ines da silva moreira
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ines da silva moreira


DisciplinaServiço Social e Terceiro Setor84 materiais1.341 seguidores
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gente percebe que eles são vistos de outra maneira. Tanto 
que hoje eles vão ter um galpão, está demorando, vai ser alugado um 
galpão, porque hoje eles são vistos de outra maneira, com respeito até pela 
própria Prefeitura. Isto é um ganho social, além do econômico, porque eles 
vão ter depois, e com o ganho ambiental que vai ter para o município. 
 
Ainda reforça a situação dos catadores: 
 
[...] porque daí eles vão trabalhar a coleta seletiva coletivamente, vão fazer 
as coletas, juntar, vender coletivamente, e depois dividir os ganhos. Vender 
com mais qualidade, vão poder fazer uma rede de comercialização, juntar 
com outros que já vendem, obter melhor preço. Então tudo são ganhos que 
eles vão tendo. 
 
Cita outra ação do projeto, das hortas educativas dos CRASs, que se 
utiliza dos cuidadores mirins. Vale reproduzir a fala: 
 
A gente pega, por exemplo, os cuidadores mirins da horta. O que é que ela 
faz ali naquela horta. O Lucas sempre falava assim, a gente tem que olhar a 
horta como mais uma sala de aula, né, como um jardinzinho, uma coisa 
assim. É mais uma sala de aula. No plantio, no cuidar das verduras, do 
legume que eles têm lá, no colher, no comer, eles aprendem como que o sol 
interfere na planta, como que ela pega todo o nutriente que está no solo, 
pões na folha ou na batata, na beterraba, e isto passa depois para o nosso 
corpo. Eles aprendem a segurança alimentar, eles relacionam, o alimento 
com o meio ambiente, a qualidade do alimento com o ambiente saudável, 
tudo isso numa horta e quando eles são colocados como monitores mirins 
da horta, eles se sentem muito poderosos. Desde criança! 
 
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Numa ação complementar à atividade escolar, incorporam o respeito ao 
meio ambiente, e numa forma tão educativa, produzem alimentos para a própria 
comunidade. De uma forma lúdica, com utilização de cartazes, as informações são 
transmitidas didaticamente às crianças e jovens. 
O sujeito 7 identifica haver melhoria principalmente da ação com os 
catadores. A formação da cooperativa permitirá, quando finalizada, uma geração de 
renda coletiva, solidária. 
Da mesma maneira com os bolsistas, que além de receberem a bolsa 
durante a permanência no projeto, tem condição de aplicar os ensinamentos 
recebidos. São capacitados para serem monitores socioambientais, com 
conhecimento técnico para atuarem junto a hortas e jardins. E quanto à melhoria das 
condições de vida da população no entorno: 
 
O benefício primeiro foi de conscientização, de sensibilização para a 
população no sentido de que a água não está faltando nas torneiras, que 
tem a ver com o resultado da obra do PAC, mas, o nosso trabalho é mais 
sensível às questões ambientais de preservação ambiental, do uso 
consciente da água, cursos, uma aproximação maior das questões 
ambientais e politicas também. A gente trouxe para esse lado da 
participação politica. Se tiver que ter mudança tem que ter envolvimento nos 
conselhos. 
 
A população tem percebido melhorias principalmente na questão da falta 
de água, que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão 
apresentando resultados e quanto a questão socioambiental estão participando dos 
conselhos, ação de cidadania. 
Em sua opinião, existe transparência na aplicação dos recursos 
públicos nos projetos sociais? 
No entendimento do sujeito 1 há transparência. Os valores somente são 
liberados pela Caixa após confirmação de que foi usado, tanto para as obras quanto 
para o trabalho social. Os relatórios são exigidos e não há liberação sem seu envio. 
Diz que \u201c[...] é exigida toda a documentação em relação às despesas que são feitas 
do trabalho social, e elas tem que ter vinculação com as ações que são feitas. Tinha 
a preocupação de análise dessas despesas.\u201d 
Em algumas situações emergenciais a prefeitura acabava por antecipar 
recursos, mas com transparência, com cuidado. 
 
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Também no entendimento do sujeito 2 existe a transparência. Diz: 
 
Da nossa parte eu acho que sim, porque o PAC ele faz a gente prestar 
conta de tudo o que a gente gasta. Então há uma transparência sim, pelo 
menos a nossa equipe e quando a gente vai fazer alguma intervenção junto 
à comunidade. A gente recuperou uma praça no Matão. Então, devido à 
demanda, até que eles escolheram o que ia fazer na praça, sabe, a 
comunidade lá do local? Aí a gente falou, precisamos fazer os três 
orçamentos, tem que ser o orçamento menor. Aí conversamos com a 
comunidade, mandamos a nota, aí foi aprovado o orçamento; aí veio o 
parquinho lá pro local. Então, assim, tanto pra nós quanto para a 
comunidade que a gente conversou, sempre assim, o dinheiro que vinha 
tinha uma transparência. 
 
Não importava o valor do bem, tudo tinha que contar com orçamentos e 
ter aprovação prévia da Caixa. 
No entendimento do sujeito 3 a transparência existe, mas o fato do 
processo ser muito burocrático demanda muito tempo para sua finalização. Os 
relatórios precisam seguir no prazo e de modo muito claro, para que haja as 
liberações de verba. Se não estão corretos, não há liberação. 
A Caixa libera 80% e a Prefeitura precisa liberar a contrapartida de 20%. 
Diz que \u201c[...] com o social é a mesma coisa. Se a gente vai comprar um computador, 
a empresa que vai vender esse computador, a loja que vai vender esse computador 
pra gente, ela tem que ter como segurar para que ela receba depois. Então é meio 
moroso.\u201d 
Até as horas de trabalho são computadas e precisam constar dos 
relatórios, para que o pagamento à equipe ocorra. \u201cPor exemplo, quantas horas a 
gente gastou em tal atividade? Quantas horas gastou num relatório? Aí você 
contabiliza para justificar todo o trabalho com as horas que eu tenho que fazer no 
projeto, senão eu não recebo\u201d. 
Também no entendimento do sujeito 4 há transparência. Acha que o 
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é um bom projeto, em relação à 
transparência na aplicação de recursos. Diz: 
 
Ah! Existe. Na verdade o PAC eu achei um bom projeto, assim com relação 
à transparência na aplicação dos recursos. Tudo você tem que ter as 
contas, e assim é também a obra à qual é vinculado o projeto social. A obra 
é mês a mês medida, eles veem o que foi gasto e devolvem para a 
prefeitura o que foi gasto. Então a prefeitura sempre paga antes e recebe o 
ressarcimento depois. Depois de ter apresentado todas as notas e feito o 
relatório de como foi usado cada recurso. 
 
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Reforça que há muito cuidado na análise da Caixa, que repassa as 
verbas do governo federal. Percebe-se que há transparência em tudo o que se gasta 
dentro do Projeto do Trabalho Técnico Social. 
Também o sujeito 5 acredita que há transparência, na medida em que há 
necessidade de prestar contas e apresentar as notas fiscais. No entanto, não sabe 
se há algum problema com parte dos processos em que há demora. O caso do 
galpão dos catadores ele não consegue entender porque tanta demora na liberação. 
Até para que haja o lanche que é distribuído para as pessoas que participam das 
reuniões, quer sejam dos catadores ou dos bolsistas, precisa passar pelo crivo dos 
orçamentos. 
Vale relatar na íntegra o comentário do sujeito 6 em relação à 
transparência, conforme segue: 
 
Eu acho que hoje existe mais. A gente ouve muito falar dos PACs antigos, 
que começou e parou tudo, com um monte de problemas, de recursos 
desviados e tal. A gente vê hoje aqui, quantas vezes a gente fica sem o 
pagamento, porque não libera enquanto não está tudo em ordem. Enquanto 
uma prestação de contas antes não foi feita, o recurso não sai. Se faltou a 
prestação de contas da obra não sai o recurso social; faltou o recurso social 
não sai o da obra. E não é assim, dá o dinheiro que você vai executar e 
prestar contas; não, você