos, ou seja, colocar em or-
dem o plano de organizar um novo país. Era preciso criar 
instrumentos constitucionais para dar legitimidade para o novo governo. 
Em maio de 1823, a Assembléia Constituinte se reuniu no Rio de Janeiro 
— capital do Império — com a proposta de redigir a primeira Constituição 
brasileira. O sistema eleitoral e a elaboração da Constituição serão o tema 
das aulas seguintes.
HISTÓRIA DO BRASIL II 49
UNIMES VIRTUAL
Aula: 15
Temática: A nova Constituinte
As eleições para a Assembléia Constituinte estavam sendo 
preparadas antes mesmo da proclamação da independên-
cia. Em maio de 1823, Dom Pedro abriu a sessão da câmara 
usando uma frase do monarca francês Luís XVIII: a constituição deveria 
ser digna dele e do Brasil. Com essa frase D. Pedro revelaria suas predis-
posições autoritárias. 
 
Os deputados eram de diferentes regiões do Brasil e repre-
sentavam diferentes grupos da sociedade brasileira, com 
interesses também distintos. A assembléia foi formada por 
fazendeiros, ricos comerciantes e membros da classe média. Os debates 
giravam em torno de três tendências ou correntes: 
Liberais moderados: ligada aos grandes proprietários de terras e aos ricos 
comerciantes, não viam com bons olhos a participação popular, mas defen-
diam uma certa modernização e a manutenção da monarquia centralizada. 
Liberais radicais: também chamados “liberais exaltados” ligados princi-
palmente às classes médias urbanas — pequenos comerciantes, jornalis-
tas, funcionários públicos e profissionais liberais — pregavam uma maior 
participação da população, e, sobretudo, defendiam a federação, chegan-
do a cogitar o regime republicano. 
Partido português: esse grupo representava os interesses dos ricos co-
merciantes portugueses que tinham negócios no Brasil. Muitos deles se 
sentiram prejudicados com a independência, principalmente com a con-
corrência com os produtos ingleses que, cada vez mais, ganhavam espa-
ço. Entre seus interesses estava a recolonização do Brasil.
As relações entre o imperador e a Assembléia foram tumultuadas. Os li-
berais concordavam em pelo menos um ponto: na diminuição do poder do 
imperador. A oposição concentrava-se no Partido Brasileiro e, para dimi-
nuí-la, D. Pedro costumava adotar a política de oferecimento de cargos no 
governo. Entretanto, essa estratégia não conseguiu amenizar as críticas 
da oposição e os conflitos se acirraram. 
HISTÓRIA DO BRASIL II50
UNIMES VIRTUAL
Juntos, os moderados e os radicais tinham um maior número de votos 
contra o imperador e esse número representava uma limitação para suas 
tendências absolutistas. Então, no dia 12 de novembro de 1823, o impera-
dor mandou os militares cercarem a Assembléia e prender vários deputa-
dos — inlcuindo os três Andradas. Por ordem de D. Pedro I, a Assembléia 
Constituinte foi dissolvida de maneira arbitrária.
 
Leia a seguir uma análise de Raimundo Faoro sobre as rela-
ções de poder nessa fase do Império: 
A assembléia constituinte não conseguiu estruturar a 
ordem política, de modo a conciliar, organicamente, 
o imperador ao país. O soberano, segundo o modelo 
tradicional de Avis e Bragança, queria ser o Estado, 
defensor de seus interesses e sentimentos, sem a 
intermediação de órgãos representativos. Os povos 
fazem o rei, mas não podem limitar-lhe o poder ou 
cassá-lo, porque, segundo a doutrina que sustentou 
a ascensão de D. João IV, “a lei da verdadeira jus-
tiça ensina que os pactos legítimos devem guardar 
e que as doações absolutas valiosas não se podem 
revogar”. A teoria liberal, de outro lado, fundada no 
mesmo dogma, não admite a irrevogabilidade do pac-
to, nem o incondicionalismo da outorga de poder. Os 
constituintes, consciente ou inconscientemente, reza-
vam todos por iguais letras: entre o rei e a nação não 
havia duas peças pertencentes ao mesmo corpo, que 
cumpria ajustar, soldar, fundir. O soberano e o país 
eram realidades diversas e separadas, cujo encontro 
se daria pela adesão ou pelo contrato, desconfiadas 
as partes da conduta de uma e outra, tendente o im-
perador ao despotismo e os representantes da nação 
à anarquia. (FAORO, 2000, p. 326)
HISTÓRIA DO BRASIL II 51
UNIMES VIRTUAL
Aula: 16
Temática: Constituição de 1824
Após a dissolução da Assembléia Constituinte, o imperador 
promulgou uma Constituição em 25 de março de 1824. A 
sua proposta apresentava semelhanças em relação ao pro-
jeto apresentado pelos deputados. A Constituição foi imposta pelo monar-
ca em uma clara demonstração de força: 
Antes de entrar no exame da Constituição, dois pon-
tos devem ser ressaltados. Um contingente ponde-
rável da população – os escravos – estava excluído 
de seus dispositivos. Deles não se cogita, a não ser 
obliquamente, quando se fala de libertos. O outro pon-
to se refere à distância entre os princípios e a prática. 
A Constituição representava um avanço, ao organizar 
os poderes, definir atribuições, garantir direitos indi-
viduais. O problema é que, sobretudo no campo dos 
direitos, sua aplicação seria muito relativa. Aos direi-
tos se sobrepunha a realidade de um país onde mes-
mo a massa da população livre dependia dos grandes 
proprietários rurais, onde só um pequeno grupo tinha 
instrução e onde existia uma tradição autoritária. 
(FAUSTO, 1995 p. 149)
Pela Constituição de 1824, o governo foi definido como monárquico, here-
ditário e constitucional e afirmava que “o Império é a associação política 
a todos os cidadãos brasileiros”. A religião católica foi definida como a 
religião oficial do Império. 
Entretanto, a marca mais característica da Constituição de 1824 foi a insti-
tuição do Poder moderador, um quarto poder, ao lado do Executivo, Legislati-
vo e Judiciário. Este quarto poder era exclusivo do monarca e, por seu inter-
médio, o imperador controlava a organização política do Império do Brasil. 
Diferentemente das constituições liberais que tendiam a diminuir o poder 
dos monarcas, a primeira Constituição brasileira fez o contrário. A divisão 
dos três poderes foi criada justamente para descentralizar o poder. 
 
Relações de poder na nova Constituição
O poder legislativo foi separado em Câmara e Senado. A eleição para as 
duas casas ocorria de forma diferenciada. Na Câmara a eleição dos repre-
HISTÓRIA DO BRASIL II52UNIMES VIRTUAL
sentantes era para um mandato temporário; no caso do Senado o man-
dato era vitalício. A escolha dos senadores era feita da seguinte forma: 
confeccionava-se uma lista com os três nomes mais votados da província 
para que o imperador escolhesse um deles para o cargo. Desse modo, o 
imperador tinha o poder de moldar o Senado, minimizando a atuação dos 
rivais políticos.
O poder Judiciário pela Constituição de 1824 permitia que houvesse inter-
ferência direta do imperador, pois cabia a ele a escolha dos magistrados 
mais importantes.
 
Com relação ao voto, era censitário e indireto. Indireto porque 
os eleitores escolhiam um corpo eleitoral em eleições primá-
rias; o corpo eleitoral elegia os deputados. Era censitário, por-
que o direito de voto estava vinculado a algumas exigências legais:
A eleição para a Câmara de Deputados se processava 
da seguinte forma. Nas eleições primárias, votavam 
os cidadãos brasileiros, inclusive os escravos liber-
tos, mas não podia votar, entre outros, os menores 
de 25 anos, os criados de servir, os que não tivessem 
renda anual de pelo menos de 100mil-réis provenien-
tes de bens de raiz (imóveis), indústria, comércio ou 
emprego. Os votantes, tivessem renda de, no mínimo, 
200 mil-réis anuais e não fossem escravos libertos. 
Os escolhidos nessas eleições primárias formavam o 
corpo eleitoral que elegeria os deputados. Os esco-
lhidos nessas eleições primárias formavam o corpo 
eleitoral que elegeria os deputados. Para ser candida-
to nessa segunda etapa, as exigências aumentavam: 
além dos requisitos anteriores era necessário ser 
católico e ter uma renda mínima anual de 400 mil-
réis. Não havia referência expressa às mulheres, mas 
elas estavam excluídas desses direitos políticos pelas 
normas sociais. Curiosamente, até 1882 era praxe ad-
mitir o voto de grande número de analfabetos, tendo 
em vista o silêncio da Constituição a esse respeito. 
(FAUSTO, 1995, p. 151)
Os presidentes das províncias e os ministros também eram escolhidos por 
D. Pedro I. Foi instituído um Conselho de Estado, que era composto por 
conselheiros vitalícios nomeados pelo imperador, com idade mínima de 
quarenta anos e uma renda mensal de no mínimo 800 mil-réis. 
A idéia de Poder Moderador teria sido baseada numa pro-
posta do filósofo liberal Benjamin Constant, que pregava a 
criação de um quarto poder do Estado. O “poder modera-
HISTÓRIA DO BRASIL II 53
UNIMES VIRTUAL
dor”, segundo o filósofo, garantiria estabilidade aos outros três (Executivo, 
Legislativo e Judiciário). No caso da monarquia, haveria a separação com 
o Poder Executivo, que seria exercido por um conjunto de ministros. O mo-
narca agiria apenas em disputas mais sérias entre os poderes, nesse caso, 
em nome do interesse nacional. Como vimos, não foi isso que ocorreu no 
império brasileiro. D. Pedro I assegurou a ele todos os poderes administra-
tivos, agindo de forma deliberada e centralizadora. 
HISTÓRIA DO BRASIL II54
UNIMES VIRTUAL
Aula: 17
Temática: A Confederação do Equador
A primeira reação de grande vulto após as atitudes autoritá-
rias do imperador veio, mais uma vez, da região Nordeste. 
Nos primeiros séculos da colonização brasileira, Pernambu-
co era a mais rica das capitanias, com uma grande produção açucareira 
que fez a fortuna de muitos senhores de engenho. O declínio se deu, a 
partir do século XVIII, com o aumento da concorrência internacional. O 
problema trouxe perdas consideráveis a vários produtores que esperavam 
o apoio do governo central. A falta desse apoio deu origem a grandes res-
sentimentos dos pernambucanos em relação ao governo imperial. 
A província de Pernambuco ainda não se recuperara dos 
acontecimentos que seguiram a rebelião de 1817, quando o 
imperador decretou a dissolução da Assembléia Constituin-
te. As atitudes do imperador fomentaram um novo levante contra as idéias 
centralizadoras do novo monarca. As idéias republicanas permaneciam no 
ar, assim como antilusitanismo. Essas idéias tinham o apoio de Cipriano 
Barata — que retornara da Europa. 
O imperador, por sua vez, ganhara muitos desafetos, como os irmãos An-
drada, que haviam sido companheiros do imperador e, a partir das medi-
das intempestivas do monarca, passaram a fazer-lhe dura oposição. Nessa 
época, a imprensa já adquirira certa importância e tornou-se palco de toda 
essa disputa política. 
Um dos principais opositores ao império, e com grande 
aceitação popular, foi o frei Joaquim da Silva Rabelo, tam-
bém conhecido como frei Joaquim do Amor Divino e mais 
tarde como frei Caneca. Ele havia tido um papel de destaque na revolta 
pernambucana de 1817. Frei Caneca teve uma infância humilde. Rece-
beu educação no Seminário de Olinda, onde teve contato com as idéias 
iluministas e liberais. Tornou-se um homem de grande respeito na região. 
O jornal dirigido por ele — Tifis Pernambucano — era um dos principais 
veículos de oposição ao governo. 
O estopim da crise em Pernambuco aconteceu com a no-
meação de um novo presidente da província fiel a D. Pedro 
I. Diante dessa medida arbitrária do imperador, Olinda e Re-
cife se rebelaram. A Confederação do Equador foi proclamada em dois de 
HISTÓRIA DO BRASIL II 55
UNIMES VIRTUAL
junho de 1824, por Manuel de Carvalho. Carvalho chegou a buscar a ajuda 
norte-americana, pedindo que fosse mandada uma frota ao porto do Recife 
contra a presença de navios ingleses e franceses. 
A Confederação do Equador tinha como proposta transformar em repúbli-
cas federativas Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e 
Pará. A revolta teve o apoio da população.
 
D. Pedro I organizou a reação contra os revoltosos. Os com-
bates duraram cerca de três meses, com violentos comba-
tes em várias cidades. Mais uma vez as tropas do governo 
foram mais eficientes militarmente do que a dos revoltosos. A Confedera-
ção foi derrotada em todas as províncias do Nordeste, mas foi derrotada, 
definitivamente, no mês de novembro de 1824. 
Os revoltosos foram punidos severamente. Um tribunal escolhido pelo 
imperador condenou várias pessoas à morte, entre elas, Frei Caneca que, 
apesar de inúmeros apelos, não obteve a clemência do imperador. Frei Ca-
neca não foi enforcado porque o carrasco se recusou. Foi, então, fuzilado 
por um pelotão, logo depois de ser excomungado. 
 
Essa Confederação foi um movimento importante, que marcou 
profundamente o Primeiro Império, e trouxe conseqüências e 
descontentamentos que levaram à abdicação do imperador. 
HISTÓRIA DO BRASIL II56
UNIMES VIRTUAL
Aula: 18
Temática: A derrocada de D. Pedro I
Como se justifica a relação de amor e ódio existente entre D. 
Pedro I e as diferentes camadas da população brasileira no 
século XIX? Em 1824 ele foi aclamado herói nacional. Após 
sete anos, em 1831, saiu de cena pressionado e com a figura abalada, 
forçado a renunciar, em favor do filho, e retornar a Portugal. Analisaremos 
os vários motivos que levaram à ascensão e queda do imperador.
 
Como vimos, o absolutismo do imperador angariou muitos 
inimigos e levou ao descontentamento várias camadas da so-
ciedade. Além dos problemas internos, sua política externa foi 
questionada e tornou-se alvo de severas críticas, no campo político-social. 
O problema teve início com sua atuação na rebelião da Cisplatina — hoje 
território uruguaio — anexada ao Império em 1821 por Dom João VI. A 
rebelião tinha como objetivo a independência da região que pretendia ligar-
se às Províncias Unidas do Rio da Prata, hoje território argentino. 
O imperador declarou guerra à Cisplatina em 1825. O conflito durou dois 
anos e foi um desastre militar para os brasileiros, o que acarretou numa 
catástrofe financeira para o país. A paz chegou com a intermediação da 
Inglaterra, que tinha interesses econômicos nas duas regiões. Com o fim 
do confronto e a separaçãoda região do Brasil, surgiu o Uruguai.
 
A guerra foi um desastre para a reputação do imperador e 
aumentou o descontentamento da população como o modo 
de arregimentar soldados. Desde antes da emancipação, as 
tropas eram formadas arregimentando-se pessoas à força, especialmente 
os humildes e os escravos. Foram contratadas tropas estrangeiras tam-
bém formadas, em sua maioria, por europeus pobres que buscavam, des-
se modo, um meio de melhorar de vida (FAUSTO, 1995, p. 155). 
Economia
Como se não bastassem a guerra e as rebeliões internas, a economia bra-
sileira seguia de mal a pior. Desde 1820 não vinha passando por uma boa 
HISTÓRIA DO BRASIL II 57
UNIMES VIRTUAL
fase. O Brasil foi obrigado a fazer ainda mais empréstimos, junto à Inglater-
ra, a juros muito altos. Pressionado pelos britânicos, o governo brasileiro 
se comprometeu, em 1827, a acabar com o tráfico negreiro em um prazo 
de três anos. Esse fato gerou descontentamento geral, principalmente en-
tre os fazendeiros, que não viam possibilidades de se manterem sem o 
sistema escravocrata.
Um segundo problema surgiu em relação ao Banco do Brasil, que passava 
por grandes dificuldades desde 1821 e abriu falência em 1829, acarretan-
do grande desvalorização da moeda brasileira. Em conseqüência disso, 
os preços dos produtos e alimentos dispararam, o que aumentou o des-
contentamento da população em relação ao imperador. A crise aumentou 
também o atrito entre portugueses e brasileiros. Isto ocasionou vários 
choques entre eles, já que grande parte do comércio era controlado por 
comerciantes portugueses que apoiavam o imperador.
No exército havia a suspeita de que o imperador poderia tentar reconstruir 
o antigo Reino Unido, o que colocaria o Brasil sob o domínio português. 
Estimulava essas suspeitas o fato de D. Pedro I ter se tornado herdeiro do 
trono português, após a morte de D. João VI, ainda que ele tivesse renun-
ciado a esse direito em favor de sua filha Maria. Além disso, as sucessivas 
campanhas desastrosas faziam com que os militares se afastassem, cada 
vez mais, do imperador. 
No ano de 1830, a queda do monarca francês Carlos X, considerado abso-
lutista e anticonstitucionalista, provocou comemorações em várias regi-
ões do Brasil. Em São Paulo, os estudantes do curso jurídico organizaram 
manifestações com luminárias e bandas de música. Os estudantes foram 
processados. O jornal Observador Constitucional, dirigido pelo jornalista 
italiano Libero Badaró, deflagrou uma campanha em defesa dos estudan-
tes. Em 20 de novembro, o jornalista foi assassinado. As suspeitas recaí-
ram sobre D. Pedro, que já estava com a imagem desgastada. 
No dia 11 de março, de 1831, D. Pedro I retornou ao Rio de Janeiro e en-
frentou a oposição nas ruas. O conflito culminou, no dia 13, com o ataque 
de um grupo mais exaltado contra casas de portugueses. Estes responde-
ram jogando garrafas, num episódio que ficou conhecido como a “Noite 
das Garrafadas”.
Após um manifesto redigido por vinte e três deputados e pelo 
senador Vergueiro, o imperador pressionado nomeou, em 19 
de março, um novo ministério formado por políticos mais sim-
páticos aos seus opositores. Entretanto, a oposição não cessou. No dia 25 
de março, comparecendo à cerimônia de comemoração do sétimo aniversá-
rio da Constituição Imperial, D. Pedro I ouviu gritos de “Viva D. Pedro II”. 
HISTÓRIA DO BRASIL II58
UNIMES VIRTUAL
Após novas manifestações de protesto, sem apoio e pressionado pelos 
comandantes militares que aderiram às manifestações de descontenta-
mento, D. Pedro foi forçado a abdicar ao trono, em 7 de abril de 1831, em 
favor de seu filho Pedro, com apenas cinco anos de idade. José Bonifácio 
foi nomeado seu tutor. 
 
Após a abdicação, D. Pedro I partiu primeiramente para a In-
glaterra e, posteriormente, para Portugal a fim de recuperar 
o trono português usurpado de sua filha, Maria II, pelo seu 
irmão D. Miguel.
HISTÓRIA DO BRASIL II64
UNIMES VIRTUAL
Aula: 19
Temática: Sistema Escravocrata
No modo como foi organizada a expansão cafeeira do sé-
culo XIX, o sistema escravocrata continuou tendo um papel 
essencial. Nas lavouras que se formaram no Vale do Paraíba 
e no Oeste de São Paulo os escravos continuaram sendo a principal força 
de trabalho. 
 
Além do trabalho árduo nas lavouras, a vida dos escravos 
nas fazendas de café era envolvida em uma série de res-
trições: eram proibidos de realizar ritos religiosos — que, 
segundo a Igreja, eram considerados pagãos — eram proibidos de falar 
as línguas africanas e não podiam expressar sua cultura.
As maiores pressões para o fim da escravidão no país vieram de fora do 
país, principalmente da Inglaterra. Vejamos o porquê dessa atitude:
É comum ligar-se essa tendência ao interesse britâ-
nico em ampliar mercados consumidores, a partir da 
vantagem obtida sobre os concorrentes com a Revo-
lução Industrial. Entretanto, essa afirmação contém 
apenas uma parte da verdade. A ofensiva antiescra-
vista decorre também dos novos movimentos nasci-
dos nos países mais avançados da Europa, sob a in-
fluência do pensamento ilustrado e mesmo religioso, 
como é o caso da Inglaterra. Acrescente-se a isso, 
no caso francês, a insurreição de negros libertos e 
escravos nas Antilhas. Em fevereiro de 1794, a Fran-
ça revolucionária decretou o fim da escravidão em 
suas colônias: a Inglaterra faria o mesmo em 1807. 
Lembremos, porém, quanto à França, que Napoleão 
revogou a medida em 1802. (FAUSTO, 1995, p. 109)
A pressão inglesa
Em 1827, o Brasil e a Inglaterra assinaram um tratado, segundo o qual, 
após três anos de sua ratificação, seria declarado ilegal o tráfico de negros 
para o Brasil. Por esse tratado, a Inglaterra adquiria o direito de abordar e 
revistar navios suspeitos em pleno mar. 
Em 1831, uma lei previa aplicação de penas severas aos traficantes e de-
clarava livres os escravos que entrassem no Brasil a partir daquela data. 
HISTÓRIA DO BRASIL II 65
UNIMES VIRTUAL
Essa lei foi aceita em um momento em que havia uma certa queda no fluxo 
de cativos, porém, assim que o fluxo começou a aumentar, ela deixou de 
ser aplicada. Para isso, colaboravam as relações existentes entre os pro-
prietários de terras e de escravos e os juízes locais. 
Naquele momento, os proprietários não enxergavam uma alternativa vi-
ável para substituir a mão-de-obra escrava. O aumento dos preços dos 
escravos já não fazia da escravidão uma alternativa vantajosa. Entretan-
to, a relativa ausência de rebeliões massivas e generalizadas de escravos 
mantinha a acomodação do sistema. 
Todavia, não se deve entender que não houve rebeliões de escravos 
durante o período colonial ou durante o império. Além dos quilombos, 
dos quais o mais conhecido é o Palmares, podemos ver alguns outros 
movimentos organizados. 
Revolta dos Malês
A província da Bahia foi marcada por uma série de movimentos de escra-
vos. Em 1835, houve uma revolta de centenas de escravos libertos que 
eram adeptos da religião muçulmana, conhecidos como malês. A rebelião 
foi marcada pela violência, acarretando a morte de pelo menos setenta 
participantes. Quinhentos africanos foram vítimas de repressão por parte 
do governo, incluindo pena de morte para alguns, prisão e chibatadas. 
A rebelião teria acontecido devido à imposição da religião católica e por 
causa da escravidão. 
O conceito de “jihad” é igualmente fundamental nesta 
discussão. Ao contrário de Arthur Ramos, João José 
dos Reis não compartilha das teorias “jihadistas” que 
afirmam que os malês organizaram sua rebelião com o 
propósito de repetir uma “guerra santa” na Bahia, lu-
tando indiscriminadamente contra africanos, brancos e 
crioulos “pagãos”. Como afirma João José dos Reis, a 
presença de escravos não-islamizados na luta demons-
tra que esta intenção não existia e que o objetivo maior 
era a luta pelaliberdade. (MOREIRA, 2007)
 
Após 1835 não ocorreram mais revoltas desse tipo. Por 
exemplo, no Rio de Janeiro, onde os escravos eram 40% 
da população, não houve conflito desse tipo. Os conflitos 
entre escravos e proprietários no Brasil tinham uma outra natureza. Seria 
interessante realizar uma pesquisa sobre isso. 
HISTÓRIA DO BRASIL II 59
UNIMES VIRTUAL
 
Resumo - Unidade II
Nessa unidade você estudou os principais fatos envolvidos 
no processo da nossa independência política, alguns confli-
tos que revelaram a face autoritária de D.Pedro I e, poste-
riormente, os conflitos que levaram à abdicação do imperador em favor 
do seu filho. 
Os episódios que envolveram D. Pedro I revelam os movimentos contra-
ditórios de um monarca dividido entre a tradição absolutista e as idéias 
liberais. Revelam também o processo não linear de constituição de um 
Estado-nação. 
 
Referências Bibliográficas
ABREU, Martha Campos. O império do divino. São Paulo: Nova Fronteira, 
1999.
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. História da vida privada no Brasil: Impé-
rio. São Paulo: Cia das Letras, 1997, Vol. II.
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FRAGOSO, João L. R.; FLORENTINO, Manolo. O arcadismo como proje-
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HISTÓRIA DO BRASIL II60
UNIMES VIRTUAL
MACHADO, Maria H. O plano e o pânico: os movimentos sociais na 
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MATTOS, Ilmar R. O tempo saquarema. São Paulo/Brasília: HUCITEC/INL, 
1987.
HISTÓRIA DO BRASIL II66
UNIMES VIRTUAL
Aula: 20
Temática: Os escravos na corte
Em 1850, 38% da população do Rio de Janeiro era negra. 
Era a maior população escrava urbana das Américas. 
 
Em uma data em que o tráfico estava legalmente proibido, 
1849, um censo demonstrava que a cada três habitantes 
do Rio de Janeiro um havia nascido na África. Viveriam na 
corte, aproximadamente, 74 mil africanos. Nos portos do Rio de Janeiro 
no período de vinte e cinco anos, entre 1825 e 1850, chegaram cerca de 
250 mil escravos no Brasil.
Outros municípios e cidades brasileiras e americanas 
tinham proporções maiores de cativos. Uma das mais 
fortes deve ter sido a registrada defronte à corte, em 
Niterói, onde, em 1833, quatro quintos da população 
eram escravos. Ou em Campos, ainda na província flu-
minense, povoada em 1840 por 58 mil habitantes, dos 
quais 59% eram escravos. Salvador também possuía 
uma importante população africana livre ou cativa. No 
entanto, a capital baiana tinha menor porte, cerca de 
81 mil habitantes em 1855, reunia menos europeus 
e não concentrava – como a corte – os atributos po-
líticos e culturais que acentuavam os contrastes da 
escravidão urbana no Rio de Janeiro. (ALENCASTRO, 
1997, p. 27)
Em 1850, O Brasil se tornou o único país a praticar o tráfico negreiro por 
meio da pirataria, já que o tráfico estava proibido pelas leis internacionais 
e pelas próprias leis brasileiras.
O escravo no cotidiano da cidade
O escravo era presença constante nas grandes cidades, pois exerciam 
diversos trabalhos na vida da cidade. Cumpriam diversas funções: vende-
dores ambulantes, amas de leite, trabalhavam no comércio, nos serviços 
e nas casas. As mulheres brancas saíam pouco às ruas, portanto, os es-
cravos eram enviados para todos os tipos de atividades: fazer compras no 
mercado, enviar recados etc. Existiam os escravos chamados pejorativa-
mente de “tigres”, que eram obrigados a carregar os dejetos domésticos 
para serem lançados ao mar. Havia também os vendedores de ervas que, 
HISTÓRIA DO BRASIL II 67
UNIMES VIRTUAL
com sua experiência e conhecimento natural, tinham remédios para diver-
sos males.
O escravo não era peça exclusiva dos grandes senhores e ricos comercian-
tes. Havia casos de cidadãos apenas remediados — pequenos proprietá-
rios ou comerciantes — que compravam um escravo exclusivamente para 
que pudesse trabalhar em seu lugar ou ajudá-lo em seu ofício. Em algumas 
casos, o cativo era alugado para ser utilizado por uma outra pessoa em 
troca de dinheiro. Sem falar do escravos de ganho, que ganhavam dinheiro 
com o exercício de alguma profissão ou habilidade e pagavam os seus 
donos. Desse modo, muitos escravos conseguiram economizar e comprar 
a sua carta de alforria. 
 
Nas ruas do Rio de Janeiro, muitos negros livres usavam 
calçados para não serem confundidos com os escravos, 
cuja distinção se dava por meio dos pés descalços. Por 
mais bem vestidos que estivessem, os escravos eram obrigados a andar 
descalços para demonstrar sua posição. Em muitos casos, os escravos 
fugidos, nas cidades usavam calçados para enganar as autoridades, fazen-
do-se passar por libertos.
 
Os registros de viajantes constituem excelente fonte de es-
tudos da vida cotidiana nas cidades do Império, incluindo a 
presença negra. Entre os viajantes podemos citar Debret, 
Spix e Martius e Rugendas. . Por meio das imagens, podemos observar a 
situação social dos negros, os trabalhos para os quais eram empregados, 
os castigos corporais, as expressões culturais etc. O fascínio dos viajantes 
se justificava, era uma forma de retratar o novo e o exótico para o olhar 
europeu. Imagens como essas eram muito apreciadas na Europa. 
 
http://www.studium.iar.unicamp.br/nove/6.html?studium=index.html
A situação dos cativos ou libertos, a partir da segunda metade do século, 
pode ser analisada também por meio das fotografias. Na maioria das ve-
zes, os escravos eram retratados bem vestidos e em poses distintas, tudo 
direcionado pelo olhar do profissional. Isso pode se explicar da seguinte 
HISTÓRIA DO BRASIL II68
UNIMES VIRTUAL
maneira: muitos senhores de gostavam de se fotografar, com seus cativos, 
para presentear amigos e familiares, fazendo uma demonstração de status 
e poder. Eram produzidos também cartões postais com as fotografias. Tais 
cartões eram bem consumidos na Europa. 
Expressões culturais
Como vimos, os cativos eram proibidos de expressar sua cultura nas fa-
zendas. Não era diferente nos centros urbanos. Todavia, apesar das proi-
bições, os escravos conseguiram ludibriar a vigilância constante e manter 
viva sua cultura, religião e tradição. Na religiosidade encontramos um bom 
exemplo. Muitos cativos não aceitaram a imposição da religião católica 
de forma passiva, utilizavam outros recursos para manter suas crenças. 
Algumas religiões de origem africana faziam ligações com a religião cris-
tã, passando a adorar os santos cristãos com outros nomes. Os negros 
faziam, assim, uma espécie de adaptação para que pudessem continuar 
com sua crença e religiosidade, uma espécie de resistência à opressão. A 
resistência, ou a simples permanência dos valores culturais africanos na 
cultura católica dominante, resultou num sincretismo religioso que pode 
ser visto, principalmente, na Bahia nos dias de hoje.
As manifestações culturais dos negros eram vistas como algo pernicioso e 
selvagem pelas elites locais e, por isso, eram combatidas e proibidas. Nas 
cidades, principalmente no Rio de Janeiro, havia reclamações constantes 
acerca dos cânticos e danças dos escravos no dia-a-dia da cidade. Alen-
castro fez observações interessantes sobre isso:
Não se tratava de um problema rítmico, ou mesmo instrumental: a músi-
ca e as danças afro-brasileiras apresentam-se como resultantes de uma 
prática social, de uma cadênciasonora que compassava os trabalhos, os 
serões, o transporte de gente e de carga, o refluxo do choro, a sublima-
ção da dor, o tédio da espera ao abrigo da chuva, o embalo dos bebês, a 
viagem para o Além. A onipresença dos ritmos afro-brasileiros deriva da 
onipresença da escravidão afro-brasileira (ALENCASTRO, op. cit. p. 45).
 
Apesar disso, traços da fala negra — incluindo palavras, 
superstições e expressões — foram incorporados à fala 
branca e se mantiveram vivos. Se pensarmos um pouco, 
poderemos perceber que, apesar de toda a repressão, a cultura negra so-
breviveu e sobrevive nos dias de hoje, influenciando na construção da cul-
tura brasileira. Seus ritmos, instrumentos, músicas, expressões, estética 
etc. estão incorporados na “alma nacional”.
HISTÓRIA DO BRASIL II 69
UNIMES VIRTUAL
Aula: 21
Temática: Entre a opressão e a violência
A libertação dos escravos foi a mais ampla e profunda trans-
formação social do continente americano no século XIX. 
Apesar de tardia, a Lei Áurea no Brasil significou o fim de 
um período de opressão e violência de um ser humano em relação a outro. 
Entretanto, a abolição da escravidão conduziu os negros a uma espécie de 
ostracismo social. Vamos estudar as relações de domínio impostas aos 
cativos brasileiros e suas formas de resistência.
 
Segundo Hebe Matos de Castro, a relação de poder privado 
do senhor sobre seus escravos definia, essencialmente, a 
ordem escravista brasileira. Por meio de dispositivos práti-
cos e legais, a sociedade imperial procurou acondicionar o seguimento da 
escravidão, usando para isso a existência legal do domínio privado de um 
ser humano sobre outro. A continuidade da escravidão durante o período 
imperial foi justificada pelo direito positivo, ou seja, o direito de proprieda-
de dos proprietários sobre seus escravos, descritos juridicamente como 
simples mercadoria. 
Para os escravos, viver na América representava uma experiência dolorosa 
de ressocialização em condições muito adversas. Contudo, tais condições 
permitiram a aproximação e a construção de uma identidade africana que 
seria improvável na África, pois exigia a união de tribos totalmente distintas. 
Observe como funcionava o mecanismo de controle dos senhores sobre 
os seus escravos:
O segredo do código paternalista de domínio escravista 
estava no poder senhorial de transformar em conces-
são qualquer ampliação do espaço de autonomia no 
cativeiro. A violência era ainda parte integrante desse 
sistema, mas passava a responder a certas regras ou 
expectativas, que acabavam por legitimá-la perante 
os próprios escravos. Até mesmo a compra da alforria 
pelo cativo podia ser lida como concessão senhorial 
– desde a doação do tempo e das condições para for-
mar o pecúlio e a concessão do reconhecimento da-
quela propriedade até a concordância com a alforria 
mediante indenização. A família escrava também era 
concessão senhorial (CASTRO, 1997, p. 354)
HISTÓRIA DO BRASIL II70
UNIMES VIRTUAL
A forma mais utilizada para o controle social dos escravos 
foi o uso da violência de modo recorrente, a fim de que os 
negros aceitassem sua condição de vida e incorporassem a 
obediência servil ao senhor e não confabulassem revoltas. Porém, existiam 
outras formas de condicionar o cativo. A classe senhorial não utilizava ape-
nas a prepotência e as ações arbitrárias na lida com os escravos; usavam 
também a artimanha e o favor como instrumentos para atar os escravos 
na armadilha de seus anseios. 
Muitos senhores estimulavam a formação de laços de parentescos entre 
os cativos ou instituíam um sistema diferenciado de incentivos – com o 
objetivo de tornar os cativos dependentes e reféns de suas próprias soli-
dariedades e projetos domésticos. (SLENES, 1997, p. 237)
 
Os documentos da época, bem como alguns estudiosos 
falam em “senhores bons” ou em “cativeiro justo”, mas, 
segundo Slenes, o emprego desses termos representa o re-
conhecimento e a legitimidade da sociedade escravocrata. Ou seja, essa 
visão leva em conta as condições do funcionamento e não o direito de 
propriedade de seres humanos para seres humanos.
Após a abolição, alguns senhores procuraram incentivar a permanência 
dos antigos cativos em suas propriedades, apelando para a gratidão e 
contando com a força dos laços de família e vizinhança construídos pelos 
cativos nos tempos de escravidão. Mas foram poucas as fazendas que 
continuaram com o mesmo grupo de ex-escravos. A maior parte dos liber-
tos preferiu tentar novas atividades e grande parte dos senhores, especial-
mente em São Paulo, preferiu o trabalho dos imigrantes. 
 
No Brasil, diferentemente de outras regiões da América, o 
governo imperial não utilizou um discurso científico que pre-
gava as diferenças raciais para legitimar a escravidão. Ao 
invés disso, produziu uma plataforma jurídica.
HISTÓRIA DO BRASIL II 71
UNIMES VIRTUAL
Aula: 22
Temática: A Inglaterra fechou o cerco
Diante do descumprimento das leis de extinção do tráfico 
de escravos no Brasil, a Inglaterra partiu para atitudes mais 
drásticas. O Parlamento inglês assinou a lei Bill Aberdeen, 
por meio da qual a Inglaterra poderia abordar qualquer navio suspeito de 
tráfico de escravos, aprisionando-o, em caso positivo. A ação inglesa ge-
rou muita polêmica, e, principalmente por não respeitar a soberania brasi-
leira, dezenas de navios foram aprisionados. 
Devido à pressão inglesa, o Brasil aprovou, em 1850, a lei de Eusébio de 
Queirós, pela qual o tráfico negreiro passou a ser considerado pirataria e 
os infratores seriam julgados por tribunais especiais. Após a lei Eusébio de 
Queirós, a entrada de escravos no Brasil caiu, drasticamente, de 54 mil em 
1849 para 3.300 em 1851. 
A pressão inglesa não diminuiu. A Inglaterra enviu seus navios para águas 
brasileiras e ameaçou bloquear os principais portos. Alguns incidentes 
ocorreram, como no Paraná, onde um navio inglês trocou tiros com supos-
tos traficantes no forte de Paranaguá. 
Todavia, a escravidão estava com os dias contados desde a extinção do 
tráfico, pois o sistema era dependente das importações. O número de es-
cravos era insuficiente para abastecer o mercado interno.
 
O texto a seguir faz uma avaliação do abolicionismo no Brasil: 
O pensamento abolicionista, como toda doutrina re-
formadora no Brasil, nasceu do liberalismo europeu 
do século XIX, que na Europa contava com o suporte 
da revolução industrial, a urbanização acelerada e o 
crescimento econômico, mudanças que foram possí-
veis pela aplicação da ciência e da tecnologia. Entre-
tanto, o liberalismo, no Brasil, surgiu como resultado 
de tendências desprovidas do respaldo de qualquer 
mudança econômica profunda. 
Mesmo assim as idéias abolicionistas vão crescendo 
pouco a pouco, embora levem longo tempo para tor-
narem-se uma força política decisiva. 
HISTÓRIA DO BRASIL II72
UNIMES VIRTUAL
Aqui e ali, de vez em quando, umas poucas vozes isola-
das tinham clamado pela abolição geral desde o começo 
do século XIX. Dentre as vozes isoladas, a mais famosa 
foi a de José Bonifácio em 1825, logo após a indepen-
dência do Brasil. Sua proposta, porém, não foi levada 
em conta e o tráfico de africanos continuava em grande 
escala, pois ninguém ousava a ele se opor, até que a 
pressão britânica forçasse o seu término em 1850. 
Com o suprimento de escravos cortado, e com as alfor-
rias, embora o tráfico clandestino permaneça por algum 
tempo, é natural que a população servil aos poucos vá 
decrescendo. Dessa forma, há uma certa reorganiza-
ção interna e a escravatura deixa de ser uma questão 
política por algum tempo. A calmaria, entretanto, foi 
quebrada em 1866, e novamente por pressão externa, 
neste caso, a pressão veio da França, no mesmo ano, 
quando um grupo de abolicionistas franceses apelou 
ao imperador D. Pedro II solicitando-lhe que exerces-se sua autoridade para acabar com a escravidão. Em 
resposta ao grupo, o imperador compromete-se e esta 
passa a ser a primeira promessa formal de abolição de 
um sistema que vai entrando em falência, cuja derroca-
da será apenas uma questão de tempo. 
O certo é que os abolicionistas, desde o começo, de-
veram muito à opinião estrangeira, e quando muito, 
ao menos pelos princípios cristãos que deveriam nor-
tear um país oficializado católico pela Constituição de 
1824, D. Pedro II era obrigado a responder às pres-
sões estrangeiras. (DEUS, 1997)
HISTÓRIA DO BRASIL II78
UNIMES VIRTUAL
Aula: 23
Temática: Regência
Após a abdicação de D. Pedro I, criou-se no Brasil um pro-
blema político a respeito da sucessão. Segundo a Constitui-
ção, o sucessor seria o filho primogênito do imperador, que 
contava com apenas cinco anos de idade. A solução foi escolher uma junta 
provisória, com três regentes, para governar em nome do imperador até 
que ele completasse dezoito anos de idade. Em junho de 1831 foi eleita a 
regência trina permanente.
 
O período denominado regencial foi um dos mais conturba-
dos da história brasileira. Uma das principais tarefas dos 
regentes era promover a descentralização política do gover-
no, dando maior autonomia às províncias e reformulando os quadros do 
exército.
Em 1831, foi criada a Guarda Nacional, com a função diminuir o poder das 
milícias locais no país. A lei que criou a Guarda Nacional tinha como propos-
ta organizar um grupo armado de cidadãos “confiáveis”. Essa nova institui-
ção deveria dar estabilidade aos municípios. O grande problema é que a lei 
poderia encarregar os fazendeiros de organizar os destacamentos em suas 
regiões. Com essa medida, o governo se protegia de uma eventual revolta 
e dava aos fazendeiros meios de disporem legalmente das armas. O alista-
mento era obrigatório, desfalcando, dessa maneira, os quadros do exército.
A partir de 1832, com o Código de Processo Criminal, os juízes de paz ga-
nharam novas atribuições, passando também a comandar a polícia local. 
Eles seguiam o modelo inglês com a instauração do júri e deferimento de 
habeas corpus para pessoas presas ilegalmente. Eram eleitos pela popu-
lação local, muitas vezes com a intervenção da elite dominante local, que 
exercia a pressão sobre a população local para a escolha de determinado 
candidato. Os juízes eleitos, por sua vez, reconheciam o cargo e favore-
ciam a elite local.
Política
Após a abdicação de D. PedroI, o grupo político vencedor foi o dos liberais 
moderados, organizados pela tradição da maçonaria que se reuniam na 
Sociedade Defensora da Liberdade e Independência Nacional. Entre os li-
HISTÓRIA DO BRASIL II 79
UNIMES VIRTUAL
berais estavam figuras de destaque da política de São Paulo, Minas Gerais 
e Rio de Janeiro. No grupo oposicionista estavam os “exaltados” que de-
fendiam um governo federativo e liberdades individuais, entre eles alguns 
republicanos. Os absolutistas — também na oposição — eram em sua 
maioria portugueses, com altos postos na burocracia pública e no exérci-
to, sem contar com os ricos comerciantes que compunham suas fileiras. 
Queriam o retorno do imperador D. Pedro I ao poder.
 
Em 1834, a Câmara dos Deputados aprovou o Ato Adicional 
à Constituição, por meio do qual se impôs limites ao Poder 
Moderador. Pelo Ato, as províncias adquiriram maior poder e 
liberdade, embora os os presidentes continuassem sendo nomeados pelo 
poder central. Foram criadas as Assembléias Provinciais com a função de 
agir sobre assuntos ligados a impostos, educação, religião, nomeação de 
funcionários públicos etc. 
O Ato Adicional de 1834 também determinava que a Regência Trina seria 
substituída pela Regência Una. Foram realizadas eleições para a escolha 
do regente em 1835. O vencedor foi político e padre paulista Diogo Antô-
nio Feijó.
A nova estrutura administrativa desagradou alguns grupos regionais que 
se viam ameaçados com a nomeação dos presidentes provinciais. Alguns 
grupos políticos discordavam da maneira pela qual o governo central re-
colhia e distribuía os impostos. Segundo alguns políticos de províncias 
economicamente mais fortes, os impostos saíam de suas províncias para 
beneficiar outras.
 
No período a seguir, de 1835 a 1840, houve cinco rebeli-
ões internas de grandes proporções em regiões distintas do 
país. Cada revolta teve como motivo as desavenças entre o 
poder central da Regência e os poderes dos chefes regionais.
HISTÓRIA DO BRASIL II 73
UNIMES VIRTUAL
 
Resumo - Unidade III
Nesta unidade você estudou o funcionamento do sistema 
escravocrata e os fatores que o legitimavam. É essencial 
destacar que a abolição foi resultado de transformações in-
ternas e pressões externas. A luta política interna se explica por meio da 
desigual modernização da nossa economia. 
É importante ressaltar os fatores econômicos e ideológicos que legitima-
vam a escravidão e, posteriormente, levaram à abolição da escravatura.
 
Referências Bibliográficas
ABREU, Martha Campos. O império do divino. São Paulo: Nova Fronteira, 
1999.
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liberdade no sudeste escravista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.
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HISTÓRIA DO BRASIL II74
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Links
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dos conceitos religiosos. 
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do 12/12/2007.
DEUS, Zélia Amador de. A questão racial no Brasil. Disponível em: http://
www.lpp-uerj.net/olped/documentos/ppcor/0090.pdf. Acessado em 
12/12/2007.
HISTÓRIA DO BRASIL II80
UNIMES VIRTUAL
Aula: 24
Temática: Revoltas provinciais 
 
 
As revoltas provinciais apresentaram peculiaridades regio-
nais, mas, de um modo geral, todas elas apresentavam um 
descontentamento em relação ao poder central. 
No Rio de Janeiro também houve levantes — no total de cinco — que 
causaram grande preocupação em relação à segurança do pequeno impe-
rador “caso a anarquia se instalasse na cidade e as províncias do Norte se 
separassem do Sul” (FAUSTO, 1995, 165). As revoltas de maior impacto 
foram as que ocorreram no Nordeste e no Rio Grande do Sul.
Cabanagem
Tratou-se de uma rebelião acontecida na província do Grão-Pará— que reu-
nia o Pará e o Amazonas — entre 1835 e 1840. Esse movimento teve forte 
caráter popular, mas, apesar disso, não tem sido considerado um movimen-
to revolucionário por não ter contado com uma base ideológica definida. O 
principal objetivo dos revoltosos era dominar as assembléias provinciais, 
forçando-as a tomar uma posição em relação às camadas mais pobres da 
população. Os combates duraram cerca de cinco anos, envolvendo indíge-
nas, mestiços e homens do povo. Alguns estudiosos classificam a Cabana-
gem como uma revolta da maioria de índios, mestiços e escravos contra a 
minoria branca formada, sobretudo, por comerciantes portugueses. 
A Cabanagem não dever confundida com a Revolta 
dos Cabanos ou Cabanada, que ocorreu em Pernam-
buco, entre 1832 e 1835, se alastrando até a provín-
cia de Alagoas, cujas origens estão relacionadas à 
abdicação de D. Pedro I. A revolta dos cabanos tem 
sido caracterizada como um movimento restaurador: 
Esse movimento abrangeu, de uma parte, o nordeste 
e, de outra, o sul do país, a começar pelo Rio de Ja-
neiro, onde seus partidários ficaram conhecidos pelo 
nomes de caramurus, tirado do jornal O Caramuru, 
onde suas idéias eram expostas. No plano ideológi-
co, o movimento atingiu as cidades e o campo. Nas 
primeiras, fruto da ação do grupo mercantil português 
e, no segundo, pela adesão da população campesina, 
influenciada inicialmente pelas idéias restauradoras. 
Assim, lavradores, escravos fugidos (“papa méis”) e 
indígenas abraçaram a causa restauradora que reunia 
HISTÓRIA DO BRASIL II 81
UNIMES VIRTUAL
comerciantes, religiosos e militares ao lado daqueles 
que sempre haviam estado em campo francamente 
antagônico. Deturpada, sem qualquer projeto que 
atendesse às reivindicações da massa rural, a re-
belião restauradora desenvolveu-se sob a forma de 
guerrilhas (...). Após três anos de luta encarniçada, a 
morte do imperador e o insucesso do movimento res-
taurador no Ceará apresentaram o esvaziamento e a 
extinção da Cabanada. O preço da luta foi alto: cerca 
de 15.000 mortos, mais de 140 engenhos destruídos, 
a produção açucareira reduzida em 5% (...) (AZEVE-
DO, 1990, p. 66)
 
Sabinada
Essa revolta teve seu principal foco na cidade de Salvador na Bahia, em 
1837. Seus componentes eram provenientes da classe média liberal, de-
fendiam idéias federalistas de maior autonomia para as províncias. 
O nome da revolta surgiu em função de um de seus líderes, o médico e 
jornalista Francisco Sabino Barroso. Um aspecto peculiar nessa revolta era 
o comprometimento com a liberdade para os escravos que lutassem na re-
volta e fossem nascidos no Brasil. Os rebeldes expulsaram o presidente da 
província e se recusaram a obedecer às ordens do governo. Planejavam 
instaurar uma República independente até a maioridade do imperador. A 
Sabinada durou quatro meses e deixou 3000 feridos e 1.500 mortos. 
Balaiada
O Maranhão, que em outros tempos era uma região rica e próspera prin-
cipalmente devido à exportação do algodão, enfrentava duros problemas 
na sua economia, afetando a população pobre. As várias disputas e rivali-
dades entre as elites locais, além dos abusos sofridos pelos camponeses, 
geraram uma revolta popular. Os sertanejos invadiram e saquearam várias 
fazendas e libertavam os escravos para que se unissem à revolta. Num 
primeiro momento, um grupo da elite local tentou aproveitar-se da situa-
ção e usá-la contra o governo, mas a revolta fugiu ao controle, o que gerou 
grande pânico entre os fazendeiros.
O nome “balaiada” veio do ofício de um dos líderes, Raimundo Gomes, 
que era vendedor de balaios. Entre os líderes do movimento também havia 
um negro, chamado Cosme, que haveria tido sob o seu comando três mil 
escravos fugidos. Os insurgentes ganharam força e com isso a revolta se 
espalhou pelo interior, chegando a conquistar a segunda mais importante 
cidade da província. 
HISTÓRIA DO BRASIL II82
UNIMES VIRTUAL
As tropas do governo agiram rápido. Os rebeldes foram derrotados em 
1840. As tropas oficiais foram comandas por Luís Álvares de Lima e Silva, 
o futuro Duque de Caxias. Os rebeldes foram anistiados e os negros rees-
cravisados. O líder negro Cosme foi enforcado.
 
Na próxima aula examinaremos as rebeliões ocorridas no 
Sul do país. 
HISTÓRIA DO BRASIL II 83
UNIMES VIRTUAL
Aula: 25
Temática: Guerra no sul do país
O Rio Grande do Sul, desde os tempos coloniais, havia se 
especializado na criação de gado. Os principais produtos 
de venda eram o charque e o couro, e disso dependia, es-
sencialmente, a sua economia. Tais produtos eram apreciados em vários 
locais do Brasil. Porém, com a importação de charque da Argentina e do 
Uruguai e com o aumento dos impostos, ficou difícil para os gaúchos con-
correrem com a carne estrangeira.
 
Toda a produção da província estava ligada ao consumo in-
terno, nas diferentes regiões do país. A criação de gado se 
localizava principalmente no sul da província, em terras pró-
ximas à fronteira uruguaia onde se encontravam os grandes criadores de 
gado. Os chamados charqueadores tinham as suas indústrias instaladas 
no litoral do Rio Grande do Sul, nas chamadas áreas das lagoas.
O aumento dos impostos e a importação da carne Argentina geraram gran-
de descontentamento na região, especificamente em 1835, quando os 
ricos estancieiros, liderados por Bento Gonçalves, revoltaram-se, dando 
início a um dos maiores conflitos militares do Brasil, a Guerra dos Farrapos 
ou Farroupilhas. Durante muito tempo, foi ensinado nas escolas que o ter-
mo “farroupilhas” era assemelhado à “maltrapilhos”, derivando do apelido 
dado pelos adversários aos rebeldes que, segundo eles, vestiam-se com 
farrapos. Mas, pelo contrário, o apelido foi dado com o intuito de despre-
zar as tropas gaúchas, cujos líderes representavam a elite dos estancieiros 
que detinham muito dinheiro e poder na província.
 
O início do conflito
Em vinte de novembro de 1835, os estancieiros, com Bento Gonçalves à 
frente, depuseram o presidente da província, fiel ao poder central, expul-
sando as tropas imperiais da região. Porém, Bento Gonçalves foi preso por 
tropas imperiais e enviado para uma prisão em Salvador. Em novembro de 
1836, os revoltosos proclamaram, na cidade de Piratini, a República rio-
grandense e a sua separação do Brasil. Ainda preso, Bento Gonçalves foi 
escolhido presidente e assumiu o cargo após fugir da prisão, em 1837. 
HISTÓRIA DO BRASIL II84
UNIMES VIRTUAL
A luta federalista prosseguiu. Entre os rebeldes houve um grupo de estran-
geiros, no qual se destacou Giuseppe Garibaldi, revolucionário italiano 
que havia sido exilado de seu país. As tropas gaúchas eram formadas por 
peões de fazendas, escravos e homens livres. Os rebeldes atacaram Santa 
Catarina, em 1839, e proclamada a República Juliana — por ter sido pro-
clamada no mês de julho.
O governo regencial enviou tropas para acabar com a insurreição, mas 
as tropas imperiais tiveram insucessos perante os rebeldes. De 1835 a 
1840, as tropas revoltosas garantiram vários sucessos. A partir de 1840, 
as tropas legalistas, com um contingente maior, colocaram os farrapos na 
defensiva. 
A posição do governo foi abrir negociação e fazer concessões. Os líderes 
revoltosos tinham elevada posição social e era importante para o império 
retomar o controle da região. Entre as concessões, podemos citar o decre-
to que cobrava 25% sobre a carne vinda do Prata.
No ano de 1840, com a maioridade do imperador, foi oferecida uma anistia 
que, entretanto, foi prontamente recusada pelos líderes da revolução. A 
nomeação de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, como pre-
sidente e comandante de armas da província em 1842, foi fator decisivo 
para que se chegasse a um acordo de paz pela via diplomática. 
Após dez anos de combates, foi posto um fim ao confronto com o chama-do tratado de Ponche Verde, que tinha como principais condições:
anistia aos revoltosos;
os soldados “farroupilhas” seriam incorporados ao exército imperial 
com suas mesmas patentes;
O governo imperial assumiria as dívidas contraídas pela então Repú-
blica de Piratini;
a escolha do presidente da província caberia aos “farrapos”;
manter a taxa de 25% sobre o charque importado.
A atuação de Lima e Silva foi extremamente importante para os gaúchos 
e para o governo. O império reconheceu seu trabalho e esforço pelos quais 
outorgou ao general o título nobiliárquico de Conde Caxias (1845).
 
Há controvérsia entre os historiadores sobre se os farrapos 
desejavam ou não se separar do Brasil, formando um novo 
país juntamente com o Uruguai e as províncias do Prata. 
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Seja como for, um ponto comum entre os rebeldes era o de fazer o Rio 
Grande do Sul pelo menos uma província autônoma, com rendas próprias, 
livre da centralização do poder imposta pelo Rio de Janeiro.
 
A revolução farroupilha forçou o Brasil a realizar uma polí-
tica externa na região platina, bem diferente da tradicional. 
Durante anos, o Brasil seria forçado a não ter uma política 
agressiva no Prata e a buscar acordos com Buenos Aires para ocupar-se 
de uma revolução no interior de suas fronteiras. (FAUSTO, 1995, p. 170)
HISTÓRIA DO BRASIL II86
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Aula: 26
Temática: A política regencial
As revoltas do período trouxeram muita preocupação e te-
mores para os grupos que dominavam a cena política bra-
sileira. Os políticos culpavam a ideologia liberal do período 
pelas constantes revoltas. Para os conservadores, o fato de o governo 
regencial ter dado maior liberdade às províncias estimulou as lutas pelo 
poder. A solução, segundo eles, seria a volta da centralização política nos 
moldes do Primeiro Império.
No campo político, a separação acontecia da seguinte forma: os conser-
vadores eram em sua maioria magistrados, altos funcionários públicos, 
proprietários rurais, sobretudo, do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, 
além dos ricos comerciantes portugueses. Os liberais eram, principalmen-
te, da classe média urbana, clérigos e proprietários rurais das regiões de 
São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. Desse modo, se desenhava uma 
separação político-regional que fez com que, posteriormente, São Paulo e 
Minas Gerais ganhassem destaque no cenário político nacional.
No ano de 1838, foram realizadas as eleições para o parla-
mento e para a escolha de um novo regente. A vitória ficou 
com os conservadores, que agiram para desfazer as refor-
mas liberais. Esse período ficou conhecido como “regresso” e marcou a 
volta da centralização política. 
Os juízes de paz, que eram eleitos nos municípios, perderam as funções 
de chefes de polícia, que passaram a ser indicados pelo poder central. 
Os conservadores acreditavam que essas medidas eram necessárias para 
cessar as revoltas que vinham acontecendo.
Os liberais, derrotados nas eleições, iniciaram uma campanha para que o 
imperador pudesse assumir o trono antes da maioridade. Eles acreditavam 
que essa era única maneira de barrar a política conservadora, colocando 
um ponto final no governo regencial.
A coroação de D. Pedro II
A campanha conquistou simpatia popular, principalmente, por tratar-se de 
um monarca nascido no Brasil. Segundo os liberais, a figura do imperador 
era necessária para trazer tranqüilidade e paz.
HISTÓRIA DO BRASIL II 87
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No dia vinte e três de julho de 1840, o jovem Pedro de Al-
cântara, então com 14 anos, foi coroado imperador do Brasil 
sob o título de D. Pedro II. Uma vitória da ala liberal que 
conseguiu, depois disso, compor seus ministérios.
Com o início do Segundo Reinado, entramos em um período de muitas 
transformações nas áreas sociais, econômicas, na política e cultural bra-
sileira. Essas mudanças acompanharam o processo de desenvolvimento 
europeu do período.
Idéias socialistas chegam ao Brasil
Em tudo, o Brasil se espelhava na Europa: arquitetura, artes e espetáculos, 
objetos, códigos de vestimentas etc. No campo político não era diferente. Na 
economia, havia uma grande defasagem: na Europa, o capitalismo e a revo-
lução industrial estavam indo a pleno vapor, enquanto aqui predominava um 
sistema agro-exportador baseado no latifúndio e na mão-de-obra-escrava. 
As idéias socialistas surgiram com grande força em toda a Europa no sé-
culo XIX, atravessaram o oceano, desembarcando por aqui. A diferença 
é que no Brasil houve uma apropriação dessas idéias fora do contexto 
industrial, ao qual se referiam. Ainda assim, em 1848, influenciaram um 
movimento social em Pernambuco, conhecido como Revolução Praieira.
Revolução Praieira
A província de Pernambuco era, ainda, dependente da economia do açú-
car, apesar da crise do produto surgida com a concorrência internacional; 
a propriedade das terras era concentrada nas mãos de uma pequena aris-
tocracia rural; e o comércio comandado por uma burguesia portuguesa. 
Nesse contexto, a maioria da população se sentiu prejudicada pelos altos 
preços e por não terem a posse de terras. Com as eleições provinciais de 
1844, o partido liberal, que se agrupava no chamado “Partido da Praia”, 
conseguiu levar a melhor sobre os conservadores.
Diante disso, na Corte, os conservadores que haviam conseguido retomar 
o poder e a influência junto ao Imperador nomearam um dos seus como 
presidente da província. Essa atitude levou os liberais a protestarem, dan-
do, assim, o início à revolta.
 
No dia 7 de novembro de 1848 explodiu a rebelião em 
Olinda, Igaraçu e outras cidades. Os praieiros divul-
garam o “manifesto ao mundo” no qual expunham o 
seu programa: voto livre e universal, liberdade de ex-
pressão e de imprensa, direito ao trabalho, comércio 
HISTÓRIA DO BRASIL II88
UNIMES VIRTUAL
a varejo só para brasileiros, extinção do Poder Mode-
rador. Essas reivindicações levaram os jornais con-
servadores a classificar o manifesto de “vermelho”, 
denunciando influências das teorias de Proudhon e 
Banbeuf. (AZEVEDO, 1990, p.346)
 
A ação repressora do governo imperial foi rápida. Várias 
pessoas foram presas, torturadas e assassinadas. A Revo-
lução Praieira encerrou um ciclo de revoltas — de 1830 a 
1850 — e, também, o ciclo de insurreições pernambucanas que vinha 
desde a guerra contra os holandeses. Seria a última vez que liberais e 
conservadores iriam se enfrentar, as duas partes fariam concessões para, 
a partir de então, conviverem pacificamente.
HISTÓRIA DO BRASIL II 89
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Aula: 27
Temática: O reinado do café
 
 
A partir de 1840, a economia agro-exportadora do Brasil ga-
nhou um novo fôlego com o desenvolvimento de uma nova 
cultura: o café. Na segunda metade do século XIX, tal pro-
duto representava mais de 50% das exportações brasileiras. 
 
O café teria chegado ao Brasil, por volta de 1727, com Francis-
co de Melo Palheta. As primeiras plantações teriam ocorrido 
no Pará e, a partir daí, disseminaram-se por outras regiões do 
Brasil, porém, de forma bem modesta durante muito tempo. Nesse período, 
o café era um produto pouco conhecido e pouco apreciado na Europa, mas, 
nas primeiras décadas do século XIX, houve um crescimento substancial da 
procura pelo café em países europeus e nos Estados Unidos.
Foi no Vale do Paraíba, uma região localizada entre Rio de Janeiro e São 
Paulo, com condições favoráveis, que se iniciou a primeira grande expan-
são do cultivo do café. O início do cultivo exigia gastos com a limpeza do 
terreno para o plantio, as instalações básicas e mão-de-obra escrava. A 
primeira colheita era obtida quatro anos após o plantio; em compensação, 
com o tratamento adequado, um pé de café poderia durar até trinta anos.
Durante todo o período imperial, ocultivo do café era feito de modo sim-
ples, até mesmo rudimentar. A falta de cuidado com o solo e sua depreda-
ção extensiva geraram problemas a longo prazo. O descanso do solo nem 
sempre era respeitado e o não tratamento do solo afetava a qualidade do 
grão produzido., Algumas fazendas do Vale do Paraíba sofreram com esse 
problema e tiveram prejuízos.
 
A escravidão e o café
Já em 1836, a população escrava aglomerava-se, ni-
tidamente, em duas áreas produtoras de café: no Vale 
do Paraíba (fluminense, mineiro e paulista) e na zona 
Centro-Oeste de São Paulo. O interior desta provín-
cia, futuramente a região de maior produção de café, 
apresentava, naquele momento, números ínfimos de 
população. Somente a partir de meados do século é 
que a população cativa, pode-se perceber, começou a 
HISTÓRIA DO BRASIL II90
UNIMES VIRTUAL
concentrar-se nos municípios desta região. Da mesma 
forma, na área representada tanto pelas antigas zonas 
do Vale do Paraíba quanto do Centro-Oeste, pioneiras 
da penetração e expansão do café, chegou-se a uma 
concentração da população escrava muitas vezes su-
perior a cinqüenta por cento da população existente no 
âmbito de seus municípios. Ressalte-se que tal situa-
ção ocorreu exatamente no momento em que se atin-
giu o apogeu das culturas de café no Vale do Paraíba, o 
que demonstra a importância desta lavoura como fator 
determinante do crescimento da população escrava na 
província de São Paulo. (MACHADO, 1998)
 
Um personagem de grande destaque e de fundamental 
importância no sistema econômico gerado pelo café é o 
comissário. Sua função era fazer a intermediação entre os 
produtores e os compradores estrangeiros, estabelecidos nos principais 
portos. Ele também fornecia produtos que o fazendeiro, eventualmente, 
necessitasse e conseguia financiamentos. 
Os comissários cobravam dos fazendeiros comissão 
pela venda, despesas de armazenamento e juros pelo 
financiamento da plantação. Houve um momento em 
que foi muito estreita a relação de dependência pes-
soal do produtor para com o comissário, tomando-se 
este uma espécie de conselheiro daquele. “Daí persis-
tir em 1890 o costume de grandes casas comerciais 
hospedarem, nos seus andares superiores, senhores 
rurais ou pessoas de suas famílias. Quando em visi-
ta ás cidades, era aí ou nas próprias residências dos 
seus comissários (...) que se instalava essa gente do 
interior”. (Gilberto Freyre.) 
Entre as mais importantes Casas Comissárias esta-
vam a Prado Chaves, que era também exportadora 
- chegando a exportar, em 1910, 1,5 milhão de sacas 
de café - a Whitalter & Brotero, a Companhia Interme-
diária de Café de Santos e a Companhia Paulista de 
Armazéns de Santos, controlada por ingleses.1
A expansão da economia cafeeira dependia da oferta de terra, capital e 
mão-de-obra escrava. Terra havia em abundância, mas concentrada nas 
mãos de grandes proprietários. O dinheiro vinha dos grandes investidores 
ingleses que não tinham receio de fazer empréstimos para os cafeicultores 
e exportadores de café.
A expansão cafeeira promoveu o aparelhamento e modernização dos por-
tos, construção de estradas, criação de novos empregos e a criação de 
1 Enciclopédia Nosso Século: 1910/1930. São Paulo: Abril Cultural, 1985.
HISTÓRIA DO BRASIL II 91
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um novo sistema de transporte para escoamento do produto do interior de 
São Paulo para o porto de Santos. Num primeiro momento, esse trajeto era 
feito em lombo de burro e, posteriormente, por uma malha férrea.
 
Os grandes produtores receberam vários benefícios do po-
der central, mas também prestaram vários favores para a 
monarquia em troca dos quais receberam títulos de nobreza 
A expansão cafeeira gerou enriquecimento para transportadores, trafican-
tes de escravos e, sobretudo, para os bancos financiadores ingleses. 
HISTÓRIA DO BRASIL II92
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Aula: 28
Temática: A chegada da modernização
O início da década de 1850 foi o momento de grandes mu-
danças para o Brasil, impulsionado pela expansão cafeeira. 
Foi o período em que ocorreram muitos fatos importantes, 
entre os quais podemos destacar: a extinção do tráfico negreiro; a reestru-
turação da Guarda Nacional; a promulgação do Código Comercial e da Lei 
de Terras (1850); criação da província do Amazonas (1850); reorganização 
bancária e do ensino; inauguração do telégrafo elétrico (1852); construção 
da primeira estrada de ferro (1854). Devemos dar um especial destaque 
para Código Comercial:
Este trazia inovações e ao mesmo tempo integrava 
os textos dispersos que vinham do período colonial. 
Entre outros pontos, definiu os tipos de companhias 
que poderiam ser organizadas no país e regulou suas 
operações. Assim como ocorreu com a Lei de Terras, 
tinha como ponto de referência a extinção do tráfico. 
(FAUSTO, 1995, p. 197)
Para estimular o fim do tráfico no Brasil, o governo inglês lançou mão da li-
beração de capitais. Com esse impulso surgiram novos bancos, empresas 
de navegação, indústrias, ferrovias etc. As rendas derivadas dos impostos 
de importação cresceram consideravelmente, em um período de dez anos, 
entre 1843 e 1853, as tarifas com os produtos importados dobraram, devi-
do principalmente ao decreto de 1844, a chamada tarifa Alves Branco.
tUm conjunto de fatores possibilitou um certo desenvolvimento do país, 
dentro da lógica de modernização capitalista. Começou a se esboçar a 
tentativa de criar um mercado de trabalho, de terras e o surgimento de 
investidores e especuladores. 
Um pioneiro na industrialização do Brasil foi Irineu Evangelista de Sousa, 
o Barão de Mauá. 
 
Entre os anos de 1850 e 1860 surgiram várias fábricas no 
país, sobretudo no Rio de Janeiro, muitas delas devido ao 
empreendimento de Mauá. Ele começou como mensageiro 
de uma empresa de importação inglesa na capital do império, tornando-se, 
ainda jovem, sócio da empresa. Com isso, partiu para outros investimen-
HISTÓRIA DO BRASIL II 93
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tos, fundições de ferro, ferrovias, navios, serviços de gás e bancos. Mauá 
era um especulador, investia seu capital em indústrias de acordo com a 
tendência do momento. 
 
Foi por iniciativa de Mauá a fundação de mais de dezesse-
te empresas instaladas em seis países. No Brasil, seus ne-
gócios se espalhavam do Amazonas ao Rio Grande do Sul. 
Mauá apostou diversificação. Montou um banco no Uruguai, cujo maior 
cliente era o governo uruguaio. Era financista, empresário de sucesso e 
sócio de milionários ingleses na Europa.
Em um país escravocrata, latifundiário e com a economia voltada para 
a agricultura, o Barão despertou inveja e não era visto com bons olhos, 
diziam que sua fortuna era maior que a do próprio imperador. Amealhou 
vários inimigos, especialmente no governo. Segundo relatos, o próprio 
D. Pedro II via com preocupação o seu crescimento. A perda de apoio do 
governo e alguns investimentos arriscados levaram Mauá a uma derroca-
da. O golpe final veio com as crises financeiras de 1860 e 1870, além da 
concorrência com as indústrias inglesas que receberam incentivo fiscal do 
governo brasileiro para se instalarem no país.
O Visconde de Mauá, depois de muita perseguição, faliu e pediu moratória 
por três anos; vendeu tudo o que possuía para pagar as dívidas que havia 
contraído. Conseguiu limpar seu nome.
Expansão no Oeste Paulista
O novo núcleo de expansão cafeeiro se transferiu do Vale do Paraíba para 
o Oeste paulista, o que gerou grande desenvolvimento econômico para a 
província de São Paulo. A região se favoreceu por diversos fatores: grande 
disponibilidade de terras; a tecnologia empregada no plantio e na colheita; 
as condições de solo e o clima. A decadência do café no Vale do Paraíba 
poder ser considerado um dos fatores para o desenvolvimento do cultivo 
em terras paulistas.
 
Dessa maneira, entre os cafeicultoresformaram-se dois 
grupos regionais com objetivos distintos. O grupo de fa-
zendeiros do Vale do Paraíba que sustentou a monarquia e 
dela se beneficiou foi se afastando gradativamente em conseqüência das 
medidas que tendiam a abolir a escravidão. O grupo paulista, por outro 
lado, percebia a necessidade de buscar alternativas para a substituição da 
mão-de-obra escrava, uma vez que compreendiam a eminência do fim da 
escravidão. 
HISTÓRIA DO BRASIL II94
UNIMES VIRTUAL
A expansão cafeeira no Oeste paulista fez surgir um novo grupo social, a 
chamada burguesia do café. As últimas décadas do século XIX foram im-
portantes para a consolidação de São Paulo no cenário nacional. A região 
deu início a um processo de constituição de uma economia capitalista 
(acumulação de capital, economia diversificada e formação de mercados 
de consumo e produção).
 
A expansão cafeeira paulista gerou uma rede de núcleos 
urbanos, como: Jaú (1858); Ribeirão Preto (1870); Barretos 
(1874); São José do Rio Preto (1879); Bauru (1880). Essas 
cidades se tornaram centros de produção industrial e de consumo.
HISTÓRIA DO BRASIL II 95
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Aula: 29
Temática: A imigração
Na aula passada foi dito que fazendeiros paulistas busca-
vam opções para resolver o problema de mão-de-obra nas 
lavouras de café. A solução escolhida foi a contratação de 
trabalhadores europeus. A imigração contou com italianos, alemães, espa-
nhóis, suíços etc. Primeiramente, vamos procurar os motivos que fizeram 
com que essas pessoas atravessassem o Atlântico para se aventurar em 
um país que pouco conheciam.
 
Por volta de 1850, havia uma crise em alguns países da Eu-
ropa, onde o capitalismo vinha se implantando lentamente. 
Nesses paises, os camponeses foram obrigados a abando-
nar suas terras e a se mudar para as cidades. Na Itália e Alemanha, por 
exemplo, eles foram expulsos do campo.
Os camponeses se tornaram uma população flutuante, sem uma profissão 
definida. Sem opção, transferiram-se para os grandes centros urbanos, 
tornando-se operários, porém, na maior parte das vezes, a demanda era 
maior que a procura e acabavam não conseguindo trabalho. Uma outra 
alternativa era tentar melhores condições de vida em outras terras, bus-
cando a oportunidade de conseguir um pedaço de terra.
Assim, na segunda metade do século XIX, centenas de europeus embar-
caram em direção às novas terras das Américas e da Austrália em busca 
de oportunidades. Alguns deles vieram para o Brasil.
A chegada dos imigrantes no Brasil
A mão-de-obra estrangeira foi a solução encontrada para suprir a falta de 
trabalhadores nas fazendas de café após a abolição. 
 
Os cafeicultores contavam com a experiência dos agriculto-
res europeus. Além disso, acalentavam uma antiga idéia de 
clareamento da população brasileira. Essa idéia foi reforça-
da por algumas concepções vigentes à época de que os negros e, em es-
pecial, os mestiços eram pessoas inferiores. O desejo de branqueamento 
da população brasileira fazia parte, portanto, de um projeto de modernizar 
HISTÓRIA DO BRASIL II96
UNIMES VIRTUAL
e civilizar o país e era respaldado pelas teorias eugenistas — que busca-
vam as condições que melhor pudessem favorecer a reprodução humana 
e o aperfeiçoamento da raça.
Os imigrantes chegaram ao Brasil entre 1840 e 1860. Eram atraídos por 
meio de companhias particulares que arregimentavam famílias na Europa. 
As despesas eram pagas pelo Estado, desde a viagem até o transporte 
para as fazendas. Chegando ao país, eram encaminhados à Hospedaria 
de Imigrantes em São Paulo, que foi feita para acomodar as famílias assim 
que chegassem após a longa viagem. 
Alguns imigrantes não se ajustaram às condições de vida existentes aqui, 
pois muitos eram explorados pelos fazendeiros. Muitos acabavam retornan-
do aos seus países. As reclamações contra o tratamento que recebiam nas 
fazendas eram tantas que, em 1885, o governo italiano passou a desaconse-
lhar a imigração para o Brasil. O mesmo foi feito pelo governo alemão. 
 
A chegada de trabalhadores livres impulsionou outras ativi-
dades econômicas. Essa nova massa assalariada formava 
um propício mercado consumidor, estimulando o comércio, 
atividades manufatureiras e as profissões liberais. São Paulo começou a 
crescer e a despontar como uma das regiões mais ricas do Brasil.
HISTÓRIA DO BRASIL II 97
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Aula: 30
Temática: A guerra do Paraguai
Um grande acontecimento militar, em âmbito internacional, 
marcou a história do Segundo Império. Uma guerra travada 
contra o Paraguai, com duração de seis anos, de 1864 a 
1870. O conflito ficou conhecido como Guerra da Tríplice Aliança. Vamos, 
primeiramente, saber um pouco da história desse pequeno país e as ra-
zões que levaram à guerra.
 
A então província do Paraguai, formada em sua maioria por 
descendentes dos índios guaranis, não aceitou ser dominada 
pela burguesia portenha de Buenos Aires e passou a agir de 
forma independente, desde o início do século XIX. Como forma de represália, 
os portenhos barraram o comércio paraguaio em 1813, bloqueando a única 
via de acesso do país ao mar, utilizando os rios Paraguai e Paraná. 
Tal bloqueio teve como conseqüência o isolamento do Paraguai. Enquanto 
isso, o líder paraguaio José Gaspar de Francia tornava-se ditador. Seu primei-
ro ato como governante foi expropriar as terras da Igreja e de parte da elite 
que era a favor do entendimento com Buenos Aires. O Paraguai se proclamou 
formalmente independente em 1842, sob a liderança de Carlos Antonio Lo-
pez, pai do futuro ditador Solano Lopez que assumiria o poder em 1862.
A relações entre brasileiros e paraguaios, segundo Boris Fausto, eram as 
seguintes:
As relações do Brasil com o Paraguai, na primeira 
metade do século XIX, dependeram do estado das 
relações entre o Brasil e a Argentina. Quando as riva-
lidades entre os dois paises aumentavam, o governo 
imperial tendia a aproximar-se do Paraguai. Quando 
as coisas se acomodavam, vinham à tona as dife-
renças entre o Brasil e o Paraguai. As divergências 
diziam respeito a questões de fronteira e à insistência 
brasileira na garantia da livre navegação pelo Rio Pa-
raguai, principal via de acesso a Mato Grosso.
Durante o século XIX, o Paraguai era um país que divergia da política la-
tino-americana, principalmente, por ter conseguido um certo progresso 
econômico de forma autônoma. Com um relativo sucesso socioeconômico 
e autonomia internacional, Solano López iniciou uma política militar-expan-
HISTÓRIA DO BRASIL II98
UNIMES VIRTUAL
sionista. Ele pretendia anexar regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil 
que, segundo ele, eram paraguaias de direito. Com essas anexações con-
seguiria acesso direto ao oceano Atlântico, um caminho importante para 
os planos econômicos do país. 
O conflito teve início com a prisão do navio brasileiro Marquês de Olinda, 
o que gerou o rompimento de relações diplomáticas entre os dois países. 
Os combates começaram em 23 de dezembro de 1864 com uma ofensiva 
militar contra o Mato Grosso. Lopez pediu autorização para a Argentina 
para transportar suas tropas pela província de Corrientes, a fim de atacar 
as tropas brasileiras que estavam no Rio Grande do Sul e no Uruguai. O 
pedido não foi aceito pelo governo argentino.
Em março de 1865, Lopez declarou guerra contra a Argenti-
na. Para conter o Paraguai, os governos do Brasil, Argentina 
e Uruguai criaram a Tríplice Aliança em 1 de maio do mes-
mo ano. Os aliados desconheciam a preparação militar dos paraguaios e 
apostaram na brevidade do conflito. No início, as tropas aliadas contavam 
com dezoito mil homens do lado brasileiro, oito mil argentinos e mil uru-
guaios. As tropas paraguaias contavam com sessenta e quatro mil, mais a 
reserva de veteranos com vinte e oito mil homens.
No decorrer dos anos, as tropasaliadas aumentaram consideravelmente. 
No Brasil houve manifestações de apoio da população e grande movimen-
to de voluntários. Em 1865, o próprio imperador surpreendeu e se apresen-
tou como voluntário número um para Guerra do Paraguai — uma atitude 
claramente populista. O Brasil, para aumentar seu efetivo, prometeu várias 
compensações para aqueles que fossem lutar na guerra, como soldo, ter-
ras e liberdade para os escravos (1866). Tais promessas demoraram a se 
cumprir no final do conflito. Vários senhores de escravos cederam seus 
cativos para lutar no conflito. Uma forma de arregimentar soldados foi a 
utilização da força, uma velha prática herdada do período colonial.
No decorrer do conflito, as forças da Tríplice Aliança aumentaram, princi-
palmente, do lado brasileiro. A marinha brasileira conquistou uma impor-
tante vitória na na famosa batalha do Riachuelo. Aos poucos, os aliados 
bloquearam os caminhos e impediram qualquer avanço do Paraguai.
Apesar das vitórias iniciais, os paraguaios não puderam resistir a uma 
guerra prolongada. A população paraguaia era menor que a dos países da 
Tríplice Aliança e, apesar do preparo do seu exército, a ocupação militar 
dos territórios dos países aliados era praticamente impossível, enquanto o 
Paraguai poderia ser facilmente ocupado pelas tropas da Aliança. Não po-
demos esquecer que Brasil, Argentina e Uruguai contavam com o apoio in-
glês, proporcionando empréstimos para equipar e manter seus exércitos. 
HISTÓRIA DO BRASIL II 99
UNIMES VIRTUAL
Um fator importante para o rumo da guerra foi a nomeação 
de Caxias para o comando das forças brasileiras, em 1866. 
Sua indicação se deu por pressão do partido conservador. 
Após preparar o exército aliado com o mínimo de infra-estrutura, Caxias 
atacou a temida fortaleza de Humaitá, que foi derrotada em 1868, o que 
possibilitou a entrada das tropas em Assunção em 1869.
Com o exército paraguaio praticamente dizimado, Solano Lopez foi cerca-
do e morto pelos brasileiros em março de 1870. O Paraguai saiu arrasado 
do conflito e teve de ceder parte do território para o Brasil e para a Argen-
tina. Segundo alguns cálculos, metade da população paraguaia morreu 
no conflito, acabando com sua economia e infra-estrutura, conseqüências 
vistas até hoje.
 
Para o Brasil, com a morte de aproximadamente quarenta 
mil homens, a guerra foi um desastre. Para o governo brasi-
leiro o desastre não foi menor, pois não possuía o apoio da 
população e foi duramente criticado por grupos políticos e pela imprensa. 
A guerra trouxe, ainda, um aumento do endividamento em relação à Ingla-
terra. A única beneficiária do conflito foi a Inglaterra, que forneceu armas e 
empréstimos, ampliou seus negócios na região e acabou com a experiên-
cia econômica paraguaia. O conflito atingiu profundamente a popularidade 
do imperador, que começou a sofrer duras críticas de setores do governo 
e do próprio exército. A Guerra do Paraguai marcou o início da derrocada 
do Segundo Império.
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Aula: 31
Temática: Finalmente a liberdade dos escravos
Com a proibição do tráfico, a partir de 1850, devido à pres-
são inglesa, o número de escravos que entrava no Brasil foi 
diminuindo gradativamente. A economia brasileira, baseada 
na agricultura e no latifúndio, dependia da mão-de-obra escrava, porém, 
devemos lembrar que existiam também trabalhadores livres. Alguns des-
ses trabalhadores tinham funções de confiança para os senhores em suas 
propriedades, como capatazes, feitores e capitães do mato. 
 
Em meados de 1870, o movimento abolicionista começou a 
se fortalecer no Brasil, especialmente entre a população ur-
bana. Os principais agitadores eram advogados, jornalistas, 
intelectuais, comerciantes, professores e estudantes. Em seus discursos, 
procuravam combater a retórica escravagista; lembravam que o trabalho 
assalariado era mais rentável, pois a produtividade era maior; apelavam 
para o censo humanitário, dizendo que todos eram iguais perante a Deus; 
denunciavam a corrupção moral que a escravidão produzia na sociedade. 
No final do século XIX, os únicos países que ainda contavam com a mão-
de-obra escrava eram Brasil e Cuba. Essa situação proporcionava um forte 
argumento para os abolicionistas, os quais diziam que tal fato poderia pre-
judicar a imagem do país no exterior.
O movimento abolicionista, antes retórico, passou a apoiar ações concre-
ta, como a compra de cartas de alforria e fugas. 
Devido à pressão abolicionista, no ano de 1871, o Parlamento aprovou a 
Lei do Ventre Livre, segundo a qual todo filho de escravo nascido a partir 
daquela data seria livre. Todavia, a lei propunha algumas obrigações e in-
denizações nos seguintes termos: 
§1o: Os ditos filhos menores ficarão em poder e sob 
a autoridade dos senhores de suas mães, os quais te-
rão obrigação de criá-los e tratá-los até a idade de oito 
anos completos. Chegando o filho da escrava a esta 
idade, o senhor da mãe terá a opção, ou de receber do 
Estado a indenização de 600$000, ou de utilizar-se dos 
serviços do menor até a idade de 21 anos completos. 
No primeiro caso o governo receberá o menor, e lhe 
HISTÓRIA DO BRASIL II 101
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dará destino, em conformidade da presente lei. A inde-
nização pecuniária acima fixada será paga em títulos 
de renda com o juro anual de 6%, os quais se conside-
rarão extintos no fim de trinta anos. A declaração do 
senhor deverá ser feita dentro de trinta dias, a contar 
daquele em que o menor chegar à idade de oito anos 
e, se a não fizer então, ficará entendido que opta pelo 
arbítrio de utilizar-se dos serviços do mesmo menor.
Como se pode ver, a Lei do Ventre Livre representou um passo muito tími-
do em relação ao fim da escravidão. 
 
Na década de 1880, o movimento abolicionista ganhou for-
ça e apoio. Em várias localidades surgiram associações, jor-
nais e panfletos de propaganda em defesa da liberdade dos 
escravos. Membros da elite dominante aderiram à causa, como Joaquim 
Nabuco. Alguns filhos de escravas ou ex-escravas tornaram-se abolicio-
nistas famosos, tais como: José do Patrocínio, farmacêutico, jornalista e 
ativista político; André Rebouças, engenheiro e escritor; Luís Gama, poeta, 
advogado, fundador e redator do periódico paulistano Diabo Coxo. 
Com a constante pressão e agitação nas cidades, os cafeicultores pau-
listas se manifestaram favoravelmente pelo fim da escravidão. O exército 
recusava-se a perseguir escravos fugidos. Os jornais se recusavam a im-
primir qualquer coisa contrária ao fim da escravidão. Em 1884, presidentes 
provinciais do Ceará e Amazonas decretaram o fim da escravidão.
Em 1885, o Parlamento aprovou a Lei Sexagenária. A lei determinava a 
liberdade de todo escravo com sessenta anos ou mais. Trata-se de uma lei 
absurda que favorecia somente os proprietários, que ficavam livres da obri-
gação de cuidar dos escravos idosos. Era também uma lei inócua, pois os 
casos de escravos sexagenários eram raros. Além de tudo isso, o escravo 
deveria trabalhar mais três anos para ressarcir o prejuízo do fazendeiro.
Durante os anos de 1885 a 1888, o movimento abolicionista ganhou volu-
me e começou a pressionar cada vez mais o governo. Diante da pressão 
dos liberais, o presidente do conselho, o conservador João Alfredo, deci-
diu pela abolição irrestrita. Aprovada pela maioria parlamentar, foi sancio-
nada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888. Na ocasião o imperador 
encontrava-se em viagem pela Europa. 
No Nordeste, transformaram-se, em regra, em depen-
dentes dos grandes proprietários. O Maranhão repre-
sentou uma exceção, pois aí os libertos abandonaram 
as fazendas e se instalaram nas terras desocupadas 
como posseiros.
HISTÓRIA DO BRASIL II102
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No Vale do Paraíba, os antigos escravos viraram par-
ceiros nas fazendas de café em decadênciae, mais 
tarde, pequenos sitiantes ou peões para cuidar do 
gado. (FAUSTO, 1995, 220)
Durante muito tempo, a historiografia legou à Princesa Isabel um papel 
secundário na abolição da escravatura, afirmando que ela apenas agiu bu-
rocraticamente diante da ausência do imperador. Porém, estudos recen-
tes demonstram que seu papel foi mais significativo e importante do que 
se imaginava. Em correspondências da princesa, ela demonstra planos 
mais contundentes para o fim da escravidão. Ela apoiava idéias como in-
denização dos escravos e o alojamento dessas pessoas em áreas doadas 
pelo governo. Aparentemente, portanto, ela possuía uma visão social mais 
abrangente. 
 
Apesar do fim da escravidão, os escravos não adquiriram di-
reitos constitucionais, não foram considerados cidadãos. A 
maioria era analfabeta, com poucas possibilidades de conse-
guir empregos, sobretudo com a concorrência representada pela mão-de-
obra dos imigrantes. Os negros foram marginalizados e alçados à própria 
sorte, vítimas do preconceito social e do passado escravagista do país. 
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Aula: 32
Temática: Enfim, a República
O ideal republicano surgiu no Brasil relacionado à independên-
cia a partir do final do século XVIII, com a idéia de revolução 
e reforma social. O movimento republicano que surgiu no Rio 
de Janeiro, em 1870, sofreu um pouco de influência desse conceito. 
 
Um manifesto cuja autoria é atribuída a Quintino Bocaiúva, 
Salvador Mendonça e Saldanha Marinho, lançou as bases 
do Partido Republicano no Rio de Janeiro. Os principais ob-
jetivos eram implantação do federalismo, separação da Igreja e do Estado 
e eleições livres e diretas. O corpo social do republicanismo no país era 
formado por profissionais liberais, jornalistas, grupo que emergiu do de-
senvolvimento urbano.
Na década de 1870, surgiu nas províncias um movimento republicano 
conservador. Em São Paulo, o Partido Republicano Paulista, foi fundado 
em 1873 numa reunião de fazendeiros conhecida como Convenção de Itu. 
Segundo os pesquisadores, o PRP fazia uma reinterpretação do velho fe-
deralismo liberal. O objetivo era fortalecer as províncias e, principalmente, 
defender São Paulo que progredia com os investimentos feitos pelos pró-
prios cafeicultores (estradas de ferro, ferrovias, bancos etc). Os republica-
nos paulistas achavam que a província pagava impostos demais e, pelos 
quais, não recebia em troca nenhum benefício. Além disso, queixavam-se 
da representação da província no governo central. Segundo eles, São Pau-
lo deveria ter um número maior de parlamentares em comparação com 
outras províncias do país. Cada deputado paulista representava 145 mil 
habitantes, enquanto o parlamentar pernambucano representava, aproxi-
madamente, 85 mil habitantes e o amazonense cerca de 40 mil. 
 
Comparando os partidos republicanos paulista e carioca po-
demos perceber que não havia unidade no movimento repu-
blicano brasileiro: 
O Partido Republicano fundado no Rio de Janeiro em 
1870 tinha características bem diversas das de seu 
congênere paulista. Formado sobretudo por funcio-
nários públicos, profissionais liberais e intelectuais, 
defendia a idéia de se proclamar a República a partir 
HISTÓRIA DO BRASIL II104
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de uma revolução popular. E, uma vez implantada, de-
veria garantir as liberdades civis, acabar com a escra-
vidão, impor o respeito aos direitos dos cidadãos.1
 
Estado e Igreja
Os padres e bispos eram mantidos pelo Estado, porém, todas as suas 
ações deveriam passar pela aprovação do imperador, ainda que as ordens 
tivessem vindo de Roma. Em 1870, o Concílio Vaticano proclamou o dog-
ma da infalibilidade, segundo o qual o papa passou a ser considerado infa-
lível quando se pronuncia a respeito de temas concernentes à fé. Embora 
o dogma não se referisse às questões científicas ou políticas, ele gerou 
alguns atritos entre a Igreja e o Estado no Brasil. 
Em Pernambuco, o atrito se originou quando o bispo de Olinda, Dom Vital, 
acatando as ordens papais, proibiu a participação de maçons em irmanda-
des religiosas. Entretanto, muitas pessoas do poder central eram maçons. 
Por essa atitude, Dom Vital e outro bispo foram presos e condenados a 
quatros anos de prisão. O problema se resolveu com a anistia dos bis-
pos concedida pela Princesa Isabel e com a suspensão das restrições aos 
maçons concedida pelo papa. Todavia, o episódio fez com que a Igreja se 
tornasse defensora do regime republicano, o que aumentou o desprestígio 
do imperador.
O problema militar
Os principais problemas dos militares estavam relacionados à baixa remu-
neração, lentidão nas promoções e ao tratamento disciplinar rígido dentro 
da corporação. Em 1883, o Tenente-coronel Sena Madureira foi transferido 
do Rio de Janeiro para o Rio Grande do Sul, como forma de punição. Como 
retaliação, Madureira publicou um artigo no jornal republicano A Federação.
O ministro de Guerra, que era um civil, proibiu que os militares se expres-
sassem na imprensa sobre política ou sobre as forças armadas. Oficiais 
do Rio Grande do Sul se reuniram contra a proibição do ministro. O minis-
tro mandou prender Madureira, ordem que foi recusada pelo comandante 
da guarnição, o marechal Deodoro da Fonseca. O problema só foi resolvido 
com a revogação da lei e com a repreensão do gabinete.
O partido republicano, percebendo a situação, aumentou a propaganda 
republicana em todo país. O problema aumentou quando Silveira Martins 
foi nomeado para a presidência do Rio Grande do Sul. Silveira era inimigo 
pessoal de Deodoro.
1 http://www.politicavoz.com.br/partidospoliticos/artigo_01a.asp
HISTÓRIA DO BRASIL II 105
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Em 11 de novembro de 1889, houve uma reunião de políticos e militares 
com Deodoro. Entre eles estavam Rui Barbosa, Benjamin Constant, Aristides 
Lobo e Quintino Bocaiúva. O grupo tinha como objetivo convencer Deodoro 
a organizar e comandar um movimento para derrubar a monarquia. Porém, 
Deodoro, em um primeiro momento, declarou-se amigo de D. Pedro II. 
 
No dia 15 de novembro de 1889, Deodoro dirigiu-se ao Mi-
nistério da Guerra, acompanhado por seiscentos homens, e 
demitiu os ministros que estavam lá reunidos. No dia seguin-
te, em plena madrugada, D. Pedro II recebeu o comunicado de banimento. 
Foi obrigado a abandonar o palácio imperial e a embarcar imediatamente 
para o exílio. Os republicanos esperavam, desse modo, evitar eventuais 
reações de simpatizantes da monarquia. 
Dessa maneira, foi proclamada a República no Brasil.
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Resumo - Unidade IV
Nessa unidade você estudou alguns conflitos ocorridos na 
fase de transição entre o primeiro e o segundo Reinado, co-
nhecido como período das regências. Estudou também as 
transformações ocorridas no Brasil, na segunda metade do século XIX, 
relacionadas à expansão cafeeira e à modernização do país, incluindo a 
abolição da escravidão. Estudou, finalmente, o início do processo que 
levou à proclamação da República. 
 
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