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4- Sociedade Limitada

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Direito Empresarial - Prof. Antonio Ricardo
Anotações sobre SOCIEDADES EMPRESÁRIAS – SOCIEDADES CONTRATUAIS - SOCIEDADES LIMITADAS
SOCIEDADES LIMITADAS
As sociedades limitadas, disciplinadas pelo Código Civil em vigor (O QUAL ADOTOU A TEORIA DA EMPRESA, AO CONTRÁRIO DO CÓDIGO COMERCIAL DE 1850, QUE TEVE BOA PARTE DO SEU TEXTO REVOGADO POR ESTE CÓDIGO CIVIL E QUE TINHA COMO BASE A TEORIA DOS ATOS DO COMÉRCIO), as antigas Sociedades “por Cotas de Responsabilidade Limitada”, representa a maioria dos tipos de sociedades empresárias existentes no País. Dizem respeito a uma sociedade constituída por meio de contrato social – instrumento que é a base disciplinadora das relações entre os sócios e do desenvolvimento da atividad e empresarial. É regulada pelo Código Civil do art. 1.052 ao 1.087. Contudo, estas normas apresentam lacunas na solução de possíveis conflitos oriundos das relações da sociedade. Assim, aplicam-se supletivamente outras normas, da seguinte forma: a) se o contrato social prevê expressamente, aplica-se supletivamente a Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6404/76); b) se o contrato é omisso, assim se aplicam, supletivamente, as normas destinadas às sociedades simples; c) se o contrato prevê, expressamente: a aplicação supletiva das normas regulamentadoras das sociedades simples (arts. 997 a 1.032 do Código Civil), assim também o será. A propósito, doutrinadores, como Fabio Ulhoa Coelho, entendem que há dois subtipos de sociedades limitadas: 1) o das sociedades limitadas sujeitas ao regime de regência supletiva das sociedades simples; 2) o das sujeitas ao regime de regência supletiva das sociedades anônimas. As sociedades do primeiro subtipo são as limitadas de vínculo instável; já as do segundo, limitadas de vínculo estável. Tal diferença entre os dois subtipos repousa no fato de o direito de retirada imotivada nas sociedades sem prazo está(r) presente no primeiro subtipo e ser incabível no segundo tipo.
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS: as sociedades limitadas são as preferidas, inclusive pela responsabilidade subsidiária e limitada de seus sócios. Dispõe o art. 1.052 do Código Civil que na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem, solidariamente, pela integralização do capital social, ou seja, se o patrimônio da sociedade não for suficiente para o cumprimento das obrigações sociais (dívidas), os credores da sociedade poderão responsabilizar o patrimônio pessoal dos sócios, no limite do valor do capital não integralizado. Por exemplo: 10.000 cotas subscritas, sendo 2000 cotas do sócio A e 2000 integralizadas (valor pago); 4000 cotas do sócio B, sendo 2000 integralizadas (ficará devendo o valor de 2000 cotas); e 4000 cotas do sócio C, tanto subscritas quanto integralizadas, ou seja, valor de 4000 pagos. Se for insuficiente o patrimônio social para saldar as dívidas, poderão os credores executar qualquer dos sócios (A, B ou C) pelo valor não integralizado por B: 2000. Os sócios A, B e C responderão SOLIDARIAMENTE pelos 2000 não integralizados. E o sócio que responder pela integralização do outro (A ou C respondendo pelos 2000 não integralizados por B), terão direito de regresso contra o que não integralizou – fazer a cobrança do que pagou (no caso do exemplo, contra B).
Obs.: A limitação da responsabilidade dos sócios sofre algumas exceções, tais como: a) as deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos que expressamente as aprovaram; b) a sociedade marital, cujo regime de casamento seja o da comunhão universal ou separação obrigatória de bens, gera a responsabilidade ilimitada; c) no caso da desconsideração da personalidade jurídica, de conformidade com o Código Civil: art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica; d) débito para com a Previdência Social (INSS).
CONTRATO SOCIAL: a sociedade limitada é constituída por contrato social, que poderá ser efetuado mediante instrumento público ou privado, devidamente registrado na Junta Comercial. A alteração contratual não se vincula à forma do contrato social. Referido contrato deverá conter, obrigatoriamente, as seguintes cláusulas: I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços; VI- as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. Além das cláusulas citadas, poderão os sócios acordar sobre outras necessárias ao pleno desenvolvimento das relações sociais, inclusive resolvendo sobre a característica da sociedade, se de pessoas ou de capital.
DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS: quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das quotas de cada um. (art. 1.010 Código Civil). As deliberações dos sócios serão tomadas em reunião ou em assembléia, conforme previsto no contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores nos casos previstos em lei ou no contrato. A deliberação em assembléia será obrigatória, se o número dos sócios for superior a dez. No entanto, a reunião ou a assembléia tornam-se dispensáveis, quando todos os sócios decidirem, por escrito, sobre a matéria que seria objeto delas. De conformidade com o artigo 1.072 § 5º do Código Civil, as deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato vinculam todos os sócios, ainda que ausentes e dissidentes.
ADMINISTRAÇÃO: as sociedades limitadas serão administradas por um ou mais administradores, sócios ou não, que serão os responsáveis pela direção das atividades empresariais, representando a pessoa jurídica na celebração dos negócios. O administrador da sociedade deverá ter, no exercício de suas funções, o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração de seus próprios negócios. Os administradores serão designados no contrato social ou em ato separado. O administrador designado em ato separado investir-se-á no cargo mediante termo de posse no livro de atas da administração. Deve o administrador requerer seja averbada sua nomeação no registro competente, mencionando o seu nome, nacionalidade, estado civil, residência, com exibição de documento de identidade, o ato e a data da nomeação e o prazo de gestão. O exercício do cargo de administrador cessa pela destituição, em qualquer tempo, do titular, ou pelo término do prazo se, fixado no contrato ou em ato separado, não houver recondução, devendo ser averbada no registro competente, mediante requerimento apresentado nos dez dias seguintes ao da ocorrência. No silêncio do contrato, os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade; não constituindo objeto social, a oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidirem. Se a sociedade utilizar supletivamente das regras das sociedades simples, o excesso por parte dos administradores somente pode ser oposto a terceiros, se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: a) - se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade; b)- provando-se que era conhecida do terceiro; c) - tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. Entretanto, se a sociedade aplicar supletivamente as normas referentes às Sociedades Anônimas, responderá perante terceiros por todos os atos praticados em seu nome.
Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Serão obrigados os administradores a prestar contas justificadas aos sócios, de sua administração, e apresentar-lhes o inventário anualmente, bem como o balanço patrimonial e o de resultado econômico.
CONSELHO FISCAL: o Conselho Fiscal é um órgão facultativo da sociedade limitada, podendo ou não estar previsto no contrato social. O conselho fiscal deverá ser composto de três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no país e eleitos na assembléia anual, ficando investido nas suas funções, que exercerá, salvo cessação anterior, até a subseqüente assembléia anual. De conformidade com o Art. 1.069 do Código Civil, além de outras atribuições determinadas na lei ou no contrato social, aos membros do conselho fiscal incumbem, individual ou conjuntamente, os deveres seguintes: I - examinar, pelo menos trimestralmente, os livros e papéis da sociedade e o estado da caixa e da carteira, devendo os administradores ou liquidantes prestar-lhes as informações solicitadas; II – lavrar, no livro de atas e pareceres do conselho fiscal, o resultado dos exames referidos no inciso I deste artigo; III - exarar no mesmo livro e apresentar à assembléia anual dos sócios parecer sobre os negócios e as operações sociais do exercício em que servirem, tomando por base o balanço patrimonial e o de resultado econômico; IV - denunciar os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, sugerindo providências úteis à sociedade; V - convocar a assembléia dos sócios, se a diretoria retardar por mais de trinta dias a sua convocação anual, ou sempre que ocorram motivos graves e urgentes; VI - praticar, durante o período da liquidação da sociedade, os atos a que se refere este artigo, tendo em vista as disposições especiais reguladoras da liquidação. A remuneração dos membros do conselho fiscal será fixada, anualmente, pela assembléia dos sócios que os eleger. O conselho fiscal poderá escolher para assisti-lo no exame dos livros, dos balanços e das contas, contabilista legalmente habilitado, mediante remuneração aprovada pela assembléia dos sócios.
DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA: a dissolução da sociedade limitada significa a perda de sua personalidade jurídica, a sua extinção. A dissolução poderá ser total, quando se dissolvem todos os vínculos entre os sócios e extingue-se a sociedade; e parcial, quando se desvincula da sociedade um ou mais sócios, permanecendo os demais e a sociedade, sendo denominada esta última pelo atual Código Civil de resolução da sociedade em relação a um sócio. A dissolução também poderá ser judicial ou extrajudicial. Será judicial, caso tenha se operado mediante sentença judicial, e será extrajudicial, se foi realizada mediante deliberação dos sócios, por distrato ou alteração contratual. São causas de dissolução total da sociedade: a) decurso do prazo determinado para sua duração; b) deliberação dos sócios; c) unipessoalidade por mais de 180 dias; d) exaurimento de sua finalidade social; e) inexeqüibilidade do objeto social; f) falência; g) a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar; h) outras causas contratuais. São causas de dissolução parcial: a) deliberação dos sócios; b) morte do sócio; c) retirada do sócio; d) exclusão do sócio; e) liquidação a pedido do credor do sócio.
LIQUIDAÇÃO E APURAÇÃO DOS HAVERES: na dissolução total da sociedade, segue-se a liquidação e a partilha. Na dissolução parcial, tem-se a apuração de haveres e o reembolso. Na liquidação, é efetuada a realização do ativo e o pagamento do passivo, respeitados os direitos dos credores preferenciais. Ocorrida a dissolução, cumpre aos administradores providenciar, imediatamente, a investidura do liquidante, e restringir a gestão própria aos negócios inadiáveis, vedadas novas operações, pelas quais responderão solidária e ilimitadamente. Compete ao liquidante representar a sociedade e praticar todos os atos necessários à sua liquidação, inclusive alienar bens móveis ou imóveis, transigir, receber e dar quitação. Pago o passivo e partilhado o remanescente, convocará o liquidante assembléia dos sócios para a prestação final de contas. Aprovadas as contas, encerra-se a liquidação, e a sociedade se extingue ao ser averbada no registro próprio a ata da assembléia. A liquidação poderá ser realizada judicial ou extrajudicialmente, devendo sempre acrescentar ao seu nome a expressão “em liquidação”. Na apuração de haveres, deverá ser apurado o quantum devido pela sociedade ao sócio que se desvinculou. O sócio desvinculado terá direito ao recebimento do valor patrimonial de sua cota parte, valor este apurado mediante balanço específico.

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