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A legislação e o marketing de produtos que interferem na amamentação

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crianças de primeira infância;
III - leites fluídos, leites em pó, leites modificados e os similares de origem vegetal;
IV - alimentos de transição e alimentos à base de cereais indicados para lactentes e ou crianças 
de primeira infância, bem como outros alimentos ou bebidas à base de leite ou não, quando 
comercializados ou de outra forma apresentados como apropriados para a alimentação de lac-
tentes e de crianças de primeira infância;
V - fórmula de nutrientes apresentada e ou indicada para recém-nascido de alto risco;
VI - mamadeiras, bicos e chupetas.
É importante que o profissional de saúde tenha ciência do conteúdo completo da NBCAL e atue como 
um monitor contínuo desta legislação. O objetivo deste Capítulo é discutir os aspectos contemplados pela 
Portaria Conjunta n° 2.051/200110 realçando algumas disposições que estão diretamente relacionadas com 
as práticas de profissionais e do sistema de saúde, as quais interferem na amamentação.
A fim de criar um texto explicativo e que auxilie a compreensão do papel do profissional e das instituições de 
saúde na defesa legal da amamentação, este capítulo foi organizado por temas, propostos pela própria legislação, 
quais sejam, “Promoção Comercial”, “Patrocínios”, “Amostras e Doações” e “Informações sobre Alimentação”.
3.1.1 Promoção comercial
À primeira vista, pode-se pensar que a promoção comercial nada tem a ver com o universo do profissional 
de saúde, visto que sua atuação não encontra nenhuma ligação com as atividades de comércio e propaganda.
Contudo, a Portaria 2.051/2001 (BRASIL, 2001), em seu artigo 3°, inciso XXIX define promoção co-
mercial como o “conjunto de atividades informativas e de persuasão, procedente de empresas responsáveis pela 
produção e ou manipulação, distribuição e comercialização, com o objetivo de induzir a aquisição/venda de 
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um determinado produto. Incluem-se divulgação por meio de “[...] contato direto ou indireto com o profis-
sional de saúde [...]” e exclui-se, da definição, o contato da indústria fabricante dos produtos cobertos por esta 
legislação para fornecimento de informação científica e de material técnico-científico sobre os produtos. 
Dentro de serviços de atenção à saúde, em congressos dirigidos a profissionais dessa área e até em revis-
tas científicas pode ocorrer a prática promocional, seja por meio da distribuição de brindes ou da exposição 
e anúncio de produtos (TOMA; DIVITIIS; COTRIM, 2005). As estratégias promocionais da indústria 
fabricante dos produtos abrangidos pela NBCAL, voltadas a esses profissionais, buscam influenciar um indi-
víduo formador de opinião e que pode servir de promotor indireto, disseminando sua marca a muitas mães 
ao mesmo tempo (REA; TOMA, 2000). 
Além de ser um alvo explícito de investimento das campanhas, os profissionais de saúde também estão 
sujeitos às pressões do marketing direcionado à sociedade em geral e têm necessidades e desejos de consumo 
como qualquer outro cidadão sofrendo, portanto, dupla influência (REA; TOMA, 2000). 
O artigo 13 da Portaria 2.051/2001 (BRASIL, 2001) menciona, em relação à promoção comercial, que 
é proibida a atuação de pessoal da indústria em unidades de saúde, devendo o seu contato ser, exclusivamente, 
com o médico pediatra ou com a nutricionista, para discussão de aspectos técnicos e científicos. Em seu pará-
grafo único, o referido artigo, bem como o artigo 22, mencionam a responsabilidade da empresa fabricante, 
distribuidora e/ou importadora de produtos abrangidos pela NBCAL em informar seus funcionários e agên-
cias de publicidade contratadas sobre o conteúdo desta legislação, fazendo-os cumpri-la na íntegra.
Na prática, nota-se que o pessoal de comercialização de fórmulas infantis e bicos é profundo conhece-
dor da legislação citada, sendo treinado para desenvolver um discurso pró-amamentação, que nada tem a ver 
com o objetivo final de seu trabalho. Por meio de visitas constantes e uma postura amigável os representantes 
buscam divulgar continuamente a marca e o produto, criando um laço de reciprocidade entre profissional e 
indústria (como foi discutido no Capítulo anterior). 
O artigo 15 da Portaria 2051/2001(BRASIL, 2001) proíbe a promoção, de qualquer natureza, de produtos 
objeto desta legislação, nas instituições de ensino e pesquisa e nas unidades prestadoras de serviços de saúde. Quan-
do define promoção de qualquer natureza, a Portaria se refere não somente ao produto em si, mas inclui os cartazes, 
relógios de parede, calendários, brinquedos, equipamentos, entre outros, que divulguem estes produtos. 
Porém, as sofisticadas e criativas estratégias de marketing utilizadas pelas empresas avançam para um tra-
balho de massificação de suas marcas, tornando-as praticamente sinônimos de seus produtos13. Desta forma, 
um cartaz ou um outdoor, mesmo que não promova diretamente um determinado produto, quando divulga 
a logomarca de uma empresa conhecida nacionalmente, como o são os principais fabricantes de alimentos 
infantis, chupetas e mamadeiras, é capaz de trazer para a população uma rápida associação com o seu produto. 
Sendo assim, nenhum material contendo mesmo que exclusivamente o logotipo de um fabricante dos produ-
tos abrangidos pela NBCAL deve ser exposto em serviços de atenção à saúde. 
As mães e seus familiares mantêm uma relação de confiança com os serviços e profissionais de saúde. 
Portanto, essa associação de imagens pode endossar, de forma indireta, a utilização de determinado produto, 
além de reforçar a imagem de qualidade de uma determinada empresa. 
É responsabilidade do profissional de saúde monitorar as práticas da indústria de alimentos infantis e 
bicos no âmbito das instituições de saúde e zelar para que suas relações se restrinjam à discussão das informa-
ções de caráter científico, evitando possíveis conflitos de interesse (ver Capítulo 2).
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3.1.2 Patrocínios ou parcerias?
No que tange às relações entre o profissional que presta assistência à saúde e a indústria, o artigo 11 da 
Portaria 2.051/2001 (BRASIL, 2001) determina que são proibidas todas e quaisquer formas de concessão 
de estímulos a pessoas físicas, ou seja, patrocínio financeiro, brindes, presentes, canetas, blocos de anotação, 
passagens e diárias para eventos, entre outros.
Desde a aprovação da primeira versão da NBCAL, a IBFAN Brasil vem realizando monitoramentos 
periódicos que demonstram a persistência de muitas dessas violações ao código brasileiro. Porém, encontra-se 
dificuldade em comprovar essas irregularidades.
As relações que se estabelecem no interior de um consultório, entre o profissional de saúde e o da in-
dústria, são de difícil mensuração. Sabe-se que estrategicamente os fabricantes de alimentos infantis e bicos 
buscam estabelecer uma relação de confiança com o profissional e que muitas vezes essas relações se estendem 
para além das relações de trabalho. É comum o oferecimento de jantares, favores pessoais, passagens aéreas, 
financiamento de eventos, de viagens, entre outros. Não é raro que estes representantes acabem por se tornar 
amigos próximos, sempre lembrados e recebidos com atenção. 
Assim, não é possível comprovar e atuar sobre estas irregularidades sem que o profissional de saúde es-
teja convencido das reais intenções e motivações para tantos e tão frequentes contatos e favores (REA, 1999; 
WRIGHT; WATERSTON, 2006). Na maioria das vezes, os presentes e favores são recebidos com satisfação 
e sem a devida reflexão das implicações legais e éticas desta relação de presenteio. Ainda em seu artigo 11, a 
Portaria 2.051/2001 (BRASIL, 2001) determina que os fabricantes, importadores e distribuidores dos pro-
dutos abrangidos pela NBCAL só poderão conceder patrocínio financeiro ou material às entidades científicas 
de ensino e pesquisa e ou associativas de pediatras e nutricionistas. Nesse artigo, o parágrafo 1° determina que 
as entidades contempladas

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