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Aula 3: Período da Unidade Cristã * Édito de Milão: O Édito de Milão foi um documento promulgado por Constantino I, tetrarca ocidental, e Licínio, tetrarca Oriental, em 313 d.C. Foi criado para estabelecer a convivência pacífica entre os vários grupos religiosos, dando fim oficialmente às perseguições aos cristãos. A aplicação do Edito fez devolver os lugares de culto e as propriedades confiscadas dos cristãos e vendidas em hasta pública: ...o mesmo será devolvido aos cristãos sem pagamento de qualquer indenização e sem qualquer fraude ou decepção... (Santos, 2006). Com isso, houve a liberação para que a Igreja pudesse exercesse suas obras assistenciais e atividades religiosas. OBS: Édito de Milão - O documento também ficou conhecido por Édito da Tolerância, pois determinava a neutralidade do Império Romano em relação às crenças religiosas. * Édito de Milão, março de 313 d.C.: “Nós, Constantino e Licínio, imperadores, encontrando-nos em Milão para conferenciar a respeito do bem e da segurança do império, decidimos que, entre tantas coisas benéficas à comunidade, o culto divino deve ser a nossa primeira e principal preocupação. Pareceu-nos justo que todos, os cristãos inclusive, gozem da liberdade de seguir o culto e a religião de sua preferência. Assim qualquer divindade que no céu mora ser-nos-á propícia a nós e a todos nossos súditos. Decretamos, portanto, que, não obstante a existência de anteriores instruções relativas aos cristãos, os que optarem pela religião de Cristo sejam autorizados a abraçá-la sem estorvo ou empecilho, e que ninguém absolutamente os impeça ou moleste... . Observai outrossim, que também todos os demais terão garantia a livre e irrestrita prática de suas respectivas religiões, pois está de acordo com a estrutura estatal e com a paz vigente que asseguremos a cada cidadão a liberdade de culto segundo sua consciência e eleição; não pretendemos negar a consideração que merecem as religiões e seus adeptos. Outrossim, com referência aos cristãos, ampliando normas estabelecidas já sobre os lugares de seus cultos, é-nos grato ordenar, pela presente, que todos os que compraram esses locais os restituam aos cristãos sem qualquer pretensão a pagamento... [as igrejas recebidas como donativo e os demais que antigamente pertenciam aos cristãos deviam ser devolvidos. Os proprietários, porém, podiam requerer compensação.] Use-se da máxima diligência no cumprimento das ordenanças a favor dos cristãos e obedeça-se a esta lei com presteza, para se possibilitar a realização de nosso propósito de instaurar a tranquilidade pública. Assim continue o favor divino, já experimentado em empreendimentos momentosíssimos, outorgando-nos o sucesso, garantia do bem comum.” * Influência do Cristianismo na Enfermagem: O cristianismo começou sua expansão em Jerusalém, e em seguida, em todo o Oriente Médio, acabando por se tornar a religião oficial da Armênia em 301, da Etiópia em 325, da Geórgia em 337, e depois a Igreja estatal do Império Romano em 380.Os cristãos foram responsáveis pela maior revolução social de todos os tempos, afetando todas as outras fés, mudando o curso da história humana e Influenciando positivamente na mudança de comportamento dos indivíduos e da família. Eles se convertiam ao ver o testemunho dos cristãos, quando comentavam: “Vejam como eles se amam”. Foi o testemunho do amor, conforme o relato dos Atos dos Apóstolos (cap. 2 e 4) que provocou a conversão dos pagãos. Nesta época, os pobres e enfermos foram objeto de cuidados especiais por parte da Igreja. Após a promulgação do Edito de Milão, houve a liberação, para que a Igreja exercesse suas atividades religiosas e assistenciais. Pedro, o apóstolo, ordenou diáconos para socorrerem os necessitados, e diaconisas para dar igual assistência às mulheres. Com isso, ocorreu uma profunda modificação na assistência aos doentes. Estes passaram a ser acolhidos em casas particulares ou em hospitais organizados para assistência, chamados de diaconias. Esses espaços passaram a ser dirigidos pelas abadessas, que trabalhavam para o progresso dos hospitais e cuidados aos doentes. Ao longo da sua história, a religião tem resistido à antipatia e a disputas teológicas que resultaram em muitas igrejas distintas. Os maiores ramos do cristianismo são as Igrejas Católica Romana, Ortodoxa e Protestante. OBS: Cristianismo - A principal fundamentação da religião cristã encontra-se na afirmação de que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que a doutrina da Trindade é o ensinamento de que existe apenas um Deus em todo o Universo, nenhum antes e nenhum depois (Isaías 44:6,8). Ele consiste de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. O Pai não é a mesma pessoa do Filho, que não é a mesma pessoa do Espírito, que não é a mesma pessoa do Pai. Desta forma, não existem três deuses, mas apenas um. * A Reforma Protestante: Após a Idade Média, a Igreja passou a arrecadar altas somas em dinheiro dos seus fiéis, apoiada pelo sistema feudal, distanciando-se de seus princípios e tendo como plano de fundo o cunho religioso. Influenciada pela política, a Igreja se afastava de seus ensinamentos e caía em contradição, vendendo indulgências, e assim, acumulava fortuna. Entretanto, seu discurso era outro, pois pregava que qualquer cristão poderia comprar o perdão por seus pecados, condenando a acumulação de capitais individuais. Tudo isso foi o motivo da revolta de Martinho Lutero, dando início à Reforma Protestante. Logo, a burguesia ascendente, insatisfeita com essa atitude da Igreja, necessitava de uma religião que a eximisse dos pecados da acumulação de dinheiro. Assim, Martinho Lutero, monge agostiniano da região da saxônia, desencadeou a Reforma Protestante ao discordar publicamente da prática de venda de indulgências pelo Papa Leão X. * Decadência do cuidado de Enfermagem: Com a Reforma Religiosa e a decadência do Cristianismo, os religiosos na Alemanha e na Inglaterra foram expulsos e substituídos nos hospitais, por pessoas de baixa escala social e de caráter duvidoso. Por trabalharem pesado e terem baixos salários, extraíam dinheiro dos indigentes e os deixavam morrer. Não tinham noção de higiene e, por causa da comida escassa, não havia interesse em amenizar o sofrimento físico ou moral dos enfermos. Com o intuito de esclarecer e reduzir os problemas, o Papa convocou o Concílio de Trento, para que fosse discutida a questão do cuidado aos enfermos. Estipulou ainda, que os bispos passassem a organizar, manter e fiscalizar os serviços hospitalares. Com a promulgação do Concílio de Trento, surgem várias organizações religiosas dedicadas à enfermagem: os irmãos S. João de Deus, São Camilo de Lellis (padroeiro da enfermagem), São Carlos, as Terceiras Franciscanas, entre outras. Porém, todo esse movimento não foi capaz de evoluir a enfermagem técnico-cientifica.